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Nervo facial (NC VII) Autor: Beatriz la Féria • Revisor: Dr. Rafael Lourenço do Carmo Última revisão: 07 de Novembro de 2023 Tempo de leitura: 20 minutos https://www.kenhub.com/pt/team/rafael-lourenco-do-carmo Nervo facial Nervus facialis 1/2 Sinônimos: Nervo craniano VII, NC VII, mostrar mais... O nervo facial (NC VII) é um nervo craniano misto que se origina no tronco encefálico. Ele possui fibras motoras e sensitivas que, de acordo com a sua modalidade, podem ser gerais, viscerais, somáticas e especiais. Isso explica porque as funções do nervo facial são tão variadas, uma vez que ele inerva os músculos, a mucosa, as glândulas e transmite os impulsos nervosos associados ao paladar. https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/os-12-nervos-cranianos https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/tronco-encefalico-2 https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/tronco-encefalico-2 A origem real do nervo facial encontra-se nos seus quatro núcleos, localizados na ponte. Esses núcleos dão origem a duas divisões (raízes) diferentes do nervo facial: uma raiz motora primária maior e uma raiz sensitiva menor chamada de nervo intermédio. As duas raízes unem-se dentro do canal do nervo facial (canal de Falópio), formando o tronco do nervo facial propriamente dito, que alcança a face ao atravessar o forame estilomastóideo. Na face, o nervo facial inerva os músculos faciais, responsáveis pelas expressões faciais, uma parte da língua e o palato mole, sendo responsável pelo paladar, a mucosa do nariz e da orelha média, assim como as glândulas lacrimais e salivares. Este artigo explicará tudo sobre a anatomia, a origem, as funções e o trajeto do nervo facial Tipo Nervo misto: Eferente visceral geral (EVG) (parassimpático) Eferente visceral especial (EVE) Aferente visceral geral (AVG) Aferente visceral especial (AVE) Aferente somático geral (ASG) Núcleos (origem real) Núcleo salivar superior (EVG) Núcleo motor do nervo facial (EVE) Núcleos do trato solitário (AVG, AVE) Núcleo espinal do nervo trigêmeo (ASG) https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/lingua https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/palato-mole https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/ouvido https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/glandulas-salivares Local de saída do crânio Forame estilomastóideo Ramos intracranianos Nervo petroso maior Nervo para o músculo estapédio Corda do tímpano Ramos extracranianos Nervo auricular posterior, ramo digástrico, ramo estilo-hióideo, ramo temporal, ramos zigomáticos, ramo bucal, ramos marginais da mandíbula e ramos cervicais Funções Inervação sensitiva: ouvida média, cavidade nasal, palato mole (AVG); dois terços anteriores da língua (AVE); meato acústico externo (ASG) Inervação motora: glândulas lacrimal, submandibular, sublingual, nasal, glândulas palatinas (glândulas salivares menores) (EVG), músculos da expressão facial (EVE) Conteúdo 1. Origem 2. Trajeto 3. Ramos 1. Ramos intracranianos 2. Ramos extracranianos 4. Nervo facial como parte do trato corticobulbar 5. Notas Clínicas 1. Parotidectomia (retirada cirúrgica da glândula parótida) 2. Paralisia do nervo facial 3. Paralisia de Bell 4. Avaliação clínica do nervo facial 6. Referências + Mostrar tudo https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/nervo-facial#section1 https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/nervo-facial#section2 https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/nervo-facial#section3 https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/nervo-facial#section4 https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/nervo-facial#section5 https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/nervo-facial#section6 https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/nervo-facial#section7 https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/nervo-facial#section8 https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/nervo-facial#section9 https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/nervo-facial#section10 https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/nervo-facial#section11 https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/nervo-facial#section12 Origem Núcleos dos nervos cranianos 1/4 O nervo facial tem origem em quatro núcleos localizados na ponte (origem real): 1. Núcleo salivar superior (eferente visceral geral, EVG) 2. Núcleo motor do nervo facial (eferente visceral especial, EVE) 3. Núcleos do trato solitário (aferente visceral geral, AVG) 4. Núcleo espinal do nervo trigêmeo (aferente somático geral, ASG) O núcleo motor do nervo facial dá origem a uma espessa raiz motora, enquanto os outros núcleos dão origem a um nervo intermediário mais fino. As raízes saem juntas do tronco encefálico através do seu aspecto ântero-lateral. Esse local é conhecido como origem aparente do nervo facial, e se localiza no aspecto lateral do tronco encefálico, na junção da ponte com o bulbo, entre as origens dos pares cranianos VI e VIII. Confira a unidade de estudo abaixo para aprender um pouco mais sobre os pares cranianos: Núcleos dos nervos cranianosExplore unidade de estudo Trajeto https://www.kenhub.com/pt/study/nucleos-do-nervo-craniano https://www.kenhub.com/pt/study/nucleos-do-nervo-craniano O trajeto do nervo facial 1/2 Desde a sua origem até chegar à face, o trajeto do nervo facial pode ser dividido em seis segmentos: 1. Segmento intracraniano (pontino ou cisternal) 2. Segmento meatal (dentro do meato acústico interno) 3. Segmento labiríntico (desde o meato acústico interno até ao gânglio geniculado) 4. Segmento timpânico (desde o gânglio geniculado até à eminência piramidal) 5. Segmento mastóideo (desde a eminência piramidal até ao forame estilomastóideo) 6. Segmento extratemporal (desde o forame estilomastóideo até os ramos pós-parotídeos) O segmento intracraniano (pontino ou cisternal) do nervo é relativamente curto. Ele começa na origem aparente do nervo facial e engloba todo o trajeto das raízes do nervo facial na fossa posterior do crânio. Depois, as raízes alcançam a porção petrosa do osso temporal e passam através do meato acústico interno, onde se localiza o segmento meatal. Em seguida, entram no canal do nervo facial, um canal em forma de Z no interior do qual as raízes se unem, formando o nervo facial propriamente dito. Os segmentos labiríntico, timpânico e mastóideo encontram-se dentro do canal do nervo facial. Entender os nervos cranianos pode ser uma verdadeira dor de cabeça. Quer aprender de forma mais rápida? Nossos testes e ilustrações vão ajudá-lo! O segmento labiríntico é muito curto, se estendendo entre a entrada do canal do nervo facial e uma região conhecida como joelho do nervo facial, onde o canal e o nervo se curvam (daí o nome “joelho”). Nesse local, o nervo facial expande-se e para formar o gânglio geniculado, que contém os corpos celulares dos neurônios sensitivos. É aqui, no gânglio geniculado, que o nervo facial emite o nervo petroso maior. https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/ganglios-nervosos https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/osso-temporal https://www.kenhub.com/pt/library/estrategias-de-aprendizagem/exercicios-e-tabela-sobre-os-nervos-cranianos A próxima região do nervo é o segmento timpânico, que percorre a porção do canal do nervo facial que atravessa a cavidade timpânica. Este segmento emite a corda do tímpano e o nervo para o músculo estapédio. Ele termina na eminência piramidal, onde encontramos a segunda curvatura do canal facial. O nervo facial continua inferiormente no segmento mastóideo, o qual termina quando o nervo chega ao forame estilomastóideo. O forame estilomastóideo é o orifício através do qual o nervo facial deixa o crânio (osso temporal) e alcança a face. Portanto, o restante do trajeto do nervo facial é chamado de segmento extratemporal. O que acha de aprofundar seus conhecimentos sobre o nervo facial com a unidade de estudo abaixo? Nervo facial (NC VII)Explore unidade de estudo Ramos Os ramos do nervo facial são classificados como intracranianos (dentro do crânio) e extracranianos (na face). https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/cranio https://www.kenhub.com/pt/study/nervo-facialnível o nervo facial ainda não se ramificou nos nervos petroso maior e na corda do tímpano, a produção de lágrimas, saliva e a sensação gustativa nos dois terços anteriores da língua também podem ser afetadas. Se o nervo facial for lesado antes de se dividir nos seus ramos terminais, os músculos da expressão facial de todo esse lado da face podem ficar enfraquecidos ou paralisados. Isso resulta frequentemente da inflamação viral do nervo facial antes deste sair pelo forame estilomastóideo. Se a lesão for distal à ramificação do nervo petroso maior e da corda do tímpano, a produção de lágrimas, saliva e a sensação gustativa nos dois terços anteriores da língua podem não ser afetadas. Nas lesões do músculo estapédio, do nervo para o músculo estapédio ou mesmo do próprio nervo facial, a paralisia do músculo estapédio pode causar hiperacusia. Nesse caso, a perda da inibição da oscilação do estribo resulta numa vibração excessiva: assim, os sons que antes eram considerados de um volume normal, agora serão percebidos como incomodamente altos. Paralisia de Bell A paralisia de Bell é a forma mais comum de paralisia periférica do nervo facial. Ainda que normalmente não haja uma causa detectável (paralisia idiopática), algumas pesquisas sugerem que possa estar relacionada com a infeção latente por vírus herpes simplex tipo 1 (VHS-1), causando inflamação do nervo e os sintomas relacionados. A apresentação clínica inclui incapacidade súbita da expressão facial, comumente de um único lado. Frequentemente é precedida por parestesia pré-auricular ou otalgia, e pode estar associada a xeroftalmia (olhos secos), xerostomia (boca seca), zumbidos e hiperacusia. A síndrome de Ramsay Hunt resulta de uma reativação do vírus da varicela zoster no gânglio geniculado. Apresenta-se como uma tríade de paralisia do nervo facial, vertigens e vesículas na orelha externa ipsilateral, palato ou na parte anterior da língua. O tratamento consiste geralmente em corticoides e antivirais. A paralisia do nervo facial secundária a uma otite média é mais comum em crianças. A causa mais comum de otite média é a infeção por uma bactéria gram-positiva: o Streptococcus pneumoniae. A maioria dos casos é tratado com antibióticos. A paralisia do nervo facial também pode ser secundária a uma osteomielite da base do crânio. Esta etiologia é mais frequente em pacientes idosos ou imunocomprometidos. As características identificativas são dor intensa, secreção na orelha e neuropatias cranianas progressivas. Tal como na lesão de um recém-nascido causada pelo uso de fórceps durante o trabalho de parto, a paralisia do nervo facial em um adulto também pode ser causada por qualquer trauma que afete o osso temporal. Avaliação clínica do nervo facial A função motora do nervo facial é avaliada verificando a força hemifacial. Geralmente, instrui-se a pessoa a enrugar a testa, a sorrir, a fechar os olhos contra resistência e a encher as bochechas, também contra resistência. Porém, a assimetria de movimentos faciais é frequentemente mais evidente durante a conversação espontânea, em especial quando o paciente sorri. Como mencionado anteriormente, se o paciente apresentar apenas fraqueza facial inferior (isto é, o enrugamento da fronte e o fechamento das pálpebras são preservados), a fraqueza do sétimo nervo craniano será central, e não periférica. A perda da sensibilidade gustativa nos dois terços anteriores da língua e a hiperacusia podem ser avaliadas usando testes mais específicos. A sensibilidade gustativa pode ser avaliada usando soluções doces, azedas, salgadas e amargas colocadas em ambos os lados da língua e comparando as sensações de cada lado. A hiperacusia pode ser detectada usando um diapasão em vibração próximo à orelha e comparando os sons recebidos dos dois lados. Referências Todo o conteúdo publicado no Kenhub é revisado por especialistas em medicina e anatomia. As informações que nós fornecemos são baseadas na literatura acadêmica e pesquisas científicas. O Kenhub não oferece aconselhamento médico. Você pode aprender mais sobre nosso processo de criação e revisão de conteúdo lendo nossas diretrizes de qualidade de conteúdo. Referências: ● Drake, R. L., Vogl, A. W., & Mitchell, A. W. M: Gray’s Anatomy for Students, Third Ed., Churchill Livingstone (2015), p. 870, 894-5, 898-899, 905, 991. ● Giovanni, G: Teach Neurology: The Corneal or Blink Reflex, Barts and The London School of Medicine and Dentistry (2013), (accessed 22 of June 2017). https://www.kenhub.com/pt/quality ● Haines, D: Neuroanatomy in Clinical Context, Ninth Ed., Wolters Kluwer Health (2015), p. 138, 152. ● Siegel, A., & Sapru, H. N: Essential Neuroscience, Third Ed., Lippincott Williams & Wilkins (2015), p. 193. ● Vyas, M. J: MedlinePlus: Lyme Disease, NIH US National Library of Medicine, (accessed 22 of June 2017). ● Spencer CR, Irving RM. Causes and management of facial nerve palsy. Br J Hosp Med (Lond). 2016 Dec 2;77(12):686-691nível o nervo facial ainda não se ramificou nos nervos petroso maior e na corda do tímpano, a produção de lágrimas, saliva e a sensação gustativa nos dois terços anteriores da língua também podem ser afetadas. Se o nervo facial for lesado antes de se dividir nos seus ramos terminais, os músculos da expressão facial de todo esse lado da face podem ficar enfraquecidos ou paralisados. Isso resulta frequentemente da inflamação viral do nervo facial antes deste sair pelo forame estilomastóideo. Se a lesão for distal à ramificação do nervo petroso maior e da corda do tímpano, a produção de lágrimas, saliva e a sensação gustativa nos dois terços anteriores da língua podem não ser afetadas. Nas lesões do músculo estapédio, do nervo para o músculo estapédio ou mesmo do próprio nervo facial, a paralisia do músculo estapédio pode causar hiperacusia. Nesse caso, a perda da inibição da oscilação do estribo resulta numa vibração excessiva: assim, os sons que antes eram considerados de um volume normal, agora serão percebidos como incomodamente altos. Paralisia de Bell A paralisia de Bell é a forma mais comum de paralisia periférica do nervo facial. Ainda que normalmente não haja uma causa detectável (paralisia idiopática), algumas pesquisas sugerem que possa estar relacionada com a infeção latente por vírus herpes simplex tipo 1 (VHS-1), causando inflamação do nervo e os sintomas relacionados. A apresentação clínica inclui incapacidade súbita da expressão facial, comumente de um único lado. Frequentemente é precedida por parestesia pré-auricular ou otalgia, e pode estar associada a xeroftalmia (olhos secos), xerostomia (boca seca), zumbidos e hiperacusia. A síndrome de Ramsay Hunt resulta de uma reativação do vírus da varicela zoster no gânglio geniculado. Apresenta-se como uma tríade de paralisia do nervo facial, vertigens e vesículas na orelha externa ipsilateral, palato ou na parte anterior da língua. O tratamento consiste geralmente em corticoides e antivirais. A paralisia do nervo facial secundária a uma otite média é mais comum em crianças. A causa mais comum de otite média é a infeção por uma bactéria gram-positiva: o Streptococcus pneumoniae. A maioria dos casos é tratado com antibióticos. A paralisia do nervo facial também pode ser secundária a uma osteomielite da base do crânio. Esta etiologia é mais frequente em pacientes idosos ou imunocomprometidos. As características identificativas são dor intensa, secreção na orelha e neuropatias cranianas progressivas. Tal como na lesão de um recém-nascido causada pelo uso de fórceps durante o trabalho de parto, a paralisia do nervo facial em um adulto também pode ser causada por qualquer trauma que afete o osso temporal. Avaliação clínica do nervo facial A função motora do nervo facial é avaliada verificando a força hemifacial. Geralmente, instrui-se a pessoa a enrugar a testa, a sorrir, a fechar os olhos contra resistência e a encher as bochechas, também contra resistência. Porém, a assimetria de movimentos faciais é frequentemente mais evidente durante a conversação espontânea, em especial quando o paciente sorri. Como mencionado anteriormente, se o paciente apresentar apenas fraqueza facial inferior (isto é, o enrugamento da fronte e o fechamento das pálpebras são preservados), a fraqueza do sétimo nervo craniano será central, e não periférica. A perda da sensibilidade gustativa nos dois terços anteriores da língua e a hiperacusia podem ser avaliadas usando testes mais específicos. A sensibilidade gustativa pode ser avaliada usando soluções doces, azedas, salgadas e amargas colocadas em ambos os lados da língua e comparando as sensações de cada lado. A hiperacusia pode ser detectada usando um diapasão em vibração próximo à orelha e comparando os sons recebidos dos dois lados. Referências Todo o conteúdo publicado no Kenhub é revisado por especialistas em medicina e anatomia. As informações que nós fornecemos são baseadas na literatura acadêmica e pesquisas científicas. O Kenhub não oferece aconselhamento médico. Você pode aprender mais sobre nosso processo de criação e revisão de conteúdo lendo nossas diretrizes de qualidade de conteúdo. Referências: ● Drake, R. L., Vogl, A. W., & Mitchell, A. W. M: Gray’s Anatomy for Students, Third Ed., Churchill Livingstone (2015), p. 870, 894-5, 898-899, 905, 991. ● Giovanni, G: Teach Neurology: The Corneal or Blink Reflex, Barts and The London School of Medicine and Dentistry (2013), (accessed 22 of June 2017). https://www.kenhub.com/pt/quality ● Haines, D: Neuroanatomy in Clinical Context, Ninth Ed., Wolters Kluwer Health (2015), p. 138, 152. ● Siegel, A., & Sapru, H. N: Essential Neuroscience, Third Ed., Lippincott Williams & Wilkins (2015), p. 193. ● Vyas, M. J: MedlinePlus: Lyme Disease, NIH US National Library of Medicine, (accessed 22 of June 2017). ● Spencer CR, Irving RM. Causes and management of facial nerve palsy. Br J Hosp Med (Lond). 2016 Dec 2;77(12):686-691