Prévia do material em texto
IMUNOLOGIA CLÍNICA 2º BIMESTRE HELOISA CARVALHO 6 IMUNIZAÇÃO E VACINAS 1. Imunização e Vacinas Definição: Processo de estimular o sistema imunológico para prevenir ou reduzir a gravidade de doenças infecciosas. Objetivos: · Prevenção de infecções. · Redução da gravidade de doenças. · Erradicação de doenças (ex.: varíola). 2. Produção de Vacinas Subunidades Utilizam partes específicas do patógeno para desencadear uma resposta imune: Proteínas: Fragmentos proteicos que induzem imunidade. Exemplo: Vacina contra Hepatite B Polissacarídeos: Utilizam açúcares da parede celular bacteriana. Exemplo: Vacina contra pneumococo e meningococo. Conjugadas: Polissacarídeos ligados a proteínas para aumentar a imunogenicidade, especialmente em crianças. Exemplo: Hib (Haemophilus influenzae tipo B). DNA Recombinante Inserção de genes de um patógeno em vetores (como plasmídeos ou vírus não patogênicos) para produzir antígenos específicos no organismo. 3. MECANISMOS DE VACINAS ANTIVIRAIS Estimulação de anticorpos neutralizantes: · Bloqueiam a entrada do vírus em células hospedeiras. Ativação de células T citotóxicas: · Eliminam células infectadas pelo vírus. Indução de memória imunológica: · Permite resposta rápida em exposições futuras ao vírus. Resposta Th1 e Th2: Th1: Imunidade celular (combate infecções intracelulares). Th2: Produção de anticorpos contra patógenos extracelulares. 4. Vacinas Nasais (IgA) Definição: Aplicadas na mucosa nasal, estimulando a produção de IgA, a principal imunoglobulina de mucosa. Vantagens: Bloqueiam patógenos diretamente nos locais de entrada, como vírus respiratórios (ex.: SARS-CoV-2, influenza). 5. Células Ativadas na Resposta Imune Vacinal Linfócitos T: Desempenham papel no reconhecimento e destruição de células infectadas. Macrófagos Residentes: Fagocitam partículas virais e apresentam antígenos às células T. Células Dendríticas: Migram para linfonodos para apresentar antígenos e ativar linfócitos T e B. 6. Vacinas Contra SARS-CoV-2 Vacinas inativadas: Vírus morto que não se replica no organismo. Exemplo: CoronaVac. Vacinas com Vetor Viral: Utilizam adenovírus não patogênico como transportador de genes do vírus. Exemplo: Johnson & Johnson. Dose única: Simples aplicação, mas pode ter menor duração da resposta imune comparada a esquemas com múltiplas doses. RNA Mensageiro (mRNA): Pfizer e Moderna: Instruem as células a produzir a proteína spike do vírus para ativar o sistema imune. 7. Respostas Imunológicas Tempestade de Citocinas: Resposta exagerada do sistema imune que pode causar inflamação sistêmica grave, como observado em casos graves de COVID-19. Vacinas DNA/RNA: Induzem imunidade ao gerar proteínas virais no organismo, estimulando tanto anticorpos quanto células T. 8. Métodos de Aplicação Intramuscular: Resposta imunológica sistêmica (ex.: Pfizer, CoronaVac). Nasal: Imunidade de mucosa (ex.: vacinas experimentais para SARS-CoV-2). 9. Programa Nacional de Imunização (PNI) Objetivos: · Garantir acesso gratuito e equitativo às vacinas. · Reduzir a incidência de doenças preveníveis por vacinas. Impactos: · Controle de doenças como poliomielite e sarampo. · Vacinação em massa contra a COVID-19. Imunologia dos tumores 1. Epidemiologia do Câncer Incidência aumentada: · Maior detecção por avanços diagnósticos. · Exposição crescente a fatores de risco. População envelhecida: · Aumento da expectativa de vida. · Encurtamento de telômeros e senescência celular contribuem para o aumento de mutações. Exposição a fatores de risco: · Tabagismo, álcool, radiação, agentes químicos, dieta e infecções virais. 2. Diagnóstico Exames diagnósticos: · Biópsias e exames de imagem (tomografia, ressonância, ultrassonografia). Testes moleculares: · Identificação de mutações específicas (ex.: KRAS, EGFR). · Avaliação de marcadores tumorais (ex.: alfa-fetoproteína, PSA). 3. Envelhecimento Celular Encurtamento de telômeros: · Limita o número de divisões celulares. · Associado ao envelhecimento e transformação maligna. Perda de genes supressores de tumor: Ex.: p53, RB. Alterações na senescência celular: · Células param de se dividir, mas continuam metabolicamente ativas. Alterações metabólicas: · Efeito Warburg: preferência por glicólise mesmo na presença de oxigênio. Clivagem de proteínas reguladoras: Ex.: proteínas oncofetais como alfa-fetoproteína e CEA. 4. Marcadores Tumorais Proliferação celular descontrolada: · Proteínas associadas ao ciclo celular (ex.: Ki-67). Proteínas oncofetais: · Associadas ao prognóstico e recidiva (ex.: alfa-fetoproteína no câncer de fígado). Marcadores específicos para cada tipo de tumor: Mama: HER2, CA 15-3. Próstata: PSA. Fígado: Alfa-fetoproteína (AFP). Colo-retal: CEA. Ovário: CA 125. 5. Características do Câncer Produção autônoma de proteínas: · Células cancerosas sintetizam proteínas que promovem crescimento. Autonomia de crescimento: · Desregulação de fatores como EGF (fator de crescimento epidérmico). Células imortais: · Telomerase ativa impede o encurtamento dos telômeros. Bloqueio da apoptose: · Resistência a sinais que induzem a morte celular programada. 6. Progressão Tumoral Tumor in situ: · Crescimento localizado, sem invasão de tecidos adjacentes. Tumor invasivo: · Invade tecidos e dissemina-se pelo corpo (metástase). 7. Prognóstico Câncer de fígado: · Alfa-fetoproteína associada à recidiva. Fatores determinantes do prognóstico: · Estadiamento, tamanho do tumor, presença de metástase, e marcadores moleculares. · (metástase). 8. Glypican-3 (GPC3) · Glipican-3 (GPC-3) é proteoglicano de sulfato de heparan, que fica associado a membrana e tem funções de proliferação, diferenciação e migração celular especificamente durante o período embrionário. · Em tumores sólidos esse marcador é considerado um oncogene, além de quer ele encontra- se no cacinoma hepotocelular. · Alguns estudos relataram que os níveis de mRNA de glipicano-3 (GPC3) são significativamente elevados na maioria dos carcinomas hepatocelulares em comparação com o fígado normal e lesões hepáticas não malignas. reações de hipersensibilidade HIPERSENSIBILIDADE Reações imunológicas exageradas que causam danos teciduais. Classificação (Gell e Coombs) Tipo I – Imediata (alérgica) Mediador principal: IgE. Células envolvidas: Mastócitos, eosinófilos basófilos. Exemplo: Rinite alérgica, asma, anafilaxia. Mecanismo: · Exposição ao alérgeno. · Sensibilização com produção de IgE. · Degranulação dos mastócitos na reexposição → liberação de histamina. Manifestações clínicas: Prurido, urticária, edema, choque anafilático. Anafilaxia- É uma reação de hipersensibilidade imediata sistêmica caracterizada por edema em muitos tecidos e uma diminuição da pressão sanguínea, secundária e vasodilatação. Nesse problema, os alérgenos vão ativar os mastócitos em vários tecidos, que vão gerar uma reação de hipersensibilidade mais grave, como a edema de glote, podendo ser fatal. Vias: 1° mediado por igE ou não IgE, 2° Por citocinas, 3° perfil mixado (envolve mais de um) e 4° complemento. Mediadores envolvidos na anafilaxia Histamina: Provoca vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular, broncoconstrição e coceira. Prostaglandinas e leucotrienos: Intensificam a inflamação, causando broncoconstrição prolongada e edema. Citocinas: Ampliam a resposta inflamatória. Tipo II – Citotóxica Mediador principal: IgG e IgM. Alvo: Antígenos ligados à superfície celular. Exemplo: Anemia hemolítica autoimune, Doença de Graves (afeta tireoide), púrpura trombocitopênica imune. Mecanismo: · Ligação de anticorpos às células. · Ativação do complemento e fagocitose → destruição celular. Tipo III – Imunocomplexos Mediador principal: Complexos antígeno-anticorpo (IgG ou IgM). Exemplo: Lúpus eritematoso sistêmico (LES), artrite reumatoide, glomerulonefrite pós-estreptocócica. Mecanismo: · Formação de imunocomplexos. · Deposição em tecidos. · Ativação do complemento → inflamação tecidual. Manifestações clínicas: Inflamação, dano vascular. Tipo IV – Tardia ou mediada por células Mediador principal: Linfócitos T (CD4+ e CD8+). Exemplo: Dermatite decontato, tuberculose, rejeição de transplante. Mecanismo: · Ativação de linfócitos T. · Liberação de citocinas pró-inflamatórias. · Recrutamento de macrófagos e outras células → dano tecidual. Tempo de resposta: 24-72 horas após exposição. Características Comparativas Tipo Mediador Principal - Tempo de Resposta- Exemplo Clínico I – Imediata IgE - Segundos a minutos - Anafilaxia, rinite alérgica II – Citotóxica IgG, IgM – Horas - Anemia hemolítica autoimune III – Imunocomplexos- Horas a dias - Lúpus, glomerulonefrite IV – Tardia Linfócitos T - Dias (24-72h) -Dermatite de contato, tuberculose Tratamentos Tipo I: Antihistamínicos, corticoides, adrenalina (anafilaxia). Tipo II: Imunossupressores, plasmaférese. Tipo III: Corticoides, imunossupressores. Tipo IV: Corticoides tópicos ou sistêmicos, imunomoduladores. testes imunologicos 1. Introdução aos Testes Imunológicos Definição: Técnicas usadas para detectar ou medir componentes do sistema imunológico. Finalidade: Diagnóstico, monitoramento de doenças, estudos epidemiológicos. Classificação: Qualitativos e quantitativos. 2. Princípios Básicos Reação antígeno-anticorpo. Sensibilidade e especificidade. Uso de marcadores (enzimáticos, fluorescentes, radioativos). 3. Tipos de Testes Imunológicos 3.1 Testes Sorológicos Pesquisa de anticorpos ou antígenos no soro. Exemplos: · Teste de Aglutinação. · Imunofluorescência. · Western Blot. 3.2 Testes Baseados em Imunofixação Eletroforese de proteínas. Aplicação em gamopatias monoclonais. 3.3 Testes de Imunoensaio (Immunoassays) ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay). RIA (Radioimunoensaio). CLIA (Imunoensaio por quimioluminescência). 3.4 Testes Rápidos Testes imunocromatográficos. Uso em diagnóstico de doenças infecciosas (ex.: COVID-19, dengue). 3.5 Citometria de Fluxo Avaliação de populações celulares específicas. Aplicação: HIV, leucemias, imunodeficiências. 3.6 Imunohistoquímica Detecção de antígenos em tecidos. Usado em patologias tumorais. 3.7 Testes de Neutralização Bloqueio da interação entre vírus e células. Exemplo: Teste de PRNT (Plaque Reduction Neutralization Test). 4. Aplicações Clínicas Diagnóstico de doenças autoimunes (ex.: lúpus, artrite reumatoide). Diagnóstico de doenças infecciosas (ex.: HIV, hepatites). Monitoramento imunológico (ex.: imunossupressão em transplantes). Diagnóstico de alergias (teste de IgE específica). 5. Vantagens e Limitações Vantagens: · Alta sensibilidade e especificidade. · Rapidez em testes automatizados. Limitações: · Reações cruzadas. · Necessidade de equipamentos sofisticados em alguns casos.