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MECÂNICA DOS SOLOS - UEMA (Profa. Teresinha) AULA 3 ANÁLISE GRANULOMÉTRICA Segundo as dimensões das partículas do solo e dentro de limites convencionais, as frações constituintes do solo recebem designações próprias. Exemplo: as partículas do solo com dimensões variando entre 2,00 e 60,00 mm, recebem o nome de pedregulhos, ou então, variando entre 0,06 e 2,00mm, recebem o nome de areia (ver Tabela 2.2). Como já exposto, os solos naturais são constituídos por misturas de partículas de vários tamanhos e, suas propriedades, são em grande parte determinadas pelo tamanho predominante das partículas na sua composição. Para determinar a distribuição (ou predominância) do tamanho das partículas na composição solo, faz-se o que se denomina de análise granulométrica. Dessa forma, a análise granulométrica é a determinação das dimensões das partículas do solo e das proporções relativas em que se encontram. Essa análise é muito importante para a classificação do solo, conforme será abordado adiante. A representação gráfica de uma análise granulométrica do solo denomina-se por curva granulométrica. Essa curva é traçada por pontos, onde as abscissas representam o diâmetro equivalente das partículas (numa escala logarítima), em milímetros, e as ordenadas representam a porcentagem em peso das partículas com dimensão menor que a considerada. Figura 2.12: Representação de uma curva granulométrica de um solo qualquer. Fonte: adaptado da autora. A situação das curvas no gráfico revela os tipos de materiais representados. Ou seja, quanto mais a direta a curva estiver, maiores serão as partículas do solo. Na Figura 2.13, estão representadas as curvas granulométricas de dois solos: solo A e B. A curva do solo A, localizada à esquerda do gráfico, indica que ele é composto de partículas mais finas. Já a curva do solo B, localizada à direita do gráfico, indica que esse solo é composto de partículas mais grossas. Figura 2.13: Representação da curva granulométrica de um solo fino (solo A) e de um solo grosso (solo B). Fonte: adaptado da autora. Através da forma da curva granulométrica do solo podemos determinar o seu grau de uniformidade e definir se ele é bem ou mau graduado. Sendo assim, os solos, quanto a sua graduação, podem ser: - Solo bem graduado: é aquele composto por partículas de vários tamanhos (ver Figura 2.1.4.a). Exemplo: um solo qualquer. - Solo mau graduado: é aquele composto por partículas de mesmos tamanhos, (ver Figura 2.1.4.b). Exemplo: brita comercial - Solo de graduação aberta ou descontinua: é aquele que não tem, em sua composição, um determinado tamanho de partículas (ver Figura 2.1.4.c) Quanto a uniformidade do solo, ele pode ser: - Solo uniforme: é aquele composto por partículas do mesmo tamanho (é o caso de solo mau graduado. - Solo desuniforme: é aquele composto por partículas de vários tamanhos (é o caso de solo bem graduado). Nas figuras a seguir mostram esquematicamente, a forma do solo quanto sua graduação e uniformidade. Figura 2.14: Representação de um solo (a) bem graduado; (b) de graduação uniforme e (c) de graduação aberta. Fonte: Caputo (1978). Figura 2.15: Representação esquemática da curva granulométrica de um solo (a) bem graduado; (b) de graduação uniforme e (c) de graduação aberta. Fonte: Adaptado do autor. 3.1 Coeficientes do solo definidos a partir da curva granulométrica A partir da curva granulométrica de um solo, é possível determinar o seu grau de uniformidade e classificá-lo quanto a sua graduação, através de coeficientes, denominados: Coeficiente de Uniformidade e Coeficiente de Curvatura. - Coeficiente de Uniformidade (Cu): é a razão entre os diâmetros correspondentes a 60% e 10% (diâmetro efetivo), tomados na curva granulométrica. Equação 2.23 Cu = D60 Def Onde: D60: é o diâmetro correspondente a 60% em peso, de todas as partículas menores que ele. Def: é o diâmetro correspondente a 10% em peso, de todas as partículas menores que ele. Na figura a seguir estão representados, esquematicamente, o D60 e o Def. Figura 2.16: Representação esquemática do D60 e o Def . Fonte: Adaptado do autor. De acordo com o valor obtido para esse coeficiente, o solo se classifica em: Cu 15 – solo desuniforme - Coeficiente de Curvatura (Cc): é expressa pela relação: De acordo com o valor obtido para esse coeficiente, o solo se classifica em: 1esquematicamente a malha da peneira de 2”e a de número 8. Figura 2.17: Representação esquemática da malha: (a) da peneira de 2”e (b) da peneira Nº 8. Fonte: Adaptado do autor. A seguir, mostra um conjunto de peneiras com malhas de diversas aberturas, utilizadas em laboratório no ensaio de peneiramento. Figura 2.18: Conjunto de peneiras utilizadas no ensaio de peneiramento. Fonte: peneirasgranulométricas.com.br/. (acesso em 30/08/2022). Em laboratório, a granulometria por peneiramento é feita em duas etapas distintas, sendo denominados de: peneiramento grosso e peneiramento fino. O peneiramento grosso é feito com o material que fica retido na peneira Nº 10 (abertura de 2,00mm), ou seja, para partículas do solo que apresentam diâmetro superior a 2,00mm. O peneiramento fino é feito com o material que passa na peneira Nº 10, ou seja, para partículas do solo que apresentam diâmetro inferior a 2,00mm. É importante frisar que, no laboratório, a peneira Nº 10 é utilizada para separar as partículas grossas das finas. Sequência do ensaio de peneiramento: - Na prática, a amostra de solo que é coletada no campo, ao chegar ao laboratório, primeiramente ela é destorroada e espalhada para secar ao ar. Atenção: No ensaio de peneiramento é comum utilizar uma amostra de solo pesando em torno de 3000g. - Em seguida, o solo selecionado é passado na peneira Nº 10, separando o material grosso do fino. http://mat12010aluancorrea.blogspot.com.br/ http://mat12010aluancorrea.blogspot.com.br/ - O material grosso, retido na peneira Nº 10, é lavado e seco em estufa numa temperatura entre 105° e 110°C. Quando seco, esse material é submetido ao peneiramento grosso. - Do material que passou na peneira Nº 10, retira-se certa quantidade para a determinação da umidade do solo, conforme detalhado no item 2.2.4. Em seguida, separa-se cerca de 100g, para fazer o peneiramento fino. Peneiramento grosso A amostra retida na peneira Nº 10, depois de retirada da estufa, é pesada e colocada em uma sequência de peneiras previamente definidas, decrescentes em relação à abertura da malha, como por exemplo, as peneiras de 25,4 mm; 19,1 mm; 9,5 mm; 4,8 mm; 2,4 mm e 2,0 mm. Figura 2.19: Exemplo de sequencia de peneiras utilizadas no peneiramento grosso. Fonte: adaptado do autor Leva-se o conjunto de peneiras ao peneirador mecânico (ou agita-se o conjunto manualmente) até garantir uma constância de massa em cada peneira com o material nela retido. Figura 2.19: Peneirador mecânico de solos. Fonte: peneiras-e-agitadoteres-mecanicos.html (acesso em 30/08/2022) Calcula-se então, a porcentagem que passa em cada peneira, pela expressão: Sendo: Onde: Qg: porcentagem do material que passa em cada peneira; Ms: massa total da amostra seca (calculada pela expressão 2.26); Mi: massa do material seco retido acumulado em cada peneira; Mt: massa total da amostra seca ao ar usada no ensaio; Mg: massa do material seco retido acumulado na peneira Nº 10; h: umidade do solo. Equação 2.25 Qg = Ms − Mi Ms × 100 Equação 2.26 Ms = Mt − Mg 1 + h + Mg As “porcentagens que passa” são representadas graficamente em função da abertura nominal da peneira correspondente. A abertura nominal da peneira é considerada como o “diâmetro” das partículas. Trata-se, evidentemente, de um “diâmetro equivalente”, pois as partículas não são exatamente esféricas. A partir dos valores obtidos, traça-se a curva granulométrica por pontos, ou seja, a porcentagem que passa em cada peneira é representada no eixo das ordenadas e o diâmetro equivalente das partículas (representados pela abertura das malhas das peneiras, em milímetros), é representado no eixo das abscissas. Ver modelo na figura 2.12. Peneiramento fino Com o material separado para o peneiramento fino (que passou na peneira Nº 10), faz- se a lavagem utilizando como apoio a peneira Nº 200 (abertura da malha de 0,075 mm), que é a de menor malha, das séries das peneiras. Em seguida, leva-se o material retido na peneira Nº 200 para secar na estufa. Após secagem, coloca-se o material em uma série de peneiras previamente definidas, decrescentes em relação à abertura da malha, como por exemplo, as peneiras de 0,8 mm; 0,42 mm; 0,18 mm; 0,15 mm e 0,075 mm. De forma semelhante ao peneiramento grosso, leva-se o conjunto de peneiras ao peneirador mecânico (ou agita-se o conjunto manualmente) até garantir uma constância de massa em cada peneira com o material nela retido. Calcula-se então, a porcentagem que passa em cada peneira, pela expressão: Onde: Qf: porcentagem do material que passa em cada peneira; Mh: massa do material úmido submetido ao peneiramento fino; Mi: massa do material seco retido acumulado em cada peneira; h: umidade do solo; N: porcentagem do material que passa na peneira Nº 10. Equação 2.27 Qf = Mh 1 + h − Mi Mh 1 + h × N Atenção: Pode ocorrer que todo o material passe na peneira Nº 10. Nesse caso, evidentemente, N = 100. Exemplo de aplicação de granulometria por peneiramento Traçar a curva granulométrica de um solo que foi submetido à análise granulométrica utilizando-se peneiramento grosso e fino. Para isso, utilizou-se uma amostra de solo, seca ao ar, com massa de 2.100g. Em seguida passou-se a amostra na peneira Nº 10. Do material que passou, determinou-se a umidade do solo, obtendo h = 5,5% e separou-se 120g para o peneiramento fino. Após os peneiramentos obteve-se o peso seco em cada peneira, cujos resultados apresentam-se a seguir: Peneira Peso retido seco parcial (g) Nº mm Peneiramento grosso 2” 50,8 0,0 1” 25,4 22,3 3/8” 9,5 145,7 Nº 4 4,2 210,0 Nº 10 2,0 382,0 Peneiramento fino Nº 40 0,42 25,1 Nº 80 0,18 18,5 Nº 100 0,15 30,3 Nº 200 0,074 21,3 Resolução: 1 – Calcula-se o peso (massa) retido acumulado em cada peneira (ver os resultados no quadro, no final deste exemplo); 2 – A partir das equações 2.25 e 2.26 calculam-se as porcentagens que passa, no peneiramento grosso, como mostra a seguir: Ms = 2.100,0 − 760,0 1 + 0,055 + 760,0 Ms = 2.030,1g - Para a peneira 2”, tem-se: Qg = 2.030,1 − 0,00 2.030,1 x 100 = 100% - Para a peneira 1”, tem-se: Qg = 2.030,1 − 22,3 2.030,1 x 100 = 98,9% - Para a peneira 3/8”, tem-se: Qg = 2.030,1 − 168,0 2.030,1 x 100 = 91,7% - Para a peneira Nº 4, tem-se: Qg = 2.030,1 − 378,0 2.030,1 x 100 = 81,4% - Para a peneira Nº 10, tem-se: Qg = 2.030,1 − 760,0 2.030,1 x 100 = 62,6% 3 – A partir da equação 2.27 calculam-se as porcentagens que passa, no peneiramento fino, como mostra a seguir: - Para a peneira Nº 40, tem-se: Qf = 120,0 1 + 0,055 − 25,1 120,0 1 + 0,055 x 62,6 = 48,8% - Para a peneira Nº 80, tem-se: Qf = 120,0 1 + 0,055 − 43,6 120,0 1 + 0,055 x 62,6 = 38,6% - Para a peneira Nº 100, tem-se: Qf = 120,0 1 + 0,055 − 73,9 120,0 1 + 0,055 x 62,6 = 21,9% - Para a peneira Nº 200, tem-se: Qf = 120,0 1 + 0,055 − 95,2 120,0 1 + 0,055 x 62,6 = 10,2% Os pesos retidos acumulados, de cada peneira, utilizados nos cálculos e os resultados obtidos estão apresentados no quadro abaixo. Peneira Peso retido seco parcial (g) Peso retido seco acumulado (g) % que passa Nº mm Peneiramento Grosso 2” 50,8 0,0 0,0 100,0 1” 25,4 22,3 22,3 98,9 3/8” 9,5 145,7 168,0 91,7 Nº 4 4,2 210,0 378,0 81,4 Nº 10 2,0 382,0 760,0 62,6 Peneiramento Fino Nº 40 0,42 25,1 25,1 48,8 Nº 80 0,18 18,5 43,6 38,6 Nº 100 0,15 30,3 73,9 21,9 Nº 200 0,074 21,3 95,2 10,2 A curva granulométrica desse solo fica assim representada: Atividades de aprendizagem 1) Um solo foi submetido à análise granulométrica utilizando-se peneiramento grosso e fino.Para isso, utilizou-se uma amostra de solo, seca ao ar, com massa de 1800 g. Do material que passou na peneira Nº 10, determinou-se a umidade do solo, obtendo h = 4,8% e separou-se 135 g para o peneiramento fino. Após os peneiramentos obteve-se o peso seco em cada peneira, cujos resultados apresentam-se a seguir: Peneira Peso retido seco parcial (g) Nº mm Peneiramento grosso 1”1/2 38,1 0 1” 25,4 65,1 3/8” 9,5 125,7 Nº 4 4,2 210,0 Nº 10 2,0 365,0 Peneiramento fino Nº 40 0,42 15,1 Nº 80 0,18 23,5 Nº 100 0,15 33,3 Nº 200 0,074 38,3 Pede-se: a) traçar a curva granulométrica desse solo; b) calcular o coeficiente de uniformidade desse solo (Cu) e classificá-lo a partir desse coeficiente e c) calcular o coeficiente de curvatura desse solo (Cc) e classificá-lo a partir desse coeficiente. Referências Básica: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7181: Granulometria. Rio de Janeiro, 1984. DAS BRAJA, M. Fundamentos de engenharia geotécnica. Tradução All Tasks. São Paulo, Thomson Learning, 2007. DEPARTAMENTO NACIONAL DE ESTRADAS DE RODAGEM. DNER-ME 051/94: Solos – Análise Granulométrica, 1994. PINTO, C. S. Curso básico de mecânica dos solos. Editora Oficina de Textos, 2006.