Prévia do material em texto
AULA 3 PLATAFORMA LOGÍSTICA E MULTIMODALIDADE Prof. Cesar Alberto Sinnecker 2 INTRODUÇÃO Esta edição do curso Plataforma logística e multimodalidade tem por objetivo proporcionar teoria de forma a levar o aluno a repensar no custo do processo produtivo, a redução desses custos e aumentar a satisfação dos clientes. Possibilitar inclusive uma visão da logística e da lei do consumidor. Os temas se dividem nos seguintes tópicos: Tema 1 – Logística reversa; Tema 2 – Redução de lead times; Tema 3 – Logística e o Código de Defesa do Consumidor; Tema 4 – Avaliação dos fornecedores; e Tema 5 – A logística lean. TEMA 1 – LOGÍSTICA REVERSA Você já parou para pensar na quantidade de seres humanos que vivem no planeta Terra? Já chegou a pensar na quantidade de produtos consumidos no mundo em um só dia? Mas o que isso tem a ver com a logística reversa? Após recolher a matéria-prima da natureza, levar para fábricas que transformam em produtos a serem comprados pelos consumidores, teremos ao final dessa cadeia um resíduo não aproveitado pelo ser humano e é justamente nesse momento que entra a logística reversa. Existindo sete bilhões de seres humanos gerando resíduos, há a necessidade de reaproveitar o que é descartado, dar uma função que aproveite tudo o que o ser humano não utiliza, de forma a tornar o consumismo viável e preservar, o máximo possível, a natureza para gerações vindouras. 3 Figura 1 – Logística reversa – conceito verde – tecnologia ecológica Créditos: Ramcreative/ Shutterstock. Esse tema vem sendo estudado de forma cada vez mais avançada a ponto de ser uma preocupação para os governos das nações mais desenvolvidas do mundo. Saiba mais No Brasil, foi estabelecida a Lei n. 12.305 de 2010, que trata do plano nacional de resíduos sólidos e define logística reversa no seu artigo 3º, inciso XII: “XII - logística reversa: instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.” A Apple é um exemplo de empresa que aplica a logística reversa oferecendo um valor pelo produto antigo ao consumidor que pretende modernizar um aparelho. Outro exemplo do cotidiano que estamos acostumados a presenciar é a entrega do vasilhame após o consumo do líquido, de forma a devolver para a fábrica que reaproveita com novo produto. Fazendo isso não há descarte de embalagens de vidro e, com isso, há barateamento nos custos. Preserva areia, 4 combustível para a queima do vidro, além de não haver descarte de nenhum objeto na natureza. 1.1 Há alguma desvantagem na aplicação da logística reversa? a) Investimentos: apesar de ser o caminho correto o de não gerar resíduos ao meio ambiente e, quando gerar, reciclar, a cadeia produtiva foi feita sem pensar na reciclagem ou de maneira que não polua, não gere resíduos. A principal desvantagem da logística reversa no mundo é justamente o investimento que deve ser feito em peças e maquinários para gerar menos poluentes e resíduos. As grandes indústrias possuem muitos tributos a pagar, investimentos iniciais em máquinas e pessoal, marketing, tecnologia, proteção do seu ativo. O custo de contratar mão de obra especializada, máquinas não poluentes, que gerem pouco CO2 na atmosfera ou descartem líquidos não poluentes em rios e córregos demanda grande investimento. Todo esse investimento não tem retorno a curto prazo e desestimula a aplicação do capital da empresa. b) Burocracia: para uma empresa remeter seus produtos a um processo de produção que beneficia o meio ambiente, necessita seguir um processo extremamente burocrático com regras, normas e legislação que acabam por desestimular o investimento no equipamento necessário. c) Dificuldade em encontrar parceiros: outro ponto importante é que nem sempre a empresa sustentável encontra parceiros que estejam dispostos a colaborar. É muito difícil fazer propaganda de empresa verde ou sustentável quando todos os seus parceiros não são. 1.2 Vantagens na aplicação da logística reversa a. Vantagem competitiva: apesar de caminhar lentamente, as empresas que possuem o selo verde gozam de melhor aceitação no mercado. Muitas são as pesquisas que apontam que as novas gerações buscam o produto que polui menos o ambiente, que recicla, que investe em políticas que tornam a empresa mais sustentável. Até porque especialistas garantem que 20% de tudo o que é produzido é descartado. Muito lentamente está se tornando uma prática o consumidor ler o rótulo para verificar os componentes da fórmula, se emite ou não poluentes, se reduz risco de aumento de peso, 5 diabetes ou colesterol. Ou seja, hoje temos consumidores mais responsáveis que buscam consumir produtos de baixo impacto ao meio ambiente. Portanto, apesar dos investimentos, há um retorno do público consciente. b. Redução de perdas: é significativa a consequência da busca pela sustentabilidade. Quando há perdas e descartes na produção, há ineficiência e gasto para todos, haja vista que a matéria-prima foi retirada da natureza e lá poderia ter permanecido e não ter sido descartada. Outrossim, diminuindo a produção de CO2 e evitando a poluição de rios, há a diminuição de problemas de saúde dos ribeirinhos que não vão utilizar o sistema de saúde do município. Há diminuição da mortandade de peixes e, por consequência, mais pessoas vão ser alimentadas. Há toda uma consequência positiva, gerando mais qualidade de vida. c. Credibilidade: as empresas que trabalham com selo verde vão adquirindo um status de empresa responsável perante a sociedade. Temos exemplos nacionais como Natura, Boticário, Nestlé, Unilever, Samsung, L’Oréal, Coca-Cola. Todas essas empresas são referência no mercado e consumir seus produtos é a garantia de comprar um produto que dure, que tenha responsabilidade social, que vai gerar menos impacto ao meio ambiente. d. Aumento do valor agregado dos produtos: a reciclagem do material não utilizado pela empresa, assim como o resíduo não utilizado pelo consumidor, agrega valor social de sustentabilidade, transformando esse material inutilizado em mercadoria nova e vai reintegrá-lo no sistema produtivo de forma a gerar uma economia reversa; em vez de utilizar nova matéria-prima, o sistema de reuso agrega valor de reutilização ao bem de pós-consumo; e o sistema de incineração agrega valor econômico e assim combate desperdício, poluição e transforma os resíduos em energia. Leite (2003) afirma que esses bens ou materiais transformam-se em produtos denominados de pós-consumo e podem ser enviados a destinos finais tradicionais, como a incineração ou os aterros sanitários, considerados meios seguros de estocagem e eliminação, ou retornar ao ciclo produtivo por meio de canais de desmanche, reciclagem ou reuso em uma extensão de sua vida útil. Essas alternativas de retorno ao ciclo produtivo constituem-se na principal preocupação do estudo da logística reversa e dos canais de distribuição reversos de pós-consumo. 6 Existem diversos meios de recuperação e de agregação de valor econômico e ambiental aos bens de pós-consumo: reuso, reciclagem de materiais e incineração. TEMA 2 – REDUÇÃO DE LEAD TIME Lead time é um termo inglês relacionado ao tempo. É o percurso total que a carga percorre desde o pedido até a entrega para o cliente. A redução desse lapso temporal é o tema a ser discutido neste item e a efetiva redução vai gerar consequências positivas para a empresa e deixar seus clientes satisfeitos. Créditos: Gorodenkoff/ Shutterstock. Quando nos deparamos com o conceito de lead time a pergunta que vem à mente é: você gosta de esperar? A respostacertamente é não, certo? Ainda mais no mundo tecnológico e instantâneo em que vivemos, no qual 10 segundos parecem uma eternidade. Você não fica chateado quando alguém leva uma eternidade para te responder no WhatsApp? Ou quando reclama de um produto e a empresa demora a responder? Saiba mais Essa é a pergunta que Taiichi Ohno se propôs a responder. Ele foi o grande responsável pela criação do Sistema Toyota de Produção e referência mundial em Lean Manufacturing, estudando um modelo de produção para implementar em suas fábricas. Taiichi queria implementar https://www.voitto.com.br/blog/artigo/o-sistema-toyota-de-producao https://www.voitto.com.br/blog/artigo/lean-manufacturing 7 uma produção enxuta, com o menor Lead Time possível. Para isso, ele se concentrou em uma solução: eliminar desperdícios. Mas que tipo de desperdícios? Nada mais e nada menos do que oito tipos, sendo eles: transporte, inventário, movimentação, espera, conhecimento, produção excessiva, processamento excessivo e defeitos. Quando lidamos com processos de produção, quanto mais durar o ciclo, menos produtivo ele será e isso leva a enormes despesas que poderiam ser evitadas. Em uma linha de produção, tempo é dinheiro! Qualquer redução no Lead Time resulta diretamente na redução de custos, o que, por sua vez, leva ao aumento dos lucros. O Lead Time é um dos principais conceitos e métricas do Lean Manufacturing, oriundo do Sistema Toyota de Produção, sendo o principal ponto em que esta metodologia se apoia. Agora que você sabe o que é o Lead Time, pode estar se perguntando: como faço para calcular esse lapso de tempo? Para realizar este cálculo, importante seguir as seguintes etapas: • listar as matérias-primas (itens) que são necessários para produzir o produto; • listar o prazo de entrega de cada item; • identificar o item com a data de entrega mais longa; • estabelecer o número de dias/ horas que são necessários para a produção e entrega do produto, considerando também o tempo despendido em tarefas administrativas; e • o Lead Time será a soma do tempo de aquisição da matéria-prima com o tempo de produção e entrega do produto. 8 Créditos: dolly11/ Shutterstock; Nata-Lia/ Shutterstock; Erik Svoboda/ Shutterstock; VikiVector/ Shutterstock; Alexander Lysenko/ Shutterstock; e Anshuman Rath/ Shutterstock. O Método do Caminho Crítico baseia-se na identificação da sequência de atividades (críticas) desde o recebimento da ordem de serviço até a entrega do produto ao cliente, no qual se houver atraso, o prazo de entrega ficará comprometido, ou seja, o Lead Time será a soma do tempo das atividades no caminho crítico. Entender a importância do Lead Time é essencial para que as fases de um produto sejam analisadas com mais cuidado. A partir dessa análise, problemas futuros podem ser reduzidos, principalmente se ações estratégicas forem tomadas pelos profissionais responsáveis. Desta forma, o tempo de provisionamento e o tempo de entrega do produto ou serviço são significativamente reduzidos. Principais benefícios de um Lead Time bem executado: • Melhora dos processos internos Quando a empresa consegue controlar seu Lead Time, a gestão interna relacionada aos processos tende a melhorar à medida que se torna possível analisar cada etapa, entendendo todos os pontos fortes e pontos de melhoria. A partir dessa análise, são elaborados planos de ação para tornar a empresa cada vez mais produtiva. • Evita perdas Os consumidores priorizam produtos que sejam entregues com rapidez e qualidade, principalmente na era em que vivemos, em que a concorrência é cada 9 vez maior. Um processo ágil, sem burocracia e entrega rápida são fatores decisivos para que o cliente compre seu produto ou opte pela concorrência. Manter essa agilidade pode evitar perdas ou perdas de clientes em potencial, por isso o lead time deve ser constantemente otimizado. TEMA 3 – LOGÍSTICA E O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR Pense na seguinte situação: Ana adquire um remédio por telefone na rede de farmácias Nissei por R$ 105,00, acrescido do valor do frete para a entrega (via motoboy) de R$ 50,00. Contudo, ao receber o produto, Ana verifica que o remédio entregue está vencido, e ao ligar na rede de farmácias em que adquiriu o remédio obtém a informação de que poderá receber outro medicamento por meio da devolução do medicamento vencido acompanhado da nota fiscal, mas que o frete para a devolução do medicamento vencido e a retirada do outro medicamento ficará em R$ 100,00. A logística é tratada na legislação do consumidor no Brasil em diversas ocasiões. Seria importantíssimo que as empresas abordassem o tema com seus funcionários e colaboradores, até por uma questão de economia processual e cadeia de produção. O Código de Defesa do Consumidor é a Lei n. 8078/90 e, dentre vários assuntos, trata do procedimento de devolução de produtos ao vendedor-fornecedor caso haja erro, demora, devolução por qualidade inferior ao anunciado, propaganda enganosa. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), diferentemente das demais relações contratuais, abordadas pelo direito civil como contrato de locação, contrato de construção etc., em que é possível estabelecer regras no sentido contrário seguindo a vontade das partes, a logística reversa deve ser feita sem onerar o consumidor, além do quanto já dispendido em dinheiro para aquisição do produto/serviço e de frete para a entrega. 3.1 Prazo para reclamar vícios no produto ou serviço O CDC protege o consumidor e difere de outras normas, pois faz com que a empresa é quem deva provar que não foi a culpada (inversão do ônus da prova). Ao adquirir um produto, o consumidor pode se deparar com vícios ou disparidade do que pediu, e o artigo 26 regulamenta o prazo para essa reclamação: 10 • 30 dias – quando se tratar de um produto ou um serviço não durável, como é o caso de alimentos, bebidas, lavanderia, tintas e outras mercadorias de consumo imediato; e • 90 dias – quando o produto ou serviço forem duráveis, como eletrodomésticos e veículos. Nesses casos, a empresa deve receber o produto e providenciar seu conserto. Por exemplo, caso em uma compra de celular um cliente reclama que a câmera não está funcionando, a loja deve encaminhá-lo para a assistência técnica e devolver, sem custo, quando estiver pronto. 3.2 Prazo para o fornecedor resolver o problema e o que deve fazer se não conseguir solucionar O prazo para resolver o problema é de 30 dias. Se esse prazo não for cumprido ou o fornecedor não conseguir solucionar o problema, o cliente poderá, segundo a norma consumerista, escolher uma das seguintes alternativas: • substituir o bem por outro similar e que esteja em perfeitas condições de uso; • ser restituído do valor integral do bem, com atualização monetária e sem prejuízos por danos e perdas; e • abatimento proporcional do preço, se decidir ficar com a mercadoria. 3.3 Lojas virtuais Todas essas regras valem para lojas físicas, mas será que muda algo para os e-commerces? De acordo com o artigo 49, o consumidor pode desistir do produto ou serviço no período de sete dias. 3.4 Existe direito do comprador se arrepender do que comprou? Há o direito de arrependimento nos casos específicos de compras por internet ou realizadas fora do estabelecimento comercial. Pode ser por telefone, catálogo ou atendimento domiciliar, por exemplo. Nessas situações, de acordo com o artigo 49 do CDC, o cliente pode se arrepender da compra e fazer a devolução no prazo de sete dias. Esse período começa a valer a partir do momento em que o item foi recebido. Além disso, para https://empresas.serasaexperian.com.br/blog/4-sinais-de-que-a-sua-empresa-precisa-de-um-e-commerce/ 11 se enquadrar nessa regra, o produto não precisa ter defeito ou vícios de qualidade ou quantidade. 3.5Logística reversa Pelo Direito do Consumidor, a devolução deve ser providenciada pela loja, sem implicar valores extras para o cliente, porque ele tem direito à devolução do produto. Pela logística reversa com aplicação no código de defesa do consumidor, a mercadoria com defeito ou em más condições deve ser trocada e os valores ainda devem ser custeados pela loja. O procedimento pode ser feito por transportadora ou Correios, conforme a vontade da empresa. O estabelecimento pode solicitar que o cliente entregue a mercadoria em uma agência dos Correios com um código enviado por e-mail ou definir o recolhimento do item diretamente na residência do consumidor. TEMA 4 – AVALIAÇÃO DOS FORNECEDORES O que se procura em um parceiro de negócios? Produtos de qualidade? Um bom relacionamento entre fornecedor e empresa? A avaliação de fornecedores refere-se ao processo de avaliação e aprovação de fornecedores potenciais por meio de avaliação quantitativa e qualitativa. O objetivo é garantir que um portfólio dos melhores fornecedores esteja disponível para uso. Importante lembrar de fazer avaliação do fornecedor regularmente (pelo menos duas vezes por ano, mas as melhores organizações realizam uma avaliação a cada três meses). A cada vez, deve ser analisado se os fornecedores obtiveram melhores pontuações do que antes. 4.1 Como avaliar subjetivamente um fornecedor? Vários são os itens subjetivos que devem ser analisados para que se chegue à conclusão que a empresa tem um fornecedor que esteja alinhado com a sua política de gestão: a) Foco no cliente Os fornecedores devem ser analisados principalmente em relação aos clientes da empresa matriz. A análise primordial é a busca de respostas na dedicação às expectativas da clientela. Um bom parceiro de negócios deve 12 ter uma compreensão completa das tendências e oportunidades do mercado e agir no seu melhor interesse. b) Espírito de equipe Deve ser verificado se os fornecedores valorizam a diversidade, defendem a confiança, o respeito, o compromisso mútuo e o pensamento sem fronteiras. c) Abordagem de negócios Os fornecedores possuem objetivos de negócios cuja base se alinha aos seus? Eles aproveitam sua experiência para expandir seus negócios e os seus? d) Justiça: ao negociar Seus fornecedores seguem os mais altos padrões de práticas comerciais éticas? Eles exibem um comportamento justo para todas as partes interessadas, incluindo seus próprios clientes, funcionários, fornecedores e comunidade? 4.2 Como avaliar o modelo de desempenho do fornecedor Mesmo que as informações que descrevemos acima sejam importantes, não são facilmente quantificáveis – são úteis para estabelecer um bom relacionamento comercial com fornecedores. Para uma abordagem objetiva, aqui está um modelo de critérios que deve ser utilizado para avaliar um fornecedor: Categoria Critérios Capacidade de produção O maquinário atende às normas Impacto ambiental Possui selo verde ou medidas que preservam a natureza Conformidade com as especificações Atende aos requisitos de especificação Atende aos padrões ISO Atendimento ao cliente Política e prática Pesquisas aos clientes Sistemas para medir a satisfação do cliente Apoio e conselhos Qualidade dos resultados Certificação Sistema documentado 13 Capacidade Estrutura de pessoal Disponibilidade de equipe experiente Experiência na indústria Estado da tecnologia Performance passada Experiência na área empresarial Recomendação de clientes Estratégica Localização Networking Inovação Tecnologia de ponta Criatividade Viabilidade financeira O fornecedor atende aos principais índices financeiros do setor? O fornecedor pode fornecer divulgação financeira completa? Aspectos legais Cumpre os termos e condições Conflito de interesses (existente, potencial ou percebido) Processos judiciais relacionados a questões contratuais (passado ou presente) Gestão financeira Paga impostos em dia Contabilidade efetiva Possui seguro Análise do patrimônio líquido Métodos de pagamento Dyer e Nobeoka (2000) explicam algumas práticas de gestão que a Toyota vem utilizando para proporcionar o intercâmbio de conhecimento em sua rede de fornecedores. • Associações de fornecedores: voltadas a trocas de informações técnicas, incluindo visitas a fábricas que tenham bom desempenho e análise de casos que relatam boas práticas. • Equipes de consultoria e de solução de problemas: formadas por funcionários da Toyota que divulgam conhecimento dentro de rede 14 produtiva, gerando resultados como redução de estoque e aumento de produtividade. • Equipes de aprendizado voluntário, que trabalham a partir de temas definidos anualmente, com o objetivo básico de aumentar produtividade. • Migração de funcionários entre empresas (de forma definitiva ou temporária), que permitem a criação de identidade para a rede e transferência de conhecimento. Essas iniciativas foram implantadas gradualmente: primeiramente, vieram as associações de fornecedores. Em seguida, as equipes de consultoria de solução de problemas e, por fim, as equipes de aprendizado voluntário. A lógica desta sequência foi criar, em primeiro lugar, laços fortes entre a Toyota e os seus fornecedores, para depois desenvolver os laços entre os fornecedores. O aprendizado obtido dentro da rede de fornecedores da Toyota gerou resultados que a empresa obteve em termos financeiros e de qualidade. Em 2003, o lucro da Toyota foi maior do que do lucro combinado da General Motors, da Chrysler e da Ford e seus carros apresentam 40% menos problemas do que os das três montadoras norte-americanas. Outra empresa de grande sucesso que desenvolveu formas de relacionamento com seus fornecedores é a Dell. Esse sucesso pode ser medido pelo fato de, em apenas 13 anos, a empresa ter atingido um valor de mercado de US$ 12 bilhões (Magretta, 1998, p. 73). Magretta (1998) relata práticas da Dell, algumas das quais guardam relação com as da Toyota e da Honda mencionadas anteriormente: • compartilhamento de informações em termos claros e precisos; • contratos de fornecimento de longo prazo; • pesquisa e desenvolvimento integrados; • trabalho em conjunto para detectar falhas e corrigi-las; e • confiança na reputação do fornecedor. O que ocorre na prática com Toyota e Dell encontra respaldo teórico nas proposições de vários autores. Parcerias estratégicas sempre deram certo, no entanto, demandam investimentos tanto do fornecedor quanto do comprador, mas o mais importante é a confiança gerada pelo intercâmbio de informações dada a interação e 15 relacionamento bem próximos, fazendo com que os produtos e processos sejam íntimos. TEMA 5 – A LOGÍSTICA LEAN O conceito de logística lean está relacionada a um processo logístico que evita o desperdício a todo custo. Esse processo é adaptado da metodologia lean de produção, adotada inicialmente pela Toyota. “Lean” numa tradução livre seria enxuto. Muitos fabricantes estão usando os princípios de manufatura enxuta para eliminar desperdícios, otimizar processos, cortar custos, impulsionar a inovação e reduzir o tempo de lançamento no mercado em um mercado global de ritmo acelerado, volátil e em constante mudança. O processo Toyota é baseado em alguns princípios, organizados em duas ideias principais: 1. Filosofia de longo prazo: tome decisões de gestão a longo prazo, mesmo às custas dos objetivos financeiros de curto prazo. O processo certo produzirá os resultados certos: uma ênfase implacável no processo é método para fornecer valor de forma sustentável, equilibrando capacidade e demanda, padronizando tarefas e processos repetíveis e criando uma cultura de "parar a linha” quando ocorrerem erros, para que os problemas possam ser corrigidos assim que surgirem. 2. Desenvolvimentohumano: o maior ativo de uma organização são as pessoas. Portanto, investir, apoiar, incentivar, tratar com respeito são práticas que agregam valor à organização e melhoram o ambiente de trabalho. Isso inclui funcionários, clientes, vendedores e fornecedores. A solução contínua de problemas impulsiona o aprendizado organizacional: cada "erro" é um momento de aprendizado. Ao analisar, estudar e discutir abertamente quando e como as coisas dão errado, as organizações podem aprender e crescer. O papel dos líderes é priorizar o aprendizado em vez da perfeição – experimentar e resolver os problemas à medida que surgem e compartilhar os aprendizados para que os mesmos erros não se repitam. Todos os conceitos podem ser encontrados em implementações modernas de manufatura enxuta. No entanto, ao longo do século XX, os conceitos da Toyota muitas vezes foram deixados de lado enquanto as empresas formavam suas próprias ideias de como a manufatura enxuta poderia contribuir para seu sucesso. 16 Na tentativa de emular o sucesso da Toyota, muitas empresas traduziram "adotar uma postura enxuta" como significado de cortar desperdícios, fazer atalhos e cortar pessoas: corte implacável dos desperdícios com nenhuma consideração pela saúde do sistema como um todo. 17 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n. 8078, de 11 de setembro de1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 8 dez. 2021. DYER, J. H.; NOBEOKA, K. Criação e gerenciamento de uma rede de compartilhamento de conhecimento de alto desempenho: o caso Toyota. Análise de gestão estratégica, v. 21, n. 3, p. 345–367, 2000. LEITE, P. R. Logística reversa. São Paulo: Prentice Hall, 2003. MAGRETTA, J. The power of virtual integration: an interview with Dell Computer's Michael Dell. Harvard Business Review, v. 76, n. 2, p. 72–84, mar./apr. 1998.