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UNIDADE 3 PSI DA PERSONALIDADE Desenvolvimento da personalidade A psicologia é uma ciência em desenvolvimento e, por essa razão, não tem um único objeto de estudo, desencadeando a elaboração de sequências de teorias que objetivam esclarecer o funcionamento psíquico do indivíduo. Essa afirmação traz hipóteses que merecem ser esclarecidas. Primeiramente, cabe lembrar que não existe uma teoria psicológica que dê conta da complexidade intrínseca dos comportamentos humano. Depois, não estamos justificando o uso indiscriminado de teorias que, epistemologicamente, não se integram, mas sim trabalham com o dado real e, por último, existe um longo caminho no campo científico para compreender o indivíduo em sua totalidade. A psicologia é um campo do conhecimento que costuma ser definido como o estudo científico do comportamento e dos processos mentais, que visa compreender as motivações dos nossos atos, das nossas emoções e nossos pensamentos (GALLO; ALENCAR, 2012). As diferenças são formadas por experiências, nenhuma pessoa tem a mesma experiência que outra, nem irmãos criados no mesmo ambiente familiar têm a mesma experiência de vida. Sendo assim, parte da nossa personalidade é formada em uma estrutura de relacionamentos peculiares que temos uns com os outros e de objetos quando criança. Elaboramos um conjunto pessoal de atributos de caráter, um padrão de comportamento que define cada indivíduo. Carl Jung foi um teórico estudioso do desenvolvimento da personalidade, para o qual ele contribuiu com sua teoria analítica. Ele dizia que a personalidade era determinada pelo que esperamos ser e pelo que fomos. O sistema de personalidade para Jung é integrado por vários sistemas e estruturas diferentes que podem controlar uns aos outros. Um desses sistema é o ego, o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo. Para o teórico, o ego é o ponto central da consciência, a parte da psique que conduz a percepção, a sensação e as lembranças. A maior parte da nossa percepção pode estar envolvida em reações que Jung chamou de introversão e extroversão, para ele: As pessoas introvertidas são pessoas tímidas, tendem a se concentrar mais em si mesmas, em seus pensamentos e emoções. As pessoas extrovertidas são sociáveis e socialmente assertivas, focadas em outras pessoas e no mundo a sua volta. Segundo Jung, todo indivíduo têm probabilidade de desenvolver ambas as reações, mas somente uma prevalece na evolução da personalidade. Portanto, a outra que não é predominante continua intervindo e se torna parte do inconsciente pessoal, podendo influenciar no comportamento. Exemplo disso é se uma pessoa que é introvertida apresentar características de extroversão e querer ser mais extrovertida ou se interessar por uma pessoa extrovertida. Já na teoria freudiana, todo comportamento é defensivo, mas nem toda pessoa se utiliza das mesmas ferramentas de defesas. Nós somos motivados pelo mesmo impulso do id, mas não há a mesma universalidade na natureza do ego e do superego. Embora essa estrutura da personalidade funcione da mesma forma para todos, seu conteúdo varia de uma pessoa para outra. Conforme essa teoria, a personalidade se desenvolve em resposta a quatro importantes fontes de tensão: método de crescimento fisiológicos, frustações, conflitos e ameaças. A identificação e o deslocamento são dois métodos pelos quais o indivíduo aprende a resolver as frustações, os conflitos e as ameaças e a ansiedade. Com isso, as pessoas aprendem novos métodos de conduzir tais tensões, realizando, assim, o desenvolvimento da personalidade. Identificação A identificação pode ser definida como recurso pelo qual alguém reconhece características de outra pessoa e torna uma parte pertencente da personalidade dela. Assim, a pessoa aprende a reduzir a tensão modelando o próprio comportamento seguindo o de outra pessoa. O sujeito escolhe como modelo aquela pessoa que, para ele parece ser mais bem-sucedida do que ele. Por exemplo, uma criança se identifica com os pais porque eles parecem ser bem mais resolvidos, pelo menos durante os anos da infância inicial. Conforme a criança vai crescendo, encontra outras pessoas com as quais ela se identifica, pessoas cujas realizações estão mais equiparadas com seus desejos atuais (GALLO; ALENCAR, 2012). Em cada período da vida existem as tendências das figuras de identificação e a intensificação das características, a maioria dessas identificações ocorre inconscientemente, e não como uma intenção como parece ser. Esse destaque consiste na modelagem inconsciente, que compreende a identificação que Freud diz da aprendizagem. Portanto, não é necessário que uma pessoa se identifique com outra em todos os aspectos, geralmente são selecionadas apenas aquelas características que acreditamos que vão nos orientar a atingir um objetivo desejado (HALL; LINDZEY; CAMPBELL, 2004). A identificação é um método pelo qual podemos também recuperar um objeto perdido. Quando nos identificamos com uma pessoa que morreu ou da qual nos separamos, a pessoa perdida é reencarnada em uma característica incorporada da personalidade. As crianças que foram rejeitadas pelos pais tendem a formar sólidas identificações com eles na esperança de recuperar seu amor. Também é possível nos identificar com alguém por medo, como as crianças que se identificam com as proibições dos pais, a fim de evitar o castigo. Esse tipo de identificação é a base para a formação do superego (HALL; LINDZEY; CAMPBEL, 2004, p. 62). A estrutura final da personalidade simboliza um acúmulo de diversas identificações feitas em vários períodos da vida do indivíduo, apesar de que a mãe e o pai são, provavelmente, figuras de identificação mais forte na vida de qualquer pessoa. Deslocamento O deslocamento é um instrumento de defesa que a mente usa de maneira inconsciente para transferir uma reação emocional a um objeto ou uma pessoa para outro objeto ou outra pessoa. É também quando o id quer fazer algo que o superego reprova e o ego encontra, assim, uma maneira de soltar a energia psíquica do id. Dessa forma, há uma transferência de energia de acordo com a concentração de energias mentais reprimidas de um objeto para outro objeto mais aceitável. Essas ações buscam ser deslocadas para áreas ou conteúdos relacionados. Por exemplo a professora quer gritar com um aluno, mas sente que ela não pode fazer isso porque os pais da criança podem não gostar, então ela vai gritar com o próprio filho quando chegar em casa. É a maneira dela libertar a raiva que passou, os deslocamentos são constantemente mecanismos, altamente satisfatórios e viáveis para liberar a energia de forma mais segura. Os sonhos podem ser entendidos como o deslocamento de tensões gravadas em outras formas, na maioria das vezes os sonhos são bastante metafóricos. As pessoas estão a todo momento buscando novas maneiras de reduzir as tensões. Isso pode explicar a variabilidade e a diversidade do comportamento, assim como a inquietude humana. De outro modo, a personalidade humana se torna mais ou menos definida com a idade, devido ao acordo feito entre as forças pulsionais dos instintos e as forças do ego e do superego de forma inconsciente. Conforme Hall, Lindzey e Campbell (2004), um objeto substituído ocasionalmente é tão satisfatório ou redutor de tensão quanto o objeto original, quanto mais distinto for do objeto substituto do original, menos o estresse é reduzido. Em decorrência de numerosos deslocamentos, uma grande tensão que age como uma força motivacional do comportamento vai se realizando. No decorrer de todo o processo de deslocamento, cria-se uma grande medida para o desenvolvimento da personalidade, a fonte e a meta do instinto permanecem constantes é só o objeto varia conforme os instintos. Estágios do desenvolvimento da personalidade Freud considerava as experiências da infância tão importantesque considerava que a personalidade adulta era firmemente moldada e cristalizada no quinto ano de idade. Para ele os primeiros anos de vida são decisivos para a formação da personalidade humana. No período de latência, com a chegada da adolescência, a dinâmica é interrompida outra vez e, depois, gradualmente se acomoda à medida que o adolescente entre na fase adulta. Para Papalia e Feldman (2013), a personalidade para a teoria freudiana era constituída por meio de conflitos inconscientes da infância, entre os impulsos inatos do id e as determinações da sociedade. Esses conflitos acontecem em uma sequência invariável de cinco fases de desenvolvimento da personalidade, fundada na maturação, em que o prazer se desloca de uma zona corporal para outra. Vamos ver detalhadamente cada uma dessas fases. Fase oral Essa fase é quando a alimentação é a principal fonte de prazer. A criança está em fase de dependência da mãe ou da pessoa que toma conta dela, a qual está se tornado o objeto principal da sua libido. Em termos mais claros, podemos dizer que a criança está, de forma primitiva, aprendendo amar a mãe, a forma pela qual a mãe responde as suas demandas, que nessa idade são somente id. Existem dois tipos de comportamentos nessa fase: comportamento oral leve (ingerir) e comportamento oral agressivo ou sádico (morder, cuspir). Bebês cujas necessidades não são satisfeitas durante essa fase, quando a alimentação é a principal fonte de prazer, poderão, na idade adulta, ter o hábito de roer as unhas, fumar ou desenvolver uma personalidade agressiva e crítica. Fase anal A sociedade dos pais tem a tendência de se submeter às necessidades da criança durante o primeiro ano de vida, se adaptando a ela e esperando relativamente pouca adaptação e retorno. Essa situação muda por volta dos 18 meses, quando surge uma nova demanda, o treinamento dos hábitos de higiene. Freud achava que o treinamento do uso do banheiro durante a fase anal tinha um efeito significativo no desenvolvimento da personalidade. A defecação, segundo Freud, traz prazer erótico à criança, mas no início do treinamento de ir ao banheiro, esse prazer é adiado pela primeira vez, pois ocorre uma interferência na satisfação de um impulso instintivo quando se começa a regular a hora e o local para a defecação. Os pais, na maioria das vezes, confirmam que esse momento realmente é conflituoso, pois a criança aprende que tem um poder sobre eles, ela tem o controle sobre algo, que é a vontade ou não de defecar, e pode optar por agir de acordo com a sua necessidade. Nesse momento, se os pais não conseguirem educar da maneira correta, por exemplo, e a criança estiver apresentando dificuldades em aprender a ir ao banheiro ou se os pais forem muito exigentes, ela vai reagir negativamente: defecar onde não é permitido, desafiando a autoridade dos pais na tentativa de sua regulação. Assim, se a criança achar que essa técnica foi satisfatória para reduzir a frustação e que deu certo, ela a utiliza frequentemente e, no futuro, essa criança poderá desenvolver personalidade agressiva, comportamentos hostis e sádicos na vida adulta, incluindo crueldade ou comportamento autodestruitivo ou, em alguns casos, poderá ter obsessão por limpeza, ser rígida em horários e rotinas. Fase fálica Em torno de 3 ou 4 anos de idade as crianças começam um terceiro estágio de desenvolvimento infantil, é uma época em que a área genital se torna a principal zona erógena. É um estágio marcado pela divisão entre o desenvolvimento masculino e feminino. Como afirmou Freud, é nessa fase que a criança percebe que não tem um pênis ou que lhe falta algo. É quando começa a adquirir consciência das diferenças corporais e sexuais. O menino começa a despertar um interesse narcísico pelo próprio pênis, e a menina a descoberta da ausência de um. Ainda sobre essa fase, a menina, com essa descoberta, passa a querer ter um pênis, o que pode contribuir para um momento crítico ao desenvolvimento psicossocial dessa criança. Essa situação significa para ela um marco decisivo no crescimento, podendo aparecer três linhas de desenvolvimento possíveis: condução à inibição sexual ou à neurose, modificação do caráter no sentindo de um complexo de masculinidade e feminilidade normal. É nessa fase que surgem as brincadeiras nas quais as crianças começam a se tocar, a fim de se conhecerem por curiosidade, porém os pais erram ou até mesmo não sabem lidar com a situação, repreendendo seus filhos com o pensamento de que eles estão agindo maliciosamente. Crianças dessa idade ainda não entendem o que é a prática sexual, por esse motivo, é necessário orientá-las, para que concluam essa fase sem traumas. Período de latência Período que vai dos 5 aos 12 anos de idade, é uma etapa relacionada entre a sexualidade pré-genital infantil e sexualidade genital, que vai surgir no período da puberdade. O início do período é mais tenso e conflituoso, pois surge no fim do conflito com o complexo de édipo e, aos poucos, a criança vai se relacionando melhor com o mundo que o cerca. A partir de suas frustrações, ela vai aprendendo que nem sempre as coisas vão ser conforme ela espera e deseja. O período de latência é marcado pela mudança na relação da criança com seus pais. Desse modo, é um período de muita relevância para o fortalecimento do superego da criança. Para melhor compreensão dessa fase, é quando a criança aumenta os processos de reconhecimento com os adultos e o entendimento das normas e dos valores existentes em seu meio social, que de alguma forma já foi construído tanto pela família quanto por outros adultos (PALACIOS et al., 2007). Essa fase também se configura pela diminuição dos impulsos sexuais e, por esse motivo, a relação com os pais tendem a ser mais acolhedores e afetuosas. Uma vez que o confronto edipiano não é sanado nas etapas anteriores, podem reaparecer conflitos e tensões da fase fálica no período da puberdade, pois com o surgimento desse período, marca-se o fim da fase de latência. O estudo do self na psicologia da personalidade O self é uma visão que a pessoa tem de si próprio, é muito importante na formação da personalidade. Fundamentado em experiências passadas, estimulações presentes e expectativas futuras, tem como características o fluxo contínuo, em permanente mudanças, mas sempre organizado. No início do desenvolvimento da personalidade, um conceito vago de self parte de sua experiência e se diferencia da consciência, o self dá a ideia de imagem de si. A estrutura do self se dá por termos que servem para designar a configuração experiencial composta de percepções, se referindo ao indivíduo e suas relações com o outro, com o ambiente e com a vida em geral. O objetivo do self é manter a relação do organismo com o meio, podendo inserir valores de outros e enxergá-los de forma distorcida. O organismo reage de forma adequada com o self, as experiências que não condizem com ele são recebidas como ameaçadoras, ele pode também se modificar com resultado da maturidade e da aprendizagem de cada pessoa. A perspectiva Rogeriana, com base humanista, contribuiu muito para o estudo do self, pois tem uma visão positivista do homem. Sua abordagem surgiu como a terceira entre os dois campos predominantes da psicologia da época, que era o behaviorismo e a psicanálise. Essa abordagem demostrou interesse de estudo pela natureza humana e pelo fenômeno do crescimento pessoal. Com isso, a fenomenologia aparece para buscar compreender a essência humana, o olhar para o mundo, e ver o humano como um fenômeno multifacetado que está constantemente em movimento, mas nunca está pronto. Na perspectiva humanista, a pessoa existe primeiro para ser alguma coisa, ou seja, o ser humano deveria definir seu próprio destino. Conforme apontando por Macedo e Silveira (2012), a concepção do self surge no iníciodos anos de 1980, com a segunda revolução cognitivista apoiada por Lev Vygotstky sobre as raízes sociais da inteligência humana e sobre alguns trabalhos realizados por sociólogos da época, os quais enfatizaram a importância da união das práticas humanas e de construção de significados em contexto mais amplo de formas de viver. Diante dessas concepções sobre o self, é possível notar um declínio das fronteiras entre mundo interno e mundo externo. O "eu" (self) na visão psicanalítica de Sigmund Freud Freud abordou o self com a perspectiva do desenvolvimento do “eu”. Esse “eu” ideal e o narcisismo primário, que é investido pela libido, é substituído pelo ideal do “eu” no momento em que termina o período do complexo de Édipo. O supereu torna-se aproximação crítica e vigilante durante esse período. Conforme Câmara (2010), na fase chamada primeira tópica, o destaque é dado para o estudo da dinâmica do inconsciente, ou seja, as transferências entre os três sistemas que Freud nomeou de inconsciente, pré-consciente e consciente. Já na segunda tópica, é o momento em que surge o estudo que dá ênfase ao deslocamento do funcionamento do aparelho psíquico para os mecanismos de defesa e a instância repressora. Para tanto, Freud confronta as três instâncias do “eu”, do “isso” e do “supereu”. A segunda tópica não estingue o estudo da primeira, mas aumenta o estudo teórico da psicanálise para explicar os fatos psíquicos nessas instâncias criada por Freud. A ideia de “eu corporal” foi o grande de muitos impasses que Freud diz que o “eu” é a principalmente projeção mental do corpo físico. Ele não deixa clara a questão da identificação para a construção do corpo imaginário, mas sim um corpo formado simplesmente na relação humana, sendo fundamental o outro para o reconhecimento. É do corpo imaginário e de sua relação com a libido que Freud fala, pois a sede do “eu” é o corpo erógeno, por onde circula a libido. Nesse sentido, é possível lembrar da vesícula viva, que, inicialmente, tinha seu sistema nervoso na superfície. Com a evolução, porém, esse precioso sistema foi protegido no interior do corpo. Esse ‘eu corporal’ também tem relação com esse resquício da teoria evolucionista. Então, ao se tornar um órgão interno, o sistema nervoso ainda mantém o controle da superfície do corpo, mediante uma projeção interna dessa superfície. (CÂMARA, 2010, p. 21-22). As teorias psicológicas sobre o desenvolvimento da personalidade humana ampliaram seu foco centrado no interior do indivíduo e suas relações humanas. Ao definir o self, cada perspectiva teórica apresenta contexto diferente para o desenvolvimento humano. Compreende-se, assim, que as nuances dos diferentes conceitos só podem ser apreendidas por meio da concepção do desenvolvimento que a teoria psicológica oferece. O self na visão analítica de Carl Jung Jung entendia que cada pessoa dispõe de uma tendência herdada para evoluir em direção ao crescimento, uma peculiaridade e uma integridade. A essa estrutura inata ele deu o nome de self. O mais envolvente de todos os arquétipos é o self, pois ele une os outros arquetípicos em um processo chamado de autorrealização. Desse modo, os demais arquetípicos apresentam componentes conscientes e inconscientes pessoais, contudo são feitos com mais frequência por imagens inconscientes coletivas. Para Feist; Feist e Roberts (2015), o self é simbolizado pelas ideias de perfeição, completude e plenitude de uma pessoa. O self para ele integra imagem do consciente coletivo e, no entanto, não deve ser confundido com o ego, que representa apenas a consciência. Ainda que o self quase nunca seja perfeitamente equilibrado, cada indivíduo tem no seu inconsciente coletivo e no inconsciente pessoal uma descrição do self perfeito e unificado, conforme apontado por Jung. Segundo os autores, a autorrealização pesquisada por Jung é raramente alcançada. Uma vez que é realizada por aqueles que são capazes de entender o seu inconsciente coletivo e sua individualidade, por mais que isso seja difícil, está inserida no inconsciente coletivo de toda pessoa, e todo indivíduo tem potencial para conquistar a autorrealizacao. Entretanto, é necessário que a pessoa trabalhe seu medo inconsciente e enfrente seus temores e, assim, possa impedir que sua persona domine sua personalidade. O indivíduo que passa pelo processo de autorrealização consegue diferenciar sua anima, queseria a compensação feminina da personalidade do homem, e seu animus, que seria a compensação masculina da personalidade da mulher. Embora os dois termos sejam mencionados à parte da personalidade, ambos são arquétipos e estão em nosso inconsciente coletivo. Considerações gerais sobre a contribuição de Carl Rogers Carl Rogers desenvolveu uma teoria da personalidade a partir de suas experiências clínicas como psicoterapeuta. Sua abordagem passou por várias mudanças de determinação não diretiva centrada no cliente; centrada na pessoa e centrada no aluno. Trouxe uma crença na capacidade do homem de crescer, desenvolver e melhorar. Sempre muito preocupado em ajudar pessoas do que em descobrir porque elas agiam da forma que agiam. Era mais provável que ele perguntasse: “Como posso ajudar essa pessoa a crescer e se desenvolver?” do que buscar justificativas sobre a pergunta: “o que fez com que essa pessoa se desenvolvesse de tal forma?”. Sua contribuição está em uma teoria que valoriza as relações humanas, o ser humano se constitui como um processo contínuo, contribui para o desenvolvimento de plano da relação interpessoal e grupal. Trabalhou as necessidades do cliente em ter contato de compreensão de si para melhor compreender o outro. Sua obra teve repercussão na prática clínica, área pedagógica e nas pesquisas cientificas e estudou e avaliou diversos aspectos da personalidade humana. Assim como muitos teóricos da personalidade, Rogers construiu sua teoria sobre bases proporcionadas pelas experiências como terapeutas. Ao contrário da maioria dos demais teóricos, no entanto, ele continuamente recorria à pesquisa empírica para validar sua teoria da personalidade e sua abordagem terapêutica. Talvez mais do que qualquer outro terapeuta teórico, Rogers defendeu um equilíbrio entre estudos flexíveis e rigorosos que expandiriam o conhecimento de como os humanos sentem e pensam (FEIST; FEIST; ROBERTS, 2015 p. 192). Carl Rogers postulou em seu estudo teórico o pressuposto básico de tendência atualizante. Para ele, a tendência atualizante começa no útero, facilitando o crescimento humano por meio da diferenciação dos órgãos físicos e do desenvolvimento do funcionamento fisiológico. Ao descrever sua teoria, pensou no impacto do mundo experiencial em que atuamos diariamente, daquilo que fornece uma referência ou contexto que pode influenciar em nosso crescimento. O mundo experimental Carl Rogers responde a questão do mundo experimental com a seguinte pergunta: a realidade do nosso ambiente depende da percepção que temos dele? Que nem sempre corresponde com a realidade. Podemos interagir a uma experiência de modo diferente de como um amigo o faz. A nossa percepção vai mudando com o decorrer do tempo e com as circunstâncias. Um exemplo do que estamos falando é a forma correta para você no que se refere ao estudo que será totalmente diferente quando tiver 70 anos. A tendência atualizante na infância nos leva a crescer e a nos desenvolver no mundo experiencial. Estamos expostos às inúmeras informações e estimulações constantes, algumas frequentes e outros importantes, outras ameaçadoras e recompensadoras. Em todas essas consequências, cada pessoa vai reagir de maneira diferenciada da outra. Rogers ainda escreveu que as nossas experiências se tornam únicas e é a base para os nossos julgamentos e comportamentos. Níveis mais elevados de desenvolvimento aguçam nosso mundo experiencial, resultando consequentemente naformação do self. O desenvolvimento do self na infância À medida que o bebê vai se desenvolvendo em um campo gradual, ele vai se organizando de forma mais complexa e com a ampliação dos encontros sociais e uma parte de sua experiência vai se tornando diferente do restante. O self é o autoconceito das quais as formações envolvem a distinção entre o que é direta e imediatamente parte desse self. O self no desenvolvimento da infância é um padrão consistente, ou seja, é um todo organizado. Os seus aspectos procuram a coerência, por exemplo, pessoas que ficam perturbadas por terem sentimentos agressivos e preferem ignorá-los não querendo expressar nenhum comportamento agressivo evidente. Com o aparecimento do self, os bebês desenvolvem um tipo de necessidade que Rogers chamou de consideração positiva, a qual provavelmente é adquirida, embora ele falasse que a origem não era importante, essas necessidades são universal e duradoura. A personalidade pode ser avaliada em termos de experiências subjetivas, ser compreendida por meio de uma abordagem fenomenológica, ou seja, do ponto de vista do próprio sujeito.