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GESTÃO DE CUSTOS E 
FORMAÇÃO DE PREÇOS 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Carlos Ubiratan da Costa Schier 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Após construirmos uma base importante sobre gestão, controle e 
racionalização de custos, considerando desde a terminologia básica até os 
métodos de avaliação e controle de estoques, temos elementos suficientes para 
aprofundar, discutir e entender melhor o que são e como funcionam os sistemas 
de custeio. 
A partir desse momento, teremos contato com diversos sistemas de 
custeio mais presentes nas organizações em termos de gestão e que, 
necessariamente, devem ser assimilados para que sejam aplicados, de acordo 
com o ambiente e necessidade, para fins de contribuição ao resultado e a 
sustentabilidade dos negócios. 
Considerando a importância e a facilidade de acesso e de implementação, 
vamos tratar nesta aula de: custeio por absorção; custeio direto ou variável; 
custeio ABC (custeio baseado em atividades); além de considerações sobre 
custeio padrão e custeio em empresas comerciais e de prestação de serviços. 
CONTEXTUALIZANDO 
O ambiente de permanente competição nos remete a prestar atenção em 
alguns fatores importantes em termos de subsídios para o processo de tomada 
de decisão e, neste contexto, a qualidade e agilidade da informação é essencial. 
Saber sobre sistemas de custeio, seu funcionamento, aplicação e as variáveis 
que lhes afetam dá consistência ao processo informacional e contribui 
efetivamente para que a empresas obtenham vantagem estratégica e 
competitiva em seu meio de atuação. 
Empresas que não possuem sistema de custeio definido, nem controles 
sobre o processo de precificação de produtos, mercadorias e serviços, tendem 
a ter problemas de gestão nos negócios, o que pode contribuir para insolvência 
da organização. 
Saiba mais 
Sabendo que é importante a implantação e gestão de um sistema de 
custeio para fins de competitividade e obtenção de vantagem estratégica, 
elabore uma pesquisa comparativa de empresas industriais nacionais e 
 
 
3 
estrangeiras com vistas a identificar qual o sistema mais utilizado: custeio por 
absorção ou custeio baseado em atividades (ABC). 
TEMA 1 – SISTEMA DE CUSTEIO POR ABSORÇÃO 
Os sistemas de custeio, ou métodos de custeio, referem-se às formas 
como os custos são calculados e aplicados aos produtos e serviços. A 
necessidade de implementação de sistemas de custeio às empresas perpassa 
pela necessidade de competitividade, controle e busca de sustentabilidade. 
Antes, não havia uma ênfase tão grande em controles e racionalização de 
custos, pois a concorrência era menor e bastava aumentar o preço para cobrir 
os custos e prejuízos, quase sempre pelo custo meta, porém a economia mundial 
mudou e fez com que fosse acirrada a concorrência, remetendo à necessidade 
de revisão em margens de lucro, controles e racionalização de custos, bem como 
adoção por sistemas de custos para quem quer sobreviver no mercado. 
O sistema de custeio por absorção é o método mais utilizado pelas 
indústrias no Brasil, principalmente por sua simplicidade, objetividade e 
aceitação pela legislação tributária e fiscal. Esse sistema é compatível com o 
modelo previsto na legislação tributária e fiscal de apuração de resultados, quer 
dizer, a utilização desse sistema está em consonância com a forma de apuração 
de resultados determinada pela legislação para as indústrias. 
Esse sistema de custeio utiliza somente os custos da área industrial na 
formação dos custos unitários dos produtos. Esse método de custeio se 
caracteriza ainda por utilizar os custos diretos industriais, além de usar os custos 
indiretos, que são objeto de apropriação e rateio. 
O custeio por absorção não utiliza os gastos administrativos, comerciais 
ou financeiros, sejam diretos ou indiretos. Estes são considerados na 
demonstração de resultados para fins de apuração do resultado. 
A soma dos custos dos produtos e serviços vendidos no período 
obrigatoriamente devem ser lançados na DRE, bem como a soma dos custos 
dos produtos e serviços não vendidos (produtos acabados ou em elaboração), 
devem permanecer na conta de Estoques no Balanço Patrimonial, no fim do 
período de apuração do resultado. 
Para melhor entendimento sobre o custeio por absorção, exemplificamos 
alguns tipos de gastos que são considerados nesse modelo: matéria-prima, 
materiais, embalagens; mão de obra direta e indireta industrial; despesas gerais 
 
 
4 
industriais; depreciação industrial. Ao passo que mão de obra administrativa e 
despesas financeiras não são consideradas nesse sistema, somente devem ser 
apostas na demonstração de resultado do exercício. 
Custo por absorção: 
TIPOS DE GASTOS Utiliza ou não 
Matéria-prima, materiais e embalagens SIM 
Mão de obra direta (industrial) SIM 
Mão de obra indireta (industrial) SIM 
Despesas gerais industriais SIM 
Depreciação (industrial) SIM 
Mão de obra administrativa/comercial NÃO 
Despesas administrativas/comerciais NÃO 
Despesas financeiras NÃO 
Fonte: Schier, 2021. 
Para melhor entendimento do funcionamento do custo por absorção, a 
seguir disponibilizamos um exemplo passo a passo do procedimento e aplicação 
desse sistema de custo. 
EXEMPLO: 
GASTO $ 
Gastos Diretos 
Materiais Diretos 460.000 SIM 
Materiais Auxiliares 36.000 SIM 
Mão de obra Direta 200.000 SIM 
Comissões Sobre Vendas 204.000 NÃO 
Soma 900.000 
Gastos Indiretos 
Salário dos deptos. de apoio a produção 200.000 SIM 
Despesas dos deptos. de apoio a produção 90.000 SIM 
Depreciações Industriais 150.000 SIM 
Salários e Despesas Administrativas 70.000 NÃO 
Salários e Despesas Comerciais 50.000 NÃO 
Soma 560.000 
Total Geral 1.460.000 
Fonte: Schier, 2021. 
 
 
5 
Para que o exemplo tenha o efeito didático de compreensão da aplicação 
do sistema custo por absorção, resolvemos considerar a fabricação de apenas 
um produto, denominado aqui de produto (A). 
Hipoteticamente, temos a considerar e apresentar para cálculo, com base 
no custo por absorção, os seguintes dados e informações para produção do 
produto (A), definidos como gastos operacionais por unidade. 
• Matéria-prima: 200 unidades ao custo de $2,30 cada unidade. 
• Materiais auxiliares: 0,1 unidade a $360,00 cada unidade. 
• Tempo necessário para produzir uma unidade: 4 horas a $50,00 por hora. 
• Consideramos também como gastos do período os valores constantes no 
quadro a seguir: 
GASTOS DO PERÍODO $ 
Salário dos deptos. de apoio a produção 200.000 
Despesas dos deptos. de apoio a produção 90.000 
Depreciações Industriais 150.000 
Salários e Despesas Administrativas 70.000 
Salários e Despesas Comerciais 50.000 
Fonte: Schier, 2021. 
Dados complementares ao processo de cálculo: 
• Comissões – 10,834% sobre o preço de venda; 
• Preço de venda – $1.883,00 por unidade; e 
• Quantidade produzida (e vendida) – 1.000 unidades 
A apuração dos custos diretos do produto é a primeira etapa a ser feita do 
método de custeio por absorção. É uma etapa necessária a qualquer método de 
custeio (ABC, Direto ou Variável, RKW, por exemplo). No quadro a seguir, temos 
a visualização dessa apuração: 
CUSTO DIRETO (unitário) $ 
Matéria-prima 200 un. X $2,30 460,00 
Materiais auxiliares 0,10 un. X $360,00 36,00 
Mão de obra direta 4 horas a $50,00 200,00 
 
 
6 
Soma 696,00 
Fonte: Schier, 2021. 
Memória de cálculo do custo unitário da mão de obra: 
Total dos gastos com mão de obra direta 
$200.000 (A) 
Tempo necessário para 1 unidade 4 horas 
Quantidade produzida/vendida 1.000 unidades 
Horas para fabricar 1.000 unidades 4.000 horas (B) 
Custo de 1 hora de mão de obra direta (A:B) $50,00 ($200.000: 4.000 horas) 
Fonte: Schier, 2021. 
Absorção dos custos indiretos por unidade: 
Custos Indiretos 
Salário dos deptos. de apoio a produção 200.000 
Despesas dos deptos. de apoio aprodução 90.000 
Depreciações Industriais 150.000 
SOMA 440.000 (A) 
Quantidade produzida/vendida 1.000 unidades (B) 
Custos Indiretos por unidade (A:B) $440,00 
Fonte: Schier, 2021. 
Quadro demonstrativo do custo unitário do produto: 
TIPO DE CUSTO $ 
Custo Direto 696,00 
Custo Indireto 440,00 
Custo Unitário Total 1.136,00 
Fonte: Schier, 2021. 
Demonstração de Resultado do Exercício, com base na produção e venda 
de apenas um produto, utilizando-se o sistema de custo por absorção: 
 $ UN. QTDE. TOTAL 
Vendas 1.883,00 1.000 1.883.000 
Custo por Absorção 1.136,00 1.000 1.136.000 
Lucro Bruto 747,00 1.000 747.000 
 
 
7 
Despesas Operacionais 
Salários e despesas Administrativas 70.000 
Salários e despesas Comerciais 50.000 
Comissões sobre Vendas 204.000 
Lucro Operacional 423.000 
Fonte: Schier, 2021. 
Aplicando-se o método de custo por absorção, temos neste exemplo o 
resultado evidenciado conforme a DRE apresentada. Em Megliorini (2012), 
verificamos que “O método de custeio por absorção caracteriza-se por apropriar 
custos fixos e variáveis aos produtos. Desse modo, os produtos fabricados 
absorvem todos os custos incorridos de um período”. 
O Sistema de Custeio por Absorção também é conhecido por “Custeio 
Integral” justamente porque os produtos fabricados incorporam todos os custos 
incorridos no processo de fabricação. 
TEMA 2 – CUSTEIO VARIÁVEL 
O custeio variável ou direto se baseia na separação entre gastos variáveis 
e gastos fixos. Esse método de custeio não é permitido pela legislação fiscal e 
tributária, bem como não atende aos princípios fundamentais de contabilidade. 
Em virtude dessas premissas, sua utilização é recomendável para análises 
críticas internas decorrentes da contabilidade gerencial, bem como para fins 
gerenciais de estudos comparativos com o método oficial utilizado pela empresa. 
Nesse método, em termos de apropriação, somente considera-se como 
custos de fabricação os custos variáveis, custos diretos e custos indiretos. Os 
custos fixos, por sua essência de existirem mesmo que a organização não 
produza nada. No caso do sistema de custeio variável, são considerados como 
despesas e não como custo de produção, ou seja, se não há produção, e os 
custos fixos continuam, pressupõe, esse método de custeio variável, que não é 
necessário considerar o custo fixo como custo, por ele teoricamente não 
influenciar o processo produtivo, somente como despesa. 
Segundo Megliorini (2012): “De acordo com o custeio variável, os custos 
fixos não são apropriados aos produtos e vários motivos contribuem para isso, 
entre eles o fato de os custos fixos serem custos correspondentes aos recursos 
 
 
8 
necessários para manter a estrutura da produção e não custos decorrentes dos 
recursos consumidos pelos produtos em fabricação”. 
Ainda com base em Megiorini (2012), encontramos uma argumentação 
para defesa da utilização desse método. 
De acordo com o custeio variável, os custos fixos não são apropriados 
aos produtos e vários motivos contribuem para isso, entre eles o fato 
de os custos fixos serem custos correspondentes aos recursos 
necessários para manter a estrutura da produção e não custos 
decorrentes dos recursos consumidos pelos produtos em fabricação. 
Um exemplo simples que ilustra o que estamos dizendo é o aluguel 
das instalações da fábrica. Tanto fará se a empresa fabricar 100 ou 
120 unidades do produto X: o custo do aluguel será o mesmo, pois não 
está relacionado à produção, e sim à manutenção da estrutura física 
na qual está localizado o ambiente de produção. Ainda que a empresa 
resolva diversificar sua linha de produtos e passe a fabricar Y e Z no 
mesmo local, essa situação não se altera. (Megliorini, 2012) 
Lembramos que o sistema permitido pela legislação tributária e fiscal é o 
por absorção, então vale ratificar que a importância do cálculo do custo variável 
reside em sua contribuição para fins gerenciais. 
Como a premissa de utilização do custo variável é a separação entre 
custos fixos e custos variáveis, separar os custos semifixos ou semivariáveis 
(custos híbridos) pode ser muito trabalhoso e nada simples. 
TEMA 3 – CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADES (ABC – ACTIVITY-BASED 
COSTING) 
O custeio baseado em atividades (ABC) é uma metodologia de custo que 
foi concebida com vistas a reduzir sobremaneira as distorções provocadas pelo 
rateio arbitrário dos custos indiretos, ou seja, foi criado para resolver a 
subjetividade de rateio de custos indiretos e assim contribuir para que o cálculo 
e atribuição dos custos sejam mais ajustados possíveis a realidade. 
Lembrando que o rateio de custos indiretos não dá segurança plena de 
que o custo está sendo atribuído da forma mais justa aos produtos. Isso implica 
em que podemos estar onerando um produto em detrimento de outro e isso pode 
acarretar problemas de precificação e concorrência do produto ou processo 
prejudicado. 
Segundo Oliveira (2007): “O custeio baseado em atividades (ABC – 
Activity Based Costing) é uma metodologia que surgiu como instrumento da 
análise estratégica de custos relacionados com as atividades que mais impactam 
o consumo de recursos de uma empresa”. 
 
 
9 
Pode-se considerar o custeio ABC como uma técnica de controle e 
alocação de custos que contribui, entre outras coisas, para: 
a) identificar os processos e atividades existentes nos setores; produtivos, 
auxiliares ou administrativos de uma organização, qualquer que seja sua 
finalidade (prestação de serviços, industrial, instituição financeira etc.); 
b) identificar, analisar e controlar os custos envolvidos nos processos e 
atividades; e 
c) atribuir os custos aos produtos, tendo como parâmetros a utilização dos 
geradores de custos. 
Para a utilização do custeio ABC, observar algumas regras básicas se faz 
necessário. 
• Efetuar o mapeamento dos principais processos existentes na 
organização. 
• Identificar as principais atividades existentes em cada processo. 
• Levantar os custos e os recursos associados a cada atividade. 
• Identificar as atividades que não agregam valor ao produto. 
• Avaliar a influência das atividades secundárias no produto final, ou seja, 
determinar se podem ser eliminadas ou pelo menos reduzidas. 
• Identificar os direcionadores de custos, que são os parâmetros para a 
adequada apropriação. 
A estrutura do custeio ABC se utiliza de direcionadores para tratamento 
dos custos indiretos, sendo estes os “direcionadores de recursos” e os 
“direcionadores de atividades”. 
Segundo Megliorini (2012): 
Direcionadores de recursos: são aqueles que identificam como as 
atividades consomem recursos, considerando a relação entre eles e as 
atividades e permitindo custeá-las. Direcionadores de atividades: são 
aqueles que identificam como os objetos de custeio consomem as 
atividades, permitindo custeá-los. 
Nos valemos de um exemplo inserido no livro Gestão Prática de Custos, 
(Schier, 2004) para delimitar um exemplo prático do funcionamento do custeio 
ABC: 
Aplicação da metodologia do custeio baseado em atividades. 
 
 
10 
Exemplo prático: 
O departamento de supervisão de processos é um centro de custos, 
auxiliar da produção. Em virtude de o departamento prestar serviço para toda a 
fábrica, seus custos são considerados indiretos. No mês de abril/XX, foram 
apurados os seguintes custos do departamento, utilizando-se os métodos 
tradicionais: 
CUSTOS INDIRETOS DO DEPARTAMENTO $ 
Salários 1.500 
Suprimentos 100 
Telefone 200 
Água e energia elétrica 100 
Manutenção de instalações 500 
Viagens e estadias 600 
Total dos custos indiretos 3.000 
Fonte: Schier, 2004. 
Aplicando-se a metodologia do custeio por atividades, foram identificadas 
as atividades relevantes do departamento em questão para o mês de abril/XX e 
seus respectivos custos, a saber: 
ATIVIDADES RELEVANTES DO DEPARTAMENTO EM ABRIL/XX $ 
Controle da produção 800Melhoria de processos 500 
Projeto de logística 1.000 
Controle de estoques 700 
Total dos custos indiretos 3.000 
Fonte: Schier, 2004. 
Após essa etapa, identificamos os seguintes direcionadores de atividades: 
ATIVIDADES 
RELEVANTES DIRECIONADORES DE ATIVIDADES 
Controle da produção Horas dos supervisores 
Melhoria de processos Horas do gerente e supervisores 
Projeto de logística Horas do gerente e supervisores 
 
 
11 
Controle de estoques Horas dos supervisores e colaboradores operacionais 
utilizados na contagem de estoque 
Fonte: Schier, 2004. 
A empresa industrializa dois produtos (A e B), sendo que no mês de 
abril/XX foram apuradas as seguintes quantidades de direcionadores para cada 
produto: 
DIRECIONADORES DE ATIVIDADES QUANTIDADE DE DIRECIONADORES 
DE CUSTOS POR PRODUTOS 
 A B Total 
Horas dos supervisores (controle da produção) 500 300 800 
Horas do gerente e supervisores (melhoria de processos) 600 200 800 
Horas do gerente e supervisores (projeto de logística) 400 600 1.000 
Horas dos supervisores e dos colaboradores operacionais utilizados na 
contagem de estoque (controle de estoques) 150 100 250 
Fonte: Schier, 2004. 
No mês em questão, foram produzidas as seguintes quantidades dos 
produtos: 
Produto A – 4.000 unidades; e 
Produto B – 7.000 unidades. 
Sequência para cálculo e apropriação de custos com base na metodologia 
ABC. 
• Obtenção do custo de cada direcionador (custo da atividade dividido pelo 
total de direcionadores). 
• Apuração do custo da atividade atribuído ao produto (custo unitário vezes 
a quantidade de direcionadores do produto). 
• Apuração do custo da atividade para cada unidade de produção (custo da 
atividade atribuído ao produto dividido pela quantidade produzida). 
Exemplo: 
ATIVIDADES RELEVANTES DO DEPARTAMENTO CUSTO DO 
DEPARTAMENTO 
APROPRIADO PARA 
 
 
12 
CADA PRODUTO 
 A B Total 
Controle da produção 500 300 800 
Melhoria de processos 375 125 500 
Projeto de logística 400 600 1.000 
Controle de estoque 420 280 700 
Total dos custos indiretos do departamento 1.695 1.305 3.000 
Quantidade produzida no mês 4.000 7.000 
Custo unitário 0,42 0,19 
Fonte: Schier, 2004. 
O procedimento é similar para todos os custos indiretos dos demais 
departamentos. O custeio por atividades, utilizado como instrumento de controle 
gerencial, apresenta diversas vantagens em comparação com os métodos 
tradicionais de apropriação de custos. 
O sistema ABC identifica os direcionadores de custos, facilitando a análise 
dos custos desnecessários, além de permitir a apuração dos custos com maior 
precisão, remetendo a organização a uma revisão de processos estratégicos e 
decisórios com vistas a melhoria de margens, aumento da rentabilidade e 
aprimoramento dos processos produtivos. 
TEMA 4 – CUSTEIO-PADRÃO 
O custo-padrão, conhecido também como custo standard, é considerado 
como sendo o custo ideal na produção de bens e/ou serviços, em sua definição, 
porém temos como sendo o custo normal de um produto ou serviço. 
O objetivo maior na utilização do custo-padrão reside em disponibilização 
de uma ferramenta que contribua com os controles necessários à gestão das 
empresas em termos de custos. Em suma, esse tipo de controle proporciona 
base de comparação entre o que foi projetado, prospectado de custos e a 
realidade do que de fato aconteceu. 
A implementação do custo-padrão leva em consideração um cenário 
positivo, de bom desempenho operacional, sem deixar de considerar as 
eventuais restrições que podem advir do processo de produção. É importante 
que a implantação do custo-padrão seja feita em consonância com o 
planejamento estratégico das organizações, pois as metas e objetivos 
 
 
13 
estipulados para a empresa devem levar em consideração também a gestão de 
custos e precificação dos produtos. 
De acordo com Schier (2004), 
O custo-padrão caracteriza-se pela determinação com antecedência e 
com base em análises e estudos especializados, dos custos de cada 
produto ou de uma linha de produção. O custo-padrão tem como 
vantagens: 
• Eliminação de falhas nos processos produtivos; 
• Aprimoramento dos controles; 
• Pode ser utilizado como instrumento de avaliação de desempenho; 
• Contribui significativamente para o aprimoramento dos procedimentos 
de apuração do custo real; 
• Agiliza o processo de obtenção de informações. 
Ainda com base em Schier (2004), discorremos sobre os procedimentos 
para determinação do custo-padrão: 
O custo-padrão é determinado a partir das medidas técnicas de 
produção, as quais são definidas com base nos seguintes processos: 
1. Inicialmente, quantifica-se o consumo e a utilização das 
matérias-primas, da mão de obra, dos custos indiretos de fabricação e 
dos demais materiais e insumos necessários para a produção de uma 
unidade do produto. 
2. Associa-se o custo monetário a esses padrões estabelecidos de 
consumo (multiplicam-se os padrões de consumo pelo padrão 
monetário, obtendo-se o custo-padrão). 
3. Devem ser feitas revisões sempre que houver alterações de 
especificação técnica, dos produtos, custo monetário, alterações 
tecnológicas etc. 
4. Para determinação do custo-padrão, devem ainda ser levados 
em conta os seguintes procedimentos. A Contabilidade de Custos 
(modernamente Controladoria) deve, em sintonia com a Engenharia de 
Produção, estipular os padrões a serem considerados. A Controladoria 
deve fornecer e determinar os padrões monetários tais como: custo de 
matérias-primas, custos com seguros etc. A Engenharia de Produção 
tem como atribuição a disponibilização e determinação dos padrões 
técnicos e quantitativos (consumo de matérias-primas por unidade 
produzida, quantidade de horas-máquina necessárias para produção 
de cada unidade etc.). 
4.1 Custo-padrão e análise das variações 
Entre as atribuições dos analistas de custos, destaca-se a análise 
comparativa periódica entre o custo real e o respectivo custo-padrão 
estabelecido. Por meio dessa análise crítica de eficiência e eficácia, evidencia-
se o desempenho da organização em termos de custos, suas variações, 
distorções e necessidades de ajustes. 
Variação, neste caso, significa a diferença entre o custo real e o custo-
padrão. Lembrando que mesmo uma variação positiva não deve ser descartada 
 
 
14 
em termos de análise, pois pode haver distorção quanto à atribuição do custo 
devido ao item analisado. 
De acordo com Schier (2004), 
A variação pode ser favorável ou desfavorável. No exemplo a seguir, 
vemos que no primeiro caso, o custo real é menor que o custo-padrão, 
indicando que em princípio a gestão foi mais eficiente e eficaz que o 
projetado. No segundo caso, o custo real é maior que o custo-padrão, 
indicando a ineficácia da gestão, pois foram consumidos mais recursos 
produtivos do que os previstos. 
Exemplo: variação entre custo real e custo-padrão. 
PRODUTOS CUSTO REAL $ CUSTO-PADRÃO $
 VARIAÇÃO $ FAVORÁVEL OU DESFAVORÁVEL 
A 50 60 10 Favorável 
B 80 70 -10 Desfavorável 
C 20 30 -10 Desfavorável 
Após ser evidenciada com base em relatórios e papéis de trabalho, a 
variação existente entre o custo-padrão e o custo real em termos 
sintéticos e analíticos (custos de cada produto e do material necessário 
para produção de cada unidade), deve-se proceder à análise detalhada 
e rígida dessas variações; devem ser confeccionados relatórios 
conclusivos para saber-se a razão, o porquê e a consequência dessa 
variação na gestão. De posse dessas informações, parte-se para a 
tomada de decisão sobre qual a melhor alternativa para ajustar os 
custos. 
TEMA 5 – CUSTEIO EM EMPRESAS COMERCIAIS E PRESTADORAS DE 
SERVIÇOS 
Historicamente, o termo custos, sempre que aplicado, remete inicialmente 
às organizações industriais. Há esse vínculo em decorrência de que os 
processos industriais são de fato mais complexos e pretensamente mais 
completos, englobando todas as fases de um processo produtivo (produção, 
venda, prestação de serviços), porémhá de se considerar e vincular também 
esse termo às empresas comerciais e de prestação de serviços, pois a gestão 
de custos nesses segmentos é tão importante quanto na área industrial. 
Tratar adequadamente o processo de gestão estratégica de custos 
significa obter vantagem estratégica e competitiva, sobretudo nestes tempos de 
alta concorrência e de alternativas de racionalização técnica, tecnológica e 
humana em processos produtivos mais enxutos, ágeis e com foco em melhoria 
contínua. 
Segundo Megliorini (2012), 
Muitos dos conceitos e procedimentos desenvolvidos para as 
empresas industriais também se aplicam às comerciais e prestadoras 
de serviços; alguns deles são, inclusive, de aplicação geral. Para 
adotá-los, as empresas comerciais e prestadoras de serviços precisam 
apenas ajustá-los a seus sistemas físicos e operacionais, situação 
 
 
15 
semelhante à verificada em diferentes empresas industriais, como as 
com produção sob encomenda e produção seriada. 
5.1 Empresas comerciais 
Empresas comerciais também devem ter extrema atenção quanto ao 
quesito custo, pois como constatado no decorrer do tempo, a racionalização dos 
gastos com materiais, recursos financeiros, recursos humanos e tecnológicos, é 
importante no processo de gestão e sustentabilidade dos negócios. Com o 
crescimento de concorrência, maiores exigências em termos de qualidade e pós-
venda, há a necessidade de que os gastos sejam absolutamente condizentes 
com a capacidade e necessidade da organização. 
Estipular preço justo e ajustado com as condições da empresa e que 
proporcione vantagem estratégica e competitiva é um desafio constante que 
remete à atenção e à preocupação permanentes com a gestão estratégica dos 
custos, principalmente em termos de controle, formação de preço e informações 
para tomada de decisão. 
Da mesma forma que nas empresas industriais, no comércio também se 
classificam os gastos como investimento, custos e despesas. Todos os custos 
para levar a termo a atividade da empresa e garantir estabilidade e 
sustentabilidade nos negócios devem ser objeto de permanente atenção nessas 
empresas. 
Os custos se referem às mercadorias comercializadas, incluindo todos os 
gastos não recuperáveis que ocorreram na compra da mercadoria. Nesse caso, 
todos esses gastos devem compor a formação de custo dos produtos. As 
despesas são os gastos que ocorrem por ocasião da comercialização e também 
os referentes aos departamentos de administração, financeiro e comercial. 
Segundo Megliorini (2012), no comércio, as despesas podem ser 
classificadas em: 
• Despesas diretas das mercadorias: são as que podem ser 
identificadas imediatamente com as mercadorias vendidas, como as 
comissões dos vendedores. 
• Despesas diretas dos departamentos: são as que podem ser 
identificadas com os respectivos departamentos em que ocorrem 
(como salários e encargos, depreciação e material de escritório) e são 
apropriadas de forma direta a eles. 
• Despesas indiretas dos departamentos: são as despesas 
comuns aos departamentos administrativos ou comerciais ou ambos, 
como aluguel e energia elétrica. São apropriadas aos departamentos 
por meio de rateio. 
 
 
16 
5.2 Empresas prestadoras de serviços 
No caso de empresas de prestação de serviços, todo tipo de serviço 
demanda em gestão estratégica de custos, pois cada prestação de serviço 
implica em um projeto específico diferente, portanto, há de se ter muita atenção 
na concepção dos contratos de prestação de serviços, bem como conhecimento 
de todos os custos componentes desse processo. 
Todos os custos e repasses para o tomador do serviço devem estar 
dispostos de forma clara e transparente. Atenção deve ser dada à categoria 
profissional do prestador de serviço para evitar defasagem no custo da mão de 
obra, principalmente especializada, a ser aplicada no projeto. 
A fidelização do tomador do serviço será condizente com a qualidade do 
resultado e preço justo. Portanto, um contrato bem feito em que haja uma relação 
ganha-ganha e previsão racional de gastos é de suma importância nesse 
contexto. 
Em suma, podemos ressaltar a importância concreta do processo de 
gestão de custos para empresas de todos os segmentos e setores (indústria, 
comércio e prestação de serviços). Observar e calcular adequadamente os 
custos é uma das partes mais importantes no processo de gestão de negócios e 
sustentabilidade dessas organizações. 
TROCANDO IDEIAS 
Discuta e delimite, sob a ótica do gestor de custos e do gestor de 
negócios, qual a melhor opção, em termos de sustentabilidade da empresa, 
custeio por absorção ou custeio baseado em atividades, fundamentando seu 
parecer. 
NA PRÁTICA 
1. Na sua concepção, qual é o melhor sistema de custeio: custeio por absorção 
ou custeio ABC? Analise estudos de caso (disponíveis na internet) com a 
aplicação de ambos comparativamente, considerando as vantagens e 
desvantagens de cada um e decida qual implantaria na sua gestão. 
2. Aplique o custeio baseado em atividades (ABC), utilizando o exemplo dado no 
texto (Tema 3), acrescentando 100% aos valores de atividades relevantes; 
 
 
17 
acrescentando 50% na quantidade de produção de cada produto e seguindo a 
sequência para cálculo e apropriação de custos com base na metodologia ABC. 
FINALIZANDO 
Aqui tomamos contato com os sistemas e/ou modelos de custeio que 
proporcionam controles, racionalização e gestão dos custos e dos estoques, 
atividades importantes na gestão dos negócios com vistas a sustentabilidade e 
obtenção de resultados financeiros positivos. 
Vimos que o sistema de custeio por absorção é o mais utilizado no meio 
industrial no Brasil e, na verdade, o único aceito pela legislação vigente para 
apuração e valorização dos estoques. Aprendemos também que o custeio 
variável não é aceito em virtude de que não atende aos preceitos contábeis 
legais e aos princípios fundamentais de contabilidade. 
O sistema de custeio baseado em atividades (ABC) foi concebido para 
reduzir ou acabar com as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos, 
porém é de difícil implantação e manutenção, caso façamos a análise custos 
versus benefícios, por conta do volume de controles e trabalho necessário para 
que se leve a termo esse sistema de custo. 
Custo-padrão ou standard significa estabelecer um padrão de custos para 
fins de comparação entre o que foi projetado e o que foi efetivamente realizado, 
além de propor um padrão de comportamento dos custos. 
O processo de gestão de custos é importante também para as empresas 
dos segmentos de prestação de serviços e comércio, pois, assim como na 
indústria, estabelecer gestão estratégica de custos configura condições de 
competitividade e sustentabilidade para essas empresas. 
 
 
 
18 
REFERÊNCIAS 
MEGLIORINI, E. Custos: análise e gestão. São Paulo: Pearson, 2012. 
OLIVEIRA, L. M.; PEREZ JUNIOR, J. H. Contabilidade de custos para não 
contadores. São Paulo: Atlas, 2007. 
SCHIER, C. U. C. Gestão de custos. Curitiba: Intersaberes, 2011. 
_____. Gestão Prática de Custos. Curitiba: Juruá, 2004.

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