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2 UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP INSTITUTO DE CIÊNCIAS E SAÚDE - ICS GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM NOME - RA MÁ FORMAÇÃO DO SISTEMA CARDIACO SÃO JOSÉ DOS CAMPOS 2024 NOME - RA MÁ FORMAÇÃO DO SISTEMA CARDIACO Atividade Prática Supervisionada apresentada para obtenção de créditos na disciplina Prática Clínica no Processo de Cuidar da Saúde da Mulher, Criança e Adolescente do curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Paulista – UNIP. Orientador: Prof.ª MSc. Andreara Almeida Silva; Prof. MSc. William Alves dos Santos SÃO JOSÉ DOS CAMPOS 2024 RESUMO O estudo aborda uma revisão detalhada sobre malformações cardíacas congênitas, destacando a importância do diagnóstico precoce e do manejo clínico adequado em condições como Tetralogia de Fallot, comunicação interatrial (CIA), comunicação interventricular (CIV), persistência do canal arterial (PCA), transposição das grandes artérias (TGA) e aspectos da circulação fetal. Essas malformações, consideradas uma das principais causas de morbidade e mortalidade neonatal, apresentam causas multifatoriais, com influência de fatores genéticos e ambientais. A revisão explora as características clínicas, os impactos hemodinâmicos e as opções terapêuticas disponíveis, com ênfase no papel interdisciplinar dos profissionais de saúde e na assistência integral da enfermagem, que contribui para o suporte emocional, diagnóstico precoce e educação das famílias, promovendo um atendimento humanizado e eficaz. Palavras-chave: malformações cardíacas congênitas, Tetralogia de Fallot ABSTRACT The study addresses a detailed review of congenital heart malformations, highlighting the importance of early diagnosis and appropriate clinical management in conditions such as Tetralogy of Fallot, atrial septal defect (ASD), ventricular septal defect (VSD), patent ductus arteriosus (PDA), transposition of the great arteries (TGA) and aspects of fetal circulation. These malformations, considered one of the main causes of neonatal morbidity and mortality, have multifactorial causes, influenced by genetic and environmental factors. The review explores the clinical characteristics, hemodynamic impacts and available therapeutic options, with an emphasis on the interdisciplinary role of health professionals and comprehensive nursing care, which contributes to emotional support, early diagnosis and education of families, promoting humanized care and effective. Key-words: congenital heart malformations, Tetralogy of Fallot, LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - Comunicação interatrial............................................................................ 5 FIGURA 2 - Átrio direito em comunicação ostium secundum...................................... 5 FIGURA 3 - Átrio direito em comunicação interatrial ostium secundum corrigida com placa de pericárdio bovino............................................................................................ 8 FIGURA 4 - Fechamento percutâneo (CIA)................................................................. 8 FIGURA 5 - Má formação do septo ventricular............................................................ 9 FIGURA 6 - Comparação entre coração sadio e coração com Tetralogia de Fallot.......................................................................................................................... 11 FIGURA 7 - Operação de Blalock-Taussig modificada............................................... 14 FIGURA 8 - Abordagem transventricular e transatrial-transpulmonar para reparo de Tetralogia de Fallot (ToF)........................................................................................... 14 FIGURA 9 - Transposição das grandes artérias......................................................... 18 LISTA DE TABELAS TABELA 1 - Sistematização da Assistência de Enfermagem..................................... 26 LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS CIA: Comunicação Interatrial CIV: Comunicação Interventricular ECG: Eletrocardiograma MS: Ministério da Saúde OMS: Organização Mundial da Saúde PAS: Pressão Arterial Sistólica PCA: Persistência do Canal Arterial TAG: Transposição de Grandes Artérias TCGA: Transposição Corrigida de Grandes Artérias TAP: Plastia Transanular TF: Tetralogia de Fallot TGV: Transposição de Grandes Veias OVSVE: Obstrução da Via de Saída do Ventrículo Esquerdo VE: Ventrículo Esquerdo VD: Ventrículo Direito SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 1 2. OBJETIVOS 2 2.1. Objetivo Geral 2 2.2. Objetivo Específico 2 3. DESENVOLVIMENTO 3 3.1. Persistência do Canal Atrial (PCA) 3 3.1.1. Definição/classificação 3 3.1.2. Fisiopatologia 3 3.1.3. Manifestações clínicas (sinais/sintomas) 3 3.1.4. Diagnóstico 4 3.1.5. Tratamento 4 3.2. Comunicação Intratrial (CIA) 4 3.2.1. Definição/classificação 4 3.2.2. Fisiopatologia 5 3.2.3. Manifestações clínicas (sinais/sintomas) 6 3.2.4. Diagnóstico 7 3.2.5. Tratamento 7 3.3. Comunicação Interventricular (CIV) 8 3.3.1. Definição/classificação 8 3.3.2. Fisiopatologia 9 3.3.3. Manifestações clínicas (sinais/sintomas) 9 3.3.4. Diagnóstico 10 3.3.5. Tratamento 10 3.4. Tetralogia de Fallot 10 3.4.1. Definição/classificação 10 3.4.2. Fisiopatologia 11 3.4.3. Diagnóstico 12 3.4.4. Tratamento 13 3.5. Transposição das Grandes Arterias 16 3.5.1. Definição/classificação 16 3.5.2. Fisiopatologia 16 3.5.3. Manifestações clínicas (sinais/sintomas) 18 3.5.4. Diagnóstico 19 3.5.5. Tratamento 19 3.6. Circulação Fetal 20 3.6.1. Definição/classificação 20 3.6.2. Fisiopatologia 21 3.6.3. Manifestações clínicas (sinais/sintomas) 22 3.6.4. Diagnóstico 23 3.6.5. Tratamento 23 3.7. Estudo de Caso: Tetralogia de Fallot 25 4. CONCLUSÃO 29 5. REFERÊNCIAS 30 1. INTRODUÇÃO As malformações cardíacas congênitas são anomalias estruturais do coração ou dos grandes vasos que se desenvolvem durante a embriogênese, representando uma das principais causas de morbidade e mortalidade neonatal. Essas malformações afetam aproximadamente 1% dos nascidos vivos, sendo uma das anomalias congênitas mais comuns. O avanço nas técnicas de diagnóstico e tratamento ao longo das últimas décadas, tanto em termos de intervenções cirúrgicas quanto em suporte clínico, tem melhorado significativamente a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes afetados. (SILVA, J P). O sistema cardiovascular, por ser o primeiro a se desenvolver no embrião, é altamente suscetível a influências genéticas e ambientais durante as primeiras semanas de gestação. As causas das malformações cardíacas podem ser multifatoriais, envolvendo interações complexas entre fatores genéticos, mutações específicas, e influências ambientais como infecções, consumo de medicamentos ou substâncias tóxicas durante a gravidez. Entre as malformações mais conhecidas estão a Tetralogia de Fallot, a Transposição das Grandes Artérias e os Defeitos do Septo Ventricular, todas com graus variados de severidade e consequências clínicas (ATIK, E.). Essas anomalias podem ser identificadas ainda durante a vida intrauterina, por meio de exames como o ecocardiograma fetal, permitindo um planejamento adequado do tratamento logo após o nascimento. No entanto, em muitos casos, as malformações só são diagnosticadas tardiamente, quando os sinais clínicos se tornam mais evidentes, o que pode atrasar o início das intervenções necessárias. Diante da relevância clínica dessas condições, a identificação precoce e o manejo adequado das malformações cardíacas são essenciais para garantir um prognóstico favorável. 2. OBJETIVOS 2.1. Objetivo Geral Realizar levantamento bibliográfico sobre Persistência do Canal Atrial, Comunicação Intratrial, Comunicação Interventricular, Tetralogia de Fallot, Transposição das Grandes Arterias e Circulação Fetal, afim de analisar as principais malformações cardíacas em recém-nascidos, com foco em suas características clínicas, implicações hemodinâmicas e abordagens terapêuticas, visando compreender os desafios e avanços no diagnóstico e tratamento dessas condições na práticaneonatal. 2.2. Objetivo Específico Elaborar estudos de casos sobre Tetralogia de Fallot, e desenvolver a Sistematização da Assistência de Enfermagem, determinando os Diagnósticos de Enfermagem e Prescrições de Enfermagem. Este estudo busca identificar e analisar as características clínicas, os impactos hemodinâmicos e as principais estratégias de tratamento das malformações cardíacas em recém-nascidos. A análise se concentra nas seguintes condições específicas: Tetralogia de Fallot, através da revisão da literatura, pretende-se reunir informações detalhadas sobre essa malformação, discutindo suas particularidades e relevância para o diagnóstico e intervenção precoce na prática clínica neonatal. 3. DESENVOLVIMENTO 3.1. Persistência do Canal Atrial (PCA) 3.1.1. Definição/classificação A persistência do canal arterial (PCA) é uma anomalia congênita que ocorre quando o canal arterial, que normalmente se fecha após o nascimento, permanece aberto. Durante o desenvolvimento fetal, o canal arterial conecta a artéria pulmonar à aorta, permitindo que o sangue contorne os pulmões não funcionais. Após o nascimento, a resistência vascular pulmonar diminui e o canal arterial deve se fechar para garantir um fluxo sanguíneo adequado (DAMASCENO, et al). Na PCA, o canal arterial não se fecha, resultando em um shunt esquerda-direita contínuo. Esse shunt permite que o sangue oxigenado da aorta flua de volta para a artéria pulmonar, aumentando o fluxo sanguíneo pulmonar e sobrecarregando o coração esquerdo. Isso pode levar a várias consequências fisiológicas, incluindo hipertensão pulmonar, congestão vascular pulmonar, dilatação e hipertrofia do ventrículo esquerdo, e insuficiência cardíaca congestiva. 3.1.2. Fisiopatologia A fisiopatologia da PCA envolve a interação entre a resistência vascular pulmonar e a pressão arterial sistêmica. A resistência vascular pulmonar normalmente diminui após o nascimento, mas na PCA, essa diminuição é insuficiente para fechar o canal arterial. Além disso, a pressão arterial sistêmica pode influenciar a magnitude do shunt esquerda-direita, com pressões mais altas aumentando o fluxo sanguíneo para os pulmões (RIBEIRO, et al). 3.1.3. Manifestações clínicas (sinais/sintomas) Os sinais e sintomas da PCA podem variar dependendo da gravidade da condição e da idade gestacional do recém-nascido. Os sintomas mais comuns incluem um sopro cardíaco contínuo, taquicardia (aumento da frequência cardíaca), precórdio hiperdinâmico (aumento do movimento do peito), aumento da amplitude do pulso e dificuldade respiratória. Em casos mais graves, pode haver cansaço excessivo, baixo ganho de peso e infecções respiratórias recorrentes (MIYAGUE) 3.1.4. Diagnóstico O diagnóstico da PCA é geralmente feito através de uma combinação de exames clínicos e técnicas de imagem. A ecocardiografia é o método diagnóstico de escolha devido à sua capacidade de visualizar diretamente o canal e avaliar a hemodinâmica. Adicionalmente, radiografias de tórax e exames de sangue podem ser utilizados para avaliar a extensão do impacto da PCA nos pulmões e no coração (MIYAGUE, 2005). 3.1.5. Tratamento O tratamento da PCA pode variar dependendo da gravidade da condição e da idade gestacional do recém-nascido. As abordagens incluem tanto tratamentos farmacológicos quanto intervenções cirúrgicas. No tratamento farmacológico os inibidores da ciclo-oxigenase, como a indometacina, são frequentemente usados para promover o fechamento do canal arterial em recém-nascidos prematuros. Esses medicamentos ajudam a reduzir a produção de prostaglandinas, que são responsáveis pela manutenção do canal arterial aberto. O ibuprofeno também é usado no tratamento dessa condição, apresentando eficácia semelhante à da indometacina No entanto, seu uso pode estar associado a um risco aumentado de desenvolvimento de hipertensão pulmonar e doença pulmonar crónica (MIYAGUE). Quando o tratamento farmacológico não é eficaz ou não é indicado, a cirurgia pode ser necessária. O fechamento transcateter e a ligadura cirúrgica do canal arterial são opções comuns para corrigir a PCA. Esses procedimentos visam interromper o fluxo sanguíneo anormal entre a aorta e a artéria pulmonar, restaurando a circulação normal (LOCALI et al.). 3.2. Comunicação Intratrial (CIA) 3.2.1. Definição/classificação A Comunicação Interatrial (CIA) é um defeito cardíaco congênito caracterizado por uma abertura no septo atrial, a parede que separa os dois átrios do coração. Esta abertura permite que o sangue flua entre os átrios esquerdo e direito, o que pode levar a complicações cardíacas se não tratado. A origem da Comunicação Interatrial pode ser atribuída a diversos fatores como fatores genéticos que podem desempenhar um papel na ocorrência da CIA. Indivíduos com histórico familiar de anomalias cardíacas congênitas têm um maior risco de ter descendentes com CIA; Condições durante a gravidez como exposição a certas substâncias ou condições durante a gravidez, como medicamentos, drogas, infecções ou exposição a radiações, pode aumentar o risco de o feto desenvolver uma CIA (MESQUITA, et al). Figura 1 – Comunicação interatrial Fonte: Google Imagens, 2014. Figura 2 – Átrio direito em comunicação ostium secundum Fonte: Google Imagens, 2020. Esse tipo de má formação corresponde cerca de 10% das cardiopatias congênitas, e desse, o maior acometimento ocorre entre o sexo feminino em relação ao sexo masculino, podendo ser relacionado de 2 para 1 (Porter, 2008). 3.2.2. Fisiopatologia A CIA é classificada em diferentes tipos, com base na sua localização e características anatômicas: · CIA tipo Ostium Secundum, causa mais comum de CIA e ocorre na região central do septo atrial. Geralmente, é uma abertura que não se fechou corretamente após o nascimento; · CIA tipo Ostium Primum, localizado na região inferior do septo atrial, próximo às válvulas cardíacas, este tipo de CIA está frequentemente associado a outras condições cardíacas; · CIA tipo Seno Venoso: Este tipo de CIA ocorre na região superior do septo atrial, próximo à entrada das veias pulmonares. Pode estar associado a irregularidades nas veias pulmonares. (Veloso, 2011). 3.2.3. Manifestações clínicas (sinais/sintomas) Os sintomas associados à CIA podem variar amplamente, dependendo do tamanho da abertura e da quantidade de sangue que passa por ela. Os indivíduos assintomáticos, especialmente aqueles com aberturas menores, podem não apresentar sintomas claros. Em muitos casos, a condição é descoberta durante uma consulta médica de rotina ou quando um médico identifica um sopro no coração do paciente. Entre outros sintomas pode o indivíduo pode apresentar: · Fadiga: devido ao fluxo sanguíneo anormal, o coração pode ter que trabalhar mais, levando a uma sensação de cansaço ou fadiga, mesmo após atividades leves; · Falta de ar: especialmente durante atividades físicas. Isso ocorre porque o sangue extra no lado direito do coração pode sobrecarregar os pulmões; · Infecções respiratória, frequentes: principalmente em crianças; · Palpitações ou batimentos cardíacos irregulares: devido ao fluxo sanguíneo anormal; · Inchaço em casos mais graves: o excesso de sangue pode levar ao inchaço das pernas, tornozelos e pés; · Cianose: em situações raras, quando a CIA é associada a outras condições cardíacas, pode haver uma coloração azulada da pele e dos lábios. Isso ocorre devido à baixa oxigenação do sangue; · Acidente vascular cerebral (AVC): há um risco, ainda que pequeno, de AVC em pessoas com CIA, especialmente se pequenos coágulos de sangue passarem pela abertura e chegarem ao cérebro; · Sopro cardíaco: é um dos sinais mais comuns de CIA é um sopro cardíaco, que é um som anormal ouvido durante a auscultação. O sopro é causado pelo fluxo sanguíneo turbulento através da abertura entre os átrios. (GAIA, DIEGO 2019) 3.2.4. Diagnóstico O diagnóstico da CIA é fundamental para determinar a presença e a extensão da condição. Ele é realizado por meio de uma combinação de exames clínicos e de imagem. Se a CIA nãofor devidamente tratada, ela pode acarretar diversas complicações. O excesso de fluxo sanguíneo pode sobrecarregar o coração, resultando em um aumento do seu lado direito. Além disso, esse fluxo adicional direcionado aos pulmões pode elevar a pressão nas artérias pulmonares, levando à hipertensão pulmonar. Seu diagnóstico pode ser detectado a partir de exames clínicos, já que a maioria das crianças não apresentam sinais e sintomas. A ausculta cardíaca é possível identificar presença de desdobramento fixo da segunda bulha cardíaca, dessa forma, portadores de CIA irão apresentar seus sintomas na adolescência e no início da idade adulta. A presença de sinais tardios não é incomum, já que ela ocorre de forma lenta e cerca de 80% dos portadores são assintomáticos (LOPES e MESQUITA 2014) 3.2.5. Tratamento A condição também pode desencadear arritmias, manifestando ritmos cardíacos irregulares, como a fibrilação atrial. Em situações mais raras, a presença de pequenos coágulos sanguíneos pode atravessar a abertura da CIA e se deslocar até o cérebro, aumentando o risco de um acidente vascular cerebral (AVC). A longo prazo, há o risco de evolução para insuficiência cardíaca, comprometendo a capacidade do coração de bombear sangue de forma eficaz. (GAIA, DIEGO 2019) A correção da CIA pode ser feita por meios cirúrgicos ou hemodinâmicos, a depender dos sintomas apresentados, pois nem todos que os apresentam são elegíveis para cirurgia, no entanto, aqueles elegíveis a correção cirúrgica devem apresentar alguns sinais determinantes para tal, como anatomia favorável, SpO2 > 95% em repouso, fluxo sanguíneo pulmonar /sistêmico elevado, PASAssim, à medida que a obstrução do fluxo pulmonar se torna mais grave, o sopro torna-se mais suave. O B2 é normalmente único, devido à acentuada redução do componente pulmonar. Pode haver impulso ventricular direito proeminente e frêmito sistólico (BEERMAN). 3.4.3. Diagnóstico Embora apresente características muito peculiares, a TF precisa de um olhar diferenciado em relação aos resultados de exame físico, radiológico e de eletrocardiograma, pois algumas cardiopatias também evoluem para um quadro cianótico e crises de hipóxia. Algumas cardiopatias cianóticas devem ser consideradas nesse contexto, como: atresia da valva tricúspide, transposição de grande artéria associada à estenose pulmonar e comunicação interventricular. (EBAID, M; AZEKA, E). A TF é uma cardiopatia cianogênica que requer diagnóstico rápido e preciso após a apresentação de sintomas em recém-nascidos. Exames laboratoriais revelam aumento de hematócrito, hemoglobina e contagem de hemácias, sendo mais pronunciados em bebês mais velhos. A radiografia pode mostrar um coração de tamanho normal, mas com aparência semelhante a uma bota devido à hipertrofia do ventrículo direito, além de possíveis alterações como dextrocardia e distensão das artérias pulmonares. (EBAID, M; AZEKA, E). O eletrocardiograma (ECG) pode identificar arritmias e sobrecarga nas câmaras cardíacas, mostrando desvio do eixo QRS para a direita e hipertrofia do ventrículo direito, com ondas R predominantes em V4R e V1. O ecocardiograma é crucial para visualizar a morfologia da TF, localizando a comunicação interventricular, avaliando o tamanho da artéria pulmonar e identificando outras cardiopatias associadas. (EBAID, M; AZEKA, E). O diagnóstico diferencial da TF envolve anamnese e exames complementares para identificar anomalias associadas, como outras cardiopatias congênitas ou deficiências cromossômicas, especialmente a Síndrome de Down, que tem uma prevalência de 40 a 60% de anomalias cardíacas. Estudos indicam que 75,40% das crianças com trissomia 21 apresentam múltiplas malformações cardíacas. (EBAID, M; AZEKA, E). Uma malformação relevante associada à TF é a ausência de uma das artérias pulmonares, que pode ocorrer isoladamente ou em conjunto com outras anomalias, como defeito do septo atrioventricular e agenesia da valva pulmonar. A gravidade da cianose na TF está relacionada ao desalinhamento do septo infundibular e à obstrução do ventrículo direito. Em casos de crises de hipóxia no período neonatal até os 6 meses, a cirurgia em dois tempos é recomendada (EBAID, M; AZEKA, E). 3.4.4. Tratamento A partir da década de 90 a correção da TF passou a ser realizada em pacientes acianóticos, apresentando uma saturação de oxigênio normal mesmo que com shunt de sangue do lado arterial ao venoso. Técnicas mais avançadas permitiram que a circulação extracorpórea e da proteção miocárdica e cuidados mais adequados no pós-operatório imediato, tornou a correção possível em neonatos, não precisando aguardar que os primeiros meses de vida fossem completados, tornando possível a indicação eletiva (STELLIN G; REDDY VM). A correção precoce apresenta um leque de benéficos considerável, pois com uma intervenção rápida e eficaz, evita-se quadros de hipoxemia progressiva e crises hipoxêmicas, o que podem resultar em óbito, mesmo quando a correção acontece de forma tardia e com o procedimento realizado de forma correta (HENNEIN HA). Em um estudo de Stellin realizado em 1995, 171 lactantes tinham TF corrigida. No Brasil, na mesma época, um levantamento realizado pelo INCOR entre 1994 e 1996, foram identificados 156 portadores de TF operados, desses, cerca de 120 foram submetidos a técnica corretiva e 30 através da técnica modificada de Blalock-Taussig com tubo de Gore-Tex. Totalizando 17% das cirurgias cardíacas pediátricas realizadas. A técnica modificada de Blalock-Taussig com tubo de Gore-Tex é um procedimento cirúrgico paliativo, a técnica consiste em aumentar o fluxo sanguíneo para os pulmões afim de melhorar a oxigenação do sangue. A técnica de Blalock-Taussing é a cirurgia definitiva de cardiopatia congênita. A técnica foi desenvolvida em 1940, e envolve a conexão da artéria subclávia com a artéria pulmonar, e com os avanços tecnológicos, foi implementado o uso do material sintético, o tubo Gore-Tex. O tubo trouxe ao procedimento uma maior durabilidade e biocompatibilidade com o organismo, além de possibilitar o controle do diâmetro do fluxo sanguíneo, permitindo que o sangue corra de forma adequada conforme as condições do portador da TF (BACKER, CL). Figura 7 – Operação de Blalock-Taussig modificada Fonte: Google Imagens, 2002. Figura 8 – Abordagem transventricular e transatrial-transpulmonar para reparo de Tetralogia de Fallot (ToF) Fonte: Google Imagens, 2017. O reparo precoce da TF pode ajudar a reduzir a pressão sobre o ventrículo direito e melhorar a oxigenação, preservando a função cardiovascular e cerebral (NAKASHIMA K). No entanto, não há consenso claro sobre o que é considerado reparo "precoce" ou "tardio". O reparo neonatal (antes de 1 mês de vida) é possível, mas não amplamente adotado, já que o reparo não neonatal tende a ter melhores resultados de curto prazo (LOOMBA RS). O reparo neonatal também costuma exigir frequentemente uma plastia transanular (TAP), o que pode piorar a sobrevida sem eventos. A maioria dos reparos pode ser adiada até os 3 a 6 meses de idade, com excelentes resultados (ARENZ C). Pacientes sintomáticos com TF podem precisar de intervenção ainda no período neonatal. Caso o reparo primário não seja a melhor opção, diferentes abordagens podem ser adotadas. Historicamente, o uso de um shunt sistêmico-pulmonar, como o shunt Blalock-Taussig modificado (mBT), tem sido empregado para aumentar o fluxo sanguíneo pulmonar, reduzir a hipoxemia e permitir o crescimento das artérias pulmonares, postergando o reparo definitivo para uma idade mais avançada. Essa estratégia pode evitar o uso da TAP, ou torná-la menos extensa. No entanto, procedimentos paliativos com shunt apresentam uma taxa de mortalidade precoce de 3% a 5%. Não há evidências claras de que a abordagem em etapas seja superior ao reparo neonatal primário (LENKO E). Ao abordar a questão da sobrevivência de pacientes com TF corrigida e as reintervenções associadas, é importante destacar tanto os avanços no cuidado a longo prazo quanto as frequentes reoperações necessárias nesses pacientes. A sobrevivência até a idade adulta é atualmente esperada após o reparo da TF levando a uma população crescente de adultos com TF corrigido que necessitam de cuidados médicos especializados ao longo da vida (CEDARS A). As reintervenções são comuns nesses pacientes. Cuypers et al. descobriram que 44% dos pacientes foram submetidos a pelo menos uma reintervenção cirúrgica ou por cateter após 35 anos de acompanhamento (CUYPERS JÁ), D'Udekem et al. descobriram que 24 ± 5% dos pacientes foram submetidos a reoperação após 30 anos de acompanhamento. Após o reparo transpulmonar transatrial, taxas mais baixas de reintervenções foram relatadas, Luijten et al. encontraram 80% de liberdade de reintervenção e morte após 10 anos e D'Udekem et al. encontraram 75% de liberdade de reoperação após 25 anos. O uso de um TAP está associado a uma taxa maior de reintervenção (LUIJTEN LWG). 3.5. Transposição das Grandes Arterias 3.5.1. Definição/classificação A Transposição das Grandes Artérias (TGA) pode ser uma anomalia cardíaca isolada ou pode estar associada a outras alterações cardíacas, como defeitos do septo interventricular (50% dos doentes), obstrução do trato de saída do ventrículo esquerdo (25% dos doentes), anomalias da valva mitral e tricúspide e variações das artérias coronárias. Em 10% dos casos, está associada com malformações não cardíaca (OLIVEIRA, et al) As cardiopatias congênitas apresentam prevalência de 3,7 a 8/1.000 nascidos vivos 4,8/1.000 na América Latina (PIRES), 5% a 7% dos quais apresentam transposição dos grandes vasos, definida anatomicamente por concordância atrioventricular e discordância ventriculoarterial.A transposição dos grandes vasos é a principal causa de cardiopatia cianótica presente no período neonatal. A transposição das grandes artérias é caracterizada por uma cardiopatia cianótica, que apresenta maior prevalência no sexo masculino (60% a 70%), é uma malformação cardíaca congênita em que a aorta e a artéria pulmonar estão posicionadas de forma invertida. Onde a aorta tinha origem no ventrículo direito e a artéria pulmonar tinha origem no ventrículo esquerdo isso significa que o sangue oxigenado proveniente dos pulmões é bombeado de volta para os pulmões, o sangue oxigenado da circulação pulmonar retorna ao ventrículo esquerdo apenas para ser bombeado novamente aos pulmões em vez de ser distribuído para o resto do corpo. O sangue não oxigenado, por sua vez, é bombeado para o corpo, em vez de retornar aos pulmões para ser oxigenado. Resultando em circulação paralela sem que ocorra a homeostase (CARVALHO, et al) 3.5.2. Fisiopatologia A transposição corrigida das grandes artérias (TCGA) caracteriza-se pela discordância atrioventricular e ventriculoarterial concomitantes, contando com prevalência aproximada de 0,5% a 1,4% de todas as cardiopatias congênitas. Está comumente associada a vários defeitos congênitos, bloqueio atrioventricular total e disfunção ventricular direita, o que limita a sobrevida desses pacientes, que em grande parte não ultrapassa os 50 anos de idade. Durante a vida intrauterina, não há obstáculos ao desenvolvimento do concepto, já que, na circulação fetal, o sangue é oxigenado pelas vilosidades coriônicas da placenta, e se desvia dos pulmões, que possuem alta resistência, através do forame oval e do ducto arterioso. Dessa forma, chega ao ventrículo direito e é diretamente bombeado para a aorta em direção aos tecidos periféricos. No entanto, ao nascimento, a primeira inspiração causa vasodilatação das artérias e queda da resistência pulmonar ao fluxo sanguíneo, e o corte do cordão umbilical acaba com a chegada de sangue oxigenado proveniente da mãe. A partir desse momento, o sangue dos pulmões, que passa a ser responsável pela oxigenação do organismo, e devido a cardiopatia presente é impedido de atingilo. Por isso, inicia se um quadro de cianose progressiva: a cada batimento cardíaco, o sangue tem a sua oxigenação reduzida pelo metabolismo aeróbio tecidual até que se tornaria incompatível com a vida, a não ser pela presença de um shunt, que pode ser atingido pela manutenção do ducto arterioso caracterizada apenas pela inversão de posição entre as grandes artérias cardíacas, a TGV é chamada clássica ou simples. Entretanto, pode haver outras anomalias morfológicas, como CIV, CIA, estenose pulmonar e obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo (OVSVE), que levam à TGV complexa. O shunt da esquerda para a direita promovido pela CIV, sendo o VE hipertrófico em comparação com o VD, exerce papel no alívio da cianose, assim como CIA. Por outro lado, a OVSVE e a estenose pulmonar promovem hipertrofia patológica do VE (PIMENTA, et al). A apresentação da radiografia pode estar normal ou conter alterações sugestivas, tais como: formato cardíaco oval, cardiomegalia mediana ou aumento das marcações vasculares pulmonares. Entretanto, o ecocardiograma é o padrão ouro para que o diagnóstico seja fechado. Além disso, ressalta a importância de se utilizarem as informações obtidas nesse exame durante a cirurgia, sendo as principais: diâmetros da aorta e da artéria pulmonar, o local da comissura das válvulas e a origem e trajeto das coronárias. Segundo Sarris G, et al. (2017), principal impacto causado no paciente pela TGV é oriundo do shunt, resultado da alteração da anatomia normal dos vasos do coração ou da comunicação interatrial, cuja presença determina controle mais hemodinâmico mais complexo. Nesse contexto pré-operatório, é de vital importância a estabilização do paciente visando o controle hemodinâmico e respiratório. Destaca se que a não responsividade ao oxigênio ofertado por meio de cateteres e máscaras faciais é uma característica desta patologia (PIMENTA, ET AL) Figura 09 – Transposição das grandes artérias Fonte: Google Imagens, 2018. 3.5.3. Manifestações clínicas (sinais/sintomas) Cianose central é o sinal clínico mais evidente, manifesta-se nas primeiras horas de vida e é progressiva, apresenta a cianose extrema com baixa saturação de oxigênio tanto proximal quanto distal ao ducto arterioso. Podendo ser acompanhada de taquipneia, mais tarde no período neonatal, podem ainda se evidenciam sinais de insuficiência cardíaca congestiva, particularmente nos portadores de uma comunicação interventricular. Nesses casos, está indicado o prosseguimento da propedêutica com ecocardiograma e radiografia de tórax. Na forma clássica, o paciente apresenta cianose progressiva nas primeiras horas de vida e hiperfonese de B2 única em foco pulmonar. É variável a presença de sopro cardíaco, que quando existente, será discreto e mais bem identificado em foco tricúspide ou pulmonar. A forma complexa, por sua vez, apresenta-se com cianose discreta, em função do shunt proporcionado pelas anomalias adjuntas. Neste caso, o paciente poderá apresentar sinais de insuficiência cardíaca cerca de um mês após o nascimento, devido ao aumento do fluxo pulmonar (PIRES) 3.5.4. Diagnóstico Necessário que o diagnóstico ocorra intrauterino ou nos primeiros momentos de vida devido a sua alta complexidade, através do morfológico por volta das 20 semanas de gestação e caso encontrado alguma alteração é encaminhado ao especialista chamado ecocardiografista fetal sendo o melhor momento para o diagnóstico entre 24 e 26 semanas. É essencial diagnosticar esta malformação cardíaca ainda no período pré-natal através da ecografia fetal e ecocardiograma fetal, ou no mais tardar no período neonatal através das manifestações clínicas, para proceder a uma correta abordagem terapêutica. Para que intervenções precoces sejam realizadas, uma vez feito o diagnóstico, permitem melhor sobrevida das crianças com esta patologia, até então limitada aos primeiros meses de vida. A apresentação da radiografia pode estar normal ou conter alterações sugestivas, tais como: formato cardíaco oval, cardiomegalia mediana ou aumento das marcações vasculares pulmonares. Entretanto, o ecocardiograma é o padrão ouro para que o diagnóstico seja fechado. Além disso, ressalta-se a importância de se utilizarem as informações obtidas nesse exame durante a cirurgia, sendo as principais: diâmetros da aorta e da artéria pulmonar, o local da comissura das válvulas e a origem e trajeto das coronárias (CROTI). Em recém-nascidos sem diagnóstico pré-natal, deve suspeitar-se de transposição das grandes artérias quando existe cianose. A gravidade da cianose depende do grau de mistura entre os dois sistemas circulatórios através dos shunts intercirculatórios. Os recém-nascidos com pequenos shunts intercirculatórios apresentam cianose severa nas primeiras horas de vida, enquanto os recém-nascidos com grandes shunts intercirculatórios revelam uma cianose ligeira que pode passar despercebida. De forma a detectar precocemente a TGA no período pós-natal, deve realizar-se o rastreio das cardiopatias congénitas por oximetria de pulso (MARQUES) 3.5.5. Tratamento Logo após o nascimento, a estabilização hemodinâmica imediata é feita com a infusão contínua, por cateter umbilical venoso, de prostaglandina E1. Este procedimento visa à manutenção da pervidade do ducto arterioso, uma comunicação interventricular própria da circulação fetal que, sem o uso destes potentes vasodilatadores, fecharia pouco tempo após o nascimento. Aberta, esta estrutura permite que parte do sangue oxigenado presente no ventrículo esquerdo passe para o ventrículo direito, de onde será bombeado através da aorta para atingir a circulação sistêmica. Assim, procura-se garantir a vida, embora o tratamento definitivo seja obrigatoriamente cirúrgico. A técnica operatória utilizada é escolhida individualmente, de acordo com o número de alterações existentes e as condições do coração. Concomitantemente,oxigênio suplementar é administrado, a fim de que a perfusão capilar e a saturação se aproximem dos valores adequados, corrigindo, assim, a acidose metabólica gerada pelo processo patológico (MATTOS) Introduzida por Adib Jatene em 1975, essa técnica revolucionou o tratamento da TGA, o procedimento de Jatene é uma cirurgia cardíaca complexa que envolve a reconstrução das artérias aorta e pulmonar para corrigir a transposição das grandes artérias. A cirurgia de Jatene tem como objetivo corrigir a transposição das grandes artérias e permitir que o sangue seja distribuído corretamente pelo corpo. Em muitos casos, essa cirurgia é bem-sucedida e os pacientes têm uma melhora significativa na qualidade de vida. No entanto, o prognóstico pode variar dependendo de vários fatores, como a gravidade da condição do paciente, a presença de outras malformações cardíacas e a resposta individual à cirurgia. É importante que o paciente siga todas as orientações médicas e faça o acompanhamento regular para garantir uma recuperação adequada e monitorar a saúde cardíaca a longo prazo. A cirurgia visa proporcionar melhores taxas de sobrevivência e uma melhor qualidade de vida para os pacientes. A complicação mais frequente a longo termo em doentes submetidos a cirurgia de Jatene é a estenose supravalvar pulmonar (CASTRO, et al) 3.6. Circulação Fetal 3.6.1. Definição/classificação A circulação fetal é um sistema complexo que sustenta o feto durante a gestação, permitindo a troca de gases e nutrientes por meio da placenta. Este sistema é classificado em dois circuitos principais: o circuito placentário, que envolve a placenta, e o circuito fetal, que compreende o sistema vascular do feto. O sangue fetal é rico em hemoglobina fetal (HbF), que tem maior afinidade pelo oxigênio em comparação com a hemoglobina adulta, facilitando a captação de oxigênio na placenta. O sistema cardiovascular fetal começa a operar na terceira semana de desenvolvimento, sendo essencial para fornecer nutrientes a um organismo que cresce rapidamente em um ambiente com hipoxia relativa, já que a difusão de oxigênio se torna menos eficiente. Além disso, esse sistema deve ser capaz de realizar ajustes circulatórios que permitam a sobrevivência após o nascimento. Três estruturas principais se destacam: o forame oval, o ducto arterial e o ducto venoso (MATTOS, S. S.) 3.6.2. Fisiopatologia A distribuição de oxigênio no feto começa no espaço interviloso, a região da placenta onde o sangue materno banha as vilosidades terciárias. Estas vilosidades são unidades vasculares responsáveis pela troca, onde o sangue fetal circula em ramos terminais das artérias umbilicais. Após ser oxigenado, o sangue proveniente das vilosidades é transportado ao feto por meio da veia umbilical. Devido a esse vaso conter o maior teor de oxigênio na circulação fetal, o retorno venoso ao ventrículo esquerdo é crucial para fornecer esse elemento a tecidos vitais, especialmente ao cérebro e ao próprio coração. Durante esse trajeto, a mistura com o sangue não oxigenado e a consequente redução do teor de oxigênio é minimizada por dois desvios que devem desaparecer após o nascimento: o ducto venoso e o forame oval. Cerca de metade do fluxo da veia umbilical é desviado pelo ducto venoso, que é um circuito direto entre a veia umbilical e a cava inferior, evitando a microcirculação hepática. Nesse local, observam-se os mesmos níveis de pH, pO2, pCO2 e saturação de oxigênio que se encontram na placenta. O ducto venoso é estreito, com menos de 2 mm de comprimento e um terço do diâmetro da veia umbilical, características que permitem que o sangue oxigenado seja rapidamente projetado para a veia cava, alcançando o átrio direito e seguindo preferencialmente para o átrio esquerdo através do forame oval. Nesse percurso, a mistura com o fluxo lento e de baixa pressão de oxigênio da veia cava inferior, que deságua no ventrículo direito, é reduzida. Do átrio esquerdo, o sangue rico em oxigênio flui para o ventrículo esquerdo e, em seguida, para a aorta ascendente, alimentando o miocárdio e o cérebro. O sangue desoxigenado que entra no ventrículo direito perfunde os pulmões, mas a maior parte segue pelo ducto arterial, alcançando a aorta descendente após as artérias carótidas e coronárias. As artérias umbilicais, ramos da ilíaca interna, dirigem-se à placenta para reabastecer-se com oxigênio e nutrientes, formando assim a circulação feto-placentária (VILLAS-BÔAS, et al.). A circulação fetal é caracterizada por adaptações únicas que garantem a eficiência da oxigenação e a perfusão de órgãos vitais. As principais estruturas adaptativas incluem: · Forame Oval: Esta abertura entre os átrios direito e esquerdo do coração permite que uma porção significativa do sangue oxigenado da placenta flua diretamente para o átrio esquerdo, evitando a passagem pelo pulmão, que está em desenvolvimento e não realiza troca gasosa efetiva. O fechamento do forame oval geralmente ocorre após o nascimento devido ao aumento da pressão no átrio esquerdo (VILLAS-BÔAS, et al.). · Ducto Arterioso (Canal Arterioso): O ducto arterioso conecta a artéria pulmonar à aorta, desviando o fluxo sanguíneo que se dirigiria aos pulmões para a aorta. Esta estrutura é crucial para direcionar o sangue oxigenado para o corpo fetal. Após o nascimento, a sua constrição e fechamento resultam em uma separação funcional entre os sistemas circulatórios pulmonar e sistêmico. (MATTOS, S. S.) · Ducto Venoso: Este vaso conecta a veia umbilical à veia cava inferior, permitindo que o sangue oxigenado bypass parte do fígado fetal. Após o parto, o ducto venoso se fecha, alterando a dinâmica do fluxo sanguíneo. Essas adaptações são essenciais para garantir a perfusão adequada de órgãos vitais, como o cérebro e o coração, e são ativadas e desativadas de acordo com as mudanças na pressão e nas características do fluxo sanguíneo. (DUARTE, GERALDO; at al.) 3.6.3. Manifestações clínicas (sinais/sintomas) As anomalias na circulação fetal podem resultar em condições que se manifestam logo após o nascimento. Alguns dos sinais e sintomas mais comuns incluem: · Cianose: Coloração azulada da pele e mucosas, indicando hipoxemia. · Dificuldade Respiratória: Alterações no padrão respiratório, incluindo taquipneia e retratação intercostal, devido à circulação inadequada ou à presença de líquido nos pulmões. · Fadiga ou Letargia: O recém-nascido pode apresentar baixo nível de energia, dificultando a alimentação. · Sinais de Insuficiência Cardíaca: Pode incluir aumento da frequência cardíaca, sopros cardíacos e hepatomegalia. Estes sintomas requerem avaliação médica imediata para determinar a causa subjacente e a necessidade de intervenções. (SOUZA, E. K. S; et al.) 3.6.4. Diagnóstico O diagnóstico de anomalias na circulação fetal pode envolver uma combinação de métodos: · Ultrassonografia Obstétrica Permite a visualização da anatomia cardíaca e da circulação fetal, além de identificar potenciais anomalias estruturais. · Ecocardiograma Fetal: É uma técnica mais específica para a avaliação da função cardíaca e estrutura, frequentemente realizada por cardiologistas pediátricos. Este exame pode identificar malformações como defeitos do septo atrial, ducto arterioso patente e outras cardiopatias congênitas. · Exames Laboratoriais: Avaliações como o hemograma completo e os níveis de bilirrubina podem ajudar a monitorar a condição do recém-nascido após o nascimento · Monitoramento Neonatal: A observação de parâmetros vitais, incluindo frequência cardíaca, pressão arterial e saturação de oxigênio, é crucial para detectar complicações precoces. 3.6.5. Tratamento O tratamento das anomalias na circulação fetal depende da gravidade e do tipo de condição diagnosticada. As opções incluem: · Intervenções Pré-Natais: Quando diagnósticos de malformações cardíacas são feitos, pode sernecessário um monitoramento rigoroso durante a gestação e, em alguns casos, intervenções como a fetoscopia ou o uso de medicamentos que podem melhorar a condição do feto. · Cirurgias Cardíacas: Muitas malformações exigem correção cirúrgica após o nascimento. A cirurgia pode variar desde procedimentos menos invasivos até operações complexas, dependendo da gravidade da anomalia. · Tratamento Medicamentoso: Medicamentos como inotrópicos ou vasodilatadores podem ser utilizados para melhorar a função cardíaca e a perfusão em recém-nascidos com insuficiência cardíaca. · Cuidados Intensivos Neonatais: Os recém-nascidos com complicações circulatórias podem requerer cuidados em unidades de terapia intensiva neonatal (UTIN), onde podem receber suporte respiratório, monitoramento intensivo e intervenções imediatas. Em resumo, a circulação fetal é um sistema altamente adaptativo e complexo, essencial para a sobrevivência do feto. Compreender sua fisiologia e as potenciais anomalias é crucial para a identificação precoce e o tratamento eficaz, garantindo melhores resultados para a saúde neonatal. 3.7. Estudo de Caso: Tetralogia de Fallot · Caso clínico: Histórico do Paciente: · Paciente: HJT · Idade: 6 meses · Sexo: Masculino · Peso ao nascimento: 2,9 kg · História familiar: Sem histórico de cardiopatias congênitas. · Gestação e parto: Gestação sem complicações, parto normal a termo. História clínica: O paciente foi encaminhado ao serviço de cardiologia pediátrica aos 3 meses de idade após ser notado cianose peri-oral e nos dedos durante o choro e alimentação. Os pais relatam episódios de cansaço durante as mamadas, e um crescimento ponderal abaixo da média para a idade. Não há relatos de infecções respiratórias recorrentes. Sinais e sintomas ao exame inicial: · Cianose central (observada ao exame físico, especialmente em lábios e extremidades) · Dedos em baqueta de tambor · Sopro cardíaco sistólico na borda esternal esquerda (sopro ejetivo) · Taquipneia leve (aumento da frequência respiratória) · Saturação de oxigênio variando entre 75%-85% em ar ambiente. · Fadiga e irritabilidade durante a amamentação e em momentos de esforço (como choro prolongado). Exames complementares: 1. Eletrocardiograma (ECG): Mostrou sinais de hipertrofia ventricular direita. 2. Ecocardiograma bidimensional: Confirmou os componentes clássicos da tetralogia de Fallot: · Defeito do septo ventricular (DSV) grande; · Estenose pulmonar subvalvular; · Dextroposição da aorta; · Hipertrofia ventricular direita. 3. Raio-X de tórax: Revelou o clássico “coração em bota” (coeur en sabot), típico da TF, com a sombra cardíaca predominante à direita e diminuição da vascularização pulmonar. Curso clínico: Aos 6 meses, o paciente apresentou um episódio de crise hipóxica, caracterizada por cianose grave, agitação e dispneia intensa. Foi necessário posicionamento em cócoras (uma posição instintiva adotada pelos pacientes com TF para aliviar a crise), além de suplementação de oxigênio e medidas de controle da dor. Após o episódio, a cirurgia corretiva foi indicada. O paciente foi submetido a uma correção completa da TF, incluindo a correção do defeito do septo ventricular e alargamento da via de saída do ventrículo direito. Pós-operatório: O paciente apresentou uma recuperação satisfatória, com melhora progressiva da cianose e da saturação de oxigênio, que atingiu valores normais (>95%). A função cardíaca foi normalizada, e o paciente foi liberado com acompanhamento clínico e ecocardiográfico regular. Houve melhora significativa na tolerância ao esforço e no ganho ponderal. TABELA 1 - Sistematização da Assistência de Enfermagem: 1- NANDA: Troca gasosa prejudicada relacionada à cianose central e saturação de oxigênio diminuída, evodenciada por níveis de oxigênio entre 75%-85%. NOC: Ventilação: Troca Gasosa (0402) NIC: Monitorização Cardiovascular (4120) PE: Realizar a monitorização contínua dos sinais vitais, como frequência cardíaca, pressão arterial, saturação de oxigênio e eletrocardiograma, para identificar alterações hemodinâmicas precocemente 2- NANDA: Fadiga relacionada ao aumento do trabalho cardíaco e à hipoxemia, evidenciada por cansaço durante a alimentação e irritabilidade. NOC: Estado Cardiovascular (0401) NIC: Oxigenoterapia (3320) PE: Administrar oxigênio suplementar conforme prescrição médica para melhorar a saturação de oxigênio, especialmente em episódios de crise hipóxica ou descompensação respiratória. 3- NANDA: Tolerância ao exercício diminuída à condição cardíaca pré-operatória, manifestada por fadiga durante esforços. NOC: Controle de Arritmia (0405) NIC: Controle de Arritmia (4040) PE: Monitorar e tratar arritmias, como taquicardia ou fibrilação atrial, que podem ocorrer devido à sobrecarga ventricular direita e outras complicações cardíacas. 4- NANDA: Desenvolvimento infantil retardado relacionado à cianose e ao atraso no ganho de peso, podendo afetar o desenvolvimento NOC: Desenvolvimento Físico Infantil (0800) NIC: Redução da Ansiedade (5820) PE: Implementar medidas para reduzir a ansiedade do paciente e da família, como explicação clara do plano terapêutico e utilização de técnicas de relaxamento. 5- NANDA: Déficit de autocuidado alimentar relacionado à condição de saúde do paciente, manifestada pela dependência dos pais para alimentação e cuidados diários. NOC: Hidratação (0602) NIC: Controle da Dor (1400) PE: Avaliar e tratar a dor, especialmente após procedimentos cirúrgicos ou crises hipóxicas, utilizando analgesia conforme prescrita e métodos não farmacológicos. 6- NANDA: NOC: Nível de Ansiedade dos Pais (1402) NIC: Cuidados com a Ventilação (3300) PE: Garantir uma boa troca gasosa através da manutenção da via aérea e, se necessário, assistência ventilatória invasiva ou não invasiva em pacientes com insuficiência respiratória. 7- NANDA: Padrão respiratório ineficaz relacionado à taquipneia leve e aumento da demanda respiratória, manifestado por esforço NOC: Estado Respiratório (0415) NIC: Monitorização Hemodinâmica (4150) PE: Avaliar regularmente os parâmetros hemodinâmicos, como débito cardíaco e pressão venosa central, para detectar sinais de insuficiência cardíaca ou choque cardiogênico. 8- NANDA: Tolerância ao exercício diminuída à condição cardíaca pré-operatória, manifestada por fadiga durante esforços. NOC: Mobilidade Física (0208) NIC: Controle Hídrico (4125) PE: Monitorar rigorosamente o balanço hídrico para prevenir ou tratar sobrecarga de líquidos, que pode agravar a insuficiência cardíaca direita. 9- NANDA: Risco de infecção relacionado à intervenção cirúrgica e ao estado imune comprometido no pós-operatório. NOC: Respostas ao Estresse (1404) NIC: Cuidados Pré e Pós-operatórios (7920) PE: Implementar cuidados de enfermagem pré e pós-operatórios adequados em pacientes submetidos a cirurgias corretivas, como a substituição da válvula pulmonar ou reparo de estenoses residuais. 10- NANDA: Ansiedade dos pais relacionada ao estado de saúde do filho e à necessidade de intervenções médicas, evidenciada pela preocupação com a condição cardíaca. NOC: Participação Familiar nos Cuidados de Saúde (2608) NIC: Educação para a Saúde (5602) PE: Ensinar o paciente e a família sobre a condição, possíveis complicações e a importância do acompanhamento médico contínuo para prevenção de complicações tardias. 4. CONCLUSÃO A compreensão das malformações cardíacas congênitas e de suas diversas manifestações clínicas é essencial para o manejo adequado dessas condições. O desenvolvimento de técnicas avançadas de diagnóstico e tratamento tem melhorado significativamente a qualidade de vida e o prognóstico dos pacientes. O diagnóstico precoce, por meio de exames como ecocardiogramas fetais, permite o planejamento de intervenções que podem salvar vidas, minimizando complicações e melhorando os desfechos clínicos. Além disso, a importância de um acompanhamento interdisciplinar se destaca, pois envolve o trabalho conjunto entrepediatras, cardiologistas, cirurgiões e profissionais de enfermagem. Esse suporte contínuo é fundamental, especialmente nos primeiros anos de vida, período em que as intervenções cirúrgicas e cuidados específicos impactam diretamente o desenvolvimento e a recuperação do paciente. O papel da enfermagem, especificamente, é crucial tanto na identificação precoce dos sinais de complicação quanto no suporte emocional e educativo às famílias. Em suma, as malformações cardíacas congênitas representam um grande desafio para a medicina e a enfermagem, exigindo constante atualização e adaptação às novas tecnologias e práticas de cuidado. Com avanços contínuos, é possível promover um cuidado integral e humanizado, permitindo uma trajetória de vida mais saudável e digna para os pacientes e suas famílias. 5. REFERÊNCIAS ARENZ C, Laumeier A, Lütter S, et al.: Is there any need for a shunt in the treatment of tetralogy of Fallot with a pulmonary blood flow source? European Journal of Cardio-Thoracic Surgery. 2013. ATIK, E. Tetralogia de Fallot: Aspectos atuais. 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