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NÃO NUMERAR AS PÁGINAS http://ensaios.usf.edu.br O PAPEL DA ENFERMAGEM NO ACOLHIMENTO NO PRONTO-SOCORRO EM PACIENTES QUE TENTARAM SUICÍDIO THE ROLE OF NURSING IN WELCOME IN THE ER IN PATIENTS WHO ATTEMPTED SUICIDE GARCIA, João Francisco de Melo1; STABOLI, Julia Hernandes1; BERTOLINI, Grazielle Cristina dos Santos2 1Graduandos do Curso de Enfermagem - Universidade São Francisco; 2Professora do Curso de Enfermagem - Universidade São Francisco. joaofran339@gmail.com RESUMO. O pronto-socorro é uma unidade destinada à assistência a pacientes com ou sem risco de morte, cujos agravos à saúde inspiram a necessidade de atendimento imediato, a enfermagem que atua no pronto socorro deve estar preparada para acolher à todas as demandas, sobretudo as da saúde mental que envolve a maior emergência psiquiátrica que é o suicídio. O trabalho em questão objetiva avaliar a percepção do profissional de enfermagem frente a assistência ao paciente suicida. Para atingir o objetivo realizaremos uma estudo de campo transversal de natureza qualiquantitativa com enfermeiros e técnicos de enfermagem atuantes no Pronto Socorro do Hospital Universitário São Francisco na Cidade de Bragança Paulista - SP. Espera-se com a realização desse trabalho: Conhecer o perfil da enfermagem que atua na urgência e emergência do campo de pesquisa; Identificar os conceitos dos profissionais de enfermagem em relação à saúde mental e suicídio; Apontar as dificuldades dos profissionais para abordagem e Reconhecer ações que podem ser propostas para qualificar o acolhimento da enfermagem junto ao paciente que tentou suicídio. Palavras-chave: Suicídio; Pronto-Socorro; Acolhimento; Enfermagem ABSTRACT. The emergency room is a unit intended for the care of patients with or without risk of death, whose health problems inspire the need for immediate care, the nursing that works in the emergency room must be prepared to meet all demands, especially those of the mental health that involves the biggest psychiatric emergency which is suicide. The work in question aims to evaluate the perception of the nursing professional regarding the assistance to the suicidal patient. To achieve the objective, we will carry out a cross-sectional field study of a qualitative and quantitative nature with nurses and nursing technicians working in the Emergency Room of Hospital Universitário São Francisco in the city of Bragança Paulista - SP. It is expected with the accomplishment of this work: To know the profile of the nursing that works in the urgency and emergency of the research field; Identify the concepts of nursing professionals in relation to mental health and suicide; Point out the difficulties of professionals to approach and NÃO NUMERAR AS PÁGINAS http://ensaios.usf.edu.br Recognize actions that can be proposed to qualify the reception of nursing with the patient who has attempted suicide. Keywords: Suicide; Emergency Room; Reception; Nursing INTRODUÇÃO O pronto-socorro é uma unidade destinada à assistência a pacientes com ou sem risco de morte, cujos agravos à saúde inspiram a necessidade de atendimento imediato. Sua estrutura deve estar adequada para prestar assistência em situações de urgência, aos casos que necessitam de atendimento rápido. Devem funcionar 24 horas por dia, realizando triagem classificatória de risco, prestando atendimento resolutivo aos pacientes acometidos por quadros agudos ou crônicos agudizados (OLIVEIRA, 2020). De acordo com Oliveira (2020), a grande demanda dos serviços de saúde de urgência e emergência acaba prejudicando o acolhimento e a humanização durante o atendimento. Muitas vezes, existe a sobrecarga dos profissionais de enfermagem e com isso, o atendimento é prestado de forma julgadora ou sem sensibilização a frente do quadro do paciente. Na maioria dos prontos-socorros, é utilizado o acolhimento e classificação de risco, que consiste em um processo dinâmico de identificação de pacientes que necessitam de tratamento imediato, de acordo com a gravidade clínica do seu caso. O profissional indicado a realizar a classificação é o enfermeiro, avaliando o estado clínico de cada paciente, escutando suas queixas, medos e expectativas, identificando riscos e vulnerabilidades para apresentar o melhor tratamento e atendimento individualmente. (OLIVEIRA, 2020) Deve acolher também a avaliação do próprio usuário e se responsabilizar para dar uma resposta adequada ao problema, conjugando as necessidades imediatas dos usuários com as ofertas do serviço. Portanto, o sucesso no atendimento oferecido depende tanto da qualidade técnica com que ele é realizado quanto da qualidade das interações entre os sujeitos que o fazem, no caso o profissional e o usuário (OLIVEIRA, 2020). O suicídio é um tipo de violência que acomete todas as faixas etárias, incluindo adolescentes e jovens, sendo classificado como violência autoprovocada, intencionalmente, no NÃO NUMERAR AS PÁGINAS http://ensaios.usf.edu.br sentido de o indivíduo terminar com sua própria vida, sendo considerado um problema de saúde pública, em todo o mundo. Já a tentativa de suicídio diferencia-se pelo desfecho, que não ocasiona a morte após a tentativa. (SILVA, 2020) No período de 2011 a 2016, foram notificados no Sinan 48.204 casos de tentativa de suicídio, sendo 33.269 (69,0%) em mulheres e 14.931 (31,0%) em homens. A ocorrência de lesão autoprovocada se concentrou nas faixas etárias de 10 a 39 anos. (SINAN, 2017). A Política Nacional de Atenção a Urgência visa garantir a universalidade, equidade e integralidade no atendimento às urgências. Assim, o acolhimento à pessoa que tentou suicídio, bem como a suas famílias, deve se basear na integralidade das ações de cuidado, atenção e solidariedade, bem como no respeito ao exercício pleno de sua cidadania (MINISTÉRIO DA SAUDE, 2006). A tentativa de suicídio está presente na rotina do serviço de emergência de todo o mundo e o profissional de enfermagem costuma ser o primeiro contato do paciente com o sistema de saúde, após o episódio. A avaliação e gestão adequadas desses pacientes são fundamentais para prevenir futuros comportamentos suicidas. A abordagem à pessoa com transtorno mental em situação de emergência e, em especial, que tentou suicídio, deve ser realizada com disposição, segurança, prontidão e qualidade, já que esse comportamento é fator determinante na aceitação e adesão pela pessoa ao cuidado. Porém, os profissionais frequentemente têm uma atitude negativa perante esses pacientes, com falta de habilidades interpessoais para atendê-los e, ainda, por avaliação inadequada (FONTÃO, 2017). Segundo Burigo (2015), a equipe de enfermagem deve ser sensibilizada para uma assistência humanizada e especializada para pacientes que realizaram a auto-lesão, sendo que os mesmos apresentam uma pré-disposição e vulnerabilidade aumentada para uma nova tentativa, porém, muitos enfermeiros agem como se não se preocupassem com seus medos e preocupações. Muitos são os motivos desta atitude, que envolvem despreparo para o tipo de abordagem, sobrecarga de trabalho e ausência de um protocolo. Por isso, existe a necessidade de abordagens educativas explícitas sobre a temática durante a graduação de modo a estimular o desenvolvimento de competências e habilidades específicas para atendimento à vítima (CARBOGIN, 2019). NÃO NUMERAR AS PÁGINAS http://ensaios.usf.edu.br Não cabe ao profissional julgar quais foram os motivos que levaram a pessoa a querer cessar a própria vida e, sim, entender o que está acontecendo para que possa ser prestado um atendimento de forma idônea sem pré-julgamentos, mostrar-se interessado no que está acontecendo e realizar encaminhamento ao atendimento especializado. Um profissional bem preparado para lidarcom a saúde mental é de suma importância e o acolhimento é essencial para que novas tentativas de suicídio possam ser evitadas (BURIGO, 2015). O atendimento humanizado ao paciente em tentativa de suicídio, profissionais capacitados e comprometidos são a base para uma boa assistência, visto que esses pacientes são extremamente frágeis e vulneráveis a outras tentativas e até ao suicídio como desfecho final (CARBOGIN, 2019). Ao atender um paciente suicida, o enfermeiro pode distinguir seus sentimentos e auxilia- lo de uma forma única e humana, para que ele não se sinta incompreendido e sozinho. Assim com a atitude empática, será possível apagar no enfermeiro a caráter moralista, julgador e preconceituoso, permitindo a assistência mais humanizada (BURIGO, 2015). O profissional de enfermagem deve saber lidar com o paciente o mais empaticamente possível, para que este possa revelar ao profissional o que se passa no seu cotidiano, seus sentimentos, problemas e medo, proporcionando confiança entre enfermeiro-paciente e um atendimento eficaz (BURIGO, 2015). Como objetivo avaliar a percepção do profissional de enfermagem frente a assistência ao paciente suicida. METODOLOGIA Trata-se de estudo transversal descritivo de natureza qualiquantitativo que visa identificar a percepção, conhecimento e dificuldades da equipe de enfermagem no atendimento a pacientes que tentaram suicídio. O estudo foi realizado no Hospital Universitário São Francisco de Bragança Paulista – SP. foram entrevistados enfermeiros e técnicos no período de Julho /Agosto de 2022. A amostra corresponde a equipe de enfermagem atuante no hospital, sendo o total de 6 enfermeiros e 12 técnicos de enfermagem. A população inclusa será de maiores de 18 anos, técnicos de enfermagem e enfermeiros e que aceitem participar da pesquisa. NÃO NUMERAR AS PÁGINAS http://ensaios.usf.edu.br Será excluída a população que não se enquadra no perfil acima descrito maiores de 18 anos e que não aceitem participar da pesquisa. Para coleta será elaborado um questionário de perguntas desenvolvidas especificamente para a população estudada. RESULTADOS E DISCUSSÃO A adequada capacitação dos profissionais que atuam em casos de tentativa de suicídio no pronto-socorro é de extrema importância e requer uma abordagem qualificada e humanizada dos casos, bem como o encaminhamento adequado à rede de saúde mental como forma de evitar recorrências. Para exemplificar e compreender os resultados foram construídas tabelas de acordo com a população estudada. A tabela 1 descreve a amostra estudada, no total 6 enfermeiros e 12 técnicos de enfermagem que atuam no pronto socorro da unidade. Tabela 1: Distribuição de gênero, idade e função. Bragança Paulista, 2022 (N=18) Sexo Nº % Feminino 16 88,9 Masculino 2 11,1 Idade (Anos) Nº % 18 a 25 6 33,3 26 a 33 8 44,4 34 a 41 0 42 a 50 2 11,1 50 ou mais 2 11.1 Qual a sua função? Nº % Enfermeiro 6 33.3 Técnico de enfermagem 12 66.7 Fonte: os autores. Na amostra foram entrevistados no total de 18 profissionais, sendo 16 (88,9%) do sexo feminino, 2 (11,1%) do sexo masculino, sendo possível compreender que o sexo feminino é predominante no setor. A faixa etária com maior predominância foi de 40 anos, e a menor foi de 50 anos. Podendo-se perceber que os profissionais que atuam nesse pronto socorro possuem nível acadêmico superior em menor quantidade. NÃO NUMERAR AS PÁGINAS http://ensaios.usf.edu.br A função do trabalho da enfermagem é cuidar do paciente, do familiar e da nossa comunidade, e durante sua atuação todas as dimensões do cuidado podem ser desenvolvidas: assistencial, gerencial, educacional e de pesquisa. Para o bom funcionamento de muitas dimensões do cuidado, ou seja, o cuidado com o ambiente, com os profissionais, para o cuidado humanizado, ético, integral e de qualidade, cabe ao enfermeiro organizar e realizar esse processo de trabalho (PAIZ, et. al., 2021). Tabela 2: Distribuição por experiencia em serviço de saúde mental. Bragança Paulista, 2022 (N=18) Já trabalhou em Serviço de saúde mental? Nº % Sim 16 88,9 Não 2 11,1 Fonte: os autores. Dentro desta categoria pode ser observado que, 88,9% dos profissionais entrevistados já atuaram na área de saúde mental e que este fato pode ser uma chave para um bom atendimento ao paciente em crise. O profissional que atua em serviço de urgência e emergência é o contato inicial do paciente com o sistema de saúde após uma tentativa de suicídio ou episódio de autolesão (FONTÃO et al., 2018). O enfermeiro deve estar capacitado e preparado para reconhecer os sinais que um paciente possa ser suicida, como falas e ações que indicam uma possível nova tentativa de autolesão. O paciente deve ser abordado de forma clara e cuidadosa, mantendo a calma, a empatia e livrando-se de atitudes de julgamento, assim como está descrito no Código de Ética dos profissionais de Enfermagem nos Deveres: Art. 41. Prestar assistência de Enfermagem sem discriminação de qualquer natureza (COFEN, 2017). O enfermeiro que atua neste setor precisa ter conhecimento técnico cientifico para tomar decisões com eficácia e compaixão em todas as situações, passando segurança para toda a equipe e, mais importante, reduzindo os riscos que o paciente, o papel do enfermeiro é NÃO NUMERAR AS PÁGINAS http://ensaios.usf.edu.br extremamente essencial para a organização e coordenação do fluxo de cuidado, pois ele é apontado como articulador e gestor dos serviços (PAIZ, et. al., 2021). A tabela 3 elucida a importância da capacitação da equipe atuante na porta de entrada do serviço de saúde. Tabela 3: Distribuição por treinamento/capacitação e protocolo institucional no serviço de saúde mental. Bragança Paulista, 2022 (N=18) Recebeu algum treinamento ou capacitação para atuar em emergência psiquiátrica? Nº % Sim 1583,3 Não 3 16,7 Existe algum protocolo na instituição para o atendimento urgência pós tentativa de suicídio? Nº % Sim 13 72,2 Não 5 28,8 Você acredita que a realização de treinamentos auxilia no atendimento as emergências psiquiátricas? Nº % Sim 18 100 Não Fonte: os autores. De acordo com a tabela 3, um total de 83,3% dos entrevistados teve treinamento prévio de como atender o paciente em tentativa de suicídio. Entretanto de acordo com 72,2% dos entrevistados, existe um protocolo ativo para o atendimento após a emergência psiquiátrica na instituição de saúde. É de extrema importância que os enfermeiros sejam bem treinados e com isso compreendam os transtornos dos pacientes em emergências psiquiátricas, pois assim podem contribuir para a melhoria das atividades de saúde mental. As intervenções no campo da saúde mental realizadas por enfermeiros devem subsidiar novas possibilidades de adequação e qualificação das condições e modo de vida das pessoas com transtorno mental, pautadas pela criação de vida e saúde e não se limitando ao tratamento de doenças (Ministério Saúde, 2019). O enfermeiro deve estar preparado para atender todos os tipos de usuários e prestar- lhes um suporte humanizado e holístico que amplie as possibilidades e potencialidades do usuário, família, profissionais e comunidade. A enfermagem, como profissão que forma NÃO NUMERAR AS PÁGINAS http://ensaios.usf.edu.br uma equipe de saúde, é convocada nesse novo cenário a ir além das medidas, monitoramento e medicação, que há tantos anos resumem sua participação no processo de cuidado em saúde mental (NUNES et. al., 2020). Ressalta-se que a política de saúde não especifica a formação de enfermeiros para o modelo psicossocial, a política promove a formação de profissionais para atuar no SUS (NUNES et. al., 2020). Tabela 4: Distribuição por terapia e atendimento priorizado e humanizado. Bragança Paulista, 2022 (N=18) Você já realizou acompanhamento psicológico ou Algum tipo de terapia? Nº % Sim 11 61,1 Não 7 38,9 O atendimento à pessoa que tentou suicídio em sua opinião deve ser prioritário acolhedor e humanizado? Nº % Sim 18 100 Não 0 Fonte: os autores. Conforme demostrado na tabela 4, dos 18 profissionais de enfermagem, 61,1% já realizou algum tipo de acompanhamento ou terapia, e de acordo com 100% dos participantes o atendimento ao paciente suicida deve ser prioritário em todos os casos e que este sem dúvidas deve ser de forma humanizada e acolhedora. A prática profissional da enfermagem é caracterizada por muitas demandas: enfrentamento da dor, sofrimento, morte e perda, além de condições adversas de trabalho e baixos salários. Juntos, esses fatores promovem o surgimento do estresse e até mesmo do burnout, termo cunhado para descrever o desgaste físico e psicológico de profissionais engajados no desempenho de suas funções com alto grau de envolvimento emocional (FONTÃO et al., 2018). Essa situação persiste tanto no setor público quanto no privado, o que justifica a realização de estudos, cujos resultados enfatizam a necessidade de maior atenção à saúde dos trabalhadores da saúde (HUMEREZ et al., 2020). NÃO NUMERAR AS PÁGINAS http://ensaios.usf.edu.br Embora o objetivo da enfermagem seja cuidar da vida, o resultado de seu trabalho pode, por vezes, levar a danos irreversíveis que resultam em graves consequências e/ou morte. Cuidar da vida no sofrimento e na morte permite constatar que o trabalho da enfermagem gera sofrimento psíquico e é identificado como um trabalho penoso e insalubre para toda a equipe envolvida (HUMEREZ et al., 2020). Tabela 5: Possível caracterização da motivação ao suicídio, e tratamento humanizado. Bragança Paulista, 2022 (N=18) Você acredita que a pessoa que tenta tirar a própria vida faz isso por: Nº % Falta de deus Falta de amor próprio Depressão e\ou problemas psicológicos 13 72,2 Problemas pessoais variados 5 27,8 Dentro das suas crenças, você acredita que conseguiria oferecer um tratamento humanizado para um indivíduo que tentou tal ato? Nº % Sim 17 94,4 Não 1 5,6 Em sua opinião, tem como prestar um atendimento Humanizado no momento da urgência? Nº % Sim 17 94,4 Não 1 5,6 Fonte: os autores. De acordo com a tabela 5, segundo 13 (72,2%) dos 17 entrevistados os motivos no qual o paciente tenta contra a própria vida são relevantes e podem estar associados a depressão e problemas psicológicos. E 94,4% acham que podem oferecer um tratamento de forma humanizada e holística ao paciente suicida ou com pensamentos suicidas. No entanto, 5,6% neste estudo relataram não se sentirem qualificados por falta de preparo, capacitação e cursos de atualização, principalmente pela falta de apoio dos gestores ou mesmo pela ausência ou falta desse conteúdo em seu ambiente acadêmico formação ou NÃO NUMERAR AS PÁGINAS http://ensaios.usf.edu.br profissional, ou mesmo falta de fluxo de encaminhamento de indivíduos dentro da rede de saúde e dificuldades no encaminhamento de pacientes (FONTÃO et al., 2018). Tabela 6: Possível solução/tratamento ao suicida. Bragança Paulista, 2022 (N=18) Em sua opinião qual a melhor solução a ser seguida? Nº % Oferecer apoio psicológico 18 100 Não ser invasivo Argumentar que buscar deus Pode ajudar Questionar suas motivações Os pacientes de urgências psiquiátricas devem ser tratados de forma diferente dos demais? Nº % Sim 11 38,9 Não 7 61,1 Fonte: os autores. Na tabela 6 os participantes puderam responder quais os possíveis tratamentospara o paciente suicida, no qual 100% responderam que oferecer apoio psicológico seria a melhor solução, já que estes, estão com seus pensamentos abalados. As pessoas nessa condição apresentam fragilidade emocional e cabe à equipe de resgate considerar os aspectos psicológicos do paciente. Deve-se lembrar que o atendimento psicológico e a observação do paciente e sua família é um dos cuidados necessários nessa situação (PAIZ, et. al., 2021). Certos comportamentos como ouvir com atenção, ser empático, transmitir mensagens não verbais de aceitação, expressar respeito pela opinião do paciente, demonstrar interesse e focar nos sentimentos da pessoa são imprescindíveis ao cuidado de enfermagem (PAIZ, et. al., 2021). As intervenções dos enfermeiros para esses pacientes consistiram em ensinar, ouvir, tranquilizar, confrontar, dar conselhos e recomendações, alertar e dar feedback positivo. Para cada paciente, as orientações e o tratamento devem ser individualizados, pois cada paciente é único em sua esfera social (MAINA et al., 2019). NÃO NUMERAR AS PÁGINAS http://ensaios.usf.edu.br O vínculo com os profissionais de saúde deve ser o objetivo do primeiro contato com o paciente que tentou o suicídio (HUMEREZ et al, 2020). Esse vínculo pode garantir confiança e cooperação por parte do paciente que está emocionalmente comprometido. Fornece apoio e incentivo, suprindo assim suas próprias necessidades básicas, aceitação e compreensão, estar disposto e capaz de ouvir a história do indivíduo e responder com empatia e compaixão torna o paciente aberto ao tratamento e às intervenções que serão realizadas. tem um uso melhor além de aliviá-lo de seu sofrimento diário, dando-lhe coragem e esperança de que sua condição possa melhorar (HUMEREZ et al, 2020). Tabela 7: Autoavaliação da Assistência. Bragança Paulista, 2022 (N=18) Cite pontos positivos do atendimento de urgência em pacientes que tentaram suicídio em seu local de Trabalho Participantes % Bom acolhimento da equipe T1,T2,T3,T4,T5,T6, T7,T8,T9, E1,E2 61,1 Equipe bem preparada para situações de emergência E3,E4,T10,T11,T12 27,8 Assistência psicológica e psiquiátrica T13,T14 11,1 Legenda: T = (Técnico de Enfermagem)/ E= (Enfermeiro). Fonte: os autores. De acordo com interpretação dos resultados na tabela 7, os entrevistados foram pontuados em relação aos pontos positivos do atendimento ao paciente suicida no setor aonde atuavam, destes 61,1% compreendem que obtiveram relações positivas no cuidado prestado. No entanto 27,8% dos participantes relataram que a equipe estava preparada para tal feito. Contudo apenas 11,1% da equipe prosseguiu com assistência psicológica durante os casos no qual puderam atender de forma humanizada e qualificada. NÃO NUMERAR AS PÁGINAS http://ensaios.usf.edu.br Esses dados sugerem que fatores como falta de conhecimento sobre suicídio, atitudes negativas em relação ao tema, falta de capacidade de avaliação, falta de recursos humanos e de tempo, falta de apoio e supervisão, bem como falta de orientações para instituições, possibilitam a deficiência de profissionais de saúde ao lidar com pacientes que tentaram contra a vida (GOMES et al., 2020). Tabela 8: Autoavaliação da Assistência. Bragança paulista, 2022 (N=18) Cite pontos negativos do atendimento de urgência em pacientes que tentaram suicídio em seu local de trabalho Participantes % Equipe sem treinamento prévio para lidar com este tipo de situação E1,E2,T1,T2,T3, T4,T5,T7,T8,T9 T10,T11,T12,T13 83,3 Julgamento pré-formado do paciente E3,T14 11,1 Falta de acompanhamento psicológico dos profissionais E4 5,6 Legenda: T = (Técnico de Enfermagem)/ E= (Enfermeiro). Fonte: os autores. De acordo com 83,3% dos participantes, os enfermeiros e toda a equipe necessitam de treinamento em saúde mental, com destaque para enfermeiros recém-contratados de pronto- socorro, onde muitas vezes carecem de experiência e habilidades para lidar com pacientes com autolesão/autolesão e tentativa de suicídio (MAINA et al., 2019). O estudo destaca a necessidade de protocolos institucionais universais para o manejo desses pacientes na equipe de saúde, possibilitando um atendimento mais assertivo e NÃO NUMERAR AS PÁGINAS http://ensaios.usf.edu.br organizado, mas levando em consideração a individualidade de cada paciente (MAINA al., 2019). A condição relevante mostrou que 11,1% já haviam obtido um pré-julgamento em relação ao paciente, indicando que a educação e o treinamento em prevenção ao suicídio facilitam as avaliações dos enfermeiros que são realizadas com maior segurança (BAHIA et al., 2017). Outro ponto do estudo é informar que a educação e o treinamento melhoram a qualidade dos encaminhamentos dos pacientes, proporcionam uma melhor assistência global com resultados significativos na prevenção do suicídio (BAHIA et al., 2017). CONCLUSÃO O objetivo inicial deste trabalho foi avaliar a percepção do profissional de enfermagem diante da assistência ao paciente suicida, e desta forma descrever o papel do enfermeiro e equipe de enfermagem no cuidado de pacientes com autolesão por comportamento suicida em serviços de emergência e emergência. Visto que são responsáveis pelo atendimento de pacientes com autolesão, e que estes precisam ter conhecimento científico e prático, a fim de tomar decisões rápidas e eficazes, medidas pontuais, transferir segurança para toda a equipe e, sobretudo, reduzir riscos que ameacem a vida do paciente. As intervenções de enfermagem são essenciais na identificação dos doentes em risco de suicídio e na sua terapêutica, onde irão intervir positivamente no contexto da ideação suicida. A atuação do enfermeiro inclui classificação de risco, atendimento clínico, atendimento psicológico, atendimento à família, encaminhamento e planejamento de alta, prevenção e capacitação da equipe de enfermagem. Ficou evidente a necessidade de protocolos universais para o atendimento desses pacientes em unidades de urgência e emergência, para melhorar a assistência prestada, com segurança na ação e qualidade do atendimento. Um ponto crucial do estudo foi a capacitação da equipe de enfermagem, os profissionais têm necessidade de receber educação na área desde a formação e aprimorar seus conhecimentos e habilidades por meio da formação continuada no serviço de saúde. NÃO NUMERAR AS PÁGINAS http://ensaios.usf.edu.br O conhecimento das atribuições do enfermeiro, aliado ao estudo da saúde mental e do tema suicídio associado aos protocolos institucionais, pode gerar maior confiança aos profissionais no atendimento ao paciente com comportamento suicida e melhora o reconhecimento do paciente suicida e intervenções que atuam em conjunto para tratar e prevenir novos casos de automutilação. Contudo, foi possível compreender a necessidade de mais estudos com materiais para subsidiar o trabalho dos profissionais de enfermagem, assim como da equipe multiprofissional sobre a temática abordada. REFERÊNCIAS BAHIA, C. A., Avanci, J. Q., & et al. (2017). Lesão autoprovocada em todos os ciclos da vida: perfil das vítimas em serviços de urgência e emergência de capitais do Brasil. Ciênc. saúde coletiva. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/63k5xJZTD5DZ4JKvLcgXbbD/abstract/?lang=pt. Acesso em: 04 out .2022.BURIGO, Evelyn Beatriz Freitas Et Al. 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