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Módulo Tributo e Segurança Jurídica SEMINÁRIO VII - ITCMD E ITBI Leitura básica • SALLABERRY, Fernando Moraes. “ITCMD - IMPOSTO SOBRE HERANÇAS E DOAÇÕES”. Sorocaba: Gráfica Editora Cidade – Sorocaba, 2021. Itens 2.1 / Tomo I (Kindle) ou Volume 1 (impresso); 4.1.”a” e 4.1.”e” / Tomo II (Kindle) ou Volume 1 (impresso); 5.”m” até 5.”q” / Tomo II (Kindle) ou Volume 1 (impresso); 6.1.”f.b” até 6.1.”f.c” / Tomo III (Kindle) ou Volume 1 (impresso); 8. / Tomo V (Kindle) ou Volume 2 (impresso); 8.1 / Tomo V (Kindle) ou Volume 2 (impresso); 8.3.2 E 8.3.2.a / Tomo V (Kindle) ou Volume 2; (impresso); 8.3.2.”d” / Tomo V (Kindle) ou Volume 2 (impresso); 8.3.3 E 8.3.5 / Tomo V (Kindle) ou Volume 2 (impresso). • MACEDO, José Alberto Oliveira. ITBI. Aspectos Constitucionais e Infraconstitucionais. São Paulo: Quartier Latin, Capítulo 5. • CURY, Fabio Lemos. ITCMD: regime geral e o papel da lei complementar. São Paulo: Noeses. Capítulos 7 e 8. Leitura complementar • MANGIERI, Francisco Ramos; MELO, Omar Augusto Leite. ITBI - Imposto sobre Transmissões de bens imóveis. São Paulo: Edipro. Capítulo 3. • HARADA, Kiyoshi. ITBI: doutrina e prática. São Paulo: Dialética. Capítulo 6. • VIEIRA, Maria Leonor Leite et al. Limites à imunidade do ITBI – STF, repercussão Geral – tema 796. In TAKANO, Caio Augusto; BARRETO, Simone Rodrigues Costa (Coord). Direito tributário e interdisciplinaridade: homenagem a Paulo Ayres Barreto. São Paulo: Noeses, 2021. p. 405-416. • BRAGHETTA, Daniela de Andrade. Relação jurídica tributária. 2016.249 f. Tese (Doutorado Programa de Estudos Pós-Graduados em Direito) - Programa de Estudos Pós-Graduados em Direito, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2016. Capítulo quinto, item 5.6 • ALVES, Francielli Honorato. O planejamento sucessório e a incidência de ITCMD e ITBI. In: CONGRESSO NACIONAL DE ESTUDOS TRIBUTÁRIOS - IBET, v. 18, 2021, São Paulo. Meio século de tradição. São Paulo: Noeses, 2021, p. 635-660. • ARAÚJO, Clarice Von Oertzen de; FAVACHO, Fernando Gomes. A imunidade do ITBI e a descaracterização do conceito de atividade preponderante. In: CONGRESSO NACIONAL DE ESTUDOS TRIBUTÁRIOS - IBET, v. 11, 2014, São Paulo. O direito tributário entre a forma e o conteúdo. São Paulo: Noeses, 2014, p. 217-236. • PORTO, Garin Éderson. Tema 1.113/STJ: o que o conceito de valor venal tem a dizer sobre tributação?. In: https://www.conjur.com.br/2024-mar- https://www.conjur.com.br/2024-mar-18/o-que-o-conceito-de-valor-venal-tem-a-dizer-sobre-tributacao-reflexoes-sobre-o-tema-1-113-stj/ Módulo Tributo e Segurança Jurídica 18/o-que-o-conceito-de-valor-venal-tem-a-dizer-sobre-tributacao- reflexoes-sobre-o-tema-1-113-stj/ - acesso em 19/03/2024. Questões 1. Construa a regra-matriz de incidência tributária do ITCMD tomando-se o texto do artigo 155 da Constitucional/1988 na parte a seguir transcrita. Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; § 1º O imposto previsto no inciso I: II - relativamente a bens móveis, títulos e créditos, compete ao Estado onde era domiciliado o de cujus, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal; IV - terá suas alíquotas máximas fixadas pelo Senado Federal; VI - será progressivo em razão do valor do quinhão, do legado ou da doação; VII - não incidirá sobre as transmissões e as doações para as instituições sem fins lucrativos com finalidade de relevância pública e social, inclusive as organizações assistenciais e beneficentes de entidades religiosas e institutos científicos e tecnológicos, e por elas realizadas na consecução dos seus objetivos sociais, observadas as condições estabelecidas em lei complementar. Resposta: Critério material: transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos Critério temporal: O momento de ocorrência do fato gerador no ITCMD é o da transmissão efetiva do bem ou direito, seja por morte seja por doação. Critério espacial: Na doação, o critério espacial é no estado do domicílio do doador ou local de sitação do bem. Agora, para transmissão causa mortis, sendo herança de bem imóvel, será estado de situação do bem e para bens móveis será no estado onde se processar o inventário/arrolamento. Critério pessoal: Sujeito ativo: Estado ou Distrito Federal Sujeito passivo: Herdeiro, legatário na transmissão causa mortis, ou o donatário, no caso de doação. Critério quantitativo: Base de cálculo: Valor venal do bem ou direito transmitido Alíquota: As alíquotas são fixadas pelo Senado Feral e serão progressivas em face do valor do quinhão, do legado ou da doação. 2. Que é transmissão “causa mortis”? Que é doação? Fundamente sua resposta considerando o que dispõe a legislação do código civil - artigo 1.784 - e o art. 110 do Código Tributário Nacional. https://www.conjur.com.br/2024-mar-18/o-que-o-conceito-de-valor-venal-tem-a-dizer-sobre-tributacao-reflexoes-sobre-o-tema-1-113-stj/ https://www.conjur.com.br/2024-mar-18/o-que-o-conceito-de-valor-venal-tem-a-dizer-sobre-tributacao-reflexoes-sobre-o-tema-1-113-stj/ Módulo Tributo e Segurança Jurídica Resposta: Causa mortis: A causa mortis faz referência à transferência de bens, direitos e obrigações do patrimônio, de uma pessoa que tenha falecido, para os herdeiros. Com base no art. 1.784, este momento ocorre automaticamente no momento da morte do de cujus, ou seja, a herança é automaticamente transmitida desde o instante da morte. Doação: A doação, por sua vez, trata-se de um ato de transferência do patrimônio de uma pessoa para um terceiro, sem qualquer contraprestação. Este ato, da mesma forma que a causa mortis, possui regulamentação no Código Civil, que estabelece os requisitos para que a doação seja válida. 3. Com base apenas nas regras dos incisos I e II1 do § 1º do art. 155 da Constituição Federal, para cada uma das situações a seguir indicadas, identifique o sujeito ativo do ITCMD, isto é, o Estado para o qual seria devido o imposto, eventualmente incidente sobre as transmissões ocorridas, considerando que todas elas ocorreram em março de 2024. (obs: para responder à pergutna parta dQo pressuposto de que existe lei instituindo a regra-matriz do ITCMD e responda à questão, levando em conta, a atual redação do artigo 155 da Constituição Federal/1988). 3.1 Will Mambo Jambo, domiciliado em Maravilha/AL, doou a seu irmão Carl Marx Webery, domiciliado em Goiânia/GO, pouco antes de morrer, a casa de sua propriedade, localizada em Viña del Mar, República do Chile, bem como o automóvel que se encontrava na garagem desse imóvel, e que foi licenciado naquele país. (a) Doação de bem imóvel localizado em Viña del Mar: Com base no art. 155 da Constituição Federal não é possível determinar qual o local de recolhimento do ITCMD, visto que é necessária a elaboração de uma Lei Complementar para definição. (b) Doação de automóvel (bem móvel) localizado em Viña del Mar: Em face da doação do automóvel, com base no inciso II do art. 155 da CF, devemos compreender que o local para recolhimento será Maravilha/AL, visto que era o local onde o doador era domiciliado. 3.2 Carolyne Butterfly de Lima, domiciliada na Cidade do Cabo na África do Sul, deixou, em testamento, todos os bens móveis e imóveis de sua propriedade, localizados na África do Sul, para sua irmã Dyana Spencer Butterfly de Lima, domiciliada em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, que aceitou a herança transmitida. (c) Transmissão “causa mortis” de bens móveis localizados na Cidade do 1 Cumpre esclarecer que não foi inserido o inciso III, uma vez que não há lei complementar dispondo a respeito. Módulo Tributo e Segurança Jurídica Cabo, África do Sul: Conforme depreender-se da alínea b do incido III, do §1º do art. 155, da CF, “terá competência para sua instituição reguladapor lei complementar: se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu inventário processado no exterior”. Portanto, para definição, necessita-se de uma Lei Complementar. (d) Transmissão “causa mortis” de bens imóveis localizados na Cidade do Cabo, África do Sul: Conforme depreender-se da alínea b do incido III, do §1º do art. 155, da CF, “terá competência para sua instituição regulada por lei complementar: se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu inventário processado no exterior”. Portanto, para definição, necessita-se de uma Lei Complementar. 3.3 Lyanna Ferguzon Oversea, domiciliada em Votuporanga, estado de São Paulo, faleceu. Tinha um único filho, Raphaell Ferguzon Oversea, domiciliado em Epitaciolândia no Acre. Ela era proprietária de uma propriedade rural em Abadiânia, Goiás, de um imóvel urbano em Votuporanga, e uma caminhonete S10 cabine dupla, da marca Chevrolet, que ficava em sua propriedade rural. Por ser o único herdeiro, Raphaell optou por fazer o inventário extrajudicial, tendo definido o Cartório da cidade de seu domicílio (Epitaciolândia no Acre) para realizá-lo. e) Transmissão “causa mortis” de bem imóvel localizado na cidade de Abadiânia, Goiás: Conforme, inciso I do §1º do art. 155 da CF, o local de recolhimeno do ITCMD será no local de situação do bem, portanto, Abadiânia. f) Transmissão “causa mortis” de bem imóvel localizado na cidade de Votuporanga, estado de São Paulo: Conforme, inciso I do §1º do art. 155 da CF, o local de recolhimeno do ITCMD será no local de situação do bem, portanto, Votuporanga. g) Transmissão “causa mortis” de bem móvel localizado na cidade de Abadiânia, Goiás: Conforme, inciso II do §1º do art. 155 da CF, o local de recolhimeno do ITCMD será no local onde era de domicílio do de cujus, portanto, Votuporanga. 4. Indique, com base nos dispositivos da lei complementar 7/1997 do município de Florianópolis, abaixo transcritos, qual é a base de cálculo do ITBI e se esta fica, de alguma forma, vinculada à do IPTU. É legítima a adoção do valor de mercado do imóvel como base de cálculo do ITBI? RESPOSTA: A Base de Cálculo do ITBI será o valor venal do imóvel. O ITBI não está vinculado com a BC do IPTU, porém, considerando que ambos os impostos terão como base o valor venal do imóvel, tem-se que não pode existir óbice para utilização. Sendo assim, considerando que o valor venal se trata do valor normal que qualquer bem comerciial obtém do mercado, será possível a utilização do valor venal para fins de IPTU e ITR. Módulo Tributo e Segurança Jurídica CAPÍTULO IV IMPOSTO SOBRE A TRANSMISSÃO ONEROSA DE BENS IMÓVEIS POR ATO INTER VIVOS Art. 278 O imposto sobre a transmissão Inter Vivos, por ato oneroso, de bens imóveis e de direitos reais a eles relativos, tem como fato gerador: I - A transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, da propriedade ou do domínio útil de bens imóveis por natureza ou acessão física, como definidos na Lei civil; II - A transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia; e III - A cessão de direitos relativos às transmissões referidas nos incisos anteriores. § 1º Estão compreendidos nas hipóteses definidas neste artigo: a) A venda e a compra; b) A dação em pagamento; c) A permuta, inclusive nos casos em que a co-propriedade se tenha estabelecido pelo mesmo título ou em bens contíguos; d) A arrematação, a adjudicação e a remissão; e) O excesso de meação na dissolução da sociedade conjugal; f) A transmissão do domínio útil; g) A cessão ou transmissão de direitos do arrematante ou adjudicatário, após a assinatura do ato da arrematação ou adjudicação; h) A cessão de benfeitorias e construções em imóvel, exceto a indenização de benfeitorias pelo proprietário do solo; i) Incorporação de bens imóveis e direitos a eles relativos ao patrimônio de pessoa jurídica, em realização de capital, quando esta tiver como atividade preponderante a compra e venda, a locação e o arrendamento mercantil de bens imóveis; e j) Todos os demais casos compreendidos nas hipóteses definidas neste artigo e que não se compreendam na competência tributária do Estado. Seção IV Da Base de Cálculo Art. 281. A base de cálculo do imposto é o valor venal dos bens ou direitos transmitidos ou cedidos, assim entendido como valor venal aquele que o bem ou direito alcançaria em condições normais de mercado, e será apurada: I - pelo sujeito passivo, com base na declaração prevista no art. 284-A, sendo os valores declarados tidos como líquidos e certos para fins de constituição e cobrança do crédito tributário; e II - pela autoridade fiscal, na hipótese do art. 284-B. § 1º A apuração da base de cálculo, nos termos do inciso II, se dará mediante regular procedimento de arbitramento do valor do bem ou direito transmitido ou cedido, a ser realizado pela autoridade fiscal responsável pelo procedimento de fiscalização, conforme regulamento. 5. Analise a legislação transcrita abaixo para, ao final, responder. Módulo Tributo e Segurança Jurídica CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: II - transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição; CÓDIGO CIVIL Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Art. 1.245. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. § 1º. Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. § 2º. Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. Art. 1.246. O registro é eficaz desde o momento em que se apresentar o título ao oficial do registro, e este o prenotar no protocolo. Art. 1.247. Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule. Parágrafo único. Cancelado o registro, poderá o proprietário reivindicar o imóvel, independentemente da boa-fé ou do título do terceiro adquirente. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. LEI Nº 9133, DE 18 DE DEZEMBRO DE 2006, DO MUNICÍPIO DE FORTALEZA/CE Altera a legislação tributária municipal relativamente ao Imposto sobre a Transmissão Onerosa de Bens Imóveis por Ato Inter Vivos (ITBI) e dá outras providências. FAÇO SABER QUE A CÂMARA MUNICIPAL DE FORTALEZA APROVOU E EU SANCIONO A SEGUINTE LEI: Módulo Tributo e Segurança Jurídica CAPÍTULO I Dos Elementos do Imposto sobre a Transmissão Onerosa de Bens Imóveis por Ato Inter Vivos (ITBI) Seção I Do Fato Gerador Art. 1º - Fica instituído o Imposto sobre a Transmissão Onerosa de Bens Imóveis por Ato Inter Vivos (ITBI), que tem como fato gerador: I - a transmissão, a qualquer título, por ato oneroso, da propriedade ou domínio útil de bens imóveis por natureza ou acessão física, como definidos na lei civil; II - a transmissão, a qualquer título, de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia; Seção VII Do Pagamento do ITBI Art. 10 - O Imposto sobre a Transmissão Onerosa de Bens Imóveis por AtoInter Vivos (ITBI) será pago: I - por antecipação, até a data da lavratura do instrumento que servir de base à transmissão da propriedade, do domínio útil ou da cessão de direitos relativos a bens imóveis, observado o art. 5o, § 2o, desta Lei; II - no prazo de 30 (trinta) dias, contados do trânsito em julgado, se o título de transmissão da propriedade, do domínio útil ou da cessão de direitos relativos a bens imóveis for decorrente de sentença judicial, observado o art. 5o, § 2o, desta Lei; III - no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da lavratura do instrumento que servir de base à transmissão da propriedade, do domínio útil ou da cessão de direitos relativos a bens imóveis, observado o art. 5o, inciso II, desta Lei. Art. 11 - O pagamento será efetuado através de documento próprio, como dispuser o regulamento. Considerando a legislação adrede transcrita, responda: a) Qual é o momento da incidência do ITBI (por outras plavras: quando se materializa o critério temporal da regra matriz de incidência do ITBI)? O momento da ocorrência do fato gerador é a data da transmissão da propriedade, que pode ser representada pela lavratura da escritura pública ou outro documento que efetive a transmissão dos direitos reais sobre o imóvel, exceto os de garantia. b) É possível que haja pagamento do imposto na forma em que determinado na legislação municipal? Justifique sua resposta, considerando as disposições transcritas. Não, a antecipação do ITBI não corresponde aos critérios determinados pela CF.