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{sistema urinário}
Anatomia
RINS: têm formato oval, retiram o excesso de água, sais e resíduos do metabolismo proteico do sangue, enquanto devolvem nutrientes e substâncias químicas ao sangue. Estão situados no retroperitônio sobre a parede posterior do abdome, um de cada lado da coluna vertebral, no nível das vértebras T XII a L III. O rim direito localiza-se em um nível relativamente inferior ao esquerdo (devido a presença do fígado). Durante a vida, os rins têm coloração marrom-avermelhada e medem cerca de 10 cm de comprimento, 5 cm de largura e 2,5 cm de espessura.
· OBS.: Os níveis dos rins se modificam durante a respiração e mudanças posturais – cada rim move-se 2 a 3 cm em direção vertical durante o movimento do diafragma na respiração profunda.
· OBS.: O polo inferior do rim direito está aproximadamente 1 dedo superior à crista ilíaca.
· Margem lateral
· Margem medial
· Hilo renal – na margem côncava, encontra-se o hilo renal e o seio renal, que são estruturas responsáveis pela entrada e saída de vasos, nervos e o ureter.
· Seio renal – é o local onde os cálices menores se unem para formar os cálices maiores que, por sua vez, irão formar a pelve renal.
· Face anterior
· Face posterior
· Polo superior
· Polo inferior
· Cápsula fibrosa
· Loja renal: gordura perirrenal (cápsula adiposa) e gordura pararrenal
· A cápsula adiposa (gordura perirrenal) circunda os rins e seus vasos enquanto se estende até suas cavidades centrais, os seios renais.
· Os rins, as glândulas suprarrenais e a gordura que os circunda estão encerrados (exceto inferiormente) por uma camada membranácea e condensada de fáscia renal, que continua medialmente e envolve os vasos renais, fundindo-se com as bainhas vasculares desses últimos. Inferomedialmente, uma extensão delicada da fáscia renal prolonga-se ao longo do ureter como a fáscia periureteral.
· Externamente à fáscia renal está o corpo adiposo pararrenal (gordura pararrenal), a gordura extraperitoneal da região lombar, que é mais visível posteriormente ao rim. A fáscia renal envia feixes colágenos através do corpo adiposo pararrenal.
· Parênquima renal:
· Córtex renal
· Colunas renais
· Medula renal
· Pirâmides renais
· Base da pirâmide
· Papila renal (ápice)
· Artéria renal
· Veia renal
· Pelve renal - A pelve renal é a expansão afunilada e achatada da extremidade superior do ureter. O ápice da pelve renal é contínuo com o ureter. A pelve renal recebe dois ou três cálices maiores, e cada um deles se divide em dois ou três cálices menores. Cada cálice menor é entalhado por uma papila renal, o ápice da pirâmide renal, de onde a urina é excretada. Nas pessoas vivas, a pelve renal e seus cálices geralmente estão colapsados (vazios). As pirâmides e o córtex associado formam os lobos renais. Os lobos são visíveis na face externa dos rins nos fetos, e os sinais dos lobos podem persistir por algum tempo após o nascimento
· Cálices renais maiores
· Cálices renais menores
URETERES: são ductos musculares (25 a 30 cm de comprimento) com lumens estreitos que conduzem urina dos rins para a bexiga. Seguem inferiormente, dos ápices das pelves renais nos hilos renais, passando sobre a margem da pelve na bifurcação das artérias ilíacas comuns. A seguir, passam ao longo da parede lateral da pelve e entram na bexiga urinária.
· Parte abdominal
· Parte pélvica
BEXIGA URINÁRIA:
· Ápice da bexiga
· Ligamento umbilical mediano
· Corpo da bexiga
· Trígono da bexiga
· Prega interuretérica
· Óstio do ureter
· Óstio interno da uretra
URETRA MASCULINA:
· Parte prostática
· Parte membranácea
· Parte esponjosa (“peniana”)
· Óstio externo da uretra
URETRA FEMININA
· Óstio externo da uretra
Histologia
Revestindo o rim externamente observa-se uma cápsula de tecido conjuntivo denso rico em fibras elásticas. Abaixo dessa cápsula distingue-se uma região externa denominada região cortical, onde estão os corpúsculos renais, os túbulos contorcidos proximais e distais, e outra localizada internamente, a região medular, onde está a Alça de Henle. Os rins são constituídos por unidades denominadas néfrons. Fazem parte dos néfrons os seguintes componentes: corpúsculo renal, túbulo contorcido proximal, alça de Henle e túbulo contorcido distal. Finalmente cada túbulo contorcido distal se abre para o interior dos ductos coletores, os quais não são considerados componentes do néfron.
· Lâmina MH-142 (Rim):
· Cápsula – fina camada de tecido conjuntivo denso irregular.
· Córtex – suportes de tecido conjuntivo, néfrons, vasos sanguíneos e linfáticos. Macrófagos e fibroblastos são prevalentes.
· Medula – o tecido conjuntivo suporta os ductos e túbulos que formam o interstício renal. O tipo de célula do tecido conjuntivo mais prevalente são os miofibroblastos.
· Corpúsculos renais – formado pelo Glomérulo renal (tufo de capilares) e pela Cápsula de Bowman, saco epitelial invaginado que envolve o glomérulo, resultando na formação de dois folhetos, parietal e visceral. Entre os dois folhetos encontra-se o espaço urinífero ou capsular que capta o filtrado glomerular.
· Cápsula de Bowman
· Glomérulo renal
· Túbulos contorcidos proximais – em sua parede composta por um epitélio cúbico simples, com células apresentando uma grande quantidade de microvilosidades (“Borda em escova”) na superfície apical. O limite entre essas células é impreciso, e o lúmen é estreito, se comparado com o lúmen do túbulo contorcido distal.
· Túbulos contorcidos distais – também é revestido por epitélio cúbico simples, e diferentemente do túbulo contorcido proximal, não possui a “borda em escova”, pois a parte apical das células do túbulo apresenta microvilos mais curtos e esparsos, apresentando desta forma um lúmen mais amplo. Observa-se a mácula densa, região em que o TCD se encosta ao corpúsculo renal do mesmo néfron, modificando a parede do túbulo neste ponto. As células tornam-se cilíndricas altas, com núcleos alongados e próximos uns dos outros
· Suprimento sanguíneo – cada rim é suprido por uma artéria renal.
· Artérias interlobares – ramos da artéria renal dentro do seio renal que entram nas colunas renais.
· Artérias arqueadas- ramos das artérias interlobares que se arqueiam sobre a base das pirâmides na junção do córtex e da medula.
· Artérias interlobulares - ramos das artérias arqueadas que atravessam o córtex para fornecer uma arteríola aferente para cada corpúsculo renal.
· Capilares peritubulares - o destino das arteríolas eferentes de cada corpúsculo renal depende de sua localização.
· Plexo peritubular – arteríolas eferentes dos glomérulos corticais que permanecem no córtex.
· Plexo Medular – arteríolas eferentes dos glomérulos justamedulares que percorrem os vasos retos na medula.
Cápsula
Medula
Córtex
Cápsula
Néfrons
Córtex
Artéria arqueada
Medula – Insterstício
A seta preta aponta a cápsula de Bowman; a seta laranja, o espaço capsular; a seta azul indica a mácula densa. A estrela indica o glomérulo renal. Em 1, observa-se túbulos contorcidos proximais; e em 2, túbulos contorcidos distais.
· Lâmina MH-143 (Rim):
· Córtex – região externa mais escura.
· Corpúsculos Renais – estruturas esféricas que formam o ultrafiltrado do sangue.
· Labirintos Corticais- regiões entre os corpúsculos renais e os raios medulares que contêm túbulos contorcidos proximais e distais.
· Raios Medulares- projeções de túbulos entre o córtex e a medula que contém túbulos retos e ductos coletores.
· Alça de Henle - tubo em forma de U presente nos néfrons. Localizada entre o túbulo contorcido proximal e túbulo contorcido distal.
· Medula – região interna mais clara.
· Pirâmides – igual ao número de lóbulos e formam estruturas cônicas cuja base está voltada para o córtex e seu ápice forma a papila renal. A urina passa pelo cálice menor, que é uma estrutura em forma de taça que é uma extensão da pelve renal.
· Papila renal
· Cálice renal
· Pelve renal – origem, em forma de funil do ureter.
· Artéria renal
· Veia renal
Pelve renal
Medula
Córtex
Hilo
Hilo
Corpúsculo renal
Artérias arqueadasGlomérulos
Cápsula de Bowman
Raios medulares
Alça de Henle
Labirintos corticais – túbulos proximais e distais
· Imagem EM-197 (Túbulo contorcido distal):
Os túbulos renais de um néfron consistem em um túbulo proximal, alça de Henle e túbulo distal.
O túbulo contorcido distal é a porção do néfron situada entre a alça de Henle e o ducto coletor. – O túbulo contorcido distal é parcialmente responsável pela regulação do sódio, potássio e pH no sangue filtrado.
· Células do túbulo contorcido proximal
· Núcleo – azul
· Mitocôndrias – vermelho
· Citoplasma – verde
· Lâmina basal – roxo
· Microvilosidades
· Capilar peritubular – espaço onde está a hemácia e a célula endotelial
· Célula endotelial – azul escuro (perto do eritrócito)
· Eritrócito (hemácias) – vermelho escuro
Fisiologia
O trajeto realizado é o seguinte: uma gota de água segue desde o plasma até a sua excreção na urina. A produção da urina inicia quando a água e os solutos se deslocam do plasma para o interior de tubos ocos (néfrons), que compõem a maior parte dos dois rins. Esses túbulos modificam a composição do líquido à medida que ele passa ao longo dessas estruturas. O fluido já alterado, agora chamado de urina, deixa os rins e passa por um tubo, chamado de ureter. Existem dois ureteres, cada um partindo de um rim e se dirigindo para a bexiga urinária. A bexiga se expande e é preenchida com a urina até que, em um reflexo, chamado de micção, ela se contrai e elimina a urina através de um único tubo, a uretra
RINS
A função mais importante dos rins é a regulação homeostática do conteúdo de água e íons no sangue, também chamada de balanço do sal e da água, ou equilíbrio hidroeletrolítico. Os rins mantêm concentrações normais de íons e água no sangue através do balanço da ingestão dessas substâncias com a sua excreção na urina, obedecendo ao princípio do balanço de massas. As funções dos rins podem ser divididas em 6 áreas gerais:
· Regulação do volume do líquido extracelular e da pressão arterial: Quando o volume do LEC diminui, a pressão arterial também diminui. Se o volume do LEC e a pressão arterial caem até níveis muito baixos, o corpo não pode manter um fluxo adequado de sangue para o encéfalo e outros órgãos essenciais. Os rins trabalham de uma maneira integrada com o sistema circulatório para assegurar que tanto a pressão arterial quanto a perfusão tecidual permaneçam em uma faixa aceitável.
· Regulação da osmolaridade: O corpo integra a função renal com o comportamento, como a sede, para manter a osmolalidade do corpo em um valor próximo de 290 mOsM.
· Manutenção do equilíbrio iônico: Os rins mantêm a concentração de íons-chave dentro de uma faixa normal pelo balanço entre a sua ingestão e a sua perda urinária. O sódio (Na+) é o principal íon envolvido na regulação do volume do LEC e da osmolaridade. As concentrações dos íons potássio (K+) e cálcio (Ca2+) também são estritamente reguladas.
· Regulação homeostática do pH: O pH plasmático é normalmente mantido dentro de uma faixa muito estreita de variação. Se o líquido extracelular se torna muito ácido, os rins excretam H+ e conservam íons bicarbonato (HCO3-), que atuam como tampão. Inversamente, quando o LEC se torna muito alcalino, os rins excretam HC03- e conservam H+. Os rins exercem um papel importante na regulação do pH, mas não são capazes de corrigir desiquilíbrios no pH tão rapidamente quanto os pulmões.
· Excreção de resíduos: Os rins removem produtos do metabolismo e xenobióticos, ou substâncias estranhas, como fármacos e toxinas ambientais. Os produtos do metabolismo incluem a creatinina do metabolismo muscular e resíduos nitrogenados, como a ureia e o ácido úrico. Um metabólito da hemoglobina, chamado de urobiolinogênio, dá a ela sua cor amarela característica. Os hormônios são outras substâncias endógenas retiradas do sangue pelos rins. Exemplos de substâncias estranhas excretadas pelos rins incluem o adoçante artificial sacarina e o ânion benzoato, parte do conservante benzoato de potássio.
· Produção de hormônios: Embora os rins não sejam glândulas endócrinas, eles desempenham um importante papel em três vias endócrinas. As células renais sintetizam eritropoetina, a citocina, hormônio que regula a produção dos eritrócitos. Os rins também liberam renina, uma enzima que regula a produção de hormônios envolvidos no equilíbrio do sódio e na homeostasia da pressão sanguínea. Por fim, as enzimas renais auxiliam na conversão da vitamina D3 em um hormônio ativo que regula o equilíbrio do Ca2+.
Os rins são o local de produção da urina. Cada rim situa-se em um lado da coluna vertebral ao nível da décima primeira e décima segunda costelas, logo acima da cintura. Embora eles estejam abaixo do diafragma, eles estão tecnicamente fora da cavidade abdominal, entre o peritônio membranoso, que reveste o abdome, e os ossos e os músculos do dorso. Devido à sua localização atrás da cavidade peritoneal, os rins são algumas vezes descritos como órgãos retroperitoneais.
A superfície côncava de cada rim está voltada para a coluna vertebral. Os vasos sanguíneos renais, os nervos, os vasos linfáticos e os ureteres emergem a partir dessa superfície. As artérias renais, as quais são ramos da parte abdominal da aorta, fornecem sangue para os rins. As veias renais levam sangue dos rins para a veia cava inferior. Os rins recebem 20 a 25% do débito cardíaco, embora constituam apenas 0,4% do peso total do corpo (120-170 gramas cada). Essa alta taxa de fluxo sanguíneo através dos rins é crítica para a função renal.
NÉFRONS:
Uma secção transversal através de um rim mostra que o seu interior é dividido em duas camadas: um córtex externo e uma medula interna. As camadas são formadas pelo arranjo organizado de túbulos microscópicos, chamados de néfrons. Cerca de 80% dos néfrons de um rim estão presentes quase que completamente no interior do córtex (néfrons corticais), ao passo que os outros 20% – chamados de néfrons justamedulares – penetram no interior da medula.
O néfron é a unidade funcional do rim. (Uma unidade funcional é a menor estrutura que pode efetuar todas as funções de um órgão.) Cada um dos cerca de 1 milhão de néfrons de cada rim é dividido em segmentos, e cada segmento é intimamente associado com vasos sanguíneos especializados.
No sistema porta renal, o sangue flui das artérias renais para uma arteríola aferente. Das arteríolas aferentes, o sangue passa para uma primeira rede de capilares, uma rede em forma de novelo, chamada de glomérulo. O sangue que deixa os glomérulos passa para uma arteríola eferente, e, então, para uma segunda rede de capilares, os capilares peritubulares, que cercam o túbulo renal.
Nos néfrons justamedulares, os longos capilares peritubulares que penetram na medula são chamados de vasos retos. Por fim, os capilares peritubulares convergem para a formação de vênulas e pequenas veias, enviando o sangue para fora dos rins através da veia renal.
A função do sistema porta renal é filtrar o fluido sanguíneo para o interior do lúmen do néfron, nos capilares glomerulares, e, então, reabsorver o fluido do lúmen tubular de volta para o sangue, nos capilares peritubulares.
Os líquidos são filtrados do glomérulo para dentro da cápsula de Bowman (gromérulo + cápsula de Bowman = cospúsculo renal). A partir da cápsula, o filtrado passa pelo túbulo proximal; alça de Henle, segmento que desce até a medula e retorna, posteriormente, ao córtex); túbulo distal, sendo que os túbulos distais de até 8 néfrons drenam para um único tubo maior, o ducto coletor, que passam do córtex para a medula e drenam na pelve renal (túbulo distal + ducto coletor = néfron distal). Da pelve renal, o líquido filtrado e modificado (urina) flui para o ureter, até a bexiga urinária.
Três processos básicos ocorrem nos néfrons: filtração, reabsorção e secreção.
· Filtração: é o movimento de líquido do sangue (arteríola aferente) para o lúmen do néfron. Filtração ocorre apenas no corpúsculo renal, onde as paredes dos capilares glomerulares e da cápsulade Bowman são modificadas para permitir o fluxo do líquido. Após o filtrado deixar a cápsula de Bowman, ele é modificado pelos processos de reabsorção e secreção.
OBS.: Uma vez que o fluido filtrado, chega ao lúmen do néfron, ele se torna parte do meio externo ao corpo, da mesma forma que as substâncias no lúmen intestinal fazem parte do meio externo. Devido a essa razão, tudo que é filtrado nos néfrons é destinado à excreção na urina, a não ser que seja reabsorvido para o corpo.
· Reabsorção: é um processo de transporte de substâncias presentes no filtrado, do lúmen tubular de volta para o sangue através dos capilares peritubulares.
· Secreção: remove seletivamente moléculas do sangue e as adiciona ao filtrado no lúmen tubular. Embora a secreção e a filtração glomerular movam substâncias do sangue para dentro do túbulo, a secreção é um processo mais seletivo que, em geral, usa proteínas de membrana para transportar as moléculas através do epitélio tubular.
URETERES
São estruturas musculares tubulares, responsáveis cada uma por levar a urina de um rim até a bexiga urinária para armazenamento e posterior excreção. O suprimento arterial dos ureteres vem direta e indiretamente da aorta abdominal. Não existem gânglios nos ureteres; entretanto, ele recebe inervação simpática e parassimpática.
O lúmen de cada ureter é revestido por uma camada mucosa de epitélio transicional, que acomoda o aumento de pressão quando um maior volume de urina deixa o rim. Isso ajuda a minimizar o risco de ruptura dos ureteres. Além disso, esses condutos possuem várias pregas internas, criadas por múltiplas camadas de músculo liso ao longo da parede ureteral.
De uma perspectiva histológica existem duas camadas musculares na parede do ureter: uma camada longitudinal e uma circular. No segmento inferior dos ureteres, outra camada longitudinal pode ser encontrada próxima à bexiga.
A urina é empurrada ao longo dos ureteres por movimentos peristálticos iniciados nas células marcapasso da pelve renal proximal. As ondas peristálticas, assim como o exterior esbranquiçado e não pulsátil, ajudam a distinguir os ureteres de vasos sanguíneos in vivo.
BEXIGA
É um órgão muscular liso. Ela armazena temporariamente a urina proveniente dos rins através dos ureteres até que o corpo esteja preparado para a excretar através da uretra.
A bexiga encontra-se inferiormente ao peritônio, assentando no assoalho pélvico. Nas mulheres, a sua superfície inferior assenta na sínfise púbica e a parede posterior está em contato com a vagina e o útero. Nos homens, a superfície inferior da bexiga assenta na sínfise púbica e na próstata, posteriormente está o terço distal do reto.
Entre a superfície posterior da bexiga e a superfície anterior do útero existe um recesso peritoneal chamado fundo de saco vesicouterino. Nos homens, o recesso peritoneal entre a bexiga e o reto chama-se fundo de saco rectovesical.
O músculo detrusor constitui a parede da bexiga, ele forma o esfíncter interno da uretra em torno do colo da bexiga. O músculo detrusor contrai em torno dos orifícios ureterais quando a bexiga contrai de forma a prevenir refluxo vesicoureteral (refluxo de urina para os ureteres).
À medida que a bexiga se enche com urina, a pressão dentro da bexiga aumenta lentamente até que se atinja o ponto máximo. Isto traduz-se na necessidade de urinar, sentida pela medula espinhal através do plexo hipogástrico inferior. A medula espinhal envia em seguida sinais através do mesmo plexo que causam a contração do músculo detrusor e o relaxamento do esfíncter interno da uretra. O córtex cerebral consegue sobrepor-se a este reflexo, controlando voluntariamente o relaxamento do esfíncter externo da uretra.
A bexiga é vascularizada por ramos da artéria ilíaca interna: as artérias vesicais superior e inferior (no sexo masculino). As últimas são substituídas pelas artérias vaginais no sexo feminino. A drenagem venosa é feita por veias de nomes semelhantes que acompanham as respetivas artérias. Em conjunto, estas veias formam o plexo venoso vesical e são todas tributárias da veia ilíaca interna.
URETRA
É o canal excretor da bexiga ela transporta a urina da bexiga até o exterior do corpo. A uretra estende-se desde o orifício interno da uretra na bexiga até ao orifício externo da uretra da genitália externa. O trajeto da uretra varia com o sexo do indivíduo.
A uretra feminina é muito pequena (4 centímetros) o que é um fator predisponente para contrair infeções do trato urinário. A uretra feminina passa primeiro através do assoalho pélvico e depois através do espaço perineal profundo onde está rodeada pelo esfíncter externo da uretra. Finalmente, a uretra abre-se através do orifício externo da uretra encontrado entre os pequenos lábios, anteriormente à abertura vaginal.
A uretra masculina é muito mais longa (20 centímetros) e tem quatro partes:
· Pré-prostática (intramural) - parte da uretra que se estende desde o orifício interno da uretra até à próstata.
· Prostática - parte da uretra que penetra a próstata e na qual esta se junta ao ducto ejaculatório do sistema reprodutor masculino.
· Membranosa - parte da uretra que passa através do espaço perineal profundo e onde é rodeada pelo esfíncter externo da uretra.
· Esponjosa (peniana) - uretra que viaja através do corpo esponjoso do pênis.
A uretra abre-se através do orifício externo da uretra na extremidade da glande.
A uretra também é vascularizada por ramos da artéria ilíaca interna. No sexo masculino, a vascularização da uretra é feita pelas artérias vesical inferior e retal média. A drenagem venosa é feita primeiro para o plexo venoso prostático e em seguida para a veia ilíaca interna. A uretra feminina é vascularizada pelas artérias pudenda interna e vaginal. O sangue venoso é drenado por veias com nomes semelhantes.
Urina
Os 180 litros de fluido que são filtrados para a cápsula de Bowman a cada dia são quase idênticos ao plasma em sua composição e quase isosmóticos – cerca de 300 mOsM. À medida que este filtrado flui pelo túbulo proximal, cerca de 70% do seu volume é reabsorvido, restando 54 L no lúmen tubular.
A reabsorção ocorre quando as células do túbulo proximal transportam solutos para fora do lúmen, determinando a reabsorção de água por osmose. O filtrado que deixa o túbulo proximal tem a mesma osmolalidade do que o filtrado que entrou. Por essa razão, dizemos que a função primária do túbulo proximal é a reabsorção isosmótica de solutos e água.
O filtrado que deixa o túbulo proximal passa para a alça de Henle, o local principal para a produção de urina diluída. À medida que o filtrado passa pela alça de Henle, proporcionalmente é reabsorvido mais soluto do que água, e o filtrado torna-se hiposmótico com relação ao plasma. Quando o filtrado sai da alça, ele tem em média 100 mOsM, e seu volume diminui de 54 L/dia para cerca de 18 L/dia. A maior parte do volume originalmente filtrado na cápsula de Bowman já foi reabsorvida para os capilares.
A partir da alça de Henle, o filtrado passa para o túbulo distal e para o ducto coletor. Nesses dois segmentos, ocorre uma regulação fina do balanço de sal e de água sob o controle de vários hormônios. A reabsorção e a secreção (em um menor grau) determinam a composição final do filtrado. No final do ducto coletor, o filtrado tem um volume de 1,5 L/dia e uma osmolalidade que pode variar de 50 a 1.200 mOsM. O volume e a osmolalidade finais da urina dependem das necessidades do corpo de conservar ou excretar água e soluto.
A filtração ocorre no corpúsculo renal à medida que o líquido passa dos capilares do glomérulo para dentro da cápsula de Bowman. A reabsorção e a secreção ocorrem ao longo do restante do túbulo, transferindo material entre o lúmen e os capilares peritubulares. A quantidade e a composição das substâncias que são reabsorvidas e secretadas variam nos diferentes segmentos do néfron. O filtrado que permanece no lúmen no final do néfron é excretado como urina. A quantidade de qualquer substância excretada na urina reflete o resultado doseu manejo durante a sua passagem através do néfron. A quantidade excretada é igual à quantidade filtrada para o túbulo, menos a quantidade reabsorvida para o sangue, mais a quantidade secretada no lúmen tubular:
Quantidade Excretada = Quantidade Filtrada – Quantidade Reabsorvida + Quantidade Secretada
Taxa de filtração glomerular: A taxa de filtração glomerular (TFG) é a medida da depuração de uma substância que é filtrada livremente pelos glomérulos e não sofre reabsorção ou secreção tubular, por isso é comumente usada como a medida padrão da avaliação da função renal.
O volume de fluido que é filtrado para dentro da cápsula de Bowman por unidade de tempo é a taxa de filtração glomerular (TFG). A TFG média é de 125 mL/min, ou de 180 L/dia, uma taxa impressionante, considerando-se que o volume plasmático total é de apenas cerca de 3 litros. Essa taxa significa que os rins filtram todo o volume plasmático 60 vezes por dia, ou 2,5 vezes a cada hora. Se a maior parte do filtrado não fosse reabsorvida durante a sua passagem pelo néfron, ficaríamos sem o plasma em apenas 24 minutos de filtração.
A TFG é influenciada por dois fatores: a pressão de filtração resultante e o coeficiente de filtração. A pressão de filtração é determinada primeiro pelo fluxo sanguíneo renal e pela pressão arterial. O coeficiente de filtração possui dois componentes: a área de superfície dos capilares glomerulares, disponível para a filtração e a permeabilidade da interface entre capilar e cápsula de Bowman. Nesse aspecto, a filtração glomerular é semelhante às trocas de gases nos alvéolos, em que a taxa da troca gasosa depende da diferença entre as pressões parciais dos gases, da área de superfície dos alvéolos e da permeabilidade da barreira de difusão alvéolo-capilar.
Hormônio antidiurético (ADH) – neuro-hipófise (não produz hormônio, é só uma via de transporte (hipotálamo produz o ADH) - diferentemente da adeno hipófise, a qual produz hormônios após o estímulo hipotalâmico).
Os rins excretam água pela produção de urina diluída, ou seja, independe da excreção de soluto. O ADH tem grande importância no controle da concentração da urina por mecanismo de feedback. O Hormônio Antidiurético aumenta a permeabilidade à água nos túbulos distais e coletores, permitindo a reabsorção e diminuição do volume urinário.
O mecanismo de formação de urina consiste na reabsorção contínua de solutos, a partir dos segmentos distais do sistema tubular sem reabsorção de água. De forma geral, no Túbulo Proximal o líquido tubular permanece isosmótico, é diluído no ramo ascendente da Alça de Henle, é mais diluído nos Túbulos Distais e Coletores (Na ausência de ADH).
O túbulo distal dilui ainda mais o líquido tubular, pois promove o transporte ativo de íons sódio para fora do túbulo, mas é relativamente impermeável à água. Já no túbulo coletor cortical, a quantidade de água reabsorvida depende das concentrações plasmáticas do ADH.
Ureia e creatinina
UREIA
A ureia constitui o principal metabólito nitrogenado derivado da degradação de proteínas pelo organismo, sendo que 90% deste analito é excretado pelos rins e o restante eliminado pelo trato gastrintestinal e pela pele. Apesar de ser filtrada livremente pelo glomérulo, não ser reabsorvida nem secretada ativamente, a ureia é um preditor fraco da filtração glomerular, pois 40%-70% retornam para o plasma por um processo de difusão passiva tubular, que é dependente do fluxo urinário.
Dessa forma, a estase urinária leva a um maior retorno de ureia ainda nos túbulos renais e a uma subestimação da filtração glomerular calculada pelo clareamento de ureia. Outros fatores podem mudar significativamente os valores séricos da ureia sem terem relação com a função renal, como a dieta, a taxa de produção hepática, desidratação, trauma, insuficiência cardíaca congestiva, infecção, depleção de sódio e uso de corticosteroides, diuréticos ou tetraciclinas. Embora apresente estas limitações, alterações nos níveis plasmáticos da ureia decorrentes de insuficiência renal surgem mais precocemente quando comparado à creatinina.
A principal utilidade clínica da ureia consiste na determinação da razão ureia/creatinina séricas. Essa relação pode ser útil particularmente quando se avaliam pacientes com quedas abruptas da taxa de filtração glomerular (TFG), podendo apresentar-se alterada em estados patológicos diferentes, bem como na discriminação da azotemia pré e pós-renal. Em condições normais, a relação ureia/creatinina é em torno de 30, mas este valor aumenta para > 40-50 quando, por exemplo, ocorre contração do volume extracelular (desidratação, insuficiência cardíaca congestiva, estados febris prolongados e uso inadequado da terapia diurética por via intravenosa).
CREATININA
A creatinina é um produto residual da creatina e da fosfocreatina oriunda do metabolismo muscular e da ingestão de carne. Aproximadamente 98% da creatina é mantida no músculo e 1,6% a 1,7% desta é convertida em creatinina por dia, que é rapidamente excretada pelo rim. Dessa forma, a produção e liberação de creatinina pelo músculo são praticamente constantes. A geração é diretamente proporcional à massa muscular, que varia de acordo com a idade, sexo e etnia e é afetada por condições que causam perda muscular. O consumo de carne pode elevar o nível de creatinina porque a carne contém creatina, que pode ser convertida em creatinina pelo cozimento.
A creatinina é livremente filtrada pelo glomérulo e não é reabsorvida nem metabolizada pelo rim. Entretanto, aproximadamente 25% da creatinina urinária é proveniente da secreção tubular, sendo esta mais significativa quanto menor for a TFG. A quantidade secretada não é constante e depende do indivíduo, da concentração sérica de creatinina e pode ser afetada por medicamentos como a cimetidina e o trimetoprim, dificultando sobremaneira a determinação de uma constante de secreção. A eliminação extrarrenal de creatinina através do trato gastrointestinal, em particular na insuficiência renal avançada, contribui também para uma superestimação da TFG (taxa de filtração glomerular). Adicionalmente, outro problema é o fato do valor da creatinina sérica acima do normal adotado pela maioria dos laboratórios (1,3 mg/dL) só ocorrer a partir de diminuição da ordem de 50%-60% da TFG. Estas considerações são especialmente importantes quando se avalia a TFG nos pacientes idosos, particularmente os do sexo feminino, nos quais, por apresentarem menor massa muscular, é possível observar nível sanguíneo de creatinina dentro de intervalos de referência na vigência de TFG diminuída. O relativo descompasso da creatinina com o real estado funcional e sua baixa sensibilidade e especificidade se traduzem em diagnóstico e tratamento tardios.
Cálculos renais
Litíase renal é uma doença frequente que acomete mais homens que mulheres e pode estar localizada nos rins, ureter, bexiga e uretra. A recorrência da litíase renal é comum e aproximadamente 50% dos pacientes apresentarão um segundo episódio de litíase, após 5 a 10 anos do primeiro, se não forem submetidos a nenhum tipo de tratamento.
São formações endurecidas que se formam nos rins ou nas vias urinárias, resultantes do acúmulo de cristais existentes na urina. Aproximadamente 75-80% dos pacientes com urolitíase apresentam cálculos de cálcio, sendo que a maioria destes são compostos primariamente de oxalato de cálcio e, com menor frequência, fosfato de cálcio.
Os outros tipos principais incluem cálculos de ácido úrico, estruvita (fosfato de amônio magnesiano) e cistina. O mesmo paciente pode ter um cálculo misto.
A formação dos cálculos urinários é o resultado de um processo complexo e multifatorial. Os principais mecanismos fisiopatogênicos responsáveis pela sua formação são distúrbios metabólicos, infecções urinárias, anormalidades anatômicas e causas idiopáticas. Outros fatores envolvidos na litogênese são o pH urinário, o volume urinário e a dieta.
Principais fatores de risco:
· Dieta (baixa ingestão hídrica, dieta pobre em cálcio e rica em proteínaanimal e sódio).
· História prévia pessoal ou familiar de nefrolitíase.
· Infecção urinária de repetição.
· Uso de medicamentos.
· Hipertensão, diabetes e obesidade.
Os cálculos de cálcio estão associados a alterações bioquímicas urinárias:
· Hipercalciúria, com ou sem hipercalcemia.
· Hiperoxalúria (associada à doença inflamatória intestinal e/ou mal absorção intestinal ou hiperoxalúria primária).
· Hipocitratúria, que pode ser importante em pacientes com acidose metabólica. No entanto, hipocitratúria leve ocorre numa proporção significativa de formadores de cálculo na ausência de acidemia aparente. Citrato é um importante inibidor da formação de cálculos de oxalato e fostato de cálcio.
· PH urinário persistentemente alcalino, como ocorre na acidose tubular renal distal (tipo 1). Urina alcalina está associada com a formação de cálculos de fosfato de cálcio.
· Baixo volume urinário, que aumenta a concentração dos fatores litogênicos.
Certas condições predisponentes estão associadas à formação de cálculos de cálcio:
· Hiperparatireoidismo primário, que é suspeitado na presença de hipercalcemia (usualmente leve e intermitente).
· Anormalidades anatômicas do trato urinário (rins em ferradura, obstrução da junção ureteropélvica, divertículos calicinais e rim esponja medular) que aumentam o risco de litíase por determinar obstrução e estase urinária.
· Acidose tubular renal distal (tipo 1), em que o pH urinário é persistentemente alto e leva à acidose metabólica na maioria dos pacientes.
Outros tipos de cálculos:
· Ácido úrico – ocorrem principalmente devido urina persistentemente ácida (pH urinário 5 leucócitos por campo em sedimento urinário) sugere pielonefrite sobreposta, com predisposição à bacteremia e sepse urinária.
Formação dos cálculos:
· Nucleação: diz respeito à mudança de fase de sais dissolvidos em um sólido, dependendo do grau de saturação da urina em um solvente. É possível que um sal continue dissolvido na urina mesmo em concentrações que excedam sua solubilidade, nesses casos a urina é caracterizada como metaestável. O limite da supersaturação, acima do qual a precipitação dos sais dissolvidos ocorre, é o limite superior da metaestabilidade. A nucleação é considerada homogênea quando a precipitação dos cristais acontece espontaneamente em uma urina supersaturada e considerada heterogênea quando a precipitação ocorre em graus menores de saturação na presença de agentes nucleadores (ex.: células, cristais, proteínas da urina ou componentes das células epiteliais).
· Retenção dos núcleos iniciais em sítios do urotélio.
· Crescimento dos cristais.
· Agregação dos cristais.
CRISTAIS DE OCALATO DE CÁLCIO
É comum encontrar cristais na urina. Estes são formados pela precipitação dos sais da urina submetidos a alterações de pH, temperatura ou concentração, o que afeta sua solubilidade.
A urina normal recém eliminada pode conter cristais formados nos tubos ou, com menos frequência na bexiga, sendo que o cristal de oxalato de cálcio é responsável pela formação da maioria dos cálculos renais.
Os cristais de oxalato de cálcio são incolores, brilhantes, possuindo na maioria das vezes formas características, semelhantes a um envelope, podendo apresentar formas de biscoitos, esférulas, halteres, etc. Podem surgir após a ingestão de alimentos ricos em ácido oxálico, sendo estes tomates, espinafre, aspargo, ruibarbo, etc.
O achado de grumos de cristais em urina quente, recém eliminada, pode indicar a existência de condições para formação de cálculos. São encontrados geralmente em urinas acidas.
Sistema renina-angiotensina-aldosterona
Além da capacidade dos rins de controlar a pressão arterial por meio de alterações do volume do líquido extracelular, os rins têm também outro potente mecanismo de controle da pressão: o chamado sistema renina-angiotensina. A renina é enzima proteica liberada pelos rins quando a pressão arterial cai para níveis muito baixos. Sua resposta consiste em elevar a pressão arterial de diversos modos, contribuindo para a correção da queda inicial da pressão.
A renina é sintetizada e armazenada em forma inativa chamada pró-renina nas células justaglomerulares (células JG) dos rins. As células JG são células musculares lisas modificadas, situadas principalmente nas paredes das arteríolas aferentes imediatamente proximais aos glomérulos. Quando a pressão arterial cai, reações intrínsecas dos rins fazem com que muitas das moléculas de pró-renina nas células JG sejam clivadas, liberando renina. A maior parte da renina é liberada no sangue que perfunde os rins para circular pelo corpo inteiro. Entretanto, pequenas quantidades de renina permanecem nos líquidos locais dos rins onde exercem diversas funções intrarrenais.
A renina é enzima, e não substância vasoativa. Ela age enzimaticamente sobre outra proteína plasmática, a globulina referida como substrato de renina (ou angiotensinogênio – produzido no fígado), liberando peptídeo com 10 aminoácidos, a angiotensina I. A angiotensina I tem ligeiras propriedades vasoconstritoras, mas não suficientes para causar alterações significativas na função circulatória. A renina persiste no sangue por 30 minutos a 1 hora e continua a causar a formação de angiotensina durante todo esse tempo.
Alguns segundos após a formação de angiotensina I, dois aminoácidos adicionais são removidos da angiotensina I, formando o peptídeo de oito aminoácidos angiotensina II. Essa conversão ocorre, em grande parte, nos pulmões, enquanto o sangue flui por seus pequenos vasos catalisados pela enzima conversora de angiotensina presente no endotélio dos vasos pulmonares. Outros tecidos, tais como rins e vasos sanguíneos, também contêm enzimas conversoras e, portanto, formam localmente angiotensina II.
A angiotensina II é um vasoconstritor extremamente potente, e ela afeta a função circulatória por outros modos. Entretanto, ela persiste no sangue por apenas 1 ou 2 minutos por ser rapidamente inativada por múltiplas enzimas sanguíneas e teciduais, coletivamente chamadas de angiotensinases.
A angiotensina II exerce dois efeitos principais capazes de aumentar a pressão arterial. O primeiro, a vasoconstrição em muitas áreas do corpo, ocorre com muita rapidez. A vasoconstrição se dá, de modo muito intenso, nas arteríolas e com intensidade muito menor nas veias. A constrição das arteríolas aumenta a resistência periférica total, elevando, dessa forma, a pressão arterial. Além disso, a leve constrição das veias promove o aumento do retorno venoso do sangue para o coração, contribuindo para o maior bombeamento cardíaco contra a pressãoelevada.
O segundo meio principal, pelo qual a angiotensina II eleva a pressão arterial, é a diminuição da excreção de sal e de água pelos rins. Essa ação eleva lentamente o volume do líquido extracelular, o que aumenta a pressão arterial durante as horas e dias subsequentes. Esse efeito a longo prazo, agindo pelo mecanismo de controle do volume do líquido extracelular, é ainda mais potente que a vasoconstrição aguda na elevação eventual da pressão arterial.
A angiotensina II faz com que os rins retenham sal e água por dois meios principais:
1. Atuando diretamente sobre os rins para provocar retenção de sal e de água.
2. Fazendo com que as glândulas adrenais secretem aldosterona que, por sua vez, aumenta a reabsorção de sal e de água pelos túbulos renais.
Assim, quando quantidades excessivas de angiotensina II circulam no sangue, todo o mecanismo renal a longo prazo para o controle dos líquidos corporais é automaticamente ajustado para manter a pressão arterial acima do normal.
Como visto, a angiotensina exerce diversos efeitos diretos, que fazem com que os rins retenham sal e água. Um deles é a constrição das arteríolas renais, o que diminui o fluxo sanguíneo pelos rins. O lento fluxo sanguíneo reduz a pressão nos capilares peritubulares, provocando a rápida reabsorção de líquido pelos túbulos. A angiotensina II tem também importantes ações diretas sobre as células tubulares para aumentar a reabsorção de sal e de água. Os efeitos combinados da angiotensina II podem reduzir por vezes o débito urinário para menos que um quinto do normal.
A angiotensina II é também um dos mais potentes estimuladores da secreção de aldosterona pelas glândulas adrenais. Assim, quando o sistema renina-angiotensina é ativado, a intensidade da secreção de aldosterona, em geral, também aumenta; uma importante função subsequente da aldosterona é a de causar elevação acentuada da reabsorção de sódio pelos túbulos renais, elevando sua concentração no líquido extracelular. Essa elevação causa a retenção de água, como explicado antes, aumentando o volume do líquido extracelular e provocando, de forma secundária, maior elevação da pressão arterial a longo prazo.
Desse modo, tanto o efeito direto da angiotensina sobre os rins quanto seu efeito por meio da aldosterona são importantes no controle da pressão arterial a longo prazo. Entretanto, uma pesquisa em laboratório sugeriu que o efeito direto da angiotensina sobre os rins seja talvez três ou mais vezes mais potente que o efeito indireto por meio da aldosterona — embora este seja o mais conhecido.
Uma das mais importantes funções do sistema renina-angiotensina é a de permitir que a pessoa ingira quantidades muito pequenas ou muito grandes de sal, sem apresentar grandes variações do volume do líquido extracelular ou da pressão arterial. Então, a pressão arterial elevada aumenta o fluxo sanguíneo pelos rins, além de outros efeitos, reduz a secreção de renina para nível muito mais baixo e provoca, sequencialmente, a redução da retenção renal de sal e água, a quase normalização do volume do líquido extracelular e, por fim, a quase normalização da pressão arterial. Assim, o sistema renina-angiotensina é mecanismo de feedback automático, que contribui para a manutenção da pressão arterial em níveis próximos aos normais, mesmo quando a ingestão de sal é aumentada. Ao contrário, quando a ingestão de sal diminui para abaixo do normal ocorrem efeitos opostos.
Para enfatizar a eficácia do sistema renina-angiotensina no controle da pressão arterial quando o sistema funciona normalmente, a pressão se eleva por não mais do que 4 a 6 mmHg em resposta ao aumento de 100 vezes na ingestão de sal. Ao contrário, quando o sistema renina-angiotensina é bloqueado e impede-se a supressão habitual da formação de angiotensina, o mesmo aumento da ingestão de sal provoca, às vezes, elevação de até 10 vezes maior da pressão, até 50 a 60 mmHg. Quando se reduz a ingestão de sal até apenas 1/10 parte do normal, a pressão arterial quase não se altera enquanto o sistema renina-angiotensina funciona normalmente. Entretanto, se a formação de angiotensina II é bloqueada com um inibidor da enzima conversora da angiotensina, a pressão arterial reduz-se de forma importante ao diminuir a ingestão de sal. Assim, o sistema renina-angiotensina é talvez o sistema mais potente do organismo para acomodar amplas variações na ingestão de sal, com alterações mínimas na pressão arterial.
Diálise e hemodiálise
DIÁLISE
Na diálise peritoneal, utilizamos um “filtro” que já existe no nosso próprio organismo. Esse filtro é o peritônio, uma membrana que naturalmente recobre os órgãos abdominais e também a parede abdominal. Diferente da hemodiálise, em que o sangue do paciente é retirado do corpo e passado por uma máquina, na diálise peritoneal o sangue é filtrado dentro do próprio corpo do paciente. O processo é feito em três etapas:
1. A solução de diálise é colocada dentro do abdome.
2. Durante a permanência dessa solução dentro da cavidade abdominal, as impurezas do sangue e o excesso de líquidos atravessam a membrana peritoneal e se juntam ao líquido de diálise.
3. O líquido é drenado e junto removemos as impurezas e excesso de líquido.
HEMODIÁLISE
Na hemodiálise, o sangue do paciente é retirado do corpo e passado por uma máquina que filtra esse sangue. A máquina de diálise bombeia o sangue através de linhas até o filtro. O filtro da hemodiálise é o dialisador. O dialisador é composto de dois compartimentos separados por uma membrana semipermeável. Em um compartimento, flui o sangue e em outro flui o dialisato, que é a solução de diálise + água tratada purificada. Portanto, o sangue do paciente é retirado, filtrado fora do corpo e depois devolvido para o paciente.
Urinálise
A melhor amostra é a primeira da manhã ou aquela emitida após repouso miccional de, pelo menos, três horas. As principais substâncias químicas presentes na urina são: água; ureia; ácido úrico; hidróxido de amônio (ou amoníaco aquoso) e cloreto de sódio. Muitas substâncias são encontradas regularmente na urina, em taxas fisiológicas normais, mas podem estar aumentadas em determinadas condições patológicas, entre as quais se conta a glicose, a ureia, a creatinina, o ácido úrico, o sódio, o cloreto, o potássio, o cálcio, o magnésio, a amônia, o fosfato e o sulfato.
A urinálise pode ser subdividida em três etapas: exame físico, exame químico e análise do sedimento urinário:
EXAME FÍSICO
· Cor: Para observação da cor, deve-se utilizar boa fonte de luz, olhando-se através do recipiente transparente contra um fundo branco. Normal: amarelo-citrino a amarelo âmbar claro. Colorações alteradas comuns: incolor, castanho, avermelhada, enegrecida, azulada, esverdeada, branco leitoso.
· Odor: O cheiro característico da urina (sui generis) é atribuído aos ácidos orgânicos voláteis que a amostra contém. Com o envelhecimento da amostra o odor torna-se amoniacal. O odor da urina pode apresentar-se alterado pela influência de medicamentos.
· Aspecto (transparência): Normalmente, a urina normal e recente apresenta um aspecto límpido. Vários fatores podem alterar o aspecto da urina tornando-a ligeiramente turva ou turva. As causas mais comuns de turvação são: leucócitos, hemácias, células epiteliais, bactérias, leveduras.
· Densidade ou Densidade relativa (DR): O valor da DR correlaciona-se de maneira aproximada à osmolaridade que varia conforme a ingestão de água e solutos, o estado das células tubulares e a influência do ADH. Métodos para avaliação da DR – urodensímetro, refratômetro, fitas reagentes.
EXAME QUÍMICO
· As tiras reagentes são a técnica mais amplamente usada na detecção de substâncias químicas na urina. Os testes são realizados mergulhando rapidamente as tiras em uma amostra de urina recente, homogeneizada. As mudanças de cor das almofadas de reagentes devem ser comparadas visualmente com a cor da escala fornecida junto com as tiras. As tiras reagentes na maioria dos casos avaliam: pH, proteínas, Glicose, Cetonas, Bilirrubinas, Sangue (Hb),Urobilinogênio, Nitrito. Algumas fitas apresentam testes adicionais como: Leucócitos, DR e ácido ascórbico.
ANÁLISE DO SEDIMENTO URINÁRIO
· Transferir 12mL de urina para um tubo de centrífuga cônico.
· Centrifugar durante 5 minutos a 1800 rpm.
· Desprezar o sobrenadante (pipeta Pasteur) deixando aproximadamente 1mL de urina e sedimento no tubo de centrifugação.
· Agitar o tubo para ressuspender completamente sedimento na urina remanescente.
· Retirar uma amostra do sedimento ressuspendido com pipeta Pasteur.
· Colocar uma gota da amostra do sedimento em uma lâmina limpa e desengordurada.
· Cobrir com lamínula.
· Examinar a amostra em 10 campos com aumentos de 100 e 400 vezes.
· Aumento de 100 vezes – verificar homogeneidade da amostra (distribuição dos elementos).
· Aumento de 400 vezes – identificação e contagem dos elementos presentes no sedimento.
· Possíveis elementos que podem ser encontrados na amostra:
· Hemácias – aparecem em situações como lesões no parênquima renal; lesões de trato urinário; alterações hematológicas etc.
· Leucócitos – aparecem em infecções do trato urinário e em processos inflamatórios.
· Cilindros – formam-se no interior do túbulo contorcido distal e ducto coletor e têm matriz primariamente composta de mucoproteínas, sendo sua aparência influenciada pelos elementos presentes no filtrado durante sua formação.
· Cilindros celulares – hemáticos, leucocitários, epiteliais.
· Cilindros acelulares – hialinos, granulosos, céreos, lipoídico.
· Cilindros pigmentares – hemoglobínicos e bilirrubínicos
· Cristais – são frequentemente achados na análise do sedimento urinário, têm ligação direta com tipo de dieta e raramente possuem significado clínico. Eles são formados pela precipitação dos sais da urina submetidos a alterações de pH, temperatura e concentração.
· Cristais não-patológicos – urina ácida (ácido úrico, oxalato de cálcio, urato amorfo), urina alcalina (fosfato triplo, fosfato amorfo, carbonato de cálcio e fosfato de cálcio).
· Cristais patológicos – tirosina, cistina, colesterol, bilirrubina, hemossiderina.
· Células epiteliais – partes do sistema urogenital.
· Células pavimentosas – frequente tanto em homens quanto em mulheres, provenientes de células da vagina e das porções inferiores da uretra.
· Células de transição – originárias da bexiga e porção superior da uretra.
· Células do túbulo renal: indica lesão tubular.
· Microrganismos – bactérias, fungos e parasitas.
· Outros elementos – muco, contaminantes e espermatozoides.
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