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CENTRO UNIVERSITÁRIO DOM BOSCO TRABALHO DE OFICINA DE PROCESSO: CONTESTAÇÃO 6º Período de Direito - Manhã Arthur Rodrigues Ana Alice Bacchi Caroline Diniz Ellen Matos Venâncio EXCELENTÍSSIMO SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DA 2ª VARA CÍVEL DA COMARCA DA CAPITAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO/RJ. Processo nº xxx CONDOMÍNIO BOSQUE DAS ARARAS, cadastrado no CNPJ xxx, com endereço a rua xxx, bairro xxx, na cidade do Rio de Janeiro, com endereço eletrônico xxx, representado pelo seu síndico, MARCELO RODRIGUES portador do CPF nº xxx,com endereço à rua xxx, bairro xxx, na cidade do Rio de Janeiro, com endereço eletrônico xxx, vem com fulcro no art. 77 inc. V, por meio de seu advogado xxx, inscrito na OAB nº xxx, à presença de Vossa Excelência, nos termos do art. 335 e ss. do Código de Processo Civil, apresentar CONTESTAÇÃO em face de ação indenizatória ajuizada por João, já devidamente qualificado nos autos do processo, pelos fatos e fundamentos jurídicos que passa a expor. I. PRELIMINAR DA ILEGITIMIDADE PASSIVA O Condomínio Bosque dos Araras não é parte legítima para se localizar no polo passivo da exordial pleiteado pelo Requerido a luz do art. 337, XI, do CPC, tendo em vista que o pote de vidro fora lançado do apartamento 601, se consagrando como unidade individualizada, como dispõe o art. 938 do Código Civil: Art. 938. Aquele que habitar o prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido. Dessa forma, a responsabilidade deverá partir do habitante do aludido apartamento, e não do condomínio, no qual este será subsidiário somente em eventual impossibilidade de identificação de qual unidade fora lançado o objeto, no qual neste caso concreto foi possível identificar. Portanto, inexistem condições de ação. II. DOS FATOS. O Requerido andava pela calçada da rua onde morava, no Rio de Janeiro, ao qual alega ser atingido por um pote de vidro da janela do apartamento 601 do edifício do Condomínio Bosque das Araras. O Autor originário alegou que desmaiou com o impacto, sendo socorrido por pessoas que passavam perto, ao qual foi transferido pelo Corpo de Bombeiros via ambulância até o Hospital Municipal X. No hospital, o Requerido foi internado, submetido a exames e a uma cirurgia para estagnar a hemorragia interna sofrida e, tendo como única fonte de renda a contratação de fretes, deixou de auferir contratos negociados anteriormente, ocasionando um prejuízo de R$ 20.000 (vinte mil reais). Após sua internação de 30 dias, obteve alta, retomando a sua função de caminhoneiro. Após 20 dias ao seu retorno laboral, sentiu-se mal e voltou ao Hospital X, ao qual foi constatado uma infecção no crânio causada por uma gaze cirúrgica deixada no seu corpo por ocasião da primeira cirurgia, sendo necessária a realização de novo procedimento cirúrgico. Em vistas desse novo acontecimento, o Requerido ficou mais 30 dias internado, deixando de laborar, ocasionando uma perda de R$10.000,00 (dez mil reais). Dessa forma, o mesmo alega na exordial que sofreu danos a título de lucros cessantes, e desejou a compensação dos danos sofridos em R$30.000,00 (trinta mil reais), bem como 50 salários mínimos a título de danos morais, em face de violação a sua integridade física. III. DO DIREITO DA RESPONSABILIDADE DO PRIMEIRO FATO. Do mesmo modo que apontado acima a título de preliminar, é claro que, no mérito, também, o réu não é responsável pelos danos causados. Considerando o caso narrado torna-se claro que o pote caiu e causou os supostos danos ao autor do exato e determinado apartamento. Estando identificada a unidade autônoma em relação ao condomínio, como sendo o apartamento de n. 601 e sendo certo quem é seu proprietário e possuidor, verifica-se que, conforme a regra do art. 938 do CC, este é quem deverá suportar a responsabilidade pela queda do objeto e não o condomínio. No mesmo sentido, o Réu não é responsável por qualquer dano, seja material, seja moral, advindo de tal fato. DA RESPONSABILIDADE DO SEGUNDO FATO. É evidente a inexistência de obrigação indenizatória para o Requerente em relação aos danos ocasionados na segunda cirurgia havida pelo Requerido, visto que os danos provieram de ato errôneo da equipe responsável pela cirurgia do Hospital Municipal X, e não da queda do pote de vidro, devendo este ser demandado judicialmente. Embora o pote de vidro seja materialmente relacionado ao caso concreto em análise, inexiste nexo de causalidade entre a conduta do condomínio e a segunda internação. Dessa forma, não é possível se atribuir o dever de indenizar o condomínio na quantia de R$10.000 (dez mil reais) referentes aos lucros cessantes, conforme preconiza o caput do art. 944 do CC. Art. 944. A indenização mede-se pela extensão do dano. Ademais, há somente danos consequentes da queda do objeto perante o apartamento, unidade individualizada, sendo os lucros cessantes no valor de R$ 20.000 (vinte mil reais), conforme preconiza o art. 403 do CC: Art. 403. Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual. Ainda, em face da inexistência da responsabilidade objetiva bem como do nexo de causalidade, os danos morais são incabíveis ao condomínio, visto que não há proporcionalidade em nenhum dos danos sofridos. IV. DOS PEDIDOS Diante do exposto, requer-se a Vossa Excelência: a) Acolhimento da preliminar de ilegitimidade passiva, extinguindo o processo sem resolução de mérito, nos termos do art. 485, VI, do CPC; b) Caso não acolhida a ilegitimidade por Vossa Excelência, realizar o chamamento ao processo do apartamento 601, responsável pelos danos gerados ao Requerido, conforme caput do art. 339 do CPC; c) Julgar procedente a presente demanda, inclusive quanto à inexistência na obrigação de indenizar e a condenação do Requerido aos honorários de su-cumbência, nos termos do art. 98, $ 2º, do Código de Processo Civil; d) Julgar procedente a ausência de responsabilidade em reparação de danos morais por parte do Condomínio Bosque dos Araras, pleiteado pelo Requerido; V. DAS PROVAS Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, em especial, prova documental, testemunhal, pericial e laudo médico. Nestes termos, Pede deferimento. Rio de Janeiro, xxx, xxx Advogado xxx OAB xxx