Prévia do material em texto
Ao contrário do processo ocorrido nos países de economia mais desenvolvida, a urbanização nos países pobres tem apresentado um ritmo bastante acelerado, o qual inviabiliza que o crescimento econômico e social ocorra com a mesma intensidade. Em vista disso, a criação dos grandes centros urbanos, associada à falta de planejamento urbano por parte do poder público e às ocupações irregulares e desorganizadas, originou vários problemas socioambientais, gerando uma precária qualidade de vida urbana. Esse processo tem sido acompanhado pelo desemprego crescente, pela degradação ambiental, pela precariedade dos serviços urbanos, pela sobrecarga da infraestrutura existente, pela intensificação da desigualdade social, pelo deficit habitacional, pela favelização e pela violência crescente. Muitos desses problemas poderiam ser amenizados se o poder público dos locais em que eles são mais graves se mostrasse menos omisso e mais comprometido em relação à formulação de políticas públicas que tivessem como objetivo a busca de condições socioambientais mais justas e equilibradas. Os espaços urbanos contribuem de forma significativa para as grandes questões ambientais e sociais, pois correspondem a enormes centros de consumo e de produção de resíduos sólidos, sendo responsáveis por grandes pressões sobre os ecossistemas em escala local, regional e global. Nesse sentido, alcançar melhores condições de vida nos centros urbanos representa um grande desafio para a sociedade civil, para planejadores, para pesquisadores e, também, para o poder público. As cidades industrializadas (promotoras do maior processo de urbanização) e suas periferias são, efetivamente, as áreas que mais contribuem para a degradação do meio ambiente. Cabe salientar que não apenas as grandes metrópoles estão sujeitas a sérios problemas ambientais e sociais, mas também as pequenas e médias cidades, e são justamente elas que abrigam a maioria da população mundial. Nos países pobres, principalmente os da África, da Ásia e da América Latina, essas pequenas cidades não contam com recursos suficientes para o desenvolvimento de infraestrutura de saneamento básico, de coleta de lixo, nem mesmo de moradia que atendam às necessidades da população. Em diversos países africanos, por exemplo, devido à falta de saneamento básico nos bairros mais pobres, as pessoas precisam utilizar sacos plásticos para recolher suas fezes e, posteriormente, deixá-los nas ruas. O aumento populacional urbano, principalmente nos países subdesenvolvidos, e a falta de recursos financeiros, políticos e legais (leis de proteção ao meio ambiente) acarretam uma grande degradação do ambiente urbano e uma queda na qualidade de vida de milhões de pessoas em todo o mundo. Vejamos, a seguir, divididos em sociais e ambientais, alguns dos principais problemas que acometem os grandes centros. PROBLEMAS SOCIAIS Moradia, favelização e segregação urbana É impossível esperar que uma sociedade como a nossa, radicalmente desigual e autoritária, baseada em relações de privilégio e arbitrariedade, possa produzir cidades que não tenham essas características. MARICATO, Ermínia. Brasil, cidades: alternativas para a crise urbana. Petrópolis: Vozes, 2001. p. 51. [Fragmento] Entre os vários problemas sociais urbanos, a questão da moradia e o processo de favelização nas grandes cidades se destacam, promovendo o surgimento de submoradias sem adequadas condições de infraestrutura, de equipamentos e de serviços (como saneamento básico, transporte público) e ausência de energia elétrica, iluminação pública, transporte, lazer, equipamentos culturais, segurança pública e acesso à justiça. Esses problemas se associam também à especulação imobiliária, à concentração de renda, ao desemprego e à falta de planejamento urbano. Nesses locais, muitas pessoas, por não disporem de renda suficiente, acabam ocupando de forma irregular áreas que geralmente não apresentam características favoráveis à habitação (como os morros com elevada declividade e áreas sujeitas à inundação), ou acabam utilizando as ruas da cidade como espaço de moradia. A figura a seguir apresenta um processo de evolução de um espaço urbano em três estágios, levando à formação de uma Região Metropolitana. Observe que e a densidade demográfica evoluiu ao longo do período, ocorrendo grande valorização das terras na porção ocidental, exatamente nas áreas mais residenciais, afastadas do centro, onde os prédios são maiores e mais altos, provavelmente com apartamentos para a classe média e grande oferta de serviços. Em contrapartida, a porção oriental, com grande concentração de indústrias, é densamente povoada por habitantes de renda menor, em bairros mais populares, com padrão inferior das construções e menor oferta de serviços essenciais, o que torna o valor da terra muito inferior ao da porção ocidental. MÓDULO 05 FRENTE B 59Bernoulli Sistema de Ensino GEOGRAFIA Problemas Sociais e Ambientais Urbanos