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1. Infecção Urinária
ITU corresponde a um processo infecciosa de
etiologia bacteriana, viral ou fúngica.
Classificada em 2 categorias
˃ Complicada: Ocorre alteração anatômica ou
funcional
• Refluxo vesicoureteral
• Bexiga neurogênica
• Obstrução
• Litíase renal
• Hiperplasia prostática benigna
• Tumores etc.
˃ Não complicada: Sem anormalidades estruturais
ou funcionais no trato urinário.
• Escherichia coli + COMUM
Ou classificada em trato alto e baixo
˃ Trato urinário baixo: Uretra, próstata, testículo e
bexiga.
• Uretrite
• Cistite
• Orquiepididimite
• Prostatite
˃ Trato urinário alto: Parênquima renal, cálices ou
ureteres.
• Pielonefrite.
Patogênese
Podem chegar por 2 vias
˃ Ascendente (microrganismos existentes no
trato gastrintestinal ou genital)
˃ Hematogênica (+ comum em pielonefrite)
•GRAM –
• Escherichia coli (85-90%)
• Enterobacter sp
• Klebisiella sp
• Proteus mirabilis
• Pseudômonas
GRAM +
• Staphylococcus saprophyticus
• Streptococcus faecallis
FUNGOS
• Cândida albicans
Mecanismos de defesa contra os fatores de
virulência:
• Osmolaridade e pH da urina
• Fluxo urinário
• Resposta imunológica (neutrófilos,
macrófagos e linfócitos)
• Inibidores de adesão: proteínas Tamm-
Horsfall e mucopolissacarídeos secretados
pelo uroepitélio.
URETRA FEMININA X MASCULINA
Tem a diferença de tamanho entre a uretra
masculina e a uretra feminina: nos homens a uretra é
maior e por isso, as mulheres são mais acometidas
pelas ITU.
˃ Cerca de 80% das mulheres vão adquirir ao
menos 1 episódio, provavelmente por cistite
não complicada
˃ Homem – Hiperplasia de próstata benigna.
- O líquido prostático inibe a proliferação
bacteriana (fator protetor)
CAUSAS
1. Obstrução: Impedindo o fluxo urinário de ser
eliminado.
- Quando não aliviada, pode causar
hidronefrose, alargando pelve e cálice,
- Aumenta a pressão no interior dessas
cavidades.
- Levando refluxo da urina no parênquima
renal, predispondo a infecção renal
2. Cálculos: Esses cálculos podem obstruir o
fluxo, o que favorece e predispõem infecções
bacterianas.
3. Alteração de motilidade: Em gestantes
devido a vasodilatação da uretra, o fluxo fica
mais devagar.
- Na micção, não consegue eliminar toda a
urina, tendo uma estase da urina.
- Esse resíduo de urina pode ajudar a
instalação do processo infeccioso porque
inibe os fatores antibacterianos locais
4. Corpos estranhos: favorecem ou dificultam a
eliminação da urina.
5. Bexiga neurogênica: é um distúrbio na função
da bexiga.
- Ela passa a ficar mais flácida (relaxada) ou
mais hipertônica (retraída), gerando
incontinência ou continência dependendo da
pessoa.
- Isso depende do grau de lesão dos
neurônios que inervam a bexiga
6. Divertículos uretrais: são dilatações na
uretra que podem causar estase de urina
nesses locais e favorecem processo de
infecção.
- As bactérias podem se alojar nessas
regiões, o que dificulta o fluxo.
VIA DE INFECCÇÃO
Pielonefrite
Doença mais comuns dos rins e é definida como uma
inflamação que afeta os túbulos, o interstício e a
pelve renal.
˃ Aguda é geralmente causada por infecção
bacteriana e está associada à infecção do
trato urinário.
˃ Crônica distúrbio mais complexo; a infecção
bacteriana desempenha um papel dominante,
porém outros fatores (refluxo vesicoureteral,
obstrução) predispõem a episódios repetidos.
Hematogênica é a
menos comum
˃ Ocorrer na
presença de
obstrução
ureteral e em
pacientes
debilitados.
Ascendente
˃ 1° consiste em colonização da parte distal da
uretra e do vestíbulo da vagina (na mulher) por
bactérias coliformes.
− Essa colonização é influenciada pelo grau de
aderência das bactérias.
− Envolve moléculas de adesão (adesinas) nas
fímbrias-P (pili) das bactérias, que interagem
com receptores na superfície das células
uroteliais.
˃ 2° uretra para a bexiga. Uso de cateter a longo
prazo, está associada a risco de infecção.
˃ 3° Deslocamento da bexiga para os rins
Obstrução do trato urinário e estase da urina:
Normalmente, os microrganismos introduzidos na
bexiga são eliminados pela micção contínua e por
mecanismos antibacterianos.
− obstrução do fluxo ou a disfunção da bexiga
resultam em esvaziamento incompleto e
urina residual
− bactérias introduzidas na bexiga podem
multiplicar-se livremente.
Refluxo vesicoureteral: incompetência da válvula
vesicoureteral permite que as bactérias
ascendam pelo ureter até a pelve renal
− permite o refluxo da urina da bexiga para os
ureteres.
SEPSE
A sepse é uma resposta imunológica desregulada do
corpo a uma infecção, causando disfunção orgânica
fatal. O processo de sepse pode ser dividido em
etapas, do início da infecção ao colapso sistêmico.
Infecção Inicial
Origem da infecção:
˃ Pode ser causado por bactérias, vírus, fungos
ou parasitas.
˃ Os focos comuns incluem pulmões
(pneumonia), trato urinário (pielonefrite), pele
(celulite) ou abdômen (peritonite).
˃ Em casos de sepse urinária, por exemplo,
bactérias ascendem ao trato urinário e
podem entrar na corrente sanguínea.
Disseminação do Patógeno
Invasão do patógeno:
˃ O patógeno ou suas toxinas entram na
corrente sanguínea.
˃ Exotoxinas (liberadas por bactérias) ou
endotoxinas (como o lipopolissacarídeo de
bactérias Gram-negativas) desencadeiam
uma resposta inflamatória.
Ativação do Sistema Imunológico
Reconhecimento do patógeno:
˃ Células do sistema imunológico (macrófagos,
monócitos e neutrófilos) detectam os
patógenos por meio de receptores de
reconhecimento de padrão (ex.: TLRs –
Receptores Toll-like).
˃ Isso ativa a liberação de mediadores
inflamatórios, como:
˃ Citocinas pró-inflamatórias: IL-1, IL-6, TNF-α
(promovem inflamação).
˃ Radicais livres e enzimas proteolíticas:
ajudam a destruir patógenos, mas também
causam danos teciduais.
Inflamação Sistêmica Desregulada
A resposta inflamatória local se torna sistêmica:
− Produção excessiva de citocinas pró-
inflamatórias (" tempestade de citocinas ").
Dano endotelial:
˃ As citocinas aumentam a permeabilidade dos
vasos sanguíneos, levando a um
extravasamento de fluidos.
˃ Edema tecidual e redução do volume
intravascular.
Coagulação disseminada:
˃ A ativação do sistema de coagulação causa
formação de microtrombos (CIVD -
coagulação intravascular disseminada).
˃ Microtrombos prejudicam a perfusão
tecidual, agravando a disfunção orgânica.
Hipoperfusão e Disfunção Orgânica
A combinação de hipotensão, hipovolemia e formação
de microtrombos resulta em:
˃ Hipoperfusão tecidual: tecidos não
recebem oxigênio suficiente.
˃ Acidose lática: devido ao metabolismo
anaeróbico das células.
Disfunção orgânica progressiva:
˃ Coração: redução do subsídio cardíaco
(choque séptico).
˃ Pulmões: síndrome do desconforto agudo
(SDRA).
˃ Rins: lesão renal aguda (redução da filtração
glomerular).
˃ Fígado: necrose hepática e redução na função
metabólica e desintoxicação (icterícia,
aumento de enzimas hepáticas).
˃ Cérebro: encefalopatia séptica, resultando
em confusão mental ou coma.
˃ Intestino: aumento da permeabilidade
intestinal, permitindo a translocação
bacteriana e agravando a infecção.
Choque Séptico
Se uma sepse progride sem controle, o paciente pode
entrar em choque séptico, caracterizado por:
˃ Hipotensão persistente que não responde à
reposição volêmica.
˃ Redução grave da perfusão tecidual,
conduzindo a compaixão de múltiplos órgãos
(FMO).
˃ Exacerbação de acidose metabólica devido à
isquemia generalizada.
Morte Celular e Falência de Múltiplos Órgãos (FMO)
˃ A inflamação sistêmica e a hipoperfusão
levam à morte celular em órgãos específicos.
˃ A perda de função em vários sistemas
(cardíaco, infecções, renal etc.) torna a
reversão doquadro muito difícil, mesmo com
suporte avançado.
Diagnóstico
A identificação precoce é fundamental:
Critérios
˃ SOFA ou qSOFA (pontuação clínica para
avaliação de disfunção orgânica).
˃ Sinais: febre ou hipotermia, taquicardia,
taquipneia, confusão mental, hipotensão.
SOFA
(Sequential Organ Failure Assessment) Avalia a
disfunção orgânica em pacientes críticos,
especialmente no contexto de sepse.
˃ Ele ajuda a prever a gravidade da condição e
da mortalidade, com base no
comprometimento de seis sistemas orgânicos
principais.
˃ O escore SOFA é amplamente utilizado em
unidades de terapia intensiva (UTIs).
Componentes do SOFA
A pontuação avalia os seguintes sistemas orgânicos,
atribuindo eficiência de 0 (normal) a 4 (disfunção
grave) para cada um:
1. Respiratório:
˃ Avaliado pela relação PaO₂/FiO₂ (pressão
arterial de oxigênio/fracionamento de
oxigênio inspirado).
˃ Valores baixos indicam insuficiência
respiratória ou síndrome do desconforto
respiratório agudo (SDRA).
2. Cardiovascular:
˃ Baseado na pressão arterial média (PAM) e
na necessidade de vasopressores:
˃ PAM ≥ 70 mmHg sem vasopressores: 0
pontos.
˃ A necessidade de dopamina, dobutamina,
noradrenalina ou adrenalina aumenta a
pontuação.
3. Renal:
˃ Avaliado pelo nível de creatinina sérica ou
débito urinário:
˃ Creatinina elevada ou subsídio urinário
reduzido sugere lesão renal aguda.
4. Neurológico:
˃ Medido pela escala de coma de Glasgow (ECG)
:
˃ Pontuações baixas indicam alteração do nível
de consciência.
5. Hematológico:
˃ Avaliado pela contagem de plaquetas:
˃ A redução das placas pode indicar
coagulação intravascular disseminada (CIVD)
ou trombocitopenia.
6. Hepático:
˃ Com base nos níveis de bilirrubina sérica:
˃ Elevação indica comprometimento hepático
ou colestase.
CÁLCULO E INTERPRETAÇÃO
Cada componente é pontuado de 0 a 4, dependendo
da gravidade.
˃ A pontuação total é a soma dos valores de
todos os sistemas, variando de 0 a 24.
Interpretação:
˃ SOFA inicial elevado ou aumento de 2 pontos
ou mais:
− Sugere risco elevado de mortalidade e
disfunção orgânica associada à sepse.
qSOFA (SOFA rápido)
Uma versão simplificada do SOFA, usada para
triagem rápida em pacientes fora da UTI, como no
pronto-socorro.
Critérios do qSOFA (pontuação: 0-3):
1. Frequência respiratória ≥ 22/minuto.
2. Alteração do estado mental (Glasgow 95,2% de
mortalidade.
Exames laboratoriais:
˃ Hemograma: leucocitose ou leucopenia.
˃ PCR e procalcitonina elevadas (indicadores de
inflamação).
˃ Lactato sérico elevado (indicador de
hipoperfusão).
˃ Cultura de sangue e outros locais para
identificar o patógeno.
Tratamento
A abordagem da sepse é baseada em intervenções
rápidas e simultâneas:
Identificação e controle da infecção:
˃ Antibioticoterapia de amplo espectro,
ajustada conforme o resultado das culturas.
˃ Remoção de focos infecciosos (ex.: drenagem
de abscessos ou retirada de cateteres
contaminados).
Suporte hemodinâmico:
˃ Reposição volêmica prejudicial com
cristaloides.
˃ Uso de vasopressores (ex.: noradrenalina) em
caso de choque.
Monitoramento e suporte de órgãos:
˃ Ventilação mecânica para SDRA.
˃ Diálise em caso de lesão renal aguda.
˃ Controle glicêmico rigoroso e suporte
nutricional.
Controle da inflamação:
˃ Alguns casos podem necessitar de
intervenções imunomoduladoras
experimentais.
Prognóstico
O prognóstico depende da rapidez no diagnóstico e na
intervenção:
˃ Pacientes com tratamento precoce têm
maior chance de sobrevivência.
˃ A mortalidade aumenta significativamente
em casos de choque séptico ou falência de
múltiplos órgãos.
4. IMPORTANCIA DO ANTIBIOGRMA E
CULTURA
A cultura e o antibiograma são exames
microbiológicos fundamentais no diagnóstico,
tratamento e monitoramento de infecções. Sua
importância é no auxílio para identificar o agente
causador e selecionar o tratamento antimicrobiano
mais eficaz, especialmente em infecções graves,
como a sepse.
Cultura
Identifica o microrganismo responsável pela
infecção, permitindo um tratamento direcionado.
˃ Identificação do Patógeno:
Determinar o tipo de microrganismo causador
(bactérias, fungos ou outros).
Exemplo: Escherichia coli em infecções urinárias ou
Staphylococcus aureus em infecções de pele.
˃ Especificidade Diagnóstica:
Diferencia infecções bacterianas de outras etiologias,
como virais ou fúngicas.
˃ Prevenção de Terapias Inadequadas:
Ajuda a evitar o uso de antibióticos de antibióticos,
periodicamente o risco de resistência antimicrobiana.
˃ Orientação em Infecções Graves:
Em casos como sepse ou infecção de difícil
diagnóstico, a cultura permite identificar a origem do
foco infeccioso.
Tipos de Cultura:
˃ Sangue (hemocultura): para identificar infecção
sistêmica.
˃ Urina: usada em infecções do trato urinário.
˃ Secreções: para infecções de feridas, abscessos
ou pneumonia.
˃ Líquidos corporais (pleural, cefalorraquidiano): em
casos de infecções específicas.
Antibiograma
O antibiograma é um teste realizado com uma
amostra isolada da cultura. Ele avalia a sensibilidade
ou resistência do microrganismo a diferentes
antibióticos.
˃ Seleção de Antibióticos:
Identifica o antimicrobiano mais eficaz contra o
patógeno específico.
Diferença entre agentes sensíveis (efetivos) e
resistentes (ineficazes).
˃ Redução da Resistência Antimicrobiana:
Evite o uso de drogas ou toxinas de amplo espectro.
Contribui para práticas de prescrição em evidências.
˃ Tratamento Personalizado:
Permite ajustes terapêuticos, aumentando a chance
de cura.
Exemplo: Em um paciente com sepse causada por
Klebsiella pneumoniae produtora de carbapenemase,
o antibiograma ajuda a determinar a eficácia de
terapias alternativas.
˃ Monitoramento de Epidemias:
Fornecer dados sobre padrões locais de resistência,
ajudando na vigilância epidemiológica.
Impacto Clínico
˃ Terapia Empírica Inicial:
Antes dos resultados, o médico inicia um tratamento
baseado em patógenos prováveis.
Exemplo: Uso de cefalosporinas para sepse urinária.
˃ Terapia Baseada nos Resultados:
Após a cultura e o antibiograma, ajusta-se o
tratamento para maior eficácia e menor toxicidade.
Prognóstico:
A escolha adequada do antimicrobiano reduz
complicações, como progressão da infecção e
falência dos órgãos.
Limitações
˃ Tempo: os resultados podem demorar (24-72
horas).
˃ Nossas demonstrações podem levar a
resultados inconclusivos.
˃ Algumas infecções são causadas por agentes
não cultiváveis ou de crescimento lento.