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RESUMO DE PERIODONTIA ANATOMIA DO PERIODONTO Folículo Dentário que origina os tecidos Periodontais de Suporte. Periodonto de Proteção: gengiva livre e inserida Periodonto de Sustentação: cemento radicular, osso alveolar e ligamento periodontal O cemento acelular, assim como os tecidos periodontais, desenvolve-se durante a formação da raiz. PERIODONTO DE PROTEÇÃO Gengiva: gengiva livre (marginal) ou gengiva inserida (queratinizada). Os tecidos que não se consideram gengiva livre ou inserida são chamadas de mucosa de revestimento. A gengiva é composta pelo tecido epitelial (camada epitelial) e pelo tecido conjuntivo. Gengiva Livre: consistência firme, superfície opaca e coloração rósea claro. A papila interdental faz parte da gengiva livre. Nas regiões de incisivos e caninos, a forma da papila é mais piramidal, enquanto que nos pré-molares e molares determina uma papila interdental com uma vertente vestibular e uma vertente lingual, representado por uma área de concavidade, denominada “col”. Essa área de “col” não é queratinizada. Gengiva Inserida: fortemente ligada ao periósteo, possui textura de casca de laranja, coloração rósea- claro e consistência firme (causada pela ligação de fibras colágenas do tecido conjuntivo aderidas ao periósteo). Mucosa Alveolar: Não queratinizada, ligação frouxa com o periósteo e osso alveolar, coloração vermelha mais escura, localizada epicalmente à linha mucogengival. A coloração mais vermelha é causada pela proximidade com os vasos sanguíneos. ASPECTOS MICROSCÓPICOS O epitélio oral fica voltado para a cavidade oral. O epitélio do sulco, fica voltado para o dente, sem ficar em contato com a superfície do dente e o epitélio juncional, promove o contato da gengiva com o dente. A queratinização da mucosa oral varia em diferentes áreas na seguinte ordem: palato (mais queratinizado, gengiva, porção ventral da língua, mucosa julgal) Tecido Conjuntivo: O tecido conjuntivo (ou lâmina própria) é o componente tecidual predominante na gengiva. Os principais constituintes do tecido conjuntivo são: Os fibroblastos são as células mais predominantes no tecido conjuntivo (65%). Estas fibras são responsáveis pela inserção da gengiva na superfície dentária e no osso alveolar (fibras colágenas, fibras reticulares, fibras oxitalânicas e fibras elásticas). O mastócito é o responsável pela produção de determinados componentes da matriz e também de substâncias vasoativas (histamina e heparina) que podem afetar a função do sistema microvascular e controlar o fluxo de sangue através dos tecidos. O macrófago desempenha diversas funções de fagocitose e síntese no tecido. Os macrófagos são particularmente numerosos nos tecidos inflamados e são derivados dos monócitos do sangue que migram para o tecido em presença de processo inflamatório. FIBRAS DO TECIDO CONJUNTIVO Fibras Colágenas: São as fibras que predominam no tecido conjuntivo (cerca de 60%) e constituem o componente mais importante do periodonto. São produzidas principalmente pelos fibroblastos, mas cementoblastos e osteoblastos também podem estar envolvidos na sua síntese. Fibras Reticulares: São delgadas e frouxamente condensadas às fibras de colágeno. São numerosas no tecido adjacente à membrana basal, embora ocorram também em grande número no tecido conjuntivo frouxo que circunda os vasos sanguíneos. Fibras Oxitalânicas: São fibras elásticas em estágio imaturo, encontradas no tecido conjuntivo subepitelial. São escassas na gengiva, mas numerosas no ligamento periodontal. Estão dispostas paralelamente ao longo eixo do dente. A função destas fibras ainda é desconhecida. Fibras Elásticas: As fibras elásticas no tecido conjuntivo gengival ou no ligamento periodontal estão presentes apenasquandoemassociaçãocomvasos sanguíneos. PERIODONTO DE SUSTENTAÇÃO Ligamento Periodontal: é um tecido conjuntivo frouxo, ricamente vascularizado e celular, que circunda as raízes dos dentes e une o cemento radicular ao osso alveolar. Principal função: ancoragem do dente, realizada principalmente pela presença de fibras de colágeno que prendem o cemento da raiz ao osso alveolar. A presença de um ligamento periodontal permite que forças produzidas durante a mastigação e outros contatos dentários sejam distribuídas e absorvidas pelo processo alveolar através do osso alveolar. O ligamento periodontal também é essencial para a mobilidade dos dentes. O ligamento periodontal possui suprimento sanguíneo que fornece nutrientes à superfície do osso alveolar. As células do ligamento periodontal são: fibroblastos (35%), osteoblastos, cementoblastos, osteoclastos, células epiteliais e fibras nervosas. Os fibroblastos estão alinhados ao longo das fibras principais, enquanto os cementoblastos revestem a superfície do cemento, e os osteoblastos revestem a superfície óssea. Relembrar: função física promovendo resistência ao impacto e dissipação de forças, formadora e remodeladora de osso e cemento, nutricional de células do cemento, osso e gengiva através da vascularização e sensorial detectando sensações e diferenças de pressão mastigatória. Cemento Radicular: O cemento radicular é um tecido mineralizado especializado que reveste as superfícies radiculares e, ocasionalmente, pequenas porções das coroas dos dentes. Possui muitas características em comum com o tecido ósseo. Porém, o cemento não contém vasos sanguíneos e linfáticos, não tem inervação, não sofre remodelação e reabsorção fisiológicas, e se caracteriza pela formação contínua ao longo da vida. O cemento desempenha diferentes funções. Ele insere as fibras do ligamento periodontal na raiz e contribui para o processo de reparo após danos à superfície radicular. Em caso de reabsorção radicular o cemento é produzido com o intuito de preencher o espaço. Junção Cemento-Esmalte: O cemento localizado na altura da junção cemento-esmalte ou logo abaixo dela é de grande importância clínica para os procedimentos de raspagem radicular. Osso Alveolar: O processo alveolar é definido como as partes da maxila e da mandíbula que formam e dão suporte aos alvéolos dos dentes. O processo alveolar desenvolve-se em associação como desenvolvimento e a erupção dos dentes. O processo alveolar consiste em osso, o qual é formado pelas células do folículo dentário como por células que não estão envolvidas no desenvolvimento dentário. A reabsorção do osso está sempre associada com os osteoclastos. Estas células são células gigantes especializadas na destruição da matriz mineralizada (osso, dentina, cemento) e provavelmente são formadas pelos monócitos do sangue. A reabsorção ocorre pela liberação de substâncias ácidas (ácido lático, etc), o que forma um ambiente ácido no qual os sais minerais do tecido ósseo são dissolvidos. Periósteo e Endósteo: Todas as superfícies ósseas são cobertas por camadas de tecido conjuntivo com diferenciação osteogênica. (A) Periósteo: tecido que recobre a superfície externa do osso; (B) Endósteo: tecido localizado nas cavidades ósseas internas. Fenestração óssea: áreas isoladas nas quais a raiz é desnudada deosso e a superfície radicular é recoberta apenas pelo periósteo e a gengiva. Nessas áreas, o osso marginal está intacto. Deiscência óssea: quando as áreas desnudas estendem-se até o osso marginal. Espaço Biológico Periodontal: espaço existente na parte interna do periodonto de proteção, compreendido entre o pico gengival e a crista óssea alveolar. É preenchido pelos tecidos moles que compõem as distâncias biológicas: epitélio sulcular, pelo epitélio juncional e pela inserção conjuntiva. Tem um comprimento mínimo necessário no sentido axial de aproximadamente 3 mm que permite o arranjo biológico da área. ETIOLOGIA DAS DOENÇAS PERIODONTAIS A doença periodontal tem sido referida algumas vezes como uma "infecção bacteriana mista" para assinalar que mais de uma espécie microbiana contribui para o desenvolvimento da doença. GENGIVA SAUDÁVEL Características Clínicas: Arco côncavo regular (contorno parabólicoda margem gengival), consistência firme, textura de casca de laranja, coloração rósea-claro, papilas firmes e sem sangramento, sem perda de inserção, profundidade de 2 sondagem de até 3 mm. Características Histológicas: Livre de acúmulo de células inflamatórias no epitélio funcional, epitélio externo queratinizado, epitélio funcional firme, hemidesmossomos, alguns neutrófilos mononucleoses, colágeno densamente organizado, sulco gengival raso Inflamação Gengival: Após 10 a 20 dias de acúmulo de placa, sinais clínicos de gengivite se estabelecem. Vermelhidão e tumefação gengiva e uma tendência aumentada de sangramento dos tecidos moles à sondagem delicada. MICROBIOLOGIA PERIODONTAL Biofilme: biomassa densa, não calcificada, constituída por bactérias (15 a 20% em volume) distribuídas em uma matriz orgânica protetora (87% a 80% em volume), composta por polissacarídeos, células epiteliais descamadas, leucócitos, enzimas, sais minerais, glicoproteínas salivares (mucina) e restos alimentares. Materia Alba: bactérias que não estão aderidas ao dente, assim como as células de descamação, leucócitos e restos alimentares ligadas frouxamente ao dente, não é considerada um biofilme e pode ser deslocada da superfície dental com jatos de ar/água e por bochecho vigorosos, o que não acontece com a placa dental (biofilme). Fases de Formação/Colonização do BF: 1. Colonização primária: predominantemente por cocos Gram-positivos anaeróbios facultativos. 2. Segunda Fase: ocorre agregação de cocos e bastonetes Gram-positivos anaeróbios facultativos que se multiplicam. 3. bastonetes Gram-positivos facultativos permitem a aderência de microrganismos Gram-negativos, que possuem pouca capacidade de adesão direta na película 4. A heterogeneidade aumenta à medida em que a placa envelhece e se torna madura. Ocorre uma colonização secundária por bactérias anaeróbias estritas contribuindo para aumentar a patogenicidade do biofilme. PERIODONTITE PERDA DE INSERÇÃO CLÍNICA + PROFUNDIDADE DE SONDAGEM AUMENTADA MAIOR QUE 4 mm + SINAIS INFLAMATÓRIOS SUBGENGIVAIS (SANGRAMENTO À SONDAGEM) = DIAGNÓSTICO DE PERIODONTITE Diagnóstico Clínico: alteração de coloração e textura gengival, sangramento a sondagem, profundidade de bolsa e perda de inserção, pode ter mobilidade dental e alteração na posição dos dentes. Presença de Sinais Radiográficos: perdas ósseas verticais e horizontais e/ou envolvimento de furca. CARACTERÍSTICAS DA PERIODONTITE CRÔNICA • Maior prevalência em adultos, pode ocorrer em crianças e adolescentes • Quantidade de destruição é consistente com a presençade fatores locais • Cálculo subgengival é um achado frequente • Ritmo de progressão lento a moderado, mas pode ter período de rápida progressão • Pode ser classificada adicionalmente com base na extensão e severidade • Pode estar associada com fatores locais predisponentes (por exemplo, fatores relacionados ao dente ou iatrogênicos) • Pode ser modificada por fatores diferentes das doenças sistêmicas tal como fumo e estresse emocional Classificação Antiga: Extensão: baixa, média, alta Severidade: leve, moderada, severa Localizada ou Generalizada CARACTERÍSTICAS DA PERIODONTITE AGRESSIVA • Os pacientes são clinicamente saudáveis • Rápida perda de ligamento e destruição óssea • Agregação familiar • Quantidade de depósitos bacterianos incompatíveis com a severidade e destruição dos tecidos periodontais • Anormalidades nos fagócitos • Funções elevadas dos macrófagos, incluindo níveis elevados de Prostaglandinas E2 (PGE2) e Interleucina 1β (IL-1β). Classificação Antiga: Classificada como Extensão Localizada: afeta primeiros molares e incisivos Generalizada: afeta 3 dentes permanentes além dos primeiros molares e incisivos TRATAMENTO DA PERIODONTITE CRÔNICA Procedimentos Periodontais Básicos: • Orientação e motivação da higiene oral • RAP supragengival e subgengival em quadrantes ou sextantes. • Remoção de fatores retentivos de placa • Tratamento endodôntico prévio: se for diagnosticada lesão endoperiodontal • Contenções provisórias: realizar nos dentes que apresentam mobilidade dental grau 2 ou 3. • Ajustes oclusais: realizar nos casos de migrações dentárias ou trauma oclusal TRATAMENTO DA PERIODONTITE AGRESSIVA: 1. Orientação da higiene bucal+ RAP supragengival de toda cavidade bucal. 2. RAP subgengival divididos em quadrantes ou sextantes + antibióticoterapia+ prescrição de clorexidina 0,12 por 40 dias Antibióticoterapica: Metronidazol 400mg a cada 8 horas por 14 dias + Amoxicilina 500mg a cada 8 horas por 14 dias. TRATAMENTO COMPLEMENTAR DA PERIODONTITE AGRESSIVA • Eliminação dos fatores retentivos de placa • Extrações de dentes sem perspectivas periodontais • Adaptação de próteses proviórias • Tratamento endodôntico prévio • Ajustes oclusais • Contenções provisórias SEQUÊNCIA CLÍNICA DE ATENDIMENTO DE PACIENTES PERIODONTAIS 1. ANAMENESE 2. EXAME CLÍNICO PERIODONTAL e EXAME RADIOGRÁFICO 3. PREENCHIMENTO DE PERIOGRAMA (quando necessário) 4. ESTABELECER UM DIAGNÓSTICO PERIODONTAL 5. ESTABELECER UM PLANO DE TRATAMENTO PERIODONTAL a) Realizar o tratamento periodontal do paciente de acordo com o diagnóstico periodontal: procedimentos básicos b) Reavaliação periodontal c) Tratamento periodontal cirúrgico (quando necessário) d) Manutenção periodontal ou terapia de suporte REAVALIAÇÃO PERIODONTAL E TERAPIA PERIODONTAL DE SUPORTE: É a fase do tratamento onde vamos analisar os resultados obtidos pelos passos dos procedimentos periodontais básicos (TPB) realizados. É a fase onde vamos selecionar adequadamente uma terapia adicional, se necessária, e a melhor possibilidade de prognóstico à longo prazo. A reavaliação periodontal deve ser realizada após 30 a 45 dias para os tecidos (epitelial e conjuntivo) cicatrizarem completamente, realizar correção dos fatores retentivos de placa, tempo suficiente para aplicar novas técnicas de higiene bucal. Formação de epitélio juncional longo: 1 a 2 semanas Inserção de tecido conjuntivo: 4 a 8 semanas (30 A 45 DIAS) Redução da inflamação clínica : edução da população de células inflamatórias, redução no nível de fluído gengival, reparo da matriz do tecido conjuntivo. CICATRIZAÇÃO DOS TECIDOS PERIODONTAIS APÓS TPB Microbiologia: Após a RAP a repopulação microbiana subgengival ocorre dentro de 2 meses na ausência de controle de placa apropriado Caso o paciente não se cure após o tratamento periodontal básico, devemos realizar uma reintervenção: nova instrumentação, antibióticoterapia, tratamento cirúrgico Retorno periódico ao consultório, 1 a 4 vezes ao ano (depende do paciente).” IMPORTANTE: o programa de controle deve ser projetado para se adequar as necessidades do paciente. Alguns devem ser revistos uma vez ao mês e outros 1 vez ao ano. DIABETES E DOENÇA CARDIOVASCULAR DCV: Estudos confirmaram que pacientes com doença periodontal tem duas vezes mais risco de infarto que um paciente saudável. A American Heart Association estende essa afirmação para Ateroesclerose, tendo sido descrita a presença de bactérias bucais na praça aretomatosa. Agentes infecciosos associados a doenças cardiovasculares incluem bácterias encontradas na placa dental )Actinobacillus actinomycetemcomitans, Porphyromonas gingivalis ePrevotellaintermedia). A doença periodontal pode agravar doenças coronarianas por vários mecanismos: Endotoxinas: Lipoporissacarídeos oriundos de bactérias Gram negativas da placa dental, podem alcançar a corrente sanguínea. Proteínas do choque térmico (HSP): HSP de bactérias e células humanas são muito semelhantes. Considera-se que por reação cruzada, anticorpos contra HSP de bactérias podem reagir contra HSP de células endoteliais, estimulando o desenvolvimento da ateroesclerose. Citocinas e proteínas da fase aguda. DIABETES: Está bem estabelecido que a Diabetes é fator predisponente para a doença periodontal. Atualmente as evidências também indicam o inverso, ou seja, que a doença periodontal agrava a Diabetes.Alguns artigos indicam que pacientes diabéticos tratados da doença periodontal, necessitavam de menor quantidade de insulina LESÕES AGUDAS EM PERIODONTIA Características: instalação repentina, progressão rápida, curso breve, com sinais clássicos da inflamação (calor,rubor, dor, tumor) Abscessos do periodonto, doenças periodontais necrosantes, gengivoestomatite herpética aguda Abcesso Gengival Definição: Coleção purulenta localizada na gengiva marginal e papilar podendo atingir gengiva inserida. Etiologia: fatores locais, penetração de corpos estranhos no sulco gengival Características: confinado à gengiva marginal,áreas sem doença periodontal ou gengival prévia, geralmente não apresenta imagem radiográfica, apesar da curta duração, pode ocasionalmente, causar reabsorções da margem óssea. Diagnóstico: história clínica, achados clínicos (dor intensa, tumefação de aparência lisa, brilhante e avermelhada, supuração, consistência flácida ou semi-flácida (24 a 48 horas da lesão com ponto de flutuação) Tratamento: anestesia tópica,remoção do fator etiológico: debridamento cuidadoso e eliminação dos tecidos formados pela inflamação aguda; drenagem completa (via sulco) com uma sonda, cureta ou pequena inserção na área flutuante; irrigação com solução salina morna e acompanhamento 24-48 horas (nova raspagem); cuidados caseiros: bochechos com água morna e sal. Abscesso Periodontal Definição: Infecção aguda localizada dentro dos tecidos adjacentes a bolsa periodontal e que pode levar a destruição do ligamento periodontal e do osso alveolar. Classificação: Quanto a sua fase de evolução Agudo: demonstra sintomas como dor, sensibilidade à palpação, edema e supuração diante de leve pressão. Crônico: associado com um trajeto fistuloso e usualmente é assintomático. Características Clínicas: • Dor moderada a intensa e irradiada • Edema de cor avermelhada, com superfície lisa, brilhante e de consistência flácida localizado na porção média da raiz • Sensível à oclusão e à percussão • Extrusão dentária • Mobilidade • Pericementite • Exsudato purulento Alterações Sistêmicas • Linfoadenopatia regional • Irritabilidade • Febre • Mal-estar Características Gerais: • Exacerbação aguda de doença periodontal crônica: mudança da microflora subgengival ou baixa imunidade • Condição associada com bolsa periodontal pré-existente: fechamento da abertura da bolsa periodontal • Pode ocorrer na ausência de doença periodontal: Trauma ou perfuração endodôntica Etiologia – associação com outros fatores • Obliteração da entrada da bolsa periodontal (alimentos ou corpos estranhos) • Bolsas periodontais sinuosas (envolvimentos de furca e características anatômicas) • Trauma dental • Fratura radicular • Perfuração endodôntica ou protética Etiologia – fatores predisponentes sistêmicos Diabetes Mellitus: • Maior predisposição a processos infecciosos • Deficiência na cicatrização • Diminuição da resistência do hospedeiro (enfraquecida imunidade celular e decréscimo da quimiotaxia leucocitária e da atividade bactericida) • Mudanças vasculares e alteração no metabolismo do colágeno. Diagnóstico: Associação da história clínica com os achados clínicos e radiográficos. Teste de vitalidade pulpar (geralmente positivo) Sondagem periodontal (presença de bolsa periodontal) Sangramento à sondagem Presença de dor e mobilidade Pode ter a presença de fístula na região lateral a raiz. Caso tenha fístula pode-se fazer o rastreamento da mesma. Aspecto radiográfico: Área radiolúcida discreta na face lateral da raiz. Obs. 1: a radiografia não pode estabelecer o diagnóstico de um abscesso periodontal Obs. 2: seguir trajeto da fístula com cones de Guta Percha Diagnóstico diferencial: abscesso gengival, abscesso periapical, abscesso pericoronário, pulpite aguda, cisto periodontal lateral. Diagnóstico Diferencial Abscesso periodontal Envolve as estruturas de suporte do periodonto; • Tumefação não envolve somente gengival marginal. • Ocorre em áreas já com doença periodontal • Apresenta achados radiográfico Diagnóstico Diferencial Abscesso gengival • Confinado a gengiva marginal. • Presença de corpo estranho ou trauma. • Ocorre em áreas previamente livre de doenças; • Não apresenta achados radiográficos. Alternativas de tratamento: Incisão e drenagem, raspagem e alisamento radicular, cirurgia periodontal, A maioria dos abscessos periodontais ocorrem em dentes com bolsa periodontal. Abscesso Pericoronário Definição: Infecção aguda localizada na intimidade dos tecidos que rodeiam um dente parcialmente irrompido. Fatores etiológicos: Opérculo na região de terceiros molares: área de estagnação salivar, dificuldade de auto-limpeza, retenção de alimentos, crescimento de m.o. anaeróbios Fatores predisponentes: Posição do terceiro molar, terceiros molares mandibulares são os mais afetados Classificação: aguda, subaguda (sinais e sintomas menos acentuadas), crônica (ausência de sinais e sintomas). Características Clínicas Fase Aguda Diagnóstico Diferencial Abscesso periodontal • Vitalidade pulpar (+) • Área radiolúcida lateral à raiz • Dente integro • Presença de bolsa periodontal • Continuidade com a margem • Fistula lateral à raiz • Mobilidade dentária • Dor difusa e irradiada • Exsudato por compressão Diagnóstico Diferencial Abscesso periapical • Vitalidade pulpar (-) • Área radiolúcida apical • Dente com cavidades ou restaurações • Não necessariamente há presença de bolsa periodontal • Não há continuidade com a margem • Fístula na região apical • Ocasional • Dor localizada, púlsatil e contínua • Ausência de exsudado a compressão. Opérculo: eritema e tumefação, traumatismo tecidual, sensibilidade à pressão, trismo, dor pulsátil e irradiada, gosto desagradável. Febre, mal-estar, linfoadenopatia, edema na região do ângulo da mandíbula. Controle Químico do Biofilme dental Indicações: Situações onde o controle mecânico não é conseguido de maneira adequada • Durante terapia periodontal • Ausência de coordenação motora – pacientes especiais /idosos • Fixação intermaxilar • Alterações sistêmicas • Limitação de bacteremias e contaminação operatória • Doenças periodontais agudas • Pré-cirúrgico – limitação do nº microrganismos • Pós-cirúrgico Propriedades ideais: • Substantividade • Inocuidade aos tecidos bucais • Diminuição substancial da placa e gengivite • Inibição da mineralização da placa • Não proporcionar o desenvolvimento de cepas de bactérias resistentes • Não manchar dentes nem alterar a gustação Triclosan Substantividade baixa, liberação rápida Modo de ação: Desorganização da membrana celular e inibição específica de enzimas da membrana, inibe a incorporação e metabolismo da glicose, inibe a atividade de protease tipo tripsina Óleos Essenciais Baixa substantividade, composição: timol, mentol, eucaliptol e metilsalicilato, em veículo alcoólico a 26,9% associação com cloreto de zinco (redução na formação do cálculo). Modo de ação: desorganização geral da membrana celular, inibição de enzimas bacterianas, redução da produção de lipopolissacarídeos Efeitos colaterais: Sensação de queimação, gosto amargo, possibilidade de manchamento dos dentes, injúrias aos tecidos moles bucais Cloreto de Cetilperidíneo Age provocando um aumento da permeabilidade celular e rompimento da parede bacteriana Concentração: 0,05% em veículo alcoólico de 14 a 18% Efeitos colaterais: manchamento dentário, sensação de queimação na mucosa, ulcerações recorrentes, aumento na formação do cálculo, descoloração da língua Clorexidina Largo espectro bacteriano, atua sobre bactérias gram+ e gram- Ação Bactericida em altas concentrações Ação Bacteriostática em concentrações mais baixas Inibição de enzimas glicolíticas e proteolíticas (desorganização geral da membrana) Alteração na multiplicação, aderência e produção dos ácidos bacterianos Efeitos Colaterais: pigmentação, descamação da mucosabucal, alergias, calcificações, perda do paladar 0,12%: 2 bochechos diários, com 15 ml de solução com duração de 1 minuto, preferencialmente 30 minutos após a escovação durante 7 dias 0,2% (menos utilizada): 2 bochechos diários, com 10 ml de solução com duração de 30 segundos, preferencialmente 30 minutos após a escovação durante 7 dias CLASSIFICAÇÃO ATUAL DAS DOENÇAS PERIODONTAIS 2018 CONDIÇÕES PERIODONTAIS SAÚDE PERIODONTAL E SAÚDE GENGIVAL Saúde em Periodonto Íntegro: Sem perda de inserção, profundidade de sondagem até 3mm, sangramento à sondagem em menos de 10% dos sítios e sem perda óssea radiográfica. Saúde em Periodonto Reduzido: Paciente com Periodontite Estável ou Paciente sem Periodontite. 1. Periodontite Estável: Perda de inserção, profundidade de sondagem até 4mm, sem sítios com profundidade igual ou superior a 4mm com sangramento à sondagem, sangramento à sondagem em menos de 10% dos sítios e com perda óssea radiográfica. 2. Sem Periodontite: Perda de inserção, profundidade de sondagem de até 3 mm, sangramento à sondagem em menos de 10% dos sítios e possível perda óssea radiográfica (por exemplo, em casos de recessão gengival e aumento de coroa clínica). GENGIVITE INDUZIDA PELO BIOFILME: associada somente ao biofilme dental, mediada por fatores de risco sistêmicos ou locais e associada a medicamentos para aumento de tecido gengival. Gengivite Associada SOMENTE ao Biofilme: dividida em gengivite em periodonto íntegro, gengivite em periodonto reduzido e gengivite em periodonto reduzido tratado periodontalmente. Gengivite em Periodonto Íntegro: caracteriza-se por apresentar sítios com profundidade de sondagem menor ou igual a 3 mm, 10% ou mais de sítios com sangramento à sondagem, ausência de perda de inserção e de perda óssea radiográfica. Gengivite em Periodonto Reduzido: os pacientes apresentam sítios com profundidade de sondagem de até 3 mm, 10% ou mais dos sítios com sangramento à sondagem, perda de inserção e possível perda óssea radiográfica. Gengivite em Periodonto Reduzido Tratado: o paciente tem história de tratamento de periodontite, portanto apresenta perda de inserção, sítios com bolsa periodontal de até 3 mm, 10% ou mais dos sítios com sangramento à sondagem e perda óssea radiográfica. Gengivite Mediada por Fatores de Risco: Sistêmicos ou Locais Sistêmicos: tabagismo, hiperglicemia, fatores nutricionais, agentes farmacológicos (prescritos, não prescritos e recreacionais), hormônios esteróides sexuais (puberdade, ciclo menstrual, gravidez, contraceptivos orais), condições hematológicas. Locais (fatores predisponentes): fatores de retenção de biofilme dental, secura bucal. Aumento Gengival Influenciado por Medicamento: não especificado DOENÇAS GENGIVAIS NÃO INDUZIDAS PELO BIOFILME: desordens genéticas e de desenvolvimento, infecções específicas, condições inflamatórias e autoimunes, processos reacionais, neoplasias, doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas, lesões traumáticas, pigmentação gengival. PERIODONTITE Doenças Periodontais Necrosante: processo inflamatório do periodonto caracterizado por necrose/ ulceração da papila interdental, sangramento gengival, halitose, dor e perda óssea rápida. Outros sinais e sintomas associados podem incluir formação de pseudomembrana, linfadenopatia e febre. Gengivite Necrosante: processo inflamatório agudo do tecido gengival caracterizado pela presença de necrose/ulceração das papilas interdentais, sangramento gengival e dor. Outros sinais e sintomas associados podem incluir halitose, pseudomembrana, linfadenopatia regional, febre e sialorreia (em crianças). Periodontite Necrosante: processo inflamatório do periodonto caracterizado pela presença de necrose/ ulceração das papilas interdentais, sangramento gengival, halitose, dor e perda óssea rápida. Outros sinais e sintomas associados podem incluir formação de pseudomembrana, linfadenopatia e febre. Estomatite Necrosante: condição inflamatória severa do periodonto e da cavidade oral em que a necrose dos tecidos moles se estende além da gengiva, e a desnudação óssea pode ocorrer por meio da mucosa alveolar, com áreas aumentadas de osteíte e formação de sequestro ósseo. Tipicamente ocorre em pacientes sistêmica e severamente comprometidos. Periodontite: doença inflamatória crônica multifatorial associada a biofilme disbiótico e caracterizada pela destruição progressiva do aparato de inserção dental. A periodontite é classificada de acordo com seu ESTÁGIO e seu GRAU ESTÁGIO: A classificação de estágios está relacionada com a severidade da doença. Os estágios da periodontite devem ser primariamente definidos pela perda clínica de inserção, denominada, nesse texto, como “característica determinante”. Em sua ausência, utiliza-se perda óssea radiográfica. Caso haja “fatores de complexidade” (por exemplo, lesões de furca ou mobilidades avançadas), sobe-se o estágio ao pior cenário encontrado, de acordo com o descrito abaixo em “fatores que modificam o estágio”. Em pacientes tratados, o estágio não deve diminuir. Para todos os estágios, deve-se classificar ainda quanto à extensão: localizada (até 30% dos dentes afetados), generalizada (30% dos dentes ou mais) ou padrão molar/incisivo. Estágio 1 1-2mm de perda de inserção interproximal no pior sítio ou perda radiográfica no terço coronal. Profundidade de sondagem até 4mm, sem perda dental (perda óssea horizontal). Estágio 2 3-4mm de perda de inserção interproximal no pior sítio ou perda radiográfica no terço coronal . Profundidade de sondagem até 5mm, sem perda dental (perda óssea horizontal) Estágio 3 5mm ou mais de perda de inserção interproximal no pior sítio ou perda óssea radiográfica se estendendo à metade ou ao terço apical da raiz. Profundidade de sondagem de 6mm ou mais, com perda dental de até 4 dentes. Pode ter perda óssea vertical de até 3mm, lesões de fusca grau II ou III e defeito de rebordo moderado. Estágio 4 5mm ou mais de perda de inserção interproximal no pior sítio ou perda óssea radiográfica se estendendo à metade ou ao terço apical da raiz. Perda dental de 5 ou mais dentes. Além dos fatores de complexidade listados no estágio 3, pode ocorrer disfunção mastigatória, trauma oclusal secundário (mobilidade grau 2 ou 3), defeito de rebordo grave, problemas mastigatórios, menos de 20 dentes remanescentes (10 pares de antagonistas). GRAU: reflete as evidências, ou risco, de progressão da doença e seus efeitos na saúde sistêmica. Inicialmente, todo paciente com periodontite deve ser considerado como grau B, e assim modificar seu grau pra A ou C de acordo com evidências diretas de progressão ou evidências indiretas. O grau pode ser modificado pela presença de fatores de risco (tabagismo e diabetes). Grau A - Progressão Lenta Característica Determinante: evidência direta de não progressão de perda de inserção por 5 anos ou indireta de perda óssea/ano de até 0,25mm. Características Secundárias: pacientes com grande acúmulo de biofilme, mas pouca destruição periodontal. Grau B - Progressão moderada Característica Determinante: evidência direta de progressão inferior a 2mm em 5 anos ou indireta de perda óssea/ano de 0,25-1mm. Características Secundárias: destruição compatível com depósitos de biofilme, Fatores de Risco que podem modificar a graduação: fumantes abaixo de 10 cigarros por dia. Grau C - Progressão Rápida Característica Determinante: evidência direta de progressão igual ou superior a 2mm em 5 anos ou indireta de perda óssea/ano superior a 1mm. Características Secundárias: a destruição excede ao esperado para a quantidade de biofilme. Padrões clínicos específicos sugerem períodos de rápida progressão e/ou acometimento precoce da doença (padrão molar/incisivo e ausência de resposta esperadas a terapias de controle do biofilme). Fatores de risco que podem modificar a graduação: tabagismo de + de 10 cigarros por dia ou diabetes.