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Processos de produção puxada e de produção empurrada No cenário comercial altamente competitivo que temos atualmente, as empresas precisam sempre buscar inovação e superação. Quanto ao desempenho da produção, elas devem ter cinco objetivos. Eles estão relacionados com: 1. Qualidade do produto É preciso fazer as coisas certas e fornecer produtos com qualidade para satisfazer os clientes. 2. Rapidez É importante reduzir prazos de produção e de entrega do produto final para o consumidor. 3. Confiabilidade É preciso cumprir o que foi prometido para os clientes. 4. Flexibilidade Para satisfazer as exigências de todos os tipos de consumidores, é importante oferecer uma boa variedade e diversidade de produtos. 5. Custo Fazer as coisas por menos possibilita vender os produtos por um preço mais baixo, mas ainda com retorno e lucro para a empresa. Cada produto que usamos tem suas próprias características, como número de série, cor, lote, entre outras. Cada um deles é fabricado de um modo específico e em pequenas ou grandes quantidades. Então, as empresas precisam de planos e de controles para garantir que a sua produção seja adequada e tenha eficiência e eficácia para atingir os objetivos de desempenho. Vamos ver agora dois dos tipos mais comuns de produção: produção empurrada e produção puxada. Processo de produção empurrada O processo de produção empurrada se baseia no comportamento do mercado. A produção se inicia antes da existência da demanda pelo produto, ou seja, antes dos pedidos de compras dos clientes. Isso significa que a empresa “empurra” a sua produção para o mercado, o que implica a formação de estoques. Figura 1 – Sistema de produção empurrada Fonte: . Os métodos para a implementação da produção empurrada são: sistema MRP (material requirements planning, ou cálculo das necessidades de materiais) e MRP II (manufactoring resources planning, ou planejamento dos recursos de manufatura). O MRP é um sistema computadorizado, distante dos desejos do cliente, e não há comunicação direta entre ele e a produção. Desse modo, é muito importante que haja uma boa comunicação com vendas, pois, sem elas, a produção não pode nem consegue priorizar pedidos. Também não é possível fabricar na quantidade e no prazo demandados. O objetivo do MRP é permitir que os prazos de entrega dos pedidos dos clientes sejam cumpridos com a mínima formação de estoques. O ideal é que se compre apenas o que foi planejado para a produção de componentes e nos momentos e nas quantidades necessárias. O sistema MRP II é usado em computadores, que fornecem uma ferramenta administrativa para planejar e controlar fabricações e operações. Reduzem-se os custos, e obtém-se um alto nível de serviços ao cliente. Figura 2 – Esquema de MRP e MRP II Fonte: . Na maioria dos casos, é necessário haver uma previsão de demanda, e produz-se antes de o cliente realizar um pedido. Porém, a produção puxada não se submete à previsão de demanda: é preciso que os clientes façam os pedidos para que haja um planejamento para a montagem e a transformação de recursos em produtos acabados. Caso o cliente externo necessite de determinado produto, no caso de produção empurrada, a organização já o terá estocado, pronto para a entrega. A produção empurrada é comum na indústria de bebidas. Independentemente do mês do ano, vende-se bem esse tipo de produto. Então, é necessário que haja um estoque mínimo na fábrica para disponibilizá-lo ao cliente final. Além disso, na programação da produção empurrada, a previsão de demanda dispara a ordem de compra de matéria-prima. Quando esta está disponível para gerar o produto acabado, uma ordem de produção dispara as atividades de transformação, e finalmente são feitas a expedição e a distribuição ao cliente final. O sistema de produção empurrada não precisa se programar junto com o cliente para produzir. A ordem de pedido ocorre no fim do processo. Após o pedido, a empresa precisará apenas realizar a entrega, pois o produto já estará acabado. Ela programará apenas a reposição do material vendido. Com relação às desvantagens do processo de produção empurrada, estes cenários poderão ocorrer: · A demanda confirmada pode ser menor que a prevista. Forma-se então estoque de produtos acabados, o que representa um dos sete tipos de perda sem agregação de valor (ou superprodução), levando ao desperdício e ao consequente aumento de custos produtivos. · É difícil alterar o planejamento da produção em caso de variação na demanda. · Pode ser complicado adequar um plano de produção ao tempo de processamento e ao tamanho do lote. · Pode haver dificuldade em controlar a quantidade de demanda produzida e o nível de estoque em tempo real, o que gera excesso de estoque de segurança. Esses problemas podem ser resolvidos com o processo de produção puxada, que veremos a seguir. Processo de produção puxada O processo de produção puxada não utiliza estoques: o pedido do cliente é que determina o início da produção. Assim é que será gerada a necessidade de um novo lote do fornecedor. Mesmo havendo matéria-prima pronta, a produção se inicia apenas a partir da demanda do cliente. No caso de produção puxada, diferentemente da empurrada, produzem-se os recursos disponíveis de maneira coerente, maximizando o fluxo produtivo e não as capacidades individuais. Portanto, a produção de cada lote de produtos só deverá ter início a partir da necessidade efetiva de consumo. O sistema puxado é iniciado a partir do último processo antes mesmo de haver um fluxo contínuo. Ele requer que existam estoques pequenos de algumas peças prontas no fim das etapas. Figura 3 – Sistema de produção empurrada versus sistema de produção puxada Fonte: . As pizzarias de tele-entrega, por exemplo, produzem a partir do momento em que o consumidor faz o seu pedido. Diferentemente da produção empurrada, a qualidade é prioridade, e não a quantidade. Com os sistemas de controle de produção puxada, não há uma programação: eles permitem que um item seja produzido em um determinado período. Eles buscam acertar a demanda à produção: algo será comprado, produzido e transportado apenas no momento em que for indispensável e exclusivamente na quantidade necessária. São exemplos de sistemas: kanban e just in time. Clique ou toque para acessar o conteúdo. A vantagem do sistema puxado é que não é necessário haver estoques de matéria-prima e de produtos acabados, ou seja, planeja-se de acordo com a ordem do pedido do cliente. São pedidos planejados, para produção somente na quantidade necessária. Com relação às desvantagens do sistema puxado, temos as seguintes: · As quantidades de produtos acabados e matéria-prima devem ser planejadas corretamente. O acúmulo pode acarretar custos superiores ao necessário dentro da indústria. De acordo com a quantidade e o prazo de produção, pode haver gastos envolvendo a mão de obra e o espaço onde serão colocados demandas e materiais. · O manuseio do material em estoque pode gerar estragos. · Os produtos podem acumular sujeira devido ao longo período de estocagem. · Gera-se retrabalho, já que é preciso reparar os materiais danificados. Pode-se então fazer um quadro comparativo com os principais prós e contras dos dois tipos de processo de produção. Veja a figura 6. Produção puxada Produção empurrada Eliminação de desperdícios Custos de estoque elevados Dinamicidade em relação à demanda Falta de dinamicidade em relação à demanda Sistema de controle simples (kanban e JIT) Exigência de softwares sofisticados para MRP e MRP II Resultado melhor na fabricação de lotes por encomenda Melhor resultado na produção repetitiva