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NA HIPERTROFIA NUTRICIONAL Prescrição Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 3 1 2 3 4 5 6 Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 Função: A principal função do musculo esquelético é de fato contrair. Esta contração possibilita o movimento de estruturas a ele conectadas como os osso, controlando assim o movimento corporal. Além de ainda permitir o movimento de outros elementos como sangue e até mesmo alimentos. Esta função é atribuída a sua característica com células dotadas de filamentos contráteis. Composição da Fibra Muscular: Uma observação importante é que as células musculares também são chamadas de fibras musculares, devido a suas características alongadas. Estas células são ricas principalmente (obviamente a fibra muscular possui outros componentes) em Actina (filamentos finos) e Miosina (filamentos grossos) os principais responsáveis pela contração muscular. Existem basicamente 3 tipos de Músculos, considerando suas características principais: o estriado esquelético; o estriado cardíaco; o músculo liso. A célula muscular ou fibra muscular do Musculo Estriado Esquelético possui organização diferente com relação aos filamentos de actina e miosina, conferindo uma estrutura ‘’estriada’’ (por isso o termo estriado) ao observamos a nível microscópico, ao mesmo tempo ele está ligado ao esqueleto (por isso esquelético). 4 1. Fisiologia do ganho de massa muscular O Músculo Esquelético Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 5 Ela possui duas características muito importantes: o Ela tem ação voluntária controlada pelo Sistema Nervoso Central que através dos nervos espinhais e cranianos irá controlar ‘’que musculo será ativado’’ o Ela pode aumentar de tamanho, o que confere a ela maior importância do que os outros tecidos frente ao que será tratado nesta obra e por isso, foco nela: Tipos de Fibra Muscular: No musculo estriado esquelético temos 2 tipos PRINCIPAIS (atualmente a ciência já trabalha com a possibilidade de mais de 7 tipos) de fibras e as proporções destas variam entre diferentes músculos e obviamente diferentes pessoas. o Fibras de Contração rápida ou do tipo II – estas têm como característica ações musculares com alta geração de força e tensão e rapidez. A literatura muda com relação a descobertas no que tange a fisiologia, mas no presente momento (com algumas divergências) se reconhecem 3 subtipos das fibras de tipo II: IIA; IIX; IIB. Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 6 o Fibras de Contração lenta ou do tipo I – estas têm como característica marcante a grande quantidade de mitocôndrias, que confere além de uma maior resistência a exaustão, a coloração avermelhada. Suas principais características são descritas abaixo: Características Fibras do tipo I Fibras do tipo IIA Fibras do tipo IIX Fibras do tipo IIB RESISTÊNCIA ALTA MODERADA-MODERADA BAIXA COM RELAÇÃO A ALTA FADIGA PRODUÇÃO DE BAIXA MODERADA ALTA MUITO ALTA TENSÃO DURAÇÃO HORAS ABAIXO DE 30 ABAIXO DE 5 MIN ABAIXO DE 1 MIN MAXIMA DO USO MIN PRINCIPAL TRIACILGLICERÓIS FOSFOCREATINA, FOSFOCREATINA, FOSFOCREATINA, FONTE DE GLICOGENIO GLICOGENIO GLICOGENIO ENERGIA PREDOMINÂNCIA ESPORTES COMO WEIGHTLIFTING, WEIGHTLIFTING, WEIGHTLIFTING, NOS ESPORTES MARATONA, POWERLIFTING, POWERLIFTING, POWERLIFTING, CICLISMO BODYBUILDING, BODYBUILDING, BODYBUILDING, CORRIDAS DE CORRIDAS DE CORRIDAS DE CURTA CURTA CURTA DISTÂNCIA DISTÂNCIA DISTÂNCIA Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 7 As fibras musculares e seus tipos possuem características próprias que podem determinar de alguma forma o provável sucesso em determinados esportes. Esta probabilidade de direcionar indivíduos conforme predominância dos tipos de fibras é estudada há certo tempo e na década de 70 já possuíamos bons dados a respeito de capacidade aeróbia e anaeróbia com relação a tipos de fibras predominantes. Este tipo de imagem costuma circular, atribuindo determinados tipos de ações e esportes com a predominância de fibras. Apesar de ter sim um bom fundo de teoria e prática, é preciso prestar atenção pois constantemente novos dados apontam direcionamentos mais detalhados que vão desde a conversão entre subtipos de fibras do tipo II e até mesmo a provavel conversão entre tipos de fibras. Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 As conversões que podem ocorrer entre subtipos já são bem claras e fazem parte justamente do estímulo (treinamento) que é exercido sobre o ser humano (WILSON et al., 2012). É uma probabilidade debatida a possivel conversão entre tipos (I e II) porém a literatura principalmente dos anos 2000 e 2010 ainda possui bastante trabalhos controversos sobre isso, portanto é preciso cautela, e mesmo que trabalhos importantes da área estejam em conformidade com a possivel mudança de fibras entre seus tipos (PLOTKIN et al., 2021) minha opinião é que a aplicabilidade disto no tema abordado nesta obra (Hipertrofia) não é (AINDA) tão significativa, mas definitivamente a conversão entre subtipos existe conforme o estímulo do treinamento e a predominância de tipos de fibras para determinadas pessoas também. Por exemplo: Você já deve ter se questionado como alguém responde tão bem a maratonas? Como alguém responde tão bem a ganho de força? E meu questionamento agora pra você é: Já se perguntou por que algumas pessoas parecem responder (nas mesmas condições) melhor que outras no quesito: HIPERTROFIA? → Uma das possibilidades é justamente as características das fibras musculares predominantes, uma vez que as fibras do tipo II possuem um potencial de crescimento muscular muito mais significativo que as do tipo I (pode chegar até 70-80% mais). É importante frisar que utilizar de uma lógica simplista para por exemplo direcionar treinos específicos conforme tipo de fibras ou ‘’biotipo’’ do indivíduo é algo que ainda carece de evidências sólidas, e ao mesmo tempo note que a leitura radical do tema pode trazer equívocos, por exemplo: estou dizendo aqui que as 8 Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 O tecido muscular corresponde usualmente a 40-50% da massa total de um ser humano saudável. As células musculares são pois o citoplasma dela é lotado de proteinas contrateis e o turnover destas proteinas pode impactar no tamanho e na função das miofibrilas. Após estímulo para isso, novas proteinas e organelas se acumulam no citosol da célula, aumentando o volume celular. O aumento do volume celular chama-se hipertrofia, o aumento do volume da célula muscular esquelética, chama-se hipertrofia muscular esquelética (SARTORI; ROMANELLO; SANDRI, 2021). Na minha opinião a melhor proposta de definição do conceito de hipertrofia até o momento é: ‘’um aumento no tamanho do músculo esquelético acompanhado por um aumento na abundância de minerais, proteínas ou substratos (por exemplo, glicogênio e triglicerídeos intramusculares)’’ 9 fibras do tipo II possuem maior característica de hipertrofiar do que as fibras do tipo I, mas isso não quer dizer que as fibras do tipo I não hipertrofiem (OGBORN; SCHOENFELD, 2014). E além da questão relacionada a predominância de fibras, existem outros fatores determinantes de Hipertrofia que veremos a seguir, mas antes: O que é a Hipertrofia Muscular Esquelética: Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 10 O hormônio insulina e o IGF-1 são potentes anabolizantes que coordenam crescimento muscular, eles se ligam a receptores específicos que sinalizam vários eventos que modulam as proteinas (de maneira positiva ou negativa). A Há vias sinalizadoras que induzem o crescimento muscular, as duas1 a 3 dias/semana) moderadamente ativo (45 minutos de atividade física em intensidade moderada, 3 a 5 dias/semana) muito ativo (treino de 1 hora, 6 a 7 dias/semana) extremamente ativo (treinamento muito árduo incluindo musculação pesada 2 a 3 vezes/semana) 1,55 1,725 1,9 MULTIPLICADOR 1,2 1,375 Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 58 *Distribuição da frequência do valor do NAF incluindo indivíduos adultos com gasto energético avaliado por água duplamente marcada. Homens (N = 358): barras em preto; Mulheres (N = 490): Barras em branco. Dados de Westerterp (2017). Trazendo uma abordagem prática é muito comum que os pacientes se mantenham numa margem de 1,5 a 1,85, 1,9. De fatos NAF acima de 2 são extremamente raros de se observar na prática clínica. *Perceba que estes propostos por Cuninghan são menores que os propostos pela OMS e menos espaçados, e tenho esta preferência devido à alta margem de superestimação do Gasto com Atividade Física* Uma das formas para medir nível de atividade física de maneira mais precisa é a água duplamente marcada, cabe salientar novamente que o Nível de atividade Física dos humanos é a divisão do Gasto Energético Total pelo Gasto Energético em Repouso e esta divisão ajusta as diferenças entre tamanho dos sujeitos, uma vez que um sujeito maior tende a gastar mais energia em repouso que um sujeito menor. O artigo de WESTERTERP (2017) (WESTERTERP, 2017) traz um compilado desde a década de 1980 com estudos em adultos com ampla variação de altura, massa corporal, IMC e idade e mesmo com esta grande variação entre dados, o NAF costuma ser ‘’estreito’’: Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 59 Sendo assim, digamos que este paciente do exemplo anterior (com TMR de 2149 kcal por dia tem um NAF de 1,55, logo: GET = TMR x NAF. GET = 2149 x 1,55 = 3331 kcal de Gasto Energético Total Diário. *Não se preocupe que você ainda terá vários exemplos. Ainda existe uma outra possibilidade de estimarmos o gasto envolvido em atividades e exercício físico, que o comitê Olimpico Internacional inclusive indica a possibilidade principalmente com esportistas, os MET’s: Equivalentes Metabólicos (MET’s): Os MET’s são outra forma de estimarmos o gasto com exercícios físicos. É basicamente definido como o compêndio de atividades físicas e é largamente utilizado para estimar gastos energéticos, principalmente em exercícios físicos. Os números definidos dos METS são a razão entre a taxa metabólica de trabalho e uma taxa metabólica de repouso padrão de 1,0 kcal · kg −1 · h −1. 1 MET é considerado o custo de energia de uma pessoa em repouso. Usa-se como padrão o custo energético relativo ao repouso, para tanto com relação ao consumo de oxigênio: 1 MET equivale a cerca de 3,5 mL de oxigênio · kg − 1 de peso corporal · min − 1 ou 1 kcal · kg · h − 1 de peso corporal. Em resumo prático, isso significa que o gasto do repouso por minuto equivale a 3,5 ml de oxigênio e que isto representa cerca de 1 Caloria por kg de peso corporal por hora, logo, para Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 60 estimativa do gasto referente a atividade precisamos de: o peso do indivíduo; o tempo da atividade em horas; o valor do MET referente a atividade ou exercício selecionado. A tabela pode ser encontrada em: https://sites.google.com/site/compendiumofphysicalactivities/ Num exemplo, queremos saber através dos MET’s o gasto energético aproximado de um adulto de 75 kg no golfe (MET do golfe = 4,8). Ele pratica o golfe durante 30 minutos. KCAL = MET x PESO (KG) x TEMPO DE EXERCÍCIO EM HORAS (AINSWORTH et al., 2011) No nosso exemplo: 4,8 x 75 x 0,5 = 180 kcal. Este sujeito gasta aproximadamente 180 kcal no tempo referido na atividade selecionada. Como este é um compendio de várias atividades diárias e não somente esportes, podemos inclusive utilizar MET’s de atividades como: varrer a casa, meditar, dormir, assistir TV em silêncio. Inclusive há nutricionistas que estimam todo o dia do paciente e utilizam dos MET’s ou de métodos fatoriais para subdividir o gasto energético total e estimá-lo. Porém não recomendo, uma vez que foge da linha da praticidade no consultório. Existe um método em conformidade com pesquisadores da nutrição esportiva que possibilitam a adequação da seguinte situação para esportistas, principalmente: utilizar um FA referente ao estilo de vida e ainda adicionar o gasto Calórico referente aos MET’s do exercicio que ele executa. Ou seja: GET =TMR x FA + MET’s (Do exercicio físico em questão Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 https://sites.google.com/site/compendiumofphysicalactivities/ https://sites.google.com/site/compendiumofphysicalactivities/ 61 Equações preditivas para atletas amadores ou profissionais: CUNNINGHAM (1980) Cálculo da TMR CUNNINGHAM (1991) Cálculo da TMR *Nota: esta é a mesma equação de KatchMacardle (que foi baseada em Cunningham em 1991) OWEN Cálculo da TMR TMR = 50.4 + (21 × P) TMR = 370 + 21,6 x Massa Livre de Gordura (kg) TMR = 500 + 22 x Massa Livre de Gordura (kg) Num exemplo, digamos que estamos diante de um paciente com 80 kg, 15% de gordura, faz uma hora de exercicio por dia com o MET equivalente a 9 e tem como características de NAF 1,375 levando um nível levemente ativo. Sugestão: GET =TMR x FA + MET’s (Do exercicio físico em questão) TMR (Cunningham, 1980) =500 + 22 x Massa Livre de Gordura (kg) TMR = 500 + 22 x 68 TMR = 500 + 1496 TMR = 1996 kcal GET = 1996 x 1,375 + MET’s Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 62 O peso em libras pode ser obtido multiplicando seu peso em kg por 2,2. Após, principalmente em indivíduos que treinam musculação, este Fator de AF pode ser utilizado: GET = 2744 kcal aproximadamente + MET’s MET = 80 x 9 x 1 = 720 GET = 2744 + 720 GET = 3464 kcal por dia aproximadamente. Ainda uma outra possibilidade EXTREMAMENTE prática que temos acesso e que rotineiramente importantes pesquisadores do tema assumem ser uma possibilidade é: CARACTERÍSTICAS FA Sedentário; treina 3 a 6x por 1,3 semana Exemplo: Trabalha em escritório e fora dos treinos baixíssimo nível de atividade física Ligeiramente Ativo; treina 3 a 6x 1,5 por semana Exemplo: Trabalha em escritório, mas ainda além disso, caminha mesmo nos dias de treino Moderadamente ativo; treina 3 1,7 a 6x por semana Exemplo: Trabalha por exemplo como carteiro. Joga padel ocasionalmente TMR = PESO EM LIBRAS x 10 Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 63 Muito ativo; treina 3 a 6x por 1,9 semana Exemplo: Trabalha como personal e ainda caminha ativamente mesmo nos dias de treino Exemplo: sujeito com 70 kg que trabalha como personal trainer e treina 5x por semana. TMR = 70 x 2,2 x 10 TMR = 1540 GET = TMR x FA GET = 1540 x 1,9 GET = 2926 kcal aproximadamente por dia. Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 64 O método de track: Por mais que equações para estimar o gasto energético diário tenham uma valia gigantesca na formulação de dietas, este é um método muito legal que me baseei para ensinar você a descobrir o Gasto Calórico Diário do seu paciente. ‘’Track’’ I. DURANTE 20 DIAS: I - Oriente o paciente a manter normalmente sua rotina com relação a comida e Atividade Física. Faça o track das calorias consumidas (isso é facilmente obtido através de aplicativos dispostos gratuitamente na internet) e rastreie a média consumida durante 20 dias (basta somar e dividir por 20) II – Oriente o paciente a se pesar todos os dias pela manhã se possivel com as mesmas condições (vestimentas, esvaziamento gástrico, etc.) III – Compare o pesomédio dos primeiros 10 dias com o peso médio dos últimos 10 dias. - SE GANHOU PESO: Provavel que tenha sido consumido mais Calorias do que as Calorias de Manutenção. - SE PERDEU PESO: Provavel que tenha consumido menos Calorias do que as Calorias de Manutenção. O GRANDE LANCE: Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 65 - SE MANTEVE O PESO (O QUE MUITO PROVAVELMENTE IRÁ ACONTECER SE JÁ TEM UMA ROTINA PRÉ ESTABELECIDA): Provavel que tenha consumido as Calorias de Manutenção, logo pode ter uma ideia de como proceder a partir daqui. Exemplo: 2500 Calorias consumidas em média. A partir daqui você pode direcionar conforme objetivo e necessidades específicas. Sugestão para rastreio: DIÁRIO ALIMENTAR Este pode ser feito de diversas formas, inclusive os aplicativos para dietas costumam ter a possibilidade de fotografar os alimentos que o paciente está comendo. Se estamos falando de um paciente experiente, é possivel a orientação até mesmo de pesagem dos alimentos e relato específico (se é light, por exemplo). O paciente pode detalhar desta forma (Exemplo): REFEIÇÃO HORÁRIO OBSERVAÇÕES SUCO DE LARANJA 08:00 SENTIU FOME ATÉ AS (200 ML) 12:00 1 BANANA MÉDIA Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 66 2 COLHERES DE SOPA DE AVEIA 2 OVOS 1 CONCHA DE FEIJÃO 12:00 3 COLHERES DE SOPA DE ARROZ BRANCO COZIDO 120 GRAMAS DE LOMBO SUINO SUCO DE UVA (300 ML) MEIO ABACATE 17:00 1 SCOOP DE WHEY 250 ML DE LEITE INTEGRAL NÃO CONTABILIZOU VEGETAIS, MAS TENTOU ATINGIR METADE DO PRATO LOMBO SUINO: FRITO COM 2 COLHERES DE SOPA DE ÓLEO DE SOJA Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 67 2 SANDUICHES (4 21:00 OBSERVAÇÃO: PÃO FATIAS DE PÃO) NUTRELLA 100% INTEGRAL 100 GRAMAS DE FRANGO GRELHADO 2 FATIAS DE QUEIJO 2 COLHERES DE SOPA DE REQUEIJÃO O nutricionista pode se basear no padrão para contabilizar as Calorias que esse paciente já vem consumindo, é bem usual que os pacientes já tenham um padrão de consumo pré-estabelecido, com poucas variações, principalmente quem já está praticando exercicio físico, por exemplo. Veja: REFEIÇÃO CALORIAS APROXIMADAS SUCO DE LARANJA 90 (200 ML) 1 BANANA MÉDIA 70 2 COLHERES DE SOPA 115 DE AVEIA Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 68 2 OVOS 1 CONCHA DE FEIJÃO 3 COLHERES DE SOPA DE ARROZ BRANCO COZIDO 120 GRAMAS DE LOMBO SUINO SUCO DE UVA (300 ML) MEIO ABACATE 1 SCOOP DE WHEY 250 ML DE LEITE INTEGRAL 2 SANDUICHES (4 FATIAS DE PÃO) 140 110 95 345 125 345 120 155 250 180 Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 69 100 GRAMAS DE FRANGO GRELHADO 130 2 FATIAS DE QUEIJO 135 2 COLHERES DE SOPA DE REQUEIJÃO Calorias totais aproximadas desta dieta: 2400 kcal. Partindo da hipótese que o paciente vem mantendo o peso, é muito provavel que estas Calorias se estabeleçam como as Calorias de manutenção dele. Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 70 5. Casos Clínicos PERCEBA que até aqui descobrimos as Calorias de Manutenção do nosso paciente, logo ainda falta adicionar o superávit que iremos realizar e a distribuição dos macronutrientes. Sendo assim, vamos para alguns exemplos clínicos: Caso Clínico 1: Paciente do sexo feminino, com 60 kg e 18% de gordura. Está em nível intermediário de treinamento, treina musculação todos os dias da semana e trabalha como advogada. Sugestão de fórmula: tinsley (2019) TMR = 25,9 x MLG + 284 TMR = 25,9 x 55,8 + 284 TMR = 1729 kcal aproximadamente GET = TMR x FA Sugiro um FA de 1,55 GET = 1729 x 1,55 GET = 2680 Superávit a ser adicionado: Intermediário 15-20% ou 350 a 500 kcal Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 71 VET = 2680 + 500 kcal VET = 3180 kcal Distribuição de Macronutrientes: Sugiro, se possivel, iniciar com a adequação proteica. Porém não é um problema iniciar com percentuais, ou outro macronutriente. O fato é que na prática clinica costumo observar inadequação proteica. 60 x 2 = 120 gramas de proteínas totais na dieta, o que em Calorias representa (basta utilizar os fatores de Atwater, onde 1 g de proteina = 4 kcal) 120 x 4 = 480 kcal A partir daqui há diversas formas que podem ser distribuídos os outros macronutrientes (gordura e carboidrato), exemplo: 480 kcal de proteina, representam 15 % da quantidade energética total. Você pode utilizar 60% da composição em carboidratos e 25% em lipideos que irá estar em conformidade com indicações para hipertrofia, veja: 60% de 3180 = 1908 kcal de carboidratos, que para descobrir as gramas basta dividir por 4, logo 1908 ÷ 4 = 477 gramas, que ao dividir pelo peso da paciente (60) da cerca de 7,9 gramas de carboidratos por kg de peso corporal, encontrando-se no limite superior. Sugiro uma observação cautelosa de como irá ser sua resposta frente a composição corporal. Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 72 25% de 3180 = 795 kcal de lipídeos, que para descobrir as gramas basta dividir por 9, logo 795 ÷ 9 = 88,3 g de lipideos, que ao dividir pelo peso do paciente (60) dá cerca de 1,47 g de lipídeos. Sendo assim, a distribuição desta dieta ficou: % Total Gramagem por kg CARBOIDRATOS 60 1908 kcal – 477 g 7,9 PROTEÍNAS 15 480 kcal -120g 2 LIPÍDEOS 25 795 kcal – 88,3 g 1,47 Uma observação prática: A gramagem de lipideos ficou levemente maior por kg de peso do que 1 g por kg de peso (recomendação mínima na hipertrofia associada ao ganho de peso), enquanto carboidratos ficaram no limite de 60% e proteinas não chegaram nas recomendações máximas, logo se quiser intercambiar entre carboidratos, proteínas e lipideos, é uma estrategia válida, exemplo: Se adicionar mais 0,2 gramas de proteinas por kg de peso, para ficar com 2,2 g por kg de peso, você vai adicionar 0,2 x 60 =30 gramas de proteinas, ou sejam 120 kcal. Para manter a quantidade energética, basta tirar 30 gramas de carboidratos OU se preferir tirar 120 kcal de lipideos (120 ÷ 9 = 13,3 g aproximadamente de lipídeos) Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 73 Caso Clínico 2: Paciente com 78 kg, nivel avançado de treinamento e 8% de gordura. Pela experiência prévia aplicou corretamente o método de track que correspondeu a 3100 kcal por dia em que vêm mantendo o peso de maneira constante há 1 ano. Sugestão: adição direta do superávit. Avançado 10-15% ou 250 a 400 kcal 3100 + 15% = 3100 + 465 VET = 3565 kcal Distribuição de macronutrientes: 1,8 gramas de proteinas por kg de peso 78 x 1,8 = 140,4 gramas 140,4 x 4 = 562 kcal aproximadamente Carboidratos: 6g por kg de peso 6 x 78 = 468 g 468 x 4 = 1872 kcal Lipídeos Sobraram: 3565 – 562 + 1872 = 1131 kcal para colocar em lipídeos 1131 ÷ 9 = 125 gramas aproximadamente Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 74 125 ÷ 78 = 1,6 g de lipideos por kg de peso corporal. Para descobrir o percentual de cada elemento: Carboidratos – 1872 kcal em 3565 representa: 52,5 % Proteínas – 562 kcal em 3565 representa: 15,8 % Lipídeos - 1131 kcal em 3565 representa: 31,7% A distribuição desta dieta ficou: % Total Gramagem por kg CARBOIDRATOS 52,5 1872 kcal – 468 g 6 PROTEÍNAS 15,8 562 kcal – 140,4g 1,8 LIPÍDEOS 31,7 1131 kcal – 125 g 1,6 Uma observação prática Perceba que a quantidade de lipídeos ficou levemente acima do limite superior ao fim da montagem. Pode ser uma estratégia aumentar a gramagem de carboidratos até atingir cerca de 25 a 30% de lipídeos, exemplos: Retirar 5% da dieta em lipídeos, logo irá retirar 178,25 kcal de lipídeos ou 19,8 gramas. Estas178,25 kcal você poderá adicionar em forma de carboidratos, por exemplo, basta dividir por 4 para saber a gramagem: 178,25 ÷ 4 = 44,56 gramas. Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 75 GET = 1650 x 1,9 GET = 3135 Adição do superávit: Iniciante 20-25% ou 500 a 1000 kcal Por mais que exista a recomendação para iniciantes, eu opto usualmente na prática clínica por algo mais conservador, começo com a adição de 500 kcal e vou observando ao longo das semanas. Caso Clínico 3: Paciente com 1,75 metros e 75 kg. Iniciante no treinamento, faz musculação de 4 a 6 vezes na semana e trabalha como personal trainer. É possível utilizar a maneira mais simplista de cálculo neste caso, Sugestão: TMR = Peso em libras x 10 TMR = (75 x 2,2) X 10 TMR = 165 x 10 TMR = 1650 kcal GET = TMR x FA CARACTERÍSTICAS FA Muito ativo; treina 3 a 6x por 1,9 semana Exemplo: Trabalha como personal e ainda caminha ativamente mesmo nos dias de treino Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 76 VET = 3135 + 500 VET = 3635 kcal Sugestao em divisão direta pelo percentual: 55% de carboidratos: 1999,25 kcal ÷ 4 = 499,8 g – 6,66 g por kg de peso 20% em proteinas: 727 kcal ÷ 4 = 181,75 g – 2,42 g por kg de peso 25% em lipídeos: 908,75 kcal ÷ 9 = 101 g – 1,35 g por kg de peso Se você quiser, uma vez que a gramagem proteica ficou um pouco acima do limite superior, você pode retirar as 0,2 gramas por kg de peso que ‘’sobraram’’ para adicionar em forma de carboidratos, veja: 0,2 x 78 kg = 15,6 g de proteinas que em Calorias é aproximadamente igual aos carboidratos (os fatores de Atwater são uma aproximação), logo basta adicionar 15,6 gramas de carboidratos, ficando a dieta disposta: Carboidratos: 499,8 g + 15,6 g = 515,4 g -- 6,9 g por kg de peso Carboidratos: 2062 kcal –- 56,7% Proteínas: 181,75 g – 15,6 g = 166,15 g -- 2,22 g por kg de peso Proteínas: 664,6 kcal – 18,3% Lipídeos não serão mexidos: 25% em lipídeos: 908,75 kcal ÷ 9 = 101 g – 1,35 g por kg de peso Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 77 Uma observação prática Se você quiser fracionar as refeições de maneira adequada, pense primeiramente na distribuição proteica (lembra 20-40g ou por kg de peso), se pensar em possibilidades variações de 20 a 30 gramas de proteínas, podemos optar por: → 110 gramas de peito de frango grelhado: 30 gramas de proteinas → 30 gramas de whey protein concentrado: 22 gramas de proteinas → 4 unidades de ovos de galinha: 23 gramas de proteinas → 120 gramas de peixe grelhado: 28 gramas de proteina → 600 gramas de iogurte integral: 20 gramas de proteinas → 600 ml de leite integral: 20 gramas de proteinas → 100 gramas de carne bovina grelhada: 24 gramas de proteinas → 120 gramas de soja cozida: 20 gramas de proteinas Obviamente, distribuir isso através de softwares de estrutura dietética é muito mais fácil e adequado, recomendo fortemente a utilização do app DietBox para tal, veja um exemplo: *Perceba que o próprio aplicativo irá organizar a quantidade de proteínas, carboidratos e lipídeos. O acesso ao aplicativo dietbox pode ser adquirido aqui: https://dietbox.me/pt- BR/home (Com a possibilidade de experimentação GRATUITA). Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 https://dietbox.me/pt-BR/home https://dietbox.me/pt-BR/home https://dietbox.me/pt-BR/home https://dietbox.me/pt-BR/home https://dietbox.me/pt-BR/home https://dietbox.me/pt-BR/home 78 E a aplicação do FA muito ativo, dado as características: Logo: GET = TMR x FA GET = 1825 x 1,725 GET = 3148 kcal aproximadamente. Veja que o cálculo destas Calorias de manutenção pode ser feito facilmente com a utilização do software: Caso Clínico 4: Paciente homem praticante de judô, faz 1 hora de judô por dia 3 x na semana e intercala com 3x na semana de musculação, treina ambos há 6 anos e pensa em hipertrofia muscular associada com o ganho de peso. Atualmente tem 70 kg, 15% de gordura e 1,75 m. Para o cálculo da TMR neste caso sugiro a utilização da fórmula de Tinsley: TMR = 25,9 x MLG + 284 TMR = 25,9 x 59,5 + 284 TMR = 1825 kcal muito ativo (treino de 1 hora, 6 a 7 dias/semana) 1,725 Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 79 Agora na adição do superávit: Avançado VET = GET + 10% VET = 3148 + 315 kcal VET = 3463 kcal Sugestão de distribuição: 60% em carboidratos 10-15% ou 250 a 400 kcal Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 80 3463 x 0,6 = 2078 kcal ÷ 4 = 519,5 g 519,5 g ÷ 70 kg = 7,4 g por kg de peso corporal em CHO 25% em lipídeos 3463 x 0,25 = 865,8 kcal ÷ 9 = 96,2 g 96,2 g ÷ 70 kg = 1,37 g de lipideos por kg de peso corporal 15% em proteinas 3463 x 0,15 = 519,5 kcal ÷ 4 = 130 g 130 g ÷ 70 kg = 1,86 g de proteínas por kg de peso corporal Observação prática 1: Normalmente a divisão entre 60 x 25 x 15 % de carboidratos, proteínas e lipídeos se comporta adequadamente na alocação frente a hipertrofia. Observação prática 2: Veja como esta distribuição é fácil de observar no software sugerido Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 81 Caso Clínico 5: Paciente em nível avançado de treinamento, sexo feminino. Treina 5 vezes na semana musculação com moderada intensidade e no restante do tempo apresenta um comportamento sedentário. 1,60 m de altura, 58 kg e 15% de gordura. É possível neste caso a aplicação do cálculo prático demonstrado anteriormente, veja: TMR = Peso em libras x 10 TMR = (58 x 2,2) x 10 TMR = 1276 kcal GET = TMR x FA Sedentário; treina 3 a 6x por 1,3 semana Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 82 Exemplo: Trabalha em escritório e fora dos treinos baixíssimo nível de atividade física GET = TMR x FA GET = 1276 x 1,3 GET = 1659 kcal VET = GET + SUPERÁVIT Avançado 10-15% ou 250 a 400 kcal VET = 1659 + 400 kcal VET = 2060 kcal aproximadamente Observação prática: veja também a possibilidade do auxílio do software na formulação da divisão conforme a nossa intenção Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 83 Observação prática 2: ainda, se você quiser é possível iniciar a distribuição pelas gramas por kg de peso de cada macronutriente: Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 6. Diferenças na prescrição para hipertrofia entre homens e mulheres: Apesar destas diferenças parecerem lógicas, a literatura tem uma lacuna muito importante sobre recomendações nutricionais especificas voltadas para mulheres quando se trata de hipertrofia, força e composição corporal. Apesar de várias especulações, ainda não se sabe se diferenças com relação a produção hormonal e fases especificas (ciclo menstrual) teriam efeito significativo a ponto de necessitar recomendações nutricionais muito diferentes do sexo masculino, mas vejamos o que a literatura aborda (WOHLGEMUTH et al., 2021). Quando falamos sobre ingestão calórica é observado tanto na prática clínica quanto na literatura que é comum mulheres consumirem menos Calorias que homens. Porém, mulheres devem ter uma cautela maior no assunto restrição de energia uma vez que são mais sucintas a alterações metabólicas e hormonais relacionadas a privação energética. Apesar de ainda não existir um consenso sobre o assunto, é provável que existam aumentos na TMR devido a certas fases do ciclo menstrual, mas que ainda não implicam em cálculos. Nos macronutrientes há indícios que mulheres e homens respondem de maneira diferente frente a recargas de carboidratos na performance atlética, e possivelmente isso não se difere frente a fase do ciclo menstrual. Dentro da hipertrofia especificamentenão parece haver recomendações especificas para homens ou mulheres frente a gramagem de carboidratos. Quanto ao consumo de gorduras, sabemos que fases especificas (como a fase lútea, por exemplo) podem promover maior aumento da lipólise e o contrário é observado durante a fase folicular. Em exercicio, logicamente a depender de volume e intensidade, é provável que as mulheres dependam mais do metabolismo lipídico do que os homens. Porém isso tambem não representa a necessidade de diferenças na prescrição frente a hipertrofia. 84 Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 85 Na fase lútea, as mulheres atingem o pico de estrogênio e progesterona que pode aumentar a quebra de proteinas em repouso e representa tambem menores níveis plasmáticos de aminoácidos, o que indica uma POSSÍVEL necessidade aumentada de proteinas nessa fase. Apesar de termos algumas evidencias que sugerem uma necessidade diferença entre homens e mulheres na necessidade proteica, isso ainda não está totalmente claro em questão de ‘’quanto’’, por exemplo: seria necessária uma margem diferente de 1,6 a 2,2 g por g de peso? Provavelmente não. Sendo assim, até o presente momento, minhas recomendações se assemelham tanto para homens quanto para mulheres, principalmente pois os cálculos aqui oferecidos também equalizam por massa livre de gordura. Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 86 7. Como avaliar a progressão do paciente: Para se realizar uma avaliação física é preciso tomar consciência sobre alguns aspectos, por exemplo, para realmente aferirmos quanta gordura um ser humano possui seria necessária uma dissecação de cadáver, tanto que as informações sobre modelos de composição corporal foram primeiramente obtidas assim e estas análises forneceram a estrutura para modelos de análise corporal e sua composição que podem dividir o corpo em 2, 3 ou 4 componentes. O de dois componentes considera a massa corporal distribuída entre massa livre de gordura (ou massa magra, que é a mesma coisa) e a massa gorda, sendo assim o modelo de 2 componentes possui uma desvantagem clara que é heterogeneidade da massa magra ou massa livre de gordura que pode incluir água, musculos, glicogênio, ossos, vísceras etc. Normalmente esta divisão é observada ao utilizarmos uma adipometria e equação para estimar o percentual de gordura em um paciente. O de três componentes divide a massa corporal total entre massa gorda, porém divide a massa livre de gordura em água corporal total e massa seca livre de gordura. O DXA, modelo utilizado muito em laboratórios de pesquisa se baseia em 3 componentes. Já o modelo de 4 componentes divide em repartições de gordura, água corporal total, minerais ósseos e resíduo. Sendo assim, algumas observações: - O modelo de 2 compartimentos (MASSA CORPORAL = MASSA LIVRE DE GORDURA + MASSA GORDA) é mais utilizado na prática clínica através da adipometria, porém há maneiras de estimar o modelo próximo de 4 compartimentos. Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 87 - Massa magra e massa livre de gordura são as mesmas coisas, porém, massa muscular ou tecido muscular é outra (está contido na massa magra, mas nem toda massa magra é tecido muscular) - O termo ‘’corretamente aplicado’’ para o que chamamos de peso corporal é massa corporal, porém para evitar confusões na leitura, iremos intercambiar entre os dois termos significando a mesma coisa. Usualmente na prática clínica para análise de hipertrofia utilizaremos as seguintes medições: Antropometria: circunferências de segmentos corporais, peso corporal e altura. Adipometria (espessura da dobra cutânea): esta se baseia na relação entre a gordura subcutânea, a gordura interna e a densidade corporal total. A soma das dobras escolhidas conforme equação para a população em questão, irão estimar o percentual de gordura total e densidade corporal total, e num modelo bi compartimental ou de dois componentes como mencionado anteriormente, iremos dividir o que é massa magra ou massa livre de gordura e gordura (massa gorda). - Fotos: podem ser um método tão ou mais preciso que que a avaliação de composição corporal. Isso se dá principalmente pelas avaliações em geral possuírem uma margem de erro, e as fotos poderem dar uma noção mais real do que está acontecendo com seu corpo. Gostaríamos de fato de ter acesso a este tipo de imagem: Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 88 Porém o máximo que teremos a disposição, possivelmente será: - Profissional que possa avaliar através de dobras cutâneas ou outros métodos de preferência do profissional em questão. Abaixo uma avaliação que realizo com meus pacientes através do ultrassom BodyMetrix: É importante frisar que a literatura científica tenta estipular padrões específicos para avaliação através de mensuração de percentual de gordura por digitalização de fotos (AFFUSO et al., 2018) porém são métodos destinados a profissionais que trabalhem especificamente com isso e talvez não caiba a explicação de momento, mas é importante termos a ciencia que existem tais métodos. Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 89 *imagem retirada do artigo de Affuso et al. (2018) Também não esqueça que as fotos a nível de publicação e divulgação são perigosas frente ao conselho de ética profissional da nossa profissão, é preciso antes de qualquer tomada de decisão nesse sentido consultar as regulamentações. Cientistas procuram constantemente validar métodos para analisar hipertrofia muscular esquelética (HAUN et al., 2019) porém normalmente são métodos caros e de difícil aplicação em consultório, eu realmente acredito que o controle sobre o ganho de peso quando se trata de hipertrofia e dobras cutâneas (controlar a elevação delas) pode ser uma forma prática em consultório. Por exemplo a utilização da tabela de ganho de peso APROXIMADO proposta por alguns pesquisadores como Alan Aragon são bem interessantes. Iniciantes no treinamento Intermediários no treinamento Avançados no Treinamento ganhos de 1 a 1,5% do peso corporal total por mês ganhos de 0,5 a 1% do peso corporal total por mês ganhos de 0,25 a 0,5% do peso corporal total por mês. Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 90 Pensamos em 3 condições possíveis no processo: Mesmo seguindo todos os cálculos propostos ou método de track: É preciso avaliar constantemente para um consenso sobre o objetivo, uma vez que não necessariamente manter peso significa não ganhar massa magra. Caso exista a ideia de ganho de peso e este não está acontecendo, uma adição razoável de 200-250 Calorias pode ser interessante no Valor Energético Total Diário. É preciso conversar sempre com o paciente a respeito se os acontecimentos vêm suprindo seu objetivo, nesse modo avaliar o que está acontecendo é uma estratégia bem interessante. Após isso, se for decidido que o peso está acima das expectativas, uma redução aproximada de 200 Calorias do Valor Energético Total Diário é interessante. Uma atitude mais agressiva neste caso, pode impor uma progressão maior no processo. Sugiro uma adição gradual semanal de 300, 400, e por fim 500 Calorias a mais do que ele vem consumindo diariamente. → Meu paciente está exageradamente → Meu paciente está mantendo peso → Meu paciente está perdendo peso: ganhando peso Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 91 Analisar e comparar medidas: Uma estratégia prática interessante é a comparação específica de medidas, principalmente do seu paciente com modelos referência para análise de hipertrofia (improvável não pensar em fisiculturistas). Neste sentido, temos dados de diversos estudos (apesar de nãohaver um consenso) sobre características de indivíduos engajados no esporte. Este artigo (CEVALLOS et al., 2019) por exemplo analisou 24 fisiculturistas quanto a medições antropométricas: Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 92 Ainda assim, é preciso ressaltar que acredito ser difícil a comparação de pacientes corriqueiros no consultorio e fisiculturistas, portanto há duas condições especificas que eu particularmente gosto: a aplicação do bulking durante um periodo maximo de 5 meses e adiar ele até alcançar o maximo de soma das dobras possivel até entrar no nivel regular ou atingir o limite de percentual de gordura (se existir uma segurança alta para aplicação da avaliação) de 23-24% aproximadamente para mulheres e 17-18% para homens, passando assim para a aplicação da definição muscular ou cutting posterior. Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 Fim Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153mais conhecidas são: Ainda, há a possibilidade de 3 tipos de hipertrofia muscular: hipertrofia do tecido conjuntivo, hipertrofia miofibrilar e hipertrofia sarcoplasmática (HAUN et al., 2019). Porém as mudanças que ocorrem no turnover de proteínas levando ao crescimento muscular (aumento da síntese com relação a degradação proteica) não pode ser visto como um processo simplista pois é dependente de muitos fatores. Mecanismos que regulam a Hipertrofia Muscular: A Hipertrofia Muscular Esquelética é estudada há tempo considerável, e há diversos debates interessantes a respeito de seus mecanismos, porém alguns pontos parecem estar bem estabelecidos na literatura (SARTORI; ROMANELLO; SANDRI, 2021; SCHIAFFINO et al., 2021), vejamos alguns: Vias Sinalizadoras Via INSULINA/IGF-1-AKT-mTOR Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 Esta via que também regula o crescimento do musculo tem relação com uma importante proteina já bastante conhecida: a miostatina: membro de uma familia com mais de 30 ligantes, sendo a miostatina importante devido seus estudos prévios em animais mostrando sua importante relação com crescimento muscular. Existe uma conversa cruzada entre o eixo AKT/mTOR e a miostatina. Tendo a inibição desta uma importante ativação muscular, ou seja, a miostatina regula negativamente o crescimento muscular. 11 sinalização de IGF-1 e insulina é concomitante com a enzima mTOR quinase que integra múltiplos sistemas e que ao reagir com diferentes proteinas forma dois complexos: o mTORC1 e o C2, o 1 regula vários processos anabólicos como a síntese proteica e o C2 está mais relacionado a homeostase glicêmica. Os dados mais atuais sugerem que a mTORC1 tem realmente um papel muito importante (mas não exclusivo) na regulação do crescimento muscular. Friso aqui o ‘’não exclusivo’’ pois creditar a hipertrofia a uma única via é equivocado e pode causar confusões muito vistas na prática como por exemplo: acreditar que um suplemento induz hipertrofia apenas por estimular a via mTOR. Via TGFΒ/Miostatina/actina/BMP Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 12 (SCHOENFELD, 2010) O estudo de inibidores da miostatina é importante também no campo de doenças que afetam o crescimento muscular (HAIDET et al., 2008) *Outras vias que sinalizam o crescimento muscular: Sinalização Beta- Adrenérgica; Fator de Transcrição SRF* Hormonio que deriva do colesterol com potente efeito de anabolismo muscular. A maior parte é sintetizada e secretada pelas células de Leydig (nos testículos) pelo eixo hipotalamo-hipofise-eixo gonadal e pequenas quantidades derivadas das suprarenais e ovarios. Os efeitos dos hormonios nos musculos começaram seus estudos pré clinicos (em animais) e normalmente são discutidos seus Testosterona: Hormônios na regulação do crescimento muscular Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 13 É considerado o mais anabólico dos hormonios. É um hormonio peptidico e tem semelhanças na sua estrutura com a insulina (por isso o nome). Promove o crescimento do musculo esqueletico aumentando a sintese de miofibrilas. Além de induzir a incorporação de células satélites a celulas musculares. efeitos sem a adição de exercicio, por exemplo, mas sabe-se que o mesmo potencializa sua ação e isto será discutido posteriormente. A testosterona atua no aumento da massa muscular inibindo a quebra ou degradação proteica e estimulando a sintese proteica, alem de efeitos indiretos em outros hormonios anabólicos Polipetidio com propriedades que estimula a incorporação de aminoacidos em diferentes proteinas, inclusive no musculo. É secretado pela hipofise anterior e a maior secreção ocorre no sono. O GH estimula o aumento do IGF-1 expresso de maneira local no tecido que tem potente efeito hipertrófico. Hormônio do Crescimento (GH) Fator de Crescimento semelhante a insulina (IGF-1) Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 14 Exercícios ativam (por mecanismos endocrinos, paracrinos e autocrinos) as celulas satélites que saem de seu estado de quiscencia e sofrem proliferação e diferenciação, adicionando mionucleos as miofibrilas Células satélites são celulas-tronco mononucleares do musculo esquelético. O nome satélite se refere a localização que fica entre a membrana plasmática e a lamina basal. Seu interesse no campo de estudo da hipertrofia muscular está relacionado a sua capacidade de autorenovação e multidiferenciação. A adição de nucleos da celula satelite nas miofibrilas já existentes, resulta em hipertrofia muscular, basicamente quando um musculo é lesionado ou estimulado (através de exercicio), as celulas satelites são ativadas, se proliferam e se fundem com as fibras celulares já existentes para assim criar novos mionucleos, possibilitando o aumento da area de seção transversa do musculo, se isto ocorrer de maneira cronica, conforme demonstrado na figura abaixo (BAZGIR et al., 2017): Células Satélites: Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 É notado que a Hipertrofia Muscular é regulada por diversos fatores, e é preciso entender seu conceito fisiológico para entendermos que ela pode acontecer de diversas maneiras que não somente por uma via (por exemplo, é possivel ocorrer aumento da massa muscular sem treino) porém a sintese proteica muscular se sobrepondo a degradação proteica muscular, resultará em um balanço proteico positivo que se for mantido de maneira cumulativa irá ocasionar hipertrofia muscular e isso pode ser alcançado de maneira exógena, da seguinte maneira: Treino e Dieta (KRZYSZTOFIK et al., 2019). No quesito dieta todo o manejo alimentar possivel na Hipertrofia será discorrido nas próximas seções, quanto a estimulos o American College os Sports Medicine recomenda de maneira bem generalista 3-6 séries por exercicio de 1-12 repetições com uma carga que respeite 70 a 100% de 1 Repetição Maxima, porém a literatura recente demonstra diversas opções que induzem a hipertrofia de maneira tão significativa quanto (como cargas menores) em diferentes exercícios, que não somente a musculação. A hipertrofia pode ser induzida em niveis diferentes, mas pode, em diversas modalidades como treinamento funcional, crosstraining, e até mesmo em 15 Osteocalcina A osteocalcina é um hormonio que deriva dos ossos e sinaliza hipertrofia conforme estudos prévios em animais (SCHIAFFINO et al., 2020) é importante que saibamos a possibilidade deste hormonio interferir na hipertrofia, porém suas vias de sinalização e mecanismo especifico ainda vem sendo estudados. O motivo de ganharmos Massa Muscular: Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 16 exercicios de cunho aeróbio (KONOPKA; HARBER, 2014) porém precisamos deixar claro duas situações aqui: - O foco desta obra não é falar sobre prescrição de treinamentos, portanto focaremos na manipulação das variáveis dietéticas - Como grande parte da literatura disponivel observa que as maneiras mais eficazes para induzir a hipertrofia são através do treinamento com pesos (cross training; musculação; treinamento funcional, por exemplo) o foco da manipulação dietetica sera com individuos que participem destas modalidades. Como previamente mencionado, o treinamento de força (chamei de treinamento com pesos para que não exista confusão, porém as nomenclaturas mais utilizadas são ‘’resistance training’’ ou ‘’treinamento resistido’’ que faz menção a ideia de ter uma contra resistência exercendo estimulo na musculatura, ou seja: peso) associado a dieta é a intervenção não farmacológica mais eficaz para promover o aumento da area de secção transversa do musculo (hipertrofia muscular esquelética) e isso é de extremo interesse social uma vez que diversas doenças estão associadas a diminuição do tecido muscular, bemcomo melhorias estéticas e de performance são observadas no aumento e eficiência da musculatura esquelética. A indução da hipertrofia através do treinamento é algo bem estudado atualmente. Uma vez que a atividade contrátil modula a síntese proteica (estimulando a síntese no estado pós absortivo principalmente) e com correto aporte de aminoácidos, atenua a degradação, a combinação entre treinamento Como induzimos a Hipertrofia Muscular: Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 17 adequado e dieta adequada resultam em balanço proteico positivo que de maneira crônica irá levar ao aumento do tecido muscular esquelético. Na imagem abaixo, Phillips (2014) demonstra de maneira clara os efeitos do estímulo (exercício) + estado alimentado na síntese proteica, de fato grande parte das evidências demonstra um aumento na expressão da síntese proteica de até 48 horas após o estímulo (PHILLIPS, 2014). Desta forma, coube aos pesquisadores da área entender que: 1- Estímulo é um potente indutor de hipertrofia 2- É preciso associar a adequação dietética para potencializar os efeitos 3- Como descobrir qual seria ‘’o melhor’’ estímulo e a ‘’melhor’’ adequação dietética Neste sentido, Brad Schoenfeld autor da obra ‘’Ciencia e desenvolvimento da Hipertrofia Muscular’’, indica que existem 3 possiveis principais mecanismos que envolvem o desenvolvimento da Hipertrofia através do estímulo: Estresse Metabólico; Tensão Mecânica e Dano Muscular (SCHOENFELD, 2010). Estes mecanismos têm relação com a sinalização de Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 vias já mencionadas previamente e elementos importantes no processo hipertrófico (síntese proteica muscular, ativação de células satélites etc.). Sendo assim, as pesquisas sobre técnicas de treinamento procuram entender de maneira mais precisa quais as melhores organizações quanto a intensidade, volume, frequência, descanso, etc. que levarão a otimização do processo Hipertrófico. Enquanto as pesquisas sobre nutrição aplicada a hipertrofia, tentam entender quais seriam as melhores distribuições de macronutrientes, superávit energético, nutriente timing, etc. Um modelo de divisão bem didático e que achei interessante quanto a variáveis que podem interferir na hipertrofia foi proposto por Joanisse et al. (2020), onde os pesquisadores dividiram em 2 categorias(JOANISSE et al., 2020): o Variáveis Exógenas: As mais clássicas são a nutrição, treinamento, suplementação e fármacos como esteroides anabolizantes androgênicos. o Variáveis Endógenas: variáveis que usualmente são de dependências genéticas (claro que comportamento também pode afetar) como por exemplo células satélites, hormônios, receptores androgênicos, etc. Tantas variáveis que interferem na Hipertrofia Muscular, podem explicar o porquê existe tanta diferença nas respostas entre indivíduos. 18 Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 19 Variações interindividuais no ganho de massa muscular: Esta imagem abaixo foi retirada do artigo de Schiaffino et al. (2021) onde os autores adaptaram o estudo de Stec et al. (2016) para demonstrar as diferenças interindividuais entre idosos submetidos ao mesmo protocolo de treinamento de força e dividiu os mesmos em: ‘’não-responsivos’’; ‘’responsivos- moderados’’; ‘’responsivos-extremos’’ com relação a resposta hipertrófica (SCHIAFFINO et al., 2021). O percentual de mudança na area de secção transversa das fibras do tipo II pareceu se correlacionar com mudanças em marcadores de biogênese ribossômica. A ideia de ‘’non-responders’’ ou ‘’hard-gainers’’ (ideia mais informal) ou numa tradução livre: ‘’não-responsivos’’ é algo debatido consistentemente na literatura. A hipótese de que existem pessoas que NÃO RESPONDEM ao exercício físico e suas adaptações eu realmente creio não ter tanta valia, pois de alguma forma a pessoa irá responder. Porém de fato, me parece muito claro que existem pessoas que irão responder muito menos as adaptações, conforme Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 20 adaptação e estímulo (exemplo: nem todo ‘’non-responder’’ irá responder mal ao treinamento de força visando hipertrofia e ao treinamento aeróbio visando aumento de Capacidade cardiorrespiratória), como o foco desta obra é hipertrofia, vejamos alguns pontos: Esta imagem retirada do artigo de Hubal et al. (2005) e representa alterações na area de secção transversa do bíceps em relação a linha de base (barras pretas para homens e mulheres barras brancas) (HUBAL et al., 2005). Neste trabalho, 585 pessoas exercitaram da mesma forma o braço não dominante. A média de ganho ficou em 19%, porém a variação entre respostas foi bem significativa, demonstrando algo que é um tanto óbvio, porém que vem sendo estudado com frequência: as pessoas respondem de maneira diferente ao ganho de massa muscular. Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 21 *É preciso cautela na interpretação pois apesar de assustar, esta imagem é bem comum em pesquisas e a variação de respostas na população (independente das variáveis analisadas) é algo esperado. Mas fica claro que existem diferenças significativas entre indivíduos e quando vamos a prática clínica, a análise individual deve ser colocada em primeiro lugar. É importante novamente frisar que quando se trata da ideia de um ‘’não- responsivo’’ em uma pesquisa clínica, o que há de interpretar é que aquele individuo: não respondeu AO PROTOCOLO utilizado, frente a VARIÁVEL analisada, ou seja, novamente isso não impede que diferentes protocolos tenham efeito sobre outras variáveis analisadas. A adição dos Mionúcleos que é mediada por células satélites ocorre principalmente após longos períodos de treinamento, esta tem importante ação hipertrófica, como mencionado previamente. Temos dados demonstrando que indivíduos mais responsivos a hipertrofia podem experimentar de maneira mais significativa o aumento do número de células satélites (PETRELLA et al., 2008; ROBERTS et al., 2018). Variáveis que parecem ter bastante significância nas diferentes respostas: Células Satélites: Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 Na prática clínica, há uma extensa gama de profissionais que afirmam existir aquilo que chamamos de ‘’memória muscular’’, porém é preciso cautela. Esta hipótese pode ser traduzida de maneira informal no seguinte exemplo: um indivíduo treinado em hipertrofia, após acontecer o destreino, terá mais facilidade para voltar ao seu estado hipertrófico anterior devido justamente a uma memória muscular previa que causaria adaptação mais rapidamente. Esta teoria se baseia na hipótese da adição dos mionucleos que ocorre para suportar a hipertrofia muscular, não são perdidos durante o destreinamento e isso ofereceria um mecanismo mais eficiente e rápido de retreinamento. É importante frisar que esta hipótese ainda não é uma confirmação absoluta em estudos em humanos e a literatura cientifica ainda busca compreender isso, principalmente pois esta hipótese foi criada principalmente em estudos prévios em roedores (SNIJDERS et al., 2020). A confirmação disso geraria um debate muito interessante, uma vez que conferiria uma vantagem extra a indivíduos que já tenham utilizado esteroides anabolizantes androgênicos previamente, pois mesmo que o uso fosse interrompido, haveria vantagens no retreinamento devido a maior quantidade de células satélites previamente criadas durante o uso. 22 memoria muscular Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 Estado de Treinamento: É bem observado na prática clínica bem como na literatura que indivíduos em períodos mais iniciais no treinamento de força, respondem de maneira mais significativa(JUNIOR et al., 2021) Hormônios e receptores: A testosterona e outros hormônios exercem sua função no tecido muscular principalmente através da ligação a receptores (androgênicos) específicos. E além dos efeitos específicos dos hormônios anabólicos, a quantidade de receptores androgênicos no musculo esquelético dos seres humanos, costuma se correlacionar com aumentos da area de secção transversa do musculo e isso também parece ser um diferencial entre pessoas que respondem bem a hipertrofia e pessoas que respondem mal. Ou seja, além de obviamente níveis hormonais interferirem no processo de hipertrofia muscular, aumentos na proteina dos receptores androgênicos, tambem. Genética: É preciso entender (por mais que isso possa assustar um pouco) que os conceitos relacionados a ‘’genética’’ como variação genética entre genótipos não parece ter influência tão significativa entre a resposta (hipertrófica) de bons respondedores e mau respondedores. Prefiro não entrar na discussão sobre polimorfismos e demais assuntos vinculados, por não ser uma área de domínio. 23 Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 Utilização de esteroides: A utilização de esteroides possui diversas vias de promoção de hipertrofia muscular esquelética e a sinalização dos receptores androgênicos no musculo também tem relação com aumento da proliferação de células satélites. Este aumento e incorporação das células satélites a fibras musculares pré- existentes parece ser um processo chave fornecido pelos esteroides anabolizantes androgênicos (KADI et al., 1999) e por isso existe um debate interessante sobre o tema: ‘’Um indivíduo que usou esteroides anabolizantes em um momento, mas não utilizou mais, teria vantagens adicionais posteriores, mesmo sem o uso?’’ Ao mesmo tempo outros fatores também tem forte relação entre uso de esteroides e ganho de massa muscular: aumento da síntese proteica e degradação proteica, diminuição da expressão de miostatina, maior retenção de nitrogênio, maior entrega de oxigênio ao tecido muscular, dentre outros (PITTELOUD et al., 2005; DE SOUZA; HALLACK, 2011; KRAUSS et al., 1991). Sendo assim é algo bem óbvio: esteroides aumentam o potencial hipertrófico, e algo bem curioso (talvez uma discussão mais social) é que até a década de 80, grande parte do debate e dos estudos sobre o tema discutiam, não se eles poderiam fazer mal, mas sim se eles teriam efeito realmente significativo na performance e como proceder frente a ideia de substâncias a serem banidas etc. Antes dos anos 2000 foi um periodo curioso com relação a estudos envolvendo as drogas para promoção de hipertrofia, estudos coordenados principalmente por Shalender Bhasin que atualmente não iremos ver com tanta frequência. Alguns estudos acho interessante explanar aqui: 24 Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 PLACEBO COM EXERCÍCIO FISICO 600 mg DE ENANTATO DE TESTOSTERONA COM EXERCÍCIO FÍSICO 25 O primeiro a ser explanado e talvez o mais famoso, dada sua magnitude e riqueza de informações adquiridas, foi o trabalho intitulado ‘’Efeitos de doses supra fisiológicas de testosterona no tamanho e força muscular em homens normais’’ (HALENDER et al., 1996), 40 homens foram divididos em 4 grupos: → PLACEBO (ou seja, algo que imitava a testosterona, mas não tinha efeito algum) SEM EXERCÍCIO FISICO → 600 mg DE ENANTATO DE TESTOSTERONA SEM EXERCICIO FISICO Para termos uma noção: a terapia de reposição hormonal em homens, usualmente gira em torno de 150 mg de testosterona por semana, ou seja, os grupos experimentais utilizavam aproximadamente 4x mais por semana. Este estudo durou 10 semanas e os resultados foram surpreendentes: → → Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 26 MASSA MAGRA AGACHAMENTO SUPINO PLACEBO - - - SOMENTE EXERCÍCIO 2 kg 21% 11% SOMENTE 2,9 kg 19% 10% TESTOSTERONA TEXTO + EXERCÍCIO 5,9 kg 38% 22% O óbvio foi evidente: o grupo em combinação de testosterona e exercicio físico obteve os maiores ganhos gerais, mas a atenção volta-se para: O grupo que utilizou esteroide anabolizante androgênico e SEM exercicio teve maior ganho de força e massa magra do que o grupo COM exercicio, mas sem esteroide. Vale ressaltar alguns pontos: 1. Exercicio e dieta foram padronizados, porém este campo avança muito ano após ano e os resultados poderiam ser diferentes. 2. É comum, principalmente no meio do fisiculturismo doses inclusive bem maiores. 3. Esteroides SOZINHOS não determinam sucesso no físico, mas inegavelmente eles são um fator a ser considerado quando se discute evolução. Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 27 Com relação a dose resposta, fato ainda pouco compreendido, há um estudo bem interessante (BHASIN et al., 2001) realizado pelo mesmo grupo que deu doses diferentes de enantato de testosterona durante 20 semanas para homens saudáveis que durante o estudo, permaneceram inativos. As doses foram de 25, 50, 125, 300 e 600 mg. As doses de 25 e 50 não produziram efeito significativo na massa magra e aparentemente o aumento foi progressivo frente ao aumento da dose. 25 mg 50 mg 125 mg 300 mg 600 mg MASSA - - + 3,4 kg + 5,2 kg + 7,9 kg MAGRA Em outro trabalho (BHASIN et al., 1997), sete homens hipogonádicos, 19-47 anos de idade, após pelo menos 12 semanas de washout da terapia androgênica anterior, foram tratados por 10 semanas com enantato de testosterona (100 mg/semana) por injeções. Sem treino, houve aumento no tríceps e quadríceps medidos por ressonância magnética, sem ganho de gordura e um ganho médio de massa magra de 5 kg. É importante ressaltar que esteroides anabolizantes androgênicos tem e inclusive foram criados para fins terapêuticos: quero deixar claro que em diversas situações fármacos que são comumente utilizados na estética e na performance, são também utilizados para atenuar a progressão de diversas doenças, inclusive grande parte destes foram criados neste intuito, como é o caso da Oxandrolona, criada pela Pfizer e introduzida no mercado na década de 60 com a promessa de diminuir a rápida perda de peso que alguns pacientes Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 28 apresentavam e síndromes catabólicas, posteriormente sendo utilizada com pessoas infectadas pelo HIV que apresentassem este sintoma característico. Ainda neste sentido, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma das principais causas de incapacidade crônica em todo mundo e a meta análise de ensaios clínicos randomizados realizada em 2014 (PAN et al., 2014) observou que o uso terapêutico dos esteroides anabolizantes na DPOC pode aumentar a massa magra dos pacientes acometidos com esta doença e a qualidade de vida. Na infecção por HIV, a principal dificuldade das décadas passadas era controlar a perda de peso que aumentava morbidade e mortalidade da doença, revisões sistemáticas com ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo no início do século XXI (KONG; EDMONDS, 2002) mostram claramente a possibilidade da administração da testosterona como um fármaco de controle na perda de massa muscular que acomete estes pacientes. Sobre a infecção pelo HIV, após a forte inclusão da terapia antirretroviral na década de 90, a progressão natural da doença mudou muito, então o foco dos tratamentos voltou-se para atenuar a progressão das comorbidades e envelhecimento progressivo dos pacientes, sendo uma destas comorbidades associadas o comprometimento do eixo hipotalâmico-pituitário-gonadal ou seja, o hipogonadismo, o declínio da testosterona relacionado à idade, em pacientes infectados pelo HIV costuma ser antecipado, sendo que na população em geral, este quadro já é um marcador de fragilidade, no pacientes comHIV a terapia com testosterona além de procurar melhorar quadros como mau humo, qualidade de vida, perda de densidade mineral óssea e massa muscular, ainda foca atenção na correção de problemas hormonais, sendo um objeto de discussão frequente na área médica, a necessidade da avaliação e posterior correção dos níveis de testosterona nesta população, até mesmo mais jovens (SANTI et al., 2021). Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 29 Um problema: entender até onde se pode chegar sem esteroides é praticamente impossivel por dois motivos mais importantes: - Autorrelato: sempre que perguntamos a alguém se essa pessoa está utilizando esteroides anabolizantes androgênicos, seja no âmbito prático ou questionários Algumas coisas no campo de aplicabilidade do uso precisam ficar claras, por exemplo por mais que se especulem dosagem e efeito para doenças especificas como hipogonadismo, em doenças crônicas para que se evite a sarcopenia o efeito dose-resposta ainda precisa ser mais claramente elucidado, mesmo já se saiba que a suplementação com testosterona possa aumentar força e massa muscular, inclusive em indivíduos acometidos com sarcopenia e doenças crônicas (PARAHIBA et al., 2020; CORREA et al., 2021). Então eu te convido para o seguinte raciocínio: Se os estudos com a aprovação ética necessária ainda assim não estabelecem uma guideline ESPECÍFICA para o uso de testosterona, será que é possivel que no campo da estética, as pessoas que orientam o uso REALMENTE saibam o que estão fazendo e as possíveis consequências disso? Mas isso será discussão para outro momento, a reflexão aqui é: esteroides anabolizantes androgênicos são definitivamente um diferencial na construção de massa muscular. Mas o questionamento que ficamos é: e até onde meu paciente pode chegar de maneira natural? Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 30 As maiores probabilidades de alcance ‘’natural’’ ou seja, sem a utilização de hormônios endógenos talvez sejam os competidores de fisiculturismo de cerca de 7 décadas atras como Steeve Reeves e Reg Park, gosto de utilizar estes exemplos pois situa alguns limites visto que a maior parte dos pacientes que atendo não utiliza esteroides anabolizantes, mas é claro que devemos lembrar que atualmente o campo da ciencia do treinamento, dieta e suplementação evoluiu muito, oferecendo mais avanço nas possibilidades. científicos, a probabilidade de uma pessoa que faz o uso, confirmar o uso, é baixa. - Variáveis que interferem: mesmo que uma pessoa tenha características genéticas que possibilitem alcançar grandes níveis de massa muscular, se não houver aplicabilidade de treinamento adequado, este potencial não será explorado, o mesmo para nutrição, o mesmo para descanso, e assim por diante. Mas façamos uma análise mais minuciosa do tema: Até onde chega um indivíduo natural Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 31 Porém no site disponibilizado, este mesmo já faz todas as conversões, como no exemplo abaixo que utilizei comigo: É *PROVÁVEL* que os indivíduos acima: Steeve Reeves e posteriormente Reg Park competissem de maneira ‘’natural’’ mostrando um excelente potencial de desenvolvimento muscular. Com relação ainda na expectativa de ganho, neste site (https://dioxyme.com/pages/maximum-muscular-potential-calculator) é possivel ‘’brincar’’ um pouco com as possibilidades. Veja este exemplo que utilizei com a fórmula de Butt, que leva em consideração a estrutura óssea por meio das circunferências do pulso e do tornozelo. O seu percentual de gordura corporal também é levado em consideração ao determinar sua massa magra natural máxima. A fórmula seria esta: Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 https://dioxyme.com/pages/maximum-muscular-potential-calculator https://dioxyme.com/pages/maximum-muscular-potential-calculator https://dioxyme.com/pages/maximum-muscular-potential-calculator 32 Obviamente é preciso ter cautela com tais calculadoras, uma vez que são estimativas que por vezes carecem de evidências mais sólidas e nunca se esqueça que o desenvolvimento muscular depende de muitas variáveis. Alem das diferenças claras com relação a hormônios, homens e mulheres parecem ter diferenças com relação ao fator: contagem de células satélites e adição de mionucleos após o estímulo (treinamento). Apesar da vasta compreensão sobre a diferença fisiológica entre os sexos, por vezes a literatura se mostra conflitante ao tentar examinar as reais diferenças no ganho de massa muscular entre os gêneros. Na tentativa de compreender este processo, West et al. (2012) avaliou a resposta da síntese proteica muscular frente a ingestão proteica após exercícios de força nos dois sexos e alguns pontos curiosos foram trazidos à tona: apesar da extrema diferença nos níveis de testosterona entre homens e mulheres após o exercicio (45 vezes), as taxas de síntese proteica muscular foram bem semelhantes tanto no periodo agudo (1 a 5 horas após) quanto tardios (24h), e ainda estas diferenças hormonais não pareceram atenuar sinalizadores Sexo: Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 hipertróficos (WEST et al., 2012). De fato, a testosterona a níveis normais não parece ser um fator diferencial na síntese proteica muscular após o estimulo, porém é preciso deixar claro que a síntese proteica muscular aumentada não necessariamente será ‘’convertida’’ em mais massa muscular, mas é um marcador importante. Muitos pesquisadores ao estudar as diferenças em ganhos na area de secção transversa do musculo entre homens e mulheres alertam para alguns pontos, como: o Homens naturalmente já possuem mais massa muscular que mulheres, portanto os ganhos com relação ao estímulo devem ser relativizados. o Existem diferenças entre locais, como ganhos em membros inferiores, bíceps, etc. Esses ganhos relativos semelhantes NO GANHO DE MASSA MUSCULAR podem ser vistos em alguns estudos (CURETON et al., 1988; KOJIĆ; MANDIĆ; ILIĆ, 2021), principalmente conforme a idade avança (DA BOIT et al., 2016; OZAKI et al., 2018). Mas na minha opinião mais evidências devem esclarecer melhor este questionamento, o fato é: ambos respondem a estímulo e dieta. 33 A idade também parece ser fator importante na promoção de hipertrofia, novamente como principal mediador as células satélites e receptores androgênicos. De fato, o processo de envelhecimento costuma ser acompanhado da progressão em perda de massa magra e num processo chamado sarcopenia, a perda de força tambem. Ainda não compreendemos muito bem por que idosos são menos responsivos a ingestão proteica, porém Idade: Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 34 A imagem abaixo, adaptada do artigo de Roberts et al. (2018) ilustra de maneira bem interessante variáveis intrínsecas ou endógenas importantes na resposta hipertrófica mais facilitada para indivíduos que respondem de maneira mais significativa(ROBERTS et al., 2018). com relação ao estimulo apesar dos idosos não responderem tão efetivamente quanto indivíduos mais novos, grande parte da perda de funcionalidade tem justamente relação com o desuso da musculatura esquelética ou seja, eles precisam tanto ou até mais que sujeitos mais novos de movimento! Grorissen et al. (2020) avaliou todos os estudos anteriores do grupo que utilizou proteinas que pudessem ser medidas quanto a absorção e fez comparação entre adultos mais velhos e mais jovens e de fato parece que adultos mais velhos tem uma menor disponibilidade da proteina ingerida disponível para ser utilizada no tecido muscular. Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 Como eu sei que devo pensar exclusivamente em Hipertrofia para meu paciente: Inícioesta seção falando sobre a importância de conceitos. Quando falamos de Hipertrofia estamos falando do aumento do tecido muscular esquelético em seres humano, sendo assim, digo ao leito que todo ser humano deve em todos os momentos aumentar seu tecido muscular de maneira saudável seja um esportista ou um sedentário, uma pessoa com obesidade ou eutrofica. Temos bons indicativos que é possivel promover hipertrofia em diversos momentos do ‘’dieting’’, até mesmo durante o processo de emagrecimento, porém a ideia de prescrição voltada para hipertrofia nesta obra é justamente focar (resguardando o minimo de acúmulo de tecido adiposo) no aumento de tecido muscular esquelético, e a literatura tenta continuamente estabelecer qual seria a melhor maneira de otimizar este processo. 35 E agora vamos para a variável exógena mais importante para nós, nutricionistas: DIETA: Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 2. Quantas Calorias oferecer: Desde o início do fisiculturismo, atletas que queiram maximizar o tecido muscular sempre concordaram que a melhor maneira de atingir isso é: comendo bastante. O superávit ou excedente energético faz menção a ideia de comer acima das Calorias de Manutenção de um indivíduo (aquilo que ele gasta de Calorias ao longo do dia), o quanto deveria ser este excedente é uma boa discussão na literatura e na prática, com relatos de consumos Calóricos surpreendentes na ideia de atingir o maximo volume muscular possivel, mas vamos a alguns esclarecimentos. Todos os resultados de pesquisas atuais sobre o tema no meu ponto de vista devem sempre ser interpretados com cautela, num exemplo: o estudo de Ribeiro et al. (2019) mostrou que em bodybuilders de elite quando comparados dois grupos com relação ao superávit um grupo utilizou um superávit moderado correspondendo a uma média de 50 kcal por kg de peso por dia ou 4500 kcal por dia enquanto o outro grupo um superávit alto com uma média de 6087 kcal por dia ou 67,5 kcal por kg de peso por dia, e durante 4 semanas de treinamento de força pré estabelecido os grupos demonstraram diferenças significativas entre os resultados onde: o grupo com alto superavit apresentou significativamente maior aumento de massa magra e também de gordura (RIBEIRO et al., 2019). Porém, cautela: há quem interprete isso como ‘’quanto mais melhor’’, pois caso o indivíduo não tenha receio de acumular gordura naquele momento, não irá se importar, porém parece haver sim um limite para este superávit e ao mesmo tempo, os resultados do estudo foram através de adipometro e equações (que possuem viés) e em bodybuilders. Quando se fala de maximizar hipertrofia muscular, realmente as concentrações dos estudos se voltam para fisiculturistas e os pesquisadores Brad Schoenfeld e Alan Aragon são grandes referencias na area. No 36 Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 interessante trabalho de 2020 sobre o tema (ARAGON; SCHOENFELD, 2020) e alguns pontos importantes são debatidos. → é possivel realmente que indivíduos menos treinados ou iniciantes no caso, respondam melhor ao desenvolvimento de massa muscular → indivíduos treinados são mais propensos a ganhar gordura com um superávit exagerado, e isso normalmente se observa na literatura → ajustes individuais devem ser feitos devido a variabilidade de resposta (principalmente relacionado a diferença de gasto em atividade física entre os pacientes) Por mais que muitos entusiastas do assunto aleguem deter a verdade sobre superavit calórico para oferecer hipertrofia de maneira otimizada, a GRANDE verdade é que até hoje temos muitas especulações sobre o tema, principalmente por que entender o gasto energético para promoção de aumento do tecido muscular é bem complexo (SLATER et al., 2019), veja: 37 Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 38 Grande parte da orientação sobre superávit para promoção de hipertrofia é baseada em especulação sobre a energia armazenada dentro do tecido muscular (porém há diversos mecanismos esquecidos como custo de ajustes metabólicos que acontecem durante o superavit e ganho de peso se ocorrer. As propostas mais conservadoras (SLATER et al., 2019) trabalham com algo girando em torno de 350 a 500 kcal de superávit por dia, porém acompanhar mudanças na composição corporal possibilitando um acréscimo menor ou menor. Já modelos um pouco mais ousados chegam a oferecer o acréscimo de até 1000 kcal, porém também sempre preconizando a vigilância por parte do profissional. Estimular a Hipertrofia Muscular Compensações em elementos do Gasto Energético Total (TMR; NEAT) Custo energético do treinamento e elevação metabólica pós exercício Custo energético para aumentar turnover proteico Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 39 A melhor visão que eu posso ter sobre o assunto até o presente momento é: Nível de Treinamento Superávit Iniciante 20-25% ou 500 a 1000 kcal Intermediário 15-20% ou 350 a 500 kcal Avançado 10-15% ou 250 a 400 kcal Outro problema: definir qual o nível de treinamento do paciente. A classificação do status de treinamento na musculação ou treinamento com pesos em geral de alguém é algo de extrema dificuldade pois envolve muitos fatores como técnica, tempo de treino e nível de força. Apesar de considerar as guidelines do American College, eu sugiro uma observação um pouco diferente do proposto: Nivel de Treinamento Características Iniciante 0 a 12 meses de treinos ininterruptos com técnica adequada e possivel acompanhamento Intermediário 12 a 24 meses de treinos ininterruptos com técnica adequada e possivel acompanhamento Avançado >24 meses de treinos ininterruptos com técnica adequada e possivel acompanhamento Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 40 Para isso, minha sugestao é: Antes de qualquer recomendação pense se a avaliação está sendo feita de maneira adequada, se sim, sugiro o foco especial para iniciar o processo exclusivo de hipertrofia em homens até 12, 13% e mulheres até 20, 21 no maximo 22%. Ainda, considero que a melhor solução é a conversa com o paciente para entender como ele se sente e como de fato ele está para que assim possa se chegar numa melhor estratégia, explicando pontos como o fato de que o superávit (se corretamente estruturado) irá consequentemente induzir tambem o ganho de peso concomitante. 3. Quando começar a hipertrofiar: Esta discussão é bem importante, pois como mencionado previamente a todo momento devemos pensar em ganhar massa muscular, porém otimizar o processo com sobra de energia é algo que exige cautela pois a má adequação pode resultar em ganhos no tecido adiposo. Existem vários modelos de classificação de gordura corporal dispostos na literatura, porém não esqueça que o nutricionista normalmente possui de aparatos clínicos como adipometro, fita métrica e balança, bem diferente de uma ressonância por exemplo, o que nos leva a ter cautela na classificação pois é preciso muita habilidade para que haja forte relação entre o percentual avaliado em pratica clinica o percentual real daquele individuo, a tabela a seguir demonstra (de maneira generalista) níveis de percentuais de gordura: Classificação Baixo Percentual Moderado Percentual Alto Percentual Homens 8 a 15% 16 a 20% 21% ou mais Mulheres 13 a 23% 24 a 27% 28% ou mais Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 41 Excelente Bom Regular Pior que Ruim a média Indivíduo Homem 60-80 81-90 91-110 111-150 150+ Normal Mulher 70-90 91-100 101-120 121-150 150+ Atleta Homem 40-60 61-80 81-100 101-130 130+ Mulher 50-70 71-85 86-110 111-130 130+ Uma sugestão interessante seria evitar que o individuo antes de entrarno processo voltado exclusivamente para Hipertrofia, estivesse acima dos níveis regulares, e que preferencialmente esteja entre bom e excelente. Uma outra possibilidade que vem sendo constantemente analisada é a avaliação apenas por soma das dobras. Uma vez que os métodos para análise de composição corporal disponíveis em pratica clinica costumam apresentar muita variação desde variações quanto ao profissional avaliados até mesmo variações interindividuais, a proposta de analisar as dobras isoladamente vem se solidificando. Porém ainda não há um consenso, falando de hipertrofia, de qual seria a melhor soma das dobras para que um indivíduo começasse a pensar exclusivamente em hipertrofia. Há indícios iniciais com dados baseados em atletas sobre nivelamento considerando a soma das dobras cutâneas: Tricipital, bicipital, subescapular, supraespinhal, abdominal, coxa e panturrilha. Abaixo uma tabela considerando níveis com relação a soma das 7 dobras (em mm) Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 42 4. Divisão de macronutrientes: A ingestão exata que um indivíduo deveria consumir de carboidratos ao longo do dia para otimizar o processo de ganho de massa muscular não está bem estabelecido na literatura. Apesar do foco do consumo proteico frente a hipertrofia, carboidratos são extremamente importantes no processo: como substrato energético e principalmente como ‘’um poupador proteico’’, a dificuldade ainda deste entendimento se concentra também no fato de que sessões de musculação não são tão relevantes como se pensava para que se deplete estoques de glicogênio, principalmente ao ponto de existir a necessidade imediata de consumo de carboidratos após o treino. De maneira geral as recomendações giram de 3 a 8 g por kg de peso por dia de carboidratos ou 50 a 60% de maneira relativa. Timing de Carboidratos É sugerido que adicionar carboidratos às proteinas no pós treino pode oferecer melhor liberação de insulina. Sabe-se que a insulina realmente pode melhorar o balanço proteico líquido em repouso, porém a infusão dela em estudos experimentais não tem efeito relevante sobre a síntese proteica muscular durante tempo significativo. A não necessidade de consumir carboidratos próximo ao estimulo com intuito de hipertrofia tem possivelmente relação que mesmo doses baixas de proteina já são suficientes para promover liberação de insulina suficiente para estimulo adequado de síntese proteica. Entao juntando estas ideias, se observa que a necessidade de um timing especifico de carboidratos para hipertrofia relacionado ao treino, só se fará Carboidratos Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 43 necessário em treinos que possa de fato depletar significativamente os conteúdos de glicogênio a ponto de necessitar reposição imediata, e isto na prática de indivíduos que buscam maximizar a hipertrofia muscular, é bem improvável, mas há de se considerar a individualidade (num exemplo, um sujeito praticante de crosstraining). Qualidade de Carboidratos Há várias formas de se avaliar a qualidade dos carboidratos e que fique claro que sempre, absolutamente sempre é preciso considerar o contexto em que o paciente se encontra, pois por exemplo, há indícios que mesmo em dietas com um percentual de carboidratos altíssimo e de ‘’qualidade inferior’’ ainda assim se pode ter benefícios metabólicos em uma dieta com baixas Calorias (que não é o tema desta obra). Uma das formas que podemos controlar a preferência por fontes de carboidratos é através do estímulo com relação a glicemia que estes provocam. A resposta frente a glicose absorvida no trato intestinal exerce importante efeito na manutenção dos níveis de glicose no sangue e resposta insulinêmica. Para tanto, há um interesse científico nos conceitos de Índice Glicêmico e mais atualmente principalmente a Carga Glicêmica, vejamos brevemente cada um: Índice Glicêmico: Nada mais é do que um conceito numérico, de maneira geral é utilizado para determinar o quanto a glicemia irá se elevar duas horas depois da ingestão do alimento referido. Usualmente utiliza-se ou a glicose ou o pão branco como referência em uma escala de 100 pontos. Há extensas críticas à respeito do índice glicêmico e seu real papel na saúde e composição corporal, assumindo-se atualmente como a carga glicêmica uma referência mais importante no contexto dietético. Alimentos com um alto índice glicêmico são classificados na pontuação maior ou igual a 71, moderado tem entre 56 e 70 e Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 44 baixo inferior ou igual a 55. A real aplicabilidade deste conceito merece cautela uma vez que por exemplo a simples adição de gorduras (por exemplo) a um alimento com alto índice glicêmico pode produzir efeitos na redução do seu índice. Carga Glicêmica: Este termo refere-se ao valor numérico do Índice Glicêmico multiplicado pela gramagem de carboidratos na porção do alimento escolhido. A carga Glicêmica é um importante elemento a se levar em consideração no momento da escolha do planejamento alimentar para que se evite uma resposta insulinogênica longa e contínua, prejudicando a saúde metabólica. A carga glicêmica baixa esta considerada entre 1 e 10, moderada entre 11 e 19 e alta maior ou igual a 20. Este conceito utiliza a multiplicação do índice glicêmico do alimento pela quantidade de carboidratos na porção referente e dividido por 100. Há sites que disponibilizam de maneira mais prática as informações sobre CG dos alimentos: https://glycemicindex.com/ Ao optar por alimentos com baixo índice e ou carga glicêmica, tenhamos entendimento de algumas situações: - Trabalhar com alimentos com alta carga glicêmica não será um problema desde que bem adequado no contexto alimentar; - Fontes de carboidratos com alto teor de fibras como grãos integrais e frutas são importantes alimentos na manutenção da saúde humana. Sendo assim: Sugiro a adequação de 3 a 8 gramas de carboidratos por kg de peso corporal. O motivo da faixa extensa é a possibilidade de trabalharmos tanto com um sujeito que pratica musculação de maneira usual, quanto um indivíduo que Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 Sabe-se há algum tempo que os lipideos podem regular fatores indiretos que regulam o crescimento muscular, principalmente a resposta de hormônios anabólicos. Porém, alguns estudos in vitro e in vivo vem demonstrando importante ação direta do consumo de diferentes tipos de lipideos no musculo esquelético. Há evidências interessantes sobre o consumo de ácidos graxos insaturados e atenuação de citocinas pró inflamatórias no musculo esquelético. Os ácidos graxos ômega 3 e 6 são interessantes na prevenção de perda de massa muscular e há indicativos de que altos níveis de ácidos graxos saturados principalmente em concomitância com a obesidade e marcadores inflamatórios, induzem vias sinalizadoras especificas que podem levar a perda de massa muscular (LIPINA; HUNDAL, 2017). Timing dos Lipídeos: 45 pratica crosstraining por exemplo e que busca associar a performance (não é tema desta obra, mas será da próxima). Pois mesmo a presença de uma quantidade ótima de aminoácidos as quantidades basais de insulina se comportam suficientes para estimulo de síntese proteica muscular, o consumo de carboidratos por exemplo, no pós treino, pode ser interessante para esportistas que buscam repor as reservas de glicogênio. Saber a possibilidade de adequar as fontes de carboidratos conforme preferência individual também é importante. Lipideos: Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 Tal qual carboidratos e timing de carboidratos, os lipídeos não possuem uma guideline específica quando se fala de Hipertrofia Muscular, porém alguns pontos merecem destaque como:- A depender da modalidade de treino, alguns praticantes respondem mal ao consumo exagerado de gorduras prévio ao treino, portanto é interessante que em alguns casos específicos o consumo prévio ao treino se mantenha num limite máximo de 10% da composição da refeição em lipideos. Qualidade dos lipídeos: Como mencionado anteriormente, o consumo de lipideos é importante na regulação hormonal, além de ser interessante oferecer ao paciente uma preferência as fontes de gordura insaturadas, principalmente PUFA’s. Sendo assim: Recomendo uma disposição que tenha um minimo de aproximadamente 1g por kg de peso corporal por dia de lipídeo e que preferencialmente ofereça 1,2-1,5 g de ácidos graxos ômega 3 totais por dia. 46 Dado a influência do turnover proteico no musculo esquelético e relação entre síntese e degradação proteica na construção de musculos, o equilíbrio proteico é importantíssimo na hipertrofia, sendo assim o macronutriente proteina possivelmente é o mais importante e mais pesquisado dentro da hipertrofia muscular. Mesmo as recomendações diárias usuais para humanos adultos sendo baixa, os estudos recentes apontam que há uma margem interessante de consumo adequado por dia quando se fala de aumento da Proteinas Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 47 massa magra, sendo 2,2 g por kg o limite superior e o limite inferior em 1,6 g por kg de peso corpora por dia. Qualidade da proteína São 20 aminoácidos diferentes encontrados nas proteínas e 11 podem ser sintetizados por nós, seres humanos. Uma vez que somos capazes de sintetizá-los de maneira independente eles são chamados de não essenciais. Uma vez que os outros precisamos obtê-los através da ingestão são chamados de essenciais, sendo os 9 restantes. Os essenciais são histidina, isoleucina, leucina, lisina, metionina, valina, triptofano, treonina e fenilamina. Enquanto os não essenciais são glicina, glutamina, prolina, serina, tirosina, alanina, arginina, aspartato, asparagina, glutamato e cisteina. A proteina que contém todos os aminoácidos essenciais é chamada de proteina completa e logicamente aquela deficiente em algum dos aminoácidos essenciais é chamada de proteina incompleta. Os aminoácidos essenciais são necessários para estimular a síntese proteica muscular sendo a leucina principalmente envolvida como uma espécie de ‘’gatilho’’ de ativação, e as proteinas completas (carnes em geral, lácteos, ovos e a soja) são realmente mais interessantes para construção de tecido muscular. Ainda é preciso orientar que: a preocupação com relação a qualidade deve ser um problema principalmente quando não se atinge recomendações mínimas de 1,6g por kg de peso corporal por dia, pensando assim em primeiramente adequar tais recomendações (IRAKI et al., 2019). Timing da proteina: Apesar da crença de uma necessidade imediata (abaixo de uma hora) do consumo proteico após o estímulo, importantes pesquisas sobre o tema Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 48 indicam que isso não procede, porém ainda assim existe aquilo que podemos chamar de ‘’janela anabólica’’ após o estímulo porém ela aparenta ser bem maior que uma hora. E apesar de um pouco conflitante ela a síntese proteica muscular em resposta ao estímulo e ingestão proteica, parece ter seu ápice cerca de 4 a 6 horas após o estímulo (SCHOENFELD; ARAGON; KRIEGER, 2013) e que esta síntese se mante aumentada de 24 até 48 horas após, conferindo duas hipóteses claras: procurar não deixar o paciente mais do que 4-6 horas sem ingerir uma refeição e que o contexto diário tem uma relevância muito mais que timing. Aparentemente uma dose de 3 g de leucina por refeição é o suficiente para saturar a via de sinalização da mTOR e conferir o desencadeamento da síntese proteica (o que equivaleria a cerca de 30 gramas de proteina aproximadamente) mas posicionamentos importantes frisam a ideia de pensar em um limite inferior de 20 gramas e superior de 40 gramas a cada refeição (KERKSICK et al., 2022) mas confesso que não vejo um problema o consumo acima do limite superior eventualmente. Ou ainda, pensar em dividir essa gramagem por kg de peso por refeição, caso queira ser ainda mais preciso: 0,4 g por kg de peso por refeição e no período antes do sono, 0,6 g por kg ou 40 g de proteina através por exemplo da caseína (o foco aqui não é suplementação, mas fica a ressalva) (MORTON; MCGLORY; PHILLIPS, 2015). Sendo assim: Minhas sugestões para uma adequação proteica serão em ordem: 1. Trabalhar com o limite inferior e superior diário (1,6-2,2 g por kg de peso por dia) 2. Fracionar estas proteinas ao longo de 4 ou 5 refeições mínimas por dia Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 49 Nível de Treinamento Iniciante Intermediário Avançado 3. Este fracionamento pode ser absoluto (sugiro de 20 a 40g a depender do peso do paciente) ou relativo, de 0,4 minimo por kg de peso por refeição. Preferencialmente proteínas completas, mas entender que na contagem da dieta qualquer fonte proteica irá contabilizar. Então, nossa melhor estrutura voltada para Hipertrofia fica definida em: Aporte Calórico: Superávit 20-25% ou 500 a 1000 kcal 15-20% ou 350 a 500 kcal 10-15% ou 250 a 400 kcal Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 50 Lipídeo (LIP) Proteína (PRO) Macronutriente Carboidrato (CHO) Macronutrientes: Adequação relativa ao peso e Adequação % diária observações 3 a 8 g por kg de peso por dia 50-60% • Este limite se dá devido à extensa possibilidade pessoas que buscam (indivíduos menos ou mais ativos) e exercícios que induzem (diferenças entre crosstraining e musculação por exemplo) a Hipertrofia Igual ou superior à 1 g por kg 20-30% de peso por dia • Limitar a • Ao minimo 1,5 g de ingestão de ômega-3 por dia gorduras saturadas 1,6 a 2,2 g por kg de peso por dia • Fracionar ao minimo 4 ou 5 refeições por dia • Procurar 20 a 40 g de proteina a cada refeição • Caso queira relativizar a refeição: 0,4 g de proteina por kg de peso por refeição Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 51 4. Como se calcula a distribuição de macronutrientes: A técnica de determinação de energia de um alimento é chamada de Calorimetria Direta (tal qual veremos para medida de gasto energético humano) onde este alimento é submetido a combustão e o calor resultante é contabilizado como energia, aqui no Brasil chamado de ‘’Calorias’’ (justamente com C maiúsculo) ou ‘’Kcal’’ (referente a quilocalorias). Wilbur Atwater denominou fatores de correção (fatores de Atwater) para determinar energia dos macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídeos). Existem varios dados computados de milhares de alimentos por instituições governamentais. No Brasil os mais conhecidos são o banco de dados da tabela Tucunduva e TACO. Atualmente um dos mais abrangente é o USDA National Nutrient Database (http: //ndb.nal.usda.gov/ndb/). De maneira mais simplificada muitos softwares e aplicativos possuem estes bancos de dados registrados e os profissionais da nutrição podem distribuir o planejamento alimentar com alimentos referentes e ir simultaneamente calculando a distribuição de macronutrientes e micronutrientes. Para tornar prático principalmente ajustes dietéticos assumimos o valor de 1000 calorias como 1 quilocaloria (Kcal ou Caloria com C maiúsculo observa- se também, como mencionado anteriormente). Através da oxidação realizada pelo organismo humano, aceitamos como padrão de referência os fatores de Atwater para valor energético disponível dos alimentos, assumindo: 1 grama de Carboidrato 1 grama de Proteína 1 grama de Lipídeo 4 Calorias 4 Calorias 9 Calorias *Ainda sabemos que 1 grama de álcool possui o equivalente a 7 Calorias,mesmo não sendo um macronutriente como os carboidratos, proteínas e lipídeos. Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 52 Portanto, torna-se assim simples de avaliar a composição energética de um alimento através da composição de macronutrientes, convertendo de maneira simples através dos fatores de Atwater. Exemplo: 200 gramas de determinado Alimento possuem 50 gramas de carboidratos + 15 gramas de proteínas + 10 gramas de lipídeos. Quantas Calorias este alimento possui: 50 gramas de carboidratos x 4 Calorias = 200 Calorias 15 gramas de proteínas x 4 Calorias = 60 Calorias 10 gramas de lipídeos x 9 Calorias = 90 Calorias 200 + 60 + 90 Calorias = Este alimento possui um total de 350 Kcal! O mesmo padrão pode ser utilizado em uma dieta como um todo, a exemplo: se uma dieta possui 300 gramas de carboidratos totais ela possui 1200 Kcal provenientes dos carboidratos (4 Calorias x 300 gramas), ainda se a exemplo ela possui 150 gramas de proteínas totais na dieta ela possui 600 Kcal provenientes das proteínas (4 Calorias x 150 gramas) e 50 gramas de lipídeos ela possui 450 Kcal provenientes dos lipídeos (9 Calorias x 50 gramas). Totalizando 1200 + 600 + 450 = 2250 Kcal totais. Estruturando ainda com base nos percentuais, também é prático estruturar a composição da dieta, por exemplo no esquema citado acima de recomendações, hipoteticamente pense na seguinte organização do consumo: Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 53 - 50% em Carboidratos; - 30% em Proteínas; - 20% em Lipídeos ou Gorduras (os termos são iguais); Digamos ainda que, hipoteticamente, você queira oferecer 2500 Calorias para alguém com esta combinação (50% em CHO; 30% em PRO; 20% em LIP), basta: 50% de 2500 Calorias = 1250 Calorias provenientes de Carboidratos 30% de 2500 Calorias = 750 Calorias provenientes de Proteinas 20% de 2500 Calorias = 500 Calorias provenientes de Lipídeos Matemática básica. E ainda, se você quer saber a gramagem referente a cada elemento, basta utilizar novamente os fatores de atwater, veja: 1250 Calorias de Carboidratos bastam dividir por 4 (1 g de carboidrato tem aproximadamente 4 Calorias) = 312,5 g de Carboidratos 750 Calorias de Proteínas bastam dividir por 4 (1 g de proteína tem aproximadamente 4 Calorias) = 187,5 g de proteinas 500 Calorias de Lipídeos bastam dividir por 4 (1 g de lipídeo tem aproximadamente 9 Calorias) = 55,5 g de Lipideos. Agora vamos a prática, como calcular as Calorias de Manutenção do meu paciente: Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 54 Para calcular uma dieta voltada para Hipertrofia você precisará obter: GET = Gasto Energético Total ou Calorias de Manutenção: Quantidade de energia necessária para o indivíduo permanecer estável. Então por exemplo se você possui 90 kg e tem um GET estimado em 2500 kcal, você precisa consumir aproximadamente 2500 kcal para se manter neste peso. VET = Valor Energético Total: Calorias totais que o indivíduo irá consumir ao longo do dia. No caso da Hipertrofia o VET será composto do GET (Calorias de Manutenção) + Superávit energético. Balanço Energético: Saldo entre o VET e o GET. Balanço Energético Positivo: O VET supera o GET. Por exemplo o sujeito tem um Gasto Energético Total de 2500 kcal e consome 3000 kcal, logo ele possui um superávit energético de 500 kcal. TMR = Taxa metabólica de Repouso: Teoricamente é a taxa metabólica basal mais o dispêndio para outras atividades como até mesmo a digestão. Podemos observar na literatura cálculos que tratam da TMB e da TMR, porém para evitar confusão, trabalharemos da mesma forma com ambas, uma vez que mesmo diferentes, elas são intercambiáveis entre si e ambas geram estimativas precisas uma da outra. Isto ainda é motivo de muitos equívocos na literatura e por vezes veremos os termos: Basal Metabolic Rate ou Resting Metabolic Rate. Isso será obtido através de equações preditivas. GEAF = Gasto Energético da Atividade Física: Compreende tanto exercícios físicos (planejados) como atividades físicas e rotineiras. FA = Fator de Atividade Física: Levamos em consideração trabalho, atividades rotineiras e exercício físico. Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 55 P = Peso em KG; TMR = Taxa Metabólica de Repouso em Kcal por dia. Sendo assim precisamos obter os componentes: Taxa Metabólica de Repouso e Fator de Atividade Física. Uma vez explicado como proceder frente a determinação do objetivo ‘’Hipertrofia’’, vejo a possibilidade da aplicação do conceito mais frequentemente em: indivíduos com peso adequado, indivíduos com peso adequado e baixo percentual de gordura, indivíduos esportistas (amador ou profissional). Equações Preditivas para pacientes com peso adequado: TID = Termogênese Induzida pela Dieta: Custo energético para digerir, absorver e metabolizar os alimentos. Na prática clínica não costumo utilizar e a maior parte dos autores também não. Superávit Energético = Calorias adicionadas sobre as Calorias de manutenção A equação geral para obter o Gasto Energético Total ou Calorias de Manutenção é: GET = TMR x FA Sexo HOMEM MULHER Idade 10-18 18-30 30-60 Acima de 60 10-18 18-30 30-60 OXFORD 18,4 x P + 581 16 x P + 545 14,2 x P + 593 13,5 x P + 514 11,1 X P + 761 13,1 x P + 558 9,74 x P + 694 OMS 17,686 x P + 658,2 15,057 x P + 692,2 11,472 x P + 873,1 11,711 x P + 587,7 13,384 x P + 692,6 14,818 x P + 486,6 8,126 x P + 845,6 Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 56 Equações preditivas para pacientes com baixo percentual de gordura: Tinsley et al. (2019) Tinsley et al. (2019) TMR = 24,8 x PC + 10 TMR = 25,9 x MLG + 284 Cunningham (1991) TMR = 370 + 21,6 x Massa Livre de Gordura (kg) PC = Peso Corporal; MLG = Massa Livre de Gordura. Num exemplo bem simples (não se preocupe que teremos exemplos clínicos): Imagine um sujeito com 10% de gordura, homem e com 80 kg. Para descobrir a TMR deste sujeito, utilizaremos Tinsley 2019. - TMR = 25,9 x MLG + 284 - Ou seja, tinsley 2019 necessita a Massa Livre de Gordura. Se o sujeito tem 80 kg e 10% de gordura, logo ele tem 72 kg de Massa Livre de Gordura (pois tem 8 kg de gordura e o restante é MLG). - TMR = 25,9 x MLG + 284 - TMR = 25,9 x 72 + 284 - TMR = 2149 kcal (aproximadamente) Logo a taxa metabólica de repouso deste paciente é 2149 kcal por dia. - Porém, não se esqueçam: GET = TMR (JÁ DESCOBRIMOS) x FA (ESTÁ FALTANDO) Licensed to danielgpedro@hotmail.com - Daniel Oliveira Garcia - 94070474153 57 Múltiplos de AF propostos por Cuninghan (1980) Para descobrir FA: Physical Activity Level (PAL) numa tradução literal Nível de Atividade Física (NAF) ou Fator de Atividade Física: É descrito como a proporção entre o gasto energético total e a taxa metabólica basal. Utilizado para determinar quantidade e intensidade do nível de atividade física habitual do ser humano. Na população humana o Nível de Atividade física é proporção entre o gasto energético total diario (GET) pelo gasto energético de repouso (GER), ou seja: NAF = GET/GER e estudos com excelente controle por água duplamente marcada tem demonstrado que este valor irá ficar no máximo entre 2 e 2,4 (WESTERTERP, 2018). A OMS classifica em 3 categorias básicas: 1,40-1,69 para um estilo de vida sedentário ou pouco ativo; 1,70-1,99 para estilos de vida ativos ou moderadamente ativos; e 2,00-2,40 para um estilo de vida vigorosamente ativo. Porém Um fato bem importante é que encontramos diferentes medias de FA na literatura, por exemplo o que eu mais costumo utilizar é o proposto por Cuninghan (1980) (CUNNINGHAM, 1991) NAF Sedentário (Pouco ou Nenhum Exercício) levemente ativo (cerca de 30 minutos de atividade física em intensidade moderada,