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<p>W</p><p>BA</p><p>09</p><p>16</p><p>_V</p><p>1.</p><p>1</p><p>BASES MORFOLÓGICAS E</p><p>FUNCIONAIS DO SISTEMA</p><p>NERVOSO</p><p>2</p><p>Marisa Martin Crivelaro Romão</p><p>São Paulo</p><p>Platos Soluções Educacionais S.A</p><p>2021</p><p>BASES MORFOLÓGICAS E FUNCIONAIS DO</p><p>SISTEMA NERVOSO</p><p>1ª edição</p><p>3</p><p>2021</p><p>Platos Soluções Educacionais S.A</p><p>Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César</p><p>CEP: 01418-002— São Paulo — SP</p><p>Homepage: https://www.platosedu.com.br/</p><p>Diretor Presidente Platos Soluções Educacionais S.A</p><p>Paulo de Tarso Pires de Moraes</p><p>Conselho Acadêmico</p><p>Carlos Roberto Pagani Junior</p><p>Camila Braga de Oliveira Higa</p><p>Camila Turchetti Bacan Gabiatti</p><p>Giani Vendramel de Oliveira</p><p>Gislaine Denisale Ferreira</p><p>Henrique Salustiano Silva</p><p>Mariana Gerardi Mello</p><p>Nirse Ruscheinsky Breternitz</p><p>Priscila Pereira Silva</p><p>Tayra Carolina Nascimento Aleixo</p><p>Coordenador</p><p>Camila Turchetti Bacan Gabiatti</p><p>Revisor</p><p>Cristiano da Rosa</p><p>Editorial</p><p>Alessandra Cristina Fahl</p><p>Beatriz Meloni Montefusco</p><p>Carolina Yaly</p><p>Mariana de Campos Barroso</p><p>Paola Andressa Machado Leal</p><p>Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_________________________________________________________________________________________</p><p>Romão, Marisa Martin Crivelaro</p><p>R761b Bases morfológicas e funcionais do sistema nervoso /</p><p>Marisa Martin Crivelaro Romão, – São Paulo: Platos</p><p>Soluções Educacionais S.A., 2021.</p><p>45 p.</p><p>ISBN 978-65-89965-47-3</p><p>1.Estruturas. 2. Região cerebral. 3. Funções. I. Título.</p><p>CDD 612.8</p><p>____________________________________________________________________________________________</p><p>Evelyn Moraes – CRB-8 SP-010289/O</p><p>© 2021 por Platos Soluções Educacionais S.A.</p><p>Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser</p><p>reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio,</p><p>eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de</p><p>sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização,</p><p>por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A.</p><p>4</p><p>SUMÁRIO</p><p>Aspectos microscópicos do Sistema Nervoso: o neurônio ___ 05</p><p>Sistema nervoso: aspectos macroscópicos __________________ 20</p><p>Lobos do cérebro: Frontal, Temporal, Parietal, Occiptal, Insular e</p><p>Límbico ______________________________________________________ 35</p><p>Estruturas cerebrais e funções cognitivas ____________________ 53</p><p>BASES MORFOLÓGICAS E FUNCIONAIS DO SISTEMA</p><p>NERVOSO</p><p>5</p><p>Aspectos microscópicos do</p><p>Sistema Nervoso: o neurônio</p><p>Autoria: Marisa Martin Crivelaro Romão</p><p>Leitura crítica: Cristiano da Rosa</p><p>Objetivos</p><p>• Propiciar o conhecimento das estruturas da unidade</p><p>básica de parte central do sistema nervoso: o</p><p>neurônio.</p><p>• Permitir o conhecimento dos tipos de neurônios</p><p>existentes na parte central do sistema nervoso.</p><p>• Introduzir o conceito de neuroplasticidade cerebral e</p><p>algumas de suas implicações.</p><p>6</p><p>1. Aspectos microscópicos do sistema nervoso:</p><p>o neurônio</p><p>A função cerebral é responsável pela regulação da função voluntária e</p><p>involuntária, possibilitando respostas físicas e emocionais aos estímulos</p><p>externos. É por meio do sistema nervoso que se pode perceber e</p><p>interagir com o ambiente e, assim, sermos o que somos. Ele é dividido</p><p>em parte central do sistema nervoso, composto pelo encéfalo e pela</p><p>medula espinal, e parte periférica do sistema nervoso, composto</p><p>pelos nervos, gânglios e terminações nervosas. A parte central do</p><p>sistema nervoso é responsável pelo processamento e integração das</p><p>informações e a parte periférica do sistema nervoso pela condução</p><p>de informações entre órgãos receptores de estímulos, a parte central</p><p>do sistema nervoso e órgãos efetores, como os músculos (KREBS;</p><p>WEINBERG; AKESSON, 2013).</p><p>Figura 1 – Diagrama da divisão do sistema nervoso central (SNC)</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>As células do sistema nervoso central são a base construtora para</p><p>funções complexas que ele desempenha e essas células excitáveis são</p><p>denominadas de neurônios. Estima-se que existam, aproximadamente,</p><p>86 bilhões de neurônios no cérebro humano e 20 milhões de neurônios</p><p>na medula espinal. Calcula-se que ocorram no mínimo 100 trilhões de</p><p>conexões neurais no cérebro humano adulto, ou seja, cada neurônio</p><p>tem contato com mais de mil outros neurônios. A complexidade da</p><p>7</p><p>comunicação é ainda mais agravada pela maneira como os neurônios se</p><p>comunicam (KREBS; WEINBERG; AKESSON, 2013; FUENTES et al., 2008).</p><p>1.1 Componentes celulares do sistema nervoso</p><p>Em uma visão evolucionista darwinista, ao longo da evolução, o sistema</p><p>nervoso (SN) foi se desenvolvendo por meio da aquisição de estruturas</p><p>funcionais que possibilitaram a organização cada vez mais complexa dos</p><p>organismos vivos com o meio ambiente. É a elaboração de respostas</p><p>adaptativas frente às modificações tanto do meio externo quanto do</p><p>meio interno desses organismos, como: imagens, sons, mudanças de</p><p>temperatura, estímulos dolorosos, posição das articulações, alteração</p><p>de pressão arterial, níveis plasmáticos de hormônios etc. (FUENTES et al.,</p><p>2008).</p><p>O neurônio é a célula localizada na parte central do sistema nervoso,</p><p>mas encontrado também na parte periférica do sistema nervoso em</p><p>estruturas chamadas gânglios (órgãos esféricos, protegidos por cápsulas</p><p>de tecido conjuntivo e associados a nervos). O seu conjunto está</p><p>relacionado com a propagação do impulso nervoso, sendo considerada</p><p>a unidade básica desse sistema. Os neurônios se comunicam uns com os</p><p>outros por sinapses, formando redes funcionais para o processamento</p><p>e armazenamento das informações. Uma sinapse apresenta três</p><p>componentes básicos: o terminal axonal de uma célula, o dendrito</p><p>da célula receptora e um processo de célula glial. Segundo Ferrari</p><p>et al. (2001), a fenda sináptica é o nome dado ao espaço entre esses</p><p>componentes.</p><p>Os dendritos são prolongamentos do neurônio que garantem a</p><p>recepção dos estímulos, levando o impulso nervoso em direção ao</p><p>corpo celular. A grande maioria dos neurônios apresenta uma grande</p><p>quantidade de dendritos. Os axônios são o prolongamento que garante</p><p>a condução do impulso nervoso, também conhecido como potencial de</p><p>https://brasilescola.uol.com.br/biologia/impulso-nervoso.htm</p><p>8</p><p>ação. Cada neurônio possui apenas um axônio, o qual é, geralmente,</p><p>mais longo que os dendritos. Há duas variáveis de axônios: os mielínicos</p><p>e os amielínicos.</p><p>Envolvendo o axônio mielínico há um isolamento elétrico chamado</p><p>de bainha de mielina, que auxilia a transmitir o impulso nervoso</p><p>mais rapidamente. A bainha de mielina é produzida por dois tipos</p><p>celulares: oligodendrócitos, na parte central do sistema nervoso, e</p><p>células de Schwann, na parte periférica do sistema nervoso. Os locais</p><p>onde há espaços entre as bainhas são chamados de Nodo de Ranvier.</p><p>Segundo Moreira (2013), por sua vez, o corpo celular consiste no local</p><p>do neurônio onde está presente o núcleo, grande parte das organelas</p><p>celulares e de onde partem os prolongamentos dessa célula.</p><p>Nesses locais, entre um neurônio e outro, são lançados</p><p>neurotransmissores que atuam no transporte das informações de</p><p>um neurônio para outra célula. Ao neurônio que está passando a</p><p>informação dá-se o nome de célula pré-sináptica e à célula que recebe o</p><p>sinal dá-se o nome de célula pós-sináptica (OLIVEIRA; NETO, 2015).</p><p>Figura 2 – Imagem dos componentes do neurônio</p><p>Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Neurono-ido.svg. Acesso em: 6 jul. 2021.</p><p>Dendrito</p><p>Corpo Celular</p><p>Nodo de Ranvier</p><p>Terminal do Axônio</p><p>Célula de Schwann</p><p>Bainha de Mielina</p><p>Axônio</p><p>Núcleo Celular</p><p>https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Neurono-ido.svg</p><p>9</p><p>1.2 Tipos de neurônios</p><p>O sistema nervoso surgiu a partir de três vesículas primitivas</p><p>(prosencéfalo, mesencéfalo e rombencéfalo) e executa funções no</p><p>intuito de manter ou alterar as funções orgânicas a partir dos estímulos</p><p>externos e internos. Assim, ele recebe a seguinte classificação funcional:</p><p>sensorial, integrativa e motora. São ditas sensoriais ou aferentes</p><p>quando recebem os estímulos e os envia para a parte central do sistema</p><p>(MIOTTO; LUCIA; SCAFF, 2012).</p><p>49</p><p>Os Lobos Temporais são responsáveis pela percepção auditiva,</p><p>linguagem receptiva, memória declarativa e visual e emoção. Uma lesão</p><p>no lobo temporal direito leva à perda de sensibilidade para estímulos</p><p>auditivos não verbais, como a música. Já lesões do lobo temporal</p><p>esquerdo acarretam comprometimento do reconhecimento, na</p><p>memória e na formação da linguagem (MIOTTO; LUCIA; SCAFF, 2012).</p><p>1.1.5. Lobo Parietal</p><p>O lobo parietal é constituído por giros particularmente serpiginosos,</p><p>curvos, denominados lóbulos. Na superfície superolateral, o lobo</p><p>parietal é delimitado, anteriormente, pelo sulco pós-central e,</p><p>posteriormente, pela linha imaginária que une o ponto de emergência</p><p>do sulco parieto-occipital, na borda superomedial, com a incisura pré-</p><p>occipital, situada na borda inferolateral, a cerca de 5 cm anteriormente</p><p>ao polo occipital. Nessa superfície, destaca-se o sulco intraparietal,</p><p>que geralmente se inicia a meia altura do sulco pós-central, dispõe-se</p><p>predominantemente de forma longitudinal e, posteriormente, penetra</p><p>no lobo occipital, onde costuma conectar-se em ângulo reto a um sulco</p><p>occipital transverso (MENESES, 2016).</p><p>Segundo Meneses (2016), na superfície medial do hemisfério, o lóbulo</p><p>denominado pré-cuneus tem forma quadrangular é delimitado,</p><p>anteriormente, pelo ramo marginal do sulco do cíngulo, posteriormente</p><p>pelo sulco parieto-occipital e inferiormente pelo sulco subparietal,</p><p>posteriormente ao qual se conecta com o istmo do giro do cíngulo e com</p><p>o giro para-hipocampal.</p><p>Na porção anterior dos lobos parietais, localiza-se o giro para-</p><p>hipocampal responsável pela integração dos estímulos sensoriais no</p><p>corpo para reconhecimento e lembrança da textura, forma e peso dos</p><p>objetos. É a parte mais sensível e maior que região posterior devido ao</p><p>número de informações que são captados e processados pelos órgãos</p><p>50</p><p>dos sentidos. As lesões no giro para-hipocampal podem ocasionar</p><p>dificuldade de reconhecimento de objetos pelo tato e é chamado de</p><p>astereognosia. A zona posterior é uma área secundária e responsável</p><p>pela análise, interpretação e associação das informações recebidas pelo</p><p>córtex somatossensorial primário. Assim, o indivíduo consegue se situar</p><p>no espaço e reconhecer um objeto pelo tato, por exemplo (MIOTTO;</p><p>LUCIA; SCAFF, 2012).</p><p>As áreas posterolaterais ao giro pós-central são responsáveis pelas</p><p>funções visuoespaciais e as integram com outras sensações para gerar</p><p>consciência das trajetórias de objetos em movimento. Elas também são</p><p>mediadoras da propriocepção, ou seja, percepção da posição das áreas</p><p>do corpo (MIOTTO; LUCIA; SCAFF, 2012).</p><p>As partes do lóbulo parietal superomedial, no hemisfério</p><p>dominante, estão relacionadas às habilidades como cálculo, escrita,</p><p>lateralidade e reconhecimento dos dedos. Já as lesões no giro angular</p><p>ocasionam comprometimento no cálculo, na escrita e lateralidade,</p><p>sendo conhecido como anosognosia. As grandes lesões no Lobo Parietal</p><p>direito podem levam o indivíduo a não reconhecer uma paralisia do</p><p>lado oposto, já indivíduos com traumas menores podem ocasionar</p><p>maior dificuldade para a realização de atividades de vida diária (AVD),</p><p>como por exemplo, se vestir e/ou tomar banho sozinho, gerando um</p><p>comprometimento manual-espacial denominada apraxia (MIOTTO;</p><p>LUCIA; SCAFF, 2012).</p><p>1.1.6. Lobo Ínsular</p><p>O lobo ínsular é um lobo localizado no fundo do sulco lateral no córtex</p><p>cerebral. Ele desempenha um papel em determinadas funções de</p><p>linguagem. Lesão nesta área pode levar a um quadro de afasia. (BARBIN,</p><p>2018, p.80)</p><p>51</p><p>Na década de noventa, por meio do avanço nas técnicas de análise e</p><p>diagnóstico, descobriu-se a sua função de empatia e percepção de si</p><p>próprio. A partir dos estudos também se descobriu que ela influencia no</p><p>cotidiano ao influenciar as demais estruturas cerebrais para uma reação</p><p>positiva ou negativa das experiências. Ela atua na volição, vícios, afetos,</p><p>gosto, tomada de decisões etc. Segundo Barbin (2018), as lesões nessa</p><p>área cerebral podem provocar profunda apatia, ou seja, incapacidade do</p><p>indivíduo aproveitar qualquer aspecto de sua vida ou mesmo diferenciar</p><p>funções básicas como de “repulsa” em relação a um alimento estragado,</p><p>por exemplo.</p><p>A ínsula é constituída por uma superfície cortical invaginada sob os</p><p>seus opérculos frontal, frontoparietal e temporal, de modo a constituir</p><p>o assoalho da fissura silviana, que se situa entre os mencionados</p><p>opérculos. Essa situação topográfica se deve ao maior crescimento</p><p>dessas áreas corticais subjacentes que acabaram por recobri-la durante</p><p>os seus desenvolvimentos embriológicos (MENESES, 2016).</p><p>O opérculo frontal se dispõe entre os ramos horizontal e ascendente</p><p>anterior do giro frontal inferior, correspondendo, portanto, à sua parte</p><p>triangular e relacionando-se com o ramo anterior ou eixo da fissura</p><p>silviana. O opérculo frontoparietal se dispõe entre o ramo ascendente</p><p>anterior e o ramo ascendente posterior da fissura silviana, relacionando-</p><p>se, portanto, com o ramo posterior dessa fissura. É constituído pela</p><p>parte opercular do giro frontal inferior, pelas porções mais inferiores dos</p><p>giros pré e pós-centrais e pela porção também mais inferior da parte</p><p>anterior do giro supramarginal. O opérculo temporal, já mencionado</p><p>e descrito em conjunto com o lobo temporal, é constituído pelo giro</p><p>temporal superior. A superfície da ínsula tem a forma de uma pirâmide</p><p>invertida, com o limen insula e formando o seu ápice e apontando para</p><p>a substância perfurada anterior. Ela constitui a cobertura externa do</p><p>claustrum e do putame. A sua superfície é, geralmente, formada por</p><p>cinco giros, sendo os três anteriores os giros curtos da ínsula e os dois</p><p>52</p><p>posteriores os seus giros longos; esses últimos estão separados pelos</p><p>sulcos pré-central, central e pós-central da ínsula (MENESES, 2016).</p><p>Referências</p><p>BARBIN, I. C. C. Anatomia e fisiologia humana. Londrina: Educacional, 2018.</p><p>MENESES, M. S. Neuroanatomia aplicada. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,</p><p>2015.</p><p>MIOTTO, E. C.; LUCIA, M. C. S.; SCAFF, M. Neuropsicologia clínica. São Paulo: Roca,</p><p>2012.</p><p>TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia. Rio de</p><p>Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.</p><p>53</p><p>Estruturas cerebrais e funções</p><p>cognitivas</p><p>Autoria: Nome do autor da disciplina</p><p>Leitura crítica: Nome do leitor da disciplina</p><p>Objetivos</p><p>• Propiciar o conhecimento de um breve histórico dos</p><p>estudos sobre as estruturas cerebrais e as funções</p><p>cognitivas.</p><p>• Introduzir as principais funções cognitivas e suas</p><p>estruturas cerebrais relacionadas.</p><p>• Proporcionar uma visão geral dos processos</p><p>cognitivos e funcionamento cerebral.</p><p>54</p><p>1. Estruturas cerebrais e funções cognitivas</p><p>Há muito tempo, o cérebro humano desperta a curiosidade das</p><p>pessoas, principalmente após a descoberta da unidade básica do</p><p>cérebro, o neurônio. Desde então surgiram muitas pesquisas sobre o</p><p>funcionamento cerebral e a localização de suas funções cognitivas sob</p><p>uma perspectiva localizacionista e holista.</p><p>O entendimento e a compreensão do funcionamento cerebral por</p><p>parte da neurociência são essenciais para um entendimento global</p><p>e aprofundado do indivíduo, para propiciar novos tratamentos mais</p><p>eficazes em prol da melhoria de qualidade dos indivíduos acometidos</p><p>ou não por alguma enfermidade. Além disso, é onde a neuropsicologia</p><p>passa a se desenvolver e se afirmar como ciência.</p><p>1.1 Um breve histórico</p><p>No século XIX, o conhecimento do cérebro humano se dava por meio da</p><p>análise dos cérebros após o falecimento do indivíduo e da observação</p><p>clínica do comportamento do indivíduo depois de uma lesão no</p><p>cérebro. Dessa forma, ocorreu após o acidente em uma estrada de ferro</p><p>americana em que um jovem chamado Phineas Gage teve seu cérebro</p><p>atravessado por uma barra de ferro em consequência de uma explosão.</p><p>Inicialmente, não foi observada nenhuma alteração, dado que o jovem</p><p>continuou andando comendo e se comunicando. No entanto, segundo</p><p>Maranhã-Filho (2014), com o tempo, se notou uma mudança</p><p>drástica</p><p>em sua personalidade, com comprometimento significativo em seguir a</p><p>regra social.</p><p>A partir deste incidente, acreditou-se que com a análise do cérebro seria</p><p>possível compreender a sua função cognitiva, dando origem ao conceito</p><p>de Frenologia. O funcionamento cerebral passa a ser compreendido</p><p>de modo fragmentado e cada região é responsável por uma função</p><p>55</p><p>cognitiva específica. Gall propôs que, conforme o uso do cérebro, o seu</p><p>uso o faria aumentar de tamanho assim como se aumenta os músculos</p><p>com exercício físico. Ele também acreditava que as circunvoluções</p><p>da superfície do cérebro refletiam a propensão a determinadas</p><p>características de personalidade, como a timidez, a destrutividade e a</p><p>generosidade (MOURÃO-JÚNIOR; ABRAMOV, 2011).</p><p>Os trabalhos de Paul Broca sobre o centro de controle da fala e Karl</p><p>Wernicke a respeito da área de compreensão da fala corroboraram</p><p>com essa visão localizacionista da atribuição das faculdades mentais a</p><p>determinadas áreas específicas (MOURÃO-JÚNIOR; ABRAMOV, 2011).</p><p>As pesquisas de Broca descreviam o caso de um paciente que conseguia</p><p>entender o que lhe era dito, mas não era capaz de falar, embora</p><p>não apresentasse problema motor (língua, boca e cordas vocais). Ele</p><p>conseguia expressar oralmente palavras isoladas e cantar, mas era</p><p>incapaz de falar frases completas e escrever suas ideias. Após seu</p><p>falecimento, a análise de seu cérebro revelou uma lesão na região</p><p>posterior do lobo frontal esquerdo, região que recebeu o nome de área</p><p>de Broca. Depois foi realizada a análise de mais de oito pacientes com</p><p>queixas semelhantes que confirmaram essa área como responsável pela</p><p>expressão motora da fala (MOURÃO-JÚNIOR; ABRAMOV, 2011).</p><p>Em 1870, o fisiologista Gustav Fritsch e o psiquiatra Eduard Hitzig</p><p>descobriram, por meio de estimulação elétrica em cães, que a</p><p>estimulação em determinadas áreas cerebrais produzia movimentos</p><p>específicos dos membros de modo lateralizado. Assim, a mão direita que</p><p>é utilizada para a escrita seria comandada pelo hemisfério esquerdo do</p><p>cérebro na maioria dos indivíduos. (MOURÃO-JÚNIOR; ABRAMOV, 2011).</p><p>Por sua vez, o hemisfério esquerdo tem a função de pensamento lógico</p><p>e comunicação, já o hemisfério direito é responsável pelo pensamento</p><p>simbólico e criatividade. Nos canhotos, as funções mentais ocorrem de</p><p>modo contrário (MOURÃO-JÚNIOR; ABRAMOV, 2011).</p><p>56</p><p>Figura 1 – Hemisférios direito e esquerdo e suas funções específicas</p><p>Fonte: cienpies/iStock.com.</p><p>Wernicke propôs uma hipótese após a análise de uma vítima de acidente</p><p>vascular cerebral (AVC), em que postula sobre uma afasia relacionada</p><p>à alteração de compreensão e não da execução. Os pacientes de</p><p>Broca entendiam, mas não conseguiam falar. O paciente de Wernicke</p><p>conseguia falar, mas não compreendia o que dizia, então, para ele, as</p><p>funções cognitivas estão localizadas de modo difuso por todo o córtex</p><p>cerebral, mostrando a primeira evidência de processamento distribuído,</p><p>ideia atual de funcionamento cerebral (MOURÃO-JÚNIOR; ABRAMOV,</p><p>2011).</p><p>57</p><p>Em oposição ao localizacionismo, Jackson propõe uma divisão</p><p>hierárquica do sistema nervoso, surgindo o conceito chamado de</p><p>holismo. Nesta visão, todas as áreas cerebrais colaboram em um</p><p>determinado momento para a execução de determinada tarefa</p><p>(MAXEWELL, 2013).</p><p>Segundo Maxewell (2013), em seus estudos, Luria postulou o conceito</p><p>de “sistemas funcionais”, cujas funções elementares estariam localizadas</p><p>em áreas específicas do cérebro, mas os processos mentais englobam</p><p>sistemas que funcionam em conjunto, situando-se em áreas diferentes</p><p>do cérebro.</p><p>Norman e Shallice, por sua vez, propõe a noção de funcionamento</p><p>em cascata mesmo em sistemas centrais como o Sistema Atencional</p><p>Supervisor (SAS).</p><p>No século XX foi possível a observação menos intrusiva de um cérebro</p><p>humano vivo, em funcionamento, por meio dos exames de Ressonância</p><p>Magnética (RM), tomografia computadorizada por emissão de pósitrons</p><p>(PET Scan) ou por fóton único (SPECT), magnetoencefalografia (MEG) e</p><p>traçadores de atividade neuronal baseados em expressão gênica (c-Fos)</p><p>(MOURÃO-JÚNIOR; ABRAMOV, 2011).</p><p>Nas últimas décadas, os métodos de diagnóstico por imagem</p><p>apresentaram grande desenvolvimento, por meio de técnicas novas de</p><p>imagem incorporadas aos instrumentos diagnósticos (MIOTTO; LUCIA;</p><p>SCAFF, 2012).</p><p>A tomografia computadorizada possibilita a realização de imagens</p><p>seccionais do encéfalo. Hoje, esse é o método de imagem mais</p><p>utilizado no mundo para o estudo da parte central do sistema por ser</p><p>amplamente disponível, menos caro e mais rápida. A indicação mais</p><p>comum está no cenário dos traumatismos cranioencefálicos, pois, ele</p><p>58</p><p>consegue avaliar a presença de fratura e hemorragias intracranianas</p><p>(MIOTTO; LUCIA; SCAFF, 2012).</p><p>A ressonância magnética é um método não invasivo de diagnóstico</p><p>por imagem que permite a realização de imagens multiplanares, não</p><p>utiliza radiação ionizante e não apresenta efeitos nocivos aos indivíduos</p><p>(MIOTTO; LUCIA; SCAFF, 2012).</p><p>O desenvolvimento de novas técnicas de imagem por ressonância</p><p>magnética tem sido muito intenso nos últimos anos, permitindo uma</p><p>avaliação tanto morfológica como funcional do cérebro (MIOTTO; LUCIA;</p><p>SCAFF, 2012).</p><p>A ressonância magnética funcional é um método de avaliação funcional</p><p>indireto da atividade neural, pois se baseia no princípio de acoplamento</p><p>neurovascular (MIOTTO; LUCIA; SCAFF, 2012).</p><p>Figura 2 – Exemplo de ressonância magnética</p><p>Fonte: trifonov_evegni/iStock.com.</p><p>59</p><p>Assim, desde então, o interesse se voltou ao conhecimento dos circuitos</p><p>cerebrais em vez das funções especificas de localização das funções</p><p>cognitivas do cérebro. A partir de um entendimento dos substratos do</p><p>cérebro e seu funcionamento, já é possível descrever as principais áreas</p><p>e estruturas associadas aos processos cognitivos.</p><p>1.2 Atenção</p><p>Quanto à sua neuroanatomia, a atenção é formada por várias estruturas</p><p>corticais e subcorticais, além de sistemas de redes neurais. A partir do</p><p>estado de alerta se inicia a captação das informações advindas dos</p><p>órgãos sensoriais. Segundo Maxewell (2013), no tronco encefálico, na</p><p>formação reticular, é onde se dá a regulação da resistência.</p><p>No entanto, o sistema ativador reticular ascendente (SARA) permite</p><p>a ativação do córtex, a manutenção do alerta e vigília e a escolha das</p><p>respostas comportamentais. A ativação inicial do córtex parietal na</p><p>recepção de informações sensoriais, os núcleos da base e do colículo</p><p>superior com as informações motoras, além das informações límbicas</p><p>advindas do giro do cíngulo e do corpo amigdalóide são reguladas pela</p><p>formação reticular (MAXEWELL, 2013).</p><p>As capacidades de seleção de informações relevantes e inibição de</p><p>estímulos irrelevantes são fatores fundamentais para o processo de</p><p>aprendizagem (MAXEWELL, 2013). A atenção seletiva está relacionada</p><p>com três estruturas: o córtex parietal superior está associado com a</p><p>representação espacial do meio; o córtex pré-motor lateral tem a função</p><p>de orientar e parte motora da exploração do ambiente; e parte anterior</p><p>do giro do cíngulo, que está relacionado com a monitoração da resposta</p><p>(MAXEWELL, 2013).</p><p>O córtex pré-frontal é responsável pelo controle voluntário da atenção,</p><p>o córtex fronto-parietal; e os núcleos da base tem o papel de integrar</p><p>as novas informações; e o núcleo pulvinar é responsável pela seleção</p><p>60</p><p>de estímulos relevantes das irrelevantes e engajamento. De modo</p><p>contrário, segundo Maxewell (2013), a inibição de estímulos irrelevantes</p><p>está associada à estrutura do sistema límbico, por meio dos aspectos</p><p>afetivos e de motivação, o córtex parietal pela inibição do foco do</p><p>estímulo e as áreas frontais com a substituição dos processos inibitórios.</p><p>Para que todos os componentes funcionem de modo harmonioso é</p><p>necessário um gerenciador de atividades nos processos atencionais,</p><p>pois várias regiões cerebrais são acionadas e atuam de modo integrado.</p><p>Esse controle e organização executiva da atenção são fundamentais</p><p>para a manutenção da ação,</p><p>controle inibitório, planejamento de metas</p><p>e autorregulação das ações. De acordo com Maxewell (2013), ela está</p><p>relacionada com as áreas anteriores do cérebro, nas áreas pré-frontais e</p><p>órbito-frontais.</p><p>A atenção sustentada está envolvida com o Tálamo, o Córtex frontal na</p><p>região anterior e a atenção dividida está associada com o córtex parietal</p><p>anterior, córtex pré-frontal e pelo Tálamo (MAXEWELL, 2013).</p><p>1.3 Memória</p><p>A memória não se situa apenas em uma região, mas suas funções estão</p><p>distribuídas por várias estruturas conforme a sua especificidade.</p><p>O lobo temporal (região medial), principalmente o Hipocampo, é uma</p><p>das estruturas mais relevantes para a produção de memória recente,</p><p>integração e consolidação de estímulos sensoriais isoladamente</p><p>e transferência da memória de curto prazo para longo prazo. O</p><p>Hipocampo tem a função de produzir a memória declarativa, o corpo</p><p>amigdaloide está associado à memória afetiva, dando uma tonalidade</p><p>emocional à informação apreendida. Segundo Maxewell (2013), outras</p><p>estruturas se relacionam com as memórias não declarativas.</p><p>61</p><p>Em 1953 ocorreu uma descoberta importante para o entendimento da</p><p>memória, após uma intervenção cirúrgica. O paciente conhecido com H.</p><p>M., portador de epilepsia temporal refratária, à ablação do Hipocampo</p><p>e do lobo Temporal (região medial) bilateralmente, foi submetido a</p><p>uma cirurgia. Apesar de tudo ter corrido bem, foi gerado um efeito</p><p>colateral inesperado. O paciente ficou incapaz de reter na memória</p><p>fatos ocorridos após a cirurgia. Ele manteve as capacidades intelectuais</p><p>e sua memória de curto prazo normal, mas perdeu a capacidade de</p><p>aprendizagem de fatos novos de forma durável. Além disso, ele perdeu</p><p>a capacidade de memória em tarefas que envolviam conhecimento</p><p>consciente de pessoas, lugares e coisas, mas manteve sua memória</p><p>inconsciente de habilidades motora intacta. Esses estudos evidenciaram</p><p>a separação entre memória implícita (armazena dados relacionados</p><p>à aquisição de habilidades mediante a repetição de uma atividade</p><p>que segue sempre o mesmo padrão sem consciência da pessoa) e</p><p>explícita (memorização por meio do esforço consciente para memorizar</p><p>imagens ou textos), a existência de sistemas de memória distintos que</p><p>constituíram a dupla dissociação (MOURÃO-JÚNIOR; ABRAMOV, 2011).</p><p>Na memória de procedimentos (também chamada implícita), observa-</p><p>se o envolvimento dos Núcleos da base. O Cerebelo é importante no</p><p>aprendizado envolvido com a parte motora e o corpo amigdaloide se</p><p>associa às respostas afetivas. Já os aprendizados não associativos estão</p><p>associados com as vias reflexas sensoriais, ou seja, à memória sensorial</p><p>ultracurta relacionada aos órgãos sensoriais e às percepções registradas</p><p>(MAXEWELL, 2013).</p><p>Assim, as estruturas cerebrais envolvidas em cada componente da</p><p>memória operacional (um conjunto de processos que nos permite</p><p>armazenar e manipular informações temporárias e realizar tarefas</p><p>cognitivas complexas como a compreensão da linguagem, a leitura,</p><p>a aprendizagem ou o raciocínio) englobam várias regiões do sistema</p><p>nervoso. No entanto, o córtex pré-frontal desempenha um papel crucial</p><p>no processamento desse tipo de memória (MAXEWELL, 2013).</p><p>62</p><p>Segundo Maxewell (2013), na maioria dos indivíduos, a alça fonológica</p><p>(função de armazenamento e manipulação das informações advindas</p><p>da fala) tem suas estruturas localizadas no hemisfério esquerdo, em que</p><p>o armazenador se relaciona ao córtex parietal posterior, enquanto o</p><p>mecanismo de ativação dos neurônios que guardam a representação da</p><p>experiência ocorre na Área de Broca e no córtex pré-motor.</p><p>O esboço visuoespacial (informações referentes aos objetos e às</p><p>relações espaciais) é constituído pelo armazenador visual, situado no</p><p>córtex pré-frontal (região inferior), e pelo mecanismo espacial, situado</p><p>no córtex occipital (região anterior), córtex parietal (região posterior) e o</p><p>córtex pré-motor, ambos no hemisfério direito (MAXEWELL, 2013).</p><p>O executivo central tem representações no córtex cerebral e está</p><p>associado ao córtex frontal região dorso-lateral e ao córtex pré-frontal</p><p>(MAXEWELL, 2013). No modelo de memória operacional proposto por</p><p>Norman e Shallice, o controle da ação se dá pelo sistema atencional</p><p>supervisor (SAS), cujas ações aprendidas e automatizadas são guiadas</p><p>por esquemas adquiridos por treinamento prévio disparado por</p><p>conjuntos de estímulos ou contextos. Um exemplo é o andar de bicicleta</p><p>que envolve esquemas que ativam sub-rotinas como pedalar, inclinar,</p><p>virar, equilibrar e brecar. Segundo Caixeta (2014), eventuais conflitos</p><p>ou obstáculos entre as atividades de diferentes esquemas seriam</p><p>solucionados rotineiramente por um “catalogador de conflitos” também</p><p>anteriormente treinado. No entanto, quando o estímulo desafiador é</p><p>apresentado o SAS assume o controle da ação.</p><p>63</p><p>Figura 3 – Divisão anatômica do cérebro e suas estruturas</p><p>Fonte: Vectomine/iStock.com.</p><p>1.4 Linguagem</p><p>O processamento da linguagem é complexo, ocorrendo em estruturas</p><p>específicas e localizações determinadas. O hemisfério esquerdo,</p><p>em grande porcentagem das pessoas, se relaciona à articulação e</p><p>compreensão da linguagem e no reconhecimento da palavra; e o direito</p><p>com aspectos oratórios e afetivos da linguagem (MAXEWELL, 2013).</p><p>De acordo com Maxewell (2013), quanto à linguagem expressiva, o</p><p>Cerebelo é responsável pela sequência dos movimentos na fala e pela</p><p>monitoração da fonação; o córtex motor (giro pré-central) é responsável</p><p>pelos atos motores de fonação; alguns nervos cranianos motores</p><p>64</p><p>monitoram a motricidade dos órgãos fonoarticulatórios e músculos</p><p>da face; e os núcleos da base são responsáveis pelo controle do</p><p>automatismo motor.</p><p>A área de Broca é responsável pelo planejamento motor da linguagem,</p><p>na articulação e no conteúdo da fala. Na maioria das pessoas, os</p><p>aspectos não verbais, como a prosódia e pragmática, estão associados</p><p>ao hemisfério direito. No entanto, o giro do cíngulo e outras estruturas</p><p>límbicas estão associados à motivação (MAXEWELL, 2013).</p><p>Por sua vez, as funções receptivas englobam as áreas auditivas, situada</p><p>no lobo temporal, e as áreas visuais estão localizadas no lobo occipital. A</p><p>área de Wernicke, situada na porção medial e superior do lobo temporal</p><p>esquerdo, na maior parte das pessoas, tem o papel da compreensão da</p><p>linguagem (MAXEWELL, 2013). Segundo Maxawell (2013), o giro angular</p><p>localizado no lobo parietal é responsável pela decodificação da escrita e</p><p>leitura.</p><p>Figura 4 – Visão cortical do cérebro e estruturas da linguagem</p><p>Fonte: ttsz/iStock.com.</p><p>65</p><p>1.5 Habilidades visoconstrutivas</p><p>O hemisfério direito está associado à configuração global de uma</p><p>informação e o hemisfério esquerdo se relaciona à discriminação de</p><p>suas estruturas. Além de uma diferenciação hemisférica, as habilidades</p><p>visuoconstrutivas dependem de regiões corticais posteriores, como o</p><p>córtex occipital fundamental na análise e integração dos componentes</p><p>visuais (formas, cores e tamanho) e córtex parietal (giro angular e</p><p>supramarginal), relacionado aos componentes espaciais do estímulo e</p><p>questões visuoespaciais da grafia (MAXEWELL, 2013).</p><p>Em relação à elaboração da representação mental, as áreas frontais</p><p>são ativadas no planejamento da ação motora. Por fim, segundo</p><p>Maxewell (2013), a execução de qualquer tarefa visuoconstrutivas exige</p><p>a participação das áreas do córtex motor seja para a construção ou para</p><p>reprodução de algum padrão visual.</p><p>1.6 Função executiva</p><p>A função executiva está associada às diferentes áreas dos lobos</p><p>frontais, distribuídas em uma grande rede cerebral. Ela é constituída</p><p>por estruturas subcorticais e vias do Tálamo. O córtex pré-frontal é a</p><p>região mais associada ao funcionamento executivo e tem a função de</p><p>coordenar e integrar os diferentes processos emocionais e cognitivos</p><p>(MAXEWELL, 2013).</p><p>O córtex pré-frontal possui características únicas que sugerem ser</p><p>um mediador e o controlador do funcionamento executivo. Segundo</p><p>Maxewell (2013), trata-se da área que contém mais</p><p>regiões cerebrais</p><p>conectadas a elas, além de receber diretamente entrada de outras</p><p>regiões heteromodais associativas.</p><p>O córtex pré-frontal é o maior alvo neocortical das informações que</p><p>são processadas nos circuitos límbicos e nas projeções dos circuitos.</p><p>66</p><p>Portanto, é a única região cortical que tem a capacidade de integrar</p><p>a motivação, memória, emocional, estímulos somatosensoriais e</p><p>sensações do meio, de modo unificado e com objetivos preestabelecidos</p><p>(MAXEWELL, 2013).</p><p>De acordo com Maxewell (2013), o córtex frontal se organiza conforme</p><p>a natureza do material a ser processado ou o tipo de processamento</p><p>requerido. O desempenho das funções executivas está relacionado a</p><p>três importantes circuitos, que se originam no lobo frontal e enviam</p><p>projeções para os Núcleos da base e para o Tálamo (MAXEWELL, 2013).</p><p>O primeiro é o circuito córtex pré-frontal dorsolateral que se localiza</p><p>na parte dorsolateral do núcleo caudado e recebe conteúdo do córtex</p><p>parietal e da área pré-motora. É uma área multimodal, responsável</p><p>pelo planejamento, estabelecimento de metas, flexibilidade cognitiva,</p><p>fluência, memória de trabalho verbal e visuoespacial, autorregulação e</p><p>tomada de decisão (MAXEWELL, 2013).</p><p>O circuito órbito-frontal lateral tem origem no córtex pré-frontal na</p><p>região latero-inferior e ventral, com projeção para o núcleo caudado</p><p>ventromedial e recebe informações de outras áreas corticais. Essa</p><p>região recebe estímulo das áreas de processamento visual e auditivo</p><p>dos lobos occipital e temporal. No córtex orbitofrontal, há ligação com</p><p>as regiões de processamento cognitivo e emocional. Portanto, ele está</p><p>associado ao comportamento social como controle inibitório, empatia e</p><p>cumprimento de regras sociais (MAXEWELL, 2013).</p><p>O circuito da região anterior do giro do cíngulo/córtex pré-frontal (região</p><p>medial) se projeta para o núcleo estriado ventral, recebe estímulos do</p><p>córtex de associação paralímbico, continuando até o núcleo talâmico</p><p>dorsomedial. Esse circuito tem o papel de monitorar o comportamento,</p><p>a motivação, o controle executivo da atenção, a seleção e o controle</p><p>de respostas, recebendo conteúdo do Hipocampo e a Amígdala</p><p>(MAXEWELL, 2013).</p><p>67</p><p>Como os aspectos múltiplos de estruturas das tarefas e multifacetados</p><p>não possibilitam o isolamento de uma única habilidade cognitiva,</p><p>não há certeza em relação às localizações cerebrais referentes ao</p><p>funcionamento executivo. No entanto, segundo Maxewell (2013), a</p><p>sua grande quantidade de conectividade com diversas áreas cerebrais</p><p>mostra o quão ela é importante no controle da função executiva e outras</p><p>funções cognitivas.</p><p>O lobo pré-frontal também pode ser comparado a um “comitê</p><p>executivo” constituído por cinco sistemas sub-corticais-e-posteriores: o</p><p>apreendedor, o verbalizador, o motivador, o atentivo e o coordenador.</p><p>Cada componente desse comitê está associado a um sistema pré-frontal</p><p>e às habilidades cognitivas específicas (MAXEWELL, 2013).</p><p>Já o apreendedor, via pré-frontal ventro lateral recebe informações</p><p>básicas para discriminar e identificar objetos e situações. O sistema</p><p>verbalizador, via ventro lateral, também recebe informações sobre</p><p>objetos e o ambiente e a relaciona com a comunicação. O sistema</p><p>motivador, via ventromedial orbital, recebe informações diretamente da</p><p>parte perceptual, aprimorando as informações do sistema apreendedor</p><p>e verbalizador. Além disso, recebe sensações do corpo e respostas</p><p>emocionais (MAXEWELL, 2013).</p><p>O sistema atentivo, via dorso medial, recebe e processa informações</p><p>básicas dos objetos e do ambiente, está ligado ao foco de atenção.</p><p>Segundo Maxawell (2013), o coordenador, via dorso lateral, recebe</p><p>informações espaciais e de todos os outros sistemas.</p><p>Outro modelo de funções executivas, proposto por Lezak et al. (2004),</p><p>sugere a existência de um processo composto por etapas sucessivas e</p><p>interdependentes. Nesse modelo, a função executiva apresenta quatro</p><p>componentes principais: a volição (relacionada ao comportamento</p><p>intencional, envolvendo a formulação de objetivos e motivação), o</p><p>planejamento (identificação das etapas necessárias para se para se</p><p>68</p><p>alcançar determinado objetivo), a ação proposital (transição da intenção</p><p>para o comportamento) e o desempenho afetivo (autorregulação do</p><p>comportamento e monitoração do desempenho afetivo (FUENTES et al.,</p><p>2013).</p><p>Não existe uma definição única para as funções executivas, mas elas</p><p>incluem: controle inibitório, planejamento, flexibilidade cognitiva,</p><p>tomada de decisões, flexibilidade cognitiva, memória operacional,</p><p>atenção e fluência (FUENTES et al., 2013).</p><p>Desse modo, explicar os modelos de cognição normal e suas respectivas</p><p>áreas cerebrais e circuitarias continuam sendo um desafio devido</p><p>à complexidade do processamento cognitivo. Por esse motivo, as</p><p>funções complexas precisam ser divididas em processos mais simples e</p><p>gerais, assim como serem anatomicamente isoladas para uma melhor</p><p>compreensão de seu papel.</p><p>Referências</p><p>CAIXETA, L. Doença de alzheimer. Porto Alegre: Artmed, 2012.</p><p>FUENTES, D. et al. Neuropsicologia: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2008.</p><p>LEZAK, M. et al. Neuropathology for neuropsychologists. In: LEZAK, M.</p><p>Neuropshychological Assessment. New York: Oxford University Press, 2004. p.</p><p>157-285.</p><p>MARANHÃO-FILHO, P. Mrs. Phineas Gages e o acidente que deu novo rumo à</p><p>neurologia. Revista Brasileira de Neurologia, [s.l.], v. 50, n. 2, p. 33-35, 2014.</p><p>Disponível em: http://files.bvs.br/upload/S/0101-8469/2014/v50n2/a4213.pdf.</p><p>Acesso em: 23 set. 2021.</p><p>MAXEWELL. Funções cognitivas: bases neuroanatômicas e circuitarias. Rio de</p><p>Janeiro: PUC-RJ, 2013. p. 25-37</p><p>MIOTTO, E. C.; LUCIA, M. C. S.; SCAFF, M. Neuropsicologia clínica. São Paulo: Roca,</p><p>2012.</p><p>MOURÃO-JÚNIOR, C. A.; ABRAMOV, D. M. Fisiologia essencial. Rio de Janeiro:</p><p>Guanabara Koogan, 2011.</p><p>http://files.bvs.br/upload/S/0101-8469/2014/v50n2/a4213.pdf</p><p>69</p><p>BONS ESTUDOS!</p><p>Sumário</p><p>Aspectos microscópicos do Sistema Nervoso: o neurônio</p><p>Objetivos</p><p>1. Aspectos microscópicos do sistema nervoso: o neurônio</p><p>Referências</p><p>Sistema nervoso: aspectos macroscópicos.</p><p>Objetivos</p><p>1. Sistema nervoso macroscópico</p><p>Referências</p><p>Lobos do cérebro: Frontal, Temporal, Parietal, Occiptal, Insular e Límbico</p><p>Objetivos</p><p>1. Lobos do cérebro</p><p>Referências</p><p>Estruturas cerebrais e funções cognitivas</p><p>Objetivos</p><p>1. Estruturas cerebrais e funções cognitivas</p><p>Referências</p><p>nervoso; interneurônios quando estabelecem conexões entre um</p><p>neurônio e outro; e motores ou eferentes quando conduzem impulsos</p><p>da parte central do sistema nervoso para outras partes do organismo</p><p>(CAIXETA; PINTO, 2014).</p><p>O sistema nervoso também possui dois tipos de substâncias nervosas:</p><p>branca e cinzenta. A substância branca se refere a um conjunto de</p><p>células com funções de apoio, sustentação, isolamento elétrico ou</p><p>nutrição dos neurônios e gânglios. A sua cor é devido à presença de</p><p>mielina, sendo principalmente os axônios mielínicos e células gliais</p><p>(OLIVEIRA; NETO, 2015). Já a substância cinzenta compõe a parte central</p><p>do sistema nervoso e são constituídas de corpos de neurônio, células da</p><p>glia (astroglia e oligodendrócitos), axônios e dendritos (OLIVEIRA; NETO,</p><p>2015).</p><p>Assim, o tecido nervoso é constituído de células nervosas, os</p><p>neurônios e de células da glia ou neuroglia. Os grupos de neurônios</p><p>que estabelecem conexões entre si por meio de sinapses constituem</p><p>os circuitos neuronais. A maioria dos neurônios segue o mesmo</p><p>plano estrutural geral, mas a estrutura de neurônios individuais</p><p>varia e se adapta à função específica dada ao neurônio. Desse modo,</p><p>considerando a enorme complexidade do sistema nervoso e o grande</p><p>número de tarefas que ele executa, diferentes tipos de neurônios</p><p>apresentam grande diversidade de tamanho e forma (FUENTES et al.,</p><p>2008).</p><p>10</p><p>Os diversos tipos de neurônios podem ser classificados de acordo com</p><p>seu tamanho, sua morfologia ou os neurotransmissores que utilizam.</p><p>Os neurônios multipolares são mais abundantes na parte central do</p><p>sistema nervoso e são encontrados no encéfalo e na medula espinal.</p><p>Os dendritos se ramificam diretamente do corpo celular e um axônio</p><p>único surge a partir do cone axonal. Os neurônios pseudounipolares</p><p>são encontrados nos gânglios sensitivos do nervo espinal e apresentam</p><p>um ramo periférico do axônio que recebe a informação sensorial da</p><p>periferia e a envia para a espinal sem passar pelo corpo celular. Eles</p><p>retransmitem a informação sensorial de um receptor periférico ao</p><p>sistema nervoso central sem modificar o sinal, e os neurônios bipolares</p><p>são encontrados principalmente na retina e no epitélio olfatório. Então,</p><p>eles apresentam um único dendrito principal, o qual recebe input</p><p>sináptico e é transportado para o corpo da célula e para a camada</p><p>celular seguinte. A diferença entre a célula pseudounipolar e célula</p><p>bipolar reside na quantidade de processamento que ocorre em cada</p><p>uma delas (KREBS; WEINBERG; AKESSON, 2013).</p><p>Figura 3 – Imagem dos tipos de neurônios</p><p>Fonte: Vitalli Duma/iStock.com.</p><p>11</p><p>Além dos neurônios, existem as células de glia que funcionam como</p><p>suporte físico dos neurônios, auxiliando nas ligações durante o período</p><p>embrionário; fornecem nutrientes aos neurônios enquanto outras</p><p>consomem partículas estranhas e resíduos alimentares; é responsável</p><p>pela manutenção dos níveis iônicos à volta dos neurônios. Segundo</p><p>Moreira (2013), os principais tipos de células da glia são os: a) astrócitos</p><p>têm a forma de estrela e grande quantidade de prolongamentos, com</p><p>função de sustentação; b) oligodendrócitos têm prolongamentos que</p><p>envolvem os axônios e produzem a bainha de mielina; c) micróglia são</p><p>pequenas células com poucos prolongamentos e são células fagocitárias;</p><p>d) células de Schwann se localiza em volta da parte periférica do sistema</p><p>nervoso e tem a mesma função dos oligodendrócitos, de sustentação.</p><p>Assim, as células de Schwann se localizam na parte periférica do sistema</p><p>nervoso e os oligodendrócitos na parte central do sistema nervoso.</p><p>De acordo com Moreira (2013), elas não possuem axônios e, por isso,</p><p>não são capazes de transmitir impulsos nervosos, mas conseguem se</p><p>comunicar entre si eletricamente através de gap junction, possibilitando</p><p>o fluxo iônico entre as células.</p><p>1.3 Sistemas de interação dos neurônios</p><p>Os processos de comunicação intercelular mediados quimicamente</p><p>podem ocorrer entre células próximas (ações parácrinas clássicas) ou</p><p>distantes por meio de mediação química feita pelo líquido cerebrospinal.</p><p>Eventos eletrofisiológicos também podem mediar a passagem de</p><p>informações entre células vizinhas mediados por um meio condutor</p><p>ou de sinapses elétricas baseadas em estruturas celulares constituídas</p><p>pelas conexinas. A função da parte central do sistema nervoso também</p><p>pode ser modificada ou modulada pela ação química sistemática, como</p><p>os hormônios que atravessam a barreira hematoencefálica e interagem</p><p>com as células do sistema nervoso (CIPOLLA-NETO et al., 2012).</p><p>12</p><p>Existem sinapses químicas e elétricas, sendo rara a última</p><p>em mamíferos. Na sinapse elétrica, não há participação dos</p><p>neurotransmissores e o sinal elétrico é conduzido diretamente de uma</p><p>célula a outra através das junções comunicantes (gap junctions) por</p><p>canais ionizantes, gerando diretamente o potencial de ação. Já a sinapse</p><p>química consiste no contato entre o neurônio e a célula glial, outro</p><p>neurônio ou outra estrutura responsiva. Ela envolve os neurônios pré</p><p>e pós-sinápticos e esse conjunto sináptico é envolvido por processos</p><p>celulares de células gliais que participam de maneira ativa para</p><p>manutenção do funcionamento sináptico adequado (CIPOLLA-NETO et</p><p>al., 2012).</p><p>A membrana plasmática do neurônio é uma estrutura responsável</p><p>pela produção e propagação de impulsos elétricos, com diferentes</p><p>tipos de canais iônicos capazes de filtrar seletivamente a passagem</p><p>de íons para dentro e para fora da célula, gerando uma diferença de</p><p>cargas elétricas entre os dois lados da membrana e dando origem</p><p>em um meio intracelular negativo se comparado com ao extracelular,</p><p>com potencial elétrico chamado potencial de repouso. No entanto, os</p><p>neurônios podem apresentar alteração nesse potencial de membrana</p><p>pela abertura seletiva e consecutiva de canais de Na+ e K+, provocadas</p><p>por estímulos específicos (por exemplo, mudança de temperatura,</p><p>substâncias químicas etc.), causando uma inversão de polaridade</p><p>elétrica da célula (despolarização) e fazendo com que o meio intracelular</p><p>se torne provisoriamente positivo em relação ao extracelular. Em</p><p>seguida, ocorre a repolarização com redistribuição dos íons entre os dois</p><p>lados da membrana e o retorno ao estado de repouso (FUENTES et al.,</p><p>2008).</p><p>Há receptores que produzem abertura de canais de cloreto Cl- e</p><p>tornam a célula ainda mais negativa, exercendo uma ação inibitória</p><p>sobre a célula pós-sináptica. Portanto, as células recebem diferentes</p><p>mensagens excitatórias e inibitórias que se os estímulos somados</p><p>13</p><p>forem suficientemente despolarizados, um impulso nervoso é gerado</p><p>(FUENTES et al., 2008).</p><p>Esse sinal elétrico é o impulso nervoso ou o potencial de ação que se</p><p>propaga pelo axônio e é conduzida de uma extremidade a outra do</p><p>neurônio. Ao chegar ao axônio, o impulso nervoso é transmitido de</p><p>um neurônio a outro através do mecanismo de neurotransmissão nas</p><p>sinapses. O impulso nervoso de um neurônio é transmitido a outro</p><p>pela ação de uma substância química, o neurotransmissor (KREBS;</p><p>WEINBERG; AKESSON, 2013).</p><p>Figura 4 – Ilustração da sinapse química</p><p>Fonte: ttsz/iStock.com.</p><p>14</p><p>1.4. Neurotransmissores</p><p>Os neurotransmissores são moléculas liberadas pelos neurônios pré-</p><p>sinápticos e são o meio de comunicação em uma sinapse química.</p><p>Eles se ligam aos receptores de neurotransmissores, podendo se</p><p>acoplar a um canal iônico (receptores ionotrópicos) ou a um processo</p><p>de sinalização intracelular (receptores metabotrópicos). O neurônio</p><p>pré-sináptico (transmissor) produz um neurotransmissor e faz seu</p><p>empacotamento, formando as chamadas vesículas sinápticas. Assim,</p><p>quando um impulso nervoso chega à terminação do axônio, há a</p><p>liberação por exocitose dos neurotransmissores que se difundem</p><p>pela fenda sináptica e chegam até a célula pós-sináptica. Os</p><p>neurotransmissores são específicos para o receptor em que se ligam</p><p>e provocam uma resposta específica nos neurônios pós-sinápticos,</p><p>resultando em um sinal excitatório ou inibitório (KREBS; WEINBERG;</p><p>AKESSON, 2013).</p><p>15</p><p>Quadro 1 – Resumo de alguns neurotransmissores</p><p>Fonte: elaborado pela autora.</p><p>O glutamato consiste no neurotransmissor mais comum da parte central</p><p>do sistema nervoso. Ele é sintetizado nos neurônios pelos precursores</p><p>da glutamina, que é fornecida pelos astrócitos que a produzem a partir</p><p>do glutamato captado na fenda sináptica. A dopamina está envolvida</p><p>em muitos circuitos no cérebro e relaciona-se às emoções, motivação e</p><p>recompensa. Já a serotonina está ligada ao humor e a noradrenalina ao</p><p>estado de vigília e atenção (KREBS; WEINBERG; AKESSON, 2013).</p><p>16</p><p>1.5. Neuroplasticidade</p><p>Durante a embriogênese, um alto número de neurônios é gerado,</p><p>mas que geneticamente é regulado através de um processo de morte</p><p>celular. Após o nascimento, em períodos considerados críticos no</p><p>desenvolvimento, ocorrem regulação da população e do circuito</p><p>neuronal. Assim, sobrevivem somente aqueles neurônios que</p><p>conseguiram estabelecer sinapses eficientes e mantê-las. Segundo</p><p>Oliveira (2015), a regulação se dá através da coordenação entre as</p><p>atividades dos neurônios pré e pós-sinápticos, garantindo a plasticidade</p><p>do neurônio.</p><p>As alterações fisiológicas celulares pós-sinápticas provocadas pelo</p><p>neurônio pré-sináptico sobre o pós-sináptico e é resultado da sinapse</p><p>química, permite a ocorrência da plasticidade. Isso porque são possíveis</p><p>modificações funcionais em neurônios sinapticamente interligados e</p><p>que resultam em mudanças de circuitos neuronais e, por conseguinte,</p><p>mudanças funcionais. Segundo Cipolla-Neto (2012), a plasticidade</p><p>neuronal é a responsável pela capacidade adaptativa do sistema nervoso</p><p>humano, permitindo-o ao longo do desenvolvimento ontogenético,</p><p>estruturar-se e modificar-se a partir da interação ativa do indivíduo ao</p><p>meio em que vive.</p><p>A neurociência se constitui em uma disciplina cientifica cujo princípio</p><p>básico é a determinação do ambiente físico e social na atividade de</p><p>células neurais, e que, por conseguinte, determina o comportamento.</p><p>Assim, o ambiente fornece estímulos/informações que ao serem</p><p>captados pelos receptores sensoriais são convertidos em impulsos</p><p>elétricos, analisados e utilizados pela parte central do sistema nervoso</p><p>para produzirem respostas vegetativas, motoras e cognitivas (CIPOLLA-</p><p>NETO et al., 2012).</p><p>As pesquisas em plasticidade neural envolvem o entendimento</p><p>neuroquímico que das possíveis alterações funcionais nas sinapses,</p><p>17</p><p>investigando processos/mecanismos que aumentam a síntese</p><p>de neurotransmissores, a liberação de neurotransmissores ou a</p><p>potencialização das respostas pós-sinápticas em decorrência de</p><p>situações estimuladoras, de aprendizagem ou de lesões. Já estudos</p><p>morfológicos buscam a maior compreensão das modificações possíveis</p><p>na estrutura das sinapses e neurônios, tais como a regeneração e</p><p>ramificação de axônios, aumento do tamanho de corpos celulares, do</p><p>número de dendritos, do número de neurônios e de sinapses (FERRARI</p><p>et al., 2001).</p><p>Alguns autores afirmam que se o indivíduo perdeu as oportunidades</p><p>de aprendizagem nos períodos mentais mais suscetíveis (críticos),</p><p>desde que haja um esforço muito maior para o indivíduo aprender, os</p><p>circuitos neuronais ainda permanecem ativos e novas sinapses podem</p><p>ser produzidas pela vida inteira, havendo sempre oportunidades de</p><p>aprendizagem. Já para outros estudiosos, devido aos períodos de</p><p>amadurecimento e processamento dos neurônios uma vez perdidos a</p><p>oportunidade de aprender no período crítico não há mais como ocorrer</p><p>o aprendizado (FERRARI et al., 2001).</p><p>Quando o cérebro sofre traumatismos, causados por pancadas ou</p><p>lesões decorrentes de disfunções circulatórias, como em casos de</p><p>acidentes vasculares cerebrais ou de intervenções cirúrgicas, podem</p><p>ocorrer perdas neuronais e distúrbios funcionais nessa rede neural.</p><p>Nesses casos, as alterações de função ocorrem não apenas nas</p><p>áreas diretamente afetadas, mas em outras regiões neurais direta</p><p>ou indiretamente conectados a elas, com consequentes prejuízos</p><p>comportamentais e cognitivos (CAIXETA; TEIXEIRA, 2014).</p><p>Na base dos processos de memória e aprendizagem e das estratégias</p><p>de reabilitação, nesses casos de perda estrutural e/ou funcional por</p><p>lesões, está à capacidade de neuroplasticidade cerebral através da</p><p>reorganização do sistema nervoso. Portanto, a aquisição de novos</p><p>comportamentos depende da organização dos circuitos neurais, sendo</p><p>18</p><p>maior durante o desenvolvimento e diminui gradativamente ao longo da</p><p>vida adulta (FUENTES et al., 2008).</p><p>A neuroplasticidade pode ser regenerativa quando há o recrescimento</p><p>de axônio após ocorrência de lesão na parte periférica do sistema</p><p>nervoso. Os estímulos ambientais ativam os neurônios, desencadeiam</p><p>processos bioquímicos celulares e culminam na ativação de fatores de</p><p>transcrição gênica necessárias para modificação na estrutura sináptica</p><p>e formação de novas conexões, que ocorrem geralmente durante o</p><p>desenvolvimento. A neuroplasticidade sináptica ocorre pelo aumento</p><p>ou diminuição da transmissão de sinapses e é base celular para certos</p><p>tipos de memória. Já a plasticidade somática consiste na regulação da</p><p>proliferação e morte de células nervosas durante o desenvolvimento</p><p>embrionário (FUENTES et al., 2008).</p><p>A neuroplasticidade ou plasticidade cerebral consiste na capacidade de</p><p>mudança morfológica e funcional da parte central do sistema nervoso</p><p>em resposta aos estímulos ambientais. A reabilitação do cérebro</p><p>lesado pode promover reconexão de circuitos neuronais lesados ou</p><p>a habilidade será desenvolvida de modo compensatório por meio da</p><p>reconexão da área cerebral não atingida. No entanto, a todo tempo, de</p><p>modo involuntário, a neuroplasticidade ocorre adaptativamente também</p><p>em cérebros saudáveis (CAIXETA; TEIXEIRA, 2014).</p><p>Nesse contexto, os processos mentais humanos são sistemas funcionais</p><p>complexos “localizados” nas áreas do cérebro, cujas estruturas cerebrais</p><p>operam em verdadeiro concerto, cada uma das quais concorre com</p><p>sua própria contribuição particular para a organização desse sistema</p><p>funcional (FUENTES et al., 2008). Apesar da individualidade inerente a</p><p>cada sujeito, conhecer a função e saber quais as regiões do sistema</p><p>nervoso relacionadas a ela contribui muito para o raciocínio clínico</p><p>e diagnóstico do profissional para a elaboração de uma abordagem</p><p>terapêutica e prognóstica.</p><p>19</p><p>Referências</p><p>CAIXETA, L.; TEIXEIRA, A. L. Neuropsicologia geriátrica. Porto Alegre: Artmed, 2014.</p><p>CIPOLLA-NETO, J. et al. The role of the retrochiasmathic area in the control of pinel</p><p>metabolism. Neuroendocrinoly, [s.l.], v. 69, p. 97-104, 2012.</p><p>FERRARI, E. A. M. et al. Plasticidade neural: relações com o comportamento</p><p>e abordagens experimentais. Psicologia-teoria e pesquisa, Campinas,</p><p>v. 17, n. 2, ago. 2001. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ptp/a/</p><p>ysvrdSJm8fSR5fTsdYjMFXM/?lang=pt#:~:text=nervous%20system%3B%20</p><p>learning-,Plasticidade%20Neural%3A,Comportamento%20e%20</p><p>Abordagens%20Experimentais%201&text=RESUMO%20%2D%20</p><p>As%20intera%C3%A7%C3%B5es%20entre%20os,diferentes%20</p><p>situa%C3%A7%C3%B5es%20e%20individualidade%20comportamental. Acesso em:</p><p>23 set. 2021.</p><p>FUENTES, D. et al. Neuropsicologia: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2008.</p><p>KREBS, C.; WEINBERG, J.; AKESSON, E. Neurociência ilustrada. Porto Alegre:</p><p>Artmed, 2013.</p><p>MIOTTO, E. C.; LUCIA, M. C. S.; SCAFF, M. Neuropsicologia clínica. São Paulo: Roca,</p><p>2012.</p><p>MOREIRA, C. M. Neurônio. Revista de Ciência Elementar, São Paulo, v. 1, n. 1, dez.</p><p>2013. Disponível em: https://rce.casadasciencias.org/rceapp/art/2013/008/. Acesso</p><p>em: 22 set. 2021.</p><p>OLIVEIRA, A. A.; NETO, F. H. C. Anatomia e Fisiologia: a incrível máquina do corpo</p><p>humano. Fortaleza: Educacional, 2015.</p><p>https://www.scielo.br/j/ptp/a/ysvrdSJm8fSR5fTsdYjMFXM/?lang=pt#:~:text=nervous%20system%3B%20learning-,Plasticidade%20Neural%3A,Comportamento%20e%20Abordagens%20Experimentais%201&text=RESUMO%20%2D%20As%20intera%C3%A7%C3%B5es%20entre%20os,diferentes%20situa%C3%A7%C3%B5es%20e%20individualidade%20comportamental</p><p>https://www.scielo.br/j/ptp/a/ysvrdSJm8fSR5fTsdYjMFXM/?lang=pt#:~:text=nervous%20system%3B%20learning-,Plasticidade%20Neural%3A,Comportamento%20e%20Abordagens%20Experimentais%201&text=RESUMO%20%2D%20As%20intera%C3%A7%C3%B5es%20entre%20os,diferentes%20situa%C3%A7%C3%B5es%20e%20individualidade%20comportamental</p><p>https://www.scielo.br/j/ptp/a/ysvrdSJm8fSR5fTsdYjMFXM/?lang=pt#:~:text=nervous%20system%3B%20learning-,Plasticidade%20Neural%3A,Comportamento%20e%20Abordagens%20Experimentais%201&text=RESUMO%20%2D%20As%20intera%C3%A7%C3%B5es%20entre%20os,diferentes%20situa%C3%A7%C3%B5es%20e%20individualidade%20comportamental</p><p>https://www.scielo.br/j/ptp/a/ysvrdSJm8fSR5fTsdYjMFXM/?lang=pt#:~:text=nervous%20system%3B%20learning-,Plasticidade%20Neural%3A,Comportamento%20e%20Abordagens%20Experimentais%201&text=RESUMO%20%2D%20As%20intera%C3%A7%C3%B5es%20entre%20os,diferentes%20situa%C3%A7%C3%B5es%20e%20individualidade%20comportamental</p><p>https://www.scielo.br/j/ptp/a/ysvrdSJm8fSR5fTsdYjMFXM/?lang=pt#:~:text=nervous%20system%3B%20learning-,Plasticidade%20Neural%3A,Comportamento%20e%20Abordagens%20Experimentais%201&text=RESUMO%20%2D%20As%20intera%C3%A7%C3%B5es%20entre%20os,diferentes%20situa%C3%A7%C3%B5es%20e%20individualidade%20comportamental</p><p>https://www.scielo.br/j/ptp/a/ysvrdSJm8fSR5fTsdYjMFXM/?lang=pt#:~:text=nervous%20system%3B%20learning-,Plasticidade%20Neural%3A,Comportamento%20e%20Abordagens%20Experimentais%201&text=RESUMO%20%2D%20As%20intera%C3%A7%C3%B5es%20entre%20os,diferentes%20situa%C3%A7%C3%B5es%20e%20individualidade%20comportamental</p><p>https://rce.casadasciencias.org/rceapp/art/2013/008/</p><p>20</p><p>Sistema nervoso: aspectos</p><p>macroscópicos.</p><p>Autoria: Marisa Martin Crivelaro Romão</p><p>Leitura crítica: Cristiano da Rosa</p><p>Objetivos</p><p>• Conceituar e diferenciar as estruturas das partes</p><p>central e periférica do sistema nervoso.</p><p>• Introduzir as funções das estruturas da parte</p><p>periférica do sistema nervoso.</p><p>• Fornecer o conhecimento morfofuncional do sistema</p><p>nervoso.</p><p>21</p><p>1. Sistema nervoso macroscópico</p><p>O sistema nervoso se constitui em um dos sistemas do corpo humano e</p><p>é responsável pela captação dos estímulos do ambiente e</p><p>processamento das suas informações com o objetivo de gerar respostas,</p><p>ou seja, um comportamento. Sendo assim, ao longo da vida e das</p><p>experiências, o indivíduo é capaz de perceber e identificar as condições</p><p>externas do ambiente e interna do próprio corpo para elaboração de</p><p>respostas adaptadas a essas condições (FUENTES et al., 2008).</p><p>Didaticamente, para uma melhor compreensão do funcionamento</p><p>do corpo humano, o sistema nervoso é formado por tecido nervoso,</p><p>dividido em duas partes diferentes conforme sua localização, mas que</p><p>se relacionam entre si: a parte central e periférica do sistema nervoso</p><p>(FUENTES et al., 2008).</p><p>1.1 Formação do sistema nervoso</p><p>O sistema nervoso participa direta e indiretamente da regulação e</p><p>controle de todos os outros sistemas do corpo humano, de modo</p><p>consciente e autônomo. Esse processo se chama homeostase e ocorre</p><p>por meio do recebimento e envio de estímulos neurais, bem como pela</p><p>produção de hormônios pelo próprio sistema nervoso. Desse modo, sua</p><p>organização é determinada por fatores genéticos e ambientais (SERAFIM;</p><p>ROCCA; GONÇALVES, 2020).</p><p>O funcionamento harmônico do sistema nervoso desde a infância até</p><p>a fase adulta depende do seu desenvolvimento correto durante as</p><p>etapas de ontogênese (FUENTES et al., 2008). Já a formação do cérebro</p><p>ocorre a partir das três primeiras semanas, com a formação do tubo</p><p>neural, que se origina do ectoderma ao longo da parte posterior do</p><p>embrião e a proliferação de neuroblastos e células da glia. A partir</p><p>da sétima semana, o embrião tem cerca de dois centímetros e as</p><p>22</p><p>circunvoluções se tornarão o tronco encefálico, o cerebelo e o cérebro.</p><p>Os nervos cranianos e espinais também começam a se desenvolver. Já</p><p>com 11 semanas, o cérebro aumenta de tamanho e os olhos e orelhas</p><p>amadurecem (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>O tecido da crista neural, junto com a parte anterior do tubo neural,</p><p>se expande desenvolvendo constrições que originam o aparecimento</p><p>de três regiões conhecidas como vesículas encefálicas primárias:</p><p>prosencéfalo, mesencéfalo e rombencéfalo. O rombencéfalo e o</p><p>prosencéfalo se dividem e formam as vesículas encefálicas secundárias.</p><p>O prosencéfalo origina o telencéfalo e diencéfalo, já o rombencéfalo</p><p>dá origem ao metencéfalo e ao mielencéfalo (TORTORA; DERRICKSON,</p><p>2016).</p><p>O telencéfalo forma o cérebro e os ventrículos laterais; o diencéfalo</p><p>origina o tálamo, hipotálamo, epitálamo e terceiro ventrículo; o</p><p>mesencéfalo forma uma estrutura com o mesmo nome e o aqueduto</p><p>do mesencéfalo; o metencéfalo dá origem à ponte, cerebelo e parte</p><p>superior do quarto ventrículo; e o mielencéfalo forma o bulbo e a parte</p><p>inferior do quarto ventrículo (TORTORA; DERRICKSON, 2021).</p><p>O tecido nervoso é formado pelas paredes dessas regiões encefálicas,</p><p>ao passo que os ventrículos são transformações do interior oco do tubo.</p><p>Esse tecido da crista neural é importante para o desenvolvimento da</p><p>cabeça e a maioria das estruturas protetoras do encéfalo, ou seja, ossos</p><p>cranianos, tecidos conjuntivos associados e meninges são formados por</p><p>este tecido (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>Mesmo após o nascimento, o cérebro continua se desenvolvendo</p><p>pelo aumento da complexidade dos sulcos e giros. Os neurônios são</p><p>formados até o sexto mês gestacional, mas ainda não se encontram</p><p>amadurecidos. A quantidade de neurônios do bebê equivale à de um</p><p>adulto (FUENTES et al., 2008).</p><p>23</p><p>A calota e as meninges cranianas envolvem e protegem o encéfalo. As</p><p>meninges do crânio com as meninges espinais apresentam a mesma</p><p>estrutura básica e recebem a mesma nomenclatura: dura-máter</p><p>(camada externa), aracnoide-máter (camada média) e pia-máter (camada</p><p>interna). A dura-máter encefálica é formada por duas camadas e a dura-</p><p>máter por apenas uma camada. As duas camadas durais, conhecidas</p><p>como camada periosteal (externa) e camada meníngea (interna), estão</p><p>unidas envolvendo o encéfalo, com exceção de quando se separam</p><p>para formar os seios da dura-máter (canais venosos revestidos pelo</p><p>endotélio) que drenam o sangue do encéfalo para as veias jugulares</p><p>internas. Não existe espaço epidural ao redor do encéfalo. Portanto,</p><p>os vasos sanguíneos que entram no tecido encefálico passam pela</p><p>superfície e conforme penetram no tecido são recobertos por uma fina</p><p>camada de pia-máter (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>Parte do encéfalo é separada por três projeções da dura-máter: a foice</p><p>do cérebro que divide os dois hemisférios cerebrais, foice do cerebelo</p><p>que divide os dois hemisférios cerebelares e o tentório do cerebelo que</p><p>separa o telencéfalo (cérebro) do cerebelo (TORTORA; DERRICKSON,</p><p>2016).</p><p>1.2 Estrutura do sistema nervoso central e periférico</p><p>A parte central do sistema nervoso é dividida em encéfalo e medula</p><p>espinal e a parte central do sistema nervoso se comunica com as</p><p>demais partes do corpo através da parte periférica do sistema</p><p>nervoso. Já a parte periférica do sistema nervoso é formada por fibras</p><p>nervosas e corpos celulares fora da parte central do sistema nervoso e</p><p>tem a função de conduzir os impulsos que chegam ou saem da parte</p><p>central do sistema nervoso. Os nervos podem ser definidos como</p><p>feixes de fibras nervosos paralelamente dispostos e cobertas por tecido</p><p>conjuntivo. Cada fibra é formada por um axônio e envolta pela bainha</p><p>de mielina (TORTORA; DERRICKSON, 2021).</p><p>24</p><p>A parte periférica do sistema nervoso é organizada em nervos que unem</p><p>a parte central às estruturas periféricas. Ela é composta por 12 pares de</p><p>nervos cranianos responsáveis pela conexão com o encéfalo, localizados</p><p>nas estruturas da cabeça e do pescoço; e 31 pares de nervos espinais</p><p>responsáveis por inervar o tronco, os membros e as regiões específicas</p><p>da cabeça que fazem a ligação com a medula espinal (TORTORA;</p><p>DERRICKSON, 2016).</p><p>Além dos nervos, há presença dos gânglios nervosos que se constituem</p><p>em um conjunto de corpos de células nervosas fora da parte central</p><p>do sistema nervoso. Elas podem ser definidas como acúmulos de</p><p>neurônios e há gânglios motores (autônomos) e sensitivos (TORTORA;</p><p>DERRICKSON, 2016).</p><p>Os nervos cranianos também são classificados em motores (eferentes),</p><p>sensitivos (aferentes) ou mistos. Os motores são aqueles que carregam</p><p>os</p><p>impulsos dos centros nervosos para os órgãos efetores, como os</p><p>músculos e as glândulas. Os sensitivos transmitem os impulsos dos</p><p>órgãos sensoriais para os centros nervosos, já os mistos possuem fibras</p><p>aferentes e eferentes (OLIVEIRA et al., 2015).</p><p>Os sinais elétricos são enviados da parte central do sistema nervoso</p><p>através dos nervos cranianos. A maioria sai do encéfalo e o conecta aos</p><p>órgãos dos sentidos e músculos, principalmente àqueles localizados</p><p>na região da cabeça, mas outros também encaminham o impulso</p><p>originado na parte central do sistema nervoso em direção aos órgãos</p><p>alvos. Segundo Fuentes et al. (2008), temos os seguintes tipos de nervos</p><p>cranianos:</p><p>I. Nervo olfatório: nervo sensitivo que transmite impulsos</p><p>relacionados ao olfato.</p><p>II. Nervo óptico: as suas fibras se relacionam com os impulsos</p><p>visuais.</p><p>25</p><p>III. Nervo oculomotor: inerva os Mm. extrínsecos do bulbo do olho,</p><p>exceto oblíquo superior e reto lateral e os Mm. intrínsecos do</p><p>bulbo do olho (mm.ciliar e esfincter da pupila).</p><p>IV. Nervo troclear: é o menor dos nervos cranianos e inerva o</p><p>músculo oblíquo superior do olho.</p><p>V. Nervo trigêmeo: é um nervo misto, em que sua parte sensitiva está</p><p>relacionada com Impulsos extereoceptivos do couro cabeludo,</p><p>fronte, face, conjuntiva, córnea, íris e corpo ciliar, mucosa dos</p><p>seios paranasais e das cavidades nasal e bucal, dentes, 2/3 ant.</p><p>língua, parte ant. da orelha, face lateral da memb. timpânica e</p><p>dura-máter. Imp. proprioceptivos dos mm. da mastigação e ATM.</p><p>Enquanto a parte motora está relacionada com a inervação dos</p><p>Mm. da mastigação, milo-hióideo, ventre anterior do digástrico,</p><p>tensor do tímpano e tensor do véu palatino.</p><p>VI. Nervo abducente: é um nervo motor que inerva o músculo reto</p><p>lateral do bulbo do olho.</p><p>VII. Nervo facial: fornecem impulsos relacionados com a expressão</p><p>facial e liberação de lágrimas e saliva. As fibras sensitivas são</p><p>responsáveis pela gustação e é um nervo misto.</p><p>VIII. Nervo vestibulococlear: é um nervo sensitivo, em que sua parte</p><p>sensitiva está relacionada inervação da parte posterior das</p><p>cavidades nasais e face superior do palato mole. Com a gustação</p><p>do 2/3 ant. da língua. Enquanto a parte motora está relacionada</p><p>com a inervação da glândula lacrimal, submandibular, sublingual</p><p>e glândulas do palato. Bem como dos Mm. da face, estilo-hióideo,</p><p>ventre post. do digástrico e estapédio.</p><p>IX. Nervo glossofaríngeo: é um nervo misto, em que sua parte</p><p>sensitiva está relacionada inervação/gustação de 1/3 posterior</p><p>língua, faringe, úvula palatina, tonsilas, tuba auditiva, seio e corpo</p><p>caróticos. Enquanto a parte motora, está relacionada com a</p><p>inervação da Glândula parótida e do M. estilofaríngeo.</p><p>26</p><p>X. Nervo vago: está relacionado com os batimentos cardíacos,</p><p>funcionamento dos pulmões, sistema digestório, fala e deglutição.</p><p>É do tipo misto.</p><p>XI. Nervo acessório: é um nervo motor, que inerva a musculatura lisa</p><p>das vísceras torácicas juntamente com fibras vagais, bem como a</p><p>inercação dos Mm. Trapézio e esternocleidomastóideo / Mm. Do</p><p>palato mole, da faringe e da laringe através dos ramos faríngeos e</p><p>laríngeo recorrente do n. vago.</p><p>XII. Nervo hipoglosso: é um nervo motor, que inerva a musculatura da</p><p>língua.</p><p>Figura 1 – Os doze pares de nervos cranianos</p><p>Fonte: https://es.wikipedia.org/wiki/Archivo:Brain_human_normal_inferior_view_with_</p><p>labels_es.svg. Acesso em: 24 jun. 2021.</p><p>27</p><p>O encéfalo é constituído pelo cérebro, cerebelo e o tronco encefálico.</p><p>Ele se localiza dentro da calota craniana e a medula espinal no interior</p><p>da coluna vertebral. O encéfalo e a medula espinal são formados por</p><p>células da glia e pelos neurônios (FUENTES et al., 2008).</p><p>A camada externa do encéfalo (córtex cerebral) tem cor cinzenta e</p><p>é formada pelos neurônios. A parte interna com coloração branca</p><p>constituída pelos dendritos e axônios é chamada de substância</p><p>encefálica. As fibras são revestidas pela bainha de mielina e, por isso,</p><p>tem a cor branca. Na medula espinal ocorre o contrário, a substância</p><p>branca é externa e a substância cinzenta interna (FUENTES et al., 2008).</p><p>O tronco encefálico é formado pelo bulbo, ponte e mesencéfalo. O bulbo</p><p>se localiza na parte superior da medula espinal e forma a parte inferior</p><p>do tronco encefálico; a ponte se situa acima do bulbo e anterior ao</p><p>cerebelo e liga partes do cérebro entre si; e o mesencéfalo se estende da</p><p>ponte ao diencéfalo. Grande parte do tronco encefálico é constituída por</p><p>pequenos aglomerados de neurônios (substância cinzenta) espalhados</p><p>entre pequenos feixes de axônios mielinizados (substância branca). Essa</p><p>região recebe o nome de formação reticular (TORTORA; DERRICKSON,</p><p>2016).</p><p>Lateralmente, há uma fissura mediana anterior na área anterior do</p><p>bulbo, encontra-se eminências alongadas chamadas de pirâmides.</p><p>Elas são formadas por feixes de fibras que conectam as áreas motoras</p><p>cerebrais e os neurônios motores da medula. Na região mais terminal</p><p>do bulbo, as fibras se cruzam e formam a decussação das pirâmides,</p><p>ocasionando o fenômeno da lateralidade apresentada pelo cérebro,</p><p>ou seja, o lado esquerdo controla o lado direito e vice-versa (TORTORA;</p><p>DERRICKSON, 2016).</p><p>A formação reticular está envolvida no controle da respiração,</p><p>manutenção do ciclo sono vigília, sistema vestibular e extrapiramidal e</p><p>controle do sistema autônomo.</p><p>28</p><p>O cerebelo é a segunda maior estrutura encefálica depois do telencéfalo</p><p>(cérebro) e se localiza nas regiões inferior e posterior da cavidade</p><p>craniana. Ele ocupa um décimo da massa encefálica, mas contém</p><p>metade dos neurônios do encéfalo. Ele se situa posteriormente ao bulbo</p><p>e à ponte e, inferiormente, à parte posterior do telencéfalo (TORTORA;</p><p>DERRICKSON, 2016).</p><p>O encéfalo não é constituído apenas pelo cérebro, embora seja uma</p><p>parte importante de sua constituição. Ele é formado pelo telencéfalo</p><p>(que representa os hemisférios cerebrais), diencéfalo (divide-se</p><p>em epitálamo, tálamo, hipotálamo e subtálamo), cerebelo e tronco</p><p>encefálico (formado pelo mesencéfalo, ponte e bulbo) (FUENTES et al.,</p><p>2008).</p><p>Figura 2 – Estrutura do encéfalo</p><p>Fonte: Pikovitt44/iStock.com.</p><p>Quanto à propagação do impulso, o sistema nervoso é dividido em</p><p>sistema nervoso somático e sistema nervoso autônomo. O sistema</p><p>29</p><p>nervoso somático inclui as fibras nervosas sensitivas (aferente) e</p><p>motoras (eferentes) que controlam os músculos esqueléticos de forma</p><p>voluntária. É o sistema nervoso da vida de relação, em que relaciona o</p><p>organismo com o meio ambiente. Os neurônios transmitem aferências</p><p>dos receptores para os sentidos somáticos (sensibilidades táteis,</p><p>térmicas, dolorosas e proprioceptivas) e para os sentidos especiais</p><p>(visão, audição, gustação, olfato e equilíbrio). Esses sentidos são</p><p>percebidos conscientemente, por outro lado, os movimentos reflexos</p><p>e voluntários são gerados pelos neurônios motores somáticos que</p><p>inervam os músculos esqueléticos. Quando um neurônio motor</p><p>somático estimula um músculo, ele se contrai e o efeito é de excitação. Já</p><p>se os neurônios motores somáticos interrompem o estímulo muscular, o</p><p>músculo fica paralisado e sem tônus (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>Já o sistema nervoso visceral funciona independentemente da vontade</p><p>do indivíduo e da maior parte do cérebro, as suas células se encontram</p><p>próxima da coluna vertebral. O seu funcionamento se dá pelos</p><p>movimentos reflexos, como os batimentos cardíacos e os movimentos</p><p>respiratórios, e se divide em duas partes: aferente e eferente</p><p>(autônomo). No entanto, embora o ato de respirar não seja consciente</p><p>em sua maior parte, os músculos responsáveis pela movimentação</p><p>ventilatória também são músculos esqueléticos controlados por</p><p>neurônios motores somáticos. Assim, se os neurônios motores</p><p>respiratórios param, a respiração também é cessada (OLIVEIRA et al.,</p><p>2016).</p><p>A eferência do sistema nervoso autônomo apresenta duas partes: a</p><p>parte simpática e a parte parassimpática. A maioria dos órgãos também</p><p>tem dupla inervação, ou seja, recebem impulsos tanto de neurônios</p><p>simpáticos quanto</p><p>parassimpáticos. A parte parassimpática é conhecida</p><p>como a parte de repouso e suas eferências são direcionadas para os</p><p>músculos lisos, tecido glandular do sistema digestório e respiratório</p><p>ao passo que a parte simpática é excitatória (TORTORA; DERRICKSON,</p><p>2016).</p><p>30</p><p>O sistema nervoso periférico autônomo simpático e o sistema</p><p>nervoso periférico autônomo parassimpático liberam diferentes</p><p>neurotransmissores que estimulam, enquanto o outro inibe</p><p>determinado órgão. O sistema nervoso periférico autônomo simpático,</p><p>entre outras atividades, libera noradrenalina, adrenalina ou acetilcolina</p><p>que permitem resposta a situações de estresse, como a aceleração do</p><p>batimento cardíaco ou aumento da pressão sanguínea. Já o sistema</p><p>nervoso periférico autônomo parassimpático libera acetilcolina para</p><p>a redução da pressão sanguínea e do ritmo cardíaco (OLIVEIRA et al.,</p><p>2015).</p><p>Os atos voluntários são comandados pela substância cinza do cérebro,</p><p>que parte para a substância branca da medula espinal, passa para os</p><p>nervos espinais (nervos mistos) e atingem o órgão efetor, produzindo</p><p>uma reação (FUENTES et al., 2008).</p><p>O chamado ato reflexo medular consiste em uma emissão de resposta</p><p>a um dado estímulo recebido por um nervo, por meio de um processo</p><p>excitatório e que ocorre somente na medula, sem a participação das</p><p>estruturas do encéfalo. Essa ocorre de forma inconsciente (TORTORA;</p><p>DERRICKSON, 2016).</p><p>Por outro lado, o córtex motor primário se constitui na região que</p><p>trabalha associada a outras áreas motoras, como o córtex pré-motor, a</p><p>área motora suplementar, o córtex parietal posterior e outras regiões</p><p>subcortical, com o objetivo de planejar e executar os movimentos</p><p>(OLIVEIRA et al., 2015).</p><p>O encéfalo e a medula espinal são protegidos pelos ossos e por três</p><p>camadas sobrepostas de tecido conjuntivo chamado de meninges. Essas</p><p>estruturas recebem o nome de dura-máter, aracnoide e pia-máter. Os</p><p>vasos sanguíneos necessários para a nutrição e oxigenação do sistema</p><p>nervoso central estão localizados na pia-máter. Entre as trabéculas da</p><p>31</p><p>aracnoide, há um espaço preenchido pelo líquido cerebrospinal que tem</p><p>como função proteger de choques mecânicos (OLIVEIRA et al., 2015).</p><p>Figura 3 – Estruturas das meninges</p><p>Fonte: nmfotograf/iStock.com.</p><p>1.3 Neuroimagem estrutural e funcional</p><p>A parte central do sistema nervoso é plástico e adaptativo tanto em nível</p><p>pré-sináptico quanto pós-sináptico. Quanto mais jovem é o indivíduo,</p><p>maior é a sua plasticidade cerebral. Em uma mesma faixa etária também</p><p>há diferenças individuais do modo como processam cognitivamente as</p><p>tarefas e enfrentam doenças degenerativas, conforme as experiências e</p><p>aprendizados singulares (CAIXETA; TEIXEIRA, 2014).</p><p>O conceito de reserva cognitiva significa a capacidade do cérebro</p><p>armazenar por períodos longos as habilidades que foram adquiridas</p><p>durante a vida e resistir aos prejuízos de um quadro demencial, evitando</p><p>32</p><p>o surgimento de sintomas clínicos significativos no início da doença.</p><p>Quanto maior as habilidades adquiridas pelo indivíduo, maior a chance</p><p>de possuir reserva cognitiva (CAIXETA; TEIXEIRA, 2014).</p><p>Nas últimas décadas, houve um grande avanço em relação ao</p><p>diagnóstico por imagem complementar a outros exames para</p><p>investigação demencial e/ou prejuízo cerebral. Tanto a anatomia normal</p><p>quanto as alterações morfológicas e funcionais do sistema nervoso</p><p>central podem ser demonstradas com excelente qualidade e sem ser</p><p>um método invasivo. Por sua vez, os principais métodos de imagem</p><p>utilizados são a tomografia computadorizada e a ressonância magnética</p><p>(MIOTTO; LUCIA; SCAFF, 2012).</p><p>A ressonância magnética é, hoje, a modalidade de neuroimagem mais</p><p>utilizada para a avaliação in vivo de quadros demenciais, pois fornece</p><p>informações detalhadas sobre estrutura cerebral e permite uma</p><p>distinção clara entre substância cinzenta, substância branca e líquido</p><p>cerebrospinal. Com ela é possível caracterizar a atrofia cerebral regional</p><p>subjacente aos sintomas demenciais e descartar a presença de outras</p><p>lesões que podem estar na base do declínio cognitivo (MIOTTO; LUCIA;</p><p>SCAFF, 2012).</p><p>Além das alterações neuroanatômicas, avanços recentes na</p><p>neuroimagem proporcionaram o reconhecimento do papel da presença</p><p>de disfunções cerebrais de redes de conexão cerebral nas alterações de</p><p>comportamento de idosos com doenças neurodegenerativas. Por meio</p><p>das tomografias por emissão de pósitrons (PET) e computadorizada por</p><p>emissão de fóton único (SPECT), usando traçadores para o metabolismo</p><p>de glicose (com PET) ou para mapeamentos de fluxo sanguíneo</p><p>cerebral, são característicos os achados de hipoatividade funcionais nas</p><p>regiões temporoparietais e do cíngulo posterior em casos de doença</p><p>de Alzheimer inicial. Esses achados de hipoatividade cerebral regional</p><p>são diretamente proporcionais à gravidade dos déficits cognitivos</p><p>característicos da doença. Tais déficits neurofuncionais podem proceder</p><p>33</p><p>ao surgimento dos achados de atrofia cerebral identificáveis por meio de</p><p>ressonância magnética em caso de suspeita de demência de Alzheimer</p><p>(FUENTES et al., 2008).</p><p>Além das técnicas de PET e SPECT, conta-se atualmente com exames</p><p>de ressonância magnética funcional, em que são avaliadas flutuações</p><p>espontâneas da atividade funcional em diferentes regiões cerebrais na</p><p>presença de um estímulo explicito. Na doença de Alzheimer, exames</p><p>de ressonância funcional detectam disfunções em sistemas complexos</p><p>de interconexões de regiões cerebrais, diretamente relacionados aos</p><p>problemas cognitivos (memória, atenção, linguagem, visioespaciais e</p><p>funções executivas) e sintomas neuropsiquiátricos (apatia, depressão,</p><p>agitação, desinibição e outros) presentes na doença. Assim, a</p><p>neuroimagem funcional permite a associação entre anormalidades do</p><p>funcionamento cerebral em regiões circunscritas e alterações específicas</p><p>do comportamento e da cognição em transtornos neurodegenerativos</p><p>(MIOTTO; LUCIA; SCAFF, 2012).</p><p>Apesar das diferenças existentes entre os indivíduos em decorrência</p><p>dos fatores genéticos e heterogeneidade da interação ambiental,</p><p>o entendimento geral por parte dos profissionais da saúde acerca</p><p>das estruturas subjacentes ao funcionamento cerebral se torna</p><p>imprescindível para um melhor diagnóstico e intervenção terapêutica</p><p>subsequente. Atualmente, diferentes recursos com comprovação</p><p>científica baseados em estímulo cognitivo de outras áreas</p><p>compensatórias àquela habilidade lesionada ou perdida têm sido</p><p>adotados.</p><p>Apesar das diferenças existentes entre os indivíduos em decorrência</p><p>dos fatores genéticos e heterogeneidade da interação ambiental,</p><p>o entendimento geral por parte dos profissionais da saúde acerca</p><p>das estruturas subjacentes ao funcionamento cerebral torna-se</p><p>imprescindível para um melhor diagnóstico e intervenção terapêutica</p><p>subsequente.</p><p>34</p><p>Referências</p><p>FUENTES, D. et al. Neuropsicologia: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2008.</p><p>MIOTTO, E. C.; LUCIA, M. C. S.; SCAFF, M. Neuropsicologia clínica. São Paulo: Roca,</p><p>2012.</p><p>MOURÃO-JÚNIOR, C. A.; OLIVEIRA, A. O.; FARIA, E. L. B. Neurociência cognitiva e</p><p>desenvolvimento humano. Temas em educação e saúde, Araraquara, v. 7, 2017.</p><p>Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/tes/article/view/9552. Acesso em:</p><p>27 set. 2021.</p><p>OLIVEIRA, A. A.; NETO, F. H. C. Anatomia e Fisiologia: a incrível máquina do corpo</p><p>humano. Fortaleza: Educacional, 2015.</p><p>SERAFIM, A. P.; ROCCA, C. C. A.; GONÇALVES, P. D. Intervenções neuropsicológicas</p><p>em saúde mental. Baueri: Manole, 2020.</p><p>TORTORA, G. F.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia. Rio de</p><p>Janeiro: E. Guanabara Koogan, 2016.</p><p>https://periodicos.fclar.unesp.br/tes/article/view/9552</p><p>35</p><p>Lobos do cérebro: Frontal,</p><p>Temporal, Parietal, Occiptal,</p><p>Insular e Límbico</p><p>Autoria: Marisa Martin Crivelaro Romão</p><p>Leitura crítica: Cristiano da Rosa</p><p>Objetivos</p><p>• Conceituar e diferenciar as estruturas de cada lobo</p><p>cerebral.</p><p>• Introduzir as funções dos principais lobos cerebrais,</p><p>ínsula e outras estruturas cerebrais relacionadas</p><p>à</p><p>cognição.</p><p>• Propiciar o entendimento global do funcionamento</p><p>dos lobos cerebrais e sua interligação para a geração</p><p>de comportamento.</p><p>36</p><p>1. Lobos do cérebro</p><p>Envolto pelo neurocrânio temos algumas estruturas, como o telencéfalo.</p><p>Ele é conhecido como “sede da inteligência”, pois corresponde a</p><p>capacidade do indivíduo falar, escrever, ler e fazer cálculos. Além</p><p>disso, o telencéfalo (cérebro) possui a importante função de recordar</p><p>do passado, planejar o futuro e pela criatividade. Ele é constituído</p><p>externamente pelo córtex cerebral, núcleos de substância cinzenta</p><p>situados na substância branca e uma área interna de substância branca</p><p>(TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>Na face externa do telencéfalo se localiza uma região de substância</p><p>cinzenta chamada córtex cerebral. Ele apresenta apenas 2 a 4 mm de</p><p>espessura, mas contém bilhões de neurônios organizados em camadas.</p><p>Durante o processo embrionário, quando o encéfalo se desenvolve</p><p>rapidamente, a substância cinzenta do córtex cerebral se desenvolve</p><p>ainda mais rápido do que a substância branca, o que acaba ocasionando</p><p>dobras sobre si mesmo para que possa caber dentro da calota craniana.</p><p>Essas dobras formam pregas conhecidas como giros ou circunvoluções,</p><p>as fendas mais profundas entre os giros recebem o nome de fissuras e</p><p>as mais superficiais de sulcos (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>A fissura mais profunda, chamada fissura longitudinal, separa o</p><p>telencéfalo em duas metades que recebem o nome de hemisférios</p><p>cerebrais. Já a foice do cérebro se situa na fissura longitudinal. Esses</p><p>hemisférios são internamente conectados pelo corpo caloso, uma</p><p>região de substância branca que contém axônios projetados entre os</p><p>hemisférios (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>Embora o encéfalo seja quase simétrico, existem diferenças anatômicas</p><p>sutis entre os dois hemisférios. Por sua vez, essa assimetria surge no</p><p>feto humano durante a trigésima semana de gestação. Há também</p><p>diferenças fisiológicas, pois, embora os dois hemisférios compartilhem</p><p>várias funções, cada hemisfério pode desempenhar funções específicas.</p><p>37</p><p>Esta assimetria funcional é conhecida como lateralização hemisférica</p><p>(TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>Apesar de existirem algumas diferenças significativas nas funções dos</p><p>dois hemisférios, observa-se uma variação considerável de uma pessoa</p><p>para outra. Além disso, a lateralização parece ser menos profunda em</p><p>mulheres do que em homens, tanto para linguagem no hemisfério</p><p>esquerdo quanto para habilidades visuais e espaciais no hemisfério</p><p>direito (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>1.1 Estruturas do encéfalo: definição e funcionalidade</p><p>A clássica divisão de cada hemisfério cerebral em cinco lobos (frontal,</p><p>parietal, occipital, temporal e insular) toma como principais limites</p><p>o sulco central, a fissura lateral ou silviana e uma linha imaginária</p><p>que une a emergência superomedial do sulco parieto-occipital com a</p><p>incisura pré-occipital, que se situa na borda inferolateral, a cerca de</p><p>5 cm anteriormente ao polo occipital, e nomeia as diferentes regiões</p><p>superficiais conforme o osso craniano com que se relaciona. A mais</p><p>recente concepção considera os giros pré e pós-central como um lobo</p><p>(lobo central) e as estruturas corticais e nucleares que envolvem o</p><p>diencéfalo como outro lobo isolado (lobo límbico) (MENESES, 2015).</p><p>Portanto, o telencéfalo se divide em sete lobos cerebrais, com atividades</p><p>especializadas e específicas em cada uma e que recebem o nome</p><p>conforme os ossos que recobrem: Lobo Frontal, Lobo Occipital, Lobo</p><p>Temporal, Lobo Parietal, Lobo Ínsular, Lobo Límbico e Lobo Central</p><p>(TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>O sulco central separa o lobo frontal do lobo parietal. Um giro</p><p>importante, o giro pré-central – localizado imediatamente anterior</p><p>ao sulco central – contém a área motora primária do córtex cerebral.</p><p>Outro giro importante, o giro pós-central, o qual se situa imediatamente</p><p>posterior ao sulco central contém a área somatossensitiva primária.</p><p>38</p><p>O sulco cerebral lateral separa o lobo frontal do lobo temporal. Já</p><p>o sulco parietoccipital separa o lobo parietal do lobo occipital. Uma</p><p>quinta porção do telencéfalo, o lobo ínsular, não pode ser vista</p><p>superficialmente, porque se encontra dentro do sulco cerebral lateral</p><p>profundamente aos lobos parietal, frontal e temporal (TORTORA;</p><p>DERRICKSON, 2016).</p><p>Figura 1 – Estrutura dos Lobos cerebrais</p><p>Fonte: VikiVector/iStock.com.</p><p>A substância branca cerebral é constituída por axônios mielinizados</p><p>organizados em três tipos de trato: fibras de associação, fibras</p><p>comissurais e fibras de projeção (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>As fibras de associação contêm axônios responsáveis pela condução</p><p>de impulsos nervosos entre os giros do mesmo hemisfério (TORTORA;</p><p>DERRICKSON, 2016).</p><p>39</p><p>Já as fibras comissurais possuem axônios que transportam impulsos de</p><p>giros de um hemisfério cerebral para o giro correspondente no outro</p><p>hemisfério. São exemplos importantes o corpo caloso (o maior feixe de</p><p>fibras encefálicas, contendo cerca de 300 milhões de fibras), a comissura</p><p>anterior e a comissura posterior (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>As fibras de projeção são constituídas por axônios condutores de</p><p>impulsos nervosos do telencéfalo para partes inferiores da parte central</p><p>do sistema nervoso (tálamo, tronco encefálico e medula espinal) ou</p><p>vice-versa. Um exemplo é a cápsula interna, faixa espessa de substância</p><p>branca formada por axônios ascendentes e descendentes (TORTORA;</p><p>DERRICKSON, 2016).</p><p>Dentro de cada hemisfério cerebral existem três núcleos (aglomerados</p><p>de substância cinzenta) denominados de núcleos da base. Os núcleos da</p><p>base se situam lado a lado, laterais ao tálamo: o globo pálido, localizado</p><p>mais próximo do tálamo; e o putame, situado mais próximo do córtex</p><p>cerebral. Juntos, esses núcleos originam o núcleo lentiforme. O terceiro</p><p>dos núcleos da base é o núcleo caudado, que tem uma grande “cabeça”</p><p>ligada a uma “cauda” menor por meio de um longo “corpo” em forma</p><p>de vírgula. Os núcleos lentiforme e caudado formam juntos o corpo</p><p>estriado, que recebe esse nome porque se refere à aparência estriada</p><p>da cápsula interna ao passar entre os núcleos da base. A substância</p><p>negra do mesencéfalo e os núcleos subtalâmicos do diencéfalo estão</p><p>funcionalmente conectados aos núcleos da base. Já os axônios da</p><p>substância negra terminam no núcleo caudado e no putame e os</p><p>núcleos subtalâmicos se comunicam com o globo pálido (TORTORA;</p><p>DERRICKSON, 2016).</p><p>O claustro, por sua vez, se constitui em uma lâmina fina de substância</p><p>cinzenta lateral ao putame e pode ser considerada uma subdivisão dos</p><p>núcleos da base. A função do claustro ainda não foi esclarecida, mas</p><p>parece estar envolvida com a atenção visual (TORTORA; DERRICKSON,</p><p>2016).</p><p>40</p><p>Os núcleos da base apresentam várias conexões entre si e recebem</p><p>aferências do córtex cerebral e produzem eferências para partes</p><p>motoras do córtex por meio dos núcleos mediais e ventrais do</p><p>tálamo. Eles apresentam a função de ajudar na regulação do início e</p><p>término dos movimentos. A atividade neuronal no putame precede ou</p><p>antecipa movimentos corporais; no núcleo caudado acontece antes</p><p>dos movimentos oculares. O globo pálido ajuda na regulação do tônus</p><p>muscular necessário para movimentos corporais específicos. Os núcleos</p><p>da base também controlam contrações subconscientes dos músculos</p><p>esqueléticos (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>Além disso, os núcleos da base auxiliam no início e no término de alguns</p><p>processos cognitivos – como a atenção, a memória e o planejamento</p><p>– e podem atuar no sistema límbico na regulação de comportamentos</p><p>emocionais. Os transtornos como a doença de Parkinson, o transtorno</p><p>obsessivo-compulsivo, a esquizofrenia e a ansiedade crônica envolvem</p><p>disfunções dos circuitos entre os núcleos da base e o sistema límbico</p><p>(TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>1.1.1. Lobo Límbico</p><p>O termo lobo límbico foi inicialmente utilizado por Pierre Paul Broca,</p><p>neurologista francês do século XIX, ao observar que determinadas</p><p>estruturas mediais que se dispunham</p><p>em forma de C em torno da região</p><p>diencefálica se relacionavam com a fisiologia das emoções. Segundo</p><p>Meneses (2015), o termo límbico é de origem latina e significa borda,</p><p>margem.</p><p>Na face interna do telencéfalo e no assoalho do mesencéfalo,</p><p>circundando a parte superior do tronco encefálico e o corpo caloso,</p><p>existe um conjunto de estruturas que formam o sistema límbico. Os</p><p>principais componentes do sistema límbico são o lobo límbico, o giro</p><p>denteado e o corpo amigdaloide (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>41</p><p>O lobo límbico consiste em uma margem do córtex cerebral na face</p><p>medial de cada hemisfério; é onde está localizado o chamado giro do</p><p>cíngulo, acima do corpo caloso e o giro para-hipocampal, situado no</p><p>lobo temporal. O hipocampo faz parte do giro para-hipocampal que se</p><p>estende até o assoalho do quarto ventrículo (TORTORA; DERRICKSON,</p><p>2016).</p><p>O giro denteado se localiza entre o hipocampo e o giro para-hipocampal.</p><p>O corpo amigdaloide é composto por vários grupos de neurônios</p><p>situados próximo à cauda do núcleo caudado (TORTORA; DERRICKSON,</p><p>2016). O sistema límbico auxilia no processo de memória por meio de</p><p>várias estruturas interligadas. Essas estruturas são os núcleos septais,</p><p>corpos mamilares do hipotálamo, dois núcleos talâmicos (anterior</p><p>e medial), os bulbos olfatórios, o fórnice, a estria terminal, a estria</p><p>medular, o fascículo medial do telencéfalo e o fascículo mamilotalâmico</p><p>(TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>Os núcleos septais estão localizados na área septal, formada por regiões</p><p>abaixo do corpo caloso e do giro paraterminal (um giro cerebral).</p><p>Os corpos mamilares do hipotálamo são duas massas arredondadas</p><p>próximas da linha média e dos pedúnculos cerebrais. Por sua vez,</p><p>os bulbos olfatórios consistem em estruturas achatadas pertencentes à</p><p>via olfatória que estão localizados sobre a lâmina ceribriforme. O fórnice,</p><p>a estria terminal, a estria medular, o fascículo medial do telencéfalo e</p><p>o fascículo mamilotalâmico são feixes de axônios mielinizados que se</p><p>conectam entre si (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>O sistema límbico é apelidado por alguns autores como “cérebro</p><p>emocional”, pois, sua função primária se relaciona a uma série de</p><p>emoções. Além disso, se relaciona com o olfato e com a memória</p><p>(TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>Em experimentos com animais, quando diferentes áreas de sistemas</p><p>límbicos dos animais foram ativadas, as suas reações sugeriram a</p><p>42</p><p>sensação de dor intensa ou prazer extremo. Docilidade e afeto foram</p><p>produzidos após a estimulação de outras áreas do sistema límbico dos</p><p>animais. A estimulação do corpo amigdaloide ou de certos núcleos</p><p>hipotalâmicos de um gato produz um padrão comportamental</p><p>conhecido como raiva – o gato mostra suas garras, eleva sua cauda,</p><p>abre seus olhos, sibila e cospe. Por outro lado, a remoção do corpo</p><p>amigdaloide faz com que o animal não sinta medo ou demonstre</p><p>agressividade. Já o indivíduo que apresenta lesão no corpo amigdaloide</p><p>não consegue reconhecer expressões de medo nas demais pessoas ou</p><p>sentir medo em situações em que seria esperada esta reação, como ao</p><p>ser atacado por um animal (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>Descobriu-se que uma lesão no sistema límbico afeta a memória, logo,</p><p>o sistema límbico em conjunto com outras áreas do telencéfalo possui</p><p>funções na memória. Uma porção do sistema límbico, o hipocampo,</p><p>apresenta uma característica não encontrada em outras estruturas da</p><p>parte central do sistema nervoso, que são as células que passam pelo</p><p>processo de mitose. Assim, a parte do encéfalo que é responsável por</p><p>alguns aspectos da memória pode desenvolver novos neurônios, mesmo</p><p>em pessoas idosas (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>1.1.2. Lobo Frontal</p><p>O lobo frontal se situa na região anterior ao sulco central. Segundo</p><p>Barbin (2018), é formado por várias áreas funcionalmente distintas,</p><p>sendo responsável pelo planejamento de ações e pensamento abstrato.</p><p>O córtex frontal decide quais são e a ordem das sequências de</p><p>movimento necessárias, analisando os resultados diante de uma tarefa</p><p>difícil. Eles são responsáveis pela fluidez do pensamento e da área da</p><p>linguagem, pelas emoções, julgamento social, volição, atenção seletiva,</p><p>pensamento abstrato e criatividade. De acordo com Barbin (2018),</p><p>lesões nessa área levam o indivíduo a apresentar rigidez mental para</p><p>43</p><p>estratégias necessárias frente a mudanças e/ou não conseguir executar</p><p>uma sequência de ações de modo correto.</p><p>Em regiões diferentes do córtex cerebral são processados tipos</p><p>específicos de sinais sensitivos, motores e integradores. As áreas</p><p>sensitivas recebem as informações sensitivas, ou seja, diz respeito</p><p>à percepção e consciência de uma sensação. As áreas motoras são</p><p>responsáveis pelo controle dos movimentos voluntários e as áreas</p><p>associativas integram as funções mais complexas, como a memória, as</p><p>emoções, o raciocínio, a volição, a crítica, a personalidade e a inteligência</p><p>(TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>A área motora primária situa-se no giro pré-central do lobo frontal.</p><p>Assim como na área somatossensitiva primária, um “mapa” de todo</p><p>o corpo está presente na área motora primária, ou seja, cada região</p><p>controla as contrações voluntárias de músculos específicos ou de</p><p>grupos musculares. Os estímulos elétricos em qualquer ponto da</p><p>área motora primária causam a contração de fibras musculares</p><p>esqueléticas específicas no lado oposto do corpo. Já os diferentes</p><p>músculos apresentam diferentes representações nessa área e uma área</p><p>cortical maior é dedicada para os músculos envolvidos em movimentos</p><p>complexos ou delicados. Por exemplo, a região cortical relacionada aos</p><p>músculos que movimentam os dedos das mãos é maior que a região</p><p>envolvida com os dedos dos pés. Esse mapa muscular distorcido é</p><p>conhecido como homúnculo motor (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>A área de Broca está localizada no lobo frontal, próxima ao sulco</p><p>cerebral lateral. Assim, falar e compreender a linguagem são atividades</p><p>complexas que envolvem muitas áreas sensitivas, associativas e</p><p>motoras do córtex. Em grande porcentagem da população, essas áreas</p><p>de linguagem se situam no hemisfério esquerdo. O planejamento e</p><p>a produção da fala ocorrem no lobo frontal esquerdo da maioria dos</p><p>indivíduos. Já os impulsos nervosos originados na área de Broca passam</p><p>para as regiões pré-motoras que controlam os músculos da laringe,</p><p>44</p><p>da faringe e da boca. Os impulsos da área pré-motora resultam em</p><p>contrações musculares específicas coordenadas, simultaneamente,</p><p>os impulsos se propagam da área de Broca para a área motora</p><p>primária. Desse ponto, os impulsos também controlam os músculos</p><p>ventilatórios para que possam regular o fluxo de ar pelas pregas vocais.</p><p>As contrações coordenadas dos músculos relacionados com a fala e a</p><p>ventilação possibilitam a expressão dos pensamentos. As pessoas que</p><p>sofrem um acidente vascular encefálico (AVE) na área de Broca ainda</p><p>conseguem ter pensamentos coerentes, mas não conseguem formar</p><p>palavras, esse fenômeno é conhecido como afasia motora (TORTORA;</p><p>DERRICKSON, 2016).</p><p>As áreas associativas do telencéfalo são formadas por grandes</p><p>regiões dos lobos occipitais, parietais e temporais e dos lobos frontais</p><p>anteriormente às áreas motoras. As áreas associativas estão conectadas</p><p>entre si por tratos associativos (TORTORA; DERRICKSON, 2016),</p><p>A área de associação somatossensitiva se situa posterior à área</p><p>somatossensitiva primária e recebe aferências dessa área, bem como do</p><p>tálamo e de outras áreas do encéfalo. Essa área determina a forma e a</p><p>textura exatas de um objeto, determina a orientação de um objeto em</p><p>relação a outro e perceba a relação de uma parte do corpo com outro.</p><p>Além disso, ela apresenta a função de armazenamento de experiências</p><p>sensitivas somáticas, o que permite a comparação das sensações atuais</p><p>com as experiências prévias. Por exemplo, segundo Tortora e Derrickson</p><p>(2016), a área de associação somatossensitiva permite o reconhecimento</p><p>de objetos, como um lápis ou um clipe, simplesmente pelo tato.</p><p>A área de associação visual,</p><p>situada no lobo occipital, recebe impulsos</p><p>sensitivos da área visual primária e do tálamo. Ela envolve experiências</p><p>visuais presentes com as passadas e é imprescindível para o</p><p>reconhecimento e avaliação do que está sendo vivenciado. Por exemplo,</p><p>essa área possibilita o reconhecimento de um objeto, como uma colher,</p><p>apenas ao enxergá-la (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>45</p><p>A área de associação facial, localizada no lobo temporal inferior, recebe</p><p>impulsos da área de associação visual. Essa área armazena informações</p><p>sobre expressões faciais e permite o reconhecimento de pessoas através</p><p>de suas faces. A área de reconhecimento facial no hemisfério direito é,</p><p>geralmente, dominante em relação à área correspondente no hemisfério</p><p>esquerdo (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>A área de associação auditiva, localizada inferior e posteriormente à área</p><p>auditiva primária no córtex temporal, permite o reconhecimento de um</p><p>som específico, como uma fala, um ruído ou uma música (TORTORA;</p><p>DERRICKSON, 2016).</p><p>O córtex orbitofrontal, que se situa na parte lateral do lobo frontal,</p><p>recebe impulsos sensitivos da área olfatória primária. Nesse sentido,</p><p>essa área cortical permite identificar e discriminar vários odores.</p><p>Durante o processamento olfatório, o córtex orbitofrontal do</p><p>hemisfério direito tem maior atividade que a região correspondente do</p><p>lado esquerdo (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>A área de Wernicke, que corresponde a uma grande região nos</p><p>lobos temporal e parietal esquerdos, interpreta o significado da fala</p><p>por meio do reconhecimento das palavras faladas. Ela está ativa</p><p>quando você transforma palavras em pensamentos. As regiões do</p><p>hemisfério direito que correspondem às áreas de Broca e Wernicke no</p><p>hemisfério esquerdo também contribuem com a comunicação verbal</p><p>por meio do acréscimo de emoções, como raiva ou alegria, nas palavras</p><p>faladas. Ao contrário dos indivíduos com AVE na área de Broca, as</p><p>pessoas que sofrem AVE na área de Wernicke ainda conseguem falar,</p><p>mas não conseguem ordenar as palavras de modo coerente. Esse</p><p>fenômeno recebe o nome de afasia sensitiva ou “salada de palavras”</p><p>(TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>A área integradora comum é delimitada pelas áreas de associação</p><p>somatossensitiva, visual e auditiva. Ela recebe impulsos nervosos</p><p>46</p><p>dessas áreas, da área gustativa primária, da área olfatória primária,</p><p>do tálamo e de partes do tronco encefálico. Já essa área integra</p><p>interpretações sensitivas das áreas de associação e impulsos de outras</p><p>áreas, permitindo a formação de pensamentos baseados em uma série</p><p>de aferências sensitivas. Após a integração dessas informações, essa</p><p>área transmite sinais para outras partes do encéfalo para que seja</p><p>elaborada a resposta apropriada às informações sensitivas interpretadas</p><p>(TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>O córtex pré-frontal ou área frontal de associação é uma grande região</p><p>localizada na parte anterior do lobo frontal muito desenvolvida em</p><p>primatas, especialmente em humanos. Desse modo, essa área tem</p><p>muitas conexões com outras áreas corticais, tálamo, hipotálamo, sistema</p><p>límbico e cerebelo. O córtex pré-frontal está relacionado com uma</p><p>série de funções, como a formação da personalidade de um indivíduo,</p><p>inteligência, capacidades de aprendizado complexo, lembrança de</p><p>informações, iniciativa, juízo crítico, antevisão, raciocínio, consciência,</p><p>intuição, humor, planejamento do futuro e desenvolvimento de ideias</p><p>abstratas. Um indivíduo que apresente lesões em ambos os córtices pré-</p><p>frontais tende a se tornar rude, insensível, incapaz de aceitar conselhos,</p><p>temperamental, desatento, menos criativo, incapaz de planejar o</p><p>futuro e incapaz de antecipar as consequências de comportamentos ou</p><p>palavras grosseiras e inapropriadas (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>A área pré-motora é uma área de associação motora que está</p><p>imediatamente anterior à área motora primária. Os neurônios dessa</p><p>região se comunicam com o córtex motor primário, as áreas de</p><p>associação sensitiva no lobo parietal, os núcleos da base e o tálamo.</p><p>A área pré-motora é responsável pelas atividades motoras adquiridas</p><p>que sejam complexas e sequenciais, como a escrita. Segundo Tortora e</p><p>Derrickson (2016), essa região também serve como um banco de registro</p><p>para tais movimentos.</p><p>47</p><p>A área dos campos oculares frontais, localizada no córtex frontal, é por</p><p>vezes incluída na área pré-motora. Ela controla os movimentos oculares</p><p>voluntários de perseguição, sendo muito usada ao se fazer a leitura de</p><p>uma frase, por exemplo (TORTORA; DERRICKSON, 2016).</p><p>1.1.3. Lobo Occipital</p><p>Posteriormente, os lobos occipitais posicionados são separados dos</p><p>lobos parietal e temporal pelo plano do sulco parietoccipital, visível</p><p>na face medial do cérebro em uma hemissecção do encéfalo. O ponto</p><p>posterior extremo do lobo occipital, que se projeta posteriormente, é</p><p>o polo occipital. Já os hemisférios ocupam toda a parte supratentorial da</p><p>cavidade do crânio. Segundo Meneses (2015), os lobos frontais ocupam</p><p>as fossas anteriores do crânio, os lobos temporais ocupam as partes</p><p>laterais das fossas médias do crânio, e os lobos occipitais estendem-se</p><p>posteriormente sobre o tentório do cerebelo.</p><p>Na superfície medial do hemisfério, por sua vez, o lobo occipital é</p><p>delimitado e definido por sulcos e giros bem definidos e constantes. O</p><p>seu sulco principal é a fissura calcarina, que se dispõe pouco acima da</p><p>margem inferomedial do hemisfério. A fissura calcarina se inicia sob</p><p>o esplênio do corpo caloso, delimitando inferiormente o istmo do giro</p><p>cíngulo, e se estende posteriormente constituindo uma leve curvatura de</p><p>convexidade superior de cujo ponto mais alto emerge, superiormente,</p><p>o sulco parieto-occipital, que delimita anteriormente o lobo occipital na</p><p>face medial do hemisfério. Posteriormente, a fissura calcarina ultrapassa</p><p>a margem superomedial, estendendo-se para a superfície superolateral</p><p>do hemisfério cerebral (MENESES, 2015).</p><p>O ponto de emergência do sulco parieto-occipital divide a fissura</p><p>calcarina nos segmentos proximal e distal, e, entre esse último e o sulco</p><p>parieto-occipital, dispõe-se o lóbulo cuneal ou cuneus, que recebe essa</p><p>denominação devido à sua forma de cunha (MENESES, 2015).</p><p>48</p><p>1.1.4. Lobo Temporal</p><p>O lobo temporal se situa inferiormente à fissura silviana e,</p><p>posteriormente, é delimitado pela linha arbitrária que une a</p><p>extremidade superomedial do sulco parieto-occipital com a incisura</p><p>pré-occipital. A sua superfície lateral apresenta dois sulcos paralelos</p><p>ao ramo posterior da fissura silviana: os sulcos temporais superior e</p><p>inferior, que delimitam, respectivamente, os giros temporais superior,</p><p>médio e inferior nas proximidades do polo temporal e terminam</p><p>posteriormente aos limites desse lobo. No entanto, ao contrário do sulco</p><p>temporal superior, o sulco temporal inferior é geralmente descontinuo e</p><p>composto por dois ou mais segmentos (MENESES, 2015).</p><p>O plano polar tem o seu assoalho constituído por giros transversos</p><p>curtos, inclinação oblíqua a partir do giro temporal superior e o seu</p><p>limite inferior é dado pelo segmento inferior do sulco circular da ínsula</p><p>que se dispõe na profundidade da fissura silviana. O plano temporal,</p><p>por sua vez, tem forma triangular com vértice interno que corresponde</p><p>justamente ao vértice posterior da profundidade da fissura silviana, local</p><p>em que o segmento superior do sulco circular da ínsula se encontra</p><p>com o seu segmento ou porção inferior. De acordo com Meneses (2015),</p><p>dispõe-se horizontalmente e confronta a superfície inferior do giro</p><p>supramarginal, como que sustentando a porção mais anterior desse</p><p>giro.</p><p>O Lobo Temporal envolve o processamento dos estímulos auditivos</p><p>para que o reconhecimento dos tipos diferentes de sons ocorra. As</p><p>informações são processadas por associação, isto é, quando a área</p><p>auditiva primária é estimulada, os sons são produzidos e as enviados</p><p>à área auditiva secundária, que interage com outras zonas do cérebro,</p><p>atribuindo um significado e permitindo ao indivíduo reconhecer o que</p><p>está ouvindo</p>

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