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Os gêneros textuais na construção social da leitura e da escrita (Parte 2) Apresentação Nesta Unidade de Aprendizagem, compreenderemos a importância dos gêneros textuais na construção social da leitura e da escrita. Para tal, trabalharemos o conceito de comunidade discursiva, além de discutirmos a eleição dos gêneros textuais, pelos membros das comunidades discursivas, para cada situação comunicativa. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Construir o reconhecimento e a produção autônoma de variados gêneros textuais nas séries iniciais. • Desenvolver formas de se trabalhar com a leitura e escrita.• Desenvolver formas de se trabalhar com os gêneros textuais.• Desafio Você é o(a) professor(a) responsável por uma turma de 1º ano do Ensino Médio, que possui adolescentes com 15 e 16 anos de idade. Após uma palestra sobre a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), a diretora da escola enfatizou que a Língua Portuguesa deve orientar uma abordagem integrada das linguagens e de suas práticas, para que os jovens possam vivenciar experiências significativas com práticas de linguagem em diferentes mídias (impressa, digital, analógica), aplicadas em situações diversas. Assim, seu desafio consiste em criar uma situação comunicativa que tenha relação com o cotidiano do adolescente, de modo que ela indique como se dá a comunicação. Em seguida, justifique a sua escolha. Infográfico A comunidade discursiva sorganiza-se por meio de gêneros. Por isso, é muito importante que ela eleja os gêneros textuais adequados para cada situação comunicativa. Conteúdo do livro Os gêneros textuais estão diretamente relacionados com a construção social tanto da leitura quanto da escrita. Considere que nos múltiplos espaços da sociedade a escrita se faz presente. Desta forma, quanto mais os sujeitos conhecem os diferentes gêneros textuais utilizados nas sociedades, mais poderão exercer os seus papéis de cidadãos e poderão construir, de forma autônoma, os seus próprios textos de acordo com as exigências do contexto. Isso quer dizer que, na escola, devem ser reconhecidos os mais diversos gêneros textuais e não apenas os considerados como escolares. Por exemplo: bate papo-virtual (chat), correspondência eletrônica (e-mail), podcast, live, entre tantos outros gêneros emergentes na sociedade também deve ser abordados em sala de aula, pois eles remetem a práticas sociais que são novas. Reconhecer os gêneros textuais significa identificar características estáveis que estão presentes nos enunciados, as quais fazem referência a temas que se aproximam; estilos que se assemelham e estruturas textuais similares. Para a formação dos sujeitos, isso significa possibilidade de construção autônoma de gêneros textuais de acordo com as exigências do contexto. Quanto mais eles conhecem os gêneros textuais e suas respectivas características, mais assertivamente poderão agir frente às demandas impostas pela sociedade. Para isso, acesse o capitulo proposto e reflita sobre: reconhecimento e produção autônoma de variados gêneros textuais nas séries iniciais; desenvolvimento de formas de se trabalhar com a leitura e escrita e, por fim, sugestões de formas de se trabalhar com os gêneros textuais. Boa leitura. CONTEÚDO E METODOLOGIA DO ENSINO DE LINGUAGEM PORTUGUESA Nadia Studzinski Estima de Castroo livro Os gêneros textuais na construção social da leitura e da escrita Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Construir o reconhecimento e a produção autônoma de variados gêneros textuais nas séries iniciais. Desenvolver formas de se trabalhar com a leitura e a escrita. Criar formas de se trabalhar com os gêneros textuais. Introdução Neste capítulo, você vai refletir sobre o papel dos gêneros textuais na construção social da leitura e da escrita. Como você vai ver, alguns do- cumentos oficiais apresentam textos sobre essa temática e propõem parâmetros básicos necessários para a formação de sujeitos leitores. Para fazer essa reflexão, você deve considerar a importância dos gêne- ros textuais e a forma como eles são produzidos autonomamente. Além disso, como professor, você deve possibilitar aos alunos o reconhecimento dos mais variados gêneros, apontando as características e os usos sociais de cada um deles. Isso é fundamental para a formação de sujeitos leitores, autores e cidadãos ativos, capazes de modificar a sua realidade social. Ao longo do capítulo, você vai ver algumas sugestões de trabalho com a leitura e com a escrita nas séries iniciais, incluindo formas de abordar os gêneros textuais. Contudo, você deve ter em mente que essas são apenas sugestões para motivar a sua prática; o importante é que você seja criativo e utilize os mais variados gêneros textuais em sua sala de aula, incentivando os seus alunos a produzirem textos autonomamente. 1 Reconhecimento e produção autônoma de gêneros textuais nas séries iniciais O incentivo à produção textual é indispensável na formação de leitores e sujeitos ativos. No contexto da sala de aula, o conhecimento e o domínio dos diferentes gêneros textuais a que os alunos estão expostos são fundamentais para a etapa de produção autônoma de textos, que deve levar em conta as exigências de cada um dos gêneros. Para a produção textual, é necessário, primeiro, que o aluno tenha contato em sala de aula com os mais diversos gêneros textuais — adequados, eviden- temente, à sua etapa de formação. Bebês de 0 a 1 ano, por exemplo, devem ser expostos a situações de escuta de poemas, fábulas, anúncios, leitura de quadros, etc. Crianças de 4 a 5 anos, por sua vez, devem ser incentivadas a produzir os seus próprios textos orais e escritos espontâneos, de forma a levantar hipóteses sobre gêneros textuais veiculados por pessoas conhecidas, tais como os professores (BRASIL, 2017). As séries iniciais constituem uma etapa que pressupõe um espaço de experiências de escuta, de fala, de pensamento e de imaginação. Ou seja, é o momento de as crianças realizarem um reconhecimento autônomo dos diferentes gêneros. Nesse contexto, o professor não detalha as especificidades dos gêneros textuais, mas os apresenta para que a criança, de forma autônoma, elabore o seu entendimento sobre cada um deles. Por exemplo, ao escutar uma fábula, a criança cria imagens mentais de personagens, percebe as formas com que a voz se modifica na fala de cada um deles e observa a entonação para cada situação vivenciada (mistério, felicidade, angústia, tristeza, medo, alegria, etc.). Além disso, mesmo em etapas anteriores ao domínio da escrita (do código), ela vai recontar a história utilizando criatividade e imaginação. Gradativamente, a criança vai conhecendo os gêneros e passa a observá-los de forma reflexiva para produzi-los de modo autônomo. O que se inicia na educação infantil permanece como prática no ensino fundamental e em todas as etapas da escolarização. Essa trajetória tem como objetivo formar leitores habilitados para operar ativamente na (e com) a língua portuguesa. Dominar os gêneros a partir da leitura e passar a produzir textos de forma autônoma, utilizando os diferentes gêneros, de acordo com as exigências do contexto, é imprescindível para um espaço de atuação cidadã. Agora você deve estar se perguntando: de que forma devo trabalhar o reconhecimento dos gêneros textuais e também a produção autônoma de textos de acordo com cada um dos gêneros? O reconhecimento dos gêneros está diretamente relacionado com a apresentação das características que con- Os gêneros textuais na construção social da leitura e da escrita2 figuram cada um deles. Ou seja, o professor possibilita aos alunos o contato com diferentes textos e, em conjunto com os estudantes, vai identificando as características de cada gênero. O objetivo é possibilitar a construção conjunta de conhecimento, e não o caminho inverso (ou seja, que as característicassejam apresentadas e que posteriormente os alunos as procurem no texto). O percurso deve se iniciar pelo contato com o texto e a reflexão autônoma do aluno, no sentido de reconhecer as características que são comuns a um grupo de textos que configuram um gênero e que o diferenciam de outro grupo. Nesse processo, o professor levanta hipóteses para o reconhecimento das características e incentiva o aprendizado. Por exemplo, de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), para trabalhar do 1º ao 5º ano com práticas de linguagem, o professor pode priorizar gêneros de textos produzidos no cotidiano e que estão relaciona- dos com “atividades vivenciadas cotidianamente” pelos alunos (BRASIL, 2018, documento on-line). Entre tais gêneros, incluem-se: listas, bilhetes, cardápios, receitas, etc. Com base em exemplos apresentados aos alunos, o professor pode trabalhar as práticas de oralidade, a função social de cada um dos textos, a sua forma, o seu conteúdo, etc. Essa ação possibilita ao aluno reconhecer as características e as funções sociais de cada um dos gêneros textuais. Em todos os sentidos, o objetivo é incentivar a autonomia no processo de aprendizagem. A construção social da leitura e da escrita traz consigo a emergência do conceito de letramento, que já está amplamente presente em documentos oficiais, como nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Para Kleiman (2005), a construção social da leitura e da escrita (letramento para além da alfabetização) é uma prática de observação do cotidiano, pois a escrita está presente em todos os espaços que cercam os sujeitos, seja na internet ou em anúncios, cartazes, pichações, legendas, letreiros eletrônicos, músicas, jornais, etc. Para Farias (2013), é preciso considerar os múltiplos espaços que a escrita ocupa na sociedade a fim de formar os sujeitos no contexto de letramento. Acesse o link a seguir para conferir o site da BNCC. https://qrgo.page.link/rFr6B 3Os gêneros textuais na construção social da leitura e da escrita 2 O trabalho com a leitura e a escrita De acordo com Marcuschi (2010, p. 19), a escrita, “[...] mesmo criada tardia- mente em relação ao surgimento da oralidade, [...] permeia hoje quase todas as práticas sociais”. Nesse sentido, os sujeitos que ainda não estão alfabetizados utilizam a oralidade para agir socialmente. Além disso, o autor enfatiza que a escrita também é utilizada em contextos sociais básicos da vida cotidiana, o que estabelece um paralelo entre ela e a oralidade. Logo, o trabalho em sala de aula deve ser pautado nesse entendimento, tendo como base os diferentes contextos e a presença da oralidade e da escrita em cada um deles. Para Marcuschi (2010), esses contextos podem ser: o trabalho; a escola; o dia a dia; a família; a vida burocrática; a atividade intelectual. Você sabe por que esses contextos devem ser reforçados em sala de aula? Porque em cada um deles “[...] as ênfases e os objetivos do uso da oralidade e da escrita são variados e diversos” (MARCUSCHI, 2010, p. 19). Além disso, tais contextos representam espaços de ação cidadã. Logo, a criança passa a reconhecer as exigências de cada contexto e vai se desenvolvendo como leitora e produtora eficaz de textos. A partir daí, pode ocupar efetivamente o seu próprio espaço em cada um dos contextos: na escola, nas relações sociais, nas atividades intelectuais, no trabalho (futuramente), etc. Para Marcuschi (2010, p. 19), há inevitável relação entre escrita e contexto, pois essa dinâmica é a responsável “[...] pelo surgimento dos gêneros textuais, pelas formas comu- nicativas, pelas terminologias e expressões típicas”. Portanto, considere que desde cedo a criança manifesta curiosidade com relação à cultura escrita: [...] ao ouvir e acompanhar a leitura de textos, ao observar os muitos textos que circulam no contexto familiar, comunitário e escolar, ela vai construindo sua concepção de língua escrita, reconhecendo diferentes usos sociais da escrita, dos gêneros, suportes e portadores (BRASIL, 2018, documento on-line). Os gêneros textuais na construção social da leitura e da escrita4 Para trabalhar com a leitura e a escrita em sala de aula, tendo como base os pressupostos anteriores, você pode se valer de algumas estratégias. Além disso, evidentemente, o incentivo da família é importante. No ambiente fami- liar, pequenas ações influenciam significativamente a formação de sujeitos leitores. É o caso da construção de listas de compras; da elaboração de listas de tarefas; da realização de receitas com a participação da criança; da leitura de livros; do manuseio, pela criança, de livros; de idas a museus, cinemas e outros espaços de arte e de cultura. No contexto da sala de aula, o professor pode: desenvolver a leitura de textos e convidar os alunos a recontar histórias que ouviram; utilizar recursos visuais para contar histórias (como fantoches e ma- rionetes) e, em seguida, disponibilizar um personagem para cada um dos alunos, para que a história seja recontada; variar seu tom de voz de acordo com os personagens e com o texto e, depois, observar essa ação na fala das crianças; levar audiolivros para a sala de aula; trabalhar com música; iniciar o trabalho com a escrita por um desenho que expresse senti- mentos e emoções; sugerir a identificação de palavras conhecidas nos textos; recontar histórias ouvidas e planejar coletivamente roteiros de vídeos e de encenações, definindo os contextos, os personagens e a estrutura da história; contar uma história que será recontada pelos alunos, de modo que o professor, como escriba, registre a narrativa; contar uma história que os alunos devem recontar por escrito; disponibilizar uma imagem, com alguma dinâmica do cotidiano, e solicitar que os alunos contem (oralmente ou por escrito) uma histó- ria baseada nela (no caso de histórias narradas por escrito, pode-se compartilhá-las posteriormente de forma oral). Em todas essas práticas, e em outras tantas que você pode criar, o objetivo é ouvir, compreender, contar, recontar e desenvolver narrativas. Assim, os alunos vão “[...] conhecer diferentes gêneros e portadores textuais, demonstrando compreensão da função social da escrita e reconhecendo a leitura como fonte de prazer e informação” (BRASIL, 2018, documento on-line). 5Os gêneros textuais na construção social da leitura e da escrita Além disso, o contato com histórias, contos, fábulas, poemas, cordéis, etc. propicia a familiaridade com livros e com diferentes gêneros literários, a diferenciação entre ilustrações e escrita, a aprendizagem da direção da escrita e as formas corretas de manipulação de livros. Nesse: [...] convívio com textos escritos, as crianças vão construindo hipóteses sobre a escrita que se revelam, inicialmente, em rabiscos e garatujas e, à medida que vão conhecendo letras, em escritas espontâneas, não convencionais, mas já indicativas da compreensão da escrita como sistema de representação da língua (BRASIL, 2018, documento on-line). 3 O trabalho com os gêneros textuais No trabalho com os gêneros textuais em sala de aula, é necessário que o apren- dizado da leitura e da escrita estabeleça relações com as dinâmicas impostas pela sociedade. Longos exercícios de leitura e interpretação, com a solicitação de respostas automatizadas, não desenvolvem leitores profi cientes. Dizer ao aluno que “a resposta está no texto” não faz sentido. Afi nal, a leitura do texto não se limita a ele; envolve tempo, espaço, relações, fatos sociais, etc. O texto é algo em movimento e que estabelece relações com as experiências e vivências dos sujeitos nas sociedades. Portanto, é fundamental que o professor utilize os mais diversos gêneros textuais em sala de aula. Ler produtivamente pressupõe desde a leitura de uma coluna de jornal sobre economia até a leitura de uma mensagem no WhatsApp. Imagine, por um instante, o universo de adolescentes envolvidos pela leitura e pelaescrita, mas não devido a exercícios gramaticais e textos aleatórios, e sim em decorrência de práticas cotidianas concretas. Tais práticas envolvem: redes sociais, jogos de computador, pesquisas na internet, leitura de livros específicos de Role-Playing Game (RPG) e de autores contemporâneos, bate- -papos por aplicativos e por e-mail, etc. Você percebe que há uma variedade de gêneros textuais sendo manuseados por esses adolescentes? Então, como não utilizar esses gêneros também em sala de aula? Ouvir e recriar textos para o trabalho com os diferentes gêneros pode pressupor um clássico da literatura, mas também pode envolver recursos atuais, do cotidiano dos alunos, como podcasts e lives (que são vídeos com transmissão ao vivo). Para trabalhar com lives, por exemplo, os alunos podem ser divididos em grupos, os quais recebem orientações para ocupar espaços diferentes da escola. Os grupos se movimentam, criam os textos solicitados e depois apresentam a proposta de reflexão no formato live. Os gêneros textuais na construção social da leitura e da escrita6 Você deve considerar que existe certo descompasso, em muitos casos, entre a escola e as necessidades da sociedade. Com os gêneros textuais, ocorre o mesmo: há certa resistência à valorização dos gêneros emergentes. Ainda são supervalorizados os gêneros tradicionais, tais como o romance, a fábula e o conto. Mas os gêneros são dinâmicos e passíveis de mudança. Uma bula de medicamento, por exemplo, é um gênero textual importante, embora pouco utilizado no trabalho em sala de aula. Esse gênero apresenta características específicas, e dominar a forma de lê-lo e de interpretá-lo é fundamental. Imagine que um dos seus alunos reside apenas com a avó. Em certa ocasião, um médico receita determinado medicamento para ela. Em casa, a avó solicita que o neto leia a bula, pois ela se esqueceu de perguntar para o médico sobre a interação do medicamento com outro que ela já utiliza. Nesse tipo de situação cotidiana, é notável a relevância da valorização de todos os gêneros textuais. Ainda nesse contexto fictício do neto que auxilia a sua avó, imagine que agora ela está com a prescrição de um medicamento que deve ser adminis- trado exatamente conforme o médico detalhou por escrito, mas a avó não foi alfabetizada e não sabe ler. Quem pode auxiliá-la? Entre outras pessoas, o neto, sem dúvida, pode colaborar para ajudar, no sentido de entender os termos utilizados e as orientações de uso. O mesmo ocorre, por exemplo, com uma receita de preparação de deter- minado alimento. Esse é outro gênero que pode ser trabalhado em sala de aula. Há orientações de ingredientes, de ordem de execução das etapas de realização e de finalização da receita. Não seguir as orientações pode acarretar um resultado insatisfatório, como um bolo que não cresce, um tempero que não fica adequado ou um ponto de cozimento incorreto. Agora, pare e pense: quais gêneros podem ser levados para a sala de aula? Veja alguns exemplos: romances, contos, fábulas, novelas, crônicas, diários, relatos de viagens, folhetos turísticos, cardápios de restaurantes, classificados, jornais, enciclopédias, resumos escolares, verbetes de dicionários, artigos de opinião, abaixo- -assinados, manifestos, receitas médicas, manuais de instruções, bulas de remédio, leis, cláusulas contratuais, editais de concursos públicos, banners digitais e atestados. Esses são apenas alguns exemplos de gêneros textuais que podem ser tra- balhados em sala de aula. Lembre-se de que existe uma variedade de gêneros que você pode utilizar em sala de aula com o objetivo de construir de forma conjunta as características de cada um dos gêneros, para que os alunos possam elaborar os seus próprios textos a partir dessas observações. Reforçando a importância do trabalho com os gêneros discursivos, os PCN voltados para as séries iniciais indicam que “[...] o princípio didático que prevê a organização das situações de aprendizagem a partir da diversidade textual” 7Os gêneros textuais na construção social da leitura e da escrita deve ser observado em sala de aula (BRASIL, 1997, documento on-line). Para isso, o professor, em conjunto com a equipe da escola, deve selecionar os gêneros orais e escritos mais indicados para cada faixa etária, diversificando o máximo possível as suas escolhas e incluindo a variedade de gêneros textuais e orais presentes na sociedade. De acordo com o documento (BRASIL, 1997), os gêneros discursivos adequados para o trabalho com a linguagem oral são: contos (de fadas, de assombração, etc.), mitos e lendas populares; poemas, canções, quadrinhas, parlendas, adivinhas, trava-línguas, piadas; saudações, instruções, relatos; entrevistas, notícias, anúncios (via rádio e televisão); seminários, palestras. Agora, veja as indicações dos PCN (BRASIL, 1997) em relação aos gêneros discursivos adequados para o trabalho com a linguagem escrita: receitas, instruções de uso, listas; textos impressos em embalagens, rótulos, calendários; cartas, bilhetes, postais, cartões (de aniversário, de natal, etc.), convites, diários (pessoais, da classe, de viagem, etc.); quadrinhos, textos de jornais, revistas e suplementos infantis (títulos, lides, notícias, classificados, anúncios, slogans, cartazes, folhetos); parlendas, canções, poemas, quadrinhas, adivinhas, trava-línguas, piadas; contos (de fadas, de assombração, etc.), mitos e lendas populares, fo- lhetos de cordel, fábulas; textos teatrais; relatos históricos, textos de enciclopédia, verbetes de dicionário, textos expositivos de diferentes fontes (fascículos, revistas, livros de consulta, didáticos, etc.). A partir dessas reflexões, procure valorizar, em sua prática, os gêneros textuais orais, escritos e digitais. O objetivo do trabalho com eles é habilitar os sujeitos para o desenvolvimento da leitura e da escrita autônomas. Você deve preparar seus alunos para atuar na sociedade a partir do entendimento da importância de gêneros textuais que pertencem a diversos domínios discursivos e que permeiam diversas práticas sociais. Lembre-se: atuar efetivamente de forma cidadã pressupõe utilizar adequadamente as diversas possibilidades da comunicação mediada por textos. Os gêneros textuais na construção social da leitura e da escrita8 BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: Ministério da Educação, 2017. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=79611- anexo-texto-bncc-aprovado-em-15-12-17-pdf&category_slug=dezembro-2017- pdf&Itemid=30192. Acesso em: 21 fev. 2020. BRASIL. Ministério da Educação. Base nacional comum curricular. Brasília: MEC, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_ versaofinal_site.pdf. Acesso em: 20 fev. 2020. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: língua portuguesa. Brasília: SEF, 1997. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/ pdf/livro02.pdf. Acesso em: 20 fev. 2020. FARIAS, A. da C. Material impresso e gêneros textuais. 2. ed. Florianópolis: IFSC, 2013. KLEIMAN, A. Preciso ensinar o letramento?: não basta ensinar a ler e escrever? Brasília: CEFIEL, 2005. Disponível em: https://oportuguesdobrasil.files.wordpress.com/2015/02/ kleiman-nc3a3o-basta-ensinar-a-ler-e-escrever.pdf. Acesso em: 20 fev. 2020. MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São Paulo: Cortez, 2010. Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun- cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. 9Os gêneros textuais na construção social da leitura e da escrita Dica do professor Neste vídeo,apresentam-se a formação das comunidades discursivas e a importância e adequação do uso dos gêneros textuais nas diversas situações comunicativas. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/6691a2a4b4629730df3ac444fc3a4835 Exercícios 1) Uma nova abordagem, com ênfase nas interações sociais, surgiu em meados dos anos de 1990, trazendo um olhar diferenciado sobre as práticas de ensino da língua para o cenário educacional. Esta abordagem serviu de base teórica para um amplo movimento de revisão de propostas curriculares de secretarias de educação. Que abordagem é esta? A) Abordagem do ensino pela gramática. B) Abordagem sociointeracionista. C) Abordagem do ensino da língua formal. D) Abordagem do ensino pela leitura. E) Abordagem do ensino pela escrita. 2) As condutas humanas são mediadas e organizadas pela linguagem. Dessa maneira, pode-se dizer que a linguagem é interação, uma forma de ação que se realiza através do discurso situado e partilhado socialmente. Que tipo de construção é esta? A) Construção individual. B) Construção dos pensamentos. C) Construção das frases. D) Construção dos textos. E) Construção dos discursos pelos sujeitos e entre eles. 3) Discutir, argumentar, convencer, contar casos, dar opiniões, conselhos, passar receitas e fazer declarações de amor são exemplos de situações nas quais língua e linguagem são utilizadas pelos indivíduos ao longo da vida. Portanto, sobre língua e linguagem, do ponto de vista sociointerativo, pode-se considerar CORRETO apenas a afirmativa: A) Elas se manifestam por meio do discurso, que se constrói em um contexto social e histórico, por sujeitos reais, que utilizam a língua para promover diferentes ações de linguagem. B) Elas se manifestam por meio de signos linguísticos. C) O ensino da língua é mais adequado quando se considera a perspectiva da metalinguagem. D) O ensino da língua é mais adequado quando se considera a perspectiva objetivista. E) Uma vez aprendidas, língua e linguagem poderão ser utilizadas em quaisquer situações, pois elas jamais se alteram. 4) A concepção sociointeracionista e discursiva volta-se para o ensino da língua quanto aos seus usos e promove uma revisão sobre as práticas de linguagem. Sendo assim, pode-se dizer que o objeto de ensino da concepção sociointeracionista se constitui: A) de textos escritos. B) da linguagem coloquial. C) de textos formais de gêneros específicos que permeiam o meio acadêmico-científico. D) de textos produzidos na oralidade. E) do texto empírico, atualizado em diferentes gêneros textuais que podem ser orais e/ou escritos. 5) Algumas convenções linguísticas ocorrem na sociedade para organizar a nossa forma de viver e de nos relacionarmos com os textos. Tais convenções organizam a fala e a escrita em meio às situações e contextos. Sem elas, seria difícil a ocorrência da comunicação da forma como a conhecemos e aprendemos. Esta descrição se refere aos: A) Gêneros do discurso. B) Textos. C) Signos linguísticos. D) Livros de gramática. E) Enunciados. Na prática É muito importante desenvolver o letramento nas crianças para que elas não fiquem à margem da sociedade. Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Língua, gêneros textuais e ensino: considerações teóricas e implicações pedagógicas Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://periodicos.ufsc.br/index.php/perspectiva/article/view/10369