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Alexandre Garrido ____ __ Mieloma Múltiplo / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ Hematologi�: Mielom� Múltipl� ➤ Definição : Infiltração de plasmócitos clonais-neoplásicos-defeituosos na medula óssea, fazendo com que haja produção exacerbada de imunoglobulinas/gamaglobulinas disfuncionais ; ➠ Representada por 2 cadeias pesadas (alfa gama delta) e 1 cadeia leve entre as pesadas (kappa e lambda) ➠ O mieloma pode estar relacionado pela produção de cadeias pesadas ou de cadeias leves ➠ O plasmócito surge a par�r do linfócito B amadurecido na MO, sua função principal é a produção de imunoglobulinas, que no MM leva à uma hiperprodução defeituosa desses an�corpos ➽ Eletroforese de Proteínas : exame principal para o diagnós�co de MM ★ Nomeia, especifica e quan�fica proteínas totais, que são divididas em albumina e globulinas (imunoglobulinas) ➢ As imunoglobulinas podem ser alfa, beta ou gama, os quais originam IgA, IgG, IgM e IgD ■ Normal: Predomínio de albumina sob número de globulinas ➢ No MM há células plasmócitos clonais que produzem imunoglobulinas, logo a produção destas globulinas defeituosas não para. ★ MM → Tendência à inversão da albumina com a globulina, ou seja, há muito mais globulina do que albumina; ★ Imagem1: pico de albumina com corcovas de globulina, sendo o fisiológico; ★ Imagem2: em verde evidenciando a relação do pico monoclonal (único pico) de gama globulina em relação ao pico de albumina; ■ Se somarmos todas as corcovas verdes, provavelmente tudo somado será maior que a albumina. Portanto, evidenciando o predomínio de globulinas sob a albumina; Alexandre Garrido ____ __ Mieloma Múltiplo / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ ➤ Gamopa�a Monoclonal → Não é específico do MM, mas é a doença mais importante, pois é muito sintomá�co. Devemos sempre diferenciar entre MM (18%), MGUS (58.5%) e SMM (4% - smoldering mieloma) , além de outras; ⤇ Estes (MGUS, SMM) funcionam como pré-fase do MM (mieloma múl�plo) ★ MGUS (gamopa�a monoclonal de significado indeterminado): Pode desencadear MM, amiloidose, LLC, plasmocitoma solitário, difuso de grandes células B, macroglobulinemia de waldenstrom; ■ Alguns pacientes podem começar a produzir plasmócitos defeituosos que cursam com a imunoglobulina defeituosa, mas em pequena quan�dade ⇒ sem sinais e sem sintomas que na maioria das vezes é apenas um achado de exame (diferente do MM), sendo portanto de significado indeterminado ■ Todo paciente com MM foi, em algum momento, um paciente MGUS, no entanto nem todo paciente MGUS desencadeará o MM em algum momento da vida ■ MGUS: Enfim, podemos definir como um pico monoclonal de tamanho reduzido ( 3g e ≥ 10% plasmócitos ou demonstração de plasmocitoma (tumor plasmocitário fora da MO) + CRAB (pelo menos 01 dos sintomas) ↪ Buscar outros diagnós�cos diferenciais quando encontrar anemia (b12, ciné�ca de fero, TSH, t4 livre, ác. fólico, ureia, crea�nina, eletroforese de proteínas) ↪ Sintomas mais comum e comprometedor do MM ⇒ Lesão óssea por fratura patológica ou lesão lí�ca (sem trauma grave), sendo o principal mo�vo de procura ao médico Alexandre Garrido ____ __ Mieloma Múltiplo / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ ➤ Eventos definidores de MM : Podemos considerar o diagnós�co de MM pela presença de ≥ 10% plasmócitos clonais na MO ou pela presença de plasmocitoma, sendo estes associados a um dos eventos definidores de mieloma, que são os biomarcadores ou os sintomas CRAB ; 1. 01 ou mais lesões lí�cas focais na RNM 2. ≥ 100 de envolvimento de cadeia leve (kappa e lambda) 3. ≥ 60% de plasmocitose clonal na medula óssea ⇒ Isoladamente pode configurar o diagnós�co de MM ★ Ex.: Paciente 70 anos com pico monoclonal > 3g na eletroforese de proteínas. Após solicitado exames, há ausência de anemia, hipercalcemia, disfunção renal e lesão óssea (ausência de CRAB). No entanto, a BMO (biópsia de medula óssea) evidencia 65% de plasmócitos clonais; ↪ O paciente preenche 01 critério de biomarcador ( > 60% plasmocitose clonal na MO), que também preenche o critério de > 10% plasmócitos clonais na MO , portanto há o diagnós�co de Mieloma Múl�plo , mesmo sem o CRAB ➤ Diagnós�co ______ ➥ Eletroforese de proteínas (já explicado): método quan�ta�vo de detecção das proteínas monoclonais ↪ Quan�fica as quan�dades de globulinas presentes em relação à curva de albumina ➥ Imunofixação de proteínas : método qualita�vo , que evidencia qual a proteína monoclonal envolvida ↪ Diferencia o mieloma de: Mieloma IgG (mais comum), mieloma IgA, mieloma IgE… ↪ Consegue definir se há presença grande de cadeias leves (kappa ou lambda) — imagem: imunofixação de proteínas classificada como Mieloma Múl�plo IgG Lambda ➥ FreeLite : Método para dosagem de cadeia leve livre ↪ Eletroforese de proteínas fala mais de cadeias pesadas ↪ Se dosagem muito aumentada de kappa ou lambda, considerar como MM de cadeia leve ⦽ PROVA: Sinal presente, mas não patognomônico de MM: hemácias que perdem a carga nega�va e param de se repelir, começam a se ajuntar e fazem um empilhamento de hemácias ⇒ HEMÁCIAS EM ROULEAUX em sangue periférico → considerar paciente com MM até que se prove o contrário ➢ Imagem de MO mostrará infiltração de plasmócito, se esse plasmócito sai da MO e vai para o sangue periférico, podemos fizer que a doença deixou de ser MM e evoluiu para leucemia de células plasmá�cas ➢ Portanto, na lâmina de MM de sangue periférico não terá evidência de plasmócitos Alexandre Garrido ____ __ Mieloma Múltiplo / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ ★ Imagem: Lâminas de MO com muita presença de plasmócitos; __________________________ — Clínica — ______________________________ ⥹ Aumento de lesõesósseas, diminuição da qualidade de vida, anemia, fadiga, e mais posteriormente pode apresentar disfunção renal, hipercalcemia, perda de peso; ➢ Pacientes podem ser acamados, piorando ainda mais o risco a trombose, disfunção renal… ➢ A disfunção renal não é comum de evoluir para hemodiálise, mas é muito grave quando chega a esse ponto ⇒ anemia e hipercalcemia pioram pelo MM somado à perda da eritropoe�na na TSR (terapia de disfunção renal), chegando a um ponto que não sabemos por qual dos dois fatores houve a piora do quadro ⧭ Fratura Óssea : Plasmocitose clonal induz hipera�vidade osteoclás�ca e diminui a osteoblás�ca; ⥱ Quanto maior a plasmocitose, maior chance de ocorrer lesão lí�ca óssea ⥱ Lesão óssea do MM: Quase sempre se relaciona com esqueleto axial (esterno, costela, coluna e crânio) ■ Coluna → geralmente poupadoras do pedículo, ao contrário de metástases ósseas ★ Boa relação para realizar diagnós�co diferencial de metástases, apesar de não ser regra Alexandre Garrido ____ __ Mieloma Múltiplo / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ ⧭ Anemia Normocrômica e Normocí�ca : Presente em boa parte, relacionada aos sintomas cons�tucionais (cansaço, fadiga, astenia). A anemia se liga à pelo menos um, ou todos, dos fatores abaixo: 1. Medula infiltrada por plasmócitos impede produção da série vermelha em quan�dade adequada; 2. Componente inflamatório pode induzir a anemia; 3. Piora da insuficiência renal; ★ Se maior relação com a infiltração da medula, a anemia é geralmente resolvida com a QT do MM ⧭ Doença Óssea : Que mais aumenta morbimortalidade , associada a dor óssea persistente já inves�gada ⥱ Microambiente inflamatório de citocinas com hipera�vidade osteoclás�ca e hipoa�vidade osteoblás�ca ⥱ Dor persistente acometendo principalmente dor lombar e pelve (esqueleto axial) ⥱ “Sensação de isopor ao biopsiar MO” ★ Emergência Neurológica/Neurocirúrgica: Compressão da medula espinhal ■ Por plasmocitoma: Cor�coterapia alta dose + radioterapia primeiro, depois seguir com QT ■ Por fratura: Pode ser necessário adicionar a neurocirurgia, para evitar para/tetraplegia ★ Ao diagnós�co de MM, realizar RX ou TC de estadiamento em corpo inteiro!!!! ▚ Controle de Lesões Lí�cas na Doença Óssea : Além da QT, usamos bifosfonato para tratar doença óssea ◉ Pamidronato / Ácido Zoledrônico ( função renal ) 1x/mês : Reduzem em 50% os eventos ósseos (fratura) ▫ Inibem a dissolução dos cristais de hidroxiapa�ta e suprimem a hipera�vidade dos osteoclastos; ➽ RX: Lesões salpicadas (salpicando sal) Alexandre Garrido ____ __ Mieloma Múltiplo / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ ➽ Plasmocitoma em Orofaringe ⧭ Hipercalcemia : Sintoma + tardio, presente em 18-30% dos pacientes — Geralmente > 11 mg/dL (aumentada); ⥱ Cada vez menos frequente devido ao diagnós�co precoce do MM ⥱ Fadiga, cons�pação, náusea, confusão mental, hipertensão, pancrea�te, arritmia (morte súbita) ⥱ Lesão de órgão alvo que se relaciona com a piora da função renal ◉ Hidratação venosa ◉ Bifosfato venoso ◉ Cor�coide ◉ Ins�tuir tratamento do MM ◉ Retorna ao normal em 2-3 dias de tratamento ⧭ Insuficiência Renal : Sintoma mais tardio, piora da função renal relacionada à deposição das cadeias leves livres no glomérulo (proteína de bence jones) ⥱ > 25% dos pacientes com crea�nina > 2mg/dl ao diagnós�co ■ Percentual menor de pacientes, não é comum ★ CADEIA: Proteinúria por cadeias leves (atrofia e fibrose tubular) ⇒ hipercalcemia ⇒ desidratação ⇒ hiperuricemia ⇒ drogas nefrotóxicas ⇒ plasmocitoma ou amilóide renal ■ É pouco comum esta relação com a insuficiência renal, pois a maioria dos pacientes com MM estão relacionado com cadeias pesadas das globulinas ⥱ Relação direta com prognós�co ⥱ Lesão primariamente tubular do que glomerular ◉ Hidratação (3L/d) ◉ Alcalinização da urina na IRA ◉ Plasmaférese : diminuir cadeias leves ◉ Diálise ◉ Esquemas com Bortezomibe: efeito melhor em pacientes sob insuficiência renal ⧭ Imunodeficiência/Infecção : Mortalidade por imunoglobulinas/an�corpo disfuncionais no organismo, principalmente por germes encapsulados ( pneumococo e haemophilus ) ◉ Revisar esquema vacinal , principalmente para pneumococo ◉ Profilaxia com SMX-TMP/Levofloxacino: Eficácia, principalmente nos primeiros 02 meses de tratamento ■ 1x ao dia nos primeiros 02 meses de tratamento ◉ Profilaxia com Imunoglobulina venosa: Demonstra maior eficácia, porém é caro e com maior potencial de toxicidade. ■ Reservado aos pacientes com infecções recorrentes Alexandre Garrido ____ __ Mieloma Múltiplo / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ ⧭ Síndrome de Hiperviscosidade (sangramento, diminuição da acuidade visual, re�nopa�a, confusão, sintomas neurológicos, dispneia, hipervolemia, ICC) : Distúrbio de homeostasia com sangramento por consumo de plaquetas e fatores de coagulação e uremia por secreção elevada de proteínas monoclonais e imunoglobulinas ◉ Plasmaférese, tratamento do MM, hidratação ◉ Plasma fresco, se TAP alterado ⇒ rico em fator de coagulação ◉ Atenção à trombocitopenia e a uremia ▚ Prognós�co ➧ Sobrevida varia entre 10m a 10 anos — variabilidade pela heterogeneidade biológica da doença