Prévia do material em texto
Marcos André Costa Silva Ribeiro Técnico de Segurança do Trabalho O que é a ERGONOMIA? Definição: O nome Ergonomia deriva-se de duas palavras gregas: ERGOS (trabalho) e NOMOS (leis, normas e regras). É, portanto, uma ciência que pesquisa, estuda, desenvolve e aplica regras e normas a fim de organizar o trabalho, tornando este último compatível com as características físicas e psíquicas do ser humano. “Ergonomia é a ciência que estuda a adaptação do trabalho ao homem” “Ergonomia é o estudo do relacionamento entre o homem e seu trabalho, equipamentos e ambiente, e particularmente, a aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na solução dos problemas surgidos desse relacionamento” Ergonomia é o conjunto de regras e procedimentos que visam os cuidados com a saúde do profissional, dentro e fora do seu ambiente de trabalho. Regulamentada pela NR 17, pode ser dividida em três áreas: ergonomia física, cognitiva e organizacional. Na prática, ela é o conjunto de regras e procedimentos que estudam a organização do ambiente de trabalho e as interações entre o homem, as máquinas e equipamentos. Seu objetivo é reduzir riscos, atuando nas condições dos espaços físicos da empresa e organização de processos corporativos. Além de proporcionar conforto para o trabalhador, ela busca prevenir doenças ocupacionais. Como por exemplo lesões, dores no corpo e preservação das capacidades físicas e psicológicas do colaborador. De maneira resumida, podemos entender ergonomia como o estudo da relação que existe entre o homem e a forma como ele executa seu trabalho – presente, inclusive, na legislação por meio da Norma Regulamentadora 17 Os primeiros ensaios foram aplicados ainda na época do homem primitivo, por necessidade de proteção e sobrevivência. Os princípios de ergonomia estavam em atividades que ofereciam menos esforço e mais conforto, como fazer utensílios de barro para tirar água de cacimbas (poço) e cozinhar, fazer tacapes (arma indígena) para defesa ou caçar animais. Onde surgiu a ergonomia? A origem da ergonomia bem como sua evolução está diretamente associada às mudanças econômicas, sociais, técnicas e tecnológicas que ocorrem dentro dos sistemas produtivos. Da produção artesanal à automação e informatização dos postos de trabalho e das tarefas a serem realizadas, as mudanças decorrentes impõem ao trabalhador e às máquinas uma série de adaptações. Onde surgiu a ergonomia? As primeiras literaturas surgiram a partir de 1700 com o médico italiano Bernadino Ramazzini, que escreveu sobre doenças e lesões relacionadas ao trabalho, “Morbis Artificum” (Tradução: Doenças Ocupacionais). Mas, foi na Revolução Industrial que de fato a ergonomia começou a surgir. Durante as guerras houve atenção no desenvolvimento de armas e equipamentos bélicos que deveriam ser precisos e habilitados a serem usados pelos soldados de diferentes países. Na década de 1960 com o crescente aumento da informatização nos diferentes segmentos da economia, percebe-se que os próprios processos de trabalho podem ser redesenhados, levando-se em consideração as necessidades e características do ser humano. A ergonomia está voltada para a área de softwares, envolvendo-se em pesquisas sobre questões cognitivas relacionadas a aspectos específicos da relação (interface) com o usuário. E na década de 1980, a ergonomia estuda também aspectos denominados como macro ergonômicos, isto é, as pesquisas se voltam para análise sócio-técnica que envolve a organização do trabalho. Agora, são consideradas relevantes a análise do grau de repetitividade, monotonia e desempenho, turnos de trabalho, segurança, higiene, layout e biorritmo. Nesse contexto, o caráter participativo do funcionário/cliente/usuário serve como base para as avaliações ergonômicas. Rio (1999, p. 22-23) distingue três fases históricas dos estudos e pesquisas relacionados ao trabalho: 1ª. A adaptação do homem à máquina - os estudos se concentram sobre a máquina, procurando formar e selecionar os operadores de acordo com as exigências da máquina; 2ª. O erro humano - que pode levar aos acidentes e a custos econômicos. Surge a consciência de que os estudos devem se concentrar no homem, a fim de respeitar e conhecer seus limites; 3ª. O sistema homem-máquina - as investigações se reconduzem aos sistemas determinados pelo homem e pela máquina, buscando a mútua adaptação e operacionalidade Bernardino Ramazzini, médico italiano nascido em Carpi, em 1633, é considerado o pai da Medicina do Trabalho (MT) pela contribuição do livro As Doenças dos Trabalhadores, publicado em 1700 e traduzido para o português pelo Dr. Raimundo Estrela. Nele, o autor relaciona 54 profissões e descreve os principais problemas de saúde apresentados pelos trabalhadores, chamando a atenção para a necessidade de os médicos conhecerem a ocupação atual e pregressa de seus pacientes ao fazer o diagnóstico correto e adotar os procedimentos adequados. Que foi Bernadino Ramazzini? A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra no século XVIII, desencadeou transformações radicais na forma de produzir e de viver das pessoas e, consequentemente, deu novo impulso à MT. Desde então, acompanhando as mudanças e exigências dos processos produtivos e dos movimentos sociais, suas práticas têm se transformado, incorporando novos enfoques e instrumentos de trabalho, em uma perspectiva interdisciplinar, delimitando o campo da Saúde Ocupacional e, mais recentemente, da Saúde dos Trabalhadores. Seu principal objetivo é aumentar o conforto, a saúde e a segurança do trabalhador. Por meio da análise da postura, dos movimentos corporais, dos equipamentos usados e dos fatores físicos do ambiente de trabalho, ela busca promover a perfeita integração entre as capacidades e limitações do trabalhador, suas condições de trabalho e a eficiência do sistema produtivo. Ao analisar esses fatores em um local de trabalho, pode surgir a necessidade de intervenções que informem, sensibilizem e corrijam problemas. A partir daí, é possível obter aumento na eficiência organizacional e, consequentemente, na produtividade e nos lucros da empresa. Qual objetivo da ergonomia? • Reduzir esforços físicos ou estáticos durante as atividades. • Assegurar posturas confortáveis. • Eliminar a repetição de tarefas e movimentos. • Garantir condições ambientais confortáveis e isentas de risco. • Oferecer iluminação natural ou artificial, geral ou suplementar. • Estabelecer a alternância entre as atividades, para variar as posturas, grupos musculares utilizados e ritmo de trabalho Quais os princípios da ergonomia? 1. Prevenir dores e doenças Algumas ações corriqueiras podem gerar prejuízos à saúde quando executadas em desacordo com os princípios da ergonomia. Durante as jornadas no escritório, por exemplo, é comum distribuir o peso do corpo incorretamente ao sentar-se, desrespeitando as curvaturas naturais da coluna, o que aumenta a pressão entre as vértebras e pode causar dores, danos nos músculos e articulações, bem como problemas como as hérnias de disco. A circulação também pode ser afetada, gerando inchaço e varizes nas pernas. Porque devemos aplicar os princípios da ergonomia? • Executar movimentos repetitivos por longos períodos ou transportar cargas manualmente são outras atividades que costumam provocar lesões no corpo. • Para prevenir problemas como esses, a ergonomia estabelece algumas regras, como medidas padronizadas para itens de mobiliário, orientações sobre a postura corporal, posicionamento dos equipamentos, momentos de pausa para relaxamento da musculatura, entre tantas outras. 2. Evitar prejuízos financeiros • Cerca de 4% do PIB global é perdido anualmente em função de doenças e acidentes ocupacionais, que além de gerarem danos à saúde dos colaboradores e comprometerem a reputação das empresas, também levam a prejuízos como a queda na produtividade, indenizações, multas e ressarcimentos de custos médicos.• A aplicação dos princípios da ergonomia é fundamental para a prevenção de lesões e perdas. Nos ambientes corporativos, é a NR17 que cuida da regulamentação dessa área e garante que parâmetros ligados ao mobiliário, aos equipamentos, à organização e condições de trabalho sejam cumpridos. • Para isso, algumas empresas, conforme atividade exercida e risco envolvido, precisam garantir a realização do laudo ergonômico. Também conhecido como AET (Análise Ergonômica do Trabalho), esse documento detecta, analisa e corrige os perigos presentes nos postos de trabalho, nas máquinas e na execução da atividade profissional. 3. Reduzir riscos no trabalho • Em 2019, os acidentes ou doenças decorrentes da exposição a fatores de risco nas atividades no trabalho foram responsáveis por 193,6 mil afastamentos no Brasil, segundo dados da Secretaria da Previdência. • A ergonomia cuida para reduzir alguns riscos frequentes. Quer alguns exemplos? Postura inadequada; esforço físico; levantamento e transporte manual de cargas; controle rígido de produtividade; situação de estresse; atividades noturnas; jornadas prolongadas; ações repetitivas; rotina intensa; exposição a aspectos ambientais desfavoráveis, como excesso de calor ou frio, ruídos, agentes químicos nocivos e iluminação inadequada. 4. Aumentar a produtividade • Com medidas para a redução de acidentes e custos com saúde, bem como para a melhoria na qualidade do trabalho e diminuição do absenteísmo dos colaboradores, os princípios da ergonomia contribuem para aumentar a produtividade das empresas. 5. Melhorar a qualidade de vida • Fatores como carga excessiva de trabalho, equipe insuficiente ou despreparada, incapacidade de mão de obra, falta de matéria-prima ou falta de manutenção podem colaborar para causar distúrbios psicológicos e fisiológicos, como as Lesões por Esforços Repetitivos (LER), os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), o estresse e a ansiedade, entre outros. 6. Promover a consciência corporal • Entre os princípios da ergonomia estão o investimento em programas de treinamento para que as pessoas aprendam como preservar a postura correta. Algumas técnicas preventivas às dores e lesões, como alongamentos, relaxamentos, ginástica laboral, exercícios físicos e massagens inseridas na rotina colaboram para conhecer, entender e saber os sinais que o corpo dá. • A médio prazo, proporcionam a consciência corporal, que se antecipa a problemas de saúde e contribui para o bem-estar. Os princípios ergonômicos estabelecem que as máquinas sejam como prolongamentos do homem/operador. Se esta relação não se dá de forma sinergética a possibilidade de fadiga, falhas, acidentes, doenças aumenta potencialmente. A ergonomia busca estabelecer uma adaptação adequada e eficaz na relação homem- máquina-sistema. Princípios ergonômicos são aqueles que apresentam características ergonômicas, ou seja, ajustáveis e adaptáveis ao usuário. A Sinergética tem como sinônimo a harmonia. Ocorre através da combinação de dois ou mais elementos que quando juntos resultam em uma soma maior do que estes mesmos elementos separadamente. Os equipamentos utilizados hoje pelas indústrias são muito sofisticados exigindo do operador maior precisão, atenção e controle dos movimentos a serem executados. Sempre que possível, os movimentos de controle, tanto manuais como pedais devem seguir o movimento natural do organismo humano. Os princípios básicos para que um movimento não afete a saúde do trabalhador é a realização de movimentos rítmicos, seguindo trajetórias curvas e contínuas evitando ao máximo paradas bruscas, mudanças repentinas de direção e pressão muito prolongadas por parte de mãos e pés