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SIMULADO
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CLÍNICA MÉDICA
CLÍNICA MÉDICA
CLÍNICA MÉDICA
Questão 1 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Bruna Savioli
Cadeira médica: Clínica Médica
Especialidade: Pneumologia
Tema: Tuberculose pulmonar
Tópico:
Enunciado: Paciente, sexo masculino, 32 anos, com diagnóstico recente de infecção pelo HIV (CD4 =
40 células/mm³) e tuberculose pulmonar confirmada por TRM-TB, inicia esquema RIPE. Assinale a
conduta correta quanto ao início da terapia antirretroviral (TARV).
a. Iniciar a TARV no mesmo dia do início do RIPE, independentemente da contagem de CD4.
b. Iniciar a TARV em até 2 semanas após o início do RIPE.
c. Iniciar a TARV em até 8 semanas após o início do RIPE, independentemente da contagem de
CD4.
d. Postergar a TARV até a conclusão do tratamento da tuberculose.
Gabarito: B
Comentários: Na coinfecção TB-HIV, o momento de início da TARV é definido pelo grau de
imunossupressão e pela forma clínica da TB. Em pacientes com CD4 2
cm, e o aumento progressivo do hematócrito associado a queda rápida de plaquetas — muitas vezes
acompanhado de hipotensão postural/lipotimia. Grupo A: hidratação oral domiciliar. Grupo B:
hemograma obrigatório e hidratação oral supervisionada. Grupo C: internação e hidratação venosa.
Grupo D: UTI e expansão rápida com cristaloide.
Alternativa A: Incorreta. A paciente apresenta sinal de alarme (lipotimia/hipotensão postural)
associado a hemoconcentração relativa e plaquetopenia — achados incompatíveis com Grupo A.
Alternativa B: Incorreta. O Grupo B é reservado para pacientes sem sinais de alarme. A lipotimia
associada à queda de plaquetas e hematócrito em ascensão já reclassifica o caso para Grupo C.
Alternativa C: Correta. A lipotimia (sinal de alarme formal) somada ao padrão laboratorial
de hemoconcentração e plaquetopenia progressiva define Grupo C, com indicação de internação e
hidratação venosa conforme fluxograma específico.
Alternativa D: Incorreta. Não há critérios de choque estabelecido, o que exclui Grupo D. Além disso,
mesmo no Grupo D, a expansão rápida inicial é feita com solução cristaloide, e não coloide.
Questão 3 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Bruna Savioli
Cadeira médica: Clínica Médica
Especialidade: Reumatologia
Tema: Lombalgia mecânica
Tópico:
Enunciado: Paciente do sexo masculino, 50 anos, obeso, sedentário, hipertenso e diabético (sem
outras comorbidades, em bom controle clínico), procura atendimento com dor lombar de início há 2
dias, associada a esforço físico intenso não habitual. Refere dor em região lombar baixa, sem
irradiação para membros inferiores, com caráter protocinético, sem outros achados. Ao exame: dor à
palpação de musculatura paravertebral lombar, Lasègue negativo bilateralmente. Assinale a conduta
mais adequada.
a. Solicitar ressonância magnética de coluna lombar para avaliação do quadro, indicar repouso
relativo no leito por 5 dias e iniciar AINE.
b. Solicitar radiografia simples de coluna lombar para investigação inicial antes de definir a
conduta terapêutica.
c. Orientar manutenção das atividades habituais conforme tolerado, prescrever AINE por curto
período e orientar sinais de alarme para retorno.
d. Prescrever opioide fraco como analgésico de primeira linha, associado a repouso absoluto até
resolução completa da dor.
Gabarito: C
Comentários: A lombalgia mecânica aguda (ou lombalgia inespecífica) é a causa mais comum de dor
lombar e tipicamente ocorre em contexto de esforço físico, tem caráter mecânico/protocinético e não
se acompanhada de sinais de alarme (febre, perda ponderal, história de neoplasia, trauma significativo,
déficit neurológico progressivo, disfunção esfincteriana). Na ausência desses sinais, não há indicação de
exame de imagem na fase inicial (até 4-6 semanas). O tratamento de escolha é manter o paciente
ativo, com AINE por curto período e orientações sobre sinais de alarme para retorno.
Alternativa A: Incorreta. Não há indicação de RM na ausência de sinais de alarme. Repouso relativo
por 5 dias é conduta ultrapassada: a orientação atual é manter atividade conforme tolerado.
Alternativa B: Incorreta. Radiografia simples também não é indicada na fase aguda sem sinais de
alarme; tem baixa sensibilidade para as principais causas de dor lombar mecânica.
Alternativa C: Correta. Reflete a diretriz atual: manter atividades habituais conforme tolerância,
AINE por curto período e orientação clara sobre sinais de alarme que justificariam reavaliação e
investigação.
Alternativa D: Incorreta. Opioides não são primeira linha na lombalgia mecânica aguda. Repouso
absoluto também é contraindicado pelo mesmo motivo já discutido.
Questão 4 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Bruna Savioli
Cadeira médica: Clínica Médica
Especialidade: Oftalmologia
Tema: Emergências oftalmológicas
Tópico:
Enunciado: Paciente do sexo masculino, 28 anos, trabalhador em marcenaria, é trazido ao pronto-
socorro após relatar sensação de "algo entrando no olho" enquanto operava uma serra elétrica sem
proteção ocular adequada, há cerca de 1 hora. Refere dor ocular intensa,30 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Lygia Lauand
Cadeira médica: Pediatria
Especialidade: Pediatria
Tema: Vasculite por IgA
Tópico: Vasculite por IgA
Enunciado: Criança de 6 anos, em acompanhamento por vasculite por IgA diagnosticada há 3 semanas
(púrpura palpável em membros inferiores, artralgia e dor abdominal, já resolvidas), retorna à consulta de
seguimento apresentando hematúria macroscópica associada a proteinúria em faixa nefrótica e elevação
discreta da creatinina sérica em relação ao valor basal. Em relação ao acometimento renal e ao seguimento
da vasculite por IgA, assinale a alternativa correta:
a. A biópsia renal está indicada em todos os casos de vasculite por IgA, independentemente da gravidade do
acometimento renal, para estadiamento histológico precoce e universal.
b. Uma vez resolvido completamente o quadro cutâneo e articular, o seguimento com exame de urina e aferição
da pressão arterial pode ser interrompido, pois o risco de nefrite associado à vasculite por IgA se restringe ao
período de manifestação purpúrica ativa.
c. A presença de proteinúria em faixa nefrótica, síndrome nefrítica ou redução da função renal constitui indicação
de avaliação nefrológica e de biópsia renal. Crianças com vasculite por IgA devem ser monitoradas com aferição
da pressão arterial e exame de urina após o episódio agudo, mesmo quando não apresentam alterações
urinárias inicialmente; na presença de nefrite significativa, como no caso apresentado, é necessário seguimento
nefrológico prolongado.
d. A intussuscepção associada à vasculite por IgA é tipicamente do tipo ileocólica, idêntica em localização e
apresentação à intussuscepção idiopática da infância, não havendo particularidades quanto à sua localização
anatômica nesse contexto.
Gabarito: C
Alternativa A: Incorreta. A biópsia renal não é indicada rotineiramente em todas as crianças com vasculite
por IgA. A maioria apresenta ausência de acometimento renal ou alterações urinárias leves e transitórias,
que podem ser acompanhadas clinicamente. A biópsia é reservada para manifestações renais significativas
ou persistentes, como proteinúria importante, síndrome nefrótica ou nefrítica e comprometimento da
função renal.
Alternativa B: Incorreta. O desaparecimento da púrpura, da artralgia e dos sintomas gastrointestinais não
elimina o risco de desenvolvimento posterior de nefrite. O acometimento renal pode surgir após a resolução
das manifestações extrarrenais. Por esse motivo, crianças com vasculite por IgA devem manter
acompanhamento periódico com aferição da pressão arterial e avaliação da urina mesmo quando não
apresentam alterações renais inicialmente.
Alternativa C: Correta. O acometimento renal é o principal determinante do prognóstico em longo prazo da
vasculite por IgA. Manifestações como proteinúria em faixa nefrótica, síndrome nefrítica e redução da
função renal justificam avaliação nefrológica e podem indicar biópsia renal para determinação da gravidade
e orientação terapêutica. Como a nefrite pode surgir semanas ou meses após o início da doença,
recomenda-se acompanhamento com pressão arterial e exame de urina.
Alternativa D: Incorreta. A intussuscepção é uma complicação gastrointestinal conhecida da vasculite por
IgA, relacionada ao edema e à hemorragia da parede intestinal. Diferentemente da intussuscepção
idiopática da infância, predominantemente ileocólica, na vasculite por IgA há maior frequência de
intussuscepções envolvendo exclusivamente o intestino delgado, especialmente do tipo íleo-ileal. Esse
aspecto pode dificultar o diagnóstico e deve ser considerado diante de dor abdominal intensa ou
recorrente.
GINECOLOGIA OBSTETRÍCIA
GINECOLOGIA &
OBSTETRÍCIA
Questão 31 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professora/autora: Naira Scartezzini Senna
Cadeira médica: Ginecologia e Obstetrícia
Especialidade: Ginecologia
Tema: Miomatose uterina
Tópico: Diagnóstico
Enunciado: Uma mulher de 32 anos procura atendimento em Unidade Básica de Saúde (UBS)
com queixa de aumento do fluxo menstrual há aproximadamente 8
meses, associado a cólicas e sensação de peso pélvico. Nega possibilidade de gestação.
Ao exame ginecológico, observa-se útero aumentado de volume, com
contornos irregulares e consistência
endurecida. Ultrassonografia transvaginal identifica três nódulos miometriais hipoecoicos bem delimi
tados, sendo o maior deles com 4,5cm e componente submucoso.
Considerando o quadro apresentado, qual é o diagnóstico mais provável?
a. Adenomiose
b. Leiomioma uterino
c. Pólipo endometrial
d. Hiperplasia endometrial
Gabarito: B
Comentários: Os leiomiomas são tumores benignos originados da musculatura lisa do miométrio e po
dem apresentar localização submucosa, intramural ou subserosa.
As manifestações clínicas dependem principalmente do número, tamanho e localização dos
nódulos. Leiomiomas com componente submucoso apresentam associação
particularmente importante com sangramento uterino anormal.
Alternativa A: Incorreta. A adenomiose pode causar aumento do
volume uterino, dismenorreia e sangramento uterino anormal, porém geralmente produz útero glob
oso e alterações miometriais difusas, e não múltiplos nódulos bem delimitados.
Alternativa B: Correta. O aumento uterino de contornos irregulares associado a
nódulos miometriais bem delimitados é característico de leiomiomatose uterina.
Alternativa C: Incorreta. O pólipo endometrial
é uma lesão focal intracavitária e não justifica o aumento irregular do volume uterino nem os
múltiplos nódulos miometriais.
Alternativa D: Incorreta. A hiperplasia endometrial corresponde à proliferação
das glândulas endometriais e pode manifestar-se com sangramento uterino anormal,
mas não produz nódulos miometriais.
GINECOLOGIA & OBSTETRÍCIA
Questão 32 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professora/autora: Naira Scartezzini Senna
Cadeira médica: Ginecologia e Obstetrícia
Especialidade: Ginecologia
Tema: Endometriose
Tópico: Fisiopatologia
Enunciado: Uma mulher de 27 anos procura ambulatório de
Ginecologia por dor pélvica cíclica progressiva e dispareunia de profundidade.
Refere tentativa de gestação há 18 meses, sem sucesso. Ao exame ginecológico,
apresenta dor à mobilização uterina e espessamento doloroso na
região dos ligamentos uterossacros. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual
dos mecanismos abaixo melhor explica a doença?
a. Implantação de tecido endometrial funcional fora.da cavidade uterina, associada a processo inf
lamatório crônico.
b. Proliferação monoclonal.da musculatura lisa uterina estimulada por esteroides sexuais
c. Infecção ascendente polimicrobiana do trato genital superior.
d. Proliferação endometrial decorrente de exposição estrogênica
sem oposição adequada da progesterona.
Gabarito: A
Comentários: A endometriose é uma doença inflamatória crônica, estrogênio-
dependente, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora
da cavidade uterina. Dor pélvica cíclica, dispareunia profunda
e infertilidade constituem manifestações clássicas, embora a apresentação clínica seja variável.
Alternativa A: Correta. A presença ectópica de tecido semelhante ao endométrio
desencadeia inflamação, fibrose e aderências, contribuindo para dor e
comprometimento da fertilidade.
Alternativa B: Incorreta. Essa descrição corresponde à fisiopatologia dos leiomiomas uterinos.
Alternativa C: Incorreta.
A infecção ascendente do trato genital está relacionada à doença inflamatória pélvica, que constitui d
iagnóstico diferencial de dor pélvica.
Alternativa D: Incorreta.
A exposição estrogênica sem oposição progestagênica está relacionada principalmente ao desenvolvi
mento de hiperplasia endometrial.
Questão 33 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professora/autora: Naira Scartezzini Senna
Cadeira médica: Ginecologia e Obstetrícia
Especialidade: Ginecologia
Tema: Climatério
Tópico: Espessamento endometrial
Enunciado: Uma mulher de58 anos, menopausada há 7anos, procura ambulatório de
Ginecologia após episódio de sangramento vaginal. Nega uso de terapia hormonal.
Ultrassonografia transvaginal demonstra espessura endometrial de 9 mm.
Considerando o quadro apresentado, qual é a conduta mais adequada?
a. Repetir a ultrassonografia transvaginal em 12 meses.
b. Iniciar progesterona e reavaliar o sangramento após 3 meses.
c. Solicitar investigação histológica do endométrio.
d. Considerar o achado fisiológico por se tratar de episódio isolado de sangramento.
Gabarito: C
Comentários: Todo sangramento uterino após a menopausa deve ser adequadamente
investigado, principalmente para exclusão de neoplasia endometrial. A ultrassonografia transvaginal
auxilia na estratificação inicial, e um endométrio espessado em paciente com sangramento pós-
menopausa indica investigação histológica.
Alternativa A: Incorreta. A presença de sangramento pós-
menopausa associada a espessamento endometrial não permite acompanhamento
ultrassonográfico isolado.
Alternativa B: Incorreta. O tratamento empírico com progestagênio antes
da investigação histológica pode retardar o diagnóstico de uma lesão endometrial relevante.
Alternativa C: Correta. A paciente apresenta sangramento pós-
menopausa e endométrio espessado, havendo indicação de avaliação histológica endometrial.
Alternativa D: Incorreta. Mesmo um único episódio de sangramento pós-
menopausa merece investigação, pois pode representar manifestação inicial de neoplasia
endometrial.
Questão 34 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professora/autora: Naira Scartezzini Senna
Cadeira médica: Ginecologia e Obstetrícia
Especialidade: Ginecologia
Tema: Doença Inflamatória Pélvica
Tópico: Conduta e critérios de internação
Enunciado: Uma mulher de 23 anos procura Unidade Básica de Saúde (UBS)
solicitando contracepção. Apresenta enxaqueca com aura desde a adolescência,
sem outras comorbidades. Nega tabagismo e apresenta pressão arterial de 110x70
mmHg. Deseja um método contraceptivo de elevada eficácia. Considerando as
condições clínicas apresentadas, qual das opções abaixo é a mais adequada?
a. Anticoncepcional oral combinado.
b. Adesivo contraceptivo combinado.
c. Anel vaginal combinado.
d. Dispositivo intrauterino com levonorgestrel.
Gabarito: D
Comentários: A enxaqueca com aura constitui contraindicação ao uso de contraceptivos hormonais
combinados devido ao aumento do risco de acidente vascular cerebral isquêmico
associado à exposição ao estrogênio. Métodos sem estrogênio podem
ser utilizados, devendo a escolha considerar eficácia, preferências
e características individuais da paciente.
Alternativa A: Incorreta. O anticoncepcional oral combinado contém estrogênio e
está contraindicado em pacientes com enxaqueca com aura.
Alternativa B: Incorreta. A contraindicação não depende da via de administração.
O adesivo também é um método hormonal combinado contendo estrogênio.
Alternativa C: Incorreta. O anel vaginal combinado também promove exposição estrogênica e
não deve ser utilizado nessa condição.
Alternativa D: Correta. O DIU com levonorgestrel não contém estrogênio, apresenta
elevada eficácia contraceptiva e pode ser utilizado em pacientes com enxaqueca com aura.
Questão 35 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professora/autora: Naira Scartezzini Senna
Cadeira médica: Ginecologia e Obstetrícia
Especialidade: Ginecologia
Tema: Patologia do Trato Genital Inferior
Tópico: Líquen escleroso
Enunciado: Uma mulher de 64 anos procura atendimento por prurido vulvar persistente há vários
meses. Ao exame ginecológico, observa-se área esbranquiçada, atrófica, envolvendo região vulvar e
perianal, associada a pequenas fissuras e apagamento parcial da arquitetura dos pequenos lábios. Não
apresenta corrimento vaginal. Considerando o quadro apresentado, qual é a conduta mais adequada?
a. Prescrever antifúngico tópico devido à provável candidíase vulvovaginal.
b. Orientar apenas uso de hidratantes vulvares e acompanhamento anual.
c. Iniciar estrogênio tópico como tratamento de primeira escolha.
d. Instituir tratamento com corticosteroide tópico de alta potência, mantendo
e. acompanhamento clínico.
Gabarito: D
Comentários: O líquen escleroso é uma dermatose inflamatória crônica que acomete
predominantemente a região anogenital e apresenta maior incidência após a menopausa. Prurido
intenso, placas esbranquiçadas, fissuras e alterações progressivas da arquitetura vulvar são achados
característicos. O tratamento de primeira linha é realizado com corticosteroide tópico de alta potência.
O acompanhamento prolongado é necessário em razão das recorrências e da associação com
carcinoma espinocelular vulvar.
Alternativa A: Incorreta. A candidíase costuma cursar com prurido e eritema
associados frequentemente a corrimento vaginal característico, não
justificando as alterações estruturais e as placas atróficas descritas.
Alternativa B: Incorreta. Medidas de proteção da pele podem ser utilizadas como adjuvantes,
mas são insuficientes como tratamento isolado do líquen escleroso.
Alternativa C: Incorreta. O estrogênio tópico pode ser indicado na síndrome
geniturinária da menopausa, mas não constitui tratamento de primeira linha do líquen escleroso.
Alternativa D: Correta. Os achados são típicos de líquen escleroso.
Corticosteroides tópicos de alta potência constituem o tratamento de escolha, associado ao seguimento
clínico devido ao risco de alterações cicatriciais e neoplasia vulvar.
Questão 36 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professora/autora: Naira Scartezzini Senna
Cadeira médica: Ginecologia e Obstetrícia
Especialidade: Obstetrícia
Tema: Doença Hipertensiva Específica da Gestação
Tópico: Pré-eclâmpsia
Enunciado: Uma gestante de 35 anos, com
34 semanas de gestação, procura maternidade por cefaleia intensa e
escotomas há algumas horas. Apresenta pressão arterial de 168x112 mmHg,
confirmada em nova aferição. Exames laboratoriais demonstram plaquetas de 92.000/mm³
e elevação das transaminases. A cardiotocografia fetal é tranquilizadora.
Considerando o quadro apresentado, qual é a conduta mais adequada?
a. Iniciar sulfato de magnésio, controlar a hipertensão grave e programar resolução da gestação
após estabilização materna.
b. Manter conduta expectante até 37 semanas, devido à preservação da vitalidade fetal.
c. Administrar anti-hipertensivo e aguardar normalização das alterações laboratoriais antes de
definir a conduta obstétrica.
d. Indicar cesariana imediatamente devido ao risco de eclâmpsia.
Gabarito: A
Comentários: A presença de hipertensão grave associada a sintomas neurológicos, plaquetopenia e
alteração das enzimas hepáticas caracteriza pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. Nessa situação,
deve-se priorizar a estabilização materna, incluindo prevenção de convulsões com sulfato de magnésio
e tratamento da hipertensão grave. Em gestação com 34 semanas, após estabilização materna, está
indicada a resolução da gestação.
Alternativa A: Correta. A paciente apresenta múltiplos critérios de gravidade. O sulfato de magnésio
está indicado para profilaxia da eclâmpsia, a hipertensão grave deve ser prontamente tratada e a
gestação deve ser resolvida após estabilização materna.
Alternativa B: Incorreta. A presença de sinais de gravidade contraindica a simples manutenção da
gestação até 37 semanas. A vitalidade fetal preservada não elimina o elevado risco materno.
Alternativa C: Incorreta. O tratamento anti-hipertensivo é necessário, mas não constitui isoladamente
o manejo adequado. Não se deve aguardar a normalização laboratorial para definir a resolução da
gestação.
Alternativa D: Incorreta. A resolução da gestação está indicada, porém a estabilização materna deve
preceder o procedimento sempre que possível. Além disso, a pré-eclâmpsia isoladamente não
determina obrigatoriamente a via cesariana.
Questão 37 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professora/autora: Naira Scartezzini Senna
Cadeira médica: Ginecologia e Obstetrícia
Especialidade: ObstetríciaTema: Ruptura Prematura de Membranas Ovulares
Tópico:
Enunciado: Uma gestante de 30 anos, com 33 semanas, procura pronto
atendimento por perda de líquido claro pela vagina há 5 horas.
O exame especular confirma saída de líquido amniótico pelo colo uterino.
A paciente está afebril, sem contrações, sem dor uterina e apresenta frequência cardíaca fetal de 145
bpm. Considerando o quadro apresentado, qual é a conduta mais adequada?
a. Realizar toques vaginais seriados para acompanhar possíveis modificações cervicais.
b. Indicar resolução imediata da gestação por cesariana devido ao risco de infecção ascendente.
c. Adotar manejo expectante, com vigilância materno-fetal, corticoterapia antenatal e
antibioticoterapia conforme protocolo.
d. Prescrever antibioticoterapia oral e liberar a paciente para acompanhamento ambulatorial.
Gabarito: C
Comentários: A ruptura prematura de membranas pré-termo exige avaliação da idade gestacional e
pesquisa de condições que indiquem resolução da gestação, como infecção intra-amniótica,
comprometimento fetal ou trabalho de parto. Na ausência dessas condições em gestação com 33
semanas, o manejo expectante busca prolongar a gestação com segurança e reduzir as complicações
relacionadas à prematuridade.
Alternativa A: Incorreta. Toques vaginais digitais repetidos devem ser evitados na ruptura prematura
de membranas, pois aumentam o risco de infecção e podem reduzir o período de latência.
Alternativa B: Incorreta. A ruptura de membranas isoladamente nessa idade gestacional não
determina cesariana imediata. Tanto o momento da resolução quanto a via de parto dependem das
condições maternas, fetais e obstétricas.
Alternativa C: Correta. Na ausência de sinais de infecção, trabalho de parto ou comprometimento
fetal, está indicado manejo expectante, associado à vigilância, corticoterapia antenatal e antibióticos
para prolongamento do período de latência.
Alternativa D: Incorreta. A paciente necessita acompanhamento obstétrico apropriado e vigilância
para infecção, trabalho de parto e alterações da vitalidade fetal, não sendo adequado simplesmente
liberá-la para acompanhamento ambulatorial.
Questão 38 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professora/autora: Naira Scartezzini Senna
Cadeira médica: Ginecologia e Obstetrícia
Especialidade: Obstetrícia
Tema: RCIU
Tópico: Diagnóstico
Enunciado: Uma gestante de 27 anos, com 30 semanas de gestação, apresenta altura
uterina menor que a esperada. Ultrassonografia evidencia peso fetal estimado abaixo do percentil 3
para a idade gestacional. A Dopplervelocimetria demonstra aumento da resistência da artéria umbilical
e redução da resistência da artéria cerebral média. Qual
é a interpretação mais adequada desses achados?
a. O padrão demonstra adequada adaptação placentária, sem evidências de comprometimento
fetal.
b. Os achados são compatíveis com insuficiência placentária e redistribuição do fluxo sanguíneo
fetal.
c. A redução da resistência da artéria cerebral média indica hiperperfusão cerebral fisiológica do
terceiro trimestre.
d. As alterações Dopplervelocimétricas confirmam anemia fetal como causa da restrição de
crescimento.
Gabarito: B
Comentários: Na restrição de crescimento fetal decorrente de insuficiência placentária, o aumento da
resistência vascular placentária produz alterações progressivas no Doppler da artéria umbilical. Como
mecanismo adaptativo à hipóxia, ocorre vasodilatação cerebral fetal, caracterizada pela redução da
resistência na artéria cerebral média, fenômeno conhecido como centralização ou redistribuição da
circulação fetal.
Alternativa A: Incorreta. O aumento da resistência da artéria umbilical indica comprometimento da
circulação placentária e não adaptação fisiológica.
Alternativa B: Correta. A associação entre aumento da resistência umbilical e vasodilatação cerebral é
compatível com insuficiência placentária acompanhada de redistribuição hemodinâmica fetal.
Alternativa C: Incorreta. A redução da resistência cerebral nesse contexto não representa fenômeno
fisiológico, mas uma resposta adaptativa fetal à redução da oferta de oxigênio.
Alternativa D: Incorreta. Na anemia fetal, a avaliação Dopplervelocimétrica utiliza principalmente o
aumento da velocidade sistólica máxima da artéria cerebral média. Os achados apresentados são
característicos de insuficiência placentária.
Questão 39 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professora/autora: Naira Scartezzini Senna
Cadeira médica: Ginecologia e Obstetrícia
Especialidade: Obstetrícia
Tema: Distócias
Tópico: Fatores de risco
Enunciado: Uma gestante de 25 anos, com 39 semanas, encontra-se no período
expulsivo. Após o desprendimento da cabeça fetal, observa-se dificuldade para liberação dos ombros.
São realizadas manobras apropriadas e o recém-nascido nasce em boas condições. Considerando essa
intercorrência obstétrica, qual fator está mais diretamente associado ao aumento do risco de sua
ocorrência?
a. Restrição de crescimento fetal
b. Oligoidrâmnio isolado
c. Apresentação pélvica
d. Macrossomia fetal
Gabarito: D
Comentários: A distocia de ombro ocorre quando, após o desprendimento da cabeça fetal, há
dificuldade para a liberação dos ombros, geralmente devido à impactação do ombro anterior atrás da
sínfise púbica. Embora seja uma emergência frequentemente imprevisível, alguns fatores aumentam
seu risco, especialmente macrossomia fetal, diabetes materno e antecedente de distocia de ombro.
Alternativa A: Incorreta. A restrição de crescimento fetal não constitui fator de risco típico para
distocia de ombro, uma vez que geralmente está associada a menor peso fetal.
Alternativa B: Incorreta. O oligoidrâmnio está associado a diferentes complicações obstétricas, mas
não constitui um dos principais fatores predisponentes para distocia de ombro.
Alternativa C: Incorreta. A distocia de ombro é uma complicação condicionada à apresentação cefálica,
após a exteriorização da cabeça fetal.
Alternativa D: Correta. A macrossomia aumenta o risco de incompatibilidade entre o diâmetro
biacromial fetal e a pelve materna, sendo um dos fatores de risco mais importantes para distocia de
ombro.
Questão 40 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professora/autora: Naira Scartezzini Senna
Cadeira médica: Ginecologia e Obstetrícia
Especialidade: Obstetrícia
Tema: Sangramento da segunda metade da gestação
Tópico: Placenta prévia
Enunciado: Uma gestante de 38 semanas apresenta sangramento vaginal súbito, vermelho vivo
e em quantidade moderada, sem dor abdominal. Ao exame, o útero apresenta tônus normal e
é indolor à palpação. A frequência cardíaca fetal é normal. Ultrassonografia realizada no
terceiro trimestre havia demonstrado placenta recobrindo o orifício
interno do colo uterino. Considerando o quadro apresentado, qual é a conduta correta durante a
avaliação inicial?
a. Realizar toque vaginal para avaliar dilatação cervical e intensidade do sangramento
b. Realizar amniotomia para reduzir o sangramento por compressão da apresentação fetal
c. Realizar manobra de Kristeller para avaliar a resposta fetal à compressão uterina
d. Evitar toque vaginal digital e realizar avaliação obstétrica considerando o diagnóstico de
placenta prévia
Gabarito: D
Comentários: A placenta prévia caracteriza-se pela implantação placentária no segmento uterino
inferior, podendo recobrir o orifício interno do colo. A apresentação típica é sangramento vaginal
vermelho vivo, geralmente indolor e recorrente, na segunda metade da gestação. Diante da suspeita
de placenta prévia, o toque vaginal digital deve ser evitado até que a localização placentária seja
conhecida, pois pode desencadear hemorragia grave.
Alternativa A: ncorreta. O toque vaginal digital está contraindicado diante da suspeita ou
confirmação de placenta prévia devido ao risco de provocar hemorragia materna importante.
Alternativa B: Incorreta. A amniotomia não constitui medida inicial para controle de sangramento e,
diantede placenta recobrindo o orifício cervical interno, não é possível de ser realizada.
Alternativa C: Incorreta. A manobra de Kristeller não possui indicação na avaliação da placenta
prévia e está proscrita.
Alternativa D: Correta. O quadro clínico e ultrassonográfico é compatível com placenta prévia. O
toque vaginal digital deve ser evitado, e a paciente deve ser avaliada quanto à estabilidade materna,
intensidade do sangramento, vitalidade fetal e necessidade de resolução da gestação.
SAÚDE COLETIVA
SAÚDE
COLETIVA
Questão 41 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Marcelo Gobbo Jr.
Cadeira médica: Saúde Coletiva
Especialidade: Vigilância em Saúde — Hanseníase
Tema: Doenças de notificação compulsória na Atenção Primária
Tópico: Diagnóstico clínico, classificação operacional e PQT-U
Enunciado: Homem, 29 anos, agricultor, procura a Unidade Básica de Saúde relatando mancha clara
no braço direito há cerca de 8 meses, que não coça e não melhorou com creme antifúngico usado
por conta própria. Nega febre, perda de peso, dor articular ou uso de medicamentos. Reside com a
esposa e dois filhos em município classificado como hiperendêmico para hanseníase. Ao
exame dermatoneurológico, observa-se placa única, hipocrômica, de bordas mal delimitadas,
medindo 6 cm no maior diâmetro, em face extensora do braço direito, com hipoestesia térmica e
dolorosa restrita à área da lesão e ausência de sudorese local. Não há espessamento de troncos
nervosos periféricos, alteração de força muscular ou outras lesões cutâneas. A baciloscopia de
raspado intradérmico resultou negativa. Diante desse quadro, a conduta adequada é:
a. Solicitar biópsia de pele e aguardar o laudo histopatológico antes de iniciar qualquer tratamento, uma
vez que a baciloscopia negativa afasta o diagnóstico clínico de hanseníase.
b. Iniciar poliquimioterapia única por 6 doses mensais supervisionadas, notificar o caso e realizar
exame dermatoneurológico de todos os contatos domiciliares dos últimos 5 anos.
c. Iniciar poliquimioterapia única por 12 doses mensais supervisionadas, por se tratar de
forma multibacilar, e encaminhar o paciente ao serviço de referência em dermatologia sanitária.
d. Repetir a baciloscopia em quatro sítios e, mantendo-se negativa, afastar hanseníase, tratar a lesão
como pitiríase versicolor e reavaliar o paciente em 3 meses.
SAÚDE COLETIVA
Gabarito: B
Comentários: O diagnóstico de hanseníase é essencialmente clínico e epidemiológico: lesão de pele
com alteração de sensibilidade e/ou espessamento de tronco nervoso com perda sensitivo -motora
e/ou baciloscopia positiva. A baciloscopia é complementar e negativa na maioria das
formas paucibacilares — nunca exclui o diagnóstico. A classificação operacional do Ministério da
Saúde considera paucibacilar (PB) o caso com até 5 lesões cutâneas, acometimento de no máximo
um tronco nervoso e baciloscopia negativa; e multibacilar (MB) o caso com mais de 5 lesões, mais de
um tronco nervoso acometido ou baciloscopia positiva. Desde 2021, ambos são tratados com
poliquimioterapia única (PQT-U: rifampicina, clofazimina e dapsona), variando apenas a duração: 6
doses mensais na forma PB e 12 doses na MB.
Alternativa A: Incorreta. A biópsia é exame complementar reservado a casos de dúvida diagnóstica;
retardar o início da PQT-U em um caso clinicamente definido mantém a cadeia de transmissão e o
risco de incapacidade neural.
Alternativa B: Correta. Lesão única, sem espessamento neural e com baciloscopia negativa
caracteriza forma paucibacilar: PQT-U por 6 doses mensais supervisionadas. A hanseníase é de
notificação compulsória semanal, e o exame dermatoneurológico dos contatos domiciliares e sociais
dos últimos 5 anos, com avaliação da indicação de BCG, é ação obrigatória de vigilância.
Alternativa C: Incorreta. O esquema de 12 doses aplica-se à forma multibacilar; o caso não preenche
nenhum dos critérios operacionais de MB. Além disso, casos sem complicações devem ser tratados e
acompanhados na própria Atenção Primária.
Alternativa D: Incorreta. A pitiríase versicolor não cursa com hipoestesia nem anidrose, e a repetição
da baciloscopia não altera a conduta em um caso com critério clínico já preenchido.
Referência: BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase, 2022; Guia de
Vigilância em Saúde, 6. ed., 2024.
Questão 42 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Marcelo Gobbo Jr.
Cadeira médica: Saúde Coletiva
Especialidade: Método Clínico Centrado na Pessoa
Tema: Comunicação clínica e processo de trabalho em MFC
Tópico: Componentes do MCCP / experiência da pessoa com a doença
Enunciado: Mulher, 47 anos, auxiliar administrativa, comparece à Unidade Básica de Saúde com
queixa de dor de cabeça recorrente há 4 meses, em aperto, bilateral, de intensidade leve a
moderada, sem náuseas, fotofobia, déficits neurológicos ou despertar noturno pela dor. O exame
físico e o exame neurológico são normais, e não há sinais de alarme. Concluída a avaliação, a médica
de família percebe que a paciente permanece apreensiva e pergunta: “O que a senhora acha que
está causando essa dor?”, “O que mais lhe preocupa nesse sintoma?”, “De que modo isso tem
atrapalhado o seu dia a dia?” e “O que a senhora esperava que fizéssemos na consulta de hoje?”. A
paciente então revela temer um tumor cerebral, pois uma colega de trabalho faleceu recentemente
em decorrência de um glioma, e diz que gostaria de “fazer uma tomografia para ficar tranquila”.
Essa sequência de perguntas corresponde a qual componente do método clínico centrado na
pessoa?
a. Elaboração de um plano conjunto de manejo dos problemas, com definição compartilhada de
prioridades, metas e papéis da pessoa e do profissional.
b. Exploração da experiência da pessoa com a doença, abrangendo sentimentos, ideias, efeitos
sobre as funções e expectativas em relação ao cuidado.
c. Entendimento da pessoa como um todo, situando o adoecimento no contexto familiar,
comunitário, laboral e no ciclo de vida em que ela se encontra.
d. Intensificação da relação entre a pessoa e o profissional, construída pela continuidade do
vínculo e pelo uso terapêutico da própria relação clínica.
Gabarito: B
Alternativa A: Incorreta. O plano conjunto é componente posterior, em que médica e paciente
negociam a natureza dos problemas, os objetivos do tratamento e os papéis de cada um — nada
disso foi pactuado ainda.
Alternativa B: Correta. As quatro perguntas mapeiam exatamente sentimentos (medo de tumor),
ideias (explicação atribuída ao sintoma), funções (prejuízo no cotidiano) e expectativas (o exame de
imagem solicitado). Identificar o medo permite, inclusive, prevenção quaternária: acolher a
preocupação evita a tomografia desnecessária.
Alternativa C: Incorreta. Entender a pessoa como um todo exigiria explorar contexto familiar,
trabalho, rede social e fase do ciclo de vida — informações não buscadas nessa sequência de
perguntas.
Alternativa D: Incorreta. A intensificação da relação decorre da continuidade, da empatia e do
compartilhamento de poder ao longo do tempo; não é o que caracteriza especificamente esse
conjunto de perguntas.
Referência: STEWART, M. et al. Medicina centrada na pessoa: transformando o método clínico. 3. ed. Porto Alegre:
Artmed, 2017; GUSSO, G.; LOPES, J. M. C.; DIAS, L. C. Tratado de Medicina de Família e Comunidade. 2. ed. Porto Alegre:
Artmed, 2019.
Questão 43 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Marcelo Gobbo Jr.
Cadeira médica: Saúde Coletiva
Especialidade: Saúde da Pessoa Idosa — Incontinência Urinária
Tema: Síndromes geriátricas na Atenção Primária
Tópico: Incontinência urinária de esforço / tratamento inicial
Enunciado: Mulher, 66 anos, G4 P4 (partos vaginais), comparece à Unidade Básica de Saúde
relatando perda involuntária de urina há cerca de 2 anos, que ocorre ao tossir, espirrar, rir e carregar
sacolas do mercado. Nega urgência miccional,noctúria, perdas durante o sono, disúria, hematúria ou
infecções urinárias de repetição. Utiliza dois absorventes por dia e deixou de frequentar a
hidroginástica por vergonha. Não realizou cirurgias pélvicas. Faz uso de losartana 50 mg/dia.
Ao exame: bom estado geral; IMC 31 kg/m²; PA 126 x 78 mmHg. Exame ginecológico com trofismo
vaginal preservado, sem prolapso de órgãos pélvicos; teste de esforço positivo, com perda de urina
pelo meato uretral à manobra de Valsalva. Exames complementares apresentados a seguir:
Exame Resultado Valor de referência
EAS (urina tipo I) Sem alterações —
Urocultura Negativa Ausência de crescimento
Glicemia de jejum 94 mg/dL 70 a 99 mg/dL
Resíduo pós-miccional 20 mLEnunciado: Menino, 7 anos, é levado à Unidade Básica de Saúde pela mãe, preocupada porque ele é
“o menor da turma” e vem sendo alvo de comentários na escola. Nasceu a termo, de parto vaginal,
com peso de 3.050 g e comprimento de 48 cm; recebeu aleitamento materno até os 12 meses.
Alimenta-se bem, tem bom desempenho escolar, pratica futebol duas vezes por semana e nunca
precisou de internação. Nega uso de medicamentos, diarreia crônica, distensão abdominal,
constipação, intolerância ao frio ou cefaleia. Caderneta com esquema vacinal completo.
O pai tem 165 cm e a mãe, 152 cm; o pai relata que também era o menor da turma e que
“continuou crescendo até quase os 20 anos”. Ao exame: ativo, corado, hidratado; estatura de 113
cm (escore-Z de −1,7); peso de 20,0 kg (escore-Z de −1,0); proporções corporais adequadas; ausência
de dismorfismos; tireoide não palpável; estágio puberal G1 P1. Na caderneta, a estatura registrada
na consulta de 12 meses antes era de 107,5 cm. Considerando os dados apresentados, a conduta
adequada é:
a. Solicitar dosagem de hormônio de crescimento e radiografia de punho e mão esquerdos para
determinação da idade óssea, pois a estatura está abaixo do alvo genético.
b. Encaminhar à endocrinologia pediátrica para investigação de baixa estatura patológica,
mantendo apenas o acompanhamento vacinal na unidade.
c. Manter o acompanhamento em puericultura com registro seriado da estatura na caderneta,
pois o crescimento é compatível com o canal familiar.
d. Solicitar hormônio estimulante da tireoide, tiroxina livre, anticorpo antitransglutaminase IgA e
cariótipo, para afastar causas endócrinas e genéticas.
Gabarito: C
Comentários: A avaliação da baixa estatura na Atenção Primária apoia-se em três elementos:
posição na curva, velocidade de crescimento e alvo genético. A velocidade de crescimento é o
parâmetro mais sensível — entre os 4 anos e o início da puberdade, o esperado é de 5 a 7 cm por
ano. A estatura-alvo, no sexo masculino, é calculada por [(estatura do pai + estatura da mãe) + 13] ÷
2. Criança com estatura dentro do canal familiar, velocidade de crescimento normal, proporções
corporais adequadas, ausência de sinais de doença crônica e história de maturação tardia em um dos
pais caracteriza variante normal do crescimento, sem indicação de investigação laboratorial ou de
encaminhamento.
Alternativa A: Incorreta. A premissa é falsa: a estatura-alvo é [(165 + 152) + 13] ÷ 2 = 165 cm, e a
estatura atual (escore-Z de −1,7) situa-se dentro desse canal. Além disso, a dosagem isolada e
aleatória de hormônio de crescimento não tem valor diagnóstico, pois sua secreção é pulsátil.
Alternativa B: Incorreta. Não há critério para baixa estatura patológica: não há escore-Z abaixo de
−2, queda de canal na curva, desproporção corporal, dismorfismos nem velocidade de crescimento
reduzida.
Alternativa C: Correta. A velocidade de crescimento é de 5,5 cm/ano (113 cm − 107,5 cm em 12
meses), normal para a idade; a estatura é compatível com o alvo genético de 165 cm; e a história
paterna sugere padrão familiar com maturação tardia. A conduta é vigiar o crescimento e acolher a
preocupação, evitando exames desnecessários — prevenção quaternária.
Alternativa D: Incorreta. Rastrear hipotireoidismo, doença celíaca e cromossomopatia justifica-se
diante de desaceleração do crescimento, sintomas sugestivos ou estatura desproporcional ao alvo
familiar; ademais, cariótipo para síndrome de Turner não se aplica a paciente do sexo masculino.
Referência: BRASIL. Ministério da Saúde. Caderneta da Criança e Caderno de Atenção Básica n. 33 — Saúde da criança:
crescimento e desenvolvimento; Sociedade Brasileira de Pediatria. Guia Prático de Atualização — Baixa estatura.
Questão 46 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Marcelo Gobbo Jr.
Cadeira médica: Saúde Coletiva
Especialidade: Saúde Mental na Atenção Primária — Insônia
Tema: Transtornos do sono na APS
Tópico: Insônia crônica / tratamento de primeira linha
Enunciado: Mulher, 45 anos, professora, comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de
dificuldade para iniciar o sono há cerca de 8 meses, em cinco ou mais noites por semana. Relata
levar mais de uma hora para adormecer, permanecer “olhando o relógio” e acordar cansada, com
prejuízo da concentração e irritabilidade no trabalho. Nega humor deprimido, anedonia, ideação
suicida, ronco, pausas respiratórias presenciadas, sonolência diurna excessiva, desconforto ou
movimentação das pernas ao deitar. Não faz uso de bebidas alcoólicas nem de outras drogas; toma
uma xícara de café pela manhã. Trabalha em turno fixo diurno.
Em consulta realizada há 3 meses, recebeu orientações de higiene do sono, que refere seguir de
forma consistente, sem melhora. Ao exame: bom estado geral; IMC 24 kg/m²; PA 118 x 76 mmHg;
circunferência cervical de 33 cm; exame físico sem alterações. Hemograma, TSH e glicemia de jejum
sem alterações.
Nesse caso, o tratamento de primeira linha é:
a. Terapia cognitivo-comportamental para insônia, com controle de estímulos, restrição do
tempo na cama e reestruturação das crenças disfuncionais sobre o sono.
b. Zolpidem 10 mg à noite, em uso contínuo, com reavaliação semestral e manutenção das
orientações de higiene do sono já em curso.
c. Clonazepam 0,5 mg à noite, em uso contínuo, pelo efeito hipnótico prolongado e pela ação
ansiolítica sobre a preocupação com o sono.
d. Amitriptilina 25 mg à noite, pelo efeito sedativo e pela ação simultânea sobre o humor e sobre
a dor musculoesquelética associada.
Gabarito: A
Comentários: A insônia crônica é definida por dificuldade de iniciar ou manter o sono, com prejuízo
diurno, ocorrendo pelo menos três vezes por semana por mais de 3 meses, na ausência de outro
transtorno do sono, clínico ou psiquiátrico que a explique. O tratamento de primeira linha, para
todos os adultos e independentemente da gravidade, é a terapia cognitivo-comportamental para
insônia (TCC-I), que reúne controle de estímulos, restrição do tempo na cama, técnicas de
relaxamento e reestruturação cognitiva. Diferentemente dos hipnóticos, seus efeitos se mantêm
após o término do tratamento. A higiene do sono isolada tem eficácia baixa e não deve ser
confundida com TCC-I nem oferecida como intervenção única.
Alternativa A: Correta. É a intervenção de primeira linha recomendada pelas diretrizes, com
benefício sustentado e sem os riscos dos hipnóticos. Componentes como controle de estímulos e
restrição do tempo na cama podem ser aplicados por profissionais da própria equipe, inclusive em
grupo, e por protocolos digitais.
Alternativa B: Incorreta. Os agonistas do receptor benzodiazepínico podem ser úteis por período
curto e como adjuvantes, mas o uso contínuo associa-se a tolerância, dependência, quedas, amnésia
anterógrada e parassonias — nunca constituem primeira linha na insônia crônica.
Alternativa C: Incorreta. Benzodiazepínicos de meia-vida intermediária a longa acumula-se,
produzem sedação residual diurna e dependência; a prescrição contínua reproduz o principal
problema de uso irracional de psicotrópicos na APS.
Alternativa D: Incorreta. A amitriptilina não tem indicação formal para insônia primária; seus efeitos
anticolinérgicos, o ganho de peso e o risco de prolongamento do intervalo QT desfavorecem seu uso,
e não há dor nem depressão a tratar neste caso.
Referência: QASEEM, A. et al. Management of Chronic Insomnia Disorder in Adults. Annals of Internal Medicine, 2016;
American Academy of Sleep Medicine. Clinical Practice Guideline, 2021; DUNCAN, B. B. et al. Medicina ambulatorial. 5. ed.
Porto Alegre: Artmed, 2022.
Questão 47 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Marcelo Gobbo Jr.
Cadeira médica: Saúde Coletiva
Especialidade: Organização do Processo de Trabalho na APS
Tema: Acesso e acolhimento à demanda espontânea
Tópico: Escuta qualificada e avaliação de risco e vulnerabilidade
Enunciado: Em uma Unidade Básica de Saúde comduas equipes de Saúde da Família e população
adscrita de 7.000 pessoas, os usuários formam fila na calçada desde as 5 horas da manhã para
disputar as 12 fichas de “consulta do dia” distribuídas por turno. Quem não obtém ficha é orientado
a retornar no dia seguinte ou a procurar a Unidade de Pronto Atendimento do município.
Nos últimos 6 meses, a equipe registrou aumento das reclamações na ouvidoria, dois episódios de
usuários com quadros graves que aguardaram horas na fila sem avaliação, crescimento das consultas
na UPA por condições sensíveis à atenção primária e queda no número de consultas programadas de
pré-natal e de pessoas com hipertensão e diabetes. Em reunião de equipe, decide-se reorganizar o
processo de trabalho.
Considerando as diretrizes do Ministério da Saúde para o acolhimento à demanda espontânea na
atenção primária, a medida adequada é:
a. Implantar o acolhimento com escuta qualificada por toda a equipe, classificando as
necessidades por risco e vulnerabilidade e reservando vagas na agenda diária para a demanda
do dia.
b. Ampliar de 12 para 24 o número de fichas distribuídas por turno, mantendo a ordem de
chegada como critério único de acesso e preservando a agenda programada.
c. Transferir a avaliação inicial da demanda espontânea para a Unidade de Pronto Atendimento,
que dispõe de protocolo de classificação de risco, e manter na unidade apenas consultas
previamente agendadas.
d. Restringir a demanda espontânea aos usuários já inscritos nas linhas de cuidado das condições
crônicas prioritárias, encaminhando os demais diretamente à rede de urgência e emergência.
Gabarito: A
Comentários: O acolhimento é diretriz do processo de trabalho na Atenção Primária: consiste em
receber toda pessoa que procura a unidade, escutar qualificadamente sua necessidade e definir o
encaminhamento mais adequado, com base em avaliação de risco e de vulnerabilidade, e não na
ordem de chegada nem na distribuição de senhas. Não é etapa nem local isolado, tampouco
atribuição exclusiva de uma categoria profissional — é postura de toda a equipe. Sua implantação
exige agenda organizada de modo a combinar atendimentos programados com vagas reservadas à
demanda do dia, o que amplia o acesso sem desorganizar o cuidado longitudinal e reduz a procura
evitável por serviços de urgência.
Alternativa A:Correta. Substitui o critério de ordem de chegada pelo critério de necessidade, garante avaliação
de todos os que procuram a unidade e preserva a continuidade do cuidado ao reservar vagas para a demanda do
dia dentro da agenda das equipes.
Alternativa B: Incorreta. Aumentar o número de fichas mantém intacto o mecanismo que gera o problema:
seleção por resistência física e disponibilidade de tempo, sem avaliação de risco — quem está mais grave
continua podendo ficar de fora.
Alternativa C: Incorreta. Transferir a demanda espontânea à UPA contraria a função da APS como porta de
entrada preferencial e ordenadora do cuidado, fragmenta o vínculo e aumenta o custo e a sobrecarga da rede de
urgência.
Alternativa D: Incorreta. Condicionar o acesso à inscrição prévia em linhas de cuidado viola os princípios da
universalidade e da integralidade e cria barreira de acesso justamente para quem ainda não está vinculado à
unidade.
Referência: BRASIL. Ministério da Saúde. Acolhimento à demanda espontânea (Caderno de Atenção Básica n. 28, v. 1 e 2); Política Nacional de
Atenção Básica (PNAB).
Questão 48 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Marcelo Gobbo Jr.
Cadeira médica: Saúde Coletiva
Especialidade: Ética Médica e Legislação em Saúde
Tema: Sigilo profissional e justa causa
Tópico: Infecção pelo HIV e risco concreto à parceria sexual
Enunciado: Homem, 41 anos, acompanhado na Unidade Básica de Saúde, recebeu diagnóstico de
infecção pelo HIV há 4 meses e iniciou terapia antirretroviral, com adesão irregular; a carga viral
mais recente é de 2.400 cópias/mL. Mantém relacionamento estável com a esposa há 12 anos e
refere relações sexuais sem uso de preservativo. Nas três consultas subsequentes, o médico de
família ofereceu aconselhamento individual, propôs a revelação compartilhada do diagnóstico com
apoio da equipe e do serviço especializado, e disponibilizou testagem, profilaxia pré-exposição e
insumos de prevenção para a parceira. O paciente recusa de forma reiterada informar a esposa,
alega medo da separação e afirma que continuará mantendo relações sexuais sem preservativo. Não
há qualquer indício de incapacidade civil ou de transtorno mental.
Diante do exposto, a conduta ética e legalmente adequada do médico é:
a. Manter o sigilo em caráter absoluto, limitando-se a repetir o aconselhamento a cada consulta,
uma vez que a revelação do diagnóstico a terceiros configura infração ética em qualquer
circunstância.
b. Comunicar o caso à autoridade policial para que se apure a exposição da parceira a risco de
contágio, aguardando determinação judicial antes de prestar qualquer informação a ela.
c. Encerrar o acompanhamento por quebra do vínculo de confiança, encaminhando o paciente
ao serviço de atenção especializada e transferindo a ele toda a responsabilidade pela
revelação.
d. Revelar o diagnóstico à parceira, configurada a justa causa diante do risco concreto de
transmissão e esgotadas as tentativas de convencimento, registrando o processo em
prontuário e ofertando-lhe testagem e prevenção.
Gabarito: D
Comentários: O sigilo médico é dever, mas não é absoluto: o Código de Ética Médica veda a
revelação de fato sigiloso “salvo por motivo justo, dever legal ou consentimento, por escrito, do
paciente” (art. 73). Na infecção pelo HIV, a Resolução CFM n. 2.437/2025 (art. 11) mantém o sigilo
como regra, ressalvadas a autorização expressa do paciente, a justa causa e a determinação legal; e
os pareceres dos Conselhos de Medicina reconhecem a justa causa para comunicar a parceria sexual
quando estão preenchidos, cumulativamente, três requisitos: risco real e atual de transmissão,
recusa reiterada do paciente em informar após aconselhamento adequado, e esgotamento das
tentativas de convencimento — inclusive a oferta de revelação compartilhada. Antes disso, o
caminho é sempre o cuidado longitudinal: reforçar adesão à terapia antirretroviral (carga viral
indetectável equivale a intransmissível), ofertar preservativo e profilaxia pré-exposição à parceria.
Todo o processo deve ser registrado em prontuário, e o vínculo com o paciente, mantido.
Alternativa A: Incorreta. O sigilo não é absoluto. Sustentá-lo diante de risco concreto e atual de transmissão a
terceiro identificável omite proteção a quem poderia se prevenir e não encontra amparo no art. 73 do Código de
Ética Médica.
Alternativa B: Incorreta. Não cabe ao médico converter o caso em ocorrência policial; a comunicação, quando
indicada, é feita à pessoa exposta, no âmbito do cuidado, e não depende de autorização judicial prévia.
Alternativa C: Incorreta. Abandonar o acompanhamento é vedado pelo Código de Ética Médica e agrava o
problema: retira do paciente o suporte para adesão à terapia antirretroviral, justamente amedida que eliminaria
o risco de transmissão.
Alternativa D: Correta. Preenchidos os requisitos de justa causa — risco concreto, recusa reiterada e
esgotamento do aconselhamento —, a comunicação àparceiraé eticamente respaldada, devendo vir
acompanhada da oferta de testagem, profilaxia e acolhimento a ela, com registro circunstanciado em
prontuário.
Referência: CFM. Resolução n. 2.217/2018 (Código de Ética Médica),arts. 73 e 74; CFM. Resolução n. 2.437/2025, art. 11, que revogou a
Resolução CFM n. 1.665/2003; CFM. Pareceres n. 10/1987 e n. 18/1989 (justa causa para comunicação a terceiro exposto a risco); BRASIL.
Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos.
Questão 49 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Marcelo Gobbo Jr.
Cadeira médica: Saúde ColetivaEspecialidade: Epidemiologia Clínica e Medicina Baseada em Evidências
Tema: Medidas de efeito e de impacto
Tópico: Redução absoluta de risco e número necessário para tratar (NNT)
Enunciado: Um médico de família e comunidade, ao revisar a conduta preventiva oferecida às
pessoas com risco cardiovascular elevado do território, analisa os resultados de um ensaio clínico
randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, com 5 anos de seguimento, que avaliou um
novo fármaco em prevenção primária. O desfecho primário foi a ocorrência de evento cardiovascular
maior (infarto agudo do miocárdio não fatal, acidente vascular cerebral não fatal ou morte
cardiovascular). Os resultados são apresentados a seguir:
Com base nesses resultados, o número necessário para tratar (NNT), em 5 anos, a fim de evitar um
evento cardiovascular maior é
a. 4.
b. 12.
c. 25.
d. 33.
Gabarito: C
Comentários: O número necessário para tratar (NNT) expressa quantas pessoas precisam receber a
intervenção, por determinado tempo, para que um desfecho seja evitado. É calculado como o
inverso da redução absoluta de risco (RAR): NNT = 1 ÷ RAR. Trata-se da medida de impacto mais útil
na prática clínica porque, ao contrário da redução relativa de risco, incorpora o risco basal da
população — a mesma redução relativa produz NNT muito distintos conforme o risco de base.
Grupo Participantes
Eventos cardiovasculares
maiores
Fármaco em estudo 4.000 320
Placebo 4.000 480
Desfecho primário em 5 anos de seguimento
Alternativa A: ncorreta. O valor 4 corresponde à redução absoluta de risco expressa em pontos
percentuais (4%), e não ao NNT; confundir RAR com NNT é o erro mais frequente nesse tipo de
item.
Alternativa B: Incorreta. O valor 12 corresponde ao risco de evento no grupo placebo (12%), medida
de incidência, e não de impacto da intervenção.
Alternativa C: Correta. Risco no grupo do fármaco = 320 ÷ 4.000 = 0,08 (8%); risco no grupo placebo
= 480 ÷ 4.000 = 0,12 (12%). RAR = 12% − 8% = 4% (0,04). NNT = 1 ÷ 0,04 = 25 — ou seja, é preciso
tratar 25 pessoas por 5 anos para evitar um evento cardiovascular maior.
Alternativa D: Incorreta. O valor 33 corresponde à redução relativa de risco (RRR = 4% ÷ 12% ≈ 33%),
que superestima a percepção de benefício por não considerar o risco basal.
Referência: FLETCHER, R. H.; FLETCHER, S. W.; FLETCHER, G. S. Epidem iologia clínica: elementos essenciais. 5. ed. Porto
Alegre: Artmed; GUYATT, G. et al. Users' Guides to the Medical Literature. 3. ed.
Questão 50 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Marcelo Gobbo Jr.
Cadeira médica: Saúde Coletiva
Especialidade: Condições Crônicas — Fibrilação Atrial
Tema: Manejo de condições cardiovasculares crônicas na APS
Tópico: Escore CHA₂DS₂-VASc e indicação de anticoagulação oral
Enunciado: Homem, 74 anos, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina de suas
condições crônicas. Refere palpitações ocasionais e cansaço aos esforços moderados há cerca de 2
meses, sem dor torácica, síncope, ortopneia ou dispneia em repouso. Tem hipertensão arterial
sistêmica e diabetes mellitus tipo 2, em uso regular de losartana 50 mg de 12 em 12 horas,
anlodipino 5 mg/dia e metformina 850 mg de 12 em 12 horas. Nega acidente vascular cerebral,
ataque isquêmico transitório, infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca, claudicação
intermitente, quedas de repetição e sangramentos prévios. Não faz uso de álcool nem de tabaco. Ao
exame: bom estado geral, corado, hidratado; PA 132 x 80 mmHg; FC 96 bpm, com ritmo cardíaco
irregular; FR 16 irpm; SpO₂ 97% em ar ambiente; ausculta pulmonar sem alterações; ausência de
estase jugular e de edema de membros inferiores. O eletrocardiograma realizado na unidade
evidencia ritmo irregularmente irregular, ausência de ondas P e resposta ventricular de 98
batimentos por minuto. Exames laboratoriais apresentados a seguir:
Exame Resultado Valor de referência
Hemoglobina 14,2 g/dL 13 a 16 g/dL
Plaquetas 232.000/mm³ 140.000 a 400.000/mm³
Creatinina 1,0 mg/dL 0,7 a 1,2 mg/dL
Depuração de creatinina
estimada
68 mL/min > 60 mL/min
TGO / TGP 26 / 24 U/L 5 a 40 / 4 a 32 U/L
Exames laboratoriais
Considerando o escore CHA₂DS₂-VASc desse paciente, a conduta adequada é:
a. Iniciar ácido acetilsalicílico 100 mg/dia, reservando a anticoagulação oral para pacientes com
escore igual ou superior a 4 ou com valvopatia associada.
b. Iniciar anticoagulação oral, pois o escore é 3 e há indicação formal de profilaxia de
tromboembolismo, associando controle da frequência cardíaca conforme os sintomas.
c. Manter apenas o controle da frequência cardíaca com betabloqueador, pois a anticoagulação
está indicada somente na fibrilação atrial de padrão permanente.
d. Postergar qualquer profilaxia antitrombótica até a realização de ecocardiograma
transesofágico e de monitorização eletrocardiográfica ambulatorial de 24 horas.
Gabarito: B
Comentários: Diante de fibrilação atrial confirmada por eletrocardiograma, a primeira decisão — e a
de maior impacto sobre mortalidade e incapacidade — é a profilaxia do tromboembolismo,
orientada pelo escore CHA₂DS₂-VASc: insuficiência cardíaca (1), hipertensão (1), idade ≥ 75 anos (2),
diabetes (1), acidente vascular cerebral/AIT/tromboembolismo prévio (2), doença vascular (1), idade
de 65 a 74 anos (1) e sexo feminino (1). Indica-se anticoagulação oral a partir de 2 pontos em
homens e 3 pontos em mulheres. Ressalte-se que a Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial de 2025,
alinhada à diretriz europeia de 2024, passou a adotar o escore CHA₂DS₂-VA, que suprime a
pontuação do sexo feminino e estabelece limiar único de 2 pontos para ambos os sexos (0 =
não anticoagular; 1 = considerar; ≥ 2 = indicada). Neste caso o escore permanece 3 pelos dois
instrumentos, e a indicação de anticoagulação é a mesma. O risco tromboembólico independe do
padrão temporal da arritmia — paroxística, persistente ou permanente conferem risco semelhante.
O controle da frequência e do ritmo trata sintomas, mas não substitui a anticoagulação.
Alternativa A: Incorreta. O ácido acetilsalicílico não oferece proteção adequada contracardioemboliana fibrilação
atrial e apresenta risco hemorrágico comparável ao dos anticoagulantes; foi retirado das recomendações como
alternativa à anticoagulação. Não existe limiar de 4 pontos.
Alternativa B: Correta. O escore é 3 — hipertensão (1) + diabetes (1) + idade de 65 a 74 anos (1) —, acima do
limiar de 2 para homens, com indicação formal de anticoagulação oral. Função renal, plaquetas, hemoglobina e
provas hepáticas são compatíveis com o início do tratamento, que pode ser conduzido e monitorado na própria
Atenção Primária.
Alternativa C: Incorreta. A premissa é falsa: fibrilação atrial paroxística, persistente e permanente conferem risco
tromboembólico semelhante, e a decisão deanticoagularbaseia-se no escore de risco, não no padrão temporal
da arritmia.
Alternativa D: Incorreta. O diagnóstico já está estabelecido pelo eletrocardiograma e o escore já é calculável; o
ecocardiograma transtorácico complementa a avaliação estrutural, e o transesofágico só é necessário quando se
cogita cardioversão precoce sem anticoagulação prévia adequada; adiar a anticoagulação à espera de exames
mantém o paciente sob risco evitável de acidente vascular cerebral.
Referência: Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial – 2025 (Sociedade Brasileira de Cardiologia / SOBRAC), Arquivos
Brasileiros de Cardiologia; ESC Guidelines for the Management of Atrial Fibrillation, 2024; BRASIL. Ministério da Saúde.
Cadernos de Atenção Básica — Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica.
Slide 1: SIMULADO
Slide 2: CLÍNICA MÉDICA
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Slide 14: CIRURGIA
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Slide 24: PEDIATRIA
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Slide 35: GINECOLOGIA & OBSTETRÍCIA
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Slide 46: SAÚDE COLETIVA
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Slide 60
Slide 61baixa acuidade visual
súbita no olho direito e lacrimejamento importante. Nega perda de consciência ou outros traumas
associados. Ao exame: acuidade visual reduzida no olho direito, presença de laceração puntiforme
em córnea periférica com leve irregularidade da câmara anterior, pupila discretamente irregular,
sem visualização clara de corpo estranho a olho nu. Diante da suspeita de corpo estranho
intraocular, assinale a conduta correta.
a. Tentar remover delicadamente o possível corpo estranho com auxílio de gaze estéril, seguido
de tampão ocular compressivo.
b. Realizar irrigação ocular copiosa imediata para eliminar o corpo estranho antes de qualquer
exame de imagem.
c. Proteger o olho com escudo rígido, sem exercer pressão sobre o globo ocular, manter o
paciente em jejum e solicitar tomografia computadorizada de órbita.
d. Instilar colírio midriático imediatamente para permitir melhor visualização do corpo estranho
no exame de fundo de olho.
Gabarito: C
Comentários: Diante da suspeita de trauma ocular perfurante com possível corpo estranho intraocular,
a conduta inicial segue princípios que priorizam não aumentar a pressão sobre o globo ocular aberto,
evitando extrusão de conteúdo intraocular. Isso significa: não remover corpos estranhos visíveis ou
empalados, não realizar tampão compressivo, não instilar colírios ou irrigar o olho, não aferir pressão
intraocular e não manipular pálpebras com força. A proteção deve ser feita com escudo rígido, o
paciente deve ficar em jejum, com analgesia e antieméticos se necessário, profilaxia antibiótica e
antitetânica, e confirmação por tomografia computadorizada de órbita.
Alternativa A: Incorreta. Manipular ou tentar remover o corpo estranho, assim como aplicar tampão
compressivo, pode aumentar a pressão sobre o globo aberto e causar extrusão de conteúdo
intraocular.
Alternativa B: Incorreta. Irrigação ocular copiosa é conduta para queimaduras químicas, não para
suspeita de globo aberto/corpo estranho intraocular.
Alternativa C: Correta. Escudo rígido sem compressão, jejum e TC de órbita para localizar o corpo
estranho e avaliar extensão da lesão são a conduta padrão diante de suspeita de trauma perfurante
com corpo estranho intraocular.
Alternativa D: Incorreta. Instilar qualquer colírio antes da avaliação especializada não é conduta
inicial prioritária e pode atrasar medidas de proteção essenciais.
Questão 5 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Bruna Savioli
Cadeira médica: Clínica Médica
Especialidade: Cardiologia
Tema: Hipertensão arterial sistêmica
Tópico:
Enunciado: Paciente do sexo feminino, 86 anos, hígida para a idade, autônoma para atividades da
vida diária, comparece à consulta de rotina com diagnóstico recente de hipertensão arterial ainda
sem tratamento farmacológico. Nega tontura, quedas, síncope ou outros sintomas. Ao exame: PA
148x92 mmHg sentada, PA 144x88 mmHg após 3 minutos em pé, sem outras alterações. Diante do
quadro, assinale a conduta terapêutica mais adequada segundo as diretrizes atuais de manejo da
hipertensão arterial.
a. Iniciar terapia combinada em dose baixa com IECA/BRA associado a bloqueador de canal de
cálcio, conforme recomendação padrão para todos os hipertensos.
b. Iniciar monoterapia em dose baixa, com reavaliação clínica e ajuste conforme tolerância e
resposta pressórica.
c. Postergar qualquer tratamento farmacológico, orientando apenas medidas não
farmacológicas, dada a idade avançada.
d. Iniciar terapia combinada em dose baixa, mas com meta pressórica menos rigorosa (65-70 anos) ou com comprometimento funcional relevante, a levodopa é a
droga de escolha desde o início, pois o risco de discinesias é menor nessa faixa etária, agonistas
dopaminérgicos têm maior risco de efeitos neuropsiquiátricos em idosos, e a levodopa oferece
controle sintomático superior.
Alternativa A: Correta. Em paciente >65 anos com sintomas já causando impacto funcional e social, a
levodopa em dose baixa e titulada é a primeira escolha — melhor eficácia, menor risco de efeitos
neuropsiquiátricos que os agonistas nessa faixa etária.
Alternativa B: Incorreta. Agonistas dopaminérgicos como estratégia de poupar levodopa são
preferidos em pacientes mais jovens; em idosos, aumentam risco de alucinações, sonolência
excessiva e transtornos do controle de impulso.
Alternativa C: Incorreta. Inibidores da MAO-B têm efeito sintomático mais discreto e são mais úteis
em fases muito iniciais e leves; não são aprimeira escolha em paciente já com impacto funcional
relevante.
Alternativa D: Incorreta. O paciente já apresenta comprometimento funcional e social — critério
suficiente para iniciar tratamento farmacológico.
Questão 7 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Bruna Savioli
Cadeira médica: Clínica Médica
Especialidade: Gastroenterologia
Tema: Intestinos
Tópico: Câncer colorretal
Enunciado: Paciente do sexo masculino, 40 anos, assintomático, procura a UBS para consulta de
rotina. Relata que seu pai foi diagnosticado com câncer colorretal aos 50 anos. Nega sangramento
retal, alteração do hábito intestinal, emagrecimento ou outros sintomas gastrointestinais. Nega
outras doenças na família. Ao exame físico, sem alterações. Diante da história familiar relatada,
assinale a conduta correta quanto ao rastreio de câncer colorretal.
a. Iniciar rastreio aos 45 anos, mesma idade recomendada para a população de risco médio.
b. Iniciar rastreio agora, com colonoscopia, e repetir a cada 5 anos se normal.
c. Iniciar rastreio agora, com pesquisa de sangue oculto nas fezes anual, reservando a
colonoscopia apenas se alterada.
d. Orientar que o rastreio só deve começar quando o paciente atingir a idade em que o pai foi
diagnosticado (50 anos).
Gabarito: B
Comentários: O rastreio de câncer colorretal (CCR) na população de risco médio deve iniciar aos 45
anos, com colonoscopia a cada 10 anos. Pacientes com parente de primeiro grau diagnosticado com
CCR são classificados como risco aumentado, e o início deve ser antecipado para 10 anos antes da
idade do diagnóstico do parente-índice (regra também adotada pela SBCP), respeitando o piso de 40
anos quando a conta resultar em idade menor. Neste caso, pai diagnosticado aos 50 anos → 50 − 10 =
40 anos, coincidindo com o piso mínimo — e o paciente já tem exatamente 40 anos, ou seja, o rastreio
deve começar agora, com colonoscopia e repetição a cada 5 anos se normal.
Alternativa A: Incorreta. 45 anos é a idade de risco médio; a história familiar (pai diagnosticado aos
50) já antecipa esse início para os 40 — idade que o paciente já tem.
Alternativa B: Correta. 10 anos antes da idade de diagnóstico do parente (50 − 10 = 40) define o
início aos 40 anos — idade atual do paciente —, com colonoscopia e repetição a cada 5 anos se
normal.
Alternativa C: Incorreta. No risco aumentado por história familiar, a colonoscopia é o método
preferido (maior sensibilidade e capacidade de remoção de pólipos), não os testes de fezes.
Alternativa D: Incorreta. Esperar até a idade do diagnóstico do parente ignora a lógica de
antecipação do rastreio, deixando o paciente 10 anos sem vigilância durante a janela de maior risco.
Questão 8 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Bruna Savioli
Cadeira médica: Clínica Médica
Especialidade: Endocrinologia
Tema: Diabetes mellitus tipo 2
Tópico:
Enunciado: Paciente do sexo masculino, 54 anos, obeso (IMC 33 kg/m²), com diagnóstico de diabetes
mellitus tipo 2 há 4 anos, em uso regular de metformina 1.500 mg/dia e glibenclamida 10 mg/dia.
Refere baixa adesão às orientações de atividade física e alimentação. Nega sintomas catabólicos
(poliúria importante, polidipsia, emagrecimento não intencional). Exame recente: HbA1c 9,2%,
glicemia de jejum 210 mg/dL. Nega doença aterosclerótica estabelecida, insuficiência cardíaca ou
doença renal crônica conhecidas. Diante do controle glicêmico inadequado em terapia dupla,
assinale o próximo passo terapêutico mais adequado.
a. Aumentar a dose de glibenclamida para 20 mg/dia (dose máxima), mantendo o restante do
esquema inalterado.
b. Suspender os antidiabéticos orais e iniciar insulina basal associada a bolus prandial, dado o
descontrole glicêmico importante.
c. Associar um inibidor da DPP-4 à metformina e à glibenclamida, compondo terapia tripla.
d. Suspender a glibenclamida e associar um iSGLT2 ou agonista de GLP-1 à metformina,
priorizando a classe pelo perfil de obesidade do paciente.
Gabarito: D
Comentários: A escolha da terapia para o diabetes mellitus tipo 2 segue uma lógica escalonada:
monoterapia inicial individualizada, seguida de terapia dupla e tripla se a meta não for atingida em
cerca de 3 meses, e insulinização quando a terapia oral/injetável otimizada falha, ou diante de HbA1c
≥10%, glicemia ≥300 mg/dL ou sintomas catabólicos. Neste caso, o paciente já está em terapia dupla
(metformina + sulfonilureia) sem atingir a meta, mas sem critério para insulinização imediata (HbA1c
9,2% 50 anos, tabagismo e perda ponderal significativa e progressiva.
Alternativa A: Incorreta. A colecistite aguda calculosa cursa classicamente com dor importante e sinal de
Murphy positivo sobre a vesícula (massa dolorosa), não massa indolor.
Alternativa B: Incorreta. Exatamente o oposto do sinal de Courvoisier-Terrier: na coledocolitíase, a vesícula
tende a estarcronicamente litiásica e fibrosada, raramente distendendo-se de forma palpável.
Alternativa C: Correta. A tríade icterícia progressiva + emagrecimento + vesícula palpável e indolor (sinal
de Courvoisier-Terrier) em paciente >40-50 anos tabagista é altamente sugestiva de
neoplasia periampular, mais comumente adenocarcinoma de cabeça de pâncreas.
Alternativa D: Incorreta. A neoplasia gástrica avançada pode cursar com emagrecimento e massa em
epigástrio, mas não explica a icterícia obstrutiva progressiva nem a vesícula biliar distendida e indolor.
Questão 10 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Bruna Savioli
Cadeira médica: Clínica Médica
Especialidade: Endocrinologia
Tema: Nódulos de tireoide
Tópico:
Comentários: A investigação de nódulos tireoidianos é guiada pela combinação
entre tamanho e padrão ultrassonográfico de risco (sistemas como o ACR TI-RADS). Achados que
aumentam a suspeita de malignidade incluem: hipoecogenicidade, margens irregulares/espiculadas,
microcalcificações, formato "mais alto que largo" e ausência de halo. Quando um nódulo
reúne múltiplas características de alto risco, a indicação de PAAF ocorre a partir de tamanho >1 cm. O
TSH normal (2,5) já descarta a necessidade de cintilografia (reservada a TSH suprimido, para rastrear
nódulo hiperfuncionante/"quente", que raramente é maligno) e direciona diretamente para a
estratificação por ultrassonografia. O caso reúne pelo menos quatro achados de alto risco
(hipoecogenicidade, margens irregulares, microcalcificações, formato mais alto que largo) em nódulo
de 1,2 cm — preenchendo claramente o critério de tamanho para indicação de PAAF.
Alternativa A: Incorreta. A conduta de apenas repetir a ultrassonografia (observação) é reservada
para nódulos de baixo risco ultrassonográfico ou que não atingem o limiar de tamanho para PAAF
dentro de sua categoria de risco — não é o caso deste nódulo, que já reúne múltiplos critérios de
alto risco acima de 1 cm.
Alternativa B: Correta. Nódulo >1 cm com múltiplas características ultrassonográficas de alto risco
tem indicação formal de PAAF, independentemente da ausência de sintomas compressivos.
Alternativa C: Incorreta. A cintilografia é reservada para casos de TSH suprimido, para diferenciar
nódulo hiperfuncionante — não se aplica aqui, já que o TSH da paciente é normal (2,5).
Alternativa D: Incorreta. A PAAF é etapa obrigatória antes de indicar cirurgia; não se indica
tireoidectomia sem confirmação citológica prévia.
Enunciado: Paciente do sexo feminino, 45 anos, sem comorbidades prévias, é encaminhada após
identificação de nódulo tireoidiano em exame de imagem de rotina. Nega sintomas compressivos,
rouquidão ou disfagia. Nega história de irradiação cervical prévia ou história familiar de câncer de
tireoide. Ao exame: tireoide sem bócio difuso, nódulo palpável em lobo direito, sem
linfonodomegalia cervical. Exames laboratoriais: TSH 2,5, T4 livre 1,3. Ultrassonografia cervical
evidencia nódulo sólido, hipoecogênico, medindo 1,2 cm no maior eixo, de contornos irregulares,
com margens espiculadas, presença de microcalcificações e maior altura que largura ao corte
transverso. Diante desses achados, assinale a conduta correta.
a. Repetir a ultrassonografia em 6-12 meses, já que o nódulo mede menos de 2 cm e a paciente é
assintomática.
b. Indicar punção aspirativa por agulha fina (PAAF), pois o nódulo é >1 cm e apresenta múltiplas
características ultrassonográficas de alto risco.
c. Solicitar cintilografia de tireoide antes de qualquer outra conduta, para avaliar se o nódulo
é hipercaptante ("quente").
d. Indicar tireoidectomia total diretamente, sem necessidade de PAAF, dado o alto risco
ultrassonográfico do nódulo.
Gabarito: B
CIRURGIA
CIRURGIA
Questão 11 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Antônio Rocco
Cadeira médica: Cirurgia
Especialidade: Cirurgia
Tema: Abdome agudo hemorrágico
Tópico: diagnóstico
Enunciado: Você atende no pronto-socorro uma paciente de 33 anos com queixa de dor abdominal
súbita e intensa em hipogástrio, sem febre associada. Os parâmetros iniciais são PA= 110 X 65
mmHg, FC= 105 bat/min, sat O2=94%. Ao exame físico geral ela se apresenta descorada, afebril,
anictérica. O exame físico abdominal demonstra dor em abdome inferior, sinal de Jobert negativo.
Realizado USG de abdome total, que mostra a presença de líquido na pelve. Qual exame deve ser
solicitado:
a. Coagulograma
b. RX abdome em 3 posições
c. Beta-HCG
d. Arteriografia pélvica
Gabarito: C
Alternativa A: Incorreta. A coleta de coagulograma não vai interferir nem no diagnóstico, tampouco
no tratamento. Trata-se de um provável abdome agudo hemorrágico, e a pesquisa de discrasia
sanguínea no momento não tem indicação
Alternativa B: Incorreta. Este não é um exame de investigação de abdome agudo hemorrágico,
e sim para investigação de abdome agudo perfurativo, que não é a suspeita.
Alternativa C: Correta. As causas mais comuns de abdome agudo hemorrágico são ginecológicas, e
entre as mulheres com idade fértil, a prenhez ectópica. Na investigação do abdome hemorrágico
nestas condições, a pesquisa de gravidez é importantíssima.
Alternativa D: Incorreta. A arteriografia é um exame importante para diagnóstico e controle de
sangramentos, mas não se aplica neste caso em que já há sangramento intraabdominal. A pesquisa
da origem não necessita de métodos invasivos, e caso seja necessária intervenção cirúrgica, ela já
atuará sobre o local.
CIRURGIA
Questão 12 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Antônio Rocco
Cadeira médica: Cirurgia
Especialidade: Cirurgia
Tema: Procedimentos
Tópico: suturas e fios
Enunciado: Qual a melhor sutura a ser realizada em um ferimento corto-contuso na
região supra-orbitária, com 3 cm de extensão ocorrido há 40 minutos (tipo de sutura e fio):
a. Sutura contínua com fio monofilamentar sintético (mononylon 3-0)
b. Sutura em 2 planos, sendo o profundo com Catgut 3-0, e o superficial com Mononylon 4-
0.
c. Sutura com pontos separados com fio absorvível (Poliglactina 4-0)
d. Sutura com pontos separados com fio sintético (Mononylon 5-0)
Gabarito: D
Alternativa A: Incorreta. As suturas contínuas são mais empregadas com função hemostática, e
devem ser evitadas em áreas expostas, devido ao aspeto estético pior. Embora o tipo de fio
seja correto, normalmente empregamos fios mais finos para um melhor aspeto cosmético,
preferencialmente 5-0.
Alternativa B: Incorreta. Não há descrição da profundidade da lesão, entretanto raramente
utilizamos suturas em 2 planos, exceto caso haja lesões mais profundas ou ferimentos
profundos demais. Além disso o fio de Catgut não costuma mais ser empregado,
devido a grande incidência de reações de corpo estranho.
Alternativa C: Incorreta. O mais correto é realizarmos sutura com pontos separados, mas
utilizando um fio mais inerte como os sintéticos monofilamentares.
Alternativa D: Correta. Este é o tipo de sutura mais empregado, com pontos separados e fio
com baixo índice de reações de corpo estranho. Além disso a espessura do fio é a mais
adequada para áreas expostas onde o aspecto cosmético seja importante.
CIRURGIA
Questão 13 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Antônio Rocco
Cadeira médica: Cirurgia
Especialidade: Cirurgia
Tema: Politrauma
Tópico: Pneumotórax hipertensivo
Enunciado: Um paciente de 26 anos é trazido pelo resgate vítima de colisão motocicleta X
caminhão. Apresenta-se consciente e orientado, referindo dor em hemitórax D e desconforto
respiratório. Monitorização: PA= 90 X 60 mmHg, FC= 120 bat/min, Sat O2=84%. Ao exame
físico cardiorespiratório: mv+ bilateralmente, diminuídos em todo o hemitórax D.
Hipertimpanismo em hemitórax D, estase jugular à direita, e desvio da traquéia para a
esquerda. BRNF, taquicárdicas. Exame abdominal: Abdome flácido, indolor, bacia estável. A
melhor conduta é:
a. Monitorização cardíaca e punção de Marfanb. Toracocentese aliviadora no 2º espaço intercostal, linha hemiclavicular à direita
c. RX simples de tórax
d. Drenagem torácica no 5º espaço intercostal D, linha axilar anterior
Gabarito: D
Alternativa A: Incorreta. A punção de Marfan é indicada nos casos de tamponamento
pericárdico. Embora o paciente apresente estase jugular e hipotensão, estes achados são
relativos ao pneumotórax hipertensivo à direita. Não há descrição de abafamento de bulhas na
ausculta cardíaca, desta forma não consideramos o diagnóstico de tamponamento cardíaco
Alternativa B: Incorreta. A abordagem convencional do pneumotórax hipertensivo é a punção
com agulha realmente nesta localização, entretanto as recomendações atuais
do ATLS preconizam a drenagem de princípio, realizada no local padrãono 5tº espaço
intercostal.
Alternativa C: Incorreta. Já há indícios suficientes para o diagnóstico de pneumotórax
hipertensivo, não sendo necessária investigação radiológica. A radiografia deverá ser feita para
avaliação e controle da drenagem torácica, ao final do procedimento
Alternativa D: Correta. É um pneumotórax hipertensivo, e a conduta preconizada
atualmente é de drenagem de princípio, no 5º espaço intercostal, entre as linhas axilar média e
anterior.
Questão 14 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Antônio Rocco
Cadeira médica: Cirurgia
Especialidade: Cirurgia
Tema: Técnica cirúrgica
Tópico: Paramentação
Enunciado: Assinale a alternativa que melhor indica a ordem correta de paramentação para a
participação em uma cirurgia?
a. Gorro, máscara, avental cirúrgico, luvas
b. Máscara, gorro, luvas, avental cirúrgico
c. Avental cirúrgico, luvas, gorro, máscara
d. Luvas, máscara, gorro, sapatilha (propé), avental cirúrgico
Gabarito: A
Alternativa A: Correta. Gorro e máscara são colocados antes mesmo da antissepsia das mãos. A
seguir, o avental cirúrgico e finalmente por último as luvas. A partir deste momento o indivíduo
está paramentado, e não deve tocar em mais nada que não esteja estéril.
Alternativa B: Incorreta. A ordem de colocação entre máscara e gorro não é absoluta. Mas as luvas
são as últimas a serem calçadas.
Alternativa C: Incorreta. Gorro e máscara são colocados ainda antes da antissepsia das mãos. Só
depois, avental e luvas.
Alternativa D: Incorreta. As luvas são as últimas a serem calçadas. E as sapatilhas não são mais
obrigatórias em grande parte dos serviços.
Questão 15 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Antônio Rocco
Cadeira médica: Cirurgia
Especialidade: Cirurgia
Tema: Abdome agudo inflamatório
Tópico: Colecistite aguda
Enunciado: Você recebe na unidade de emergência uma paciente de 48 anos, com quadro de dor
em região de hipocôndrio direito e epigástrio, de inicio súbito há cerca de 12 horas, e forte
intensidade. Refere ter se sentido febril durante a noite, mas não aferiu temperatura. Apresenta
náuseas, mas não vomitou. Nega alterações evacuatórias ou urinárias. Ao exame físico apresenta-se
em bom estado geral, febril (T=37,9ºC), anictérica. Ao exame abdominal apresenta dor intensa em
hipocôndrio D, sem irritação peritoneal. Realizou USG de abdome, que mostrou vesícula distendida,
com paredes espessadas, e cálculo de 1cm impactado no infundíbulo. Laboratoriais: Hb=14,1
; Leucocitos=11200 (sem desvio); PCR=23 (até 5); TGO/TGP= 88/58 ; FA/Gama-GT= 86/110 ;
Bilirrubinas T= 1,1 ; amilase=135 ; lipase=99 . Em vista das informações oferecidas, qual a melhor
conduta?
a. Antibioticoterapia IV e realização de CPRE (colangiopancreatografia retrógrada
endoscópica) para drenagem e desobstrução
b. Indicação de colecistectomia videolaparoscópica de imediato
c. Jejum, antibioticoterapia e realização de colangioressonância magnética
d. Analgesia, sintomáticos e antibioticoterapia, seguida por colecistectomia aberta.
Gabarito: B
Alternativa A: Incorreta. O quadro apresentado indica colecistite aguda, e não há indicação
de CPRE. Haveria essa indicação caso diagnóstico de colangite, onde a CPRE estaria indicada para
drenagem da via biliar.
Alternativa B: Correta. Trata-se de um quadro clássico de colecistite aguda, em uma paciente
hemodinamicamente estável. Neste caso a indicação é de colecistectomia de imediato, sendo o
acesso videolaparoscópico o preferencial pelo menor trauma cirúrgico e melhor recuperação no pós-
operatório.
Alternativa C: Incorreta. A realização de colangioressonância estaria indicada para avaliação
pormenorizada das vias biliares. Neste caso já temos o diagnóstico de colecistite aguda, com
indicação de tratamento cirúrgico. Nenhuma outra investigação alteraria a conduta.
Alternativa D: Incorreta. O uso de analgésicos, sintomáticos e antibióticos é
correto... mas a colecistectomia aberta não é a conduta mais adequada, já que implica em pós-
operatório mais prolongado, e mais dor. A via aberta (ou convencional) é reservada aos casos em
que não há disponibilidade de videolaparoscopia, ou em conversões por dificuldades durante a
abordagem videolaparoscópica.
Questão 16 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Antônio Rocco
Cadeira médica: Cirurgia
Especialidade: Cirurgia
Tema: Refluxo gastroesofágico
Tópico:
Enunciado: Qual das alternativas abaixo NÃO é uma indicação de cirurgia para tratamento da
doença do refluxo gastroesofágico?
a. Presença de disfagia associada
b. Quadros pulmonares associados ao refluxo
c. Impossibilidade do uso de IBPs (alergias, custos etc.)
d. Retorno dos sintomas após 8 semanas do uso de IBPs
Gabarito: D
Alternativa A: Correta. A presença de disfagia é um sinal de doença do refluxo complicada, e
geralmente indica o tratamento cirúrgico para melhor controle do refluxo.
Alternativa B: Correta. A presença de quadros pulmonares associados ao refluxo, como as
pneumonias aspirativas ou ainda desencadeamentos de crises de DPOC indicam o tratamento
cirúrgico.
Alternativa C: Correta. Pacientes que não podem tomar IBPs por variados motivos tem indicação
de tratamento cirúrgico, já que é a única forma de controle nesta situação.
Alternativa D: Incorreta. O tratamento inicial consiste em 8 semanas do uso
de IBPs. Eventualmente este tempo pode ser prolongado, ou ainda a medicação pode ser mantida
indefinidamente. O retorno dos sintomas após apenas o primeiro ciclo de tratamento não
indica intratabilidade clínica.
Questão 17 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Antônio Rocco
Cadeira médica: Cirurgia
Especialidade: Cirurgia
Tema: Resposta metabólica ao trauma
Tópico:
Enunciado: A resposta metabólica ao trauma é uma resposta desencadeada com o objetivo de
reparo adequado às lesões teciduais ocorridas, e atender às demandas do processo inflamatório, até
a resolução do quadro. É um processo complexo e sistêmico, levando a várias alterações
orgânicas. Assinale a alternativa que representa adequadamente um efeito da resposta metabólica
ao trauma:
a. Na fase imediata do trauma ocorre vasoconstrição periférica e diminuição do gasto
energético.
b. Após a fase inicial ocorre a fase catabólica, onde há diminuição do metabolismo dirigindo os
processos energéticos a cicatrização.
c. Na fase de recuperação ocorre o anabolismo, e o surgimento desta fase é notado pela
diminuição da diurese.
d. Na fase anabólica ocorre elevação dos níveis de corticosteroides, formação de proteínas, e
diminuição de massa magra.
Gabarito: A
Alternativa A: Correta. Imediatamente após o trauma inicia-se a fase hipodinâmica, onde nota-se
vasoconstricção periférica, diminuição do gasto energético e hipotensão.
Alternativa B: Incorreta. Após a fase inicial realmente inicia-se a fase catabólica, onde há aumento do
metabolismo e intensa mobilização de energia, voltando os esforços do organismo para a reparação
tecidual.
Alternativa C: Incorreta. Ao se iniciar a fase de recuperação ocorre o anabolismo, e o marcador comum
deste início é justamente o aumento da diurese, devido à mobilização do edema existente e eliminaçãodos líquidos “retidos”.
Alternativa D: Incorreta. Na fase anabólica ocorrem na realidade diminuição dos níveis de
corticosteroides. Ocorre também formação de proteínas e ganho de massa muscular, e não perda como na
alternativa.
Questão 18 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Antônio Rocco
Cadeira médica: Cirurgia
Especialidade: Cirurgia
Tema: Hemorragia Digestiva alta varicosa
Tópico:
Enunciado: Na hemorragia digestiva alta associada à presença de hipertensão portal, é muito importante
no atendimento inicial:
a. Uso de drogas vasopressoras (terlipressina, octreotide).
b. Reposição volêmica vigorosa de pelo menos 200ml/h de ringer lactato.
c. Transfusão de concentrado de hemácias se hemoglobina inical estiver abaixo de 11mg/dl.
d. Endoscopia e colonoscopia assim que houver estabilidade hemodinâmica.
Gabarito: A
Alternativa A: Correta. Na hemorragia digestiva alta de origem varicosa há a indicação do uso de drogas
vasopressoras, preferencialmente a terlipressina (que pode ser aplicada em “bolus”), porém podem ser
utilizadas outras drogas, como ocretoride ou somatostatina. Estas drogas NÃO devem ser utilizada se a
origem da hemorragia não for varicosa.
Alternativa B: Incorreta. Nestes pacientes deve-se evitar reposição volêmica muito vigorosa, que pode
causar vasodilatação esplâncnica, resultando em aumento do sangramento.
Alternativa C: incorreta. Nestes pacientes devemos ter parcimônia também na indicação de transfusões
sanguíneas, e devemos manter os níveis de hemoglobina ao redor de 7 a 8 mg/dl.
Alternativa D: Incorreta. Assim que possível deve ser realizada a endoscopia digestiva alta, que além de
diagnóstica tem efeito importantíssimo terapêutico. Entretanto a colonoscopia não está indicada de início,
já que para a sua realização é necessário preparo intestinal, que não deve ser realizado com o paciente em
instabilidade hemodinâmica.
Questão 19 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Antônio Rocco
Cadeira médica: Cirurgia
Especialidade: Cirurgia
Tema: Pancreatite aguda
Tópico: Diagnóstico
Enunciado: Para o diagnóstico de pancreatite aguda, devemos ter os seguintes parâmetros
confirmados:
a. Dor com irradiação para dorso, Ultrassonografia de abdome com sinais de colelitíase, e
Leucocitose.
b. Dor intensa em hipocôndrio direito, Sinal de Murphy e Elevação de lipase sérica.
c. Dor abdominal intensa em abdome superior, Sinais de edema pancreático na
ultrassonografia abdominal, elevação de enzimas pancreáticas.
d. Dor epigástrica, sinais de dilatação de vias biliares em tomografia computadorizada de
abdome, elevação de amilase e lipase séricas.
Gabarito: C
Alternativa A: Incorreta. A dor com irradiação para o dorso pode ser considerado um sinal
clássico de pancreatite aguda, porém deve haver sinais radiológicos de pancreatite (e não de
colelitíase). Além disso, é necessária elevação de enzimas pancreáticas, e não leucocitose.
Alternativa B: Incorreta. A dor intensa em hipocôndio direito e o sinal de Murphy são
indicativos de colecistite aguda, e não pancreatite aguda.
Alternativa C: Correta. Para o diagnóstico é necessária a presença de sinais clínicos (dor
compatível), sinais radiológicos, e elevação de enzimas pancreáticas (amilase e/ou lipase).
Alternativa D: Incorreta. A dor epigástrica intensa pode ser um sinal de pancreatite aguda,
porém não esperamos sinais de dilatação de vias biliares, eS sim sinais de inflamação do
pâncreas. A elevação de amilase e lipase são marcadores importantes.
Questão 20 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Antônio Rocco
Cadeira médica: Cirurgia
Especialidade: Cirurgia
Tema: Complicações pós-operatórias
Tópico: Abscesso intra-abdominal
Enunciado: Em um paciente de 21 anos submetido à apendicectomia videolaparoscópica há 5
dias, que apresenta febre, dor abdominal intensa, leucocitose e queda do estado geral, qual a
melhor possibilidade diagnóstica?
a. Infeção da incisão cirúrgica.
b. Deiscência do ceco.
c. Abscesso intra-abdominal.
d. Abdome agudo obstrutivo por bridas.
Gabarito: C
Alternativa A: Incorreta. A infeção da ferida cirúrgica é a complicação mais comum após a
apendicectomia, mas normalmente não cursa com dor abdominal intensa, sendo este um
indicativo de algum processo intra-abdominal, e não de parede. Além disso a cirurgia realizada
por videolaparoscopia tem menores chances de infeção de ferida.
Alternativa B: Incorreta. A deiscência do coto apendicular (no ceco) é uma complicação rara, e
pouco esperada.
Alternativa C: Correta. Esta é a melhor possibilidade, já que há um processo infecioso
aparentemente de origem intra abdominal. Pode haver a formação de abcessos no abdome,
que apresentariam este quadro clínico.
Alternativa D: Incorreta. O abdome agudo obstrutivo não tem quadro de febre nem dor
abdominal intensa. Embora a presença de bridas seja uma complicação relativamente comum
após qualquer procedimento entra abdominal, o quadro apresentado não é de maneira
alguma compatível.
PEDIATRIA
PEDIATRIA
Questão 21 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Lygia Lauand
Cadeira médica: Pediatria
Especialidade: Pediatria
Tema: Reanimação neonatal
Tópico: Passos iniciais
Enunciado: Recém-nascido pré-termo de 33 semanas nasce de parto vaginal com líquido
amniótico meconial. Ao nascimento, encontra-se hipotônico, sem esforço respiratório e com
frequência cardíaca (FC) não palpável ao clampeamento do cordão, sendo classificado como "não
vigoroso". É levado à mesa de reanimação, onde são realizados os passos iniciais, incluindo aspiração
de vias aéreas sob visualização direta. Inicia-se ventilação com pressão positiva (VPP) com máscara
facial. Após 30 segundos de VPP, a ausculta não evidencia expansão torácica adequada e a FC
permanece em 50 bpm. A conduta mais adequada neste momento é:
a. Iniciar VPP através de máscara laríngea.
b. Realizar a intubação orotraqueal e iniciar VPP pela cânula.
c. Iniciar compressões torácicas intercaladas com VPP com máscara.
d. Aumentar a concentração de oxigênio para 100% mantendo a VPP
com máscara facial.
Gabarito: B
Alternativa A: Incorreta. A máscara laríngea não é recomendada para recém-nascidos com menos de
34 semanas de idade gestacional ou peso inferior a 2.000 g, devido à escassez de evidências nessa
população. Além disso, diante de uma ventilação ineficaz associada à bradicardia importante, a via
aérea definitiva é a intubação traqueal.
Alternativa B: Correta. Após 30 segundos de VPP, o recém-nascido permanece com FC de 50 bpm e
não há expansão torácica adequada. A prioridade é corrigir a ventilação. Segundo as Diretrizes da
SBP (2026), quando a ventilação com máscara é ineficaz, deve-se realizar as manobras corretivas.
Persistindo a ventilação ineficaz, deve-se proceder à intubação orotraqueal e iniciar a ventilação pela
cânula traqueal. Somente após pelo menos 30 segundos de ventilação efetiva pela via aérea
avançada, se a FC permanecerEnunciado: Recém-nascido de 38 semanas, com 60 horas de vida, é trazido para consulta de
puericultura. Nasceu de parto vaginal, sem intercorrências, tipagem sanguínea materna e do recém-
nascido compatíveis (ambos O positivo), Coombs direto negativo. Está em aleitamento materno
exclusivo, com perda ponderal de 6% em relação ao peso de nascimento, sem cefaloematoma. Ao
exame físico, apresenta icterícia até região dos pés (zona V de Kramer). A bilirrubina total sérica é de
19 mg/dL, com predomínio da fração indireta. Diante desse quadro, a conduta mais adequada é:
a. Fototerapia intensiva e investigação complementar de causas de hemólise Coombs-negativas,
como deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD) e esferocitose hereditária.
b. Fototerapia convencional isolada, uma vez que a criança não apresenta fatores de risco
clássicos para hiperbilirrubinemia grave.
c. Exsanguineotransfusão imediata independentemente da presença ou ausência de sinais de
encefalopatia bilirrubínica aguda.
d. Conduta expectante, com reavaliação em 24 horas em regime ambulatorial, por se tratar de
icterícia fisiológica tardia compatível com a idade do recém-nascido.
Gabarito: A
Alternativa A: Correta. O recém-nascido apresenta hiperbilirrubinemia indireta significativa (19
mg/dL com 60 horas de vida) e icterícia em zona V de Kramer. De acordo com as recomendações
atuais esse valor ultrapassa o limiar para fototerapia intensiva em um recém-nascido de 38 semanas
sem fatores de risco neurotóxicos. Além do tratamento, deve-se investigar causas
de hiperbilirrubinemia importante. Como há incompatibilidade ABO descartada (mãe e RN O
positivo), Coombs direto negativo e ausência de cefaloematoma, devem ser consideradas causas de
hemólise Coombs-negativas, especialmente deficiência de G6PD e esferocitose hereditária.
Alternativa B: Incorreta. A fototerapia, quando indicada, deve ser intensiva, e não convencional. A
fototerapia convencional é insuficiente para níveis de bilirrubina próximos ao limiar
de exsanguineotransfusão ou claramente acima do limiar terapêutico.
Alternativa C: Incorreta. A exsanguineotransfusão não está indicada de imediato. Ela é reservada
para níveis de bilirrubina que atinjam o limiar específico para exsanguineotransfusão ou para casos
com sinais de encefalopatia bilirrubínica aguda, apesar de fototerapia intensiva.
Alternativa D: Incorreta. Não se trata de uma icterícia fisiológica que permita apenas observação.
Um valor de bilirrubina de 19 mg/dL com apenas 60 horas de vida exige tratamento imediato.
Questão 23 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Lygia Lauand
Cadeira médica: Pediatria
Especialidade: Pediatria
Tema: Alimentação complementar
Tópico: Alimentação complementar
Enunciado: Lactente de 8 meses, nascido a termo, em aleitamento materno complementado,
está recebendo alimentação complementar. A mãe pratica alimentação complementar guiada pelo
bebê (baby-led weaning) e relata dúvidas sobre a introdução de mel, sobre a oferta
de alimentos inteiros como forma de estimular a autoalimentação, e sobre como garantir o aporte
de ferro nessa fase, já que percebeu queda no apetite da criança. Considerando as recomendações
do Ministério da Saúde, a orientação correta é:
a. Introduzir mel apenas após os 6 meses de idade pelo risco de botulismo infantil associado a
esse alimento.
b. Iniciar reposição de ferro na dose de 1mg/kg ao dia até os dois anos de idade.
c. Priorizar diariamente a oferta de alimentos fonte de ferro heme (carnes) e não heme
(leguminosas), associados a fontes de vitamina C na mesma refeição para otimizar a absorção
de ferro.
d. Postergar a introdução de alimentos com glúten até os 12 meses de idade, como medida
eficaz de prevenção de doença celíaca.
Gabarito: C
Alternativa A: Incorreta. O mel não deve ser oferecido antes dos 12 meses de idade,
independentemente do método utilizado na alimentação complementar. A restrição decorre do
risco de botulismo infantil pela possível presença de esporos de Clostridium botulinum. Portanto,
não é correto liberá-lo após os 6 meses.
Alternativa B: Incorreta. A recomendação de suplementação profilática contínua com ferro na dose
de 1 mg/kg/dia dos 6 aos 24 meses corresponde a recomendações anteriores. Segundo o Programa
Nacional de Suplementação de Ferro do Ministério da Saúde, vigente desde 2022 e reafirmado na
atualização da SBP de 2026, lactentes saudáveis, nascidos a termo e com peso adequado ao nascer
devem receber 10 a 12,5 mg/dia de ferro elementar, em dois ciclos de três meses,
preferencialmente iniciados aos 6 e aos 12 meses, com intervalo de três meses sem
suplementação.
Alternativa C: Correta. A alimentação complementar deve garantir oferta frequente e regular de
alimentos ricos em ferro de boa biodisponibilidade, especialmente fontes de ferro heme, como
carnes bovinas, suínas, aves e peixes. Também devem ser incluídas fontes vegetais de ferro, como
leguminosas. A associação com alimentos ricos em vitamina C favorece a absorção do ferro,
especialmente do ferro não heme. A atualização da SBP reforça exatamente essa combinação:
alimentos fonte de ferro associados a frutas cítricas e hortaliças ricas em vitamina.
Alternativa D: Incorreta. Não se recomenda postergar a introdução do glúten até os 12 meses com a
finalidade de prevenir doença celíaca. A introdução pode ocorrer durante o período habitual da
alimentação complementar; retardá-la não demonstrou prevenir a doença celíaca.
Questão 24 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Lygia Lauand
Cadeira médica: Pediatria
Especialidade: Pediatria
Tema: Febre sem sinais de localização
Tópico: Febre sem sinais de localização
Enunciado: Recém-nascido de 21 dias, sexo feminino, nascido a termo, é levado ao pronto-socorro por
apresentar febre de 38,7°C há 8 horas, associada à recusa das mamadas e hipoatividade. Está em
aleitamento materno exclusivo. Ao exame físico, encontra-se irritadiço, porém sem sinais de meningismo
ou foco infeccioso evidente. Os exames laboratoriais mostram leucocitose com desvio à esquerda. A
análise da urina obtida por cateterismo vesical evidencia leucocitúria intensa, esterase leucocitária
positiva, nitrito positivo e bacteriúria. A bacterioscopia demonstra numerosos bacilos Gram-negativos.
Considerando o quadro clínico e as recomendações atuais para infecção do trato urinário no período
neonatal, a conduta mais adequada é:
a. Iniciar antibioticoterapia oral em regime ambulatorial e reavaliar em 48 horas, programar investigação por
imagem com ultrassonografia de rins e vias urinárias.
b. Internar a paciente, coletar urocultura antes do início da antibioticoterapia, iniciar tratamento parenteral
empírico e programar ultrassonografia de rins e vias urinárias.
c. Aguardar o resultado definitivo da urocultura para confirmar o diagnóstico antes de iniciar antibioticoterapia,
pois a criança encontra-se hemodinamicamente estável.
d. Realizar internação, coleta de hemocultura, urocultura e exame de líquor e iniciar antibioticoterapia
parenteral imediatamente.
Gabarito: D
Alternativa A: Incorreta. Incorreto. Em um recém-nascido de 21 dias com febre e suspeita de ITU, não
está indicado tratamento oral ambulatorial. Nessa faixa etária, a ITU febril deve ser considerada
potencialmente uma infecção bacteriana invasiva, com necessidade de internação, investigação de sepse
e antibioticoterapia parenteral. Além disso, a ultrassonografia de rins e vias urinárias é recomendada
após o primeiro episódio de ITU febril no período neonatal.
Alternativa B: Incorreta. Embora a internação, a coleta de urocultura, a antibioticoterapia parenteral e a
programação de ultrassonografia estejam corretas, a alternativa está incompleta para um RN de 21 dias
febril. Neonatos febris com ≤28 dias apresentam risco aumentado de bacteremia e meningite e, mesmo
quando há provável foco urinário, a identificação de ITU não exclui infecção bacteriana invasivaconcomitante. Portanto, deve ser realizada investigação para meningite com punção lombar e
análise/cultura do líquor, desde que não haja contraindicação.
Alternativa C: Incorreta. A antibioticoterapia não deve ser postergada aguardando a urocultura. A urina
deve ser coletada para cultura antes do antibiótico sempre que possível, mas, após a obtenção das
culturas indicadas, deve-se iniciar prontamente antibioticoterapia empírica parenteral. A estabilidade
hemodinâmica não modifica essa conduta no neonato febril.
Alternativa D: Correta. Trata-se de um recém-nascido de 21 dias com febre, alteração do estado geral e
exame de urina fortemente sugestivo de ITU. Nessa faixa etária, recomenda-se internação e investigação
de infecção bacteriana invasiva, incluindo hemocultura, urocultura e análise/cultura do líquor, seguida de
antibioticoterapia empírica parenteral. Após a estabilização e o tratamento do episódio, deve-se realizar
ultrassonografia de rins e vias urinárias para pesquisa de anormalidades do trato urinário.
Questão 25 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Lygia Lauand
Cadeira médica: Pediatria
Especialidade: Pediatria
Tema: Meningite bacteriana
Tópico: Meningite bacteriana
Enunciado: Criança de 4 anos, previamente hígida, é internada com quadro de meningite bacteriana
adquirida na comunidade: febre, rigidez de nuca, vômitos e rebaixamento do nível de consciência.
Punção lombar evidência líquor turvo, pleocitose neutrofílica, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia,
com bacterioscopia direta (Gram) evidenciando diplococos Gram-positivos. Considerando o agente mais
provável e as recomendações atuais, a conduta mais adequada é:
a. Ceftriaxona associada à dexametasona administrada antes ou concomitantemente à primeira dose de
antibiótico.
b. Ampicilina associada a cefotaxima, sem necessidade de corticoide pois possivelmente se trata de
meningococo.
c. Vancomicina associada a ceftriaxona e dexametasona administrada antes ou concomitantemente à primeira
dose de antibiótico.
d. Vancomicina isolada, reservando-se o uso de corticoide apenas para após 48 horas de antibioticoterapia, pois
trata-se possivelmente de pneumococo.
Gabarito: C
Alternativa A: Incorreta. Os diplococos Gram-positivos no líquor sugerem fortemente
Streptococcus pneumoniae. Embora a ceftriaxona faça parte do tratamento empírico, em crianças com
meningite bacteriana adquirida na comunidade deve-se inicialmente associar vancomicina a uma
cefalosporina de terceira geração, devido à possibilidade de pneumococo com resistência às
cefalosporinas. Após identificação do agente e conhecimento da sensibilidade, o esquema pode ser
ajustado.
Alternativa B: Incorreta. O meningococo (Neisseria meningitidis) apresenta-se como diplococo Gram-
negativo, e não Gram-positivo. O achado descrito é característico do pneumococo. Além disso, ampicilina
associada à cefotaxima é um esquema utilizado principalmente na meningite neonatal, em que é
necessária cobertura para agentes como Streptococcus do grupo B, bacilos Gram-negativos
e Listeria monocytogenes.
Alternativa C: Correta. O achado de diplococos Gram-positivos sugere Streptococcus pneumoniae. Na
meningite bacteriana em uma criança de 4 anos, o tratamento empírico deve incluir vancomicina
associada a ceftriaxona (ou cefotaxima), até que estejam disponíveis cultura e teste de sensibilidade. A
dexametasona deve ser administrada antes ou concomitantemente à primeira dose do antibiótico,
especialmente diante da suspeita de meningite pneumocócica.
Alternativa D: Incorreta. A vancomicina não deve ser utilizada isoladamente como tratamento empírico
da meningite pneumocócica. Deve ser associada inicialmente a uma cefalosporina de terceira geração.
Além disso, quando indicada, a dexametasona deve ser iniciada antes ou junto à primeira dose do
antibiótico; seu início tardio, após 48 horas de antibioticoterapia, não apresenta o mesmo benefício.
Questão 26 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Lygia Lauand
Cadeira médica: Pediatria
Especialidade: Pediatria
Tema: Neoplasia na pediatria
Tópico: Neuroblastoma
Enunciado: Criança de 18 meses é levada ao pronto-socorro por massa abdominal palpável que
ultrapassa a linha média, associada a equimose periorbitária bilateral, hipertensão arterial e
movimentos oculares rápidos e multidirecionais associados a abalos musculares mioclônicos difusos,
notados pelos pais há cerca de 2 semanas. A hipótese diagnóstica mais provável e a fisiopatologia do
achado neurológico associado são, respectivamente:
a. Tumor de Wilms; a hipertensão arterial decorre de compressão da artéria renal, e o exame
confirmatório inicial mais indicado é a dosagem sérica de alfafetoproteína.
b. Neuroblastoma; a síndrome de opsoclono-mioclono (olhos dançantes-pés dançantes) é um
fenômeno paraneoplásico mediado por resposta autoimune cruzada entre antígenos tumorais e
estruturas do sistema nervoso central.
c. Hepatoblastoma; a elevação de alfafetoproteína é o marcador tumoral mais sensível e específico para
confirmação diagnóstica desse quadro, sendo a equimose periorbitária um achado típico dessa
neoplasia.
d. Linfoma não Hodgkin; a equimose periorbitária representa infiltração leucêmica local direta, sem
relação com fenômeno paraneoplásico, e os movimentos oculomotores descritos são atribuíveis a
compressão direta do tumor sobre estruturas orbitárias.
Gabarito: B
Alternativa A: Incorreta. Embora o tumor de Wilms possa apresentar-se como massa abdominal e
hipertensão arterial, a massa geralmente é renal, bem delimitada e tende a não ultrapassar a linha
média. Equimose periorbitária e síndrome de opsoclono-mioclono não são características típicas do
tumor de Wilms. Além disso, a alfafetoproteína não é marcador diagnóstico dessa neoplasia.
Alternativa B: Correta. O quadro é característico de neuroblastoma. A doença ocorre principalmente
em crianças pequenas e pode manifestar-se como massa abdominal que ultrapassa a linha média,
hipertensão relacionada à produção de catecolaminas e equimose periorbitária (“olhos de
guaxinim”) decorrente de metástases orbitárias. A síndrome de opsoclono-mioclono é uma
manifestação paraneoplásica clássica do neuroblastoma, caracterizada por movimentos oculares
rápidos, involuntários e multidirecionais (opsoclono), associados a mioclonias e frequentemente
ataxia. Sua fisiopatologia é imunomediada, decorrente de resposta autoimune contra antígenos
compartilhados pelo tumor e pelo sistema nervoso.
Alternativa C: Incorreta. O hepatoblastoma ocorre predominantemente em crianças pequenas e
apresenta elevação importante da alfafetoproteína na maioria dos casos, porém costuma
manifestar-se como massa de origem hepática. Equimose periorbitária e síndrome de opsoclono-
mioclono não são manifestações características dessa neoplasia.
Alternativa D: Incorreta. O linfoma não Hodgkin pode produzir massas abdominais na infância,
porém a associação entre massa abdominal, equimose periorbitária e síndrome de opsoclono-
mioclono aponta para neuroblastoma. Os movimentos oculares descritos não decorrem de
compressão orbitária direta, mas de fenômeno paraneoplásico imunomediado.
Questão 27 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Lygia Lauand
Cadeira médica: Pediatria
Especialidade: Pediatria
Tema: Anemia carencial
Tópico: Anemia ferroprina
Enunciado: Criança de 2 anos é levada à consulta por palidez leve, assintomática do ponto de vista
funcional, sem queixas de sangramento. Hemograma evidencia hemoglobina de 10,2 g/dL, volume
corpuscular médio (VCM) de 62 fL, contagem de hemácias de 5,8 milhões/mm³ e RDW dentro da faixa de
normalidade. Diante desse quadro de anemia microcítica, a conduta mais adequada é:
a. A anemia microcítica, associado a RDW normal e número de hemácias relativamente elevado para
o grau de anemia, sugere traço talassêmico, sendo indicada a eletroforese de
hemoglobina e dosagem de ferritina.b. Iniciar suplementação empírica de ferro elementar na dose de 3 a 6 mg/kg/dia por 3 meses, uma
vez que se trata de anemia microcítica típica de deficiência de ferro nessa faixa etária.
c. Solicitar mielograma imediatamente para investigação de anemia microcítica na infância, além de
perfil de ferro completo.
d. Repetir o hemograma em 30 dias sem qualquer investigação laboratorial adicional, pois anemias
microcíticas na infância tendem à resolução espontânea, independentemente da causa.
Gabarito: A
Alternativa A: Correta. O padrão laboratorial é sugestivo de traço talassêmico: microcitose acentuada e
desproporcional à intensidade da anemia, contagem de hemácias relativamente elevada e RDW normal.
O índice de Mentzer reforça essa hipótese: VCM/hemácias = 62/5,8 ≈ 10,7. Valores 13 favorecem deficiência de ferro. A investigação inclui eletroforese/HPLC
de hemoglobinas e avaliação do estado do ferro, especialmente ferritina, para excluir deficiência de ferro
concomitante.
Alternativa B: Incorreta. A deficiência de ferro é realmente a principal causa de anemia microcítica nessa
faixa etária, mas o padrão apresentado não é o mais característico de ferropenia. Na anemia ferropriva,
espera-se mais frequentemente aumento do RDW e redução da contagem de hemácias em relação ao
observado no traço talassêmico. Neste caso, a suplementação empírica de ferro sem investigação prévia
pode resultar em tratamento desnecessário.
Alternativa C: Incorreta. O mielograma não faz parte da investigação inicial de uma anemia microcítica
isolada com características sugestivas de talassemia. A avaliação inicial deve incluir estudo do
metabolismo do ferro e investigação de hemoglobinopatias.
Alternativa D: Incorreta. A criança apresenta anemia verdadeira e microcitose importante, que requer
investigação etiológica. Anemias microcíticas não devem ser consideradas autolimitadas nem
simplesmente acompanhadas sem investigação.
Questão 28 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Lygia Lauand
Cadeira médica: Pediatria
Especialidade: Pediatria
Tema: Dermatologia pediátrica
Tópico: Dermatologia pediátrica
Enunciado: Lactente de 7 semanas é levado à consulta por lesões cutâneas iniciadas no couro cabeludo
há cerca de 15 dias. A mãe relata que as lesões começaram como descamação de aspecto oleoso e,
posteriormente, surgiram áreas semelhantes nas sobrancelhas, atrás das orelhas e nas dobras cervicais.
Ao exame, observam-se escamas amareladas e aderentes sobre áreas discretamente eritematosas, sem
prurido importante. A criança encontra-se afebril, em bom estado geral e com ganho
ponderal adequado. Considerando a principal hipótese diagnóstica, assinale a alternativa que apresenta
corretamente o diagnóstico e o microrganismo relacionado à sua fisiopatologia:
a. Impetigo não bolhoso — Staphylococcus aureus.
b. Dermatite atópica — Streptococcus pyogenes.
c. Dermatite seborreica — Malassezia spp.
d. Candidíase cutânea — Candida albicans.
Gabarito: C
Alternativa A: Incorreta. O impetigo não bolhoso é uma infecção bacteriana superficial, causada
principalmente por Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes. Caracteriza-se tipicamente por
vesículas ou pústulas que evoluem para erosões recobertas por crostas melicéricas. A distribuição e a
presença de escamas oleosas e aderentes no couro cabeludo e áreas seborreicas não são características
de impetigo.
Alternativa B: Incorreta. A dermatite atópica pode surgir nos primeiros meses de vida, mas geralmente
apresenta prurido importante, xerose e lesões eczematosas, com acometimento frequente da face e
superfícies extensoras no lactente. Sua fisiopatologia envolve alteração da barreira cutânea e
desregulação imunológica, não sendo causada por Streptococcus pyogenes.
Alternativa C: Correta. O quadro é típico de dermatite seborreica do lactente, caracterizada por escamas
amareladas, oleosas e aderentes, sobre base discretamente eritematosa, predominando no couro
cabeludo e podendo acometer sobrancelhas, região retroauricular e dobras. Em geral, não há prurido
significativo e o lactente mantém bom estado geral. A Malassezia spp., levedura lipofílica que coloniza
áreas ricas em glândulas sebáceas, está associada à fisiopatologia da doença.
Alternativa D: Incorreta. A candidíase cutânea acomete principalmente áreas úmidas e intertriginosas,
como a região das fraldas e dobras, produzindo placas eritematosas intensas, frequentemente
acompanhadas de pápulas e pústulas satélites. O padrão de escamas amareladas e oleosas
predominando no couro cabeludo favorece dermatite seborreica.
Questão 29 - Simulado [AGOSTO] ESPECIAL ENAMED
Professor(a)/autor(a): Lygia Lauand
Cadeira médica: Pediatria
Especialidade: Pediatria
Tema: Síndrome de Guillain-Barré
Tópico: Síndrome de Guillain-Barré
Enunciado: Criança de 7 anos apresenta fraqueza muscular ascendente e arreflexia iniciadas há 5 dias, após
episódio de gastroenterite aguda. Durante a internação, evolui com disfagia, voz anasalada e redução da
força da musculatura respiratória acessória. Considerando o acompanhamento e as particularidades clínicas
da síndrome de Guillain-Barré na infância, assinale a alternativa correta:
a. A dissociação albuminocitológica no líquor é obrigatória para o diagnóstico e costuma estar presente
desde os primeiros dias da doença, de modo que sua ausência torna improvável a síndrome de
Guillain-Barré.
b. O monitoramento seriado da capacidade vital forçada e das pressões inspiratória e expiratória
máximas é importante para identificar precocemente a deterioração da função respiratória,
especialmente nos pacientes com comprometimento bulbar.
c. A presença de oftalmoplegia, ataxia e arreflexia associada a anticorpos anti-GQ1b é característica da
forma desmielinizante clássica da síndrome de Guillain-Barré e está associada a pior prognóstico
respiratório.
d. A imunoglobulina humana intravenosa deve ser reservada para pacientes que mantêm progressão
dos sintomas após quatro semanas, uma vez que o tratamento precoce pode interferir na
recuperação espontânea dos nervos periféricos.
Gabarito: B
Alternativa A: Incorreta. A dissociação albuminocitológica, caracterizada por aumento da proteína
no líquor com contagem celular normal ou discretamente aumentada, é um achado clássico da síndrome de
Guillain-Barré, mas não é obrigatória para o diagnóstico. Além disso, pode estar ausente nos primeiros dias
da doença, tornando-se mais frequente após a primeira semana. Portanto, um líquor normal no início do
quadro não exclui o diagnóstico.
Alternativa B: Correta. O comprometimento da musculatura respiratória é uma das principais complicações
da síndrome de Guillain-Barré e pode evoluir rapidamente. A avaliação seriada da capacidade vital forçada e
das pressões inspiratória e expiratória máximas permite detectar deterioração da função respiratória antes
do desenvolvimento de alterações gasométricas tardias. A presença de disfagia e voz anasalada indica
comprometimento bulbar e aumenta a preocupação com proteção das vias aéreas e evolução para
insuficiência respiratória.
Alternativa C: Incorreta. A associação de oftalmoplegia, ataxia e arreflexia caracteriza a síndrome de Miller
Fisher, uma variante da síndrome de Guillain-Barré, frequentemente associada à presença de anticorpos
anti-GQ1b. Portanto, esses achados não caracterizam a forma desmielinizante clássica da doença.
Alternativa D: Incorreta. A imunoglobulina humana intravenosa não deve ser postergada até a quarta
semana. O tratamento específico deve ser iniciado precocemente nos pacientes com doença significativa,
especialmente quando há perda da capacidade de deambular, progressão rápida, comprometimento bulbar
ou respiratório. Imunoglobulina intravenosa e plasmaférese são as principais opções terapêuticas, enquanto
os corticosteroides não demonstraram benefício no tratamento da síndrome de Guillain-Barré.
Questão