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Clínica Médica de cães e gatos
Data: 22/10/2024 (terça feira)
Professora: Roberta Rigaud.
DOENÇAS DO SISTEMA NEUROLÓGICO 2 - AFECÇÕES MEDULARES
O sistema nervoso se divide em:
SISTEMA NERVOSO CENTRAL:
· Encéfalo;
· Cérebro;
· Cerebelo;
· Tronco encefálico.
SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO:
· Nervos Cranianos;
· Nervos Raquidianos.
	O sistema nervoso central exerce as funções motora e sensitiva. Fisiologicamente há uma divisão do sistema nervoso central entre sistema nervoso somático e sistema nervoso visceral. O sistema nervoso central está localizado no crânio dos animais, protegido pela calota craniana.
Sistema nervoso somático: responsável por reações que os animais terão em resposta a estímulos externos ao organismo. Sistema nervoso visceral: responsável por todas as funções involuntárias do organismo, realizando o controle de órgãos e sistemas.
Sistema nervoso periférico - encontra-se fora das regiões do cérebro e da medula. Formado por ramificações nervosas que se espalham a partir da medula espinhal por todo o corpo do animal. É responsável por levar e trazer estímulos e respostas, ambos sensitivos e motores, ao sistema nervoso central. Apesar de saírem diretamente do sistema nervoso central os nervos craniais e espinhais também fazem parte do sistema nervoso periférico, pois são responsáveis por conduzir e transmitir todas as informações que partem do cérebro e que são direcionadas aos órgãos sensitivos, músculos e atividade motora.
Obs.: Para localizar lesões no sistema nervoso de cães e gatos, o veterinário realiza um exame neurológico específico, que inclui um exame físico geral e a avaliação de doenças neurológicas concomitantes. Alguns sinais que podem indicar problemas neurológicos em cães e gatos são: Alteração do estado mental, tontura, alteração dos sentidos, tremores generalizados, desvio lateral da cabeça, alterações da marcha, movimentos involuntários, convulsões, cegueira e diminuição da resposta à ameaça.
Para localização da lesão:
· Déficits motores;
· Déficits sensoriais;
· Sem alteração nos nervos cranianos;
· Sem alteração do estado mental/ comportamento.
Sem essas alterações significa dizer que a lesão ocorreu na medula espinhal e nervos periféricos.
	CÃO:
A coluna vertebral de um cão adulto tem entre 53 e 79 vértebras, divididas em quatro regiões:
Cervicais: Localizadas no pescoço, são 7 vértebras pequenas que permitem o movimento do pescoço e sustentam o peso da cabeça.
Torácicas: São 13 vértebras.
Lombares: São 7 vértebras.
Sacrais: São 3 vértebras fundidas, formando um único osso chamado sacro.
Caudais: São entre 13 e 21 vértebras, dependendo do tamanho da cauda.
GATO:
Independentemente da espécie de felino que se observe, por exemplo um tigre, um leão ou um gato, a coluna vertebral apresenta de 44 a 58 vértebras: 7 vértebras cervicais. 13 torácicas. 7 lombares.
Segmentos medulares:
RAIZ DORSAL --> Sensitivos ou Aferentes:
· Quando transmitem os impulsos nervosos dos órgãos receptores até o sistema nervoso central.
· Propriocepção (capacidade de perceber a movimentação e a posição do corpo no espaço, fundamental para coordenação motora e postura corporal);
· Nocicepção (sensação de dor, os receptores sensoriais nociceptores fazem parte do sistema de defesa do organismo, fornecendo informações sobre danos em tecidos).
RAIZ VENTRAL --> Motora ou Eferente:
· Quando transmitem os impulsos nervosos do sistema nervoso central para os órgãos efetores;
· Faz sinapse com o neurônio motor inferior.
Neurônio motor superior (NMS):
· Movimentos voluntários e controle motor: modula o arco reflexo;
· Se origina no córtex motor do cérebro;
· Do núcleo rubro espinhal/ córtico espinhal até a junção neuromuscular;
· Intumescência cervicotoracica e toracolombar com o NM;
· Espasticidade e Hiperreflexia (distúrbio neurológico que se caracteriza por contrações musculares excessivas e reflexos involuntários nos tendões, também conhecidos como hiperreflexia, ou seja, em que há hiperatividade muscular involuntária na presença de paresia central).
· Envia um sinal para o NMI.
Neurônio motor inferior (NMI):
· Se origina na medula espinhal;
· Sua função é a inervação muscular;
· Tônus muscular;
· Contração sustentada – postura;
· Localizados na intumescência;
· Recebe o sinal do NMS e diz aos músculos que é hora de se mexer.
Lesões no NMS e NMI podem causar diferentes tipos de paralisia:
· Lesão no NMS: Causa paralisia espástica, com aumento do tônus muscular e dos reflexos.
· Lesão no NMI: Causa paralisia flácida, com diminuição do tônus muscular e dos reflexos, além de atrofia muscular neurogênica rápida.
Obs.: Hiperreflexia- aumento da atividade dos reflexos. Hiporreflexia- diminuição dos reflexos.
	
EXEMPLO DE PARALISIA FLÁCIDA
	
EXEMPLO DE PARALISIA ESPÁTICA
Em casos de prognóstico ruim de grau 5, é indicado o tratamento cirúrgico.
O teste de propriocepção veterinária é um exame que avalia a capacidade do animal de reconhecer a posição do seu corpo no espaço, animal em estação, sem usar a visão. 
Causas:
· Traumas, fraturas e luxações;
· Doença do disco intervertebral;
· Síndrome de Wobbler;
· Cauda equina;
· Neoplasias.
DISCOPATIA CANINA OU DOENÇA DO DISCO INVERTEBRAL (DDIV):
· Degeneração aguda ou crônica do disco invertebral;
· Ocorre quando o disco intervertebral, que fica entre as vértebras da coluna, deixa de funcionar corretamente, permitindo o atrito entre as vértebras;
· É a principal causa de compressão medular em cães, é causada, principalmente, por traumas e lesões na medula espinhal que podem também alterar o sistema nervoso do pet, diminuindo sensibilidade de movimentos, causando incontinência urinária e dor e podendo levar à paralisia de membros;
· Hernias de disco do tipo 1 e tipo 2;
Hérnia de disco do tipo I:
· Ocorre quando o núcleo pulposo do disco intervertebral degenera, ele extravasa para o canal vertebral;
· É o mais comum em cães;
· Com o tratamento, há melhoras do sintomas em 48 horas;
· Ocorre desidratação, necrose das fibras e mineralização do disco;
· Geralmente ocorre em raças pequenas / condrodistróficas: Dachshund, Lhasa Apso, Shih Tzu, Cocker Spaniel, Maltês, Poodle, Beagle e SRDs.
· Início por volta dos 8 meses até 1 ano de idade e evolui até cerca de 6 a 7 anos de idade (geralmente entre os 6 e 7 meses de idade. A extrusão do material para a medula espinhal costuma acontecer entre os 2 e 7 anos de idade, quando o cão faz um salto ou um movimento brusco.)
Hérnia de disco do tipo II:
· Ocorre quando o disco intervertebral se salienta, mas o anel fibroso não se rompe completamente;
· Degeneração fibroide, mais lenta (luxação);
· Dos 8 aos 10 anos de idade;
· Raças maiores (Labrador, Golden Retrievers, Pastor Alemão);
· Não-condrodistróficas;
· Menos agressiva;
· Inflamação com o inchaço dos discos intervertebrais.
· Geralmente a recomendação é cirúrgica, depende do grau da lesão.
Sinais clínicos:
Na discopatia cervical (pescoço):
· Cabeça para baixo com restrição dos movimentos do pescoço;
· Dor, recusa a passeio;
· Vocalização repentina / sem motivo;
· Hiporexia;
· Paresia / Paraplegia
Na discopatia tóraco-lombar:
· Dor;
· Aparência corcunda;
· Fraqueza aguda e repentina das patas traseiras;
· Incoordenação motora com rápida progressão e paraplegia;
· Incontinência urinária;
Más formações da coluna vertebral - maior predisposição (hemivertebra, cifose, lordose, vertebra de transição).
Diagnóstico:
· Exame físico e neurológico;
· Radiografia simples (Hérnia de Disco do Tipo II - tratamento clínico);
· Radiografia contrastada, Tomografia Computadorizada ou Ressonância Magnética (Hérnia de Disco do Tipo I - neurocirurgia).
Lesões toracolombares tendem a estabilizar nas próximas 48-72hs!
Tratamento:
· Anti-inflamatórios esteroidais (corticoides);
· Analgésicos;
· Relaxantes musculares;
· Gabapentinoides;
· Restrição de espaço / repouso;
· Fisioterapia / Acupuntura;
· Cirurgia - Descompressão da medula espinhal.
SINDROME DE WOBBLER:
Também conhecida como espondilomielopatia cervical, é uma doença que afeta a coluna vertebral do pescoçodos cães, causando compressão da medula espinhal e problemas neurológicos;
· Etiologia multifatorial e progressiva;
· Diversos transtornos degenerativos crônicos;
· Alterações anatômicas e posicionais ao nível das vértebras cervicais (C5, C6 e C7);
· Estreitamento do canal vertebral → compressão da medula espinhal cervical;
· Raças grandes (Doberman, Mastiff e Dogue Alemão - 50% dos casos).
Sinais clínicos:
· Ataxia (coordenação motora reduzida) dos membros pélvicos, com ou sem dor cervical → Caminhar instável e cambaleante, geralmente com passos curtos;
· Dor ou rigidez no pescoço;
· Perda de massa muscular nos ombros e membros dianteiros;
· Cansaço e fraqueza;
· Paralisia parcial ou completa - déficits neurológicos dos Membros torácicos → quadriplegia;
· Inchaço nas pernas dianteiras e traseiras;
· Dificuldade em se levantar e se mover.
Diagnóstico:
· Raio-X; tomografia computadorizada; ressonância magnética; mielograma.
Tratamento:
· Restrição rigorosa da atividade física;
· Corticosteróides;
· Cirurgia / Fisioterapia.
CAUDA EQUINA/ ESTENOSE LOMBOSSACRA:
É uma doença grave que ocorre quando o canal vertebral se estreita e comprime as raízes nervosas da cauda equina: A cauda equina é um conjunto de raízes nervosas que se localiza na base da coluna vertebral e conecta o sistema nervoso central ao periférico.
· Estreitamento da articulação lombossacral (última vértebra lombar (L7) e o sacro) → compressão nas raízes nervosas da região final da medula espinhal;
· Doença degenerativa e progressiva - causa uma instabilidade na área;
· Congênita ou adquirida;
· Raças -> Pastor alemão / Rottweiler / Labrador retriever / Golden retriever / Dogo / Boxer.
· A cauda equina é formada pelas raízes nervosas espinais L2a S5 e pelo nervo coccígeo;
A estenose lombossacra pode ter diversas causas:
· Luxação vertebral;
· Infecção vertebral;
· Tumor vertebral;
· Tumor nos nervos;
· Traumatismos na aérea;
· Fratura vertebral;
· Anomalias congênitas (espinha bífida, hemivertebras);
· Espondilose;
· Displasia do quadril; 
· Hérnia do último disco intervertebral.
A síndrome da cauda equina pode resultar em paralisia, incontinência urinária ou intestinal, e outros problemas de sensibilidade e movimento.
Sinais clínicos:
· Dor lombar (lombalgia);
· Claudicação;
· Dor e recusa a caminhar;
· Os machos evitam "levantar a pata" quando urinam;
· Recusam abanar a cauda com força;
· Paresia ou paralisia da cauda e da área pélvica;
· Atrofia muscular;
· Dificuldade para se levantar quando estão deitados;
· Alteração nos reflexos das patas traseiras;
· Incontinência urinária;
· Incontinência fecal;
· Arrastar as unhas ao andar.
Tratamento:
· Medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos para aliviar o processo inflamatório e doloroso;
· Condroprotetores e vitaminas do grupo B para controlar a progressão da artrose primária ou secundária;
· Antibióticos se a cauda equina for consequência de um processo infeccioso.
· Quimioterapia se a origem for tumoral.
· O repouso total ou parcial poderá ser necessário.
· Laminectomia dorsal -> fisioterapia e reabilitação (é uma cirurgia de coluna vertebral que visa descomprimir as estruturas neurológicas de cães).
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