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GESTÃO DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS AULA 4 Prof. Carlos Ubiratan da Costa Schier 2 CONVERSA INICIAL Após construirmos uma base importante sobre gestão, controle e racionalização de custos, considerando desde a terminologia básica até os métodos de avaliação e controle de estoques, temos elementos suficientes para aprofundar, discutir e entender melhor o que são e como funcionam os sistemas de custeio. A partir desse momento, teremos contato com diversos sistemas de custeio mais presentes nas organizações em termos de gestão e que, necessariamente, devem ser assimilados para que sejam aplicados, de acordo com o ambiente e necessidade, para fins de contribuição ao resultado e a sustentabilidade dos negócios. Considerando a importância e a facilidade de acesso e de implementação, vamos tratar nesta aula de: custeio por absorção; custeio direto ou variável; custeio ABC (custeio baseado em atividades); além de considerações sobre custeio padrão e custeio em empresas comerciais e de prestação de serviços. CONTEXTUALIZANDO O ambiente de permanente competição nos remete a prestar atenção em alguns fatores importantes em termos de subsídios para o processo de tomada de decisão e, neste contexto, a qualidade e agilidade da informação é essencial. Saber sobre sistemas de custeio, seu funcionamento, aplicação e as variáveis que lhes afetam dá consistência ao processo informacional e contribui efetivamente para que a empresas obtenham vantagem estratégica e competitiva em seu meio de atuação. Empresas que não possuem sistema de custeio definido, nem controles sobre o processo de precificação de produtos, mercadorias e serviços, tendem a ter problemas de gestão nos negócios, o que pode contribuir para insolvência da organização. Saiba mais Sabendo que é importante a implantação e gestão de um sistema de custeio para fins de competitividade e obtenção de vantagem estratégica, elabore uma pesquisa comparativa de empresas industriais nacionais e 3 estrangeiras com vistas a identificar qual o sistema mais utilizado: custeio por absorção ou custeio baseado em atividades (ABC). TEMA 1 – SISTEMA DE CUSTEIO POR ABSORÇÃO Os sistemas de custeio, ou métodos de custeio, referem-se às formas como os custos são calculados e aplicados aos produtos e serviços. A necessidade de implementação de sistemas de custeio às empresas perpassa pela necessidade de competitividade, controle e busca de sustentabilidade. Antes, não havia uma ênfase tão grande em controles e racionalização de custos, pois a concorrência era menor e bastava aumentar o preço para cobrir os custos e prejuízos, quase sempre pelo custo meta, porém a economia mundial mudou e fez com que fosse acirrada a concorrência, remetendo à necessidade de revisão em margens de lucro, controles e racionalização de custos, bem como adoção por sistemas de custos para quem quer sobreviver no mercado. O sistema de custeio por absorção é o método mais utilizado pelas indústrias no Brasil, principalmente por sua simplicidade, objetividade e aceitação pela legislação tributária e fiscal. Esse sistema é compatível com o modelo previsto na legislação tributária e fiscal de apuração de resultados, quer dizer, a utilização desse sistema está em consonância com a forma de apuração de resultados determinada pela legislação para as indústrias. Esse sistema de custeio utiliza somente os custos da área industrial na formação dos custos unitários dos produtos. Esse método de custeio se caracteriza ainda por utilizar os custos diretos industriais, além de usar os custos indiretos, que são objeto de apropriação e rateio. O custeio por absorção não utiliza os gastos administrativos, comerciais ou financeiros, sejam diretos ou indiretos. Estes são considerados na demonstração de resultados para fins de apuração do resultado. A soma dos custos dos produtos e serviços vendidos no período obrigatoriamente devem ser lançados na DRE, bem como a soma dos custos dos produtos e serviços não vendidos (produtos acabados ou em elaboração), devem permanecer na conta de Estoques no Balanço Patrimonial, no fim do período de apuração do resultado. Para melhor entendimento sobre o custeio por absorção, exemplificamos alguns tipos de gastos que são considerados nesse modelo: matéria-prima, materiais, embalagens; mão de obra direta e indireta industrial; despesas gerais 4 industriais; depreciação industrial. Ao passo que mão de obra administrativa e despesas financeiras não são consideradas nesse sistema, somente devem ser apostas na demonstração de resultado do exercício. Custo por absorção: TIPOS DE GASTOS Utiliza ou não Matéria-prima, materiais e embalagens SIM Mão de obra direta (industrial) SIM Mão de obra indireta (industrial) SIM Despesas gerais industriais SIM Depreciação (industrial) SIM Mão de obra administrativa/comercial NÃO Despesas administrativas/comerciais NÃO Despesas financeiras NÃO Fonte: Schier, 2021. Para melhor entendimento do funcionamento do custo por absorção, a seguir disponibilizamos um exemplo passo a passo do procedimento e aplicação desse sistema de custo. EXEMPLO: GASTO $ Gastos Diretos Materiais Diretos 460.000 SIM Materiais Auxiliares 36.000 SIM Mão de obra Direta 200.000 SIM Comissões Sobre Vendas 204.000 NÃO Soma 900.000 Gastos Indiretos Salário dos deptos. de apoio a produção 200.000 SIM Despesas dos deptos. de apoio a produção 90.000 SIM Depreciações Industriais 150.000 SIM Salários e Despesas Administrativas 70.000 NÃO Salários e Despesas Comerciais 50.000 NÃO Soma 560.000 Total Geral 1.460.000 Fonte: Schier, 2021. 5 Para que o exemplo tenha o efeito didático de compreensão da aplicação do sistema custo por absorção, resolvemos considerar a fabricação de apenas um produto, denominado aqui de produto (A). Hipoteticamente, temos a considerar e apresentar para cálculo, com base no custo por absorção, os seguintes dados e informações para produção do produto (A), definidos como gastos operacionais por unidade. • Matéria-prima: 200 unidades ao custo de $2,30 cada unidade. • Materiais auxiliares: 0,1 unidade a $360,00 cada unidade. • Tempo necessário para produzir uma unidade: 4 horas a $50,00 por hora. • Consideramos também como gastos do período os valores constantes no quadro a seguir: GASTOS DO PERÍODO $ Salário dos deptos. de apoio a produção 200.000 Despesas dos deptos. de apoio a produção 90.000 Depreciações Industriais 150.000 Salários e Despesas Administrativas 70.000 Salários e Despesas Comerciais 50.000 Fonte: Schier, 2021. Dados complementares ao processo de cálculo: • Comissões – 10,834% sobre o preço de venda; • Preço de venda – $1.883,00 por unidade; e • Quantidade produzida (e vendida) – 1.000 unidades A apuração dos custos diretos do produto é a primeira etapa a ser feita do método de custeio por absorção. É uma etapa necessária a qualquer método de custeio (ABC, Direto ou Variável, RKW, por exemplo). No quadro a seguir, temos a visualização dessa apuração: CUSTO DIRETO (unitário) $ Matéria-prima 200 un. X $2,30 460,00 Materiais auxiliares 0,10 un. X $360,00 36,00 Mão de obra direta 4 horas a $50,00 200,00 6 Soma 696,00 Fonte: Schier, 2021. Memória de cálculo do custo unitário da mão de obra: Total dos gastos com mão de obra direta $200.000 (A) Tempo necessário para 1 unidade 4 horas Quantidade produzida/vendida 1.000 unidades Horas para fabricar 1.000 unidades 4.000 horas (B) Custo de 1 hora de mão de obra direta (A:B) $50,00 ($200.000: 4.000 horas) Fonte: Schier, 2021. Absorção dos custos indiretos por unidade: Custos Indiretos Salário dos deptos. de apoio a produção 200.000 Despesas dos deptos. de apoio aprodução 90.000 Depreciações Industriais 150.000 SOMA 440.000 (A) Quantidade produzida/vendida 1.000 unidades (B) Custos Indiretos por unidade (A:B) $440,00 Fonte: Schier, 2021. Quadro demonstrativo do custo unitário do produto: TIPO DE CUSTO $ Custo Direto 696,00 Custo Indireto 440,00 Custo Unitário Total 1.136,00 Fonte: Schier, 2021. Demonstração de Resultado do Exercício, com base na produção e venda de apenas um produto, utilizando-se o sistema de custo por absorção: $ UN. QTDE. TOTAL Vendas 1.883,00 1.000 1.883.000 Custo por Absorção 1.136,00 1.000 1.136.000 Lucro Bruto 747,00 1.000 747.000 7 Despesas Operacionais Salários e despesas Administrativas 70.000 Salários e despesas Comerciais 50.000 Comissões sobre Vendas 204.000 Lucro Operacional 423.000 Fonte: Schier, 2021. Aplicando-se o método de custo por absorção, temos neste exemplo o resultado evidenciado conforme a DRE apresentada. Em Megliorini (2012), verificamos que “O método de custeio por absorção caracteriza-se por apropriar custos fixos e variáveis aos produtos. Desse modo, os produtos fabricados absorvem todos os custos incorridos de um período”. O Sistema de Custeio por Absorção também é conhecido por “Custeio Integral” justamente porque os produtos fabricados incorporam todos os custos incorridos no processo de fabricação. TEMA 2 – CUSTEIO VARIÁVEL O custeio variável ou direto se baseia na separação entre gastos variáveis e gastos fixos. Esse método de custeio não é permitido pela legislação fiscal e tributária, bem como não atende aos princípios fundamentais de contabilidade. Em virtude dessas premissas, sua utilização é recomendável para análises críticas internas decorrentes da contabilidade gerencial, bem como para fins gerenciais de estudos comparativos com o método oficial utilizado pela empresa. Nesse método, em termos de apropriação, somente considera-se como custos de fabricação os custos variáveis, custos diretos e custos indiretos. Os custos fixos, por sua essência de existirem mesmo que a organização não produza nada. No caso do sistema de custeio variável, são considerados como despesas e não como custo de produção, ou seja, se não há produção, e os custos fixos continuam, pressupõe, esse método de custeio variável, que não é necessário considerar o custo fixo como custo, por ele teoricamente não influenciar o processo produtivo, somente como despesa. Segundo Megliorini (2012): “De acordo com o custeio variável, os custos fixos não são apropriados aos produtos e vários motivos contribuem para isso, entre eles o fato de os custos fixos serem custos correspondentes aos recursos 8 necessários para manter a estrutura da produção e não custos decorrentes dos recursos consumidos pelos produtos em fabricação”. Ainda com base em Megiorini (2012), encontramos uma argumentação para defesa da utilização desse método. De acordo com o custeio variável, os custos fixos não são apropriados aos produtos e vários motivos contribuem para isso, entre eles o fato de os custos fixos serem custos correspondentes aos recursos necessários para manter a estrutura da produção e não custos decorrentes dos recursos consumidos pelos produtos em fabricação. Um exemplo simples que ilustra o que estamos dizendo é o aluguel das instalações da fábrica. Tanto fará se a empresa fabricar 100 ou 120 unidades do produto X: o custo do aluguel será o mesmo, pois não está relacionado à produção, e sim à manutenção da estrutura física na qual está localizado o ambiente de produção. Ainda que a empresa resolva diversificar sua linha de produtos e passe a fabricar Y e Z no mesmo local, essa situação não se altera. (Megliorini, 2012) Lembramos que o sistema permitido pela legislação tributária e fiscal é o por absorção, então vale ratificar que a importância do cálculo do custo variável reside em sua contribuição para fins gerenciais. Como a premissa de utilização do custo variável é a separação entre custos fixos e custos variáveis, separar os custos semifixos ou semivariáveis (custos híbridos) pode ser muito trabalhoso e nada simples. TEMA 3 – CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADES (ABC – ACTIVITY-BASED COSTING) O custeio baseado em atividades (ABC) é uma metodologia de custo que foi concebida com vistas a reduzir sobremaneira as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos, ou seja, foi criado para resolver a subjetividade de rateio de custos indiretos e assim contribuir para que o cálculo e atribuição dos custos sejam mais ajustados possíveis a realidade. Lembrando que o rateio de custos indiretos não dá segurança plena de que o custo está sendo atribuído da forma mais justa aos produtos. Isso implica em que podemos estar onerando um produto em detrimento de outro e isso pode acarretar problemas de precificação e concorrência do produto ou processo prejudicado. Segundo Oliveira (2007): “O custeio baseado em atividades (ABC – Activity Based Costing) é uma metodologia que surgiu como instrumento da análise estratégica de custos relacionados com as atividades que mais impactam o consumo de recursos de uma empresa”. 9 Pode-se considerar o custeio ABC como uma técnica de controle e alocação de custos que contribui, entre outras coisas, para: a) identificar os processos e atividades existentes nos setores; produtivos, auxiliares ou administrativos de uma organização, qualquer que seja sua finalidade (prestação de serviços, industrial, instituição financeira etc.); b) identificar, analisar e controlar os custos envolvidos nos processos e atividades; e c) atribuir os custos aos produtos, tendo como parâmetros a utilização dos geradores de custos. Para a utilização do custeio ABC, observar algumas regras básicas se faz necessário. • Efetuar o mapeamento dos principais processos existentes na organização. • Identificar as principais atividades existentes em cada processo. • Levantar os custos e os recursos associados a cada atividade. • Identificar as atividades que não agregam valor ao produto. • Avaliar a influência das atividades secundárias no produto final, ou seja, determinar se podem ser eliminadas ou pelo menos reduzidas. • Identificar os direcionadores de custos, que são os parâmetros para a adequada apropriação. A estrutura do custeio ABC se utiliza de direcionadores para tratamento dos custos indiretos, sendo estes os “direcionadores de recursos” e os “direcionadores de atividades”. Segundo Megliorini (2012): Direcionadores de recursos: são aqueles que identificam como as atividades consomem recursos, considerando a relação entre eles e as atividades e permitindo custeá-las. Direcionadores de atividades: são aqueles que identificam como os objetos de custeio consomem as atividades, permitindo custeá-los. Nos valemos de um exemplo inserido no livro Gestão Prática de Custos, (Schier, 2004) para delimitar um exemplo prático do funcionamento do custeio ABC: Aplicação da metodologia do custeio baseado em atividades. 10 Exemplo prático: O departamento de supervisão de processos é um centro de custos, auxiliar da produção. Em virtude de o departamento prestar serviço para toda a fábrica, seus custos são considerados indiretos. No mês de abril/XX, foram apurados os seguintes custos do departamento, utilizando-se os métodos tradicionais: CUSTOS INDIRETOS DO DEPARTAMENTO $ Salários 1.500 Suprimentos 100 Telefone 200 Água e energia elétrica 100 Manutenção de instalações 500 Viagens e estadias 600 Total dos custos indiretos 3.000 Fonte: Schier, 2004. Aplicando-se a metodologia do custeio por atividades, foram identificadas as atividades relevantes do departamento em questão para o mês de abril/XX e seus respectivos custos, a saber: ATIVIDADES RELEVANTES DO DEPARTAMENTO EM ABRIL/XX $ Controle da produção 800Melhoria de processos 500 Projeto de logística 1.000 Controle de estoques 700 Total dos custos indiretos 3.000 Fonte: Schier, 2004. Após essa etapa, identificamos os seguintes direcionadores de atividades: ATIVIDADES RELEVANTES DIRECIONADORES DE ATIVIDADES Controle da produção Horas dos supervisores Melhoria de processos Horas do gerente e supervisores Projeto de logística Horas do gerente e supervisores 11 Controle de estoques Horas dos supervisores e colaboradores operacionais utilizados na contagem de estoque Fonte: Schier, 2004. A empresa industrializa dois produtos (A e B), sendo que no mês de abril/XX foram apuradas as seguintes quantidades de direcionadores para cada produto: DIRECIONADORES DE ATIVIDADES QUANTIDADE DE DIRECIONADORES DE CUSTOS POR PRODUTOS A B Total Horas dos supervisores (controle da produção) 500 300 800 Horas do gerente e supervisores (melhoria de processos) 600 200 800 Horas do gerente e supervisores (projeto de logística) 400 600 1.000 Horas dos supervisores e dos colaboradores operacionais utilizados na contagem de estoque (controle de estoques) 150 100 250 Fonte: Schier, 2004. No mês em questão, foram produzidas as seguintes quantidades dos produtos: Produto A – 4.000 unidades; e Produto B – 7.000 unidades. Sequência para cálculo e apropriação de custos com base na metodologia ABC. • Obtenção do custo de cada direcionador (custo da atividade dividido pelo total de direcionadores). • Apuração do custo da atividade atribuído ao produto (custo unitário vezes a quantidade de direcionadores do produto). • Apuração do custo da atividade para cada unidade de produção (custo da atividade atribuído ao produto dividido pela quantidade produzida). Exemplo: ATIVIDADES RELEVANTES DO DEPARTAMENTO CUSTO DO DEPARTAMENTO APROPRIADO PARA 12 CADA PRODUTO A B Total Controle da produção 500 300 800 Melhoria de processos 375 125 500 Projeto de logística 400 600 1.000 Controle de estoque 420 280 700 Total dos custos indiretos do departamento 1.695 1.305 3.000 Quantidade produzida no mês 4.000 7.000 Custo unitário 0,42 0,19 Fonte: Schier, 2004. O procedimento é similar para todos os custos indiretos dos demais departamentos. O custeio por atividades, utilizado como instrumento de controle gerencial, apresenta diversas vantagens em comparação com os métodos tradicionais de apropriação de custos. O sistema ABC identifica os direcionadores de custos, facilitando a análise dos custos desnecessários, além de permitir a apuração dos custos com maior precisão, remetendo a organização a uma revisão de processos estratégicos e decisórios com vistas a melhoria de margens, aumento da rentabilidade e aprimoramento dos processos produtivos. TEMA 4 – CUSTEIO-PADRÃO O custo-padrão, conhecido também como custo standard, é considerado como sendo o custo ideal na produção de bens e/ou serviços, em sua definição, porém temos como sendo o custo normal de um produto ou serviço. O objetivo maior na utilização do custo-padrão reside em disponibilização de uma ferramenta que contribua com os controles necessários à gestão das empresas em termos de custos. Em suma, esse tipo de controle proporciona base de comparação entre o que foi projetado, prospectado de custos e a realidade do que de fato aconteceu. A implementação do custo-padrão leva em consideração um cenário positivo, de bom desempenho operacional, sem deixar de considerar as eventuais restrições que podem advir do processo de produção. É importante que a implantação do custo-padrão seja feita em consonância com o planejamento estratégico das organizações, pois as metas e objetivos 13 estipulados para a empresa devem levar em consideração também a gestão de custos e precificação dos produtos. De acordo com Schier (2004), O custo-padrão caracteriza-se pela determinação com antecedência e com base em análises e estudos especializados, dos custos de cada produto ou de uma linha de produção. O custo-padrão tem como vantagens: • Eliminação de falhas nos processos produtivos; • Aprimoramento dos controles; • Pode ser utilizado como instrumento de avaliação de desempenho; • Contribui significativamente para o aprimoramento dos procedimentos de apuração do custo real; • Agiliza o processo de obtenção de informações. Ainda com base em Schier (2004), discorremos sobre os procedimentos para determinação do custo-padrão: O custo-padrão é determinado a partir das medidas técnicas de produção, as quais são definidas com base nos seguintes processos: 1. Inicialmente, quantifica-se o consumo e a utilização das matérias-primas, da mão de obra, dos custos indiretos de fabricação e dos demais materiais e insumos necessários para a produção de uma unidade do produto. 2. Associa-se o custo monetário a esses padrões estabelecidos de consumo (multiplicam-se os padrões de consumo pelo padrão monetário, obtendo-se o custo-padrão). 3. Devem ser feitas revisões sempre que houver alterações de especificação técnica, dos produtos, custo monetário, alterações tecnológicas etc. 4. Para determinação do custo-padrão, devem ainda ser levados em conta os seguintes procedimentos. A Contabilidade de Custos (modernamente Controladoria) deve, em sintonia com a Engenharia de Produção, estipular os padrões a serem considerados. A Controladoria deve fornecer e determinar os padrões monetários tais como: custo de matérias-primas, custos com seguros etc. A Engenharia de Produção tem como atribuição a disponibilização e determinação dos padrões técnicos e quantitativos (consumo de matérias-primas por unidade produzida, quantidade de horas-máquina necessárias para produção de cada unidade etc.). 4.1 Custo-padrão e análise das variações Entre as atribuições dos analistas de custos, destaca-se a análise comparativa periódica entre o custo real e o respectivo custo-padrão estabelecido. Por meio dessa análise crítica de eficiência e eficácia, evidencia- se o desempenho da organização em termos de custos, suas variações, distorções e necessidades de ajustes. Variação, neste caso, significa a diferença entre o custo real e o custo- padrão. Lembrando que mesmo uma variação positiva não deve ser descartada 14 em termos de análise, pois pode haver distorção quanto à atribuição do custo devido ao item analisado. De acordo com Schier (2004), A variação pode ser favorável ou desfavorável. No exemplo a seguir, vemos que no primeiro caso, o custo real é menor que o custo-padrão, indicando que em princípio a gestão foi mais eficiente e eficaz que o projetado. No segundo caso, o custo real é maior que o custo-padrão, indicando a ineficácia da gestão, pois foram consumidos mais recursos produtivos do que os previstos. Exemplo: variação entre custo real e custo-padrão. PRODUTOS CUSTO REAL $ CUSTO-PADRÃO $ VARIAÇÃO $ FAVORÁVEL OU DESFAVORÁVEL A 50 60 10 Favorável B 80 70 -10 Desfavorável C 20 30 -10 Desfavorável Após ser evidenciada com base em relatórios e papéis de trabalho, a variação existente entre o custo-padrão e o custo real em termos sintéticos e analíticos (custos de cada produto e do material necessário para produção de cada unidade), deve-se proceder à análise detalhada e rígida dessas variações; devem ser confeccionados relatórios conclusivos para saber-se a razão, o porquê e a consequência dessa variação na gestão. De posse dessas informações, parte-se para a tomada de decisão sobre qual a melhor alternativa para ajustar os custos. TEMA 5 – CUSTEIO EM EMPRESAS COMERCIAIS E PRESTADORAS DE SERVIÇOS Historicamente, o termo custos, sempre que aplicado, remete inicialmente às organizações industriais. Há esse vínculo em decorrência de que os processos industriais são de fato mais complexos e pretensamente mais completos, englobando todas as fases de um processo produtivo (produção, venda, prestação de serviços), porémhá de se considerar e vincular também esse termo às empresas comerciais e de prestação de serviços, pois a gestão de custos nesses segmentos é tão importante quanto na área industrial. Tratar adequadamente o processo de gestão estratégica de custos significa obter vantagem estratégica e competitiva, sobretudo nestes tempos de alta concorrência e de alternativas de racionalização técnica, tecnológica e humana em processos produtivos mais enxutos, ágeis e com foco em melhoria contínua. Segundo Megliorini (2012), Muitos dos conceitos e procedimentos desenvolvidos para as empresas industriais também se aplicam às comerciais e prestadoras de serviços; alguns deles são, inclusive, de aplicação geral. Para adotá-los, as empresas comerciais e prestadoras de serviços precisam apenas ajustá-los a seus sistemas físicos e operacionais, situação 15 semelhante à verificada em diferentes empresas industriais, como as com produção sob encomenda e produção seriada. 5.1 Empresas comerciais Empresas comerciais também devem ter extrema atenção quanto ao quesito custo, pois como constatado no decorrer do tempo, a racionalização dos gastos com materiais, recursos financeiros, recursos humanos e tecnológicos, é importante no processo de gestão e sustentabilidade dos negócios. Com o crescimento de concorrência, maiores exigências em termos de qualidade e pós- venda, há a necessidade de que os gastos sejam absolutamente condizentes com a capacidade e necessidade da organização. Estipular preço justo e ajustado com as condições da empresa e que proporcione vantagem estratégica e competitiva é um desafio constante que remete à atenção e à preocupação permanentes com a gestão estratégica dos custos, principalmente em termos de controle, formação de preço e informações para tomada de decisão. Da mesma forma que nas empresas industriais, no comércio também se classificam os gastos como investimento, custos e despesas. Todos os custos para levar a termo a atividade da empresa e garantir estabilidade e sustentabilidade nos negócios devem ser objeto de permanente atenção nessas empresas. Os custos se referem às mercadorias comercializadas, incluindo todos os gastos não recuperáveis que ocorreram na compra da mercadoria. Nesse caso, todos esses gastos devem compor a formação de custo dos produtos. As despesas são os gastos que ocorrem por ocasião da comercialização e também os referentes aos departamentos de administração, financeiro e comercial. Segundo Megliorini (2012), no comércio, as despesas podem ser classificadas em: • Despesas diretas das mercadorias: são as que podem ser identificadas imediatamente com as mercadorias vendidas, como as comissões dos vendedores. • Despesas diretas dos departamentos: são as que podem ser identificadas com os respectivos departamentos em que ocorrem (como salários e encargos, depreciação e material de escritório) e são apropriadas de forma direta a eles. • Despesas indiretas dos departamentos: são as despesas comuns aos departamentos administrativos ou comerciais ou ambos, como aluguel e energia elétrica. São apropriadas aos departamentos por meio de rateio. 16 5.2 Empresas prestadoras de serviços No caso de empresas de prestação de serviços, todo tipo de serviço demanda em gestão estratégica de custos, pois cada prestação de serviço implica em um projeto específico diferente, portanto, há de se ter muita atenção na concepção dos contratos de prestação de serviços, bem como conhecimento de todos os custos componentes desse processo. Todos os custos e repasses para o tomador do serviço devem estar dispostos de forma clara e transparente. Atenção deve ser dada à categoria profissional do prestador de serviço para evitar defasagem no custo da mão de obra, principalmente especializada, a ser aplicada no projeto. A fidelização do tomador do serviço será condizente com a qualidade do resultado e preço justo. Portanto, um contrato bem feito em que haja uma relação ganha-ganha e previsão racional de gastos é de suma importância nesse contexto. Em suma, podemos ressaltar a importância concreta do processo de gestão de custos para empresas de todos os segmentos e setores (indústria, comércio e prestação de serviços). Observar e calcular adequadamente os custos é uma das partes mais importantes no processo de gestão de negócios e sustentabilidade dessas organizações. TROCANDO IDEIAS Discuta e delimite, sob a ótica do gestor de custos e do gestor de negócios, qual a melhor opção, em termos de sustentabilidade da empresa, custeio por absorção ou custeio baseado em atividades, fundamentando seu parecer. NA PRÁTICA 1. Na sua concepção, qual é o melhor sistema de custeio: custeio por absorção ou custeio ABC? Analise estudos de caso (disponíveis na internet) com a aplicação de ambos comparativamente, considerando as vantagens e desvantagens de cada um e decida qual implantaria na sua gestão. 2. Aplique o custeio baseado em atividades (ABC), utilizando o exemplo dado no texto (Tema 3), acrescentando 100% aos valores de atividades relevantes; 17 acrescentando 50% na quantidade de produção de cada produto e seguindo a sequência para cálculo e apropriação de custos com base na metodologia ABC. FINALIZANDO Aqui tomamos contato com os sistemas e/ou modelos de custeio que proporcionam controles, racionalização e gestão dos custos e dos estoques, atividades importantes na gestão dos negócios com vistas a sustentabilidade e obtenção de resultados financeiros positivos. Vimos que o sistema de custeio por absorção é o mais utilizado no meio industrial no Brasil e, na verdade, o único aceito pela legislação vigente para apuração e valorização dos estoques. Aprendemos também que o custeio variável não é aceito em virtude de que não atende aos preceitos contábeis legais e aos princípios fundamentais de contabilidade. O sistema de custeio baseado em atividades (ABC) foi concebido para reduzir ou acabar com as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos, porém é de difícil implantação e manutenção, caso façamos a análise custos versus benefícios, por conta do volume de controles e trabalho necessário para que se leve a termo esse sistema de custo. Custo-padrão ou standard significa estabelecer um padrão de custos para fins de comparação entre o que foi projetado e o que foi efetivamente realizado, além de propor um padrão de comportamento dos custos. O processo de gestão de custos é importante também para as empresas dos segmentos de prestação de serviços e comércio, pois, assim como na indústria, estabelecer gestão estratégica de custos configura condições de competitividade e sustentabilidade para essas empresas. 18 REFERÊNCIAS MEGLIORINI, E. Custos: análise e gestão. São Paulo: Pearson, 2012. OLIVEIRA, L. M.; PEREZ JUNIOR, J. H. Contabilidade de custos para não contadores. São Paulo: Atlas, 2007. SCHIER, C. U. C. Gestão de custos. Curitiba: Intersaberes, 2011. _____. Gestão Prática de Custos. Curitiba: Juruá, 2004.