Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

ESTADO	DO	CEARÁ-Pioneiro	na	abolição	da	escravidão	no
Brasil
Transcrito	por	TurboScribe.ai.	Atualize	para	Ilimitado	para	remover	esta
mensagem.
O	dia	25	de	março	é	lembrado	no	Ceará	como	a	data	magna.	Isso	porque	neste	mesmo
dia,	 no	 ano	 de	 1884,	 o	 Estado	 se	 antecipou	 em	 quatro	 anos	 ao	 restante	 do	 país	 e
declarou	a	abolição	do	trabalho	escravo	em	seu	território.	Muitas	são	as	especulações	a
respeito	dos	motivos	que	levaram	o	Ceará	a	este	pionerismo	em	uma	época	em	que	o
uso	deste	tipo	de	mão	de	obra	era	a	base	da	economia	do	Brasil.
Alguns	 pesquisadores	 defendem	 a	 tese	 de	 que,	 devido	 a	 baixa	 produção	 agrícola,	 o
escravo	 acabava	 tendo	 pouca	 utilidade	 na	 província.	 Isso,	 segundo	 eles,	 somado	 à
disponibilidade	 de	mão	 de	 obra	 gerada	 pelas	 seguidas	 secas	 que	 assolaram	a	 região,
teria	 criado	 o	 cenário	 favorável	 para	 o	 crescimento	 do	movimento	 abolicionista	 local.
Ainda	que	a	afirmação	faça	sentido,	não	deve,	de	forma	alguma,	servir	para	diminuir	a
importância	do	evento	da	data	magna.
Pois,	 com	 a	 aprovação	 da	 lei	 e	 o	 zébio	 de	 queróis,	 a	 proibição	 de	 importação	 de
escravizados	 da	 África	 para	 cá	 intensifica	 o	 tráfico	 interprovincial	 e	 os	 portos	 do
Nordeste	 tornam-se	 pontos	 estratégicos.	 De	 isso,	 podemos	 concluir	 que	 a	 pouca
demanda	 interna	 não	 anulou	 a	 participação	 da	 província	 no	 ainda	 lucrativo	 comércio
escravisto	 do	 país.	 No	 ano	 de	 1880,	 os	 ativistas	 pela	 abolição	 se	 unem	 e	 formam	 a
Sociedade	Cearense	Libertadora.
O	órgão	passa	então	a	ser	um	dos	mais	atuantes	do	Brasil,	promovendo	a	compra	de
alforrias,	 divulgando	 as	 denúncias	 de	 maus	 tratos	 e	 até	 facilitando	 a	 fuga	 de	 alguns
escravos.	Foi	a	Sociedade	Cearense	Libertadora	que	esteve	junto	com	os	jangadeiros	no
movimento	 que	 antecedeu	 a	 abolição	 no	 Ceará.	 Em	 27	 de	 janeiro	 de	 1881,	 os
comerciantes	 de	 escravos	 tentaram	 embarcar	 pelo	 Porto	 de	 Mucuripe	 alguns	 negros
entre	os	quais	estava	Luzia,	que	era	livre	e,	portanto,	havia	sido	vendida	ilegalmente.
Liderados	por	 José	Luiz	Napoleão,	um	ex	escravizado	que	havia	conseguido	comprar	a
própria	 alforria,	 os	 jangadeiros	 impediram	 a	 ação	 destes	 comerciantes,	 recebendo	 o
apoio	 da	Cearense	 Libertadora	 que	 auxiliou	 para	 o	 fechamento	 do	 Porto	 e	 o	 início	 da
greve.	A	partir	dali,	a	mobilização	dos	grevistas	ganhou	a	atenção	e	o	apoio	do	povo,	e
Napoleão	transferiu	a	liderança	do	movimento	ao	também	jangadeiro	Francisco	José	do
Nascimento,	futuramente	chamado	de	Dragão	do	Mar.	Dragão	do	Mar	nasceu	livre,	mas
era	mulato	e	pobre.
Filho	 de	 pescadores,	 ele	 havia	 iniciado	 cedo	 seus	 trabalhos	 no	 Porto,	 tendo	 por	 isso
adquirido	 grande	 conhecimento	 com	 os	 diferentes	 navegantes	 que	 passavam	 por	 ali.
Sua	capacidade	de	 liderança	e	eloquência	nos	discursos	era	motivo	de	elogio	entre	os
https://turboscribe.ai/pt/?ref=pdf_export_upsell
https://turboscribe.ai/pt/subscribed?ref=pdf_export_upsell
Mobile User
intelectuais	 abolicionistas	 de	 todo	 o	 país,	 e	 sendo	 assim	 era	 questionável	 sua
popularidade	 entre	 os	 jangadeiros.	 Ele	 esteve	 à	 frente	 da	 segunda	 grande	 ação	 dos
abolicionistas	em	agosto	de	1881,	quando	um	naveo	negreiro,	vindo	do	Espírito	Santo,
foi	impedido	de	zarpálevando	38	negros,	que	seriam	vendidos	como	escravos.
Nesta	ação	os	libertadores	foram	além	e	simularam	um	incêndio	para	ajudar	na	fuga	dos
38	 negros	 recolhidos	 em	 um	 armazém	 apedido	 dos	 comerciantes,	 que	 esperavam
alguma	 providência	 das	 autoridades	 contra	 os	 grevistas.	 Na	 verdade,	 dificilmente	 o
grupo	 sofreria	 qualquer	 retaliação	 mais	 forte	 por	 parte	 dos	 governantes	 searences.
Segundo	 os	 pesquisadores,	 dentro	 do	 Estado	 a	 esta	 altura	 a	 quantidade	 de	 pessoas
saboráveis	 a	 causa	 abolicionista,	 inclusive	 entre	 os	 membros	 mais	 influentes	 da
sociedade,	sobressai	aos	que	insistiam	na	manutenção	da	escravidão.
E	 no	 ano	 de	 1883,	 a	 causa	 ganhou	 mais	 um	 forte	 apoio,	 quando	 o	 liberal	 sátiro	 de
Oliveira	 Dias	 foi	 nomeado	 como	 presidente	 da	 província.	 Por	 todos	 os	 municípios
searences	pipocaram	grupos	atuantes	em	favor	da	libertação	dos	escravos.	Fazendeiros
entregavam	por	conta	própria	as	cartas	de	alforria,	em	troca	de	manchetes	em	destaque
nos	jornais	locais.
A	 popularidade	 de	 Dargão	 Dumar	 chamou	 a	 atenção	 dos	 intelectuais	 e	 jornalistas	 do
Sudeste,	fazendo	repercutir	as	ações	abolicionistas	searences	em	todo	o	país.	O	Unicípio
de	Acarapi,	atual	Redenção,	foi	o	primeiro	a	dar	o	chamado	grito	de	liberdade,	ainda	no
ano	 de	 1883.	 E	 até	 25	 de	março	 de	 1884,	 as	 demais	 cidades	 seguiram	 o	movimento
libertando	todos	os	escravos	do	Estado.
Assim,	 o	 Ceará	 fez	 história,	 tornando-se	 a	 terra	 da	 luz.	 Beso	 de	 José	 Luís	 Napoleão	 e
Dragão	Dumar,	além	de	pioneiro	da	apolição	da	escravidão	no	Brasil.
Transcrito	por	TurboScribe.ai.	Atualize	para	Ilimitado	para	remover	esta
mensagem.
https://turboscribe.ai/pt/?ref=pdf_export_upsell
https://turboscribe.ai/pt/subscribed?ref=pdf_export_upsell