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Christian Dunker e Cristiano Dal Forno PERVERSÃO E CULTURA Rita de Cassia Teixeira O desejo vem pela falta. Na falta, vamos fantasiar. 2 c-Conheça o livro da disciplina CONHEÇA SEUS PROFESSORES 3 Conheça os professores da disciplina. EMENTA DA DISCIPLINA 4 Veja a descrição da ementa da disciplina. BIBLIOGRAFIA DA DISCIPLINA 5 Veja as referências principais de leitura da disciplina. O QUE COMPÕE O MAPA DA AULA? 6 Confira como funciona o mapa da aula. MAPA DA AULA 7 Links de artigos científicos, informativos e vídeos sugeridos. RESUMO DA DISCIPLINA 29 Relembre os principais conceitos da disciplina. AVALIAÇÃO 30 Veja as informações sobre o teste da disciplina. 3 Especialista em Psicologia Organizacional, Direito, Economia, e em Gestão de Projetos, Mestre e Doutor em Psicologia em Psicologia. Docente e membro da Comissão Coordenadora do Curso de Psicologia da Escola de Ciências da Saúde da PUCRS. CRISTIANO DAL FORNO Professor PUCRS Psicanalista e professor Titular do Instituto de Psicologia da USP, junto ao Departamento de Psicologia Clínica, obteve o título de Livre Docente em Psicologia Clínica após realizar seu Pós-Doutorado na Manchester Metropolitan University. É Analista Membro de Escola de Psicanálise do Fórum do Campo Lacaniano e coordenador do Laboratório de Teoria social, Filosofia e Psicanálise da USP. Duas vezes agraciado com o prêmio Jabuti por “Estrutura e Constituição da Clínica Psicanalítica” (Annablume, 2010). e “Mal-Estar, Sofrimento e Sintoma” (Boitempo, 2015) e coautor de O Palhaço e o Psicanalista - Como escutar os outros pode transformar vidas, editora Planeta. CHRISTIAN DUNKER Professor Convidado c-Conheça seus professores 4 Ementa da Disciplina Estudo das expressões perversas na cultura contemporânea. Análise das manifestações do desmentido da diferença e violência como forma relação com o outro. Reflexões sobre a alienação subjetiva e as patologias do social. Compreensão do mal-estar, do sofrimento e da precarização do laço social. Crítica à patologização de diferentes condições de experiência subjetiva e a segregação cultural. 5 Bibliografia da Disciplina As publicações destacadas têm acesso gratuito. Bibliografia básica SAFATLE, V. P., SILVA JUNIOR, N. da, & DUNKER, C. I. L. Patologias do social: arqueologias do sofrimento psíquico. Belo Horizonte: Autêntica, 2018. SAFATLE, V. P., SILVA JUNIOR, N. da, & DUNKER, C. I. L. Neoliberalismo como gestão do sofrimento psíquico. Belo Horizonte: Autêntica, 2020. DUNKER, C. I. L. Mal-estar, sofrimento e sintoma:uma psicopatologia do Brasil entre muros. São Paulo: Boitempo, 2015. Bibliografia complementar ANTUNES, R. O privilégio da servidão: o novo proletariado de serviços na era digital. São Paulo: Boitempo, 2018. FREUD, S. O mal-estar na civilização. In J. Strachey (Ed. e Trad.), Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud(Vol.21, pp. 65-148). Rio de Janeiro: Imago, 2006. (Trabalho original publicado em 1930). BIRMAN, J. (Org.). Arquivos do mal-estar e da resistência. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006. GONDAR, J. Ferenczi como pensador político. Cadernos de Psicanálise, 34(27), 193- 210, 2012. KNOBLOCH, F. Impasses no atendimento e assistência do migrante e refugiados na saúde e saúde mental. Psicologia USP, 26(2), 169-174, 2015. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-62952012000200011&lng=pt&tlng=pt http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-62952012000200011&lng=pt&tlng=pt 6 O que compõe o Mapa da Aula? so MAPA DA AULA São os capítulos da aula, demarcam momentos importantes da disciplina, servindo como o norte para o seu aprendizado. Frases dos professores que resumem sua visão sobre um assunto ou situação. DESTAQUES Conteúdos essenciais sem os quais você pode ter dificuldade em compreender a matéria. Especialmente importante para alunos de outras áreas, ou que precisam relembrar assuntos e conceitos. Se você estiver por dentro dos conceitos básicos dessa disciplina, pode tranquilamente pular os fundamentos. FUNDAMENTOS Questões objetivas que buscam reforçar pontos centrais da disciplina, aproximando você do conteúdo de forma prática e exercitando a reflexão sobre os temas discutidos. Na versão online, você pode clicar nas alternativas. EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Fatos e informações que dizem respeito a conteúdos da disciplina. CURIOSIDADES Conceituação de termos técnicos, expressões, siglas e palavras específicas do campo da disciplina citados durante a videoaula. PALAVRAS-CHAVE Assista novamente aos conteúdos expostos pelos professores em vídeo. Aqui você também poderá encontrar vídeos mencionados em sala de aula. VÍDEOS Inserções de conteúdos para tornar a sua experiência mais agradável e significar o conhecimento da aula. ENTRETENIMENTO Apresentação de figuras públicas e profissionais de referência mencionados pelo(a) professor(a). PERSONALIDADES Neste item, você relembra o case analisado em aula pelo professor. CASE A jornada de aprendizagem não termina ao fim de uma disciplina. Ela segue até onde a sua curiosidade alcança. Aqui você encontra uma lista de indicações de leitura. São artigos e livros sobre temas abordados em aula. LEITURAS INDICADAS Aqui você encontra a descrição detalhada da dinâmica realizada pelo professor. MOMENTO DINÂMICA 7 Mapa da Aula Os tempos marcam os principais momentos das videoaulas. AULA 1 • PARTE 1 01:03A perversão, historicamente, [...] se constitui com aquilo que a cultura nega. PERSONALIDADE Escritor francês, cuja obra se enquadra tanto no domínio da literatura como nos campos da filosofia, antropologia, economia, crítica literária, sociologia e história da arte. Afirma que o homem é um ser dilacerado entre continuidade e descontinuidade, embora possua uma nostalgia pela continuidade perdida com o advento da subjetividade, que somente foi possível com o mundo do trabalho. Georges Bataille 02:46 04:56 PERSONALIDADE Romancista, ensaísta, filósofo, tradutor, roteirista e pintor francês. Seus romances, durante muito tempo considerados escandalosos, ocupam um lugar extravagante na literatura francesa do século passado, bem como seu ensaísmo filosófico e mais ainda as suas esculturas e pinturas. Em quase toda a sua obra, o erotismo é um tema dominante, mas numa combinação complexa com filosofia e teologia, que ele estudou na juventude. Pierre Klossowski 08:45 Objeto a em Lacan: Faz referência à falta, não sendo especular, nem apreensível na imagem. A falta, segundo Lacan, não existe no real e só seria apreensível através do simbólico. E é também através do simbólico e do imaginário que há a tentativa de preenchê-la. PALAVRA-CHAVE 8 10:18 No século XIX, foi o momento de consolidação do ideário republicano da Revolução Francesa e a segunda volta da colonização. Essa recriação geopolítica acompanha pari passu o desenvolvimento das noções fundamentais que formam a perversão, segundo Krafft-Ebing: Sadismo: associação de volúpia e crueldade, marcada por uma fase psíquica degenerada. Masoquismo: a culminância do prazer decorre dos atos temerários de violência sofridos nas mãos dos parceiros. Fetichismo: não encontra satisfação no coito, mas na manipulação da parte do corpo ou objeto que constitui o fetiche. Sexualidade Antipática: ausência de sensação voluptuosa em relação ao sexo oposto. Em psicanálise, troca-se por narcisismo. Conceito de perversão em XIX 11:33 PERSONALIDADE Psiquiatra alemão, pioneiro no estudo e na investigação da psicopatologia sexual. Publicou vários textos sobre hipnose, criminologia e comportamento sexual. O seu interesse nestas matérias é algo diversificado: interessa-se tanto pelas funções genéticas nos desvios e patologias sexuais e na insanidade, como pela epilepsia, por exemplo. Richard von Krafft-Ebing 20:12Na criança a gente tem um momentode descoberta, de exploração da crueldade como uma forma de satisfação. 26:20 O fetichista toma a parte pelo todo, toma os meios pelos fins ou os fins pelos meios. 30:31 Drama de 2006, Lourenço é proprietário de uma loja de penhores e se sustenta desenvolvendo um jogo perverso com seus clientes, geralmente em dificuldades financeiras. Tudo muda quando ele conhece uma garçonete e começa a perder o controle de sua vida. Filme: Cheiro do Ralo ENTRETENIMENTO PERSONALIDADE Escritor francês do século XVIII, conde de Tournay e barão de Montfalcon. Escreveu vários trabalhos acadêmicos sobre tópicos relacionados à história e à linguagem antigas. Charles de Brosses 32:52 9 42:16 É uma novela literária de 1870 e a obra mais famosa do escritor austríaco Leopold von Sacher-Masoch. O masoquismo (termo depois consagrado por Freud), o sadismo e inúmeras outras práticas hoje conhecidas, reconhecidas e nomeadas, como o fetichismo, o travestismo e o próprio homossexualismo antes conhecido como o Livro: A Vênus das Peles LEITURA INDICADA 49:14 Romance do Marquês de Sade, publicado clandestinamente em 1795. A obra em forma de diálogos trata da educação sexual de uma jovem, apresentando, além do erotismo, posições ideológicas que discutem os ideais republicanos e as submissões de uma maneira geral. Livro: A Filosofia na Alcova LEITURA INDICADA AULA 1 • PARTE 2 01:07 Série de três livros do poeta romano Ovídio. Escrita em versos, tem como tema a arte da sedução. Os primeiros dois volumes da série, escritos entre 1 a.C. e 1 d.C., falam ‘sobre conquistar os corações das mulheres’ e ‘como manter a amada’, respectivamente. Livro: A arte de amar LEITURA INDICADA 10 10:08 Drama de 1999, Lester Burham passa por uma crise de meia-idade, larga seu emprego e começa a agir de forma irresponsável. Quando conhece a amiga adolescente de sua filha, Lester sente uma atração imediata pela garota e decide que é hora de dar a volta por cima. Filme: Beleza americana ENTRETENIMENTO 17:12 Marx intui ao fetichismo: por que estamos tão interessados no encantamento que os povos têm em relação ao seus deuses? Será que é porque o fetichismo diz algo essencial sobre a realidade que estamos vivendo? Nós, na esfera do capitalismo, na perda da consequência entre a palavra e o efeito que ela produz, criamos uma nova religião sensual no desejo – produzir encanto em objetos. Em 1844, Marx entende que o prazer do dinheiro torna a imaginação, realidade, e a realidade, imaginação. Ou seja, o problemático é o fetichismo da mercadoria, tornando nossas vida em estrutura de mercado. A perversão leva à alienação, que acontece por duas vias: negar o outro por não reconhecê-lo e não reconhecimento do que se exterioriza. O fetiche da mercadoria 25:16 Onde há perversão, há um tipo de alienação. 28:46A alienação é um processo complexo de você desfazer porque ela se entranhou de tal maneira que não conseguimos mais reconhecer a perversão em nós. CURIOSIDADE Analogia que o psicanalista Christian Dunker usa para tratar da patológica relação entre o público e privado que se dá no Brasil contemporâneo. Ele localiza a origem desse conceito junto à popularização de condomínios como Alphaville, na década de 1970. Não tardou para essa lógica logo se transmutar nas relações humanas, assim como também é encontrada nas prisões, shopping center e favelas. Espraia-se nas grades que impedem a circulação livre em praças, nas cancelas que fecham ruas e as tornam particulares, nas escolas escondidas por trás de muros, com pouca ou nenhuma ponte com a comunidade que a cerca ou cidade para onde deveria irradiar. A lógica do condomínio 29:52 31:07 O que define a perversão não é um tipo de satisfação, é muito mais a ideia de que existiria um tipo de satisfação para todos coercitivo que justificaria o uso de violência, preconceito, segregação e forma de gozo. Todos os seres que têm seu arco de satisfação definido por fantasias, possuem satisfações perversas e, ao aceitá-las, nega a do outro. Em suma, a primeira face da definição de perversão é a generalização de uma contingência. Perversão e grupo 11 37:38 O cientista político, Daniel Goldhagen, procura demonstrar que o Holocausto não foi um espetáculo de horror ao qual os alemães teriam sido obrigados a assistir, mas, na verdade, produto de ideais amplamente compartilhados pela maioria do povo alemão durante a primeira metade do século. Livro: Os carrascos voluntários de Hitler LEITURA INDICADA PERSONALIDADE Doutor em Medicina, com formação em psiquiatra e psicanálise, também é membro da Associação Freudiana da Bélgica e um dos fundadores da Associação Lacaniana Internacional. Propõe uma leitura, que diz apoiar-se sobre sua experiência psicanalítica, cujo objetivo é entender a incidência efetiva das mudanças maiores ocorridas em nossa sociedade na estrutura subjetiva. Jean-Pierre Lebrun 41:50 AULA 1 • PARTE 3 00:20 Freud, nos Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, define que a origem das neuroses estava ligada ao recalcamento somático — que era a separação entre prazeres e sentimentos. A migração das modalidades de prazer dentro do corpo era o ponto chave em seu trabalho. Através do conceito de perversão, Freud conseguia mostrar que isso acontecia com a sexualidade humana, pensando na gênese das neuroses como: desvios de objeto, desvios de objetivo, inversões e as formas de fixação, exageração, intensificação, inibição. Perversões Freudianas 03:49 Complacência somática é a aptidão que os histéricos têm de produzir um deslocamento que receba aquela carga de afeto que sai de uma representação original e vai para uma outra parte do corpo. 12 A ideia central do texto era de que a neurose é o negativo da perversão. Atualmente, entende-se que isso é um capítulo de um entendimento ampliado que se tem de sexualidade em psicanálise. Ao compreender que todos os objetos são dotados de falo, Freud implica que as crianças são fetichistas. Isso sugere que antes da neurose, fomos todos perversos. Os sentimentos sociais: culpa, vergonha e nojo — que fazem parte do Complexo de Édipo. O fetichista produz uma espécie de negação perceptiva. Na teoria do Freud, o sujeito se torna neurótico porque não vai conseguindo lidar com a auto afecção, nem partilhar seu sentimento social com o outro e, por isso, cria deslocamentos da pulsão dentro do próprio corpo. A modalidade de inconsciente que melhor se aplica ao entendimento da perversão é uma espécie de patologia do saber —eu sei, mas ajo como se não soubesse. Bate-se numa criança Freud introduz neste breve artigo perspectivas etiológicas da perversão e sua relação com a fantasia, cuja releitura nos inspira ampliar o entendimento acerca das relações humanas do cotidiano, bem como nos servir de modelo para pensarmos a cultura da violência e suas dimensões, seja contra o próprio sujeito, passando pela doméstica, urbana, gênero, até a sua espetacularização nas mídias. LEITURA INDICADA 08:35 Fetichismo Freud busca na experiência da análise de homens cuja escolha objetal era regida por um fetiche a inspiração para compor este artigo. Embora seja reconhecido por seus adeptos como uma anormalidade, raramente é sentido por eles como o sintoma de uma doença que se faça acompanhar por sofrimento. LEITURA INDICADA 09:21 22:11Empatia é a capacidade de você ser afetado, afetar-se, transformar afetos em emoções e transformar emoções em sentimentos sociais. 22:48 Sentimento significa: eu sou afetado por aquele afeto como eu suponho que o outro é afetado por ele. 22:53Sentimentos são afetos vividos coletivamente, trans-subjetivamente e transitivamente. 25:02 Os desvios de objetivo e de objeto são alterações de formações da relação forma e conteúdo. 35:04O recalque é a separação entre afeto e representação. 13 43:49 A gente gosta de ver ópera, de entender as coisasdo palco porque entendemos nossa vida como um palco. 45:24Os perversos sempre são chamados de obscenos: colocam em cena aquilo que devia ficar de fora, mostram o que deveria permanecer oculto. EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO Em Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, a origem das neuroses está ligada: R es p o st a d es ta p ág in a: a lt e rn a ti v a 2 e 2 . De acordo com Freud, qual é a base de sustentação da civilização? EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO 14 AULA 1 • PARTE 4 00:20 Seu enfoque é sobre como o trabalho de Sigmund Freud, Anna Freud, e Edward Bernays influenciaram na maneira que as empresas e governos tem analisado, lidado, e controlado pessoas. Documentário: O Século do Ego ENTRETENIMENTO 01:01 O universo de manipulação de mentes baseado em alguns princípios segue a narrativa de repetir uma mentira até que pareça verdade — como foi o caso de propagandas nazistas. A posição desses sujeitos é similar ao dos perversos. O complexo que ligou a indústria do cinema, música, fotografia e propaganda se organizou em torno de uma posição perversa com o qual já nos acostumamos. Propaganda 14:38 A gente quer mais do que conseguimos imaginar. Queremos que o outro faça a gente desejar. 20:28 A primeira mudança importante que o conceito de perversão teve para Lacan diz respeito ao entendimento que ele faz do conceito de lei. Freud diz que o supereu é como a polícia, só que dentro de nós, sendo um interditor. Para ele, quando queremos ser hiper civilizados, barbarizamos, resultado da pulsão de morte. Já para Lacan, a interdição é a supressão do prazer e da satisfação, então o civilizado é um masoquista renunciador. Lacan e uma Nova Perversão 26:53 O supereu é uma perversão da lei social. 15 AULA 2 • PARTE 1 00:57 Adorno traz para a filosofia, a crítica freudiana do Eu, a noção de inconsciente e de perversão como um operador de leitura. Ele percebe elementos que permitem a gente pensar contra essa unidade da forma com o conteúdo, da hipótese de que na origem o indivíduo tem uma matriz de fundamentação na natureza, criticando a noção de indivíduo. Para Lacan, nós somos sujeitos na medida em que somos divididos entre desejo e demanda, o enunciado e a enunciação, entre sujeito e objeto. Ele afirma que a nossa relação básica não é com objetos empíricos, mas com a falta. Concluímos que há uma afinidade importante entre o conceito de desejo e o conceito de fetichismo. A perversão também ocupa o desejo com a demanda. No texto, Sobre o caráter fetichista na música e a regressão da audição, Adorno reconhece como a nossa cultura, especialmente a partir dos anos 60, vai se tornando uma cultura do pastiche, da citação sobre a citação; em que determinados motes são usados como trilha sonora, tornando-se uma gíria, uma conversa entre poucos. A produção da música se encurtou, criando a sensação de “querer mais”, produzindo, na fantasia, a indução de gozo e na angústia, a anestesia. O fetichismo na música se mostra a partir das vozes dos cantores, colocando-os como protagonistas, valorizando um indivíduo acima do grupo. Fetichismo e audição 18:21 O funk como o êxtase, faz com que o sujeito recolha-se a si e saia de si. PERSONALIDADE Historiador, moralista e crítico social, foi professor de história na Universidade de Rochester. Ele procurou usar a história como uma ferramenta para despertar a sociedade estadunidense para a difusão com que as principais instituições, públicas e privadas, estavam corroendo a competência e a independência das famílias e comunidades. Lasch se esforçou para criar uma crítica social historicamente informada que pudesse ensiná-los como lidar com o consumismo desenfreado, a proletarização e o que ele chamou de “a cultura do narcisismo”. Christopher Lasch 24:18 28:23Um objeto que é indefinidamente reproduzido gera o efeito de aderência ao gozo. 29:48 O consumo passa a, cada vez mais, se infiltrar na própria definição de identidade do indivíduo. 16 34:22 A partir dos anos 70, tivemos uma reformulação muito grande da vida e estrutura social, implicando uma mudança no padrão de ideal de consumo e de aspiração de vida das classes médias brasileiras. Instituiu-se uma nova forma de morar, os condomínios, com uma proposta conceitual de vendar uma forma de vida em que os empregados domésticos seriam profissionalizados. Isso é perversão porque não consegue praticar intersubjetiva e dita o “sei como você goza”. Modos de posse 39:08 O início do condomínio é a separação entre porta social e porta de serviço. 40:41 Melting pot: No sentido figurado, é qualquer lugar onde existem diversas pessoas, com diferentes estilos de vida, culturas, religiões e raças. Pode ser traduzido como a metáfora crisol de raças. A expressão vem do significado original, que é o cadinho onde são derretidos e fundidos vários metais ou outras substâncias. PALAVRA-CHAVE 53:45 Distopia, de 1965, do diretor, Jean-Luc Godard, em que uma cidade é comandada pelo computador Alpha 60, que aboliu os sentimentos em seus habitantes. Filme: Alphaville ENTRETENIMENTO 54:35 O que o DSM fez: aboliu todas as hipóteses etiológicas, não vamos discutir causas, só vamos descrever operacionalmente categorias. 55:58 Quando a gente não concorre para ver quem sofre mais, a gente esconde para ver quem não está sofrendo. 56:06O sofrimento é uma experiência contagiosa, o sintoma não. O que a gente faz no DSM? Suprime palavras de contágios. 17 O sofrimento é uma experiência ______, o ______ não. EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO R es p o st a d es ta p ág in a: a lt e rn a ti v a 1 e 4 . EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO Assinale a alternativa correta sobre o DSM: AULA 2 • PARTE 2 00:53 Alexitimia: Termo empregado no diagnóstico clínico de pessoas com acentuada dificuldade ou incapacidade para expressar emoções. Algumas vezes quando essas pessoas tentam demonstrar sentimento, dizem que estão com dor ou com outra sensação física. PALAVRA-CHAVE 18 PERSONALIDADE Psicanalista neozelandesa-francesa, destaca- se como um dos principais expoentes do pensamento intelectual contemporâneo que envolve o entrelaçamento das diversas áreas do conhecimento. Capaz de transitar por vertentes teóricas distintas, estabeleceu um diálogo audacioso e profícuo entre autores franceses, anglo-saxões e norte-americanos, sublinhando a riqueza e a particularidade da linha teórica de cada um deles. A metáfora teatral – que ocupa lugar de destaque em toda a obra de McDougall – é utilizada como eixo norteador. Para ela, o trabalho de elaboração psíquica e intelectual envolve a reconstrução de um drama particular que tem como palco o corpo – ora apenas biológico, ora potencialmente representável por meio das palavras. Essa reconstrução depende da capacidade de o indivíduo aceitar a existência do inconsciente e de tolerar as frustrações inerentes ao próprio processo de desenvolvimento. A autora considera que todos os sintomas – neuróticos, psicóticos, perversos ou psicossomáticos – são criações infantis numa tentativa de autocura. Joyce Mcdougall 01:00 07:42 Debord fala sobre quando conseguimos produzir a inversão entre o mundo real e a versão para consumo doméstico, resultando em um efeito de espetacularização. As nossas vidas passam a ser pensadas como objeto de uma gestão, entendendo que o sujeito para se tornar um bom produto, não basta ter boa educação, valores morais e predicados, como em outros momentos fora suficiente; o sujeito precisa saber apresentar- se. Sociedade do espetáculo 07:50 PERSONALIDADE Escritor francês e um dos pensadores da Internacional Situacionista e da Internacional Letrista. O ponto central de sua teoria é que a alienação é mais do que uma descrição de emoções ou um aspecto psicológico individual. É a consequência do modo capitalista de organização social que assume novas formas e conteúdos em seu processo dialéticade separação e reificação da vida humana. Guy Debord 11:48 A visibilidade [...] perdeu sua densidade, se tornou um produto, se tornou artificial, mera manutenção da vida. 12:38A cada geração a gente tem um ponto e meio a mais na sensação de solidão. 19 14:13 Kaplan considera o fetichismo como uma estratégia mental para transformar pessoas em sua “energia imaterial” em alguma forma tangível de materialidade, controlada por algo ou alguém. A forma-valor precisa ser calculada em todos os seus segmentos, só consegue-se pensar a partir do diagnóstico e da avaliação. O neoliberalismo trouxe um novo traço perverso que é a financeirização da economia, que nos leva à identificação com marcas. Estratégia fetichista 23:19Pessoas começam a se considerar como empresas no momento em que as empresas começam a se identificar como marcas. Sobre a Sociedade do Espetáculo é incorreto afirmar que: EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO R es p o st a d es ta p ág in a: a lt e rn a ti v a 1 . 20 AULA 2 • PARTE 3 00:29 Dany-Robert Dufour entende que o olhar contemporâneo foi sendo produzido para ser pornográfico, fazendo uma leitura de como o neoliberalismo engendra uma nova aplicação da perversão ao nosso universo de produção e de consumo. Essa aplicação significa uma espécie de reversão da política geral com relação ao sofrimento. O neoliberalismo diz que não há descontinuidade entre Eu e supereu, entre Eu e ideal de eu, as pessoas podem “tudo”. Nessa linha de pensamento, o gênero cinematográfico em o foco é totalmente voltado para aquilo que interessa: a pornografia. A narrativa do foco é uma narrativa pornográfica. Pornografia 01:08 Dany-Robert Dufour revisita aspectos centrais do pensamento ocidental para construir, de um ponto de vista filosófico, uma história da libido. Livro: A cidade perversa LEITURA INDICADA 06:32Concorrência: quem ganha? A empresa. 10:32 CURIOSIDADE Conceito do filósofo, Byung-Chul Han, que entende a sociedade do cansaço como consequência da Sociedade do Desempenho. Uma sociedade que se demonstra cansada de tantas tarefas, tanta hiper conectividade e tanta necessidade de performar bem. Caracteriza-se por ser um mundo em que as pessoas, sentindo-se pressionadas pelo meio exterior por um maior auto desempenho, buscam maneiras, frequentemente não tão compensadoras para aliviar essa situação. O discurso publicitário legitima uma sociedade de consumo, onde a satisfação se define como a busca constante do prazer, no qual o consumidor encontra-se implicado num sistema generalizado de troca e de produção de valores codificados. O consumo constitui uma ordem de significações como a linguagem. Sociedade do cansaço 13:06 Os deprimidos sofrem com inibição do Eu. 21 AULA 2 • PARTE 4 00:15 PERSONALIDADE Pintor, escultor e poeta francês, tinha como objetivo vencer aquela “arte retiniana”, uma vez que exige a participação ativa do público. Embora seja considerado um artista dadaísta, trabalhou com vários conceitos artísticos do impressionismo, cubismo e expressionismo. Foi o criador do conceito de ready-made, que utiliza materiais prontos, industriais, sem interferência do artista. Marcel Duchamp 12:12 Christian Dunker esclarece as dúvidas dos alunos. Complementos 16:29 Comédia dramática de 2006. O sonho da pequena Olive é participar do concurso da Pequena Miss Sunshine, então ela embarca em uma divertida e comovente viagem com o pai, o tio, o avô, o irmão e a mãe. Filme: Pequena Miss Sunshine ENTRETENIMENTO 16:35 CURIOSIDADE É um distúrbio psíquico caracterizado por comportamento de busca de atenção de um cuidador através de pessoas que estão sob seus cuidados. A pessoa com síndrome de Munchausen por procuração não parece motivada pelo desejo de qualquer tipo de ganho material. Embora os prestadores de cuidados de saúde sejam frequentemente incapazes de identificar a causa específica da doença da criança, eles não costumam suspeitar que a mãe ou a cuidadora pudesse fazer algo para prejudicar a criança. Na verdade, o cuidador muitas vezes parece ser muito carinhoso e atencioso e extremamente perturbado com a doença do filho. Munchausen por procuração 22 AULA 3 • PARTE 1 07:23À medida em que a cultura vai se transformando, o exercício perverso também se transforma. PERSONALIDADE Filósofo italiano, autor de obras que percorrem temas que vão da estética à política. Seus trabalhos mais conhecidos incluem sua investigação sobre os conceitos de estado de exceção e homo sacer. Giorgio Agamben 08:40 08:49Se nós quisermos entender a contemporaneidade, a gente tem que olhar para a figura do refugiado. 08:55 O refugiado concentra em si um paradoxo de ter separado aquilo que é natividade daquilo que é nacionalidade, pondo em abalo a harmonia dos Estados nacionais.11:03Pensar o trabalho como uma patologia social é poder fazer a crítica da alienação do sujeito ao trabalho. 12:46 Para constituir-se, a civilização precisa recalcar a sua agressividade e essa violência, muitas vezes, encontra como único escoadouro a figura do outro, do diferente, que não é integrante do grupo original. Freud diz que a civilização se fundamenta essencialmente em uma escolha imposta de uma renúncia em fruição, ou seja, o sujeito, para poder participar do laço social, precisa abrir mão do seu gozo imediato, do egoísmo. Do encontro intersubjetivo do bebê e a figura primária, inaugura-se o movimento pulsional. Cabe ao adulto despertar e conter a pulsão — que surge do somático exigindo um trabalho do aparelho psíquico. Todos nós antes da neurose conhecemos a perversão. Quando a criança é convocada a sair da relação dual de que o outro existe para servi- la, ela passa a ser inserida no mundo dos humanos, na civilização. Violência ao estranho 14:54O perverso, enquanto aquele que impõe uma forma de gozar, causa problemas no laço social na medida em que ele não se relaciona com o outro, mas se relaciona com uma parte. 23 Para Freud, não faz sentido distinguir o termo civilização do termo cultura, pois ele entende que só pode haver cultura com o surgimento da civilização. Na cultura estaria situada a diferença essencial entre aquilo que é da ordem dos humanos e aquilo que é da ordem dos animais. A cultura existe para dominar a natureza e o outro homem. 16:07 CURIOSIDADE O contexto do mito se refere a uma horda primitiva controlada pelo pai ancestral, que mantém a posse das mulheres do clã, impedindo que seus filhos se relacionem com qualquer um dos membros. Eles são expulsos da horda quando crescem, no intuito de evitar conflitos com o pai primordial. O assassinato do pai da horda, segundo Freud, é a condição de possibilidade para o surgimento da moralidade. Mito do pai da horda 30:53 A cultura frustra este sujeito perverso polimorfo que quer gozar por todos os furos porque participar da cultura passa por aceitar a regulação desses excessos.31:48O superego é relativo ao seu tempo histórico. AULA 3 • PARTE 2 00:15 A lei passa a regular a violência entre os indivíduos, contrapondo-se à violência do indivíduo mais forte. Desse movimento civilizatório, estabelece-se os regulamentos sociais e a autoridade. Fica estabelecido, portanto, que a violência pode ser exercida apenas pelo Estado, dentro da sua regulação, contando com a força da polícia. Freud se questiona o que garante que esses indivíduos sigam unidos e afirma que o reconhecimento de interesses comuns levou ao surgimento dessas vinculações. A baixa moralidade externa dos Estados faz com que esse monopólio dirija a violência para outras nações, resultando em guerras. “O Estado proíbe ao indivíduo a prática do mal, não porque deseja aboli-la, mas porque deseja monopolizá-la, tal como o sal e o fumo” (Freud, 1915/2006, p.289). Comunidade e Estado 01:04 Parricídio: Ocorre quando uma pessoa mata o próprio pai ou pais. PALAVRA-CHAVE 07:45 [Se] o Estado institucionalizadosó existe e só se justifica porque a violência foi escamoteada, por que ele é tão bárbaro? 24 A vida comunitária se fundamentou em: compulsão para o trabalho, fruto da necessidade de sobrevivência; e no poder do amor. O recalque desvia a nossa agressividade do seu objeto de descarga natural, mas não deixa de existir. Em certas ocasiões, ela pode voltar à tona na forma de destrutividade, em vista disso, o encontro com o outro sempre pressupõe esse risco. 08:59 [Após o surgimento da lei] não sou mais eu, individualmente, que reivindico pelos meus direitos de forma agressiva. Eu entrego a minha força ao Estado, que me representa diante dos meus. 09:50 Controlar a agressividade exige um grande dispêndio da energia a fim de viabilizar o relacionamento com o outro. Freud diz que a civilização limita as manifestações da agressividade por meio de dois recursos: formações psíquicas reativas, tais como o emprego de métodos viabilizadores de identificação; e por meio de relacionamentos amorosos inibidos em sua finalidade, que trazem consigo restrições à vida sexual. Há determinados contextos em que tal mecanismo parece não encontrar vias para se processar e o escoamento não se opera, resta então a agressividade voltada àquele que se apresenta estranho ao sujeito. As manifestações mais discretas e refinadas da agressividade humana escapam a lei e dizem respeito ao encontro com o diferente. As culturas se caracterizam pela diferença nos seus fundamentos, o conflito surge quando a figura do estranho põe abalo os tabus que estavam recalcados. Controle da agressividade 12:58O estranho é aquela ideia, experiência, vivência que já foi familiar para um sujeito, mas que precisou ser recalcado. 16:21Freud assume que [...] para que a uma comunidade se estabeleça e mantenha o vínculo, as pulsões recalcadas precisam ser escoadas para que elas não apareçam de forma compulsiva, como agressividade. 12:58O que vai diferenciar uma cultura da outra são os conteúdos, ou seja, as representações que precisaram ser retiradas da percepção imediata desses sujeitos. 32:35 As comunidades e países vizinhos tendem, a despeito de todas as características que os aproximam, encontrar determinados contrastes, diferenças para se envolver em constantes embates porque isso atende à necessidade de escoamento da agressividade recalcada que não pode se operar por via de identificação ou relação amorosa. Quanto mais uma sociedade nega essa violência, mais aparece uma violência selvagem. Narcisismo das pequenas diferenças 34:31 O professor convida os alunos a refletirem sobre: uma ou mais situações que lhe tenha(m) chamado a atenção e que possa(m) ser compreendida(s) como respondendo ao escoamento da agressividade humana na atualidade. Como ela(a) nos afeta(m)? De que maneira poderíamos relacioná-la(s) ao mecanismo da perversão? MOMENTO DINÂMICA 25 Segundo Freud, a civilização limita as manifestações da agressividade por meio de dois recursos: EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO R es p o st a d es ta p ág in a: a lt e rn a ti v a 3 . AULA 3 • PARTE 3 00:32 O refugiado traz uma denúncia e uma separação existente entre a natividade e nacionalidade. Até os anos 50, o Estado- nação depositava no nascimento dos sujeitos — na vida nua — o fundamento da sua própria soberania. Os direitos de um Estado estariam garantidos por aqueles que são seus cidadãos. O refugiado, na medida em que passa a ter direito a ingressar em uma território e ter acesso aos bens e aos serviços, colocaria em risco essa velha fórmula do Estado-nação-território. Esclarece Agamben (2017) que “se o refugiado representa, no ordenamento do Estado-nação, um elemento tão inquietante, é antes de tudo porque, rompendo com a identidade entre homem e cidadão, entre natividade e nacionalidade, põe em crise a ficção originária da soberania”. Análise do refugiado 01:00 Estatuto dos Refugiados: A Convenção das Nações Unidas relativa ao Estatuto dos Refugiados foi formalmente adotada em 28 de julho de 1951 para resolver a situação dos refugiados na Europa após a Segunda Guerra Mundial. Esse tratado global define quem vem a ser um refugiado e esclarece os direitos e deveres entre os refugiados e os países que os acolhem. PALAVRA-CHAVE 26 Silvia Bleichmar diz que o Eu tem dois elementos constituintes de linhas tensionantes: a autoconservação (biológico) e a autopreservação (o sentimento de si). Em situações de paz, ambos andam juntos, mas em situações de catástrofes, autoconservação e autopreservação se diferenciam. A experiência de se deslocar pode ser particularmente traumática. PERSONALIDADE Doutora em Psicanálise, Psicóloga e Socióloga, intelectual argentina e livre- pensadora. Seus desenvolvimentos no campo da psicanálise situam-se na tentativa de superar impasses e aporias da psicologia do ego , da teoria kleiniana e da psicanálise estrutural de Lacan. Eles contribuem para a psicanálise com uma postura reflexiva, racional e crítica, desprovida de dogmatismo. Ela realizou pesquisas sobre a construção da sexualidade masculina, a partir do diálogo estabelecido com outras disciplinas como a antropologia , investigando desde o tratamento na antiguidade até os primeiros desenvolvimentos psicanalíticos. Silvia Bleichmar 08:01 12:02O trauma em psicanálise é pensado enquanto uma experiência de uma intensidade externa que excita o aparelho psíquico e que, internamente, produz um rearranjo pulsional que pode levar a uma experiência de sofrimento. 34:50 CURIOSIDADE É um quadro de estresse muito intenso ligado a fatores específicos relacionados à migração, que são basicamente a solidão forçada, não ter chances de crescimento no país de acolhida, submeter-se a condições difíceis de sobrevivência, estar constantemente com medo e desamparado. Não está catalogada na Classificação Internacional de Doenças (CID 10), mas tem igual importância pela seriedade dos seus sintomas. Nem todo imigrante sofre da síndrome, mas é importante estar atento aos sintomas. Síndrome de Ulisses 37:09 Segundo Moraes e Macedo, na criança traumatizada, mais do que o desdém na oferta de cuidados àquele infante cujo psiquismo está a se estruturar, trata-se do não reconhecimento da existência deste em sua condição alteritária. A vivência da indiferença tem a ver com o adulto tomar a criança não como um outro diferente, mas como um objeto indiferente, impondo a sua forma de prazer como se fosse a da criança. Para Ferenczi, o traumático não está na ocorrência de um evento, e nem mesmo no seu grau de violência, e sim em algo que pode se dar — ou não — num segundo tempo. No desmentido está a vivência do trauma – a não-validação perceptiva e afetiva da violência sofrida. Desmentido e trauma 27 37:20 Este livro nasce de inquietações geradas no exercício da clínica psicanalítica e apresenta reflexões teóricas e técnicas a respeito do método psicanalítico associado a uma temática que se acredita pertinente aos tempos atuais. Tendo a clínica como o cenário da convocação para fazer trabalhar a teoria, encontram-se, no exercício da escuta, os desafios que movem o trabalho investigativo. Livro: Vivência de indiferença LEITURA INDICADA PERSONALIDADE Psicanalista, membro do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro, doutora em Psicologia Clínica pela PUC-Rio. É autora de Os tempos de Freud e diversos artigos, além de organizar diferentes obras. Jô Gondar 40:25 AULA 3 • PARTE 4 00:17 Na segunda metade do século XX, os sociólogos passam a estudar o trauma social, identificando tendências de grupos a apresentarem traumas sociais. Em situações de catástrofes ambientais, uma pesquisa identificou que os sobreviventes relatavam uma espécie de vigilância, passando a entender que tinham que se cuidar sozinhas, além da perda da fé na boa vontade dos demais. Kai Erikson faz um paralelo com o trauma vivido na infância: a confiançabásica. A conclusão é de que as situações traumáticas que destroem os vínculos são as provocadas por outros seres humanos que não reconhecem o seu erro. A perversão da cultura é o elemento do desmentido somado ao desastre. Os efeitos traumáticos podem ocorrer quando alguém não é reconhecido na sua condição de sujeito. Traumático e reconhecimento PERSONALIDADE Sociólogo conhecido como uma autoridade nas consequências sociais de eventos catastróficos. Estudou vários desastres no contexto de suas implicações sociológicas, incluindo a precipitação nuclear nas Ilhas Marshall em 1954; a inundação de Buffalo Creek na Virgínia Ocidental em 1972 (resultando no livro premiado de 1978 Everything In Its Path); o acidente nuclear de Three Mile Island em 1979; o derramamento de óleo Exxon Valdez em 1989; e o genocídio na Iugoslávia de 1992 a 1995. Kai Erikson 00:31 28 06:08Uma catástrofe não é necessariamente traumática se o padecimento for reconhecido. 12:31 A condição de ser criança é ser vulnerável. 18:37 Na origem da palavra, trabalho tem a ver com a produção de alimento, mas também com o instrumento de tortura para quem não trabalha direito. Para o adulto, o espaço de trabalho é um elemento central na promoção do desenvolvimento psíquico e da constituição da identidade. Pelo exercício de trabalho, o sujeito, através do desafio, descobre o desenvolvimento de habilidades, levando à ampliação da subjetividade. Entre o trabalhador que se descompensa, não podendo mais seguir trabalhando e o bem-estar no trabalho, existe um meio termo: a normalidade sofrente. Para Dejours, o trabalho é o hiato existente entre o prescrito para a tarefa e aquilo que o trabalhador é levado a fazer diante as circunstâncias. A retribuição do trabalho se dá de forma concreta (pagamento) e de forma simbólica (reconhecimento). Ao permitir o acesso à adaptação aos riscos, as defesas impedem, parcialmente ao menos, tomada de consciência das relações de exploração. Trabalho 39:02 A gente não vence sozinho. A gente vence porque muitas pessoas nos sustentaram e deram conta de também suportar as nossas vulnerabilidades. 41:55 O sociólogo e professor Ricardo Antunes, apresenta um retrato detalhado e atualizado da classe trabalhadora hoje, com as principais tendências das novas relações trabalhistas, em que precarizações, terceirizações e desregulamentações tornaram-se parte da regra, e não da exceção. O eixo central da obra busca compreender a explosão do novo proletariado de serviços, que se desenvolve com o trabalho digital, online e intermitente. Livro: O privilégio da servidão LEITURA INDICADA 29 Resumo da disciplina Veja, nesta página, um resumo dos principais conceitos vistos ao longo da disciplina. AULA 1 AULA 2 AULA 3 O estranho é aquela ideia, experiência, vivência que já foi familiar para um sujeito, mas que precisou ser recalcada. Um objeto que é indefinidamente reproduzido gera o efeito de aderência ao gozo. À medida em que a cultura vai se transformando, o exercício perverso também se transforma. O perverso causa problemas no laço social, na medida em que não se relaciona com o outro e, sim, com uma parte. Onde há perversão, há um tipo de alienação. O supereu é uma perversão da lei social. A criança tem seus momentos de descoberta, de exploração da crueldade como uma forma de satisfação. Pessoas começam a se considerar como empresas no momento em que as empresas começam a se identificar como marcas. O olhar contemporâneo foi sendo produzido para ser pornográfico. 30 Veja as instruções para realizar a avaliação da disciplina. Já está disponível o teste online da disciplina. O prazo para realização é de dois meses a partir da data de lançamento das aulas. Lembre-se que cada disciplina possui uma avaliação online. A nota mínima para aprovação é 6. Fique tranquilo! Caso você perca o prazo do teste online, ficará aberto o teste de recuperação, que pode ser realizado até o final do seu curso. A única diferença é que a nota máxima atribuída na recuperação é 8. Avaliaçãoca-- Conheça seus professores Conheça os professores da disciplina. Ementa da Disciplina Veja a descrição da ementa da disciplina. Bibliografia da Disciplina Veja as referências principais de leitura da disciplina. O que compõe o Mapa da Aula? Confira como funciona o mapa da aula. Mapa da Aula Links de artigos científicos, informativos e vídeos sugeridos. Resumo da disciplina Relembre os principais conceitos da disciplina. Avaliação Veja as informações sobre o teste da disciplina. Botão 252: Botão 253: Botão 254: Botão 255: Botão 227: Botão 228: Botão 229: Botão 230: Botão 231: Botão 232: Botão 233: Botão 234: Botão 257: Botão 258: Botão 259: Botão 260: Botão 235: Botão 236: Botão 237: Botão 238: Botão 240: Botão 241: Botão 262: Botão 263: