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Aula 07
Magistratura Federal - Direito
Constitucional - 2022 (Curso Regular)
Autor:
Equipe Materiais Carreiras
Jurídicas, Nelma Fontana
09 de Fevereiro de 2022
05618536650 - Guiomar Evangelista de Araujo
 
Sumário 
Considerações iniciais ........................................................................................................................................ 2 
Intervenção Federal ........................................................................................................................................... 3 
1 – Intervenção voluntária (espontânea, de ofício) ....................................................................................... 4 
1.1 Do Interventor ............................................................................................................................................................ 5 
1.2 Intervenção Parcial ..................................................................................................................................................... 5 
1.3 Do prazo ...................................................................................................................................................................... 6 
1.4 Do Conselho da República e do Conselho de Defesa Nacional .................................................................................. 6 
1.5 Dos procedimentos ..................................................................................................................................................... 6 
2 – Intervenção provocada ............................................................................................................................. 7 
2.1 Intervenção provocada por solicitação ...................................................................................................................... 7 
2.2 Intervenção provocada por requisição ....................................................................................................................... 9 
Intervenção Estadual ........................................................................................................................................ 13 
Defesa do Estado e das Instituições Democráticas .......................................................................................... 14 
1 - Estado de Defesa ..................................................................................................................................... 14 
2 - Estado sítio .............................................................................................................................................. 17 
Dos Militares .................................................................................................................................................... 20 
1 - Forças Armadas ....................................................................................................................................... 20 
2 - Dos Militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios ............................................................ 23 
Da Segurança Pública ....................................................................................................................................... 25 
Órgãos da União ............................................................................................................................................................. 27 
Questões Comentadas ..................................................................................................................................... 30 
Lista de Questões ............................................................................................................................................. 34 
Gabarito............................................................................................................................................................ 40 
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INTERVENÇÃO FEDERAL E ESTADUAL 
DA DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES 
DEMOCRÁTICAS 
CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
O Brasil adota o modelo federativo de Estado, cuja principal característica é a organização descentralizada, 
de forma que União, Estados, Distrito Federal e Municípios são todos autônomos, todos têm capacidade de 
auto-organização política, auto-organização administrativa e autogoverno. 
Vale dizer que não existe nenhuma hierarquia entre os entes federativos e que faz parte do pacto federativo 
o respeito mútuo à autonomia conferida pela Constituição Federal a todos os entes políticos. Dessa forma, 
a quebra desse princípio norteador do nosso modelo de Estado (a autonomia), implica em sua ruína. 
Por outro lado, excepcionalmente, nos casos taxativamente elencados no artigo 34 da Constituição Federal, 
poderá a União intervir na autonomia dos Estados e do Distrito Federal. Trata-se de medida extrema, de 
natureza política, que objetiva isolada ou cumulativamente garantir: 
1) a ordem constitucional; 
2) a defesa do Estado; 
3) a defesa das finanças estaduais; e 
4) a defesa de princípio federativo. 
De igual maneira, nas hipóteses do artigo 35 da Lei Maior, o Estado-membro poderá intervir na autonomia 
de algum de seus Municípios. 
A intervenção, desde que respeitados os pressupostos materiais e formais fixados pela Lei Maior, não afronta 
o Estado Democrático de Direito e nem a Forma Federativa de Estado. É certo que os entes federativos são 
autônomos, mas a existência de governo próprio nos Estados, Distrito Federal e Municípios deve estar 
circunscrita e limitada pela Constituição Federal, de forma a não haver ofensa à soberania da República 
Federativa do Brasil. 
Nesse diapasão, a intervenção (federal ou estadual) não representa supremacia da União em face dos 
Estados, tampouco dos Estados em face dos Municípios, uma vez que nem União e nem Estados atuam em 
defesa de seus próprios interesses, mas para preservar a indissolubilidade e a viabilidade da federação. 
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Não há falar em violação ao Estado Democrático de Direito, pois a ordem jurídica pátria prevê a decretação 
da intervenção, como medida excepcional, garantidora do cumprimento, por parte de todos os entes 
políticos, da Constituição e das leis. 
INTERVENÇÃO FEDERAL 
O artigo 34 da Constituição Federal enumera sete casos taxativos em que poderá ocorrer a intervenção 
federal na autonomia dos Estados e do Distrito Federal. Nas hipóteses do artigo 35, a União poderá intervir 
na autonomia de Município localizado em Território Federal. 
Perceba alguns pontos: 1) a intervenção federal é exceção e não regra e só poderá ocorrer nas hipóteses 
descritas na Constituição Federal; 2) é vedada a intervenção federal em Município que integra Estado. 
Apenas será possível a intervenção federal em Município se este estiver localizado em Território; 3) as 
hipóteses de intervenção federal em Município não são as mesmas de intervenção federal nos Estados e 
nem no Distrito Federal; 4) a intervenção federal só será válida se atender aos pressupostos materiais e 
formais exigidos pela Constituição. Não observado qualquer deles, a medida será inconstitucional e sujeitará 
os seus executores à responsabilização. 
 
 
 
 
 
 
 
INTERVENÇÃO FEDERAL É O MESMO QUE INTERVENÇÃO MILITAR? 
NÃO. A INTERVENÇÃO FEDERAL É A RETIRADA TEMPORÁRIA DA AUTONOMIA DE UM ESTADO-
MEMBRO OU DO DISTRITO FEDERAL. TRATA-SE DE MEDIDA EXCEPCIONAL, TAXATIVAMENTE 
ELENCADA NO ARTIGO 34 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, TOMADA PELO PRESIDENTE DA 
REPÚBLICA, PARA GARANTIR A CONTINUIDADEcom a duração de cento e vinte 
dias; 
e) licença-paternidade, nos termos fixados em lei; 
f) assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de 
idade em creches e pré-escolas; 
g) limitação de remuneração/subsídio, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra 
natureza, ao subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. 
h) não vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de 
remuneração de pessoal do serviço público. 
i) os acréscimos pecuniários percebidos não serão computados nem acumulados para fins 
de concessão de acréscimos ulteriores; 
j) irredutibilidade de subsídio/vencimento, com as ressalvas constitucionais. 
 
1. NÃO CABE HABEAS CORPUS EM RELAÇÃO A PUNIÇÕES DISCIPLINARES MILITARES. 
2. MILITARES DOS ESTADOS, DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS, EM REGRA, NÃO PODERÃO 
ACUMULAR SUAS ATRIBUIÇÕES COM OUTROS CARGOS OU EMPREGOS PÚBLICOS CIVIS. ENTRETANTO, 
A EMENDA CONSTITUCIONAL 101/2019 ESTENDEU AOS MILITARES ESTADUAIS AS MESMAS 
POSSIBILIDADES DE ACÚMULO APLICÁVEIS AOS SERVIDORES PÚBLICOS CIVIS (ART. 42, § 3º, DA 
CRFB/88). ASSIM, DESDE QUE HAJA COMPATIBILIDADE DE HORÁRIOS, COM PREVALÊNCIA DA 
ATIVIDADE MILITAR, PODERÁ O MILITAR TAMBÉM EXERCER AS SEGUINTES ATIVIDADES: 
A) MILITAR E PROFESSOR; 
B) MILITAR E CARGO TÉCNICO OU CIENTÍFICO; 
C) MILITAR PROFISSIONAL DE SAÚDE E PROFISSIONAL DE SAÚDE CIVIL. 
CUIDADO! O MILITAR DAS FORÇAS ARMADAS, COMO JÁ DITO, SÓ PODERÁ ACUMULAR A HIPÓTESE 
“C”, ISTO É, APENAS PODERÁ OCUPAR DOIS CARGOS (UM MILITAR E UM CIVIL) DE PROFISSIONAL DE 
SAÚDE. 
DA SEGURANÇA PÚBLICA 
A segurança pública é um dos direitos sociais elencados no artigo 6º da Constituição Federal e tem a 
finalidade de preservar a ordem pública e a incolumidade das pessoas (brasileiras ou estrangeiras) e do 
patrimônio (inclusive de pessoas jurídicas). Direito e responsabilidade de todos, é dever do Estado, que deve 
desenvolver políticas públicas que objetivem a sua efetivação plena. 
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O artigo 144 da Constituição Federal enumera um rol taxativo de órgãos que compõem a segurança pública. 
Cabe à lei disciplinar a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública, de 
maneira a garantir a eficiência de suas atividades. São eles: 
a) Polícia Federal; 
b) Polícia Rodoviária Federal; 
c) Polícia Ferroviária Federal; 
d) Polícias Civis; 
e) Polícias Militares; 
f) Corpos de Bombeiros Militares e 
g) Polícias penais federal, estaduais e distrital. 
O legislador constituinte classificou a atividade policial em três categorias: 1) polícia administrativa 2) polícia 
judiciária e 3) polícia penal. A polícia administrativa atua preventivamente (para evitar que o crime 
aconteça) e ostensivamente (para repremir condutas delitivas). Por outro lado, a polícia judiciária é polícia 
investigativa e atua depois que o crime já aconteceu, para apontar condutas delitivas e a sua autoria. A 
polícia penal, criada pela EC 104/2019, promove a segurança nos estabelecimentos penais. 
A Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Ferroviária Federal são órgãos federais de segurança 
pública. Já as Polícias Civis, as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares são órgãos estaduais. As 
polícias penais podem ser federal, estaduais ou distrital. 
Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, 
serviços e instalações, conforme dispuser a lei (art. 144, § 8º, da CRFB/88). 
Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir a segurança viária, exercida para 
a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do seu patrimônio nas vias 
públicas (art. 144, § 10, da CRFB/88). 
Ora, se os órgãos de segurança pública enumerados nos cinco incisos do artigo 144 da Constituição 
configuram enumeração taxativa, segundo jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (RE 570.177), o que 
seriam as guardas municipais e os órgãos de segurança viária? O texto constitucional não tem boa redação 
quanto a esse assunto e merece ser analisado com cuidado. 
A conclusão lógica é a de que Estados, Distrito Federal e Municípios não poderão, por legislação própria, 
criar outros órgãos de segurança pública, ainda que por emenda à Constituição estadual. Igualmente, a 
União, por lei, não poderá instituir outros órgãos de segurança pública. Esse assunto, caso surja a 
necessidade de sofrer alteração, deverá ser disciplinado pela Constituição Federal, por emenda, como fez a 
EC 104/2019 ao criar a polícia penal. 
Quanto às Guardas Municipais e aos órgãos de segurança viária, tem-se faculdade de criação, isto é, não 
existe a obrigatoriedade de que os Municípios instituam Guarda Municipal, nem mesmo a de que Estados, 
Distritos Federal e Municípios criem órgãos de segurança viária. Caso o façam, deverão ter o cuidado de, em 
suas legislações, não usurparem atribuições dos órgãos de segurança elencados na Constituição Federal. 
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O Supremo Tribunal Federal, no RE 658.570, entendeu ser constitucional a atribuição às guardas municipais 
do exercício de poder de polícia de trânsito, inclusive para imposição de sanções administrativas legalmente 
previstas, vez que tal atribuição não é privativa da Polícia Militar. 
A segurança viária compreende a educação, engenharia e fiscalização de trânsito, além de outras atividades 
previstas em lei, que assegurem ao cidadão o direito à mobilidade urbana eficiente. 
 
A FORÇA NACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA, REGULAMENTADA PELA LEI 11.473/2007, NÃO É ÓRGÃO 
DE SEGURANÇA PÚBLICA, MAS UM PROGRAMA DE COOPERAÇÃO ENTRE OS ESTADOS E A UNIÃO, PARA 
EXECUTAR, POR MEIO DE CONVÊNIO, ATIVIDADES E SERVIÇOS IMPRESCINDÍVEIS À PRESERVAÇÃO DA 
ORDEM PÚBLICA, À SEGURANÇA DAS PESSOAS E DO PATRIMÔNIO, ATUANDO TAMBÉM EM SITUAÇÕES DE 
EMERGÊNCIA E CALAMIDADES PÚBLICAS. 
NÃO SE TRATA DE UMA TROPA FEDERAL E NÃO SE CONFUNDE COM AS FORÇAS ARMADAS. NOS ESTADOS, 
A FORÇA NACIONAL É DIRIGIDA PELOS GOVERNADORES, EMBORA SEJA COORDENADA PELO MINISTÉRIO 
DA JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA. SUA ATUAÇÃO DEPENDE DE SOLICITAÇÃO DA UNIDADE FEDERADA. 
Os servidores públicos e os militares integrantes dos órgãos de segurança pública devem ser remunerados 
por subsídio fixado por lei, em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, 
prêmio, verba de representação, obedecidos os tetos constitucionais (subsídio de Ministro do Supremo 
Tribunal Federal, no caso de órgãos federais, e do Governador, no caso de órgãos estaduais). 
A segurança pública não é um serviço público específico e divisível e não pode ser custeada por taxas, mas 
por impostos. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade de lei municipal 
que instituiu a taxa de combate a sinistros, vez que a prevenção e o combate a incêndios são atividades 
desenvolvidas pelo Corpo de Bombeiros, sendo consideradas atividades de segurança pública (RE 643.247). 
Órgãos da União 
A Polícia Federal, instituída por lei, é órgão permanente estruturado em carreira, organizado e mantido pela 
União, destinado a (art. 144, § 1º, da CRFB/88): 
1. apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses 
da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática 
tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei. 
Cuidado! Cabe à Polícia Federal a apuração de infraçõespenais em detrimento de bens, serviços e interesses 
da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, mas não de sociedades de economia mista. 
Neste caso (crime contra o patrimônio, bens e serviços de sociedade de economia mista), cabe à Polícia Civil 
apurar as infrações. 
À polícia federal, como órgão da União, cabe apurar os crimes da competência da Justiça Comum Federal 
(excluídas as contravenções), nos termos do artigo 109 da Constituição Federal, ressalvada a competência 
da Justiça Militar. 
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2. prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem 
prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência. 
A atribuição da polícia federal limita-se ao tráfico transnacional de drogas (STF. Súmula 522). Nos demais 
casos, a competência é dos Estados. 
3. exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras. 
4. exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União. 
A Polícia Rodoviária Federal é destinada, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias 
federais. O patrulhamento ostensivo das ferrovias federais é da responsabilidade da Polícia Ferroviária 
Federal. Os dois órgãos são permanentes, estruturados em carreira e organizados e mantidos pela União. 
Órgãos dos Estados 
A Polícia Civil é responsável por fazer a polícia judiciária nos Estados (ressalvada a competência da União) e 
por apurar infrações penais, exceto as militares. Entende-se por infrações militares aquelas descritas no 
Código Penal Militar e não as que envolvam militares. Assim, a competência da Polícia Civil para apurar 
condutas delitivas praticadas no âmbito do Estado não abarca crimes militares. Entretanto, não exclui 
aqueles crimes em que há militares envolvidos, mas em situações comuns, fora do exercício das atividades 
militares (HC 89.102). 
Subordinada ao Governador, a polícia civil é dirigida por delegado de polícia de carreira. Seus integrantes são 
servidores públicos estaduais. 
Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, na ADI 3614, entendeu que ainda que o Departamento de Polícia 
Civil não conte com servidor de carreira para exercer as funções de delegado, o atendimento nas delegacias 
não poderá ser feito por militares estaduais, já que cabe à Polícia Civil o papel de polícia investigativa. 
A respeito dos delegados, o Supremo Tribunal Federal entende incabível a concessão de foro por 
prerrogativa de função a essas autoridades, dada a incompatibilidade entre a prerrogativa de foro e outros 
dispositivos constitucionais, mormente o que dá ao Ministério Público permissão para exercer o controle 
externo da atividade policial (ADI 2587). 
 
O Supremo Tribunal Federal assentou o entendimento de que não é possível que os Estados-
membros criem órgão de segurança pública diverso daqueles que estão previstos no art. 144 da 
CRFB/88. 
Os Estados-membros e o Distrito Federal devem seguir o modelo federal. 
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O art. 144 da CRFB/88 aponta os órgãos incumbidos do exercício da segurança pública, sendo 
esse rol taxativo. 
Assim, a Constituição Estadual não pode prever a criação de Polícia Científica como órgão 
integrante da segurança pública. 
Vale ressaltar que nada impede que a Polícia Científica, criada pelo Estado-membro para ser o 
órgão responsável pelas perícias, continue a existir e a desempenhar suas funções, sem estar, 
necessariamente, vinculada à Polícia Civil. No entanto, deve-se afastar qualquer interpretação 
que lhe outorgue caráter de órgão de segurança pública. (ADI 2575/PR) 
Assim sendo, a compreensão constitucionalmente adequada do rol contido no artigo 144 da 
CRFB/88, permite ao ente federado a criação de polícia científica não subordinada à Polícia Civil. 
Não ofende a Constituição da República legislação estadual que considera agentes de 
necrotomia, papiloscopistas e peritos oficiais como servidores da polícia civil de Estado-membro, 
remetendo o poder de controle e supervisão exercido sobre eles a Superintendência de Polícia 
Científica. (ADI 6621) 
A competência para legislar sobre organização, garantias, direitos e deveres das polícias civis é concorrente 
(artigo 24, XVI, da CRFB/88). Assim, cabe à União também legislar sobre o tema, desde que para criar normas 
gerais. Os Estados, no caso, exercem a competência suplementar (acrescentam normas específicas). 
A Polícia Militar atua ostensivamente e preventivamente, para assegurar a ordem pública. O Corpo de 
Bombeiros Militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa 
civil (para maiores considerações, consultar o tópico 3.2 desta aula). 
A iniciativa de lei que disponha sobre Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militares é privativa 
do Governador, vez que a gestão da segurança pública estadual é atribuição do Chefe de Governo (ADI 2819). 
Às polícias penais, vinculadas ao órgão administrador do sistema penal da unidade federativa a que 
pertencem, cabe a segurança dos estabelecimentos penais. Lembre-se: a polícia penal pode ser federal, 
estadual ou distrital. 
 
1. No tocante ao Distrito Federal, a Constituição Federal estabelece que 
compete à União organizar e manter a Polícia Civil, a Polícia Militar e o 
Corpo de Bombeiros Militares (artigo 21, inciso XIV) e que lei federal 
disporá sobre a utilização, pelo Governo do Distrito Federal, das polícias 
civil, penal e militar e do Corpo de Bombeiros Militares (art. 32, § 4º). 
Assim, o Distrito Federal não tem competência para legislar sobre o 
assunto, de forma que cabe à União regulamentar a carreira, o subsídio, 
a aposentadoria/reforma e o número de membros desses órgãos de 
segurança pública. Entretanto, Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de 
Bombeiros Militares do Distrito Federal são subordinados ao Governador 
do Distrito Federal (e não ao Presidente da República). 
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2. Nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, embora 
policiais civis, federais, ferroviários federais e rodoviários federais sejam 
servidores públicos civis, não fazem jus ao direito de greve previsto no 
artigo 37, VII, da CRFB/88, em razão da essencialidade do serviço que 
prestam à sociedade. Essa mesma interpretação foi estendida aos 
integrantes das guardas municipais. Assim, todos os integrantes da 
segurança pública não podem fazer greve (ARE 654.432). 
QUESTÕES COMENTADAS 
1. (2019/CESPE/PGM - Campo Grande/Procurador Municipal) Situação hipotética: Determinado 
estado da Federação violou autonomia municipal por ter repassado a seus municípios, em valor menor do 
que o devido e com atraso, receitas tributárias obrigatórias determinadas pela Constituição Federal de 
1988. Assertiva: Nessa situação, o presidente da República não pode decretar de ofício intervenção federal 
no referido estado. 
Gabarito: C 
No item, a banca misturou os incisos V e VII. Veja: 
Art. 34, V: reorganizar as finanças da unidade da Federação que: (...) b) deixar de entregar aos 
Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição, dentro dos prazos estabelecidos em 
lei. 
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais: (...) c) autonomia 
municipal. 
Note que o item trata de violação a autonomia municipal, por ter repassado receitas tributáriasaos 
municípios em valor menor e com atraso. Perceba que o Estado não deixou de fazer os repasses; antes o fez 
em valor menor e com atraso. Há ofensa à autonomia municipal. 
Dessa sorte, a intervenção nesse caso depende de provimento pelo STF de representação do PGR, para 
amparar princípio constitucional sensível. 
2. (2019/CESPE/Prefeitura de Boa Vista – RR/Procurador Municipal) A respeito de intervenção 
estadual nos municípios, julgue o item que se segue. 
Uma das hipóteses em que a intervenção dos estados em seus municípios é autorizada é a não aplicação do 
mínimo exigido da receita municipal nas ações de manutenção e desenvolvimento do ensino. 
Gabarito: C 
O caso descrito no item é encontrado no artigo 35, III, da CRFB/88. 
“III – não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e 
desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde.” 
3. (2018/VUNESP/TJ-RJ/Juiz Leigo) Em função do quanto disposto pela Constituição Federal, é correto 
afirmar sobre as Intervenções Federal e Estadual que 
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A) os Estados poderão intervir nos Municípios quando o Superior Tribunal de Justiça der provimento a 
representação para assegurar a observância de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover 
a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial. 
B) é admitida no Brasil a intervenção per saltum, tanto no âmbito federal como estadual, quando se 
vislumbre manifesto interesse da segurança pública. 
C) a União Federal poderá intervir nos Estados membros para assegurar, dentre outros, o princípio 
constitucional da autonomia municipal. 
D) a União poderá intervir nos Estados membros e no Distrito Federal para reorganizar as finanças da 
Unidade da Federação que suspenda o pagamento da dívida fundada por mais de 1 ano consecutivo, salvo 
motivo de força maior. 
E) cessados os motivos da intervenção federal, em regra, as autoridades que foram afastadas de seus cargos 
a estes não retornarão, sendo necessário, no caso de mandatos eletivos, a realização de novas eleições. 
Gabarito: C 
A) Errado. Os Estados poderão intervir nos Municípios quando o Tribunal de Justiça der provimento a 
representação para assegurar a observância de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover 
a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial. 
B) Errado. Não é admitida no Brasil a intervenção per saltum, de maneira que se o credor quiser requerer a 
intervenção federal, para assegurar a observância de ordem do Tribunal de Justiça, deverá primeiro formular 
o seu pedido ao Presidente do Tribunal de Justiça e este, achando ser o caso, enviará o pedido ao STF. 
C) Certo. A União, nos termos do artigo 34, VII, “c”, da CF, poderá intervir nos Estados membros para 
assegurar, dentre outros, o princípio constitucional da autonomia municipal. 
D) Errado. A União poderá intervir nos Estados membros e no Distrito Federal para reorganizar as finanças 
da Unidade da Federação que suspenda o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, 
salvo motivo de força maior. 
E) Errado. Cessados os motivos da intervenção federal, em regra, as autoridades que foram afastadas de seus 
cargos a estes retornarão, salvo impedimento legal. 
4. (2019/CESPE/TJ-SC/Juiz Substituto) A respeito da organização dos poderes e da defesa do estado e 
das instituições democráticas, assinale a opção correta. 
A) É viável o controle judicial da legalidade dos atos praticados por agentes públicos na vigência de estado 
de sítio. 
B) Durante o estado de sítio, imunidades de deputados e senadores só podem ser suspensas por voto da 
maioria absoluta da respectiva casa, nos casos de atos incompatíveis com a execução da medida. 
C) Compete ao Conselho da República opinar sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e 
da intervenção federal. 
D) O estado de sítio somente poderá ser decretado quando presente a declaração do estado de guerra ou 
diante de ineficácia das medidas tomadas durante o estado de defesa. 
E) O estado de defesa poderá ser decretado apenas após a deliberação da maioria absoluta do Congresso 
Nacional. 
Gabarito: A 
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A) Certo. Na vigência de estado de sítio e de estado de defesa, o Poder Judiciário poderá ser acionado para 
controlar a legalidade dos atos praticados por seus executores. Entretanto, não cabe o controle jurisdicional 
da conveniência e da oportunidade das mediadas escolhidas para restabelecer a normalidade. 
B) Errado. O artigo 53, § 8º, da CRFB/88, assevera que “as imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão 
durante o estado de sítio, só podendo ser suspensas mediante o voto de dois terços dos membros da Casa 
respectiva, nos casos de atos praticados fora do recinto do Congresso Nacional, que sejam incompatíveis 
com a execução da medida.” 
C) Errado. O artigo 90 da Constituição Federal dispõe que compete ao Conselho da República pronunciar-se 
sobre intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio. Por outro lado, nos termos do artigo 91, 
compete ao Conselho de Defesa Nacional opinar sobre os mesmos assuntos. 
D) Errado. O estado de sítio somente poderá ser decretado a) na hipótese de comoção grave de repercussão 
nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa 
ou b) declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira. 
E) Errado. O Presidente da República, diferente do que ocorre no estado de sítio, não depende da autorização 
do Congresso Nacional para decretar o estado de defesa. O Legislativo apenas aprova (ou não) a medida 
tomada pelo Chefe do Executivo. 
5. (2019/MPE-SC/MPE-SC/Promotor de Justiça) Decretado o estado de defesa pelo Presidente da 
República, a mesa do Congresso Nacional, ouvidos os líderes partidários, designará comissão composta de 
cinco de seus membros para acompanhar e fiscalizar a execução das medidas referentes ao estado de 
defesa. 
Gabarito: Certo. 
O controle político do estado de defesa é feito pelo Congresso Nacional e pode ser imediato, concomitante 
e a posteriori. O caso citado no item é o de controle concomitante, previsto no artigo 140 da Constituição 
Federal, segundo o qual “a Mesa do Congresso Nacional, ouvidos os líderes partidários, designará Comissão 
composta de cinco de seus membros para acompanhar e fiscalizar a execução das medidas referentes ao 
estado de defesa e ao estado de sítio.” 
6. (2019/MPE-SC/MPE-SC/Promotor de Justiça) Para a decretação do estado de sítio, ao contrário do 
que ocorre com o estado de defesa, deverá haver prévia solicitação do Presidente da República de 
autorização do Congresso Nacional, que se manifestará pela maioria relativa de seus membros. 
Gabarito: Errado. 
É da competência exclusiva do Congresso Nacional aprovar o estado de defesa e autorizar o estado de sítio. 
Nos dois casos, o quórum exigido é o de maioria absoluta. 
7. (2019/FUNDEP/DPE-MG/Defensor Público) Em relação ao sistema constitucional brasileiro de 
defesa do estado e das instituições democráticas, é correto afirmar: 
A) No caso de cessar o estado de defesa ou o estado de sítio, cessarão também seus efeitos, sem prejuízo da 
responsabilidade pelos atos cometidos por seus executores ou agentes. 
B) Na vigência do estado da defesa, admite-se, em prol da segurança pública, a incomunicabilidade do preso. 
C) Na vigência do estado de sítio por comoção grave de repercussão nacional, admite-se a suspensão do 
direito de reunião. 
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D) Na vigência do estado de defesa, admite-se ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos, 
respondendo a União pelos danos e custos decorrentes. 
Gabarito: C 
A) Essa questão é absurda (perdoem-me pelo desabafo)! O artigo 141 da Constituição Federal expõe que 
“cessado o estado de defesa ou o estado de sítio, cessarão também seus efeitos, sem prejuízo da 
responsabilidade pelos ilícitos cometidos por seus executores ou agentes.” A banca fez a troca de “ilícitos” 
por “atos”, razão pela qual considerou o irem incorreto. 
B) Errado. Durante o estado de defesa, é vedada a incomunicabilidade do preso (artigo 136, parágrafo 3º, IV, 
da CRFB/88). 
C) Certo. Durante o estado de sítio, no caso de comoção grave de repercussão nacional, admite-se, dentre 
outros direitos, a suspensão do direito de reunião (artigo 136, parágrafo 1º, I, da CRFB/88). 
D) Errado. O inciso II, parágrafo 1º, do artigo 136 da Constituição Federal dispõe que uma das medidas 
coercitivas a serem tomadas na hipótese de calamidade pública é a ocupação e uso temporário de bens e 
serviços públicos, respondendo a União pelos danos e custos decorrentes. Note essa medida não se aplica 
ao caso de iminente instabilidade institucional. 
8. (2019/FCC/DPE-SP/Defensor Público) No tocante à possibilidade de restrições aos direitos 
fundamentais sem violação da Constituição Federal de 1988, é correto afirmar: 
A) Na vigência do Estado de Defesa, poderá haver restrições ao direito de reunião, desde que realizada fora 
da sede das associações, ao sigilo de comunicações telefônicas e ao sigilo de correspondência. 
B) Na decretação do Estado de Defesa, poderá haver restrições a quaisquer dos direitos elencados no artigo 
5o da CF/88, inclusive a determinação de incomunicabilidade do preso. 
C) Na vigência do Estado de Defesa, poderá haver prisão por crime contra o Estado por período 
indeterminado, ainda que não haja autorização do Poder Judiciário. 
D) Na vigência do Estado de Sítio, em virtude de comoção grave de repercussão nacional, poderá ser 
suspensa a liberdade de reunião e determinada a busca e apreensão em domicílio. 
E) Na vigência do Estado de Sítio, em virtude da ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida 
tomada durante o Estado de Defesa, poderá haver restrições a quaisquer dos direitos fundamentais. 
Gabarito: D 
A) Errado. Na vigência do Estado de Defesa, poderá haver restrições ao direito de reunião, ainda que exercida 
no seio das associações, ao sigilo de comunicações telefônicas e telegráfica e ao sigilo de correspondência. 
B) Errado. Na decretação do Estado de Defesa, poderá haver apenas restrições aos direitos fundamentais 
taxativamente enumerados no artigo 136 da Constituição Federal. É vedada a determinação de 
incomunicabilidade do preso. 
C) Errado. Na vigência do Estado de Defesa, poderá haver prisão por crime contra o Estado, não superior a 
10 dias, salvo quando autorizada pelo Poder Judiciário. 
D) Certo. Nos termos do artigo 139 da Constituição, na vigência do Estado de Sítio, em virtude de comoção 
grave de repercussão nacional, poderão ser tomadas contra as pessoas as seguintes medidas: a) obrigação 
de permanência em localidade determinada; b) detenção em edifício não destinado a acusados ou 
condenados por crimes comuns; c) restrições relativas à inviolabilidade da correspondência, ao sigilo das 
comunicações, à prestação de informações e à liberdade de imprensa, radiodifusão e televisão; d) suspensão 
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da liberdade de reunião; e) busca e apreensão em domicílio; f) intervenção nas empresas de serviços 
públicos; g) requisição de bens. 
E) Errado. Na vigência do Estado de Sítio, em virtude da ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de 
medida tomada durante o Estado de Defesa, apenas poderá haver restrições aos direitos fundamentais 
taxativamente elencados no artigo 139 da CRFB/88. 
9. (2021/CESPE/CEBRASPE/Polícia Federal/Delegado de Polícia Federal) Com base no disposto na 
Constituição Federal de 1988 (CF), julgue o item subsequente. 
Compete à Polícia Federal exercer as funções de polícia marítima. 
Gabarito: CERTO 
A assertiva está conforme o inciso III, do §1º, do art. 144 da CF: 
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a 
preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes 
órgãos: 
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e 
estruturado em carreira, destina-se a:" (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
10. (2018/CESPE/CEBRASPE/PC-SE/Delegado de Polícia) Conforme disposições constitucionais a 
respeito da organização da segurança pública, julgue o item a seguir. 
O poder constituinte originário, ao tratar da segurança pública no ordenamento constitucional vigente, fez 
menção expressa à segurança viária, atividade exercida para a preservação da ordem pública, da 
incolumidade das pessoas e de seu patrimônio nas vias públicas. 
Gabarito: ERRADO 
A segurança viária foi inserida pelo Poder Constituinte Derivado por meio da EC 82/2014 e não pelo Poder 
Constituinte Originário, uma vez que esta disposição não constava da redação original da CF: 
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a 
preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes 
órgãos: 
§ 10. A segurança viária, exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas 
e do seu patrimônio nas vias públicas: Incluído pela Emenda Constitucional nº 82, de 2014). 
LISTA DE QUESTÕES 
1. (2019/CESPE/PGM - Campo Grande/Procurador Municipal) Situação hipotética: Determinado 
estado da Federação violou autonomia municipal por ter repassado a seus municípios, em valor menor 
do que o devido e com atraso, receitas tributárias obrigatórias determinadas pela Constituição Federal 
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de 1988. Assertiva: Nessa situação, o presidente da República não pode decretar de ofício intervenção 
federal no referido estado. 
2. (2019/CESPE/Prefeitura de Boa Vista – RR/Procurador Municipal) A respeito de intervenção 
estadual nos municípios, julgue o item que se segue. Uma das hipóteses em que a intervenção dos estados 
em seus municípios é autorizada é a não aplicação do mínimo exigido da receita municipal nas ações de 
manutenção e desenvolvimento do ensino. 
3. (2019/COPS-UEL/Prefeitura de Londrina – PR/Procurador do Município) A intervenção federal é 
uma medida de exceção prevista em hipóteses taxativas no Art. 34 da Constituição da República 
Federativa do Brasil e deverá ser decretada pelo Presidente da República. 
Sobre essa medida, assinale a alternativa correta. 
A) A Constituição da República Federativa do Brasil estabelece que: cabe ao Conselho da República 
pronunciar-se sobre intervenção federal; compete ao Conselho de Defesa Nacional opinar sobre a 
decretação da intervenção federal. 
B) A Constituição da República Federativa do Brasil não prevê qualquer hipótese de consulta do Presidente 
da República aos Conselhos da República ou da Defesa Nacional, de forma que ele sempre decidirá sozinho 
sobreesse assunto. 
C) Somente o Conselho da República poderá opinar sobre a intervenção federal; o Conselho de Defesa 
Nacional não possui competência para opinar sobre intervenção federal, apenas sobre estado de sítio. 
D) Somente o Conselho da República poderá pronunciar-se sobre a intervenção federal, já que o Conselho 
de Defesa Nacional somente poderá opinar sobre estado de defesa e estado de sítio. 
E) Somente o Conselho de Defesa Nacional poderá pronunciar-se sobre a intervenção federal. 
4. (2018/CESPE/PGM - João Pessoa – PB/Procurador do Município) Determinado município deixou de 
pagar, por vários anos consecutivos e sem motivo de força maior, sua dívida fundada. 
Com relação a essa situação hipotética, assinale a opção correta. 
A) A CF não prevê intervenção motivada por inadimplência de dívida fundada nos entes municipais. 
B) O governador do respectivo estado-membro poderá decretar intervenção no município, após o prévio 
provimento de ação interventiva pelo tribunal de justiça local. 
C) O governador do respectivo estado-membro poderá decretar intervenção no município, submetendo, no 
prazo de vinte e quatro horas, o respectivo decreto interventivo à apreciação da assembleia legislativa 
estadual. 
D) O governador do respectivo estado-membro ou o presidente da República poderá decretar intervenção 
no município. 
E) O governador do respectivo estado-membro poderá decretar intervenção no município, por tempo 
indeterminado, até cessarem os motivos da intervenção. 
5. (2018/VUNESP/TJ-RJ/Juiz Leigo) Em função do quanto disposto pela Constituição Federal, é correto 
afirmar sobre as Intervenções Federal e Estadual que 
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==106a2b==
 
 
 
 
 
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A) os Estados poderão intervir nos Municípios quando o Superior Tribunal de Justiça der provimento a 
representação para assegurar a observância de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover 
a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial. 
B) é admitida no Brasil a intervenção per saltum, tanto no âmbito federal como estadual, quando se 
vislumbre manifesto interesse da segurança pública. 
C) a União Federal poderá intervir nos Estados membros para assegurar, dentre outros, o princípio 
constitucional da autonomia municipal. 
D) a União poderá intervir nos Estados membros e no Distrito Federal para reorganizar as finanças da 
Unidade da Federação que suspenda o pagamento da dívida fundada por mais de 1 ano consecutivo, salvo 
motivo de força maior. 
E) cessados os motivos da intervenção federal, em regra, as autoridades que foram afastadas de seus cargos 
a estes não retornarão, sendo necessário, no caso de mandatos eletivos, a realização de novas eleições. 
6. (2019/CESPE/TJ-SC/Juiz Substituto) A respeito da organização dos poderes e da defesa do estado e 
das instituições democráticas, assinale a opção correta. 
A) É viável o controle judicial da legalidade dos atos praticados por agentes públicos na vigência de estado 
de sítio. 
B) Durante o estado de sítio, imunidades de deputados e senadores só podem ser suspensas por voto da 
maioria absoluta da respectiva casa, nos casos de atos incompatíveis com a execução da medida. 
C) Compete ao Conselho da República opinar sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e 
da intervenção federal. 
D) O estado de sítio somente poderá ser decretado quando presente a declaração do estado de guerra ou 
diante de ineficácia das medidas tomadas durante o estado de defesa. 
E) O estado de defesa poderá ser decretado apenas após a deliberação da maioria absoluta do Congresso 
Nacional. 
7. (2016/VUNESP/TJM-SP/Juiz de Direito Substituto) De acordo com a Constituição Federal, 
consideradas as peculiaridades das atividades exercidas pelos policiais militares, é correto afirmar que 
A) o militar que puder concorrer a cargos eletivos e contar com menos de dez anos de serviço será agregado 
pela autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade. 
B) as polícias militares e os corpos de bombeiros militares são forças auxiliares e reserva do Exército, 
justificando-se sua sujeição ao poder disciplinar das Forças Armadas. 
C) ao militar são proibidas a sindicalização e a greve, mas permitida a filiação a partidos políticos enquanto 
em serviço ativo, uma vez que é assegurado seu direito de concorrer a cargos eletivos. 
D) a lei disporá sobre o ingresso, os limites de idade, a estabilidade e outras condições de transferência do 
militar para a inatividade, os direitos, os deveres, a remuneração, as prerrogativas e outras situações 
especiais dos militares. 
E) a perda de graduação como pena acessória criminal, ou em virtude de sanção disciplinar administrativa, 
é de competência exclusiva da Justiça Militar estadual, nos termos do § 4o do art. 125 da Constituição 
Federal. 
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8. (2019/CESPE/CEBRASPE/TJ-PA/Juiz de Direito Substituto) No que se refere ao estado de defesa e 
ao estado de sítio, julgue os itens a seguir. 
I O Senado Federal pode suspender o estado de defesa, mas não pode suspender o estado de sítio. 
II O estado de defesa, decretado pelo presidente da República, deve ser aprovado pelo Congresso Nacional. 
III O presidente da República deve solicitar ao Congresso Nacional a autorização para decretar o estado de 
sítio. 
Assinale a opção correta. 
A) Apenas o item I está certo. 
B) Apenas o item II está certo. 
C) Apenas os itens I e III estão certos. 
D) Apenas os itens II e III estão certos. 
E) Todos os itens estão certos. 
9. (2019/MPE-SC/MPE-SC/Promotor de Justiça) Decretado o estado de defesa pelo Presidente da 
República, a mesa do Congresso Nacional, ouvidos os líderes partidários, designará comissão composta de 
cinco de seus membros para acompanhar e fiscalizar a execução das medidas referentes ao estado de 
defesa. 
10. (2019/MPE-SC/MPE-SC/Promotor de Justiça) Para a decretação do estado de sítio, ao contrário do 
que ocorre com o estado de defesa, deverá haver prévia solicitação do Presidente da República de 
autorização do Congresso Nacional, que se manifestará pela maioria relativa de seus membros. 
11. (2013/MPM/MPM/Promotor de Justiça Militar) ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA: 
A) Pela atual jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é cabível o habeas corpus impetrado para discutir 
os pressupostos de legalidade de punição disciplinar militar. 
B) É constitucional legislação estadual que crie taxa de segurança pública tendo como fato gerador a efetiva 
ou potencial utilização, por pessoa determinada, dos serviços ou atividades policiais- militares, inclusive o 
policiamento preventivo, nas hipóteses de eventos privados abertos ao público, mesmo que sem 
participação paga. 
C) Em relação ao atual regime da declaração de inconstitucionalidade, é possível afirmar que a jurisprudência 
do Supremo Tribunal Federal não adotou a teoria da transcendência dos motivos determinantes, de modo 
que o efeito vinculante refere-se à decisão em si de inconstitucionalidade, mas não alcança a fundamentação 
ou razão que levou o tribunal a decidir daquela forma (ratio decidendi). 
D) Qualquer pessoa, grupo de pessoas ou entidade não-governamental legalmente reconhecida em um ou 
mais Estados membros da Organização dos Estados Americanos pode apresentar à Comissão Interamericana 
de Direitos Humanos petições que contenham denúncias ou queixas de violação da Convenção Americana 
sobre Direitos Humanos por um Estado membro. 
12. (2020/CESPE/CEBRASPE/MPE-CE/Promotor de Justiça) Conforme as previsões constitucionais e a 
jurisprudênciado STF sobre segurança pública, em especial sua estrutura e organização, admite-se que 
A) lei estadual crie órgãos diversos de segurança pública, de forma diferente da estabelecida 
constitucionalmente para os órgãos federais. 
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B) lei municipal constitua guardas municipais destinadas à proteção dos bens, dos serviços e das instalações 
do município. 
C) lei municipal subordine excepcionalmente as polícias militares e a reserva do Exército aos prefeitos, em 
caso de calamidade pública. 
D) lei estadual atribua às polícias civis funções de apuração de infrações penais militares. 
E) lei federal transfira temporariamente aos corpos de bombeiros militares a execução de atividades de 
defesa civil. 
13. (2019/FUNDEP/DPE-MG/Defensor Público) Em relação ao sistema constitucional brasileiro de 
defesa do estado e das instituições democráticas, é correto afirmar: 
A) No caso de cessar o estado de defesa ou o estado de sítio, cessarão também seus efeitos, sem prejuízo da 
responsabilidade pelos atos cometidos por seus executores ou agentes. 
B) Na vigência do estado da defesa, admite-se, em prol da segurança pública, a incomunicabilidade do preso. 
C) Na vigência do estado de sítio por comoção grave de repercussão nacional, admite-se a suspensão do 
direito de reunião. 
D) Na vigência do estado de defesa, admite-se ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos, 
respondendo a União pelos danos e custos decorrentes. 
14. (2019/FCC/DPE-SP/Defensor Público) No tocante à possibilidade de restrições aos direitos 
fundamentais sem violação da Constituição Federal de 1988, é correto afirmar: 
A) Na vigência do Estado de Defesa, poderá haver restrições ao direito de reunião, desde que realizada fora 
da sede das associações, ao sigilo de comunicações telefônicas e ao sigilo de correspondência. 
B) Na decretação do Estado de Defesa, poderá haver restrições a quaisquer dos direitos elencados no artigo 
5o da CF/88, inclusive a determinação de incomunicabilidade do preso. 
C) Na vigência do Estado de Defesa, poderá haver prisão por crime contra o Estado por período 
indeterminado, ainda que não haja autorização do Poder Judiciário. 
D) Na vigência do Estado de Sítio, em virtude de comoção grave de repercussão nacional, poderá ser 
suspensa a liberdade de reunião e determinada a busca e apreensão em domicílio. 
E) Na vigência do Estado de Sítio, em virtude da ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida 
tomada durante o Estado de Defesa, poderá haver restrições a quaisquer dos direitos fundamentais. 
15. (2015/FCC/DPE-MA/Defensor Público) Considere as seguintes situações à luz da Constituição da 
República: 
I. Membro de Corpo de Bombeiros Militar que, com doze anos de serviço, é eleito para exercer mandato 
de Deputado Estadual, passando, no ato da diplomação, automaticamente para a inatividade. 
II. Pensionista de membro de Corpo de Bombeiros Militar que percebe o benefício previdenciário em 
conformidade com o quanto fixado em lei específica do Estado respectivo. 
III. Membro de Polícia Militar que impetra habeas corpus contra a imposição de punição disciplinar militar, 
com vistas a questionar-lhe os pressupostos de legalidade. 
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IV. Lei estadual específica que dispõe sobre ingresso, limites de idade, estabilidade e condições de 
transferência para a inatividade, em relação aos membros da Polícia Militar do Estado, prevendo, ainda, 
que compete ao Governador conferir as patentes de seus oficiais. 
Está correto o quanto se afirma em 
A) II, apenas. 
B) I, II, III e IV. 
C) I, II e IV, apenas. 
D) III e IV, apenas. 
E) I e III, apenas. 
16. (2019/FCC/DPE-SP/Defensor Público) No tocante à possibilidade de restrições aos direitos 
fundamentais sem violação da Constituição Federal de 1988, é correto afirmar: 
A) Na vigência do Estado de Defesa, poderá haver restrições ao direito de reunião, desde que realizada fora 
da sede das associações, ao sigilo de comunicações telefônicas e ao sigilo de correspondência. 
B) Na decretação do Estado de Defesa, poderá haver restrições a quaisquer dos direitos elencados no artigo 
5o da CF/88, inclusive a determinação de incomunicabilidade do preso. 
C) Na vigência do Estado de Defesa, poderá haver prisão por crime contra o Estado por período 
indeterminado, ainda que não haja autorização do Poder Judiciário. 
D) Na vigência do Estado de Sítio, em virtude de comoção grave de repercussão nacional, poderá ser 
suspensa a liberdade de reunião e determinada a busca e apreensão em domicílio. 
E) Na vigência do Estado de Sítio, em virtude da ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida 
tomada durante o Estado de Defesa, poderá haver restrições a quaisquer dos direitos fundamentais. 
17. (2021/CESPE/CEBRASPE/Polícia Federal/Delegado de Polícia Federal) Com base no disposto na 
Constituição Federal de 1988 (CF), julgue o item subsequente. 
Compete à Polícia Federal exercer as funções de polícia marítima. 
18. (2018/CESPE/CEBRASPE/PC-SE/Delegado de Polícia) Conforme disposições constitucionais a 
respeito da organização da segurança pública, julgue o item a seguir. 
O poder constituinte originário, ao tratar da segurança pública no ordenamento constitucional vigente, fez 
menção expressa à segurança viária, atividade exercida para a preservação da ordem pública, da 
incolumidade das pessoas e de seu patrimônio nas vias públicas. 
19. (2018/CESPE/CEBRASPE/PC-SE/Delegado de Polícia) Conforme disposições constitucionais a 
respeito da organização da segurança pública, julgue o item a seguir. 
Incumbem às polícias civis a função de polícia judiciária e a apuração de infrações penais contra a ordem 
política e social, excetuadas as infrações de natureza militar. 
20. (2018/CESPE/CEBRASPE/PC-SE/Delegado de Polícia) Conforme disposições constitucionais a 
respeito da organização da segurança pública, julgue o item a seguir. 
As polícias militares, os corpos de bombeiros militares e as polícias civis subordinam-se aos governadores 
dos estados, do Distrito Federal e dos territórios. 
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GABARITO 
01. C 02. C 03. A 04. C 5. C 
6. A 7. D 8. D 9. Certo 10. Errado 
11. B 12. B 13. C 14. D 15. B 
16. D 17. Certo 18. Errado 19. Errado 20. Certo 
 
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05618536650 - Guiomar Evangelista de AraujoE A SOLIDEZ DA FEDERAÇÃO. 
POR OUTRO LADO, A INTERVENÇÃO MILITAR É A TOMADA DE PODER POR PARTE DOS 
MILITARES, É A ASSUNÇÃO DO GOVERNO DO PAÍS PELO COMANDO DAS FORÇAS ARMADAS. A 
INTERVENÇÃO MILITAR É ABSOLUTAMENTE INCONSTITUCIONAL. 
AS FORÇAS ARMADAS DESTINAM-SE À GARANTIA DOS PODERES CONSTITUCIONAIS, À DEFESA 
DA PÁTRIA. ESSAS INSTITUIÇÕES ESTÃO SUBORDINADAS A UM CIVIL ELEITO PELO POVO: O 
PRESIDENTE DA REPÚBLICA (ARTIGO 142 DA CF). 
HIERARQUIA E DISCIPLINA SÃO OS PILARES DE TODA A ORGANIZAÇÃO MILITAR NACIONAL. 
EXERCER O COMANDO SUPREMO DAS FORÇAS ARMADAS É COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO 
PRESIDENTE DA REPÚBLICA (ARTIGO 84, XIII, DA CF). DESTARTE, É SIMPLES A 
COMPREENSÃO DE QUE OS MILITARES FEDERAIS, INDEPENDENTEMENTE DA PATENTE, ESTÃO 
TODOS SUBORDINADOS AO CHEFE DO EXECUTIVO E, CONSEQUENTEMENTE, OS ATOS EM 
DEFESA DA LEI E DA ORDEM, DA RESPONSABILIDADE DO EXÉRCITO, DA MARINHA E DA 
AERONÁUTICA PASSAM PELO CRIVO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA. 
A INSUBORDINAÇÃO AO CHEFE DO EXECUTIVO E A TOMADA DE PODER PELOS MILITARES NÃO 
TÊM AMPARO CONSTITUCIONAL E IMPLICARIAM EM VIOLAÇÃO AO ESTADO DE DIREITO. 
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Nos termos do artigo 84, inciso X, da Constituição Federal, a competência para promover a intervenção 
federal é privativa do Presidente da República. Trata-se de prerrogativa indelegável do Chefe de Governo 
exercida por meio de decreto (não há a necessidade de lei ou de medida provisória). 
Conforme o motivo que ensejou a intervenção, a medida será classificada como intervenção voluntária ou 
provocada. 
1 – INTERVENÇÃO VOLUNTÁRIA (ESPONTÂNEA, DE OFÍCIO) 
A intervenção federal é classificada como “voluntária” quando o Presidente da República age sem 
provocação, por sua própria vontade, a partir da análise pessoal e discricionária do ato ou do fato. 
Evidentemente, o Presidente da República só poderá agir nos estritos limites definidos pela Constituição 
Federal, sob risco de responder por crime de responsabilidade. 
O presidente da República, nos casos de intervenção de ofício, ao lançar mão da extraordinária prerrogativa 
que lhe defere a ordem constitucional, age mediante estrita avaliação discricionária da situação que se lhe 
apresenta, que se submete ao seu exclusivo juízo político, e que se revela, por isso mesmo, insuscetível de 
subordinação à vontade do Poder Judiciário, ou de qualquer outra instituição estatal (MS 21.041). 
Quatro são as hipóteses de intervenção voluntária (artigo 34, incisos I, II, III e V). Veja: 
“I - manter a integridade nacional; 
II - repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra; 
III - pôr termo a grave comprometimento da ordem pública; 
(...) 
V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que: 
a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo motivo 
de força maior; 
Considera-se dívida fundada (ou consolidada), nos termos do Decreto 93.872/1996, aquela que compreende 
os compromissos de exigibilidade superior a 12(doze) meses, contraídos para atender a desequilíbrio 
orçamentário ou a financiamento de obras e serviços públicos e que dependam de autorização legislativa 
para amortização ou resgate. A Resolução nº 40/2001 do Senado Federal classifica a dívida fundada em dois 
tipos: a) Dívida Fundada Interna (compreende os empréstimos por títulos ou contratos de financiamentos, 
dentro do país) e b) Dívida Fundada Externa (são os empréstimos contratados ou títulos lançados no 
exterior). 
b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição, dentro dos 
prazos estabelecidos em lei.” 
O Presidente da República, para promover a intervenção federal, deve agir por decreto (artigo 36, parágrafo 
1º, da CF). Note: não há a necessidade de lei e nem de edição de medida provisória. 
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O decreto interventivo deve especificar a amplitude, as condições de execução, o prazo e a nomeação, se 
for o caso, de interventor. 
1.1 Do Interventor 
Interventor é pessoa da confiança do Presidente da República designada a cumprir, em nome do Presidente, 
com total subordinação, dentro do Estado-membro, o decreto interventivo. 
Não há nenhuma exigência legal ou constitucional quanto a quem pode assumir esse posto. Assim, não há a 
necessidade de filiação partidária, de idade mínima de governador (30 anos) ou de qualquer formação 
acadêmica específica. Basta ser pessoa da confiança do Presidente. Na mesma linha, não há limitação e nem 
recomendação constitucional de que o interventor seja militar. 
É preciso ficar claro que a responsabilidade pela intervenção federal é do Presidente da República. Quem 
está interferindo na autonomia do Estado é o Chefe do Executivo, que representa a União. 
Como o Presidente tem uma série de outras atividades, quer seja como Chefe do Governo ou como Chefe 
de Estado, é feita a nomeação de pessoa de sua confiança para cumprir, no Estado-membro, as designações 
contidas no decreto interventivo. Essa pessoa está subordinada ao Chefe do Executivo. 
O interventor assume o controle do Estado-membro, temporariamente, independentemente de o 
Governador ser afastado, até que se cumpra a missão contida no decreto de intervenção. 
Durante a intervenção, é possível que autoridades locais sejam afastadas de seus cargos ou funções 
(Governador, Deputados estaduais, Secretários de Estado, Conselheiros do Tribunal de Contas, Comandantes 
da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militares), a fim de que a União assuma transitoriamente o 
controle da gestão do ente federativo. 
Uma vez encerrada a intervenção, as autoridades afastadas poderão retornar aos seus cargos, desde que, 
evidentemente, não se constate nenhum impedimento legal (artigo 36, parágrafo 4º, da CF). 
Vale destacar que a nomeação de interventor não é obrigatória. Com efeito, a intervenção federal poderá 
atingir diferentes órgãos do ente federativo, tanto do Executivo quanto do Legislativo. Se a União intervier 
no Executivo estadual, a designação de interventor será obrigatória, porque alguém precisará assumir as 
atribuições do Governador, alguém precisará assumir a gestão do Estado. Por outro lado, caso a intervenção 
alcance apenas o Legislativo, não haverá a necessidade de nomeação de interventor se no decreto constar 
expressamente que a função legislativa será assumida pelo Chefe do Executivo estadual. 
1.2 Intervenção Parcial 
Não se pode olvidar que a intervenção federal é a antítese da autonomia dos Estados e do Distrito Federal. 
Assim, a intervenção é exceção e não regra. 
No decreto interventivo, o Presidente da República ficará vinculado a apenas tomar as medidas necessárias 
à garantia da ordem constitucional. Dessa sorte, a moderação deve nortear as suas ações, de forma que se 
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o problema estiver centralizado no Executivo estadual, não haverá razões para interferir no funcionamento 
da Assembleia Legislativa. 
De igual maneira, ainda que o caso esteja focado no Executivo, é possível que seja limitado a alguma de suas 
atribuições. Então, se o ato que precisa ser combatido está sendo praticado apenas no âmbito da Secretaria 
de Segurança Pública, por exemplo, não há razão para interferir na Secretaria de Educação ou na Secretaria 
de Saúde. 
Foi o que aconteceu no Rio de Janeiro, por exemplo, em 2018 (Decreto 9.288). O decreto interventivo 
restringiu-se aoExecutivo, especificamente às atribuições do Governador quanto à Segurança Pública. 
A autonomia do ente político é a regra, é princípio federativo, é cláusula pétrea (artigo 60, parágrafo 4º, da 
CF). A intervenção é medida extrema e deve ser utilizada apenas em situações excepcionais e com total 
moderação. 
1.3 Do prazo 
O decreto interventivo deve fixar o prazo da medida. Não há limitação constitucional quanto ao prazo, 
devendo este ser o bastante para o restabelecimento da normalidade. De igual modo, a Constituição Federal 
também não explicita quais as medidas que poderão ser tomadas pelo Presidente da República, de maneira 
que, conforme a realidade, as condições de execução serão delineadas no próprio decreto. 
1.4 Do Conselho da República e do Conselho de Defesa Nacional 
O Presidente da República deve convocar o Conselho da República (artigo 90, I, da CRFB/88) e o Conselho de 
Defesa Nacional (artigo 91, § 1º, da CRFB/88) para manifestação a respeito da decretação da intervenção 
federal. Esses órgãos são consultivos e suas manifestações não vinculam o Presidente da República. 
Destarte, caso qualquer deles se manifeste desfavoravelmente à decretação da intervenção federal, ainda 
assim o Presidente poderá decretar a intervenção, não havendo falar em crime de responsabilidade. 
1.5 Dos procedimentos 
A intervenção federal não afeta os direitos e garantias individuais dos cidadãos, apenas atinge a autonomia 
do ente federativo, as capacidades de autogoverno e de auto-organização político-administrativa. 
O decreto interventivo não autoriza o Presidente da República a restringir direitos e garantias fundamentais. 
Assim, ficam resguardados os direitos de liberdade de reunião, liberdade de manifestação de pensamento, 
inviolabilidade da casa, sigilo de correspondência, sigilo de dados e os demais direitos e garantias 
enumerados na Constituição e nas leis, inclusive tratados internacionais. 
Qualquer cidadão que se sentir prejudicado em seus direitos, em razão da medida tomada pelo Chefe do 
Executivo, poderá acionar o Poder Judiciário e requerer a pronta garantia de exercício de suas liberdades 
individuais. 
As autoridades que eventualmente venham a afrontar os direitos e garantias fundamentais dos cidadãos, 
em razão da intervenção federal, responderão por seus atos. A União, a depender da circunstância, também 
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responderá civilmente pelos danos que seus agentes causarem a terceiros, independentemente de dolo ou 
culpa. 
Com efeito, a intervenção tem início a partir da publicação do decreto interventivo, não havendo que falar 
em necessidade de autorização do Congresso Nacional e nem do Judiciário para que possa o Presidente da 
República agir. 
É verdade que a decretação da intervenção pode ser objeto de controle político, da responsabilidade do 
Congresso Nacional, ou de controle jurisdicional, exercido pelo Supremo Tribunal Federal, caso provocado, 
mas trata-se de limitação a posteriori. 
O decreto de intervenção será submetido à apreciação do Congresso Nacional, no prazo de vinte e quatro 
horas. Se não estiver funcionando o Congresso Nacional, o Presidente do Senado deverá fazer a sua 
convocação extraordinária, no mesmo prazo de vinte e quatro horas. Assim, os parlamentares deveriam 
comparecer em 24 horas e teriam outras 24horas para apreciação do decreto. 
Compete ao Congresso Nacional, em sessão bicameral, em um turno de votação em cada Casa Legislativa, a 
começar pela Câmara dos Deputados, por decisão tomada pela maioria simples de seus membros (artigo 47 
da CRFB/88), aprovar a intervenção federal. Cuidado! Compete ao Legislativo aprovar (e não autorizar) a 
intervenção federal. 
Caso a medida não seja aprovada, cessará imediatamente, podendo o Presidente da República, 
eventualmente, vir a responder por crime de responsabilidade. Se aprovada, persistirão os seus efeitos. 
Não cabe ao Judiciário analisar o mérito da intervenção (se havia ou não a necessidade de se decretar a 
intervenção), porque o ato do Chefe do Executivo tem natureza política. Agora, é inegável que o Judiciário 
poderá ser acionado e provocado a se manifestar se os imperativos constitucionais descritos nos artigos 34 
e 36 da Constituição Federal não forem respeitados. 
A competência para realização do controle jurisdicional é originária do Supremo Tribunal, conforme 
orientação do artigo 102, inciso I, alíneas “a” e “f”. 
2 – INTERVENÇÃO PROVOCADA 
Há algumas hipóteses em que a Constituição Federal condiciona a intervenção federal à provocação do 
próprio ente federativo ou à provocação do Poder Judiciário. Nesses casos, não poderá o Presidente da 
República agir espontaneamente. 
A intervenção provocada pode ocorrer por solicitação ou por requisição. 
2.1 Intervenção provocada por solicitação 
A intervenção provocada por solicitação acontece no caso do artigo 34, inciso IV, da Constituição Federal: 
“Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para: 
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(...) 
IV - garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação.” 
Caso se constate, no Estado ou no Distrito Federal, violação à Separação de Poderes, de modo que as funções 
típicas de um ente sejam usurpadas ou desrespeitadas por outro, o Poder coacto provocará a decretação de 
intervenção federal. 
Se a violação for contra o Poder Legislativo (Assembleia Legislativa ou Câmara Legislativa) ou o Poder 
Executivo (Governador), o prejudicado solicitará que o Presidente da República decrete a intervenção. 
Entretanto, se a violação for contra o Poder Judiciário, caberá ao Tribunal de Justiça do Estado levar o caso 
ao Supremo Tribunal Federal, que se entender necessário, requisitará a intervenção ao Presidente da 
República. 
Perceba que há duas distintas situações, quando a intervenção federal objetiva a garantia do livre exercício 
dos Poderes nas unidades da federação: a) violação ao Executivo ou ao Legislativo, que dá origem à 
intervenção provocada por solicitação; b) violação ao Poder Judiciário, que dá origem à intervenção 
provocada por requisição. 
Com efeito, se a intervenção for provocada por solicitação, o Presidente da República não estará obrigado 
a aceitar. Caberá ao Chefe do Executivo avaliar a conveniência e a oportunidade e admitir ou não a 
solicitação. 
Caso admita, decretará a intervenção, tendo ouvido o Conselho da República e o Conselho de Defesa 
Nacional. Uma vez publicado o decreto, o Congresso Nacional fará o controle político (aprovar ou não o 
decreto, em 24 horas. Se estiver em recesso, haverá sua convocação extraordinária, no prazo de 24 horas). 
O decreto deve conter o prazo, os termos e a nomeação ou não de interventor, tal qual como já fora estudado 
acima. 
Por outro lado, se a intervenção for provocada em razão de violação ao Judiciário, tendo feito o Supremo 
Tribunal Federal a requisição ao Presidente da República, o Chefe do Executivo deverá decretar a 
intervenção, sem nenhuma discricionariedade, nos limites da decisão judicial. 
 
Cuidado! Cabe ao Supremo Tribunal Federal (e não ao Tribunal de Justiça) requisitar a 
intervenção ao Presidente da República. 
Vale ainda destacar que a parte interessada, para fazer valer decisão proferida pelo Tribunal de 
Justiça, não poderá endereçar o pedido de intervenção federal diretamente ao STF; antes, o 
requerimento de intervenção deve ser dirigido ao Presidente do Tribunal de Justiça, para que 
este o encaminhe ao STF, se for o caso (STF. IF 105 QO). O pedido de intervenção só poderá ser 
feito diretamente ao STFpara garantia de cumprimento de suas próprias decisões. 
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2.2 Intervenção provocada por requisição 
A intervenção provocada por requisição do Judiciário acontece nas hipóteses do artigo 34, incisos VI e VII, da 
Constituição Federal: 
“Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para: 
(...) 
VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial; 
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais: 
a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático; 
b) direitos da pessoa humana; 
c) autonomia municipal; 
d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta. 
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a 
proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e 
serviços públicos de saúde. 
No caso de desobediência à ordem ou decisão judicial (inciso VI, parte B), a intervenção dependerá de 
requisição do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou do Tribunal Superior 
Eleitoral (TSE), cada um em relação ao cumprimento de suas próprias ordens ou decisões. 
Define-se a competência pela matéria, cumprindo ao STF o julgamento quando o ato inobservado lastreia-
se na Constituição Federal; ao STJ quando envolvida matéria legal e ao TSE em se tratando de matéria de 
índole eleitoral. 
Caso a negativa de cumprimento seja de ordem ou decisão do Superior Tribunal Militar ou do Tribunal 
Superior do Trabalho, a requisição caberá ao STF, mesmo que a decisão esteja embasada unicamente em 
lei infraconstitucional (STF. IF 230). 
Lado outro, se a decisão descumprida for da Justiça Estadual ou da Justiça Federal, fundada exclusivamente 
em questões legais, a doutrina aponta que a requisição de intervenção cabe ao STJ, vez que tal decisão só 
estaria, em tese, sujeita a recurso especial. Todavia, caso ocorra o descumprimento de ordem ou decisão de 
Tribunal de Justiça ou de Tribunal Regional Federal fundada em matéria constitucional, a competência para 
promover a requisição da intervenção será do STF, porque seria cabível, em tese, recurso extraordinário. 
Assim, temos: 
TSE 
• Descumprimento de suas próprias ordens ou decisões. 
 
 
 
STJ 
• Descumprimento de suas próprias ordens ou decisões. 
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• Descumprimento de ordens ou decisões da justiça comum, quando 
fundadas exclusivamente em leis infraconstitucionais. 
 
 
 • Descumprimento de suas próprias ordens ou decisões. 
STF 
• Descumprimento de ordens ou decisões do TST ou do STM, ainda que 
fundadas apenas em leis infraconstitucionais. 
 
• Descumprimento de ordens ou decisões da justiça comum, quando 
fundadas em texto da Constituição Federal. 
 
Convém esclarecer que o descumprimento de ordem ou de decisão judicial, capaz de provocar a intervenção 
federal, segundo posicionamento do Supremo Tribunal Federal, é o descumprimento voluntário e 
intencional de decisão transitada em julgado. Com efeito, a ausência de voluntariedade em não pagar 
precatórios, consubstanciada na insuficiência de recursos para satisfazer os créditos contra a Fazenda 
estadual, no prazo previsto no § 1º do artigo 100 da Constituição da República, não legitima a subtração 
temporária da autonomia estatal, mormente quando o ente público, apesar da exaustão do erário, vem 
sendo zeloso, na medida do possível, com suas obrigações derivadas de provimentos judiciais (IF 1.917). 
Há ainda intervenção federal provocada por requisição do Supremo Tribunal Federal quando o Estado (ou 
o Distrito Federal) se recusa a cumprir lei federal (artigo 34, VI, parte A) ou fere princípio constitucional 
sensível (artigo 34, VII). Nesses casos, a intervenção dependerá de provimento, pelo Supremo Tribunal 
Federal, de representação do Procurador-Geral da República. 
Na hipótese de recusa de cumprimento de lei federal, o Procurador Geral da República apresentará ao STF 
uma ação de executoriedade de lei federal. No segundo caso (princípio constitucional sensível), uma ação 
direta de inconstitucionalidade interventiva. 
Nos termos da Lei 12.562/2011, que dispõe sobre o processo e julgamento da representação interventiva, a 
petição inicial será apresentada em duas vias e deverá conter: 
a) a indicação do princípio constitucional que se considera violado ou, se for o caso de recusa à 
aplicação de lei federal, das disposições questionadas; 
b) a indicação do ato normativo, do ato administrativo, do ato concreto ou da omissão 
questionados; 
c) a prova da violação do princípio constitucional ou da recusa de execução de lei federal e 
d) o pedido, com suas especificações. 
O relator indeferirá a petição inicial liminarmente quando não for o caso de representação interventiva, 
faltar algum dos requisitos estabelecidos acima ou for inepta. Dessa decisão, caberá agravo, no prazo de 
cinco dias. 
A representação interventiva admite liminar, por decisão da maioria absoluta dos membros do Supremo 
Tribunal Federal (seis votos). 
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Apreciado o pedido de liminar ou, logo após recebida a petição inicial, se não houver pedido de liminar, o 
relator solicitará as informações às autoridades responsáveis pela prática do ato questionado, que as 
prestarão em até dez dias. Sucessivamente, serão ouvidos o Advogado-Geral da União e o Procurador-Geral 
da República, que deverão manifestar-se, cada qual, no prazo de dez dias. 
A decisão sobre a representação interventiva somente será tomada se presentes na sessão pelo menos oito 
Ministros. O quórum para julgamento da procedência ou da improcedência do pedido é o de maioria 
absoluta (seis votos). 
Julgada a ação procedente, o Supremo Tribunal Federal, após a publicação do acórdão, requisitará do 
Presidente da República a intervenção federal. O Chefe do Executivo terá prazo improrrogável de até 
quinze dias para dar cumprimento à determinação. 
A decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido da representação interventiva é irrecorrível e 
não admite impugnação por ação rescisória. 
Nos casos do artigo 34, VI e VII (hipóteses de intervenção provocada por requisição), fica dispensada a 
apreciação pelo Congresso Nacional, uma vez que nem mesmo o Presidente da República está agindo com 
discricionariedade; antes, o ato do Presidente é vinculado, pois é competência privativa do Chefe do 
Executivo decretar a intervenção federal. O decreto, nesses casos, limitar-se-á a suspender a execução do 
ato impugnado, se essa medida bastar ao restabelecimento da normalidade. 
Com efeito, nas mesmas hipóteses, não há falar em convocação obrigatória dos Conselhos da República e de 
Defesa Nacional. 
 
A Lei Maior elencou no artigo 34 sete casos exaustivos em que a intervenção federal está autorizada 
(pressupostos materiais). De igual modo, a Constituição firmou no artigo 36 os pressupostos formais da 
medida extrema, quais sejam: 
1) nos casos do artigo 34, incisos I, II, III e V, o Presidente da República está autorizado a agir 
espontaneamente; 
2) no caso do inciso IV, o Chefe do Executivo depende da solicitação do Poder Legislativo ou do Poder 
Executivo coacto ou impedido, ou de requisição do Supremo Tribunal Federal se a coação for contra o Poder 
Judiciário (artigo 36, IV); 
3) na situação da segunda parte do incisoVI (descumprimento de ordem ou decisão judicial), caberá ao 
Supremo Tribunal Federal, ao Superior Tribunal de Justiça ou ao Tribunal Superior Eleitoral requisitar a 
intervenção federal ao Presidente da República; 
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4) em caso de recusa de cumprimento de lei federal (primeira parte do inciso VI) ou de infringência a princípio 
constitucional sensível (inciso VII), a atuação do Presidente da República depende de provimento pelo STF 
de representação interventiva formulada pelo Procurador Geral da República. 
5) Nos casos dos incisos VI e VII, fica dispensada a convocação dos Conselhos da República e de Defesa 
Nacional e a aprovação da medida por parte do Congresso Nacional. 
6) Cessados os motivos da intervenção, as autoridades afastadas de seus cargos a estes voltarão, salvo 
impedimento legal. 
7) A Constituição Federal não poderá ser emendada enquanto perdurar a intervenção federal. 
 
QUAIS AS DIFERENÇAS ENTRE INTERVENÇÃO FEDERAL, ESTADO DE DEFESA E ESTADO DE 
SÍTIO? 
INTERVENÇÃO FEDERAL, ESTADO DE DEFESA E ESTADO DE SÍTIO SÃO MEDIDAS TOMADAS 
PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA PARA A ESTABILIZAÇÃO CONSTITUCIONAL, EM DEFESA DO 
ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS. 
O ESTADO DE DEFESA ESTÁ PREVISTO NO ARTIGO 136 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E É 
DESTINADO A AMPARAR A ORDEM PÚBLICA E A PAZ SOCIAL, EM ÁREAS RESTRITAS E 
DETERMINADAS, AMEAÇADOS POR INSTABILIDADE INSTITUCIONAL OU AFETADOS POR 
CALAMIDADES DE GRANDES PROPORÇÕES NA NATUREZA. 
O ESTADO DE DEFESA TEM INÍCIO POR MEIO DE DECRETO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA E 
ESTÁ LIMITADO AO PRAZO DE TRINTA DIAS, PRORROGÁVEL POR MAIS TRINTA DIAS. ESSE 
DECRETO DEVE SER REFERENDADO PELO CONGRESSO NACIONAL, EM 24 HORAS, COM 
QUÓRUM DE MAIORIA ABSOLUTA. 
DURANTE O ESTADO DE DEFESA, OS SEGUINTES DIREITOS FUNDAMENTAIS PODERÃO SOFRER 
RESTRIÇÕES: DIREITO DE REUNIÃO, SIGILO DE CORRESPONDÊNCIA, SIGILO DE COMUNICAÇÃO 
TELEGRÁFICA E TELEFÔNICA. 
O ESTADO DE SÍTIO É TAMBÉM DECRETADO PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA, MAS APENAS 
APÓS AUTORIZAÇÃO DA MAIORIA ABSOLUTA DO CONGRESSO NACIONAL, PORQUE SE TRATA 
DE MEDIDA EXCEPCIONALÍSSIMA CAPAZ DE RESTRINGIR, COMO UM TODO, A DEPENDER DOS 
MOTIVOS, OS DIREITOS FUNDAMENTAIS. 
O ESTADO DE SÍTIO, NOS TERMOS DO ARTIGO 137 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, É 
DECRETADO EM DUAS SITUAÇÕES: 1) COMOÇÃO GRAVE DE REPERCUSSÃO NACIONAL OU 
OCORRÊNCIA DE FATOS QUE COMPROVEM A INEFICÁCIA DO ESTADO DE DEFESA; 2) 
DECLARAÇÃO DE ESTADO DE GUERRA OU RESPOSTA A AGRESSÃO ARMADA ESTRANGEIRA. 
NA PRIMEIRA SITUAÇÃO, O DECRETO NÃO PODE TER PRAZO SUPERIOR A TRINTA DIAS, MAS 
SÃO ADMITIDAS PRORROGAÇÕES, CONFORME A NECESSIDADE. NO SEGUNDO CASO, NÃO HÁ 
PRAZO PREVIAMENTE ESTABELECIDO. 
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POR ÚLTIMO, A INTERVENÇÃO FEDERAL NÃO AFETA DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS, 
MAS A AUTONOMIA DO ENTE FEDERATIVO. TRATA-SE DE MEDIDA MAIS BRANDA QUE O 
ESTADO DE DEFESA E O ESTADO DE SÍTIO E SÓ PODE SER DECRETADA PELO PRESIDENTE NOS 
CASOS DO ARTIGO 34 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 
 
INTERVENÇÃO ESTADUAL 
Os Estados-membros não podem intervir em seus municípios, sob risco de sofrerem a intervenção federal 
(artigo 34, VII, “c”, da CRFB/88), salvo nas hipóteses taxativamente descritas no artigo 35 da Constituição 
Federal. 
Como dito anteriormente, a União não pode intervir na autonomia de Município, exceto se o Município 
fizer parte de Território (e não de Estado) e ainda observados os casos do artigo 35 da Lei Maior. 
Simetricamente como funciona a intervenção federal, tem-se a intervenção estadual. Assim, compete ao 
Governador de Estado decretar a intervenção estadual. 
Nos casos dos incisos I, II e III do artigo 35 da Constituição Federal, a intervenção é voluntária, isto é, resulta 
da análise e da vontade do Governador. Observe: 
“O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios localizados em 
Território Federal, exceto quando: 
I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a dívida fundada; 
II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei; 
III – não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e 
desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde.” 
O decreto de intervenção deverá especificar a amplitude, o prazo, as condições de execução e, se for o caso, 
a nomeação de interventor (assim como na intervenção federal, a nomeação de interventor não é 
obrigatória, salvo quando se dá no âmbito do Poder Executivo). 
O decreto será submetido à apreciação da Assembleia Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro 
horas. Se não estiver funcionando a Assembleia Legislativa, far-se-á convocação extraordinária, no mesmo 
prazo de vinte e quatro horas. 
Aprovada a intervenção, por maioria relativa, o decreto terá continuidade. Rejeitada a intervenção, cessarão 
os seus efeitos. 
Na hipótese do artigo 35, inciso IV, da Constituição Federal, tem-se intervenção provocada por requisição 
do Tribunal de Justiça. Nesse caso, o decreto não tem que ser submetido à aprovação da Assembleia 
Legislativa. Note: 
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“IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de 
princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de 
decisão judicial.” 
 
“Não cabe recurso extraordinário contra acórdão de Tribunal de 
Justiça que defere pedido de intervenção estadual em município.” 
(STF. Súmula 637). 
DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS 
O sistema constitucional das crises é instaurado quando se percebe a materialização do desequilíbrio 
institucional e social, provocado pela antijurídica ação de grupos sociais ou por graves fenômenos da 
natureza. 
A Constituição Federal, para restabelecer o Estado Democrático de Direito e a paz social, autoriza a aplicação 
de medidas extremas, de medidas de exceção, capazes de, por meio do aumento do poder de repressão do 
Estado, combater a crise constitucional. 
O conjunto de dispositivos constitucionais ordenados e transitórios, que tem por objeto as 
situações de crises e por finalidade a mantença ou o restabelecimento da normalidade 
constitucional é denominado sistema constitucional das crises (2007, SILVA). 
A Constituição trata do assunto no Título V (Da Defesa do Estado e das Disposições Democráticas). A 
necessidade, a temporalidade e a obediência irrestrita à Constituição Federal formam o tripé das medidas 
de exceção, que são: o estado de defesa e o estado de sítio. 
A necessidade impõe que o Estado apenas haja se as circunstâncias fáticas assim o exigirem, dada a 
gravidade da situação, sob risco de responsabilização do próprio Estado (civil) e das autoridades envolvidas 
(civil, penal e política), vez que as medidas de exceção são capazes de impor restrições a certos direitos e 
garantias fundamentais dos indivíduos. 
As medidas excepcionais são temporárias e só poderão perdurar pelo tempo necessário ao restabelecimento 
da normalidade. 
Por fim, os comandos constitucionais devem cumpridos integralmente, para que se não impere o arbítrio 
do Estado, mas uma legalidade extraordinária, conforme explicitado na Constituição Federal. 
1 - ESTADO DE DEFESA 
O estado de defesa é medida excepcional que busca preservar ou prontamente restabelecer, em locais 
restritos e determinados, a ordem pública ou a pazsocial ameaçadas por grave e iminente instabilidade 
institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza. 
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Compete privativamente ao Presidente da República, por meio de decreto, estabelecer o estado de defesa, 
mas antes deverá ouvir o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional. Vale pontuar que embora 
a convocação dos conselhos seja obrigatória, não estará o Presidente da República vinculado às orientações 
recebidas. Note também que o Presidente não depende da autorização do Congresso Nacional para agir. 
No decreto que instituiu o estado de defesa deve constar o tempo de sua duração, a especificação das áreas 
a serem abrangidas e a indicação das medidas coercitivas que vigorarão. 
O tempo de duração do estado de defesa não poderá ultrapassar trinta dias. Caso persistam as razões que 
justificaram a sua decretação, o prazo de duração poderá ser prorrogado uma vez, por igual período. 
Cuidado! O prazo de duração da medida não é de 30 dias; é máximo de 30 dias. De maneira que 
poderia o Presidente estabelecer prazo de cinco dias, por exemplo, conforme a situação e as 
medidas necessárias ao restabelecimento da normalidade. Se esse fosse o prazo, a prorrogação 
seria por mais cinco dias (igual período e não 30 dias). 
E se esgotados o tempo de duração e a prorrogação sem que a ordem pública ou a paz social tenham sido 
firmadas? Nesse caso, poderá o Presidente da República tomar uma medida mais gravosa: o estado de sítio. 
A especificação das áreas abrangidas pela medida é indispensável, porque o objetivo do decreto de estado 
de defesa é o de reprimir ofensas ou ameaças de ofensas à ordem pública ou à paz social, em locais restritos 
e determinados. 
Não há na Constituição definição do que seja a expressão “locais restritos e determinados” (se um Município, 
se um Estado), mas é fato que as ações que serão combatidas não poderão ter alcance nacional, pois a 
medida tomada na hipótese seria outra: o estado de sítio. 
Uma vez decretado o estado de defesa, medidas coercitivas poderão ser determinadas, inclusive para 
restringir direitos e garantias fundamentais, que não têm caráter absoluto e podem sofrer relativizações em 
situações excepcionais, para resguardar o interesse da coletividade (ordem pública/paz social). 
As medidas coercitivas impostas no decreto constam no artigo 136, § 1º, da Constituição Federal, quais 
sejam: 
1. restrições aos direitos de: a) reunião, ainda que exercida no seio das associações; b) sigilo de 
correspondência; c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica. 
2. na hipótese de calamidade pública, ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos, 
respondendo a União pelos danos e custos decorrentes. 
Frise-se que o rol de restrições acima é taxativo. Não pode o Presidente da República instituir outras 
medidas, porque como já antes dito, o estado de defesa configura uma situação de legalidade extraordinária 
e não um mero arbítrio estatal. 
Note que duas são as razões para a decretação do estado de defesa: a) grave e iminente instabilidade 
institucional que ameaça a ordem pública ou a paz social; b) a ocorrência de calamidades de grandes 
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proporções na natureza, capazes de atingir a ordem pública ou a paz social. Em razão de qualquer delas, 
poderá o Presidente da República, no decreto, restringir os direitos de reunião, sigilo de correspondência e 
sigilo de comunicação telegráfica e telefônica. Entretanto, a ocupação e uso temporário de bens e serviços 
públicos só se darão no caso de calamidade pública. 
Na vigência do estado de defesa, a prisão por crime contra o Estado, determinada pelo executor da medida, 
será por este comunicada imediatamente ao juiz competente. A autoridade, ao fazer a comunicação, deverá 
declarar o estado físico e mental do detido no momento de sua autuação, o que não obsta o preso mesmo 
assim de requerer exame de corpo de delito à autoridade policial. De posse da comunicação da prisão, o juiz 
competente a relaxará, se não for legal. 
A prisão ou detenção de qualquer pessoa não poderá ser superior a dez dias, salvo quando autorizada pelo 
Poder Judiciário. A incomunicabilidade do preso é vedada. 
A medida tomada pelo Presidente da República está sujeita ao controle político exercido pelo Congresso 
Nacional, de maneira que, uma vez decretado o estado de defesa (ou sua prorrogação), o Presidente da 
República, dentro de vinte e quatro horas, submeterá o ato com a respectiva justificação ao Congresso 
Nacional. 
O Congresso Nacional apreciará o decreto dentro de dez dias contados de seu recebimento, devendo 
continuar funcionando enquanto vigorar o estado de defesa. 
Se o Congresso Nacional estiver em recesso, será convocado, extraordinariamente, pelo Presidente do 
Senado, no prazo de cinco dias. Os parlamentares necessariamente deverão atender à convocação. 
O quórum necessário para aprovação do decreto é o de maioria absoluta. Rejeitado o decreto, o estado de 
defesa cessará imediatamente. Aprovado o decreto, a execução da medida extrema persistirá. 
Cabe ainda ao Congresso Nacional acompanhar a execução do estado de defesa. O artigo 140 da Constituição 
Federal determina que a Mesa do Congresso Nacional, ouvidos os líderes partidários, designe Comissão 
composta de cinco de seus membros para acompanhar e fiscalizar a execução das medidas referentes ao 
estado de defesa. 
Tão logo seja cessado o estado de defesa, os seus efeitos também deverão cessar, sem prejuízo da 
responsabilidade pelos ilícitos cometidos por seus executores ou agentes. 
O Presidente da República, assim que findar o sistema constitucional de crises, deverá enviar mensagem ao 
Congresso Nacional, para relatar as medidas excepcionais aplicadas e as suas justificativas, com relação 
nominal dos atingidos e indicação das restrições aplicadas. 
Com efeito, o controle político exercido pelo Congresso Nacional se dá em três distintos momentos: a) 
apreciação inicial (no prazo de dez dias contados do recebimento do decreto); b) durante a aplicação da 
medida (Comissão acompanha e fiscaliza a execução); c) a posteriori (análise do relatório encaminhado pelo 
Presidente da República). 
O controle jurisdicional de legalidade da decretação do estado de defesa e das medidas coercitivas aplicadas 
poderá ocorrer, especialmente por meio da utilização de habeas corpus e de mandado de segurança. De 
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igual maneira, após a cessação da medida, o Poder Judiciário poderá ser acionado para processar e julgar os 
executores do estado de defesa por eventuais ilícitos praticados. Entretanto, não cabe ao Judiciário intervir 
na conveniência e na oportunidade de decretação da medida, porque tal análise decorre de juízo do 
Presidente da República. 
1. Compete privativamente ao Presidente da República decretar o estado de defesa. Essa competência é 
indelegável. 
2. O estado de defesa somente poderá ser decretado em dois casos: a) grave e iminente instabilidade 
institucional que ameaça a ordem pública ou a paz social; b) ocorrência de calamidades de grandes 
proporções na natureza, capazes de atingir a ordem pública ou a paz social. 
3. O Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional deverão ser ouvidos. 
4. Uma vez decretado o estado de defesa, o Presidente deverá, no prazo de 24 horas, encaminharo decreto, 
acompanhado de exposição de motivos, ao Congresso Nacional. 
5. O Congresso Nacional deverá apreciar o decreto no prazo de 10 dias. 
6. Em caso de recesso, o comparecimento dos parlamentares para sessão legislativa extraordinária deve 
ocorrer no prazo de 5 dias. Uma vez reunido o Legislativo, prazo de 10 dias para a apreciação da medida. 
7. Não aprovado o decreto, cessará a intervenção. 
8. Aprovado o decreto, por maioria absoluta, a medida persistirá. Comissão do Congresso Nacional deverá 
acompanhar a sua execução. 
9. Cessado o estado de defesa, deverá o Presidente da República relatar ao Congresso Nacional, 
minuciosamente, as medidas e as pessoas afetadas. 
2 - ESTADO SÍTIO 
O estado de sítio caracteriza um instituto bem mais gravoso do que o estado de defesa, tendo em vista que 
a quantidade de direitos fundamentais que podem ser restringidos durante a medida é maior. 
Os casos autorizadores do estado de sítio são taxativos e constam do artigo 137 da Constituição Federal. São 
eles: 
1. comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia 
de medida tomada durante o estado de defesa; 
2. declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira. 
Literalmente, sitiar é “fazer o cerco de”, “rodear de tropas para o ataque”. O estado de sítio é um verdadeiro 
“estado de guerra”, um preparo para o conflito bélico em defesa da soberania do Estado brasileiro ou de 
direitos da coletividade. 
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Trata-se de medida tomada pelo Presidente da República, por decreto. O Chefe do Executivo, ao analisar a 
situação fática, antes de decretar o estado de sítio, deverá primeiro convocar o Conselho da República e o 
Conselho de Defesa Nacional. Tendo ouvido os dois órgãos, mas não vinculado à orientação de nenhum 
deles, o Chefe do Executivo solicitará ao Congresso Nacional autorização para decretar o estado de sítio. 
 
Perceba: diferente do que ocorre no estado de defesa, o Presidente da República não poderá 
decretar o estado de sítio sem que o Congresso Nacional o autorize. 
O Presidente da República, ao solicitar autorização para decretar o estado de sítio (ou sua prorrogação), 
deverá explicar detalhadamente as razões do pedido. O Congresso Nacional, uma vez recebida a solicitação 
do Executivo, decidirá por maioria absoluta. 
Caso seja feita a solicitação de autorização para decretar o estado de sítio e o Legislativo esteja em recesso, 
o Presidente do Senado Federal, deverá, de imediato, convocar extraordinariamente o Congresso Nacional 
para se reunir, no prazo de cinco dias, a fim de apreciar o ato. Os parlamentares deverão obrigatoriamente 
aceitar à convocação. 
Se autorizado o decreto de estado de sítio, o Congresso Nacional deverá permanecer em funcionamento até 
o término das medidas coercitivas. 
O Presidente da República, no decreto do estado de sítio, especificará o prazo de duração, as normas 
necessárias a sua execução e as garantias constitucionais que ficarão suspensas. Depois de publicado, o 
Presidente da República designará o executor das medidas específicas e as áreas abrangidas. 
O prazo de duração do estado de sítio depende da razão de sua decretação. No caso artigo 137, I, da 
Constituição Federal (comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a 
ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa), o prazo limite é o de 30 dias. Esse prazo poderá 
ser prorrogado, mas não por período superior a trinta dias. São admitidas sucessivas prorrogações, até que 
se restabeleça a normalidade, mas cada uma delas deverá ser precedida de autorização do Congresso 
Nacional. 
 Na hipótese do inciso II do artigo 137 da Constituição (declaração de estado de guerra ou resposta a 
agressão armada estrangeira), o prazo não será previamente fixado em dias, de maneira que poderá ser 
decretado por todo o tempo que perdurar a guerra ou a agressão armada estrangeira. 
Quanto aos direitos e garantias fundamentais, a excepcionalidade da situação justifica sua relativização. Os 
indivíduos, conforme o motivo da decretação do estado de sítio, diretamente, sofrerão a redução de direitos, 
vez que estão em perigo a soberania do Estado brasileiro e o interesse de toda a coletividade. 
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As medidas coercitivas tomadas contra os indivíduos, com fundamento no artigo 137, I, da Constituição 
(comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida 
tomada durante o estado de defesa) são taxativas e alcançam o direito de liberdade, sob variados aspectos 
(locomoção, informação, reunião), a intimidade e a vida privada, e a propriedade. 
Com efeito, as medidas coercitivas aplicadas, nos termos do artigo 139 da Constituição Federal, são: 
I - obrigação de permanência em localidade determinada; 
II - detenção em edifício não destinado a acusados ou condenados por crimes comuns; 
III - restrições relativas à inviolabilidade da correspondência, ao sigilo das comunicações, à 
prestação de informações e à liberdade de imprensa, radiodifusão e televisão, na forma da lei; 
IV - suspensão da liberdade de reunião; 
V - busca e apreensão em domicílio; 
VI - intervenção nas empresas de serviços públicos; 
VII - requisição de bens. 
As restrições à prestação de informações e à radiodifusão não impedem a difusão de pronunciamentos de 
parlamentares efetuados em suas Casas Legislativas, desde que liberada pela respectiva Mesa. 
A respeito da hipótese de estado de sítio contida no artigo 137, II (declaração de estado de guerra ou 
resposta a agressão armada estrangeira), a Constituição Federal não enumerou quais medidas coercitivas 
poderão ser tomadas, de maneira que a conclusão lógica é a de que tantos outros direitos fundamentais 
poderão sofrer reduções, desde que, evidentemente, sejam necessárias e o Presidente da República 
justifique um a um os seus motivos ao Congresso Nacional, quando da solicitação de autorização para editar 
o decreto. 
Cabe ao Congresso Nacional fazer o controle político da medida extrema, a fim de que o Presidente não 
tenha poderes supremos e não se instaure o arbítrio estatal. Assim, não apenas o Legislativo autoriza o 
estado de sítio, mas também deve acompanhar toda a execução, até que as medidas restritivas deixem de 
ser aplicadas. Além disso, conforme determinação do artigo 140 da Constituição Federal, da mesma forma 
como acontece com o estado de defesa, a Mesa do Congresso Nacional, ouvidos os líderes partidários, 
designará Comissão composta de cinco de seus membros para acompanhar e fiscalizar a execução das 
medidas. 
 Ao findar o estado de sítio, os seus efeitos também cessarão, sem prejuízo da responsabilidade pelos ilícitos 
cometidos por seus executores ou agentes. Nesse caso, deverá o Presidente da República enviar mensagem 
ao Congresso Nacional, para relatar as medidas excepcionais aplicadas e as suas justificativas, com relação 
nominal dos atingidos e indicação das restrições aplicadas. 
Durante o estado de sítio, a atuação do Poder Judiciário não será interrompida. Qualquer pessoa que se 
sentir prejudicada pela imposição de medidas restritivas de direitos poderá acionar o Judiciário, 
especialmente por meio da impetração de mandado de segurança e de habeas corpus. Entretanto, convém 
esclarecer que o controle jurisdicional do estado de sítio não recairá sob o porquê da medida extrema, mas 
sob a sua legalidade. 
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1. DURANTE O ESTADO DE DEFESA, O ESTADO DE SÍTIO E A INTERVENÇÃO FEDERAL, A 
CONSTITUIÇÃO FEDERAL NÃO PODERÁ SER EMENDADA (ARTIGO 60, § 1º , DA CRFB/88). 
2. O EXAMINADOR PODERÁ, PARA ELIMINAR CANDIDATOS, NA PROVA OBJETIVA, FAZER A 
TROCA DE ALGUMAS PALAVRAS. FIQUE ATENTO. CABE AO CONSELHO DA REPÚBLICA 
PRONUNCIAR-SE SOBRE O ESTADO DE DEFESA, O ESTADO DE SÍTIO E A INTERVENÇÃO FEDERAL 
(ARTIGO 90, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL). CABE AO CONSELHO DE DEFESA NACIONAL 
OPINAR SOBRE OS MESMOS ASSUNTOS (ARTIGO 91, § 1º, DA CRFB/88). UM SE 
PRONUNCIA E O OUTRO OPINA. 
3. O CONGRESSO NACIONAL APROVA O ESTADO DE DEFESA E A INTERVENÇÃO FEDERAL E 
AUTORIZA O ESTADO DE SÍTIO. TODAS AS ATRIBUIÇÕES SÃO EXERCIDAS POR DECRETO 
LEGISLATIVO. 
4. O ARTIGO 53, § 8º, DA CONSTITUIÇÃO, GARANTE AOS PARLAMENTARES FEDERAIS A 
MANUTENÇÃO DE SUAS IMUNIDADES DURANTE O ESTADO DE SÍTIO, SÓ PODENDO SER 
SUSPENSAS MEDIANTE O VOTO DE DOIS TERÇOS DOS MEMBROS DA CASA RESPECTIVA, NOS 
CASOS DE ATOS PRATICADOS FORA DO RECINTO DO CONGRESSO NACIONAL, QUE SEJAM 
INCOMPATÍVEIS COM A EXECUÇÃO DA MEDIDA. 
DOS MILITARES 
1 - FORÇAS ARMADAS 
A Constituição Federal estabelece que as Forças Armadas são instituições nacionais permanentes 
e regulares destinadas à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa 
de qualquer destes, da lei e da ordem (artigo 142). 
Integram as Forças Armadas a Marinha, o Exército e a Aeronáutica. As três Forças são guiadas por dois pilares 
constitucionais: a hierarquia e a disciplina. 
O Presidente da República exerce o comando Supremo das Forças Armadas (artigo 84, XIII, da CRFB/88). 
Cabe ao Chefe do Executivo conceder aos militares as patentes, com prerrogativas, direitos e deveres a elas 
inerentes. 
Desde a Emenda Constitucional 23/1999, não há mais os antigos Ministérios do Exército, da Marinha e da 
Aeronáutica. Esses Ministérios foram substituídos pelo Ministério da Defesa, cujo chefe é civil (Ministro da 
Defesa), nomeado pelo Presidente da República, dentre cidadãos brasileiros natos maiores de 21 anos de 
idade. Assim, no comando das instituições militares, em ordem hierárquica decrescente, há o Presidente da 
República (civil eleito pelo povo), o Ministro de Estado de Defesa (nomeado pelo Presidente da República) e 
o Chefe de Estado Maior Conjunto das Forças Armadas (militar, oficial general de último posto). 
Os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica não são mais formalmente Ministros 
de Estado, mas preservaram o status, de maneira que a competência para julgá-los por crime 
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comum e de responsabilidade é originária do Supremo Tribunal Federal, exceto quando o crime 
de responsabilidade é conexo com o do Presidente da República, porque neste caso, a 
competência para julgar os três Comandantes por crime de responsabilidade é do Senado Federal 
(artigos 102, I, “c” e 52, I, da CRFB/88). 
Lei complementar, de iniciativa privativa do Presidente da República, estabelecerá as normas gerais a serem 
adotadas na organização, no preparo e no emprego das Forças Armadas. Os integrantes do Exército, da 
Marinha e da Aeronáutica não são chamados servidores públicos, mas militares. 
Cabe à lei (nesse caso, não se exige lei complementar) dispor sobre o ingresso nas Forças Armadas, os limites 
de idade, a estabilidade e outras condições de transferência do militar para a inatividade, os direitos, os 
deveres, a remuneração, as prerrogativas e outras situações especiais dos militares. 
Aos oficiais militares (da ativa, da reserva ou reformados), a Constituição Federal assegura as 
patentes, os títulos e postos militares e, juntamente com os demais membros, o uso dos 
uniformes das Forças Armadas (artigo 142, parágrafo 3º, I, da CRFB/88). 
O oficial só perderá o posto e a patente se for julgado indigno do oficialato ou com ele incompatível, por 
decisão de tribunal militar de caráter permanente, em tempo de paz, ou de tribunal especial, em tempo 
de guerra. Aquele que for condenado na justiça comum ou militar a pena privativa de liberdade superior a 
dois anos, por sentença transitada em julgado, será submetido ao julgamento por indignidade do oficialato, 
perante tribunal militar. 
A respeito da competência para julgar os militares, a Lei 13.491/2017 trouxe importantes modificações. O 
militar das Forças Armadas que praticar crime militar doloso contra a vida, em tempo de paz (artigo 9º do 
Código Penal Militar), e cometidos contra civis, serão julgados pela Justiça Militar da União, quando o crime 
for decorrente de cumprimento de atribuições que lhes forem estabelecidas pelo Presidente da República 
ou pelo Ministro de Estado da Defesa; ou de ação que envolva a segurança de instituição militar ou de missão 
militar, mesmo que não beligerante; ou de atividade de natureza militar, de operação de paz, de garantia da 
lei e da ordem ou de atribuição subsidiária. 
Diferentemente dos servidores públicos (civis), os militares não têm direito de greve e nem de sindicalização, 
porque de suas atividades dependem a ordem e a segurança pública, de maneira que deve prevalecer o 
interesse público. 
Igualmente, os militares da ativa não podem se filiar a partidos políticos (artigo 142, parágrafo 3º, V, da 
CRFB/88). Isso não significa que militares sejam inelegíveis, vez que o parágrafo 8º, inciso II, do artigo 14, da 
Constituição Federal, expõe que o militar alistável é elegível. O que se tem apenas é que a filiação partidária 
não lhe é exigível como condição de elegibilidade, certo que somente a partir do registro da candidatura é 
que será agregado. 
Alguns direitos/obrigações destinados aos trabalhadores, contidos no artigo 7º da Constituição Federal, e 
alguns destinados aos servidores públicos (artigo 37) foram estendidos aos militares. São eles: 
a) décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria; 
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b) salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos 
da lei; 
c) gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário 
normal; 
d) licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte 
dias; 
e) licença-paternidade, nos termos fixados em lei; 
f) assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de 
idade em creches e pré-escolas; 
g) limitação de remuneração/subsídio, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra 
natureza, ao subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. 
h) não vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de 
remuneração de pessoal do serviço público. 
i) os acréscimos pecuniários percebidos não serão computados nem acumulados para fins 
de concessão de acréscimos ulteriores; 
j) irredutibilidade de subsídio/vencimento, com as ressalvas constitucionais. 
 
“NÃO VIOLA A CONSTITUIÇÃO O ESTABELECIMENTO DE REMUNERAÇÃO INFERIOR AO 
SALÁRIO MÍNIMO PARA AS PRAÇAS PRESTADORAS DE SERVIÇO MILITAR INICIAL” 
(SÚMULA VINCULANTE 6). 
A CF NÃO ESTENDEU AOS MILITARES A GARANTIA DE REMUNERAÇÃO NÃO INFERIOR AO 
SALÁRIO MÍNIMO, COMO O FEZ PARA OUTRAS CATEGORIAS DE TRABALHADORES. AQUELES 
QUE PRESTAM SERVIÇO MILITAR OBRIGATÓRIO EXERCEM UM MÚNUS PÚBLICO 
RELACIONADO COM A DEFESA DA SOBERANIA DA PÁTRIA. A OBRIGAÇÃO DO ESTADO 
QUANTO AOS CONSCRITOS LIMITA-SE A FORNECER-LHES AS CONDIÇÕES MATERIAISPARA 
A ADEQUADA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO MILITAR OBRIGATÓRIO NAS FORÇAS ARMADAS. 
Quanto à possibilidade de o militar exercer outro cargo ou emprego público, a Constituição Federal 
enumerou duas situações, a saber: 
1. militar da ativa que toma posse em cargo ou emprego público civil permanente deverá ser transferido 
para a reserva, nos termos da lei, exceto, se o militar atuar na área de saúde e, havendo compatibilidade de 
horários, acumular cargo ou emprego civil privativo de profissional de saúde. 
A transferência para a reserva remunerada de militar aprovado em concurso público subordina-se à 
autorização do Presidente da República ou à do respectivo ministro (RE 601.148 AgR). 
O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADI 1.626, declarou a constitucionalidade de dispositivo 
do Estatuto dos Militares da União que estabelece o dever do oficial militar com menos de cinco 
anos de corporação de indenizar os custos decorrentes de sua formação, no caso de assunção de 
cargo ou emprego civil, vez que o interesse público deve prevalecer. 
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2. militar da ativa que toma posse em cargo, emprego ou função pública civil temporária (não eletiva), na 
Administração Pública Direta ou Indireta, deverá ser agregado ao respectivo quadro e somente poderá, 
enquanto permanecer nessa situação, ser promovido por antiguidade. Nesse caso, também há a ressalva do 
artigo 37, XVI, “c”, isto é, caso militar em exercício de atividade privativa de profissional de saúde, poderá 
acumular com cargo de mesma natureza civil, desde que haja compatibilidade de horários. 
Nesse caso, o tempo de serviço, enquanto agregado, apenas será contado para fins de promoção por 
antiguidade e para a transferência para a reserva. Após dois anos de afastamento (contínuos ou não), o 
militar será transferido para a reserva. 
 
O § 2º DO ARTIGO 142 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL ESTABELECE QUE NÃO 
CABE HABEAS CORPUS EM RELAÇÃO A PUNIÇÕES DISCIPLINARES MILITARES. 
NOS TERMOS DA JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, A VEDAÇÃO 
APENAS SE REFERE À ANÁLISE DE MÉRITO DA PUNIÇÃO, PORQUE A LEGALIDADE DA 
MEDIDA RESTRITIVA DE LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO PODERÁ SER FEITA PELO 
JUDICIÁRIO, MORMENTE QUANTO À HIERARQUIA, AO PODER DISCIPLINAR, AO ATO 
LIGADO À FUNÇÃO E À PENA SUSCEPTÍVEL DE SER APLICADA DISCIPLINARMENTE (HC 
70.648). 
O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL TAMBÉM NÃO ADMITE HABEAS CORPUS PARA ATACAR 
DECISÃO QUE DETERMINA PERDA DE POSTO E PATENTE DE MILITAR (HC 70.852). 
Nos termos do artigo 143 da Constituição Federal, o serviço militar é obrigatório. Em defesa do direito de 
liberdade de consciência, aos que, em tempo de paz, após alistados, alegarem escusa de consciência (artigo 
5º, inciso VIII, da CRFB/88) entendendo-se como tal o decorrente de crença religiosa e de convicção filosófica 
ou política, para se eximirem de atividades de caráter essencialmente militar, as Forças Armadas deverão, 
na forma da lei, atribuir serviço alternativo. Entende-se por serviço alternativo o exercício de atividade de 
caráter administrativo, assistencial ou filantrópico ou mesmo produtivo. 
As mulheres e os eclesiásticos, em tempo de paz, ficam isentos do serviço militar obrigatório, podendo se 
sujeitar a outros encargos que a lei lhes atribuir. 
2 - DOS MILITARES DOS ESTADOS, DO DISTRITO FEDERAL E DOS 
TERRITÓRIOS 
Os membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares são os militares dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Territórios. Essas instituições são organizadas com base na hierarquia 
e na disciplina (artigo 42 da Constituição Federal). 
As polícias militares são responsáveis pela polícia ostensiva e pela preservação da ordem pública. Aos corpos 
de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa 
civil. 
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As polícias militares e corpos de bombeiros militares são forças auxiliares e reserva do Exército, embora 
estejam subordinadas aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios (não estão 
subordinadas ao Presidente da República e nem ao Ministro de Estado de Defesa!). 
Aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, além do que vier a ser fixado em lei, nos 
termos do artigo 42, § 1º, da Constituição Federal, aplicam-se as seguintes disposições: 
1. O tempo de contribuição federal, estadual ou municipal será contado para efeito de 
aposentadoria e o tempo de serviço correspondente para efeito de disponibilidade (artigo 40, § 
9º, da CRFB/88). 
2. Os oficiais da ativa, da reserva ou reformados são asseguradas as patentes, com prerrogativas, 
direitos e deveres a elas inerentes, sendo-lhes privativos os títulos e postos militares e, 
juntamente com os demais membros, o uso dos uniformes (art. 142, § 3º, I, da CRFB/88). 
3. Ao militar são proibidas a sindicalização e a greve (art. 142, § 3º, IV, da CRFB/88). 
4. O militar da ativa não pode estar filiado a partidos políticos (art. 142, § 3º, V, da CRFB/88). 
5. O militar alistável é elegível. Se o militar contar com menos de dez anos de serviço, deverá 
afastar-se da atividade, mas se contar mais de dez anos de serviço, deverá ser agregado pela 
autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a 
inatividade (art. 14, § 8º, da CRFB/88) 
6. O oficial só perderá o posto e a patente se for julgado indigno do oficialato ou com ele 
incompatível, por decisão de tribunal militar de caráter permanente, em tempo de paz, ou de 
tribunal especial, em tempo de guerra (art. 142, § 3º, V, da CRFB/88). 
7. O oficial condenado na justiça comum ou militar a pena privativa de liberdade superior a dois 
anos, por sentença transitada em julgado, será também submetido a julgamento para definição 
de perda do oficialato por indignidade (art. 142, § 3º, VII, da CRFB/88). 
Com efeito, a declaração de indignidade e incompatibilidade para o oficialato apresenta-se em 
duas modalidades: a) decorrente do julgamento do Conselho de Justificação, que tem, segundo 
o Supremo Tribunal Federal, natureza administrativa, o que impossibilita a interposição de 
recurso extraordinário; b) aquela decorrente da condenação, em crime comum ou militar, por 
pena privativa de liberdade superior a dois anos. 
8. A competência para processar e julgar os militares dos Estados, nos crimes militares definidos 
em lei e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, é da Justiça Militar estadual, exceto 
quando se tratar de crime doloso contra a vida, quando a vítima for civil, porque neste caso, a 
competência será do Tribunal do Júri (artigo 125, § 4º, da CRFB/88). 
Cuidado! Militares da União quando praticam crimes dolosos contra a vida de civis, em regra, 
serão julgados pela Justiça Militar da União e não pelo Júri. 
9. Os militares estaduais, distritais e dos Territórios fazem jus a alguns direitos destinados a trabalhadores e 
a servidores públicos (art. 142, § 3º, VIII, da CRFB/88) . São eles: 
a) décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria; 
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b) salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos 
da lei; 
c) gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário 
normal; 
d) licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário,

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