Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
1 
 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
3 
Direito Penal 
Revisão Turbo | 42° Exame da OAB 
 
 
Sumário 
 
Aula 18/11/2024 – turno noite ...................................................................................................... 4 
Aula 19/11/2024 – turno manhã ................................................................................................. 38 
Aula 24/11/2024 – turno noite .................................................................................................... 44 
 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
4 
Aula 18/11/2024 – turno noite 
 
 
 
 
 
 
1. Relação de causalidade 
• Conteúdo que será objeto de resolução de questão na aula de amanhã. 
 
2. Concurso de pessoas 
 
Art. 29. Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este 
cominadas, na medida de sua culpabilidade. 
§ 1º Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto 
a um terço. 
§ 2º Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada 
a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o 
resultado mais grave. 
 
• Autor é aquele quem executa a ação descrita no verbo nuclear do tipo; 
• Partícipe é aquele quem contribui de qualquer modo para a prática delituosa, sem 
executar a ação descrita no verbo nuclear do tipo. É aquele que induz, instiga ou 
auxilia o autor na prática delituosa. 
 
2.1. Requisitos do concurso de pessoas: 
a) Pluralidade de condutas: 
• Para que haja concurso de pessoas, exige-se que cada um dos agentes tenha 
realizado ao menos uma conduta relevante. Pode ser em coautoria, em que há 
duas condutas principais; ou autoria e participação, em que há uma conduta 
principal e outra acessória, praticadas, respectivamente, por autor e partícipe. 
 
b) Relevância causal das condutas: 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
5 
• Para justificar a punição de duas ou mais pessoas em concurso, afigura-se 
necessário que a conduta do agente tenha efetivamente contribuído, ainda que 
minimamente, para a produção do resultado; 
• Se a conduta não tem relevância causal, isto é, se não contribuiu em nada para a 
produção do resultado, não pode ser considerada integrante do concurso de 
pessoas; 
• Imaginemos que a empregada doméstica de uma residência, profundamente 
irritada por ter sido ofendida pela patroa, observa que há uma movimentação 
suspeita no lado externo da casa, concluindo que era alguém observando o local 
para praticar o delito de furto. Para facilitar o sucesso da subtração, a empregada 
deixa aberta a porta da frente da residência. Durante a empreitada criminosa, sem 
saber que a porta da frente se encontrava destrancada, o agente de atitude 
suspeita arrombou a porta dos fundos, ingressou na residência, e subtraiu diversos 
objetos. Diante desse quadro fático, a empregada doméstica não deverá responder 
por qualquer infração penal, uma vez que a sua contribuição foi absolutamente 
irrelevante para o sucesso da subtração. 
 
c) Do liame subjetivo: 
• Exige-se homogeneidade de elemento subjetivo-normativo. Significa que autor e 
partícipe devem agir com o mesmo elemento subjetivo (dolo + dolo) ou normativo 
(culpa + culpa); 
• Os agentes devem atuar conscientes de que participam de crime comum, ainda 
que não tenha havido acordo prévio de vontades. A ausência desse elemento 
psicológico inviabiliza o concurso de pessoas, ensejando condutas isoladas e 
autônomas; 
• Exemplo: uma empregada doméstica, percebendo a presença de um ladrão, para 
vingar-se do patrão, deliberadamente deixa a porta aberta, facilitando a prática do 
furto. Há participação, e, não obstante, o ladrão desconhecia a colaboração da 
empregada. Por consequência, a empregada também responderá pelo crime de 
furto. 
 
d) Identidade de infração para todos os participantes: 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
6 
• Nos termos do art. 29 do CP, todos que concorrem para o crime respondem pelo 
mesmo delito; 
• Exemplo: alguém planeja a realização da conduta típica, ao executá-la, enquanto 
um desvia a atenção da vítima, outro lhe subtrai os pertences e ainda um terceiro 
encarrega-se de evadir-se do local com o produto do furto. É uma exemplar divisão 
de trabalho constituída de várias atividades, convergentes, contudo, a um mesmo 
objetivo típico: subtração de coisa alheia móvel. Respondem todos por um único 
tipo penal, qual seja, furto. 
 
2.2. Participação de menor importância (art. 29, § 1º, CP): 
 
Art. 29 do Código Penal 
§ 1º Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto 
a um terço. 
 
• A participação de menor importância caracteriza-se, pois, pela mínima contribuição 
para a produção do resultado. A conduta do agente efetivamente influencia na 
causa do resultado, mas com reduzida relevância; 
• Imaginemos o agente que apenas deu carona ao comparsa até o local do crime, 
para a prática de um crime de furto. Nesse caso, a conduta do agente se restringiu 
a dar carona, sendo relevante para o furto (pois, se não tivesse dado carona, o furto 
não teria ocorrido da forma como ocorreu), mas foi de menor importância; 
• Logo, o agente responderá pelo crime de furto, mas com causa de diminuição da 
pena de 1/6 a 1/3. 
 
2.3. Cooperação dolosamente distinta: 
 
Art. 29 do Código Penal 
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada 
a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o 
resultado mais grave. 
 
• O agente que desejava praticar um delito, sem a condição de prever a 
concretização de crime mais grave, deve responder pelo que pretendia praticar; 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
7 
• Ex.: “A” determina a “B” que espanque “C”. “B” mata “C”. Segundo o art. 29, § 2º, 
“A” responde por crime de lesão corporal, cuja pena deve ser aumentada até 
metade se a morte da vítima lhe era previsível. 
 
2.4. Incomunicabilidade das circunstâncias pessoais: 
 
Art. 30 do Código Penal 
Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando 
elementares do crime. 
 
• Nos termos do artigo 30 do CP, via de regra, as circunstâncias e condições 
pessoais relacionadas a um dos agentes não se comunica aos outros que 
contribuíram para a prática delituosa. Assim, se um dos agentes é reincidente, essa 
circunstância agravante não se comunicará ao outro, pois se trata de circunstância 
pessoal, que não é elementar de crime; 
• Se integrar o crime, ou seja, for elementar do crime, as circunstâncias ou condições 
pessoais relacionadas a um dos sujeitos se comunicam aos demais coautores ou 
partícipes; 
• Exemplo: “A”, funcionário público, comete um crime de peculato (art. 312 CP), com 
a participação de “B”, não funcionário público. A condição pessoal (funcionário 
público) é elementar do crime de peculato, comunicando-se, portanto, ao agente 
que não é funcionário público. Logo, os dois respondem por crime de peculato. 
• De outro lado, as circunstâncias objetivas alcançam o partícipe ou coautor se, sem 
haver praticado o fato que as constitui, integraram o dolo ou culpa. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
1) FGV – 2022 – OAB – 36° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Túlio e Alfredo combinaram de praticar um roubo contra uma joalheria. Os dois ingressam na loja, e 
Alfredo, com o emprego de arma de fogo, exige que Fernanda, a vendedora, abra a vitrine e entregue os 
objetos expostos. 
Enquantoconduta, aplicando-se o disposto no art. 13, caput, do CP. Trata-
se de causa excludente da tipicidade. 
 
19.2. Obediência hierárquica 
• A hierarquia guarda relação com Direito Público, ou seja, com agentes públicos; 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
36 
• A obediência hierárquica decorre da conduta do subordinado que, por força de 
ordem não manifestamente ilegal emanada por superior hierárquico, pratica fato 
típico e ilícito. Trata-se de exclusão da culpabilidade, consistente na inexigibilidade 
de conduta diversa, prevista no art. 22 do CP; 
• No caso de a ordem não ser manifestamente ilegal, embora constitua fato típico e 
antijurídico, o subordinado não será culpável, em face da inexigibilidade de conduta 
diversa. Diante das circunstâncias, não seria possível exigir do subordinado 
conduta diversa, sob pena, inclusive, de, desobedecendo ordem não 
manifestamente ilegal, responder a procedimento disciplinar; 
• Nesse caso, o subordinado será isento de pena, ao passo que o superior 
hierárquico responderá pelo resultado produzido pelo executor. É o que se extrai 
do art. 22 do CP; 
• Se a ordem for manifestamente ilegal, tanto o superior hierárquico, quanto o 
subordinado responderão pelo delito praticado. Nesse caso, para o superior 
hierárquico incide a agravante genérica descrita no art. 62, III, 1a parte, do CP. E, 
em relação ao subordinado, aplica-se a atenuante prevista no art. 65, III, c, do CP. 
 
20. Territorialidade 
 
Territorialidade 
Art. 5º. Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito 
internacional, ao crime cometido no território nacional 
§ 1º Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as 
embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo 
brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações 
brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no 
espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. 
§ 2º É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou 
embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no 
território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar 
territorial do Brasil. 
 
• Pelo princípio da territorialidade, aplicam-se as leis brasileiras aos delitos 
cometidos dentro do território nacional; 
• Nos termos do art. 5º, § 1º, do CP, há duas situações de território brasileiro por 
equiparação, razão pela qual será aplicada a lei penal brasileira: 
a) embarcações e aeronaves brasileiras de natureza pública ou a serviço do 
governo brasileiro onde estiverem; 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
37 
b) embarcações e aeronaves brasileiras, de propriedade privada, que estiverem 
navegando em alto-mar ou sobrevoando águas internacionais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
38 
Aula 19/11/2024 – turno manhã 
 
Prof. Nidal Ahmad 
 
14) FGV – 2018 – OAB – 25° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Francisco, brasileiro, é funcionário do Banco do Brasil, sociedade de economia mista, e trabalha na 
agência de Lisboa, em Portugal. Passando por dificuldades financeiras, acaba desviando dinheiro do 
banco para uma conta particular, sendo o fato descoberto e julgado em Portugal. Francisco é condenado 
pela infração praticada. Extinta a pena, ele retorna ao seu país de origem e é surpreendido ao ser citado, 
em processo no Brasil, para responder pelo mesmo fato, razão pela qual procura seu advogado. 
Considerando as informações narradas, o advogado de Francisco deverá informar que, de acordo com o 
previsto no Código Penal 
 
A) Ele não poderá responder no Brasil pelo mesmo fato, por já ter sido julgado e condenado em 
Portugal. 
B) Ele somente poderia ser julgado no Brasil por aquele mesmo fato, caso tivesse sido absolvido em 
Portugal. 
C) Ele pode ser julgado também no Brasil por aquele fato, sendo totalmente indiferente a condenação 
sofrida em Portugal. 
D) Ele poderá ser julgado também no Brasil por aquele fato, mas a pena cumprida em Portugal atenua 
ou será computada naquela imposta no Brasil, em caso de nova condenação. 
 
 
15) FGV – 2024 – OAB – 40° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Júlio desferiu um tapa no rosto de Jacinto, que foi projetado contra um poste em que havia um fio de alta 
tensão exposto, algo que não foi visto nem poderia ser imaginado por Júlio, pois já era noite e havia pouca 
iluminação. Jacinto recebeu uma forte descarga elétrica, que foi causa suficiente de sua morte. Sobre a 
responsabilidade de Júlio pelo resultado morte, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Júlio deve responder pelo homicídio doloso de Jacinto, tendo em vista que o resultado morte não 
teria ocorrido se não fosse a agressão dolosa. 
B) A descarga elétrica é uma concausa superveniente relativamente independente que, por si só, 
produziu o resultado morte, devendo Júlio responder por lesão corporal. 
C) Júlio agiu com dolo no delito antecedente e culpa no consequente, devendo responder por delito 
preterdoloso de lesão corporal seguida de morte. 
D) A descarga elétrica pode ser imputada a Júlio, ante a violação objetiva de um dever de cuidado, 
devendo Júlio ser responsabilizado por homicídio culposo. 
 
 
16) FGV – 2023 – OAB – 39° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Caio, lutador de MMA, estava na praia quando viu uma senhora ser agredida por um terceiro. Caio foi em 
direção ao agressor e tentou persuadi-lo a parar com as agressões, mas o agressor não deu ouvidos e 
continuou a agredir a senhora. Dessa forma, Caio não viu outra alternativa a não ser desferir um soco no 
agressor para afastá-lo da senhora e imobilizá-lo em seguida, até a chegada da polícia. Diante do exposto, 
a conduta de Caio pode ser beneficiada pela exclusão da: 
 
A) Tipicidade em razão da coação física irresistível. 
B) Culpabilidade em razão da coação moral irresistível. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
39 
C) Ilicitude em razão do exercício regular de um direito. 
D) Ilicitude por legítima defesa. 
 
 
17) FGV – 2023 – OAB – 39° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
João completou 20 anos e foi colocado em liberdade, após cumprir 3 anos de internação por medida 
socioeducativa em razão da prática de atos infracionais análogos a estupro e furto, conforme sentença 
proferida pelo Juizado da Infância e da Juventude de sua Comarca. Ao ser solto da unidade de internação, 
foi preso em flagrante pela prática do crime de roubo, sendo que João nunca respondeu por outros crimes. 
Para os fins deste novo processo, assinale a afirmativa correta. 
 
A) João é primário e com bons antecedentes, ante a inaptidão de atos infracionais serem utilizados 
como circunstâncias judiciais ou induzir reincidência. 
B) João é reincidente e com maus antecedentes, ante a pluralidade de infrações pretéritas, anteriores 
aos delitos de roubo. 
C) João é tecnicamente primário, porém, com maus antecedentes, sendo este único efeito possível 
gerado pela aplicação de medidas socioeducativas. 
D) João é reincidente ou com maus antecedentes, pois não é possível que a reincidência seja 
também considerada circunstância judicial, ainda que se tratem de condenações distintas. 
 
 
18) FGV – 2023 – OAB – 38° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Luís Alberto, primário, foi condenado a uma pena de oito meses de detenção, em regime inicial aberto, 
por ter agredido sua companheira, causando-lhe lesões corporais. Na qualidade de advogado(a) de Luís 
Alberto, assinale a opção que apresenta o benefício de natureza penal que pode, neste momento 
processual, ser pleiteado em favor do seu assistido. 
 
A) Aplicação de pena restritiva de direito, consistente emprestação de serviços à comunidade. 
B) Suspensão condicional da pena, pelo período de dois anos. 
C) Suspensão condicional do processo, pelo período de dois anos. 
D) Substituição da pena privativa de liberdade por multa. 
 
 
19) FGV – 2022 – OAB – 35° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
No dia 31/12/2020, na casa da genitora da vítima, Fausto, com 39 anos, enquanto conversava com Ana 
Vitória, de 12 anos de idade, sem violência ou grave ameaça à pessoa, passava as mãos nos seios e 
nádegas da adolescente, conduta flagrada pela mãe da menor, que imediatamente acionou a polícia, 
sendo Fausto preso em flagrante. Preocupada com eventual represália e tendo interesse em ver o autor 
do fato punido, em especial porque sabe que Fausto cumpre pena em livramento condicional por 
condenação com trânsito em julgado pelo crime de latrocínio, a família de Ana Vitória procura você, na 
condição de advogado(a), para esclarecimento sobre a conduta praticada. Por ocasião da consulta 
jurídica, deverá ser esclarecido que o crime em tese praticado por Fausto é o de 
 
A) Estupro de vulnerável (Art. 217-A do CP), não fazendo jus Fausto, em caso de eventual 
condenação, a novo livramento condicional. 
B) Importunação sexual (Art. 215-A do CP), não fazendo jus Fausto, em caso de eventual 
condenação, a novo livramento condicional. 
C) Estupro de vulnerável (Art. 217-A do CP), podendo Fausto, em caso de condenação, após 
cumprimento de determinado tempo de pena e observados os requisitos subjetivos, obter novo 
livramento condicional. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
40 
D) Importunação sexual (Art. 215-A do CP), podendo Fausto, em caso de condenação, após 
cumprimento de determinado tempo de pena e observados os requisitos subjetivos, obter novo 
livramento condicional. 
 
Prof. Arnaldo Quaresma 
 
20) FGV – 2024 – OAB – 40° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
O médico João dos Santos, durante a realização de uma cirurgia na perna de um paciente, cometeu um 
erro que acabou provocando a necessária amputação do membro do paciente. A pena cominada à lesão 
corporal culposa é de dois meses a um ano, à lesão corporal grave é de um a cinco anos e à lesão 
corporal gravíssima, de dois a oito anos. 
Sobre a atuação do médico João Santos, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Ele cometeu o crime de lesão corporal culposa, devendo sua conduta ser julgada perante o 
Juizado Especial Criminal, o que, pela pena abstratamente cominada, torna aplicáveis, em tese, 
as medidas despenalizadoras da Lei nº 9.099/95. 
B) Ele, apesar de não ter atuado com dolo, cometeu o crime de lesão corporal gravíssima em razão 
da perda de membro do paciente, não fazendo jus a nenhuma das medidas despenalizadoras da 
Lei nº 9.099/95, devendo o caso ser julgado perante a Vara Criminal. 
C) Ele, apesar de não ter atuado com dolo, cometeu o crime de lesão corporal grave em razão da 
inutilização do membro e, apesar de ser julgado perante a Vara Criminal, fará jus à suspensão 
condicional do processo, medida despenalizadora prevista na Lei nº 9.099/95. 
D) Ele cometeu o crime de lesão corporal gravíssima em razão da perda de membro do paciente, 
apesar de não ter atuado com dolo, e, em função da pena cominada ao delito, fará jus à suspensão 
condicional do processo, medida despenalizadora prevista na Lei nº 9.099/95. 
 
 
21) FGV – 2021 – OAB – 33° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Vitor, embora não tenha prestado concurso público, está exercendo, transitoriamente e sem receber 
qualquer remuneração, uma função pública. Em razão do exercício dessa função pública, Vitor aceita 
promessa de José, particular, de lhe pagar R$ 500,00 (quinhentos reais) em troca de um auxílio 
relacionado ao exercício dessa função. Ocorre que, apesar do auxílio, José não fez a transferência do 
valor prometido. 
Os fatos são descobertos pelo superior hierárquico de Vitor, que o indaga sobre o ocorrido. Na ocasião, 
Vitor confirma o acontecido, mas esclarece que não acreditava estar causando prejuízo para a 
Administração Pública. Em seguida, preocupado com as consequências jurídicas de seus atos, Vitor 
procura seu advogado em busca de assegurar que sua conduta fora legítima. 
Considerando apenas as informações narradas, o advogado de Vitor deverá esclarecer que sua conduta 
 
A) Não configura crime em razão de a função ser apenas transitória, logo não pode ser considerado 
funcionário público para efeitos penais, apesar de o recebimento de remuneração ser dispensável 
a tal conceito. 
B) Não configura crime em razão de não receber remuneração pela prestação da função pública, 
logo não pode ser considerado funcionário público para efeitos penais, apesar de o exercício da 
função transitória não afastar, por si só, tal conceito. 
C) Configura crime de corrupção ativa, na sua modalidade tentada. 
D) Configura crime de corrupção passiva, na sua modalidade consumada. 
 
 
22) FGV – 2021 – OAB – 32° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
41 
Paulo é dono de uma loja de compra e venda de veículos usados. Procurado por um cliente interessado 
na aquisição de um veículo Audi Q7 e não tendo nenhum similar para vender, Paulo promete ao cliente 
que conseguirá aquele modelo no prazo de sete dias. 
No dia seguinte, Paulo verifica que um carro, do mesmo modelo pretendido, se achava estacionado no 
pátio de um supermercado e, assim, aciona Júlio e Felipe, conhecidos furtadores de carros da localidade, 
prometendo a eles adquirir o veículo após sua subtração pela dupla, logo pensando na venda vantajosa 
que faria para o cliente interessado. 
Júlio e Felipe, tranquilos com a venda que seria realizada, subtraíram o carro referido e Paulo efetuou a 
compra e o pagamento respectivo. Dias após, Paulo vende o carro para o cliente. Todavia, a polícia 
identificou a autoria do furto, em razão de a ação ter sido monitorada pelo sistema de câmeras do 
supermercado, sendo o veículo apreendido e recuperado com o cliente de Paulo. 
Paulo foi denunciado pela prática dos crimes de receptação qualificada e furto qualificado em concurso 
material. Confirmados integralmente os fatos durante a instrução, inclusive com a confissão de Paulo, sob 
o ponto de vista técnico, cabe ao advogado de Paulo buscar o reconhecimento do 
 
A) Crime de receptação simples e furto qualificado, em concurso material. 
B) Crime de receptação qualificada, apenas. 
C) Crime de furto qualificado, apenas. 
D) Crime de receptação simples, apenas. 
 
 
23) FGV – 2020 – OAB – 31° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Maria, em uma loja de departamento, apresentou roupas no valor de R$ 1.200 (mil e duzentos reais) ao 
caixa, buscando efetuar o pagamento por meio de um cheque de terceira pessoa, inclusive assinando 
como se fosse a titular da conta. Na ocasião, não foi exigido qualquer documento de identidade. Todavia, 
o caixa da loja desconfiou do seu nervosismo no preenchimento do cheque, apesar da assinatura perfeita, 
e consultou o banco sacado, constatando que aquele documento constava como furtado. 
Assim, Maria foi presa em flagrante naquele momento e, posteriormente, denunciada pelos crimes de 
estelionato e falsificação de documento público, em concurso material. 
Confirmados os fatos, o advogado de Maria, no momento das alegações finais, sob o ponto de vista 
técnico, deverá buscar o reconhecimento 
 
A) Do concurso formal entre os crimes de estelionato consumado e falsificação de documento 
público. 
B) Do concurso formal entre os crimes de estelionato tentado e falsificação de documento particular. 
C) De crime único de estelionato, na forma consumada, afastando-se o concurso de crimes. 
D) De crime único de estelionato, na forma tentada, afastando-se o concurso de crimes. 
 
 
24) FGV – 2021 – OAB – 32° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Francisco foi vítima de uma contravenção penal de vias de fato, pois, enquanto estava de costas para oautor, recebeu um tapa em sua cabeça. Acreditando que a infração teria sido praticada por Roberto, seu 
desafeto que estava no local, compareceu em sede policial e narrou o ocorrido, apontando, de maneira 
precipitada, o rival como autor. 
Diante disso, foi instaurado procedimento investigatório em desfavor de Roberto, sendo, posteriormente, 
verificado em câmeras de segurança que, na verdade, um desconhecido teria praticado o ato. Ao tomar 
conhecimento dos fatos, antes mesmo de ouvir Roberto ou Francisco, o Ministério Público ofereceu 
denúncia em face deste, por denunciação caluniosa. 
Considerando apenas as informações expostas, você, como advogado(a) de Francisco, deverá, sob o 
ponto de vista técnico, pleitear 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
42 
A) A absolvição, pois Francisco deu causa à instauração de investigação policial imputando a 
Roberto a prática de contravenção, e não crime. 
B) Extinção da punibilidade diante da ausência de representação, já que o crime é de ação penal 
pública condicionada à representação. 
C) Reconhecimento de causa de diminuição de pena em razão da tentativa, pois não foi proposta 
ação penal em face de Roberto. 
D) A absolvição, pois o tipo penal exige dolo direto por parte do agente. 
 
 
25) FGV – 2024 – OAB – 40° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Antônio, funcionário público, foi designado como servidor responsável por conduzir a licitação de um 
Hospital Público que desejava adquirir 100.000 (cem mil) doses de um determinado medicamento. 
Patrícia, funcionária da sociedade empresária Medicante Ltda., descobre o contato de Antônio e, de seu 
celular pessoal, manda um áudio no qual se oferece para dividir sua comissão com o funcionário público 
caso a sua empresa fosse a vencedora. O valor da comissão de Patrícia era de R$50.000,00 (cinquenta 
mil reais), em caso de vitória na licitação. 
Antônio, indignado com a proposta de Patrícia, encaminha os fatos aos seus superiores que enviam 
Notícia de Crime à autoridade policial com atribuição para investigar os fatos. 
Tomando por base o fato de não ter havido o pagamento do valor oferecido, assinale a opção que indica 
o crime pelo qual Patrícia poderá ser responsabilizada. 
 
A) Corrupção passiva tentada, na medida em que o crime é material, sendo necessário o efetivo 
pagamento da vantagem indevida para o crime ser consumado. 
B) Corrupção passiva consumada, na medida em que o crime é formal, bastando o oferecimento da 
vantagem ilícita ao servidor público para a sua consumação. 
C) Corrupção ativa tentada, na medida em que o crime é material, sendo necessário o efetivo 
pagamento da vantagem indevida para o crime ser consumado. 
D) Corrupção ativa consumada, na medida em que o crime é formal, bastando o oferecimento da 
vantagem ilícita ao servidor público para a sua consumação. 
 
 
26) FGV – 2019 – OAB – 28° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Frederico, de maneira intencional, colocou fogo no jardim da residência de seu chefe de trabalho, 
causando perigo ao patrimônio deste e dos demais vizinhos da região, já que o fogo se alastrou 
rapidamente, aproximando-se da rede elétrica e de pessoas que passavam pelo local. Ocorre que 
Frederico não se certificou, com as cautelas necessárias, que não haveria ninguém no jardim, de modo 
que a conduta por ele adotada causou a morte de uma criança, queimada, que brincava no local. 
Desesperado, Frederico procura você, como advogado(a), e admite os fatos, indagando sobre eventuais 
consequências penais de seus atos. 
Considerando apenas as informações narradas, o(a) advogado(a) de Frederico deverá esclarecer que a 
conduta praticada configura crime de 
 
A) Homicídio doloso qualificado pelo emprego de fogo. 
B) Incêndio doloso simples. 
C) Homicídio culposo. 
D) Incêndio doloso com aumento de pena em razão do resultado morte. 
 
 
27) FGV – 2018 – OAB – 25° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Flávia conheceu Paulo durante uma festa de aniversário. Após a festa, ambos foram para a casa de 
Paulo, juntamente com Luiza, amiga de Flávia, sob o alegado desejo de se conhecerem melhor. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
43 
Em determinado momento, Paulo, sem qualquer violência real ou grave ameaça, ingressa no banheiro 
para urinar, ocasião em que Flávia e Luiza colocam um pedaço de madeira na fechadura, deixando Paulo 
preso dentro do local. Aproveitando-se dessa situação, subtraem diversos bens da residência de Paulo e 
deixam o imóvel, enquanto a vítima, apesar de perceber a subtração, não tinha condição de reagir. Horas 
depois, vizinhos escutam os gritos de Paulo e chamam a Polícia. 
De imediato, Paulo procura seu advogado para esclarecimentos sobre a responsabilidade penal de Luiza 
e Flávia. 
Considerando as informações narradas, o advogado de Paulo deverá esclarecer que as condutas de 
Luiza e Flávia configuram crime de 
 
A) Roubo majorado. 
B) Furto qualificado, apenas. 
C) Cárcere privado, apenas. 
D) Furto qualificado e cárcere privado. 
 
 
28) FGV – 2017 – OAB – 23° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Catarina leva seu veículo para uma determinada entidade autárquica com o objetivo de realizar a 
fiscalização anual. Carlos, funcionário público que exerce suas funções no local, apesar de não encontrar 
irregularidades no veículo, verificando a inexperiência de Catarina, que tem apenas 19 anos de idade, 
exige R$ 5.000,00 para “liberar” o automóvel sem pendências. 
Catarina, de imediato, recusa-se a entregar o valor devido e informa o ocorrido ao superior hierárquico de 
Carlos, que aciona a polícia. Realizada a prisão em flagrante de Carlos, a família é comunicada sobre o 
fato e procura um advogado para que ele preste esclarecimentos sobre a responsabilidade penal de 
Carlos. 
Diante da situação narrada, o advogado da família de Carlos deverá esclarecer que a conduta praticada 
por Carlos configura, em tese, crime de 
 
A) Corrupção passiva consumada. 
B) Concussão consumada. 
C) Corrupção passiva tentada. 
D) Concussão tentada. 
 
 
29) FGV – 2017 – OAB – 23° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Roberta, enquanto conversava com Robson, afirmou categoricamente que presenciou quando Caio 
explorava jogo do bicho, no dia 03/03/2017. No dia seguinte, Roberta contou para João que Caio era um 
“furtador”. 
Caio toma conhecimento dos fatos, procura você na condição de advogado(a) e nega tudo o que foi dito 
por Roberta, ressaltando que ela só queria atingir sua honra. 
Nesse caso, deverá ser proposta queixa-crime, imputando a Roberta a prática de 
 
A) 1 crime de difamação e 1 crime de calúnia. 
B) 1 crime de difamação e 1 crime de injúria. 
C) 2 crimes de calúnia. 
D) 1 crime de calúnia e 1 crime de injúria. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
44 
Aula 24/11/2024 – turno noite 
 
 
 
 
 
 
 
21. Crimes contra a vida 
21.1. Homicídio 
a) Homicídio simples (art. 121, caput): o homicídio simples se dá por exclusão, ou seja, 
quando não presente nenhuma circunstância qualificadora prevista no parágrafo 2º. Via de regra 
não é considerado crime hediondo, somente se for praticado mediante atividade típica de grupo 
de extermínio. 
b) Homicídio privilegiado (art. 121, § 1º do CP): o artigo 121, § 1º, do Código Penal, 
descreve o homicídio privilegiado como o fato de o sujeito cometer o delito impelido por motivo 
de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a 
injusta provocação da vítima. Neste caso, o juiz pode reduzir a pena de 1/6 a 1/3. 
c) Homicídio qualificado (art. 121, § 2º CP): é o homicídio praticado com circunstâncias 
legais que integram o tipo penal incriminador, alterando para mais a faixa de fixação da pena. 
Dizem respeito aos motivos determinantes do crime e aos meios e modos de execução, 
reveladores de maior periculosidade ou extraordinário grau de perversidade do agente. Portanto, 
da pena de reclusão de 06 a 20 anos,prevista para o homicídio simples, passa-se ao mínimo de 
12 e ao máximo de 30 para a figura qualificada. Tentado ou consumado, o homicídio doloso 
qualificado é crime hediondo, nos termos do artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.072/90. 
d) Feminicídio: a partir da edição da Lei nº 13.104/2015, o crime de homicídio passou a 
ser qualificado também se praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino. 
Nos termos do artigo 121, parágrafo 2º-A, o legislador considera que há razões de 
condição de sexo feminino quando o crime envolve: 
 
I - violência doméstica e familiar; 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
45 
II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher. 
 
Para o STJ a qualificadora do feminicídio pode ser cumulada com o motivo torpe ou fútil 
sem que haja bis in idem. 
e) Lei nº 14.344/2022: com o advento da Lei Henry Borel (Lei nº 14.344 de 2022) o 
homicídio praticado contra menor de 14 anos passou a ser qualificado, nos termos do artigo 121, 
§ 2º, inciso IX do CP. Ademais, o artigo 121, § 2ºB (incluído também pela Lei Henry Borel) elenca 
causas de aumento de pena específicas, quais sejam: 
 
I - 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é pessoa com deficiência ou com doença que 
implique o aumento de sua vulnerabilidade; 
II - 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, 
companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro 
título tiver autoridade sobre ela. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
30) FGV – 2018 – OAB – 25° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Márcia e Plínio se encontram em um quarto de hotel e, após discutirem o relacionamento por várias horas, 
acabaram por se ofenderem reciprocamente. Márcia, então, querendo dar fim à vida de ambo, ingressa 
no banheiro do quarto e liga o gás, aproveitando-se do fato de que Plínio estava dormindo. Em razão do 
forte cheiro exalado, quando ambos já estavam desmaiados, os seguranças do hotel invadem o quarto e 
resgatam o casal, que foi levado para o hospital. Tanto Plínio quanto Márcia acabaram sofrendo lesões 
corporais graves. Registrado o fato na delegacia, Plínio, revoltado com o comportamento de Márcia, 
procura seu advogado e pergunta se a conduta dela configuraria crime. 
Considerando as informações narradas, o advogado de Plínio deverá esclarecer que a conduta de Márcia 
configura crime de 
 
A) Lesão corporal grave, apenas. 
B) Tentativa de homicídio qualificado e tentativa de suicídio. 
C) Tentativa de homicídio qualificado, apenas. 
D) Tentativa de suicídio, por duas vezes. 
 
21.2. Induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou automutilação 
(art. 122 do CP) 
a) Conceito de suicídio: é a morte voluntária, que resulta, direta ou indiretamente, de um 
ato positivo ou negativo, realizado pela própria vítima, a qual sabia dever produzir este resultado. 
O Código Penal leva em conta o ato da vítima, que vem a destruir a própria vida. 
Observação especial: se o ato de destruição é praticado pelo próprio agente haverá o 
crime de homicídio. Da mesma forma se não houver voluntariedade (vítima induzida a erro ou 
obrigada a se matar) haverá o crime de homicídio. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
46 
b) Automutilação: a autolesão não é punida. O que constitui crime é a conduta de induzir, 
instigar ou auxiliar a vítima a se automutilar, ou seja, de causar lesões em si própria. 
c) Ação nuclear: trata-se de um tipo misto alternativo (crime de ação múltipla ou de 
conteúdo variado). 
Induzir significa dar a ideia a quem não possui, inspirar, incutir. Portanto, nessa primeira 
conduta, o agente sugere à vítima que dê fim à sua vida ou se automutile. Instigar é fomentar 
uma ideia já existente. Trata-se, pois, do agente que estimula a ideia que alguém anda 
manifestando. Já o auxílio é a forma mais concreta e ativa de agir, pois significa dar apoio 
material ao ato suicida. 
d) Figuras típicas qualificadas (art. 122, §1º). 
e) Formas majoradas (art. 122, § 3º): 
• Se o crime é praticado por motivo egoístico; 
• Se a vítima é menor; 
• Tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência. 
 
Por fim, é de ressaltar que o suicida com resistência nula, pelos abalos ou situações 
supramencionadas, incluindo-se a idade inferior a 14 anos, haverá o emprego das regras 
especiais estabelecidas nos parágrafos 6º e 7º do CP. 
f) Pacto de morte: é possível que duas ou mais pessoas promovam um pacto de morte, 
deliberando morrer ao mesmo tempo. Se cada uma das pessoas ingerir veneno, de per si, por 
exemplo, aquela que sobreviver responderá por participação em suicídio, tendo por sujeito 
passivo a outra. Se uma delas ministrar diretamente o veneno na outra, a que sobreviver 
responderá por homicídio. Em síntese, os atos executórios contra a própria vida devem partir 
exclusivamente da vítima. 
 
21.3. Infanticídio (art. 123 do CP) 
Princípio da especialidade: 
 
Veja o esquema na página a seguir... 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
47 
 
 
Marco inicial: início do parto (eliminação da vida humana durante o parto ou logo após). 
Antes do início do parto: aborto. 
Atenção ao erro sobre a pessoa: art. 20, §3º, do CP. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
31) FGV – 2012 – OAB – 6° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Grávida de nove meses, Maria se desespera e, visando evitar o nascimento de seu filho, toma um 
comprimido contendo um complexo vitamínico, achando, equivocadamente, tratar-se de uma pílula 
abortiva. Ao entrar em trabalho de parto, poucos minutos depois, Maria dá à luz um bebê saudável. 
Todavia, Maria, sob a influência do estado puerperal, lança a criança pela janela do hospital, causando- 
lhe o óbito. 
Com base no relatado acima, é correto afirmar que Maria praticou 
 
A) Crime de homicídio qualificado pela utilização de recurso que impediu a defesa da vítima. 
B) Em concurso material os crimes de aborto tentado e infanticídio consumado. 
C) Apenas o crime de infanticídio. 
D) Em concurso formal os crimes de aborto tentado e infanticídio consumado. 
 
 
21.4. Aborto 
Divisão: 
 
Veja o esquema na página a seguir... 
 
 
 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
48 
 
 
Eliminação da vida humana intrauterina: 
Marco inicial: nidação. 
Marco final: antes do início do parto (se for após haverá homicídio ou infanticídio). 
ADPF 54: aborto do feto anencefálico (dignidade da pessoa humana). 
Atenção ao crime impossível: art. 17 do CP. 
 
22. Lesão corporal (art. 129 do CP) 
Na lesão corporal o agente atua com animus laedendi, ou seja, age com a intenção de 
produzir uma lesão corporal na vítima. Assim sendo, o agente não tem intenção de matar nem 
assume o risco de produzir o resultado morte, pois, em tal caso, responderia pelo crime de 
homicídio. 
a) Lesão corporal dolosa: lesão corporal dolosa, regra geral, varia de acordo com o grau 
da lesão corporal. 
• Lesão corporal grave: art. 129, §1°; 
• Lesão corporal gravíssima: art. 129, §2°; 
• Lesão corporal seguida de morte: art. 129, §3°. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
49 
A lesão corporal seguida de morte possui natureza preterdolosa, ou seja, deve o agente 
agir com dolo em relação à conduta inicial (lesão corporal) e culpa em relação ao resultado morte. 
Trata-se de crime expressamente subsidiário, somente podendo ser reconhecido na 
impossibilidade do homicídio (se o agente agiu com dolo direto ou dolo eventual em relação ao 
resultado morte). 
b) Lesão corporal culposa (art. 129, §6º): a lesão corporal culposa não varia de acordo 
com a intensidade, sempre será culposa (se agindo com negligência, imprudência ou imperícia). 
c) Lesão corporal especial (art. 129, § 13): se a lesão for praticada contra a mulher, por 
razões da condição do sexo feminino. 
d) Lesão corporal funcional(art. 129, §12): é crime hediondo em se tratando de lesão 
corporal gravíssima ou seguida de morte. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
32) FGV – 2017 – OAB – 23° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Pedro, quando limpava sua arma de fogo, devidamente registrada em seu nome, que mantinha no interior 
da residência sem adotar os cuidados necessários, inclusive o de desmuniciá-la, acaba, acidentalmente, 
por dispará-la, vindo a atingir seu vizinho Júlio e a esposa deste, Maria. 
Júlio faleceu em razão da lesão causada pelo projétil e Maria sofreu lesão corporal e debilidade 
permanente de membro. 
Preocupado com sua situação jurídica, Pedro o procura para, na condição de advogado, orientá-lo acerca 
das consequências do seu comportamento. 
Na oportunidade, considerando a situação narrada, você deverá esclarecer, sob o ponto de vista técnico, 
que ele poderá vir a ser responsabilizado pelos crimes de 
 
A) Homicídio culposo, lesão corporal culposa e disparo de arma de fogo, em concurso formal. 
B) Homicídio culposo e lesão corporal grave, em concurso formal. 
C) Homicídio culposo e lesão corporal culposa, em concurso material. 
D) Homicídio culposo e lesão corporal culposa, em concurso formal. 
 
 
23. Crimes contra a honra 
 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
50 
23.1. Calúnia (art. 138 do CP) 
Imputação falsa de fato definido como crime. Tem certeza de que está imputando um 
crime a um inocente. O fato precisa ser um crime. Via de regra, cabe exceção da verdade. Só 
não caberá exceção da verdade nos casos previstos no parágrafo 3º do artigo 138. 
 
23.2. Injúria (art. 140 do CP) 
Imputação de uma qualidade negativa. A injúria, quando cometida por escrito, admite a 
tentativa; quando por meio verbal, não. 
Nos termos do artigo 140, parágrafo 2º do CP se a injúria consiste em violência ou vias 
de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes haverá a injúria 
real com pena de detenção de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à 
violência. 
Por sua vez, nos termos do artigo 140, parágrafo 3º CP (já com a redação atualizada pela 
Lei nº 14.532/2023) se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a religião ou à 
condição de pessoa idosa ou com deficiência haverá a injúria qualificada com pena de reclusão, 
de 1 a 3 anos e multa. 
Quando o agente se dirige a uma pessoa de determinada raça, insultando-a com 
argumentos ou palavras de conteúdo pejorativo, responderá por injúria racial, nos termos do 
artigo 2º-A da Lei nº 7716 de 1989, com pena de reclusão de 2 a 5 anos e multa não podendo 
alegar que houve uma injúria simples, tampouco uma mera exposição do pensamento (como 
dizer que todo “judeu é corrupto” ou que “negros são desonestos”), uma vez que não há limite 
para tal liberdade. 
Assim, quem simplesmente dirigir a terceiro palavras referentes à “raça”, “cor”, “etnia” ou 
“procedência nacional”, com o intuito de ofender, responderá por injúria racial nos termos do 
dispositivo legal citado. Ademais, vale destacar que, nos termos do parágrafo único do artigo 2º- 
A da Lei nº 7.716/1989 a pena será aumentada de metade se o crime for praticado mediante o 
concurso de duas ou mais pessoas. 
 
23.3. Difamação (art. 139 do CP) 
Imputação de um fato ofensivo à reputação do indivíduo (que não é crime). Pode ser 
contravenção penal. Via de rega, não cabe exceção da verdade. Caberá exceção da verdade se 
a ofensa for dirigida a funcionário público no exercício das funções. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
51 
Causas de aumento de pena (art. 141 do CP): 
• Contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro; 
• Contra funcionário público, em razão de suas funções, ou contra os Presidentes do 
Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo Tribunal Federal; 
• Na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, 
da difamação ou da injúria; 
• Contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência, exceto no 
caso de injúria. 
 
Retratação: 
 
Art. 143 do Código Penal 
O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação, 
fica isento de pena. 
Parágrafo único – Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a difamação 
utilizando-se de meios de comunicação, a retratação dar-se-á, se assim desejar o 
ofendido, pelos mesmos meios em que se praticou a ofensa. 
 
Ação penal: 
 
Art. 145 do Código Penal 
Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa, salvo quando, 
no caso do art. 140, § 2º, da violência resulta lesão corporal. 
Parágrafo único – Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do 
inciso I do caput do art. 141 deste Código, e mediante representação do ofendido, no caso 
do inciso II do mesmo artigo, bem como no caso do § 3º do art. 140 deste Código. 
 
Regra: ação penal privada da vítima ou do seu representante legal. Todavia, resultando 
lesão física na vítima (injúria real com lesão corporal), apura-se o crime mediante ação penal 
pública incondicionada. No entanto, com o advento da Lei nº 9.099/1995, alguns autores 
entendem que se trata de ação penal pública condicionada à representação, já que é a prevista 
para os crimes de lesão corporal leve. 
Será penal pública condicionada à representação no caso de o delito ser cometido contra 
funcionário público, no exercício das funções (art. 141, II), e condicionada à requisição do 
Ministro da Justiça no caso do inciso I do art. 141 (contra o Presidente da República ou Chefe 
de Governo Estrangeiro). 
 
Súmula nº 714 do STF. É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do 
ministério público, condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime 
contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
52 
Por último, vale destacar que a injúria qualificada do parágrafo 3º do artigo 140 será de 
ação penal pública condicionada à representação enquanto a injúria racial (art. 2º-A da Lei nº 
7.716 de 1989) será de ação penal pública incondicionada. 
 
24. Crimes contra o patrimônio 
24.1. Furto 
• Ação nuclear é subtrair, que significa tirar, retirar de outrem bem móvel, sem a sua 
permissão com o fim de assenhoreamento definitivo. A subtração implica sempre a 
retirada do bem sem o consentimento do possuidor ou proprietário; 
• O agente não tem a posse anterior do bem e inverte a posse; 
• É indispensável que o agente tenha a intenção de possuir a coisa alheia móvel, 
submetendo-a ao seu poder, isto é, de não devolver o bem, de forma alguma. É o 
chamado animus rem sibii habendi; 
• Não existe na modalidade culposa. 
 
Para os nossos Tribunais Superiores (STF/STJ), para o furto atingir a consumação basta 
a subtração da coisa, ou seja, a inversão da posse, ainda que por curto espaço de tempo e em 
seguida a perseguição do agente, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada. 
Neste sentido temos a Súmula 582 do STJ (referente ao roubo, mas aplicável por analogia ao 
crime de furto), o RESP 1524450/RJ, o AgRg nº ARESP 1.546.170/SO de 26/11/2019 do STJ e 
o HC 135674 de 27/09/2016 da 2° turma do STF. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
33) FGV – 2024 – OAB – 41° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Amanda, maior e capaz, e Fernando, menor púbere, ingressaram em um supermercado com a intenção 
de furtar mercadorias. Assim, percorreram os corredores do supermercado, logrando coletar cerca de 
R$2.000,00 em mercadorias. 
A ação delituosa levantou a suspeita dos seguranças, que perceberam a ação de ambos pelas câmeras 
de vigilância do supermercado. Por isso, quando Amanda e Fernando se dirigiam à saída do 
estabelecimento, foram abordados pelos vigilantes, ainda dentro do supermercado, momento em que 
lograram realizara prisão em flagrante de Amanda, que foi, então, denunciada por furto qualificado pelo 
concurso de agentes em concurso formal com o delito de corrupção de menores. 
Na qualidade de advogado(a) de Amanda, assinale a opção que apresenta a tese de Direito Penal que, 
corretamente, deve ser sustentada em seu favor. 
 
A) A incidência da causa de diminuição de pena da tentativa. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
53 
B) A incidência do princípio da insignificância, excluindo a tipicidade material do fato. 
C) A absorção do delito de corrupção de menores pela qualificadora do concurso de pessoas. 
D) A tese de atipicidade da conduta, ante a impossibilidade material de consumação do crime. 
 
24.2. Apropriação indébita (art. 168 do CP) 
O pressuposto do crime de apropriação indébita é a anterior posse lícita da coisa alheia, 
da qual o agente se apropria indevidamente. A posse, que deve preexistir ao crime, deve ser 
exercida pelo agente em nome alheio, isto é, em nome de outrem. 
O núcleo do tipo é o verbo “apropriar-se”, que significa fazer sua a coisa alheia. Tendo o 
sujeito a posse ou a detenção do objeto material, em dado momento faz mudar o título da posse 
ou da detenção, comportando-se como se dono fosse. 
 
24.3. Roubo (art. 157 do CP) 
 
 
Ação nuclear: a ação nuclear do tipo, identicamente ao furto, consubstancia-se no verbo 
subtrair, que significa tirar, retirar, de outrem, no caso bem móvel. Agora, contudo, estamos 
diante de um crime mais grave que o furto, na medida em que a subtração é realizada mediante 
o emprego de grave ameaça ou violência contra a pessoa, ou por qualquer outro meio que reduza 
a capacidade de resistência da vítima. 
 
24.3.1. Espécies de roubo 
 
Veja a tabela na página a seguir... 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
54 
Roubo próprio (artigo 157, 
caput) 
• Admite violência ou grave ameaça (violência própria) 
ou violência imprópria (diminuição da capacidade de 
resistência). 
• A violência ou grave ameaça é empregada antes ou 
durante a subtração. 
• A violência ou a grave ameaça é empregada como 
meio para subtrair o bem para si ou para terceiro. 
 
 
 
 
Roubo impróprio (artigo 
157, § 1°) 
• Somente admite a violência ou grave ameaça 
(violência própria). 
• A violência ou a grave ameaça é empregada após a 
subtração. 
• A violência ou grave ameaça é empregada 
• para assegurar a impunidade ou a detenção da coisa 
para si ou para terceiro. 
 
Consumação e tentativa: nos termos da Súmula nº 582 do STJ: 
 
Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem mediante emprego de 
violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à perseguição 
imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e 
pacífica ou desvigiada. 
 
24.4. Estelionato 
a) Ação nuclear: consiste em induzir ou manter alguém em erro, mediante o emprego de 
artifício, ardil, ou qualquer meio fraudulento, a fim de obter, para si ou para outrem, vantagem 
ilícita em prejuízo alheio. A característica primordial do estelionato é a fraude: engodo empregado 
pelo sujeito para induzir ou manter a vítima em erro, com o fim de obter um indevido proveito 
patrimonial. 
O meio de execução deve ser apto a enganar a vítima. Tratando-se de meio grotesco, que 
facilmente demonstra a intenção fraudulenta, não há nem tentativa, por atipicidade do fato. 
b) Consumação e tentativa: trata-se de crime material. Consuma-se com a obtenção da 
vantagem ilícita indevida, em prejuízo alheio, ou seja, quando o agente aufere o proveito 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
55 
econômico, causando dano à vítima. Via de regra, esses resultados ocorrem simultaneamente. 
Há, assim, ao mesmo tempo, a obtenção de proveito pelo estelionatário e o prejuízo da vítima. 
A tentativa é perfeitamente possível, por exemplo, no caso em que o agente por 
circunstâncias alheias à sua vontade não consiga obter o prejuízo em detrimento da vítima. 
Considerações importantes! Falsidade documental como fraude para a prática do 
estelionato: imagine que o agente pratique uma falsidade documental (falsidade de documento 
público, particular ou ideológica) como meio para induzir ou manter a vítima em erro e desta 
forma obter a vantagem ilícita e causar prejuízo alheio. Exemplo: o agente falsifica um cheque 
para comprar em determinada rede de estabelecimentos comerciais. O STJ, na Súmula nº 17, 
entende pela absorção do delito de falso pelo estelionato, desde que não haja mais 
potencialidade lesiva. 
c) Fraude no pagamento por meio de cheque (art. 171, § 2°, inciso VI do CP): se o 
indivíduo emite um cheque na certeza de que tem fundos disponíveis para o devido pagamento 
pelo banco, quando na realidade não há qualquer numerário depositado na agência bancária, 
não se pode falar em ilícito criminal, ante a ausência de má-fé. 
O que a lei penal pune é o pagamento fraudulento. Nesse sentido é o teor da Súmula nº 
246 do STF: “comprovado não ter havido fraude, não se configura o crime de emissão de cheque 
sem fundos”. 
Podemos destacar que diante das alterações promovidas pela Lei nº 14.155 de 2021 
essa súmula perdeu o objeto, uma vez que no parágrafo 4º do artigo 70 do CPP o juízo 
competente será o do domicílio da vítima. 
Arrependendo-se o agente antes da apresentação do título pelo beneficiário no banco 
sacado, e depositando o numerário necessário para cobrir a quantia constante do cheque, haverá 
arrependimento eficaz, não respondendo ele por crime algum. 
Se, por outro lado, o agente arrepender-se somente após a consumação do crime, ou 
seja, após a recusa do pagamento pelo banco sacado, incidirá a Súmula nº 554 do STF: “O 
pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos, após o recebimento da denúncia, não 
obsta ao prosseguimento da ação penal”. Assim, o pagamento do cheque antes do recebimento 
da denúncia extingue a punibilidade do agente. 
d) Lei nº 14.155/2021: cumpre ressaltar que a Lei nº 14.155/2021, a qual entrou em vigor 
em 27 de maio de 2021, acrescentou os parágrafos 2°-A e 2°-B: 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
56 
§ 2º-A. A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se a fraude é cometida 
com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzido a erro por 
meio de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico fraudulento, ou 
por qualquer outro meio fraudulento análogo. 
§ 2º-B. A pena prevista no § 2º-A deste artigo, considerada a relevância do resultado 
gravoso, aumenta-se de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado mediante 
a utilização de servidor mantido fora do território nacional. 
 
e) Ação penal (art. 171, § 5° do CP): com o advento da Lei nº 13.964/19, a qual incluiu o 
parágrafo 5° no artigo 171 do CP, o qual dispõe que a regra da ação penal no crime de estelionato 
será pública condicionada à representação, com exceção nos casos em que a administração 
pública (direta ou indireta), criança ou adolescente, pessoa com deficiência mental ou maior de 
70 anos de idade ou incapaz forem vítimas, hipóteses em que a ação penal será pública e 
incondicionada. 
 
24.5. Extorsão (art. 158 do CP) 
 
Art. 158 do Código Penal: 
Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para 
si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de 
fazer alguma coisa: 
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. 
(Causas de aumento de pena): 
§ 1º Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, aumenta- 
se a pena de um terço até metade. 
(Extorsão Qualificada): 
§ 2º Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo anterior. 
(Sequestro-Relâmpago): 
§ 3º Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essacondição 
é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) 
a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as 
penas previstas no art. 159, §§ 2º e 3º, respectivamente. 
 
 
a) Conduta típica: extorsão é o fato de o sujeito constranger alguém, mediante violência 
ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, 
a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
57 
A diferença em relação ao roubo concentra-se no fato de a extorsão exigir a participação 
ativa da vítima fazendo alguma coisa, tolerando que se faça ou deixando de fazer algo em virtude 
da ameaça ou da violência sofrida. 
b) Consumação: a extorsão atinge a consumação com a conduta típica imediatamente 
anterior à produção do resultado visado pelo sujeito. 
Para a consumação, portanto, o agente deve atingir o segundo estágio, isto é, a 
consumação ocorre quando a vítima cede ao constrangimento imposto e faz ou deixa de fazer 
algo. Esse é o entendimento que prevalece na doutrina. Nesse sentido, a Súm. no 96 do STJ: 
“O crime de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da vantagem indevida”. 
A tentativa é admissível. Ocorre quando o sujeito passivo, não obstante constrangido pelo 
autor por meio da violência física ou moral, não realiza a conduta positiva ou negativa pretendida, 
por circunstâncias alheias à sua vontade. 
c) Extorsão qualificada (art. 158, §2º): as duas hipóteses (lesão corporal grave ou morte) 
elencadas, como no roubo, caracterizam condições de exasperação da punibilidade em razão 
da maior gravidade do resultado. 
Inusitadamente, o legislador deixou de considerar hediondo o crime de extorsão 
qualificada pelo resultado morte, ao dar nova redação ao art. 1o, III, da Lei nº 8.072/1990, que 
passou a prever como crime hediondo somente a extorsão qualificada pela restrição da liberdade 
da vítima, ocorrência de lesão corporal ou morte (art. 158, § 3º). 
d) Sequestro-relâmpago (art. 158, §3º): nada mais é do que uma modalidade qualificada 
do delito de extorsão, na qual a privação da liberdade da vítima é condição indispensável para 
obtenção da vantagem econômica pretendida pelo agente. 
Trata-se de crime hediondo, nos termos do artigo 1º, inciso III da lei 8.072/90. 
e) Diferença para a extorsão mediante sequestro (art. 159): no artigo 158, parágrafo 
3° o agente depende do comportamento da vítima para conseguir a vantagem econômica 
indevida, a qual é prestada pela própria vítima. Já no delito de extorsão mediante sequestro a 
vantagem necessariamente é prestada por pessoa diversa daquela que tem a liberdade 
restringida. 
Ademais, no sequestro-relâmpago a restrição da liberdade da vítima é tão somente pelo 
tempo necessário para o agente obter a vantagem indevida, razão pela qual entende a doutrina 
que se o agente restringir a liberdade da vítima por tempo além do necessário para obter a 
vantagem indevida haverá o crime do artigo 159, ainda que a própria vítima preste a vantagem. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
58 
24.6. Extorsão mediante sequestro (art. 159 CP) 
 
Art. 159 do Código Penal 
Sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como 
condição ou preço do resgate: 
Pena - reclusão, de oito a quinze anos. 
(Figura qualificada I): 
§ 1º Se o sequestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas, se o sequestrado é menor de 
18 (dezoito) ou maior de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é cometido por bando ou 
quadrilha. 
Pena - reclusão, de doze a vinte anos. 
(Figura qualificada II): 
§ 2º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave. Pena - reclusão, de dezesseis 
a vinte e quatro anos. 
(Figura qualificada III): 
§3º - Se resulta a morte: 
Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos 
(Delação premiada/diminuição de pena): 
§ 4º - Se o crime é cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade, 
facilitando a libertação do sequestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços. 
 
a) Conduta típica: o crime consubstancia-se no verbo sequestrar, que significa privar a 
vítima de sua liberdade de locomoção, ainda que por breve espaço de tempo. Exige a presença 
de um elemento subjetivo específico, consistente na finalidade de obtenção, para si ou para 
outrem, de qualquer vantagem como condição ou preço de resgate. É crime hediondo. 
b) Consumação: a consumação ocorre com a privação de liberdade de locomoção da 
vítima, exigindo-se tempo juridicamente relevante. Trata-se de crime permanente, cuja 
consumação se prolonga no tempo. Assim, enquanto a vítima estiver submetida à privação de 
sua liberdade de locomoção, o crime estará em fase de consumação. 
Tratando-se de crime formal, pune-se a mera atividade de sequestrar pessoa, tendo a 
finalidade de obter vantagem. Assim, embora o agente não consiga a vantagem almejada, o 
delito está consumado quando a liberdade da vítima é cerceada. 
 
 
 
24.7. Dano 
 
Art. 163 do Código Penal: 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
59 
Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia: 
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 
(Dano Qualificado): 
Parágrafo único - Se o crime é cometido: 
I - com violência à pessoa ou grave ameaça; 
II - com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais 
grave 
III - contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de 
autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa 
concessionária de serviços públicos; 
IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima: 
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa, além da pena correspondente à 
violência. 
(Ação Penal): 
Art. 167 - Nos casos do art. 163, do inciso IV do seu parágrafo e do art. 164, somente se 
procede mediante queixa. 
 
Observações importantes: destruir quer dizer arruinar, extinguir ou eliminar. Inutilizar 
significa tornar inútil ou imprestável alguma coisa aos fins para os quais se destina. Deteriorar é 
a conduta de quem estraga ou corrompe alguma coisa parcialmente. 
O delito de dano somente é punido na forma dolosa, não havendo punição para a forma 
culposa. 
De acordo com o art. 167, a ação penal privada é cabível no crime de dano simples 
(art.163, caput, do CP) e dano qualificado pelo motivo egoístico ou prejuízo considerável. 
A ação penal pública incondicionada é cabível nas demais hipóteses. 
 
24.8. Receptação 
 
Art. 180 do Código Penal 
Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que 
sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou 
oculte: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
(Receptação qualificada): 
§ 1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, 
remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou 
alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto 
de crime: 
Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa. 
§ 2º - Equipara-se à atividade comercial, para efeito do parágrafo anterior, qualquer forma 
de comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercício em residência. 
(Receptação culposa): 
§ 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor 
e o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio 
criminoso: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa, ou ambas as penas. 
(Dispositivos importantes): 
§ 4º - A receptação é punível, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime 
de que proveio a coisa. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
60 
§ 5º - Na hipótese do § 3º, se o criminosoé primário, pode o juiz, tendo em consideração 
as circunstâncias, deixar de aplicar a pena. Na receptação dolosa aplica-se o disposto no 
§ 2º do art. 155 
§ 6º - Tratando-se de bens do patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de 
Município ou de autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia 
mista ou empresa concessionária de serviços públicos, aplica-se em dobro a pena prevista 
no caput deste artigo. 
 
Observações importantes: nos termos do art. 180, caput, do CP, a receptação é o fato 
de adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que 
sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte. 
Já a forma qualificada é praticada no exercício de atividade comercial ou industrial e tem 
como elemento subjetivo o dolo, seja direto ou eventual. 
É pressuposto do crime de receptação a existência de crime anterior. Trata-se de delito 
acessório, em que o objeto material deve ser produto de crime antecedente, chamado de delito 
pressuposto. 
Para a concretização do crime de receptação não importa se houve a condenação do 
autor do crime anterior. Porém, é necessário evidenciar-se a existência do crime anterior. 
A receptação culposa constitui o fato de o sujeito adquirir ou receber coisa que, por sua 
natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece, 
deve presumir-se obtida por meio criminoso (art. 180, § 3º). 
Nos termos do art. 180, § 5º, 1ª parte, do CP, na hipótese da receptação culposa, se o 
criminoso é primário, deve o juiz, tendo em consideração determinadas circunstâncias, deixar de 
aplicar a pena. No caso, fixaram a doutrina e a jurisprudência que, além da primariedade, deve- 
se exigir o seguinte: a) diminuto valor da coisa objeto da receptação; b) bons antecedentes; c) 
ter o agente atuado com culpa levíssima. 
 
 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
61 
 
 
24.9. Disposições gerais (art. 181 a 183 do CP) 
 
Art. 181 do Código Penal 
É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em prejuízo: 
I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal; 
II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou 
natural. 
Art. 182 do Código Penal 
Somente se procede mediante representação, se o crime previsto neste título é cometido 
em prejuízo: 
I - do cônjuge desquitado ou judicialmente separado; 
II - de irmão, legítimo ou ilegítimo; 
III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita 
Art. 183 do Código Penal 
Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores: 
I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave 
ameaça ou violência à pessoa; 
II - ao estranho que participa do crime. 
III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos 
 
a) Imunidade absoluta (art. 181 do CP): trata-se da chamada imunidade penal absoluta, 
também conhecida como escusa absolutória, incidente sobre os crimes contra o patrimônio, nas 
seguintes hipóteses: 
 
I – do cônjuge, na constância da sociedade conjugal; 
II – de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou 
natural. 
 
b) Imunidade relativa (art. 182, I, II e III, do CP): consubstancia-se em imunidade penal 
relativa ou processual, que não extingue a punibilidade, mas tão somente impõe uma condição 
objetiva de procedibilidade. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
62 
Neste caso, ao contrário da imunidade absoluta, o autor do crime não é isento de pena, 
mas os crimes de ação penal pública incondicionada passam a ser condicionados à 
representação do ofendido. 
c) Exclusão de imunidade ou privilégio (art. 183 do CP): dá-se nas seguintes 
hipóteses: 
 
I – se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave 
ameaça ou violência à pessoa; 
II – ao estranho que participa do crime; 
III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) 
anos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
63 
 
 
 Resolva a questão a seguir: 
34) FGV – 2022 – OAB – 36° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Américo é torcedor fanático de um grande clube brasileiro, que disputa todos os principais campeonatos 
nacionais e internacionais. Américo recebeu a notícia de que seu clube iria jogar uma partida no estádio 
de sua cidade, porém, ao tentar adquirir os ingressos, descobriu que estes já haviam se esgotado. André, 
seu vizinho, torcedor do time rival, sempre incomodado com os gritos de comemoração que Américo 
soltava em dias de jogo, resolveu se vingar, oferecendo ingressos falsos para Américo. Sem saber da 
falsidade, Américo aceitou a oferta, porém, no momento da concretização do pagamento, percebeu, por 
sua acurada expertise no tema ingressos de futebol, que os ingressos eram falsos. 
Com base na situação hipotética, é correto afirmar que a conduta de André corresponde ao crime de 
 
A) “Cambismo”, do Estatuto do Torcedor, na modalidade tentada. 
B) Falsificação de documento público. 
C) Estelionato, na modalidade tentada. 
D) Uso de documento falso. 
 
25. Crimes contra a dignidade sexual 
25.1. Ação penal 
 
Art. 225 do Código Penal 
Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste Título, procede-se mediante ação penal 
pública incondicionada. 
 
25.2. Causas de aumento de pena 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
64 
 
Art. 226 do Código Penal 
A pena é aumentada: 
I – de quarta parte, se o crime é cometido com o concurso de 2 (duas) ou mais pessoas; 
II - de metade, se o agente é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, 
companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro 
título tiver autoridade sobre ela; 
III – revogado; 
IV - de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado: 
a) mediante concurso de 2 (dois) ou mais agentes; 
b) para controlar o comportamento social ou sexual da vítima. 
 
25.3. Estupro 
 
Art. 213 do Código Penal 
Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a 
praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: 
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. 
 
 
 
Tipo penal misto alternativo: desta feita, se o agente no mesmo contexto fático praticar 
ato libidinoso diverso e conjunção carnal mediante violência ou grave ameaça contra a mesma 
vítima haverá apenas um crime de estupro e não concurso de crimes. 
Prescindibilidade do contato físico entre o agente e a vítima: pode-se falar em crime 
de estupro mesmo que não haja contato físico. 
Estupro qualificado: 
 
Art. 213 do Código Penal 
§ 1º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 
(dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: 
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos. 
§ 2º Se da conduta resulta morte: 
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. 
 
25.4. Estupro de vulnerável (art. 217-A do CP) 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
65 
Ter conjunção carnal ou praticar ato libidinoso diverso com menor de 14 anos (ainda que 
não haja violência, ainda que haja o consentimento da vítima). Neste sentido vale destacar que 
nos termos da súmula 593 do STF e do parágrafo 5 do artigo 217-a do CP a presunção de 
vulnerabilidade será absoluta. 
Outras pessoas consideradas vulneráveis: 
 
Art. 217-A do Código Penal 
§ 1º Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, 
por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática 
do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência. 
 
Atenção especial: deve o agente ter ciência da condição de vulnerabilidade da vítima. 
caso o agenteerra sobre tal condição, como por exemplo, acreditar que está mantendo relação 
sexual com alguém maior de 18 anos quando na verdade tinha menos de 14 anos poderá alegar 
o erro de tipo, tornando o fato atípico (erro de tipo). 
 
25.5. Assédio Sexual (art. 216-A do CP) 
 
Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, 
prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência 
inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função. 
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos. 
Parágrafo único. (VETADO) 
§ 2º A pena é aumentada em até um terço se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos. 
 
O crime só pode ser praticado por superior hierárquico ou ascendente em relação de 
emprego, cargo ou função da vítima ou com ela tenha ascendência inerente ao exercício de 
emprego. 
Já o sujeito passivo é aquele na condição especial de subalterno ou subordinado do autor, 
importante ressaltar que o tipo penal não faz menção a sexo, podendo assim admitir o crime de 
assédio entre pessoas do mesmo sexo. 
No que tange à tipicidade subjetiva, podemos concluir que o legislador pune somente a 
forma dolosa, consistente na vontade consciente de constranger a vítima, aliado a finalidade 
especial de obter vantagem ou favorecimento sexual. 
O crime em questão possui natureza formal, se consumando no momento que ocorrem 
os atos que importem em constranger a vítima, não havendo necessidade que aconteçam os 
atos efetivamente que impliquem nas vantagens ou favorecimento sexual exigidos pelo agente. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
66 
Embora difícil a identificação é admissível a tentativa, por exemplo, na forma escrita um 
bilhete que se extravia contendo proposta indecorosa. 
 
26. Crimes contra a fé pública 
26.1. Conceito de fé pública 
A Fé Pública que pode ser entendida como a presunção de legitimidade e de veracidade 
que os documentos e os procedimentos públicos possuem, ou seja, basicamente a crença de 
que os documentos e procedimentos públicos são verdadeiros e estão em consonância com a 
lei. 
 
26.2. Inexistência de crimes culposos 
Os crimes contra a fé pública são exclusivamente dolosos, não havendo previsão de 
modalidade culposa. 
Observação especial: há tipos penais contra a fé pública que além do dolo exigem uma 
finalidade especial do agente, tais como o crime de fraudes em certames de interesse público 
(art. 311-A), falsidade ideológica (art. 299 do CP) e falsa identidade (art. 307 do CP). 
 
26.3. Incriminação autônoma de atos preparatórios 
O legislador, no artigo 291 e no artigo 294, incrimina, de forma autônoma, atos 
preparatórios de outros crimes: 
 
Petrechos para falsificação de moeda 
Art. 291 - Fabricar, adquirir, fornecer, a título oneroso ou gratuito, possuir ou guardar 
maquinismo, aparelho, instrumento ou qualquer objeto destinado à falsificação de moeda: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa. 
Petrechos de falsificação (papéis públicos) 
Art. 294 - Fabricar, adquirir, fornecer, possuir ou guardar objeto especialmente destinado 
à falsificação de qualquer dos papéis referidos no artigo anterior: 
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. 
 
26.4. Exigência da imitatio veri 
É a aptidão do objeto falsificado para enganar, ou seja, é a semelhança com o produto 
original. Assim sendo se a falsificação for grosseira não haverá lesão à fé pública, podendo 
subsistir outros crimes como o estelionato por exemplo. 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
67 
Súmula nº 73 do STJ: a utilização de papel-moeda grosseiramente falsificado configura, 
em tese, o crime de estelionato, da competência da justiça estadual. 
 
26.5. Principais crimes contra a fé pública 
a) Falsificação de documento público (art. 297): este artigo trata da falsidade material, 
ou seja, aquela que diz respeito à forma do documento. As ações nucleares se consubstanciam 
nos verbos: 
 
 
 
O crime consuma-se com a falsificação ou alteração do documento, sendo prescindível o 
uso efetivo deste. 
A tentativa é possível, pois há um iter criminis que pode ser fracionado. A tentativa 
ocorrerá se, por exemplo, o agente, estando no início do processo de formação da escritura 
pública falsa, tendo preenchido apenas algumas linhas, é surpreendido por terceiro. Nessa 
hipótese, não ocorreu ainda a contrafação total do documento, portanto o crime reputa-se 
tentado. 
Aplica-se a Súmula nº 17 do STJ: “Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais 
potencialidade lesiva, é por este absorvido”. Trata-se da aplicação da regra de que o crime-fim 
absorve o crime-meio. 
b) Falsificação de documento particular (art. 298): também se trata de falsidade 
material, ou seja, aquela que diz respeito à forma do documento. A consumação e a tentativa, 
neste crime, funcionam da mesma forma como no crime de Falsificação de Documento Público. 
 
Veja o esquema na página a seguir... 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
68 
 
 
c) Falsidade ideológica: diferentemente dos delitos precedentes, estamos agora diante 
da chamada falsidade ideológica, aquela em que o documento é formalmente perfeito, sendo, 
no entanto, falsa a ideia nele contida. O sujeito tem legitimidade para emitir o documento, mas 
acaba por inserir-lhe um conteúdo sem correspondência com a realidade dos fatos. 
 
 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
69 
d) Uso de documento falso: 
 
Art. 304 do Código Penal 
Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 
a 302. 
Pena - a cominada à falsificação ou à alteração. 
 
Súmula nº 546 do STJ: A competência para processar e julgar o crime de uso de 
documento falso é firmada em razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado o 
documento público, não importando a qualificação do órgão expedidor. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
35) FGV – 2018 – OAB – 27° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Talles, desempregado, decide utilizar seu conhecimento de engenharia para fabricar máquina destinada 
à falsificação de moedas. Ao mesmo tempo, pega uma moeda falsa de R$ 3,00 (três reais) e, com um 
colega também envolvido com falsificações, tenta colocá-la em livre circulação, para provar o sucesso da 
empreitada. 
Ocorre que aquele que recebe a moeda percebe a falsidade rapidamente, em razão do valor suspeito, e 
decide chamar a Polícia, que apreende a moeda e o maquinário já fabricado. Talles é indiciado pela 
prática de crimes e, já na Delegacia, liga para você, na condição de advogado(a), para esclarecimentos 
sobre a tipicidade de sua conduta. 
Considerando as informações narradas, em conversa sigilosa com seu cliente, você deverá esclarecer 
que a conduta de Talles configura 
 
A) Atos preparatórios, sem a prática de qualquer delito. 
B) Crimes de moeda falsa e de petrechos para falsificação de moeda. 
C) Crime de petrechos para falsificação de moeda, apenas. 
D) Crime de moeda falsa, apenas, em sua modalidade tentada. 
 
27. Crimes contra a administração pública 
27.1. Súmula nº 599 do STJ 
A Súmula nº 599 do STJ, diante da especificidade do bem jurídico moralidade 
administrativa e da dificuldade de se precisar um valor, veda a aplicação do princípio da 
insignificância aos crimes contra a administração pública. A exceção diz respeito ao crime de 
descaminho, previsto no artigo 334 do CP, no qual STF e STJ reconhecem a insignificância para 
valores até R$ 20.000,00. 
 
27.2. Conceito de funcionário público 
Conceito de funcionário público para fins penais: art. 327 do CP. 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
70 
 
 
27.3. Principais crimes praticados por funcionário público contra a 
administração pública em geral 
27.3.1. Peculato (art. 312, do CP) 
O peculato próprio, na realidade, constituiuma apropriação indébita, só que praticada por 
funcionário público com violação do dever funcional. Antes de ser uma ação lesiva aos interesses 
patrimoniais da Administração Pública, é principalmente uma ação que fere a moralidade 
administrativa, em virtude de quebra do dever funcional. 
a) Peculato-apropriação (artigo 312, “caput”, 1ª parte do CP): é o denominado 
peculato próprio. A ação nuclear típica consubstancia-se no verbo apropriar. Assim como no 
crime de apropriação indébita, o agente tem a posse (ou detenção) lícita do bem móvel, público 
ou particular, e inverte esse título, pois passa a comportar-se como se dono fosse, isto é, 
consome-o, aliena-o. 
b) Peculato-desvio (artigo 312, “caput”, 2ª parte do CP): é o denominado peculato 
próprio. Está previsto na segunda parte do caput do art. 312: “ou desviá-lo, em proveito próprio 
ou alheio”. O agente tem a posse da coisa e lhe dá destinação diversa da exigida por lei, agindo 
em proveito próprio ou de terceiro. 
Observação importante: não confundir peculato-desvio com o peculato-uso que é fato 
atípico, uma vez que no peculato de uso há o ânimo de temporariedade com a intenção de 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
71 
posterior restituição de determinado bem infungível, por exemplo, no caso do policial que se 
utiliza da viatura para levar o seu filho ao colégio. 
Sujeitos do delito: trata-se de crime próprio. Somente o funcionário público (art. 327, 
caput) e as pessoas a ele equiparadas legalmente (art. 327, §§1º e 2º) podem praticar o delito 
de peculato. 
A condição especial funcionário público, como elementar do crime de peculato, comunica- 
se ao particular que eventualmente concorra, na condição de coautor ou partícipe, para a prática 
do crime, nos termos da previsão do art. 30 do CP. Portanto, é perfeitamente possível o concurso 
de pessoas, dada a comunicabilidade da elementar do crime (art. 30). 
 
 
 
c) Peculato-furto (artigo 312, parágrafo 1º do CP): é o denominado peculato impróprio. 
Estamos agora diante de um crime de furto, só que praticado por funcionário público, o qual se 
vale dessa qualidade para cometê-lo. Aqui o agente não tem a posse ou detenção do bem como 
no peculato-apropriação ou desvio, mas se vale da facilidade que lhe proporciona a qualidade 
de funcionário público para realizar a subtração. 
 
 
 
d) Peculato culposo (artigo 312, parágrafo 2° do CP): o funcionário para ser punido 
insere-se na figura do garante, prevista no art. 13, § 2º. Assim, tem ele o dever de agir, impedindo 
o resultado de ação delituosa de outrem. Não o fazendo, responde por peculato culposo. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
72 
Extinção da punibilidade no peculato culposo – art. 312, § 3º: deve ser completa e 
não exclui eventual sanção administrativa contra o funcionário. A extinção da punibilidade 
somente aproveita o funcionário, autor do peculato culposo. 
Consoante a segunda parte do § 3º, no crime culposo, se a reparação do dano é posterior 
à sentença irrecorrível, isto é, transitada em julgado, haverá a redução de metade da pena 
imposta. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
36) FGV – 2023 – OAB – 38° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Francisco, funcionário público concursado de uma autarquia federal, recebeu de seu órgão de atuação 
um notebook funcional, tendo assinado o livro de carga referente ao objeto e assumido o compromisso 
de zelar pelo bem da administração. Durante suas férias, Francisco viaja para uma pousada no interior 
do estado de São Paulo e leva o computador na mochila, uma vez que tinha o costume de assistir séries 
através do aparelho. Durante sua estadia na pousada, Francisco leva o notebook para a piscina e o coloca 
na mesa onde deixara seus demais pertences. Após se ausentar por cerca de 40 minutos para jogar uma 
partida de futebol, retorna para a piscina e constata que o notebook fora furtado. Desesperado, procura 
a administração do local que após analisar as câmeras de segurança não consegue identificar quem teria 
subtraído o computador. 
Diante dos fatos, o órgão funcional ao qual Francisco era vinculado instaura procedimento administrativo 
e, ato contínuo, encaminha pedido de instauração de Inquérito na Polícia Federal que culmina no 
oferecimento de denúncia por parte do Ministério Público Federal pela prática do crime de peculato 
culposo. Francisco procura a repartição pública e se oferece para pagar o valor referente ao notebook, o 
que é aceito, sendo certo que o ressarcimento ao erário se deu antes do julgamento da ação penal. 
Diante dos fatos narrados, é correto afirmar que Francisco 
 
A) Terá direito à redução de metade da pena pelo fato de o ressarcimento ter sido feito após o recebimento 
da denúncia. 
B) Terá direito à extinção da punibilidade pelo fato de o ressarcimento ter sido feito antes da sentença 
irrecorrível. 
C) Não terá direito à atenuante referente à reparação do dano, prevista no Art. 65, inciso III, alínea b, do 
CP, na medida em que esta exige a reparação do dano antes do recebimento da denúncia. 
D) Poderá ser beneficiado pelo arrependimento posterior, previsto no Art. 16 do Código Penal em razão 
de ter reparado o dano antes da sentença. 
 
 
27.3.2. Concussão (art. 316, do CP) 
Ação nuclear: a ação nuclear consubstancia-se no verbo exigir, isto é, ordenar, 
reivindicar, impor como obrigação. 
A vítima cede às exigências formuladas pelo agente ante o temor de represálias 
relacionadas ao exercício da função pública por ele exercida. Assim, não é necessária a 
promessa da causação de um mal determinado; basta o temor que autoridade inspira. 
Consumação e tentativa: trata-se de crime formal. A consumação ocorre com a mera 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
73 
exigência da vantagem indevida, independentemente de sua efetiva obtenção. Se esta 
sobrevém, há mero exaurimento do crime. É possível a tentativa, tendo em vista em que o crime 
é plurissubsistente, ou seja, admite o fracionamento em mais de um ato executório. 
 
27.3.3. Excesso de exação (art. 316, parágrafos 1° e 2° do CP) 
Modalidades: são duas as modalidades previstas: 
1) Exigência indevida: aqui a exigência do tributo ou contribuição social é indevida 
(elemento normativo do tipo), isto é, não há autorização legal para sua cobrança, 
ou seu valor já foi quitado pela vítima, ou então se refere a quantia excedente à 
fixada por lei; 
2) Cobrança vexatória ou gravosa não autorizada em lei (excesso no modo de exação 
ou exação fiscal vexatória): ao contrário da modalidade criminosa precedente, aqui 
a exigência de tributo ou contribuição social é devida, mas a cobrança se faz com 
o emprego de meio gravoso ou vexatório para o devedor, o qual não é autorizado 
por lei. 
 
Consumação e tentativa: 
a) Exigência indevida: aqui o delito se consuma no momento em que é feita a 
exigência do tributo ou contribuição social. Trata-se de crime formal, portanto a 
consumação independe do efetivo pagamento do tributo ou contribuição social pela 
vítima. A tentativa é possível; 
b) Cobrança vexatória ou gravosa: consuma-se com o emprego do meio vexatório ou 
gravoso na cobrança do tributo ou contribuição social, independentemente de seu 
efetivo recebimento. A tentativa é possível. 
 
Excesso de exação – forma qualificada – art. 316, § 2º: nessa modalidade mais gravosa 
do crime de excesso de exação, pune-se o funcionário público que, em vez de recolher o tributo 
ou contribuição social, indevidamente exigido (§1º), para os cofres públicos, desvia-o em proveito 
próprio ou alheio. 
 
27.3.4. Corrupção passiva (art. 317, do CP) 
Ação nuclear: trata-se de crime de ação múltipla. Três são as condutas típicas previstas: 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
74 
1) Solicitar; 
2) Receber; 
3) Aceitar a promessa de recebê-la. 
 
Classificação: 
a) Corrupção passivaAlfredo vasculha as gavetas da frente da loja, Túlio ingressa nos fundos do estabelecimento 
com Fernanda, em busca de joias mais valiosas, momento em que decide levá-la ao banheiro e, então, 
mantém com Fernanda conjunção carnal. Após, Túlio e Alfredo fogem com as mercadorias. 
Em relação às condutas praticadas por Túlio e Alfredo, assinale a afirmativa correta 
 
A) Túlio e Alfredo responderão por roubo duplamente circunstanciado, pelo concurso de pessoas e 
emprego de arma de fogo, e pelo delito de estupro, em concurso material. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
8 
B) Túlio responderá por roubo circunstanciado pelo concurso de pessoas e estupro; Alfredo responderá 
por roubo duplamente circunstanciado, pelo concurso de pessoas e emprego de arma de fogo. 
C) Alfredo e Túlio responderão por roubo circunstanciado pelo concurso de pessoas e emprego de arma 
de fogo; Túlio também responderá por estupro, em concurso material. 
D) Túlio e Alfredo responderão por roubo circunstanciado pelo concurso de pessoas e emprego de arma 
de fogo; Túlio responderá por estupro, ao passo que Alfredo responderá por participação de menor 
importância no delito de estupro. 
 
3. Concurso de crimes 
3.1. Concurso material de crimes: 
 
Art. 69 do Código Penal 
Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, 
idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que 
haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e de detenção, 
executa-se primeiro aquela. 
 
• Ocorre o concurso material, também chamado de real, quando o agente, mediante 
mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não (art. 
69, caput, do CP). Há, pois, pluralidade de condutas e pluralidade de resultados; 
• Exemplo: o agente pratica o crime de estupro (art. 213 do CP) e, para assegurar a 
sua impunidade, mata, na sequência, a vítima (art. 121, § 2º, V, do CP). 
Imaginemos que o juiz fixe, em relação ao delito de estupro, a pena de 8 (oito) 
anos; e em relação ao crime de homicídio qualificado, a pena de 20 (vinte) anos. 
Ao final, verificando-se tratar de concurso material de crimes, o Magistrado aplicará 
o sistema do cúmulo material, somando as penas, alcançando a pena definitiva de 
28 anos. 
 
3.2. Concurso formal de crimes: 
 
Art. 70 do Código Penal 
Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, 
idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente 
uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas 
aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes 
concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior. 
Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 
deste Código. 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
9 
• Ocorre o concurso formal (ou ideal) quando o agente, mediante uma só ação ou 
omissão, pratica dois ou mais crimes (art. 70, caput, do CP). Há unidade de conduta 
e pluralidade de crimes; 
• O concurso formal perfeito, ou próprio, está previsto na primeira parte do art. 70 do 
CP. Ocorre quando o agente pratica duas ou mais infrações penais por meio de 
uma única conduta. Resulta de um único desígnio. O agente, de um só impulso 
volitivo, dá causa a dois ou mais resultados, sem desígnios autônomos em relação 
a cada um dos resultados; 
• Desígnio autônomo caracteriza-se pelo fato de o agente pretender, mediante uma 
única conduta, atingir dois ou mais resultados. Ou seja, o agente, mediante uma 
ação ou omissão, age com consciência e vontade em relação a cada um deles, 
considerados isoladamente; 
• Assim, se, por exemplo, o agente, na condução de veículo automotor, atropela e 
causa a morte de uma pessoa e lesão corporal em outra, pratica crime de homicídio 
culposo na condução de veículo automotor (art. 302 do CTB), em concurso formal 
perfeito, já que não tinha desígnios autônomos em relação a cada um dos 
resultados; 
• No concurso formal imperfeito, ou impróprio, o agente, mediante uma ação ou 
omissão, pretende, de forma consciente e voluntária, o resultado em relação a cada 
um dos crimes; 
• Exemplo: o agente provoca fogo em uma residência com a intenção de matar todos 
os moradores. O agente tem desígnios autônomos (intenção de matar) em relação 
a cada um dos moradores da residência; 
• A expressão “desígnios autônomos” abrange tanto o dolo direto quanto o dolo 
eventual. Assim, haverá concurso formal imperfeito, por exemplo, entre o delito de 
homicídio doloso com dolo direto e outro com dolo eventual; 
• Em relação ao concurso formal perfeito, ou próprio, o Código Penal adotou o 
sistema de exasperação da pena. Aplica-se a pena do crime mais grave ou, se 
iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até 
metade; 
• No concurso formal imperfeito, ou impróprio, por conta do maior grau de 
reprovabilidade da conduta do agente, visando a não beneficiar agente que agiu 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
10 
com desígnios autônomos em relação a cada resultado, as penas devem ser 
somadas, adotando-se o critério do cúmulo material, nos termos do art. 70, caput, 
2ª parte, do CP. 
 
3.3. Crime continuado: 
 
Art. 71 do Código Penal 
Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes 
da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras 
semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro, 
aplicasse-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, 
aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços. 
 
• Ocorre o crime continuado quando o agente, mediante mais de uma ação ou 
omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie, devendo os 
subsequentes, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras 
semelhantes, ser havidos como continuação do primeiro; 
• Para a incidência das regras do crime continuado é preciso verificar a presença de 
requisitos dispostos no art. 71 do CP, consistentes: a) na pluralidade de condutas; 
b) na pluralidade de crimes da mesma espécie; c) nas mesmas condições de 
tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes; 
• Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave 
ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a 
conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as 
circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais 
grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único do art. 70 
e do art. 75 deste Código. 
 
3.4. Concurso material benéfico: 
 
Art. 70 do Código Penal 
Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 
deste Código. 
 
• Se da aplicação da regra da exasperação da pena, no concurso formal, a pena 
tornar-se superior à que resultaria se somadas, deve-se adotar o critério do cúmulo 
material, porque, nesse caso, será mais benéfico (art. 70, par. ún., do CP); 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
11 
• Exemplo: suponha-se que o agente tenha praticado um homicídio simples (art. 121 
do CP – pena de 6 a 20 anos) e uma lesão corporal culposa (art. 129, § 6º, do CP 
– pena de 3 meses a 1 ano), em concurso formal. Aplicado o critério da 
exasperação da pena, considerando-se a pena do crime mais grave, acrescido de 
1/6, resultaria na pena de 7 (sete) anos; 
• Se aplicada a pena considerando-se o critério do cúmulo material, considerando-
se a pena aplicada para crime de homicídio simples (6 anos) e lesão corporal 
culposa, a pena definitiva ficaria em 6 (seis) anos e 3 (três) meses. Essa seria a 
pena a ser aplicada, jáprópria: o funcionário, em troca de alguma vantagem, pratica 
ou deixa de praticar ato de ofício para beneficiar alguém. O ato a ser praticado pode 
ser ilegítimo, ilícito ou injusto. É a chamada corrupção própria; 
b) Corrupção passiva imprópria: também configura o crime a prática de ato legítimo, 
lícito, justo. É a chamada corrupção passiva imprópria. 
 
Sujeitos do delito: trata-se de crime próprio. Portanto, o delito só pode ser cometido por 
funcionário público em razão da função (ainda que esteja fora dela ou antes de assumi-la). Nada 
impede, contudo, a participação do particular, ou de outro funcionário, mediante induzimento, 
instigação ou auxílio. 
O particular que oferece ou promete vantagem indevida ao funcionário público responde 
pelo delito de corrupção ativa (art. 333) e não pela participação no crime em estudo. Trata-se de 
exceção à regra prevista no artigo 29 do CP. 
Consumação e tentativa: trata-se de crime formal. Portanto, a consumação ocorre com 
o ato de solicitar, receber ou aceitar a promessa de vantagem indevida. A corrupção passiva 
consuma-se instantaneamente, isto é, com a simples solicitação da vantagem indevida, 
recebimento desta ou com a aceitação da mera promessa daquela. 
O tipo penal não exige que o funcionário pratique ou se abstenha da prática do ato 
funcional. Se isso suceder, haverá mero exaurimento do crime, o qual constitui condição de maior 
punibilidade (causa de aumento de pena prevista no § 1º do art. 317). 
A tentativa é de difícil ocorrência, mas não é impossível. Basta que haja um iter criminis a 
ser cindido. 
Causa de aumento de pena – art. 317, § 1º: eleva-se em 1/3 a pena do agente que, em 
razão da vantagem recebida ou prometida, efetivamente retarda (atrasa ou procrastina) ou deixa 
de praticar (não leva a efeito) ato de ofício que lhe competia desempenhar ou termina praticando 
o ato, mas desrespeitando o dever funcional. É o que a doutrina classifica de corrupção exaurida. 
Figura privilegiada – art. 317, § 2º: trata-se de conduta de menor gravidade, na medida 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
75 
em que o agente pratica, deixa de praticar ou retarda o ato de ofício, não em virtude do 
recebimento de vantagem indevida, mas cedendo a pedido ou influência de outrem, isto é, para 
satisfazer interesse de terceiros ou para agradar ou bajular pessoas influentes. 
 
27.4. Prevaricação (art. 319, do CP) 
Elementos do tipo/ação nuclear/objeto material: 
1) Retardar: é atrasar, adiar, protelar, pro crastinar, não praticar o ato de ofício dentro do 
prazo estabelecido (crime omissivo). 
2) Deixar de praticar: trata-se de mais uma modalidade omissiva do crime em estudo. 
Aqui, no entanto, ao contrário da conduta precedente, há o ânimo definitivo de não praticar o ato 
de ofício. 
3) Praticar (contra disposição expressa de lei): cuida-se aqui de conduta comissiva, em 
que o agente efetivamente executa o ato, só que de forma contrária à lei. O interesse pessoal é 
qualquer proveito, vantagem, podendo ser patrimonial ou moral. Quanto ao interesse patrimonial, 
importa distinguir algumas situações: 
Se o ato praticado, retardado ou omitido tiver sido objeto de acordo anterior entre o 
funcionário e o particular, visando aquele indevida vantagem, o crime passará a ser outro: 
corrupção passiva; 
Se houver, anteriormente à prática ou omissão do ato, a exigência de vantagem indevida 
pelo funcionário público, haverá o crime de concussão. 
Quanto ao sentimento pessoal podemos destacar que se manifesta em suas mais 
variadas formas, tais como amor, paixão emoção ou ódio. 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
76 
Gabarito das questões: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 – C 2 – D 3 – C 4 – B 5 – A 6 – B 
7 – C 8 – B 9 – B 10 – D 11 – C 12 – C 
13 – D 14 – D 15 – B 16 – D 17 – A 18 – B 
19 – A 20 – A 21 – D 22 – C 23 – D 24 – D 
25 – D 26 - D 27 – A 28 – B 29 – B 30 – C 
31 – C 32 – D 33 – A 34 – C 35 – C 36 – B 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
77 
 
https://ceisc.com.br/?_gl=1*l3waxc*_gcl_au*ODg3MjE5OTA3LjE3MjcwOTk4NzA.*_ga*MTQyOTY2NDU1Ni4xNzE5MDY3NjE5*_ga_YL62FY1F93*MTczMDk4NzM2NS4xMjMuMC4xNzMwOTg3MzY1LjYwLjAuNjgyNjI2MjEx
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
78 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
	Aula 18/11/2024 – turno noite
	1. Relação de causalidade
	2. Concurso de pessoas
	2.1. Requisitos do concurso de pessoas:
	2.2. Participação de menor importância (art. 29, § 1º, CP):
	2.3. Cooperação dolosamente distinta:
	2.4. Incomunicabilidade das circunstâncias pessoais:
	3. Concurso de crimes
	3.1. Concurso material de crimes:
	3.2. Concurso formal de crimes:
	3.3. Crime continuado:
	3.4. Concurso material benéfico:
	4. Erro de tipo x erro de proibição
	4.1. Erro de tipo essencial – art. 20, “caput”, do CP
	4.2. Erro de proibição
	4.3. Erro sobre a pessoa (art. 20, §3º, do CP)
	4.4. Erro na execução
	5. Da reincidência
	5.1. Conceito
	5.2. Eficácia temporal da condenação anterior para efeito da reincidência
	5.3. Crimes que não induzem reincidência
	6. Penas restritivas de direitos (art. 44 do CP)
	6.1. Conceito
	6.2. Requisitos
	6.3. Penas restritivas de direitos e violência doméstica ou familiar contra a mulher
	7. Ação Penal e Lei Maria da Penha
	8. Abolitio criminis e tempo do crime
	8.1. Abolitio criminis (art. 2º “caput” do CP)
	8.2. Tempo do crime (art. 4º CP)
	8.3. Tempo do crime e Súmula 711 do STF
	9. Excludentes de ilicitude
	9.1. Estado de necessidade
	9.2. Legítima defesa
	9.3. Estrito cumprimento de um dever legal e exercício regular de um direito
	10. Prescrição
	11. Tentativa/desistência voluntária e arrependimento eficaz
	11.1. Tentativa
	11.2. Desistência voluntária e arrependimento eficaz
	12. Arrependimento posterior
	13. Suspensão condicional da execução da pena (sursis)
	13.1. Requisitos
	14. Livramento condicional
	14.1 Requisitos
	15. Extraterritorialidade
	16. Crime impossível
	17. Inimputabilidade pela doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado
	18. Embriaguez completa e acidental
	19. Coação moral irresistível e obediência hierárquica
	19.1. Coação moral irresistível
	19.2. Obediência hierárquica
	20. Territorialidade
	Aula 19/11/2024 – turno manhã
	Aula 24/11/2024 – turno noite
	21. Crimes contra a vida
	21.1. Homicídio
	21.2. Induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou automutilação (art. 122 do CP)
	21.3. Infanticídio (art. 123 do CP)
	21.4. Aborto
	22. Lesão corporal (art. 129 do CP)
	23. Crimes contra a honra
	23.1. Calúnia (art. 138 do CP)
	23.2. Injúria (art. 140 do CP)
	23.3. Difamação (art. 139 do CP)
	24. Crimes contra o patrimônio
	24.1. Furto
	24.2. Apropriação indébita (art. 168 do CP)
	24.3. Roubo (art. 157 do CP)
	24.3.1. Espécies de roubo
	24.4. Estelionato
	24.5. Extorsão (art. 158 do CP)
	24.6. Extorsão mediante sequestro (art. 159 CP)
	24.7. Dano
	24.8. Receptação
	24.9. Disposições gerais (art. 181 a 183 do CP)
	25. Crimes contra a dignidade sexual
	25.1. Ação penal
	25.2. Causas de aumento de pena
	25.3. Estupro
	25.4. Estupro de vulnerável (art. 217-A do CP)
	25.5. Assédio Sexual (art. 216-A do CP)
	26. Crimes contra a fé pública
	26.1. Conceito de fé pública
	26.2. Inexistência de crimes culposos
	26.3. Incriminação autônoma de atos preparatórios
	26.4. Exigência da imitatio veri
	26.5. Principais crimes contra a fé pública
	27. Crimes contra a administração pública
	27.1. Súmula nº 599 do STJ
	27.2. Conceito de funcionário público
	27.3. Principais crimes praticados por funcionário público contra a administração pública em geral
	27.3.1. Peculato (art. 312, do CP)
	27.3.2. Concussão (art. 316, do CP)
	27.3.3. Excesso de exação (art. 316, parágrafos 1 e 2 do CP)
	27.3.4. Corrupção passiva (art. 317, do CP)
	27.4. Prevaricação (art. 319, do CP)que a aplicação do critério do concurso material é mais 
benéfica; 
• Em face disso, a pena a ser aplicada não pode ser superior à que seria cominada 
se fosse caso de concurso material, aplicando-se, nesse caso, o disposto no art. 
70, par. ún., do CP. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
2) FGV – 2021 – OAB – 33° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Félix, com dolo de matar seus vizinhos Lucas e Mário, detona uma granada na varanda da casa desses, 
que ali conversavam tranquilamente, obtendo o resultado desejado. Os fatos são descobertos pelo 
Ministério Público, que denuncia Félix por dois crimes autônomos de homicídio, em concurso material. 
Após regular procedimento, o Tribunal do Júri condenou o réu pelos dois crimes imputados e o 
magistrado, ao aplicar a pena, reconheceu o concurso material. Diante da sentença publicada, Félix 
indaga, reservadamente, se sua conduta efetivamente configuraria concurso material de dois crimes de 
homicídio dolosos. 
Na ocasião, o(a) advogado(a) do réu, sob o ponto de vista técnico, deverá esclarecer ao seu cliente que 
sua conduta configura dois crimes autônomos de homicídio, 
 
A) Em concurso material, sendo necessária a soma das penas aplicadas para cada um dos delitos. 
B) Devendo ser reconhecida a forma continuada e, consequentemente, aplicada a regra da exasperação 
de uma das penas e não do cúmulo material. 
C) Devendo ser reconhecido o concurso formal próprio e, consequentemente, aplicada a regra da 
exasperação de uma das penas e não do cúmulo material. 
D) Devendo ser reconhecido o concurso formal impróprio, o que também imporia a regra da soma das 
penas aplicadas. 
 
 
4. Erro de tipo x erro de proibição 
4.1. Erro de tipo essencial – art. 20, “caput”, do CP 
 
Art. 20, do Código Penal 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
12 
O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a 
punição por crime culposo, se previsto em lei. 
 
• O erro de tipo essencial é aquele em que o agente pratica uma conduta incorrendo 
em erro acerca de um dos elementos constitutivos do tipo penal incriminador; 
• Por conta do erro, o agente não sabe que está praticando uma conduta típica; 
• No crime de homicídio, o agente erra quanto ao elemento “alguém”; no crime de 
furto, erra quanto ao elemento “coisa alheia”; no crime de estupro de vulnerável, 
erra quanto ao elemento “menor de 14 anos de idade”. 
• O erro de tipo essencial pode ser: 
1) Invencível, inevitável, escusável: 
• É aquele erro em que qualquer pessoa, nas mesmas circunstâncias, 
incorreria. É o erro inevitável, desculpável ou escusável, que não poderia 
ser evitado, mesmo por uma pessoa cautelosa e prudente. 
• O erro de tipo invencível, inevitável ou escusável exclui o dolo e a culpa. 
Sendo a conduta elemento do fato típico, a ausência de dolo ou culpa leva 
à atipicidade da conduta. 
 
2) Vencível, evitável ou inescusável: 
• É aquele erro em que uma pessoa mais cautelosa e prudente, nas mesmas 
circunstâncias, não incorreria. É o erro evitável, indesculpável ou 
inescusável, que uma pessoa cautelosa e prudente teria evitado. Assim, se 
o fato for punido sob a forma culposa, o agente responderá por crime 
culposo. Quando o tipo, entretanto, não admitir essa modalidade, a 
consequência será inexoravelmente a exclusão do crime, já que 
configurará fato atípico. 
 
4.2. Erro de proibição 
 
Art. 21, do Código Penal 
O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, 
isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço. 
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a 
consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir 
essa consciência. 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
13 
• Nesse caso, o agente sabe o que está fazendo. Não há erro quanto à situação de 
fato ou acerca da presença do elemento do tipo; 
• O agente pratica um fato supondo ser permitido, quando, na verdade, é proibido, 
ou seja, é ilícito. O erro, portanto, recai sobre a ilicitude do fato; 
• O erro de proibição escusável, inevitável ou invencível ocorre quando o erro 
sobre a ilicitude do fato é impossível de ser evitado, valendo-se o ser humano da 
sua diligência ordinária; 
• O erro de proibição inescusável ou evitável ocorre quando o erro sobre a ilicitude 
do fato que não se justifica, pois, se tivesse havido um mínimo de empenho em se 
informar, o agente poderia ter tido conhecimento da realidade. O critério de aferição 
do erro de proibição inescusável, vencível ou evitável encontra-se no parágrafo 
único do art. 21 do CP, segundo o qual “considera-se evitável o erro se o agente 
atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, 
nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência”. Tratando-se de erro de 
proibição evitável, permanece hígida a culpabilidade do agente, sendo, no 
entanto, causa de diminuição da pena de um sexto a um terço. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
3) FGV – 2017 – OAB – 22° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Tony, a pedido de um colega, está transportando uma caixa com cápsulas que acredita ser de remédios, 
sem ter conhecimento que estas, na verdade, continham Cloridrato de Cocaína em seu interior. Por outro 
lado, José transporta em seu veículo 50g de Cannabis Sativa L. (maconha), pois acreditava que poderia 
ter pequena quantidade do material em sua posse para fins medicinais. Ambos foram abordados por 
policiais e, diante da apreensão das drogas, denunciados pela prática do crime de tráfico de 
entorpecentes. Considerando apenas as informações narradas, o advogado de Tony e José deverá alegar 
em favor dos clientes, respectivamente, a ocorrência de 
 
A) Erro de tipo, nos dois casos. 
B) Erro de proibição, nos dois casos. 
C) Erro de tipo e erro de proibição. 
D) Erro de proibição e erro de tipo. 
 
 
4.3. Erro sobre a pessoa (art. 20, §3º, do CP) 
 
Art. 20, § 3º, do Código Penal 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
14 
O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se 
consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra 
quem o agente queria praticar o crime. 
 
• Ocorre quando o agente pretende praticar crime contra determinada pessoa, mas, 
por erro na identificação, pratica o crime contra pessoa diversa; 
• Não há erro na execução, ou seja, o agente não erra o alvo, equivocando-se quanto 
à identificação da pessoa pretendida; 
• Faz a pontaria em direção ao alvo e acerta, mas se equivoca quanto à identidade 
da pessoa atingida; 
• Como consequência, consideram-se as condições ou qualidades da pessoa 
pretendida; 
• Consideremos a hipótese de o filho desalmado, pretendendo matar seu pai, que 
contava com 59 anos de idade, realizar disparos de arma de fogo contra o homem 
que estava na varanda da residência do genitor, causando a morte deste. O filho, 
então, deixa o local satisfeito, por acreditar ter concluído seu intento delitivo, mas 
vem a descobrir que matara um amigo de seu pai, que contava com 65 anos de 
idade, que, de costas, era com ele parecido; 
• Nesse caso, o filho desalmado responderá pelo crime de homicídio, com a 
incidência da agravante de ter praticado crime contra ascendente, prevista no art. 
61, II, e, 1ª parte, do CP, sem a incidência da causa de aumento de pena do artigo 
121, § 4º, do CP. 
 
 
4.4. Erro na execução 
 
Art. 73, do Código Penal 
Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir 
a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse 
praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. 
No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-sea 
regra do art. 70 deste Código. 
 
• Não há erro na identificação da vítima. O erro reside no uso dos meios de execução, 
onde a vítima pretende atingir uma pessoa, mas atinge pessoa diversa. Ou, por 
acidente, o agente, ao invés de atingir a vítima pretendida, acerta pessoa diversa; 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
15 
• A consequência jurídica da conduta do agente encontra-se retratada no art. 73, 1ª 
parte, do CP, que faz expressa remissão ao art. 20, § 3º, do CP. Ou seja, na 
hipótese de erro na execução, deve-se observar o disposto no art. 20, § 3º, 
segundo o qual, embora tenha atingido pessoa diversa, o agente deve receber 
tratamento penal considerando-se as condições ou qualidades da pessoa 
pretendida, desprezando-se as condições pessoais da vítima efetivamente 
atingida; 
• Pode ocorrer quando, por erro nos meios de execução, o agente, em vez de 
atingir a pessoa pretendida, atinge pessoa diversa. Exemplo: agente pretendendo 
matar Wilson, visualiza a vítima, tendo-a como certa, faz a mira e efetua o disparo, 
mas, no entanto, erra o alvo pretendido, atingindo uma criança, que se encontrava 
próxima ao local. Nesse caso, responderá pelo crime de homicídio, sem a 
incidência da qualificadora de ter praticado crime contra menor de 14 anos de 
idade; 
• Na aberratio ictus com resultado duplo, o agente, além de atingir a vítima 
pretendida, atinge também pessoa diversa. Nesse caso, com uma única ação, o 
agente produz mais de um resultado: atinge a pessoa pretendida e também pessoa 
diversa. Por essa razão, o art. 73, 2ª parte, do CP faz expressa remissão ao art. 70 
do CP, devendo ser aplicada a regra do concurso formal de crimes. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
4) FGV – 2019 – OAB – 30° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Regina dá à luz seu primeiro filho, Davi. Logo após realizado o parto, ela, sob influência do estado 
puerperal, comparece ao berçário da maternidade, no intuito de matar Davi. No entanto, pensando tratar-
se de seu filho, ela, com uma corda, asfixia Bruno, filho recém-nascido do casal Marta e Rogério, 
causando-lhe a morte. Descobertos os fatos, Regina é denunciada pelo crime de homicídio qualificado 
pela asfixia com causa de aumento de pena pela idade da vítima. 
Diante dos fatos acima narrados, o(a) advogado(a) de Regina, em alegações finais da primeira fase do 
procedimento do Tribunal do Júri, deverá requerer 
 
A) O afastamento da qualificadora, devendo Regina responder pelo crime de homicídio simples com 
causa de aumento, diante do erro de tipo. 
B) A desclassificação para o crime de infanticídio, diante do erro sobre a pessoa, não podendo ser 
reconhecida a agravante pelo fato de quem se pretendia atingir ser descendente da agente. 
C) A desclassificação para o crime de infanticídio, diante do erro na execução (aberratio ictus), podendo 
ser reconhecida a agravante de o crime ser contra descendente, já que são consideradas as 
características de quem se pretendia atingir. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
16 
D) A desclassificação para o crime de infanticídio, diante do erro sobre a pessoa, podendo ser 
reconhecida a agravante de o crime ser contra descendente, já que são consideradas as características 
de quem se pretendia atingir. 
 
 
5. Da reincidência 
 
Reincidência 
Art. 63. Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de transitar 
em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime 
anterior. 
Art. 64. Para efeito de reincidência: 
I - não prevalece a condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou extinção da 
pena e a infração posterior tiver decorrido período de tempo superior a 5 (cinco) anos, 
computado o período de prova da suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer 
revogação; 
II - não se consideram os crimes militares próprios e políticos. 
 
5.1. Conceito 
• A reincidência pressupõe uma sentença condenatória transitada em julgado por 
prática de crime. Há reincidência somente quando o novo crime for cometido após 
a sentença condenatória de que não cabe mais recurso. É o que se extrai do art. 
63 do CP; 
• Ex.: o agente pratica um crime, sendo processado e condenado. Não recorre, vindo 
a sentença transitar em julgado. Meses depois, vem a praticar novo crime. É 
considerado reincidente, uma vez que cometeu novo delito após o trânsito em 
julgado de sentença que o condenou por prática de crime; 
• Se o agente praticar o novo crime exatamente no dia em que transitar em julgado 
a sentença penal condenatória pelo crime anterior, não incide a agravante da 
reincidência, pois a lei é expressa ao mencionar que o novo crime deve ser 
praticado “depois” do trânsito em julgado. No dia do trânsito, portanto, não se 
encaixa na hipótese legal; 
• Além disso, complementando os pressupostos da reincidência, o art. 7º da Lei de 
Contravenções Penais (Decreto-lei no 3.688/1941) dispõe que: “verifica-se a 
reincidência quando o agente pratica uma contravenção depois de passar em 
julgado a sentença que o tenha condenado, no Brasil ou no estrangeiro, por 
qualquer crime, ou, no Brasil, por motivo de contravenção”. 
• Assim, podem ocorrer várias hipóteses: 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
17 
• a) o agente, condenado irrecorrivelmente pela prática de um crime, vem a cometer 
outro delito: é reincidente (art. 63 do CP); 
• b) o agente pratica um crime; condenado irrecorrivelmente, vem a cometer uma 
contravenção: é reincidente (art. 7º da LCP); 
• c) o sujeito pratica uma contravenção, vindo a ser condenado por sentença 
transitada em julgado; comete outra contravenção: é considerado reincidente (art. 
7o da LCP); 
• d) o sujeito comete uma contravenção; é condenado por sentença irrecorrível; 
pratica um crime: não é reincidente (art. 63 do CP). 
• Informativo 636 STF: Condenações anteriores pelo delito do art. 28 da Lei no 
11.343/2006 não são aptas a gerar reincidência. 
 
5.2. Eficácia temporal da condenação anterior para efeito da 
reincidência 
• Nos termos do art. 64, I, do CP, não prevalece a condenação anterior se entre a 
data do cumprimento ou extinção da pena e a infração posterior tiver decorrido 
período de tempo superior a 5 (cinco) anos, computado o período de prova da 
suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer revogação; 
• Logo, o prazo de 5 (cinco) anos começa a correr a partir do cumprimento da pena 
ou a sua extinção por outro modo, por exemplo, incidência de uma causa extintiva 
da punibilidade, como a prescrição da pretensão executória, graça ou indulto; 
• O período de prova do livramento condicional e da suspensão condicional da pena 
será computado para fins de cessar os efeitos da reincidência; 
• Assim, em tese, ao agente condenado a 6 (seis) anos de reclusão, cumprindo 1/3 
(ou seja, 2 anos), será concedido o livramento condicional (art. 83, I, do CP), 
restando outros 4 (quatro) anos para o término da pena, que será o período de 
prova; 
• Consideremos a hipótese de o agente ter iniciado o cumprimento da pena no dia 
10-8-2010. Após cumprir 1/3 da pena, dois anos, portanto, obteve o livramento 
condicional em 10-8-2012, cumprindo integralmente a pena no dia 10-8-2016; 
• Em 10-9-2017, o agente pratica novo crime. Nesse caso, não será considerado 
reincidente, pois passaram-se mais de 5 (cinco) anos entre a data do cumprimento 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
18 
da pena e a prática do novo crime, computando-se o período de prova do 
livramento condicional. 
 
5.3. Crimes que não induzem reincidência 
• O art. 64, II, do CP dispõe que, para efeito de reincidência, não se consideram os 
crimes militares próprios ou políticos; 
• Convém ressaltar que, conquanto não gere reincidência, o trânsito em julgado de 
uma sentença penal condenatória por crime militar próprioou crime político gera 
maus antecedentes, já que o art. 64, II, do CP limita-se a afastar a reincidência, 
nada dispondo sobre maus antecedentes. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
5) FGV – 2023 – OAB – 39° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
João completou 20 anos e foi colocado em liberdade, após cumprir 3 anos de internação por medida 
socioeducativa em razão da prática de atos infracionais análogos a estupro e furto, conforme sentença 
proferida pelo Juizado da Infância e da Juventude de sua Comarca. 
Ao ser solto da unidade de internação, foi preso em flagrante pela prática do crime de roubo, sendo que 
João nunca respondeu por outros crimes. 
Para os fins deste novo processo, assinale a afirmativa correta. 
 
A) João é primário e com bons antecedentes, ante a inaptidão de atos infracionais serem utilizados como 
circunstâncias judiciais ou induzir reincidência. 
B) João é reincidente e com maus antecedentes, ante a pluralidade de infrações pretéritas, anteriores aos 
delitos de roubo. 
C) João é tecnicamente primário, porém, com maus antecedentes, sendo este único efeito possível 
gerado pela aplicação de medidas socioeducativas. 
D) João é reincidente ou com maus antecedentes, pois não é possível que a reincidência seja também 
considerada circunstância judicial, ainda que se tratem de condenações distintas. 
 
 
6. Penas restritivas de direitos (art. 44 do CP) 
 
Art. 44 do Código Penal 
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de 
liberdade, quando: 
I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for 
cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, 
se o crime for culposo; 
II – o réu não for reincidente em crime doloso; 
III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, 
bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. 
§ 1º (VETADO) 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/Mensagem_Veto/1998/Mv1447-98.htm
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
19 
§ 2º Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita por multa ou 
por uma pena restritiva de direitos; se superior a um ano, a pena privativa de liberdade 
pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de 
direitos. 
§ 3º Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em 
face de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência 
não se tenha operado em virtude da prática do mesmo crime. 
§ 4º A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando ocorrer o 
descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo da pena privativa de 
liberdade a executar será deduzido o tempo cumprido da pena restritiva de direitos, 
respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão. 
§ 5º Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por outro crime, o juiz da 
execução penal decidirá sobre a conversão, podendo deixar de aplicá-la se for possível 
ao condenado cumprir a pena substitutiva anterior. 
 
6.1. Conceito 
• São penas alternativas às privativas de liberdade, expressamente previstas em lei, 
com a finalidade de evitar o encarceramento de determinados criminosos, autores 
de infrações penais consideradas mais leves, provocando-lhes a recuperação por 
meio de restrições a certos direitos; 
• Nos termos do art. 43 do CP, as penas restritivas de direitos são: a) prestação 
pecuniária; b) perda de bens e valores; c) prestação de serviço à comunidade ou a 
entidades públicas; d) interdição temporária de direitos; e) limitação de fim de 
semana; 
• As penas restritivas de direitos são substitutivas, uma vez que o juiz, depois de 
fixar a pena privativa de liberdade, verificando a presença dos requisitos, efetua a 
substituição por uma ou mais penas restritivas de direitos, conforme o caso. Isso 
porque não há, no preceito secundário dos tipos penais incriminadores, previsão 
direta de pena restritiva de direitos, mas tão somente pena privativa de liberdade. 
 
6.2. Requisitos 
a) Quantidade da pena aplicada 
• O legislador estabeleceu como parâmetro para a concessão da pena restritiva de 
direitos a pena aplicada na sentença, independentemente da pena abstratamente 
cominada no preceito secundário do tipo penal; 
• Nos crimes dolosos, praticados sem violência ou grave ameaça, apenados com 
reclusão ou detenção, o limite estabelecido pelo legislador é de 4 (quatro) anos; 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
20 
• Tratando-se de concurso de crimes, deve-se levar em conta o total da pena 
imposta, por conta da aplicação das regras do cúmulo material ou exasperação da 
pena. Dessa forma, se aplicadas as regras do concurso material, concurso formal 
e crime continuado, e o total da pena privativa de liberdade efetivamente imposta 
não exceder a 4 (quatro) anos, será possível a substituição por pena alternativa; 
• No caso de condenação por crime culposo, a substituição será possível, 
independentemente da quantidade da pena imposta, não existindo tal requisito, 
ainda que resulte violência contra a pessoa, por exemplo, no homicídio culposo do 
Código Penal (art. 121, § 3º) e no homicídio culposo na condução de veículo 
automotor (art. 302 do CTB). 
 
b) Natureza do crime cometido 
• Em relação aos crimes dolosos, as penas restritivas de direitos são aplicáveis aos 
crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa. 
 
c) Réu não reincidente em crime doloso 
• Nos termos do art. 44, II, do CP, para concessão do benefício, é necessário que o 
sujeito não seja reincidente em crime doloso. O texto não trata de qualquer 
reincidente. Refere-se ao não reincidente em crime “doloso”, de modo que não há 
impedimento à aplicação da pena alternativa quando: a) os dois delitos são 
culposos; b) o anterior é culposo e o posterior é doloso; c) o anterior é doloso e o 
posterior culposo; 
• Ainda que o réu seja reincidente em crime doloso, o Código Penal, no seu art. 44, 
§ 3º, prevê uma exceção. Se, em face de condenação anterior, a medida for 
socialmente recomendável e a reincidência não se tenha operado em virtude da 
prática do mesmo crime, será possível aplicar a substituição da pena privativa de 
liberdade por restritiva de direitos. 
 
d) A culpabilidade, os antecedentes, a conduta ou a personalidade ou ainda os 
motivos e circunstâncias recomendarem a substituição 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
21 
• Conforme o art. 44, III, do CP, “a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social 
e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias 
indicarem que essa substituição seja suficiente”; 
• Convém notar que esses requisitos praticamente reproduzem as circunstâncias 
judiciais previstas no art. 59, caput, do CP, com exceção de duas: comportamento 
da vítima e consequências do crime, coincidentemente as únicas de natureza 
objetiva. Logo, verifica-se que o art. 44, III, do CP somente levou em conta as 
circunstâncias subjetivas. 
 
6.3. Penas restritivas de direitos e violência doméstica ou familiar 
contra a mulher 
• Nos termos do art. 17 da Lei no 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, 
“É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, 
de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a 
substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa”; 
• Conforme a Súm. no 588 do STJ, a prática de crime ou contravenção penal contra 
a mulher com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico impossibilita a 
substituição de pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
6) FGV – 2023 – OAB – 38° Exame de Ordem Unificado – PrimeiraFase 
Luís Alberto, primário, foi condenado a uma pena de oito meses de detenção, em regime inicial aberto, 
por ter agredido sua companheira, causando-lhe lesões corporais. 
Na qualidade de advogado(a) de Luís Alberto, assinale a opção que apresenta o benefício de natureza 
penal que pode, neste momento processual, ser pleiteado em favor do seu assistido. 
 
A) Aplicação de pena restritiva de direito, consistente em prestação de serviços à comunidade. 
B) Suspensão condicional da pena, pelo período de dois anos. 
C) Suspensão condicional do processo, pelo período de dois anos. 
D) Substituição da pena privativa de liberdade por multa. 
 
 
7. Ação Penal e Lei Maria da Penha 
• Conteúdo que será objeto de resolução de questão na aula de amanhã. 
 
https://www.qconcursos.com/questoes-da-oab/questoes/dda6a5bc-1e?utm_term=&utm_campaign=qconcursos_acq_alwayson_pmax&utm_source=midia-paga&utm_medium=google-pmax&hsa_acc=7825794674&hsa_cam=20208959665&hsa_grp=&hsa_ad=&hsa_src=x&hsa_tgt=&hsa_kw=&hsa_mt=&hsa_net=adwords&hsa_ver=3&gad_source=1&gclid=CjwKCAiA3Na5BhAZEiwAzrfagJl7V19igOnqkYMJBlR88sn-l0pfq__GRd1xppZdO940ccjuQ6vr5hoCRPAQAvD_BwE#question-belt-2207372-teacher-tab
https://www.qconcursos.com/questoes-da-oab/questoes/dda6a5bc-1e?utm_term=&utm_campaign=qconcursos_acq_alwayson_pmax&utm_source=midia-paga&utm_medium=google-pmax&hsa_acc=7825794674&hsa_cam=20208959665&hsa_grp=&hsa_ad=&hsa_src=x&hsa_tgt=&hsa_kw=&hsa_mt=&hsa_net=adwords&hsa_ver=3&gad_source=1&gclid=CjwKCAiA3Na5BhAZEiwAzrfagJl7V19igOnqkYMJBlR88sn-l0pfq__GRd1xppZdO940ccjuQ6vr5hoCRPAQAvD_BwE#question-belt-2207372-teacher-tab
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
22 
8. Abolitio criminis e tempo do crime 
8.1. Abolitio criminis (art. 2º “caput” do CP) 
 
Lei penal no tempo 
Art. 2º. Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, 
cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. 
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos 
fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado 
 
• Ocorre a chamada abolitio criminis quando a lei nova deixa de considerar crime fato 
que anteriormente era considerado ilícito penal; 
• A abolitio criminis, além de conduzir à extinção da punibilidade (art. 107, III CP), 
apaga todos os efeitos penais da sentença condenatória, permanecendo, no 
entanto, seus efeitos extrapenais, como, por exemplo, na esfera cível e 
administrativa; 
• Assim, o agente condenado definitivamente em 2004 pelo crime de sedução (art. 
217 do CP abolido pela Lei 11.106/2005) não será considerado reincidente, se 
praticar novo crime. A vítima, todavia, poderá exigir indenização na esfera cível. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
7) FGV – 2018 – OAB – 26° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Jorge foi condenado, definitivamente, pela prática de determinado crime, e se encontrava em 
cumprimento dessa pena. Ao mesmo tempo, João respondia a uma ação penal pela prática de crime 
idêntico ao cometido por Jorge. Durante o cumprimento da pena por Jorge e da submissão ao processo 
por João, foi publicada e entrou em vigência uma lei que deixou de considerar as condutas dos dois como 
criminosas. Ao tomarem conhecimento da vigência da lei nova, João e Jorge o procuram, como advogado, 
para a adoção das medidas cabíveis. Com base nas informações narradas, como advogado de João e 
de Jorge, você deverá esclarecer que 
 
A) Não poderá buscar a extinção da punibilidade de Jorge em razão de a sentença condenatória já ter 
transitado em julgado, mas poderá buscar a de João, que continuará sendo considerado primário e de 
bons antecedentes. 
B) Poderá buscar a extinção da punibilidade dos dois, fazendo cessar todos os efeitos civis e penais da 
condenação de Jorge, inclusive não podendo ser considerada para fins de reincidência ou maus 
antecedentes. 
C) Poderá buscar a extinção da punibilidade dos dois, fazendo cessar todos os efeitos penais da 
condenação de Jorge, mas não os extrapenais. 
D) Não poderá buscar a extinção da punibilidade dos dois, tendo em vista que os fatos foram praticados 
anteriormente à edição da lei. 
 
 
8.2. Tempo do crime (art. 4º CP) 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
23 
Tempo do crime 
Art. 4º. Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro 
seja o momento do resultado 
 
• Em relação ao tempo do crime, o Código Penal adotou a teoria da atividade, 
segundo a qual se reputa praticado o delito no momento da conduta, não 
importando o instante do resultado; 
• Assim, se um adolescente com 17 anos, 11 meses e 29 dias efetuar disparo de 
arma de fogo contra a vítima, que vem a falecer cinco dias depois (quando já terá 
adquirido a maioridade), responderá conforme as normas do ECA, já que o fato foi 
praticado quando o agente ainda era adolescente. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
8) FGV – 2018 – OAB – 27° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
No dia 05/03/2015, Vinícius, 71 anos, insatisfeito e com ciúmes em relação à forma de dançar de sua 
esposa, Clara, 30 anos mais nova, efetua disparos de arma de fogo contra ela, com a intenção de matar. 
Arrependido, após acertar dois disparos no peito da esposa, Vinícius a leva para o hospital, onde ela ficou 
em coma por uma semana. No dia 12/03/2015, porém, Clara veio a falecer, em razão das lesões causadas 
pelos disparos da arma de fogo. Ao tomar conhecimento dos fatos, o Ministério Público ofereceu denúncia 
em face de Vinícius, imputando-lhe a prática do crime previsto no Art. 121, § 2º, inciso VI, do Código 
Penal, uma vez que, em 09/03/2015, foi publicada a Lei nº 13.104, que previu a qualificadora antes 
mencionada, pelo fato de o crime ter sido praticado contra a mulher por razão de ser ela do gênero 
feminino. Durante a instrução da 1ª fase do procedimento do Tribunal do Júri, antes da pronúncia, todos 
os fatos são confirmados, pugnando o Ministério Público pela pronúncia nos termos da denúncia. Em 
seguida, os autos são encaminhados ao(a) advogado(a) de Vinícius para manifestação. Considerando 
apenas as informações narradas, o(a) advogado(a) de Vinicius poderá, no momento da manifestação 
para a qual foi intimado, pugnar pelo imediato 
 
A) Reconhecimento do arrependimento eficaz. 
B) Afastamento da qualificadora do homicídio. 
C) Reconhecimento da desistência voluntária. 
D) Reconhecimento da causa de diminuição de pena da tentativa. 
 
 
8.3. Tempo do crime e Súmula 711 do STF 
• Crime permanente é aquele cuja execução e consumação se prolongam no tempo. 
Exemplo clássico é crime de extorsão mediante sequestro (art. 159 CP). Enquanto 
a vítima estiver em poder do sequestrador, o crime estará sendo permanentemente 
executado, razão pela qual na hipótese de surgir lei nova, durante a execução do 
delito, será aplicada ao fato, ainda que mais grave, já que passou a incidir enquanto 
o crime estava sendo praticado; 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
24 
• Crime continuado, previsto no artigo 71 do CP, ocorre quando o agente, com mais 
de uma ação ou omissão, pratica crimes da mesma espécie, nas mesmas 
condições de tempo, lugar e modo de execução. Nesse caso, considera-se a pena 
do crime mais grave, e aumenta a pena em 1/6 a 2/3. Assim, se surgir lei nova 
durante a continuidade delitiva, deverá ser aplicada ao caso, ainda que mais 
severa, já que entrou em vigor antes de cessar a continuidade delitiva; 
• É o que se extrai da Súmula 711 do STF: “A lei penal mais grave aplica-se ao crime 
continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da 
continuidade ou da permanência.” 
 
9. Excludentes de ilicitude 
 
Art. 23, do Código Penal 
Exclusão de ilicitude 
Art. 23. Não há crime quando o agente pratica o fato 
I - em estado de necessidade; 
II - em legítima defesa;III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito 
Excesso punível 
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo 
excesso doloso ou culposo. 
 
9.1. Estado de necessidade 
 
Art. 24 do Código Penal 
Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, 
que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou 
alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. 
§ 1º Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o 
perigo. 
§ 2º Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser 
reduzida de um a dois terços. 
 
 
• Comportamento animal: É considerado estado de necessidade quando o animal 
ataca por instinto. Quando o animal for instigado por alguém para atacar, será 
considerada legítima defesa; 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
25 
• Quem, por sua vontade, provocou a situação de perigo, não poderá alegar estado 
de necessidade; 
• A conduta tem que ser inevitável para cessar o perigo. Se existir outro modo 
menos lesivo de evitar o perigo, não poderá alegar estado de necessidade; 
• Critério de proporcionalidade: O bem protegido deve ser de igual ou maior valor 
que o bem sacrificado; 
• Aquele que tem o dever legal de enfrentar o perigo, não poderá alegar estado de 
necessidade. 
 
9.2. Legítima defesa 
 
Art. 25, do Código Penal 
Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, 
repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. 
Parágrafo único - Observados os requisitos previstos no caput deste artigo, considera-se 
também em legítima defesa o agente de segurança pública que repele agressão ou risco 
de agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes. 
 
 
 
Critério de proporcionalidade: 
• Meio necessário e suficiente para fazer cessar a agressão; 
• Uso moderado desse meio. 
 
Novidade do Pacote Anticrime: Legítima defesa do Agente de Segurança Pública 
• Observados os requisitos do caput; 
• Crime com vítima refém. 
 
9.3. Estrito cumprimento de um dever legal e exercício regular de um 
direito 
 
Veja o esquema na página a seguir... 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
26 
 
 
10. Prescrição 
• Conteúdo que será objeto de resolução de questão na aula de amanhã. 
 
11. Tentativa/desistência voluntária e arrependimento eficaz 
11.1. Tentativa 
• Nos termos do art. 14, II, do CP, para caracterizar ao menos crime tentado, deve o 
agente passar pelos atos preparatórios e dar início à execução do delito, que, por 
razões alheias à sua vontade, não alcance a consumação; 
 
• Se o crime for tentado, a pena do crime na modalidade consumada será reduzida 
de 1/3 a 2/3, nos termos do artigo 14, parágrafo único, do CP, mediante o seguinte 
critério: quanto mais próximo da consumação, menor será a redução (1/3); quanto 
mais distante da consumação, maior será a redução (2/3). 
 
11.2. Desistência voluntária e arrependimento eficaz 
 
Art. 15, do Código Penal 
O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o 
resultado se produza, só responde pelos atos já praticados. 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
27 
 
A) Desistência voluntária 
• O sujeito inicia a execução do delito, mas interrompe os atos executórios; 
• Desiste de prosseguir nos atos executórios, antes de esgotar sua potencialidade 
lesiva; 
• Tomemos como exemplo a conduta do agente que, com a intenção homicida, 
desfere um disparo de arma de fogo contra a vítima, acertando-a em região não 
letal. Podendo prosseguir, já que tinha mais cinco balas no revólver, o agente 
resolve, por vontade própria, não efetuar mais disparos, deixando a vítima 
sobreviver. 
 
B) Arrependimento eficaz 
• O agente chega próximo à consumação, esgotando sua potencialidade lesiva; 
• Antes da consumação, arrepende-se e impede a produção do resultado; 
• Exemplo: agente que, com a intenção homicida, após efetuar disparos de arma de 
fogo contra a vítima, utilizando todas as balas do revólver, arrepende-se e, 
adotando postura ativa, leva a vítima até o hospital, que, submetida a intervenção 
cirúrgica exitosa, acaba sobrevivendo. 
 
C) Efeitos 
• Responde pelos atos até então praticados; 
• Elimine a alternativa que trata de crime tentado. Jamais o sujeito responderá por 
tentativa, nos casos de desistência voluntária ou arrependimento eficaz; 
• Nos exemplos acima, o agente responderá pelo crime de lesão corporal (leve, 
grave ou gravíssima, conforme o caso); 
• Se não for eficaz o arrependimento, ou seja, se o resultado se produzir, o sujeito 
responderá pelo delito na modalidade consumada. 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
28 
 Resolva a questão a seguir: 
9) FGV – 2023 – OAB – 39º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Paulo estava desempregado, precisando de dinheiro, quando, dentro do metrô, avistou uma mulher com 
a bolsa entreaberta e a carteira à mostra. Paulo decidiu pegar a carteira, sem que ninguém visse. Durante 
a empreitada criminosa, Paulo inseriu a mão na bolsa da mulher e segurou a carteira. Porém, com crise 
de consciência, Paulo decidiu por livre e espontânea vontade não prosseguir na empreitada criminosa. 
Diante dos fatos narrados, é correto afirmar que Paulo deve ser beneficiado pelo instituto do(a): 
 
A) Arrependimento posterior. 
B) Desistência voluntária. 
C) Tentativa. 
D) Arrependimento eficaz. 
 
12. Arrependimento posterior 
 
Art. 16, do Código Penal 
Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou 
restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do 
agente, a pena será reduzida de um a dois terços. 
 
• Incide depois da consumação do delito; 
• Para crimes praticados sem violência ou grave ameaça; 
• Reparação do dano ou restituição da coisa até do recebimento da denúncia ou 
queixa; 
• É causa de diminuição da pena de 1/3 a 2/3; 
• Assim, se o agente subtraiu uma TV do seu local de trabalho e, ao chegar em casa 
com a coisa subtraída, é convencido pela esposa a devolvê-la, o que efetivamente 
vem a fazer no dia seguinte, mesmo quando o fato já havia sido registrado na 
delegacia, haverá arrependimento posterior, com reflexo na dosimetria da pena; 
• Se o crime for praticado com violência ou grave ameaça, ou, se praticado sem 
violência ou grave ameaça, mas a reparação do dano ou restituição da coisa 
aconteceu depois do recebimento da denúncia ou queixa, incidirá a atenuante do 
artigo 65, III, “b”, do CP. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
10) FGV – 2019 – OAB – 29º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Durante a madrugada, Lucas ingressou em uma residência e subtraiu um computador. Quando se 
preparava para sair da residência, ainda dentro da casa, foi surpreendido pela chegada do proprietário. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
29 
Assustado, ele o empurrou e conseguiu fugir com a coisa subtraída. Na manhã seguinte, arrependeu-se 
e resolveu devolver a coisa subtraída ao legítimo dono, o que efetivamente veio a ocorrer. O proprietário, 
revoltado com a conduta anterior de Lucas, compareceu em sede policial e narrou o ocorrido. Intimado 
pelo Delegado para comparecer em sede policial, Lucas, preocupado com uma possível 
responsabilização penal, procura o advogado da família e solicita esclarecimentos sobre a sua situação 
jurídica, reiterando que já no dia seguinte devolvera o bem subtraído. Na ocasião da assistência jurídica, 
o(a) advogado(a) deverá informar a Lucas que poderá ser reconhecido(a) 
 
A) A desistência voluntária, havendo exclusão da tipicidade de sua conduta. 
B) O arrependimentoeficaz, respondendo o agente apenas pelos atos até então praticados. 
C) O arrependimento posterior, não sendo afastada a tipicidade da conduta, mas gerando aplicação de 
causa de diminuição de pena. 
D) A atenuante da reparação do dano, apenas, não sendo, porém, afastada a tipicidade da conduta. 
 
13. Suspensão condicional da execução da pena (sursis) 
• Trata-se de um instituto de política criminal, tendo por fim a suspensão da execução 
da pena privativa de liberdade, evitando o recolhimento ao cárcere do condenado 
não reincidente, cuja pena não seja superior a 02 anos (ou 04, se septuagenário 
ou enfermo), sob determinadas condições, fixadas pelo juiz, bem como dentro de 
período de prova pré-definido. 
 
13.1. Requisitos 
a) Qualidade da pena 
• Quanto à qualidade da pena, somente a pena privativa de liberdade, seja reclusão, 
seja detenção, admite o sistema. As penas restritivas de direitos e a multa não o 
permitem (CP, art. 80). 
 
b) Quantidade da pena 
• O segundo requisito de ordem objetiva diz respeito à quantidade da pena privativa 
de liberdade: não pode ser superior a 02 anos, ainda que resulte, no concurso de 
crimes, de sanções inferiores a ela; 
• Tratando-se, entretanto, de condenado maior de setenta anos de idade, poderá ser 
suspensa a pena privativa de liberdade não superior a 04 anos (CP, art. 77, § 2º). 
 
c) Impossibilidade de substituição por pena restritiva de direitos 
• Somente se aplica o sursis caso não caiba substituição da pena privativa de 
liberdade por restritiva de direitos. Portanto, somente em casos excepcionais, 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
30 
quando não for cabível a referida substituição, como, por exemplo, quando se tratar 
de crimes violentos contra a pessoa, como a lesão corporal – pode o juiz aplicar o 
sursis. 
 
d) Condenado não reincidente em crime doloso 
• Nem toda reincidência impede a concessão do sursis, mas tão-somente a 
reincidência em crime doloso. Isso quer dizer que a condenação anterior, mesmo 
definitiva, por crime culposo ou por simples contravenção, por si só, não é causa 
impeditiva da suspensão condicional da pena; 
• Convém sinalar que a condenação anterior à pena de multa não impede a 
concessão do sursis (art. 77, § 1º, do CP). 
 
e) Circunstâncias judiciais favoráveis ao agente 
 
14. Livramento condicional 
• O livramento condicional como o próprio nome permite concluir é a liberdade 
mediante condições. Trata-se da última etapa do cumprimento de pena, não se 
confundido com progressão de regime, pois o livramento condicional não integra o 
sistema progressivo. 
 
14.1 Requisitos 
• a) Natureza e quantidade da pena: art. 83, caput, CP: 
• Tal como ocorre com a suspensão condicional, somente a pena privativa de 
liberdade pode ser objeto do livramento condicional. Esse instituto poderá ser 
concedido à pena privativa de liberdade igual ou superior a dois anos (Art. 83 do 
CP). A soma das penas é permitida para atingir esse limite mínimo, mesmo que 
tenham sido aplicadas em processos distintos. 
• b) Cumprimento de parte da pena: art. 83, incisos I, II e IV, CP: 
• Nos termos do artigo 83, incisos I e II, do Código Penal, o criminoso primário deve 
cumprir mais de 1/3 da pena privativa de liberdade; 
• Assim também o reincidente, desde que não o seja em crime doloso. Para tanto, é 
necessário que apresentem bons antecedentes. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
31 
• Quando o condenado é reincidente em crime doloso, deve cumprir mais da metade 
da pena. Por ausência de previsão legal, o agente primário portador de maus 
antecedentes deverá cumprir 1/3 para o livramento condicional, já que o inciso 
restringe somente à hipótese de reincidente em crime doloso (não é possível 
analogia in malam partem); 
• Tratando-se de condenado por prática de tortura, crime hediondo, tráfico ilícito de 
entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo, desde que não seja 
reincidente específico em tais delitos, deve cumprir mais de 2/3 da pena (Art. 83, 
inciso V, do CP). Assim, sendo reincidente específico não é admissível o livramento 
condicional. Há reincidência específica, para efeito da disposição, quando o sujeito, 
já tendo sido condenado por qualquer dos delitos hediondos ou demais por 
sentença transitada em julgado, vem novamente a cometer um deles; 
• O Pacote Anticrime trouxe uma nova vedação para o livramento condicional no 
caso de crimes hediondos ou equiparado com resultado morte não terá direito ao 
livramento condicional (Art. 112, LEP). Registra-se que a restrição somente será 
aplicada para quem praticar delitos desta natureza a partir da vigência do pacote. 
Do contrário estaríamos violando o artigo 5º, inciso XL, da CF/88; 
• Há também a previsão do artigo 2º, §9º, da Lei nº 12.850/13 que em caso de 
manutenção de vínculos com organização criminosa reconhecida expressamente 
na sentença como integrante, não terá direito ao livramento condicional; 
• c) bom comportamento durante a execução da pena; 
• d) não cometimento de falta grave nos últimos 12 (doze) meses; 
• e) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído; e 
• f) aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto. 
 
15. Extraterritorialidade 
• Conteúdo que será objeto de questão na aula de amanhã. 
 
16. Crime impossível 
 
Art. 17, do Código Penal. 
Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta 
impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
32 
• O crime impossível por ineficácia absoluta do meio guarda relação com o meio 
de execução ou instrumento utilizado pelo agente, que, por sua natureza, será 
incapaz de produzir qualquer resultado, ou seja, jamais alcançará a consumação 
do delito. É o caso do agente que, pretendendo matar a vítima, usa como meio 
executório arma completamente defeituosa, que jamais efetuaria qualquer disparo. 
A substância que não tem qualquer efeito abortivo; 
• O crime impossível pela impropriedade absoluta do objeto guarda relação com 
o objeto material, compreendendo a pessoa ou coisa sobre o qual recai a conduta 
do agente. Tomemos como exemplo a conduta do agente que, pretendendo matar 
a vítima, desfere vários disparos de arma de fogo contra o seu corpo, verificando-
se, após, que, ao receber os disparos, já se encontrava morta, em decorrência de 
ter sofrido, momentos antes, fulminante ataque cardíaco. Evidente, neste caso, a 
impropriedade absoluta do objeto, diante da impossibilidade de ceifar a vida de 
pessoa que já estava morta; 
• Nesse caso, nem sequer a tentativa poderá ser punida, havendo, portanto, 
atipicidade da conduta; 
• Se a ineficácia ou impropriedade for relativa, o sujeito vai responder pela tentativa. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
11) FGV – 2019 – OAB – 30º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Mário trabalhava como jardineiro na casa de uma família rica, sendo tratado por todos como um 
funcionário exemplar, com livre acesso a toda a residência, em razão da confiança estabelecida. Certo 
dia, enfrentando dificuldades financeiras, Mário resolveu utilizar o cartão bancário de seu patrão, Joaquim, 
e, tendo conhecimento da respectiva senha, promoveu o saque da quantia de R$ 1.000,00 (mil reais). 
Joaquim, ao ser comunicado pelo sistema eletrônico do banco sobre o saque feito em sua conta, efetuou 
o bloqueio do cartão e encerrou sua conta. Sem saber que o cartão se encontrava bloqueado e a conta 
encerrada, Mário tentou novo saque no dia seguinte, não obtendo êxito. De posse das filmagens das 
câmeras de segurança do banco, Mário foi identificado como o autor dos fatos, tendo admitido a prática 
delitiva. Preocupado com as consequências jurídicas de seus atos, Mário procurou você, como 
advogado(a), para esclarecimentos emrelação à tipificação de sua conduta. Considerando as 
informações expostas, sob o ponto de vista técnico, você, como advogado(a) de Mário, deverá esclarecer 
que sua conduta configura 
 
A) Os crimes de furto simples consumado e de furto simples tentado, na forma continuada. 
B) Os crimes de furto qualificado pelo abuso de confiança consumado e de furto qualificado pelo abuso 
de confiança tentado, na forma continuada. 
C) Um crime de furto qualificado pelo abuso de confiança consumado, apenas. 
D) Os crimes de furto qualificado pelo abuso de confiança consumado e de furto qualificado pelo abuso 
de confiança tentado, em concurso material. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
33 
17. Inimputabilidade pela doença mental ou desenvolvimento mental 
incompleto ou retardado 
 
Art. 26, do Código Penal. É isento de pena o agente que, por doença mental ou 
desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, 
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo 
com esse entendimento. 
 
• Não basta que o agente esteja acometido de doença mental ou desenvolvimento 
mental incompleto ou retardado, devendo, ainda, em razão dessa circunstância, 
estar inteiramente incapaz de compreender o caráter ilícito do fato ou de se 
comportar de acordo com esse entendimento; 
• Adota-se, por isso, o critério biopsicológico; 
• A natureza jurídica da sentença é absolutória imprópria; 
• Isso porque se aplica medida de segurança, que pode ser de internação ou 
tratamento ambulatorial, conforme o artigo 97 do CP; 
• O período mínimo de duração da medida de segurança é de 1 a 3 anos (art. 97, § 
1º, do CP). O período máximo de duração da medida de segurança corresponde 
ao máximo da pena cominada ao delito (Súmula 527 do STJ). 
 
 Resolva a questão a seguir: 
12) FGV – 2019 – OAB – 30° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Durante ação penal em que Guilherme figura como denunciado pela prática do crime de abandono de 
incapaz (Pena: detenção, de 6 meses a 3 anos), foi instaurado incidente de insanidade mental do 
acusado, constatando o laudo que Guilherme era, na data dos fatos (e permanecia até aquele momento), 
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato, em razão de doença mental. Não foi indicado, 
porém, qual seria o tratamento adequado para Guilherme. Durante a instrução, os fatos imputados na 
denúncia são confirmados, assim como a autoria e a materialidade delitiva. Considerando apenas as 
informações expostas, com base nas previsões do Código Penal, no momento das alegações finais, a 
defesa técnica de Guilherme, sob o ponto de vista técnico, deverá requerer: 
 
A) A absolvição imprópria, com aplicação de medida de segurança de tratamento ambulatorial, podendo 
a sentença ser considerada para fins de reincidência no futuro. 
B) A absolvição própria, sem aplicação de qualquer sanção, considerando a ausência de culpabilidade. 
C) A absolvição imprópria, com aplicação de medida de segurança de tratamento ambulatorial, não sendo 
a sentença considerada posteriormente para fins de reincidência. 
D) A absolvição imprópria, com aplicação de medida de segurança de internação pelo prazo máximo de 
02 anos, não sendo a sentença considerada posteriormente para fins de reincidência. 
 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
34 
18. Embriaguez completa e acidental 
 
Art. 28, § 1º, do Código Penal 
É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou 
força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o 
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 
 
• A embriaguez voluntária ou culposa não exclui a imputabilidade, nos termos do 
artigo 28, II, do CP; 
• A embriaguez que isenta o sujeito de pena, ou seja, que exclui a culpabilidade, é a 
decorrente de caso fortuito ou força maior; 
• No caso fortuito, o sujeito desconhece o efeito inebriante da substância que ingere, 
ou quando, desconhecendo uma particular condição fisiológica, ingere substância 
que possui álcool (ou substância análoga), ficando embriagado. É o caso do agente 
que está tomando determinado medicamento e ingere bebida alcóolica. A 
conjugação do medicamento e da bebida alcoólica potencializa o metabolismo do 
agente, a ponto de deixá-lo embriagado. É também o caso do agente que ingere 
determinada bebida sem saber que nela foi colocada uma substância capaz de lhe 
retirar os sentidos, deixando-o embriagado, como, por exemplo, o chamado “boa 
noite cinderela”; 
• Na força maior, o agente é obrigado a ingerir bebida alcoólica. Não desejando se 
embriagar nem de se exceder culposamente, o agente é forçado a ingerir bebida 
alcoólica. É o caso, por exemplo, do trote acadêmico de péssimo gosto em que os 
veteranos obrigam, forçam os calouros a ingerirem bebida alcoólica. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
13) FGV – 2021 – OAB – 33° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Após o expediente, Márcio saiu com seus colegas de trabalho para comemorar o sucesso das vendas 
naquele mês e sua escolha como melhor funcionário do período. Ao chegarem ao bar, Márcio entregou 
a chave de seu carro aos colegas, alertando-os que iria beber até se embriagar e cair. Após cumprir a 
promessa feita aos colegas, Márcio, completamente alterado, se dirigiu até o caixa do bar para pagar sua 
conta. Devido a divergências quanto à quantidade de bebida consumida, Márcio iniciou uma forte 
discussão com o atendente do estabelecimento e arremessou a garrafa de cerveja que segurava em sua 
direção, acertando a cabeça do funcionário e causando-lhe ferimentos de natureza grave. Preocupado 
com as consequências jurídicas de seu ato, Márcio o(a) procura, na condição de advogado(a), para 
assistência técnica. 
Considerando apenas as informações expostas, sob o ponto de vista técnico, você, como advogado(a), 
deverá esclarecer que a conduta praticada por Márcio configura 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Penal 
 
35 
A) Crime de lesão corporal grave, diante da embriaguez culposa, podendo ser reconhecida causa de 
diminuição de pena, já que a embriaguez era completa. 
B) Conduta típica e ilícita, mas não culpável, diante da embriaguez culposa, afastando a culpabilidade do 
agente. 
C) Crime de lesão corporal grave, com reconhecimento de agravante, diante da embriaguez preordenada. 
D) Crime de lesão corporal grave, diante da embriaguez voluntária. 
 
 
19. Coação moral irresistível e obediência hierárquica 
 
Coação irresistível e obediência hierárquica 
Art. 22. Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não 
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da 
ordem. 
 
19.1. Coação moral irresistível 
• Na coação moral, o agente coator, para alcançar o resultado desejado, emprega 
grave ameaça contra o coagido, que, por medo de suportar um mal grave contra si 
ou contra outrem, acaba realizando a conduta criminosa exigida. A coação 
empregada pelo agente, vicia a vontade do coagido, retirando-lhe a exigência de 
se comportar de modo diferente. Nesse caso, em relação ao coagido, incide a 
causa de exclusão da culpabilidade decorrente da inexigibilidade de conduta 
diversa; 
• Exemplo: se o sujeito é coagido a assinar um documento falso, responde pelo crime 
de falsidade o autor da coação. O coato não responde pelo crime, uma vez que 
sobre o fato incide a causa de exclusão da culpabilidade. Assim, quando o sujeito 
comete o fato típico e antijurídico sob coação moral irresistível não há culpabilidade 
em face da inexigibilidade de outra conduta (não é reprovável o comportamento). 
A culpabilidade desloca-se da figura do coato para a do coator; 
• Quando o sujeito pratica o fato sob coação física irresistível, não praticará crime 
por ausência de

Mais conteúdos dessa disciplina