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TECIDO EPITELIAL Em muitos órgãos, principalmente nas glândulas, podem ser reconhecidos dois componentes, denominados parênquima e estroma. O parênquima é o tecido funcional de um órgão, ou seja, é composto pelas células que desempenham a principal função do órgão. Cada órgão do corpo tem um parênquima especializado para realizar a função específica daquele órgão. O parênquima, portanto, pode ser considerado como a parte do órgão que efetivamente realiza as suas funções fisiológicas. Exemplos: ● Fígado : O parênquima do fígado é formado pelos hepatócitos, células responsáveis pela função metabólica e de desintoxicação. ● Pulmões : Nos pulmões, o parênquima é formado pelas células alveolares, que são responsáveis pelas trocas gasosas. ● Rins : O parênquima renal é formado por nefrónios, que realizam a filtração do sangue e a formação da urina. O estroma é o tecido de sustentação do órgão, composto por células e fibras que formam uma estrutura de suporte, além de vasos sanguíneos e linfáticos. O estroma não realiza a função principal do órgão, mas é essencial para sua integridade estrutural, fornecendo o ambiente necessário para o funcionamento do parênquima. Exemplos: ● Fígado : No fígado, o estroma é composto por tecido conjuntivo, fibras colágenas e vasos sanguíneos que sustentam o parênquima hepático (hepatócitos). ● Pulmões : O estroma pulmonar inclui tecido conjuntivo, fibras elásticas e vasos sanguíneos que mantêm a estrutura dos pulmões e permitem a troca de gases. ● Rins : O estroma renal contém fibras de colágeno e tecido conjuntivo que envolvem e sustentam os néfrons no processo de filtração. 1. TECIDO EPITELIAL: Revestimento ou glandular a. Pouca matriz extracelular b. Células justapostas c. Revestem tanto a superfície externa do corpo como as suas superfícies internas, desde a superfície das grandes cavidades celomáticas (pleural, peritoneal, pericárdica) até as cavidades dos órgãos ocos do sistema digestivo, aparelhos respiratório, urinário e reprodutor e de todo o sistema circulatório sanguíneo e linfático. Os epitélios constituem ainda os ductos excretores das glândulas exócrinas. d. Oferecerem proteção, constituem em muitos casos barreiras que separam o meio interno e o meio externo em compartimentos distintos. Os epitélios de revestimento promovem as trocas entre esses dois ambientes, controlando tanto a absorção como a excreção de substâncias e. Há pelo menos um epitélio de revestimento em que todas as células têm função conjunta de revestimento e secreção – o revestimento interno do estômago. f. Para recobrir superfícies, as células epiteliais de revestimento se organizam em folhetos de uma ou mais células de espessura g. As células epiteliais glandulares exibem padrões mais diversos de organização: podem ser células secretoras isoladas, células secretoras inseridas em epitélios de revestimento ou células secretoras que se reúnem formando estruturas tridimensionais – as glândulas. h. O ectoderma dá origem à epiderme – a camada epitelial da superfície da pele –, aos anexos da pele e à glândula mamária, assim como a parte da glândula hipófise. A grande maioria dos epitélios do interior do corpo se origina do endoderma, com exceção de alguns epitélios derivados do mesoderma, que dão origem, entre outros, ao endotélio (as células do revestimento interno dos vasos sanguíneos), ao mesotélio (o revestimento das grandes cavidades: abd, torácica e pericárdica, derivadas das cavidades celomáticas, recebendo diversos nomes, pleura, peritônio e pericárdio ) e aos túbulos renais i. As células epiteliais, especialmente as que exercem função de revestimento, possuem muitos filamentos intermediários (Figura 5.1), os quais se organizam em redes pelo citoplasma e assumem um papel muito importante de manutenção da forma das células e fornecem às células resistência a pressão mecânica e atrito. j. O conjunto de epitélio e tecido conjuntivo presente nas superfícies úmidas que revestem o interior de órgãos ocos é denominado membrana mucosa , ou simplesmente mucosa (p. ex., mucosa oral, mucosa intestinal, mucosa traqueal, urinário, reprodutor). Nas membranas mucosas o tecido conjuntivo subjacente ao epitélio é denominado lâmina própria, formada por tecido conjuntivo frouxo, contendo fibras de colágeno, elastina, vasos sanguíneos e células do sistema imunológico. k. As grandes cavidades do corpo – derivadas das cavidades celomáticas – são revestidas por um epitélio muito delgado associado a tecido conjuntivo. O conjunto formado por esse epitélio e tecido conjuntivo é denominado membrana serosa/ mesotélio, e compreende a pleura, o peritônio e o pericárdio. l. Essa associação dos dois tecidos tem grande importância, pois os epitélios são avasculares, isto é, não há vasos sanguíneos em seu interior. Nutrientes, O2 e mensagens químicas (hormônios) chegam de vasos sanguíneos localizados no tecido conjuntivo subjacente às células epiteliais. Essas substâncias atingem as células epiteliais por difusão através do tecido conjuntivo. Da mesma forma, as células epiteliais eliminam metabólitos e CO2 através do tecido conjuntivo. m. Células epiteliais que atuam em secreção endócrina eliminam seus produtos no espaço extracelular, de onde a secreção se difunde para vasos sanguíneos presentes no tecido conjuntivo e será distribuída pelo organismo. n. As células epiteliais são separadas do tecido conjuntivo por um delgado folheto de macromoléculas denominado lâmina basal. Essa lâmina só é visível por microscopia eletrônica e aparece formada por duas subcamadas: lâmina lúcida e lâmina densa - adesão, atua na organização de organelas, filtro para moléculas grandes, dessa maneira, células de tumores epiteliais em estádios iniciais da neoplasia são impedidas de penetrar no tecido conjuntivo o. Da mesma forma que as células epiteliais aderem à lâmina basal, esta se ancora no tecido conjuntivo. A adesão intercelular é uma das características mais marcantes das células epiteliais, tanto de revestimento como secretoras. A adesão é alcançada por moléculas de adesão e por junções intercelulares (oclusão e adesão) A zônula de oclusão impede, portanto, que grande parte dos íons e moléculas transite entre as células. Essas junções são formadas por proteínas transmembranas, como ocludinas e claudinas , que se entrelaçam, formando uma rede que "selam" as células adjacentes. Isso cria uma barreira quase impenetrável para líquidos e moléculas de grande porte. Exemplo : No epitélio intestinal, as junções de oclusão evitam que enzimas digestivas e nutrientes vaze para fora do lúmen intestinal para o tecido circundante. Na superfície interna das zônulas de adesão, também conhecida como junção de ancoragem, é formada por proteínas transmembranas chamadas caderinas , que se ligam a filamentos de actina (quando for adesão célula-célula) ou intermediários (desmossomos) do citoesqueleto. A zônula de adesão une duas membranas celulares de células diferentes. Pode ser desmossomos também As junções comunicantes permitem a comunicação direta entre células, facilitando o transporte de íons, pequenas moléculas e sinais químicosde uma célula para outra. Isso é crucial para a coordenação das funções celulares, especialmente em tecidos como o músculo cardíaco e os neurônios. ● Estrutura : Essas junções são formadas por proteínas chamadas conexinas , que se organizam em canais (ou "poros") que permitem a passagem de substâncias entre as células adjacentes. ● Exemplo : No músculo cardíaco , as junções comunicantes permitem a propagação rápida de sinais elétricos entre as células, garantindo a contração coordenada do coração. As células de vários epitélios possuem cílios na sua superfície livre. Seu batimento movimenta a camada de muco que se deposita sobre a superfície epitelial, juntamente com material aderido ao muco (p. ex., partículas de poeira e bactérias). Alguns tipos de células epiteliais possuem na sua superfície apical extensões em forma de dedos, longas, ramificadas e de tamanhos diversos, denominadas estereocílios (Figura 5.7). Apesar de sua denominação, os estereocílios não têm motilidade e provavelmente servem para aumentar a superfície de absorção da célula. Com relação ao número de camadas, os epitélios de revestimento são classificados como simples (encontram-se em superfícies úmidas, revestindo órgãos ocos, vasos sanguíneos e linfáticos, as grandes cavidades do corpo ou formando ductos excretores de glândulas exócrinas) , quando constituídos por uma camada de células, e estratificado ( na cavidade bucal, no esôfago, na vagina) quando apresentam mais de uma camada de células. 1. Epitélio simples pavimentoso na superfície do baço (peritônio). É formado por uma camada única de células achatadas com núcleos igualmente achatados. O epitélio está apoiado sobre tecido conjuntivo. As células da camada basal do epitélio, mais profunda e próxima ao tecido conjuntivo, são poliédricas, isto é, possuem muitos ângulos e sua forma se aproxima de uma esfera. Essas células proliferam e lentamente migram em direção à superfície do epitélio, e ao mesmo tempo se tornam gradativamente achatadas. Elas atingem o maior grau de achatamento na superfície 2. Epitélio simples cúbico (barra vertical) formado por uma camada de células cúbicas com núcleos esféricos 3. Epitélio simples colunar (barra vertical) formado por uma camada de células colunares com núcleos elípticos 4. O epitélio estratificado pavimentoso corneificado ou queratinizado é composto de várias camadas de células. A camada basal (B), mais profunda e mais próxima do tecido conjuntivo, tem células poliédricas. Estas células migram para a superfície e tornam-se gradativamente pavimentosas (P). Na epiderme, esse tipo de epitélio possui uma camada adicional de células corneificadas (estrato córneo). A corneificação é resultado do acúmulo de células epiteliais mortas em consequência do acúmulo de queratina em seu citoplasma (pele, cavidade bucal, esofago e vagina) 5. O epitélio estratificado pavimentoso não corneificado ou não queratinizado (barra vertical) reveste a superfície de algumas mucosas. É semelhante ao tipo corneificado, mas não possui o estrato córneo. 6. Epitélio estratificado cúbico/colunar revestindo um ducto excretor da glândula salivar. É formado por duas camadas de células: uma camada basal de células cúbicas GLÂNDULAS De modo geral, as glândulas se formam a partir de regiões de epitélios de revestimento, na vida intrauterina, em que surge um pequeno aglomerado celular chamado broto glandular ou blastema glandular, resultado da proliferação de células epiteliais naquele local Considerando-se a via pela qual a glândula conduz sua secreção, há glândulas cuja secreção é dirigida para a superfície do corpo (p. ex., glândulas sudoríparas e sebáceas) ou para o lúmen de órgãos cavitários (p. ex., glândulas salivares, fígado). Estas são as glândulas exócrinas. A maioria das glândulas exócrinas é constituída por unidades secretoras (ou porções secretoras) nas quais é produzida a secreção e por ductos excretores que conduzem a secreção, pode ser apenas um ou vários (composta). Por outro lado, as glândulas endócrinas não possuem ductos excretores e lançam sua secreção – hormônios – no espaço extracelular. A secreção se difunde em seguida para o interior de capilares sanguíneos ou de vênulas, sendo distribuída pelo corpo por meio da circulação sanguínea. Os conjuntos celulares que mantêm ligação com o epitélio do qual se originaram constituem glândulas exócrinas, e o cordão celular se transforma em seu ducto excretor (à esquerda). Os conjuntos que perdem a conexão com o epitélio de revestimento dão origem a glândulas endócrinas O aspecto histológico de muitas glândulas exócrinas é associado ao tipo de produto secretado: 1. Ácino seroso e secreção serosa As glândulas exócrinas que secretam predominantemente proteínas ou glicoproteínas ou substância aquosa, ex a parótida, pancreáticas são geralmente formadas por unidades secretoras acinosas. Esses ácinos são formados por células piramidais ou trapezoidais (Figura 5.19). Seus núcleos são esféricos e localizam-se na região basal da célula. 2. Túbulo mucoso e secreção mucosa geralmente são formadas por túbulos alongados, frequentemente ramificados. Os núcleos de suas células têm cromatina densa, são achatados e estão próximos da superfície basal da célula. O citoplasma tem um aspecto rendilhado e se cora em azul-pálido, devido à grande quantidade de grânulos de secreção que contém muco. Mucosa bucal, glandulas salivares, esofago Dependendo da maneira como a secreção é transferida da célula para o exterior, a glândula exócrina é classificada como merócrina, apócrina ou holócrina. ▶ Merócrina . Quando a secreção presente em vesículas ou grãos de secreção é transferida por exocitose. Nas glândulas exócrinas, a secreção é encaminhada para o lúmen de ductos excretores. Nas glândulas endócrinas, a secreção é encaminhada para o espaço extracelular que circunda as células secretoras e depois se difunde para vasos sanguíneos. A maioria das glândulas é do tipo merócrino ▶ Apócrina. Quando uma delgada região do citoplasma apical da célula é eliminada juntamente com grãos de secreção . É o caso da glândula mamária, sudorípara ▶ Holócrina. Quando as células secretoras passam por um ciclo em que novas células secretoras são formadas continuamente em uma extremidade do alvéolo. As células migram ao longo da glândula e ao mesmo tempo acumulam secreção. Na região próxima ao ducto excretor as células involuem, morrem e se rompem. Todo o conteúdo das células se transforma em secreção, que é então conduzida ao longo do seu ducto. A secreção holócrina ocorre nas glândulas sebáceas da pele, produtoras de secreção lipídica Há duas maneiras básicas segundo as quais as células secretoras endócrinas se organizam para formar glândulas: ▶Associando-se em cordões que frequentemente se ramificam e se continuam com outros cordões da glândula. Entre os cordões celulares há sempre uma rica vascularização, formada por capilares sanguíneos. As glândulas endócrinas assim organizadas são chamadas glândulas do tipo cordonal (Figuras 5.24e 5.25), e constituem o tipo de glândula endócrina predominante no organismo ▶Constituindo pequenas esferas em cujo interior se acumula secreção. Ao redor das esferas há muitos capilares sanguíneos. Essa glândula endócrina é classificada como do tipo folicular ou vesicular, e o único exemplo relevante é o da glândula tireóide (ver Figura 5.24). O controle da secreção Ocorre fundamentalmente por dois mecanismos, nervoso e hormonal. Muitas células secretoras recebem terminações nervosas que atingem a superfície basolateral das células. O outro controle se dá por mensageiros químicos – hormônios – que atingem receptores das células-alvo de duas maneiras: ▶Pela corrente circulatória e difusão pelo tecido conjuntivo subjacente ao epitélio, ou ▶Por mensageiros secretados nas proximidades das células-alvo e que se difundem pelo tecido conjuntivo. Esses dois grandes mecanismos de controle não são excludentes, pois muitas células glandulares respondem tanto ao controle nervoso como ao controle hormonal.