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Prévia do material em texto

Christian Dunker e Cristiano Dal Forno
PERVERSÃO E 
CULTURA
Rita de Cassia Teixeira
O desejo vem pela falta. Na falta, vamos 
fantasiar. 
2
c-Conheça o livro da disciplina
CONHEÇA SEUS PROFESSORES 3
Conheça os professores da disciplina. 
EMENTA DA DISCIPLINA 4
Veja a descrição da ementa da disciplina. 
BIBLIOGRAFIA DA DISCIPLINA 5
Veja as referências principais de leitura da disciplina. 
O QUE COMPÕE O MAPA DA AULA? 6
Confira como funciona o mapa da aula.
MAPA DA AULA 7
Links de artigos científicos, informativos e vídeos sugeridos. 
RESUMO DA DISCIPLINA 29
Relembre os principais conceitos da disciplina. 
AVALIAÇÃO 30
Veja as informações sobre o teste da disciplina. 
3
 Especialista em Psicologia Organizacional, Direito, Economia, 
e em Gestão de Projetos, Mestre e Doutor em Psicologia em 
Psicologia. Docente e membro da Comissão Coordenadora do 
Curso de Psicologia da Escola de Ciências da Saúde da PUCRS.
CRISTIANO DAL FORNO
Professor PUCRS
 Psicanalista e professor Titular do Instituto de Psicologia 
da USP, junto ao Departamento de Psicologia Clínica, obteve 
o título de Livre Docente em Psicologia Clínica após realizar 
seu Pós-Doutorado na Manchester Metropolitan University. 
É Analista Membro de Escola de Psicanálise do Fórum do 
Campo Lacaniano e coordenador do Laboratório de Teoria 
social, Filosofia e Psicanálise da USP. Duas vezes agraciado 
com o prêmio Jabuti por “Estrutura e Constituição da Clínica 
Psicanalítica” (Annablume, 2010). e “Mal-Estar, Sofrimento 
e Sintoma” (Boitempo, 2015) e coautor de O Palhaço e o 
Psicanalista - Como escutar os outros pode transformar vidas, 
editora Planeta.
CHRISTIAN DUNKER 
Professor Convidado
c-Conheça seus professores
4
Ementa da Disciplina
Estudo das expressões perversas na cultura contemporânea. Análise das 
manifestações do desmentido da diferença e violência como forma relação 
com o outro. Reflexões sobre a alienação subjetiva e as patologias do social. 
Compreensão do mal-estar, do sofrimento e da precarização do laço social. Crítica 
à patologização de diferentes condições de experiência subjetiva e a segregação 
cultural. 
5
Bibliografia da Disciplina
As publicações destacadas têm acesso gratuito. 
Bibliografia básica
SAFATLE, V. P., SILVA JUNIOR, N. da, & DUNKER, C. I. L. Patologias do social: 
arqueologias do sofrimento psíquico. Belo Horizonte: Autêntica, 2018.
SAFATLE, V. P., SILVA JUNIOR, N. da, & DUNKER, C. I. L. Neoliberalismo como gestão 
do sofrimento psíquico. Belo Horizonte: Autêntica, 2020.
DUNKER, C. I. L. Mal-estar, sofrimento e sintoma:uma psicopatologia do Brasil entre 
muros. São Paulo: Boitempo, 2015.
Bibliografia complementar
ANTUNES, R. O privilégio da servidão: o novo proletariado de serviços na era digital. 
São Paulo: Boitempo, 2018.
FREUD, S. O mal-estar na civilização. In J. Strachey (Ed. e Trad.), Edição standard 
brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud(Vol.21, pp. 65-148). Rio 
de Janeiro: Imago, 2006. (Trabalho original publicado em 1930).
BIRMAN, J. (Org.). Arquivos do mal-estar e da resistência. Rio de Janeiro: Civilização 
Brasileira, 2006.
GONDAR, J. Ferenczi como pensador político. Cadernos de Psicanálise, 34(27), 193-
210, 2012.
KNOBLOCH, F. Impasses no atendimento e assistência do migrante e refugiados na 
saúde e saúde mental. Psicologia USP, 26(2), 169-174, 2015.
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-62952012000200011&lng=pt&tlng=pt
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-62952012000200011&lng=pt&tlng=pt
6
O que compõe o 
Mapa da Aula?
so
MAPA DA AULA
São os capítulos da aula, demarcam 
momentos importantes da disciplina, 
servindo como o norte para o seu 
aprendizado.
Frases dos professores que resumem 
sua visão sobre um assunto ou situação. 
DESTAQUES
Conteúdos essenciais sem os quais você 
pode ter dificuldade em compreender a 
matéria. Especialmente importante para 
alunos de outras áreas, ou que precisam 
relembrar assuntos e conceitos. Se você 
estiver por dentro dos conceitos básicos 
dessa disciplina, pode tranquilamente 
pular os fundamentos.
FUNDAMENTOS
Questões objetivas que buscam 
reforçar pontos centrais da disciplina, 
aproximando você do conteúdo de 
forma prática e exercitando a reflexão 
sobre os temas discutidos. Na versão 
online, você pode clicar nas alternativas.
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Fatos e informações que dizem 
respeito a conteúdos da disciplina.
CURIOSIDADES
Conceituação de termos técnicos, 
expressões, siglas e palavras específicas 
do campo da disciplina citados durante 
a videoaula. 
PALAVRAS-CHAVE
Assista novamente aos conteúdos 
expostos pelos professores em vídeo. 
Aqui você também poderá encontrar 
vídeos mencionados em sala de aula. 
VÍDEOS
Inserções de conteúdos para tornar 
a sua experiência mais agradável e 
significar o conhecimento da aula. 
ENTRETENIMENTO
Apresentação de figuras públicas 
e profissionais de referência 
mencionados pelo(a) professor(a).
PERSONALIDADES
Neste item, você relembra o case 
analisado em aula pelo professor. 
CASE
A jornada de aprendizagem não 
termina ao fim de uma disciplina. Ela 
segue até onde a sua curiosidade 
alcança. Aqui você encontra uma lista 
de indicações de leitura. São artigos e 
livros sobre temas abordados em aula. 
LEITURAS INDICADAS
Aqui você encontra a descrição detalhada 
da dinâmica realizada pelo professor. 
MOMENTO DINÂMICA
7
Mapa da Aula
Os tempos marcam os principais momentos das videoaulas.
AULA 1 • PARTE 1
01:03A perversão, historicamente, [...] 
se constitui com aquilo que a 
cultura nega.
PERSONALIDADE
Escritor francês, cuja obra se enquadra tanto 
no domínio da literatura como nos campos 
da filosofia, antropologia, economia, crítica 
literária, sociologia e história da arte. Afirma 
que o homem é um ser dilacerado entre 
continuidade e descontinuidade, embora 
possua uma nostalgia pela continuidade 
perdida com o advento da subjetividade, 
que somente foi possível com o mundo do 
trabalho.
Georges Bataille
02:46
04:56
PERSONALIDADE
Romancista, ensaísta, filósofo, tradutor, 
roteirista e pintor francês. Seus romances, 
durante muito tempo considerados 
escandalosos, ocupam um lugar 
extravagante na literatura francesa do século 
passado, bem como seu ensaísmo filosófico 
e mais ainda as suas esculturas e pinturas. 
Em quase toda a sua obra, o erotismo é um 
tema dominante, mas numa combinação 
complexa com filosofia e teologia, que ele 
estudou na juventude.
Pierre Klossowski
08:45
Objeto a em Lacan: Faz referência 
à falta, não sendo especular, nem 
apreensível na imagem. A falta, 
segundo Lacan, não existe no real 
e só seria apreensível através do 
simbólico. E é também através do 
simbólico e do imaginário que há a 
tentativa de preenchê-la.
PALAVRA-CHAVE
8
10:18
No século XIX, foi o momento de 
consolidação do ideário republicano da 
Revolução Francesa e a segunda volta da 
colonização. Essa recriação geopolítica 
acompanha pari passu o desenvolvimento 
das noções fundamentais que formam a 
perversão, segundo Krafft-Ebing:
Sadismo: associação de volúpia e crueldade, 
marcada por uma fase psíquica degenerada.
Masoquismo: a culminância do prazer 
decorre dos atos temerários de violência 
sofridos nas mãos dos parceiros.
Fetichismo: não encontra satisfação no 
coito, mas na manipulação da parte do 
corpo ou objeto que constitui o fetiche.
Sexualidade Antipática: ausência de 
sensação voluptuosa em relação ao sexo 
oposto. Em psicanálise, troca-se por 
narcisismo. 
Conceito de perversão em XIX
11:33
PERSONALIDADE
Psiquiatra alemão, pioneiro no estudo e 
na investigação da psicopatologia sexual. 
Publicou vários textos sobre hipnose, 
criminologia e comportamento sexual. 
O seu interesse nestas matérias é algo 
diversificado: interessa-se tanto pelas 
funções genéticas nos desvios e patologias 
sexuais e na insanidade, como pela epilepsia, 
por exemplo.
Richard von Krafft-Ebing
20:12Na criança a gente tem um 
momentode descoberta, de 
exploração da crueldade como uma 
forma de satisfação.
26:20 O fetichista toma a parte pelo 
todo, toma os meios pelos fins ou 
os fins pelos meios.
30:31
Drama de 2006, Lourenço é proprietário 
de uma loja de penhores e se sustenta 
desenvolvendo um jogo perverso com 
seus clientes, geralmente em dificuldades 
financeiras. Tudo muda quando ele conhece 
uma garçonete e começa a perder o controle 
de sua vida.
Filme: Cheiro do Ralo
ENTRETENIMENTO
PERSONALIDADE
Escritor francês do século XVIII, conde de 
Tournay e barão de Montfalcon. Escreveu 
vários trabalhos acadêmicos sobre tópicos 
relacionados à história e à linguagem antigas.
Charles de Brosses
32:52
9
42:16
É uma novela literária de 1870 e a obra 
mais famosa do escritor austríaco Leopold 
von Sacher-Masoch. O masoquismo 
(termo depois consagrado por Freud), o 
sadismo e inúmeras outras práticas hoje 
conhecidas, reconhecidas e nomeadas, 
como o fetichismo, o travestismo e o próprio 
homossexualismo antes conhecido como o 
Livro: A Vênus das Peles
LEITURA INDICADA
49:14
Romance do Marquês de Sade, publicado 
clandestinamente em 1795. A obra em forma 
de diálogos trata da educação sexual de 
uma jovem, apresentando, além do erotismo, 
posições ideológicas que discutem os 
ideais republicanos e as submissões de uma 
maneira geral.
Livro: A Filosofia na Alcova
LEITURA INDICADA
AULA 1 • PARTE 2
01:07
Série de três livros do poeta romano Ovídio. 
Escrita em versos, tem como tema a arte 
da sedução. Os primeiros dois volumes da 
série, escritos entre 1 a.C. e 1 d.C., falam ‘sobre 
conquistar os corações das mulheres’ e ‘como 
manter a amada’, respectivamente.
Livro: A arte de amar
LEITURA INDICADA
10
10:08
Drama de 1999, Lester Burham passa por 
uma crise de meia-idade, larga seu emprego 
e começa a agir de forma irresponsável. 
Quando conhece a amiga adolescente de sua 
filha, Lester sente uma atração imediata pela 
garota e decide que é hora de dar a volta por 
cima.
Filme: Beleza americana
ENTRETENIMENTO
17:12
Marx intui ao fetichismo: por que estamos 
tão interessados no encantamento que os 
povos têm em relação ao seus deuses? Será 
que é porque o fetichismo diz algo essencial 
sobre a realidade que estamos vivendo? 
Nós, na esfera do capitalismo, na perda 
da consequência entre a palavra e o efeito 
que ela produz, criamos uma nova religião 
sensual no desejo – produzir encanto em 
objetos. Em 1844, Marx entende que o prazer 
do dinheiro torna a imaginação, realidade, 
e a realidade, imaginação. Ou seja, o 
problemático é o fetichismo da mercadoria, 
tornando nossas vida em estrutura de 
mercado. A perversão leva à alienação, que 
acontece por duas vias: negar o outro por 
não reconhecê-lo e não reconhecimento do 
que se exterioriza. 
O fetiche da mercadoria
25:16 Onde há perversão, há um tipo de 
alienação.
28:46A alienação é um processo 
complexo de você desfazer porque 
ela se entranhou de tal maneira que 
não conseguimos mais reconhecer a 
perversão em nós.
CURIOSIDADE
Analogia que o psicanalista Christian Dunker 
usa para tratar da patológica relação entre 
o público e privado que se dá no Brasil 
contemporâneo. Ele localiza a origem 
desse conceito junto à popularização de 
condomínios como Alphaville, na década 
de 1970. Não tardou para essa lógica logo 
se transmutar nas relações humanas, assim 
como também é encontrada nas prisões, 
shopping center e favelas. Espraia-se nas 
grades que impedem a circulação livre em 
praças, nas cancelas que fecham ruas e as 
tornam particulares, nas escolas escondidas 
por trás de muros, com pouca ou nenhuma 
ponte com a comunidade que a cerca ou 
cidade para onde deveria irradiar.
A lógica do condomínio
29:52
31:07
O que define a perversão não é um tipo 
de satisfação, é muito mais a ideia de que 
existiria um tipo de satisfação para todos 
coercitivo que justificaria o uso de violência, 
preconceito, segregação e forma de 
gozo. Todos os seres que têm seu arco de 
satisfação definido por fantasias, possuem 
satisfações perversas e, ao aceitá-las, nega 
a do outro. Em suma, a primeira face da 
definição de perversão é a generalização de 
uma contingência. 
Perversão e grupo
11
37:38
O cientista político, Daniel Goldhagen, 
procura demonstrar que o Holocausto não 
foi um espetáculo de horror ao qual os 
alemães teriam sido obrigados a assistir, mas, 
na verdade, produto de ideais amplamente 
compartilhados pela maioria do povo alemão 
durante a primeira metade do século.
Livro: Os carrascos voluntários de 
Hitler
LEITURA INDICADA
PERSONALIDADE
Doutor em Medicina, com formação em 
psiquiatra e psicanálise, também é membro 
da Associação Freudiana da Bélgica e um 
dos fundadores da Associação Lacaniana 
Internacional. Propõe uma leitura, que diz 
apoiar-se sobre sua experiência psicanalítica, 
cujo objetivo é entender a incidência efetiva 
das mudanças maiores ocorridas em nossa 
sociedade na estrutura subjetiva.
Jean-Pierre Lebrun
41:50
AULA 1 • PARTE 3
00:20
Freud, nos Três Ensaios sobre a Teoria 
da Sexualidade, define que a origem das 
neuroses estava ligada ao recalcamento 
somático — que era a separação entre 
prazeres e sentimentos. A migração das 
modalidades de prazer dentro do corpo 
era o ponto chave em seu trabalho. 
Através do conceito de perversão, Freud 
conseguia mostrar que isso acontecia com 
a sexualidade humana, pensando na gênese 
das neuroses como: desvios de objeto, 
desvios de objetivo, inversões e as formas de 
fixação, exageração, intensificação, inibição.
Perversões Freudianas
03:49 Complacência somática é a 
aptidão que os histéricos têm de 
produzir um deslocamento que 
receba aquela carga de afeto que 
sai de uma representação original 
e vai para uma outra parte do 
corpo.
12
A ideia central do texto era de que a neurose 
é o negativo da perversão. Atualmente, 
entende-se que isso é um capítulo de um 
entendimento ampliado que se tem de 
sexualidade em psicanálise. 
Ao compreender que todos os objetos 
são dotados de falo, Freud implica que as 
crianças são fetichistas. Isso sugere que 
antes da neurose, fomos todos perversos. Os 
sentimentos sociais: culpa, vergonha e nojo 
— que fazem parte do Complexo de Édipo. 
O fetichista produz uma espécie de negação 
perceptiva.
Na teoria do Freud, o sujeito se torna 
neurótico porque não vai conseguindo 
lidar com a auto afecção, nem partilhar seu 
sentimento social com o outro e, por isso, 
cria deslocamentos da pulsão dentro do 
próprio corpo. A modalidade de inconsciente 
que melhor se aplica ao entendimento 
da perversão é uma espécie de patologia 
do saber —eu sei, mas ajo como se não 
soubesse.
Bate-se numa criança 
Freud introduz neste breve artigo 
perspectivas etiológicas da perversão e 
sua relação com a fantasia, cuja releitura 
nos inspira ampliar o entendimento acerca 
das relações humanas do cotidiano, bem 
como nos servir de modelo para pensarmos 
a cultura da violência e suas dimensões, 
seja contra o próprio sujeito, passando 
pela doméstica, urbana, gênero, até a sua 
espetacularização nas mídias.
LEITURA INDICADA
08:35
Fetichismo 
Freud busca na experiência da análise de 
homens cuja escolha objetal era regida por 
um fetiche a inspiração para compor este 
artigo. Embora seja reconhecido por seus 
adeptos como uma anormalidade, raramente 
é sentido por eles como o sintoma de 
uma doença que se faça acompanhar por 
sofrimento.
LEITURA INDICADA
09:21
22:11Empatia é a capacidade de você 
ser afetado, afetar-se, transformar 
afetos em emoções e transformar 
emoções em sentimentos sociais.
22:48 Sentimento significa: eu sou 
afetado por aquele afeto como eu 
suponho que o outro é afetado 
por ele.
22:53Sentimentos são afetos vividos 
coletivamente, trans-subjetivamente 
e transitivamente.
25:02 Os desvios de objetivo e de 
objeto são alterações de 
formações da relação forma e 
conteúdo.
35:04O recalque é a separação entre 
afeto e representação.
13
43:49 A gente gosta de ver ópera, 
de entender as coisasdo palco 
porque entendemos nossa vida 
como um palco.
45:24Os perversos sempre são 
chamados de obscenos: colocam 
em cena aquilo que devia ficar 
de fora, mostram o que deveria 
permanecer oculto.
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
Em Três Ensaios sobre a Teoria da 
Sexualidade, a origem das neuroses 
está ligada: 
R
es
p
o
st
a 
d
es
ta
 p
ág
in
a:
 a
lt
e
rn
a
ti
v
a
 2
 e
 2
.
De acordo com Freud, qual é a base 
de sustentação da civilização?
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
14
AULA 1 • PARTE 4
00:20
Seu enfoque é sobre como o trabalho de 
Sigmund Freud, Anna Freud, e Edward 
Bernays influenciaram na maneira que as 
empresas e governos tem analisado, lidado, e 
controlado pessoas.
Documentário: O Século do Ego
ENTRETENIMENTO
01:01
O universo de manipulação de mentes 
baseado em alguns princípios segue a 
narrativa de repetir uma mentira até que 
pareça verdade — como foi o caso de 
propagandas nazistas. A posição desses 
sujeitos é similar ao dos perversos. 
O complexo que ligou a indústria do 
cinema, música, fotografia e propaganda 
se organizou em torno de uma posição 
perversa com o qual já nos acostumamos.
Propaganda
14:38 A gente quer mais do que 
conseguimos imaginar. 
Queremos que o outro faça a 
gente desejar.
20:28
A primeira mudança importante que o 
conceito de perversão teve para Lacan diz 
respeito ao entendimento que ele faz do 
conceito de lei. Freud diz que o supereu é 
como a polícia, só que dentro de nós, sendo 
um interditor. Para ele, quando queremos ser 
hiper civilizados, barbarizamos, resultado da 
pulsão de morte. Já para Lacan, a interdição 
é a supressão do prazer e da satisfação, 
então o civilizado é um masoquista 
renunciador. 
Lacan e uma Nova Perversão
26:53 O supereu é uma perversão da 
lei social.
15
AULA 2 • PARTE 1
00:57
Adorno traz para a filosofia, a crítica 
freudiana do Eu, a noção de inconsciente e 
de perversão como um operador de leitura. 
Ele percebe elementos que permitem a 
gente pensar contra essa unidade da forma 
com o conteúdo, da hipótese de que na 
origem o indivíduo tem uma matriz de 
fundamentação na natureza, criticando a 
noção de indivíduo. Para Lacan, nós somos 
sujeitos na medida em que somos divididos 
entre desejo e demanda, o enunciado e 
a enunciação, entre sujeito e objeto. Ele 
afirma que a nossa relação básica não 
é com objetos empíricos, mas com a 
falta. Concluímos que há uma afinidade 
importante entre o conceito de desejo 
e o conceito de fetichismo. A perversão 
também ocupa o desejo com a demanda. 
No texto, Sobre o caráter fetichista na música 
e a regressão da audição, Adorno reconhece 
como a nossa cultura, especialmente a partir 
dos anos 60, vai se tornando uma cultura do 
pastiche, da citação sobre a citação; em que 
determinados motes são usados como trilha 
sonora, tornando-se uma gíria, uma conversa 
entre poucos. A produção da música se 
encurtou, criando a sensação de “querer 
mais”, produzindo, na fantasia, a indução de 
gozo e na angústia, a anestesia. O fetichismo 
na música se mostra a partir das vozes dos 
cantores, colocando-os como protagonistas, 
valorizando um indivíduo acima do grupo. 
Fetichismo e audição
18:21 O funk como o êxtase, faz com 
que o sujeito recolha-se a si e saia 
de si.
PERSONALIDADE
Historiador, moralista e crítico social, foi 
professor de história na Universidade de 
Rochester. Ele procurou usar a história como 
uma ferramenta para despertar a sociedade 
estadunidense para a difusão com que as 
principais instituições, públicas e privadas, 
estavam corroendo a competência e a 
independência das famílias e comunidades. 
Lasch se esforçou para criar uma crítica 
social historicamente informada que pudesse 
ensiná-los como lidar com o consumismo 
desenfreado, a proletarização e o que ele 
chamou de “a cultura do narcisismo”.
Christopher Lasch
24:18
28:23Um objeto que é indefinidamente 
reproduzido gera o efeito de 
aderência ao gozo.
29:48 O consumo passa a, cada vez 
mais, se infiltrar na própria 
definição de identidade do 
indivíduo.
16
34:22
A partir dos anos 70, tivemos uma 
reformulação muito grande da vida e 
estrutura social, implicando uma mudança 
no padrão de ideal de consumo e de 
aspiração de vida das classes médias 
brasileiras. Instituiu-se uma nova forma de 
morar, os condomínios, com uma proposta 
conceitual de vendar uma forma de vida 
em que os empregados domésticos seriam 
profissionalizados. Isso é perversão porque 
não consegue praticar intersubjetiva e dita o 
“sei como você goza”. 
Modos de posse
39:08 O início do condomínio é a 
separação entre porta social e 
porta de serviço.
40:41
Melting pot: No sentido figurado, é 
qualquer lugar onde existem diversas 
pessoas, com diferentes estilos 
de vida, culturas, religiões e raças. 
Pode ser traduzido como a metáfora 
crisol de raças. A expressão vem do 
significado original, que é o cadinho 
onde são derretidos e fundidos vários 
metais ou outras substâncias. 
PALAVRA-CHAVE
53:45
Distopia, de 1965, do diretor, Jean-Luc 
Godard, em que uma cidade é comandada 
pelo computador Alpha 60, que aboliu os 
sentimentos em seus habitantes.
Filme: Alphaville
ENTRETENIMENTO
54:35 O que o DSM fez: aboliu todas 
as hipóteses etiológicas, não 
vamos discutir causas, só vamos 
descrever operacionalmente 
categorias.
55:58 Quando a gente não concorre 
para ver quem sofre mais, a gente 
esconde para ver quem não está 
sofrendo.
56:06O sofrimento é uma experiência 
contagiosa, o sintoma não. O que a 
gente faz no DSM? Suprime palavras 
de contágios.
17
O sofrimento é uma experiência 
______, o ______ não.
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
R
es
p
o
st
a 
d
es
ta
 p
ág
in
a:
 a
lt
e
rn
a
ti
v
a
 1
 e
 4
.
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
Assinale a alternativa correta sobre o 
DSM:
AULA 2 • PARTE 2
00:53
Alexitimia: Termo empregado no 
diagnóstico clínico de pessoas 
com acentuada dificuldade ou 
incapacidade para expressar emoções. 
Algumas vezes quando essas pessoas 
tentam demonstrar sentimento, dizem 
que estão com dor ou com outra 
sensação física.
PALAVRA-CHAVE
18
PERSONALIDADE
Psicanalista neozelandesa-francesa, destaca-
se como um dos principais expoentes do 
pensamento intelectual contemporâneo que 
envolve o entrelaçamento das diversas áreas 
do conhecimento. Capaz de transitar por 
vertentes teóricas distintas, estabeleceu um 
diálogo audacioso e profícuo entre autores 
franceses, anglo-saxões e norte-americanos, 
sublinhando a riqueza e a particularidade da 
linha teórica de cada um deles.
A metáfora teatral – que ocupa lugar de 
destaque em toda a obra de McDougall – é 
utilizada como eixo norteador. Para ela, o 
trabalho de elaboração psíquica e intelectual 
envolve a reconstrução de um drama 
particular que tem como palco o corpo – 
ora apenas biológico, ora potencialmente 
representável por meio das palavras. Essa 
reconstrução depende da capacidade de o 
indivíduo aceitar a existência do inconsciente 
e de tolerar as frustrações inerentes ao 
próprio processo de desenvolvimento. A 
autora considera que todos os sintomas 
– neuróticos, psicóticos, perversos ou 
psicossomáticos – são criações infantis numa 
tentativa de autocura.
Joyce Mcdougall
01:00
07:42
Debord fala sobre quando conseguimos 
produzir a inversão entre o mundo real e a 
versão para consumo doméstico, resultando 
em um efeito de espetacularização. As 
nossas vidas passam a ser pensadas como 
objeto de uma gestão, entendendo que o 
sujeito para se tornar um bom produto, não 
basta ter boa educação, valores morais e 
predicados, como em outros momentos fora 
suficiente; o sujeito precisa saber apresentar-
se. 
Sociedade do espetáculo
07:50
PERSONALIDADE
Escritor francês e um dos pensadores da 
Internacional Situacionista e da Internacional 
Letrista. O ponto central de sua teoria é que 
a alienação é mais do que uma descrição 
de emoções ou um aspecto psicológico 
individual. É a consequência do modo 
capitalista de organização social que assume 
novas formas e conteúdos em seu processo 
dialéticade separação e reificação da vida 
humana.
Guy Debord
11:48 A visibilidade [...] perdeu 
sua densidade, se tornou um 
produto, se tornou artificial, mera 
manutenção da vida.
12:38A cada geração a gente tem um 
ponto e meio a mais na sensação de 
solidão.
19
14:13
Kaplan considera o fetichismo como uma 
estratégia mental para transformar pessoas 
em sua “energia imaterial” em alguma forma 
tangível de materialidade, controlada por 
algo ou alguém. A forma-valor precisa ser 
calculada em todos os seus segmentos, só 
consegue-se pensar a partir do diagnóstico 
e da avaliação. O neoliberalismo trouxe um 
novo traço perverso que é a financeirização 
da economia, que nos leva à identificação 
com marcas. 
Estratégia fetichista
23:19Pessoas começam a se considerar 
como empresas no momento em 
que as empresas começam a se 
identificar como marcas.
Sobre a Sociedade do Espetáculo é 
incorreto afirmar que:
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
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20
AULA 2 • PARTE 3
00:29
Dany-Robert Dufour entende que o olhar 
contemporâneo foi sendo produzido para ser 
pornográfico, fazendo uma leitura de como o 
neoliberalismo engendra uma nova aplicação 
da perversão ao nosso universo de produção 
e de consumo. Essa aplicação significa uma 
espécie de reversão da política geral com 
relação ao sofrimento. O neoliberalismo 
diz que não há descontinuidade entre Eu e 
supereu, entre Eu e ideal de eu, as pessoas 
podem “tudo”. Nessa linha de pensamento, 
o gênero cinematográfico em o foco é 
totalmente voltado para aquilo que interessa: 
a pornografia. A narrativa do foco é uma 
narrativa pornográfica. 
Pornografia
01:08
Dany-Robert Dufour revisita aspectos centrais 
do pensamento ocidental para construir, de 
um ponto de vista filosófico, uma história da 
libido.
Livro: A cidade perversa
LEITURA INDICADA
06:32Concorrência: quem ganha? A 
empresa.
10:32
CURIOSIDADE
Conceito do filósofo, Byung-Chul Han, que 
entende a sociedade do cansaço como 
consequência da Sociedade do Desempenho. 
Uma sociedade que se demonstra cansada 
de tantas tarefas, tanta hiper conectividade 
e tanta necessidade de performar bem. 
Caracteriza-se por ser um mundo em que as 
pessoas, sentindo-se pressionadas pelo meio 
exterior por um maior auto desempenho, 
buscam maneiras, frequentemente não tão 
compensadoras para aliviar essa situação.
O discurso publicitário legitima uma 
sociedade de consumo, onde a satisfação se 
define como a busca constante do prazer, 
no qual o consumidor encontra-se implicado 
num sistema generalizado de troca e de 
produção de valores codificados. O consumo 
constitui uma ordem de significações como a 
linguagem.
Sociedade do cansaço
13:06 Os deprimidos sofrem com 
inibição do Eu.
21
AULA 2 • PARTE 4
00:15
PERSONALIDADE
Pintor, escultor e poeta francês, tinha como 
objetivo vencer aquela “arte retiniana”, 
uma vez que exige a participação ativa do 
público. Embora seja considerado um artista 
dadaísta, trabalhou com vários conceitos 
artísticos do impressionismo, cubismo e 
expressionismo. Foi o criador do conceito de 
ready-made, que utiliza materiais prontos, 
industriais, sem interferência do artista.
Marcel Duchamp
12:12
Christian Dunker esclarece as dúvidas dos 
alunos. 
Complementos
16:29
Comédia dramática de 2006. O sonho da 
pequena Olive é participar do concurso da 
Pequena Miss Sunshine, então ela embarca 
em uma divertida e comovente viagem com 
o pai, o tio, o avô, o irmão e a mãe.
Filme: Pequena Miss Sunshine
ENTRETENIMENTO
16:35
CURIOSIDADE
É um distúrbio psíquico caracterizado por 
comportamento de busca de atenção de 
um cuidador através de pessoas que estão 
sob seus cuidados. A pessoa com síndrome 
de Munchausen por procuração não parece 
motivada pelo desejo de qualquer tipo de 
ganho material. Embora os prestadores de 
cuidados de saúde sejam frequentemente 
incapazes de identificar a causa específica 
da doença da criança, eles não costumam 
suspeitar que a mãe ou a cuidadora pudesse 
fazer algo para prejudicar a criança. Na 
verdade, o cuidador muitas vezes parece ser 
muito carinhoso e atencioso e extremamente 
perturbado com a doença do filho.
Munchausen por procuração
22
AULA 3 • PARTE 1
07:23À medida em que a cultura vai se 
transformando, o exercício perverso 
também se transforma.
PERSONALIDADE
Filósofo italiano, autor de obras que 
percorrem temas que vão da estética à 
política. Seus trabalhos mais conhecidos 
incluem sua investigação sobre os conceitos 
de estado de exceção e homo sacer.
Giorgio Agamben
08:40
08:49Se nós quisermos entender a 
contemporaneidade, a gente 
tem que olhar para a figura do 
refugiado.
08:55 O refugiado concentra em si 
um paradoxo de ter separado 
aquilo que é natividade daquilo 
que é nacionalidade, pondo em 
abalo a harmonia dos Estados 
nacionais.11:03Pensar o trabalho como uma 
patologia social é poder fazer a 
crítica da alienação do sujeito ao 
trabalho.
12:46
Para constituir-se, a civilização precisa 
recalcar a sua agressividade e essa violência, 
muitas vezes, encontra como único 
escoadouro a figura do outro, do diferente, 
que não é integrante do grupo original. 
Freud diz que a civilização se fundamenta 
essencialmente em uma escolha imposta de 
uma renúncia em fruição, ou seja, o sujeito, 
para poder participar do laço social, precisa 
abrir mão do seu gozo imediato, do egoísmo. 
Do encontro intersubjetivo do bebê e a 
figura primária, inaugura-se o movimento 
pulsional. Cabe ao adulto despertar e conter 
a pulsão — que surge do somático exigindo 
um trabalho do aparelho psíquico. Todos nós 
antes da neurose conhecemos a perversão. 
Quando a criança é convocada a sair da 
relação dual de que o outro existe para servi-
la, ela passa a ser inserida no mundo dos 
humanos, na civilização. 
Violência ao estranho
14:54O perverso, enquanto aquele que 
impõe uma forma de gozar, causa 
problemas no laço social na medida 
em que ele não se relaciona com o 
outro, mas se relaciona com uma 
parte.
23
Para Freud, não faz sentido distinguir o 
termo civilização do termo cultura, pois ele 
entende que só pode haver cultura com o 
surgimento da civilização. Na cultura estaria 
situada a diferença essencial entre aquilo 
que é da ordem dos humanos e aquilo que é 
da ordem dos animais. A cultura existe para 
dominar a natureza e o outro homem.
16:07
CURIOSIDADE
O contexto do mito se refere a uma horda 
primitiva controlada pelo pai ancestral, 
que mantém a posse das mulheres do clã, 
impedindo que seus filhos se relacionem com 
qualquer um dos membros. Eles são expulsos 
da horda quando crescem, no intuito de 
evitar conflitos com o pai primordial. O 
assassinato do pai da horda, segundo 
Freud, é a condição de possibilidade para o 
surgimento da moralidade.
Mito do pai da horda
30:53 A cultura frustra este sujeito 
perverso polimorfo que quer 
gozar por todos os furos porque 
participar da cultura passa 
por aceitar a regulação desses 
excessos.31:48O superego é relativo ao seu tempo 
histórico.
AULA 3 • PARTE 2
00:15
A lei passa a regular a violência entre os 
indivíduos, contrapondo-se à violência do 
indivíduo mais forte. Desse movimento 
civilizatório, estabelece-se os regulamentos 
sociais e a autoridade. Fica estabelecido, 
portanto, que a violência pode ser exercida 
apenas pelo Estado, dentro da sua regulação, 
contando com a força da polícia. Freud 
se questiona o que garante que esses 
indivíduos sigam unidos e afirma que o 
reconhecimento de interesses comuns levou 
ao surgimento dessas vinculações. A baixa 
moralidade externa dos Estados faz com que 
esse monopólio dirija a violência para outras 
nações, resultando em guerras. “O Estado 
proíbe ao indivíduo a prática do mal, não 
porque deseja aboli-la, mas porque deseja 
monopolizá-la, tal como o sal e o fumo” 
(Freud, 1915/2006, p.289).
Comunidade e Estado
01:04
Parricídio: Ocorre quando uma 
pessoa mata o próprio pai ou pais.
PALAVRA-CHAVE
07:45 [Se] o Estado institucionalizadosó existe e só se justifica porque 
a violência foi escamoteada, por 
que ele é tão bárbaro?
24
A vida comunitária se fundamentou 
em: compulsão para o trabalho, fruto 
da necessidade de sobrevivência; e no 
poder do amor. O recalque desvia a nossa 
agressividade do seu objeto de descarga 
natural, mas não deixa de existir. Em certas 
ocasiões, ela pode voltar à tona na forma de 
destrutividade, em vista disso, o encontro 
com o outro sempre pressupõe esse risco. 
08:59 [Após o surgimento da lei] não 
sou mais eu, individualmente, que 
reivindico pelos meus direitos de 
forma agressiva. Eu entrego a 
minha força ao Estado, que me 
representa diante dos meus.
09:50
Controlar a agressividade exige um grande 
dispêndio da energia a fim de viabilizar o 
relacionamento com o outro. Freud diz que 
a civilização limita as manifestações da 
agressividade por meio de dois recursos: 
formações psíquicas reativas, tais como 
o emprego de métodos viabilizadores de 
identificação; e por meio de relacionamentos 
amorosos inibidos em sua finalidade, que 
trazem consigo restrições à vida sexual. 
Há determinados contextos em que tal 
mecanismo parece não encontrar vias para 
se processar e o escoamento não se opera, 
resta então a agressividade voltada àquele 
que se apresenta estranho ao sujeito.
As manifestações mais discretas e refinadas 
da agressividade humana escapam a lei e 
dizem respeito ao encontro com o diferente. 
As culturas se caracterizam pela diferença 
nos seus fundamentos, o conflito surge 
quando a figura do estranho põe abalo os 
tabus que estavam recalcados. 
Controle da agressividade
12:58O estranho é aquela ideia, 
experiência, vivência que já foi 
familiar para um sujeito, mas que 
precisou ser recalcado.
16:21Freud assume que [...] para que 
a uma comunidade se estabeleça 
e mantenha o vínculo, as pulsões 
recalcadas precisam ser escoadas 
para que elas não apareçam 
de forma compulsiva, como 
agressividade.
12:58O que vai diferenciar uma cultura 
da outra são os conteúdos, ou seja, 
as representações que precisaram 
ser retiradas da percepção imediata 
desses sujeitos.
32:35
As comunidades e países vizinhos tendem, 
a despeito de todas as características que 
os aproximam, encontrar determinados 
contrastes, diferenças para se envolver 
em constantes embates porque isso 
atende à necessidade de escoamento da 
agressividade recalcada que não pode se 
operar por via de identificação ou relação 
amorosa. Quanto mais uma sociedade nega 
essa violência, mais aparece uma violência 
selvagem.
Narcisismo das pequenas diferenças
34:31
O professor convida os alunos a 
refletirem sobre: uma ou mais situações 
que lhe tenha(m) chamado a atenção 
e que possa(m) ser compreendida(s) 
como respondendo ao escoamento da 
agressividade humana na atualidade. 
Como ela(a) nos afeta(m)? De que maneira 
poderíamos relacioná-la(s) ao mecanismo da 
perversão? 
MOMENTO DINÂMICA
25
Segundo Freud, a civilização limita as 
manifestações da agressividade por 
meio de dois recursos:
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
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AULA 3 • PARTE 3
00:32
O refugiado traz uma denúncia e uma 
separação existente entre a natividade e 
nacionalidade. Até os anos 50, o Estado-
nação depositava no nascimento dos 
sujeitos — na vida nua — o fundamento da 
sua própria soberania. Os direitos de um 
Estado estariam garantidos por aqueles que 
são seus cidadãos. O refugiado, na medida 
em que passa a ter direito a ingressar em 
uma território e ter acesso aos bens e aos 
serviços, colocaria em risco essa velha 
fórmula do Estado-nação-território. 
Esclarece Agamben (2017) que “se o 
refugiado representa, no ordenamento do 
Estado-nação, um elemento tão inquietante, 
é antes de tudo porque, rompendo com a 
identidade entre homem e cidadão, entre 
natividade e nacionalidade, põe em crise a 
ficção originária da soberania”.
Análise do refugiado
01:00
Estatuto dos Refugiados: A 
Convenção das Nações Unidas 
relativa ao Estatuto dos Refugiados 
foi formalmente adotada em 28 de 
julho de 1951 para resolver a situação 
dos refugiados na Europa após 
a Segunda Guerra Mundial. Esse 
tratado global define quem vem a ser 
um refugiado e esclarece os direitos 
e deveres entre os refugiados e os 
países que os acolhem.
PALAVRA-CHAVE
26
Silvia Bleichmar diz que o Eu tem 
dois elementos constituintes de linhas 
tensionantes: a autoconservação (biológico) 
e a autopreservação (o sentimento de 
si). Em situações de paz, ambos andam 
juntos, mas em situações de catástrofes, 
autoconservação e autopreservação se 
diferenciam. A experiência de se deslocar 
pode ser particularmente traumática.
PERSONALIDADE
Doutora em Psicanálise, Psicóloga e 
Socióloga, intelectual argentina e livre-
pensadora. Seus desenvolvimentos no 
campo da psicanálise situam-se na tentativa 
de superar impasses e aporias da psicologia 
do ego , da teoria kleiniana e da psicanálise 
estrutural de Lacan. Eles contribuem para 
a psicanálise com uma postura reflexiva, 
racional e crítica, desprovida de dogmatismo. 
Ela realizou pesquisas sobre a construção da 
sexualidade masculina, a partir do diálogo 
estabelecido com outras disciplinas como 
a antropologia , investigando desde o 
tratamento na antiguidade até os primeiros 
desenvolvimentos psicanalíticos.
Silvia Bleichmar
08:01
12:02O trauma em psicanálise é pensado 
enquanto uma experiência de 
uma intensidade externa que 
excita o aparelho psíquico e que, 
internamente, produz um rearranjo 
pulsional que pode levar a uma 
experiência de sofrimento.
34:50
CURIOSIDADE
É um quadro de estresse muito intenso 
ligado a fatores específicos relacionados à 
migração, que são basicamente a solidão 
forçada, não ter chances de crescimento 
no país de acolhida, submeter-se a 
condições difíceis de sobrevivência, estar 
constantemente com medo e desamparado. 
Não está catalogada na Classificação 
Internacional de Doenças (CID 10), mas 
tem igual importância pela seriedade dos 
seus sintomas. Nem todo imigrante sofre da 
síndrome, mas é importante estar atento aos 
sintomas. 
Síndrome de Ulisses
37:09
Segundo Moraes e Macedo, na criança 
traumatizada, mais do que o desdém na 
oferta de cuidados àquele infante cujo 
psiquismo está a se estruturar, trata-se do 
não reconhecimento da existência deste 
em sua condição alteritária. A vivência da 
indiferença tem a ver com o adulto tomar a 
criança não como um outro diferente, mas 
como um objeto indiferente, impondo a sua 
forma de prazer como se fosse a da criança. 
Para Ferenczi, o traumático não está na 
ocorrência de um evento, e nem mesmo 
no seu grau de violência, e sim em algo 
que pode se dar — ou não — num segundo 
tempo. No desmentido está a vivência do 
trauma – a não-validação perceptiva e 
afetiva da violência sofrida. 
Desmentido e trauma
27
37:20
Este livro nasce de inquietações geradas no 
exercício da clínica psicanalítica e apresenta 
reflexões teóricas e técnicas a respeito 
do método psicanalítico associado a uma 
temática que se acredita pertinente aos 
tempos atuais. Tendo a clínica como o cenário 
da convocação para fazer trabalhar a teoria, 
encontram-se, no exercício da escuta, os 
desafios que movem o trabalho investigativo.
Livro: Vivência de indiferença
LEITURA INDICADA
PERSONALIDADE
Psicanalista, membro do Círculo Psicanalítico 
do Rio de Janeiro, doutora em Psicologia 
Clínica pela PUC-Rio. É autora de Os 
tempos de Freud e diversos artigos, além de 
organizar diferentes obras.
Jô Gondar
40:25
AULA 3 • PARTE 4
00:17
Na segunda metade do século XX, os 
sociólogos passam a estudar o trauma 
social, identificando tendências de grupos a 
apresentarem traumas sociais. Em situações 
de catástrofes ambientais, uma pesquisa 
identificou que os sobreviventes relatavam 
uma espécie de vigilância, passando a 
entender que tinham que se cuidar sozinhas, 
além da perda da fé na boa vontade dos 
demais. Kai Erikson faz um paralelo com 
o trauma vivido na infância: a confiançabásica. A conclusão é de que as situações 
traumáticas que destroem os vínculos são as 
provocadas por outros seres humanos que 
não reconhecem o seu erro. A perversão da 
cultura é o elemento do desmentido somado 
ao desastre. Os efeitos traumáticos podem 
ocorrer quando alguém não é reconhecido 
na sua condição de sujeito.
Traumático e reconhecimento
PERSONALIDADE
Sociólogo conhecido como uma autoridade 
nas consequências sociais de eventos 
catastróficos. Estudou vários desastres no 
contexto de suas implicações sociológicas, 
incluindo a precipitação nuclear nas Ilhas 
Marshall em 1954; a inundação de Buffalo 
Creek na Virgínia Ocidental em 1972 
(resultando no livro premiado de 1978 
Everything In Its Path); o acidente nuclear de 
Three Mile Island em 1979; o derramamento 
de óleo Exxon Valdez em 1989; e o genocídio 
na Iugoslávia de 1992 a 1995.
Kai Erikson
00:31
28
06:08Uma catástrofe não é 
necessariamente traumática se o 
padecimento for reconhecido.
12:31 A condição de ser criança é ser 
vulnerável.
18:37
Na origem da palavra, trabalho tem a ver 
com a produção de alimento, mas também 
com o instrumento de tortura para quem 
não trabalha direito. Para o adulto, o espaço 
de trabalho é um elemento central na 
promoção do desenvolvimento psíquico e 
da constituição da identidade. Pelo exercício 
de trabalho, o sujeito, através do desafio, 
descobre o desenvolvimento de habilidades, 
levando à ampliação da subjetividade. 
Entre o trabalhador que se descompensa, 
não podendo mais seguir trabalhando 
e o bem-estar no trabalho, existe um 
meio termo: a normalidade sofrente. Para 
Dejours, o trabalho é o hiato existente 
entre o prescrito para a tarefa e aquilo que 
o trabalhador é levado a fazer diante as 
circunstâncias. A retribuição do trabalho 
se dá de forma concreta (pagamento) e de 
forma simbólica (reconhecimento).
Ao permitir o acesso à adaptação aos riscos, 
as defesas impedem, parcialmente ao menos, 
tomada de consciência das relações de 
exploração. 
Trabalho
39:02 A gente não vence sozinho. 
A gente vence porque muitas 
pessoas nos sustentaram e deram 
conta de também suportar as 
nossas vulnerabilidades.
41:55
O sociólogo e professor Ricardo Antunes, 
apresenta um retrato detalhado e atualizado 
da classe trabalhadora hoje, com as principais 
tendências das novas relações trabalhistas, 
em que precarizações, terceirizações e 
desregulamentações tornaram-se parte da 
regra, e não da exceção. O eixo central da 
obra busca compreender a explosão do novo 
proletariado de serviços, que se desenvolve 
com o trabalho digital, online e intermitente.
Livro: O privilégio da servidão
LEITURA INDICADA
29
Resumo da disciplina
Veja, nesta página, um resumo dos principais conceitos vistos ao longo da disciplina. 
AULA 1
AULA 2
AULA 3
O estranho é aquela ideia, experiência, 
vivência que já foi familiar para um 
sujeito, mas que precisou ser recalcada.
Um objeto que é indefinidamente 
reproduzido gera o efeito de 
aderência ao gozo.
À medida em que a cultura vai se 
transformando, o exercício perverso 
também se transforma.
O perverso causa problemas no 
laço social, na medida em que não 
se relaciona com o outro e, sim, 
com uma parte.
Onde há perversão, há um tipo 
de alienação.
O supereu é uma perversão da 
lei social.
A criança tem seus momentos 
de descoberta, de exploração da 
crueldade como uma forma de 
satisfação.
Pessoas começam a se considerar 
como empresas no momento em que 
as empresas começam a se identificar 
como marcas.
O olhar contemporâneo foi sendo 
produzido para ser pornográfico.
30
Veja as instruções para realizar a avaliação da disciplina.
Já está disponível o teste online da disciplina. O prazo para realização 
é de dois meses a partir da data de lançamento das aulas. 
Lembre-se que cada disciplina possui uma avaliação online. 
A nota mínima para aprovação é 6. 
Fique tranquilo! Caso você perca o prazo do teste online, ficará aberto 
o teste de recuperação, que pode ser realizado até o final do seu curso. 
A única diferença é que a nota máxima atribuída na recuperação é 8. 
Avaliaçãoca--
	Conheça seus professores
	Conheça os professores da disciplina.​
	Ementa da Disciplina
	Veja a descrição da ementa da disciplina. ​
	Bibliografia da Disciplina
	Veja as referências principais de leitura da disciplina.​
	O que compõe o Mapa da Aula?
	Confira como funciona o mapa da aula.
	Mapa da Aula
	Links de artigos científicos, informativos e vídeos sugeridos. 
	Resumo da disciplina
	Relembre os principais conceitos da disciplina.​
	Avaliação
	Veja as informações sobre o teste da disciplina.​
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	Botão 254: 
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	Botão 227: 
	Botão 228: 
	Botão 229: 
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	Botão 231: 
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	Botão 234: 
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	Botão 259: 
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	Botão 236: 
	Botão 237: 
	Botão 238: 
	Botão 240: 
	Botão 241: 
	Botão 262: 
	Botão 263:

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