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ANÁLISES HISTOLÓGICAS E IMUNOHEMATOLÓGICAS Profa Dra Cristiane Rocha de Farias Roteiro 5 – Coagulograma Via intrínseca • Via mais lenta • Fatores importantes: VIII / IX / XI • Avaliada pelo TTPA Doenças relacionadas com a via intrínseca • Hemofilia A: Deficiência do fator VIII • Hemofilia B: Deficiência do fator IX • Hemofilia C: Deficiência do fator XI Via extrínseca • Via mais rápida • Fator importante: VII • Avaliada pelo TP e RNI Doenças relacionadas com a via extrínseca • Deficiência hereditária do fator VII • Cumarínico (Varfarina): A varfarina é um antagonista da vitamina K, logo, reduz os fatores II / VII / IX / X e a consequência será principalmente na via extrínseca, com alargamento do TP/RNI. • Colestase e Doença hemorrágica do RN: • Hepatopatia Via comum • Via final • Fatores importantes: I / II / V / X Doenças relacionadas com a via comum • Coagulação intravascular disseminada (CIVD): a) Lesão capilar (anemia hemolítica microangiopática); b) Apoptose de plaquetas (plaquetopenia e tempo de sangramento alargado); c) Fibrinólise (causando isquemias sistêmicas por microtrombos de fibrina) A análise da hemostasia pode ser realizada, com a integração de diversos parâmetros laboratoriais: hemograma (avalia a intensidade da perda sanguínea), contagem de plaquetas, tempo de sangramento (atividade plaquetária – hemostasia primária), tempo de coagulação, prova do laço (avalia a fragilidade capilar), dosagem de fibrinogênio, tempo de protrombina (TP - avalia a via extrínseca e a via comum da coagulação) e tempo de tromboplastina parcial (TTPA - avalia a via intrínseca e a via comum da coagulação). Nesta aula, vamos realizar algumas análises e interpretações: I- Contagem de plaquetas: Verificar: plaquetopenia/ plaquetose Opção 1 de procedimento: utilizar líquidos hemolisantes (oxalato de amônio 1%). Diluição 1:200. Aguardar 15 minutos. Opção 2 de procedimento: Calcular a média do número de plaquetas encontrada em 10 campos e multiplicar por 13.800 = ___/mm3 Mobile User II- Tempo de sangramento (TS): Avalia a contração reflexa dos vasos, número e atividade plaquetária (hemostasia primária). É o tempo necessário para a hemostasia de um ferimento pequeno, padronizado, praticado artificialmente, na polpa digital, lóbulo da orelha ou antebraço. O tampão plaquetário ou hemostasia primária ocorre por agregação plaquetária no local da lesão. Este fato promove a parada (estase) de sangramento (hemorragia). Ao mesmo tempo ocorre a ativação dos fatores de coagulação com a participação das células endoteliais e das plaquetas, bem como a ação de fatores antiagregantes das plaquetas. Não há interferência direta quanto ao uso de anticoagulantes orais, pois agem nos fatores dependentes de vitamina K (II, VII, IX, X, proteína S e C), porém, a heparina atua especificamente sobre a trombina (heparinas de alto peso molecular) e fator X ativado (heparinas de baixo peso molecular). Na heparinoterapia deve ser feito o controle da contagem plaquetária. As heparinas de alto peso molecular induzem a uma trombocitopenia (trombocitopenia induzida pela heparina), o que pode influenciar o tempo de sangramento. TS DIMINUÍDO: Não apresenta importância diagnóstica, geralmente é pela lesão vascular ter sido insuficiente. TS AUMENTADO: trombocitopenias, lesões vasculares, hipofibrinogenemia, uremia, uso de ácido acetilsalicílico (AAS). Interferentes: Temperatura da extremidade, presença de queratina (dedos), posição da mão (momento da lancetagem), ação mecânica na ferida (espremer). Procedimento (uso rotina): 1) Escolher o local para fazer a lancetagem. Evitar áreas que apresentem congestão local ou inflamação. Lembre-se que a temperatura do local onde será puncionado deverá estar à temperatura do corpo. 2) Fazer a assepsia do local 3) Fazer a incisão de três milímetros de profundidade. Dispara o cronômetro. T=0 4) Não pressionar a ferida para sair sangue. Deixe o sangue fluir livremente. 5) Usando papel de filtro, secar a ferida de 30 em 30 segundos, sem tocar a lesão, utilizando cada vez uma região limpa do papel. 6) Quando o sangue deixar de manchar o papel, parar o cronômetro. Fazer o registro da duração da hemorragia como o tempo de sangramento. Referência: 1-7 minutos III- Prova do laço: para avaliar a chance de sangramento, deve-se forçar a vasculatura cutânea, induzindo um sangramento. Assim, é possível observar a fragilidade capilar. Procedimento: 1 – Verificar a pressão arterial. 2 – Realizar a média entre os valores da pressão sistólica e diastólica. Ou seja, se a pressão é 120×80, fazemos: 120 + 80 = 200. Dividir esse valor por 2, obtendo 100. 3 – O manguito deve ser ajustado para o valor encontrado da média entre as duas pressões. No nosso exemplo, o indicador do esfigmo deve parar na medida de 100 e mantido nessa posição por 5 minutos para adultos e por 3 minutos para crianças ou após o aparecimento de petéquias. Após esse tempo, o manguito deve ser desinsuflado. Interpretação: - Após completar o tempo determinado (3 min para crianças e 5 min para adultos), ou aparecimento de petéquias, deve-se encontrar a área que tenha maior concentração de petéquias, ainda que essa área seja o local onde estava o manguito. - Na região encontrada, desenhar um quadrado de 2,5×2,5cm e contar o número de petéquias dentro do quadrado. - O resultado é positivo se houver mais de 20 petéquias no quadrado desenhado em adultos, e 10 petéquias no quadrado desenhado, em crianças. - Atenção! A prova do laço não é exame diagnóstico para dengue! Utilizado, porém, para direcionar o olhar clínico mais atencioso para casos mais graves. - Avalia a fragilidade capilar Outras análises que não serão analisadas nesta prática, mas, são relevantes no coagulograma: Tempo de Protrombina (TP) – Consiste na medida do tempo de Coagulação do plasma após a adição de uma fonte de Tromboplastina (fator III, fator tissular) e Cálcio. O fator VII é então ativado, formando um complexo (complexo FT-FVIIa) que irá ativar os fatores IX e X. O fator Xa junto com os fosfolipídios do fator tissular, fator Va e Cálcio formam o complexo ativador de Protrombina que transforma a protrombina (fator II) em Trombina (fator IIa). A Trombina atua sobre o Fibrinogênio transformando-o em Fibrina. Este teste avalia os fatores do Complexo Protrombínico (fatores II, V, VII e X). Avalia a via extrínseca e a via comum da coagulação. A dosagem do anticoagulante é proporcional à deficiência da vitamina K que é proporcional à elevação do TP. Como a tromboplastina ativa direta e exclusivamente o fator VII, a deficiência deste será diretamente proporcional a dosagem do anticoagulante, e por isto, é o teste de escolha para a terapia com anticoagulantes orais. Aumento: Deve-se a deficiências congênitas ou adquiridas dos fatores I, II, V, VII e X. Sendo assim, o teste de escolha para avaliação da redução dos fatores vitamina K dependente, e indicado no controle de pacientes em uso de anticoagulantes orais, doença hemorrágica do recém-nascido, insuficiência hepática, coagulação intravascular, distúrbios da ingestão e absorção de vitamina K. Aumento com o uso de heparina, varfarina, contraceptivos orais, etanol, tetraciclina, corticosteróides e EDTA. Material: Plasma coletado com citrato de sódio (Citrato de sódio 3,8% - 0,130M ou 4,5mL de sangue + 0,5mL de anticoagulante) Técnica Quick: 1) Aquecer as amostras e controles a 37ºC, de 2-3 minutos (em BM). 2) Em um tubo limpo colocar 200µL do reagente n.1 (formador do coágulo – homogeneizar o reagente antes do uso) e incubá-lo a 37ºC de 4-5 minutos. Realizar o teste em duplicata. 3) Pipetar 100µL da amostra para o tubo contendo reagente e disparar o cronômetro. 4) Retirar o tubo antes do tempo previsto, e registrar o tempo de formação do coágulo. 5) Calcular a média dos resultados obtidos pela duplicata. 6) Liberar o resultado em segundos. TUBO 1 TUBO2 REAGENTE 1 (formador de coágulo) 200µL 200µL 37ºC de 4-5 minutos Plasma 100µL 100µL disparar o cronômetro – anotar o tempo de coagulação Técnica RNI (Relação Normatizada Internacional): Relacionar a razão do tempo de protrombina do paciente pelo tempo de plasma normal com o ISI (índice de sensibilidade internacional), como mostrado abaixo. O valor de ISI é enviado pelo kit. RNI=(TP paciente/ TP normal) RNI=(13,5/12)= 1,15 Índice de sensibilidade internacional (ISI)=1,20 (os valores de ISI são determinados através da comparação com um material de referência de tromboplastina primária. Quanto mais baixo o ISI, mais sensível o reagente) Referência: Quick (10-14 segundos) RNI (1,0 a 1,08 em pessoas sadias) e (2,0 a 3,5 em pacientes que fazem uso de anticoagulantes orais) Tempo de Tromboplastina Parcial (TTPA) – Consiste na determinação do tempo de coagulação do plasma citratado, após a adição dos reagentes que contém um ativador plasmático (ácido elágico) e fosfolípides, que irão atuar como substitutos das plaquetas (reagente n.1 – ativador e contato – cefalina ativada, o fator VII não é ativado pela cefalina). Inicialmente o plasma é incubado com o ativador de contato, à 37º C por 3 minutos. Em seguida adiciona-se o formador de coágulo (reagente n.2 – formador de coágulo – solução de cloreto de cálcio) para a recalcificação, desencadeando o mecanismo de coagulação da via intrínseca. Nesta etapa ocorre a formação do coágulo, devendo ser cronometrada. Avalia a via intrínseca e a via comum da coagulação. Relevância clínica: Monitora tanto a via intrínseca quanto a via comum de coagulação, sendo útil na monitorização da terapia com heparina e para verificar a deficiência de todos os fatores de coagulação, exceto fator VII. É muito empregado na detecção de deficiências no estágio 1 de coagulação, fatores VIII, IX, XI e X e XII. Fatores interferentes: amostras ictéricas, lipêmicas ou hemolisadas, uso de contraceptivos orais, estrógeno, gravidez, drogas cumarínicas, heparina, ácido acetilsalicílico, metronidazol, digitálicos e tetraciclina. Material: Plasma coletado com citrato de sódio (Citrato de sódio 3,8% - 0,130M ou 4,5mL de sangue + 0,5mL de anticoagulante) Técnica Quick: 1. Aquecer 100µL das amostras e controles a 37ºC, de 2-3 minutos (em BM). Realizar em duplicata. 2. Pipetar 100µL do reagente n.1 (ativador de contato) e incubar a 37ºC de 2-3 minutos. 3. Pipetar 100µL do reagente n.2 (cloreto de sódio pré-aquecido), disparando simultaneamente o cronômetro. 4. Deixar o tubo no banho, agitando suavemente. 5. Retirar o tubo antes do tempo previsto, e registrar o tempo de formação do coágulo. 6. Calcular a média dos resultados obtidos por duplicata. 7. Liberar o resultado em segundos. TUBO 1 TUBO 2 Plasma 100µL 100µL 37ºC, de 2-3 minutos REAGENTE 1 (ativador de contato) 100µL 100µL 37ºC de 2-3 minutos REAGENTE 2 (cloreto de cálcio) 100µL 100µL disparar o cronômetro – anotar o tempo de coagulação Valores de referência: Crianças de até 2 meses: 26-47 segundos Crianças de até 5 meses: 26-46 segundos Crianças a partir de 6 meses e adultos: 27-38 segundos. Analise os casos clínicos abaixo: CASO CLÍNICO 1- Nome do paciente: João Silva Idade: 55 anos Sexo: Masculino História médica anterior: João Silva tem um histórico de hipertensão arterial e diabetes tipo 2 bem controlados com medicação. Ele também tem antecedentes familiares de trombose venosa profunda (TVP). Apresentação clínica: João Silva procurou atendimento médico após apresentar inchaço e dor aguda na perna esquerda. Ele relata que a dor começou subitamente e piorou quando ele tentou caminhar. João também notou uma coloração avermelhada e calor na região inchada da perna. Não há história de trauma recente na perna. Exame físico: No exame físico, o médico notou as seguintes descobertas: • Pressão arterial: 140/90 mmHg • Frequência cardíaca: 80 bpm • Sinais vitais estáveis • A perna esquerda estava inchada, com eritema e calor localizado • Ausência de pulsos venosos palpáveis na perna afetada • João tinha dificuldade para realizar a flexão dorsal do tornozelo esquerdo devido à dor Exames laboratoriais: Os exames laboratoriais revelaram o seguinte: • Hemograma completo: normal Resultados dos exames de coagulação: • INR (International Normalized Ratio): 1,5 (alvo terapêutico: 2,0 a 3,0) • TTPa (Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada): dentro da faixa de referência • Dosagem de d-dímero: elevada Diante dos dados apresentados: a) Qual o problema do paciente? b) A dosagem de varfarina deve ser aumentada ou diminuída? Justifique CASO CLÍNICO 2- Nome do paciente: Carlos Santos Idade: 25 anos Sexo: Masculino História médica anterior: Ele tem um histórico médico de sangramentos frequentes, especialmente em articulações, e é tratado regularmente com fator IX recombinante. Apresentação clínica: Carlos Santos procurou atendimento médico devido a dor intensa no joelho direito e dificuldade em mover a articulação após uma queda. Ele relata que após a queda, o joelho começou a inchar e ficou dolorido. Carlos também mencionou que recentemente teve um episódio de sangramento nasal espontâneo. Exame físico: No exame físico, o médico notou as seguintes descobertas: • Pressão arterial: 120/80 mmHg • Frequência cardíaca: 80 bpm • Hematomas visíveis no joelho direito • Inchaço significativo no joelho direito • Movimentação limitada da articulação do joelho devido à dor • Ausência de outros sinais de trauma evidente Exames laboratoriais: Os exames laboratoriais revelaram o seguinte: • Hemograma completo: hemoglobina dentro da faixa normal, mas plaquetas um pouco baixas devido ao sangramento recente • Tempo de Protrombina (TP): dentro da faixa de referência (normal) • Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPA): prolongado além da faixa de referência Considerando o relato clínico: a) Qual o problema do paciente? b) Está relacionado com hemorragia ou trombose? c) Está relacionado com qual via de coagulação