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Aula 03 Gabriela Bexiga Psicofarmacologia Clínica Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Diretora Editorial ANDRÉA CÉSAR PEDROSA Projeto Gráfico MANUELA CÉSAR ARRUDA Autor EDUARDO NASCIMENTO DE ARRUDA Desenvolvedor CAIO BENTO GOMES DOS SANTOS GABRIELA BEXIGA Olá. Meu nome é Gabriela Bexiga. Sou Farmacêutica Bioquímica fiz Mestrado na área da Educação Física, onde pesquisei Feitos do treinamento físico aeróbio no pâncreas de camundongos fêmea LDL Knockout ovariectomizadas. Avaliei a influência do exercício físico aeróbio sobre as diferentes células das ilhotas pancreáticas, através de análises Bioquímico, Morfoquantitativa e Imuno-histoquímica. Papiloscopista e Diretora da Associação dos Funcionários da Polícia Civil do Estado de São Paulo (AFPCESP), faço parte da Comissão Multidisciplinar no Departamento de Perícia Médica do estado de SP aos PCDs inscritos e aprovados do Concurso Público. Leciono aulas na área da Papiloscopia, Anatomia & Fisiologia e áreas da Farmácia. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! Autora INTRODUÇÃO: para o início do desenvolvimen- to de uma nova competência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser prioriza- das para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e inda- gações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofun- damento do seu conhecimento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma ativi- dade de autoapren- dizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; Iconográficos Olá. Meu nome é Manuela César de Arruda. Sou a responsável pelo pro- jeto gráfico de seu material. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: SUMÁRIO As emergências psiquiátricas e sua abordagem terapêutica. Insônia e a sua abordagem farmacoterapêutica. O TDAH e sua abordagem farmacoterapêutica 12 As emergências psiquiátricas 12 Definições 14 Exames 14 Exame do estado mental (EEM) 15 Comportamento agressivo 16 O papel da equipe 17 Suicídio 17 Intervenções médicas e enfermarias 18 Substâncias dependentes 19 Ataques de Pânicos 19 Psicose Aguda 20 Transtorno de estresse agudo (TEA) 20 Indicação de internação 20 Abordagem terapêutica emergências psiquiátricas 21 Antipsicóticos Típicos 21 Haloperidol (Haldol®) 22 Clorpromazina (Amplictil®) 22 Antipsicóticos Atípicos 23 Clozapina 23 Olanzapina 23 Quetiapina 24 Ziprasidona 24 Risperidona 24 Ansiolíticos 25 Benzodiazepínicos (BDZ) 25 Carbonato de Lítio 26 Insônia e a sua abordagem farmacoterapêutica 26 Causas da insônia 27 Fatores de risco 28 Principais sintomas 29 Tratamento 30 Benzodiazepínicos 30 Agonistas não Benzodiazepínicos GABAA 31 Antidepressivos tricíclicos 31 Antidepressivos tetracíclico 31 Anti-histamínicos 32 Agonistas dos receptores de Melatonina 32 Fitoterápico 32 O TDAH e sua abordagem farmacoterapêutica 33 Diagnóstico 33 Tratamento Psicoestimulantes 36 Metilfenidato (Ritalina e Concerta) 37 Lisdexanfetamina (Venvance) 37 Outros tratamentos (2ª escolha) 38 Antidepressivos tricíclicos 38 Inibidor seletivo de norepinefrina e dopamina 38 Anti-hipertensivo 38 Psicofarmacologia Clínica 9 UNIDADE 03 Psicofarmacologia Clínica10 Você sabia que a Emergência Psiquiátrica é qualquer situação que possa ocorrer injúria grave ou risco de morte ao paciente. dependência química é uma condição psicológica e física, causada pelo consumo de substâncias psicoativas. O suicídio, com quase 900 mil mortes por ano, representa a décima principal causa de morte em todo o mundo. E a cada três brasileiros, pelo menos um tem insônia. O Transtorno Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), está em torno de 3 a 5% da população infantil do Brasil. E aí. Entendeu? Vamos conhecer este mundo da Psicofarmacologia. Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! INTRODUÇÃO Psicofarmacologia Clínica 11 Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Descrever as emergências psiquiátricas. 2. Compreender a abordagem terapêutica das emergências psiquiátricas. 3. Saber sobre a insônia e seus tratamentos. 4. Entender a TDAH e sua abordagem farmacoterapêutica Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conheci- mento? Ao trabalho! OBJETIVOS Psicofarmacologia Clínica12 As emergências psiquiátricas e sua abordagem terapêutica. Insônia e a sua abordagem farmacoterapêutica. O TDAH e sua abordagem farmacoterapêutica. INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender sobre as emergências da psiquiatria e como abordá- las. Compreenderá sobre a insônia, e sua abordagem terapêutica. E também falaremos o Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), e suas abordagens terapêuticas. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. Com o conhecimento, resultará em um atendimento seguro e eficaz. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! As emergências psiquiátricas A Psiquiatria originou no Século V A.C., do qual doentes mentais eram tratados de modo arcaico, com internações em manicômios, serviços de saúdes não psiquiátricos ou em instituições políticas e religiosas, longe da família e da sociedade, com isso perdendo o seu direito de cidadão. A reforma psiquiátrica (RP) no Brasil, foi no início da década de 80, houve movimento dos trabalhadores de Saúde Mental, “Por uma sociedade sem manicômios”. Em 2001, a lei da Reforma Psiquiátrica entrou em vigor, com novos modelos de entendimentos sobre as doenças mentais, ocorrendo novas classificações para os transtornos mentais e medicamentos psiquiátricos. Psicofarmacologia Clínica 13 Figura 1- Hospício de Insanos ou Manicômio del Cercado, entre 1859 e 1918, era uma instituição mental em Lima (Peru). Fonte: wikimedia commons Com o desenvolvimento de novos medicamentos psiquiátricos, hoje são tratados com fármacos mais elaborados e tratamentos mais humanos. Levando a necessidade da criação de serviços para os atendimentos psiquiátricos de volta a sociedade. A Emergência Psiquiátrica é qualquer situação de natureza mental em que existe um risco significativo de morte ou dano grave para o paciente ou para terceiros, necessitando de uma intervenção terapêutica imediata. PSIQUIÁTRICAS Psicoses Crises do pânico Tentativas de suicídio/depressão Reação de estresse Esquizofrênicos e maníacos descompensados Vítimas de violência domésticas Agitação por drogas Suicídio por superdosagem de medicamentos Psicofarmacologia Clínica14 Definições � Emergência Psiquiátrica, risco de vida ou risco social do qual necessita da intervenção imediata; � Urgência Riscos menores, mais branda, intervenção de curto prazo; � Eletivas, intervenção mais rápida, por exemplo uma receita. Dos atendimentos de emergência, ocorridos em Pronto Socorro, 6% são considerados emergências psiquiátricas. Devido a isso, a necessidade de uma equipe multidisciplinar,médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, com todo o suporte de atendimento. Os atendimentos de emergência e urgência psiquiátricas, deve: � Estabilizar o quadro (controlar os sintomas); � Verificar se está havendo alterações orgânicas, patologias, do qual ocasionou as alterações mentais; � Exclusão de uma causa orgânica � Diagnósticos, exames; � Encaminhamento para um acompanhamento do cuidado; O local do atendimento, deve oferecer um local adequado; seguro, sem nenhum objeto perigoso (pontiagudo); com sistema de alarme de fácil acesso; medicamentos disponibilizados; equipamentos para a necessidade de desforço físico (contenção) próximos; segurança. O profissional terá que ser bem claro, com palavras fáceis, entendíveis, evitando palavras ambíguas, pois o doente estará em alterações mentais ocorrendo uma dificuldade de comunicação. Exames Na emergência pode realizar diversos tipos de exames, com o intuito de avaliar o paciente em que causa pode ter ocorrido a pertur- bação mental: � Exames físicos � Eletroencefalograma (ECG) � Tomografia computadorizada (CT) � Ressonância Magnética (RM) � Tomografia por emissão de pósitrons (PET) Psicofarmacologia Clínica 15 É muito importante os exames, para confirmar ou excluir a possibilidade de doenças orgânicas como por exemplo doenças da tiroide, tumores cerebrais, ou até mesmo conseguir identificar se está tendo auto agressividade. Exame do estado mental (EEM) O exame do estado mental (EEM), é o processo do qual profissionais da saúde (psiquiatras e psicólogos), examinam o estado mental do paciente. Este exame estuda as seguintes características; � Aparência: (idade, altura, peso), se está sujo, bizarro, muito colorido; � Comportamento: como se move, agitação psicomotora, tremores, tiques; � Discurso: Se fala muito sem parar, se é retraída; � Humor e afeto: emoção, humor, eufórico; � Percepção: Como interpreta e recebe o mundo. Alucinações ou delírios. Alucinações auditivas, ouve vozes é muito comum na esquizofrenia, agora Humor e afeto são respostas ao contrárias por exemplo ao invés de chorar a pessoa ri, e ao contrário também � Pensamento: Verifica a estrutura do pensamento (ideias obsessivas), o seu conteúdo se tem sentido e também verifica o curso ou seja a velocidade e ritmo do pensamento. � Cognição: Pensamento abstrato, capacidade de concentração � Consciência: nível de consciência: desperto, obnubilado (alteração da consciência) e comatoso (estado de coma) � Consciência do Eu: da sua identidade � Orientação: se ele sabe onde está (orientação espacial) e também a orientação temporal (dia/mês/ano), sabe a data que está, e se tem a noção da sua situação (orientação auto psíquica) SAIBA MAIS: O Exame do estado mental (EEM), também é utilizado nos casos de diagnósticos do Mal de Alzheimer. Psicofarmacologia Clínica16 Comportamento agressivo Geralmente quadros psiquiátricos ocorrem com comportamentos agressivos. A agressão pode ser definida como um dano mental ou físico, dirigido a outra pessoa, ou a autoagressão em que a pessoa doente, agride a ela mesma, neste caso temos a necessidade de evitar danos ao doente, manter a sua integridade. A agitação psicomotora é diferente da agressão, sendo a agitação psicomotora, uma série de movimentos involuntários e sem nenhum propósito, como por exemplo andar em volta de uma cadeira, podendo chegar ao ponto de se machucar, por exemplo mastigar os lábios. É importante, avaliar o doente para poder prevenir um comportamento agressivo. Para isso, é necessário verificar alguns sinais, como por exemplo: � Violência dirigida ao objeto; � Agitação motora; � Punhos e dentes cerrados; � Exigências e ameaças; � Discussão em tom de voz elevado; � Afeto ameaçador e desafiador; � Exame do Estado Mental (EEM) apresenta alterações, com sintomas psiquiátricos específicos Quando no Exame do Estado Mental, apresentar pensamento desorganizado; uma pessoa impulsiva; baixa tolerância a frustrações, persecutoriedade ou seja a pessoa se sente perseguido por uma pessoa ou até mesmo por um objeto, são indícios de que a pessoa tem o risco de ser agressivo. Fazer uma avaliação para entender o motivo desta atitude agressiva, podendo também ser: � Doença orgânica; � Intoxicação; � Abstinência de alguma substância dependente; Psicofarmacologia Clínica 17 O papel da equipe A equipe deve ter um preparo para saber como lhe dar com possíveis comportamentos agressivos, a fim de prevenir e controlar a agressividade, tornando um tratamento eficaz. O local de atendimento deve ter privacidade, mas também de fácil acesso para se possível a necessidade de uma equipe médica de saúde e de segurança. Necessário uma equipe com educação continuada, protocolos, rotinas, para o doente se sentir seguro, a fim de evitar uma piora do quadro, desencadeando uma agressividade: � Evitar movimentos bruscos, excessivos; � Evitar superlotação; � Estímulos fortes (ruídos, odores); � Ter controle da temperatura, luz � Evitar toque ao paciente, respeitando o seu espaço físico; � Evitar confronto, discussão direto com o paciente; Conversar com o paciente, em um tom calmo, em uma linguagem simples e clara, auxiliar o paciente a entender a realidade, mostrar ao paciente que você poderá ajudá-lo. Com isso terá uma equipe preparada para um tratamento produtivo, impedindo a progressão da violência, evitando intervenções involuntárias. Suicídio O transtorno psiquiátrico muitas vezes está fortemente ligado no suicídio, eles andam juntos, se tornando uma emergência psiquiátrica. Perguntar ao paciente sobre o pensamento suicida, pois falar sobre a ideação suicida não aumenta o risco do suicídio, pelo contrário só abre espaço para o doente se abrir, e falar sobre o que te faz sofrer. Esta conversa tem que ser privativo, em um lugar calmo. Se caso se abrir dizendo que pensa em suicídio, é necessário levantar alguns pontos: � Verificar se a pessoa tem algum plano, de como se suicidar; � Descobrir qual meio usaria, o que utilizaria e como conseguiria; � Verificar se a pessoa tinha uma data específica; Psicofarmacologia Clínica18 Pacientes que pensam em suicídio, nem sempre querem morrer. Geralmente são pensamentos duplos em querer viver e querer morrer. Devido a isso, temos que motivá-las a aumentar a vontade de viver e diminuir a vontade de morrer. Figura 2 – Dia mundial de Prevenção do Suicídio, dia da conscientização 10 de setembro, a fim de campanhas para evitar suicídios. Fonte: freepik A cada 10 pessoas que se matam, 8 avisam que irão se suicidar. Está errado pensar que “quem quer se matar não avisa” CUIDADO É MENTIRA ESTA FRASE. Pois quem quer se matar, dá sinais e avisa. O suicídio passou a ser tratado em 1990 como problema de saúde pública, sendo o Brasil o 8º país com mais episódios no mundo de suicídios. As tentativas de suicídios são mais comuns em mulheres, no entanto, o suicídio, já são mais comuns em homens. (Bertolote, 2010) Intervenções médicas e enfermarias Fazer contato frequente com o paciente que tem o risco de suicídio, e ter atitudes conforme diretrizes nacionais e internacionais ao indivíduo predisposto ao suicídio. (ASSOCIATION, 2012) Psicofarmacologia Clínica 19 � Levar a sérios os indicativos do suicídio, por mais que pareça falso; � Priorizar a segurança máxima do indivíduo; � Fazer uma avaliação abrangente e completa, se verificar um alto risco de suicídio, fazer a internação involuntária; � Imobilizar familiares, parentes, amigos próximos, pessoas de confiança. Orientar medidas de prevenção ao suicídio; � Integração social, bem estar � Favorecer a redução de sentimento como os de culpa, vergonha e estigma. � Favorecer a esperança em casos de clientes pessimistas, dentro da realidade; � Questionar sobre as consequências do suicídio; Para cada suicídio, pelo menos mexecom 6 pessoas emocio- nalmente, e se o suicídio ocorrer em local de trabalho ou escola, impacta a vida de centenas. Substâncias dependentes Emergências psiquiátricas, 28% das ocorridas é devido o uso de substâncias psicoativas. (AMARAL, 2010) O cuidado nesses casos está em diagnosticar: � Tipo da substância (cada substância tem seu tratamento); � O tipo da abstinência; Em caso de abstinência por Álcool, pode estar passando pela Abstinência “Delirium Tremens”, são sintomas psicoativas como por exemplo delírios, alucinações, agitação, agressividade, hipertensão (>140/90mm Hg), taquicardia, temperatura elevada acima de 37ºC. Ataques de Pânicos São emergências psiquiátrica, que se caracterizam ao extremo da ansiedade, medo e desconforto. Os sintomas incluem: � Medo de enlouquecer ou perder o controle, Sentimentos de catástrofe, � Despersonalização; Psicofarmacologia Clínica20 � Sintomas físicos como por exemplo: dispneia, falta de ar, taquicardia; O tratamento inclui medidas para amenizar os sintomas e diminuir a ansiedade Psicose Aguda São emergências da psiquiatria, que a pessoa perde o controle da realidade com delírios e alucinações, agitação e fala incoerente. É uma doença caracterizada como esquizofrenia que o tratamento deve incluir medicamentos e psicoterapia. Transtorno de estresse agudo (TEA) É uma reação disfuncional intensa e desagradável que desen- cadeia após um evento desagradável, extremamente traumático que dura menos de um mês. Receber o apoio adequado familiares ou médico ou profissional da saúde, pois a pessoa tem a necessidade de falar do momento repetidamente. Se persistir os sintomas mais de um mês, pode ser diagnosticada com transtorno de estresse pós-traumático. O tratamento em emergências psiquiátricas representa um momento de fraqueza e instabilidade do cliente, e de grande responsabilidade do profissional de saúde. Do qual necessita de um diagnóstico rápido e tratamento eficaz. Ansiolítico temporariamente caso necessite. Indicação de internação As principais causas para a indicação de internação em psiquiatrias são: � Risco de suicídio � Risco de homicídio; � Risco de agressão; � Paciente sem apoio familiar, do qual é necessário para o tratamento; � Autonegligência grave; � Mesmo com tratamentos da esquizofrênica, não está tendo o resultado esperado; � Troca de tratamento que necessita de acompanhamento, para evitar a piora dos efeitos adversos; Psicofarmacologia Clínica 21 Abordagem terapêutica emergências psiquiátricas Quando as técnicas psicoterápicas não são suficientes, e que pacientes se encontram agitados, representam riscos para outro e para si, indica-se tratamentos farmacoterapêuticos, sempre utilizando em menor dose possível. O tratamento consiste na estabilização do estado alterado do indivíduo que pode ser devido a distúrbios mentais crônicos ou agudos. Em uma situação de emergência ou urgência psiquiátrica os fármacos mais utilizados são: � Antipsicóticos, Neurolépticos Típicos e Atípicos; Utilizado em tratamento sintomático das psicoses, esquizofrênia, distúrbios psíquicos e também como anestésicos. Eles são tratamentos padrão para casos de psicose aguda � Benzodiazepínicos dos grupos farmacológicos Ansiolíticos ou tranquilizantes; Não existe regra para o tipo de tratamento, depende da situação, do problema, da gravidade, para a decisão do uso de medicamento. Antipsicóticos Típicos Os primeiros Antipsicóticos foram desenvolvidos por volta de 1950 – 1960, conhecidos como primeira geração, sendo típicos devido seus efeitos colaterais extrapiramidais. Sintomas extrapiramidais é uma rede neural, que fica localizado na medula espinhal, fazendo parte do sistema motor, coordenação dos movimentos. Dependendo do fármaco pode ocasionar em movimentos RESUMINDO: Emergência psiquiátrica 1- Estabilizar o quadro - identificar o sintoma-alvo; 2- Descobrir a causa; 3- Exames para possíveis exclusões orgânicas; exames laboratoriais, abuso de substância; 4- estabilização do quadro, encaminhar para internação hospitalar ou ambulatório entre outros, dependendo da gravidade. Psicofarmacologia Clínica22 musculares involuntários e irregulares, normalmente na face, sendo o fármaco mais comum o Haloperidol. Haloperidol (Haldol®) É um neuroléptico, pertencente ao grupo das butirofenomas, tem a função de bloqueio seletivo no sistema nervoso central, como competitivo aos receptores dopaminérgicos pós-sinápticos. É um bloqueador do receptor da dopamina D2. É um fármaco eficaz no tratamento de psicoses em geral, utilizado para controle de agitação, agressividade, psicose esteroidea, estados maníacos, delírios e alucinações. Também exerce a função de sedativo em casos de excitação psicomotora. O Haloperidol é muito utilizado e eficaz em doses baixas, porém em via endovenosa é preciso fazer o Eletrocardiograma (ECG), para prevenir o risco de torsades de pointes (um tipo de arritmia ventricular polimórfica rara). O Haloperidol é bastante utilizado na forma intramuscular em pacientes violentos e agressivos. Dose: 5 a 10mg, em intervalos de 30 a 60 minutos, a fim de restaurar o paciente a ponto de conseguir dialogar, não é para sedar. Clorpromazina (Amplictil®) Neuroléptico tricíclico, sendo protótipo no tratamento de pacientes esquizofrênicos. Ele atua como tranquilizante sem efeito sedativo, ou seja sem fazer dormir. Tem efeito extrapiramidal fraco ou médio. Também utilizado como antieméticos, anticolinérgicos, hipotensão, e contra os efeitos induzidos por abuso de droga em geral. SAIBA MAIS: O curioso é que o desenvolvimento do fármaco Clorpro- mazina foi para tratamento de Anti-histamínico. Psicofarmacologia Clínica 23 Antipsicóticos Atípicos Em 1990, foi desenvolvido os Antipsicóticos Atípicos, de segunda geração, eles possuem menos efeitos colaterais extra-piramidais, não são classificados como sedativos. Com a descoberta destes fármacos Antipsicóticos Atípicos, a medicina teve um maior aumento de tratamento com eficácia as pessoas com esquizofrenia, levando a isso a ressocialização e diminuição destas pessoas aos manicômios. São fármacos atípicos, eficazes sobre o tratamento da esquizofrenia, com baixo risco dos sintomas extrapiramidais, sendo alternativas ao uso do Haloperidol, porém tem maior custo. (Quevedo, 2014) Clozapina Primeiro antipsicótico atípico a ser desenvolvido, atua bloqueando diversos receptores, principalmente receptor dopaminérgicos D4 e serotoninérgico tipo 2. Tratamento para esquizofrência ou transtorno psicótico com ou sem tendência ao suicídio Só é prescrita, caso os outros fármacos não obtiveram resultado terapêutico esperado. A Clozapina pode causar agranulocitose. Olanzapina É um fármaco similar a Clozapina, com afinidade nos receptores D-2 (dopaminérgicos) e 5-HT2A (serotoninérgicos), com menor afinidade para a H1 (histamínico), mAch (muscarínico) e alfa-1 (adrenérgico) Utilizado na Emergências Psiquiátrica em casos de: � Agressividade, em tratamento de agitação aguda, � Depressão maior resistentes aos outros tratamentos em conjunto com um antidepressivo- inibidores seletivos da recaptação da serotonina � Transtorno bipolar em caso de alucinação ou delírios (em conjunto com valproato de sódio ou sal de lítio) Psicofarmacologia Clínica24 Quetiapina É antipsicótico antagonista dos receptores dopaminérgicos D1 e D2, e também com alta seletividade nos receptores 5-HT2, utilizado no tratamento de maníacos associados ao transtorno afetivo. A Quetipiana é utilizada nas Emergências da Psiquiatria, em casos de pacientes com Delirium- misto hiperativo, casos de Discinesia tardia, transtorno de estresse agudo (TEA) e também para pacientes potencialmente suicida. (Quevedo, 2014) Antipsicótico que trata como estabilizadores do humor. Casos de Discinesia tardia (movimentos repetitivos involuntários), o tratamento pode iniciar com Quetiapinaou Clozapina. Ziprasidona É indicado para tratamento da esquizofrenia, estados de agitação psicótica, agressividade, mania bipolar aguda. Para tratamento de emergências em casos de agressividade, transtorno de estresse agudo (TEA), Delirium, agitação aguda, esquizofrenia. No Brasil, não tem a disponibilidade o fármaco Ziprasidona intramuscular (IM), para agitação aguda, onde se usa o Haloperidol. (Quevedo, 2014) Risperidona Antipsicótico atípico potente, usa mais frequente em casos de psicoses delirantes, casos de esquizofrênia. E também como os Atípicos para tratamentos de transtorno bipolar, psicose depressiva, transtorno obsessivo compulsivo e Síndrome de Tourette. Tratamento de emergência Delirium (misto/Hiperativo), agitação aguda, também utilizado em crianças com esquizofrenia grau II a partir dos 13 anos, agitação. Em casos de tratamento para Delirium, estudos demonstram que não há caso de distinção entre a eficácia de Haloperidol, a Olanzapina e a Risperidona. (Quevedo, 2014) Psicofarmacologia Clínica 25 Ansiolíticos Benzodiazepínicos (BDZ) Os Benzodiazepínicos, potencializam o efeito do neurotransmissor ácido gama-aminobutírico (GABA) no receptor GABA, com isso ele tem o efeito de sedação, de diminuir a ansiedade, anticonvulsivantes, relaxante muscular e dependendo da dose também pode usar como hipnóticos (indutora do sono). Os benzodiazepínicos, nas emergências psiquiátricas, são utilizados em pacientes em pânicos ou agitados, por exemplo Lorazepam. � Lorazepam 2 a 4 mg na forma intramuscular Utilizados em tratamentos de ansiedade, insônia, agitação, ataques epiléticos, espasmos musculares, privação de álcool. São classe de fármacos que possui de ação curta, média e longa duração: Duração ultra-curta: � Midazolam (Dormonid®); Duração de 1 a 2 horas de efeito, sendo também efetivo para tratamento de agitação aguda, Duração curta: � Bromazepam (Lexotan®); � Flunitrazepam (Rohypnol®); � Flurazepam (Dalmadrom®); Duração intermediária: � Lorazepam; Lorazepam intramuscular (IM), é a escolha mais frequente, em casos de manejo agitação aguda, tem rápida absorção com tempo de ação 8 a 10 horas. O Lorazepam tem baixo potencial de interação medicamentosa, por não ser metabolizado por enzimas do sistema citocromo P450. � Alprazolam (Frontal®); Duração longa: � Diazepam; Tratamento endovenosa (EV)- efeito imediato agitação aguda � Clonazepam (Rivotril®), podendo ter ação de 18 a 50 horas. Psicofarmacologia Clínica26 Para anular o efeito dos fármacos da classe Benzodiazepínicos, tem o antagonista Flumazenil. O diagnóstico clínico, vai facilitar para a escolha do fármaco, em casos de Delirium tremens (abstinência por álcool), pode iniciar com Benzodiazepínicos Em tratamentos de Delirium, os Benzodiazepínicos, devem ser evitados, pois o quadro de “confusão mental” pode piorar. Agora com a intoxicação do álcool, já pode prescrever um antipsicótico. (Quevedo, 2014) O controle da agitação com benzodiazepínico, é bastante eficaz. Casos mais graves pode necessitar resfriação, ventilação mecânica, além do uso de anti-hipertensivo e anticonvulsivante. Carbonato de Lítio O Carbonato de Lítio é um antipsicótico, tratamento comprovado que diminui a taxa de suicídio quando está em tratamento a longo prazo. The Journal of Clinical Psychiatry, vol 60, suppl.2, 1999. Insônia e a sua abordagem farmacoterapêutica O sono, é uma condição fisiológica, do qual a atividade cerebral indica uma mudança do estado de consciência e os estímulos sensoriais se reduzem. Pode se dividir o sono em duas fases: � REM (Movimento Rápido dos Olhos) Corresponde a 25% do sono � NREM (Movimento Não Rápido dos Olhos) Corresponde a 75% do sono, sendo subdividido em 4 fases: � Estágio 1- Fase da sonolência, facilmente despertado � Estágio 2- A fase em que a atividade cardíaca é diminuído, a temperatura do corpo cai e os músculos se relaxam (duração de 5 a 15 minutos) � Estágio 3- Semelhante ao 4, porém o nível do sono é menos profundo Psicofarmacologia Clínica 27 � Estágio 4- Dura 40 minutos, de sono muito profundo. Os 5 estágios tem uma duração de 90 minutos, se tornando um ciclo do sono, sendo repetido de 4 a 5 vezes por noite. A fase NREM é muito importante para o corpo: � Ocorre a secreção do hormônio do crescimento (GH); � Essencial para a recuperação da energia física; � Descanso profundo e menor atividade neural; Após a fase 4 do NREM, ele retorna para o estágio 3, depois o estágio 3, estágio 1 e entra na fase REM. Causas da insônia Figura 3 - A insônia, distúrbio que se caracteriza pela dificuldade de dormir. Fonte: freepik As causas mais comuns, podem ser: � Uso de medicação, � Estresse Excesso de preocupações relacionados ao trabalho, família, saúde, a ponto de perder o sono Vivenciar um grande estresse, morte de um ente querido, divórcio, perda de emprego, podendo desencadear a insônia � Ansiedade Uma viagem importante, ou transtornos de estresse pós - traumático Psicofarmacologia Clínica28 � Depressão Pessoas em depressão perdem o sono (mais comum), porém existem casos contrários de dormir mais que o normal pela causa da depressão. � Condições médicas Apneia-Dificuldade para respirar, uma dor crônica, noctúria (urina muito durante a noite) � Alteração no horário de trabalho ou no ambiente Viajar com alteração do horário, provocando alteração no relógio biológico � Maus hábitos de sono Dormir em locais desconfortáveis, dormir em frente a TV, dormir e acordar em horários diferentes, entre outras � Nicotina, álcool e cafeína Tomar bebida estimulante antes de dormir (chá, café, refrigerante a base de cola), O álcool pode até dormir, mas não consegue dormir no estágio mais profundo do sono, podendo despertar durante a noite � Jantar muito tarde Comer muito próximo do horário de dormir, pode não conseguir dormir, com dificuldade da digestão, ou com azia e refluxo. � Idade Com o envelhecimento, faz com que a pessoa acorde com qualquer barulho, se torna mais sensível aos ruídos. A mulher com o envelhecimento, referente aos sintomas da menopausa, faz com que perca o sono durante a noite. E o homem com o envelhecimento ocorre o aumento da próstata, levando a Noctúria. Fatores de risco � Sexo feminino A insônia é mais comum em mulheres devido as causas hormonais da menopausa e do ciclo menstrual, e também na gravidez. � Acima de 60 anos Com o envelhecimento, alterações fisiológicos. Psicofarmacologia Clínica 29 � Distúrbio mental Depressão, ansiedade, transtorno de estresse traumático. � Sob estresse Pessoas estressadas, faz com que o corpo produza uma quantidade maior do que o que necessita de adrenalina, cortisol e norepinefrina, do qual o corpo pensa que está sob o ataque, causando a insônia. 1. Sintomas do estresse Físico: Queda de cabelos; Dores musculares; Taquicardia; Náuseas; Ondas de calor ou calafrios; Partes do corpo adormecidas/formigando 2. Sintomas do estresse Psíquicos: Mal-estar; Medo; Ansiedade; Apreensão; Sensação de que pode acontecer algo desagradável; Dificuldade para se concentrar. � Trabalhar à noite, viagem fuso horário diferente As inversões do ritmo do sono, devido a viagens constantes ocorrendo as alterações do fuso horário ou mudanças de turno no trabalho. Principais sintomas A insônia é um distúrbio do sono, do qual uma pessoa não consegue adormecer, ou permanece a noite inteira acordado, prejudicando a sua capacidade, gerando: � Fadiga, se sentindo cansado; � Sonolência durante o dia; � Falta de humor; � Falta de energia; � Baixo desempenho no trabalho, nos estudos; � Irritabilidade, ansiedade ou depressão; � Dificuldade para prestar atenção, em concentrar, em lembrar � Dores de cabeça � Problemas gastrointestinais Em algum momento da vida, pode ocorrer a insônia, uma preocupação naquele momento, mas o problema é quando se tornacrônica, ou seja a pessoa tem a insônia por um período maior do que o normal, necessitando de acompanhamento médico. A insônia muitas vezes pode estar associado a outras doenças crônicas ou patologias como perturbações ansiosas ou depressão. Psicofarmacologia Clínica30 Tratamento No tratamento para insônia, são utilizados fármacos com o intuito do indivíduo ter a manutenção do sono, com isso também terá a diminuição da ansiedade e agitação. Segue abaixo, os medicamentos mais utilizados para tratamento de insônia: Benzodiazepínicos Os fármacos mais utilizados são os agonistas dos receptores Benzodiazepínicos, do qual, os receptores benzodiazepínicos, situados na estrutura de um dos receptores do GABA (neurotransmissor inibitório) Os benzodiazepínicos reduzem o tempo de latência do sono, com isso leva ao aumento do tempo total do sono. São considerados Ansiolíticos e Hipnóticos, dependendo da sua ação ou sua dosagem, sendo classificados conforme o seu tempo de duração: 1. Duração ultra curta (Hipnóticos) � Midazolam (Dormonid®) � Estazolam (Noctal®) De ação ultra curta, menos de 6 horas, tem a função de hipnótico. 2. Duração curta (Hipnóticos, ansiolíticos) � Bromazepam (Lexotan) � Flunitrazepam (Dalmadorm) De ação curta, de 6 há 10 horas, tem a função de hipnótico e ansiolítico. Fármacos Benzodiazepínicos de ação ultra curta e de ação curta, são prescritos em casos de pessoas que tem dificuldade em iniciar o sono. 3. Duração Intermediária (Hipnóticos, ansiolíticos) � Lorazepam � Alprazolam (Frontal®) De ação intermediária de 10 a 20 horas, ação ansiolítico e hipnóticos. Fármacos de ação Intermediários, tem o início da sua ação terapêutica tardio, com isso, são prescritos em pessoas que tem a dificuldade em manter o sono, ou seja tem um sono fragmentado. Psicofarmacologia Clínica 31 4. Duração longa (ansiolíticos) � Clonazepam (Rivotril®) � Diazepam (Valium®) Duração longa podendo chegar de até 50 horas, tem a função ansiolítico, sendo utilizados em casos de Distúrbios do sono e ansiedade diurna, também sendo utilizado para tratamento anticonvulsivante. Agonistas não Benzodiazepínicos GABAA São fármacos que atuam também nos receptores Benzodia- zepínicos, mas como AGONISTAS, no entanto não são Benzodiazepínicos. Eles atuam como seletivos numa subclasse dos receptores de Benzodiazepínicos, sendo a subunidade de GABAA). Devido esta ação seletiva dos “Agonistas não Benzodiazepínicos GABAA” não afeta tanto a capacidade cognitiva, a memória e as funções motoras. Devido sua maior seletividade, são utilizados em tratamentos da insônia 1. Ação Curta: Zaleplon, Zolpidem, Flurazepam 2. Ação Intermédia: Triazolam, Zopiclone 3. Ação Longa: Temazepam, Estazolam Antidepressivos tricíclicos São fármacos que possuem três anéis de carbono, usados para tratamentos sintomáticos da depressão. Eles atuam no bloqueio pré- sináptico da recaptação de norepinefrina e da serotonina, e em menor proporção dopamina. O mecanismo de ação não é totalmente elucidado. Eles possuem um forte efeito hipnótico, levando à supressão do sono REM. São diversos medicamentos como Desipramina, Protriptilina, Clomipramina, Amitriptilina, Doxepina. Amitriptilina, trazodona e Nortriptilina, são eficazes em tratamentos da insônia, como para a indução do sono, quanto a continuidade do sono. Antidepressivos tetracíclico A Mirtazapina é um antidepressivo que possui 4 anéis de carbonos, tem a função antagonista adrenérgica e serotoninérgica, reduz o tempo necessário para iniciar o sono e aumenta a duração de sono. Psicofarmacologia Clínica32 Anti-histamínicos São antagonistas do receptor H1 de histamina, normalmente utilizado para o alívio de alergia, são também utilizados como indutores do sono. Tem seu efeito benéfico, principalmente em pessoas que o problema de sono estejam associados as reações alérgicas. São alternativas para pessoas que não possuem um sono reparador, e que não podem fazer tratamentos com fármacos da classe benzodiazepínicos, pelo seus efeitos colaterais ou até mesmo a dependência de substâncias de abuso. (L. M. P. Joseph T. Dipiro, 2008) Principais Anti-Histamínicos sedativos para indução do sono: Difenidramina, Doxilamina, Hidroxizina e a Prometazina. Agonistas dos receptores de Melatonina São agonistas potentes dos receptores da melatonina e antagonistas dos receptores da serotonina-2C (5-HT2C). Fármacos utilizados como Antidepressivos, mas também atuam proporcionando um sono tranquilo. Os Agonistas dos receptores de Melatonina, por exemplo Ralmeteon, sua efetividade são em casos de insônia transitória, por exemplo mudanças de horário de trabalho ou fuso horário. � Ramelteon Fármaco, recentemente aprovado para tratamento da insônia Fitoterápico � Maracugina É um fitoterápico, feito da Passiflora incarnata, extrato do maracujá. IMPORTANTE: Inibidores seletivos da recaptação de Serotonina, como por exemplo paroxetina, sertralina, citalopram, escitalopram, não são recomendados para tratamento da insônia, pois cerca de 10 a 20% que faz tratamento como doentes deprimidos, causa insônia, devido a supressão do sono REM. (W. André, 2011) Psicofarmacologia Clínica 33 Tem a ação sedativa-hipnótica leve, conhecidos como neurosse- dativos. Eficaz em disrtúrbios nervosos, estresse e perturbações do sono. Não vicia e nem causa dependência. Seu mecanismo de ação ocorre pelo aumento de concentração de ácido aminobutírico (GABA).Porém seu mecanismo de ação não está totalmente elucidado. O TDAH e sua abordagem farmacoterapêutica Distúrbio hipercinético ou como popularmente conhecido Transtorno déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), é um distúrbio que afeta em crianças de 3% a 5%, na idade escolar, sendo a prevalência maior em meninos. E em adultos, estima-se aproximadamente 4% da população brasileira. O TDAH, são distúrbios neurobiológico crônico, do qual se caracteriza por: � dificuldade para manter o foco nas atividades apresentadas, por exemplo saltam de uma atividade para a outra, deixa inacabada. � agitação motora; � impulsividade; � desassossego; � desatenção; distraem com facilidade � falta de perseverança nas atividades que exigem um envolvi- mento cognitivo; � Atividade global desorganizada. Os TDAH, geralmente são manifestações que iniciam nos primeiros 5 anos de vida, podendo levar na fase adulta, caso não diagnostica e nem tratado. Os TDAH, pode levar a severos prejuízos na interação social e no aprendizado escolar. Diagnóstico O diagnóstico é clínico, feito pelo exame das funções psíquicas e pela anamnese. Não existe exames laboratoriais. Psicofarmacologia Clínica34 O diagnóstico correto requer uma investigação médica, neuropsi- cológica, social e educacional. As características para o diagnóstico incluem: � História de déficit de atenção; � Distração � Impulsividade; � Hiperatividade moderada a grave; � Labilidade emocional (alterações drásticas de humor) � Sinais neurológicos menores (pode não ser localizáveis) � Eletrocardiograma anormal (pode ou não estar presentes) Conforme o manual de classificação das doenças mentais, o TDAH, pode ser classificada: 1. TDAH com predomínio de sintomas de desatenção; É um transtorno do qual a criança é quieta tímida, extremamente desatenta, não termina o que começa, esquecida. 2. TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade/ impulsividade; Do qual existe a hiperatividade e a impulsividade, mas não a desatenção. São inquietos, agitados e falam muito. Não conseguem manter em silêncio durante a realização de trabalhos ou brincadeiras. A impulsividade se destaca pela impaciência, dificuldade em ouvir as pessoas, o agir sem pensar, a precipitação para falar. 3. TDAH combinado Este consta os três sinais: Impulsividade, Desatento e a hiperatividade, acaba sendo mais cedo diagnosticas, grandes problemas de relacionamento na escola e em casa.Crianças com TDAH, tem o risco de desenvolver distúrbios psiquiá- tricos como por exemplo a depressão e a ansiedade. E na adolescência tem o risco de ficar dependente referente ao uso de álcool ou drogas. Muita atenção pois as vezes não é TDAH, sendo uma situação temporária de sintomas com desatenção e hiperatividade, após um desencadeamento psicossocial por exemplo separação dos pais. Para um diagnóstico fechado em que a criança tem TDAH, é necessário que tenham de acordo com o critério DSM-IV (American Psychiatric Association, 2013), ou com as normas na CID-10, F90, onde a criança deverá apresentar os seguintes sintomas abaixo: Psicofarmacologia Clínica 35 a. 6 sintomas de desatenção; b. 3 sintomas de hiperatividade e c. 1 sintoma de impulsividade. Os sintomas são os seguintes: A. DESATENÇÃO: 1. Dificuldade de prestar atenção a detalhes ou errar por descuido em atividades escolares e de trabalho; 2. Dificuldade para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas; 3. Parecer não escutar quando lhe dirigem a palavra; 4. Não seguir instruções; 5. Não terminar tarefas escolares, domésticas ou deveres profissionais; 6. Dificuldade em organizar tarefas e atividades; 7. Evitar, ou relutar, em envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante; 8. Perder coisas necessárias para tarefas ou atividades; 9. Distraído por estímulos alheios à tarefa e apresentar esqueci- mentos em atividades diárias. B. HIPERATIVIDADE: 1. Agitar as mãos ou os pés ou se remexer na cadeira; 2. Abandonar sua cadeira em sala de aula ou outras situações nas quais se espera que permaneça sentado; 3. Correr ou escalar em demasia, em situações nas quais isto é inapropriado; 4. Dificuldade em brincar ou envolver-se silenciosamente em atividades de lazer; 5. Estar freqüentemente “a mil” ou muitas vezes agir como se estivesse “a todo o vapor”; falar em demasia. C. IMPULSIVIDADE: 1. Frequentemente dar respostas precipitadas antes das perguntas terem sido concluídas; 2. Com frequência ter dificuldade em esperar a sua vez; Psicofarmacologia Clínica36 3. Freqüentemente interromper ou se meter em assuntos de outros. A estes sintomas somam-se outros critérios, que devem também estar presentes: 1. Alguns sintomas de hiperatividade e impulsividade ou desatenção que causam prejuízo devem estar presentes antes dos 12 anos de idade. 2. Algum prejuízo causado pelos sintomas está presente em dois ou mais contextos (escola, trabalho e em casa, por exemplo). 3. Deve haver claras evidências de prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional. 4. Os sintomas não ocorrem exclusivamente durante o curso de um transtorno invasivo do desenvolvimento, esquizofrenia ou outro transtorno psicótico e não são melhores explicados por outro transtorno mental. O TDAH não é uma doença, nesse sentido, não existe uma cura, mas sim existe tratamento para melhor conviver com ele. Tratamento Psicoestimulantes O tratamento para TDAH, no Brasil são em primeiro lugar os Pscoestimulantes. Em casos de TDAH grave, fase escolar, o psiquiatra pode considerar o uso de medicamento, para a criança hiperativa, associados com intervenções psicológicas, de comportamentos, de aconselhamento e educacionais. A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo acaba de adotar novas regras para a prescrição aos medicamentos, utilizados para tratamento de TDAH, com uma portaria, o órgão pede que toda vez que o metilfenidato (Ritalina), for prescrito na rede pública, um grupo multidisciplinar de profissionais reavalie o caso do paciente. O órgão quer evitar o uso excessivo de remédio e garantir o acompanhamento do indivíduo. Mas a Associação Brasileira de Psiquiatria reagiu à medida, acusando-a de obstruir o acesso ao tratamento da população de baixa renda, além A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo acaba de Psicofarmacologia Clínica 37 adotar novas regras para a prescrição aos medicamentos, utilizados para tratamento de TDAH, com uma portaria, o órgão pede que toda vez que o metilfenidato (Ritalina), for prescrito na rede pública, um grupo multidisciplinar de profissionais reavalie o caso do paciente. O órgão quer evitar o uso excessivo de remédio e garantir o acompanhamento do indivíduo. Mas a Associação Brasileira de Psiquiatria reagiu à medida, acusando-a de limitar a autonomia do médico e também de obstruir o acesso ao tratamento da população de baixa renda. Metilfenidato (Ritalina e Concerta) O Metilfenidato atua aumentando a produção e os níveis de dopamina e noradrenalina, com isso beneficia a capacidade de concentração e o estado de vigília, proporcionando: São fármacos de liberação mais rápida, com isso pode ocorrer efeitos colaterais como a irritabilidade, ansiedade, agitação e efeito rebote de sonolência excessiva. Lisdexanfetamina (Venvance) A Lisdexanfetamina, demora mais para a liberação quando comparada com o Metilfenidato, tendo seu efeito terapêutico mais prolongado (8 a 12 horas). Com isso tendo menos efeitos colaterais, indicados para TDAH com quadros de ansiedade. Tratamento para TDAH em crianças acima de 6 anos, adolescentes ou adultos, com Fármacos Psicoestimulante Metilfenidato (MPH) ou Dimesilato de Lisdexanfetamina, tem alto poder de eficácia (78%). Ambos causam efeito de: � diminuição da perda de foco e da fácil distração; � maior atenção em atividades cotidianas; � melhora no desempenho escolar; � menor ocorrência de sono em momentos imprevisíveis. � potencialização da concentração; � queda da impulsividade; � redução da inquietude física e mental; Psicofarmacologia Clínica38 Outros tratamentos (2ª escolha) Tratamento para TDAH, de segunda escolha, porém não tem efeito na desatenção, mas melhoram no comportamento: Antidepressivos tricíclicos Amitriptilina, Comipramina, Imipramina, Nortriptilina, apontam eficácia, principalmente a Imipramina. A Imipramina e a Clonidina, deverá fazer antes do uso, uma avaliação cardiológica, eletrocardiograma (ECG) Inibidor seletivo de norepinefrina e dopamina Bupropiona também tem bom resultado no seu comportamento Anti-hipertensivo Clonidina, para tratamento de TDAH, é administrada para ajudar a dormir, e também ela diminui a impulsividade e a hiperatividade. Porém antes do tratamento por ser um agente anti-hipertensivo, deverá monitorar a Pressão Arterial (PA) e a Frequência Cardíaca (FC). Psicofarmacologia Clínica 39 BIBLIOGRAFIA AMARAL, R. (2010). Manejo do paciente com transtornos relacionados ao uso de substância psicoativa na emergência psiquiátrica. Rev. Bras. Psiquiatr, 32, 104-111. Acesso em 29 de 09 de 2019 ASSOCIATION., E. N. (2012). Clinical Practice Guideline: Suicide. Acesso em 29 de 09 de 2019 FRANCO, G., & VALE, L. (s.d.). A Importância e Influência do Setor de Compras nas Organizações. TecHoje. Acesso em 04 de Jul de 2017, disponível em http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/ detalhe_artigo/1004 L. M. P. Joseph T. Dipiro, R. L. (2008). Pharmacotherapy a pathophysiologic Aproach. Seventh ed, 1191-1200. Acesso em 2 de 10 de 2019 Lima, I. C., & Guimarães, A. B. (junho de 2015). Perfil das emergências psiquiátricas atendidas em serviços de urgência e emergência hospitalar. R. Interd., 8, 181-190. 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