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O que é Estresse
Estresse é o nome dado para a alteração que o organismo tem quando se
sente em uma situação de perigo ou ameaça. Trata-se de uma reação natural do
organismo. Esse mecanismo nos coloca em estado de alerta ou alarme, provocando
alterações físicas e emocionais. A reação ao estresse é uma atitude biológica
necessária para a adaptação a situações novas.
Existem diversos motivos que podem causar estresse em uma pessoa,
podendo acarretar diferentes sensações, entre elas:
- Dificuldades financeiras;
- Problemas nos relacionamentos;
- Eventos traumáticos;
- Problemas no trabalho;
- Insegurança e problemas em relação a autoestima;
- Questões familiares;
- Dificuldades na vida acadêmica ou escolar;
- Alterações no humor;
- Mudanças bruscas e significativas;
- Doença no contexto pessoal ou familiar;
- Luto pela morte de alguém próximo.
O estresse pode ocorrer de forma aguda ou crônica. O Estresse Agudo é
intenso e curto, sendo causado normalmente por situações ou problemas
importantes, mas passageiros. Já o Estresse Crônico passa a ser constante no dia a
dia.
O mecanismo do Estresse tem três fases:
Fase de Alerta: ocorre quando o indivíduo entra em contato com o
agente/situação estressora. Nesse momento, a pessoa pode apresentar mãos e/ou
pés frios; boca seca; dor no estômago; suor; tensão e dor muscular, por exemplo, na
região dos ombros; aperto na mandíbula/ranger os dentes ou roer unhas/ponta da
caneta; diarreia passageira; distúrbios do sono; batimentos cardíacos acelerados;
respiração ofegante; aumento súbito e passageiro da pressão sanguínea; agitação.
Caso a ameaça/ problema transgrida a capacidade inicial de enfrentamento
imediato, o corpo e a mente deverão despender mais esforços para tentar a solução
da questão.
Fase de Resistência: o corpo luta para voltar ao seu equilíbrio. Nessa fase a
pessoa pode apresentar dificuldades na memória e concentração; mal-estar;
formigamento intermitente nas extremidades (mãos e/ou pés); sensação de
desgaste físico; mudança no apetite; aparecimento de problemas de pele; queda de
cabelo; baixa imunidade; halitose; alterações na pressão arterial; cefaleia; tontura;
sensação de angústia e tristeza; problemas digestivos: refluxo, azia, gastrite,
diarreia; sensibilidade emotiva excessiva; pensamento constante sobre o agente
estressor; aumento da irritabilidade; desejo sexual diminuído. Nessa fase, o
organismo pode se adaptar ao problema ou eliminá-lo, caso isso não ocorra pode-se
chegar a fase da exaustão.
Fase de Exaustão: nessa fase, podem surgir diversos comprometimentos
físicos e psíquicos em forma de doença, como transtornos de ansiedade ou
depressão; síndrome do intestino irritável; disfunções sexuais; formigamento mais
frequente nas extremidades; insônia; tiques nervosos; hipertensão arterial;
problemas de pele prolongados; mudança extrema de apetite; tontura frequente;
úlcera; impossibilidade de trabalhar; pesadelos; apatia; cansaço excessivo e
constante; irritabilidade frequente; sensação de angústia e tristeza constantes;
perda do senso de humor.
Cabe também destacar aqui o Transtorno do Estresse Pós-Traumático
(TEPT), que pode ser desencadeado por algum episódio que cause estresse agudo.
O quadro acontece quando a pessoa acaba sendo vítima ou testemunha de atos
violentos ou de situações traumáticas, bem como situações de ameaça à sua vida
ou a de terceiros. O TEPT pode ser definido como um distúrbio da ansiedade,
trazendo sinais e sintomas emocionais, psíquicos e físicos como: estreitamento do
campo da consciência; dificuldades para manter atenção ou integrar estímulos;
desorientação. Pode ser seguido de distanciamento do ambiente ou agitação, além
da possibilidade de fazer amnésia parcial ou completa.
Consta na descrição do CID 43.0: “O transtorno se acompanha
frequentemente de sintomas neurovegetativos de uma ansiedade de pânico
(taquicardia, transpiração, ondas de calor)”.
Estresse, Autoconhecimento e Autocuidado
Como vimos acima, é impossível passar pela vida sem vivenciar o estresse
em alguns momentos. Isto porque ele surge nas mudanças e adversidades que são
próprias da experiência humana.
Entretanto, é possível vivenciar o estresse sem desenvolvermos doenças
físicas e mentais. Para isso, é necessário aprimorar o autoconhecimento, pois
somente assim seremos capazes de identificar os sinais precoces do estresse e
promovermos o autocuidado para mitigar os fatores estressores e evitar o avanço
do quadro.
Nesse sentido, é importante destacar que algumas adversidades da vida são
inevitáveis e irreversíveis, como a morte de uma pessoa querida, uma demissão ou
o fim definitivo de um relacionamento. Nesses casos, será necessário um olhar
sensível de autocuidado e autocompaixão para o acolhimento e elaboração do luto.
De modo que será necessário desacelerar e compreender que é tempo de silenciar
dentro de si, tanto quanto possível, os apelos das exigências externas para focar
nas necessidades internas de cuidado.
Em alguns casos faz-se necessária a busca pelo atendimento de
profissionais especialistas em saúde mental, como o psicoterapeuta. Também cabe
destacar que a adoção de hábitos mais saudáveis podem contribuir para a
diminuição dos sinais de estresse, como a melhora na qualidade da alimentação,
incluir atividades físicas e momentos de relaxamento e lazer na rotina, fazer
exercícios de relaxamento, respiração e meditação e, principalmente, respeitar o
ritmo e o momento psíquico, propiciando momentos de pausa e descanso, sempre
que possível.
Afinal, diferente das máquinas, nós somos sensíveis a todas as mudanças
que se operam na nossa vida, e cada mudança pede um tempo de adaptação que
precisamos respeitar.
Outra questão a ser abordada aqui é que muitas vezes o estresse está
relacionado a situações e relações que não nos são saudáveis, mas insistimos em
manter por algum motivo. Isso pode acontecer no trabalho ou na vida pessoal.
Nesses casos, os sintomas do estresse tendem a se cronificar e podem nos
adoecer, até que haja uma decisão que oriente o comportamento para a mudança e
o rompimento de alguns ciclos. Aqui, o profissional de saúde mental também pode
trazer contribuições importantes, ajudando a identificar os motivos pelos quais
algumas formas de relacionamento são mantidas e no fortalecimento para as
mudanças necessárias.
É sempre importante lembrar que, como humanos, temos limites físicos,
psíquicos e emocionais que devem ser respeitados, e a transgressão prolongada
desses limites pode resultar num quadro de insatisfação que favorece a
manutenção dos quadros de estresse. Assim, é crucial mantermos a reflexão sobre
o que faz sentido e o que já deixou de fazer sentido na vida e na rotina e, sempre
que necessário, promover mudanças.

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