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1 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.3, p. 01-12, 2024 
 
 jan. 2021 
O desenvolvimento das competências socioemocionais através da educação 
física escolar na educação infantil 
 
The development of socio-emotional skills through physical education in 
early childhood education 
 
El desarrollo de las habilidades socioemocionales através de la educación 
física escolar en la educación infantil 
 
DOI: 10.55905/revconv.17n.3-197 
 
Originals received: 02/12/2024 
Acceptance for publication: 02/27/2024 
 
Adnalyne da Silva Guimarães Teles 
Mestranda em Ciências da Educação 
Instituição: Absoulute Christian University (ACU) 
Endereço: Caucaia - Ceará, Brasil 
E-mail: adnalyneteles@gmail.com 
 
RESUMO 
Os estudos sobre as competências socioemocionais na educação infantil estão cada vez mais em 
evidência, devido à crescente compreensão da importância do desenvolvimento integral das 
crianças. Essas competências abrangem habilidades ligadas à inteligência emocional, tais como 
autoconhecimento, regulação emocional, empatia, habilidades sociais e resiliência, 
desempenhando um papel fundamental no bem-estar e no sucesso acadêmico e pessoal ao longo 
da vida. Considerando que o componente curricular Educação Física desempenha um papel 
crucial nesse processo, este trabalho tem como objetivo destacar, por meio da consulta a obras 
de diversos autores que abordam o desenvolvimento infantil, a contribuição que a Educação 
Física pode oferecer na construção das competências socioemocionais em crianças de zero a seis 
anos. 
 
Palavras-chave: educação infantil, educação física, competências socioemocionais. 
 
ABSTRACT 
Studies on socio-emotional competencies in early childhood education are increasingly in 
evidence due to the growing understanding of the importance of children's holistic development. 
These competencies encompass skills linked to emotional intelligence, such as self-awareness, 
emotional regulation, empathy, social skills and resilience, playing a fundamental role in well-
being and academic and personal success throughout life. Considering that the Physical 
Education curriculum component plays a crucial role in this process, this paper aims to highlight, 
by consulting the works of various authors who address child development, the contribution that 
Physical Education can make to building socio-emotional skills in children aged zero to six. 
 
Keywords: early childhood education, physical education, socio-emotional skills. 
 
 
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RESUMEN 
Los estudios sobre competencias socioemocionales en la educación infantil son cada vez más 
frecuentes debido a la creciente comprensión de la importancia del desarrollo holístico de los 
niños. Estas competencias engloban habilidades vinculadas a la inteligencia emocional, como el 
autoconocimiento, la regulación emocional, la empatía, las habilidades sociales y la resiliencia, 
desempeñando un papel fundamental en el bienestar y el éxito académico y personal a lo largo 
de la vida. Considerando que el currículo de Educación Física desempeña un papel crucial en 
este proceso, este trabajo pretende destacar la contribución que la Educación Física puede hacer 
para la construcción de competencias socioemocionales en niños de cero a seis años, consultando 
las obras de diversos autores que tratan del desarrollo infantil. 
 
Palabras clave: educación infantil, educación física, competencias socioemocionales. 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
Sabe-se que a prática da educação física na idade escolar é de grande importância no 
desenvolvimento motor do indivíduo. Por ser essa prática muito apreciada entre os alunos, cabe 
ao educador físico um trabalho detalhado das valências físicas dentro de suas atividades, afim de 
que esse aluno vivencie múltiplas experiências de movimento e tenha um desenvolvimento 
corporal sadio e satisfatório. 
Além do desenvolvimento motor a educação física é um componente curricular de grande 
importância para o desenvolvimento das habilidades sociais pois oferece uma oportunidade única 
para os alunos aprenderem e praticarem habilidades interpessoais, ao mesmo tempo em que se 
envolvem em atividades físicas e esportivas não se limitando apenas à saúde do corpo físico, mas 
também oferece um ambiente propício para o aprimoramento das competências socioemocionais. 
Durante as aulas, os alunos têm a oportunidade de interagir com os colegas, praticar o respeito 
mútuo, aprender sobre colaborar por um objetivo comum, resolver conflitos de forma construtiva 
e desenvolver habilidades de liderança e comunicação. Isso incentiva os alunos a aprenderem a 
se comunicar efetivamente, a confiar uns nos outros e a entender a importância de cada indivíduo 
dentro do grupo. 
A educação física também pode ajudar os alunos a desenvolver habilidades sociais como 
empatia, autocontrole e resiliência. Ao enfrentar desafios físicos e competições esportivas, os 
alunos aprendem a lidar com a pressão, a controlar suas emoções e a desenvolver uma 
mentalidade positiva diante de dificuldades. 
Segundo GUIMARÃES et. al, 2001: 
 
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A educação física, como qualquer outra disciplina, tem responsabilidade na 
concretização do processo de formação e desenvolvimento de valores e atitudes, por 
essa razão, deveria considerá-lo como parte de seus conteúdos de ensino. Mais 
especificamente caberia ao professor o papel de coordenar de perto tudo isso, 
proporcionando durante suas aulas momentos em que, dentro de seu planejamento 
prévio, aproveitaria para torná-los educativos, discutindo e refletindo sobre cada 
situação ou fato ocorrido. (GUIMARÃES et al., 2001, p. 19). 
 
Uma aula bem planejada, que traga o aluno a possibilidade de ser ativo em seu próprio 
desenvolvimento, pode proporcionar um ambiente inclusivo, onde todos os alunos têm a 
oportunidade de participar e contribuir de acordo com suas habilidades e interesses. Isso promove 
o senso de pertencimento e acessibilidade, contribuindo para um clima escolar mais positivo. 
O objetivo desse trabalho é trazer luz às aulas de educação física como ferramenta de 
construção das competências socioemocionais na educação infantil, na busca por estudantes que 
no futuro possam se tornar cidadãos capazes de ter um olhar crítico, mediar conflitos aumentando 
suas perspectivas de sucesso futuro nos âmbitos pessoal, acadêmico e profissional. 
A metodologia adotada no presente trabalho é a pesquisa de abordagem qualitativa, do 
tipo bibliográfica com caráter descritivo onde utilizou-se artigos de congressos nacionais e 
internacionais, relatórios de pesquisa, manuais nacionais, revistas indexadas, livros, sites e 
publicações científicas sobre as competências socioemocionais e sua relação com as aulas de 
educação física escolar na educação infantil buscando perceber o quanto a educação física pode 
ser um componente curricular de importância significativa para a construção das competências 
socioemocionais e desenvolvimento de habilidades sociais na infância. 
 
2 DESENVOLVIMENTO 
2.1 O QUE SÃO COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS 
Segundo o Instituto Ayrton Senna (IAS 2020, p. 06), instituto referência no 
desenvolvimento das competências socioemocionais no Brasil, competências socioemocionais 
podem ser entendidas como um “conjunto de habilidades que capacitam uma pessoa a gerenciar 
suas próprias emoções de forma eficaz e interagir de maneira positiva com os outros e com o 
ambiente ao seu redor.” Essas aptidões desempenham um papel crucial no crescimento pessoal 
e social, impactando diretamente o sucesso acadêmico, profissional e pessoal de um indivíduo. 
 
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CASEL1(2005) traz o seguinte conceito de competências socioemocionais: 
 
a capacidade de compreender, gerir e expressar os aspectos sociais e emocionais da vida 
de cada um de forma a lidar adequadamente com situações interpessoais e a possibilitar 
a prossecução bem-sucedida de tarefas como a aprendizagem, o estabelecimento e 
manutenção de relações positivas, o tomar decisões responsavelmente, resolver 
problemas do dia-a-dia e a adaptar-se às exigências do crescimento e desenvolvimento. 
(CASEL; 2005 apud COELHO; SOUSA; MARCHANTE, 2014, p.15-16) 
 
Dada a crescente importância das habilidades socioemocionais na sociedade 
contemporânea, especialmente considerando a expectativa de vida mais longa e, 
consequentemente, os desafios interpessoais ampliados tanto em casa quanto no ambiente de 
trabalho, é essencial que tais habilidades sejam cultivadas desde cedo, sobretudo no ambiente 
escolar. 
Há uma ênfase significativa no desenvolvimento da inteligência emocional (como 
proposto por Goleman em 1995) e das inteligências múltiplas (conforme Gardner em 1984). Por 
essa razão, muitas escolas estão adotando uma abordagem estruturada para incluir ações que 
promovam esse desenvolvimento em seus currículos. 
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento que estabelece os 
conhecimentos, competências e habilidades essenciais que todos os alunos devem desenvolver 
ao longo da educação básica no Brasil. Uma das principais ênfases da BNCC (2018) é promover 
o desenvolvimento integral dos estudantes, indo além do aspecto puramente acadêmico para 
abranger também suas dimensões socioemocionais, culturais, físicas e éticas. Isso significa 
reconhecer que a educação não se resume apenas à transmissão de conteúdos cognitivos, mas 
também deve capacitar os alunos para uma participação ativa e significativa na sociedade. 
Tais conceitos dialogam com a abordagem construtivista que destaca o papel ativo do 
aluno na construção do conhecimento. De acordo com essa perspectiva, os estudantes não são 
meros receptores passivos de informações, mas sim agentes ativos na formação do seu próprio 
entendimento por meio de interações com o ambiente e reflexões sobre suas experiências. 
Jean Piaget (1979) propõe seu modelo construtivista de desenvolvimento cognitivo, 
baseado em evidências empíricas, no qual o sujeito é visto como um construtor ativo de suas 
próprias estruturas cognitivas por meio da interação com o mundo ao seu redor. VICHESSI 
 
1 CASEL - Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning. Comunidade – abrangendo salas de aula e 
órgãos governamentais – para tornar a aprendizagem social e emocional (SEL) parte de uma educação equitativa e 
de alta qualidade para todos. 
 
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(2022) diz em seu artigo para a Revista Nova Escola enfatiza que a “Base não fala sobre ‘como 
ensinar’, mas é possível interpretá-la e trabalhar com as competências e as habilidades 
considerando a perspectiva piagetiana”. 
Já Lev Vygotsky (1998) em seus aspectos histórico-culturalistas, influenciado por Marx, 
buscou oferecer uma resposta integral para as funções psicológicas superiores humanas, evitando 
o dualismo mente-corpo. 
Seu modelo de aprendizagem procurava ser uma alternativa marxista à concepção 
construtivista piagetiana, que se concentra no indivíduo. 
Ainda sobre a desconstrução do modelo tradicional de transmissão de conhecimento, 
FREIRE (1992), em sua obra Pedagogia da Autonomia traz a ideia de que o aluno pode e deve 
participar do seu próprio desenvolvimento, ter seus saberes considerados, apropriando – se não 
apenas do saber cognitivo (racional), mas relacionando – o ao não cognitivo (emocional) na busca 
pelo desenvolvimento integral do aluno. 
 
É preciso, sobretudo, e aí já vai um destes saberes indispensáveis, que o formando, 
desde o princípio mesmo de sua experiência formadora, assumindo-se como sujeito 
também da produção do saber, se convença definitivamente de que ensinar não é 
transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua 
construção. (FREIRE, 1992, p. 13) 
 
KRAMER (1989), corroborando com essa construção da autonomia dos estudantes no 
processo educacional versa: 
 
o trabalho pedagógico precisa se orientar por uma visão das crianças como seres sociais, 
indivíduos que vivem em sociedade, cidadãs e cidadãos. Isso exige que levemos em 
consideração suas diferentes características, não só em termos de histórias de vida ou 
de região geográfica, mas também de classe social, etnia e sexo. Reconhecer as crianças 
como seres sociais que são implica em não ignorar as diferenças. (KRAMER, 1989, p. 
19) 
 
As competências socioemocionais e a abordagem construtivista na educação estão 
intimamente ligadas, pois ambas reconhecem a importância do desenvolvimento integral do 
aluno, incluindo não apenas aspectos cognitivos, mas também emocionais e sociais. 
O Instituto Ayrton Senna (IAS) tem se destacado principalmente por suas iniciativas 
relacionadas à educação básica, e nos últimos anos teve um aumento significativo de interesse e 
pesquisa em relação ao desenvolvimento socioemocional dos estudantes. 
 
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Nesse contexto de estímulo à construção da autonomia do estudante, as competências 
socioemocionais desempenham um papel crucial, pois influenciam a forma como o aluno 
interage com o ambiente, como processa as informações e como constrói significados. 
O IAS (2020), defende as competências socioemocionais no ambiente educacional 
quando diz que as mesmas também podem ser descritas como “capacidades individuais que se 
manifestam de modo consistente em padrões de pensamentos, sentimentos e comportamentos, 
favorecendo o desenvolvimento pleno de estudantes e expandindo as oportunidades de 
aprendizagem escolar. (IAS, 2020a p. 06)” 
A partir de 2012, o IAS deu início a estudos e pesquisas sobre competências 
socioemocionais e sua importância no contexto educacional. Como resultado desses estudos, o 
instituto classificou essas competências em cinco macro competências, que se desdobram em 
dezessete competências distintas. Essas competências estão diretamente relacionadas ao 
desempenho escolar, ao senso de pertencimento, à prevenção da violência escolar, incluindo 
situações como bullying, e também contribuem para o bem-estar e a saúde mental dos estudantes. 
As cinco macro competências identificadas são: autogestão, engajamento com os outros, 
amabilidade, resiliência emocional e abertura ao novo. 
Entre as ações desenvolvidas pelo IAS destacam – se os programas de formação de 
professores, desenvolvimento de materiais educativos e realização de pesquisas para avaliar o 
impacto das intervenções socioemocionais nas escolas. 
Esses esforços visam não apenas promover o ensino e a aprendizagem de conteúdos 
acadêmicos, mas também fortalecer as habilidades socioemocionais dos alunos, como resiliência, 
empatia, autocontrole e habilidades de relacionamento interpessoal. 
 
2.2 A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR COMO ALIADA NA SAÚDE MENTAL E 
EMOCIONAL DAS CRIANÇAS 
Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a Educação Física é percebida como mais 
do que apenas o aprimoramento de habilidades motoras e competências físicas. Ela é reconhecida 
como um elemento curricular essencial para a formação completa do indivíduo, estimulando não 
apenas a saúde física, mas também o progresso cognitivo, socioemocional e cultural. 
 
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A Educação Física escolar também desempenha um papel significativo na promoção da 
saúde mental das crianças, pois proporciona uma variedade de benefícios que contribuem para obem-estar psicológico aliado ao emocional. 
Entre esses benefícios, pode-se destacar a redução do estresse e da ansiedade através do 
exercício físico que promove a liberação de endorfinas, neurotransmissores que ajudam a 
melhorar o humor e reduzir a ansiedade, proporcionando uma sensação de bem-estar geral. 
Participar de atividades físicas e esportivas na escola pode ajudar os alunos a desenvolverem uma 
autoimagem corporal positiva, melhorando sua autoestima e autoconfiança que, ao adquirirem 
tais habilidades podem melhorar seu desempenho físico, ganhar confiança em si mesmos e em 
suas capacidades, proporcionando um ambiente propício para o desenvolvimento de habilidades 
sociais importantes, como cooperação, trabalho em equipe, comunicação e resolução de 
conflitos. 
Palma e Peixoto (2022) asseveram que alcançar sucesso na vida e aprimorar o 
desempenho físico em uma modalidade esportiva, por exemplo, é uma tarefa que envolve o 
desenvolvimento de habilidades não apenas físicas, mas também psicológicas. Isso significa que 
além do treinamento físico para melhorar a técnica e o condicionamento físico, também é 
essencial trabalhar aspectos psicológicos como a concentração, a autoconfiança, a gestão do 
estresse e a resiliência. Essas habilidades psicológicas são fundamentais para enfrentar desafios, 
lidar com pressões e superar obstáculos, tanto nos campos esportivo quanto na vida cotidiana. 
Portanto, o desenvolvimento holístico, que abrange aspectos físicos e mentais, é fundamental 
para alcançar o sucesso em diferentes áreas da vida. 
Já sobre a transferência dessas habilidades adquiridas, para outros contextos da vida os 
autores supracitados defendem que “[...] quando essas habilidades são ensinadas de forma que o 
aprendiz compreenda que elas podem ser utilizadas em outras áreas da vida, bem como a maneira 
de fazê-lo, a transferência pode ser mais eficiente.” 
A Educação Física também desempenha um papel importante na promoção de hábitos de 
vida saudáveis, como a prática regular de exercícios físicos, a adoção de uma alimentação 
equilibrada e a importância do descanso adequado. Esses hábitos saudáveis são essenciais para o 
bem-estar mental e emocional a longo prazo. 
Além disso, durante as aulas de educação física escolar, as crianças têm a oportunidade 
de experimentar uma variedade de emoções, como alegria, frustração, excitação e superação. 
 
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Aprendendo a lidar com essas emoções de forma saudável e construtiva durante as atividades 
físicas, as crianças desenvolvem habilidades importantes de gerenciamento emocional que 
podem ser aplicadas em outras áreas de suas vidas. 
Ghiraldelli Júnior (1991), citado por Guimarães et. al, versa que: 
 
A educação física pedagogicista é, pois, a concepção que vai reclamar da sociedade a 
necessidade de encarar a educação física não somente como uma prática capaz de 
promover saúde ou de disciplinar a juventude, mas de encarar a educação física como 
uma prática eminentemente educativa (Ghiraldelli Júnior apud Guimarães et. al 2001, 
p. 18). 
 
Ao contemplar a Educação Física Escolar sob uma concepção fenomenológica, 
sociológica e cultural, é possível perceber que as crianças durante as atividades físicas, 
esportivas, recreativas ou de psicomotricidade priorizam suas percepções, emoções e 
significados atribuídos às vivências corporais. Nessa abordagem, o foco está na experiência 
subjetiva da criança, considerando seus sentimentos, pensamentos e sensações corporais como 
aspectos fundamentais para a aprendizagem e o desenvolvimento integral. 
Sobre isso, Barbieri et.al. versa que: 
 
Em âmbito escolar, essa abordagem tem como foco o movimentar-se humano e a 
relação do indivíduo com o meio: sujeito-espaço, sujeito-tempo, sujeito-objeto, etc. 
Busca-se nas aulas de Educação Física desenvolver a capacidade de tomada de decisão 
e autonomia dos alunos, bem como propiciar a estes uma prática lúdica, de cooperação 
e socialização com os demais colegas de classe. (Barbieri et. al., 2008, p. 227) 
 
Arruda (2003) em sua obra defende a ideia de que na escola, as crianças e jovens 
encontram um ambiente rico em experiências que moldam sua formação emocional. Lá, 
vivenciam uma variedade de emoções, como amor, ódio, cooperação, competição, medo, raiva e 
amizade. Essas experiências são fundamentais para o desenvolvimento emocional e social dos 
indivíduos, refletindo os padrões emocionais que contribuem para sua formação ao longo da vida. 
É possível dizer que a abordagem fenomenológica, sociológica e cultural na Educação 
Física Escolar apresenta afinidades marcantes com a construção das competências 
socioemocionais através das aulas, pois ambas as abordagens valorizam o reconhecimento do 
indivíduo como um ser completo, cujas experiências, interações sociais e contexto cultural são 
elementos fundamentais. 
 
 
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2.3 O DESENVOLVIMENTO DAS COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS ATRAVÉS DO 
BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
A Educação Física é essencial para o desenvolvimento das competências socioemocionais 
nas crianças de zero a seis anos, pois proporciona uma ampla gama de experiências motoras, 
sociais e emocionais que afetam o crescimento integral dos pequenos. Durante essa fase do 
desenvolvimento infantil, a prática de atividades físicas e esportivas não apenas promove a saúde 
física, mas também estimula o desenvolvimento de habilidades socioemocionais essenciais. 
Sobre o jogo na Educação Infantil, Braga, Araújo e Haas versam que: 
 
jogo, por ocorrer em situações sem pressão, em atmosfera de familiaridade, segurança 
emocional e ausência de tensão ou perigo, proporciona condições para aprendizagem 
das normas sociais em situações de menor risco. O comportamento lúdico oferece 
oportunidades para experimentar vivências que, em situações normais, jamais seriam 
tentadas pelo medo do erro ou da punição (2015, p. 2). 
 
A Educação Física oferece oportunidades para a interação social e o desenvolvimento de 
habilidades de comunicação e colaboração. Fischer 2009 apud SCHREIBER et al, 2005 assevera 
que as atividades de Educação Física podem atuar no comportamento do aluno, nas suas atitudes 
e até mesmo em sua personalidade. As crianças têm a oportunidade de interagir com colegas, 
trabalhar em equipe, aprender a compartilhar e respeitar as regras do jogo, o que contribui para 
o desenvolvimento de habilidades sociais, como empatia, cooperação e resolução de conflitos. 
Além disso, a prática de atividades físicas promove o desenvolvimento emocional das 
crianças, ajudando a lidar com emoções como alegria, frustração, medo e confiança. Durante as 
atividades físicas, as crianças aprendem a lidar com desafios, a superar obstáculos e a desenvolver 
a autoconfiança e a autoestima. O ambiente lúdico e sonoro da Educação Física também 
proporciona um espaço seguro para as crianças expressarem suas emoções e desenvolverem 
habilidades de autorregulação emocional, oferecendo uma importante contribuição para o 
desenvolvimento cognitivo das crianças, estimulando a capacidade de concentração, atenção, 
tomada de decisões, resolução de problemas e pensar estrategicamente. 
Dialogando com a construção positiva do jogo e do brincar como recursos para 
desenvolver competências socioemocionais, Vygotsky (1989) destacava a importância de brincar 
no desenvolvimento infantil. Ele argumentou que o jogo é uma atividade na qual as crianças 
podem experimentar diferentes papéis sociais e explorar suas emoções de forma segura. 
Vygotsky via o jogo como uma ferramenta para o desenvolvimento de habilidades sociais e 
 
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emocionais, incluindo a regulação emocionale a resolução de conflitos. Destacou que, por meio 
dos jogos, as crianças são capazes de definir conceitos e criar situações para desenvolver seu 
desempenho em situações reais. 
Na Educação Física, o brincar desempenha um papel central, sendo uma ferramenta 
poderosa para estimular o aprendizado, promover a saúde e o bem-estar, além de desenvolver 
habilidades físicas, cognitivas, sociais e emocionais. É uma forma natural e espontânea de as 
crianças explorarem seu corpo, experimentarem movimentos e expressarem sua criatividade. Por 
meio de jogos, atividades recreativas e esportivas adaptadas, as crianças têm a oportunidade de 
desenvolver habilidades motoras fundamentais, como correr, pular, lançar e driblar, ao mesmo 
tempo em que se divertem e interagem com os colegas. 
O brincar na Educação Física estimula o desenvolvimento das habilidades sociais. 
Durante as atividades lúdicas, as crianças aprendem a compartilhar, a seguir regras, a resolver 
conflitos e a valorizar a diversidade, habilidades essenciais para a vida em sociedade, 
proporcionando um ambiente seguro e acolhedor para que as crianças expressem suas emoções, 
experimentem a superação de obstáculos. Ao se envolverem em atividades físicas e esportivas, 
as crianças desenvolvem a autoconfiança, a autoestima e a resiliência, aprendendo a lidar com 
frustrações e a transpor cada novo desafio. 
Educação Física e o brincar estão intrinsecamente ligados, representando uma abordagem 
pedagógica que valoriza o movimento, a diversão e a interação social como elementos essenciais 
para o desenvolvimento integral das crianças. Ao promover o brincar na Educação Física, os 
educadores contribuem não apenas para a formação de habilidades físicas, mas também para o 
desenvolvimento de indivíduos mais saudáveis, sociáveis e emocionalmente equilibrados. 
 
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
A Educação Física desempenha um papel fulcral na formação integral das crianças na 
educação infantil, sendo um forte aliado na construção de competências socioemocionais no 
ambiente escolar. Ao participarem de atividades físicas orientadas e contextualizadas, elas 
aprendem a lidar com desafios, a obter resultados positivos em grupo e a expressar suas emoções 
de forma saudável. 
 
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No entanto, apesar da importância evidente da Educação Física nesse aspecto, ainda são 
necessários mais estudos e pesquisas nesse campo de conhecimento para embasar práticas 
pedagógicas eficazes. 
Além disso, vale destacar a importância de a criança ser protagonista no seu próprio 
desenvolvimento sendo fundamental para promover um crescimento saudável, autônomo e 
significativo. Quando a criança é colocada no centro do processo de aprendizagem e tem a 
oportunidade de ser protagonista de suas próprias experiências, ela se torna mais engajada, 
motivada e responsável pelo seu próprio desenvolvimento. Para tanto, é essencial que a 
preocupação na educação infantil não se restrinja apenas ao aspecto cognitivo das crianças, mas 
abranja seu desenvolvimento integral como ser humano. Isso significa reconhecer a importância 
das habilidades socioemocionais para o sucesso acadêmico, social e emocional das crianças, e 
garantir que essas habilidades sejam cultivadas e fortalecidas desde cedo. 
Portanto, investir na Educação Física na educação infantil como meio de desenvolver 
competências socioemocionais é fundamental para o crescimento saudável e equilibrado das 
crianças. 
 
 
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