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INSTITUTO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ISAÍAS Componente Curricular: Educação Especial Profª. Referência: Daniela Gonçalves Oliveira Estudante: _____________________________________________________________________ Turma: _________________ Ano: 2024/2 INSTITUTO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ISAÍAS 1 1. IDENTIFICAÇÃO DA ESCOLA Nome da escola: Instituto Estadual de Educação Professor Isaías Endereço: Avenida Padre Assis, nº 02 – Bairro São Jorge, Santiago-RS Telefone: (55)3251-1680 E-mail: escolaisaias@gmail.com Direção: Sandra Valéria da Silveira Aquino 2. IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO CURSO Nome do curso: Profissional de Apoio da Educação Especial Carga Horária: 80 horas Eixo tecnológico: Desenvolvimento Educacional e Social Caracterização: O curso de Capacitação para “Profissional de Apoio da Educação Especial” pretende qualificar estes profissionais, com os aportes teóricos, práticos e de legislação, na área de prestação de serviços em Educação Especial no apoio a inclusão escolar de forma ampla e de modo singular. Os princípios norteadores do processo educativo na formação para profissionais de apoio da Educação Especial incluem a participação, a solidariedade, a globalidade e o respeito à identidade institucional. O público-alvo inclui profissionais que já atuam no apoio da Educação Especial nas escolas públicas e particulares do município de Santiago, bem como em municípios da comunidade escolar regional e demais interessados (estudantes de cursos de Licenciatura, Curso Normal). Objetivo Geral: - Qualificar os Profissionais de Apoio (cuidadores) da Educação Especial, com os aportes teóricos, práticos e de legislação, na área de prestação de serviços em Educação Especial no apoio a inclusão escolar de forma ampla e de modo singular. Objetivos Específicos: - Conhecer os principais documentos e diretrizes que garantem o atendimento e a inclusão dos alunos público-alvo da educação Espe4cial; - Desenvolver ações a entender o processo de crescimento e desenvolvimento da criança e adolescente - Definir as competências e habilidades do profissional de apoio da Educação Especial para atuação nos sistemas de ensino seguindo a legislação educacional vigente; - Discutir o papel social da educação especial e inclusiva - Conhecer as técnicas para aquisição de orientação, mobilidade, adequação postural e de acessibilidade espacial a fim de eliminar as barreiras atitudinais e arquitetônicas dos alunos com deficiência; - Compreender melhor a relação existente entre o profissional de apoio da Educação Especial, a família e a escola. Organização Curricular: • ASPECTOS LEGAIS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA - 16 horas • EDUCAÇÃO ESPECIAL - 40 horas • PRÁTICAS DE APOIO PARA EDUCAÇÃO ESPECIAL - 24 horas INSTITUTO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ISAÍAS 1 Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva tem como objetivo o acesso, a participação e a aprendizagem dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas escolas regulares, orientando os sistemas de ensino para promover respostas às necessidades educacionais especiais, garantindo: • Transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a educação superior; • Atendimento educacional especializado; • Continuidade da escolarização nos níveis mais elevados do ensino; • Formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão escolar; • Participação da família e da comunidade; • Acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes, na comunicação e informação; • Articulação intersetorial na implementação das políticas públicas. ❖ Alunos atendidos pela Educação Especial: Por muito tempo perdurou o entendimento de que a educação especial, organizada de forma paralela à educação comum, seria a forma mais apropriada para o atendimento de alunos que apresentavam deficiência ou que não se adequassem à estrutura rígida dos sistemas de ensino. Essa concepção exerceu impacto duradouro na história da educação especial, resultando em práticas que enfatizavam os aspectos relacionados à deficiência, em contraposição à sua dimensão pedagógica. O desenvolvimento de estudos no campo da educação e dos direitos humanos vêm modificando os conceitos, as legislações, as práticas educacionais e de gestão, indicando a necessidade de se promover uma reestruturação das escolas de ensino regular e da educação especial. Em 1994, a Declaração de Salamanca proclama que as escolas regulares com orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias e que alunos com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular, tendo como princípio orientador que “as escolas deveriam acomodar todas as crianças independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras” (BRASIL, 2006, p.330). O conceito de necessidades educacionais especiais, que passa a ser amplamente disseminado a partir dessa Declaração, ressalta a interação das características individuais dos alunos com o ambiente educacional e social. No entanto, mesmo com uma perspectiva conceitual que aponte para a organização de sistemas educacionais inclusivos, que garanta o acesso de todos os alunos e os apoios necessários para sua participação e aprendizagem, as políticas implementadas pelos sistemas de ensino não alcançaram esse objetivo. Na perspectiva da educação inclusiva, a educação especial passa a integrar a proposta pedagógica da escola regular, promovendo o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. Nestes casos e outros, que implicam em transtornos funcionais INSTITUTO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ISAÍAS 1 específicos, a educação especial atua de forma articulada com o ensino comum, orientando para o atendimento às necessidades educacionais especiais desses alunos. A educação especial direciona suas ações para o atendimento às especificidades desses alunos no processo educacional e, no âmbito de uma atuação mais ampla na escola, orienta a organização de redes de apoio, a formação continuada, a identificação de recursos, serviços e o desenvolvimento de práticas colaborativas. Os estudos mais recentes no campo da educação especial enfatizam que as definições e uso de classificações devem ser contextualizados, não se esgotando na mera especificação ou categorização atribuída a um quadro de deficiência, transtorno, distúrbio, síndrome ou aptidão. Considera-se que as pessoas se modificam continuamente, transformando o contexto no qual se inserem. Esse dinamismo exige uma atuação pedagógica voltada para alterar a situação de exclusão, reforçando a importância dos ambientes heterogêneos para a promoção da aprendizagem de todos os alunos. A partir dessa conceituação, considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental ou sensorial que, em interação com diversas barreiras, podem ter restringida sua participação plena e efetiva na escola e na sociedade. Os alunos com transtornos globais do desenvolvimento são aqueles que apresentam alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e na comunicação, um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Incluem-se nesse grupo alunos com autismo, síndromes do espectro do autismo e psicose infantil. Alunos com altas habilidades/superdotação demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual,acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse. INSTITUTO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ISAÍAS 1 A Lei Nº 13.146/2015, institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Segundo o Estatuto da Pessoa com Deficiência: Art. 2º Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. § 1º A avaliação da deficiência, quando necessária, será biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar e considerará: I – os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo; II – os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais; III – a limitação no desempenho de atividades; e IV – a restrição de participação. Art. 2º -A. É instituído o cordão de fita com desenhos de girassóis como símbolo nacional de identificação de pessoas com deficiências ocultas. A referida Lei, em seu Art. 3º, traz importantes conceitos: I – acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida; II – desenho universal: concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou de projeto específico, incluindo os recursos de tecnologia assistiva; III – tecnologia assistiva ou ajuda técnica: produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivem promover a funcionalidade, relacionada à atividade e à participação da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida, visando à sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social; IV – barreiras: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo, a fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à circulação com segurança, entre outros, classificadas em: a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias e nos espaços públicos e privados abertos ao público ou de uso coletivo; b) barreiras arquitetônicas: as existentes nos edifícios públicos e privados; c) barreiras nos transportes: as existentes nos sistemas e meios de transportes; d) barreiras nas comunicações e na informação: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens e de informações por intermédio de sistemas de comunicação e de tecnologia da informação; e) barreiras atitudinais: atitudes ou comportamentos que impeçam ou prejudiquem a participação social da pessoa com deficiência em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas; f) barreiras tecnológicas: as que dificultam ou impedem o acesso da pessoa com deficiência às tecnologias; V – comunicação: forma de interação dos cidadãos que abrange, entre outras opções, as línguas, inclusive a Língua Brasileira de Sinais (Libras), a visualização de textos, o Braille, o sistema de sinalização ou de comunicação tátil, os caracteres ampliados, os dispositivos multimídia, assim INSTITUTO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ISAÍAS 1 como a linguagem simples, escrita e oral, os sistemas auditivos e os meios de voz digitalizados e os modos, meios e formatos aumentativos e alternativos de comunicação, incluindo as tecnologias da informação e das comunicações; VI – adaptações razoáveis: adaptações, modificações e ajustes necessários e adequados que não acarretem ônus desproporcional e indevido, quando requeridos em cada caso, a fim de assegurar que a pessoa com deficiência possa gozar ou exercer, em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos e liberdades fundamentais; VII – elemento de urbanização: quaisquer componentes de obras de urbanização, tais como os referentes a pavimentação, saneamento, encanamento para esgotos, distribuição de energia elétrica e de gás, iluminação pública, serviços de comunicação, abastecimento e distribuição de água, paisagismo e os que materializam as indicações do planejamento urbanístico; VIII – mobiliário urbano: conjunto de objetos existentes nas vias e nos espaços públicos, superpostos ou adicionados aos elementos de urbanização ou de edificação, de forma que sua modificação ou seu traslado não provoque alterações substanciais nesses elementos, tais como semáforos, postes de sinalização e similares, terminais e pontos de acesso coletivo às telecomunicações, fontes de água, lixeiras, toldos, marquises, bancos, quiosques e quaisquer outros de natureza análoga; IX – pessoa com mobilidade reduzida: aquela que tenha, por qualquer motivo, dificuldade de movimentação, permanente ou temporária, gerando redução efetiva da mobilidade, da flexibilidade, da coordenação motora ou da percepção, incluindo idoso, gestante, lactante, pessoa com criança de colo e obeso; X – residências inclusivas: unidades de oferta do Serviço de Acolhimento do Sistema Único de Assistência Social (Suas) localizadas em áreas residenciais da comunidade, com estruturas adequadas, que possam contar com apoio psicossocial para o atendimento das necessidades da pessoa acolhida, destinadas a jovens e adultos com deficiência, em situação de dependência, que não dispõem de condições de autossustentabilidade e com vínculos familiares fragilizados ou rompidos; XI – moradia para a vida independente da pessoa com deficiência: moradia com estruturas adequadas capazes de proporcionar serviços de apoio coletivos e individualizados que respeitem e ampliem o grau de autonomia de jovens e adultos com deficiência; XII – atendente pessoal: pessoa, membro ou não da família, que, com ou sem remuneração, assiste ou presta cuidados básicos e essenciais à pessoa com deficiência no exercício de suas atividades diárias, excluídas as técnicas ou os procedimentos identificados com profissões legalmente estabelecidas; XIII – profissional de apoio escolar: pessoa que exerce atividades de alimentação, higiene e locomoção do estudante com deficiência e atua em todas as atividades escolares nas quais se fizer necessária, em todos os níveis e modalidades de ensino, em instituições públicas e privadas, excluídas as técnicas ou os procedimentos identificados com profissões legalmente estabelecidas; XIV – acompanhante: aquele que acompanha a pessoa com deficiência, podendo ou não desempenhar as funções de atendente pessoal. INSTITUTO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ISAÍAS 1 O CONCEITO DE DEFICIÊNCIA E SUA CLASSIFICAÇÃO O QUE É DEFICIÊNCIA? Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos, de longo prazo, de natureza física, intelectual, mental ou sensorial, os quais, em interação com uma ou mais barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. As deficiências podem ter origem genética e surgir no período de gestação, em decorrência do parto ou nos primeiros dias de vida do bebê. Na vida adulta, podem ser consequência de doenças transmissíveis ou crônicas, perturbações psiquiátricas, desnutrição, abusos de drogas, traumas e lesões. ❖ Você Sabia? As deficiências adquiridas, além de causadas por sequelas de doenças, podem ser provocadas tambémpor acidentes. Os de trânsito estão entre as principais causas de deficiência física em pessoas adultas no mundo. QUAIS OS TIPOS DE DEFICIÊNCIA? Podem ser classificadas de acordo com a área específica que afetam no organismo. DEFICIÊNCIA AUDITIVA É a perda parcial ou total da audição, causada por má-formação (causa genética) ou lesão nas estruturas que compõem o aparelho auditivo. São classificadas de acordo com a incapacidade de detectar determinada quantidade de decibéis: • Leve: existe dificuldade em compreender a fala humana. • Moderada e Severa: há a necessidade do uso de aparelho ou prótese auditiva e em alguns casos torna-se necessário o uso da língua de sinais. • Profunda: torna-se necessário o uso de técnicas de leitura labial e de língua de sinais para a comunicação. ❖ Você Sabia? A expressão “surdo-mudo” não é adequada para se referir a uma pessoa surda. A pessoa que nasce surda tem a capacidade de aprender uma linguagem oral, mas é comum que tenha na Língua Brasileira de Sinais (Libras) uma opção de comunicação. INSTITUTO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ISAÍAS 1 Dicas de relacionamento e de comportamentos inclusivos com pessoas com deficiência auditiva: • Para iniciar uma conversa com uma pessoa surda, acene ou toque levemente em seu ombro ou braço; • Pessoas surdas se comunicam de maneira essencialmente visual e pela Língua Brasileira de Sinais (Libras); • Mantenha contato visual durante as conversas, pois, se desviar o olhar, poderá dar a entender que a conversa acabou; • Procure falar de modo natural, mas articulando bem a pronúncia das palavras. Não é necessário falar pausadamente a menos que seja solicitado; • Não grite, fale com tom de voz normal, a não ser que lhe peçam para falar mais alto; • Evite colocar objetos ou a própria mão na boca, para não atrapalhar a leitura labial; • Se tiver dificuldade para entendê-lo, não tenha receio de pedir que repita; • Se necessário, comunique-se por meio da escrita ou faça mímicas e gestos que possam identificar o que você quer dizer; • Quando o surdo estiver acompanhado de intérprete, fale diretamente com a pessoa surda, não com o intérprete. DEFICIÊNCIA VISUAL A deficiência visual é a perda ou redução da capacidade visual em ambos os olhos em caráter definitivo, que não pode ser melhorada ou corrigida com o uso de lentes, tratamento clínico ou cirúrgico. Os diferentes graus de deficiência visual podem ser classificados em: • Baixa visão: (leve, moderada ou profunda): pode ser compensada com o uso de lentes de aumento e lupas com o auxílio de bengalas e de treinamentos de orientação. • Próximo à cegueira: quando a pessoa ainda é capaz de distinguir luz e sombra, mas já emprega o sistema braile para ler e escrever, utiliza recursos de voz para acessar programas de computador, locomove-se com a bengala e precisa de treinamentos de orientação e de mobilidade. • Cegueira: o uso do Sistema Braille, da bengala e os treinamentos de orientação e de mobilidade, nesse caso, são fundamentais. ❖ Você Sabia? Existem critérios rígidos para definir uma deficiência. Portanto, uma pessoa com alto grau de miopia, por exemplo, não é uma pessoa com deficiência visual, uma vez que existem alternativas para correção desta limitação. Dicas de relacionamento e de comportamentos inclusivos com pessoas com deficiência visual: ▪ Use naturalmente termos como “cego”, “ver” e “olhar”. Os cegos também os usam; ▪ Ao conversar com uma pessoa cega, não é necessário falar mais alto, a menos que ela o solicite; ▪ Se for auxiliar uma pessoa cega, pergunte antes se ela precisa de ajuda e de que forma; ▪ Ao conduzir uma pessoa cega, ofereça seu braço (cotovelo) para que ela segure. Não a agarre, nem a puxe pelo braço ou pela bengala; INSTITUTO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ISAÍAS 1 ▪ Ao explicar a direção para um cego, indique distância e pontos de referência com clareza: “tantos metros à direita, à esquerda”, “para frente ou para trás”. Evite termos como: “por aqui” e “por ali”; ▪ Informe sobre os obstáculos existentes, como degraus, desníveis e outros; ▪ Quando houver necessidade de passar por lugares estreitos, como portas e corredores, posicione seu braço para trás, de modo que a pessoa cega possa segui-lo; ▪ Se observar aspectos inadequados quanto à aparência da pessoa cega (zíper aberto, roupa pelo avesso, maquiagem borrada, etc) avise-a discretamente a respeito; ▪ Se conviver com uma pessoa cega, nunca deixe uma porta entreaberta. As portas devem estar totalmente abertas ou completamente fechadas. Conserve os corredores livres de obstáculos. Avise-as se a mobília for mudada de lugar; ▪ Sempre que se ausentar do local, informe à pessoa, caso contrário ela ficará falando sozinha; ▪ O cão-guia nunca deve ser distraído de seu dever. Evite brincar com o cão, pois a segurança da pessoa pode depender do alerta e da concentração do animal; ▪ O computador pode possibilitar à pessoa cega escrever e conferir os textos, ler jornais e revistas, via internet ou livro digitalizado, usando programas específicos os quais reproduzem em áudio as informações escritas na tela. ▪ Os programas de acessibilidade não reproduzem imagens. Diante disso, torna-se interessante que, ao enviar imagens para pessoas com deficiência, seja encaminhado uma breve descrição das mesmas. DEFICIÊNCIA FÍSICA São alterações completas ou parciais de um ou mais segmentos do corpo humano, que acarretam o comprometimento da mobilidade e da coordenação geral, podendo também afetar a fala, em diferentes graus. As deficiências físicas mais comuns são: ▪ Paraplegia: perda total das funções motoras. ▪ Monoplegia: perda parcial das funções motoras de um só membro (podendo ser superior ou inferior). ▪ Tetraplegia: perda total das funções motoras dos membros superiores e inferiores. ▪ Hemiplegia: perda total das funções motoras de um hemisfério do corpo (direito ou esquerdo). ▪ Ostomia: é uma intervenção cirúrgica que permite criar uma comunicação entre o órgão interno e o exterior, com a finalidade de eliminar os dejetos do organismo. Os ostomizados são pessoas que utilizam um dispositivo, geralmente uma bolsa, que permite recolher o conteúdo a ser eliminado através do ostoma. ▪ Amputação: é a remoção de uma extremidade do corpo. ▪ Paralisia cerebral: diz respeito a uma lesão cerebral que acontece, em geral, quando falta oxigênio no cérebro do bebê durante a gestação, no parto ou até dois anos após o nascimento (traumatismos, envenenamentos ou doenças graves). Dependendo do local do cérebro onde ocorre a lesão e do número de células atingidas, a paralisia danifica o funcionamento de diferentes partes do corpo. A principal característica é um desequilíbrio na contenção muscular que causa tensão, inclui dificuldades de força e equilíbrio e comprometimento da coordenação motora. ▪ Nanismo: é uma doença genética que provoca um crescimento esquelético anormal, resultando num indivíduo cuja altura é muito menor que a altura média de toda a população INSTITUTO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ISAÍAS 1 Dicas de relacionamento e de comportamentos inclusivos com pessoas com deficiência física: • Não se apoie na cadeira de rodas. Isso pode causar incômodo à pessoa com deficiência; • Nunca movimente a cadeira de rodas sem antes pedir permissão e perguntar como deve proceder; • Se estiver acompanhando uma pessoa que anda devagar, em cadeira de rodas ou que use muletas, procure acompanhar o seu ritmo; • Se estiver conversando com uma pessoa em cadeira de rodas, sente-se também, de modo que seus olhos fiquem no mesmo nível do olhar do cadeirante; • Mantenha as muletas ou bengalas sempre próximas à pessoa com deficiência; • Use palavras como “correr” e “andar” naturalmente. As pessoas com deficiência física também usam esses termos; • A pessoacom paralisia cerebral pode apresentar alguma dificuldade na comunicação. No entanto, na maioria das vezes, o seu raciocínio está intacto. Caso não compreenda o que diz, peça que repita ou escreva, respeitando o ritmo de sua fala. ❖ Você Sabia? O termo “deficiência física” não deve ser generalizado e englobar qualquer tipo de deficiência (auditiva, visual, intelectual, psicossocial/mental ou múltipla), pois cada uma delas tem as suas especificidades. DEFICIÊNCIA INTELECTUAL Refere-se a padrões intelectuais reduzidos, significativamente inferiores à média, geralmente com manifestação antes dos 18 anos, e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como comunicação, cuidados pessoais, habilidades sociais, habilidades acadêmicas, segurança e autonomia. Podem apresentar comprometimentos de nível leve, moderado, severo ou profundo, de acordo com o grau de limitações. Dicas de relacionamento e de comportamentos inclusivos com pessoas com deficiência intelectual: ▪ A pessoa com deficiência intelectual deve ser tratada com respeito e dignidade, assim como qualquer cidadão gostaria de ser tratado; ▪ Não a ignore durante uma conversa: cumprimente-a e despeça-se dela, como você o faria com outras pessoas; ▪ Não tenha receio de orientá-la quando perceber situação duvidosa ou que possa colocá-la em risco. A pessoa com deficiência intelectual necessita de uma orientação clara, mas não a superproteja, deixe que ela tente fazer sozinha tudo o que ela puder; ▪ Não reforce ou incentive atitudes e falas infantis, elogios desnecessários no diminutivo, como se conversasse com uma criança. Se for criança, trate-a como criança. Se for adolescente, trate-o como adolescente, e, se adulto, trate-o como tal; ▪ Não subestime sua inteligência. A pessoa com deficiência intelectual tem um tempo diferenciado de aprendizado e pode adquirir muitas habilidades e conhecimentos, além de compreender normalmente a sua realidade. Ofereça informações em linguagem objetiva, com sentenças curtas e simples; ▪ A pessoa com deficiência intelectual compreende normalmente a sua realidade. Valorize suas potencialidades e não supervalorize suas dificuldades. INSTITUTO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ISAÍAS 1 DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA É a associação, na mesma pessoa, de duas ou mais deficiências primárias (visual/auditiva/física/intelectual/psicossocial), com comprometimentos que acarretam atrasos no desenvolvimento global e na capacidade de adaptação. Dicas de relacionamento e de comportamentos inclusivos com pessoas com deficiência múltipla: ▪ Para lidar com uma pessoa que tem deficiência múltipla, observe-a ou pergunte a quem a acompanha; ▪ O relacionamento se estabelece de acordo com as orientações já elencadas nos itens anteriores. ❖ Você Sabia? Evite generalizações para se referir à pessoa com deficiência. Por exemplo, dizer que toda pessoa com síndrome de Down tem talento artístico ou toda pessoa com deficiência visual tem audição apurada. Nem todo cego sabe ler braille. Nem todo surdo sabe Libras. TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO Como o próprio nome diz, o Transtorno Global do Desenvolvimento é caracterizado por uma condição que afeta as funções do desenvolvimento. No TGD, as crianças frequentemente manifestam suas ideias e interações sociais de maneira única e particular. Essas manifestações podem incluir dificuldades em expressar pensamentos e sentimentos, bem como desafios na compreensão de nuances sociais e na realização de tarefas motoras simples. Essas dificuldades podem impactar significativamente a vida cotidiana da criança, tornando tarefas simples, como se comunicar e interagir com os outros, um verdadeiro desafio. Sem o devido acompanhamento e tratamento, essas crianças podem enfrentar obstáculos significativos em seu desenvolvimento e qualidade de vida. Por isso, é importante combater a falta de conhecimento e compartilhar informações de qualidade para entender o que é TGD, como tratar e ajudar no desenvolvimento infantil para fornecer qualidade de vida à criança. QUAIS SÃO OS TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO Os Transtornos Globais do Desenvolvimento são categorizados em 5 condições que afetam a maneira como as crianças interagirem com o mundo, que são: Transtorno do Espectro Autista (TEA); Síndrome de Rett; Psicose infantil; Síndrome de Asperger; Síndrome de Kanner. INSTITUTO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ISAÍAS 1 Transtorno do Espectro Autista (TEA) O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento que engloba diferentes condições, mas é caracterizado principalmente pela dificuldade na comunicação social e comportamentos restritos e repetitivos. Crianças com TEA podem apresentar dificuldades em fazer contato visual, entender e responder às emoções dos outros, iniciar ou manter conversas e desenvolver relacionamentos interpessoais. Além disso, elas podem exibir padrões repetitivos de comportamento, interesses restritos e intensos em assuntos específicos, aderência rígida a rotinas e resistência a mudanças no ambiente ou na rotina diária. Sensibilidades sensoriais incomuns, como hipersensibilidade ou hipoatividade a estímulos sensoriais como luz, som, tato, cheiro ou sabor, também são comuns em crianças com TEA. Essas características variam em intensidade de uma criança para outra, mas são fundamentais para compreender e identificar o Transtorno do Espectro Autista. Síndrome de Asperger: A Síndrome de Asperger é uma condição que faz parte do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ela afeta a capacidade da pessoa de se comunicar e socializar de maneira adequada. Indivíduos com Síndrome de Asperger podem apresentar dificuldades na compreensão de pistas sociais sutis, como expressões faciais e tom de voz, e podem ter interesses restritos e intensos em assuntos específicos. Além disso, podem apresentar dificuldades na comunicação não verbal, como contato visual e expressão facial, e podem preferir interações sociais estruturadas ou repetitivas. Apesar desses desafios, muitas pessoas com Síndrome de Asperger possuem habilidades excepcionais em áreas específicas, como matemática, música ou arte. O diagnóstico precoce e intervenções apropriadas podem ajudar a minimizar os impactos negativos e apoiar o desenvolvimento saudável desses indivíduos. Síndrome de Rett A Síndrome de Rett é uma condição genética rara que afeta principalmente meninas. Uma característica marcante dessa síndrome é a desaceleração ou regressão do desenvolvimento infantil, geralmente observada no primeiro ano de vida. Isso inclui a perda de habilidades motoras adquiridas, linguagem e habilidades sociais. Além disso, crianças com Síndrome de Rett frequentemente apresentam apraxia grave, dificuldade em realizar movimentos coordenados, estereotipias motoras. Entre elas, movimentos repetitivos das mãos, e comportamento social atípico, como falta de interesse em interagir com os outros e dificuldade em estabelecer relações sociais. Essas características variam em intensidade de uma criança para outra, mas são fundamentais para compreender e identificar a Síndrome de Rett. INSTITUTO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ISAÍAS 1 Psicose infantil A Psicose Infantil é uma condição que afeta o desenvolvimento infantil, caracterizada por alucinações e delírios. Esses sintomas impactam significativamente na interação social, linguagem e brincadeiras da criança, bem como em outros aspectos do seu desenvolvimento. Crianças com Psicose Infantil podem apresentar dificuldades em compreender e se comunicar com os outros, tendem a se isolar e podem exibir comportamentos incomuns ou desorganizados durante as atividades de brincadeira. Essa condição requer uma intervenção precoce e um acompanhamento especializado para minimizar o impacto negativono desenvolvimento da criança e melhorar sua qualidade de vida. Síndrome de Kanner A Síndrome de Kanner, também conhecida como autismo clássico, é considerada a forma mais severa do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Geralmente, manifesta-se nos primeiros anos de vida e é caracterizada por déficits significativos na comunicação social e comportamentos repetitivos ou restritos. Indivíduos com Síndrome de Kanner podem apresentar atraso motor, incluindo dificuldades na coordenação motora fina, bem como deficiências em outras áreas, como habilidades sociais e intelectuais. Esses sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas tendem a impactar profundamente o funcionamento diário e o desenvolvimento da criança. O diagnóstico precoce e intervenções adequadas são fundamentais para ajudar a minimizar as dificuldades e promover o bem-estar desses indivíduos. INSTITUTO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ISAÍAS 1 Comportamentos das crianças com transtornos globais de desenvolvimento Como os transtornos globais do desenvolvimento são divididos em várias condições, vejamos quais são os principais sintomas de cada uma das síndromes. Sintomas da Síndrome do Espectro Autista • Dificuldade na interação social • Dificuldade de comunicação •Criança não tem medo de situações perigosas • Brincadeiras estranhas e repetidas • Cão sentir dor e parecer gostar de se machucar ou de machucar os outros de propósito (diferenciar do transtorno de conduta) • Levar o braço de outra pessoa para pegar o objeto que ela deseja • Olhar sempre na mesma direção • Ficar se balançando para frente e para trás por vários minutos Sintomas Síndrome de Asperger • Interesses muito específicos e intensos (podendo desenvolver habilidades geniais em determinadas áreas) Necessidade de criar rotinas fixas • Pouca paciência • Instabilidade emocional • Descoordenação motora • Hipersensibilidade a estímulos Sintomas da Síndrome da Psicose Infantil Confusão no pensamento, com emissão de frases desconexas e/ou sem sentido • Não se atém ao brincar, passando de uma brincadeira para outra sem que haja uma ponte entre as duas • Alucinações, como ouvir e ver coisas inexistentes • Ideias bizarras, descoladas da realidade, conhecidos como “delírios” • Falar ou rir sem razão. Sintomas Síndrome de Kanner Incapacidade de se relacionar com outras pessoas • Rigidez mental e comportamental • Comportamentos estereotipados Sintomas da Síndrome de Rett Caracterizada pela regressão do desenvolvimento infantil: • Menos contato visual • Queda do interesse por brinquedos • Atrasos para sentar ou engatinhar • Diminuição do crescimento da cabeça e torcer as mãos. • Perda das habilidades manuais voluntárias e da linguagem falada • Convulsões • Impossibilidade de executar movimentos coordenados – caminhar, escrever (sintoma chamado de apraxia) INSTITUTO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ISAÍAS 1