Prévia do material em texto
PRÁTICA PEDAGÓGICA I: EDUCAÇÃO FÍSICA E SOCIEDADE A educação escolar foi se constituindo no Brasil de forma lenta e, pouco a pouco, ocupou todo o território nacional. Assim também foi com a função social do ensino, que se alterou na medida em que o mundo passou por transformações de ordem econômica, tecnológica, política, social e cultural, entre outras. No século XXI, nos deparamos com uma sociedade complexa e multicultural que impõe uma formação humana integral, o que caracteriza a escola contemporânea. O ensino assume uma nova função social e, para sua concretização, deve aprimorar os caminhos por meio dos quais se realiza a formação integral. Bons estudos! AULA 4 – NOÇÕES BÁSICAS SOBRE PRÁTICAS EDUCATIVAS E DOS PROCESSOS DE APRENDIZAGEM Nesta aula, você vai conferir os contextos conceituais da psicologia, entenderá como ela alcançou o seu estatuto de cientificidade. Além disso, terá a oportunidade de conhecer as três grandes doutrinas da psicologia, behaviorismo, psicanálise e Gestalt, e as áreas de atuação do psicólogo. ▪ Compreender o conceito de psicologia ▪ Identificar as diferentes áreas de atuação da psicologia ▪ Conhecer as áreas de atuação do psicólogo. Neste módulo, você vai os objetivos da educação, que devem guiar as práticas educativas. Para isso, esses objetivos precisam ser claros e intencionalmente elaborados, de modo a promover a aprendizagem e o desenvolvimento humano. Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: • Identificar a importância dos objetivos educacionais para as práticas educativas. • Caracterizar os conteúdos de ensino aprendizagem. • Relacionar conteúdos educacionais com processos de ensino aprendizagem. 4 OBJETIVOS EDUCACIONAIS NAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS O que são objetivos educacionais? Por que precisamos ter objetivos quando desenvolvemos as práticas pedagógicas? Essas são as principais questões quando se dá uma organização de ensino. Ao contrário das práticas automáticas de ensino, que se baseiam em atividades sem propósitos claros, a educação de crianças e adolescentes nas escolas não podem ser pensadas dessa forma, sem nenhuma programação. A educação não pode ser um navio à deriva que vai com o vento, ela deve ser direcionada na direção desejada, especialmente quando se entende que sua função social é "cooperar para desenvolver a totalidade dos alunos - consciência e cidadania" - para obter conhecimento das conexões essenciais que nos permitem compreender a realidade ou modificá-la. (VASCONCELLOS, 2012, p. 98). A expectativa dos resultados faz parte da educação intencional, sendo a prática das escolas voltada para o desenvolvimento do indivíduo e da própria sociedade, sendo um direito social tanto quanto um dever institucional. Ao estabelecer metas, entramos em diálogo ativo com a realidade e descobrimos seu significado para realizar sua transformação. Portanto, os objetivos de professores e alunos devem ser claros. Ao indicar a direção que desejam seguir, os alunos compreendem a importância de seus esforços para alcançar a tarefa proposta 4.1 Conteúdos de ensino e aprendizagem Quando falamos de educação, surge a ideia de que algo se ensina e algo se inclui. Esta definição leva-nos à ideia de que os conteúdos são um conjunto de conceitos, princípios e teorias que devemos compreender e cristalizar nas disciplinas escolares. No entanto, essa visão disciplinar fragmentária fornece apenas parte do que foi aprendido e oferece apenas uma perspectiva cognitiva. Ao mudar nosso foco para a formação integral, estamos também ampliando o conceito de conteúdo e passando a entendê-lo como tudo o que precisa ser aprendido para atingir um objetivo que envolve não apenas habilidades cognitivas, mas outras habilidades (ZABALA, 1998). Portanto, o conteúdo educacional será considerado tudo o que permite o desenvolvimento das diversas habilidades que compõem o objeto de estudo, como interpessoal, emocional, motora, cognitiva, social e cultural, etc. Orientados para a aprendizagem, o ensino dos alunos, sempre intencional e consciente dos propósitos a serem alcançados, os conteúdos podem ser organizados conforme a sua natureza, podendo ser: [...] conceituais, procedimentais ou atitudinais. Esta classificação corresponde respectivamente às perguntas “o que se deve saber?”, “o que se deve saber fazer"? “ e “como se deve ser”, com o fim de alcançar as capacidades propostas nas finalidades educacionais (ZABALA, 1998, p. 31). A aprendizagem baseada em conteúdo envolve basicamente a compreensão de como cada um é aprendido. Então vamos conhecê-los melhor. 4.2 Conteúdos de natureza conceitual O conteúdo conceitual é caracterizado por um conjunto de situações, objetos ou símbolos que compartilham características e princípios comuns e descrevem causalidade ou associação. Portanto, aprendê-lo requer compreensão. [...] esta aprendizagem implica uma compreensão que vai muito além da reprodução de enunciados mais ou menos literais. Uma das características dos conteúdos conceituais é que a aprendizagem raramente pode ser considerada acabada, já que existe a possibilidade de ampliar ou aprofundar seu conhecimento, de fazê-la mais significativa (ZABALA, 1998, p. 43). A construção de um conceito é subjetiva, sendo uma situação que combina o conhecimento prévio com o conhecimento científico fornecido. Dessa forma, promove uma intensa atividade mental, estabelecendo relações lógicas que não só proporcionam a compreensão de um fenômeno ou conceito, como também permitem que ele seja utilizado em outras situações relacionadas. 4.2.1 Conteúdos de natureza procedimental Todas às vezes que um conteúdo incluir regras, técnicas, métodos, habilidades, estratégias ou procedimentos, trata-se de um conteúdo procedimental. Esse tipo de conteúdo constitui um conjunto de ações organizadas com uma finalidade, ou seja, voltadas para atingir um objetivo. São conteúdos processuais: ler, desenhar, observar, calcular, categorizar, traduzir, cortar, pular, derivar, esfaquear, etc. (Zabala, 1998). Pode-se observar que os procedimentos apresentados são muito diferentes entre si e possuem características específicas. Podemos destacar três parâmetros diferentes nesse tipo de conteúdo. A primeira inclui componentes motores e cognitivos. Por exemplo, pular e cortar são atividades mais associadas ao aspecto ação. Ler, raciocinar e traduzir são atividades mais próximas do lado cognitivo. O segundo parâmetro indica o número de ações a serem executadas (mais ou menos). O terceiro parâmetro, em última instância, tem a ver com o quão determinísticas são as sequências: em alguns casos a sequência de ações será sempre a mesma, em outros dependerá de características que variam caso a caso. Esses parâmetros indicam que o aprendizado de práticas específicas não se limita à repetição, mas envolve uma compreensão sólida dos movimentos e suas idiossincrasias. Aprender algo requer a execução de procedimentos, para que os alunos compreendam os procedimentos ordenados e sua finalidade. Portanto, prática leva à eficiência. Além disso, os alunos podem pensar sobre a própria atividade enquanto a realiza. Dessa forma, o aprendizado se faz fazendo, é um procedimento que nos faz refletir sobre todo o processo e aplicar o que aprendemos em diversas situações. 4.2.2 Conteúdos de natureza atitudinal No grupo de conteúdo atitudinal, há uma série de outros conteúdos, que podem ser agrupados em outros grupos por suas diferenças, quais sejam os valores, as normas e as atitudes. Confira a seguir a descrição de cada um. – Entendemos por valores os princípios ou as ideias éticas quepermitem às pessoas emitir um juízo sobre as condutas e seu sentido. São valores: a solidariedade, o respeito aos outros, a responsabilidade, a liberdade, etc. – As atitudes são tendências ou predisposições relativamente estáveis das pessoas para atuar de certa maneira. São como cada pessoa realiza sua conduta de acordo com valores determinados. Assim, são exemplos de atitudes: cooperar, participar das tarefas escolares, etc. – As normas são padrões ou regras de comportamento que devemos seguir em determinadas situações que obrigam a todos os membros de um grupo social. As normas constituem a forma pactuada de realizar certos valores compartilhados por uma coletividade e indicam o que pode se fazer e o que não pode se fazer nesse grupo (ZABALA, 1998, p. 46). Você percebeu a relação entre esses conteúdos? Apesar de sua especificidade, relaciona-se tanto com os aspectos cognitivos (conhecimentos, crenças) quanto com os aspectos emocionais (humor), comportamentos e atitudes conscientes e intencionais de cada indivíduo. Essa inter-relação entre diferentes aspectos de uma pessoa determina, em última análise, sua personalidade. A aprendizagem de conteúdos de natureza comportamental requer conhecimento e reflexão contínua sobre os padrões de comportamento social e individual, bem como uma avaliação criteriosa dos aspectos positivos e negativos dos critérios, a fim de poder se posicionar e se envolver emocionalmente. Os valores orientam as ações, que, por sua vez, são conscientes. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS LIBÂNEO, J. C. Didática. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2013. VASCONCELLOS, C. S. Planejamento: projeto de ensino-aprendizagem e projeto político- -pedagógico. 11. ed. São Paulo: Libertad, 2012. ZABALA, A. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/rcnei_vol1.pdf. Acesso em: 2 out. 2021. FARIAS, I. M. S. et al. Didática e docência: aprendendo a profissão. Brasília: Liber livros, 2011. FERREIRA, F. Guia completo: o que é rotina na educação infantil? PROESC, 2020. Disponível em: http://www.proesc.com/blog/guia-completo-rotina-na- educacao-infantil/. Acesso em: 2 out. 2021. , v. 4, p. 707–708, 2013. COSTA, A. R. O gênero textual artigo científico: estratégias de organização. 2003. Dissertação. (Mestrado em Linguística) – Programa de Pós-graduação em Letras, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2003. SWALES, J. M. Genre analysis: English in academic and research settings. Cambridge: Cambridge University, 1990. MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Metodologia científica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2004.