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Módulo Tributo e Segurança Jurídica SEMINÁRIO VII - ITCMD E ITBI Questões 1. Construa a regra-matriz de incidência tributária do ITCMD tomando-se o texto do artigo 155 da Constitucional/1988 na parte a seguir transcrita. Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: CRITÉRIO PESSOAL I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; CRITÉRIO MATERIAL § 1º O imposto previsto no inciso I: II - relativamente a bens móveis, títulos e créditos, compete ao Estado onde era domiciliado o de cujus, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal; CRITÉRIO PESSOAL IV - terá suas alíquotas máximas fixadas pelo Senado Federal; CRITÉRIO QUANTITATIVO VI - será progressivo em razão do valor do quinhão, do legado ou da doação; CRITÉRIO QUANTITATIVO VII - não incidirá sobre as transmissões e as doações para as instituições sem fins lucrativos com finalidade de relevância pública e social, inclusive as organizações assistenciais e beneficentes de entidades religiosas e institutos científicos e tecnológicos, e por elas realizadas na consecução dos seus objetivos sociais, observadas as condições estabelecidas em lei complementar. Se houver transmissão causa mortis ou doação de quaisquer bens ou direitos, será devido o ITCMD no estado onde era domiciliado o de cujus, ou tiver domicílio o doador, pelo herdeiro, legatário ou donatário ou doador, tendo suas alíquotas máximas definidas pelo senado federal, podendo esta ser progressiva em razão do valor do quinhão, do legado ou da doação. 2. Que é transmissão “causa mortis”? Que é doação? Fundamente sua resposta considerando o que dispõe a legislação do código civil - artigo 1.784 - e o art. 110 do Código Tributário Nacional. Para Maria Helena Diniz, transmissão causa mortis é: “transferência e aquisição de bens, direitos ou deveres fundada em herança ou legado” (DINIZ. Maria Helena. Módulo Tributo e Segurança Jurídica “Dicionário Jurídico”. Editora Saraiva, Volume 4, Q-Z, 1998, P.610) Na mesma toada, De Plácido e Silva, em seu “Vocabulário Jurídico”, conceitua a transmissão da herança da seguinte maneira: “A transmissão da herança revela-se, ainda, uma transferência e aquisição causa mortis, isto é, a que se gera ou se deriva do falecimento da pessoa a quem pertenciam os bens e direitos transmitidos” (SILVA. De Plácido e. “Vocabulário Jurídico”. Editora Forense, Volume IV, Q-Z, 1996, p. 409). Ou seja, seguindo esse entendimento, concluo que a expressão “transmissão causa mortis”, utilizada pela CF, refere-se à transferência da herança para os herdeiros legítimos, legatários ou testamentários, que é a hipótese de incidência do ITCMD. Convém ainda determinar o que é “herança”, para fins de especificar a conceituação da expressão “transmissão causa mortis”. Fazendo-se leitura sistemática dos artigos 1789, 1846, 1847 e 2002, é possível concluir que o código civil caracteriza a herança como todos os bens e direitos deixados pelo de cujus, após descontar as despesas com funeral, dívidas e a meação do cônjuge ou companheiro sobrevivente. Doação, segundo o artigo 538 do Código Civil, é um “contrato em que uma das partes, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra”. Ou seja, doação é um acordo de vontades em em que o doador gratuitamente e com a intenção de dar bem ou vantagem a outrem. Sendo assim, não basta que a transferência seja gratuita, mas também que o doador tenha a vontade de praticar, voluntariamente, a redução do seu patrimônio, com intuito deliberado de se empobrecer, em prol do enriquecimento do donatário. 3. Com base apenas nas regras dos incisos I e II1 do § 1º do art. 155 da Constituição Federal, para cada uma das situações a seguir indicadas, identifique o sujeito ativo do ITCMD, isto é, o Estado para o qual seria devido o imposto, eventualmente incidente sobre as transmissões ocorridas, considerando que todas elas ocorreram em março de 2024. (obs: para responder à pergutna parta do pressuposto de que existe lei instituindo a regra-matriz do ITCMD e responda à questão, levando em conta, a atual redação do artigo 155 da Constituição Federal/1988). 3.1 Will Mambo Jambo, domiciliado em Maravilha/AL, doou a seu irmão Carl 1 Cumpre esclarecer que não foi inserido o inciso III, uma vez que não há lei complementar dispondo a respeito. Módulo Tributo e Segurança Jurídica Marx Webery, domiciliado em Goiânia/GO, pouco antes de morrer, a casa de sua propriedade, localizada em Viña del Mar, República do Chile, bem como o automóvel que se encontrava na garagem desse imóvel, e que foi licenciado naquele país. (a) Doação de bem imóvel localizado em Viña del Mar: Nesse caso, não há incidência do ITCMD, pois o artigo 155 não prevê a hipótese em que o imóvel esteja localizado no exterior, mas com o doador residente ou domiciliado no território nacional. Nesse caso seria necessária a edição de Lei complementar, mas não por força do inciso III do parágrafo 1º do referido. A alínea a do inciso III do parágrafo 1º do artigo 155 da CF, diz que a Lei complementar é necessária para quando o doador for domiciliado ou residente no exterior. Enquanto o inciso I se refere aos casos em que o imóvel esteja localizado em território nacional e, por fim, quanto ao inciso II do parágrafo 1º da CF, restringe ao casos de que se trat e de bem móveis, títulos e créditos. (b) Doação de automóvel (bem móvel) localizado em Viña del Mar: O ITCMD compete ao estado onde era domiciliado o doador Will Mambo Jambo, isto é, Maravilha/AL, conforme artigo 155, parágrafo 1º, inciso II, pois se trata de bem móvel. 3.2 Carolyne Butterfly de Lima, domiciliada na Cidade do Cabo na África do Sul, deixou, em testamento, todos os bens móveis e imóveis de sua propriedade, localizados na África do Sul, para sua irmã Dyana Spencer Butterfly de Lima, domiciliada em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, que aceitou a herança transmitida. (c) Transmissão “causa mortis” de bens móveis localizados na Cidade do Cabo, África do Sul: (d) Transmissão “causa mortis” de bens imóveis localizados na Cidade do Cabo, África do Sul: Nesses dois casos o ITCMD deverá ter sua competência especificada por Lei complementar, conforme alínea b do inciso III, do parágrafo 1º do artigo 155 da CF. A referida alínea não especifica se são bens móveis ou imóveis, devendo, portanto, presumir que se encaixa a tanto um quanto ao outro. 3.3 Lyanna Ferguzon Oversea, domiciliada em Votuporanga, estado de São Paulo, faleceu. Tinha um único filho, Raphaell Ferguzon Oversea, domiciliado em Epitaciolândia no Acre. Ela era proprietária de uma propriedade rural em Abadiânia, Goiás, de um imóvel urbano em Votuporanga, e uma caminhonete S10 cabine dupla, da marca Chevrolet, que ficava em sua propriedade rural. Módulo Tributo e Segurança Jurídica Por ser o único herdeiro, Raphaell optou por fazer o inventário extrajudicial, tendo definido o Cartório da cidade de seu domicílio (Epitaciolândia no Acre) para realizá-lo. e) Transmissão “causa mortis” de bem imóvel localizado na cidade de Abadiânia, Goiás: O ITCMD compete ao estado da situação do bem, isto é, Goiás. f) Transmissão “causa mortis” de bem imóvel localizado na cidade de Votuporanga, estado de São Paulo: será devido o ITCMD ao estado de São Paulo, local da situação do bem imóvel, conforme inciso I, do parágrafo 1º, do artigo 155 da CF. g) Transmissão “causa mortis” de bem móvel localizado na cidade de Abadiânia, Goiás: Em relação ao veiúculo, por ser bem móvel, o ITCM compete ao estado onde era domiciliado o de cujus, ou seja, São Paulo, por força do inciso II, do parágrafo 1º, do artigo 155 da CF. 4. Indique, com base nos dispositivos da lei complementar 7/1997 do município de Florianópolis, abaixo transcritos, qual é a base de cálculo do ITBI e se esta fica, de alguma forma, vinculada à do IPTU. É legítimaa adoção do valor de mercado do imóvel como base de cálculo do ITBI? A base de cálculo definida na lei transcrita abaixo é o valor venal do imóvel, assim entendido como o valor que o bem atingiria em condições normais de mercado. Dessa forma, tem-se que a lei definiu como base de cálculo o valor de mercado do bem ou direito transmitido, não estando, portanto, vinculado à base de cálculo do IPTU, que é definida por uma outra lei municipal, e que leva em consideração planta genérica de valores definida pelo município. A adoção do valor de mercado como base de cálculo do ITBI é legítima e, ao meu ver, correta. Isso porque o ITBI, diferentemente do IPTU, é declarado pelo próprio adquirente, no ato do registro. Desse modo, ele possui presunção de boa-fe, cabendo ao fisco municipal impugnar o valor declarado. Já no IPTU, é o próprio fisco municipal quem lança o imposto, de ofício, e portanto, precisa de critérios preestabelecidos. Ademais, no caso do IPTU, o fato gerador é a PROPRIEDADE do imóvel, enquanto que no ITBI, é a TRANSMISSÃO ONEROSA INTER VIVOS, de modo que a base de cálculo, em cada um dos casos, vincula-se à hipótese de incidência de diferentes formas. CAPÍTULO IV IMPOSTO SOBRE A TRANSMISSÃO ONEROSA DE BENS IMÓVEIS POR ATO INTER VIVOS Módulo Tributo e Segurança Jurídica Art. 278 O imposto sobre a transmissão Inter Vivos, por ato oneroso, de bens imóveis e de direitos reais a eles relativos, tem como fato gerador: I - A transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, da propriedade ou do domínio útil de bens imóveis por natureza ou acessão física, como definidos na Lei civil; II - A transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia; e III - A cessão de direitos relativos às transmissões referidas nos incisos anteriores. § 1º Estão compreendidos nas hipóteses definidas neste artigo: a) A venda e a compra; b) A dação em pagamento; c) A permuta, inclusive nos casos em que a co-propriedade se tenha estabelecido pelo mesmo título ou em bens contíguos; d) A arrematação, a adjudicação e a remissão; e) O excesso de meação na dissolução da sociedade conjugal; f) A transmissão do domínio útil; g) A cessão ou transmissão de direitos do arrematante ou adjudicatário, após a assinatura do ato da arrematação ou adjudicação; h) A cessão de benfeitorias e construções em imóvel, exceto a indenização de benfeitorias pelo proprietário do solo; i) Incorporação de bens imóveis e direitos a eles relativos ao patrimônio de pessoa jurídica, em realização de capital, quando esta tiver como atividade preponderante a compra e venda, a locação e o arrendamento mercantil de bens imóveis; e j) Todos os demais casos compreendidos nas hipóteses definidas neste artigo e que não se compreendam na competência tributária do Estado. Seção IV Da Base de Cálculo Art. 281. A base de cálculo do imposto é o valor venal dos bens ou direitos transmitidos ou cedidos, assim entendido como valor venal aquele que o bem ou direito alcançaria em condições normais de mercado, e será apurada: I - pelo sujeito passivo, com base na declaração prevista no art. 284-A, sendo os valores declarados tidos como líquidos e certos para fins de constituição e cobrança do crédito tributário; e II - pela autoridade fiscal, na hipótese do art. 284-B. § 1º A apuração da base de cálculo, nos termos do inciso II, se dará mediante regular procedimento de arbitramento do valor do bem ou direito transmitido ou cedido, a ser realizado pela autoridade fiscal responsável pelo procedimento de fiscalização, conforme regulamento. 5. Analise a legislação transcrita abaixo para, ao final, responder. CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: Módulo Tributo e Segurança Jurídica II - transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição; CÓDIGO CIVIL Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Art. 1.245. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. § 1º. Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. § 2º. Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. Art. 1.246. O registro é eficaz desde o momento em que se apresentar o título ao oficial do registro, e este o prenotar no protocolo. Art. 1.247. Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule. Parágrafo único. Cancelado o registro, poderá o proprietário reivindicar o imóvel, independentemente da boa-fé ou do título do terceiro adquirente. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. LEI Nº 9133, DE 18 DE DEZEMBRO DE 2006, DO MUNICÍPIO DE FORTALEZA/CE Altera a legislação tributária municipal relativamente ao Imposto sobre a Transmissão Onerosa de Bens Imóveis por Ato Inter Vivos (ITBI) e dá outras providências. FAÇO SABER QUE A CÂMARA MUNICIPAL DE FORTALEZA APROVOU E EU SANCIONO A SEGUINTE LEI: CAPÍTULO I Dos Elementos do Imposto sobre a Transmissão Onerosa de Bens Imóveis por Ato Inter Vivos (ITBI) Módulo Tributo e Segurança Jurídica Seção I Do Fato Gerador Art. 1º - Fica instituído o Imposto sobre a Transmissão Onerosa de Bens Imóveis por Ato Inter Vivos (ITBI), que tem como fato gerador: I - a transmissão, a qualquer título, por ato oneroso, da propriedade ou domínio útil de bens imóveis por natureza ou acessão física, como definidos na lei civil; II - a transmissão, a qualquer título, de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia; Seção VII Do Pagamento do ITBI Art. 10 - O Imposto sobre a Transmissão Onerosa de Bens Imóveis por Ato Inter Vivos (ITBI) será pago: I - por antecipação, até a data da lavratura do instrumento que servir de base à transmissão da propriedade, do domínio útil ou da cessão de direitos relativos a bens imóveis, observado o art. 5o, § 2o, desta Lei; II - no prazo de 30 (trinta) dias, contados do trânsito em julgado, se o título de transmissão da propriedade, do domínio útil ou da cessão de direitos relativos a bens imóveis for decorrente de sentença judicial, observado o art. 5o, § 2o, desta Lei; III - no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da lavratura do instrumento que servir de base à transmissão da propriedade, do domínio útil ou da cessão de direitos relativos a bens imóveis, observado o art. 5o, inciso II, desta Lei. Art. 11 - O pagamento será efetuado através de documento próprio, como dispuser o regulamento. Considerando a legislação adrede transcrita, responda: a) Qual é o momento da incidência do ITBI (por outras plavras: quando se materializa o critério temporal da regra matriz de incidência do ITBI)? O ITBI incide no momento em que é feita a transmissão, através do registro no cartório de imóveis, conforme artigo 1245 do Código Civil. É apenas com o registro que a transmissão se materializa e se converte em fato jurídico tributável, pois uma compra e venda sem registro nenhum, não passa de um evento no mundo fenomênico. b) É possível que haja pagamento do imposto na forma em quedeterminado na legislação municipal? Justifique sua resposta, considerando as disposições transcritas. O momento do pagamento do pagamento é diferente do momento do Módulo Tributo e Segurança Jurídica fato gerador. Isso é comprovado com as hipóteses de substituição tributária previstas no artigo 150 da CF. No entanto, para que se possa antecipar o tributo, é necessário que haja previsão expressa em lei municipal, garantindo, inclusive, a forma de restituição, em caso de pagamento a maior, ou caso o fato gerador presumido não se concretize. SEMINÁRIO VII - ITCMD E ITBI