Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

1 
Sociologia da Educação 
 
 
 
2 
Sociologia da Educação 
Gestão da Educação a Distância 
Cidade Universitária – Bloco C 
Avenida Alzira Barra Gazzola, 650, 
Bairro Aeroporto. Varginha /MG 
ead.unis.edu.br 
0800 283 5665 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Todos os direitos desta edição ficam 
reservados ao Unis – MG. 
É proibida a duplicação ou reprodução 
deste volume (ou parte do mesmo), 
sob qualquer meio, sem autorização 
expressa da instituição. 
 
 
 
3 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Doutoranda e Mestre em Educação. Graduação em Matemática e Filosofia. 
Especialização em Matemática, Supervisão Escolar, Docência na EaD, 
Psicopedagogia e Gestão Escolar. Professora no Grupo UNIS/MG nos cursos de 
graduação a distância nas áreas de: Formação de Professores, Gestão escolar, 
Metodologia da Matemática, Introdução à Matemática e Estágio Supervisionado; e 
nos cursos de graduação presencial nas áreas de: Gestão Escolar, Estatística, 
Filosofia, Desenvolvimento Psicomotor e Educação Inclusiva. Professora na Pós-
Graduação Unis/MG nas disciplinas: Introdução à Inclusão Escolar, Prática 
pedagógica na Inclusão escolar, Gestão da Educação, História da Matemática e 
Física. Realiza assistência técnica na área pedagógica em unidades de ensino, produz 
material instrucional de conteúdo e pedagógico para EaD, ministra cursos 
presenciais relacionados às metodologias do ensino de matemática e educação 
infantil, políticas públicas, educação inclusiva e projetos pedagógicos 
 
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1472334750581053 
 
 
 
 
Prof. Me. 
Nidia Mirian Rocha Felix 
 
 
Autoria 
 
 
FELIX, Nidia Mirian Rocha. Guia de Estudo – Sociologia da Educação. 
Varginha: GEaD-UNIS/MG, 2017. 
149 p. 
1. Sociologia da Educação 2. Clássicos da sociologia 3. Sociologia 
cultural. 
Sociologia da Educação. 
 
 
 
http://lattes.cnpq.br/1472334750581053
 
 
4 
Sociologia da Educação 
Caro (a) aluno (a), 
 
 
Esta disciplina tem como propósito discutir os aspectos que envolvem a formação 
social como ciência que interpreta as relações educacionais estabelecidas ao longo 
dos tempos. 
Portanto, lhe convidamos a aceitar um desafio: permitir-se refletir sobre a educação. 
Todos nós - professores ou futuros professores - ocupamo-nos da tarefa específica 
de ensinar, fazendo disso a nossa profissão, esse desafio consiste, sobretudo, em 
pensar melhor sobre a nossa prática pedagógica, que tem relação direta com as 
organizações em sociedade. 
Pensar sobre a prática pedagógica significa essencialmente questionar sobre a 
relação entre ensino/aprendizagem. Essa é uma via de mão de dupla, que indica a 
necessidade de tornarmos o conhecimento como algo dinâmico. Como escreveu 
Guimarães Rosa, em “Grande Sertão: Veredas”, e Paulo Freire sempre parafraseia: 
“mestre não é quem ensina, mas quem de repente aprende”. 
Assim, perguntar pelo significado da nossa prática pedagógica quer dizer, então, 
dispor-se, ao mesmo tempo, a ensinar e a aprender. É enveredar-se rumo a um 
novo conhecimento, mesmo quando os caminhos se apresentam estreitos. É 
transitar de um lugar a outro nas aventuras do saber. É dispor-se a enfrentar o 
“sertão” das ideias, esse lugar sem fronteiras, buscando um porto mais ou mesmo 
seguro, onde poderemos pronunciar nosso veredicto que tenha relação com o 
conjunto - conjunto social de intenções educacionais que abarque a todos os 
envolvidos. 
Assim, ao perguntarmos sobre o significado da nossa prática pedagógica, queremos 
ampliar as condições de fazer algo novo e diferente, ao mesmo tempo em que 
poderemos ter maior clareza do lugar que ocupamos como professores. Um lugar 
que envolve transformações, não só a transformação pessoal do profissional, mas 
uma potencialidade para transformação de vidas que perpassam pela atuação 
educacional. E é nesse sentido que você precisa compreender e interpretar os 
 
 
 
5 
Sociologia da Educação 
conceitos e preceitos que envolvem a ciência social, pois um docente consciente, 
sabedor das teorias que implicam na vida em sociedade, desenvolve um trabalho 
direcionado, ativo e com apoio real à comunidade em que ele se insere. 
Tem-se falado muito sobre os meios de comunicação de massa, em relação à 
necessidade de ampliar a educação do povo. Mas fala-se também sobre a efetiva 
ampliação das taxas de escolaridade, a universalização do ensino básico, ou seja, a 
ampliação da educação com dignidade e efetividade concreta para todos os locais 
em que a educação possa ser sedimentada. É exatamente este o nosso ponto de 
reflexão, onde estabeleceremos o significado das nossas discussões ao longo da 
disciplina de Sociologia da Educação. 
Nesta disciplina faremos uma análise sociológica educacional, pois a escola é um 
lugar privilegiado, em relação à observação das nossas possibilidades e limites. 
Analisaremos sistematicamente a escola, sustentando-nos em teóricos da sociologia 
e apoiando-nos na observação das relações sociais estabelecidas no ambiente 
escolar. Em síntese, analisaremos com mais clareza o papel dos educadores e 
como as práticas pedagógicas exprimem o desejo e o poder de mudança. 
 
Vamos avançar? Desejo bons estudos! 
 Prof.ª. Nidia Mirian Rocha Felix 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
Interpretação e análise sociológica do fenômeno educacional. Sociedade 
e educação: relações sociológicas. Estudo sobre o tratamento teórico 
recebido pela educação no discurso das principais correntes do 
pensamento sociológico clássico e contemporâneo. Cultura e Ideologia. 
Educação e desigualdades sociais. Processos educativos e processos 
sociais. 
 
 
 
 
 
 
Ver Plano de Estudos da disciplina, disponível no Ambiente Virtual. 
 
 
 
 
 
Sociologia da Educação. Clássicos da sociologia. Sociologia cultural. 
Ementa 
 
 
Orientações 
 
 
Palavras-chave 
 
 
 
 
 
7 
Sociologia da Educação 
 
EMENTA ____________________________________________________________________ 6 
ORIENTAÇÕES ______________________________________________________________ 6 
PALAVRAS-CHAVE ___________________________________________________________ 6 
UNIDADE I – SOCIEDADE E EDUCAÇÃO: RELAÇÕES SOCIOLÓGICAS ________________ 10 
1.1 SOCIEDADE E SOCIOLOGIA, QUE RELAÇÃO É ESSA? __________________________________ 11 
1.1.1 O QUE É SOCIEDADE? ___________________________________________________ 13 
1.2 CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA __________________________________________________ 15 
1.2.1 AUGUSTO COMTE: O AMOR COMO PRINCÍPIO, A ORDEM COMO BASE E O PROGRESSO COMO FIM.
 _________________________________________________________________________ 16 
1.2.2 KARL MARX: CRÍTICA AO CAPITALISMO E À EXPLORAÇÃO DO HOMEM ___________________ 17 
1.2.3 MAX WEBER: PODER É A CAPACIDADE DE MOBILIZAR PESSOAS. ________________________ 22 
1.2.4 DAVI ÉMILE DURKHEIM: “EDUCAÇÃO, IMAGEM E REFLEXO DA SOCIEDADE” ________________ 25 
UNIDADE II – INTERPRETAÇÃO E ANÁLISE SOCIOLÓGICA DO FENÔMENO 
EDUCACIONAL _____________________________________________________________ 32 
2.1 SOCIEDADE, EDUCAÇÃO E PROCESSOS DE TRABALHO ________________________________ 34 
2.1.1 A EVOLUÇÃO DO CAPITALISMO E A EDUCAÇÃO __________________________________ 41 
2.1.2 CAPITALISMO E EDUCADORES CRÍTICOS ________________________________________ 46 
2.2 SOCIEDADE, EDUCAÇÃO E A ESTRUTURA DA SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO _________________ 49 
2.2.1 AS PRINCIPAIS CORRENTES DO PENSAMENTO SOCIOLÓGICO E A EDUCAÇÃO COMO PROCESSO 
SOCIAL ____________________________________________________________________ 50 
UNIDADE III – AS INSTITUIÇÕES SOCIAIS E A EDUCAÇÃO _________________________ 53 
3.1 AS PRIMEIRAS INSTITUIÇÕES SOCIALIZADORAS ______________________________________ 54 
3.1.1. AS INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS E A EDUCAÇÃO ____________________________________ 56 
3.1.2 AS INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS E A EDUCAÇÃOproblemas apresentados. A Sociologia da Educação deveria 
identificar os problemas relativos às instituições de ensino e encontrar uma solução 
para esses problemas. Assim, surgem as correntes do pensamento sociológico 
envolvidas com as estruturas educacionais, sobre as quais ampliaremos a discussão 
no tópico a seguir. 
2.2.1 As principais correntes do Pensamento Sociológico e a Educação como 
Processo Social 
As reflexões sobre as relações entre Educação, Política e Sociedade tiveram 
representantes em vários países. Na França, pensadores modernos desenvolveram a 
pedagogia crítica, que demonstrava como a educação pode ser instrumento de 
reprodução cultural, social e de interesses ideológicos. 
 
Figura 3: Ideologias 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte:https://lavrapalavra.com/2015/08/07/aja-como-seja-acreditasse-dialogo-com-pascal-
lacan-e-althusser/ 
 
 
 
 
51 
Sociologia da Educação 
A escola capitalista, segundo Althusser, é aquela que reproduz a sociedade e impõe 
a cultura de interesse das classes dominantes. Afirma que, na atualidade, a Escola 
substituiu a Igreja no controle ideológico da sociedade, pois é no ambiente escolar, 
que é um espaço de presença obrigatória e onde a criança ou o jovem permanece 
grande parte do tempo, que se estabelecem as relações e interações. Além da 
aprendizagem sistemática, científica, outros tipos de conhecimentos e informações 
são cristalizados. 
 
Bourdieu e Passeron sustentam a ideia de que a escola reproduz os interesses do 
Capitalismo. Fundamentam suas análises nas relações entre o sistema de ensino e o 
sistema social, concluindo que a origem social do educando influencia em sua 
formação, que existe uma seletividade no sistema escolar, excluindo as classes 
populares do ensino superior. 
 
A ordem econômica vigente – Capitalismo – que regula as relações de produções, 
trocas e acumulações reflete também na Educação. Dessa forma, Baudelot e 
Establet afirmam que existe uma escola capitalista, pois estamos vivendo em uma 
sociedade de classes sociais e a divisão econômica reflete tanto na escola quanto no 
meio social. Identificaram que os interesses da burguesia são reproduzidos por essa 
instituição, pois existem duas escolas, uma burguesa e outra operária. 
 
Esse olhar crítico de diversos autores sociais se deve ao fato de que os problemas 
que geram as desigualdades são aqueles ligados ao fato que tais desigualdades 
impedem os indivíduos de desenvolverem suas aptidões, dentro de um sistema 
capitalista em que o processo é altamente seletivo. Pois, quanto mais avança as 
relações capitalistas, mais exigentes ficam as relações que implicam sua 
sustentabilidade. Vivenciamos uma fase do capitalismo em que ele exige cada vez 
mais uma elevação geral no nível de escolarização. Porém, não necessariamente, as 
pessoas adquirem melhores condições para o enfrentamento de um dos principais 
problemas que atingem os brasileiros hoje: o problema do acesso aos bens e 
serviços sociais e ao mundo da empregabilidade digna. 
 
 
52 
Sociologia da Educação 
Assim, voltemos ao olhar de Durkheim sobre o processo social e escolar, e 
consideremos que esse pensador entusiasmava-se com a possibilidade de fazer da 
educação um instrumento de ordenamento das relações sociais, estabelecendo 
regras de conduta dos indivíduos na sociedade. A educação escolar teria, portanto, 
uma grande tarefa a cumprir: mais do que socializar, ela deveria difundir uma moral 
integradora e garantidora dos laços de coesão social, em um contexto de 
intensificação do processo de divisão do trabalho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atividades 
1. Para Durkheim, a educação é: 
 Um processo de socialização das novas 
gerações; 
 Um esforço de tornar os indivíduos membros da 
sociedade. 
Partindo das duas considerações acima, argumente 
como esse pensador social defendia esses seus 
fundamentos sobre o processo educacional. 
 
2. Pesquise e se aprofunde mais sobre as questões 
que envolvem os conceitos da Sociologia da 
Educação e elabore em argumento que explique: 
qual é o objeto de análise da Sociologia? E qual é o 
da Sociologia da Educação? 
 
 
 
53 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 Compreender como se estabelece o processo educacional permeado pelas 
diversas instituições; 
 Conhecer como os conceitos relativos às diversas estruturações sociais 
delineiam as concepções de sujeito, processo educativo e social. 
 
 
 
 
 Ciclo 03 
 
 
 
 
 
 
Unidade III – As Instituições 
Sociais e a Educação 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
III 
 
 
54 
Sociologia da Educação 
 
Nesta unidade, convido-o(a) para uma análise envolvendo as instituições sociais e 
suas relações educacionais; a família; as instituições religiosas; os processos que 
envolvem o estado como instituição que exerce controle social com características 
formais; e os meios de comunicação social. Assim, nossa intenção é estabelecer 
uma análise sobre o processo educacional permeado pelas diversas organizações, 
para que se possa compreender o fato social “educacional” e os aspectos 
relacionados à educação como uma instância que adequa o indivíduo ao meio 
social. 
O nosso objetivo, portanto, é identificar que alguns pensadores apontam que as 
instituições influenciam aspectos na sociedade, reproduzindo e impondo sua cultura, 
de forma que a classe dominante, devido a diversos fatores, acaba por impor suas 
ideias e intenções, sobressaindo aos interesses gerais da sociedade. Isso ocorre 
através de domínios que podem ser exercidos pela força explícita, utilizando até a 
violência (aparelhos repressivos), a força das ideologias, ou mesmo a coerção sobre 
os grupos sociais. E então, vamos compreender melhor essas propostas? 
 
3.1 As primeiras instituições socializadoras 
Antes de iniciarmos nossas discussões, lhe convidamos para uma reflexão, topa? 
Bom, a questão é: 
 Figura 1: Instituição socializadora: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Design Educacional EaD Unis 
 
 
 
 
55 
Sociologia da Educação 
 
 
Em termos históricos, as concepções de educação têm se modificado 
consideravelmente. Se realizarmos uma breve retrospectiva, constataremos que, no 
Brasil, o processo que envolveu a história da Educação teve saltos consideráveis, em 
um curto espaço de tempo. Somos um País consideravelmente novo, temos um 
histórico cultural em pleno desenvolvimento. E as instituições de ensino - familiar, 
escolar, nos âmbitos do estado e meios sociais em geral - possuem um histórico 
restrito de experiências, no que se refere à formação social. Foi só em meados dos 
anos 50 e 60 do século passado, que a educação foi percebida como um 
importante instrumento de equalização social. 
Mas o que isso quer dizer? 
Estamos considerando que a Educação é encarada como um instrumento capaz de 
possibilitar a ascensão dos indivíduos na estrutura social. Dessa maneira, ainda que 
continuasse assumindo a função de consolidar o Status de determinados grupos, 
como fez por anos, não só no Brasil, passava a ser desejada e compreendida como 
um bem para toda a sociedade. Assim, os processos educativos passam a ter 
caráter de ascensão social, principalmente pelas camadas populares da sociedade. 
 
Instituições
Socialização 
No que essa junção 
implica como 
significação para o 
processo de 
transformação do 
indivíduo?
 
 
56 
Sociologia da Educação 
3.1.1. As instituições religiosas e a educação 
No processo social, e ao longo de milhares de anos, a religião teve expressividade e 
desempenhou um papel de suma importância na convivência humana. A sua 
diversidade e amplidão de conceitos é marcante na universalidade que caracteriza o 
fenômeno religioso, presente de uma maneira ou outra, influenciando e 
diversificando os modos de agir dos diversos grupos sociais.As religiões, tradicionalmente, se caracterizam por 
um sistema de crença ao sobrenatural - Deuses ou 
divindades –, é um fenômeno que tem origem na 
prática social e não individual. Portanto, as suas 
práticas estão diretamente ligadas a um conjunto de 
símbolos, sentimentos, rituais. É uma prática que 
sacraliza divindades e localidades espalhadas pelo 
mundo. São ações sociais que criam e reproduzem 
explicações que legitimam e fundamentam o 
começo do mundo e sua existência, por meio de 
narrativas fundamentadas em vivências de 
antepassados. 
 
 
 
 
57 
Sociologia da Educação 
Historicamente, a religião, como um fator social, possui algumas características que, 
de acordo com Chaui (2003), têm as seguintes serventias: 
Chaui (2003) promove uma discussão demonstrando que o processo religioso em 
sociedade tem como potencialidade a busca da compreensão e da influência. 
Portanto, refletir sobre as religiões traz-nos a compreensão que existem forças 
superiores e maiores, sendo que, nesse caso, são chamadas de Deuses, espíritos 
etc. Pois o homem, em geral, tem necessidades que não são apenas de ordem 
biológica ou fisiológica, você concorda com essa afirmativa? 
Proteger os seres humanos contra o medo da
Natureza
Dar aos homens um acesso à verdade do mundo,
encontrando explicações para a origem, a forma, a
vida e a morte de todos os seres e dos próprios
humanos
Oferecer aos humanos a esperança de vida após a
morte
Garantir o respeito às normas, às regras e aos
valores da moralidade estabelecida pela sociedade,
garantindo a obrigatoriedade da obediência a elas,
sob pena de sanções sobrenaturais.
Oferecer consolo aos aflitos, dando-lhes uma
explicação para a dor
 
 
58 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Alves (1980, p. 24) descreve que: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nossas necessidades básicas são exigidas também 
pela imaginação e pelas determinações simbólicas 
que ganham forma em cada cultura. Assim, a cultura 
não é uma experiência extrínseca, como se fosse 
um ornamento, pois o mundo humano, o que 
constitui o homem, inicia-se justamente quando a 
dimensão simbólica passa a fazer parte da sua vida, e 
os processos religiosos possuem essa característica. 
Nesse contexto, o processo cultural histórico, por 
meio das simbologias, foi agregando valores e 
sentidos à nossa cultura religiosa, sendo uma 
composição do processo simbólico e das 
experiências religiosas vivenciadas. A religião é uma 
busca de re-ligação (vem daí a origem do termo 
religião) e também uma busca ao sentido das coisas 
que estavam separadas ou perdidas, as quais 
acreditamos que devessem estar unidas. 
 
A religião nasce com o poder que os homens têm 
de dar nomes às coisas, fazendo uma discriminação 
entre coisas de importância secundária e coisas nas 
quais seu destino, sua vida e sua morte dependuram 
[...]. Com seus símbolos os homens descriminam 
objetos, tempos e espaços, construindo, com seu 
auxílio, uma abóbada sagrada com que recobrem o 
seu mundo. Por quê? Talvez porque, sem ela, o 
mundo seja por demais frio e escuro. Com seus 
símbolos sagrados, o homem exorciza o medo e 
constrói diques contra o caos. 
 
 
 
 
59 
Sociologia da Educação 
Nesta perspectiva, os mediadores do conhecimento (professores, gestores e 
demais agentes educacionais) necessitam compreender que: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Agora, sociologicamente falando, é importante que você reconheça que o tema 
que envolve o estudo sobre as religiões são fundamentados por alguns pensadores; 
assim, ao estabelecer estudos sobre os aspectos religiosos, Karl Marx, Émile 
Durkheim e Max Weber se interessaram pela elaboração de teorias que visam 
compreender aspectos da vida religiosa e sua influência na sociedade (obs.: os 
textos a seguir são adaptações1). 
 
 
• 1 (Karl Marx) http://www.napec.org/reflexoes-teologicas/a-religiao-e-o-opio-do-povo-uma-
analise-sociologica/ 
• . (Durkheim e Weber) http://slideplayer.com.br/slide/1251895/ - 
 
É fundamental que os educadores compreendam, 
envolvam-se e, basicamente, respeitem a pluralidade 
religiosa, bem como estabeleçam a busca pelo 
envolvimento com a comunidade para o 
conhecimento dos ritos desenvolvidos nas igrejas 
católicas e protestantes, orientais tradicionais e 
recentes, centros espíritas, terreiros de candomblé, 
de umbanda e assemelhados, circuitos esotéricos. A 
promoção dos saberes tratados na crença popular e 
suas expressões contribuem para a formação 
cultural de um povo. Tais ações, dentro do aspecto 
sociológico, possuem a intencionalidade de ligação 
das crenças, promove a tolerância cultural. 
Contemplar os modos como as rezadeiras, 
benzedeiras e peregrinos promovem suas ações é 
oportunizar a interface dos fenômenos religiosos 
com os recortes de gênero, faixas etárias, classes 
sociais, da participação política de seus agentes, etc. 
 
 
60 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os processos religiosos, como sendo a participação na ordem sagrada, em 
que oferta ao participante dos rituais ou cerimônia um prestígio social 
especial, ilustrando uma das funções sociais da religião. A religião pode ser 
definida como um sistema unificado de crenças e de práticas relativas às 
coisas sagradas. Estas unificam o povo numa comunidade moral (igreja), um 
compartilhar coletivo de crenças, que por sua vez, é essencial ao 
desenvolvimento da religião. Dessa forma, o ritual pode ser considerado 
um mecanismo para reforçar a integração social. A função substancial da 
religião é a criação, o reforço e manutenção da solidariedade social e da 
consciência coletiva. É a sociedade que gera todas as coisas sagradas. 
Portanto, para Durkheim, religião e sociedade são uma coisa só. 
Visão de Émile Durkheim 
 
Em seus estudos com maior amplitude teórica e empírica, analisou e 
comparou diversas religiões que existiram e que ainda existem no mundo, 
avaliando o papel que as crenças religiosas exercem na conduta dos 
indivíduos em sociedade. Estava preocupado em destacar como as religiões 
oferecem respostas aos problemas básicos da condição humana: 
contingência, impotência e escassez. Tais respostas se tornam parte da 
cultura estabelecida e das estruturas institucionais de uma sociedade, que 
influem de maneira mais íntima nas atitudes práticas dos homens com 
relação às várias atividades da vida diária, ou seja, no modo como os 
indivíduos e os grupos orientam suas ações, ou definem suas condutas e se 
comportam uns em relação aos outros (religião como fator causal na 
determinação da ação). Procurou pensar a religião como uma das fontes 
causadoras de mudanças sociais. Buscou provar que as concepções 
religiosas são, efetivamente, um determinante da conduta econômica e, em 
consequência, uma das causas das transformações econômicas das 
sociedades. 
Visão de Max Weber 
 
 
 
61 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Concebia a religião como “instrumento de domínio” - a frase pela qual 
ficou conhecido – “a religião é o ópio do povo” - continua sendo 
explorada por pesquisadores e líderes religiosos de diversos seguimentos. 
Deve-se considerar o fato de que Marx era alemão e provinha de uma 
família judaica e, com o passar dos anos, optou pelo ateísmo; sua opção 
pelo ateísmo não se deu em decorrência de alguma insatisfação religiosa, 
mas a partir de uma constatação sociológica, de uma análise dos impactos 
da religião na vida de um adepto, de um fiel. Karl Marx, ao analisar a 
situação dos operários ingleses e a doutrinação religiosa por eles sofrida, 
passa associar a religião ao ópio – uma substância alucinógena de origem 
asiática e consumida nos subúrbios de Londres, inclusive por operários que 
buscavamalternativas à rotina desgastante das fábricas. Para Marx, a religião 
tira do homem a capacidade de compreensão, de análise da materialidade, 
do chão da fábrica, da periferia. Sua análise, na verdade, aparece como uma 
continuação aos estudos de Ludwig Feuerbach (1804-1872), 
contemporâneo, conhecido por sua teologia humanista. Feuerbach entendia 
que a alienação religiosa faz parte de uma engrenagem ou teoria teológica 
que busca o sentido da razão e da existência do homem no mundo, em 
uma tentativa de compreensão da realidade a partir da espiritualidade, do 
sagrado. Tanto Marx quanto Ludwig Feuerbach saem em defesa do 
antropocentrismo, da racionalidade. 
Visão de Karl Marx 
 
 
62 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.1.2 As instituições religiosas e a educação Brasileira 
Para adentrarmos nas discussões que envolvem a formação religiosa no Brasil, 
primeiramente devemos deixar claro que vamos apresentar um pouco da história 
da Educação Brasileira e os grandes feitos de personalidades que marcaram 
profundamente o nosso modo de conceber os processos sociais em nosso país. 
 
Para entender um pouco mais sobre o que cada um 
dos pensadores clássicos da Sociologia pensa sobre 
o assunto, acesse: 
 
TEXTOS COMPLEMENTARES: 
 
A função social da Religião em Durkheim - 
https://bertonesousa.wordpress.com/2013/12/14/a-
funcao-social-da-religiao-em-durkheim/; 
 
A ordem social nos clássicos da sociologia - 
http://www.unicampsciencia.com.br/pdf/50bff395021
51.pdf ; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VÍDEOS: 
 
Clássicos sociológicos – (documentário) 
https://www.youtube.com/watch?v=4_Rqjt5QYsk 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://bertonesousa.wordpress.com/2013/12/14/a-funcao-social-da-religiao-em-durkheim/
https://bertonesousa.wordpress.com/2013/12/14/a-funcao-social-da-religiao-em-durkheim/
http://www.unicampsciencia.com.br/pdf/50bff39502151.pdf
http://www.unicampsciencia.com.br/pdf/50bff39502151.pdf
https://www.youtube.com/watch?v=4_Rqjt5QYsk
 
 
 
63 
Sociologia da Educação 
Assim, para analisar a Educação brasileira, é importante relembrar a Reforma 
Religiosa e o surgimento da Contrarreforma, que foram movimentos da Igreja 
Católica para restabelecer a disciplina eclesiástica, regenerar a vida espiritual e deter 
o avanço das ideias protestantes, “reforçados” com a criação da Companhia de 
Jesus, que tinha entre seus objetivos os de fortalecer o Catolicismo, propagar a fé 
cristã e combater os hereges. 
Dessa forma, a Educação tornou-se aliada aos interesses dos jesuítas, que atuavam 
na catequese e na formação de mão de obra para as suas missões. Foi nesse 
contexto que os jesuítas chegaram ao Brasil, em 1549, no Governo Geral de Tomé 
de Souza. Os primeiros jesuítas, liderados por Manuel da Nóbrega, fundam, em 
Salvador, a primeira escola e espalham escolas, missões e seminários. 
Para iniciar a missão na Colônia, elaboram um plano educacional no qual apareciam 
as necessidades da Colônia, como a instrução dos indígenas e dos filhos de colonos, 
visando também a recrutar vocações sacerdotais. 
Junto a Manoel da Nóbrega, vieram: Aspilcueta Navarro, Leonardo Nunes e os 
irmãos Vicente Rijo ou Rodrigues e Diogo Jácome. Vicente Rodrigues é 
considerado o primeiro professor do Brasil, pois, em 1549, funda, em Salvador, a 
primeira escola de ler e escrever, antecedendo à escola de São Vicente, no litoral 
paulista. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em 1553, chega à colônia o noviço José de Anchieta, 
para se juntar aos jesuítas que já haviam se 
estabelecido no litoral brasileiro. Foi poeta e 
humanista, falava a língua dos índios, o que facilitou 
o contato com os nativos. A ele se deve a primeira 
gramática da língua tupi-guarani: “Arte de Gramática 
mais usada na costa do Brasil”, um “Dicionário ou 
Vocabulário da Língua Tupi” e o poema à Virgem 
Maria “De Beata Virgine Dei Mater Maria”. 
 
 
 
64 
Sociologia da Educação 
A fundação, em 1554, do Colégio São Paulo constitui um marco inicial da missão 
evangelizadora e educadora no Brasil, tornando-se o núcleo de colonização 
portuguesa mais avançado em direção ao interior do país. 
A proposta dos jesuítas de uma Educação voltada para as necessidades da Colônia 
e para o ensino das Letras, Filosofia, Ciências, Artes e Teologia foi, aos poucos, se 
modificando com a introdução do plano de estudo elaborado em Portugal, o Ratio 
Studiorum. 
O Ratio Atque Institutio Studiorum, organizado em 1599 pela Companhia de Jesus, 
valorizava a instrução do colono português em detrimento ao índio, favorecendo a 
elite colonial. As regras pedagógicas são claras, salientavam o trabalho 
hierarquizado, rigoroso. Sintetizando, essas regras determinavam: 
Aliança sólida com o estudo: apliquem-se aos estudos com seriedade e 
constância.
Novidades de opiniões. Ainda em assuntos que não apresentem perigo 
algum para a fé e a piedade, ninguém introduza questões novas em 
matéria de certa importância.
Repetições em casa. Todos os dias, exceto aos sábados, dias feriados e 
festivos.
Ordem nos pátios.
Preleção. Na preleção, só expliquem os autores antigos, de modo algum 
os modernos. (Cf.:ARANHA, 1996, p.96, 97).
 
 
 
65 
Sociologia da Educação 
As propostas de ensino vindas do Ratio Studiorum, que deveriam ser seguidas por 
todos os jesuítas em suas reduções, agrupavam-se em duas partes: 
- Studia Inferiora - letras humanas, composto de Gramática, Humanidades 
e Retórica; Filosofia e Ciências (Cosmologia e Física); 
- Studia Superiora – composto de Teologia e Ciências Sagradas, as quais 
visam à formação para a vocação religiosa. 
 
A formação profissional, principalmente o trabalho manual, era destinada a negros, 
mestiços e índios. Para a elite, a formação era intelectual em escolas que funcionam 
com ajuda financeira da metrópole, com característica de intensa disciplina e 
organização, o que refletia o ideal da Companhia de Jesus. 
É importante ressaltar que a Educação, implantada na Colônia pelos jesuítas, 
contribuiu para a formação de uma elite de intelectuais. Essa elite influenciou 
movimentos importantes na Colônia, como a Inconfidência Mineira, movimento que 
pregou a independência do Brasil, com a proposta de um governo republicano. 
 
 
 
 
 
 
 
Com a intenção de preservar nosso território, o governo português estabelece que 
os governadores-gerais administrariam a nova terra e, junto a este processo de 
ocupação política e interesses econômicos, chegam os jesuítas e também os 
escravos. Era o ano de 1549. Era importante “salvar” as novas almas do continente 
sul-americano preservando-as das influências das religiões que resultaram da divisão 
da Igreja Católica (Batistas, Calvinistas, Presbiterianos, Anglicanos...). Assim, no Brasil, 
desde que foi institucionalizado o começo das estruturas educativas, a Igreja 
Católica se destacou, teve o monopólio sobre a formação educacional. A Igreja 
Percebe como algumas dessas ideias ainda estão 
presentes em nosso dia a dia? Faça uma reflexão 
sobre as considerações históricas e sociológicas 
desenvolvidas no Brasil, pense em como toda a 
estrutura educacional atual possui estruturas no 
processo histórico. 
 
 
 
66 
Sociologia da Educação 
Católica passa a influenciar na educação brasileira a partir da chegada dos primeiros 
jesuítas, quando foi instituído no Brasil o Governo-Geral. 
Gandin (1995) faz uma síntese da relação entre Igreja Católica e educação brasileira, 
o que nos dá a dimensão do que foi essa instituição para a perpetuação da 
educação nacional: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para compreender melhor o que foram as reformas da época, sugerimos que 
assista ao filme “A Missão”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
[...] A Companhia de Jesus começa sua “missão” no 
Brasil voltada à catequese dos indígenas que aqui 
viviam, mas esta atividade logo cede espaço a 
outras. Estabelecem-se as escolas deler e escrever, 
voltadas à alfabetização e ao ensino das “boas 
maneiras” e os seminários onde os futuros padres 
recebiam lições de moral, filosofia e línguas clássicas. 
Essa era uma educação que se aplicava 
exclusivamente às famílias mais influentes: era uma 
educação da elite colonial. As principais 
características dessa educação eram a valorização da 
autoridade, da disciplina e da submissão. 
 
A Missão. Registra os conflitos culturais, políticos e 
econômicos da época. 
Obs.: Dirigido por Roland Joffé e escrito por Robert 
Bolt, o filme "A Missão" é uma obra inglesa de 1986, 
baseada em fatos reais, e trata da época da expulsão 
dos jesuítas do reino português devido à crise nas 
relações entre Coroa portuguesa e a Companhia de 
Jesus. 
Sugerimos que se mantenha sempre atento aos 
conceitos que são desenvolvidos nas indicações dos 
filmes, eles trazem boas referências reflexivas. 
 
 
 
 
67 
Sociologia da Educação 
A organização educacional dos jesuítas se manteve até o governo de D. José I 
(1750 -1777), quando o 1º Ministro Marques de Pombal - Sebastião José de 
Carvalho e Melo - toma medidas políticas e econômicas que refletem na Colônia 
brasileira. Entre elas, a mudança da capital de Salvador para o Rio de Janeiro no ano 
de 1763, para facilitar o escoamento e o controle dos minérios e a expulsão dos 
jesuítas das terras portuguesas. Quanto à Educação, determina a secularização do 
ensino, segundo a qual a prática educativa deixa de ser ministrada pela Igreja e 
passa a ser responsabilidade do Estado ou de instituições privadas. Criam-se as 
Aulas Régias de Latim, Grego e Retórica. Essas aulas foram impostas pelo novo 
Plano de Educação e eram ministradas em escolas públicas, sustentadas pelo 
imposto cobrado da venda de vinho e aguardente. 
Os jesuítas são acusados pelo governo português de tentarem constituir um 
império temporal cristão nas regiões das missões e tramarem contra a vida do rei. 
Marquês de Pombal determinou o confisco das propriedades jesuíticas, seus bens, 
colégios e missões. 
 
 
 
 
 
 
 
 
No século XVIII, ocorreram transformações políticas, econômicas e sociais. A 
Europa se modifica com as revoluções lideradas pela burguesia. Primeiro, na 
Inglaterra, com a Revolução Gloriosa em 1688, pondo fim ao absolutismo e abrindo 
o caminho para a industrialização e a supremacia inglesa, que perdurou até a 2ª 
Guerra Mundial. Depois, a Revolução Francesa, em 1789, quando os 
revolucionários tiram do poder o rei, a nobreza e a Igreja Católica; pregam ideais 
influenciados pelo Iluminismo, movimento que: 
Nessa época, os estudantes brasileiros do ensino 
superior foram transferidos para a Universidade de 
Coimbra – Portugal. Na América Espanhola, já 
existiam universidades desde o século XVI. A 
Espanha cria na América várias Universidades: a de 
São Domingos em 1538, as de São Marcos, em 
Lima, e da Cidade do México em 1551. 
 
 
68 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
É nesse momento de transformações que as propostas para mudanças na Educação 
se fortalecem. Os filósofos Iluministas divulgavam que a Educação deve ser 
obrigatória, laica, estatal e gratuita. Jean Jacques Rousseau (1712 – 1778), pensador 
francês, coloca a questão da infância na educação, com a visão de que a criança não 
é um adulto em miniatura. Sua obra “Emilio” torna-se referência para a Pedagogia. 
3.1.2 A instituição Estado e a Educação (processo histórico social) 
A partir da década de 50, o “american way of life”, o jeito americano de viver, com 
tecnologia, modernidade e prosperidade, passou a ser modelo para as sociedades 
capitalistas. E também seu modelo de intervenção do Estado nas questões 
econômicas e sociais, que recebe o nome de política do bem estar social, pois as 
questões como educação, saúde, aposentadoria e moradia serão melhores 
atendidas pelo Estado. Essa política recebe o nome de Estado do Bem Estar Social 
– Welfare State -, foi um período de conquistas das garantias dos direitos sociais 
dos trabalhadores. 
O Capitalismo consolidado, aumento dos empregos e dos salários. O Estado 
atendendo as questões sociais como saúde, moradia, previdência e educação. 
Só que alguns países aproveitaram essa fase e investiram no crescimento 
econômico e no desenvolvimento humano, tecnológico e social. Outros não se 
preocuparam com as questões estruturais e, consequentemente, as crises futuras do 
Capitalismo atingiriam com mais intensidade essas sociedades. 
 
Procurava libertar o pensamento da repressão dos 
monarcas terrenos e do despotismo sobrenatural do 
clero. 
 
 
 
69 
Sociologia da Educação 
E foi exatamente isso que ocorreu. Em 1973, acontece a crise do petróleo. Atinge a 
economia dos países industrializados, dependentes dessa fonte de energia, e o 
modelo de políticas públicas, provocando, além da crise econômica, uma crise 
social, com desemprego, falências, miséria, inflação e queda na arrecadação de 
impostos. 
Todo o “amparo” que o Estado dispensava a esses segmentos sociais foi 
reformulado, os benefícios revistos, amenizados ou extintos. 
Surge uma nova proposta de política econômica, que afirmava que o Estado não 
deve e não pode “abraçar” a sociedade, fato que, segundo os conservadores, 
provocava um desequilíbrio nas contas do Estado. Este deveria se ausentar ou 
minimizar sua presença nas questões sociais, cortando benefícios, privatizando as 
empresas públicas. 
É a política do Neoliberalismo que foi colocada em prática. Inicialmente, no Chile, 
em 1973, no governo de Augusto Pinochet; na Inglaterra por Margareth Thatcher 
em 1979; nos Estados Unidos por Ronald Reagan em 1980. Na sequência, outros 
países seguiram esses exemplos e adotaram o modelo liberal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Com essa política, o mercado deve estar acima do Estado. As questões sociais, 
como a educação, saúde, estradas, transportes, moradias, saneamentos, serão 
organizados e conduzidos segundo os interesses do mercado. 
 
 
 
Segundo Anderson (1995) fenômeno distinto do simples liberalismo 
clássico (...), nasceu logo depois da II Guerra Mundial, na região da Europa e 
da América do Norte, onde imperava o capitalismo. Foi uma reação teórica 
e política veemente contra o Estado intervencionista e de bem estar (Seu 
texto de origem é (FAUSTO, 2000, p. 352). 
Neoliberalismo 
 
 
70 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
Muitos analisaram, questionaram, alertaram, criticaram, elaboraram e efetivaram 
propostas, com diferenciados métodos, na tentativa de um projeto social em que a 
Educação promoveria o desenvolvimento de todas as capacidades, principalmente a 
conscientização do homem como sujeito do processo histórico que envolveu o 
desenvolvimento político republicano. 
 
Figura 2: Uma questão sociológica/educacional 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Design Educacional EaD Unis 
 
Outra questão pode ser considerada perante toda essa discussão, não acham? 
A questão é: e a educação, como se estabeleceu neste dado tempo histórico social? 
 
 
Você deve ter observado que a análise que se faz 
do Capitalismo sempre converge para as questões 
sociais, entre elas a Educação. Assim, destacamos 
que sociólogos, educadores e filósofos não ficaram 
imunes ao processo e às consequências das novas 
medidas econômicas, políticas e sociais. 
 
 
 
 
71 
Sociologia da Educação 
Uma série de Reformas Educacionais foi proposta no período Republicano, como a 
de Rivadávia Correia, em 1911; a de Carlos Maximiliano, em 1915; a de Rocha Vaz, 
em 1925. A reforma de Vaz, que foi a mais significativa, estabelecendo-se 
programas oficiais para o ensino, currículos seriados para o ensino secundário e cria 
o Conselho Nacional de Ensino. Os cursos superiores se destacaram, tanto que 
havia faculdades de Medicina, Farmácia, Odontologia e Cursos de Direito em várias 
cidades, mas pouco se fazia para a educação popular. Como afirmaBASBAUM 
(1986, p.198) sobre a importância dada aos cursos superiores: “éramos um país de 
doutores e analfabetos”. 
Na mesma mão do processo de reformulação educacional, tínhamos os avanços 
políticos, assim, nesse tempo histórico, Washington Luís indica, como candidato 
oficial para concorrer à Presidência da Republica, o paulista Júlio Prestes, afastando a 
possibilidade de o governador de Minas Gerais Antônio Carlos de Andrada 
concorrer ao cargo. Quebrava, assim, a política do Café com Leite, quando São 
Paulo, produtor de café, e Minas Gerais, produtor de leite, também se revezavam 
no comando político. 
Com o impasse, o Estado de Minas se alia aos Estados do Rio Grande do Sul e da 
Paraíba e, juntos, lançam para a Presidência Getúlio Vargas. 
Estava formada a Aliança Liberal. O programa da Aliança sintonizava as aspirações 
das oligarquias regionais independentes do setor cafeeiro que dominavam a política, 
como as aspirações dos trabalhadores pela regulamentação das Leis Trabalhistas, a 
anistia que beneficiaria tenentes condenados pelas revoltas políticas e pelo 
programa instituindo o voto secreto e o voto feminino. 
Em outubro de 1929, os países capitalistas foram surpreendidos pela crise 
econômica americana – a quebra da Bolsa de Valores de Nova York - influenciando 
política e economicamente vários países, inclusive o Brasil. 
Em meio à crise econômica e política, Vargas afasta o presidente Washington Luís e 
inicia seu governo. 
Com promessas de mudanças, esperava-se também maior preocupação com a 
questão educacional. Era necessário preparar o Brasil para a nova realidade 
econômica que se estabelece: a industrialização. 
 
 
72 
Sociologia da Educação 
Com as propostas, a questão educacional ganhou destaque. O governo Vargas cria 
escolas que atendem à formação de mão de obra de que o país necessitava. 
De maneira rápida, o país reconhece a característica política do Governo Vargas. A 
ação centralizadora se reflete no fechamento do Congresso Nacional e na 
intervenção aos Estados, determina as regras da Economia e dos sindicatos e coloca 
em prática a política trabalhista. 
Em 1934, promulga uma nova Constituição, com características nacionalistas e 
protecionistas. Cria-se o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e leis de 
proteção ao trabalhador (regulamentação do trabalho de mulheres e menores, 
concessão de férias e jornada de trabalho de 8 horas). Veja: 
 
Previa a nacionalização progressiva das minas, jazidas 
minerais e quedas- d’água, julgadas básicas ou essenciais à 
defesa econômica ou militar do país... No título referente à 
Família, Educação e Cultura, a Constituição estabelecia o 
Ensino Primário gratuito e de frequência obrigatória. O 
ensino religioso seria de frequência facultativa nas escolas 
públicas, sendo aberto a todas as confissões e não apenas à 
católica (FIGUEIREDO, 1996, p. 352). 
 
As mulheres passam a ter destaque especial na sociedade, participando do mercado 
de trabalho, da educação e da vida política. Institui-se o voto feminino. Na 
Constituição, fica proibido fazer diferenças salariais por discriminação de sexo. 
Em 1930, cria-se o Ministério da Educação e Saúde, instrumento de propaganda do 
governo e de controle ideológico. As comemorações cívicas com a figura de Vargas 
são constantes nas instituições escolares (desfiles, festas); as capas dos livros e dos 
cadernos trazem seu retrato sempre com uma imagem paternalista. 
A inclusão da obrigatoriedade e gratuidade do Ensino Primário não modifica a 
estrutura cultural do país, pois esse aspecto, apesar de constar em lei, não se 
concretiza. 
 
 
 
 
73 
Sociologia da Educação 
A reforma educacional ficou sob responsabilidade do mineiro Francisco Campos, 
que implanta mudanças de caráter renovador para a educação nacional. Organiza a 
Universidade do Rio de Janeiro, o Conselho Nacional de Educação, os ensinos 
secundários, comerciais e a formação do magistério secundário. 
Percebendo as manobras políticas na Educação, um grupo de reformadores 
sobressai, como Anísio Teixeira, Fernando Azevedo e Lourenço Filho, e lança o 
Manifesto dos Pioneiros da Educação Nacional (1932), documento que expressa o 
ideal educacional para a época, salientando a relação entre educação e 
desenvolvimento – democratizar e transformar a sociedade por meio da Escola. 
Apregoa a necessidade de reestruturar a Educação; considera que esta deve ser 
vista como um problema social. O documento, elaborado pelos pioneiros da Escola 
Nova, é de vital importância porque defendia a Educação obrigatória, pública, de 
qualidade, gratuita e leiga, universal. 
As propostas dos adeptos da Escola Nova não se efetivaram. Mas suas ideias 
permaneceram e foram bandeira de movimentos futuros. 
O período de debates e democracia acabou quando os interesses políticos se 
tornaram mais fortes e as eleições, que estavam previstas para o ano de 1938, não 
acontecem, devido às manobras das frentes que apoiavam o governo. 
Em 10 de novembro de 1937, tem início o Estado Novo: - A Ditadura de Vargas. 
 
3.1.2.1 Educar para produzir (um pouco mais do histórico político social) 
A centralização política foi característica marcante no Governo Vargas e as 
mudanças efetuadas deixavam claro que as ideologias populistas e nacionalistas 
estavam presentes em todos os segmentos. Assim, as reformas educacionais pelas 
mãos do Ministro Gustavo Capanema salientam mudanças, as quais demonstraram 
o sentido patriótico do ensino. 
Os decretos leis que vieram para regulamentar a educação receberam o nome de 
Leis Orgânicas do Ensino. Nesse período, o ensino industrial prevaleceu com a 
criação do SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial e a lei do Ensino 
Comercial. Pode-se observar tais fatos em um dos artigos destas Leis: 
 
 
 
74 
Sociologia da Educação 
Figura 3: Educação 1940 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: http://www.agencia.ac.gov.br/acre-vence-desafios-na-educacao-e-desponta-no-
cenario-nacional/ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nessa época, foi regulamentada a lei do Ensino Primário, Ensino Normal e a criação 
do SENAC - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial. O ensino de segundo 
grau criou dois ciclos: 
 
- o primeiro ciclo era o Curso Ginasial com a duração de 4 anos, 
- o segundo ciclo, subdividido em Clássico e Científico. 
 
 
 Formar, em prosseguimento da obra educativa do ensino primário, a 
personalidade integral dos adolescentes. 
 Acentuar e elevar, na formação espiritual dos adolescentes, a 
consciência patriótica e a consciência humanística. 
 Dar preparação intelectual geral que possa servir de base a estudos 
mais elevados de formação especial. 
 
O artigo 1º das Finalidades da educação secundária 
http://www.agencia.ac.gov.br/acre-vence-desafios-na-educacao-e-desponta-no-cenario-nacional/
http://www.agencia.ac.gov.br/acre-vence-desafios-na-educacao-e-desponta-no-cenario-nacional/
 
 
 
75 
Sociologia da Educação 
Dentre as propostas educacionais, está a inclusão do ensino de História do Brasil e 
Geografia do Brasil, em separado de História Geral e Geografia Geral. 
As críticas ao ensino profissionalizante do período Vargas recaem sobre a forma 
como deixa evidente a separação entre a educação da elite e a educação para os 
pobres. 
O lema é: Educar para produzir. As escolas profissionalizantes têm objetivos de 
formar mão de obra que atenda aos interesses das empresas, do comércio e das 
indústrias, destinadas à classe popular, enquanto a formação do segundo grau é 
voltada para preparar os jovens para ingressar nos cursos superiores, a que poucos 
tinham acesso. 
No cenário mundial, o momento é de guerra: Aliados (Estados Unidos, França, 
Inglaterra e Rússia) e Eixo (Alemanha, Itália e Japão) disputam a supremacia mundial. 
É a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945). 
Enquanto isso, no Brasil, convive-se com a centralização política. Vargas dizia ”O 
Estado é océrebro da nação”. Com a vitória dos Aliados, o Estado autoritário 
perde forças. Vargas é afastado do poder. Eurico Gaspar Dutra vence as eleições e 
assume o governo em 1946. Uma nova Constituição é aprovada, refletindo a fase 
política de democratização. 
O povo espera por mudanças. O momento é propício para implantar projetos de 
educação democrática. Os adeptos da Escola Nova se organizam para implantar as 
reformas tão esperadas. 
Novo ministério é formado e Clemente Mariani apresenta o projeto da Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação, um conjunto de leis que tem como objetivo 
reorganizar a Educação brasileira. Mas os debates, que seriam saudáveis para a 
democracia, sinalizam para a estagnação da Educação. 
As frentes políticas não entravam em acordo, principalmente no que se referia ao 
ensino público e privado. Alguns educadores lutam para preservar os princípios de 
Educação liberal, obrigatória, gratuita e democrática, fato que desagrada ao grupo 
conservador. 
Sem definição quanto ao caminho da Educação e a quais interesses deveria atender, 
a política educacional do governo de Vargas continuou vigorando. 
 
 
76 
Sociologia da Educação 
Com as eleições de 1950, Getúlio volta ao poder, acentuando as políticas populistas 
e nacionalistas contrárias aos interesses nacionais e internacionais. 
Nessa fase, direciona seu governo para as obras de desenvolvimento do país, como 
as áreas da siderurgia, petroquímica, energia. Estabelece o monopólio estatal do 
petróleo; cria a Petrobrás (1953). 
Não consegue controlar a crise econômica e os preços dos produtos básicos 
sobem de forma descontrolada, o que provoca onda de protestos e greves. 
No dia 1º de maio, o governo toma uma medida radical para conter os protestos 
dos trabalhadores: aumenta o salário mínimo em 100%. A inflação dispara, os 
protestos continuam, o aumento do salário desagrada aos empresários, e as 
medidas nacionalistas assustam as multinacionais. 
A crise se agrava com o atentado na rua Toneleros, onde Carlos Lacerda, jornalista 
e político que combatia o governo Vargas em seu jornal “A Tribuna”, foi ferido e o 
major Vaz assassinado. Esse episódio agrava a situação política e social. 
A falta de apoio de antigos correligionários e a crise que se instalara pressionam 
Vargas a abandonar o governo, como já havia ocorrido no ano de 1945. Não 
resistindo ao impasse, o presidente se mata em 24 de agosto de 1954. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O país tenta superar a crise com as eleições em 1954. Eleito o mineiro JK. Assim, 
como o povo espera por mudanças, a Educação também espera pela aprovação da 
LDBN que continuava em discussão, desde a Constituição de 1946. Lembra-se? 
Jornal do Século XX – O presidente Getúlio Vargas 
suicidou-se às 8h35 de hoje, com um tiro no 
coração, em seus aposentos do terceiro andar do 
Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Três horas 
antes, ele entregara ao Ministério uma carta 
licenciando-se do cargo, sob intensa pressão das 
Forças Armadas. - Jayme Brener - (1998, p. 195). A 
morte do presidente provoca comoção geral, até 
mesmo os grupos que o pressionavam não previam 
o desfecho trágico. 
 
 
 
 
 
77 
Sociologia da Educação 
Tem início a fase desenvolvimentista baseada na internacionalização da economia. 
O lema de JK era “Cinquenta anos de progresso em cinco anos de governo”. Para 
isso, prepara um projeto que tinha 30 metas, reunidas no Plano de Metas. 
O Plano de Metas é colocado em ação – energia, transportes, alimentação, 
indústrias de base e educação. Em seu governo cria a SUDENE, com objetivos de 
desenvolver o Nordeste, constrói a nova capital, Brasília, corta o país com rodovias, 
constrói Furnas e Três Marias. Instala fábricas de eletrodomésticos e multinacionais, 
como a Scania, General Motors, Volkswagem, Ford e outras. 
Mas nem tudo foi maravilha. Seu governo enfrentou resistências, tentativa de 
golpes, escalada inflacionária, rompimento com o FMI, oposição da UDN, greves, 
denuncias de corrupções. 
Enquanto isso, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação continuava em votação. 
As eleições presidenciais de 1960 elegem Jânio Quadros. 
Durante os sete meses de governo, Jânio é considerado polêmico, prega contra o 
comunismo, mas condecora Che Guevara com A Ordem do Cruzeiro do Sul; proíbe 
desfiles de mísseis e biquínis nas praias; pratica uma política independente dos 
Estados Unidos, contrariando sua base de apoio. Tenta fazer um governo distante 
do Congresso, mas renuncia em agosto de 1961. Espera o apoio popular, das 
massas, mas ficou sozinho. 
Em meio a essa grave crise institucional, João Goulart que estava em viagem oficial à 
China, volta, mas é impedido pelas Forças Armadas de assumir o governo, e tem o 
apoio do governador Leonel Brizola que inicia a Campanha da Legalidade, forçando 
o cumprimento da Constituição Federal. 
Para resolver o impasse, o Congresso aprova o sistema Parlamentarista. O 
presidente acata a medida e o golpe é adiado. O mineiro Tancredo Neves é 
escolhido Presidente do Conselho de Ministros. 
Foi neste período que a LDBN é aprovada em 20 de dezembro de 1961 - Lei 
nº4.024/61. 
O governo de João Goulart é apoiado pelo Partido Comunista, pelas Ligas 
Camponesas, pela baixa oficialidade, por intelectuais, estudantes, grupos radicais do 
 
 
78 
Sociologia da Educação 
PTB que exigem tomada de posições do Presidente contra a exploração capitalista. 
Goulart toma medidas que ameaçam os interesses das multinacionais, da alta 
oficialidade, dos latifundiários e empresários, com o projeto que limitava a remessa 
de lucros para o exterior, a nacionalização de empresas, o apoio aos movimentos 
dos militares de baixa patentes, o aumento do Salário Mínimo e as Reformas de 
Base: Reformas Bancária, Tributária, Urbana, Rural e Educacional. 
Nesse período, fortaleceu a Pedagogia Libertadora ou Problematizadora de Paulo 
Freire, associada à Educação de Adultos, enfatizando o homem como “sujeito 
histórico” do processo ensino-aprendizagem. 
Sua proposta combate a educação convencional, que é adotada no país, e que 
atende aos interesses políticos e econômicos, mantendo privilégios, pois não 
permitia um trabalho de conscientização e transformação da sociedade brasileira. A 
educação bancária, como era definida por Freire, está embasada em dez princípios: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1- O professor ensina, os alunos são ensinados. 
2- O professor sabe tudo, os estudantes não sabem 
nada. 
3- O professor pensa, e pensa pelos estudantes. 
4- O professor fala e os estudantes escutam. 
5- O professor estabelece a disciplina e os alunos 
são disciplinados. 
6- O professor escolhe, impõe sua opção, os alunos 
submetem. 
7- O professor trabalha e os alunos têm a ilusão de 
trabalhar graças à ação do professor. 
8- O professor escolhe o conteúdo do programa e 
os alunos – que não são consultados - se adaptam. 
9- O professor confunde a autoridade do 
conhecimento com sua própria autoridade 
profissional, que ele opõe à liberdade do aluno. 
10- O professor é sujeito do processo de formação, 
os alunos são simples objetos 
(JUNIOR , 1990, p.122). 
 
 
 
 
 
79 
Sociologia da Educação 
Propõe um processo pedagógico voltado para a pesquisa, para temas geradores, 
para o diálogo, para a conscientização e para ação social, envolvendo todas as 
classes sociais, mas principalmente as camadas mais pobres e populares. 
A crise política acentua-se. A instabilidade e o imobilismo do Congresso permite às 
classes, que não coadunam com o governo de “Jango”, também se articularem, 
reforçando as pretensões das Forças Armadas. 
Em 13 de março de 1964, João Goulart faz inflamado discurso na Central do Brasil, 
RJ, pregando a necessidade de reformar o capitalismo brasileiro. A crise dentro da 
hierarquia do Exército precipita a mobilização militar. 
Em 31 de março de 1964, as Forças Armadas se unempara assumirem o governo 
do país. É declarado vago o cargo de Presidente da República. 
 
 
 
 
 
Desde a revolução de 1930, o país passou por períodos distintos, com governos 
populistas mesclados por períodos de democracia, autoritarismo e nacionalismo. 
Ocorrem várias mudanças no contexto social, como o êxodo rural e a vida urbana, 
tomando contornos diferenciados. As mudanças no mercado de trabalho são 
acrescidas pela presença da mulher; cresce o consumo e ficam evidentes as 
diferenças de classes sociais. Os meios de comunicações têm papel de destaque na 
área cultural: rádios, jornais, revistas, almanaques e a TV que chegou ao país na 
década de 50. 
Os “Anos Dourados” das décadas passadas, que destacaram obras de Gilberto 
Freire, mostrando as contribuições da raça negra e indígena para a cultura brasileira 
na obra “Casa-Grande e Senzala”. Destacam-se música erudita de Heitor Villa-
Lobos e a popularidade da Bossa Nova, as poesias de Carlos Drummond de 
Andrade e os romances de Guimarães Rosa e Graciliano Ramos. 
“Nenhuma ordem opressora suportaria que os oprimidos perguntassem: 
Por quê?” 
Paulo Freire 
 
 
80 
Sociologia da Educação 
No teatro, Nelson Rodrigues, e no cinema, Glauber Rocha transpõe para a tela 
temas sociais; o filme “O Pagador de Promessas” de Anselmo Duarte faz história, é 
premiado com a Palma de Ouro do Festival de Cannes. 
Nesse panorama, tem início a nova fase política brasileira, era o ano de 1964. 
As medidas dos governos militares refletem na economia, na cultura, na ideologia e, 
principalmente, na Educação, pois esse segmento devia “preparar e assegurar” 
condições de governabilidade ao Estado e desenvolvimento para as classes que 
apoiam as mudanças propostas pelos governos militares. 
O governo com o ideal salvacionista do Exército resolveria, em curto espaço de 
tempo, os problemas que afligiam a burguesia e os grupos que tinham os seus 
interesses ameaçados. 
Em eleição indireta, o Alto Comando Militar escolhe para Presidente o Marechal 
Castello Branco. O governo inicia as mudanças econômicas, tendo como eixo a 
concentração de renda promovida pela redução salarial, pela tributação, pela 
expansão do crédito ao consumido, com incentivos ao financiamento e abertura da 
economia brasileira com atrativos aos investimentos estrangeiros. 
Quanto ao aspecto político, a centralização é característica do governo, com o 
fortalecimento do Executivo, exercido por militares ou aliados, controlando a 
estrutura partidária, extinguindo o pluripartidarismo e aplicando o bipartidarismo - a 
ARENA aliada ao governo e o MDB fazendo a oposição. O governo censura os 
meios de Comunicação; a lei de Imprensa e a lei de Segurança Nacional ficam ainda 
mais rigorosas com o decreto do AI nº - 5; havia repressão política, intervenções 
em sindicatos, em organizações e escolas. 
3.1.3 Os meios de educação social e a educação 
É essencial que você entenda que, em geral, estamos envolvidos em uma realidade 
social, isso pode parecer óbvio para você, mas é importante que possamos trazer 
para as nossas discussões reflexivas em relação à proposta formativa. Pois, ao se 
considerar que estamos imersos em uma realidade social, considera-se que o 
tempo todo nos relacionamos com essa realidade, nos adequando aos meios em 
que estamos inseridos, e correndo o risco de nos sentirmos desadequados ao 
 
 
 
81 
Sociologia da Educação 
nosso meio social, o que pode gerar, como consequência, o que muito já se 
conhece: os diversos problemas psíquicos. 
De acordo com Nery (2013): 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A imagem a seguir reflete uma ideia de ascensão reflexiva, observe! Perceba! 
Percepções 
 
Fonte: Design Educacional Unis EaD 
 
Mas que ascensão é essa? 
Na concepção de educação como fator de equalização social, a educação escolar 
aparece como redentora de todos os problemas da sociedade, seja de natureza 
social, política ou econômica. Como um dos expoentes dessa concepção 
Com efeito, o fato de nos sentirmos não 
enquadrados em nosso meio social gera sofrimento 
de ordem psíquica, o que faz com que nossa 
personalidade possa, em certos momentos, 
desintegrar-se e encontrar-se em um ego 
esburacado, como nos diz fundamentalmente a 
psicanálise. Portanto, a educação, em sua concepção 
mais ampla, de certa forma, nos protege contra a 
desfragmentação do ego. 
 
Caso tenha interesse em se aprofundar um pouco 
mais no assunto, acesse o livro na biblioteca Virtual 
do UNIS - Sociologia da Educação - Maria Clara 
Ramos Nery. 
 
 
 
82 
Sociologia da Educação 
educacional, encontra-se Émile Durkheim, cujas ideias sobre o fenômeno 
educacional vimos na Unidade 1. 
 
 
 
 
 
 
Então, como fato social, a Educação desenvolve um papel fundamental na 
socialização do indivíduo. Entretanto, somente alcançará seus objetivos se for 
realizada de acordo com os interesses que a sociedade define como condições 
necessárias à sua manutenção. 
É importante que você compreenda que, na perspectiva de Durkheim, a educação 
não se apresenta como um elemento para a mudança social e sim para a 
conservação e funcionamento do sistema social. Como sinônimo de ajustamento 
social, ela deve ser capaz de adaptar o indivíduo à ordem social vigente, motivo 
pelo qual Durkheim (1975) enfatizava que a importância do processo educacional 
se baseia em sua função de transmitir a cultura na sociedade. 
Então... A questão é essa na visão de Durkheim: 
 
 
 
 
 
 
Na contramão desse processo, temos que o processo educativo assume a função 
de equalizador de oportunidades, a escola veiculava o discurso de que precisava 
garantir a possibilidade de educar a todos indiscriminadamente, evitando que a 
educação fosse monopolizada por grupos com interesses particulares. 
Lembra-se que comentamos que esse pensador 
social considera que, além da Educação traduzir uma 
doutrina pedagógica, ela é um fato social? 
 
A educação é encarada como um processo de adaptação do homem à 
sociedade, e quando analisada no âmbito escolar, a educação restringe-se à 
mera transmissão de conhecimentos, fazendo com que, sistematicamente, 
tradições e regras sociais sejam defendidas pela escola, visando a manter o 
equilíbrio social. Assim, a educação perpetua e reforça essa 
homogeneidade, fixando desde cedo, na alma da criança, as semelhanças 
essenciais que a vida coletiva supõe. 
 
 
 
83 
Sociologia da Educação 
Isso seria o ideal, concordam? 
Mas, o que temos: 
 
Nessas lutas, encontramos considerações para uma reflexão mais aprofundada. 
Assim, devemos refletir que, como todos são colocados em iguais condições de 
aprendizagem, devem ser tratados igualmente; tanto o êxito quanto o fracasso 
precisam ser atribuídos a cada indivíduo, independentemente da sua condição 
social. 
Se partirmos dessas considerações, podemos compreender que não é a condição 
social dos indivíduos que leva ao fracasso ou sucesso. 
 
É urgente e necessário reconhecer a potencialidade de cada um para o 
aprendizado. Nesse contexto, não há questionamento em relação à realidade social 
dos indivíduos, de forma que os possíveis fracassos são entendidos como 
decorrentes do desinteresse ou da capacidade intelectual de cada um. 
 
Entretanto, à medida que ocorre a defesa
dessa equalização, a escola começa a lidar
com o conflito decorrente da convivência
das crianças originárias das classes
trabalhadoras...
Com aquelas provinientes da classe
dominante. Esse dilema pode ser traduzido
da seguinte forma: os filhos da classe
trabalhadora procuram encontrar na
educação uma oportunidade de ascensão
social; e os da classe dominante tentam
manter, também via educação, o domínio
já assegurado pela classe social.
 
 
84 
Sociologia da Educação 
 
É de fundamental importância que você compreenda que, dentro das classificações 
que envolvem as instituições educacionais, a escola possui um carátersistematizador, aquele em que a educação é formalizada no sentido de mediar 
condições para que o indivíduo se promova no âmbito social. Uma escola que não 
respeita e valoriza os estudantes está na contramão de ações contemporâneas. 
 
Pois, ao não ofertar à comunidade escolar oportunidades para que seus alunos 
sejam protagonistas (juntamente com os educadores), está cerceando o processo 
de construção de seu próprio conhecimento rumo a uma sonhada e necessária 
autonomia que lhes permita atuar de forma consciente e transformadora das 
realidades em que vivem. 
 
Em suma, uma instituição de ensino que não se preocupa em ofertar uma educação 
que possibilite a transformação dos indivíduos, que tem como prática a simples 
conformação de deixar seus alunos ali sentados, pasmos, a observar as peripécias e 
malabarismos de seus mestres, não está colaborando com a estruturação de 
mentalidades que venham a dar conta de refletir a sua própria existência e sem 
possibilidades de ultrapassar as condições impostas pela determinação de outrem. 
 
A escola ocupa papel de destaque como aparelho ideológico, pois funciona para 
preservar as características sociais, que atendam aos interesses das elites e à ordem 
estabelecida. Dentre os pensadores que criticavam a Educação Reprodutiva da 
sociedade, estão Louis Althusser, Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron, Cristian 
Baudelot e Roger Establet. Identificando esses aparelhos ideológicos, Althusser 
(1985. p.68) afirma que: 
 
 
 
 
 
 
85 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A escola capitalista, segundo Althusser, é aquela que reproduz a sociedade e impõe 
a cultura de interesse das classes dominantes. Afirma que, na atualidade, a Escola 
substituiu a Igreja no controle ideológico da sociedade; pois é no ambiente escolar 
que é um espaço de presença obrigatória e onde a criança ou o jovem permanece 
grande parte do tempo, que se estabelecem as relações e interações. Além da 
aprendizagem sistemática, científica, outros tipos de conhecimentos e informações 
são cristalizados. 
Bourdieu e Passeron sustentam a ideia de que a escola reproduz os interesses do 
Capitalismo. Fundamentam suas análises nas relações entre o sistema de ensino e o 
sistema social, concluindo que a origem social do educando influencia em sua 
formação, que existe uma seletividade no sistema escolar, excluindo as classes 
populares do ensino superior. 
[...] designamos pelo nome de aparelhos ideológicos 
do Estado um certo número de realidade que 
apresentam-se ao observador imediato sob a forma 
de instituições distintas e especializadas... Podemos 
considerar como aparelhos ideológicos do Estado as 
seguintes instituições (a ordem de enumeração não 
têm nenhum significado especial): 
 
AIE religiosos (o sistema das diferentes igrejas) 
AIE escolar (o sistema das diferentes escolas 
públicas e privadas) 
AIE familiar 
AIE jurídico 
AIE político (os diferentes partidos) 
AIE sindical 
AIE de informação (a imprensa, o rádio, a televisão, 
etc.) 
AIE cultural (Letras, Belas Artes, esportes, etc.)”. 
 
 
 
86 
Sociologia da Educação 
A ordem econômica vigente – Capitalismo –, que regula as relações de produções, 
trocas e acumulações, reflete também na Educação. Dessa forma, Baudelot e 
Establet afirmam que existe uma escola capitalista, pois estamos vivendo em uma 
sociedade de classes sociais, e a divisão econômica reflete tanto na escola quanto 
no meio social. Identificaram que os interesses da burguesia são reproduzidos por 
essa instituição, pois existem duas escolas, uma burguesa e outra operária. 
Currículos, programas, projetos, incentivos, materiais, tecnologias, métodos e 
salários diferenciam também essa divisão no ensino. 
 
 
 
 
 
 
 
É importante que você saiba que, no Brasil. existem educadores e sociólogos que 
contribuíram para as reflexões, questionamentos e análises da realidade social 
brasileira. Dentre eles, Carlos Rodrigues Brandão, Dermeval Saviani, Paulo Freire e 
Florestan Fernandes desenvolveram propostas e métodos para efetivação da 
Educação como ato político, de conscientização e de libertação. Assuntos que 
vamos nos aprofundar com pesquisas e discussões ao longo da disciplina. 
 
3.2 Educação contemporânea 
As nossas discussões, até aqui, giraram em torno do processo que envolve os 
conceitos sociológicos e educacionais em uma perspectiva determinante em relação 
às mudanças sociais e à educação, a partir dos aspectos históricos. 
 
Assim, os processos globalizantes, econômicos e políticos permeiam os preceitos 
sociais ao mesmo tempo em que estruturam os sujeitos e as relações que 
direcionam a formação social. 
Você já observou essa realidade em seu meio social? 
Que essas afirmações estão presentes em nossas 
discussões sobre Educação? Pense sobre essas 
questões, identifique se você observa as 
considerações acima ao seu redor? 
 
 
 
 
87 
Sociologia da Educação 
Nesse contexto, tratar dos aspectos relevantes para a formação em sociologia da 
educação é o mesmo que dar ferramental ao professor para a prática social dentro 
das unidades escolares, é ofertar uma oportunidade reflexiva para a compreensão 
dos processos que envolvem o fazer educacional. 
Falar em contemporaneidade é adentrar em discussões mais profundas, é 
compreender que a sociedade atual se delineia com outras perspectivas. Os 
conceitos fundamentais de estrutura social, processos sociais, relações de poder e 
educação, a partir do século XX, possuem considerações amplas, globalizantes, 
polarizadas, no sentido de se ter várias influências das diversas sociedades 
constituídas atualmente. 
Portanto, o conceito de estrutura social é de fundamental importância para a análise 
sociológica, com vistas a uma análise da vida social, das vivências individual e grupal 
nos contextos sociais. 
 
 
 
 
 
 Estrutura Social 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: istock.com 
Mas, o que vem a ser esse conceito de estrutura 
social? Como se constitui e serve de aparato para a 
compreensão das organizações sociais? 
 
 
 
88 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.2.1 O conceito de estruturação social 
Saiba que o conceito de ESTRUTURA SOCIAL possui uma importância 
fundamental para as análises em sociologia. Nery (2013) indica que: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para ampliar os conceitos sobre a Educação 
contemporânea, convido-o(a) a explorar o seguinte 
texto: A teoria sociológica contemporânea da 
superdeterminação pela teoria à historicidade - 
 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi
d=S0102-69922010000100002 
 
 
Não existe sistema social que esteja isento de uma 
estrutura; esta nos permite explicar as diferenças 
entre os sistemas sociais e os padrões sociais que 
regem as experiências de indivíduos e grupos no 
contexto das sociedades. Em suma, o conceito de 
estrutura possibilita chegar à compreensão da vida 
social. (p. 116) 
 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69922010000100002
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69922010000100002
 
 
 
89 
Sociologia da Educação 
Analise a imagem a seguir: 
 
Estrutura em rede 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: istock.com 
Analisou? 
Veja que há uma relação entre os elementos (indivíduos) que fazem parte de um 
todo social. 
 
Johnson( 1997) informa-nos que é pelas relações sociais que se estabelece que 
podemos compreender os sistemas sociais, na medida em que as relações se 
constituem no grande elo entre as partes que constituem o todo. Afirma ainda que 
“as partes podem variar das posições que indivíduos ocupam a sistemas inteiros, 
como grupos, organizações, comunidades e sociedades”. Esse autor contextualiza as 
relações sociais explicando que elas possuem caráter variável, estando intimamente 
relacionadasà estrutura, ou melhor, as partes sociais possuem características 
estruturais, como as de poder, de papéis sociais desempenhados pelos indivíduos 
ou grupos, estruturas educacionais, religiosas, de comunicação, entre outras que 
envolvem as atividades em sociedade. 
 
 
 
90 
Sociologia da Educação 
Nesse contexto social, as estruturas são formas de ligações que os indivíduos e 
grupos constituem para as relações interativas e que se desenvolvem em sociedade. 
É essa interatividade que os meios educacionais precisam compreender, ou seja, em 
uma análise sociológica, é importante que se entenda as estruturas sociais pelas 
quais uma determinada sociedade está inserida. A educação, por sua vez, deve 
envolver-se com tais análises, pois os indivíduos, grupos sociais e sistemas de ensino 
estão emaranhados em um processo de interligação social. 
A educação contemporânea possui outras formas de relações sociais, outros 
mecanismos de convivência em sociedade. Assim, nós, educadores, precisamos 
compreender que o que mediamos dentro das unidades escolares tem relação 
direta com as estruturas sociais estabelecidas fora dos muros da escola. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para ampliar a compreensão sobre tais estruturas, 
convido-o (a) a explorar um pouco mais o tema nos 
textos indicados a seguir. 
 
 
Nova capacitação para um novo século e uma nova 
educação - Por Francisco Imbernóm – 
https://loja.grupoa.com.br/revista-
patio/artigo/6912/nova-capacitacao-para-um-novo-
seculo-e-uma-nova-educacao.aspx 
 
Novas perspectivas para a educação - Moacir 
Gadotti – 
https://loja.grupoa.com.br/revista-
patio/artigo/6692/novas-perspectivas-para-a-
educacao.aspx 
 
 
https://loja.grupoa.com.br/revista-patio/artigo/6912/nova-capacitacao-para-um-novo-seculo-e-uma-nova-educacao.aspx
https://loja.grupoa.com.br/revista-patio/artigo/6912/nova-capacitacao-para-um-novo-seculo-e-uma-nova-educacao.aspx
https://loja.grupoa.com.br/revista-patio/artigo/6912/nova-capacitacao-para-um-novo-seculo-e-uma-nova-educacao.aspx
https://loja.grupoa.com.br/revista-patio/artigo/6692/novas-perspectivas-para-a-educacao.aspx
https://loja.grupoa.com.br/revista-patio/artigo/6692/novas-perspectivas-para-a-educacao.aspx
https://loja.grupoa.com.br/revista-patio/artigo/6692/novas-perspectivas-para-a-educacao.aspx
 
 
 
91 
Sociologia da Educação 
 
3.2.2 O conceito de sujeito 
Ao pensarmos no sujeito nos tempos atuais, deve-se compreender que ele é um 
ser social inserido em um contexto e que cada indivíduo determina e é 
determinado pelo seu meio social. Também é importante considerar que: 
 
 
Tauraine (2003) evidencia que o sujeito possui a seguinte sistematização: 
 
 
 
 
 
Pensar no sujeito em sociologia é pensar no agente,
naquele que atua na sociedade, que é influenciado por
ela, mas que também influência.
Não se encontra solto, não pode ser visto em seu si
mesmo, mas contido no emaranhado das relações
sociais que regem a vida cotidiana.
O sujeito social encontra-se inserido em uma
estrutura, em um espaço social, e com ele interage.
O sujeito pode ser compreendido como uma
personalidade que se socializa, que é levada a
adequar-se ao seu meio social envolvente e que sofre
em si os determinantes desse mesmo meio.
O sujeito não é simplesmente uma forma da razão. Ele só existe 
mobilizando o cálculo e a técnica, mas, da mesma forma, memória e a 
solidariedade e, sobretudo, batalhando, indignando-se, esperando, 
inscrevendo a sua liberdade pessoal em combates sociais e liberações 
culturais. O sujeito, mais ainda que razão, é liberdade, libertação e negação. 
(TOURIANE, 2003, p. 75) 
 
 
92 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem: O sujeito e a diversidade - http://terceiroano-
csjd2.blogspot.com.br/2015/03/revisando-8-ano-e-b.html 
 
 
Observe que o autor, em suas declarações sobre o contexto dos sujeitos e sua 
prática, revela-nos um sujeito que possui lutas, fragilidades e se constrói 
paulatinamente. Uma construção que está diretamente ligada ao seu afazer diário, 
dotado, portanto, de potencialidades para a transformação do meio em que está 
inserido, como também propenso a fragilidades que esse meio oferece. 
 
 
 
 
 
 
 
 
A construção do sujeito não culmina jamais na organização de um espaço 
psicológico, social e cultural perfeitamente protegido. O afastamento da 
mercadoria e da comunidade nunca está totalmente acabado. O espaço da 
liberdade se vê constantemente invadido e do sujeito se constitui não 
somente por aquilo que rejeita, mas também pelo que afirma. Ele não é 
nunca senhor de si mesmo e do seu meio e sempre faz alguma aliança com 
o diabo contra os poderes estabelecidos, com o erotismo que subverte os 
códigos sociais e com uma figura supra-humana, dividida de si mesmo. 
Aqueles que reduziram o ser humano àquilo que ele faz o encerram da 
dependência em face da técnica, das empresas e dos estados. O sujeito 
deve trapacear com as categorias da prática social. Longe de ser o arquiteto 
de uma cidade ideal, ele faz postiças combinações sempre limitadas e 
frágeis entre a ação instrumental e a identidade cultural, extraindo a 
primeira do mundo da mercadoria e a segunda do espaço comunitário. 
(TOURIANE, 2003, p. 79-80)Imagem: O sujeito e a diversidade - http://terceiroano-
csjd2.blogspot.com.br/2015/03/revisando-8-ano-e-b.html 
Em síntese, o sujeito, ao ser considerado como 
agente social, não pode ser visto como um ser 
passivo. Portanto, no meio educacional, cada 
indivíduo possui a sua estrutura social e traz consigo 
toda a potencialidade para ser formado e 
transformado, mas, ao mesmo tempo, traz suas 
marcas históricas sociais; assim, é transformador dos 
espaços aos quais ocupa. 
 
http://terceiroano-csjd2.blogspot.com.br/2015/03/revisando-8-ano-e-b.html
http://terceiroano-csjd2.blogspot.com.br/2015/03/revisando-8-ano-e-b.html
 
 
 
93 
Sociologia da Educação 
É de fundamental importância que o docente e o profissional da educação 
compreendam que: 
 
 
 
 
 
 
 
3.2.3 O conceito de processos sociais 
 
Processo é uma palavra que possui as seguintes características: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O sujeito não se constitui fora do espaço social, fora da relação que 
estabelece com as estruturas sociais vigentes, ele se faz nesse processo de 
interação intensa com a estrutura na qual se encontra contido. [...] Aqui 
estamos diante de uma relação que podemos dizer entre criador e criatura, 
na medida em que o homem constrói todo um universo social que sobre 
nós exerce suas influências. ( NERY, 2013, p. 119) 
1 Método, sistema, modo de fazer uma coisa. 
2 Conjunto de manipulações para obter um 
resultado. 
3 O conjunto dos papéis relativos a um negócio. 
4 Conjunto dos autos e mais documentos escritos 
numa causa cível ou criminal. 
5 Processamento. 
6 Seguimento, decurso. 
7 Marcha das fases normais ou mórbidas dos 
fenômenos orgânicos. 
8 Demanda, ação. 
9 Processo sumário: aquele que, em atenção à 
brevidade, dispensa certas formalidades. 
(AURÉLIO, https://dicionariodoaurelio.com/processo) 
 
 
94 
Sociologia da Educação 
Ao se falar em processo, principalmente o educativo, estamos nos referindo a uma 
sistematização que envolve métodos, modos de fazer, manipulações de resultados, 
processamento, dentre outras características básicas que envolvem o conceito. 
Agora, pensar a educação e a sua relação com os processos sociais tem efeito 
abrangente. Abrange as interações entre os sujeitos e as estruturas sociais, análises 
que apontamos nos itens anteriores. É uma relação que envolve o criador e a 
criatura, como bem indica Nery (2013): 
 
 
 
 
 
Rodrigues (2007, p.86) considera que, entre os sujeitos sociais e os processos 
sociais, “o sociólogo precisa ter sempre um olho para as estruturas (aquilo que está 
estabelecido) e outro olho para os processos (aquilo que estáem mudança)”. É 
importante reconhecer que o processo que envolve a permanência e mudança são 
resultantes da tensão que sempre existirá entre o peso das instituições e a 
capacidade de ação dos sujeitos. Perceba que as práticas dos sujeitos estarão, com 
certeza, orientadas para manter ou mudar os conteúdos das estruturas, isso é 
inerente ao homem: a sua capacidade de alterar o mundo que o circunda. 
 
 
 
 
 
 
 
Pensar em processos sociais também envolve dirigir nosso olhar para as 
mudanças que ocorrem na estrutura, naquilo que se encontra em efetiva 
mudança, pois somos impregnados por essas mesmas mudanças. 
Na contemporaneidade, a relação entre indivíduo e 
sociedade é uma estrutura que tem continuidade, 
mas com uma perspectiva diferenciada, pois a 
relação atual envolve uma ampliação dessa forma 
simples, que durante anos foi analisada pelos 
sociólogos. Em tempos atuais, a relação ocorre 
entre sujeito e estrutura social, que vai explicar toda 
e qualquer relação social, pois a sociedade 
contemporânea traz os aspectos que envolvem a 
globalização, complexidade nas relações (redes 
sociais), e devemos lembrar que a sociedade atual é 
marcadamente excludente. 
 
 
 
 
95 
Sociologia da Educação 
3.2.4 Relação entre poder e processo educativo 
Pensar as relações de poder e processo educativo têm significado importante para a 
relação social que se estabelece nos processos formativos sociais. Assim, alguns 
pontos são relevantes para essa análise sociológica, dentre elas destacamos o que 
questiona Rodrigues (2007, p. 91): 
 
 
 
 
 
 
 
 
É importante destacar que o modo como interagimos com a realidade social e 
pensamos o que está a nossa volta tem relação intrínseca com as construções 
sociais elaboradas pelos grupos sociais. 
 
Nery (2013) destaca que: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Como compreender os debates e conflitos sociais 
que envolvem a educação contemporânea sem levar 
em conta a configuração atual dos conflitos em 
torno da economia e do Estado capitalista? Como 
entender a escola e o ensino atuais sem entender o 
confronto hoje colocado entre os interesses 
privados e a regulamentação do estado? 
 
Nossas visões de mundo e de ser humano 
encontram-se intimamente relacionadas com os 
conflitos e os próprios consensos que se 
estabelecem no interior da sociedade, de certa 
forma, são resultados das relações de poder e de 
força, podendo ser física ou simbólica, que 
indivíduos e grupos podem exercer uns com relação 
aos outros. (p. 122) 
 
 
 
96 
Sociologia da Educação 
Nesse contexto, convido você a refletir sobre tais declarações. A partir disso, 
espera-se que você possa compreender que as relações educacionais não são 
imunes às estruturas de poder que se encontram no contexto social. Na realidade, 
são resultados do poder econômico e político. Poderes estes que determinam as 
ações estabelecidas em sociedade, precisando de uma constante vigilância por parte 
dos agentes educacionais, uma vez que a ideia não é ir contra as estruturas sociais, 
mas compreendê-las para que possam ser refletidas e utilizadas dentro de um ideal, 
como apoio às ações educativas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atividades 
 
1. Com base na leitura realizada nesta unidade, sua 
percepção de mundo e experiência profissional, liste 
características essenciais que o professor 
contemporâneo necessita desenvolver para a 
mediação dos conhecimentos sociais discentes. 
 
2. Argumente sobre a relação entre sujeito, 
estruturas sociais (levando em conta as instituições 
formadoras da sociedade) e as práticas de poder em 
sociedade. Leve em conta a importância da 
educação nessa relação para uma transformação 
social e consciente aos indivíduos. 
 
 
 
 
97 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ao longo desta unidade, refletimos sobre as 
instituições sociais, as suas estruturas e o processo 
que envolve a formação (educação) dos sujeitos, ou 
seja, as contribuições do pensamento sociológico 
para a compreensão da relação entre a educação e 
sociedade, procurando analisar as conexões entre as 
estruturas organizacionais sociais e o trabalho 
desenvolvido por essas estruturas na formação dos 
sujeitos. 
Iniciamos nossas discussões discutindo sobre as 
diversas instituições formadoras, seu processo e 
desenvolvimento ao longo dos tempos. Podemos 
perceber que a educação, em tempos atuais, se 
apresenta como redentora da sociedade, com 
potencialidades para amenizar as desigualdades 
sociais. 
Estudamos a concepção de educação como fator de 
reprodução social, apoiando-nos no pensamento 
dos teóricos críticos-reprodutivistas. 
Aprofundando o estudo, analisamos os aspectos que 
têm contribuído para as propostas que envolvem a 
educação contemporânea e a importância que 
envolve compreender os conceitos de sujeito, 
estruturas sociais e as relações de poder, que 
perduram na prática social. 
 
 
 
 
98 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 Distinguir as características principais da educação vista como 
compensatória; 
 Identificar os fenômenos educativos, elementos que o caracterizam como 
fator de transformação social. 
 
 
 
 
 
 Ciclo 04 
 
 
 
 
 
Unidade IV – Cultura e 
Ideologia. Educação e 
desigualdades sociais. 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
IV 
 
 
 
99 
Sociologia da Educação 
Convido (a) adentrar em uma reflexão que envolve um aprofundamento sobre as 
concepções de educação, no que se refere aos processos ideológicos desta prática. 
Vamos complementar o que já viemos discutindo até agora. O convite é para a 
compreensão sobre os aspectos que envolvem a relação acerca da escola-
sociedade. Vamos tratar da concepção de educação como fator de reprodução 
social, com base em enfoques que aborda: a educação como fator de equalização 
social e como reprodutora social. Essa concepção aborda, na verdade, as relações 
que perpassam a sociedade capitalista, vista como um veículo do sistema 
econômico, um que na realidade é fortalecido no meio social pelas ações e práticas 
educativas. 
O fenômeno educacional como visto em unidades anteriores, é uma ação que 
requer reflexão, pois a equalização social, deve ser pensada e discutida, uma vez 
que o fenômeno educativo pode ser compreendido como um processo de 
resistência cultural e como um elemento que contribui para as transformações 
sociais. Assim, este estudo que iniciamos agora, terá como intencionalidade a 
compreensão das práticas educativas desenvolvidas em uma perspectiva micro – a 
sala de aula e a escola – e outra macro – a realidade social, considerada em sua 
amplitude. 
 
4.1 A educação como fator de reprodução social 
Para iniciarmos este estudo, convido-o(a) refletir sobre o seguinte: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: istock.com 
 
 
 
100 
Sociologia da Educação 
 
 
Refletiu? 
 
Ponderou sobre suas ideias e crenças? 
 
 
 
 
 
 
A concepção educacional processada por nós, tem relação com a particularidade 
vivenciada de forma histórica e individual, uma realidade que vai se constituindo ao 
longo das nossas próprias experiências educacionais. Essa prática particular torna 
impossível a construção de uma defesa de uma educação ideal, perfeita e 
homogênea para todos os homens, de todos os tempos. 
 
 
 
 
 
Qual é a resposta que obtenho quando paro e penso sobre a concepção
que tenho sobre educação? Sua importância e abrangência?
Um exercício importante, para você que será, ou é, 
um profissional da educação, pois ao nos 
oportunizarmos a refletir sobre a prática essencial 
da educação, do nosso ferramental de trabalho 
como docente, estamos, em verdade, verificando 
que a nossa concepção educacional se sustenta pela 
visão de mundo que nos circunda, não é mesmo? 
 
Daí, as concepçõesBRASILEIRA ____________________________ 62 
3.1.2 A INSTITUIÇÃO ESTADO E A EDUCAÇÃO (PROCESSO HISTÓRICO SOCIAL) ________________ 68 
3.1.2.1 EDUCAR PARA PRODUZIR (UM POUCO MAIS DO HISTÓRICO POLÍTICO SOCIAL) ___________ 73 
3.1.3 OS MEIOS DE EDUCAÇÃO SOCIAL E A EDUCAÇÃO _________________________________ 80 
3.2 EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA ________________________________________________ 86 
3.2.1 O CONCEITO DE ESTRUTURAÇÃO SOCIAL _______________________________________ 88 
3.2.2 O CONCEITO DE SUJEITO ___________________________________________________ 91 
3.2.3 O CONCEITO DE PROCESSOS SOCIAIS __________________________________________ 93 
3.2.4 RELAÇÃO ENTRE PODER E PROCESSO EDUCATIVO _________________________________ 95 
UNIDADE IV – CULTURA E IDEOLOGIA. EDUCAÇÃO E DESIGUALDADES SOCIAIS. _____ 98 
4.1 A EDUCAÇÃO COMO FATOR DE REPRODUÇÃO SOCIAL _______________________________ 99 
file://///curimba/GEAD/pubgead/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/2º%20Módulo/Sociologia%20da%20Educação/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Sociologia%20da%20Educação.docx%23_Toc481771240
file://///curimba/GEAD/pubgead/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/2º%20Módulo/Sociologia%20da%20Educação/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Sociologia%20da%20Educação.docx%23_Toc481771241
file://///curimba/GEAD/pubgead/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/2º%20Módulo/Sociologia%20da%20Educação/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Sociologia%20da%20Educação.docx%23_Toc481771242
file://///curimba/GEAD/pubgead/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/2º%20Módulo/Sociologia%20da%20Educação/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Sociologia%20da%20Educação.docx%23_Toc481771243
file://///curimba/GEAD/pubgead/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/2º%20Módulo/Sociologia%20da%20Educação/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Sociologia%20da%20Educação.docx%23_Toc481771251
file://///curimba/GEAD/pubgead/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/2º%20Módulo/Sociologia%20da%20Educação/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Sociologia%20da%20Educação.docx%23_Toc481771251
file://///curimba/GEAD/pubgead/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/2º%20Módulo/Sociologia%20da%20Educação/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Sociologia%20da%20Educação.docx%23_Toc481771257
file://///curimba/GEAD/pubgead/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/2º%20Módulo/Sociologia%20da%20Educação/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Sociologia%20da%20Educação.docx%23_Toc481771269
 
 
8 
Sociologia da Educação 
4.1.1 EDUCAÇÕES COMO FATOR DE RESISTÊNCIA CULTURAL _____________________________ 103 
4.2 PENSAMENTOS SOCIAL COMO FATOR DE RESISTÊNCIA, TRANSFORMAÇÃO E EMANCIPAÇÃO ____ 107 
4.2.1 EDUCAÇÕES COMO FATOR DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL __________________________ 109 
4.2.2 EDUCAÇÃO COMO PRÁTICA DE LIBERDADE E EMANCIPAÇÃO SOCIAL ___________________ 112 
A ESCOLA DOS MEUS SONHOS __________________________________________________ 114 
Frei Betto _______________________________________________________________ 114 
_____________________________________________________________ RESUMINDO
 _________________________________________________________________________ 118 
UNIDADE V – TEORIAS CONTEMPORÂNEAS QUE CONTRIBUEM PARA O PROCESSO 
EDUCATIVO ______________________________________________________________ 119 
5.1 A NOVA SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO __________________________________________ 120 
5.1.1 CONCEPÇÕES E TENDÊNCIAS SOCIOLÓGICAS E AS ABORDAGENS EDUCATIVAS ____________ 126 
5.1.2 CONSIDERAÇÕES GERAIS DE ALGUMAS DAS TENDÊNCIAS EDUCACIONAIS: UMA PERSPECTIVA 
SOCIOLÓGICA ______________________________________________________________ 129 
5.2 OS TEÓRICOS CONTEMPORÂNEOS ____________________________________________ 137 
5.2.1 KARL MANNHEIM ________________________________________________________ 137 
5.2.1 NOBERT ELIAS __________________________________________________________ 138 
5.2.2 PIERRE BOURDIEU _______________________________________________________ 141 
5.2.3 MICHAEL FOUCAULT _____________________________________________________ 143 
5.2.4 ANTHONY GIDDENS _____________________________________________________ 145 
ATIVIDADES ________________________________________________________________ 147 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ____________________________________________________ 148 
 
 
file://///curimba/GEAD/pubgead/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/2º%20Módulo/Sociologia%20da%20Educação/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Sociologia%20da%20Educação.docx%23_Toc481771275
file://///curimba/GEAD/pubgead/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/2º%20Módulo/Sociologia%20da%20Educação/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Sociologia%20da%20Educação.docx%23_Toc481771276
file://///curimba/GEAD/pubgead/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/2º%20Módulo/Sociologia%20da%20Educação/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Sociologia%20da%20Educação.docx%23_Toc481771278
file://///curimba/GEAD/pubgead/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/2º%20Módulo/Sociologia%20da%20Educação/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Sociologia%20da%20Educação.docx%23_Toc481771278
file://///curimba/GEAD/pubgead/D.E/Módulos%202017/2017-01/1.%20DISCIPLINAS/2º%20Módulo/Sociologia%20da%20Educação/Guia%20de%20Estudos/Finalizado/Sociologia%20da%20Educação.docx%23_Toc481771288
 
 
 
9 
Sociologia da Educação 
 
 
 
10 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 Compreender as diferentes concepções de sociedade entre os 
clássicos da sociologia; 
 Entender a especificidade da escolarização no contexto da 
educação em geral; 
 Identificar as características de análise da Sociologia em geral. 
 
 
 
 Ciclo 01 
 
 
 
 
Unidade I – Sociedade e 
Educação: relações 
sociológicas 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
I 
 
 
 
11 
Sociologia da Educação 
É importante destacar que o nosso objeto de estudo, aqui, é a Sociologia da 
Educação, ou seja, estudaremos uma ciência que trata das relações em sociedade. E, 
para atingir os objetivos estabelecidos, intencionamos que você compreenda os 
conceitos que envolvem os processos sociais, as caracterizações da sociologia 
aplicada à educação e as diferentes concepções de sociedade elaboradas pelos 
clássicos da sociologia. A nossa intenção, portanto, não é que você apenas distinga 
essas concepções, mas que, além disso, seja capaz de apresentar argumentos que 
justifiquem suas conclusões a respeito das ideias sociológicas voltadas para a 
dinamização escolar, que você compreenda o papel dos sujeitos nos processos 
sociais e que saiba compreender as dinâmicas do campo das ciências sociais. 
Lembrando que não existem verdades absolutas nestes processos, mas sim a 
relatividade, que permeia as considerações dos diversos pontos de vista. E é neste 
sentido que você, futuro professor, deverá intervir, pois aprenderá a argumentar a 
favor ou contra determinado assunto. Com este propósito, iniciaremos nossos 
estudos da primeira Unidade, vamos lá? 
1.1 Sociedade e sociologia, que relação é essa? 
A relação entre a sociedade e as ciências sociais envolve as mudanças, 
transformações e implantações diversas ao longo da história e estruturara os fazeres 
em sociedade, sugerindo direções e novos rumos, estabelecendo outras formas de 
relacionamentos entre o homem e seu meio social. 
Assim, as ciências e as fundamentações teóricas fazem-se necessárias para investigar, 
selecionar informações, estabelecer relações e encontrar soluções. Para isso, o 
pensamento reflexivo faz parte da prática, onde as questões históricas e sociológicas 
estarão presentes - principalmente na sociedade brasileira, onde as demandas nos 
remetem a críticas e posicionamentos políticos e ideológicos. 
 
12 
Sociologia da Educação 
Portanto, ao pensarmos sobre a sociedade contemporânea e as questões 
educacionais, estamos considerando que esse processo se constitui em fatores 
diversos ao longo da história, que necessitam ser refletidos e analisados. Reflexões 
que perpassam pelos processos científicos de análise, envolvendo os preceitos dosde educação serem 
definidas sempre tendo em vista a realidade 
concreta de uma sociedade historicamente 
determinada. 
 
 
 
 
101 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Portanto, podemos analisar a concepção de educação como fator de equalização 
social, reprodução social, em uma concepção mais conservadora do processo 
reflexivo sobre as relações sociais, considerando que: 
 
Mas, ao avançarmos em nossas considerações sobre os aspectos que envolvem as 
concepções educacionais que discutem a escola como um fator de reprodução 
social, é necessário destacar que a sua fundamentação se apoia na visão de que a 
escola é um veículo do sistema econômico. 
Nesse sentido, é de fundamental importância que você compreenda que a escola 
nesta concepção de ensino seria uma ilusão no sentido de desenvolver a 
equalização social, pois os processos educativos estabelecidos nas unidades de 
ensino, representam, no sentido da prática real, uma reprodução da estrutura 
social. E, a mobilidade social, no sentido de ascensão e distribuição das rendas de 
forma igualitária são utopias e mito. 
Lembremo-nos de um dado importante e que tem 
relevância para os estudos sociológicos, a forma como 
estabelecemos os processos educativos, à cada época, 
teve a sua importância. Nesse sentido, não devemos 
desconsiderar alguns conceitos educacionais que em 
tempos atuais podem transparecer como conservadores, 
ou mesmo, ultrapassados, pois quando foram criados, 
elaborados não eram encarados desta forma, atendia ao 
que se propunham, por certo apresentavam soluções de 
apoio reflexivo às questões estabelecidas para cada 
tempo histórico. 
Em sociedade é importante compreender que a objetividade é a 
conquista de uma certa harmonia entre os indivíduos, mas 
devemos levar em consideração, também que as diferenças sociais, 
devem ser percebidas como decorrências naturais de suas 
características pessoas. Além, de se compreender que a sociedade 
perpetua-se por meio da internalização e reprodução das regras 
sociais, pelos indivíduos. Fonte: istock.com 
 
 
 
102 
Sociologia da Educação 
Dito isto, devemos retroceder um pouco, e considerar que em termos históricos, 
as concepções de educação, desde as décadas de 50 – 60 do século, passado, no 
Brasil, foram percebidas como um ferramental importante para a equalização social. 
Mas, o que quer dizer isto? 
 
Fonte - http://br.freepik.com/, 
 
Necessariamente, a escola precisa promover um discurso que realmente 
transforme as vidas em sociedade, uma discussão que seja produtiva no sentido de 
dar condições diferenciadas a todos os indivíduos na organização social, que tenha 
como objetivo a luta pela justiça social e por uma redemocratização do acesso e, 
principalmente, da permanência com dignidade e qualidade nos espaços escolares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ora, que a educação era um instrumento capaz de possibilitar a
ascensão dos indivíduos na estrutura social. Neste contexto, mesmo
que tivesse a funcionalidade de consolidar o status de determinados
grupos, a educação passava a ser desejada como instrumento de
ascensão social, principalmente pelas camadas médias.
Assim, ao assumir uma função de equalizadora de oportunidades, a
escola veiculava o discurso de que precisava garantir a possibilidade
de educar a todos indiscriminadamente, evitando que a educação
fosse monopolizada por grupos com interesses particulares.
Mas, um dilema é posto na prática, desde a está época: a escola
passa a lidar com um conflito decorrente da inserção da classe
trabalhadora como oportunidade de ascensão social.
http://br.freepik.com/
 
 
 
103 
Sociologia da Educação 
4.1.1 Educações como fator de resistência cultural 
Outro fator preponderante na construção 
social escolar refere-se à orientação 
educacional que é estabelecida dentro da 
escola, uma vez que a principal crítica ao 
modelo educacional se refere a 
desconsideração dos aspectos conflituosos na 
prática educativa, submetendo o educando à 
passividade. Concepção educacional que 
coloca a autoridade do professor como eixo 
do ato pedagógico. Veja que nesta concepção 
a prática educativa é a de formatação do 
educando. Mas, como que isso ocorre na 
prática? 
Fonte - http://br.freepik.com/ 
 
Agindo e tendo uma postura, como as problematizadas, acima, o 
docente está, na prática, educando o ser natural (o homem) e 
transformando-o em um indivíduo social, mas você pode se 
perguntar, qual o problema nesta prática? Não é o correto? 
Imagem: Atenção - http://br.freepik.com/ 
Ora, a prática que envolve a formatação discente, é potencializada
pela ação docente quando este encaixam o educando em modelos
idealizados de homem, expondo e interpretando conteúdos, apenas.
Durkheim analisa esta prática e considera que o professor ao agir
nestes termos, exerce uma ação formadora e modeladora sobre a
conduta do aluno, considerando-o como um objeto. Ou melhor,
quanto o professor prioriza a "transmissão" do conhecimento, esta
exercendo uma prática educativa que anula o ser histórico e social
que é o aluno, a transmissão, tão somente dos conteúdos,
demonstra uma concepção docente que implica no não
reconhecimento do aluno como um sujeito histórico e participativo,
com potencialidades criadoras e transformadoras.
http://br.freepik.com/
http://br.freepik.com/
 
 
104 
Sociologia da Educação 
 
Sim! A prática educativa visa à formação dos seres para a vida social, mas na 
perspectiva das teorias reprodutivistas do conhecimento, o problema se instala na 
ideia de que a formação tradicional oferta uma prática que formata os seres 
humanas, o professor ao adotar a postura de transmissão dos conteúdos culturais, 
está perpetuando uma perspectiva teórica de exercício da sua autoridade, pois ao 
transmitir informações aos discentes, aqueles produzidos de geração em geração, 
em que o mestre (docente) é o “intérprete das grandes ideias morais do seu 
tempo e do seu país” (DURKHEIM, 1995, p. 34) realiza uma ação que não 
oportuniza o aluno a construção dos saberes que são inerentes a prática social e 
requerida por ela. 
Compreenda, em síntese, que este tipo de postura pedagógica, desenvolve na 
realidade: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Uma postura docente hierárquica superior à do aluno. 
Ao transmitir os saberes, aqueles estruturados em 
sociedade, como conhecimento produzido pelas 
gerações. Esta postura é reconhecida no meio 
acadêmico como uma ação de superioridade docente, 
pois ao exigir o silêncio e passividade do discente, 
exerce o poder em nome dos valores sociais 
instituídos. 
E, aquela ação que se espera do processo educativo, 
não ocorre, sabe qual é? 
A INTEGRAÇÃO SOCIAL - uma das funções 
primordiais das ações docentes e, que você, 
profissional da educação, deverá desenvolver em si, 
como objetividade primordial para a sua ação, na 
mediação dos saberes escolares. 
E, uma pergunta, faz-se necessária neste momento, 
você até aqui, já tomou consciência que está é a sua 
principal prática ao desenvolver as ações docentes? 
Se não, reflita e reveja a sua postura perante a 
intencionalidade educativa. A esperança é que você 
utilize estes conhecimentos como uma prática efetiva 
no desenvolvimento da sua prática educacional. Não 
se esqueça destes ensinamentos, certo! 
 
 
 
 
105 
Sociologia da Educação 
Mas, voltemos as nossas discussões sobre os teóricos que defendem a postura de 
uma educação que realmente tenha a consistência emancipatória, vejamos o que 
pensa Saviani e Althusser, autores com vida reflexiva educacional, ativa, em meados 
dos anos 70. Marco temporal das mudanças educacionais que vivenciamos, 
atualmente. Assim
Imagem: Saviani – http://www.cesforma.org.br/noticias/dermeval_saviani 
 
Nesta mesma linha de pensamentos citamos Louis Althusser (1991) que traz na 
sua obra “Aparelhos Ideológicos de Estado” a ideia de que: 
Imagem: Althusser - https://www.revistametapolitica.com/single-post/2015/09/09/El-infinto-adi%C3%B3s-al-marxismo 
 
Saviani (1991) desenvolveu estudos sobre a concepção crítico-
reprodutivistas, que embansa seus estudos no exame educacional que
possa romper com as bases condicionantes da sociedade que levam a
desigualdade social.
A ideologia não precisa mostrar-se concretamente, a fim
de assegurar o poder e o domínio que ela representa.
Esse processo ocorrerá por meio de certos mecanismos
institucionais denominados pelo referido autor como (AIE -
Aparelhos ideológicos de estados.). Ele considerava que a
transmissão da ideologia da classe dominante estaria
centrada nas disciplinas escolares mais favoráveis ä
veiculação de ideias sociais e políticas, como: História as
que envolvem os estudos de ordem mais humanas,
estudos sociais em geral. Mas, é importante destacar que
as demais disciplinas que integram as matrizes curriculares,
podem, também trazer aspectos que implicam nesta
dissiminação de ideários dominantes.
http://www.cesforma.org.br/noticias/dermeval_saviani
https://www.revistametapolitica.com/single-post/2015/09/09/El-infinto-adi%C3%B3s-al-marxismo
https://www.revistametapolitica.com/single-post/2015/09/09/El-infinto-adi%C3%B3s-al-marxismo
 
 
106 
Sociologia da Educação 
Tanto Althusser (um pensador francês) como Saviani (brasileiro) defenderam, em 
suas pesquisas sociais voltadas para a educação, uma ideia de que o poder da 
escola, como reprodutora das práticas sociais, impõe a ideologia da classe 
dominante. 
Althusser (1991) em especial, vai indicar que antes, a Igreja, exercia o papel de AIE 
e assegurava uma posição dominante no processo de transmissão dos valores 
culturais, como visto na Unidade anterior. Esta instituição teve o privilégio de 
manter tais transmissões, dominando por séculos esta prática. Em meados do 
século XIX, com o desvinculo desta instituição com o estado (assuntos que você já 
conhece de outras disciplinas, ou por intermédio de envolvimento com os 
conhecimentos históricos), ou melhor, com o rompimento histórico entre a 
instituição Igreja e Estado, a instituição que assumiu a função de repasse dos 
processos ideológicos de dominação, foi a escola. Ocupando um lugar de difusão 
dos saberes estruturais da sociedade. 
 
 
 
 
Observe que de uns tempos para cá, a escola, transformou-se em um AIE, uma 
poderosa organização que assumiu um papel fundamental no processo de 
inculcação da ideologia da classe dominante à classe operária, trabalhadora. 
Em síntese, ao se pensar a educação como um fator de resistência cultural, estamos 
considerando que o profissional, o professor, que irá estabelecer as estruturas 
organizativas que envolve a prática efetiva dos saberes educacionais, necessita 
compreender que o processo cultural, de tais práticas, envolve ações inculcadas de 
poder, inseridos pelos diversos aparelhos ideológicos, já comentados, 
anteriormente, e, que estão envoltos em conceitos e práticas diversas, como os de 
família, de trabalho e de esforço pessoal no contexto da sociedade capitalista. 
Sendo assim, convido-o(a) refletir sobre como essa 
prática é complexa e, exige, dos que estão envolvidos 
com o processo educativo, um preparo consciente para o 
desenvolvimento de sua prática. Portanto, por este 
mesmo motivo, ideologicamente considerando, os 
problemas sociais recaem sobre as estruturas organizativas 
educacionais. 
 
 
 
 
107 
Sociologia da Educação 
Assim, culturalmente falando, você ao se envolver com os ferramentais 
educacionais, como por exemplo os: 
 
 
Imagem: Livro didático - http://br.freepik.com/ 
 
A escola como um poderoso AIE, como já indicado, acima, com a sua perspectiva 
reprodutivistas, ao avançar nos processos formativos da sociedade, vai veiculando 
questões ideológicas. Assumindo, portanto, um papel fundamental na reprodução 
de uma realidade, constituindo o trabalho escolar como difusor das ideias 
burguesas, impondo a classe trabalhadora uma negação da sua visão de mundo, das 
suas expectativas e construção do seu próprio modo de conceber a realidade. 
4.2 Pensamentos social como fator de resistência, transformação e emancipação 
Como visto na Unidade 1, Marx é uma das personalidades que discutem os 
processos sociais que mais contribuíram para repensar os modos relativos a 
divisões em classes no contexto do regime econômico, capitalista. Apesar de não 
ter escrito sistematicamente sobre as estruturas educacionais, as suas reflexões 
apresentam uma contribuição significativa para as relações que envolvem a 
educação. 
 
Livros didáticos, em que traz embutidos nos conhecimentos 
acumulados pela humanidade e problematizados conceitos 
diversos que, ideologicamente, nos leva a conceber os 
processos educativos como corretos. É o caso, dos conceitos 
de famílias que alguns livros abordam, que via de regra estão 
em desacordo com a realidade vivenciada pelos alunos, 
abordam conceitos desvinculados da prática social do que seja 
a família contemporânea, é claro que muitas editoras já 
atentaram para este fato, mas você como mediador dos 
saberes culturais, produzidos em sociedade deverá estar atento 
a estas considerações, até mesmo para saber criticar e 
reorganizar a estrutura que envolve as práticas educativas 
dentro de uma postura politicamente correta. 
http://br.freepik.com/
 
 
108 
Sociologia da Educação 
 
 
Imagem: Capitalismo - https://pixabay.com/ 
 
Sousa (2002) comenta que o pensamento de Marx contribui de forma significativa 
na reformulação das teorias críticas que discutem a relação educação/ sociedade. 
 
Podemos, portanto, incluir nestas discussões as concepções educacionais que 
envolvem as teorias crítico-reprodutivistas. Concepção educacional, que como já 
apontado na unidade anterior, são incapazes de demonstrar, em suas análises, que 
a escola trabalha tanto na perspectiva da reprodução quanto da transformação 
social. Sousa (2002, p. 104) afirma que: 
 
O Pensamento social como fator de resistência, transformação e
emancipação no contexto da sociedade capitalista, tem sido, ao
longo de muitos anos, tema de debates e propostas educacionais
que minimizem os efeitos perversos deste sistema. Neste
contexto, Marx problematizou as ações políticas, ocupando-se dos
aspectos que envolviam os trabalhadores, criticando o fato de as
transformações de sua época exigirem, cada vez mais, a utilização
da mão-de-obra de crianças e adolescentes de ambos os sexos,
para que os objetivos da produção capitalista fossem alcançados, o
que inviabilizava o ingresso dos filhos do proletariado nas escolas.
 
 
 
109 
Sociologia da Educação 
 
4.2.1 Educações como fator de transformação social 
 
 
 
 
 
 
As insufiências das teorias crítico-reprodutivistas levaram,
então, à necessidade de elaboração de outra perspectiva que
buscasse, nos conceitos de cultura, poder, ideologia e
currículo, os pressupostos básicos ara a discussão da relação
escola/sociedade.
Partindo das reflexões pedagógicas de base marxista
propostas por Gramsci - intelectual italiano do início do
século XX [...] trabalha com a concepção de resistência
cultural, elemento desconsiderado pelas teorias da
reprodução social, [...] Abordagens como a da resistência
cultural são acentuadamente críticas e procuram explicitar o
caráter da educação e da função do professor numa
perspectiva voltada para a transformação social, considerando
suas implicações em uma sociedade capitalista. (SOUSA,
2002, p. 104)
Para discutirmos este item é importante que você saiba 
que a ideia de educação voltadas para os aspectos que 
envolvem a resistência social tem sua fundamentação no 
pensamento de Gramsci. Um intelectual Italiano que 
defendeu o ideário de 
 
 
 
110 
Sociologia da Educação 
 
 
Sousa (2002) informa-nos que Gramsci (1991) entendia que a dominação 
econômica de uma classe sobre outra exige também o domínio dos poderes 
políticos e ideológicos. Neste contexto, a classe dominante inculca na classe 
dominada um consensosocial e uma aceitação dos princípios definidos, por aquela, 
como sendo verdadeiros, fazendo valer a sua visão de mundo. Processo que leva a 
dominação política e cultural “de uma classe social sobre outra, sendo a educação 
um dos instrumentos mais importantes para assegurá-lo. Para conseguir manter seu 
domínio, a classe dominante produz um discurso dissimulado, pretensamente 
universal” (SOUSA, 2002, P.109). Tais discursos visam assegurar o poder da classe 
dominante e, por consequência, promovem a desigualdade social que é oriunda das 
sociedades capitalistas. 
 
Dentro destas perspectivas, o que você necessita compreender é que todos os 
homens, sem distinção alguma, é um intelectual, mas o que Gramsci queria dizer ao 
fazer tal afirmativa? Vejamos: 
 
Educação transformadora que elevasse o nível cultural da classe
trabalhadora – a escola assume um papel fundamental na
socialização da cultura de um povo e, consequentemente, no nível
de esclarecimento dos grupos sociais. Daí a importância de
determos um pouco nossa atenção em algumas das ideias
apresentadas por esse teórico em relação à possibilidade de a
educação vir a colaborar no processo de transformação
social.(SOUSA, 2002, p. 108)
 
 
 
111 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Portanto, é fundamental que você compreenda que na sua prática educativa você 
deve acreditar que toda a comunidade envolvida nos processos educacionais, ou 
seja, toda ação humana é dotada do elemento intelectual. Portanto, compreenda 
que as ideias defendidas por Gramsci, a que envolve a intelectualidade humana, está 
presente nas ações diárias de qualquer ser humano. A mais simples tarefa possui, 
de certo modo, uma atividade intelectual que leva o agente da atividade a planejar, 
interagir com a melhor forma de desenvolver a sua tarefa. 
Convido-o(a) conhecer um pouco mais sobre as ideias Gramsci na próxima 
unidade, oportunidade em que serão tratadas de forma mais objetiva cada um dos 
pensamentos dos autores que compõem o processo tradicional e contemporâneo 
de pensar a Sociologia da Educação. 
 
 
A noção de intelectual, na perspectiva de Gramsci (1982) 
tem relação com o fato de que no processo de 
transformação social, os “intelectuais representam o 
domínio de uma classe e agem, em geral, como 
mediadores entre a classe à qual pertencem ou que 
representam e a consciência dessa mesma classe.” 
(SOUSA, 2002, p. 109) 
 
 
Assim, no ideário deste pensador social, todos os homens 
são intelectuais, como já afirmado, acima. Porém, de 
acordo com as condições materiais e ideológicas da 
organização da cultura, apenas alguns de forma efetiva 
desempenham a função de agir e pensar sobre o seu 
meio, com abrangência de interatividade. 
 
 
 
 
112 
Sociologia da Educação 
4.2.2 Educação como prática de liberdade e emancipação social 
 
Reconhecidamente, no Brasil, ao longo das quatro últimas décadas, vários 
pensadores sociais veem discutindo os processos que envolvem a educação e sua 
sustentabilidade e potencial de transformação social. Assim, muitos lutam na 
corrente política, engajando-se nas discussões que envolvem as propostas para as 
políticas públicas educacionais. 
Giroux (2003) defende a ideia de que dentro das unidades escolares, não se 
expressam apenas as atividades de ensino, mas existe uma relação que amplia esta 
concepção, a de que os espaços escolares são complexos, uma vez que a tríade: 
cultura, ideologia e visão de mundo estão em constante conflito. Como bem 
indicou Gramsci, sobre as expressões dominantes e dominados. 
 Giroux também irá apontar que os processos ideológicos das classes dominantes 
passam a permear a visão de mundo estabelecida nos espaços escolares. As lutas 
entre ideologias, cultura e visão de mundo estarão presentes nas lutas sociais e 
afetará as relações escolares e educacionais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nesse sentido, Freire considera que a educação é definida pela oportunidade de 
conquista da liberdade, uma liberdade que o sujeito conquista refletindo sobre a sua 
própria realidade, sobre as suas conquistas reflexivas. 
 
Um dos aspectos mais bonitos dos ensinamentos de Freire é considerar que a 
educação é um ato político, pois passa de domesticadora a libertadora, se no 
processo mediado do conhecimento, o aluno for oportunizado a refletir sobre as 
sua existência, questionando não só a sua condição concreta, mas as relações às 
quais se vê em sociedade e suas concepções de mundo, de se existir e se saber 
dono de um pensamento reflexivo, libertador. 
É de suma importância destacar que ao se falar de prática 
de liberdade e emancipação, estamos abordando, 
também, as discussões referentes ao que Paulo Freire 
enfatizou como prática políticas que são também 
pedagógicas. Pois, Freire (2001) traz a ideia de que não 
existe uma educação neutra, e afirma que todo ato 
educativo, é essencialmente, político. 
 
 
 
 
 
 
113 
Sociologia da Educação 
 
E, isto é a essência do fazer educacional, aquele, como já indicado em falas 
anteriores, neste guia de estudo, que possa fazer valer a voz de todos os acesso e 
permanência com dignidade de todos na educação. 
Assim, ao se processar o ato educativo, o efeito deve ser o de esclarecer, libertar e 
emancipar o indivíduo, levando-o a conhecer a sua realidade concreta, 
possibilitando-lhe uma visão crítica em relação às suas reais condição de vida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para ampliar seu conhecimento sobre as ideais de Gramsci 
e Giroux indicamos os seguintes textos: 
 
GRAMSCI E A EDUCAÇÃO: A RENOVAÇÃO DE UMA 
AGENDA ESQUECIDA – Por Educardo Magroni - 
http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v26n70/a05v2670.pdf 
ESCOLA E EDUCAÇÃO EM GRAMSCI - Por Michele 
Corrêa de CASTRO - 
http://www.bjis.unesp.br/revistas/index.php/ric/article/viewF
ile/187/172 
Quando a pedagogia é radical – Por Carlos Roberto 
Drawin. - 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S14
14-98931987000100011 
 
 
http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v26n70/a05v2670.pdf
http://www.bjis.unesp.br/revistas/index.php/ric/article/viewFile/187/172
http://www.bjis.unesp.br/revistas/index.php/ric/article/viewFile/187/172
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98931987000100011
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98931987000100011
 
 
114 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Leia o seguinte texto: 
A Escola dos meus Sonhos 
Frei Betto 
Na escola dos meus sonhos, os alunos aprendem a cozinhar, 
costurar, consertar eletrodomésticos, a fazer pequenos 
reparos de eletricidade e de instalações hidráulicas, a 
conhecer mecânica de automóvel e de geladeira e algo de 
construção civil. Trabalham em horta, marcenaria e oficinas 
de escultura, desenho, pintura e música. Cantam no coro e 
tocam na orquestra. Uma semana ao ano integram-se, na 
cidade, ao trabalho de lixeiros, enfermeiras, carteiros, guardas 
de trânsito, policiais, repórteres, feirantes e cozinheiros 
profissionais. Assim aprendem como a cidade se articula por 
baixo, mergulhando em suas conexões que, à superfície, nos 
asseguram limpeza urbana, socorro de saúde, segurança, 
informação e alimentação. 
Não há temas tabus. Todas as situações-limite da vida são 
tratadas com abertura e profundidade: dor, perda, falência, 
parto, morte, enfermidade, sexualidade e espiritualidade. Ali 
os alunos aprendem o texto dentro do contexto: a 
Matemática busca exemplos na corrupção dos precatórios e 
nos leilões das privatizações; o Português, na fala dos 
apresentadores de TV e nos textos de jornais; a Geografia, 
nos suplementos de turismo e nos conflitos internacionais; a 
Física, nas corridas de Fórmula-1 e nas pesquisas do 
supertelescópio Huble; a Química, na qualidade dos 
cosméticos e na culinária; a História, na violência de policiais 
contra cidadãos, para mostraros 
antecedentes na relação colonizadores - índios, senhores - 
escravos, Exército - Canudos, etc. 
Na escola dos meus sonhos, a interdisciplinaridade 
permite que os professores de Biologia e de Educação Física 
se complementem; a multidisciplinaridade faz com que a 
 
 
 
115 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na escola dos meus sonhos, a interdisciplinaridade permite 
que os professores de Biologia e de Educação Física se 
complementem; a multidisciplinaridade faz com que a 
História do livro seja estudada a partir da análise de textos 
bíblicos; a transdisciplinaridade introduz aulas de meditação e 
dança e associa a história da arte à história das ideologias e 
das expressões litúrgicas. Se a escola for laica, o ensino 
religioso é plural: o rabino fala do judaísmo, o pai-de-santo, 
do candomblé; o padre, do catolicismo; o médium, do 
espiritismo; o pastor, do protestantismo; o guru, do budismo, 
etc. Se for católica, há periódicos retiros espirituais e 
adequação do currículo ao calendário litúrgico da Igreja. Na 
escola dos meus sonhos, os professores são obrigados a 
fazer periódicos treinamentos e cursos de capacitação e só 
são admitidos se, além da competência, comungam os 
princípios fundamentais da proposta pedagógica e didática. 
Porque é uma escola com ideologia, visão de mundo e perfil 
definido do que sejam democracia e cidadania. Essa escola 
não forma consumidores, mas cidadãos. 
Ela não briga com a TV, mas leva-a para a sala de aula: são 
exibidos vídeos de anúncios e programas e, em seguida, 
analisados criticamente. A publicidade do iogurte é debatida; 
o produto adquirido; sua química, analisada e comparada 
com a fórmula declarada pelo fabricante; as 
incompatibilidades denunciadas, bem como os fatores 
porventura nocivos à saúde. O programa de auditório de 
domingo é destrinchado: a proposta de vida subjacente, a 
visão de felicidade, a relação animador-plateia, os tabus e 
preconceitos reforçados, etc. poderem manter. Pois é a 
escola de uma sociedade em que educação não é privilégio, 
mas direito universal, e o acesso a ela, dever obrigatório. 
Texto disponível em 
http://www.bancodeescola.com/freibeto.htm, acessado em 
12.07.2016. 
http://www.bancodeescola.com/freibeto.htm
 
 
116 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em suma, não se fecham os olhos à realidade, muda-se a 
ótica de encará-la. Há uma integração entre escola, família e 
sociedade. A Política, com P maiúsculo, é disciplina 
obrigatória. As eleições para o grêmio ou diretório estudantil 
são levadas a sério e, um mês por ano, setores não vitais da 
instituição são administrados pelos próprios alunos. Os 
políticos e candidatos são convidados para debates e seus 
discursos analisados e comparados às suas práticas. 
Não há provas baseadas no prodígio da memória nem na 
sorte da múltipla escolha. Como fazia meu velho mestre 
Geraldo França de Lima, professor de História (hoje 
romancista e membro da Academia Brasileira de Letras), no 
dia da prova sobre a Independência do Brasil, os alunos 
traziam para a classe a bibliografia pertinente e, dadas as 
questões, consultavam os textos, aprendendo a pesquisar. 
Não há coincidência entre o calendário gregoriano e o 
curricular. João pode cursar o 6º ano em seis meses ou em 
seis anos, dependendo de sua disponibilidade, aptidão e seus 
recursos. É mais importante educar do que instruir; formar 
pessoas que profissionais; ensinar a mudar o mundo que 
ascender à elite. Dentro de uma concepção holística, ali a 
ecologia vai do meio ambiente aos cuidados com nossa 
unidade corpo-espírito e o enfoque curricular estabelece 
conexões com o noticiário da mídia. 
Na escola dos meus sonhos, os professores são bem pagos e 
não precisam pular de colégio em colégio para se poderem 
manter. Pois é a escola de uma sociedade em que educação 
não é privilégio, mas direito universal, e o acesso a ela, dever 
obrigatório. 
Texto disponível em http://www.bancodeescola.com/freibeto.htm, acessado 
em 12.07.2016. 
 
 
http://www.bancodeescola.com/freibeto.htm
 
 
 
117 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atividades 
 
1. Ao ler o texto você deve ter percebido que o autor 
contempla o ideário de uma escola voltada para a 
emancipação e a liberdade para o discente. Neste sentido, 
teça comentários, indicando se é possível esta escola? Você 
acredita que é possível construir esta escola? Ela teria a 
capacidade de amenizar os impactos sociais, ou seja, as 
desigualdades? 
 
2. Retire do texto as concepções educacionais que envolvem: 
a) A educação 
b) Função social do professor. 
 
 
 
118 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
R
e
s
u
m
i
n
d
o 
 
 
Resumindo 
 
As discussões abordadas nesta unidade tiveram como 
intencionalidade dois fatores, o primeiro foi o de distinguir as 
características principais da educação vista como compensatória. 
E, o segundo fator foi o de identificar os fenômenos educativos, 
bem como os elementos que o caracterizam como fator de 
transformação social. Estes dois fatores voltam-se para as práticas 
educativas que envolvem os fatores de resistência cultural. Fatores 
que envolvem o que muitos pensadores sociais perseguem a 
muito tempo: a potencialidade de transformação social por meio 
de práticas de liberdade e emancipação dos sujeitos. Tendo como 
referência a relação que envolve a educação e a sociedade. 
Assim, ao longo desta unidade, visamos à compreensão 
educacional como decorrentes das percepções do homem, de 
mundo e de sociedade. Estas concepções estão fundamentadas 
no ideário de que a educação não é somente transformadora, ou 
reprodutora do processo educacional, mas se fundamenta em um 
trabalho dos agentes da educação, em uma prática educacional 
que possa realmente vir a contribuir para a transformação social. 
Deixamos claro, também que por mais forte que seja um 
processo de dominação, nunca podemos deixar que a 
possibilidade de ação do indivíduo, nos seus aspectos de lutas, 
sejam deixados de lado, assim a educação deve ser vista como um 
processo que envolve a emancipação do homem, que lhe dê 
oportunidades para refletir sobre seus interesses, sobre a sua 
vivência. 
Em suma, a intenção desta unidade foi a de propiciar o seu 
amadurecimento relativo às concepções educacionais que possui, 
e refletir sobre o alcance do professor na prática educativa. 
Para finalizarmos nosso caminhar sobre os saberes sociológicos, 
convido-o (a) conhecer os fundamentos dos principais autores, 
contemporâneos, relativos a prática sociológica educacional, assim 
desejamos que você avance na suas análises e boas reflexões! 
 
 
 
119 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 Reconhecer nas teorias sociológicas contemporâneas os processos que 
contribuem para a compreensão do processo educativo; 
 
 Identificar de forma geral como se processa a nova sociologia da educação. 
 
 
 
 
 
 Ciclo 05 
 
 
 
 
 
Unidade V – Teorias 
contemporâneas que contribuem 
para o processo educativo 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
V 
 
 
120 
Sociologia da Educação 
Esta unidade tem o propósito de trazer as abordagens teóricas da sociologia da 
Educação em um contexto social. Você conhecerá as várias abordagens sociológicas 
para o estudo científico dos problemas educativos, as que procuram superar a 
descrição pura e simples de informações coletadas pela observação das atividades 
escolares ou da legislação referente à educação. Assim, é importante que você 
compreenda que os avanços em sociedade devem ser entendidos e transpostos 
para a sala de aula, de modo a interpretar os fenômenos que ocorrem nas relações 
que vão se constituindocomo fatores que envolvem as ações pedagógicas. 
Neste contexto, por meio dos pensamentos dos autores e teorias apresentadas, a 
intenção é discutir os temas e problemas priorizados nas investigações para a área 
educacional, levando em consideração que os autores educacionais, não só 
brasileiros, mas os estrangeiros contribuem de forma significativa para analisarmos 
nossas ações em sociedade por meio dos enfoques teóricos. Prevalece, portanto, a 
concepção de que a educação deve ser considerada uma dimensão da vida social e 
relacionada a um conjunto de processos sociais. 
Veremos ao longo deste capítulo uma retomada de algumas ideias desenvolvidas 
nas primeiras Unidades deste guia, a intensão é debater a maneira como as 
pesquisas educacionais estão orientadas por essas concepções teóricas, 
abrangentes, e que tanto influenciam outros pesquisadores, que também 
produziram trabalhos relevantes e inspiradores para as pesquisas envolvendo a 
educação e a compreensão desta, no sentido de dar norte as ações pedagógicas de 
forma mais consciente. Portanto, convido-o(a)s a aprofundar um pouco mais nos 
pensadores que iremos apresentar e problematizar nesta unidade, topam? 
 
5.1 A nova sociologia da Educação 
Luiz Pereira e Marialice Foracchi (1979) apud (Piletti e Praxedes, 2010, p. 10) 
apontam que: 
 
 
 
 
 
 
Cabe ao sociólogo atentar para a especificidade do 
fenômeno que ocorre no cotidiano escolar, sem 
perder de vista seus vínculos com a educação que 
ocorre no seio das famílias e na sociedade em geral. 
 
 
 
121 
Sociologia da Educação 
 
Uma relação que você deverá se atentar, pois como a sociedade está em um 
continuo movimento, o seu estudo e compreensão são essenciais. Estudar a 
educação, o cotidiano escolar, nos parece relevante, principalmente, se 
considerarmos a sociedade como um “processo social” que tem implícito a 
necessidade dos agentes sociais se prepararem para a vida em uma sociedade que 
se transforma, que gera mudanças sociais, que apresentam problemas inéditos para 
as novas gerações, de modo que não podemos apenas reproduzir as condições 
sociais que herdamos do passado. 
 
Nesse sentido a disciplina Sociologia da Educação, caracterizada como um 
olhar sociológico sobre o fato educativo tem contribuído para fundamentação do 
papel que esta disciplina desempenha na compreensão crítica da realidade 
social, política, econômica e cultura na qual a escola e a educação estão inseridas e 
contribui para uma formação de educadores. Educadores que possam ser formados 
com uma visão crítica e que formem indivíduos para compreenderem e 
transformarem a realidade onde vivem. 
 
Mas, quando apontamos a formação crítica, estamos considerando que os 
processos educacionais promovam ações e práticas que permitam aos seus 
integrantes o exercício social da prática democrática e vivencial das situações sociais 
que lhes permitam refletir sobre suas ações dentro da dinâmica da ação-reflexão-
ação, um princípio defendido por Paulo Freire na constituição dos sabres críticos, 
reflexivos. 
 
 
 
 
122 
Sociologia da Educação 
 
Fonte: Design educacional e instrucional do Unis-MG 
 
Com vistas a estas considerações, importante destacar que desde a década de 1970 
uma abordagem de orientação crítica abriu espaço na pesquisa educacional na 
Europa, mais pontualmente na Inglaterra. Este movimento foi denominado de “nova 
sociologia da educação”, que trouxe como concepção as ideias de reformulação 
curricular, com referência para as práticas pedagógicas de que o processo social é 
uma construção, propondo um novo paradigma, introduzindo novas ideias 
relacionadas as preocupações teóricas e políticas na pesquisa educacional, para 
investigar o complexo processo em que a estruturação de uma sociedade, que 
àquela época era percebida dentro das estruturas das desigualdades entre as classes 
sociais e entre os dominantes do poder político e os dominados. 
 
 Estas ideias chegaram ao Brasil em meados dos anos 80. Propunham, portanto um 
novo programa, introduzindo novas preocupações teóricas e políticas na pesquisa 
educacional. Tais ideias alteravam, sobremaneira, a velha compreensão da sociologia 
educacional. 
 
Segundo Piletti e Praxedes (2010, p. 104) na visão anterior o processo sociológico 
tinha como prática, uma educação, com uma abordagem que visava à tradição 
consolidada de pesquisa, baseadas em enquetes para obtenção de dados para 
tratamento estatístico e descritivo. 
 
 
 
123 
Sociologia da Educação 
 
 Pois, trabalhar com um processo sociológico visando um número, uma 
demonstração das práticas, tão somente, tem relação com uma pedagogia 
tradicionalista, uma visão que se assemelhou, à época, a algo desconectado das 
mudanças que o mundo vem presenciando. 
 
Realizada no âmbito da London School of Economics, na década de 1950, quase
sempre para atender às demandas governamentais na Grã-Bretanha, tais
enquetes procuravam informações sobre o desempenho dos alunos e a
produtividade do sistema educacional como proposito de formar a mão de obra
necessária ao crescimento econômico. (PILETTI e PRAXEDES, 2010, p. 104)
Mas, você deve estar 
ser perguntando, se 
estas concepções tem 
relação com a 
pedagogia proposta 
para as escolas, como a 
tradicional? 
E, respondemos que 
sim! Pode, sim, fazer 
esta aproximação
 
 
124 
Sociologia da Educação 
Contrariando a estas visões, uma em que o homem, não existia enquanto forma 
social predominante, a “nova sociologia da educação” trouxe, portanto um novo 
olhar crítico e desconstrutor para os processos curriculares. Assim, após a 
conferência de anual de Brisish Sociologia Association, ocorrida em Durkam, 1970, 
que “a nova perspectiva teórica para os estudos educacionais passou a ser 
conhecida, graças aos trabalhos que pesquisadores como Basil Bernstein, Michael E. 
D. Yung e Pierre Bourdieu publicaram.” )PILETTI e PRAXEDES, 2010) 
É importante que você saiba que: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nessas novas concepções sociológicas surgem reflexões que envolviam a 
expectativa dos professores e o desempenho dos alunos, a nova sociologia da 
educação passa a prática de abertura para uma crítica dos seus próprios processos, 
o que leva a muitos pesquisadores da área a uma capacidade de “transformação 
constante em direção a novas sistematizações teóricas e abordagens dos problemas 
empíricos suscitados pela relação entre os currículos e os processos educativos 
efetivos. ” (PILETTI e PRAXEDES, 2010, p. 101) 
 
 Neil Keddie (apud Forquin, 1993, p.99) aponta que a esta nova sociologia da 
educação trouxe uma contribuição para os aspectos educacionais de valor 
expressivo, pois abriu a oportunidade para que os estudiosos pudessem perceber 
como que os professores viam os seus alunos, uma vez que a identidade escolar do 
aluno se estabelece a partir das expectativas do professor. Assim, pode-se 
identificar que: 
 
Os trabalhos destes pesquisadores sociais, constituiram 
uma expressão da abertura dos autores para uma 
gama variada de influências teóricas e metodologicas, 
abertura esta considerada por muitos um ecletismo que se 
expressa/expressou em pesquisas orientadas por 
referencias que vão do marxismo ao interacionismo 
simbólico e à fenomenologia, passando pela adoção de 
algumas teses de Durkheim e de Weber em vários 
estudos. E que vamos estudar nos próximos itens, certo? 
 
 
 
 
125 
Sociologia da Educação 
 
De acordo com Keddie (apud Piletti e Praxedes, 2010) a estratificação social dos 
conteúdos cognitivos e culturais oferta uma condição, a uma minoria, que domina o 
processo produtivo social de se apoderar dos processos pedagógicos que levam ao 
domínio de saberes considerado mais complexo e estratégico para o 
enfrentamento das questões públicas que envolvem as sociedades. 
 
Nesse sentido, os alunos classificados de maneira preconceituosa, na prática 
educativa,como aqueles que são mais fracos, oriundos das classes desfavorecidas, 
considerados pelos professores como tendo necessidade de uma ensino mais 
“concreto”, mais próximo da experiência cotidiana e que recorre mais às histórias, 
enquanto se presume que os das classes consideradas, mais fortes, os que 
pertencem a uma camada mais favorecida em sociedade, acedem mais facilmente à 
compreensão das relações, a conceptualização, ou seja, a formalização dos 
conhecimentos. 
 
Vejamos que estes pensamentos, com base nas pesquisas de Forquin (1993, p. 118) 
oferta-nos a compreensão de que esta “nova sociologia” não constitui, apenas um 
contexto de estruturas que coletam informações sobre as práticas educativas para 
servirem de uma representatividade numérica, mas vão além, sugerem investigações 
que ofertam aos diversos seguimentos educativos uma possibilidade para análise 
dos processos que envolvem conhecimentos tais que dão sustentabilidade para a 
formação de um direcionamento crítico, que passa a ver as relações escolares, 
dentro dos processos sociais, como algo que deve ser observado, compreendido e 
atendido no sentido de dar oportunidade a todos para a constituição dos seus 
modos de se relacionarem que o mundo que o circundam. Ou seja, uma 
orientação de pesquisa educacionais, que nos leve a investigar processos que 
envolvem a seleção e exclusão de conhecimentos, tanto na sala de aula quanto na 
sociedade em geral, constituindo-se de um referencial para a compreensão das 
Várias pesquisas foram realizadas para a investigação da hipótese de que, nos
processos de interação entre professores e alunos, os procedimentos de
aprendizagem são influenciados pelos preconceitos dos primeiros. Sendo que
o professor atua inconscientemente sobre os alunos, segundo parâmetros
preconceituosos, os professores desenvolvem práticas pedagógicas que
podem subestimar ou, em alguns casos, superestimar as pontencialidades dos
educados. PILETTI e PRAXEDES, 2010, p. 111)
 
 
126 
Sociologia da Educação 
desigualdades educacionais, e como estas influencias ofertam manutenção das 
desigualdades de poder e de riqueza dentro da sociedade contemporânea. 
Com tais considerações, e compreendendo o processo que envolve as alterações 
no foco da sociologia educacional, avancemos no sentido de compreender as 
propostas para as concepções que envolvem as tendências sociológicas, a seguir. 
 
5.1.1 Concepções e tendências sociológicas e as abordagens educativas 
Esta nova perspectiva de pensar cientificamente as ações do homem em sociedade, 
tem alguns pontos relevantes ao longo do processo histórico de constituição da 
sociologia educacional, em nosso País, saibam que desde a década de 50 do século 
passado, que o consumo de massa vem deixando a penúria para traz, ou seja, o 
estado de pobreza de muitos. Assim, a prosperidade material, generalizações do 
crédito, compra de bens e consumo, uma verdadeira corrida para o aumento do 
Status de vida de muitos, mobilizou ao longo destes tempos as energias, 
envolvendo progresso e inovação técnica, que tem provocado fascínio para as 
ações em sociedade. 
 
 
Bom, para dar um direcionamento para as ações devemos compreender que com a 
abertura para as outras culturas, o processo de globalização é uma influência 
significativa, assim, podemos listar vários aspectos da cultura americana para a 
estruturação do ideário social brasileiro, que são eles: 
 
Mas, vamos analisar que ações sociais foram estas que
movimentaram o imaginário social e que provocaram tantas
transformações?
 
 
 
127 
Sociologia da Educação 
 
 
Imagens: http://br.freepik.com/ 
https://mundorockm.wordpress.com/2012/08/17/imagens-de-rock/ 
http://br.freepik.com/ 
http://www.weeklystandard.com/the-managers-vs.-the-managed/article/1028522 
http://pt.slideshare.net/BrunoNespoliDamasceno/multinacionais-e-o-trabalho 
 
Compreenda que este crescimento espetacular da riqueza, provocou 
inesperadamente uma série de questionamentos e de contestações. Ocorreu na 
história, em 1968 uma grande denuncia dos aspectos que envolvia o abuso 
burocrata, da autoridade hierárquica e, principalmente, das desigualdades sociais. A 
partir desta época, dentro do processo social, surgiram novos desafios, como: 
O cinema hollywoodiano que
atiçou paixões.
O rock em muito modificou o
gosto musical.
O jeans contrapôs-se vivamente
ao modo tradicional de nos
vestirmos.
Os managers (James Burnham)
e a tecnoestrutura (John
Galbraith) foram pouco a pouco
substituindo o antigo patronato
de direito divino.
As empresas multinacionais passaram a
encarnar o poder e a modernidade. Os
primeiros computadores abriram novas
perspectivas de interatividade social.
http://br.freepik.com/
https://mundorockm.wordpress.com/2012/08/17/imagens-de-rock/
http://br.freepik.com/
http://www.weeklystandard.com/the-managers-vs.-the-managed/article/1028522
http://pt.slideshare.net/BrunoNespoliDamasceno/multinacionais-e-o-trabalho
 
 
128 
Sociologia da Educação 
 
Imagens: https://pixabay.com/ 
https://pixabay.com/ 
https://pixabay.com/ 
 
Passamos, a aprender a criticar os processos, a identificar falhas nos sistemas, as 
instituições em geral. O que levou a uma grande massa (população) que não se 
rende aos domínios impostos, a realizarem uma redescoberta dos locais, a 
compreender e criticar as ações sociais, muitos passaram a perceberem que a 
democratização do ensino não passa de um engodo; a medicina ocidental cura 
apenas de forma superficial; a justiça sé serve aos interesses das classes dominantes; 
a rigidez do meio impede a circulação das elites. Assim, teóricos como Herbert 
Marcuse e Ivan Illich seduziram uma geração inteira2. O indivíduo não é mais um 
simples “suporte da estrutura” programado conforme sua origem ou posição social. 
Tal visão levou muitos a refletir sobre as orientações das instituições, porém muitos 
ainda necessitam se envolverem com essa evolução social, é sabido que a 
rentabilidade financeira impregna os espíritos e alienação opõe-se ao convívio sadio, 
com interlocução e convivência de troca e aprendizado. Enfim, outros ideários 
passaram a ser intensificados. Neste contexto convido-os a adentrarem em um 
universo compreensivo sobre algumas destas etapas de transformações sociais, ao 
longo destas últimas décadas. 
 
 
2 Vejam no próximo item desta unidade as principais ideias destes autores. 
Surgem as atividades feministas 
Discussões envolvendo o 
processos ecológicos
O movimento de 
defesa dos 
consumidores
https://pixabay.com/
https://pixabay.com/
https://pixabay.com/
 
 
 
129 
Sociologia da Educação 
5.1.2 Considerações gerais de algumas das tendências educacionais: uma 
perspectiva sociológica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem: 
http://grad.nead.ufsj.edu.br/Pedag/disciplinas/index.php?secao=ver_unidade&id_conteudo=335&id_dis
ciplina=24&id_unidade=69 
 
É importante que você identifique que no processo que envolve as transformações 
sociais, nas últimas décadas, alguns dos princípios pedagógicos foram ampliados, 
estamos vivenciando uma transformação nos modos de conceber o processo 
educativo. 
Assim, as tendências conservadoras da educação, que são: Tradicional, Escola Nova 
e Tecnicista, vivenciadas no Brasil ao longo do século passado, e que ainda são 
praticadas por muitos docentes nas mediações dos processos escolares, vem 
Ora, é a que classificamos como
conservadoras, aquele tipo de prática
pedagógica que tem como
fundamentação a noção de que a
sociedade é uma soma de indivíduos
que deverão ser preparados para
serem adequados à vida social por
meio do processo educativo.
Você viu nas primeiras unidades as considerações sobre os 
clássicos da sociologia e algumas das concepções que dão 
estruturas para discussões acerca da educação. Identificou 
que Durkheim, com suas teorias pedagógicas, apontou que 
a educação possui um caráter funcionalista einflui em 
muitas das abordagens sobre a educação no contexto da 
denominada pedagogia moderna. Mas que pedagogia é 
esta? 
http://grad.nead.ufsj.edu.br/Pedag/disciplinas/index.php?secao=ver_unidade&id_conteudo=335&id_disciplina=24&id_unidade=69
http://grad.nead.ufsj.edu.br/Pedag/disciplinas/index.php?secao=ver_unidade&id_conteudo=335&id_disciplina=24&id_unidade=69
 
 
130 
Sociologia da Educação 
Pedagogia Tradicional
• O indivíduo é assimilador, adaptado social - O pressuposto inicial desta
concepção é que o indivíduo deve assimilar os conhecimentos acumulados no
decorrer do desenvolvimento do homem em seu estar no mundo, adaptando-
o. O aluno seria neste contexto um mero receptor de informações,
enriquecendo-o de uma cultural individual, possibilitando o seu
desenvolvimento para funções úteis no contexto da sociedade. O professor é
visto como o grande transmissor do conhecimento, sendo "dono" deste. O
docente, nesta concepção educativa, detém todo o poder cabendo ao aluno
ouvi-lo silenciosamente, para poder enriquecer sua cultura individual. Aquele
que da melhor forma aprender as informações fornecidas encontrar-se-á apto
para concorrer no mercado de trabalho, bem como estará mais bem adaptado
ao sistema, podendo galgar os mais promissores postos na escala social,
obtendo-se assim, os "cultos especialistas". É importante, que você
compreenda que ainda exista muitos cursos que possuem este modo de
pensar e de muitos educadores ainda professarem essa forma de agir
pedagógica.
perdendo aplicabilidade, dando espaços para as pedagogias, ditas progressistas. Para 
uma identificação simples, apresentaremos um resumo da prática de cada uma, 
assim você terá condição de identifica-las na prática docente. 
 
Vamos iniciar comentando as características principais das pedagógicas 
conservadoras, e delimitar quais são as suas intersecções. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
131 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pedagogia Tecnicista
• Relaciona-se com os determinantes de mercado da sociedade capitalista e
tem como pressuposto o fato de que o indivíduo se encontra adaptado à
sociedade, recebendo informações com base nos determinantes de estímulo-
reposta. As informações se constituiriam no estímulo, ao qual deve o
indivíduo apresentar uma resposta adequada (MEKSENAS, 2005). Nessa
perspectiva educacional, fica a cargo dos especialistas da educação estabelecer
e elaborar dos estímulos, o professor tem o papel de ser o instrutor de
ensino, o próprio treinador. Neste contexto, tem-se uma ligeireza na no
treinamento e profissionalização do aluno. Nesta perspectiva, as aulas são
organizadas através de recursos audiovisuais, textos programados ou livros
didáticos que se estruturam no eixo pergunta-resposta. Ao aluno não cabe o
direito ao debate ou questionamento. Apensas reagem aos estímulos que o
instrutor lhe determina. Os alunos se veem sozinhos diante de um texto que
deverá seguir com perguntas e respostas. Nem instrutor nem aluno debatem.
(MEKSENAS, 2005, p. 54). A forma dialógica do processo de
ensino/aprendizagem, não são observados neste contexto formativo, assim a
a consciência crítica que permite a ação transformadora da sociedade não é
praticada.
 
 
132 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pedagogia Nova
• O seu principal pressuposto é fazer com que, em vez de acumular os
conhecimentos produzidos pela humanidade, o aluno aprenda a maneira
como esses conhecimentos se criam, conhecendo as formas e os métodos
que lhe permitam chegar às informações produzidas e acumuladas pela
civilização humana. Nesta concepção educativa o fundamento educacional se
dá no sentido de fazer com que o aluno produza conhecimento, e não
simplesmente o transmita. Assim, a figura do aluno e do professor torna-se
importantes, o professor neste contexto é visto como orientador, e a aula
expositiva passam a não ser tão necessária. O trabalho em grupo, a dinâmica,
o debate, passam a ser uma prática valorizada, o importante é levar à
valorização da experiência, do aprender fazendo. (MEKSENAS, 2005, p.51)
Existe, portanto uma absorção, por parte do aluno, das formas e dos
métodos que lhe permitam chegar à informação. Nessa concepção de ensino
o processo de ensino/aprendizagem possui um cunho mais democrático.
Porém, essa democracia não é uma prática que abarca a todos, ou seja, não
envolve o questionamento da realidade presente nas sociedades capitalistas
marcadamente desiguais. Isso porque a democracia que se faz envolve a
liberdade de ascender socialmente e a manutenção da competição, que não é
questionada, mantendo-se de forma camuflada o princípio da adaptação do
indivíduo à sociedade, sem que seja construída uma consciência crítica que
leve à sua transformação.
 
 
 
133 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mesmo que tenhamos um direcionamento pessimista sobre o processo 
educacional, brasileiro, é interessante abordarmos as tendências que se despontam 
dentro de uma ideia progressista do processo educacional. Assim, vamos discutir 
alguns aspectos relevantes sobre as suas caracterizações e abordar as ideias que 
indicam as estruturas sociais sobre a educação. Certo? 
 
 
Enfim, pode-se observar que nas três abordagens 
pedagógicas conservadoras o objetivo primordial é a 
adaptação e a adequação do indivíduo à sociedade, mas, 
da mesma forma que indivíduos e grupos devem adaptar-
se à sociedade, eles reproduzem esta mesma sociedade 
em suas condutas, em suas visões de mundo e de homem, 
em seu ato de vivencia coletivo. Mantém-se a ordem 
estabelecida, sem questionamento e sem transformações 
radicais em sua estrutura, permanecendo, assim, a 
configuração social que se alicerça na desigualdade e na 
exclusão, como se caracteriza o contexto da sociedade 
capitalista. No Brasil, em especial, estas tendências são 
mescladas, pois nenhuma delas foi implantada de forma 
integral, e o que se percebe, em pleno século XXI que 
estas tendências, de forma ampliada ou restrita podem ser 
identificadas nas práticas docentes. O processo de 
ensino/aprendizagem com todos aqueles que nele se 
encontram envolvidos não pode ficar imune aos 
questionamentos da ordem social. É neste sentido que 
ainda podemos conceber a educação brasileira como 
conservadora. Perceba que repetimos o que está descrito 
nas caracterizações das três tendências pedagógicas, existe 
uma mescla destas percepções e não temos uma 
verdadeira educação transformadora. 
 
 
134 
Sociologia da Educação 
Mas, antes de iniciarmos nossas discussões, gostaríamos de trazer um ponto para 
reflexão: 
 
Reconhecidamente, compreende-se que a sociedade capitalista é marcadamente 
desigual e excludente, na medida em que nela se encontra presente o próprio 
processo da luta de classes, em que temos uma relação desigual entre capital e 
trabalho. Desigual porque, enquanto o capital, representado pela burguesia, dona 
dos meios de produção, tenta conservar seu status quo, seus privilégios, o trabalho, 
representado pela classe trabalhadora, detentora unicamente de sua força de 
trabalho, tenta transformar sua realidade, que é sofrida, uma vez que sofre as 
contradições do modo de produção capitalista. 
Neste contexto, podemos trazer a reflexão para a prática escolar, pois 
considerando esses aspectos sociais que não se diferem das práticas sociais, 
podemos depreender que a desigualdade presente na estrutura social perpassa os 
espaços da escola, pois a classe que detém o poder econômico no contexto das 
sociedades detém também o poder ideológico, jurídico e político desta mesma 
sociedade. Considerando a relação entre infra e superestrutura social, podemos 
observar que a escola, sendo superestrutural, reproduz as relações presentes no 
contexto da infraestrutura e exerce também o papel de legitimadora destas 
mesmas relações, que são desiguais. (NERY, 2013, p. 68) 
Mas, mesmo com tais observações, temos que compreenderque em todo sistema 
existe a estruturação de forças contrárias. Nesse contexto, o aspecto dialético, 
comum a própria dinâmica da vida social, cria forças. Assim, o aspecto contrário, 
aquele que constrói as concepções e visões de homem e de mundo surge com um 
caráter de estabelecer uma prática pedagógica mais progressista, trazendo as 
contradições, as dinâmicas diárias da vida cotidiana, o mundo em geral, para as 
relações no ambiente escolar. Portanto, a escola, não tem que necessariamente 
Existe no brasil 
algum rumor de 
educação 
progressista? 
• No Brasil, desde meados de 1970 temos um
direcionamento mais crítico para a proposta
educativa. Foi basicamente com a incorporação dos
pressupostos marxistas que a pedagogia assumiu
concepções mais críticas a respeito do processo
educativo, ou seja, da relação ensino/aprendizagem e
sua correlação com a sociedade, em geral. O papel
que a educação possui na prática social.
 
 
 
135 
Sociologia da Educação 
reproduzir as relações presentes na infraestrutura, na qualidade de instâncias 
superestrutural que é, ela pode também ser a força contrária que, sendo dinâmica, 
permita uma análise crítica da realidade social vivenciada por indivíduos e grupos e, 
assim, levar aos caminhos que possibilitem transformações nos processos de 
desigualdades sociais presentes na sociedade. Isto ocorre quando a escola 
estabelece uma prática que permite com que o aluno tome consciência da sua 
realidade social. 
 
Os estabelecimentos escolares, portanto, não podem estabelecer uma prática que 
leve a simples reprodução das ações sociais, simplesmente. Mas, precisam 
conscientizar-se de que detém uma força motriz de concepções e visões do 
processo de ensino/aprendizagem mais progressistas, que possam levar a sua 
comunidade à transformação da sociedade e, consequentemente, da própria 
escola. 
 
Os movimentos populares, as resistências ao sistema por parte dos alunos, na 
presença dos professores progressistas e questionadores da ordem vigente, a 
oportunidade de se ter uma nova concepção de mundo e de homem para além do 
próprio sistema, são ações que denotam uma visão diferenciada sobre o que vem a 
ser o processo formativo educacional. Assim, a escola por ser uma instituição social, 
não é refratária, no sentido de reter, acolher, ao que se passa na sociedade. E, 
necessita, sempre, incorporar em seu interior os movimentos que buscam 
questionar e transformar a ordem instituída. 
 
Assim, a escola: 
Com tais considerações, trazemos as ideias da Pedagogia Libertadora, como é 
denominada essa nova concepção da educação, esta questiona de forma drástica as 
formas conservadoras de educação. Esta concepção é contraria a ideia de 
adaptação dos indivíduos ao sistema, que fazem com o que sujeito compreenda sua 
condição sócio histórico como natural, e não como construção humana, como 
produto da realização do ser humano em seu estar no mundo. 
 
 
 
 
 
 
136 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A escola como processo social deve ser aberta, 
democrática, para preparar ou equipar as pessoas ou 
grupos para a mudança social, isto é, para o 
aperfeiçoamento progressivo do homem e a construção 
de um mundo melhor. (NERY, 2013, p. 70). 
A pedagogia libertadora não está preocupada apenas com 
a cultura individual do aluno, nem em modelar o seu 
comportamento para viver na sociedade capitalista, ao 
contrário: a proposta da pedagogia libertadora é partir dos 
problemas enfrentados pelo aluno no seu cotidiano para 
que ele possa compreender criticamente a sua classe social 
de origem de modo a ter uma prática transformadora da 
realidade que o cerca. Em resumo, a preocupação central 
é aprender a ler nas desigualdades do capitalismo os 
caminhos que possam levar à alteração dessa mesma 
sociedade. Nesse sentido, a pedagogia libertadora é 
progressista: coloca como eixo central a relação educação-
política. (MEKSENAS, 2005, p. 87) 
 
 
 
137 
Sociologia da Educação 
5.2 Os teóricos contemporâneos 
 
Até aqui, você foi convidado a compreender os processos que envolvem a 
sociologia da educação com as implicações referentes à prática social e a análise 
destas. Agora, para finalizarmos nossas considerações, o convite é para que 
compreenda alguns dos sociólogos, que pensaram o processo educativo de forma 
mais sistematizada, conhecendo outras nuances referentes à formação social em 
educação, certo! Assim, vamos adentrar nos aspectos referentes à sociologia da 
educação contemporânea, ressaltando que existe um fundamento entre os 
conceitos de estrutura social, sujeito, processos sociais e relações de poder. A 
relação entre estes elementos e o processo educativo é de fundamental 
importância para que possamos pensar a educação no contexto de uma 
abordagem sociológica. Vejamos o que aponta cada um dos autores que 
trouxemos para a discussão. 
 
5.2.1 Karl Mannheim 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No ideário de mannheimiano, as técnicas sociais são meios utilizados para um 
adequado controle social. 
Referência biográfica - 
http://www.buscaescolar.com/sociologia/karl-mannheim/ 
Este pensador possui uma base de suma importância para 
o planejamento democrático da educação, mas que 
sentido ele aponta para esta prática, vejamos, a seguir. 
 
 
138 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
Este pensador social indica que o comportamento humano é influenciado, de 
forma tal que se enquadre nos padrões vigentes da interação e organização social. 
Assim, a educação possui a caracterização de possibilitar o desenvolvimento do 
equilíbrio social, sem que, seja transformada em uma técnica de manipulação dos 
grupos sociais. 
 
5.2.1 Nobert Elias 
Caracteriza, em sua produção sociológica, a sociedade de corte3, abordando o 
antigo regime e o processo civilizador, apontando as forças motrizes que moveram 
o homem à civilização e os aspectos essenciais dessa mudança. Faz um estudo 
sobre as relações de poder e o conceito de habitus, abordando as relações de 
interdependência do “eu” e o “nós” no processo de constituição do indivíduo. 
Nobert Elias trata de uma sociologia processual, pois considera a relação existente 
entre a interdependência da estrutura da personalidade e a estrutura social, estas 
considerações podem ser compreendidas na seguinte citação: 
 
 
3 Livro em PDF - https://construindoumaprendizado.files.wordpress.com/2012/12/elias-norbert-
a-sociedade-da-corte.pdf 
Mas como que isso ocorre na prática escolar? 
 
 
 
 
139 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Com tais considerações, identificamos o fundamental de Nobert Elias, que é 
exatamente a presença das ideias de interdependência social do individual, assim ele 
faz uma abordagem dos processos que envolvem a configuração social, na qual se 
pode compreender como sendo um processo da dinâmica do indivíduo em 
sociedade. Nesse contexto, é importante destacar que em sua teoria, cada um 
desses indivíduos, possuem uma dinâmica específica, formando-se , portanto, o 
processo de interdependência entre os atores sociais, o que permite a estruturação 
dos grupos sociais. (NERY, 2013) 
 
Outro tema defendido por Elias (1995) é a sociologia processual, que para ele 
consiste em afirmar que a análise histórica do processo social, não é determinista, 
pois envolve uma perspectiva de longa duração, na medida em que as 
transformações sociais de caráter significativo acabam por ocorrer após longos 
períodos de tempo. E este processo histórico, não está focalizado nas épocas 
vivenciadas, Elias considera que o fato histórico, isolado na época, anula todo o 
dinamismo da construção humana de mundo, pois ele acredita que a “história passa 
Por mais certo que seja que toda pessoa é uma entidade completa 
em si mesma, um indivíduo quese controla e que não poderá ser 
controlado ou regulado por mais ninguém se ele próprio não o 
fizer, não menos certo é que toda a estrutura de seu autocontrole, 
consciente e inconsciente, constitui um produto reticular formado 
numa intenção contínua de relacionamentos com outras pessoas, e 
que a forma individual do adulto é uma forma específica de cada 
sociedade [...] o indivíduo sempre existe em nível mais fundamental, 
na relação com os outros e essa relação tem uma estrutura 
particular que é específica de sua sociedade. Ele adquire sua marca 
individual a partir da história dessas relações, dessas dependências, e 
assim, num contexto mais amplo, da história de toda a rede humana 
em que cresce e vive. Essa história e essa rede humana estão 
presentes nele e são representadas por ele, quer ele esteja de fato 
em relação com outras pessoas ou sozinho, quer trabalhe 
ativamente numa grande cidade ou seja um náufrago numa ilha a mil 
milhas de sua sociedade. (ELIAS, 1995, p. 31) 
 
 
 
140 
Sociologia da Educação 
a ser, um processo que reflete todo o fluxo das interações existentes e que se 
realizam entre indivíduo e sociedade” (NERY, 2013, p. 132). 
 
Dentro das considerações desta sociologia processual, Elias aborda o que considera 
como Habitus social os padrões de comportamento que são desenvolvidos, aos 
poucos em sociedade. Comportamento estes aceitos e exigidos socialmente “para 
o convívio no interior das denominadas “configurações sociais”, que se expressam 
de modo decisivo na formação das imagens do “eu” e do “nós” e sobre a 
produção e a reprodução das identidades “eu” e “nós” ao longo das gerações. ” 
(NERY, 2013, p. 134) 
 
Para compreendermos melhor este conceito, vejamos o que ele afirma: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O padrão social a que o indivíduo fora inicialmente obrigado a se 
conformar por restrição externa é finalmente reproduzido, mais 
suavemente ou menos, no seu intimo através de um autocontrole 
que opera mesmo contra seus desejos conscientes. Desta forma, o 
processo sócio histórico de séculos, no curso do qual o padrão do 
que é julgado vergonhoso e ofensivo é lentamente elevado, 
reencena-se em forma abreviada na vida do ser humano individual. 
(ELIAS, 1995, p.34) 
Elias (1995) considera que as mudanças que se encontram 
presentes nos costumes sociais acabam por ser 
internalizadas pelos indivíduos, moldando sua maneira de 
pensar, das maneiras de sentir e das maneiras de agir. 
Assim, no ideário de Elias a relação social do indivíduo não 
é determinista, pois este, o indivíduo em sociedade, na sua 
interdependência com a sociedade se estrutura na medida 
que se relaciona com o seu meio social, que se 
contextualiza com as práticas sociais de seu grupo. O 
autor, neste contexto, indica que a sociedade faz uma 
coerção no indivíduo para que este sinta necessidade desta 
interdependência social. (NERY, p. 132) 
 
 
 
141 
Sociologia da Educação 
5.2.2 Pierre Bourdieu 
Bourdieu foi um sociólogo Francês que teve como contributo fundamental para a 
sociologia da Educação as ideais que envolvem os processos educacionais e a 
constituição cultural de um povo. Assim, a relação dialética entre estruturas sociais e 
estruturas mentais identificadas no processo de dominação se constitui na sua 
principal contribuição, fundamentando as suas pesquisas nos elementos 
relacionados entre os elementos da mediação que envolve o agente social (ator 
social) e a sociedade (estrutura social). 
Este pensador social da educação traz em suas pesquisas três elementos 
fundamentais para que possamos compreender o processo educacional, que são 
eles: habitus, campo e reprodução. Vejamos como Bourdieu pensa estes tr6es 
elementos que estruturam os processos educacionais: 
 
Habitus
• Representa a relação de reciprocidade que se
percebe entre o mundo objetivo da estrutura social e
o mundo subjetivo das individualidades. Constituindo-
se em um sistema de esquemas individuais que se
forma por meio do contexto social, mas, sendo
internalizada por indivíduos e grupos, essa
constituição se manifesta como estruturante das
mentes, uma vez que é adquirida, formada pela
experiência prática, no contexto da realidade
cotidiana. Assim, é uma prática social e individual,
expressando a relação de interdependência presente
entre o ator social e a sua realidade social , ampliada.
O que leva a realidade social, com toda a sua força,
adentrar a mente do indivíduo e internalizar esta
realidade que terá como consequência a direção das
ações do indivíduo. (NERY,2013,p. 138)
Campo
• É no contexto do campo que o Habitus se configura. 
É um espaço de luta, por assim dizer, pois é neste 
espaço que ocorrem as relações existentes entre o 
que se pode considerar como objetividade e 
subjetividade nas relações. Sendo equacionada 
quando se considera que os atores sociais agem 
dentro de um campo determinado socialmente. 
(NERY,2013,p. 138)
 
 
142 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Reprodução
• A dimensão social e as relações de poder se constituem
no campo da dominação, o qual é interiorizado como
subjetividade. Nesse sentido a sociedade deve ser
apreendida como estratificação do poder. Quando
Bourdieu escreve a sua obra "A reprodução" define a
escola como o espaço onde encontramos formas de
serem legitimadas as desigualdades sociais presentes na
estrutura mais ampla, na medida em que esta mesma
escola deve ser entendida de acordo com as dimensões
das classes sociais. É um espaço social que, segundo o
autor, encontra-se relacionado com a reprodução das
relações de dominação presentes na sociedade.
(NERY,2013,p. 138)
Do ponto de vista da análise, deixa claro que a escola e 
sua prática somente podem ser entendidas e 
compreendidas quando relacionadas ao conjunto das 
relações entre as classes sociais. E, mais ainda, a caracteriza 
como um campo que, mais do que qualquer outro, está 
orientada para a sua própria reprodução, dado que, entre 
outras razões, ela tem o domínio da sua própria 
reprodução, embora submetida às pressões externas, 
geralmente advindas das estratégias dos diferentes grupos 
e/ou classes sociais na obtenção ou ampliação de capital 
cultural. [...] Então, não é por acidente que os filhos das 
classes dominantes têm mais sucesso na obtenção da 
cultura escolar e, consequentemente, ingressam mais 
ampla e facilmente na universidade. Como membros de 
famílias portadoras de considerável capital cultural, tanto 
intelectual quanto material, eles adquirem um habitus 
social bastante concordante habitus escolar. Daí a 
facilidade deles na aquisição dos procedimentos, esquemas 
operatórios de pensamento e linguagem mais 
enfaticamente exigidos pela escola, uma vez que, para eles, 
ao contrário dos filhos pertencentes a segmentos sociais 
culturalmente desfavorecidos, a experiência escolar é um 
prolongamento da vida familiar e do seu grupo social. 
 
 
 
 
143 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5.2.3 Michael Foucault 
De acordo com Nery (2013) Foucault trata em sua obra dos elementos que 
caracterizam a sociedade disciplinar. Foucault foi um pensador Francês que estudou 
o processo revelador/desvelador do que é o cotidiano, desenvolvendo um estudo 
sobre as estratégias de poder-saber presentes no que podemos denominar de 
mundo da vida. Este autor, também vai considerar a relação de interdependência 
presente entre o sujeito e a própria estrutura da sociedade. Este pensador social, ao 
pensar as relações sociais e a interdependência dos sujeitos com o processo social, 
aponta dois mecanismos sociais, que apresentaremos, a seguir: 
A constituição do 
sujeito
• A problemática da constituição do sujeito é um
discurso predominante nas discussões de Foucault,
assim ele considera que o sujeito possui
determinações constitutivas por meio da realidade
sociais e o contexto sócio histórico específico de
cadaum. Partindo, portanto, do sujeito concreto,
aquele que está contido em uma realidade, uma
estrutura que sofre os efeitos desta mesma estrutura,
a qual é constitutiva de subjetividades, que o sujeito
se encontra e se constitui, movido pelas
determinações da realidade objetivo sobrepõe a
realidade subjetiva, dentro do contexto das
sociedades disciplinares que o sujeito se encontra,
submetido às estruturas sociais, políticas, econômicas
e culturais. Assim, ao nos submetermos a tais
estruturas, somos efetivamente produto destas
mesmas estruturas que se impõem sobre nós. Dessa
forma, não existiria muito espaço para o império da
vontade individual. (NERY, 2013, p. 142)
Enquanto, para os filhos das classes dominantes, a cultura 
escolar é a sua própria cultura - porém, reelaborada e 
sistematizada - para os filhos das classes dominadas, a 
cultura da escola é experimentada como uma "cultura 
estrangeira". Na transmissão de conhecimentos, a escola se 
orienta, segundo Bourdieu, pela "pedagogia do implícito", 
isto é, o sucesso do aluno na aquisição da cultura escolar 
supõe, de forma implícita, a posse de um capital cultural 
herdado pelos alunos oriundos das famílias das classes 
dominantes. A escola, assim, contribui com a reprodução 
social, ou seja, a garantia da dominação pelos setores 
sociais dominantes. (BUSETO, 2006, pp. 127/128). 
 
 
144 
Sociologia da Educação 
 
Uma questão importante, discutida por Foucault implica os processos formativos do 
poder-saber que o processo educativo impõe, assim é importante destacar que a 
instituição escolar, na visão de Foucault, é um dos elementos sociais que aflora as 
relações de poder, no sentido de que é na escola que encontramos os poderes 
disciplinares e o “dispositivo do poder-saber, formando as mentes e controlando os 
corpos, naturalizando as contradições presentes no contexto social. Ao mesmo 
tempo, ela também pode ser um espaço de resistências” (NERY, 2013, p. 144) Esta 
ação se deve ao passo que o poder é constituído de forma relacional, entre os 
atores sociais, e os aspectos que envolvem a subjetividade são constituídos dentro 
dessas relações, levando-se em conta o espaço sócio histórico específico. 
 
 
 
 
Poder e resistência
• Ao pensar esta relação Foucault indica que esxista uma 
dialética, um processo que envolve forças contrárias. 
Assim, em todas as formas de poder denunciadas por 
Foucault ele aponta os elementos de resistência. Assim, 
o poder para este autor é concebido como uma 
estrtégia, pois é sempre um exercício, e'sempre 
instauraçaoi de uma tensão, de uma confronto 
permanente entre o poder e resistência. Ele indinca, em 
seus estudos que o poder esta inserido em todos os 
setores da vida, tendo inclusive se constituído em nossa 
realidade vivenciada, o que Foucault denomina de 
Tecnologia do indvíduo, manifesta em nossa 
contemporaneidade. por formas particulares do controle 
do corpo, controle que é sistemático e também 
silencioso, o que poodemos também denominar 
controle disciplinar. (NERY, 2013, p. 142) 
Na teoria de Foucault a relação de interdependência 
está presente entre o sujeito e a própria estrutura da 
sociedade. As estruturas sociais, então, são consideradas 
constituintes dos sujeitos, na medida em que é por meio 
delas que se criam visões de homem e de mundo, que 
dirigirão as condutas, as formas de agir em sociedade, 
por parte dos indivíduos e grupos. 
 
 
 
145 
Sociologia da Educação 
5.2.4 Anthony Giddens 
Este sociólogo possui expressão significativa para tempos atuais, de origem Britânica, 
traz conceitos que envolvem os aspectos relativos à “reflexibilidade” que se 
sustenta na ideia de que a realidade ao nos atingir, manifesta-se nos indivíduos de 
formas específicas para a elaboração da realidade. Neste sentido, sempre os 
indivíduos são capazes de criar algo novo, uma terceira via que nos permite circular 
adequadamente nos espaços sociais. Sua teoria envolve a dualidade –ação e 
estrutura – que possuem uma relação de interdependência - sendo que a estrutura 
é internalizada pelos atores sociais e exteorizadas, por estes. 
É importante destacar que na concepção deste pensador social, a autonomia do 
indivíduo possui espaço, pois este é capaz de elaborar a realidade que o cerca e agir 
no campo da interação social. Esta autonomia não possui um caráter total, ela e, se 
assim podemos dizer, também limitada pela regularidade da conduta que se 
encontra estabelecida no processo de interação. Mas o que é fundamento perceber 
é que a padronização dos comportamentos e das condutas de indivíduos e grupos 
não se faz de forma rígida, uma vez que existe um espaço que estabelece o que é 
permitido no contexto da estrutura social. (NERY, 2013, p. 146) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
De acordo com a cecepção de Giddens na teoria da 
estruturação, não há reigidez no que se refere às 
padronizações sociais, que possuem então um caráter 
dinâmico, no tempo e no espaço, já que os indivíduos não 
estão distanciados de sua realidade social envolvente. Ao 
articular teoria da ação e processos de reproduçãop social, 
Giddens desarticula o conceito de estrutura. De um lado, 
distingue o estrutural como o conjunto de regras e 
recursos organizados recursivamente. De outro, destaca os 
próprios sistemas sociais, entendidos como conjunto 
estrturais que podem ser definidos como relações entre os 
atores sociais ou coletividades reproduzidas e organizadas 
como práticas sociais dotadas de regularidades. (NERY, 
2013, p. 146) 
 
 
146 
Sociologia da Educação 
Outros aspectos são importantes na teoria de Giddens, vejam: 
 
 
 
De acordo com Giddens, as novas tecnologias e a economia do conhecimento, 
como ele assim denomina, estão modificando a forma como compreendemos a 
educação e o próprio ensino regular. Existe uma tendência, na visão deste pensador 
social educacional, de que o aprendizado e o treinamento fora dos espaços 
escolares, ou seja, fora da contextualização tradicional das salas de aula. Trata-se de 
um aspecto importante, pois a escola não é mais a única fonte de transmissão de 
conhecimento, de saberes no contexto das sociedades contemporâneas; outras 
fontes estão sendo experienciadas por indivíduos e grupos. 
 
 
 
 
Informação 
• A relação entre a informação e a sua integração aos
aspectos educativos. Ele aponta que este campo não é
isento de preocupações, mas muito pelo contrário, pois
indica que existe uma disparidade entre aqueles que têm
acesso e que não tem familiaridade com o uso do
computador, e mesmo o acesso a esta tecnologia, pois os
que não tiverem acesso a ele, podem sofrer as
consequências de uma forma de pobreza informacional.
Privatização do 
ensino
• O processo de incorporação das instituições privadas,
como empresas, na administração educacional. As
instituições escolares estão sendo foco de interesses
comerciais, o que pode fazer com que os prossupostos
básicos do processo educativo sejam redefinidos.
• Giddens menciona ainda que a forma como as escolas e
o próprio sistema de ensino estão organizando tende a
preservar as deseigualdades de gênero. Ainda se mantêm
regras que tendem a especificar o espaço do masculino e
o espaço do feminino no contexto da instituições
escolares.
 
 
 
147 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atividades 
Atividades 
Ao termino desta unidade sugerimos que elabore um 
quadro comparativo entre os autores citados, destaque na 
sua comparação os aspectos que envolvem os aspectos 
indicados em cada uma das colunas do quadro, a seguir: 
 
 
Pensador 
sociológico 
Concepção 
de 
indivíduo 
Concepção 
de 
sociedade 
Aspectos que 
convergentes/
divergentes 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
148 
Sociologia da Educação 
Referência Bibliográfica 
 
CHAUÍ, M., Convite à Filosofia, São Paulo, 13a. ed., Ática, 2003. 
FIGUEIREDO. A. P. O ensino religioso nométodos Sociológicos da Educação como apoio para a identificação dos fenômenos 
educacionais. 
Existem vários questionamentos acerca das possíveis 
causas do subdesenvolvimento do país e, até 
mesmo, dos possíveis motivos que ainda 
determinam a permanência do país nessa 
classificação. Ouvimos falar de questões econômicas, 
políticas, tipos de colonização e também do 
imperialismo, mas nunca se falou tanto na escassez 
educacional como impulsionadora para o 
subdesenvolvimento. Podemos tomar como 
exemplo os países que incentivam a Educação, esse 
incentivo é um fator preponderante para se 
tornarem países de “primeiro mundo”. 
Saiba mais sobre o avanço educacional em: 
Reportagem: Brasil evolui, mas segue nas últimas 
posições em ranking de educação 
https://blog.lyceum.com.br/ranking-de-educacao-
mundial-posicao-do-brasil/ 
Artigo: Destino: educação. Diferentes países. 
Diferentes respostas 
http://www.sbec.org.br/destino_educacao_livro_met 
odologia.pdf 
http://g1.globo.com/educacao/noticia/%202013/12/brasil%20evolui-mas-segue-nas-ultimas-posicoes-em-ranking-de-%20educacao.html
http://g1.globo.com/educacao/noticia/%202013/12/brasil%20evolui-mas-segue-nas-ultimas-posicoes-em-ranking-de-%20educacao.html
http://g1.globo.com/educacao/noticia/%202013/12/brasil%20evolui-mas-segue-nas-ultimas-posicoes-em-ranking-de-%20educacao.html
http://www.sbec.org.br/destino_educacao_livro_metodologia.pdf
http://www.sbec.org.br/destino_educacao_livro_metodologia.pdf
13 
Sociologia da Educação 
À medida que e a Sociologia da Educação se desenvolveu e os sociólogos 
perceberam que cada problema da sociedade merecia uma abordagem específica, a 
Sociologia foi se subdividindo em: Sociologia da Cultura, Sociologia do Trabalho, 
Sociologia da Religião, Sociologia do Conhecimento etc. 
Compreendemos, portanto, o conhecimento social como uma proposta que se 
quer desvendar e norteador dos processos em sociedade. Nesse contexto, a 
Sociologia da Educação serve de campo científico, de tecnologia, que nos permite 
reconhecer, nas relações sociais, os diversos mecanismos de funcionamento das 
instituições, servindo, portanto, de ferramental para a análise da realidade que nos 
cerca. 
Ao abordar a sociologia que envolve a educação necessitamos contextualizar os 
conceitos que envolvem a junção dos aspectos sociológicos e educacionais. Assim, 
temos que: 
1.1.1 O que é sociedade? 
Figura 1: Sociedade, um processo em construção: 
Fonte: Design Unis EaD 
Sociologia é a ciência que estuda a sociedade. 
Sociologia da Educação é o ramo da Sociologia que 
estuda as formas como a educação acontece nas 
sociedades. 
Portanto, sociologia da Educação estuda a própria 
escola e como ela se relaciona com a sociedade. 
 
 
14 
Sociologia da Educação 
Essa questão possui várias respostas. Pois, se partirmos de alguns conceitos comuns 
da vida cotidiana, encontraremos considerações diversas, como: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
"A sociedade tem culpa das delinquências e da violência!" Nesse caso, o
indivíduo que afirma vê o conceito de sociedade de forma muito genérica.
Quando um jornal fala sobre a "sociedade do interior", mas faz destaques
em matérias apenas com as personalidades famosas; provavelmente, quem
registra sobre "a sociedade do interior" vê o conceito de forma restritiva.
Quem pretende tornar-se sócio de alguém para a realização de um negócio,
fala em "estabelecer uma sociedade". Quando várias pessoas se unem em
um grupo "oculto", fala-se em "sociedade anônima" (S.A). As sociedades de
amigos, cooperativas etc.
Destaca-se, neste rol de conceitos, a "Sociedade dos Poetas Mortos", que é
o nome de um filme usado frequentemente nas aulas de História, Artes etc.
O filme traz em seu contexto a prática educativa de um professor criativo e
as aventuras dos seus alunos pelo processo reflexivo.
Mas, e para você, o que é sociedade? Reflita sobre 
essa questão! 
 
 
 
 
15 
Sociologia da Educação 
Refletiu? É importante que você considere os aspectos que envolvem a sociedade 
como objeto de análise da ciência chamada sociologia. A sociologia é uma ciência 
que tem sua origem na segunda metade do século XIX, e que serviu/serve para 
justificar a sociedade instalada na Europa, uma sociedade capitalista, industrial, ou 
seja, uma sociedade de mercado. Discutiremos esse assunto mais adiante... Por 
enquanto, a intenção é compreender apenas os processos que sustentam as 
relações no nível comparativo entre os conceitos de sociedade e sociologia (da 
educação). 
1.2 Clássicos da Sociologia 
Agora, iniciaremos um processo reflexivo importante e que faz parte do contexto 
das estruturas sociais. Pensar sociologicamente implica em discutir sobre algo e em 
realizar buscas que envolvem a prática reflexiva sobre o que está a nossa volta. 
E, para que você se familiarize com as questões que envolvem os clássicos da 
Sociologia, convido-o a conhecer os principais pensadores que contextualizam a 
Ciência social – Sociologia: Augusto Comte, Karl Marx, Émile Durkheim e Max 
Weber, além de verificar de que forma cada um deles explicou o processo social, 
suas teorias, suas ideias e os resultados de suas análises que permanecem e são 
utilizadas até hoje. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Agora, pense: como se fundamentam as 
engrenagens sociais e os aspectos sociais? 
 
 
 
16 
Sociologia da Educação 
1.2.1 Augusto Comte: O amor como princípio, a ordem como base e o progresso 
como fim. 
No século XIX, em um cenário de industrialização - Imperialismo e Capitalismo - 
surge, com Augusto Comte (1798- 1857 - França), a nova ciência – Sociologia -, que 
recebe primeiramente a denominação de Física Social. 
 
 
Essa forma de analisar e explicar a sociedade denomina-se Positivismo, que acredita 
ser a razão humana o caminho para o conhecimento e para as explicações da 
realidade social. A razão prevalece sobre as explicações filosóficas e teológicas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
P
o
r 
q
u
e
 c
iê
n
ci
a?
P
o
r 
q
u
e
 F
ís
ic
a 
S
o
ci
al
? Ciência porque tem um objeto de estudo: a sociedade. Tenta 
explicar a sociedade através de pesquisas, experimentos, hipóteses, 
análises e resultados. A realidade através de um conjunto de teorias, 
de um discurso formal, organizado.
Física Social porque Comte tenta aproximar essas análises às ciências 
da natureza, de forma precisa, exata, priorizando a objetividade em 
seus estudos e colocando na Matemática a base do conhecimento. 
 
Essa filosofia social positivista se inspirava no método da investigação das 
ciências da natureza, assim como procurava identificar na vida social as 
mesmas relações e princípios com os quais os cientistas explicavam a vida 
natural. A própria sociedade foi concebida como um organismo constituído de 
partes integradas e coesas que funcionavam harmonicamente, segundo um 
modelo físico ou mecânico. Por isso o positivismo foi também chamado de 
organicismo. (COSTA,1997, p.47). 
 Filosofia Social 
 
 
 
17 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2: Os Sociólogos Max Weber, Karl Marx e Émile Durkheim: 
Fonte:http://educiedade.blogspot.com.br/2012/11/sociologia-oo.html 
 
1.2.2 Karl Marx: crítica ao capitalismo e à exploração do homem 
Para Karl Marx (Treves - Alemanha - 1818–1883), as relações de trabalho, durante 
o processo histórico, explicam como os homens se organizavam e se relacionavam 
nas sociedades. Reconhecer o modo como produzem e distribuem as riquezas é 
fundamental para conhecer o tipo de sociedade em que estamos inseridos. Desta 
forma, Marx identificou, no processo histórico, o elemento que move a sociedade – 
a luta de classes, as contradições entre as forças produtivas, e observou que a 
sociedade está dividida em classes sociais com interesses opostos. 
 
As características positivistas de priorizar as ciências 
exatas, a harmonia social, organização, disciplina, 
coerção, coesão, tradicionalismo, racionalidadeBrasil – tendências, conquistas, 
perspectivas. Petrópolis: Vozes, 1996. 
GANDIN, D. Escola e transformação social. 3.ed. Petrópolis: Vozes, 1995. 
JUNIOR, P. G. História da Educação. São Paulo: Cortez, 1990. 
NERY, Maria Clara Ramos. Sociologia da Educação. Curitiba: InterSaberes, 2013. 
RODRIGUES, A. T. Sociologia da educação. São Paulo: Lamparina, 2007. 
TOURAINE, Alain. Poderemos viver juntos? Iguais e diferentes. Petrópolis: Vozes, 
2003. 
DURKHEIM, É. A evolução pedagógica. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. 
DURKHEIM, É. Educação e Sociologia. 10 ed. São Paulo: Melhoramentos, 1975. 
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia – saberes necessários à prática educativa. 18ª 
ed. São Paulo: Paz e Terra, 2001. 
Giroux, H. A. 2003. Atos Impuros: a prática política dos Estudos Culturais. Porto 
Alegre: Artmed. 
GRAMSCI, A. Os intelectuais e a organização da cultura. Tradução de Carlos 
Nelson Coutinho. 4ª Ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1982. 
SOUSA, J. V. Sociologia da Educação. In: Coleção Veredas – Formação de 
Professores. Guia de estudo Módulo 1, Volume 3. Belo Horizonte: SEE/MG, 2002. 
ARON, R.. As etapas do pensamento sociológico. 6ª ed, São Paulo: Martins Fontes, 
2002. 
BOURDIEU, P. Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1983. 
BUSETTO, Á. A sociologia de Pierre Bourdieu e sua análise sobre a escola. In: 
CARVALHO, A.B. de; SILVA. W.C.L. da (org) Sociologia e Educação: Leituras e 
interpretações. São Paulo: Avercamp, 2006. 
CHAUI, M. “A filosofia como vocação para a liberdade” in Estudos Avançados, 
2003. 
http://www.atica.com.br/
 
 
 
149 
Sociologia da Educação 
DURKHEIM, É. A evolução pedagógica. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. 
DURKHEIM, É. Educação e Sociologia. 10 ed. São Paulo: Melhoramentos, 1975. 
ELIAS, N. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: J. Sahar Editores, 1995. 
FORQUIN, J.C. Escola e cultura – As bases sociais e epistemológicas do 
conhecimento escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993. 
FOUCAULT. M. Vigiar e Punir. Petropólis: Vozes, 2006. 
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia – saberes necessários à prática educativa. 18ª 
ed. São Paulo: Paz e Terra, 2001. 
GADOTTI, M. Concepção dialética da Educação. São Paulo: Cortez, 1983. 
GANDINI, R. Intelectuais, Estado e Educação. Campinas: Editora da Unicamp, 1995. 
GIROUX, H. A. 2003. Atos Impuros: a prática política dos Estudos Culturais. Porto 
Alegre: Artmed. 
GRAMSCI, A. Concepção dialética da história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 
1968. 
GRAMSCI, A. Os intelectuais e a organização da cultura. Tradução de Carlos 
Nelson Coutinho. 4ª Ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1982. 
MAKSENAS, P. Sociologia da Educação: introdução ao estudo da escola no 
processo de transformação social. São Paulo: Edições Loyola, 2005. 
MANACORDA, M. A.. Historia da Educação. Da Antiguidade aos nossos dias. 
Cortez. SP. 2002 
NERY, M. C. R.. Sociologia da educação. Curitiba: InterSaberes, 2013. 
PILETTI, N. e PRAXEDES. W. Sociologia da Educação – 1ª ed. São Paulo: Ática, 
2010. 
RODRIGUES. A.T. Sociologia da educação. São Paulo: Lamparina, 2007. 
SAVIANI, D. Tendências e correntes da educação brasileira. In MENDES, D. T. 
Filosofia da educação brasileira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983 
SOUSA, J. V. Sociologia da Educação. In: Coleção Veredas – Formação de 
Professores. Guia de estudo Módulo 1, Volume 3. Belo Horizonte: SEE/MG, 2002. 
TAURAINE, A. Podemos viver juntos? Iguais e diferentes. Petrópolis: Vozes, 2003e 
hierarquia, estão presentes na Educação. O 
Positivismo considera que, para haver progresso, os 
caminhos são a ordem social, a industrialização e a 
República. Suas ideias influenciaram os movimentos 
da Proclamação da República Brasileira em 1889. 
Um dos seus líderes foi o professor de Matemática 
e militar Benjamim Constant. 
 
 
 
18 
Sociologia da Educação 
Portanto, cada sociedade tem seu modo de produzir, utilizar e distribuir seus bens. 
Estes modos de produção podem ser Primitivo, das primeiras organizações 
humanas, Escravista que predominou na Antiguidade (Grécia e Roma), Asiático 
presente nas sociedades do Egito Antigo, China, Astecas e Incas, Feudal que 
predominou na Europa ocidental (século V até XVI), Capitalista e o modo de 
produção Socialista, onde a propriedade social dos meios de produção são públicos 
ou coletivos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para Marx, o estudo do modo de produção é fundamental para 
compreender como se organiza e funciona uma sociedade. As relações de 
produção, nesse sentido, são consideradas as mais importantes relações 
sociais. Os modelos de família, as leis, religião, as ideias políticas, os valores 
sociais são aspectos cuja explicação depende, em princípio, do estudo do 
desenvolvimento e do colapso de diferentes modos de produção 
(COSTA,1997, p. 92). 
Marx e a Produção 
 
Formas como os homens se organizam para produzir. Podem ser: 
cooperativas, escravistas, servis, capitalistas. 
Relações de produção: 
 
As forças produtivas (capital, ferramentas, máquinas, homem = principal 
elemento) e as relações de produção (exploração ou cooperação) 
determinam o modo de produção. 
Modo de produção: 
 
 
 
19 
Sociologia da Educação 
Com o advento da tecnologia, a sociedade se mantém dividida em segmentos, 
como a burguesia industrial e o proletariado. Estas divisões e o modo como se 
organizavam são elementos para as reflexões de Marx, registradas em várias obras, 
produzidas individualmente ou em parceria com Friedrich Engels, centradas na 
relação entre capital e trabalho. 
 
 
 
 
 
 
Segundo Marx, as mudanças nas relações de trabalho só ocorreriam com a 
revolução, com a chegada dos proletários ao poder e quando as forças produtivas 
estivessem sob controle dos trabalhadores. Acreditava que com o fim da 
propriedade privada as desigualdades sociais também acabariam. 
Marx trabalhou com vários conceitos, dentre eles destacamos Alienação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O Manifesto Comunista – Friedrich Engels e Karl 
Marx 
O Capital – Karl Marx 
 
 
Marx desenvolve o conceito de alienação mostrando que a industrialização, 
a propriedade privada e o assalariamento separavam o trabalhador dos 
meios de produção – ferramentas, matéria-prima, terra e máquina, que se 
tornaram propriedade privada do capitalista. Separava também ou alienava 
o trabalhador do fruto do seu trabalho, que também é apropriado pelo 
capitalista ( COSTA, 1997, p.84-85). 
Alienação 
 
 
20 
Sociologia da Educação 
O conceito de alienação pode ser visto, ainda, no sentido de análise dos aspectos 
que envolvem os processos com os quais o profissional vivencia dentro das 
organizações, ou seja, é possível identificar que as estratégias de Gestão das 
empresas elaboraram técnicas capazes de mapear quanto o trabalhador reconhece 
como saber em relação ao processo produtivo. Mas esses aspectos também são 
limitadores dessa capacidade. Quando nos referimos a uma análise dos cargos, nada 
mais é do que o mapeamento do conhecimento e também é a divisão sistêmica do 
processo produtivo, que serve como agente limitador. 
 
Figura 3: Alienação 
Fonte: Imagem de domínio público 
 
Sem falar no processo repetitivo
pelo qual o tabalhador passa. Aí,
basicamente, está o início da
Alienação.
No processo mais avançado da
alienação, o individuo não consegue
identificar a sua verdadeira essência.
 
 
 
21 
Sociologia da Educação 
Outro fator que envolve o processo alienante refere-se às questões da mídia em 
geral, como bem aponta a Tirinha, vamos analisá-la? 
 
Figura 4: Mídia alienante: 
Fonte: Design EaD em Pixton.com 
Observem que a massificação da sociedade por meio dos processos que envolvem 
o capitalismo e o liberalismo alienam o indivíduo nas suas estruturas e no modo 
como age. Marx considera que na política, agindo no sistema de representatividade 
(representação da sociedade), as classes dominantes estão sempre no poder e 
agem segundo os interesses desta elite. Mas uma consideração é importante: 
precisamos reconhecer que estes conceitos estão presentes no nosso dia a dia. 
Pense sobre isso! 
Marx faz a interpretação socioeconômica da História, ao interpretar que o modo 
como os homens produzem a sua vida material, que está na base, como o capital, a 
terra, ferramentas, relações de produção (infraestrutura) determinam a estrutura 
ideológica, como a política, a moral, religião, a mídia, a escola (superestrutura) de 
uma sociedade. 
Suas ideias vão inspirar revoluções também no ensino. Vários pensadores como o 
italiano Antônio Gramsci e o russo Makarenko seguirão Marx, aplicando suas ideias 
na educação. Karl Marx produziu obras na área da Sociologia, Economia, Filosofia. 
Suas análises, propostas, reflexões e críticas permaneceram por dois séculos (XIX, 
XX) e continuam no século XXI, inspirando os movimentos sociais, políticos e 
econômicos, na luta por uma sociedade mais justa. 
 
 
 
22 
Sociologia da Educação 
1.2.3 Max Weber: poder é a capacidade de mobilizar pessoas. 
Iniciamos as reflexões com o organizador da Sociologia (Augusto Comte) e em 
seguida Marx, que considera o Capitalismo o caminho para a desigualdade, 
afirmando que suas características se estruturam em uma sociedade de classes de 
exploradores e explorados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Porém, a análise social encontra diferentes parâmetros. Desta forma, temos o 
alemão Max Weber (1864- 1920) que via no Capitalismo o caminho da 
modernidade. Viveu na Europa em uma fase de intensos conflitos e mudanças, 
como a estruturação do Estado Alemão, a Guerra Franco-Prussiana (1871) e a 
Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Após a derrota da Alemanha na 1ª Guerra, 
participou da elaboração da constituição denominada Constituição de Weimar. 
Esta vivência vai propiciar a Weber a possibilidade de analisar o funcionamento das 
instituições burocráticas nas empresas e no Estado e desenvolver o que se 
denomina Sociologia das Organizações. 
 
Considera que o Capitalismo é a expressão da modernidade e da racionalidade; 
valoriza o empresário, a burguesia e o liberalismo americano, afirmando que este 
era o modelo do progresso; faz suas análises partindo da ação do homem e das 
razões que o motivam a realizá-las, o que se denomina de Ação Social. 
 
 
É importante que você fique atento ao período e ao 
ambiente de vivência dos pensadores, pois, desta 
forma, compreendem-se as relações que existem 
entre as questões sociológicas, comportamentais e 
os paradigmas de cada época - contexto histórico e 
geográfico (revoluções, guerras, tecnologia, 
imperialismo, práticas políticas e econômicas). 
 
 
 
 
23 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
O elemento principal desta análise é o homem, a sua conduta e seu 
comportamento, que, para Weber, é dotada de sentido. O sujeito age motivado 
pelas tradições, interesses racionais ou emocionais. Age com subjetividade, tem 
razões interiores que motivam suas ações. 
 
Para esse pensador, a Sociologia é a ciência que o ajudou a compreender a conduta 
humana, suas causas e consequências. 
 
Em sua obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Weber descreve a 
atuação dos adeptos do Protestantismo e do Capitalismo, fazendo comparações, 
estabelecendo relações entre religião, desenvolvimento, comportamento social e 
economia. 
 
 
 
 
 
 
Ressalta que as práticasda disciplina ao trabalho, a cultura à poupança e o 
reemprego produtivo da riqueza, são equilibradas pela ética da religião protestante; 
Ação Social: conduta humana, pública ou não, a que 
o agente atribui significado subjetivo. (LAKATOS, 
1999). 
 
 
Weber parte de dados estatísticos que lhe mostraram a proeminência de 
adeptos da Reforma Protestante entre os grandes homens de negócios, 
empresários bem-sucedidos e mão de obra qualificada. A partir daí procura 
estabelecer conexões entre a doutrina e a pregação protestante, seus 
efeitos no comportamento dos indivíduos e sobre o desenvolvimento 
capitalista (COSTA,1997, p. 75). 
Protestantismo e Capitalismo 
 
 
24 
Sociologia da Educação 
difunde ideias de que o Capitalismo deve ser construído por homens com 
escrúpulos, disciplinados, ascéticos. 
 
 
 
 
 
 
 
Esse pensador social reconhece quatro tipos de ações sociais, que são: 
Ação racional referente a fins. É a ação pensada, calculada,
planejada, orientada, especificamente por uma finalidade que se
deseja atingir. Quando fazemos um projeto, apontamos os
objetivos, isto é, os fins, as metas que pretendemos atingir e os
meios através dos quais pretendemos atingir tais fins.
Ação racional com relação a valores. É uma ação também
pensada, planejada, orientada. Porém, quem age orientado pelos
valores não está interessado em criar algo novo. Age em função
de algo que está na moda.
Ação afetiva, especialmente emocional. É a ação movida por um
estado emocional, seja demonstrando afeição, alegria, seja
demonstrando tristeza, ódio, rancor, etc.
Ação tradicional. É a ação motivada pelo valor da tradição, pelo
costume arraigado . Algo é tradicional por se repetir e não
modificar com o tempo.
Você conhece as relações que se estabelecem entre 
a prática religiosa dos adeptos da Igreja protestante 
e o desenvolvimento econômico de alguns países 
como EUA, Alemanha, Inglaterra e Suíça? Pois é, 
estão fundamentadas nas ideias de Max Weber! 
 
 
 
 
25 
Sociologia da Educação 
1.2.4 Davi Émile Durkheim: “educação, imagem e reflexo da sociedade” 
Émile Durkheim (1858–1917) viveu na França em um tempo de 
transformações, como a Proclamação da 3ª República Francesa (1871) e a 2ª 
Revolução Industrial que se espalhou pela Europa e EUA (antes privilégio somente 
da Inglaterra) com a utilização de novas fontes de energias (petróleo – elétrica) e o 
fortalecimento das relações de trabalho baseadas no Capitalismo. Abre o caminho 
para um novo estudo específico: Educação e Sociedade: - A Sociologia da Educação 
que vai analisar as instituições de ensino, verificando as relações existentes entre 
escola e sociedade. 
Em suas análises sociais, parte da objetividade, do fato concreto e, assim como 
Augusto Comte, reconhece a sociedade como um organismo biológico. 
 
 
 
 
 
 
Continuação da caixa acima: “Para exemplificar este conceito, observe as imagens 
abaixo, como cada uma está organizada e reflita: é possível enxergar uma relação 
entre elas? 
Figura 5: Vista aérea de Chicago 
 
 
 
 
 
 
Fonte: https://superjchung.wordpress.com/2009/07/29/aerial-view-of-chicago/ 
Organicismo: a sociedade funciona como um 
organismo vivo, onde cada indivíduo tem uma 
função específica. 
 
 
 
26 
Sociologia da Educação 
Figura 6: Célula do Córtex 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: https://www.researchgate.net/figure/294893108_fig1_Figure-11-Drawing-of-a-Purkinje-neuron-
based-on-a-histological-staining-by-Santiago 
 
Figura 7: Planejamento Urbano de Barcelona 
 
 
 
 
 
 
Fonte: http://conquistapolitica.blogspot.com.br/2012/03/planejamento-urbano-o-caso-de-
barcelona.html 
 
 
 
 
 
27 
Sociologia da Educação 
Durkheim observa que a sociedade atua sobre o indivíduo com o poder da 
Coerção (pressão), e que existe uma Consciência Coletiva que age como um 
equalizador das ações, motivando as pessoas do grupo social a se comportarem ou 
pensarem de maneiras parecidas, definindo o que é normal, moral ou imoral. 
 
 
 
 
 
 
Durkheim caracterizava a sociedade por tipos diferentes de solidariedade, que 
considerava como um fator de transformação social: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Consciência Coletiva: conjunto de crenças e dos 
sentimentos comuns à média dos membros de uma 
mesma sociedade que formam um sistema 
determinado com vida própria (Durkheim, APUD 
COSTA, 1997). 
 
 
A sociedade que atuava antes do capitalismo, que era baseada nos laços 
familiares e na religiosidade, nas tradições, na partilha do conhecimento e 
com as mesmas crenças. Como exemplo temos as sociedades indígenas e 
pré-capitalistas. 
Solidariedade Mecânica: 
 
Característica do capitalismo, da modernidade, em que o trabalhador se 
especializa, exige formação escolar e as relações provocam independência 
da Consciência Coletiva. 
Solidariedade Orgânica: 
 
 
28 
Sociologia da Educação 
Para estudar a sociedade, Durkheim deixou evidente que seu objeto de estudo 
eram os Fatos Sociais. Os Fatos Sociais apresentam características como a 
exterioridade, a generalidade e a universalidade. Então, comportamentos, ações, 
costumes, regras, leis e tradições que estão evidentes na sociedade são 
considerados Fatos Sociais. 
 
 
 
 
 
 
 
Os fatos sociais são exteriores ao indivíduo, quando chegamos ao meio social eles 
já estão prontos e devem ser analisados, medidos, comparados com neutralidade, 
independentes do que pensamos sobre determinado acontecimento. Considerar a 
imparcialidade na análise social é fundamental para que se tenha resultados com 
caráter científico. 
Por exemplo, a língua falada por uma determinada sociedade, a maneira como se 
realizam a prática educativa, as cerimônias de casamento, o vestuário, as moradias, 
as moedas e as leis. Estes elementos já estão cristalizados na sociedade para serem 
seguidos, não dependem só de um sujeito, é geral, normal, universal, estão 
presentes em todos os grupos, e devem ser seguidos por todos, para que exista a 
harmonia, e são considerados primordiais para se promover o desenvolvimento 
social. 
 
 
 
 
 
Fato Social: É toda maneira de agir, fixa ou não, 
suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção 
exterior, que é geral na extensão de uma sociedade 
dada, apresentando uma existência própria 
independente das manifestações individuais que 
possa ter (Durkheim, APUD COSTA, 1997). 
 
Pense nisso! Você já percebeu que, em um grupo 
social, quando uma pessoa tem opções diferenciadas 
dos costumes e tradições, quando não está de 
acordo com os poderes estabelecidos pela 
sociedade, muitos têm um olhar de censor sobre 
ela? 
 
 
 
 
29 
Sociologia da Educação 
Segundo Durkheim, é importante que exista a união, um modo parecido de pensar 
e agir entre os grupos sociais, para que se mantenha a ordem e a disciplina. 
Denominou a força que atua na sociedade de Coesão. Assim, a Sociologia era o 
caminho para os problemas sociais da época, conhecendo a sociedade, poderíamos 
agir sobre ela, em busca da normalidade, sem que existissem conflitos. 
 
 
 
 
 
 
Dentre os clássicos da sociologia, Durkheim é o pensador que mais se dedicou a 
escrever sobre Educação. Afirmava que a Educação contribuiria para manter a 
ordem social. Que a Educação tem o papel de reordenar a sociedade e afastar os 
conflitos tão comuns na sociedade moderna. 
A harmonia e a homogeneidade social se estabelecem e se perpetuam através da 
Educação. 
O sistema de crenças, normas e valores já está pronto na sociedade, mas necessita 
de um encaminhamento para incorporá-lo. Durkheim identifica a Educação como o 
elemento facilitador da incorporação dos comportamentos nos grupos sociais, o 
caminho da socialização dos jovens. Quanto mais eficiente é a ação educativa, 
melhor o desenvolvimento da comunidade. Portanto, para ele, “o homem é produto 
da sociedade”. 
 
 
 
 
 
 
Sabe qual era o caminho proposto para atingira 
normalidade e harmonia social? A EDUCAÇÃO! 
ATENÇÃO: “O homem é produto da sociedade, 
produto do meio”. 
Você se lembra de já ter ouvido ou falado essa frase 
nas conversas informais, fora de qualquer debate 
científico? Então, saiba que essa ideia se concretizou 
com os estudos de Émile Durkheim. 
 
 
 
30 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
Para Durkheim, a ação do educador e da Educação é determinante para formar o 
homem de acordo com os modelos e padrões “desejados” pela sociedade, 
acatando as leis, regras e normas. Esta ação educativa deve ser laica, obrigatória, 
pública e sem a interferência do Estado; promover a homogeneidade e harmonia 
social, difundindo uma moral integradora (coesão social) que levará ao progresso, 
sem a necessidade dos conflitos sociais (lembra-se de Karl Marx – Teoria do 
Conflito?). Portanto, a Educação é o caminho da socialização, do ordenamento das 
relações e do progresso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A sociedade não poderia existir sem que houvesse em seus membros certa 
homogeneidade, a educação perpetua e reforça essa homogeneidade, 
fixando de antemão, na alma da criança, certa similitudes essenciais, 
reclamadas pela vida coletiva 
(DURKHEIM, “A educação como Processo Socializador: Função Homogeneizadora e Função Diferenciadora”. In: 
PEREIRA, L. e FORACCHI, M. Educação e Sociedade, São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1972). 
Atividades 
1. Reflita sobre as atuações educacionais ao longo da 
história e, partindo da sua reflexão, identifique: 
a. Como funcionam os mecanismos de coerção 
social? 
b. Tomando como base as suas experiências 
educacionais e/ou observações sobre a prática 
educativa, dê um exemplo de uma situação em que 
a coerção social é praticada. 
 
2. Quais diferenças existem entre os processos que 
envolvem a coerção e a coesão escolar na 
atualidade? 
 
 
 
31 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. Marx elaborou uma teoria crítica do capitalismo, 
demonstrando que a sociedade capitalista é dividida 
em classes sociais com interesses opostos. Reflita 
sobre esses interesses, registrando o que você 
apreendeu sobre o assunto. 
 
4. Ao se afirmar que a teoria de Max Weber 
envolve uma sociologia da ação social, estamos 
dando destaque para os propósitos que os agentes 
sociais atribuem às suas ações num determinado 
meio. Comente como as propostas de Weber 
interferem no processo educacional. 
 
 
32 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 Identificar elementos de resistência cultural e transformação social no 
processo de constituição do fenômeno educativo; 
 Identificar as características principais da educação como um processo de 
equalização social; 
 Identificar as características principais da concepção de educação como fator 
de reprodução social. 
 
 
 
 
 Ciclo 02 
 
 
 
 
Unidade II – Interpretação 
e Análise Sociológica do 
Fenômeno Educacional 
Objetivos da Unidade 
 
 
Plano de Estudos 
 
 
II 
 
 
 
33 
Sociologia da Educação 
É importante destacar que você, ao se inserir em um estudo superior, 
principalmente em um que estabelece a formação profissional de professores, está 
adentrando nas categorias intelectuais de reflexão sobre os contextos sociais ligados 
à sistematização das práticas em sociedade. Assim, como um trabalhador da 
educação, você se especializará no sentido de ofertar a sua força de trabalho em 
prol da melhoria intelectual de uma determinada comunidade. 
 
 
 
 
 
 
Enfim, é esse o assunto fundamental desta Unidade, a discussão sobre o papel da 
educação, o lugar e o tempo em que ela se concretiza, com mediações tangíveis 
que se estabelecem no reconhecimento da existência das diferenças sociais e 
culturais vigentes em determinados espaços. Porém, não podemos deixar de 
reconhecer que existem relações de desigualdades sociais, que permitem a alguns 
povos/classes exercerem a dominação sobre outros, tornando o processo 
educativo um instrumento que gera tais desigualdades. Assim, a discussão que se 
segue tangenciará as práticas educativas laborais, muitas vezes permeadas por ações 
docentes que podem estar, na realidade, legitimando as condições em que a 
dominação é exercida, o que se configura como a fraqueza da educação. Convido-
o(a) a adentrar nessas discussões, pois são de fundamental importância para a sua 
base formativa. Vamos lá! Vamos enveredar-nos pelos assuntos? 
 
 
 
 
 
Já refletiu sobre isso? Já dimensionou que você é 
formador de opiniões, de estruturações sociais? 
 
 
 
34 
Sociologia da Educação 
2.1 Sociedade, educação e processos de trabalho 
Se lhe questionarem: o que é educação? O que você responderia? 
 
Figura 1: Educação, uma resposta? 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Design Unis EaD 
 
Refletiu? Registrou suas considerações? Bom, é importante reconhecer que essa 
questão não é simples, pois demanda que tenhamos uma vivência sobre os 
processos para considerarmos os fatores que essa questão implica. Pois muitos 
passam anos na prática educativa e não chegam a um conceito. 
Assim, nossa tarefa nesta Unidade é discutir os propósitos que envolvem a prática 
educativa em sociedade, como uma ação que se estabelece na instituição escolar, 
tendo como agente dessas práticas as ações docentes, ações que envolvem um 
trabalho - um fazer. 
Mas, para que possamos compreender a divisão que o trabalho possui, é necessário 
compreendermos as caracterizações da divisão do trabalho apregoadas por Marx e 
Durkheim. Nesse sentido, convido-o(a) a se aprofundar nesse assunto com o texto 
indicado como leitura complementar: 
 
 
 
 
 
TEIXEIRA, Aurenice da Mota . A educação e seus 
reflexos na divisão social do trabalho - Revista 
Magistro - ISSN: 2178-7956 . Vol. 8 Num.2, 2013. 
Disponível em: 
http://publicacoes.unigranrio.edu.br/index.php/magist
ro/article/viewFile/2102/999, acessado em 
22.04.2016. 
 
http://publicacoes.unigranrio.edu.br/index.php/magistro/article/viewFile/2102/999
http://publicacoes.unigranrio.edu.br/index.php/magistro/article/viewFile/2102/999
 
 
 
35 
Sociologia da Educação 
Reconhecer que a escola, desde que passou a ser reivindicada para todos, começou 
a ser vista como um direito do cidadão e um dever do estado. Uma educação 
formal, que concentra o ensino de conteúdos específicos, organizados em um 
currículo, em um tempo determinado, sequencial, com avaliações, notas, 
aprovações, reprovações, certificados e diplomas para aqueles que completam 
determinados níveis de escolarização. Esse novo modo de produção passou a exigir 
trabalhadores cada vez mais qualificados para o exercício de funções cada vez mais 
complexas. 
Para que você possa aprofundar um pouco mais nessas ideias, sugerimos que leia o 
seguinte artigo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É importante que você compreenda que, nas relações da formação social, os 
modos de produção capitalista possuem diversidades, vejamos: 
 
 
 
 
 
 
 
GUEDES, Maria Denise. Educação e Formação 
Humana: a contribuição do pensamento de Marx 
para a análise da função da educação na sociedade 
capitalista contemporânea. 
Disponível em: 
 acessado em 13.04.2016 
 
 
O capitalismo passou a ser o modo de produção dominante na maior parte 
do mundo. Entretanto, não extinguiu a produção artesanal e a manufatura. 
Ele as modificou e as submeteu à lógica do mercado que impôs no mundo 
todo. O que caracteriza a grande indústria, além da divisão técnica do 
trabalho e do uso crescente da maquinaria, é a submissão do trabalhador à 
máquina e ao dono dos meios de produção. 
Capitalismo no modo de produção 
http://www.unicamp.br/cemarx/anais_v_coloquio_arquivos/arquivos/comunicacoes/gt5/sessao4/Maria_Denise_Guedes.pdf
http://www.unicamp.br/cemarx/anais_v_coloquio_arquivos/arquivos/comunicacoes/gt5/sessao4/Maria_Denise_Guedes.pdfhttp://www.unicamp.br/cemarx/anais_v_coloquio_arquivos/arquivos/comunicacoes/gt5/sessao4/Maria_Denise_Guedes.pdf
 
 
36 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Durkheim considera a divisão do trabalho de uma forma distinta da visão marxista, 
ele considera que a sociedade se estabelece no sentido do consenso, e perguntava: 
como a ordem e a estabilidade social são possíveis? E como a educação deverá 
estar a seu serviço? 
 
 
Marx faz uma severa crítica a essa divisão do trabalho, porque ela não 
permite a todos os trabalhadores desevolverem suas potencialidades. Ele 
atribuía grande importância tanto ao trabalho manual quanto ao trabalho 
intelectual. O grande problema, para ele, era que, na sociedade capitalista, 
aqueles que se ocupam do trabalho manual estão impedidos de se 
dedicarem ao trabalho intelectual. Era necessário, portanto, superar as 
condições adversas que impediam os trabalhadores de refletirem sobre 
suas condições de existência. 
Crítica ao processo de trabalho 
Essa é a visão Marxista do processo educacional. 
Mas e a visão de Durkheim? Como esse sociólogo 
via as relações sociais e educacionais em seu tempo? 
 
 
 
 
37 
Sociologia da Educação 
E considera o seguinte: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Educação é o mesmo que socialização e tem por objeto formar o ser 
social, isto é, tornar o ser egoísta que somos ao nascer em um sujeito 
socialmente ajustado. Toda criança deseja que o mundo seja seu. É através 
da educação que ela aprende a conviver na sociedade, reconhecendo o 
outro. Esse ser social é produto da coerção exercida pela sociedade, que 
tende a moldar a criança à sua imagem, "pressão de que tanto os pais, 
quanto os mestres não são senão representantes e intermediários" 
(DURKHEIM, 1990, p. 5). 
Esse pensador atribuía à escola uma importância fundamental, por dois 
motivos principais: por um lado, caberia à escola desenvolver aptidões 
individuais, permitindo aos indivíduos se adequarem à divisão do trabalho. E, 
por outro lado, relaciona a importância da escola no processo de 
socialização, criando e difundindo ideias que reforçam as estruturas da 
sociedade. 
Educação como formador do ser social 
 
Durkheim vê a sociedade como um conjunto de fatos sociais integrados. 
Fatos sociais e as instituições exercem sobre o indivíduo uma coersão 
exterior. Assim, a família, Igreja, escola e Estado são instituições que, através 
dos seus intermediários ou mediadores - Pais, pregadores, professores e 
governo - impõem-se sobre os indivíduos, moldando-os à sua imagem. 
Todas as instituições são socializadoras. E socializar, segundo Durkheim, é 
fazer com que os indivíduos partilhem as ideias e as normas vigentes em 
uma sociedade. 
Educação como uma integração de Fatos 
Sociais 
 
 
38 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
Bem, a resposta para essa questão é bastante simples! Toda essa discussão tem 
como propósito a sua preparação, para que, posteriormente, você possa 
compreender que os professores devem ser sujeitos sociais do processo educativo, 
interferindo, assimilando, modificando, criando, interagindo com tudo o que se 
manifesta em sua volta, desenvolvendo um compromisso de conhecer a realidade a 
qual pertencem e se inserem, observando e participando da sua construção, 
evolução e transformação. 
 
Em síntese Durkheim acreditava que a sociedade seria mais beneficiada
pelo processo educativo. Para ele, "a educação é uma
socialização da jovem geração pela geração adulta". E quanto
mais eficiente for o processo, melhor será o desenvolvimento
da comunidade em que a escola esteja inserida.
Nessa concepção durkheimiana - também chamada de
funcionalista -, as consciências individuais são formadas pela
sociedade. Ela é oposta ao idealismo, de acordo com o qual a
sociedade é moldada pelo "espírito" ou pela consciência
humana. "A construção do ser social, feita em boa parte pela
educação, é a assimilação pelo indivíduo de uma série de
normas e princípios - sejam morais, religiosos, éticos ou de
comportamento - que baliza a conduta do indivíduo num
grupo. O homem, mais do que formador da sociedade, é um
produto dela", escreveu Durkheim.
Texto adaptado de: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/criador-
sociologieducacao-423124.shtml, acessado em 24.04.2016. 
Você deve estar se perguntando: por que conhecer 
todos esses processos que envolvem questões 
econômicas e políticas, não é mesmo? 
 
 
 
39 
Sociologia da Educação 
Figura 2: Metas e educação: 
Fonte: Design EaD em Pixton.com 
 
Olhares e análises desta realidade social nos impulsionam, despertando um 
sentimento de pertencimento. Lembrando que a incompletude do ser nunca se 
esgota, pois encontramo-nos em constante processo de aprendizagem, como já 
dizia Freire, faz-se necessário que o homem entenda a sua relação com o mundo, 
este que o circunda, ou seja, o homem é um ser de relações e “[...] não só de 
contatos, não só está no mundo, mas com o mundo. [...].” (FREIRE, 1989, p.39). 
Assim, pode-se concluir que somente “o ser humano é um ser de relações num 
mundo de relações [...]”, a sua presença no mundo implica uma presença que é 
“um estar com, e dessa forma compreende um permanente defrontamento com o 
mundo.” (Idem, p. 39) 
 
 
 
 
 
40 
Sociologia da Educação 
É nesse contexto de envolvimento com o mundo que o processo de aprendizagem 
surge e que variadas facetas dos saberes sociais somam-se para dar fundamentação 
às estruturas da sociedade. Dentre essas estruturas, encontramos as 
fundamentações sociológicas, que são importantes para que o professor possa 
investigar, analisar, conhecer, refletir, questionar, comparar, selecionar informações, 
estabelecer relações, encontrar caminhos e diretrizes. 
A Educação, portanto, tornou-se mais um dos caminhos que buscamos para 
superar este estágio que é caracterizado pelos indicadores vitais (fome, miséria, 
doenças), econômicos (renda per capta), políticos (corrupção) e sociais (violência, 
trabalho infantil e escravo), que nos classificam como subdesenvolvidos. 
Assim, é importante destacar que, desde os tempos remotos, o homem busca 
explicações sobre a sociedade. No início, essas respostas eram mitológicas; depois, 
filosóficas e teológicas; no Século XIX, surge uma ciência específica para explicar o 
fenômeno social – é a Sociologia. 
Mas, voltemos à nossa questão: “a educação precisa de respostas!” Podemos 
considerar que existem tantos tipos de educação quantas forem as sociedades 
existentes. Sabemos que a sociedade capitalista atual é marcada por profundas 
desigualdades, em que os interesses políticos e econômicos são predominantes. 
Portanto, a resposta para o processo educacional é uma ação que promova a 
formação social de nossos alunos, para que eles possam ter condições de refletir 
sobre a sua própria condição de vida. 
Enfim, ao encerrarmos este subcapítulo, é importante que você compreenda que a 
divisão social do trabalho, seja nas ideias de Marx ou de Durkheim, é inerente ao 
processo organizativo social e que não há sociedade em que, de alguma forma, o 
trabalho não seja dividido, mesmo que de forma rudimentar. Sempre encontramos 
classificações como trabalho masculino/feminino; trabalho urbano/trabalho rural; 
trabalho mental/trabalho intelectual, etc. Assim, a divisão do trabalho ocorre no 
processo produtivo, isto é, a fabricação de um produto ocorre em etapas bem 
definidas, e cada pessoa ou grupo se encarrega da realização de uma tarefa 
específica. 
Dessa maneira, nos aprofundaremos mais sobre essas considerações no subitem a 
seguir. 
 
 
 
41 
Sociologia da Educação 
2.1.1 A Evolução do Capitalismo e a Educação 
Para estabelecermos as relações entre Capitalismo e Educação, é importante 
conhecermos os fundamentos que estruturaram esse sistema econômico.O sistema Capitalista surgiu no Século XIV, com o renascimento comercial e 
urbano (acumulação primitiva), mas se fortaleceu com a Revolução Industrial, por 
volta de 1755 (Inglaterra – energia do carvão – vapor), e solidificou-se no Século 
XIX com a II Revolução Industrial, (Inglaterra, França, Alemanha, EUA - Energias: 
vapor, petróleo e elétrica). Nesta fase, o sistema passa a ser orientado pelas ideias 
de Adam Smith. Essas ideias se denominaram Liberalismo Econômico. 
 
Por que é importante estabelecer essa “ponte”? 
Lembre-se de que, na Unidade inicial, destacamos as 
questões do subdesenvolvimento e suas relações 
com a Educação, porque esse debate está atual. 
Educação e desenvolvimento estão sempre sendo 
relacionados. 
Mas, o que se percebe é que, principalmente em 
países subdesenvolvidos, os privilégios políticos e 
econômicos das classes dominantes se estenderam à 
Educação, e que, nas crises, as diferenças 
econômicas, políticas e sociais se acentuaram. 
 
Para compreendermos essa relação, que tal 
conhecermos um pouco mais sobre o Capitalismo? 
 
 
 
42 
Sociologia da Educação 
Segundo Lakatos, é: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Adam Smith- 1723-1790. Nasceu na Escócia. Fundador da ciência econômica e 
defensor do liberalismo econômico. Investigou sobre as causas da riqueza das 
nações e desenvolveu ideias sobre a divisão do trabalho, função da moeda e a ação 
dos bancos. Sua mais famosa obra é “A Riqueza das Nações”. 
As ideias liberais orientaram o sistema capitalista até 1929, quando ocorre a crise 
econômica nos Estados Unidos, desencadeada pela superprodução de mercadorias, 
pela recuperação da Europa na pós Primeira Guerra, pela falta de mercados 
consumidores e a consequente queda dos preços dos produtos. A crise provoca a 
Quebra da Bolsa de Valores de Nova York, deflagrando também a crise econômica 
e social, com desempregos, falências, miséria e corrupção, repercutindo em todo o 
mundo capitalista. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
[...] doutrina segundo a qual, para os fenômenos econômicos, existe uma 
ordem natural, cuja tendência visa ao equilíbrio livre do jogo da 
concorrência e da não interferência do Estado. Este não deve exercer 
funções industriais ou comerciais, nem intervir nas relações econômicas 
entre as pessoas, classes e nações. Aconselha a competição totalmente 
livre” (1999. P.335 
Liberalismo Econômico 
Compreenda um pouco mais sobre as 
consequências da crise econômica de 1929 para o 
Brasil. 
 
Acesse:http://historiadomundo.uol.com.br/idade-
contemporanea/crisede29.htm 
 
http://historiadomundo.uol.com.br/idade-contemporanea/crisede29.htm
http://historiadomundo.uol.com.br/idade-contemporanea/crisede29.htm
 
 
 
43 
Sociologia da Educação 
A recuperação da economia americana ocorreu a partir de 1930, com o New Deal, 
que foi fundamentado nas ideias do pensador inglês John Maynard Keynes – política 
que se denominou Keynesianismo. O governo americano passou a intervir na 
Economia, regulamentando os sindicatos, controlando a produção e as atividades na 
Bolsa de Valores, criando frentes de trabalho com obras públicas (como a 
construção de pontes e estradas, trabalhos de saneamento urbano) e fornecendo 
subsídios aos fazendeiros. 
Essas séries de ações políticas, econômicas e sociais contribuíram para a 
recuperação da Economia, que ainda vai contar com o impacto da II Guerra 
Mundial (1939 – 1945). 
Após a guerra, os planos americanos de ajuda econômica aos países europeus 
(Plano Marshall) e asiáticos (Plano Colombo) favoreceram para a volta da 
estabilidade, permitindo que os Estados Unidos eclodissem como potência mundial. 
Seu expansionismo se acentua a partir desta época, impondo suas ideologias 
política, econômica e social, que passam a ser modelo para o mundo capitalista, 
criando uma rede de dependência ao dólar, que se tornou a moeda de referência 
internacional. 
Na 2ª Guerra, os EUA tiveram seu território preservado, sem destruições (contrário 
da Europa, África e Japão), fato que também contribuiu para sua evolução 
econômica. 
 
 
 
 
A partir da década de 50, o “american way of life”, o jeito americano de viver, com 
tecnologia, modernidade e prosperidade, passou a ser modelo para as sociedades 
capitalistas. E também seu modelo de intervenção do Estado nas questões 
econômicas e sociais, que recebe o nome de política do bem estar social, pois as 
questões como educação, saúde, aposentadoria e moradia serão melhor atendidas 
pelo Estado. Esta política recebe o nome de Estado do Bem- Estar Social – Welfare 
[...] A força do dólar que passa a ter a mesma credibilidade e 
convertibilidade que o ouro, torna-se moeda corrente das transações 
internacionais. Em 1944, os Acordos de Bretton Woods fixam as regras do 
novo sistema monetário e financeiro internacional. (MAGNOLI,1996,p.43). 
 
 
44 
Sociologia da Educação 
State -, foi um período de conquistas das garantias dos direitos sociais dos 
trabalhadores. 
 
O Capitalismo consolidado, aumento dos empregos e dos salários. O Estado 
atendendo às questões sociais como saúde, moradia, previdência e educação. 
Só que alguns países aproveitaram esta fase e investiram no crescimento 
econômico e no desenvolvimento humano, tecnológico e social. Outros não se 
preocuparam com as questões estruturais e, consequentemente, as crises futuras do 
Capitalismo atingiriam com mais intensidade essas sociedades. 
 
E foi exatamente isso que ocorreu. Em 1973, acontece a crise do petróleo. Atinge a 
economia dos países industrializados, dependentes dessa fonte de energia, e o 
modelo de políticas públicas, provocando, além da crise econômica, uma crise 
social, com desemprego, falências, miséria, inflação e queda na arrecadação de 
impostos. 
 
Todo o “amparo” que o Estado dispensava a esses segmentos sociais foi 
reformulado, os benefícios revistos, amenizados ou extintos. 
 
Surge, então, uma nova proposta de política econômica, que afirmava que o Estado 
não deve e não pode “abraçar” a sociedade, fato que, segundo os conservadores, 
provocava um desequilíbrio nas contas do Estado. Este deveria se ausentar ou 
minimizar sua presença nas questões sociais, cortando benefícios e privatizando as 
empresas públicas. 
 
É a política do Neoliberalismo que foi colocada em prática. Inicialmente, no Chile, 
em 1973, no governo de Augusto Pinochet; na Inglaterra por Margareth Thatcher 
em 1979; nos Estados Unidos por Ronald Reagan em 1980. Na sequência, outros 
países seguiram esses exemplos e adotaram o modelo liberal. 
 
 
 
45 
Sociologia da Educação 
Segundo Anderson, Neoliberalismo é: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Com essa política, o mercado deve estar acima do Estado. As questões sociais, 
como a educação, saúde, estradas, transportes, moradias, saneamentos, serão 
organizados e conduzidos segundo os interesses do mercado. 
 
 
 
 
 
 
 
Muitos analisaram, questionaram, alertaram, criticaram, elaboraram e efetivaram 
propostas, com diferenciados métodos, na tentativa de um projeto social em que a 
Educação promoveria o desenvolvimento de todas as capacidades, principalmente a 
conscientização do homem como sujeito do processo histórico. 
 
 
[...] fenômeno distinto do simples liberalismo clássico. Nasceu logo depois 
da II Guerra Mundial, na região da Europa e da América do Norte, onde 
imperava o capitalismo. Foi uma reação teórica e política veemente contra 
o Estado intervencionista e de bem estar (Seu texto de origem é "O 
Caminho da Servidão", de Friedrich Hayeck, escrito em 1944. (1995. P.09) 
Neoliberalismo 
Você deve ter observado que a análise que se faz 
sobre o Capitalismo sempre converge para as 
questões sociais, entre elas a Educação. Assim, 
destacamos que sociólogos, educadores e filósofos 
não ficaram imunes ao processo e às consequências 
das novas medidas econômicas, políticas e sociais. 
 
 
 
46 
Sociologia da Educação 
2.1.2 Capitalismoe Educadores Críticos 
Você deve de se lembrar... Lá no início da apresentação para a disciplina, quando 
comentamos que a educação é um desafio e como é cada vez mais ampla a 
sensação de crise, atribuindo-se à educação a responsabilidade pela solução das 
crises com as quais diversos países convivem. Em verdade, a sociologia da Educação 
é apenas uma entre as várias ciências da educação que apoiam as reflexões sobre as 
transformações necessárias para o âmbito educacional, como você terá 
oportunidade de verificar ao longo do seu curso. Grosso modo, podemos dizer que 
todas as ciências da educação procuram conhecer melhor os mecanismos de 
funcionamento da escola, para propiciar novos meios de intervenção. 
 
 
 
 
 
 
As relações que se estabelecem entre os grupos sociais e no interior de cada um 
desses grupos motivaram análises, comparações e explicações sobre as mais 
variadas questões, tais como as práticas políticas, econômicas e religiosas. Com as 
transformações tecnológicas, as inovações e as revoluções dos Séculos XVIII e XIX, 
fez-se necessária uma maneira diferente de explicar o comportamento social 
fundado em valores e práticas diferentes da sociedade medieval, considerando que 
a Filosofia e a Teologia não conseguiam respostas para as questões da sociedade 
moderna. 
 
Currículos, programas, projetos, incentivos, materiais, tecnologias, métodos e 
salários, diferenciam também essa divisão no ensino. 
 
 
 
A pergunta que todas fazem é: como é possível 
fazer do conhecimento um instrumento de 
modificação das práticas pedagógicas? 
 
 
 
 
47 
Sociologia da Educação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mas não faltaram “vozes” a se levantar contra essa divisão que já ocorria nas classes 
sociais e se apresentava cada vez mais acentuada no ensino. 
Marx, no Século XIX, elabora a crítica ao Capitalismo e despertou para a 
exploração do homem e a importância da Educação na evolução social. Afirma que 
“a transformação educativa deve ocorrer paralelamente à revolução social” 
(2004.p.121). Defende a Educação pública e gratuita, de qualidade e sem privilégios. 
Sua teoria socialista foi colocada em prática em alguns países que conseguiram um 
bom nível de desenvolvimento no setor educacional. 
Na Itália, Antonio Gramsci (1891-1937), opositor ao fascismo, escreve, na prisão, 
Cadernos do Cárcere, onde reflete e critica a Educação dividida entre o ensino 
clássico para a elite e o ensino profissional para a classe trabalhadora. Acreditava 
que a educação era o caminho para a transformação. A escola deve ter papel 
fundamental na conscientização dos direitos e deveres e promover o que Gramsci 
denomina de humanismo socialista, determinando as novas relações entre o 
“trabalho intelectual e o trabalho industrial” em toda vida social. 
 
 
 
 
Você já observou essa realidade em seu meio social? 
Que essas afirmações estão presentes em nossas 
discussões sobre Educação? Alguns países 
subdesenvolvidos ou em desenvolvimento 
apresentam características que refletem as 
demandas sociais, como um baixo IDH – Índice de 
Desenvolvimento Humano -, o que se revela 
diretamente na Educação, influenciando seu 
financiamento, seus métodos e privilégios, mantendo 
uma ordem social compatível com os interesses da 
elite. 
(...) Escola única inicial de cultura geral, humanística, formativa, que saiba 
dosar justamente o desenvolvimento da capacidade de trabalhar 
manualmente (tecnicamente, industrialmente) e o desenvolvimento das 
capacidades de trabalho intelectual (MANACORDA, 2002). 
 
 
48 
Sociologia da Educação 
Gramsci criticava a escola burguesa, elitista, dividida em duas frentes, a escola 
clássica para os dominantes e a profissional para os trabalhadores; defende a escola 
unitária, em que a formação intelectual e profissional estavam juntas. Considera que 
a disciplina era fator importante para a formação do homem, mas nega toda ação 
autoritária. 
 
 
 
 
 
 
Partindo dessas considerações gerais, podemos pontuar que, no Brasil, existem 
educadores e sociólogos que contribuíram para as reflexões, questionamentos e 
análises da realidade social brasileira. Dentre eles, Carlos Rodrigues Brandão, 
Dermeval Saviani, Paulo Freire e Florestan Fernandes desenvolveram propostas e 
métodos para efetivação da Educação como ato político, de conscientização e de 
libertação. 
Paulo Freire, em especial, foi e é uma grande personalidade para os processos 
educacionais, nasceu em Recife, Pernambuco, em 1921, foi professor de História e 
Filosofia da Educação. Presidiu a Comissão Nacional de Cultura Popular e o Plano 
Nacional de Alfabetização de Adultos. Em 1964, foi exilado no Chile. Quando 
voltou, lecionou na PUC - São Paulo - e foi Secretário da Educação de São Paulo 
(1989-1991). 
 
 
 
 
 
 
Reflita como as considerações de Gramsci são 
atuais! Suas ideias têm norteado as reformas 
educacionais não só na Europa, mas em várias partes 
do mundo! 
 
Principais obras: Educação como prática da Liberdade, Pedagogia do 
Oprimido, Pedagogia da Esperança, Educação e Mudança. Faleceu em 1997. 
A educação como prática da dominação, como vem sendo objeto desta 
crítica, mantendo a ingenuidade dos educandos, o que pretende, em seu 
marco ideológico (nem sempre percebido por muitos dos que a realizam), 
é indoutriná-los no sentido de sua acomodação ao mundo da opressão 
(Pedagogia do Oprimido, 1987, p. 66). 
 
 
 
49 
Sociologia da Educação 
Em sua crítica sobre Política e Educação, destaca a importância da alfabetização de 
jovens e adultos, contesta a educação bancária, depositária, que considera o aluno 
um sujeito despossuído de qualquer conhecimento e, cabe ao professor, que sabe 
tudo, ser o único responsável pela formação do aluno que, além de saber ler (Eva 
viu a uva) e escrever, deve ter compreensão do meio em que o sujeito (Eva) está 
inserido, e quem produz, lucra e consome as mercadorias (uvas). A Pedagogia 
Libertadora, com o método para a educação de trabalhadores, propõe desenvolver 
a conscientização e valorizar aqueles que “não tem voz”, mas que são sujeitos no 
processo histórico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.2 Sociedade, educação e a estrutura da sociologia da educação 
 
 
Não posso ser professor se não percebo cada vez melhor que, não poder 
ser neutra, minha prática exige de mim uma definição. Uma tomada de 
posição. Decisão. Ruptura. Exige de mim que escolha entre isto e aquilo. 
Não posso ser professor a favor de quem quer que seja e a favor de não 
importa o quê. Não posso ser professor a favor simplesmente do Homem 
ou da Humanidade, frase de uma vaguidade demasiado contrastante com a 
concretude da prática educativa. 
Sou professor a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade 
contra o autoritarismo, a favor da autoridade contra a licenciosidade, da 
democracia contra a ditadura de direita ou esquerda. Sou professor a favor 
da luta constante contra qualquer forma de discriminação, contra a 
dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais. Sou professor 
contra a ordem capitalista vigente que inventou esta aberração: a miséria na 
fartura. Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de tudo. 
Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza 
(1996. p.115) Paulo Freire. 
 
 
50 
Sociologia da Educação 
Ao considerarmos todos os aspectos que envolvem a emergência e consolidação 
do modo capitalista e de transformações por ele trazidos, sobretudo, no século 
XIX, desencadeamos uma série de questões sociais. Essa questão ia dos conflitos de 
interesses entre as novas classes (burguesia e proletariado) até o problema da 
miséria dos trabalhadores, o processo de urbanização, a rapidez das transformações, 
etc. A Sociologia emergiu como uma ciência voltada para a tentativa de 
compreender a natureza dessas transformações, além disso, ela pretendia também 
trazer uma resposta aos

Mais conteúdos dessa disciplina