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CONCEITO E PROPRIEDADES DE DERIVAÇÃO RAFAEL DE MOURA MOREIRA Sumário INTRODUÇÃO ������������������������������������������������� 3 CONCEITO E PROPRIEDADES DE DERIVADAS ���������������������������������������������������� 4 Taxa de variação ������������������������������������������������������������������� 4 Taxa de variação instantânea ���������������������������������������������� 5 Derivada de uma função������������������������������������������������������� 7 Notações de derivada ����������������������������������������������������������� 9 Derivada de algumas funções �������������������������������������������� 11 Propriedades da derivada��������������������������������������������������� 15 Regra de L’Hôpital ��������������������������������������������������������������� 18 INTERPRETAÇÃO DE DERIVADAS ���������������20 PONTOS CRÍTICOS ��������������������������������������24 Análise da primeira derivada ���������������������������������������������� 24 Análise da segunda derivada ��������������������������������������������� 25 Exemplos práticos �������������������������������������������������������������� 26 CONSIDERAÇÕES FINAIS ����������������������������34 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & CONSULTADAS ��������������������������������������������35 2 INTRODUÇÃO Neste e-book vamos aprender as técnicas do cál- culo diferencial� Iremos aprender o que é derivada, como calculá-la e como ela representa a taxa de variação de uma grandeza – ou seja, como a va- riação de uma grandeza impacta outra grandeza� Estudaremos também diversas propriedades úteis para nos auxiliar no cálculo da derivada de funções mais complexas, uma interpretação geométrica para a derivada que nos ajudará a visualizar soluções para problemas de otimização, e finalizaremos ensinando como calcular algebricamente pontos relevantes em problemas de otimização, os cha- mados pontos críticos de uma função� 3 CONCEITO E PROPRIEDADES DE DERIVADAS TAXA DE VARIAÇÃO Um problema recorrente em diversas áreas do conhecimento humano é compreender como a variação de uma certa grandeza impacta em outra grandeza� Por exemplo, considere uma função matemática que determina a posição de um objeto em função do tempo� Para cada valor de tempo, teremos uma posição diferente� Vamos fazer uma pergunta diferente para essa função: se o tempo variar em “x” unidades, em quantas unidades a posição irá variar? Existe uma grandeza que responde a essa pergunta para nós: a velocidade� A velocidade descreve exatamente quantas unidades de posição irão variar para cada unidade de tempo� Não à toa, unidades de veloci- dade normalmente são expressas em unidades de posição divididas por unidades de tempo: m/s, km/h etc� Assim, podemos dizer que a velocidade é a taxa de variação da posição em relação ao tempo� Mas como poderíamos calcular a velocidade? Uma primeira abordagem que muitos com certe- 4 za já realizaram de maneira intuitiva é calcular a velocidade média� Se o seu trajeto de 200 quilô- metros durou 2 horas e meia, você poderia aplicar a seguinte relação: 𝑣𝑣𝑚𝑚 = Δ𝑠𝑠 Δ 𝑡𝑡 = 𝑠𝑠𝑓𝑓 − 𝑠𝑠𝑖𝑖 𝑡𝑡𝑓𝑓 − 𝑡𝑡𝑖𝑖 = 200𝑘𝑘𝑚𝑚 2,5ℎ portanto: 𝑣𝑣𝑚𝑚 = 8 0 𝑘𝑘𝑚𝑚 ℎ⁄ onde “s” representa a posição, “t” representa o tempo, o símbolo Δ (delta) representa variação e as letras “f” e “i” indicam, respectivamente, “final” e “inicial”� Note, porém, que essa velocidade é a velocidade média� Em seu trajeto, você pode ter se mantido em velocidade constante a 80 quilômetros por hora do início ao fim para atingir essa velocidade média. Mas você também pode ter atingido 120 quilôme- tros por hora em alguns trechos, 60 quilômetros por hora em outros e talvez até ter ficado parado em um congestionamento por alguns minutos� TAXA DE VARIAÇÃO INSTANTÂNEA No problema da velocidade descrito anteriormen- te determinamos a velocidade média, mas ainda somos incapazes de determinar a chamada velo- 5 cidade instantânea� Para determiná-la, poderíamos calcular diversas velocidades médias� Poderíamos, por exemplo, subdividir nosso trajeto original de 2 horas e meia e calcular a velocidade média para cada um desses blocos, anotando a posição que nos encontramos na estrada ao final de cada um dos blocos� Isso daria uma noção um pouco melhor sobre quais trechos foram mais rápidos e quais foram mais lentos� Poderíamos melhorar progressivamente nosso cálculo de velocidade se reduzirmos ainda mais os intervalos: poderíamos, por exemplo, anotar a posição de minuto em minuto� Ou de segundo em segundo� A chamada taxa de variação instantânea de uma função é o que nos daria a informação que gostarí- amos: a velocidade em qualquer ponto específico. Para atingirmos essa taxa, devemos tomar intervalos cada vez menores em nosso eixo x para estudar o quanto esses intervalos impactam no valor de y� Mais especificamente, gostaríamos de pegar um intervalo infinitesimal. Podemos descrever isso por meio de um limite: lim ℎ→0 𝑓𝑓 𝑎𝑎+ℎ − 𝑓𝑓(𝑎𝑎) ℎ 6 onde “a” é uma constante real pertencente ao domínio função 𝑓𝑓(𝑥𝑥). DERIVADA DE UMA FUNÇÃO Caso o limite descrito acima exista, dizemos que a função é diferenciável e chamamos aquele limite de derivada da função� Outra notação possível para o limite é a seguinte: lim 𝑥𝑥→ℎ 𝑓𝑓 𝑥𝑥 − 𝑓𝑓(ℎ) 𝑥𝑥 − ℎ Ambas são equivalentes e levarão ao mesmo resultado� Função diferenciável Dizemos que uma função é diferenciável em um intervalo I caso seja possível calcular sua derivada em qualquer ponto desse intervalo. O primeiro critério para que uma função seja dife- renciável é que ela deve ser contínua. Toda função diferenciável é, necessariamente, contínua. Porém, nem toda função contínua é diferenciável. Um exemplo é a função módulo de x: 𝑓𝑓 𝑥𝑥 = |𝑥𝑥|. Observe o seu gráfico: 7 Figura 1: gráfico da função módulo. 3.0 2.0 1.0 2.5 1.5 0.5 0.0 0 1 2 3-1-2-3 Fonte: elaboração própria� Na maior parte do intervalo dos reais, a função é diferenciável. Porém, especificamente no ponto x = 0, onde há uma mudança brusca de direção, a derivada não existe� Uma regrinha “informal” muito utilizada por estudantes de cálculo para determinar se uma função é diferenciável é: se a função “faz bico” (ou seja, se possui algum tipo de “quina”), ela não é diferenciável� 8 NOTAÇÕES DE DERIVADA Temos formas diferentes de representar a derivada de uma função� Estudaremos as três mais comuns, mas utilizaremos apenas duas delas no restante deste e-book� Notação de Lagrange Uma das notações é a notação de Lagrange� Ela consiste em adicionar um apóstrofo à função� A derivada de uma função f(x) qualquer seria repre- sentada, portanto, por f(x). Para derivadas de ordem superior (derivar a mesma função 2 ou mais vezes seguidas), adicionamos mais apóstrofos: f''(x) seria a derivada de segunda ordem, e f'''(x)seria a derivada de terceira ordem. Para ordens superiores, é comum colocar o número entre parênteses no lugar dos apóstrofos: 𝑓𝑓(#) 𝑥𝑥 seria a derivada de sétima ordem� Notação de Leibniz A notação de Leibniz é bastante popular porque evoca a origem da derivada como um quociente entre uma variação da função e uma variação de sua variável independente. A derivada de uma função f(x) seria representada como: 𝑑𝑑 𝑑𝑑𝑑𝑑 𝑓𝑓( 𝑑𝑑) ou 𝑑𝑑 𝑑𝑑𝑑𝑑 9 Para tornar a notação mais simples, é frequente que f(x) seja simplesmente representado como y: 𝑑𝑑𝑦𝑦 𝑑𝑑𝑑𝑑 Derivadas de ordem superior, nessa notação, são representadas da seguinte maneira: o “d” do numerador recebe o “expoente” correspondente, enquanto no denominador é o “dx” que irá recebê- -lo� Isso vem da ideia de se aplicar uma derivada sobre a primeira derivada: 𝑑𝑑 𝑑𝑑𝑥𝑥 𝑑𝑑𝑑𝑑 𝑑𝑑𝑥𝑥 = 𝑑𝑑2𝑑𝑑 𝑑𝑑𝑥𝑥2 Como estudaremos a diante, ela simplifica a escrita de algumas regras também� Notação de Newton Uma terceira notação aparece em algumas áreas da física e da geometria e em algumas equações diferenciais, masé bem menos popular que as duas anteriores: a notação de Newton� Ela é caracterizada por um ponto em cima da função: 𝑓𝑓′ 𝑥𝑥 = 𝑑𝑑𝑑𝑑 𝑑𝑑𝑥𝑥 = �̇�𝑑 Para derivadas de ordem superior, acrescentamos mais pontos: 10 𝑓𝑓′′ 𝑥𝑥 = 𝑑𝑑2𝑦𝑦 𝑑𝑑𝑥𝑥2 = �̈�𝑦 Essa notação é mais utilizada, especificamente, em funções onde a variável independente representa tempo ou comprimentos de arco� DERIVADA DE ALGUMAS FUNÇÕES A princípio, podemos deduzir a derivada de qualquer função aplicando o limite explicado anteriormente� Porém, para manter este material breve e focado em aplicação, não o faremos� Ao invés disso, apre- sentaremos logo de cara as regras de derivação utilizadas com maior frequência� Caso você tenha interesse, não deixe de consultar as referências bibliográficas para verificar como chegamos a cada uma dessas fórmulas a partir do limite� Potências Uma das regras mais famosas de derivação é a regra dos expoentes, informalmente conhecida como “regra do tombo”� Sempre que sua função for uma variável elevada a um expoente constante, subtrairemos 1 do expoente e multiplicaremos a variável pelo expoente original: 11 𝑑𝑑 𝑑𝑑𝑑𝑑 𝑑𝑑 𝑛𝑛 = 𝑛𝑛𝑑𝑑𝑛𝑛−1 Graças a algumas propriedades que já estudaremos, você verá que é fácil aplicar essa regra para cada termo de um polinômio para se obter a derivada do polinômio inteiro� Funções trigonométricas As derivadas das funções trigonométricas mais comuns são: 𝑑𝑑 𝑑𝑑𝑑𝑑 𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠 𝑑𝑑 = cos(𝑑𝑑) 𝑑𝑑 𝑑𝑑𝑑𝑑 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐 𝑑𝑑 = −sen(𝑑𝑑) 𝑑𝑑 𝑑𝑑𝑑𝑑 𝑡𝑡𝑡𝑡 𝑑𝑑 = 1 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐2(𝑑𝑑) = 𝑐𝑐𝑠𝑠𝑐𝑐2 𝑑𝑑 = 1 + 𝑡𝑡𝑡𝑡2(𝑑𝑑) Para a tangente, foram apresentadas diversas for- mas, pois todas essas expressões trigonométricas são equivalentes entre si, e você pode se deparar com diferentes variações desse resultado� Para obter a derivada de outras funções trigono- métricas, como secante e cossecante, é possível utilizar os resultados apresentados aqui e aplicar a regra do quociente, que também será abordada� 12 Funções trigonométricas inversas Nas funções trigonométricas convencionais, a va- riável é um ângulo e o resultado da função é uma das medidas na circunferência trigonométrica� Nas funções trigonométricas inversas, temos o oposto� Por exemplo, na função arcsen(x), o “x” representa um valor de seno, e o resultado da função será o ângulo cujo seno é igual a “x”� Leia essa função como “arco cujo seno é x”� Para as principais funções trigonométricas inversas temos as seguintes regras de derivação: 𝑑𝑑 𝑑𝑑𝑑𝑑 𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎𝑎 𝑑𝑑 = 1 1 − 𝑑𝑑2 , −1 0 𝑑𝑑 𝑑𝑑𝑑𝑑 log𝑎𝑎 𝑑𝑑 = 1 𝑑𝑑 ln 𝑎𝑎 , 𝑑𝑑 > 0, 𝑎𝑎 > 0 Por fim, temos a própria derivada do logaritmo natural: 14 𝑑𝑑 𝑑𝑑𝑑𝑑 ln 𝑑𝑑 = 1 𝑑𝑑 , 𝑑𝑑 > 0 PROPRIEDADES DA DERIVADA As derivadas também possuem algumas proprie- dades que nos ajudarão a expandir as regras vistas anteriormente para funções mais complexas, com múltiplos termos combinando diferentes tipos de função� Função constante A derivada de uma função constante sempre será 0� Isso faz sentido quando nos lembramos que a derivada é uma taxa de variação� Se a função é constante, ela nunca varia, portanto, sua taxa de variação é zero� Soma de funções Considere uma função que pode ser decomposta como uma soma de outras funções� Sua deriva- da será igual à soma das derivadas das funções individuais� 𝛼𝛼𝛼𝛼 + 𝛽𝛽𝛽𝛽 ′ = 𝛼𝛼𝛼𝛼′ + 𝛽𝛽𝛽𝛽′ onde α (alfa) e β (beta) são constantes reais e f e g são funções� 15 Regra do produto Considere agora uma função que pode ser decom- posta em um produto entre funções� Teremos uma regrinha um pouco mais elaborada para calcular a derivada dessa função: 𝑓𝑓𝑓𝑓 ′ = 𝑓𝑓′𝑓𝑓 + 𝑓𝑓𝑓𝑓′ Por meio dessa regra, se adotarmos g como sendo uma função constante, podemos deduzir também como derivar o produto entre uma função e um número real: 𝛼𝛼𝛼𝛼 ′ = 𝛼𝛼𝛼𝛼′ Caso queira deduzir essa regra, lembre-se que a derivada de uma função constante é zero e aplique a regra geral� Regra do quociente Considere, de maneira análoga ao caso anterior, que nossa função pode ser decomposta no quociente de duas funções� Esse caso também possuirá sua própria regra: 𝑓𝑓 𝑔𝑔 ′ = 𝑓𝑓′𝑔𝑔 − 𝑓𝑓𝑔𝑔′ 𝑔𝑔2 , 𝑔𝑔 ≠ 0 Regra da cadeia A regra da cadeia se aplica quando temos funções compostas� Nesse caso, devemos derivar a função 16 mais externa e multiplicar o resultado pela derivada da função mais interna� Portanto, se 𝑓𝑓 𝑥𝑥 = 𝑔𝑔(ℎ 𝑥𝑥 ) então: 𝑓𝑓(𝑥𝑥)% = 𝑔𝑔% ℎ 𝑥𝑥 ℎ′(𝑥𝑥) Vejamos um exemplo para ficar mais claro. Con- sidere a seguinte função: 𝑓𝑓 𝑥𝑥 = 𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠(2𝑥𝑥 + 1) Nesse caso, nossa função mais externa é 𝑔𝑔 ℎ (𝑥𝑥) = 𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠𝑠(2𝑥𝑥 + 1) , e nossa função interna é ℎ 𝑥𝑥 = 2𝑥𝑥 + 1 . Vamos começar calculando a derivada de g: 𝑔𝑔′ ℎ(𝑥𝑥) = cos(2𝑥𝑥 + 1) Precisamos também calcular a derivada da função interna, h: ℎ′ 𝑥𝑥 = 2 Agora, basta aplicar a regra da cadeia: 𝑓𝑓(𝑥𝑥)′ = 𝑔𝑔 ′ ℎ 𝑥𝑥 ℎ′(𝑥𝑥) 𝑓𝑓(𝑥𝑥)′ = 2 cos 2𝑥𝑥 + 1 17 REGRA DE L’HÔPITAL A regra de L’Hôpital (escrito em algumas literaturas como “L’Hôspital”) é uma aplicação bastante útil de derivada para auxiliar no cálculo de alguns limites indeterminados específicos. Considere que você tenha uma função f(x) que pode ser escrita na forma de um quociente: 𝑓𝑓 x = 𝑝𝑝(𝑥𝑥) 𝑞𝑞(𝑥𝑥) Agora considere que os seguintes limites sejam iguais e possuam um dos valores abaixo: lim 𝑥𝑥→𝑎𝑎 𝑝𝑝 𝑥𝑥 = 0 𝑜𝑜𝑜𝑜 ± ∞ lim 𝑥𝑥→𝑎𝑎 𝑞𝑞 𝑥𝑥 = 0 𝑜𝑜𝑜𝑜 ± ∞ lim 𝑥𝑥→𝑎𝑎 𝑞𝑞 𝑥𝑥 = 0 𝑜𝑜𝑜𝑜 ± ∞ Uma consequência natural é que o limite de f(x) para x tendendo a zero será uma indeterminação: lim 𝑥𝑥→𝑎𝑎 𝑓𝑓 x = 0 0 𝑜𝑜𝑜𝑜 ± ∞ ∞ É possível sair dessa indeterminação e calcular o limite dado, contanto que algumas condições sejam respeitadas: y p e q são diferenciáveis no intervalo. y q’(x) é diferente de zero. 18 y lim 𝑥𝑥→𝑎𝑎 𝑝𝑝 ′(𝑥𝑥) 𝑞𝑞′(𝑥𝑥) existe. Respeitadas todas essas condições, a relação abaixo é verdadeira: lim 𝑥𝑥→𝑎𝑎 𝑝𝑝 (𝑥𝑥) 𝑞𝑞(𝑥𝑥) = lim𝑥𝑥→𝑎𝑎 𝑝𝑝𝑝(𝑥𝑥) 𝑞𝑞𝑝(𝑥𝑥) 19 INTERPRETAÇÃO DE DERIVADAS Conforme já estudamos, a operação derivada nos informa a taxa de variação de uma função, isto é, o quanto uma mudança na variável irá impactar na função. Existe uma interpretação geométrica para derivada. Ela é a expressão que dará o valor da inclinação da reta tangente à função no ponto desejado. Essa interpretação pode ser combinada com a ideia do limite discutida anteriormente. Consi- dere o gráfico da função abaixo, com uma reta secante cortando a curva nos pontos (𝑎𝑎, 𝑓𝑓(𝑎𝑎)) e (𝑎𝑎 + ℎ,𝑓𝑓 (𝑎𝑎 + ℎ)). 20 Figura 2: reta secante a uma função� a f(a) a+h f(a+h) Fonte: elaboração própria� Com esse gráfico em mente, vamos relembrar o limite que utilizamos na função de derivada: lim ℎ→0 𝑓𝑓 𝑎𝑎 + ℎ − 𝑓𝑓(𝑎𝑎) ℎ 21 Tente observar, pelo gráfico, o que acontece con- forme h tende a zero. Quando h tende a zero, a + h irá se aproximar cada vez mais de “a”. O mesmo acontece no eixo y, fazendo com que f(a + h) se aproxime de f(a). Com isso, a reta irá se deslocar cada vez mais para baixo, encurtando a distância entre os pontos de interceptação. No limite, quando h converge para zero, os pontos (a, h(a)) e (a + h, f(a + h)) (𝑎𝑎 + ℎ, 𝑓𝑓(𝑎𝑎 + ℎ)) irão se sobrepor. Na prática, isso significa que a reta não intercepta mais a função em 2 pontos distintos, mas em apenas 1. Isso significa que a reta se tornou uma tangente. 22 Figura 3: reta tangente a uma função� a+h h→0 f(a+h), h→0 Fonte: elaboração própria� 23 PONTOS CRÍTICOS Uma aplicação muito importante de derivada é no cálculo dos pontos críticos de uma função� Pontos críticos podem ser: y Ponto de máximo local: um ponto cujo valor é superior a toda sua vizinhança por ambos os lados; y Ponto de mínimo local: um ponto cujo valor é inferior a toda sua vizinhança por ambos os lados; y Ponto de inflexão: um ponto onde a concavi- dade do gráfico da função muda: se era para cima, passa a ser para baixo, e vice-versa� Para analisar um ponto crítico, devemos analisar duas derivadas: a derivada de primeira ordem da função (ou seja, derivar uma vez) e a de segunda ordem (ou seja, derivar duas vezes). ANÁLISE DA PRIMEIRA DERIVADA Para localizar pontos críticos, a primeira operação que deveremos fazer será derivar a função e igua- lar a função derivada a zero� Isso nos permitirá encontrar os valores de x para os quais a derivada vale zero� Por que isso funciona? Porque para os 3 casos possíveis (ponto de máximo, ponto de mínimo ou ponto de inflexão) a tangente torna-se horizontal. A tangente tornar-se horizontal implica em inclinação 24 igual a zero� Como já estudamos, a derivada nos dá a inclinação da reta tangente à função� Figura 4: pontos críticos de uma função: ponto de máxi- mo, ponto de mínimo e ponto de inflexão. 8 6 4 2 0 0 1 1 2 -5 1 0 0 23 -10 -10 -1 0 0 -2-3 1 10 20 30 32 -20 -15 -20 -25 -30 -35 3 1 22 33 Fonte: elaboração própria� Os valores de x que resultem em derivada igual a zero são os nossos pontos críticos, mas ainda não sabemos que tipo de ponto eles são� ANÁLISE DA SEGUNDA DERIVADA Para determinar o tipo de ponto crítico, devemos derivar a função original uma segunda vez – isto é, derivar sua derivada� Uma vez obtida a segunda derivada, devemos aplicar os valores de x obtidos na primeira análise e verificar o sinal da segunda derivada: 25 y 𝑓𝑓′′ 𝑥𝑥 > 0 – ponto de mínimo� y 𝑓𝑓′′ xprodução e quantidade de produtos fabricados, até em problemas de inteligência artificial, onde algoritmos como o gradiente descendente buscam pontos de mínimo no erro das respostas dadas pelo computador� Um cuidado importante que deve ser tomado ao se utilizar esse tipo de método é que não temos como 31 diferenciar máximos ou mínimos locais (valores máximos ou mínimos em relação à vizinhança de um ponto) de máximos ou mínimos globais (o maior ou menor valor de toda a função). Observe o gráfico abaixo: Figura 5: função com diversos máximos e mínimos locais� 0.100 0.750 0.050 0.025 -0.025 -0.050 -0.075 -0.100 0.000 0 10 20 30 40 50 Fonte: elaboração própria� Note que há uma série de pontos onde a tangente seria horizontal (derivada igual a 0), e eles são 32 pontos de máximo ou mínimo locais: picos ou vales em relação à sua vizinhança. Um algoritmo buscando minimizar um erro, por exemplo, poderia erroneamente identificar o ponto próximo de 𝑥𝑥 = 30 como valor mínimo. Mas note que na região entre 0 e 10 existe um mínimo muito mais pronunciado. 33 CONSIDERAÇÕES FINAIS Estudamos como derivadas se relacionam intima- mente com taxa de variação, utilizando inclusive um exemplo da física� Em seguida, aprendemos a calcular as derivadas de diferentes funções� Aprendemos também algumas propriedades que nos permitem utilizar as derivadas das funções mais básicas para calcular a derivada de funções mais extensas� Estudamos também uma interpretação geométrica para derivadas e utilizamos essa interpretação para resolver problemas envolvendo pontos críticos: pontos de máximo, pontos de mínimo e pontos de inflexão. Para finalizar, discutimos brevemente como essas técnicas podem ser utilizadas em problemas de otimização e as limitações que podemos encontrar ao empregar essa técnica� E é bom reforçar pela última vez: matemática é uma disciplina extremamente prática� Nós aqui abordamos brevemente os conceitos, apresen- tamos fórmulas, discutimos interpretações, mas você só irá dominar o cálculo das derivadas e suas aplicações praticando e resolvendo problemas� Então, não deixe de consultar o livro de sua prefe- rência para estudar mais alguns exemplos e fazer as listas de exercícios propostos, a bibliografia já sugere diversos livros consagrados� 34 Referências Bibliográficas & Consultadas AXLER, S� Pré-cálculo: uma preparação para o cálculo com manual de soluções para o estudante� 2� ed� Rio de Janeiro: GEN/LTC, 2016� [Minha Biblioteca]� GERSTING, J� L� Fundamentos matemáticos para a Ciência da Computação: Matemática Discreta e suas aplicações� 7� ed� Rio de Janeiro: GEN/LTC, 2017� [Minha Biblioteca]� GUIDORIZZI, H� L� Um curso de Cálculo, Vol� 1� 6� ed� Rio de Janeiro: GEN; LTC, 2018� [Minha Biblioteca]� GUIDORIZZI, H� L� Um Curso de Cálculo, Vol� 2� 6� ed� Rio de Janeiro: GEN; LTC, 2018� [Minha Biblioteca]� MORETTIN, P� A�; HAZZAN, S�; BUSSAB, W� O� Introdução ao Cálculo para Administração, Economia e Contabilidade� 2� ed� São Paulo: Saraiva, 2018� [Minha Biblioteca]� RODRIGUES, A� C� D�; SILVA, A� R� H� S� Cálculo diferencial e integral a várias variáveis� Curitiba: InterSaberes, 2016� [Biblioteca Virtual Pearson]� ROGAWSKI, J�; COLIN, A� Cálculo� 3� ed� Porto Alegre: Bookman, 2018� [Minha Biblioteca]� SILVA, P� S� D� Cálculo Diferencial e Integral� 1� ed� Rio de Janeiro: LTC, 2017� [Minha Biblioteca]� Introdução Conceito e propriedades de derivadas Taxa de variação Taxa de variação instantânea Derivada de uma função Notações de derivada Derivada de algumas funções Propriedades da derivada Regra de L’Hôpital Interpretação de derivadas Pontos críticos Análise da primeira derivada Análise da segunda derivada Exemplos práticos Considerações finais Referências Bibliográficas & Consultadas