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Provas e formas especiais do Casamento Art. 1.543. O casamento celebrado no Brasil prova-se pela certidão do registro. Art. 1.536. Do casamento, logo depois de celebrado, lavrar-se-á o assento no livro de registro. Prova supletória Art. 1.543, Parágrafo único. “Justificada a falta ou perda do registro civil, é admissível qualquer outra espécie de prova”. Não sendo possível comprovar, poder-se-á provar o casamento por qualquer outra forma conforme art. 1.543, parágrafo único do CC. CPC, art. 369. “As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz”. O casamento celebrado no Brasil prova-se pela certidão do registro (CC, art. 1.543). Certidão de casamento com base do art. 1.536. Prova supletória: não sendo possível assim comprovar, e surgindo dúvida quando à existência do matrimônio, somente em razão da perda ou falta do registro civil poder-se-á provar o casamento por qualquer outra forma (CC, art. 1.543, parágrafo único). Essa prova supletória faz-se, assim, em duas fases: na primeira, prova-se o fato que ocasionou a perda ou a falta do registro; na segunda, se satisfatória a primeira, admitidas serão as outras, como testemunhas, registros em carteiras de trabalho e em passaportes, certidão de nascimento de filhos etc. (GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito de Família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. Posse do estado de casados Como decorrência de segurança jurídica, admite-se prova do casamento de pessoas que, tendo convivido na posse do estado de casadas e constituído prole, não possam mais manifestar vontade, por morte ou outra circunstância impeditiva. Trata-se, a “posse do estado de casadas”, de uma situação de fato em que há a nítida aparência da existência e validade da relação matrimonial, atuando ambos os “possuidores” desse estado com animus de consortes (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona). Posse do estado de casados: “Posse do estado de casados é a situação de duas pessoas que vivem como casadas (more uxorio) e assim são consideradas por todos. É, em suma, a situação de duas pessoas que vivem publicamente como marido e mulher e assim são reconhecidas pela sociedade” (GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito de Família). Requisitos para a demonstração da posse de estado de casados de acordo com Eduardo de Oliveira leite. Nomen ou nominatio: pelo fato de um cônjuge utilizar o nome do outro. Tractatus ou tractatio: pois os cônjuges se tratam como se fossem casados. Fama ou reputatio: diante do reconhecimento geral, da reputação social, de que ambos são casados. Prova indireta de casamento: Art. 1.545. O casamento de pessoas que, na posse do estado de casadas, não possam manifestar vontade, ou tenham falecido, não se pode contestar em prejuízo da prole comum, salvo mediante certidão do Registro Civil que prove que já era casada alguma delas, quando contraiu o casamento impugnado. Art. 1.546. “Quando a prova da celebração legal do casamento resultar de processo judicial, o registro da sentença no livro do Registro Civil produzirá, tanto no que toca aos cônjuges como no que respeita aos filhos, todos os efeitos civis desde a data do casamento”. Sentença declaratória com retroação (efeitos ex-tunc). Art. 1.547. Na dúvida entre as provas favoráveis e contrárias, julgar-se-á pelo casamento, se os cônjuges, cujo casamento se impugna, viverem ou tiverem vivido na posse do estado de casados. IN DUBIO PRO MATRIMONIO: Se houver dúvidas entre as provas favoráveis e contrárias à celebração do casamento, dever-se-á admitir sua existência (in dubio pro matrimonio), “se os cônjuges, cujo casamento se impugna, viverem ou tiverem vivido na posse do estado de casados”. Art. 1.547. “Na dúvida entre as provas favoráveis e contrárias, julgar-se-á pelo casamento, se os cônjuges, cujo casamento se impugna, viverem ou tiverem vivido na posse do estado de casados”. “Não é possível utilizar a regra do in dubio pro casamento para sanar vícios que incidam sobre a sua validade, tendo como único desiderato comprovar a existência do matrimônio, quando o juiz estiver em estado de perplexidade perante a prova produzida” (Cristiano chaves de farias) Formas especiais do Casamento Casamento religioso com efeitos civis A Constituição Federal assegura a todos o direito de credo. A validade civil do casamento religioso está condicionada à habilitação e ao registro no Registro Civil das Pessoas Naturais, “produzindo efeitos a partir da data de sua celebração” (CC, art. 1.515). “O registro do casamento religioso submete-se aos mesmos requisitos exigidos para o casamento civil” (CC, art. 1.516). Duas espécies: [A] Com prévia habilitação (art. 1.516, § 1º do CC). [B] Com habilitação posterior à celebração religiosa (art. 1.516, § 2º do CC). Em ambas, portanto, exige-se o processo de habilitação. O registro “submete-se aos mesmos requisitos exigidos para o casamento civil” (art. 1.516). Art. 1.515. O casamento religioso, que atender às exigências da lei para a validade do casamento civil, equipara-se a este, desde que registrado no registro próprio, produzindo efeitos a partir da data de sua celebração. Art. 1.516. O registro do casamento religioso submete-se aos mesmos requisitos exigidos para o casamento civil. • § 1º. O registro civil do casamento religioso deverá ser promovido dentro de noventa dias de sua realização, mediante comunicação do celebrante ao ofício competente, ou por iniciativa de qualquer interessado, desde que haja sido homologada previamente a habilitação regulada neste Código. Após o referido prazo, o registro dependerá de nova habilitação. • § 2º. O casamento religioso, celebrado sem as formalidades exigidas neste Código, terá efeitos civis se, a requerimento do casal, for registrado, a qualquer tempo, no registro civil, mediante prévia habilitação perante a autoridade competente e observado o prazo do art. 1.532. • § 3º. Será nulo o registro civil do casamento religioso se, antes dele, qualquer dos consorciados houver contraído com outrem casamento civil. Casamento em caso de moléstia grave Moléstia grave deve ser de tal ordem que inviabilize a locomoção ou a remoção do enfermo, sem maior risco para a sua saúde, não significando que se encontre em morte iminente, mas que esteja em risco de vida, ainda que esta se prolongue por certo tempo (Madaleno, Rolf. Direito de família). A regra do art. 1.539 do Código Civil só se aplica em hipóteses nas quais se caracterize moléstia grave, que efetivamente impossibilite o nubente de aguardar a celebração futura do casamento, em lugar diverso daquele em que se encontra, não sendo aconselhável a sua locomoção. Moléstia grave deve ser reputada aquela que pode acarretar a morte do nubente em breve tempo, embora o desenlace não seja iminente, e cuja remoção o sujeita a riscos (GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito de Família). Pressupõe-se que já estejam satisfeitas as formalidades preliminares do casamento. No caso de moléstia grave, a habilitação foi feita, mas, por conta de grave doença, tornou-se impossível o comparecimento à solenidade matrimonial. Em virtude, pois, da moléstia que o acomete, o nubente não pode deslocar- se ao salão de casamentos, solicitando, assim, que a própria autoridade celebrante vá ao seu encontro (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona). Art. 1.539. No caso de moléstia grave de um dos nubentes, o presidente do ato irá celebrá-lo onde se encontrar o impedido, sendo urgente, ainda que à noite, perante duas testemunhas que saibam ler e escrever. § 1º. A falta ou impedimento da(a) Convencional (arts. 1.711 a 1.722). (b) Legal (Lei 8.009/190). Art. 1.712. O bem de família consistirá em prédio residencial urbano ou rural, com suas pertenças e acessórios, destinando-se em ambos os casos a domicílio familiar, e poderá abranger valores mobiliários, cuja renda será aplicada na conservação do imóvel e no sustento da família. Podem os cônjuges ou entidade familiar (famílias decorrentes do casamento, uniões estáveis, uniões homoafetivas e outras), mediante escritura pública ou testamento, destinar fração de seu patrimônio para instituir o bem de família convencional (arts. 1.711 a 1.722 do CC). Valor do bem de família: O bem não pode ultrapassar 1/3 do patrimônio líquido existente ao tempo da instituição (art. 1.711 do CC). A instituição do bem de família convencional deve ser efetuada por escrito e registrada no Cartório de Registro de Imóveis do local em que o mesmo está situado (art. 1.714 do CC). Art. 1.714. O bem de família, quer instituído pelos cônjuges ou por terceiro, constitui-se pelo registro de seu título no Registro de Imóveis. Isenção da execução por dívidas: Com a instituição do bem de família convencional ou voluntário, o prédio se torna inalienável e impenhorável, permanecendo isento de execuções por dívidas posteriores à instituição. Entretanto, tal proteção não prevalecerá nos casos de dívidas, como prevê o art. art. 1.715 do CC. Art. 1.715. O bem de família é isento de execução por dívidas posteriores à sua instituição, salvo as que provierem de tributos relativos ao prédio, ou de despesas de condomínio. O parágrafo único do art. 1.715, estabelece que, no caso de execução dessas dívidas, o saldo existente deva ser aplicado em outro prédio. Art. 1.716. A isenção de que trata o artigo antecedente durará enquanto viver um dos cônjuges, ou, na falta destes, até que os filhos completem a maioridade. Destinação do bem de família: somente possível a alienação do bem mediante consentimento dos interessados (membros da entidade familiar), e de seus representantes, mediante depende de autorização judicial, ouvido o Ministério Público (art. 1.717 do CC). Art. 1.719. Comprovada a impossibilidade da manutenção do bem de família nas condições em que foi instituído, poderá o juiz, a requerimento dos interessados, extingui-lo ou autorizar a sub-rogação dos bens que o constituem em outros, ouvidos o instituidor e o Ministério Público. Administração do bem: No que concerne à sua administração, salvo previsão em contrário, cabe a ambos os cônjuges, sendo possível a intervenção judicial, em caso de divergência (art. 1.720 do CC). Art. 1.720. Salvo disposição em contrário do ato de instituição, a administração do bem de família compete a ambos os cônjuges, resolvendo o juiz em caso de divergência. Parágrafo único. Com o falecimento de ambos os cônjuges, a administração passará ao filho mais velho, se for maior, e, do contrário, a seu tutor. A dissolução da sociedade conjugal, seja por divórcio, morte ou de invalidade do casamento, não extingue o bem de família convencional. Extinção do bem de família: Dissolvida a sociedade conjugal por morte de um dos cônjuges, o sobrevivente poderá pedir a extinção da proteção, se for o único bem do casal (art. 1.721 do CC). Determina o art. 1.722 do CC que se extingue o bem de família convencional com a morte de ambos os cônjuges e a maioridade dos filhos, desde que não sujeitos à curatela. Bibliografia Código Civil Brasileiro Código Civil para Concursos / coordenador Ricardo Didier – 6.ed. rev. ampl. e atual. – Salvador: Juspodivm, 2017. Comentários ao código civil: artigo por artigo/ coordenação Jorge Shiguemitsu fujita... [et al.] – 3. Ed. rev., atual... – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014. Outros autores: Carlos Eduardo Nicoletti Camillo, Glauber Moreno Talavera, Luiz Antonio Scavone Junior. Vários autores. Constituição Federal DIAS, Maria Berenice. Manual de Direita das famílias. São Paulo: Revista dos Tribunais. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. v. 5. Direito de família. São Paulo: Saraiva. ESPÍNOLA, Eduardo. A família no direito civil brasileiro. Rio de Janeiro: Conquista. (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Direito de família. vol. 6. São Paulo: Saraiva). GOMES, Orlando. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. Leite, Eduardo de Oliveira. Direito Civil Aplicado: Direito da Família. Vol. 5. São Paulo: ed. RT 2004. Lôbo, Paulo. Direito Civil: Famílias. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Madaleno, Rolf. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. 2018. MONTEIRO, Washington de Barros; Silva, Regina Beatriz da. Curso de Direito Civil: Direito de família. Vol. 2. São Paulo: Saraiva. NADER, Paulo. Curso de Direito Civil - Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. OLIVEIRA, Euclides de Oliveira; HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. Do casamento. In: Direito de família e o novo Código Civil. Belo Horizonte: Del Rey/IBDFAM, 2001). PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. V. V. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. TARTUCE, Flávio. Direito civil. Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil. Direito de família. Vol. VI. São Paulo: Atlas. WALD, Arnoldo. Direito Civil. Direito de família. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. União Estável (CC, arts. 1. 723 a 1.727) A união prolongada entre o homem e a mulher, sem casamento, foi chamada, durante longo período histórico, de concubinato. “Com a admissão expressa pela Constituição Federal da união informal entre homem e mulher como família, rompeu-se uma tradicional supremacia do modelo casamentário como único standard (modelo) possível e legitimado” (Pablo-Stolze Gagliano; Rodolfo-Pamplona-Filho). “Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. (...) § 3.º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”. A partir daí a relação familiar nascida fora do casamento passou a denominar-se união estável, ganhando novo status dentro do nosso ordenamento jurídico. No Brasil, a primeira norma a tratar do assunto foi o Decreto-lei 7.036/1944, que reconheceu a companheira como beneficiária da indenização no caso de acidente de trabalho. No passado, também era comum indenizar a concubina pelos serviços domésticos prestados. No entanto, com o evoluir dos tempos, tal prática passou a ser considerada como discriminatória não só em relação à concubina, como também quanto à companheira, sendo atualmente vedada (Flávio Tartuce). Aos poucos, no entanto, a começar pela legislação previdenciária, alguns direitos da concubina foram sendo reconhecidos, tendo a jurisprudência admitido outros, como o direito à meação dos bens adquiridos pelo esforço comum. Gonçalves mostra que a expressão “concubinato” é hoje utilizada para designar o relacionamento amoroso envolvendo pessoas casadas, que infringem o dever de fidelidade, também conhecido como adulterino. Configura-se, segundo o novo Código Civil, quando ocorrem “relações não eventuais entre o homem e a mulher, impedidos de casar” (CC, art. 1.727). A Lei n. 8.971/1994, definiu como “companheiros” o homem e a mulher que mantenham união comprovada, na qualidade de solteiros, separados judicialmente, divorciados ou viúvos, por mais de cinco anos, ou com prole (concubinato puro). A Lei n. 9.278/1996,alterou esse conceito, omitindo os requisitos de natureza pessoal, tempo mínimo de convivência e existência de prole. Preceituava o seu art. 1º que se considera entidade familiar a convivência duradoura, pública e contínua, de um homem e de uma mulher, estabelecida com o objetivo de constituição de família. (expressão conviventes). Restaram revogadas as Leis n. 8.971/94 e 9.278/96 em face da inclusão da matéria no âmbito do Código Civil. O art. 1º da Lei n. 9.278/96, não foi estabelecido período mínimo de convivência. Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família. Pressupostos de ordem subjetiva (a) Convivência “more uxorio” (similar à de pessoas casadas). Comunhão de vidas, no sentido material e imaterial. Mútua assistência material, moral e espiritual. (b) “Affectio maritalis”: ânimo ou propósito objetivo de constituir família. Pressupostos de ordem objetiva (a) Notoriedade. Exige a lei que a convivência, além de contínua e duradoura, seja “pública”. Não pode, assim, a união permanecer em sigilo, em segredo, desconhecida no meio social. (b) Estabilidade ou duração prolongada. A união estável deve ser duradouro, estendendo-se no tempo. (c) Continuidade. Além de pública e duradoura, seja também contínua, sem interrupções. Inexistência de impedimentos matrimoniais. Relação monogâmica. O vínculo entre os companheiros deve ser único, em face do caráter monogâmico da relação. Art. Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família. § 1º. A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos do art. 1.521; não se aplicando a incidência do inciso VI no caso de a pessoa casada se achar separada de fato ou judicialmente. O § 1º do art. 1.723 veda a constituição da união estável “se ocorrerem os impedimentos do art. 1.521”, § 2º. As causas suspensivas do art. 1.523 não impedirão a caracterização da união estável. Deveres e relações pessoais entre os companheiros. Art. 1.724. “As relações pessoais entre os companheiros obedecerão aos deveres de lealdade, respeito e assistência, e de guarda, sustento e educação dos filhos”. A assistência constitui também dever recíproco dos companheiros, correspondente ao dever de mútua assistência imposto aos cônjuges (CC, art. 1.566, III). Meação e regime de bens Art. 1.725. Na união estável, salvo contrato escrito entre os companheiros, aplica-se às relações patrimoniais, no que couber, o regime da comunhão parcial de bens. Conversão da união estável em casamento. Art. 1.726. A união estável poderá converter-se em casamento, mediante pedido dos companheiros ao juiz e assento no Registro Civil. Bibliografia: Código Civil Brasileiro Código Civil para Concursos / coordenador Ricardo Didier – 6.ed. rev. ampl. e atual. – Salvador: Juspodivm, 2017. Comentários ao código civil: artigo por artigo/ coordenação Jorge Shiguemitsu fujita... [et al.] – 3. Ed. rev., atual... – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014. Outros autores: Carlos Eduardo Nicoletti Camillo, Glauber Moreno Talavera, Luiz Antonio Scavone Junior. Vários autores. Constituição Federal DIAS, Maria Berenice. Manual de Direita das famílias. São Paulo: Revista dos Tribunais. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. v. 5. Direito de família. São Paulo: Saraiva. ESPÍNOLA, Eduardo. A família no direito civil brasileiro. Rio de Janeiro: Conquista. (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Direito de família. vol. 6. São Paulo: Saraiva). GOMES, Orlando. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. Leite, Eduardo de Oliveira. Direito Civil Aplicado: Direito da Família. Vol. 5. São Paulo: ed. RT 2004. Lôbo, Paulo. Direito Civil: Famílias. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Madaleno, Rolf. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. 2018. MONTEIRO, Washington de Barros; Silva, Regina Beatriz da. Curso de Direito Civil: Direito de família. Vol. 2. São Paulo: Saraiva. NADER, Paulo. Curso de Direito Civil - Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. OLIVEIRA, Euclides de Oliveira; HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. Do casamento. In: Direito de família e o novo Código Civil. Belo Horizonte: Del Rey/IBDFAM, 2001). PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. V. V. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. TARTUCE, Flávio. Direito civil. Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil. Direito de família. Vol. VI. São Paulo: Atlas. WALD, Arnoldo. Direito Civil. Direito de família. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Casamento: conceito, natureza jurídica, invalidade e efeitos do casamento O casamento “é um ato jurídico negocial, solene, público e complexo, mediante o qual duas pessoas constituem família por livre manifestação de vontade e pelo reconhecimento do Estado” (LÔBO, Paulo. Famílias..., 2008, p. 76). “A solenidade realizar-se-á na sede do cartório, com toda publicidade, a portas abertas, presentes pelo menos duas testemunhas, parentes ou não dos contraentes, ou, querendo as partes e consentindo a autoridade celebrante, noutro edifício público ou particular” (art. 1.534”). • Principais Características do Casamento: • Ato Formal ou Solene • Ato pessoal, porque deve ser realizado por pessoa • Normas de ordem pública • União Permanente • Ato puro e simples • Livre união • União exclusiva (Monogâmica) • Comunhão plena de vida (CC, art. 1.565). • Natureza jurídica: Contrato; Instituição; Eclética • Contrato: Para os adeptos da teoria contratualista, o casamento é um contrato, um negócio jurídico, “tendo em vista a indispensável declaração convergente de vontades livremente manifestadas e tendentes à obtenção de finalidades jurídicas”. A professora Maria Berenice Dias diverge um pouco do entendimento de casamento como contrato. Ela diz que o casamento seria um negócio jurídico especial, um “negócio de família”, por sua natureza preeminente sui generis (ou seja, singular, sem semelhança com nenhum outro tipo de contrato).. Por envolver conteúdo emocional, as regras de direito obrigacional não seriam integralmente aplicadas, visto que se tratam de condições absolutamente personalíssimas (intransferíveis a outras pessoas) e com características e direitos próprios aos noivos. • Instituição: Para Caio Mário da Silva Pereira, “o casamento é uma “instituição social”, no sentido de que reflete uma situação jurídica, cujas regras e quadros se acham preestabelecidos pelo legislador”. • Eclética: segundo esta corrente mista, é defendida por Flavio Tartuce e José Fernando Simão, ao ponderar que o casamento “um negócio jurídico bilateral sui generis, especial: “na formação é um contrato, no conteúdo é uma instituição”. Capacidade para o casamento Capacidade para o casamento: caracterizada pela aptidão do nubente a contrariar núpcias de acordo com a sua idade. • A idade núbil para o casamento, com autorização dos pais, é de dezesseis anos. • Suprimento judicial de consentimento. O menor com dezesseis anos, e antes da maioridade civil, necessita para casar da autorização de ambos os pais, ou de seus representantes legais (CC, art. 1.517, caput), e se houver divergência entre os progenitores quanto aoexercício do poder familiar é assegurado a qualquer deles recorrer ao juiz para solução do desacordo (CC, art. 1.517, parágrafo único). • Gratuidade do casamento civil: A gratuidade da celebração do casamento civil é assegurada pelo artigo 226, § 1º, da CF, e pelo artigo 1.512 do CC. • Art. 1.512. O casamento é civil e gratuita a sua celebração. Parágrafo único. A habilitação para o casamento, o registro e a primeira certidão serão isentos de selos, emolumentos e custas, para as pessoas cuja pobreza for declarada, sob as penas da lei. • O art. 1.512 regulamenta o disposto no art. 226, § 1o, da CF. de modo a garantir a gratuidade no casamento civil somente diante de declaração de pobreza, prestada sob as penas da lei. • Impedimentos Matrimoniais e Causas Suspensivas • Impedimentos matrimoniais: ensinava Washington de barros Monteiro “são circunstâncias que impossibilitam a realização de determinado casamento”. As causas impeditivas do artigo 1.521 do Código Civil conduzem à nulidade absoluta do casamento. • Art. 1.521. Não podem casar: • I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil; • II - os afins em linha reta; • III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante; • IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive; • V - o adotado com o filho do adotante; • VI - as pessoas casadas; • VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte. Impedimentos resultantes do parentesco. Por decorrência do art. 1.521, inciso I, não podem casar os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil. As razões são de ordem eugênica, éticas e morais, figurando o vínculo próximo de parentesco como um intransponível obstáculo para o casamento. Os impedimentos visam preservar a eugenia e a moral familiar, obstando a realização de casamentos entre parentes consanguíneo ou biológico, por afinidade e adoção (CC, art. 1.521, I a V), a monogamia (art. 1.521, VI), não permitindo o casamento de pessoas já casadas, e evitar uniões que tenham raízes no crime (art. 1.521, VII). De acordo com o inciso IV do art. 1.521, não podem casar os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive. • Tios e sobrinhos são colaterais de terceiro grau, impedidos de casar. • Nota: o Decreto-Lei n. 3.200/41 permitiu, entretanto, tal casamento, desde que se submetessem ao exame pré-nupcial. Ainda, aplicando por analogia o disposto na Lei n. 5.891/1973. Impedimentos resultantes do parentesco. Por decorrência do art. 1.521, inciso I, não podem casar os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil. As razões são de ordem eugênica, éticas e morais, figurando o vínculo próximo de parentesco como um intransponível obstáculo para o casamento. Os impedimentos visam preservar a eugenia e a moral familiar, obstando a realização de casamentos entre parentes consanguíneo ou biológico, por afinidade e adoção (CC, art. 1.521, I a V), a monogamia (art. 1.521, VI), não permitindo o casamento de pessoas já casadas, e evitar uniões que tenham raízes no crime (art. 1.521, VII). Parentesco natural é aquele efetivado entre pessoas que mantêm vínculo consanguíneo ou biológico. • Parentesco por afinidade é o que liga um cônjuge ou companheiro aos parentes do outro (CC, art. 1.595). Impedimento por afinidade deve limitar-se ao 1º grau e em linha reta (CC, art. 1.521, II). No que concerne ao casamento entre parentes por afinidades (sogros, sogras, genros, noras e enteados), esse parentesco nunca se extingue. A afinidade na linha colateral não constitui empecilho ao casamento. • Impedimento resultante de casamento anterior de um dos nubentes (Proibição da bigamia que consta do inciso VI do art. 1.521 do CC). • Impedimento decorrente do delito – O inciso VII do art. 1.521, veda-se o casamento entre o viúvo ou a viúva com o condenado por homicídio ou tentativa sobre seu consorte. A nulidade só existe em relação ao homicídio ou à sua tentativa dolosa. • Parentesco por afinidade é o que liga um cônjuge ou companheiro aos parentes do outro (CC, art. 1.595). Impedimento por afinidade deve limitar-se ao 1º grau e em linha reta (CC, art. 1.521, II). No que concerne ao casamento entre parentes por afinidades (sogros, sogras, genros, noras e enteados), esse parentesco nunca se extingue. A afinidade na linha colateral não constitui empecilho ao casamento. Assim, o cônjuge viúvo ou divorciado pode casar-se com a cunhada . Os impedimentos do casamento devem ser estendidos para o reconhecimento da união estável. • Causas Suspensivas Art. 1.523. Não devem casar: I - o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer inventário dos bens do casal e der partilha aos herdeiros; • II - a viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado, até dez meses depois do começo da viuvez, ou da dissolução da sociedade conjugal; • III - o divorciado, enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha dos bens do casal; • IV - o tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos, cunhados ou sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não cessar a tutela ou curatela, e não estiverem saldadas as respectivas contas. • Parágrafo único. É permitido aos nubentes solicitar ao juiz que não lhes sejam aplicadas as causas suspensivas previstas nos incisos I, III e IV deste artigo, provando-se a inexistência de prejuízo, respectivamente, para o herdeiro, para o ex-cônjuge e para a pessoa tutelada ou curatelada; no caso do inciso II, a nubente deverá provar nascimento de filho, ou inexistência de gravidez, na fluência do prazo. As causas suspensivas: são circunstâncias que não recomendam o casamento, têm o objetivo de resguardar o interesse patrimonial de terceiros (incisos 1. III e IV) e a certeza na filiação, evitando a turbatio sanguinis (inciso II). A violação das causas suspensivas não gera nulidade, nem anulabilidade do casamento, mas ferem o interesse patrimonial e a certeza na filiação, ou seja, apenas a aplicação de sanções previstas em lei (art. 1.523, CC). • São causas suspensivas, ou seja, não devem casar, conforme o art. 1.523, CC, assim: • Para evitar confusão patrimonial. • Para evitar confusão de sangue. • Para frear eventual cobiça. O casamento realizado com infração de causa suspensiva não induz nulidade, mas sujeita os cônjuges ao regime de separação de bens (art.1.641,I). Assim comprovando-se a inexistência de prejuízos, é permitido aos nubentes solicitar ao juiz que não lhes sejam aplicadas as causas suspensivas previstas nos incisos I, III e IV deste artigo, provando-se a inexistência de prejuízo, respectivamente, para o herdeiro, para o ex-cônjuge e para a pessoa tutelada ou curatelada; no caso do inciso II, a nubente deverá provar nascimento de filho, ou inexistência de gravidez, na fluência do prazo (Cód. Civil, art. 1.523, parágrafo único). A verificação das causas suspensivas “não gera qualquer mácula no campo da validade do matrimônio, mas, sim, no plano da eficácia, especificamente no que diz respeito ao regime patrimonial do casamento, tornando-se obrigatória a separação de bens” (Pablo-Stolze-Gagliano-e-Rodolfo- Pamplona-Filho). Não há óbice ao divórcio sem a prévia partilha dos bens, mas, neste caso, a causa suspensiva se instala. • Oposição Oposição de impedimento “é a comunicação escrita feita por pessoa legitimada, antes da celebração do casamento, ao oficial do registro civil perante quem se processa a habilitação, ou ao juiz que preside a solenidade, sobre a existência de um dos empecilhos mencionados na lei” (Silvio Rodrigues. comentáriosao Código Civil, v. 17, p. 31). Oposição – Em se tratando de impedimentos absolutos (art. 1.521) os impedimentos podem ser opostos, até o momento da celebração do casamento, por qualquer pessoa capaz, assim, como o juiz, ou o oficial de registro, ciente do impedimento, será obrigado a declará-lo (CC. art. 1.522, parágrafo único). • Arguição das causas suspensivas As causas suspensivas podem ser arguidas pelos parentes em linha reta de um dos nubentes, sejam consanguíneos ou afins, e pelos colaterais em segundo grau, sejam também consanguíneos ou afins (Cód. Civil, art. 1.524). Momento e forma da oposição: em declaração escrita e assinada, instruída com as provas do fato alegado, ou com a indicação do lugar onde possam ser obtidas (Cód. Civil, art. 1.529 e 1.530). Causas Suspensivas e Oposição ☑ Art. 1.529. Tanto os impedimentos quanto as causas suspensivas serão opostos em declaração escrita e assinada, instruída com as provas do fato alegado, ou com a indicação do lugar onde possam ser obtidas. ☑ Art. 1.530. “O oficial do registro dará aos nubentes ou a seus representantes nota da oposição, indicando os fundamentos, as provas e o nome de quem a ofereceu” (Garantido o contraditório). • Sanções aplicadas ao oponente de má-fé • Por isso, razoável admitir que, “Podem os nubentes requerer prazo razoável para fazer prova contrária aos fatos alegados, e promover as ações civis e criminais contra o oponente de má-fé” (Cód. Civil, art. 1.530, parágrafo único). • A oposição de impedimentos (art. 1.521) ou causa suspensivas (art. 1.523), realizar-se mediante declaração escrita e assinada. Além disso, deverá estar instruída com as provas dos fatos alegados ou com a indicação do lugar onde possam sem obtidas. Sendo de interesse público as normas de validade do casamento, deverá a autoridade diligenciar a obtenção da prova indicada. Bibliografia: Código Civil Brasileiro Código Civil para Concursos / coordenador Ricardo Didier – 6.ed. rev. ampl. e atual. – Salvador: Juspodivm, 2017. Comentários ao código civil: artigo por artigo/ coordenação Jorge Shiguemitsu fujita... [et al.] – 3. Ed. rev., atual... – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014. Outros autores: Carlos Eduardo Nicoletti Camillo, Glauber Moreno Talavera, Luiz Antonio Scavone Junior. Vários autores. Constituição Federal DIAS, Maria Berenice. Manual de Direita das famílias. São Paulo: Revista dos Tribunais. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. v. 5. Direito de família. São Paulo: Saraiva. ESPÍNOLA, Eduardo. A família no direito civil brasileiro. Rio de Janeiro: Conquista. (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Direito de família. vol. 6. São Paulo: Saraiva). GOMES, Orlando. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. Leite, Eduardo de Oliveira. Direito Civil Aplicado: Direito da Família. Vol. 5. São Paulo: ed. RT 2004. Lôbo, Paulo. Direito Civil: Famílias. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Madaleno, Rolf. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. 2018. MONTEIRO, Washington de Barros; Silva, Regina Beatriz da. Curso de Direito Civil: Direito de família. Vol. 2. São Paulo: Saraiva. NADER, Paulo. Curso de Direito Civil - Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. OLIVEIRA, Euclides de Oliveira; HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. Do casamento. In: Direito de família e o novo Código Civil. Belo Horizonte: Del Rey/IBDFAM, 2001). PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. V. V. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. TARTUCE, Flávio. Direito civil. Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil. Direito de família. Vol. VI. São Paulo: Atlas. WALD, Arnoldo. Direito Civil. Direito de família. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Da Dissolução da Sociedade e do vínculo Conjugal [CC, arts. 1.571 a 1.582] O Código Civil de 1.916 regulou a matéria do desquite até 1.977. De 1.977 a 2002: a Lei 6.515/1977 regulou a matéria do divórcio. A partir de 2002: o Código Civil regula a matéria da dissolução da sociedade e do vínculo conjugal (CC, arts. 1.571 a 1.582). • Separação judicial ou extrajudicial (Lei n. 11.441/2007 e CPC, art. 733). • Causas terminativas da sociedade e do vínculo conjugal • Art. 1.571. A sociedade conjugal termina: I - pela morte de um dos cônjuges; II - pela nulidade ou anulação do casamento; III - pela separação judicial; IV - pelo divórcio. • Dissolução do casamento válido (CC, art. 1. 571, § 1º). § 1º. O casamento válido só se dissolve pela morte de um dos cônjuges ou pelo divórcio, aplicando-se a presunção estabelecida neste Código quanto ao ausente. § 2º. Dissolvido o casamento pelo divórcio direto ou por conversão, o cônjuge poderá manter o nome de casado; salvo, no segundo caso, dispondo em contrário a sentença de separação judicial. • Espécies de dissolução conjugal: • Separação judicial litigiosa (CC, art. 1. 572) • Separação judicial consensual (CC, art. 1. 574) • Separação extrajudicial (CPC, art. 733). • Modalidades de divórcio: • Divórcio judicial consensual • Divórcio extrajudicial consensual • Divórcio judicial litigioso • Divórcio-conversão Lavratura de escritura pública por tabelião de notas: CPC, art. 733, § 1º. “O divórcio consensual, a separação consensual e a extinção consensual de união estável, não havendo nascituro ou filhos incapazes e observados os requisitos legais, poderão ser realizados por escritura pública” (CPC, art. 733). Art. 1.572. Qualquer dos cônjuges poderá propor a ação de separação judicial, imputando ao outro qualquer ato que importe grave violação dos deveres do casamento e torne insuportável a vida em comum. § 1o. A separação judicial pode também ser pedida se um dos cônjuges provar ruptura da vida em comum há mais de um ano e a impossibilidade de sua reconstituição. § 2o. O cônjuge pode ainda pedir a separação judicial quando o outro estiver acometido de doença mental grave, manifestada após o casamento, que torne impossível a continuação da vida em comum, desde que, após uma duração de dois anos, a enfermidade tenha sido reconhecida de cura improvável. § 3o. No caso do parágrafo 2 o , reverterão ao cônjuge enfermo, que não houver pedido a separação judicial, os remanescentes dos bens que levou para o casamento, e se o regime dos bens adotado o permitir, a meação dos adquiridos na constância da sociedade conjugal. • Art. 1.573. Podem caracterizar a impossibilidade da comunhão de vida a ocorrência de algum dos seguintes motivos: • I - adultério; • II - tentativa de morte; • III - sevícia ou injúria grave; • IV - abandono voluntário do lar conjugal, durante um ano contínuo; • V - condenação por crime infamante; • VI - conduta desonrosa. • Parágrafo único. O juiz poderá considerar outros fatos que tornem evidente a impossibilidade da vida em comum. • Art. 1.574. Dar-se-á a separação judicial por mútuo consentimento dos cônjuges se forem casados por mais de um ano e o manifestarem perante o juiz, sendo por ele devidamente homologada a convenção. • Parágrafo único. O juiz pode recusar a homologação e não decretar a separação judicial se apurar que a convenção não preserva suficientemente os interesses dos filhos ou de um dos cônjuges. • Art. 1.575. A sentença de separação judicial importa a separação de corpos e a partilha de bens. Parágrafo único. A partilha de bens poderá ser feita mediante proposta dos cônjuges e homologada pelo juiz ou por este decidida. Note-se que “O casamento válido, ou seja,o vínculo matrimonial, somente é dissolvido pelo divórcio e pela morte de um dos cônjuges, tanto a real como a presumida do ausente, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva (art. 1.571, § 1º). A separação judicial, embora colocasse termo à sociedade conjugal, mantinha intacto o vínculo matrimonial, impedindo os cônjuges de contrair novas núpcias. • Art. 1.573. Podem caracterizar a impossibilidade da comunhão de vida a ocorrência de algum dos seguintes motivos: I - adultério; O primeiro dever cuja violação constitui causa de dissolução do vínculo conjugal, de acordo com o Código Civil ,é o de fidelidade recíproca (art. 1.566). A sua infração caracteriza a infidelidade conjugal. II - tentativa de morte; III - sevícia ou injúria grave; • O vocábulo sevícias, que significa maltratar, castigar, praticar ofensas corporais graves. • Além disso, “sevícia é pancada, mau trato, imposição de qualquer sofrimento físico de um cônjuge ao outro. Se o marido empurra a mulher, arranca-lhe os cabelos, esbofeteia-a, derruba-a ao solo, fere-a, terá praticado sevícia, de molde a justificar a terminação da sociedade conjugal (Washington de Barros Monteiro). Os tribunais entendem que é sevícia certos comportamentos sexuais que violentem a integridade física e princípios morais da mulher. A injúria Grave é ofensa à honra, à respeitabilidade do cônjuge. • IV - abandono voluntário do lar conjugal, durante um ano contínuo; • “Para que o abandono do lar conjugal possa fundamentar a dissolução exige-se: • a) saída do domicílio conjugal; b) voluntariedade do ato; c) ausência de consentimento do outro cônjuge; d) intenção de não retornar à vida comum; e) decurso do prazo mínimo de um ano (Carlos Roberto Gonçalves). • V - condenação por crime infamante; “crime infamante, qualquer crime contrário a honra, dignidade ou má-fama de quem prática”. • VI - conduta desonrosa. “ofensivo dos bons costumes e da honra subjetiva ou objetiva do outro cônjuge". • Parágrafo único. O juiz poderá considerar outros fatos que tornem evidente a impossibilidade da vida em comum. Efeitos da dissolução da sociedade e do vínculo conjugal judicial e extrajudicial • Art. 1.576. A separação judicial põe termo aos deveres de coabitação e fidelidade recíproca e ao regime de bens. Os efeitos se irradiam na pessoa dos cônjuges, na pessoa dos filhos e quanto aos bens. Mas note-se que, reconhecida a separação judicial, o vínculo matrimonial persistia, embora se colocasse termo ao dever de coabitação e se facultasse, desde logo, a partilha. Com isso, pessoas separadas não podiam se casar novamente, pois o laço matrimonial ainda não havia sido desfeito, o que somente seria possível em caso de morte de um dos cônjuges ou de decretação do divórcio • Restabelecimento da sociedade conjugal. • Art. 1.577. Seja qual for a causa da separação judicial e o modo como esta se faça, é lícito aos cônjuges restabelecer, a todo tempo, a sociedade conjugal, por ato regular em juízo. Nesse sentido, o restabelecimento da sociedade conjugal, exigindo-se, para tanto, que seja feita por ato regular em juízo (petição de reconciliação). • Art. 1.578. O cônjuge declarado culpado na ação de separação judicial perde o direito de usar o sobrenome do outro, desde que expressamente requerido pelo cônjuge inocente e se a alteração não acarretar: I - evidente prejuízo para a sua identificação; (para às pessoas que se tornaram famosas, usando o sobrenome do outro cônjuge). • II - manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos filhos havidos da união dissolvida; O inciso II diz respeito aos casos em que os filhos foram registrados só com o apelido familiar do pai, sem o da mãe. • III - dano grave reconhecido na decisão judicial. Nesse sentido, trata-se de casos em que o cônjuge conseguir provar, por sentença, que sofrerá dano grave com a perda do sobrenome do outro, como na hipótese, por exemplo, em que o nome do marido foi atribuído ao estabelecimento comercial da mulher e registrado como firma comercial (Carlos Roberto Gonçalves). • § 1º. O cônjuge inocente na ação de separação judicial poderá renunciar, a qualquer momento, ao direito de usar o sobrenome do outro. §2º. Nos demais casos caberá a opção pela conservação do nome de casado. • Art. 226, § 6.º, da CF/1988 – redação original - “O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio, após prévia separação judicial por mais de um ano nos casos expressos em lei, ou comprovada separação de fato por mais de dois anos”. • Art. 226, § 6.º, da CF/1988 – redação atual “O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio”. • Art. 731. A homologação do divórcio ou da separação consensuais, observados os requisitos legais, poderá ser requerida em petição assinada por ambos os cônjuges, da qual constarão: I - as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns; II - as disposições relativas à pensão alimentícia entre os cônjuges; III - o acordo relativo à guarda dos filhos incapazes e ao regime de visitas; e IV - o valor da contribuição para criar e educar os filhos. Parágrafo único. Se os cônjuges não acordarem sobre a partilha dos bens, far-se-á esta depois de homologado o divórcio, na forma estabelecida nos arts. 647 a 658 (partilha dos bens). • Art. 733. O divórcio consensual, a separação consensual e a extinção consensual de união estável, não havendo nascituro ou filhos incapazes e observados os requisitos legais, poderão ser realizados por escritura pública, da qual constarão as disposições de que trata o art. 731. • § 1º A escritura não depende de homologação judicial e constitui título hábil para qualquer ato de registro, bem como para levantamento de importância depositada em instituições financeiras. • § 2º O tabelião somente lavrará a escritura se os interessados estiverem assistidos por advogado ou por defensor público, cuja qualificação e assinatura constarão do ato notarial. • Art. 1.579. O divórcio não modificará os direitos e deveres dos pais em relação aos filhos. Parágrafo único. Novo casamento de qualquer dos pais, ou de ambos, não poderá importar restrições aos direitos e deveres previstos neste artigo. • Art. 1.581. “O divórcio pode ser concedido sem que haja prévia partilha de bens”. • Súmula 197 do Superior Tribunal de Justiça, “O divórcio direto pode ser concedido sem que haja prévia partilha de bens”. • Caráter pessoal da ação. art. 1.582. O pedido de divórcio somente competirá aos cônjuges. Parágrafo único. Se o cônjuge for incapaz para propor a ação ou defender-se, poderá fazê-lo o curador, o ascendente ou o irmão. Proteção da Pessoa dos Filhos (CC. arts. 1.583 a 1.590) • Art. 1.583. A guarda será unilateral ou compartilhada. • § 1º. Compreende-se por guarda unilateral a atribuída a um só dos genitores ou a alguém que o substitua (art. 1.584, § 5 o ) e, por guarda compartilhada a responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe que não vivam sob o mesmo teto, concernentes ao poder familiar dos filhos comuns. • § 2º. Na guarda compartilhada, o tempo de convívio com os filhos deve ser dividido de forma equilibrada com a mãe e com o pai, sempre tendo em vista as condições fáticas e os interesses dos filhos. • Para estabelecer as atribuições do pai e da mãe e os períodos de convivência sob guarda compartilhada, o juiz, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, poder basear-se em orientação técnico - profissional ou de equipe Interdisciplinar (§ 3.º do art. 1.584). • § 2º. Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho, encontrando-se ambos os genitores aptos a exercer o poder familiar, será aplicada a guarda compartilhada, salvo se um dos genitores declarar ao magistrado que não deseja a guardada criança ou do adolescente ou quando houver elementos que evidenciem a probabilidade de risco de violência doméstica ou familiar. (Redação dada pela Lei nº 14.713, de 2023). • A guarda compartilhada (art. 1.583, § 1.º, do CC) “busca a proteção plena do interesse dos filhos, sendo o ideal buscado no exercício do poder familiar entre pais separados, mesmo que demandem deles reestruturações, concessões e adequações diversas, para que seus filhos possam usufruir, durante sua formação, do ideal psicológico do duplo referencial”. • O § 2º do artigo 1.583 do CC ordena que na guarda compartilhada o tempo de convívio com os filhos seja dividido de forma equilibrada com a mãe e com o pai, sempre tendo em vista as condições fáticas e os interesses dos filhos. A guarda compartilhada somente deixará de ser aplicada quando houver inaptidão de um dos ascendentes para o exercício do poder familiar, fato que deverá ser declarado prévia ou incidentalmente à ação de guarda, por meio de decisão judicial, no sentido da suspensão ou da perda do Poder Familiar” (STJ, REsp 1.629.994/RJ, 3.ª Turma, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 06.12.2016, DJe 15.12.2016). Prevalece o princípio dos melhores interesses da criança. Cabe ao juiz deferir a guarda à pessoa que revele compatibilidade com a natureza da medida, de preferência levando em conta o grau de parentesco e relação de afinidade e afetividade, sempre quando verificar não devam os filhos permanecer sob a guarda do pai ou da mãe (§ 5° do artigo 1.584 do CC). Qualquer estabelecimento público ou privado é obrigado a prestar informações a qualquer dos genitores sobre os filhos destes, sob pena de multa § 6° do artigo 1.584 do CC. Se o pai ou a mãe contrair novas núpcias, não perderá o direito de ter consigo os filhos, que só lhe poderão ser retirados por mandado judicial, provado que não são tratados convenientemente (art. 1.588 do CC). Direito de visitas dos avós. O direito de visita estende-se a qualquer dos avós, a critério do juiz, observados os interesses da criança ou do adolescente. Bibliografia: Código Civil Brasileiro Código Civil para Concursos / coordenador Ricardo Didier – 6.ed. rev. ampl. e atual. – Salvador: Juspodivm, 2017. Comentários ao código civil: artigo por artigo/ coordenação Jorge Shiguemitsu fujita... [et al.] – 3. Ed. rev., atual... – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014. Outros autores: Carlos Eduardo Nicoletti Camillo, Glauber Moreno Talavera, Luiz Antonio Scavone Junior. Vários autores. Constituição Federal DIAS, Maria Berenice. Manual de Direita das famílias. São Paulo: Revista dos Tribunais. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. v. 5. Direito de família. São Paulo: Saraiva. ESPÍNOLA, Eduardo. A família no direito civil brasileiro. Rio de Janeiro: Conquista. (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Direito de família. vol. 6. São Paulo: Saraiva). GOMES, Orlando. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. Leite, Eduardo de Oliveira. Direito Civil Aplicado: Direito da Família. Vol. 5. São Paulo: ed. RT 2004. Lôbo, Paulo. Direito Civil: Famílias. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Madaleno, Rolf. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. 2018. MONTEIRO, Washington de Barros; Silva, Regina Beatriz da. Curso de Direito Civil: Direito de família. Vol. 2. São Paulo: Saraiva. NADER, Paulo. Curso de Direito Civil - Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. OLIVEIRA, Euclides de Oliveira; HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. Do casamento. In: Direito de família e o novo Código Civil. Belo Horizonte: Del Rey/IBDFAM, 2001). PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. V. V. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. TARTUCE, Flávio. Direito civil. Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil. Direito de família. Vol. VI. São Paulo: Atlas. WALD, Arnoldo. Direito Civil. Direito de família. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Invalidade do Casamento (CC, 1.548 a 1.560) O casamento é ato formal e solene. Por isso, está submetido a requisitos de validade previstos em lei, sob pena de nulidade ou anulabilidade. Para que o casamento exista, é necessário o consentimento espontâneo dos nubentes e a celebração na forma da lei. Nesse sentido, “A invalidade retira o valor do casamento, que se torna nulo ou anulado, conforme a gravidade do seu vício de origem” (Madaleno, Rolf). Invalidade do casamento: Nulidade absoluta ou relativa. Art. 1.548. É nulo o casamento contraído: II - por infringência de impedimento. Como se trata de vício insanável, o casamento nulo não admite convalidação, em face do caráter público, cogente, o casamento nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo. Portanto, admite-se o reconhecimento da inexistência a qualquer tempo, não estando sujeito a prescrição ou decadência”. Invalidade do casamento nulo Os impedimentos matrimoniais estão previstos nos arts. 1.548 e 1.521 do CC (impedimentos decorrentes de parentesco consanguíneo e civil, parentesco por afinidade, de vínculo matrimonial e de crime cometido). Pessoas legitimadas a arguir a nulidade A decretação de nulidade pode ser promovida mediante ação direta, por qualquer interessado ou mesmo pelo Ministério Público” (art. 1.549 do CC). Nessa hipótese, Carlos Roberto Gonçalves lembra que, “enquanto não declarado nulo por decisão judicial transitada em julgado, o casamento existe e produz efeitos, incidindo todas as regras sobre efeitos do casamento (deveres dos cônjuges, regimes de bens)”. Ainda que de ordem pública, as nulidades do casamento não operam de pleno direito. Devem ser pronunciadas pelo Juiz provocado por quem o Código autoriza a requerer a nulidade (Clóvis Beviláqua). Casamento anulável (CC, 1.550 a 1.560) Casamento anulável No que concerne às anulabilidades, o interesse é privado, não havendo, via de consequência, uma gravidade tão relevante quanto na hipótese de nulidade, embora esteja presente um vício atentatório da ordem jurídica. O juiz não pode conhecer a anulabilidade de ofício, nem o Ministério Público pode suscitá-la, por não envolver interesse público. Falta de autorização do representante legal: Art. 1.550. É anulável o casamento: II - do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal. Prazo: arts. 1.555, § 1º do CC. Art. 1.555. O casamento do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal, só poderá ser anulado se a ação for proposta em cento e oitenta dias, por iniciativa do incapaz, ao deixar de sê-lo, de seus representantes legais ou de seus herdeiros necessários. § 1º. O prazo estabelecido neste artigo será contado do dia em que cessou a incapacidade, no primeiro caso; a partir do casamento, no segundo; e, no terceiro, da morte do incapaz. Art. 1.550. “É anulável o casamento: I - de quem não completou a idade mínima para casar; II - do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal; V - Realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato, e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges. Na hipótese do inciso V do art. 1.550, o prazo para anulação do casamento é de cento e oitenta dias, a partir da data em que o mandante tiver conhecimento da celebração. VI - por incompetência da autoridade celebrante (Prazo: dois anos). § 1º. Equipara-se à revogação a invalidade do mandato judicialmente decretada. § 2º. A pessoa com deficiência mental ouintelectual em idade núbia poderá contrair matrimônio, expressando sua vontade diretamente ou por meio de seu responsável ou curador”. Os incisos I e II referem-se à anulabilidade em virtude da incapacidade em razão da idade. Os incisos III e IV dizem respeito ao vício e ao defeito na manifestação da vontade. O inciso V trata da não-incidência da revogação do mandato, e o último, inciso VI, indica celebração por autoridade incompetente. O casamento anulável produz todos os efeitos enquanto não anulado por decisão judicial transitada em julgado. Até então tem validade resolúvel, que se tornará definitiva se decorrer o prazo decadencial sem que tenha sido ajuizada ação anulatória. Se a ação anulatória foi ajuizada pelos representantes legais ou pelos ascendentes do menor (art. 1.552, II e III), poderá este “confirmar seu casamento” ao perfazer a idade mínima, com efeito retroativo, desde que ainda não tenha transitado em julgado a sentença anulatória, e “com a autorização de seus representantes legais, se necessária, ou com suprimento judicial” (art. 1.553). Nesse caso, a ação será extinta e a única consequência será a subsistência do regime da separação de bens, se houve suprimento judicial (art. 1.641, III). A confirmação processa-se perante o próprio oficial do cartório e o juiz celebrante. Trata-se de um “simples ato de ratificação, com dispensa da convalidação judicial. Efetua-se por termo, que terá a assinatura do ratificante e de duas testemunhas (Carlos Roberto Gonçalves). O prazo “será contado do dia em que cessou a incapacidade, no primeiro caso; a partir do casamento, no segundo; e, no terceiro, da morte do incapaz” (art. 1.555, § 1º). Erro sobre a identidade civil do outro cônjuge, sua honra e boa fama. Pode se definir Identidade civil como “é o conjunto de atributos ou qualidades com que a pessoa se apresenta no meio social. Algumas pessoas são tidas como trabalhadoras, honestas, probas; outras, porém, como inidôneas, desqualificadas etc.” (Carlos Roberto Gonçalves). Honra e boa fama Honra é a dignidade da pessoa que vive honestamente, que zela pela lisura e transparência de seu proceder moral. É o conjunto de atributos morais que torna a pessoa socialmente apreciada. Já a boa fama é a estima social de que a pessoa goza (Madaleno, Rolf. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. 2018). O erro a respeito da identidade do outro cônjuge pode-se verificar sobre a identidade física ou civil. O primeiro, muito difícil de acontecer, trata- se de engano na representação física da pessoa, e ocorre quando o nubente é substituído por outro, no ato da celebração do casamento, O segundo, quanto à identidade civil ou social, ocorre quando o nubente está iludido sobre o “conjunto de atributos ou qualidades essenciais, com que a pessoa aparece na sociedade” (Clóvis Beviláqua). Ignorância de defeito físico irremediável ou de moléstia grave: prazo de três anos, nos casos dos incisos I a IV do art. 1.557. “Defeito físico irremediável que não caracterize deficiência é o que impede a realização dos fins matrimoniais. Em geral, apresenta-se como deformação dos órgãos genitais que obsta à prática do ato sexual. Deve ser entendido como referindo-se às anormalidades orgânicas ou funcionais que prejudiquem o desenvolvimento da relação conjugal, como, v. g., o sexo dúbio, o hermafroditismo, o infantilismo, o vaginismo etc.”(Carlos Roberto Goncalves). Quanto à identidade: são os exemplos apontados pela doutrina e jurisprudência citar os seguintes: casamento celebrado com homossexual, com bissexual, com transexual operado que não revelou sua situação anterior, com viciado em tóxicos, com irmão gêmeo de uma pessoa, com pessoa violenta, com viciado em jogos de azar, com pessoa adepta de práticas sexuais não convencionais, entre outras hipóteses (Flávio Tartuce). Art. 1.557. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge: I - o que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama, sendo esse erro tal que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. Quanto à identidade: “circunstância que poderia ser exemplificada no caso do marido que se apresenta com nome e identidade falsos, comportando-se, durante o noivado, e até a descoberta da sua farsa, como se fosse outra pessoa. Conquista a sua noiva apresentando-se como João da Silva, empresário, mas, em verdade, trata-se de Marcos Bomfino, professor. Incute, pois, no outro declarante, a falsa perspectiva de sua identidade civil. Trata- se, é bem verdade, de situação pouco provável, mas não de impossível ocorrência (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Direito de família. vol. 6. São Paulo: Saraiva). O erro essencial capaz de provocar a anulação do casamento deve estar revestido dos requisitos da anterioridade e da insuportabilidade da vida em comum para o cônjuge enganado. A circunstância ignorada deve preexistir ao casamento e sua revelação ou descoberta deverá provocar tanta indignação que tome insuportável a vida em comum. Vício da vontade determinado pela coação: Art. 1.558. “É anulável o casamento em virtude de coação, quando o consentimento de um ou de ambos os cônjuges houver sido captado mediante fundado temor de mal considerável e iminente para a vida, a saúde e a honra, sua ou de seus familiares”. O casamento anulável no prazo de quatro anos, se houver coação. A coação pode ser física ou moral. A coação é a ameaça de um mal, injusto, atual ou iminente, a um dos cônjuges, ou a ambos, notadamente à sua vida, saúde, honra ou de seus familiares. Art. 1.559. “Somente o cônjuge que incidiu em erro, ou sofreu coação, pode demandar a anulação do casamento; mas a coabitação, havendo ciência do vício, valida o ato”. Com isso, “o prazo para ser intentada a ação de anulação do casamento, a contar da data da celebração, é de quatro anos, se houver coação” (CC, art. 1.560. inciso IV). Incapacidade de manifestação do consentimento (CC. Art. 1.550, inciso IV). O prazo de anulabilidade de cento e oitenta dias, no caso do inciso IV do art. 1.550. Vale destacar, “Uma pessoa, por exemplo, que haja sido induzida quimicamente a manifestar concordância não poderá participar da celebração matrimonial por conta da sua inaptidão para declarar de forma totalmente livre a sua vontade. Também é o caso daquele que, posto goze de discernimento, esteja com as suas faculdades cognitivas embaraçadas, no momento do ato, como nas hipóteses de embriaguez e toxicomania. Imagine- se, por exemplo, alguém que chega à cerimônia visivelmente bêbado. Se isso é comum com certos convidados, é inaceitável com os noivos (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona). “O prazo para ser intentada a ação de anulação do casamento, a contar da data da celebração, é de cento e oitenta dias, no caso do inciso IV do art. 1.550 (Art. 1.560, inciso I). Realização por mandatário, estando revogado o mandato: “É anulável o casamento realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato, e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges (CC, art. 1.550, V)”. “O prazo para anulação do casamento é de cento e oitenta dias, a partir da data em que o mandante tiver conhecimento da celebração”. Art. 1.555. O casamento do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal, só poderá ser anulado se a ação for proposta em cento e oitenta dias, por iniciativa do incapaz, ao deixar de sê-lo, de seus representantes legais ou de seus herdeiros necessários. § 1º. O prazo estabelecido neste artigo será contado do dia em que cessou a incapacidade, no primeiro caso; a partir do casamento, no segundo; e, no terceiro, da morte do incapaz. § 2º. Não se anulará o casamento quando à sua celebração houverem assistido os representantes legaisdo incapaz, ou tiverem, por qualquer modo, manifestado sua aprovação. Invalidade do Casamento (CC, 1.548 a 1.560) Art. 1.554. Subsiste o casamento celebrado por aquele que, sem possuir a competência exigida na lei, exercer publicamente as funções de juiz de casamentos e, nessa qualidade, tiver registrado o ato no Registro Civil. Art. 1.560. O prazo para ser intentada a ação de anulação do casamento, a contar da data da celebração, é de: I - cento e oitenta dias, no caso do inciso IV do art. 1.550; II - dois anos, se incompetente a autoridade celebrante; III - três anos, nos casos dos incisos I a IV do art. 1.557; IV - quatro anos, se houver coação. § 1º. Extingue-se, em cento e oitenta dias, o direito de anular o casamento dos menores de dezesseis anos, contado o prazo para o menor do dia em que perfez essa idade; e da data do casamento, para seus representantes legais ou ascendentes. § 2º. Na hipótese do inciso V do art. 1.550, o prazo para anulação do casamento é de cento e oitenta dias, a partir da data em que o mandante tiver conhecimento da celebração. Foro competente para processar e julgar a ação declaratória de nulidade No esteio da legislação processual (art. 53, CPC), a declaratória de nulidade passa a ter como foro competente: I - para a ação de divórcio, separação, anulação de casamento e reconhecimento ou dissolução de união estável: a) de domicílio do guardião de filho incapaz; b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz; c) de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do casal; d) de domicílio da vítima de violência doméstica e familiar, nos termos da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha); II - de domicílio ou residência do alimentando, para a ação em que se pedem alimentos ............. Invalidade do Casamento (CC, 1.548 a 1.560) Bibliografia: Código Civil Brasileiro Código Civil para Concursos / coordenador Ricardo Didier – 6.ed. rev. ampl. e atual. – Salvador: Juspodivm, 2017. Comentários ao código civil: artigo por artigo/ coordenação Jorge Shiguemitsu fujita... [et al.] – 3. Ed. rev., atual... – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014. Outros autores: Carlos Eduardo Nicoletti Camillo, Glauber Moreno Talavera, Luiz Antonio Scavone Junior. Vários autores. Constituição Federal DIAS, Maria Berenice. Manual de Direita das famílias. São Paulo: Revista dos Tribunais. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. v. 5. Direito de família. São Paulo: Saraiva. ESPÍNOLA, Eduardo. A família no direito civil brasileiro. Rio de Janeiro: Conquista. (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Direito de família. vol. 6. São Paulo: Saraiva). GOMES, Orlando. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. Leite, Eduardo de Oliveira. Direito Civil Aplicado: Direito da Família. Vol. 5. São Paulo: ed. RT 2004. Lôbo, Paulo. Direito Civil: Famílias. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Madaleno, Rolf. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. 2018. MONTEIRO, Washington de Barros; Silva, Regina Beatriz da. Curso de Direito Civil: Direito de família. Vol. 2. São Paulo: Saraiva. NADER, Paulo. Curso de Direito Civil - Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. OLIVEIRA, Euclides de Oliveira; HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. Do casamento. In: Direito de família e o novo Código Civil. Belo Horizonte: Del Rey/IBDFAM, 2001). PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. V. V. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. TARTUCE, Flávio. Direito civil. Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil. Direito de família. Vol. VI. São Paulo: Atlas. WALD, Arnoldo. Direito Civil. Direito de família. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Relações de Parentesco e Filiação (CC, arts. 1. 591 a 1.617) As relações de parentesco estão compreendidas entre o art. 1591 ao art. 1595. Parentesco na linha reta: São parentes em linha reta as pessoas que estão umas para com as outras na relação de ascendentes e descendentes (CC, art. 1.591). Linha ascendente: 1º Grau: pais. 2º Grau: avós. 3º Grau: bisavós. 4º Grau: trisavós. Linha descendente: 1º Grau: filhos. 2º Grau: netos. 3: Grau: bisnetos. 4º Grau: trinetos. Parentesco na linha colateral: São parentes em linha colateral ou transversal, até o quarto grau, as pessoas provenientes de um só tronco, sem descenderem uma da outra (CC, art. 1.592). 1º Grau: na linha colateral não há parentes de primeiro grau. 2º Grau: irmãos. 3º Grau: tios e sobrinhos. 4º Grau: tios-avôs, primos e sobrinhos-netos Art. 1.594. Contam-se, na linha reta, os graus de parentesco pelo número de gerações, e, na colateral, também pelo número delas, subindo de um dos parentes até ao ascendente comum, e descendo até encontrar o outro parente. Art. 1.595. Cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro pelo vínculo da afinidade. § 1º. O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes, aos descendentes e aos irmãos do cônjuge ou companheiro. § 2 o. Na linha reta, a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável. Filiação (CC, art. 1.596 ao art. 1.617) Princípio da igualdade da filiação Todos os filhos, havidos ou não da relação de casamento, ou por adoção, os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias (CF, artigo 227, § 6°, o artigo 1.596 do CC e também o artigo 20 do Estatuto da Criança e do Adolescente). Art. 1.596. Os filhos, havidos ou não da relação de casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação. Reconhecimento dos Filhos: Nos termos do art. 1.607 do CC “o filho havido fora do casamento pode ser reconhecido pelos pais, de forma conjunta ou separada”. Em relação à maternidade, quando esta constar do termo de nascimento, a mãe só poderá contestá-la, provando a falsidade do termo, ou das declarações nele contidas (art. 1.608 do CC). Presunções de paternidade (art. 1.597 do CC). Art. 1.597. Presumem-se concebidos na constância do casamento os filhos: I - nascidos cento e oitenta dias, pelo menos, depois de estabelecida a convivência conjugal; II - nascidos nos trezentos dias subsequentes à dissolução da sociedade conjugal, por morte, separação judicial, nulidade e anulação do casamento; III - havidos por fecundação artificial homóloga, mesmo que falecido o marido; IV - havidos, a qualquer tempo, quando se tratar de embriões excedentários, decorrentes de concepção artificial homóloga; V - havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha prévia autorização do marido. Filiação por presunção na fecundação assistida (art. 1.597, incisos III, IV e V). Hipóteses de presunção da filiação no casamento proveniente da reprodução assistida, valendo-se da técnica da fecundação artificial homóloga, mesmo quando já falecido o marido; presumindo serem filhos do casamento aqueles havidos a qualquer tempo, quando se tratar de embriões excedentes de concepção artificial homóloga, e os filhos havidos por inseminação artificial heteróloga, conquanto exista prévia autorização do marido. A inseminação artificial homóloga utiliza o sêmen do próprio marido e o óvulo da mulher, à margem da relação sexual, mas com a ajuda instrumental. Inseminação artificial heteróloga: quando utiliza o sêmen de um doador que não o marido ou o companheiro, sendo imprescindível o expresso consentimento do parceiro.O inciso IV do artigo 1.597 do CC preconiza embriões excedentários que “são aqueles decorrentes da manipulação genética, mas que não foram introduzidos no ventre materno, estando armazenados em entidades especializadas, em clínicas de reprodução assistida” (LÔBO, Paulo Luiz Netto). Reconhecimento dos Filhos: “o filho havido fora do casamento pode ser reconhecido pelos pais, de forma conjunta ou separada” (art. 1.607 do CC). Em relação à maternidade, quando esta constar do termo de nascimento, a mãe só poderá contestá-la, provando a falsidade do termo, ou das declarações nele contidas (art. 1.608 do CC). Art. 1.610. O reconhecimento não pode ser revogado, nem mesmo quando feito em testamento. Impugnação da paternidade “Cabe ao marido o direito de contestar a paternidade dos filhos nascidos de sua mulher, sendo tal ação imprescritível” (art. 1.601). Os filhos do impugnante e bem assim seus demais descendentes não têm legitimidade para contestarem a paternidade, se em vida o marido legitimado não contestou a ação, isso porque os descendentes só têm o direito de prosseguirem na ação (CC, art. 1.601, parágrafo único), e se o processo iniciado pelo marido for extinto por sua inércia em vida, seus herdeiros não poderão reativar a ação. A confissão de adultério pela mulher não ilide (Ilidir é sinônimo de: rebater ou contestar), a presunção legal da paternidade. Entretanto, confere somente ao marido o direito de contestar a paternidade dos filhos nascidos de sua mulher (CC, arts. 1.600, 1.601 e 1.602). Art. 1.609. O reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento é irrevogável e será feito: I - no registro do nascimento; II - por escritura pública ou escrito particular, a ser arquivado em cartório; III - por testamento, ainda que incidentalmente manifestado; IV - por manifestação direta e expressa perante o juiz, ainda que o reconhecimento não haja sido o objeto único e principal do ato que o contém. O reconhecimento não pode ser revogado, nem mesmo quando feito em testamento (art. 1.610 do CC). O reconhecimento pode preceder ao nascimento (reconhecimento de nascituro) ou ser posterior ao falecimento (reconhecimento post mortem), se o filho a ser reconhecido deixar descendentes (art. 1.609, parágrafo único, do CC). Art. 1.614. O filho maior não pode ser reconhecido sem o seu consentimento, e o menor pode impugnar o reconhecimento, nos quatro anos que se seguirem à maioridade, ou à emancipação. Poder Familiar (CC, arts. 1.630 a 1.638) Art. 1.630. Os filhos estão sujeitos ao poder familiar, enquanto menores. O poder familiar (autoridade familiar) constitui um múnus público, pois ao Estado, que fixa normas para o seu exercício, interessa o seu bom desempenho. É, portanto, irrenunciável, incompatível com a transação, e indelegável, não podendo os pais renunciá-lo, nem transferi-lo a outrem (GONÇALVES, Carlos Roberto). Art. 1.631. Durante o casamento e a união estável, compete o poder familiar aos pais; na falta ou impedimento de um deles, o outro o exercerá com exclusividade. Parágrafo único. Divergindo os pais quanto ao exercício do poder familiar, é assegurado a qualquer deles recorrer ao juiz para solução do desacordo. Art. 1.632. A separação judicial, o divórcio e a dissolução da união estável não alteram as relações entre pais e filhos senão quanto ao direito, que aos primeiros cabe, de terem em sua companhia os segundos. A dissolução do vínculo conjugal não afeta a relação jurídica entre pais e filhos. O poder familiar será exercido, em igualdade de condições, pelo pai e pela mãe. Art. 1.633. O filho, não reconhecido pelo pai, fica sob poder familiar exclusivo da mãe; se a mãe não for conhecida ou capaz de exercê-lo, dar-se-á tutor ao menor. Art. 1.635. Extingue-se o poder familiar: I - pela morte dos pais ou do filho; II - pela emancipação, nos termos do art. 5 o, parágrafo único; III - pela maioridade; IV - pela adoção; V - por decisão judicial, na forma do artigo 1.638 . Da Suspensão. Art. 1.637. Se o pai, ou a mãe, abusar de sua autoridade, faltando aos deveres a eles inerentes ou arruinando os bens dos filhos, cabe ao juiz, requerendo algum parente, ou o Ministério Público, adotar a medida que lhe pareça reclamada pela segurança do menor e seus haveres, até suspendendo o poder familiar, quando convenha. Parágrafo único. Suspende-se igualmente o exercício do poder familiar ao pai ou à mãe condenados por sentença irrecorrível, em virtude de crime cuja pena exceda a dois anos de prisão. Art. 1.638. Perderá por ato judicial o poder familiar o pai ou a mãe que: I - castigar imoderadamente o filho; II - deixar o filho em abandono; III - praticar atos contrários à moral e aos bons costumes; IV - incidir, reiteradamente, nas faltas previstas no artigo antecedente. V - entregar de forma irregular o filho a terceiros para fins de adoção. Parágrafo único. Perderá também por ato judicial o poder familiar aquele que: I – praticar contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar: a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando se tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher; b) estupro ou outro crime contra a dignidade sexual sujeito à pena de reclusão; II – praticar contra filho, filha ou outro descendente: a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando se tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher; b) estupro, estupro de vulnerável ou outro crime contra a dignidade sexual sujeito à pena de reclusão. Tutela O tutor exerce um múnus (encargo) público, delegado pelo Estado ao transferir a uma terceira pessoa o encargo de zelar pela criação, educação e pelos bens do menor posto sob tutela. Os filhos menores são postos sob tutela com o falecimento dos pais, ou sendo estes julgados ausentes ou em caso de os pais decaírem do poder familiar (art. 1.728 do CC). Tutela testamentária. Art. 1.729. O direito de nomear tutor compete aos pais, em conjunto. Parágrafo único. A nomeação deve constar de testamento ou de qualquer outro documento autêntico. Tutela legítima. Art. 1.731. Em falta de tutor nomeado pelos pais incumbe a tutela aos parentes consanguíneos do menor, por esta ordem: I - aos ascendentes, preferindo o de grau mais próximo ao mais remoto; II - aos colaterais até o terceiro grau, preferindo os mais próximos aos mais remotos, e, no mesmo grau, os mais velhos aos mais moços; em qualquer dos casos, o juiz escolherá entre eles o mais apto a exercer a tutela em benefício do menor. Tutela dativa. Art. 1.732. O juiz nomeará tutor idôneo e residente no domicílio do menor: I - na falta de tutor testamentário ou legítimo; II - quando estes forem excluídos ou escusados da tutela; III - quando removidos por não idôneos o tutor legítimo e o testamentário. Art. 1.736. Podem escusar-se da tutela: I - mulheres casadas; II - maiores de sessenta anos; III - aqueles que tiverem sob sua autoridade mais de três filhos; IV - os impossibilitados por enfermidade; V - aqueles que habitarem longe do lugar onde se haja de exercer a tutela; VI - aqueles que já exercerem tutela ou curatela; VII - militares em serviço. Art. 1.737. Quem não for parente do menor não poderá ser obrigado a aceitar a tutela, se houver no lugar parente idôneo, consanguíneo ou afim, em condições de exercê-la. Incapazes de exercer a tutela: Art. 1.735. Não podem ser tutores e serão exonerados da tutela, caso a exerçam: I - aqueles que não tiverem a livre administração de seus bens; II - aqueles que, no momento de lhes ser deferida a tutela, se acharem constituídosem obrigação para com o menor, ou tiverem que fazer valer direitos contra este, e aqueles cujos pais, filhos ou cônjuges tiverem demanda contra o menor; III - os inimigos do menor, ou de seus pais, ou que tiverem sido por estes expressamente excluídos da tutela; IV - os condenados por crime de furto, roubo, estelionato, falsidade, contra a família ou os costumes, tenham ou não cumprido pena; V - as pessoas de mau procedimento, ou falhas em probidade, e as culpadas de abuso em tutorias anteriores; VI - aqueles que exercerem função pública incompatível com a boa administração da tutela. Responsabilidade do juiz: A responsabilidade do juiz será direta e pessoal quando não tiver nomeado o tutor, ou não o houver feito oportunamente (CC, art. 1.744, inc. I), e subsidiária, quando não tiver exigido garantia legal do tutor, nem o removido, tanto que se tornou suspeito (CC, art. 1.744, inc. II). Responsabilidade do tutor: CC, art. 1.752. O dever de reparar exige os seguintes pressupostos: a) ação ou omissão dolosa ou culposa do tutor no exercício da tutoria; b) a ocorrência de dano material ou moral; c) o nexo causal entre a ação ou omissão, culposa ou dolosa, e o resultado danoso. Prestação de contas: No que tange à prestação de contas, trata-se de um dever decorrente da tutela, conforme reconhece o art. 1.755 do Código Civil, e que subsiste mesmo que haja uma disposição em contrário feita pelos pais. Art. 1.752. O tutor responde pelos prejuízos que, por culpa, ou dolo, causar ao tutelado; mas tem direito a ser pago pelo que realmente despender no exercício da tutela, salvo no caso do art. 1.734, e a perceber remuneração proporcional à importância dos bens administrados. § 1 o Ao protutor será arbitrada uma gratificação módica pela fiscalização efetuada. § 2 o São solidariamente responsáveis pelos prejuízos as pessoas às quais competia fiscalizar a atividade do tutor, e as que concorreram para o dano. Art. 1.753. Os tutores não podem conservar em seu poder dinheiro dos tutelados, além do necessário para as despesas ordinárias com o seu sustento, a sua educação e a administração de seus bens. Art. 1.758. Finda a tutela pela emancipação ou maioridade, a quitação do menor não produzirá efeito antes de aprovadas as contas pelo juiz, subsistindo inteira, até então, a responsabilidade do tutor. A lei exige nessa prestação de contas um balanço anual, a ser apresentado pelo tutor ao juiz. É, portanto, tem a autoridade judicial o dever de exigir a rendição bianual das contas da administração do tutor (art. 1.757), que ao fim de cada ano de administração também submete ao juiz o balanço respectivo (CC, art. 1.756), o qual, depois de aprovado, será anexado aos autos do inventário (CC, art. 1.756) e sempre que cessada a tutela ou a curatela (CPC, art. 763, § 2º). Cessam as funções do tutor (CC, art. 1.764) quando expirar o termo, em que era obrigado a servir, estabelecendo o artigo 1.765 do Código Civil um espaço mínimo de dois anos, podendo continuar no exercício da tutela, além do prazo previsto, se o quiser o tutor e o juiz julgar conveniente ao menor (CC, art. 1.765, parágrafo único). Art. 1.766. Será destituído o tutor, quando negligente, prevaricador ou incurso em incapacidade. Curatela A curatela é um encargo público (múnus público) e incide para os maiores relativamente incapazes que, são os ébrios habituais (alcoólatras), os viciados em tóxicos (toxicômanos), as pessoas que por causa transitória ou definitiva não puderem exprimir vontade e os pródigos. Por seu turno, dispõe o art. 1.767, estão sujeitos a curatela: I- Aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; II -(Revogado); III - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; IV - (Revogado); V - Os pródigos. Art. 1.775. O cônjuge ou companheiro, não separado judicialmente ou de fato, é, de direito, curador do outro, quando interdito. §1 o Na falta do cônjuge ou companheiro, é curador legítimo o pai ou a mãe; na falta destes, o descendente que se demonstrar mais apto. Art. 1.782. A interdição do pródigo só o privará de, sem curador, emprestar, transigir, dar quitação, alienar, hipotecar, demandar ou ser demandado, e praticar, em geral, os atos que não sejam de mera administração. Art. 1.783. Quando o curador for o cônjuge e o regime de bens do casamento for de comunhão universal, não será obrigado à prestação de contas, salvo determinação judicial. Em caso de extrema gravidade, o juiz poderá suspender o tutor ou o curador do exercício de suas funções, nomeando substituto interino. Curatela do Nascituro e do Enfermo ou Portador de Deficiência Física Quando falece o pai, e deixa mulher grávida e herança, prevê o artigo 1.779 do CC a nomeação de um curador ao nascituro, não detendo a gestante o poder familiar, e se a mulher estiver interditada seu curador também será o do nascituro. Curatela conjunta: de acordo com o artigo 1.775-A, a nomeação de curador para a pessoa com deficiência poderá ser na modalidade compartilhada. Ação de interdição: A incapacidade precisa ser judicialmente declarada, por meio de um processo de interdição de acordo com o artigo 747 e seguintes do CPC. Art. 747. A interdição pode ser promovida: I - pelo cônjuge ou companheiro; II - pelos parentes ou tutores; III - pelo representante da entidade em que se encontra abrigado o interditando; IV - pelo Ministério Público. Parágrafo único. A legitimidade deverá ser comprovada por documentação que acompanhe a petição inicial. Bibliografia: Código Civil Brasileiro Código Civil para Concursos / coordenador Ricardo Didier – 6.ed. rev. ampl. e atual. – Salvador: Juspodivm, 2017. Comentários ao código civil: artigo por artigo/ coordenação Jorge Shiguemitsu fujita... [et al.] – 3. Ed. rev., atual... – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014. Outros autores: Carlos Eduardo Nicoletti Camillo, Glauber Moreno Talavera, Luiz Antonio Scavone Junior. Vários autores. Constituição Federal DIAS, Maria Berenice. Manual de Direita das famílias. São Paulo: Revista dos Tribunais. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. v. 5. Direito de família. São Paulo: Saraiva. ESPÍNOLA, Eduardo. A família no direito civil brasileiro. Rio de Janeiro: Conquista. (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Direito de família. vol. 6. São Paulo: Saraiva). GOMES, Orlando. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. Leite, Eduardo de Oliveira. Direito Civil Aplicado: Direito da Família. Vol. 5. São Paulo: ed. RT 2004. Lôbo, Paulo. Direito Civil: Famílias. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Madaleno, Rolf. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. 2018. MONTEIRO, Washington de Barros; Silva, Regina Beatriz da. Curso de Direito Civil: Direito de família. Vol. 2. São Paulo: Saraiva. NADER, Paulo. Curso de Direito Civil - Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. OLIVEIRA, Euclides de Oliveira; HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. Do casamento. In: Direito de família e o novo Código Civil. Belo Horizonte: Del Rey/IBDFAM, 2001). PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. V. V. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. TARTUCE, Flávio. Direito civil. Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil. Direito de família. Vol. VI. São Paulo: Atlas. WALD, Arnoldo. Direito Civil. Direito de família. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. DO PROCESSO DE HABILITAÇÃO E DA CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO Processo de habilitaçãoautoridade competente para presidir o casamento suprir-se-á por qualquer dos seus substitutos legais, e a do oficial do Registro Civil por outro ad hoc, nomeado pelo presidente do ato. § 2º. O termo avulso, lavrado pelo oficial ad hoc, será registrado no respectivo registro dentro em cinco dias, perante duas testemunhas, ficando arquivado. Casamento nuncupativo (CC, arts. 1.540 e 1.541) Casamento nuncupativo; in extremis; vitae momentis; viva voz ou in articulo mortis. Vale analisar o art. 1.540 do CC, “Quando algum dos contraentes estiver em iminente risco de vida, não obtendo a presença da autoridade à qual incumba presidir o ato, nem a de seu substituto, poderá o casamento ser celebrado na presença de seis testemunhas, que com os nubentes não tenham parentesco em linha reta, ou, na colateral, até segundo grau”. Com efeito, o casamento em iminente risco de vida ou in extremis vitae momentis, quando se permite a dispensa do processo de habilitação e até a presença do celebrante. Assim ocorre, por exemplo, quando um dos nubentes é ferido por disparo de arma de fogo, ou é vítima de mal súbito, em que não há a mínima esperança de salvação, e a duração da vida não poderá ir além de alguns instantes ou horas. Realizado o casamento, as testemunhas deverão comparecer perante a autoridade judicial mais próxima no termo do artigo 1.541 do CC. Art. 1.541. Realizado o casamento, devem as testemunhas comparecer perante a autoridade judicial mais próxima, dentro em dez dias, pedindo que lhes tome por termo a declaração de: • I - que foram convocadas por parte do enfermo; • II - que este parecia em perigo de vida, mas em seu juízo; • III - que, em sua presença, declararam os contraentes, livre e espontaneamente, receber-se por marido e mulher. • § 1º. Autuado o pedido e tomadas as declarações, o juiz procederá às diligências necessárias para verificar se os contraentes podiam ter-se habilitado, na forma ordinária, ouvidos os interessados que o requererem, dentro em quinze dias. Art. 1.541. Realizado o casamento, devem as testemunhas comparecer perante a autoridade judicial mais próxima, dentro em dez dias, pedindo que lhes tome por termo a declaração de: • I - que foram convocadas por parte do enfermo; • II - que este parecia em perigo de vida, mas em seu juízo; • III - que, em sua presença, declararam os contraentes, livre e espontaneamente, receber-se por marido e mulher. • § 1 o Autuado o pedido e tomadas as declarações, o juiz procederá às diligências necessárias para verificar se os contraentes podiam ter-se habilitado, na forma ordinária, ouvidos os interessados que o requererem, dentro em quinze dias. • § 2 o Verificada a idoneidade dos cônjuges para o casamento, assim o decidirá a autoridade competente, com recurso voluntário às partes. • § 3 o Se da decisão não se tiver recorrido, ou se ela passar em julgado, apesar dos recursos interpostos, o juiz mandará registrá-la no livro do Registro dos Casamentos. • § 4º. O assento assim lavrado retrotrairá os efeitos do casamento, quanto ao estado dos cônjuges, à data da celebração. • § 5 o Serão dispensadas as formalidades deste e do artigo antecedente, se o enfermo convalescer e puder ratificar o casamento na presença da autoridade competente e do oficial do registro. Casamento por procuração Art. 1.542. O casamento pode celebrar-se mediante procuração, por instrumento público, com poderes especiais. • § 1º. A revogação do mandato não necessita chegar ao conhecimento do mandatário; mas, celebrado o casamento sem que o mandatário ou o outro contraente tivessem ciência da revogação, responderá o mandante por perdas e danos. • § 2º. O nubente que não estiver em iminente risco de vida poderá fazer- se representar no casamento nuncupativo. • § 3º. A eficácia do mandato não ultrapassará noventa dias. CC, art. 1.532. • § 4º. Só por instrumento público se poderá revogar o mandato. A revogação do mandato também deverá ser por instrumento público. No casamento in extremis, nada impede que o nubente que não esteja em iminente risco de morte seja representado nesse casamento nuncupativo (art. 1.542, § 2.º, do CC). O prazo de validade da procuração não poderá ultrapassar a noventa dias, contados da outorga dos poderes (CC, art. 1.542, § 3º). Eficácia do mandato: esclarece Flávio Tartuce, “Tício (mandante) pode outorgar poderes para Mévio (mandatário) casar-se com Maria (outra nubente), já que irá viajar para o exterior, por longo período. Se Tício (mandante) quiser revogar o mandato, a revogação não necessita chegar ao conhecimento do mandatário (art. 1.542, § 1.º, do CC). Entretanto, somente é possível revogar o mandato para o casamento por meio de instrumento público (art. 1.542, § 4.º). Casamento consular (CC, art. 1.544) Casamento consular: Conforme disposto no art. 1.544 do CC, “O casamento de brasileiro celebrado no estrangeiro, perante as respectivas autoridades ou os cônsules brasileiros, deverá ser registrado em cento e oitenta dias, a contar da volta de um ou de ambos os cônjuges ao Brasil, no cartório do respectivo domicílio, ou, em sua falta, no 1º Ofício da Capital do Estado em que passaram a residir”. Prova do casamento celebrado no exterior: Prova-se o casamento celebrado fora do Brasil de acordo com a lei do país onde se celebrou. Trata- se de aplicação do art. 7º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, segundo o qual a lei do país onde está domiciliada a pessoa determina as regras gerais sobre direito de família. Vide o art. 18 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. Casamento putativo (CC, arts. 1.561 a 1.564) Casamento Putativo: O casamento nulo ou anulável pode gerar efeitos em relação à pessoa que o celebrou de boa-fé e aos filhos, sendo denominado casamento putativo. A expressão putare, de origem latina, quer dizer crer, imaginar, pensar. Portanto, casamento putativo é o casamento que existe na imaginação do contraente de boa-fé (TARTUCE, Flávio. Direito Civil: direito de família. v. 5. Rio de Janeiro: Forense, 2019). Nessa linha, consta no art. 1.561: “Embora anulável ou mesmo nulo, se contraído de boa-fé por ambos os cônjuges, o casamento, em relação a estes como aos filhos, produz todos os efeitos até o dia da sentença anulatória. § 1 o Se um dos cônjuges estava de boa-fé ao celebrar o casamento, os seus efeitos civis só a ele e aos filhos aproveitarão. § 2 o Se ambos os cônjuges estavam de má-fé ao celebrar o casamento, os seus efeitos civis só aos filhos aproveitarão. Art. 1.562. Antes de mover a ação de nulidade do casamento, a de anulação, a de separação judicial, a de divórcio direto ou a de dissolução de união estável, poderá requerer a parte, comprovando sua necessidade, a separação de corpos, que será concedida pelo juiz com a possível brevidade. Art. 1.563. A sentença que decretar a nulidade do casamento retroagirá à data da sua celebração, sem prejudicar a aquisição de direitos, a título oneroso, por terceiros de boa-fé, nem a resultante de sentença transitada em julgado. Art. 1.564. Quando o casamento for anulado por culpa de um dos cônjuges, este incorrerá: • I - na perda de todas as vantagens havidas do cônjuge inocente; • II - na obrigação de cumprir as promessas que lhe fez no contrato antenupcial. Desse modo, o casamento nulo ou anulável pode gerar efeitos em relação à pessoa que o celebrou de boa-fé e aos filhos. Efeitos em relação a terceiros: Não serão prejudicados os terceiros que a título oneroso contrataram com os cônjuges cujo casamento foi judicialmente anulado ou decretado nulo (art. 1.563 do CC), pelo mesmo modo com que o cônjuge de boa-fé pode reivindicar a anulação de negócio jurídico realizado durante o casamento sem a sua outorga. Bibliografia:e da celebração do casamento Procedimento e Requerimento da habilitação: O matrimônio, só será celebrado depois de vencido o precedente procedimento de habilitação encaminhado através do oficial do Registro Civil pelos nubentes. O procedimento de habilitação tem a finalidade de evitar que um casamento se realize em infração de algum dos impedimentos matrimoniais previstos no artigo 1.521 do Código Civil ou de alguma das causas suspensivas arroladas no artigo 1.523. Requerimento de habilitação: O requerimento de habilitação firmado pelos nubentes deverá ser instruído com os documentos previstos no artigo 1.525 do Código Civil. A habilitação para o casamento consiste em um procedimento administrativo, disciplinado pelo Código Civil e pela Lei de Registros Públicos, por meio do qual o Oficial do Registro Civil afere a concorrência dos pressupostos de existência e validade do ato matrimonial, expedindo, ao fim, a habilitação necessária à concretização do enlace (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona). Requerimento de habilitação: Art. 1.525. O requerimento de habilitação para o casamento será firmado por ambos os nubentes, de próprio punho, ou, a seu pedido, por procurador, e deve ser instruído com os seguintes documentos: I - certidão de nascimento ou documento equivalente; II - autorização por escrito das pessoas sob cuja dependência legal estiverem, ou ato judicial que a supra; III - declaração de duas testemunhas maiores, parentes ou não, que atestem conhecê-los e afirmem não existir impedimento que os iniba de casar; IV - declaração do estado civil, do domicílio e da residência atual dos contraentes e de seus pais, se forem conhecidos; V - certidão de óbito do cônjuge falecido, de sentença declaratória de nulidade ou de anulação de casamento, transitada em julgado, ou do registro da sentença de divórcio. Procedimento de habilitação – Art. 1.526. A habilitação para o casamento será feita pessoalmente perante o oficial do Registro Civil, com a audiência do Ministério Público, dispensada a homologação judicial, salvo haja impugnação do oficial, do Ministério Público ou de terceiro (CC, art. 1.526, parágrafo único). Art. 1.526, Parágrafo único. Caso haja impugnação do oficial, do Ministério Público ou de terceiro, a habilitação será submetida ao juiz. A lei confere ao oficial do Registro Civil o processamento e a direção quanto à habilitação (CC, art. 1.526). Publicação dos editais e a dispensa de proclamas: Estando em ordem a documentação, o oficial extrairá o edital, a ser afixado durante quinze dias nas circunscrições do Registro Civil de ambos os nubentes, e, obrigatoriamente, publicado na imprensa local, se houver. Havendo urgência, dita o parágrafo único do artigo 1.527 do CC, poderá a autoridade competente dispensar a publicação dos proclamas. O edital de proclamas é o ato administrativo expedido pelo Oficial do Cartório de Registro Civil em que tramita a habilitação, por meio do qual os nubentes são qualificados, e é anunciado o casamento para sociedade. Art. 1.528. É dever do oficial do registro esclarecer os nubentes a respeito dos fatos que podem ocasionar a invalidade do casamento, bem como sobre os diversos regimes de bens. Art. 1.529. Tanto os impedimentos quanto as causas suspensivas serão opostos em declaração escrita e assinada, instruída com as provas do fato alegado, ou com a indicação do lugar onde possam ser obtidas. Certificado de habilitação para o casamento Art. 1.531. Cumpridas as formalidades dos arts. 1.526 e 1.527 e verificada a inexistência de fato obstativo, o oficial do registro extrairá o certificado de habilitação. Art. 1.532. A eficácia da habilitação será de noventa dias, a contar da data em que foi extraído o certificado. Autorização para celebração do casamento Superada a fase de verificação das formalidades matrimoniais e já na posse do certificado de habilitação (CC, art. 1.531), com eficácia de validade de noventa dias, estes contados da data da extração do certificado (CC, art. 1.532), é chegada a etapa de celebração do casamento, em dia, hora e lugar previamente designados pela autoridade que houver de presidir o ato (CC, art. 1.533). Da Celebração do Casamento Art. 1.533. Celebrar-se-á o casamento, no dia, hora e lugar previamente designados pela autoridade que houver de presidir o ato, mediante petição dos contraentes, que se mostrem habilitados com a certidão do art. 1.531. Art. 1.534. A solenidade realizar-se-á na sede do cartório, com toda publicidade, a portas abertas, presentes pelo menos duas testemunhas, parentes ou não dos contraentes, ou, querendo as partes e consentindo a autoridade celebrante, noutro edifício público ou particular. § 1°. Quando o casamento for em edifício particular, ficará este de portas abertas durante o ato. § 2º. Serão quatro as testemunhas na hipótese do parágrafo anterior e se algum dos contraentes não souber ou não puder escrever. Cerimônia de celebração do casamento e o consentimento matrimonial A presença pessoal dos contraentes é imprescindível, exceção feita ao casamento através de procurador especial (CC, art. 1.535), assim como as testemunhas do ato, em número de duas, se a solenidade for realizada na sede do cartório (CC, art. 1.534), ou quatro testemunhas, se realizado em edifício particular (CC, art. 1.534, § 1º) ou se um dos contraentes não souber ou não puder escrever (CC, art. 1.534, § 2º). Manifestação da vontade, livre e espontânea (CC, arts. 1.514 e 1.535). Art. 1.535. Presentes os contraentes, em pessoa ou por procurador especial, juntamente com as testemunhas e o oficial do registro, o presidente do ato, ouvida aos nubentes a afirmação de que pretendem casar por livre e espontânea vontade, declarará efetuado o casamento, nestes termos: De acordo com a vontade que ambos acabais de afirmar perante mim, de vos receberdes por marido e mulher, eu, em nome da lei, vos declaro casados”. REGISTRO DO CASAMENTO. ASSENTO DO CASAMENTO: Logo após a celebração do casamento, será lavrado o assento no livro de registro. No assento, assinado pelo presidente do ato, pelos cônjuges, pelas testemunhas, e pelo oficial do registro, como enuncia o próprio CC, no seu art. 1.536. Art. 1.536. Do casamento, logo depois de celebrado, lavrar-se-á o assento no livro de registro. No assento, assinado pelo presidente do ato, pelos cônjuges, as testemunhas, e o oficial do registro, serão exarados: I - os prenomes, sobrenomes, datas de nascimento, profissão, domicílio e residência atual dos cônjuges; II - os prenomes, sobrenomes, datas de nascimento ou de morte, domicílio e residência atual dos pais; III - o prenome e sobrenome do cônjuge precedente e a data da dissolução do casamento anterior; IV - a data da publicação dos proclamas e da celebração do casamento; V - a relação dos documentos apresentados ao oficial do registro; VI - o prenome, sobrenome, profissão, domicílio e residência atual das testemunhas; VII - o regime do casamento, com a declaração da data e do cartório em cujas notas foi lavrada a escritura antenupcial, quando o regime não for o da comunhão parcial, ou o obrigatoriamente estabelecido. SUSPENSÃO DA CERIMÔNIA: Sobre a suspensão do casamento dispõe o art. 1.538 do Código Civil que “A celebração do casamento será imediatamente suspensa se algum dos contraentes: • I - recusar a solene afirmação da sua vontade; • II - declarar que esta não é livre e espontânea; • III - manifestar-se arrependido. • Parágrafo único. O nubente que, por algum dos fatos mencionados neste artigo, der causa à suspensão do ato, não será admitido a retratar-se no mesmo dia. EFICÁCIA DO CASAMENTO (CC, arts. 1.565 a 1.570) O casamento gera efeitos jurídicos amplos,trazendo deveres para ambos os cônjuges que pretendem essa comunhão plena de vida (arts. 1.565 e 1.566 do CC e o art. 226, § 5º, da CF). Art. 1.565. Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da família. Direção da sociedade conjugal: vigora acerca das entidades familiares a isonomia dos gêneros sexuais, e assumem duas pessoas que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida, a condição de consortes e colaboradores da sua sociedade conjugal (art. 1.567 do CC e o art. 226, §§ 3º e 5º). § 1º. Qualquer dos nubentes, querendo, poderá acrescer ao seu o sobrenome do outro. § 2º. O planejamento familiar é de livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e financeiros para o exercício desse direito, vedado qualquer tipo de coerção por parte de instituições privadas ou públicas. Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges: I - fidelidade recíproca; II - vida em comum, no domicílio conjugal (dever de coabitação); III - mútua assistência (apoio mútuo material, moral e espiritual); IV - sustento, guarda e educação dos filhos (sujeita o infrator à perda do poder familiar); V - respeito e consideração mútuos (comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges). Art. 1.567. A direção da sociedade conjugal será exercida, em colaboração, pelo marido e pela mulher, sempre no interesse do casal e dos filhos. Parágrafo único. Havendo divergência, qualquer dos cônjuges poderá recorrer ao juiz, que decidirá tendo em consideração aqueles interesses. Contribuição conjunta das despesas do lar conjugal (CC art. 1.568). Art. 1.568. Os cônjuges são obrigados a concorrer, na proporção de seus bens e dos rendimentos do trabalho, para o sustento da família e a educação dos filhos, qualquer que seja o regime patrimonial. Art. 1.569. O domicílio do casal será escolhido por ambos os cônjuges, mas um e outro podem ausentar-se do domicílio conjugal para atender a encargos públicos, ao exercício de sua profissão, ou a interesses particulares relevantes. Desse modo, afirmam Antônio Carlos Mathias Coltro, Sálvio de Figueiredo Teixeira e Tereza Cristina Monteiro Mafra, sobre o dever de vida em comum do domicílio conjugal, que “esse dever não se viola com as separações transitórias, às vezes até necessárias, tampouco em razão de necessidade funcional ou profissional”. Se qualquer dos cônjuges estiver desaparecido ou preso por mais de cento e oitenta dias, interditado judicialmente, o outro exercerá com exclusividade a direção da família, cabendo-lhe a administração dos bens” (CC, art. 1.570). Art. 1.570. Se qualquer dos cônjuges estiver em lugar remoto ou não sabido, encarcerado por mais de cento e oitenta dias, interditado judicialmente ou privado, episodicamente, de consciência, em virtude de enfermidade ou de acidente, o outro exercerá com exclusividade a direção da família, cabendo-lhe a administração dos bens. Bibliografia: Código Civil Brasileiro Código Civil para Concursos / coordenador Ricardo Didier – 6.ed. rev. ampl. e atual. – Salvador: Juspodivm, 2017. Comentários ao código civil: artigo por artigo/ coordenação Jorge Shiguemitsu fujita... [et al.] – 3. Ed. rev., atual... – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014. Outros autores: Carlos Eduardo Nicoletti Camillo, Glauber Moreno Talavera, Luiz Antonio Scavone Junior. Vários autores. Constituição Federal DIAS, Maria Berenice. Manual de Direita das famílias. São Paulo: Revista dos Tribunais. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. v. 5. Direito de família. São Paulo: Saraiva. ESPÍNOLA, Eduardo. A família no direito civil brasileiro. Rio de Janeiro: Conquista. (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Direito de família. vol. 6. São Paulo: Saraiva). GOMES, Orlando. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. Leite, Eduardo de Oliveira. Direito Civil Aplicado: Direito da Família. Vol. 5. São Paulo: ed. RT 2004. Lôbo, Paulo. Direito Civil: Famílias. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Madaleno, Rolf. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. 2018. MONTEIRO, Washington de Barros; Silva, Regina Beatriz da. Curso de Direito Civil: Direito de família. Vol. 2. São Paulo: Saraiva. NADER, Paulo. Curso de Direito Civil - Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. OLIVEIRA, Euclides de Oliveira; HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. Do casamento. In: Direito de família e o novo Código Civil. Belo Horizonte: Del Rey/IBDFAM, 2001). PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. V. V. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. TARTUCE, Flávio. Direito civil. Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil. Direito de família. Vol. VI. São Paulo: Atlas. WALD, Arnoldo. Direito Civil. Direito de família. Vol. 5. São Paulo: Saraiva.Código Civil Brasileiro Código Civil para Concursos / coordenador Ricardo Didier – 6.ed. rev. ampl. e atual. – Salvador: Juspodivm, 2017. Comentários ao código civil: artigo por artigo/ coordenação Jorge Shiguemitsu fujita... [et al.] – 3. Ed. rev., atual... – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014. Outros autores: Carlos Eduardo Nicoletti Camillo, Glauber Moreno Talavera, Luiz Antonio Scavone Junior. Vários autores. Constituição Federal DIAS, Maria Berenice. Manual de Direita das famílias. São Paulo: Revista dos Tribunais. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. v. 5. Direito de família. São Paulo: Saraiva. ESPÍNOLA, Eduardo. A família no direito civil brasileiro. Rio de Janeiro: Conquista. (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Direito de família. vol. 6. São Paulo: Saraiva). GOMES, Orlando. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. Leite, Eduardo de Oliveira. Direito Civil Aplicado: Direito da Família. Vol. 5. São Paulo: ed. RT 2004. Lôbo, Paulo. Direito Civil: Famílias. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Madaleno, Rolf. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. 2018. MONTEIRO, Washington de Barros; Silva, Regina Beatriz da. Curso de Direito Civil: Direito de família. Vol. 2. São Paulo: Saraiva. NADER, Paulo. Curso de Direito Civil - Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. OLIVEIRA, Euclides de Oliveira; HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. Do casamento. In: Direito de família e o novo Código Civil. Belo Horizonte: Del Rey/IBDFAM, 2001). PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. V. V. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. TARTUCE, Flávio. Direito civil. Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil. Direito de família. Vol. VI. São Paulo: Atlas. WALD, Arnoldo. Direito Civil. Direito de família. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Invalidade do Casamento (CC, 1.548 a 1.560) Para que o casamento exista, é necessário o consentimento espontâneo dos nubentes e a celebração na forma da lei. O casamento é ato formal e solene. Por isso, está submetido a requisitos de validade previstos em lei, sob pena de nulidade ou anulabilidade. Nesse sentido, “A invalidade retira o valor do casamento, que se torna nulo ou anulado, conforme a gravidade do seu vício de origem” (Madaleno, Rolf). Invalidade do casamento: Nulidade absoluta ou relativa. Art. 1.548. É nulo o casamento contraído: II - por infringência de impedimento. Como se trata de vício insanável, o casamento nulo não admite convalidação, em face do caráter público, cogente, o casamento nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo. Portanto, admite-se o reconhecimento da inexistência a qualquer tempo, não estando sujeito a prescrição ou decadência”. Invalidade Casamento nulo: Os impedimentos matrimoniais estão previstos nos arts. 1.548 e 1.521 do CC (impedimentos decorrentes de parentesco consanguíneo e civil, parentesco por afinidade, de vínculo matrimonial e de crime cometido). Pessoas legitimadas a arguir a nulidade: A decretação de nulidade pode ser promovida mediante ação direta, por qualquer interessado ou mesmo pelo Ministério Público” (art. 1.549 do CC). Nessa hipótese, Carlos Roberto Gonçalves lembra que, “enquanto não declarado nulo por decisão judicial transitada em julgado, o casamento existe e produz efeitos, incidindo todas as regras sobre efeitos do casamento (deveres dos cônjuges, regimes de bens)”. Ainda que de ordem pública, as nulidades do casamento não operam de pleno direito. Devem ser pronunciadas pelo Juiz provocado por quem o Código autoriza a requerer a nulidade (Clóvis Beviláqua). Foro competente para processar e julgar a ação declaratória de nulidade No esteio da legislação processual (art. 53, CPC), a declaratória de nulidade passa a ter como foro competente: I - para a ação de divórcio, separação, anulação de casamento e reconhecimento ou dissolução de união estável: a) de domicílio do guardião de filho incapaz; b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz; c) de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do casal; d) de domicílio da vítima de violência doméstica e familiar, nos termos da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha); II - de domicílio ou residência do alimentando, para a ação em que se pedem alimentos ............. Art. 1.550. “É anulável o casamento: I - de quem não completou a idade mínima para casar; II - do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal; III - por vício da vontade, nos termos dos arts. 1.556 a 1.558; IV - do incapaz de consentir ou manifestar, de modo inequívoco, o consentimento; V - realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato, e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges; VI - por incompetência da autoridade celebrante. § 1º. Equipara-se à revogação a invalidade do mandato judicialmente decretada. § 2º. A pessoa com deficiência mental ou intelectual em idade núbia poderá contrair matrimônio, expressando sua vontade diretamente ou por meio de seu responsável ou curador)”. Os incisos 1 e II referem-se à anulabilidade em virtude da incapacidade em razão da idade. Os incisos III e IV dizem respeito ao vício e ao defeito na manifestação da vontade. O inciso V trata da não-incidência da revogação do mandato, e o último, inciso VI, indica celebração por autoridade incompetente. Casamento anulável. No que concerne às anulabilidades, o interesse é privado, não havendo, via de consequência, uma gravidade tão relevante quanto na hipótese de nulidade, embora esteja presente um vício atentatório da ordem jurídica. O juiz não pode conhecer a anulabilidade de ofício, nem o Ministério Público pode suscitá-la, por não envolver interesse público. Falta de autorização do representante legal: Art. 1.550. É anulável o casamento: II - do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal. Prazo: arts. 1.555, § 1º do CC. Art. 1.555. O casamento do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal, só poderá ser anulado se a ação for proposta em cento e oitenta dias, por iniciativa do incapaz, ao deixar de sê-lo, de seus representantes legais ou de seus herdeiros necessários. § 1º. O prazo estabelecido neste artigo será contado do dia em que cessou a incapacidade, no primeiro caso; a partir do casamento, no segundo; e, no terceiro, da morte do incapaz. Erro sobre a identidade civil do outro cônjuge, sua honra e boa fama. Pode se definir Identidade civil como “é o conjunto de atributos ou qualidades com que a pessoa se apresenta no meio social. Algumas pessoas são tidas como trabalhadoras, honestas, probas; outras, porém, como inidôneas, desqualificadas etc.” (Carlos Roberto Gonçalves). Honra e boa fama: Honra é a dignidade da pessoa que vive honestamente, que zela pela lisura e transparência de seu proceder moral. É o conjunto de atributos morais que torna a pessoa socialmente apreciada. Já a boa fama é a estima social de que a pessoa goza (Madaleno, Rolf. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. 2018). O erro a respeito da identidade do outro cônjuge pode-se verificar sobre a identidade física ou civil. O primeiro, muito difícil de acontecer, trata- se de engano na representação física da pessoa, e ocorre quando o nubente é substituído por outro, no ato da celebração do casamento, O segundo, quantoà identidade civil ou social, ocorre quando o nubente está iludido sobre o “conjunto de atributos ou qualidades essenciais, com que a pessoa aparece na sociedade” (Clóvis Beviláqua). Ignorância de defeito físico irremediável ou de moléstia grave: “Defeito físico irremediável que não caracterize deficiência é o que impede a realização dos fins matrimoniais. Em geral, apresenta-se como deformação dos órgãos genitais que obsta à prática do ato sexual. Deve ser entendido como referindo-se às anormalidades orgânicas ou funcionais que prejudiquem o desenvolvimento da relação conjugal, como, v. g., o sexo dúbio, o hermafroditismo, o infantilismo, o vaginismo etc.”(Carlos Roberto Goncalves). Quanto à identidade: são os exemplos apontados pela doutrina e jurisprudência citar os seguintes: casamento celebrado com homossexual, com bissexual, com transexual operado que não revelou sua situação anterior, com viciado em tóxicos, com irmão gêmeo de uma pessoa, com pessoa violenta, com viciado em jogos de azar, com pessoa adepta de práticas sexuais não convencionais, entre outras hipóteses (Flávio Tartuce). Invalidade do Casamento (CC, 1.548 a 1.560) Art. 1.557. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge: I - o que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama, sendo esse erro tal que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. Quanto à identidade: “circunstância que poderia ser exemplificada no caso do marido que se apresenta com nome e identidade falsos, comportando-se, durante o noivado, e até a descoberta da sua farsa, como se fosse outra pessoa. Conquista a sua noiva apresentando-se como João da Silva, empresário, mas, em verdade, trata-se de Marcos Bomfino, professor. Incute, pois, no outro declarante, a falsa perspectiva de sua identidade civil. Trata-se, é bem verdade, de situação pouco provável, mas não de impossível ocorrência (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Direito de família. vol. 6. São Paulo: Saraiva). O erro essencial capaz de provocar a anulação do casamento deve estar revestido dos requisitos da anterioridade e da insuportabilidade da vida em comum para o cônjuge enganado. A circunstância ignorada deve preexistir ao casamento e sua revelação ou descoberta deverá provocar tanta indignação que tome insuportável a vida em comum. Vício da vontade determinado pela coação: Art. 1.558. “É anulável o casamento em virtude de coação, quando o consentimento de um ou de ambos os cônjuges houver sido captado mediante fundado temor de mal considerável e iminente para a vida, a saúde e a honra, sua ou de seus familiares”. A coação pode ser física ou moral. A coação é a ameaça de um mal, injusto, atual ou iminente, a um dos cônjuges, ou a ambos, notadamente à sua vida, saúde, honra ou de seus familiares. Art. 1.559. “Somente o cônjuge que incidiu em erro, ou sofreu coação, pode demandar a anulação do casamento; mas a coabitação, havendo ciência do vício, valida o ato”. Com isso, “o prazo para ser intentada a ação de anulação do casamento, a contar da data da celebração, é de quatro anos, se houver coação” (CC, art. 1.560. inciso IV). Incapacidade de manifestação do consentimento (CC. Art. 1.550, inciso IV): Vale destacar, “Uma pessoa, por exemplo, que haja sido induzida quimicamente a manifestar concordância não poderá participar da celebração matrimonial por conta da sua inaptidão para declarar de forma totalmente livre a sua vontade. Também é o caso daquele que, posto goze de discernimento, esteja com as suas faculdades cognitivas embaraçadas, no momento do ato, como nas hipóteses de embriaguez e toxicomania. Imagine- se, por exemplo, alguém que chega à cerimônia visivelmente bêbado. Se isso é comum com certos convidados, é inaceitável com os noivos (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona). “O prazo para ser intentada a ação de anulação do casamento, a contar da data da celebração, é de cento e oitenta dias, no caso do inciso IV do art. 1.550 (Art. 1.560, inciso I). Realização por mandatário, estando revogado o mandato: “É anulável o casamento realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato, e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges (CC, art. 1.550, V)”. “O prazo para anulação do casamento é de cento e oitenta dias, a partir da data em que o mandante tiver conhecimento da celebração”. Art. 1.555. O casamento do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal, só poderá ser anulado se a ação for proposta em cento e oitenta dias, por iniciativa do incapaz, ao deixar de sê-lo, de seus representantes legais ou de seus herdeiros necessários. § 1º. O prazo estabelecido neste artigo será contado do dia em que cessou a incapacidade, no primeiro caso; a partir do casamento, no segundo; e, no terceiro, da morte do incapaz. § 2º. Não se anulará o casamento quando à sua celebração houverem assistido os representantes legais do incapaz, ou tiverem, por qualquer modo, manifestado sua aprovação. Invalidade do Casamento (CC, 1.548 a 1.560) Art. 1.560. O prazo para ser intentada a ação de anulação do casamento, a contar da data da celebração, é de: I - cento e oitenta dias, no caso do inciso IV do art. 1.550; II - dois anos, se incompetente a autoridade celebrante; III - três anos, nos casos dos incisos I a IV do art. 1.557; IV - quatro anos, se houver coação. § 1º. Extingue-se, em cento e oitenta dias, o direito de anular o casamento dos menores de dezesseis anos, contado o prazo para o menor do dia em que perfez essa idade; e da data do casamento, para seus representantes legais ou ascendentes. § 2º. Na hipótese do inciso V do art. 1.550, o prazo para anulação do casamento é de cento e oitenta dias, a partir da data em que o mandante tiver conhecimento da celebração. Bibliografia: Código Civil Brasileiro atualizado Código Civil para Concursos / coordenador Ricardo Didier – 6.ed. rev. ampl. e atual. – Salvador: Juspodivm, 2017. Comentários ao código civil: artigo por artigo/ coordenação Jorge Shiguemitsu fujita... [et al.] – 3. ed rev., atual... – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014. Outros autores: Carlos Eduardo NicolettI Camillo, Glauber Moreno Talavera, Luiz Antonio Scavone Junior. Vários autores. Constituição Federal DIAS, Maria Berenice. Manual de Direita das famílias. São Paulo: Revista dos Tribunais. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. v. 5. Direito de família. São Paulo: Saraiva. ESPÍNOLA, Eduardo. A família no direito civil brasileiro. Rio de Janeiro: Conquista. GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Direito de família. vol. 6. São Paulo: Saraiva. GOMES, Orlando. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. Leite, Eduardo de Oliveira. Direito Civil Aplicado: Direito da Família. Vol. 5. São Paulo: ed. RT 2004. Lôbo, Paulo. Direito Civil: Famílias. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Madaleno, Rolf. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. 2018. MONTEIRO, Washington de Barros; Silva, Regina Beatriz da. Curso de Direito Civil: Direito de família. Vol. 2. São Paulo: Saraiva. NADER, Paulo. Curso de Direito Civil - Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. V. V. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. TARTUCE, Flávio. Direito civil. Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil. Direito de família. Vol. VI. São Paulo: Atlas. WALD, Arnoldo. Direito Civil.Direito de família. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Eficácia do Casamento [CC, 1.565 a 1.570) Art. 1.565. Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da família. § 1º. Qualquer dos nubentes, querendo, poderá acrescer ao seu o sobrenome do outro. § 2º. O planejamento familiar é de livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e financeiros para o exercício desse direito, vedado qualquer tipo de coerção por parte de instituições privadas ou públicas. Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges: I - fidelidade recíproca; II - vida em comum, no domicílio conjugal; III - mútua assistência; IV - sustento, guarda e educação dos filhos; V - respeito e consideração mútuos. Art. Art. 1.567. A direção da sociedade conjugal será exercida, em colaboração, pelo marido e pela mulher, sempre no interesse do casal e dos filhos. Parágrafo único. Havendo divergência, qualquer dos cônjuges poderá recorrer ao juiz, que decidirá tendo em consideração aqueles interesses. Art. 1.568. Os cônjuges são obrigados a concorrer, na proporção de seus bens e dos rendimentos do trabalho, para o sustento da família e a educação dos filhos, qualquer que seja o regime patrimonial. Art. 1.569. O domicílio do casal será escolhido por ambos os cônjuges, mas um e outro podem ausentar-se do domicílio conjugal para atender a encargos públicos, ao exercício de sua profissão, ou a interesses particulares relevantes. Art. 1.570. Se qualquer dos cônjuges estiver em lugar remoto ou não sabido, encarcerado por mais de cento e oitenta dias, interditado judicialmente ou privado, episodicamente, de consciência, em virtude de enfermidade ou de acidente, o outro exercerá com exclusividade a direção da família, cabendo-lhe a administração dos bens. Efeitos sociais: Constituição da família legitima (CC, art. 1.565) Estabelece vínculo de afinidade Planejamento familiar (CC, art. 1.565, § 2º) Efeitos pessoais: Fidelidade recíproca (CC, art. 1.566, inciso I; 1.573) Coabitação, respeito e mútua assistência (CC, art. 1.566, e 1.568) Igualdade de direitos e deveres dos cônjuges Direitos e deveres dos pais com os filhos Efeitos patrimoniais: Regimes de bens entre os cônjuges (CC, art. 1.639) Administração dos bens (CC, arts. 1.567, 1.642, inciso II, 1.570 e 1.652). Direito sucessório (CC, art. 1.829 e 1.845) Direito real de habitação Bibliografia: Código Civil Brasileiro Código Civil para Concursos / coordenador Ricardo Didier – 6.ed. rev. ampl. e atual. – Salvador: Juspodivm, 2017. Comentários ao código civil: artigo por artigo/ coordenação Jorge Shiguemitsu fujita... [et al.] – 3. Ed. rev., atual... – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014. Outros autores: Carlos Eduardo Nicoletti Camillo, Glauber Moreno Talavera, Luiz Antonio Scavone Junior. Vários autores. Constituição Federal DIAS, Maria Berenice. Manual de Direita das famílias. São Paulo: Revista dos Tribunais. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. v. 5. Direito de família. São Paulo: Saraiva. ESPÍNOLA, Eduardo. A família no direito civil brasileiro. Rio de Janeiro: Conquista. (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Direito de família. vol. 6. São Paulo: Saraiva). GOMES, Orlando. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. Leite, Eduardo de Oliveira. Direito Civil Aplicado: Direito da Família. Vol. 5. São Paulo: ed. RT 2004. Lôbo, Paulo. Direito Civil: Famílias. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Madaleno, Rolf. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. 2018. MONTEIRO, Washington de Barros; Silva, Regina Beatriz da. Curso de Direito Civil: Direito de família. Vol. 2. São Paulo: Saraiva. NADER, Paulo. Curso de Direito Civil - Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. OLIVEIRA, Euclides de Oliveira; HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. Do casamento. In: Direito de família e o novo Código Civil. Belo Horizonte: Del Rey/IBDFAM, 2001). PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. V. V. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. TARTUCE, Flávio. Direito civil. Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil. Direito de família. Vol. VI. São Paulo: Atlas. WALD, Arnoldo. Direito Civil. Direito de família. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Regime de bens entre os cônjuges (CC, arts. 1.639 a 1.688) “O regime matrimonial de bens pode ser conceituado como o conjunto de regras relacionadas com interesses patrimoniais ou econômicos resultantes da entidade familiar, sendo as suas normas, em regra, de ordem privada” (Flávio Tartuce). Regime de bens é o conjunto de regras que disciplina as relações econômicas dos cônjuges, quer entre si, quer no tocante a terceiros, durante o casamento. Regula especialmente o domínio e a administração de ambos ou de cada um sobre os bens anteriores e os adquiridos na constância da união conjugal (Carlos Roberto Gonçalves). Por regime de bens, entenda-se o conjunto de normas que disciplina a relação jurídico-patrimonial entre os cônjuges, ou, simplesmente, o estatuto patrimonial do casamento (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Direito de família. vol. 6. São Paulo: Saraiva). Princípios que regem o regime de bens: Princípio da variedade de regime de bens. Princípio da autonomia privada. “É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto aos seus bens, o que lhes aprouver” (art. 1.639, caput do CC ). Liberdade na escolha do regime de bens. Princípio da indivisibilidade do regime de bens. O regime é único para ambos os consortes. Dispõe o § 1º do art. 1.639 que “o regime de bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do casamento”. Seja qual for o regime adotado pelos contraentes, não poderá ter início em data anterior à da celebração do matrimônio (Carlos Roberto Gonçalves). Princípio da mutabilidade justificada. O art. 1.639, § 2.º, do CC, possibilita a alteração do regime de bens, mediante autorização judicial, em pedido motivado de ambos os nubentes, apurada a procedência das razões invocadas e desde que ressalvados os direitos de terceiros. Apronta o art. 734 do Código de Processo Civil: “A alteração do regime de bens do casamento, observados os requisitos legais, poderá ser requerida, motivadamente, em petição assinada por ambos os cônjuges, na qual serão expostas as razões que justificam a alteração, ressalvados os direitos de terceiros”. Hipótese de não haver convenção antenupcial ou quando esta for nula: A escolha do regime de bens é feita no pacto antenupcial. Se este não foi feito, ou for nulo ou ineficaz, “vigorará, quanto aos bens entre os cônjuges, o regime da comunhão parcial” (CC, art. 1.640, caput). Comunhão parcial é o regime legal ou supletivo. Regime legal ou obrigatório (não há necessidade de pacto antenupcial). Art. 1.641. “É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: • I – das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento; A infringência de alguma causa suspensiva não acarreta a invalidade do matrimônio, mas sim a sua mera irregularidade, com a imposição de sanção de cunho patrimonial que, no caso, é a separação legal de bens. • II – da pessoa maior de setenta anos; “Ora, promovendo a exegese da referida intervenção estatal na esfera de interesses privados, é fácil concluir que, a partir da valorização da pessoahumana e de suas garantias constitucionais, a regra legal se põe em rota direta de colisão com os princípios da igualdade substancial, da liberdade e da própria dignidade humana” Cristiano Chaves e Nelson Rosenvald, Direito das Famílias, Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009, p. 221). • III – de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial”. Art. 1.642. Qualquer que seja o regime de bens, tanto o marido quanto a mulher podem livremente: I - praticar todos os atos de disposição e de administração necessários ao desempenho de sua profissão, com as limitações estabelecida no inciso I do art. 1.647; II - administrar os bens próprios; III - desobrigar ou reivindicar os imóveis que tenham sido gravados ou alienados sem o seu consentimento ou sem suprimento judicial; IV - demandar a rescisão dos contratos de fiança e doação, ou a invalidação do aval, realizados pelo outro cônjuge com infração do disposto nos incisos III e IV do art. 1.647; V - reivindicar os bens comuns, móveis ou imóveis, doados ou transferidos pelo outro cônjuge ao concubino, desde que provado que os bens não foram adquiridos pelo esforço comum destes, se o casal estiver separado de fato por mais de cinco anos; VI - praticar todos os atos que não lhes forem vedados expressamente. Art. 1.643. Podem os cônjuges, independentemente de autorização um do outro: I - comprar, ainda a crédito, as coisas necessárias à economia doméstica; II - obter, por empréstimo, as quantias que a aquisição dessas coisas possa exigir. Art. 1.644. As dívidas contraídas para os fins do artigo antecedente obrigam solidariamente ambos os cônjuges. Atos que um cônjuge não pode praticar sem autorização do outro • Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: • I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; • II - pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens ou direitos; • III - prestar fiança ou aval; • IV - fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que possam integrar futura meação. • Parágrafo único. São válidas as doações nupciais feitas aos filhos quando casarem ou estabelecerem economia separada. Art. 1.648. Cabe ao juiz, nos casos do artigo antecedente, suprir a outorga, quando um dos cônjuges a denegue sem motivo justo, ou lhe seja impossível concedê-la. Regime da comunhão parcial de bens – arts. 1.658 a 1.666 do CC. Regime da comunhão universal de bens – arts. 1.667 a 1.671 do CC. Regime da participação final nos aquestos – arts. 1.672 a 1.686 do CC. Regime da separação de bens – arts. 1.687 e 1.688 do CC. No silêncio das partes, ou se a convenção for nula ou ineficaz, “vigorará, quanto aos bens entre os cônjuges, o regime da comunhão parcial”, por determinação do art. 1.640 do Código Civil. Art. 1.640. Não havendo convenção, ou sendo ela nula ou ineficaz, vigorará, quanto aos bens entre os cônjuges, o regime da comunhão parcial. Parágrafo único. Poderão os nubentes, no processo de habilitação, optar por qualquer dos regimes que este código regula. Quanto à forma, reduzir- se-á a termo a opção pela comunhão parcial, fazendo-se o pacto antenupcial por escritura pública, nas demais escolhas. Pacto antenupcial Art. 1.653. “É nulo o pacto antenupcial se não for feito por escritura pública, e ineficaz se não lhe seguir o casamento”. A escolha do regime de bens é feita no pacto antenupcial. Significa que o pacto é um contrato solene e condicional, por meio do qual os nubentes dispõem sobre o regime de bens que vigorará entre ambos, após o casamento. Solene, porque será nulo se não for feito por escritura pública. Não é possível convencionar o regime matrimonial mediante simples instrumento particular ou no termo do casamento, pois o instrumento público é exigido ad solemnitatem (Formalidade exigida por lei para validade de um ato ou negócio, ou seja para o pacto antenupcial). E condicional, porque só terá eficácia se o casamento se realizar. Caducará, sem necessidade de qualquer intervenção judicial, se um dos nubentes vier a falecer ou se contrair matrimônio com outra pessoa (Carlos Roberto Gonçalves). Art. 1.656. No pacto antenupcial, que adotar o regime de participação final nos aquestos, poder-se-á convencionar a livre disposição dos bens imóveis, desde que particulares. Art. 1.657. As convenções antenupciais não terão efeito perante terceiros senão depois de registradas, em livro especial, pelo oficial do Registro de Imóveis do domicílio dos cônjuges. Regime da comunhão parcial (CC, arts. 1.658 a 1.666) “Regime de comunhão parcial é aquele em que basicamente se excluem da comunhão os bens que os cônjuges possuem ao casar ou que venham a adquirir por causa anterior e alheia ao casamento, como as doações e sucessões; e em que entram na comunhão os bens adquiridos posteriormente, em regra, a título oneroso”(Silvio Rodrigues). Nessa trilha, o regime da comunhão parcial é o que prevalece se os consortes não fizerem pacto antenupcial, ou, se o fizerem, for nulo ou ineficaz (CC, art. 1.640, caput). Por essa razão, é chamado também de regime legal ou supletivo, como já mencionado. Caracteriza-se por estabelecer a separação quanto ao passado (bens que cada cônjuge possuía antes do casamento) e comunhão quanto ao futuro (bens adquiridos na constância do casamento), gerando três massas de bens: os do marido, os da mulher e os comuns. Bens excluídos da comunhão parcial. Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar; II - os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares; III - as obrigações anteriores ao casamento; IV - as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal (“a responsabilidade pelo ato ilícito é pessoal e, por isso mesmo, como consequência, pessoal é a dívida resultante dessa responsabilidade); V - os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão; VI - os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge; Os proventos compreendem os vencimentos, salários e quaisquer formas de remuneração. Deve-se entender, recebida a remuneração, o dinheiro ingressa no patrimônio comum. São incomunicáveis. Art. 1.659. VII – as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes”. As pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes. Pensões são as quantias em dinheiro pagas mensalmente a um beneficiário para a sua subsistência em virtude de lei, sentença, contrato ou disposição de última vontade. Meio-soldo é a metade do soldo que o Estado paga aos militares reformados. Montepio é a pensão devida pelo instituto previdenciário aos herdeiros do devedor falecido. Na expressão “e outras rendas semelhantes” inclui-se a tença, considerada pensão alimentícia, quer a preste o Estado, quer a preste qualquer outra pessoa de direito público ou de direito privado, a alguém, periodicamente, para a sua subsistência familiar (Silvio Rodrigues, Direito civil, v. 6; Washington de Barros Monteiro; Carlos Roberto Gonçalves). Art. 1.661. São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento. Art. 1.660. Entram na comunhão (Bens que se comunicam): I - os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges; II - os bens adquiridos por fato eventual (como loteria, sorteio e aposta), com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior; III - os bens adquiridos por doação, herança ou legado, em favor de ambos os cônjuges; IV - as benfeitorias em bens particularesde cada cônjuge; V - os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão (entram no patrimônio dos cônjuges os acréscimos advindos da vida em comum”). A comunicação dos bens adquiridos a título oneroso na constância do casamento por qualquer dos cônjuges é uma característica do regime da comunhão parcial. Regime da comunhão universal Regime da comunhão universal (CC, arts. 1.667 a 1.671) Art. 1.667. O regime de comunhão universal importa a comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas passivas, com as exceções do artigo seguinte. “É aquele em que se comunicam todos os bens, atuais e futuros, dos cônjuges, ainda que adquiridos em nome de um só deles, bem como as dívidas posteriores ao casamento, salvo os expressamente excluídos pela lei ou pela vontade dos nubentes, expressa em convenção antenupcial (CC, art. 1.667). Por tratar-se de regime convencional, deve ser estipulado em pacto antenupcial (GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Direito de família). Bens excluídos da comunhão. Os bens incomunicáveis, no regime da comunhão universal, estão relacionados no art. 1.668 do Código Civil, assim elencados: São excluídos da comunhão: • I — os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e os sub-rogados em seu lugar; • II — os bens gravados de fideicomisso e o direito do herdeiro fideicomissário, antes de realizada a condição suspensiva; • III — as dívidas anteriores ao casamento, salvo se provierem de despesas com seus aprestos, ou reverterem em proveito comum; • IV — as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com a cláusula de incomunicabilidade; • V — Os bens referidos nos incisos V a VII do art. 1.659”. O fideicomisso é uma forma de substituição testamentária em que um primeiro herdeiro (fiduciário) pode ser substituído por outro (fideicomissário), hipóteses dos arts. 1.951 a 1.960 do CC. • Fideicomitente (testador) • Fiduciário (1.º herdeiro e portanto incomunicável) • Fideicomissário (2.º herdeiro) Fideicomisso é espécie de substituição testamentária, na qual existem dois beneficiários sucessivos. Os bens permanecem durante certo tempo, ou sob certa condição, fixados pelo testador, em poder do fiduciário, passando depois ao substituto ou fideicomissário. Para que possa cumprir a obrigação imposta pelo testador, os bens não se comunicam ao cônjuge do fiduciário. Embora o último seja titular do domínio, o seu direito é resolúvel. O fideicomissário, por sua vez, possui um direito eventual (Carlos Roberto Gonçalves). Haverá comunicação de bens, portanto, se, com o advento da condição, os bens passarem para o patrimônio do fideicomissário, ou se a propriedade se consolidar nas mãos do fiduciário, em virtude da pré-morte daquele. Art. 1.669. A incomunicabilidade dos bens enumerados no artigo antecedente não se estende aos frutos, quando se percebam ou vençam durante o casamento. Os frutos dos bens incomunicáveis, quando se percebam ou vençam durante o casamento, comunicam-se. Assim, embora certos bens sejam incomunicáveis (art. 1.668), os seus rendimentos se comunicam. Art. 1.670. Aplica-se ao regime da comunhão universal o disposto no Capítulo antecedente, quanto à administração dos bens. A administração dos bens comuns compete ao casal, e a dos particulares, ao cônjuge proprietário, salvo convenção diversa em pacto antenupcial (arts. 1.670, 1.663 e 1.665). Art. 1.671. Extinta a comunhão, e efetuada a divisão do ativo e do passivo, cessará a responsabilidade de cada um dos cônjuges para com os credores do outro. Não havendo mais comunhão, “a responsabilidade pelas dívidas se torna pessoal, por ela só respondendo o cônjuge que a contraiu”. Regime de participação final nos aquestos (CC, arts. 1.672 a 1.686) Trata-se de um regime híbrido, pois durante o casamento aplicam-se as regras da separação total e, após a sua dissolução, as da comunhão parcial. Nasce de convenção, dependendo, pois, de pacto antenupcial. Cada cônjuge possui patrimônio próprio, com direito, como visto, à época da dissolução da sociedade conjugal, à metade dos bens adquiridos pelo casal, a título oneroso, na constância do casamento (GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva). Dispõe o art. 1.672 do Código Civil: “No regime de participação final nos aquestos, cada cônjuge possui patrimônio próprio, consoante disposto no artigo seguinte, e lhe cabe, à época da dissolução da sociedade conjugal, direito à metade dos bens adquiridos pelo casal, a título oneroso, na constância do casamento”. Trata-se, de um regime de separação de bens, enquanto durar a sociedade conjugal, tendo cada cônjuge a exclusiva administração de seu patrimônio pessoal, integrado pelos que possuía ao casar e pelos que adquirir a qualquer título na constância do casamento, podendo livremente dispor dos móveis e dependendo da autorização do outro para os imóveis (CC, art. 1.673, parágrafo único). Ocorrendo a dissolução do casamento, deverá ser apurado o montante dos aquestos (parte comunicável), excluindo-se da soma dos patrimônios próprios: Os bens anteriores ao casamento e os que em seu lugar se sub- rogaram. Os bens que sobrevieram a cada cônjuge por sucessão ou liberalidade. As dívidas relativas a esses bens. O cônjuge prejudicado, ou seus herdeiros, poderá reivindicar, finda a sociedade conjugal, os aquestos doados ou por outra forma alienados sem sua autorização, ou optar pela compensação por outro bem ou pelo pagamento de seu valor em dinheiro (arts. 1.675 e 1.676). GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. Art. 1.677. Pelas dívidas posteriores ao casamento, contraídas por um dos cônjuges, somente este responderá, salvo prova de terem revertido, parcial ou totalmente, em benefício do outro. O consorte só responde pela dívida, contraída pelo outro, que houver revertido, comprovadamente, em seu proveito, parcial ou totalmente (CC, art. 1.677). Art. 1.686. As dívidas de um dos cônjuges, quando superiores à sua meação, não obrigam ao outro, ou a seus herdeiros. O mesmo critério é adotado em caso de morte de um dos cônjuges (art. 1.686). “O regramento é exaustivo (arts. 1.672 a 1.686) e tem normas de difícil entendimento, gerando insegurança a mantença de uma minuciosa contabilidade, mesmo durante e incerteza. Além disso, é também de execução complicada, sendo necessária o casamento, para possibilitar a divisão do patrimônio na eventualidade de sua dissolução, havendo, em determinados casos, a necessidade de realização de perícia. Ao certo, será raramente usado, até porque se destina a casais que possuem patrimônio próprio e desempenhem ambos atividades econômicas, realidades de poucas famílias brasileiras, infelizmente (Maria Berenice Dias, Manual de Direito das Famílias). Art. 1.677. Pelas dívidas posteriores ao casamento, contraídas por um dos cônjuges, somente este responderá, salvo prova de terem revertido, parcial ou totalmente, em benefício do outro. O consorte só responde pela dívida, contraída pelo outro, que houver revertido, comprovadamente, em seu proveito, parcial ou totalmente (CC, art. 1.677). Art. 1.678. Se um dos cônjuges solveu uma dívida do outro com bens do seu patrimônio, o valor do pagamento deve ser atualizado e imputado, na data da dissolução, à meação do outro cônjuge. Se a esposa, por exemplo, no curso do matrimônio, com valor exclusivamente seu, pagou dívida do marido, poderá, ao tempo da dissolução da sociedade conjugal, abater do direito de meação do seu consorte o montante atualizado que despendeu para solveruma dívida que não era sua. (Pablo-Stolze Gagliano; Rodolfo-Pamplona-Filho) Art. 1.680: “As coisas móveis, em face de terceiros, presumem-se do domínio do cônjuge devedor, salvo se o bem for de uso pessoal do outro”. Caso um terceiro seja credor de um dos cônjuges, eventuais bens móveis atingidos por ato de constrição judicial — por uma penhora, por exemplo — são considerados, por presunção, pertencentes ao devedor. Caberá, pois, ao outro consorte, em sede própria — embargos de terceiro — provar a titularidade do bem, para excluí-lo da demanda, liberando o bem (Pablo- Stolze Gagliano; Rodolfo-Pamplona-Filho). Art. 1.681. Os bens imóveis são de propriedade do cônjuge cujo nome constar no registro. Parágrafo único. Impugnada a titularidade, caberá ao cônjuge proprietário provar a aquisição regular dos bens. Tendo em vista que o registro do título no Registro Imobiliário gera a presunção de propriedade, cabe a quem impugna tal presunção o ônus de promover, pela via própria, o cancelamento ou anulação do aludido registro (Carlos Roberto Gonçalves). Art. 1.683. Na dissolução do regime de bens por separação judicial ou por divórcio, verificar-se-á o montante dos aquestos à data em que cessou a convivência. Vale dizer, o termo final a ser considerado para efeito de se aferir o patrimônio amealhado em conjunto não é o da obtenção de sentença que haja dissolvido o vínculo conjugal, mas, sim, a data em que a convivência entre os cônjuges findou. Art. 1.656. No pacto antenupcial, que adotar o regime de participação final nos aquestos, poder-se-á convencionar a livre disposição dos bens imóveis, desde que particulares. Art. 1.684. Se não for possível nem conveniente a divisão de todos os bens em natureza, calcular-se-á o valor de alguns ou de todos para reposição em dinheiro ao cônjuge não-proprietário. Há determinados bens que, por sua natureza, impedem a sua divisão (um automóvel). Neste caso, aplica-se o art. 1.684 do CC. Diante da impossibilidade de restituição em dinheiro pelo cônjuge proprietário, consagra-se o parágrafo único do art. 1.684 do CC “Não se podendo realizar a reposição em dinheiro, serão avaliados e, mediante autorização judicial, alienados tantos bens quantos bastarem”. Vale ainda mencionar que, não sendo possível a divisão de todos os bens em natureza (um cavalo de raça ou uma unidade habitacional em condomínio, por exemplo), deverá o juiz calcular a sua expressão econômica para permitir a reposição em dinheiro ao cônjuge não proprietário ou, afigurando-se inviável essa solução (como na hipótese de o cônjuge proprietário não dispor de dinheiro para indenizar o outro), tais bens serão judicialmente alienados, para posterior compensação em dinheiro. Art. 1.685. Na dissolução da sociedade conjugal por morte, verificar- se-á a meação do cônjuge sobrevivente de conformidade com os artigos antecedentes, deferindo-se a herança aos herdeiros na forma estabelecida neste Código. Já na dissolução da sociedade conjugal por morte, como prevê o art. 1.685, verificar-se-á a meação do cônjuge sobrevivente de conformidade com os artigos referidos ao longo deste capítulo, deferindo-se a herança aos herdeiros na forma prevista pela lei sucessória (Pablo-Stolze Gagliano; Rodolfo-Pamplona Filho). A morte de um dos cônjuges não altera o critério de participação nos aquestos. Apurado o monte partível e o patrimônio próprio de cada cônjuge, ao sobrevivente tocará a respectiva meação e, aos herdeiros do falecido, a outra (Carlos Roberto Gonçalves). Regime de Separação de Bens (CC, Arts. 1.687 e 1.688). Formas do Regime de Separação de Bens Legal (art. 1.641 do Código Civil) Convencional ((arts. 1.687 e 1.688 do Código Civil) “No regime da separação convencional, cada cônjuge conserva a plena propriedade, a integral administração e a fruição de seus próprios bens, podendo aliená-los e gravá-los de ônus real livremente, sejam móveis ou imóveis” (Carlos Roberto Gonçalves). Neste regime “cada consorte conserva a posse e a propriedade dos bens que trouxer para o casamento, bem como os que forem a eles sub-rogados, e dos que cada um adquirir a qualquer título na constância do matrimônio, atendidas as condições do pacto antenupcial” (PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. V. V. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense). Este regime tem como premissa a incomunicabilidade dos bens dos cônjuges, anteriores e posteriores ao casamento. Art. 1.687. Estipulada a separação de bens, estes permanecerão sob a administração exclusiva de cada um dos cônjuges, que os poderá livremente alienar ou gravar de ônus real. Art. 1.688. Ambos os cônjuges são obrigados a contribuir para as despesas do casal na proporção dos rendimentos de seu trabalho e de seus bens, salvo estipulação em contrário no pacto antenupcial. Para que esses efeitos se produzam e a separação seja pura ou absoluta, é mister expressa estipulação em pacto antenupcial. Art. 1.643. Podem os cônjuges, independentemente de autorização um do outro: I - comprar, ainda a crédito, as coisas necessárias à economia doméstica; II - obter, por empréstimo, as quantias que a aquisição dessas coisas possa exigir. Art. 1.644. As dívidas contraídas para os fins do artigo antecedente obrigam solidariamente ambos os cônjuges. Em princípio, ambos os cônjuges “são obrigados a contribuir para as despesas do casal na proporção dos rendimentos de seu trabalho e de seus bens”. Podem, no entanto, estabelecer, no pacto antenupcial, a quota de participação de cada um ou sua dispensa do encargo (CC, arts. 1.688), bem como fixar normas sobre a administração dos bens. Art. 1.568. Os cônjuges são obrigados a concorrer, na proporção de seus bens e dos rendimentos do trabalho, para o sustento da família e a educação dos filhos, qualquer que seja o regime patrimonial. Bibliografia: Código Civil Brasileiro Código Civil para Concursos / coordenador Ricardo Didier – 6.ed. rev. ampl. e atual. – Salvador: Juspodivm, 2017. Comentários ao código civil: artigo por artigo/ coordenação Jorge Shiguemitsu fujita... [et al.] – 3. Ed. rev., atual... – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014. Outros autores: Carlos Eduardo Nicoletti Camillo, Glauber Moreno Talavera, Luiz Antonio Scavone Junior. Vários autores. Constituição Federal DIAS, Maria Berenice. Manual de Direita das famílias. São Paulo: Revista dos Tribunais. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. v. 5. Direito de família. São Paulo: Saraiva. ESPÍNOLA, Eduardo. A família no direito civil brasileiro. Rio de Janeiro: Conquista. (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Direito de família. vol. 6. São Paulo: Saraiva). GOMES, Orlando. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. Leite, Eduardo de Oliveira. Direito Civil Aplicado: Direito da Família. Vol. 5. São Paulo: ed. RT 2004. Lôbo, Paulo. Direito Civil: Famílias. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Madaleno, Rolf. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. 2018. MONTEIRO, Washington de Barros; Silva, Regina Beatriz da. Curso de Direito Civil: Direito de família. Vol. 2. São Paulo: Saraiva. NADER, Paulo. Curso de Direito Civil - Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. OLIVEIRA, Euclides de Oliveira; HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. Do casamento. In: Direito de família e o novo Código Civil. Belo Horizonte: Del Rey/IBDFAM, 2001). PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. V. V. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. TARTUCE,Flávio. Direito civil. Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil. Direito de família. Vol. VI. São Paulo: Atlas. WALD, Arnoldo. Direito Civil. Direito de família. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Alimentos (CC, arts. 1.694 a 1.710) Alimentos são prestações devidas para a satisfação das necessidades pessoais daquele que não pode provê-las pelo trabalho próprio (GOMES, Orlando. Direito de família). De acordo com o artigo 1.694 do CC, podem os parentes, os cônjuges ou os companheiros pedir, uns aos outros, os alimentos por eles necessitados para viverem de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às obrigações de sua educação. Critérios de fixação: Binômio necessidade/possibilidade (art. 1.694, § 1.º, do CC). Sujeitos: Alimentante (devedor); Alimentado, alimentando ou credor. Critérios de fixação: Binômio necessidade/possibilidade (art. 1.694, § 1.º, do CC). Características: Direito pessoal e intransferível: não é possível transferir ou ceder a alguém o direito de receber alimentos. Irrenunciabilidade: art. 1.707. Pode o credor não exercer, porém lhe é vedado renunciar o direito a alimentos, sendo o respectivo crédito insuscetível de cessão, compensação ou penhora. Impossibilidade de restituição: Não existe o direito a repetição de alimentos. Impenhorabilidade: os alimentos não podem ser penhorados. Imprescritibilidade: o direito a alimentos é imprescritível. Não obstante da pretensão para prestações alimentares prescreverem em 02 anos, segundo art. 206, § 2º do CC. Variabilidade: a prestação de alimentos pode variar de acordo com a situação econômica, tanto do necessitado quanto do alimentante. Divisibilidade: A responsabilidade de alimentar pode ser dividida entre vários parentes (CC, arts. 1.697 e 1.698). Art. 1.697. Na falta dos ascendentes cabe a obrigação aos descendentes, guardada a ordem de sucessão e, faltando estes, aos irmãos, assim germanos como unilaterais. Art. 1.698. Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em condições de suportar totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os de grau imediato; sendo várias as pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção dos respectivos recursos, e, intentada ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a integrar a lide Legitimação da obrigação alimentar: quem pode exigir alimentos? E quem está obrigado a prestá-los? Resposta (art. 1.694 do CC). Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. Natureza: [A] Alimentos civis ou côngruos: são aqueles destinados à subsistência e da condição social do credor de alimentos. São quantificados em consonância com as condições financeiras do alimentante (caput do art. 1.694 do CC). [B]Alimentos naturais: que decorrem da subsistência ou da manutenção da vida. “Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia ((art. 1.694, § 2º do CC)”. [C] Alimentos Pretéritos ou vencidos: seriam aqueles anteriores ao próprio ajuizamento da ação de alimentos. Finalidade: [A] Definitivos ou regulares: [B] Provisório: são aqueles fixados liminarmente, na ação de alimentos, de acordo com o rito especial (Lei n. 5.478/1968). [C] Provisionais ou ad litem: são fixados por meio de antecipação de tutela (art. 1.706 do CC). Art. 1.706. Os alimentos provisionais serão fixados pelo juiz, nos termos da lei processual. Art. 1.698. Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em condições de suportar totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os de grau imediato; sendo várias as pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção dos respectivos recursos, e, intentada ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a integrar a lide. Revisão, exoneração, ou majoração dos alimentos (art. 1.699/CC). Art. 1.703. Para a manutenção dos filhos, os cônjuges separados judicialmente contribuirão na proporção de seus recursos. Art. 1.708. Com o casamento, a união estável ou o concubinato do credor, cessa o dever de prestar alimentos. Com relação ao credor cessa, também, o direito a alimentos, se tiver procedimento indigno em relação ao devedor. Art. 1.709. O novo casamento do cônjuge devedor não extingue a obrigação constante da sentença de divórcio Art. 1.710. As prestações alimentícias, de qualquer natureza, serão atualizadas segundo índice oficial regularmente estabelecido. Bibliografia: Código Civil Brasileiro Código Civil para Concursos / coordenador Ricardo Didier – 6.ed. rev. ampl. e atual. – Salvador: Juspodivm, 2017. Comentários ao código civil: artigo por artigo/ coordenação Jorge Shiguemitsu fujita... [et al.] – 3. Ed. rev., atual... – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014. Outros autores: Carlos Eduardo Nicoletti Camillo, Glauber Moreno Talavera, Luiz Antonio Scavone Junior. Vários autores. Constituição Federal DIAS, Maria Berenice. Manual de Direita das famílias. São Paulo: Revista dos Tribunais. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. v. 5. Direito de família. São Paulo: Saraiva. ESPÍNOLA, Eduardo. A família no direito civil brasileiro. Rio de Janeiro: Conquista. (GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Direito de família. vol. 6. São Paulo: Saraiva). GOMES, Orlando. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. Leite, Eduardo de Oliveira. Direito Civil Aplicado: Direito da Família. Vol. 5. São Paulo: ed. RT 2004. Lôbo, Paulo. Direito Civil: Famílias. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Madaleno, Rolf. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. 2018. MONTEIRO, Washington de Barros; Silva, Regina Beatriz da. Curso de Direito Civil: Direito de família. Vol. 2. São Paulo: Saraiva. NADER, Paulo. Curso de Direito Civil - Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. OLIVEIRA, Euclides de Oliveira; HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. Do casamento. In: Direito de família e o novo Código Civil. Belo Horizonte: Del Rey/IBDFAM, 2001). PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. V. V. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Direito de família. Vol. 6. São Paulo: Saraiva. TARTUCE, Flávio. Direito civil. Direito de família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil. Direito de família. Vol. VI. São Paulo: Atlas. WALD, Arnoldo. Direito Civil. Direito de família. Vol. 5. São Paulo: Saraiva. Instituição do bem de família: Art. 1.711. Podem os cônjuges, ou a entidade familiar, mediante escritura pública ou testamento, destinar parte de seu patrimônio para instituir bem de família, desde que não ultrapasse um terço do patrimônio líquido existente ao tempo da instituição, mantidas as regras sobre a impenhorabilidade do imóvel residencial estabelecida em lei especial. Parágrafo único. O terceiro poderá igualmente instituir bem de família por testamento ou doação, dependendo a eficácia do ato da aceitação expressa de ambos os cônjuges beneficiados ou da entidade familiar beneficiada. Para Álvaro Villaça Azevedo o “bem de família é um meio de garantir um asilo à família, tornando-se o imóvel onde a mesma se instala domicílio impenhorável e inalienável, enquanto forem vivos os cônjuges e até que os filhos completem sua maioridade”. Espécies: