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Hematologia Laboratorial e Aspectos Gerais da Anemia Aula completa • Unidade 1 Da fase pré-analítica ao diagnóstico laboratorial das principais anemias Material baseado integralmente na Unidade 1 enviada Objetivos da aula Compreender a organização do laboratório de análises clínicas Revisar a flebotomia e os principais cuidados pré-analíticos Conhecer o hemograma e os principais exames hematológicos Compreender a composição e as funções do sangue Interpretar os principais parâmetros do eritrograma Reconhecer alterações morfológicas das hemácias Classificar as anemias e compreender anemia falciforme, talassemias e policitemia Hematologia Laboratorial • Unidade 1 2/53 Roteiro da aula 1. Laboratório de análises clínicas 2. Flebotomia e fase pré-analítica 3. Hemograma e automação 4. Sangue e elementos figurados 5. Eritrograma e índices hematimétricos 6. Morfologia eritrocitária 7. Anemias 8. Hemoglobinopatias 9. Policitemia 10. Revisão e casos Hematologia Laboratorial • Unidade 1 3/53 1 | Laboratório de Análises Clínicas A qualidade laboratorial depende de todas as etapas, desde o preparo do paciente até a liberação do laudo. A confiabilidade do resultado não depende apenas do equipamento. Cada etapa deve ser padronizada, documentada e monitorada. O laboratório utiliza POPs para orientar procedimentos, manutenção, calibração e validação. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 4/53 As três fases do processo laboratorial PRÉ-ANALÍTICA → preparo, identificação, coleta, cadastramento, acondicionamento e transporte. ANALÍTICA → processamento e análise da amostra, equipamentos, calibração e controle de qualidade. PÓS-ANALÍTICA → validação/liberação do resultado e comunicação de valores críticos. A unidade destaca a fase pré-analítica como responsável por 46–68% dos erros laboratoriais. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 5/53 Principais erros pré-analíticos Pedido preenchido incorretamente Identificação/troca de etiquetas Flebotomia inadequada Torniquete por tempo excessivo Volume de sangue inadequado Ordem incorreta dos tubos Armazenamento ou transporte inadequados Hematologia Laboratorial • Unidade 1 6/53 Fase analítica e controle de qualidade Manutenção e calibração dos equipamentos Preparação e análise da amostra Uso de controles de qualidade estáveis e padronizados POPs orientam a execução e a validação dos processos Erros possíveis: falha de equipamento, perda/troca de amostra e contaminação entre amostras Hematologia Laboratorial • Unidade 1 7/53 Fase pós-analítica Conferência e liberação correta do laudo Prevenção de trocas e extravios Atenção especial aos valores críticos e comunicação imediata ao solicitante Erros: identificação/unidade incorreta, atraso, transcrição e perda de resultados Hematologia Laboratorial • Unidade 1 8/53 2 | Flebotomia Flebotomia = técnica de coleta de sangue, incluindo a punção venosa. Local usual: região anterior do braço/antebraço. Para exames hematológicos, a unidade destaca veias mediana cubital, cefálica e basílica. Higienização do local e uso de EPI são fundamentais. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 9/53 Torniquete: por que o tempo importa? Posicionar aproximadamente 10 cm acima do local da punção. Facilita a visualização das veias. Segundo a unidade, o garroteamento não deve exceder 1 minuto. Após a punção, retirar o torniquete. Tempo excessivo pode favorecer hemoconcentração, estase localizada, hemólise e infiltração de sangue nos tecidos. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 10/53 Ordem de coleta dos tubos 1. Amarela – hemocultura 2. Azul – citrato de sódio 3. Preta – citrato de sódio para VHS automatizado 4. Vermelha – soro, sem aditivos 5. Amarela/vermelha – soro com ativador, com ou sem gel 6. Verde – heparina, com ou sem gel 7. Roxa – EDTA 8. Cinza – oxalato/fluoreto de sódio Hematologia Laboratorial • Unidade 1 11/53 Cuidados após a coleta Preencher o tubo adequadamente para manter a proporção sangue/aditivo. Homogeneizar cuidadosamente por inversão. Encaminhar a amostra conforme as condições estabelecidas pelo laboratório. Uma coleta correta é parte essencial da qualidade do resultado. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 12/53 3 | Hemograma É o exame mais frequentemente realizado no setor hematológico. Fornece informações sobre as séries sanguíneas. É útil no diagnóstico, prognóstico e acompanhamento de diferentes patologias. Também pode acompanhar tratamentos como quimioterapia e radioterapia. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 13/53 As três partes do hemograma ERITROGRAMA – eritrócitos, hemoglobina, hematócrito e índices hematimétricos. LEUCOGRAMA – contagem total e diferencial dos leucócitos. PLAQUETOGRAMA – contagem de plaquetas e índices plaquetários. Nesta unidade, o foco principal é a série vermelha e as anemias. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 14/53 Outros exames hematológicos Teste de falcização – investigação da presença/ausência de HbS. Reticulócitos – avaliação da produção de hemácias pela medula. VHS – auxilia na avaliação/monitoramento de algumas condições. Eletroforese de hemoglobinas – investigação de hemoglobinopatias e talassemias. Coagulograma e tipagem ABO também integram a rotina hematológica. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 15/53 Automação laboratorial Analisadores hematológicos substituem diversos métodos manuais de contagem. Permitem maior rapidez e padronização. Podem identificar e classificar células sanguíneas. Exigem manutenção, calibração e controle de qualidade. Automação melhora o processo, mas não elimina a necessidade de avaliação profissional. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 16/53 Exames especiais em hematologia Citogenética: investigação de alterações genéticas relacionadas à divisão/proliferação celular. PCR: amplificação de sequências específicas de DNA. RT-PCR: utiliza RNA molde e transcriptase reversa. Imuno-histoquímica: detecção de antígenos em tecidos. FISH: identificação de sequências específicas de DNA por sondas fluorescentes. Citometria de fluxo/imunofenotipagem: identificação de antígenos e linhagens celulares. Citoquímica: auxilia na caracterização de células hematológicas. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 17/53 4 | Sangue: visão geral O sangue é formado por plasma + elementos figurados. Na representação apresentada na unidade: aproximadamente 55% plasma e 45% elementos celulares. Plasma: cerca de 92% de água, além de proteínas, glicídios, lipídeos, sais minerais e vitaminas. Proteínas destacadas: albumina, globulinas, fibrinogênio e transferrina. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 18/53 Elementos figurados ERITRÓCITOS → transporte de O₂ e CO₂. LEUCÓCITOS → defesa do organismo. PLAQUETAS → hemostasia e coagulação. Leucócitos maduros: neutrófilos, eosinófilos, basófilos, linfócitos e monócitos. Monócitos podem migrar para os tecidos e diferenciar-se em macrófagos. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 19/53 5 | Série vermelha: Eritrograma Avalia a população de eritrócitos e fornece dados para investigação das anemias. Inclui: contagem de eritrócitos, hemoglobina, hematócrito, índices hematimétricos e morfologia. Pode auxiliar na avaliação de anemia, eritrocitopenia e poliglobulia. A interpretação deve considerar características individuais e o contexto clínico. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 20/53 Eritrócito normal Formato: disco bicôncavo. Célula madura anucleada. Diâmetro aproximado citado na unidade: 7,5 μm. Flexibilidade permite passagem pela microcirculação. Vida média citada: aproximadamente 100–120 dias. Principal proteína: hemoglobina. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 21/53 Eritropoese e reticulócitos A formação começa na medula óssea a partir de células precursoras. Durante a maturação, ocorre perda do núcleo. O reticulócito é liberado para o sangue e completa a hemoglobinização. A contagem de reticulócitos ajuda a avaliar a atividade eritropoética da medula. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 22/53Contagem de eritrócitos É parte do eritrograma. Pode ser manual ou automatizada. A automação proporciona maior precisão e exatidão. A contagem isolada não define a característica patológica. É importante para o cálculo/interpretação das constantes corpusculares. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 23/53 Hemoglobina Proteína responsável pelas trocas gasosas realizadas pelos eritrócitos. É formada por quatro cadeias globínicas associadas a grupos heme. O grupo heme contém ferro e protoporfirina. No adulto, a HbA é a forma predominante, formada por α₂β₂. A dosagem de Hb é fundamental para identificar e estimar a intensidade da anemia. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 24/53 Hematócrito Representa a porcentagem do volume sanguíneo ocupada pelos eritrócitos. No micro-hematócrito, o sangue é centrifugado e separado em plasma, camada leucoplaquetária e hemácias. A camada de leucócitos/plaquetas deve ser excluída da leitura. A unidade apresenta referência de 40–54% para homens e 37–47% para mulheres. Analisadores também podem calcular o Hct a partir do VCM e do número de eritrócitos. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 25/53 Índices hematimétricos: mapa mental VCM → tamanho/volume médio da hemácia. HCM → quantidade média de hemoglobina por eritrócito. CHCM → concentração de hemoglobina no eritrócito. RDW → distribuição/variação do tamanho dos eritrócitos. A interpretação deve ser conjunta, nunca baseada em um índice isolado. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 26/53 VCM – Volume Corpuscular Médio Principal parâmetro para classificação morfológica pelo tamanho. Microcítica: 95 fL. Ajuda a direcionar a investigação da causa da anemia. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 27/53 HCM – Hemoglobina Corpuscular Média Expressa a quantidade média de hemoglobina por eritrócito. Referência apresentada: 27–32 pg. É influenciada pelo volume eritrocitário. Deve ser interpretada junto ao VCM e à CHCM. A unidade alerta que quantidade de Hb não é o mesmo que concentração de Hb. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 28/53 CHCM – Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média Relaciona-se ao grau de saturação de hemoglobina nos eritrócitos. Referência apresentada: 32–36%. Pode auxiliar na avaliação de hipocromia e hipercromia. A unidade associa valores baixos à hipocromia e valores elevados a situações como esferocitose e desidratação eritrocitária. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 29/53 RDW – Amplitude de distribuição dos eritrócitos Avalia a variação do tamanho da população eritrocitária. Referência apresentada: 11,5–14,5. RDW aumentado sugere heterogeneidade de tamanho: anisocitose. RDW-CV e RDW-SD são formas de expressar essa distribuição. Sempre interpretar em conjunto com VCM e demais parâmetros. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 30/53 6 | Morfologia eritrocitária A microscopia do esfregaço permite observar tamanho, forma, coloração e inclusões. Alterações podem resultar de defeitos de membrana/citoesqueleto, fragmentação ou alterações da hemoglobina. Termos-chave: anisocitose, poiquilocitose, hipocromia, hipercromia, anisocromia e policromasia. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 31/53 Alterações de tamanho ANISOCITOSE → variação do tamanho das hemácias. MICROCITOSE → eritrócitos menores. MACROCITOSE → eritrócitos maiores. A unidade associa microcitose a deficiência de ferro, talassemias, anemia sideroblástica congênita, entre outras. Macrocitose pode ocorrer em deficiência de B12/folato, hepatopatias, quimioterapia e alterações medulares. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 32/53 Alterações de forma: poiquilocitose Poiquilocitose = aumento de eritrócitos com formas anormais. Esferócitos → forma esférica; associados a alterações de membrana/citoesqueleto. Estomatócitos → fenda linear central. Acantócitos → projeções irregulares. Codócitos → aspecto de alvo. Dacriócitos → aspecto de lágrima. Drepanócitos → forma de foice, característica da doença falciforme. Equinócitos → projeções regulares; podem ser artefatos. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 33/53 Alterações de coloração Hipocromia → palidez central aumentada, geralmente relacionada à menor produção de hemoglobina. Hipercromia → coloração mais intensa; pode acompanhar esferócitos. Anisocromia → variação da intensidade de coloração entre hemácias. Policromasia/policromatofilia → coloração róseo-azulada, relacionada à presença de RNA residual em células jovens. A avaliação morfológica deve ser correlacionada com HCM/CHCM e o quadro clínico. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 34/53 Inclusões eritrocitárias Howell-Jolly → pequenos restos de DNA; podem ser observados em hipofunção/esplenectomia e algumas anemias. Anel de Cabot → restos relacionados ao fuso mitótico. Pontilhado basófilo → agregados ribossomais/RNA; associado a diversas condições, incluindo talassemias e intoxicação por metais pesados. Pappenheimer → grânulos ricos em ferro; confirmação do ferro pela coloração de Perls. Algumas inclusões são observadas na coloração de rotina; outras exigem colorações especiais. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 35/53 7 | Anemia: conceito Anemia é definida, na unidade, como diminuição da concentração de hemoglobina abaixo do valor de referência para idade e sexo. A unidade apresenta os seguintes pontos de corte: homens adultos 95 fL. Exemplos: megaloblásticas por B12/folato e não megaloblásticas. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 37/53 Classificação fisiológica REGENERATIVA/HIPERREGENERATIVA → medula com atividade aumentada; índice de produção de reticulócitos ≥2,5. Causas citadas: hemorragia recente e hemólise. ARREGENERATIVA/HIPOPROLIFERATIVA → índice de produção de reticulócitosDe modo geral, a unidade caracteriza as talassemias como microcíticas e hipocrômicas. A gravidade varia conforme a redução/ausência da cadeia afetada. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 42/53 α-talassemia Portador silencioso → deleção de 1 gene alfa; sem manifestações clínicas/hematológicas relevantes. α-talassemia menor → deleção de 2 genes; microcitose/hipocromia discretas. Doença da hemoglobina H → deleção de 3 genes; anemia hemolítica crônica. Hidropsia fetal → deleção de 4 genes; forma mais grave e incompatível com a vida, conforme a unidade. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 43/53 β-talassemia β-talassemia maior → forma grave, anemia intensa e dependência transfusional. β-talassemia intermediária → gravidade variável, anemia moderada a intensa e sem dependência transfusional na descrição da unidade. β-talassemia menor → geralmente clinicamente assintomática, mas com alterações laboratoriais típicas. Achados descritos: microcitose, hipocromia, codócitos, pontilhado basófilo e alterações de reticulócitos conforme a gravidade. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 44/53 10 | Policitemia Policitemia/eritrocitose = aumento da massa eritrocitária no sangue periférico. Pode ser RELATIVA ou ABSOLUTA. Relativa → redução do volume plasmático/hemoconcentração. Absoluta → hiperprodução eritrocitária. A absoluta pode ser primária (policitemia vera) ou secundária. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 45/53 Policitemia: classificação RELATIVA → perdas de líquidos, desidratação e hemoconcentração. ABSOLUTA PRIMÁRIA → doença clonal, destacando-se a policitemia vera. ABSOLUTA SECUNDÁRIA → relacionada, na unidade, a hipóxia e doença renal, entre outros mecanismos. A suspeita clínica começa diante de hematócrito elevado; os pontos de corte dependem do contexto e do critério adotado. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 46/53 Integração: como interpretar um eritrograma? 1. Confirmar Hb/Hct e avaliar se há anemia/eritrocitose. 2. Olhar VCM → micro, normo ou macrocítico. 3. Avaliar HCM/CHCM → cromia. 4. Avaliar RDW → homogeneidade do tamanho. 5. Conferir reticulócitos → resposta medular. 6. Avaliar esfregaço → forma, coloração e inclusões. 7. Correlacionar com história clínica e outros exames. Hematologia Laboratorial • Unidade 1 47/53 Caso clínico 1 – anemia microcítica Paciente apresenta Hb reduzida, VCM