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PEÇA 02 - Reclamação trabalhista II EXCELENTISSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DO TRABALHO DA VARA DO TRABALHO DE RIO DE JANEIRO. HARRY STYLES, motoboy, portador da cédula de identidade RG n°, inscrito no CPF sob n°, residente e domiciliado no endereço, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência por seu advogado que a esta subscreve (procuração anexa – doc. 1), com fulcro no artigo 840, §1° da CLT, c/c o art. 319 do CPC, propor a presente RECLAMAÇÃO TRABALHISTA em face de AS IT WAS LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ/MF sob n°, sediada no endereço, Rua, Ipanema, Rio de Janeiro, pelos fatos e fundamentos que a seguir expõe: DOS FATOS O reclamante HARRY STYLES, foi contratado pela reclamada AS IT WAS LTDA em 19/12/2019, para exercer a função de motoboy, com salário mensal de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais). Ocorre que o reclamante sofreu um acidente de trabalho durante a entrega de uma pizza, sendo mordido e arranhado por cachorros, o que resultou em lesões graves, levando a se ausentar do trabalho por 30 dias. Neste período, recebeu o benefício previdenciário do INSS, ainda obteve um gasto de R$ 200.00 com a vacina antirrábica e outros medicamentos, por recomendação médica, em virtude desse acidente de trabalho. Entretanto, ao retornar ao trabalho 20 de setembro de 2020, foi demitido sem justa causa e sem pagamento das verbas rescisórias, com alegação de suposto interesse romântico da esposa do dono da empresa pelo reclamante. Ainda, consta nos seus demonstrativos de pagamento do reclamante, o desconto do INSS e, no qual no mês de março houve o desconto de R$ 31,80 referente a contribuição sindical, sem a autorização do reclamante. Além disso, vale frisar que no seu demonstrativo de pagamento, o seu salário é o equivalente a um salário-mínimo, valor inferir ao que de fato ele recebe a título de salário. DO DIREITO Inicialmente, requer-se a concessão ao reclamante dos benefícios da gratuidade de justiça, nos termos do artigo 5°, LXXIV, da CF, e do artigo 790, §4°, da CLT, pois a parte autora, o reclamante, declara que em face de sua atual situação econômica, encontra-se com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais sem prejuízo do sustento familiar, tudo conforme declaração de hipossuficiência anexa (doc.02). E, diante dos fatos expostos anteriormente, requer-se: 1. Jornada de Trabalho – Horas Extras O Reclamante, laborou 8 (oito) horas e meia de jornada, com intervalo de 40 minutos, portanto maior do 8 (oito) horas preservadas pelo art. 7°, XIII, CF e pelo artigo 58°, CLT. Ainda, o reclamante detinha folgas a segundas-feiras, com um domingo no mês de folga, entretanto, quando não é compensado o trabalho em domingo, este equivalente a 100% de horas extras, conforme Súmula 146 TST. 2. Intervalo Intrajornada Conforme narrado nos fatos, a carga horária da Reclamante era de terça à domingo, das 18h às 03h30, com intervalo de 40 minutos para refeição. Contudo, é mister afirmar que a reclamante jamais usufruiu do seu intervalor intrajornada diário (1 a 2hs), pausando suas atividades laborais diariamente por apenas 40 minutos para se alimentar. Ou seja, desde o início do vínculo empregatício em 10/12/2019, nos 6 dias na semana. Nos termos do art. 71, §4° da CLT, em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de 6 (seis) horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no mínimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderá exceder de 2 (duas) horas, e a ausência dessa hora reverbera em verba indenizatória equivalente a 50% do valor da hora de trabalho. 3. Adicional Noturno Conforme artigo 73 da CLT, trabalho noturno é aquela realizada entre às 22h de um dia e às 5h da manhã do dia seguinte, em áreas urbanas. E de acordo com a Lei Complementar 150, art 14 § 1º e 2º a hora noturna terá duração de 52 minutos e 30 segundos e a remuneração será acrescida de 20%. Visto que o reclamante ficava a disposição da reclamada 8 horas e meia, para realização das entregas, estas devem ser acrescida de 20% de adicional noturno, a partir das 22h, com reflexo em 13°, férias, FGTS. 4. Adicional de Periculosidade O Reclamante exercia a função de motoboy, entregando as refeições nos endereços fornecidos pelos clientes. Sendo assim, faz jus ao recebimento do adicional de periculosidade, nos termos do §1° e 4º do artigo 193 da CLT. Portanto, requer que a reclamada seja condenada ao pagamento do adicional de periculosidade de 30% referente a todo o período trabalhado, com reflexo em 13°, férias, FGTS. 5. Diferença do FGTS Seja determinado o pagamento das diferenças salariais devidas de todo período contratual, incluindo o fato de que no contracheque constava o valor a menor de seu salário. Ainda como, condenado ao depósito do FGTS, devidamente atualizado, cumulado com as multas previstas nos artigos 22 da Lei 8.036/90 e 467 da CLT. 6. Desconto indevido da contribuição sindical De acordo com o artigo 582 da CLT, o empregador deve descontar contribuição sindical se o empregado autorizar prévia e expressamente, não sendo o caso do Reclamante, portanto, os R$ 31,80, devem ser restituídos monetariamente corrigidos desde março 2022 e com juros de mora. 7. Estabilidade e reintegração O Reclamante sofreu acidente de trabalho em agosto de 2020, ocasionado durante a entrega de uma pizza, sendo mordido e arranhado por cachorros, o que resultou em lesões graves, levando a se ausentar do trabalho por 30 dias. Neste período, recebeu o benefício previdenciário do INSS. Ao encerrar o seu afastamento, retornou ao labor em setembro de 2020. Desta forma, De acordo com o art. 118 e art. 21, II da Lei n° 8.213/91 e Súmula 378 TST., o segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantida, pelo prazo de 12 meses, a manutenção de seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-doença acidentário. Desta forma, requer a reintegração do Reclamante a reclamada, ou a indenização substitutiva, cabendo ao Reclamante o direito de perceber as verbas rescisórias do período em que lhe fora suprimido o labor, haja vista ter sido dispensado durante a vigência da Estabilidade Provisória. 8. Da reparação de danos 8.1. DANOS MATERIAIS (danos emergentes) Conforme relatado reiteradamente nos tópicos supra expostos, o Reclamante sofreu acidente de trabalho, resultando em lesões graves, levando a se ausentar do trabalho por 30 dias. Neste período, recebeu o benefício previdenciário do INSS, ainda obteve um gasto de R$ 200.00 com a vacina antirrábica e outros medicamentos, por recomendação médica, em virtude desse acidente de trabalho. De acordo com a Súmula n° 37: “São cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato”. Visto que decorrente do acidente de trabalho, resultou diversos gastos adicionais não programados pelo Reclamante, receitada pelo médico responsável, requer a condenação do Reclamado ao pagamento dos danos materiais no valor 250,00, corrigidos monetariamente com juros de mora, conforme artigo 186 e artigo 927, caput cc artigo 402, CC. 8.2. DANOS MORAIS/EXTRAPATRIMONIAIS Ainda como, requer o pagamento de Danos Morais, visto dispensa do Reclamante em virtude de motivação estritamente pessoal dos empregados, não havendo nenhum elemento que indique atitude desabonadora o cumprimento do contrato de trabalho pelo empregado, conforme art. 233-B e art. 223-C. Tendo em vista que qualquer tratamento discriminatório deve ser indenizado e punido, estima-se um valor da reparação por dano moral, bem como o fato de a lesão ter afetado gravemente o Reclamante, requer que, considerando a gravidade dos danos, nos parâmetros fixados pelo Art. 223-G, § 1º da CLT, aempresa seja condenada em danos morais no valor de R$ 26.400,00. 9. MULTA ART. 477 CLT A Consolidação das Leis Trabalhistas determina em seu art. 477, § 6º, o prazo para que no empregador, quando da demissão do empregado, efetue o pagamento das verbas rescisórias. Visto que não foram quitadas as verbas trabalhistas no prazo legal, percorrendo a reclamante a multa correspondente. 10. MULTA ART. 467 CLT Por tratar-se claramente de verbas incontroversas, requer também seu pagamento na audiência inaugural, sob pena de ser acrescida de 50% nos termos do dispositivo legal citado. 11. Tutela de urgência Nos termos dos artigos 294 e 300 do CPC, o magistrado, por requerimento da parte, pode conceder a tutela de urgência quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e perigo de danos resultantes da demora do provimento jurisdicional. Requer como tutela de urgência a reintegração do Reclamante ao emprego, ou emissão das guias do seguro-desemprego. DOS PEDIDOS Diante das considerações expostas, requer: 1. Que seja deferido o benefício da assistência judiciária gratuita, devido à difícil situação econômica do Reclamante, que não possui condições de custear o processo, sem prejuízo próprio. 2. A concessão da Tutela de urgência para determinar a imediata reintegração do Reclamante ao seu emprego. 3. Julgar ao final TOTALMENTE PROCEDENTE a presente Reclamação, corrigidos monetariamente, acrescidos de juros, custas e demais despesas processuais. A - Pagamento de horas extras exercidas em excesso na jornada de trabalho, durante todo o período do contrato e com o reflexo no 13° salário e férias. B – Pagamento do adicional correspondência ao não respeito ao intervalo intrajornada, durante todo o período do contrato e com reflexo no 13° salário e férias. C – Pagamento do adicional noturno durante todo o período do contrato e com reflexo no 13° salário e férias. D – Pagamento do adicional de periculosidade, durante todo o período do contrato e com reflexo no 13° salário e férias. E – Complementação dos depósitos fundiários, de acordo com os pedidos antecedentes, durante todo o período do contrato. F – Restituição do valor indevidamente descontado no mês de março/2020 relativo a contribuição sindical não autorizada pelo Reclamante, G – A reparação de danos materiais no valor de R$ 250,00 corrigidos monetariamente e com incidência de juros de mora, desde a data do desembolso. H – A condenação do Reclamado à Indenização por danos morais no importe de (indicar um valor) corrigido monetariamente e com juros de mora desde o arbitramento. I – A aplicação da multa do art. 467 da CLT. J – A aplicação da multa do art. 477 da CLT. K – A retificação da prenotação do valor do salário na CTPS do Reclamante, de um salário-mínimo, para o valor efetivamente recebido. L – A condenação em honorários advocatícios e sucumbenciais. reconhecendo a nulidade da dispensa por justa causa, a fim de retificá- la para dispensa sem justa causa, condenando a empresa Reclamada a reconhecer: NOTIFICAÇÃO Por fim, requer a notificação da reclamada para que possa contestar os itens supracitados, sob pena de serem admitidos como verdadeiros, conforme súmula 74 do TST. Dá-se à causa o valor de R$, para efeitos fiscais. Nestes Termos, Pede deferimento Local, data Advogado, OAB n°.