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ESTRESSE E ADOECIMENTO

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ESTRESSE E ADOECIMENTO
PROFESSORA: MÁRCIA CANDELARIA
DISCIPLINA: PSICOSSOMÁTICA
INTRODUÇÃO
O conceito de estresse tem sido amplamente utilizado nos dias atuais, chegando mesmo a tornar-se parte do senso comum.
O estresse passou a ser responsável por quase todos os males que nos afligem atualmente, principalmente em decorrência da vida moderna. 
Crescimento de terapêuticas e de programas voltados para o controle do estresse. 
INTRODUÇÃO
Cresceu o interesse econômico em torno do estresse, que pode ser observado tanto na indústria farmacêutica, que vem fabricando numerosos produtos para combatê- lo.
O estresse está relacionado às queixas de aproximadamente dois terços das consultas médicas.
Além disso, há um elevado índice de absenteísmo e de licenças médicas nas organizações. 
Estresse
Os autores brasileiros Júlio de Mello Filho e Mauro Diniz Moreira (1992) discutem a importância do estado emocional dos pacientes na evolução de doenças infecciosas e neoplásicas.
O estresse, reação orgânica de origem psicofisiológica, surge a partir de agentes denominados estressores que se referem a "qualquer situação geradora de um estado emocional forte que leva a uma quebra da homeostase interna e exige alguma adaptação".
Estresse 
Estresse (físico, psicológico ou social) – como um "termo que compreende um conjunto de reações e estímulos que causam distúrbios no equilíbrio do organismo, frequentemente com efeitos danosos.“
Coping como um "conjunto de mecanismos de que o organismo lança mão em reação aos agentes do estresse, representando a forma como cada pessoa avalia e lida com estas agressões."
VISÃO BIOPSICOSSOCIAL DO ESTRESSE
“Uma relação particular entre uma pessoa, seu ambiente e as circunstâncias às quais está submetida, que é avaliada pela pessoa como uma ameaça ou algo que exige dela mais que suas próprias habilidades ou recursos e que põe em perigo o seu bem-estar“.
Estímulos estressores provenientes tanto do meio externo (estímulos de ordem física ou social, como o trabalho), quanto do interno (pensamentos, emoções, fantasias e sentimentos, como angústia, medo, alegria e tristeza).
CONCEITO
É uma reação do organismo (física e mental) a um esforço extremo ou importante.
Ativa processos hormonais e nervosos baseado em um estado de alerta, o que explica o aumento do ritmo cardíaco e do estado de vigilância.
CONCEITO
Uma resposta diante de uma situação considerada ameaçadora;
Esta resposta procura estabelecer a homeostase (equilíbrio) do organismos uma vez que tenha sido mobilizado para uma ação de “luta ou fuga”;
Essa resposta do organismos também pode ser provocada por emoções positivas, percebidas como excessivas;
O que desencadeia a ação é a avaliação que o organismo faz da situação;
O estresse não é apenas uma mera reação, mas sim um processo, pois trata-se de uma cadeia de reações cuja função é adaptar o organismo a uma condição ambiental;
TIPOS
Estressores: Os estímulos que desencadeiam uma reação de estresse.
Estresse agudo: Acontece no trabalho, escola, sequestro, assalto, problemas na família e a morte.
Estresse contínuo: Por um sofrimento constante - doenças mentais, crônicas e o câncer.
Eustress (stress bom):  É uma tensão positiva que nos motiva, agiliza e mobiliza. Melhora a função física ou mental, através do esforço ou do trabalho desafiador. Sempre relacionado a eventos desejáveis na vida.
Distress: Tipo de stress com implicações negativas (angústia) que levam a comportamentos adaptativos: agressividade, passividade, ou a depressão
Os estressores que duram muito tempo, podem provocar um grande desgaste para o organismo, e são raros no ambiente natural, mas não no ambiente humano;
Muitas vezes, o ser humano não conhece seus algozes (trânsito, trabalho, economia...);
Permanecer exposto aos estressores podem trazer afecções na esfera física (resfriados, úlceras, problemas cardíacos e psíquicos (depressão, ansiedade...)
A reação de estresse tem como objetivo mobilizar o organismo para solucionar a condição em que se encontra, considerando-se o contexto, as experiências anteriores e a biologia;
Modificamos o ambiente para que ele se adapte às nossas necessidades;
Nós mesmos criamos os eventos estressores que nos acometem.
A REAÇÃO DE ESTRESSE
O termo estresse já vem sendo utilizado desde o século XVII, sua aplicação relacionada a uma condição fisiológica teve início em fins do século XIX, com Claude Bernad;
Experimentos com gatos evidenciaram que havia uma resposta do organismo (liberação de adrenalina) quando expostos a um evento estressor (cão) – as modificações corporais estavam diretamente ligadas ao fator psicológico “ameaça”.
SGA
Hans Selye foi o primeiro estudioso que tentou definir estresse, atendo-se à sua dimensão biológica.
O estresse é um elemento inerente a toda doença, que produz certas modificações na estrutura e na composição química do corpo, as quais podem ser observadas e mensuradas.
Demonstrou através de experimentos que a exposição a fatores estressantes era acompanhada de aumento na liberação de corticosteróides, aparecimento de úlceras pépticas, hipertrofia do córtex das glândulas adrenais e involução dos órgão imunes.
O estresse é o estado que se manifesta através da Síndrome Geral de Adaptação (SGA).
SGA
Selye mostrou que a reação de estresse possui três níveis de manifestação:
1) fase de alerta: há uma excitação do sistema nervoso simpático;
2)fase de resistência: há uma liberação do hormônio corticosteróide cortisol;
3)fase de exaustão: aparecem as doenças decorrentes da incapacitação do sistema imunológico.
FISIOLOGIA DO STRESS
Consiste na ativação do sistema hormonal hipófise hipotálamo (com a secreção do hormônio adrenocorticotrófico), que ativa a  glândula supra-renal, desencadeando uma secreção de hormônios glicocorticóides, como cortisol (formado a partir do ACTH). O cortisol aumenta a quebra de proteínas nos músculos, ossos e nos tecidos linfáticos, além de inibir a síntese protéica. O que faz com que aumente o nível de aminoácidos no sangue, que são utilizados pelo fígado para produção de glicose, aumentando o nível de açúcar no sangue.
O sistema simpático (que permite ao corpo estar acordado e próximo ao estresse), com o conhecido hormônio adrenalina, é igualmente fortemente ligado no desenvolvimento do estresse.
O estresse agudo tem como principal consequência o aumento da eficiência do sistema imune pela maior mobilização de leucócitos na pele; já o estresse crônico pode suprimir essa resposta pela ação do cortisol sobre as citocinas (moléculas).
Principais sintomas do estresse no organismo
Aumento da pressão arterial
 Falta de concentração
 Dor de cabeça
 Nervosismo
 Insônia
 Alergia
 Isolamento
 Memória fraca
Irritação
 Ansiedade
 Tique nervoso
 Desmotivação
 Diminuição dos glóbulos vermelhos
 Indigestão
 Queda de cabelo
 Taquicardia
 Ganho ou perda de peso
Reação ao estresse
A resposta ao evento estressor depende da interpretação que o organismo dá ao evento que dependerá de:
Das suas experiências anteriores ao evento;
Do contexto em que ocorre o evento;
Das suas características de personalidade.
Se o evento é considerado ameaçador, o circuito neural das respostas de luta e fuga é ativado.
Reação ao estresse
Em termos neurofisiológicos, a resposta de estresse pode ser considerada também como uma resposta emocional;
EFEITOS DA CRONICIDADE DO ESTRESSE:
Desativação de funções como sexuais ou digestivas – superestimulação de outras;
Respostas iniciais: aumento da capacidade de memória e das funções sensoriais e perceptivas, além do aumento da euforia;
EFEITOS DA CRONICIDADE DO ESTRESSE
A cronicidade desse estado pode diminuir sensivelmente as mesmas funções, provocando efeitos contrários, como perda de memória e disforia;
Pode ainda ocorrer infertilidade, aumento da pressão arterial, inibição do crescimento, danos musculares e diminuição da resposta imunológica;
Esta intimamente relacionado a doenças cardíacas, ao diabetes, doenças da tireoíde e transtornos psiquiátricos.
EFEITOSDA CRONICIDADE DO ESTRESSE
Estresse crônico também está relacionado à diminuição da resposta de cicatrização;
Crianças que passaram por algum abuso infantil (físico ou sexual) tem maior probabilidade de desenvolver transtornos como o de personalidade boderlaine e antissocial, transtorno de conduta, hiperatividade e déficit de atenção, estresse pós-traumático e problemas de aprendizagem.
PSICONEUROIMUNOLOGIA
A partir de 1980 – concepção apoiada numa visão integrada em que se reconhece que o sistema imunológico interage com outros sistemas sendo sensível à regulação dos sistemas nervoso e endócrino.
É o campo científico que investiga as ligações entre o cérebro, o comportamento e o sistema imunológico, bem como as implicações que estas ligações têm para a saúde física e a doença.
Os estressores psicossociais diminuem a eficiência do sistema imunológico o que leva ao aumento de sintomas médicos (risco de uma doença). 
Pesquisas em Psiconeuroimunologia
Fatores psicossociais que afetam o sistema imune - estados emocionais; o tipo e a intensidade de stress que a pessoa está a enfrentar, as características de personalidade e a qualidade das relações sociais.
Em alguns estudos clássicos (acontecimentos de vida e saúde) foi verificado que o ajustamento a acontecimentos de vida associado a estresse prolongado, como casamento, divórcio, problemas no emprego, morte, catástrofes naturais ou provocadas por erros humanos conduz a uma diminuição da saúde dos protagonistas ou vítimas destes problemas (e.g. Holmes & Rahe, 1967; Kanner, Coyne, Schaefer & Lazarus, 1981; Dohrenwend, 1982).
Pesquisas em Psiconeuroimunologia
A mudança imunológica é mediada por fatores como a ativação do SNC, a resposta hormonal e a mudança comportamental, em função das características e estados psicológicos. As ligações entre o SNC e o sistema imunológico foram identificadas.
Os resultados dos diferentes estudos sobre o efeito do stress em contexto naturalista sugerem que, face a situações de stress, o sistema imunológico exibe sinais de diminuição de competência. Para além disso, os estudos em que foi realizado um desafio ao sistema imunológico (com inoculação de vírus) revelaram de forma consistente que os processos infecciosos eram mais prováveis nos sujeitos com maior experiência de stress.
Pesquisas em Psiconeuroimunologia
O contexto laboratorial é extremamente relevante em psiconeuroimunologia uma vez que cria situações estandardizadas em que são controlados fatores potencialmente mediadores (diferenças individuais em outras respostas fisiológicas; efeito do suporte social, etc.,). 
Entre as tarefas utilizadas, contam-se exercícios de aritmética, tarefa de stroop, exposição pública ou exposição a ruídos intensos e incontroláveis. Os resultados dos estudos têm revelado que a participação nestas situações altera o número e a função de um grande número de células do sistema imunológico, diminuindo a imunocompetência.
Pesquisas em Psiconeuroimunologia
A associação entre a depressão clínica e a imunossupressão foi estabelecida há muito tempo.
 Herbert e Cohen (1993), numa meta-análise de 40 estudos sobre a relação entre depressão clínica e sistema imunológico, verificaram que os resultados são consistentes e permitem concluir que as pessoas com depressão exibem uma menor resposta de proliferação dos linfócitos; menor atividade dos linfócitos NK; e um menor número de células NA, B, T, T auxiliadoras e T Supressoras / Citotóxicas.
Pesquisas em Psiconeuroimunologia
A relação entre funcionamento imunológico e estados associados ao processo de luto foi igualmente estudado, no contexto do estudo do efeito de estados emocionais negativos sobre o sistema imunológico. Os estudos realizados com pessoas em processo de luto permitiram concluir que o seu sistema imunológico está afetado: foi verificado que as mulheres que tinham ficado viúvas recentemente tinham uma diminuição na função das células T (Bartrop, Lazarus, Luchurst, Kiloh & Penny, 1977); ou uma atividade proliferativa inferior de NK do que as esposas de homens saudáveis (Schleifer, Keller, Camerino, Thornton, & Stein, 1983; Irwin, Daniels, Smith, Bloom & Weiner, 1987a).
Pesquisas em Psiconeuroimunologia
Há muito tempo que se tem associado características da personalidade com a saúde, mas não são muitos os estudos realizados diretamente sobre o efeito de características da personalidade sobre o funcionamento do sistema imunológico. 
A tendência para o desânimo e o estilo pessimista foi relacionado com um pior funcionamento do sistema imunológico (e.g. Kamen-Siegel, Robin, Seligman, Dwyer & 1991), mas a característica de personalidade mais estudada tem sido a repressão/negação.
Pesquisas em Psiconeuroimunologia
O efeito da repressão das emoções negativas tem vindo a ser salientado nos modelos psicossomáticos. Schwartz (1990), por exemplo, relacionou a repressão de emoções negativas com a susceptibilidade à doença e vários autores sugeriram que a supressão de emoções negativas potencia o risco de câncer.
Garssen e Goodkin (1999), verificaram que repressão de emoções negativas e o baixo suporte social (dois fatores que podem ocorrer associados) eram, para além da tendência para o desânimo, fatores de risco para o câncer. 
Pesquisas em Psiconeuroimunologia
Os sujeitos introvertidos são mais susceptíveis de contrair infecções respiratórias superiores após uma exposição viral (Broadbent, Broadbent, Phillpots, Wallace & 1984; Totman, Kiff, Reedy & Craig, 1980) e têm mais infecções periodontais (Manhold, 1953; cit. por Cohen, 1994) .
Em suma, algumas características da personalidade, especialmente relacionados com a utilização de estratégias repressivas para lidar com os problemas e emoções parecem estar relacionadas com mais problemas imunológicos. 
O efeito do suporte social
O estudo da relação entre suporte social e saúde tem uma longa história, e alguns estudos prospectivos mostraram mesmo que a longevidade está relacionada com a pertença a grupos sociais fortes, sendo a percepção de suporte social um fator protetor face a estressores.
Os sujeitos com mais suporte são mais saudáveis, têm menos probabilidade de ficar emocionalmente afetados e de ficar fisicamente doentes (Cohen & Willis, 1985). 
Em suma, como concluem McGuire e Kiecolt-Glaser (2000), as relações interpessoais positivas estão relacionadas com menores níveis de hormonais de stress (e.g. cortisol, catecolaminas), melhor resposta do sistema imunológico, e diminuição do risco de contrair vários tipos de infecção. 
Acontecimentos de vida, construção de significados e saúde 
As experiências traumáticas são uma ameaça aos esquemas com que a pessoa organiza o mundo e a si próprio, pondo em causa as suas crenças básicas sobre a existência de um mundo previsível e a sua dignidade e eficácia como participante da sociedade. Para lidar com essa ameaça é necessário reformular estas ideias e redefinir a si próprio e ao seu mundo. Isto implica um trabalho ativo de pensar quer sobre o acontecimento, quer sobre os pensamentos e sobre as emoções a ele associado (cf. Harber & Pennebaker, 1992). 
Acontecimentos de vida, construção de significados e saúde 
Bower, Kemeny, Taylor e Fahey (1998) sugerem que pensar/elaborar sobre um acontecimento estressante pode aumentar o sentido de mestria e a probabilidade de a pessoa sentir que tem controlo sobre a sua vida, aumentando a autoestima. Para estes autores encontrar um significado positivo para as experiências difíceis é um dos resultados potenciais deste processamento.
Em suma, alguns estudos sugerem que face a experiências que dasafiam as concepções com que o sujeito antes organizava o mundo, a capacidade de dar um significado positivo à experiência parece estar relacionada com efeitos positivos a nível da saúde e do sistema imunológico. 
Para finalizar
Se o estresse está relacionado com problemas imunológicos, parece óbvio que as estratégias que procuram reduzir o estresse terão um efeito positivo sobre o seu funcionamento. Estudos sobre o efeito do relaxamento, gestãodo estresse, e grupos de suporte mostraram que estas atividades têm um efeito positivo sobre a saúde (cf. Cohen & Herbert, 1996); e alguns estudos mostraram um impacto positivo direto sobre o sistema imunológico.
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