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CENTRO UNIVERSITÁRIO CELSO LISBOA HISTÓRIA - 2024.1 SOCIOLOGIA E ANTROPOLOGIA DA EDUCAÇÃO - FASE 1 1. FILOSOFIA E SALA DE AULA Entendendo a Filosofia De seu termo etimológico (PHÍLOS = Amor a, gostar de; SOPHÍA = Sábio, sabedoria), Filosofia nada mais é do que a atividade de compreensão da realidade humana. A Ciência dos valores éticos e morais, mas sobretudo do poder inesgotável da busca pelo pensar, dialogar, argumentar e ensinar. Busca explicar e questionar a realidade e as naturezas humanas através do pensamento lógico. O conceito de Filosofia surgiu no século VI a.c e marcou também o início da política e da Democracia. Dentre os pensamentos desta época, merece destaque a ideia pensada e desenvolvida por Platão, onde ele cita haver duas realidades em contato com o Homem: a inteligível e a sensível. A realidade inteligível é imutável, pertencendo a si mesma. Já a realidade sensível, é o que nos causa sentimento, o que nos atinge e não pertence a si mesma, podendo ser completamente mutável. Idade Média x ideias Renascentistas A Idade Média teve seu estopim no século V (com a queda do Império Romano) e seu fim no século XV (com a conquista de Constantinopla pelo Império Otomano). E segundo alguns historiadores modernos, a Idade Média não foi a Idade das Trevas, como havia-se pensado anteriormente. Isso porque foi durante a Idade Média que foram criadas renomadas universidades como Oxford, Bologna, Paris, Salerno, Heidelberg e Viena. Os pensamentos criados por Platão fundiu-se com as linhas ideológicas medievais, levando o Homem a ter necessidade de encontrar respostas lógicas relacionando-as com a fé criada pela Igreja Medieval, retornando assim aos mitos anteriores pensados e descritos por Platão. Deus agora tornava-se o centro para todas as explicações. A ideia de obscurantismo e ignorância atribuída à Idade Média foi pensada por ideólogos Renascentistas. Vale ressaltar que em detrimento de sua ideologia, a Era Medieval foi mais fecunda nas ações de autonomia do que os Renascentistas. As ideias renascentistas surgiram no século XIV na Itália. Embora tenham nascido ainda no período medieval e tivessem ideias de renascença para a literatura, fé e o pensar, não houve um distanciamento das características medievais. Em divergência com a autonomia da Idade Média, o Renascentismo foi totalmente elitista e aristocrático, priorizando a burguesia e excluindo os populares. Ideologicamente oposto aos valores medievais. Os renascentistas tinham como ideologia filosófica a ciência, trazendo para perto o pensamento empírico e abstendo-se de Deus como centro, mas sem se afastar da fé. Agora o homem era o centro. Esse pensamento possibilitou o crescimento da ideia burguesa. Educação x Filosofia Pode-se analisar que a filosofia têm um papel importante na história, estreitando relações e influenciando o pensamento do homem com a ciência, chegando à educação. Essa relação dá-se na forma como enxergamos escola x professor x aluno x ensino. É o modelo, o formato a seguir. Se Educação é a arte do desenvolvimento intelectual e moral de um Ser e Filosofia é questionar a realidade e as naturezas humanas através do pensamento lógico, a filosofia na educação é a compreensão de que é preciso haver o questionamento, o pensamento e ideias para desenvolver o intelecto e criar o alimento para sua essência, opinião e autocrítica. Em detrimento das ideologias renascentistas, os pensamentos empíricos são mais frequentes e presentes. A Ciência tudo explica, e o Homem nada precisa pensar ou questionar. Por isso, filosofia e sala de aula devem caminhar juntos. A filosofia é o amor pelo saber, pelo pensar. Um cidadão que não é capaz de questionar e criar suas próprias ideias, leva uma sociedade à falência múltipla. Descartes no século XVII trouxe-nos a ideia: “Penso, logo existo”. É um pensamento lógico de existência. Não é preciso Ciência para provar a sua existência. Ora, se penso, logo existo. É entender quem és, perceber o sensível e criar dentro de si a fome de ir atrás de seus próprios questionamentos. 2. EPISTEMOLOGIA Epistemologia é identificada como a “filosofia da ciência”. É o estudo da origem, estrutura, métodos e validade do conhecimento, avaliando a consciência lógica da teoria. Assim, leva este estudo a ser uma teoria crítica que indaga como e por que razão as coisas são como são. De acordo com Japiassú e Marcondes (1996), é uma disciplina que toma as ciências como objeto de investigação. Na formação docente, a epistemologia age pensando na formação do professor, reconhecendo que toda a experiência que ele possui é resultado de sua história pessoal, cultural e social. É preciso fazer um paralelo com a ciência para conhecer e analisar e considerar o trabalho docente. O fazer docente requer muita reflexão crítica e fundamentada, com constantes questionamentos. Assim, trazendo o conceito para nossa realidade, podemos dizer que a epistemologia científica é uma das bases do conhecimento que auxilia a prática docente. Toda ciência tem um objeto de estudo que sempre deve ser observado e analisado. É importante destacar que qualquer fenômeno da natureza pode ser passível de observação e análise. Podemos dizer que, para analisarmos o trabalho do professor com base na ciência, precisamos vê-lo como nosso objeto de estudo. Um marco para o estudo epistemológico foi o Círculo de Viena, onde reuniram-se cientistas de algumas áreas de conhecimento para debater o desenvolvimento de uma filosofia da ciência baseada em uma linguagem lógica, a partir de procedimentos lógicos com alto rigor científico. Basicamente buscavam a verificação e a veracidade do conhecimento. No contexto da filosofia e epistemologia, havia duas vertentes de conhecimento: Mythos (mito) e Logos (lógica, razão). A narrativa mítica era transmitida via oral ou escrita, desempenhando papeis importantes na cultura e religião. Habitualmente envolvia-se deuses e outras histórias para explicar fenômenos naturais, como por exemplo a morte. Já a narrativa lógica, buscava elucidar as ações e acontecimentos através do pensamento racional, deixando o mito e o simbolismo de lado e trazendo a conduta da compreensão lógica, o pensar, o questionar. A passagem do Mito para a Lógica deu início ao estudo da filosofia. 3. SENSO COMUM O senso comum nada mais é do que o pensamento mítico. Ideias e pensamentos difundidos sem embasamento teórico, tendo como base somente o meio cultural. Um conjunto de saberes populares transmitidos oralmente, atravessando gerações. Esse pensamento do senso comum pode trazer benefícios para o meio social, como por exemplo, o uso correto de ervas medicinais para tratamento de enfermidades, mas também pode semear frutos ruins para a comunidade, como falas racistas e preconceituosas advindas de gerações passadas e que o mito perdurou-se. A contraposto desse pensamento, surge o conhecimento científico, onde faz-se necessário o embasamento teórico para compreender a natureza de tal ideia ou pensamento. Vale destacar que não é correto invalidar totalmente a ideia do senso comum. 4. CONHECIMENTO CIENTÍFICO O conhecimento científico busca compreender a natureza de um pensamento ou uma ideia através da pesquisa, do embasamento teórico. Existem três atributos importantes para o conhecimento científico: método, sistematização e verificação. Todo objeto e fonte de pesquisa deve ser testado, verificado e comprovado, não dando espaços para verdades absolutas. A ciência não é infalível e indiscutível. Um conhecimento comprovado é benéfico para a sociedade, pois traz bases para a evolução do pensamento social. O mesmo acontece com o campo docente, onde o conhecimento é uma transformação, gerando novas ideias a serem observadas. O conhecimento científico funde-se com o Logos, o pensar lógico e racional. É preciso entender que a educação deve ser vista como objeto científico. O conhecimento científico permite a verificação das coisas, utilizando métodos de forma ordenada e sistemática, a partir de um conjunto de ideias com base em uma teoria.5. TENDÊNCIAS FILOSÓFICAS NA EDUCAÇÃO As tendências filosóficas na educação são o modo como o docente e o discente enxergam e interpretam a educação, sua aplicação e a fonte de conhecimento. Existem três tendências que elucidam nossa visão: tendência redentora, tendência reprodutora e a tendência transformadora. Tendência redentora: O professor e o conteúdo estão no centro. A tendência que compreende a educação como fonte salvadora da sociedade. A escola exerce o papel de preparar os alunos de forma intelectual e moral para desempenharem suas funções e posições na sociedade. O caminho do saber é o mesmo para todos. Tendência reprodutora: Essa tendência compreende o espaço escolar como local de preparação para a vida em sociedade, aplicando técnicas específicas a modo de atingir certas habilidades para o direcionamento ao mercado de trabalho para suprir a demanda e anseios do capital financeiro. Fonte modeladora do comportamento humano; a cultura exerce um papel mais relevante. Tendência transformadora: Permite que os conteúdos e o professor se adaptem à realidade discente. Dá-se muito valor ao aprendizado social e às descobertas protagonizadas pelo aprendente. Confronta as ideias, analisando criticamente a realidade social, baseando-se nas finalidades sociopolíticas da educação.