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AULA 3 
PLATAFORMA LOGÍSTICA E 
MULTIMODALIDADE 
Prof. Cesar Alberto Sinnecker 
 
 
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INTRODUÇÃO 
Esta edição do curso Plataforma logística e multimodalidade tem por 
objetivo proporcionar teoria de forma a levar o aluno a repensar no custo do 
processo produtivo, a redução desses custos e aumentar a satisfação dos 
clientes. Possibilitar inclusive uma visão da logística e da lei do consumidor. 
Os temas se dividem nos seguintes tópicos: 
Tema 1 – Logística reversa; 
Tema 2 – Redução de lead times; 
Tema 3 – Logística e o Código de Defesa do Consumidor; 
Tema 4 – Avaliação dos fornecedores; e 
Tema 5 – A logística lean. 
TEMA 1 – LOGÍSTICA REVERSA 
Você já parou para pensar na quantidade de seres humanos que vivem no 
planeta Terra? Já chegou a pensar na quantidade de produtos consumidos no 
mundo em um só dia? Mas o que isso tem a ver com a logística reversa? 
Após recolher a matéria-prima da natureza, levar para fábricas que 
transformam em produtos a serem comprados pelos consumidores, teremos ao 
final dessa cadeia um resíduo não aproveitado pelo ser humano e é justamente 
nesse momento que entra a logística reversa. Existindo sete bilhões de seres 
humanos gerando resíduos, há a necessidade de reaproveitar o que é descartado, 
dar uma função que aproveite tudo o que o ser humano não utiliza, de forma a 
tornar o consumismo viável e preservar, o máximo possível, a natureza para 
gerações vindouras. 
 
 
 
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Figura 1 – Logística reversa – conceito verde – tecnologia ecológica 
Créditos: Ramcreative/ Shutterstock. 
Esse tema vem sendo estudado de forma cada vez mais avançada a ponto 
de ser uma preocupação para os governos das nações mais desenvolvidas do 
mundo. 
Saiba mais 
No Brasil, foi estabelecida a Lei n. 12.305 de 2010, que trata do plano 
nacional de resíduos sólidos e define logística reversa no seu artigo 3º, inciso XII: 
“XII - logística reversa: instrumento de desenvolvimento econômico e social 
caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a 
viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para 
reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra 
destinação final ambientalmente adequada.” 
A Apple é um exemplo de empresa que aplica a logística reversa 
oferecendo um valor pelo produto antigo ao consumidor que pretende modernizar 
um aparelho. 
Outro exemplo do cotidiano que estamos acostumados a presenciar é a 
entrega do vasilhame após o consumo do líquido, de forma a devolver para a 
fábrica que reaproveita com novo produto. Fazendo isso não há descarte de 
embalagens de vidro e, com isso, há barateamento nos custos. Preserva areia, 
 
 
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combustível para a queima do vidro, além de não haver descarte de nenhum 
objeto na natureza. 
1.1 Há alguma desvantagem na aplicação da logística reversa? 
a) Investimentos: apesar de ser o caminho correto o de não gerar resíduos 
ao meio ambiente e, quando gerar, reciclar, a cadeia produtiva foi feita sem 
pensar na reciclagem ou de maneira que não polua, não gere resíduos. A 
principal desvantagem da logística reversa no mundo é justamente o 
investimento que deve ser feito em peças e maquinários para gerar menos 
poluentes e resíduos. As grandes indústrias possuem muitos tributos a 
pagar, investimentos iniciais em máquinas e pessoal, marketing, 
tecnologia, proteção do seu ativo. O custo de contratar mão de obra 
especializada, máquinas não poluentes, que gerem pouco CO2 na 
atmosfera ou descartem líquidos não poluentes em rios e córregos 
demanda grande investimento. Todo esse investimento não tem retorno a 
curto prazo e desestimula a aplicação do capital da empresa. 
b) Burocracia: para uma empresa remeter seus produtos a um processo de 
produção que beneficia o meio ambiente, necessita seguir um processo 
extremamente burocrático com regras, normas e legislação que acabam 
por desestimular o investimento no equipamento necessário. 
c) Dificuldade em encontrar parceiros: outro ponto importante é que nem 
sempre a empresa sustentável encontra parceiros que estejam dispostos a 
colaborar. É muito difícil fazer propaganda de empresa verde ou 
sustentável quando todos os seus parceiros não são. 
1.2 Vantagens na aplicação da logística reversa 
a. Vantagem competitiva: apesar de caminhar lentamente, as empresas que 
possuem o selo verde gozam de melhor aceitação no mercado. Muitas são 
as pesquisas que apontam que as novas gerações buscam o produto que 
polui menos o ambiente, que recicla, que investe em políticas que tornam 
a empresa mais sustentável. Até porque especialistas garantem que 20% 
de tudo o que é produzido é descartado. Muito lentamente está se tornando 
uma prática o consumidor ler o rótulo para verificar os componentes da 
fórmula, se emite ou não poluentes, se reduz risco de aumento de peso, 
 
 
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diabetes ou colesterol. Ou seja, hoje temos consumidores mais 
responsáveis que buscam consumir produtos de baixo impacto ao meio 
ambiente. Portanto, apesar dos investimentos, há um retorno do público 
consciente. 
b. Redução de perdas: é significativa a consequência da busca pela 
sustentabilidade. Quando há perdas e descartes na produção, há 
ineficiência e gasto para todos, haja vista que a matéria-prima foi retirada 
da natureza e lá poderia ter permanecido e não ter sido descartada. 
Outrossim, diminuindo a produção de CO2 e evitando a poluição de rios, há 
a diminuição de problemas de saúde dos ribeirinhos que não vão utilizar o 
sistema de saúde do município. Há diminuição da mortandade de peixes e, 
por consequência, mais pessoas vão ser alimentadas. Há toda uma 
consequência positiva, gerando mais qualidade de vida. 
c. Credibilidade: as empresas que trabalham com selo verde vão adquirindo 
um status de empresa responsável perante a sociedade. Temos exemplos 
nacionais como Natura, Boticário, Nestlé, Unilever, Samsung, L’Oréal, 
Coca-Cola. Todas essas empresas são referência no mercado e consumir 
seus produtos é a garantia de comprar um produto que dure, que tenha 
responsabilidade social, que vai gerar menos impacto ao meio ambiente. 
d. Aumento do valor agregado dos produtos: a reciclagem do material não 
utilizado pela empresa, assim como o resíduo não utilizado pelo 
consumidor, agrega valor social de sustentabilidade, transformando esse 
material inutilizado em mercadoria nova e vai reintegrá-lo no sistema 
produtivo de forma a gerar uma economia reversa; em vez de utilizar nova 
matéria-prima, o sistema de reuso agrega valor de reutilização ao bem de 
pós-consumo; e o sistema de incineração agrega valor econômico e assim 
combate desperdício, poluição e transforma os resíduos em energia. 
Leite (2003) afirma que esses bens ou materiais transformam-se em 
produtos denominados de pós-consumo e podem ser enviados a destinos finais 
tradicionais, como a incineração ou os aterros sanitários, considerados meios 
seguros de estocagem e eliminação, ou retornar ao ciclo produtivo por meio de 
canais de desmanche, reciclagem ou reuso em uma extensão de sua vida útil. 
Essas alternativas de retorno ao ciclo produtivo constituem-se na principal 
preocupação do estudo da logística reversa e dos canais de distribuição reversos 
de pós-consumo. 
 
 
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Existem diversos meios de recuperação e de agregação de valor 
econômico e ambiental aos bens de pós-consumo: reuso, reciclagem de materiais 
e incineração. 
TEMA 2 – REDUÇÃO DE LEAD TIME 
Lead time é um termo inglês relacionado ao tempo. É o percurso total que 
a carga percorre desde o pedido até a entrega para o cliente. A redução desse 
lapso temporal é o tema a ser discutido neste item e a efetiva redução vai gerar 
consequências positivas para a empresa e deixar seus clientes satisfeitos. 
 
Créditos: Gorodenkoff/ Shutterstock. 
Quando nos deparamos com o conceito de lead time a pergunta que vem 
à mente é: você gosta de esperar? A respostacertamente é não, certo? Ainda 
mais no mundo tecnológico e instantâneo em que vivemos, no qual 10 segundos 
parecem uma eternidade. Você não fica chateado quando alguém leva uma 
eternidade para te responder no WhatsApp? Ou quando reclama de um produto 
e a empresa demora a responder? 
Saiba mais 
Essa é a pergunta que Taiichi Ohno se propôs a responder. Ele foi o 
grande responsável pela criação do Sistema Toyota de Produção e 
referência mundial em Lean Manufacturing, estudando um modelo de 
produção para implementar em suas fábricas. Taiichi queria implementar 
https://www.voitto.com.br/blog/artigo/o-sistema-toyota-de-producao
https://www.voitto.com.br/blog/artigo/lean-manufacturing
 
 
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uma produção enxuta, com o menor Lead Time possível. Para isso, ele se 
concentrou em uma solução: eliminar desperdícios. 
Mas que tipo de desperdícios? 
Nada mais e nada menos do que oito tipos, sendo eles: transporte, 
inventário, movimentação, espera, conhecimento, produção excessiva, 
processamento excessivo e defeitos. 
Quando lidamos com processos de produção, quanto mais durar o ciclo, 
menos produtivo ele será e isso leva a enormes despesas que poderiam ser 
evitadas. Em uma linha de produção, tempo é dinheiro! Qualquer redução no Lead 
Time resulta diretamente na redução de custos, o que, por sua vez, leva ao 
aumento dos lucros. O Lead Time é um dos principais conceitos e métricas do 
Lean Manufacturing, oriundo do Sistema Toyota de Produção, sendo o principal 
ponto em que esta metodologia se apoia. 
Agora que você sabe o que é o Lead Time, pode estar se perguntando: 
como faço para calcular esse lapso de tempo? Para realizar este cálculo, 
importante seguir as seguintes etapas: 
• listar as matérias-primas (itens) que são necessários para produzir o 
produto; 
• listar o prazo de entrega de cada item; 
• identificar o item com a data de entrega mais longa; 
• estabelecer o número de dias/ horas que são necessários para a produção 
e entrega do produto, considerando também o tempo despendido em 
tarefas administrativas; e 
• o Lead Time será a soma do tempo de aquisição da matéria-prima com o 
tempo de produção e entrega do produto. 
 
 
 
 
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Créditos: dolly11/ Shutterstock; Nata-Lia/ Shutterstock; Erik Svoboda/ Shutterstock; VikiVector/ 
Shutterstock; Alexander Lysenko/ Shutterstock; e Anshuman Rath/ Shutterstock. 
O Método do Caminho Crítico baseia-se na identificação da sequência de 
atividades (críticas) desde o recebimento da ordem de serviço até a entrega do 
produto ao cliente, no qual se houver atraso, o prazo de entrega ficará 
comprometido, ou seja, o Lead Time será a soma do tempo das atividades no 
caminho crítico. 
Entender a importância do Lead Time é essencial para que as fases de um 
produto sejam analisadas com mais cuidado. A partir dessa análise, problemas 
futuros podem ser reduzidos, principalmente se ações estratégicas forem tomadas 
pelos profissionais responsáveis. Desta forma, o tempo de provisionamento e o 
tempo de entrega do produto ou serviço são significativamente reduzidos. 
Principais benefícios de um Lead Time bem executado: 
• Melhora dos processos internos 
Quando a empresa consegue controlar seu Lead Time, a gestão interna 
relacionada aos processos tende a melhorar à medida que se torna possível 
analisar cada etapa, entendendo todos os pontos fortes e pontos de melhoria. A 
partir dessa análise, são elaborados planos de ação para tornar a empresa cada 
vez mais produtiva. 
• Evita perdas 
Os consumidores priorizam produtos que sejam entregues com rapidez e 
qualidade, principalmente na era em que vivemos, em que a concorrência é cada 
 
 
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vez maior. Um processo ágil, sem burocracia e entrega rápida são fatores 
decisivos para que o cliente compre seu produto ou opte pela concorrência. 
Manter essa agilidade pode evitar perdas ou perdas de clientes em potencial, por 
isso o lead time deve ser constantemente otimizado. 
TEMA 3 – LOGÍSTICA E O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR 
Pense na seguinte situação: Ana adquire um remédio por telefone na rede 
de farmácias Nissei por R$ 105,00, acrescido do valor do frete para a entrega (via 
motoboy) de R$ 50,00. Contudo, ao receber o produto, Ana verifica que o remédio 
entregue está vencido, e ao ligar na rede de farmácias em que adquiriu o remédio 
obtém a informação de que poderá receber outro medicamento por meio da 
devolução do medicamento vencido acompanhado da nota fiscal, mas que o frete 
para a devolução do medicamento vencido e a retirada do outro medicamento 
ficará em R$ 100,00. 
A logística é tratada na legislação do consumidor no Brasil em diversas 
ocasiões. Seria importantíssimo que as empresas abordassem o tema com seus 
funcionários e colaboradores, até por uma questão de economia processual e 
cadeia de produção. O Código de Defesa do Consumidor é a Lei n. 8078/90 e, 
dentre vários assuntos, trata do procedimento de devolução de produtos ao 
vendedor-fornecedor caso haja erro, demora, devolução por qualidade inferior ao 
anunciado, propaganda enganosa. 
De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), diferentemente 
das demais relações contratuais, abordadas pelo direito civil como contrato de 
locação, contrato de construção etc., em que é possível estabelecer regras no 
sentido contrário seguindo a vontade das partes, a logística reversa deve ser feita 
sem onerar o consumidor, além do quanto já dispendido em dinheiro para 
aquisição do produto/serviço e de frete para a entrega. 
3.1 Prazo para reclamar vícios no produto ou serviço 
O CDC protege o consumidor e difere de outras normas, pois faz com que 
a empresa é quem deva provar que não foi a culpada (inversão do ônus da prova). 
Ao adquirir um produto, o consumidor pode se deparar com vícios ou disparidade 
do que pediu, e o artigo 26 regulamenta o prazo para essa reclamação: 
 
 
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• 30 dias – quando se tratar de um produto ou um serviço não durável, como 
é o caso de alimentos, bebidas, lavanderia, tintas e outras mercadorias de 
consumo imediato; e 
• 90 dias – quando o produto ou serviço forem duráveis, como 
eletrodomésticos e veículos. 
Nesses casos, a empresa deve receber o produto e providenciar seu 
conserto. Por exemplo, caso em uma compra de celular um cliente reclama que a 
câmera não está funcionando, a loja deve encaminhá-lo para a assistência técnica 
e devolver, sem custo, quando estiver pronto. 
3.2 Prazo para o fornecedor resolver o problema e o que deve fazer se não 
conseguir solucionar 
O prazo para resolver o problema é de 30 dias. Se esse prazo não for 
cumprido ou o fornecedor não conseguir solucionar o problema, o cliente poderá, 
segundo a norma consumerista, escolher uma das seguintes alternativas: 
• substituir o bem por outro similar e que esteja em perfeitas condições de 
uso; 
• ser restituído do valor integral do bem, com atualização monetária e sem 
prejuízos por danos e perdas; e 
• abatimento proporcional do preço, se decidir ficar com a mercadoria. 
3.3 Lojas virtuais 
Todas essas regras valem para lojas físicas, mas será que muda algo para 
os e-commerces? De acordo com o artigo 49, o consumidor pode desistir do 
produto ou serviço no período de sete dias. 
3.4 Existe direito do comprador se arrepender do que comprou? 
Há o direito de arrependimento nos casos específicos de compras por 
internet ou realizadas fora do estabelecimento comercial. Pode ser por telefone, 
catálogo ou atendimento domiciliar, por exemplo. 
Nessas situações, de acordo com o artigo 49 do CDC, o cliente pode se 
arrepender da compra e fazer a devolução no prazo de sete dias. Esse período 
começa a valer a partir do momento em que o item foi recebido. Além disso, para 
https://empresas.serasaexperian.com.br/blog/4-sinais-de-que-a-sua-empresa-precisa-de-um-e-commerce/
 
 
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se enquadrar nessa regra, o produto não precisa ter defeito ou vícios de qualidade 
ou quantidade. 
3.5Logística reversa 
Pelo Direito do Consumidor, a devolução deve ser providenciada pela loja, 
sem implicar valores extras para o cliente, porque ele tem direito à devolução do 
produto. Pela logística reversa com aplicação no código de defesa do consumidor, 
a mercadoria com defeito ou em más condições deve ser trocada e os valores 
ainda devem ser custeados pela loja. 
O procedimento pode ser feito por transportadora ou Correios, conforme a 
vontade da empresa. O estabelecimento pode solicitar que o cliente entregue a 
mercadoria em uma agência dos Correios com um código enviado por e-mail ou 
definir o recolhimento do item diretamente na residência do consumidor. 
TEMA 4 – AVALIAÇÃO DOS FORNECEDORES 
O que se procura em um parceiro de negócios? Produtos de 
qualidade? Um bom relacionamento entre fornecedor e empresa? 
A avaliação de fornecedores refere-se ao processo de avaliação e 
aprovação de fornecedores potenciais por meio de avaliação quantitativa e 
qualitativa. O objetivo é garantir que um portfólio dos melhores fornecedores 
esteja disponível para uso. Importante lembrar de fazer avaliação do fornecedor 
regularmente (pelo menos duas vezes por ano, mas as melhores organizações 
realizam uma avaliação a cada três meses). A cada vez, deve ser analisado se os 
fornecedores obtiveram melhores pontuações do que antes. 
4.1 Como avaliar subjetivamente um fornecedor? 
Vários são os itens subjetivos que devem ser analisados para que se 
chegue à conclusão que a empresa tem um fornecedor que esteja alinhado com 
a sua política de gestão: 
a) Foco no cliente 
Os fornecedores devem ser analisados principalmente em relação aos 
clientes da empresa matriz. A análise primordial é a busca de respostas na 
dedicação às expectativas da clientela. Um bom parceiro de negócios deve 
 
 
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ter uma compreensão completa das tendências e oportunidades do 
mercado e agir no seu melhor interesse. 
b) Espírito de equipe 
Deve ser verificado se os fornecedores valorizam a diversidade, defendem 
a confiança, o respeito, o compromisso mútuo e o pensamento sem 
fronteiras. 
c) Abordagem de negócios 
Os fornecedores possuem objetivos de negócios cuja base se alinha aos 
seus? Eles aproveitam sua experiência para expandir seus negócios e os 
seus? 
d) Justiça: ao negociar 
Seus fornecedores seguem os mais altos padrões de práticas comerciais 
éticas? Eles exibem um comportamento justo para todas as partes 
interessadas, incluindo seus próprios clientes, funcionários, fornecedores e 
comunidade? 
4.2 Como avaliar o modelo de desempenho do fornecedor 
Mesmo que as informações que descrevemos acima sejam importantes, 
não são facilmente quantificáveis – são úteis para estabelecer um bom 
relacionamento comercial com fornecedores. Para uma abordagem objetiva, aqui 
está um modelo de critérios que deve ser utilizado para avaliar um fornecedor: 
Categoria Critérios 
Capacidade de produção O maquinário atende às normas 
Impacto ambiental Possui selo verde ou medidas que 
preservam a natureza 
Conformidade com as especificações Atende aos requisitos de especificação 
Atende aos padrões ISO 
Atendimento ao cliente Política e prática 
Pesquisas aos clientes 
Sistemas para medir a satisfação do 
cliente 
Apoio e conselhos 
Qualidade dos resultados Certificação 
Sistema documentado 
 
 
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Capacidade Estrutura de pessoal 
Disponibilidade de equipe experiente 
Experiência na indústria 
Estado da tecnologia 
Performance passada 
 
Experiência na área empresarial 
Recomendação de clientes 
Estratégica 
 
Localização 
Networking 
Inovação 
 
Tecnologia de ponta 
Criatividade 
Viabilidade financeira 
 
O fornecedor atende aos principais 
índices financeiros do setor? 
O fornecedor pode fornecer divulgação 
financeira completa? 
Aspectos legais 
 
Cumpre os termos e condições 
Conflito de interesses (existente, 
potencial ou percebido) 
Processos judiciais relacionados a 
questões contratuais (passado ou 
presente) 
Gestão financeira Paga impostos em dia 
Contabilidade efetiva 
Possui seguro 
Análise do patrimônio líquido 
Métodos de pagamento 
Dyer e Nobeoka (2000) explicam algumas práticas de gestão que a Toyota 
vem utilizando para proporcionar o intercâmbio de conhecimento em sua rede de 
fornecedores. 
• Associações de fornecedores: voltadas a trocas de informações técnicas, 
incluindo visitas a fábricas que tenham bom desempenho e análise de 
casos que relatam boas práticas. 
• Equipes de consultoria e de solução de problemas: formadas por 
funcionários da Toyota que divulgam conhecimento dentro de rede 
 
 
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produtiva, gerando resultados como redução de estoque e aumento de 
produtividade. 
• Equipes de aprendizado voluntário, que trabalham a partir de temas 
definidos anualmente, com o objetivo básico de aumentar produtividade. 
• Migração de funcionários entre empresas (de forma definitiva ou 
temporária), que permitem a criação de identidade para a rede e 
transferência de conhecimento. Essas iniciativas foram implantadas 
gradualmente: primeiramente, vieram as associações de fornecedores. Em 
seguida, as equipes de consultoria de solução de problemas e, por fim, as 
equipes de aprendizado voluntário. A lógica desta sequência foi criar, em 
primeiro lugar, laços fortes entre a Toyota e os seus fornecedores, para 
depois desenvolver os laços entre os fornecedores. O aprendizado obtido 
dentro da rede de fornecedores da Toyota gerou resultados que a empresa 
obteve em termos financeiros e de qualidade. Em 2003, o lucro da Toyota 
foi maior do que do lucro combinado da General Motors, da Chrysler e da 
Ford e seus carros apresentam 40% menos problemas do que os das três 
montadoras norte-americanas. 
Outra empresa de grande sucesso que desenvolveu formas de 
relacionamento com seus fornecedores é a Dell. Esse sucesso pode ser medido 
pelo fato de, em apenas 13 anos, a empresa ter atingido um valor de mercado de 
US$ 12 bilhões (Magretta, 1998, p. 73). Magretta (1998) relata práticas da Dell, 
algumas das quais guardam relação com as da Toyota e da Honda mencionadas 
anteriormente: 
• compartilhamento de informações em termos claros e precisos; 
• contratos de fornecimento de longo prazo; 
• pesquisa e desenvolvimento integrados; 
• trabalho em conjunto para detectar falhas e corrigi-las; e 
• confiança na reputação do fornecedor. 
O que ocorre na prática com Toyota e Dell encontra respaldo teórico nas 
proposições de vários autores. 
Parcerias estratégicas sempre deram certo, no entanto, demandam 
investimentos tanto do fornecedor quanto do comprador, mas o mais importante 
é a confiança gerada pelo intercâmbio de informações dada a interação e 
 
 
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relacionamento bem próximos, fazendo com que os produtos e processos sejam 
íntimos. 
TEMA 5 – A LOGÍSTICA LEAN 
O conceito de logística lean está relacionada a um processo logístico que 
evita o desperdício a todo custo. Esse processo é adaptado da 
metodologia lean de produção, adotada inicialmente pela Toyota. “Lean” numa 
tradução livre seria enxuto. Muitos fabricantes estão usando os princípios de 
manufatura enxuta para eliminar desperdícios, otimizar processos, cortar custos, 
impulsionar a inovação e reduzir o tempo de lançamento no mercado em um 
mercado global de ritmo acelerado, volátil e em constante mudança. 
O processo Toyota é baseado em alguns princípios, organizados em duas 
ideias principais: 
1. Filosofia de longo prazo: tome decisões de gestão a longo prazo, mesmo 
às custas dos objetivos financeiros de curto prazo. O processo certo 
produzirá os resultados certos: uma ênfase implacável no processo é 
método para fornecer valor de forma sustentável, equilibrando capacidade 
e demanda, padronizando tarefas e processos repetíveis e criando uma 
cultura de "parar a linha” quando ocorrerem erros, para que os problemas 
possam ser corrigidos assim que surgirem. 
2. Desenvolvimentohumano: o maior ativo de uma organização são as 
pessoas. Portanto, investir, apoiar, incentivar, tratar com respeito são 
práticas que agregam valor à organização e melhoram o ambiente de 
trabalho. Isso inclui funcionários, clientes, vendedores e fornecedores. 
A solução contínua de problemas impulsiona o aprendizado organizacional: 
cada "erro" é um momento de aprendizado. Ao analisar, estudar e discutir 
abertamente quando e como as coisas dão errado, as organizações podem 
aprender e crescer. O papel dos líderes é priorizar o aprendizado em vez da 
perfeição – experimentar e resolver os problemas à medida que surgem e 
compartilhar os aprendizados para que os mesmos erros não se repitam. 
Todos os conceitos podem ser encontrados em implementações modernas 
de manufatura enxuta. No entanto, ao longo do século XX, os conceitos da Toyota 
muitas vezes foram deixados de lado enquanto as empresas formavam suas 
próprias ideias de como a manufatura enxuta poderia contribuir para seu sucesso. 
 
 
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Na tentativa de emular o sucesso da Toyota, muitas empresas traduziram "adotar 
uma postura enxuta" como significado de cortar desperdícios, fazer atalhos e 
cortar pessoas: corte implacável dos desperdícios com nenhuma consideração 
pela saúde do sistema como um todo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Lei n. 8078, de 11 de setembro de1990. Dispõe sobre a proteção do 
consumidor e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 8 dez. 
2021. 
DYER, J. H.; NOBEOKA, K. Criação e gerenciamento de uma rede de 
compartilhamento de conhecimento de alto desempenho: o caso Toyota. Análise 
de gestão estratégica, v. 21, n. 3, p. 345–367, 2000. 
LEITE, P. R. Logística reversa. São Paulo: Prentice Hall, 2003. 
MAGRETTA, J. The power of virtual integration: an interview with Dell Computer's 
Michael Dell. Harvard Business Review, v. 76, n. 2, p. 72–84, mar./apr. 1998.

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