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PRINCÍPIOS TEÓRICOS E CIENTÍFICOS DA 
NEUROPSICOPEDAGOGIA 
 
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Sumário 
 
Princípios da Neuropsicopedagogia ........................................................ 3 
Metodologia e intervenção para o trabalho com princípio na coletividade 
,por meio de oficinas temáticas e projetos de trabalho ..................................... 4 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS DA NEUROPSICOPEDAGOGIA ............. 7 
A NEUROPSICOPEDAGOGIA .............................................................. 11 
Princípios teóricos e ciêtíficos da Neuropsicopedagogia ....................... 13 
FUNDAMENTOS DA APRENDIZAGEM ............................................... 15 
DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM .......................................... 20 
MARCOS DO DESENVOLVIMENTO .................................................... 24 
Dos 6 aos 8 anos: aprendendo a conviver em grupo ............................ 26 
Dos 9 aos 11 anos: “Sou ou não competente?” .................................... 28 
NEUROCIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO...................................................... 30 
O que é Cérebro? .................................................................................. 31 
O sistema nervoso central ..................................................................... 35 
Tecido nervoso ...................................................................................... 39 
O neurônio ............................................................................................. 39 
Neurotransmissores............................................................................... 42 
AS UNIDADES FUNCIONAIS DE LURIA NA APRENDIZAGEM .......... 45 
REFERÊNCIAS ..................................................................................... 49 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
Princípios da Neuropsicopedagogia 
 
Com a união da neurociências, da psicologia e da pedagogia originou-se 
uma nova ciência transdisciplinar, a Neuropsicopedagogia, cujo objetivo é 
compreender as funções cerebrais para o processo de aprendizagem, com 
intuito na reabilitação e prevenção dos eventuais problemas detectados nos 
indivíduos. Temos o objetivo de analisar e discutir o papel da 
neuropsicopedagogia no processo de ensino e aprendizagem na Educação 
Básica, com uma proposta de implementação desse profissional em todas as 
escolas do país, como ferramenta para a inclusão e sucesso escolar. 
A partir do exame do referencial bibliográfico, constatou-se que o fracasso 
escolar está agregado a inúmeros fatores, como: biológico, social, histórico e 
econômico, a qual influenciam diretamente na aprendizagem dos alunos, 
principalmente daqueles reincidentes com históricos de insucesso escolar. 
Como método, recorreu-se a revisão bibliográfica. Para dar ênfase a essa 
pesquisa, Almeida (2012), Beauclair (2014), Consenza e Guerra (2011), 
Tabaquim (2003), Mantovanini (2001) e Patto (1999), que por sua vez permeiam 
as questões da neurociência, psicologia, pedagogia e do/no/sobre o cotidiano 
escolar respectivamente contribuíram para uma maior compreensão da 
temática. 
Como resultado, ao examinar o arcabouço teórico, percebeu-se que as 
produções de estado da arte ou do conhecimento, ainda permanecem em 
“passos lentos”, o que marcam uma lacuna entre a teoria e a prática sobre a 
temática da neuropsicopedagogia, a falta de políticas públicas e a relação entre 
a saúde e a educação. 
 
 
 
 
4 
 
Metodologia e intervenção para o trabalho com princípio 
na coletividade ,por meio de oficinas temáticas e projetos de 
trabalho 
 
 
A nuance entre a neurociências, a psicologia e a pedagogia vem 
adquirindo espaços cada vez mais significativo no Brasil, a qual originou-se em 
uma nova ciência transdisciplinar. Assim, o Centro Nacional de Ensino Superior, 
criou em 2008, o primeiro curso de Pós-graduação em Neuropsicopedagogia no 
país (SBNPp, 2016), cujo objetivo foi compreender as funções cerebrais para o 
processo de aprendizagem, com intuito na reabilitação e prevenção dos 
eventuais problemas detectados em alunos de escolas no país. 
A partir daí, diversos pesquisadores como: Pedagogos, Psicopedagogos, 
Psicólogos, Neuropsicólogos, Pediatras, Psiquiatras, Fonoaudiólogos, 
Neurolinguistas, Terapeutas Ocupacionais, Fisioterapeutas e Neurocientistas, 
se reuniram diretamente e indiretamente para melhor entender a forma como o 
cérebro se processa nos processos cognitivos e emocionais dos indivíduos. E 
definiram que: 
[...] a neuropsicopedagogia procura reunir e integrar os 
estudos do desenvolvimento, das estruturas, das funções 
e das disfunções do cérebro, ao mesmo tempo que estuda 
os processos psicocognitivos responsáveis pela 
aprendizagem e os processos psicopedagógicos 
responsáveis pelo ensino” (FONSECA, 2014, p.1). 
 
 
Desse modo, a neuropsicopedagogia se caracteriza na área de 
conhecimento, voltada principalmente para os processos de ensino e 
aprendizagem, que se compõe na avaliação de indivíduos em defasagem. A 
saber, esses indivíduos não se desenvolvem fora dos contextos históricos, 
sociais, culturais, econômicos e educacionais, e o funcionamento do cérebro é 
justamente uma interação dos impulsos nervosos ao transmitir por meio das 
sinapses a liberação de substâncias químicas chamadas de neurotransmissores 
(RAQUEL ARAUJO, 2010, p.149). 
 
5 
 
Para que haja o processo cognitivo do aluno no cotidiano escolar, uma 
ampla inter-relação de desenvolvimento deve agregar-se aos fatores 
psicológicos, biológicos e culturais, esses por sua vez, precisam estar 
sintonizados para alcançar o sucesso escolar dos envolvidos nesse contexto. 
Com isso, o professor no século XXI, tem a difícil tarefa de educar alunos por 
meio do processo de ensino e aprendizagem metódicos e ultrapassados que 
remetem ao fracasso escolar. 
Contudo, é notório que a aprendizagem não é assimilada igualmente 
pelos mesmos alunos da Educação Básica, devido aos fatores genéticos 
construtivista apontados por Piaget (ABREU, 2010) ou social interacionista 
discutidos por Vygotsky (LUCCI, 2006). É justamente no cotidiano escolar que 
são trabalhados a atenção, a memória, a linguagem, a emoção e cognição, o 
que traz valiosas contribuições para se alcançar a educação plena, dentro e fora 
do ambiente escolar. 
O cérebro é o órgão principal do sistema nervoso e consequentemente o 
responsável pelo controle do corpo e do processo de aprendizagem. Assim, o 
estudo da neurociências por educadores ajudam a evitar o fracasso escolar e 
frustações futuras ao longo da Educação Básica. A saber, a plasticidade neural 
são encarregadas da aprendizagem do indivíduo, ativadas pela área do córtex 
cerebral. Desse modo, educadores ao conhecerem o processo de 
funcionamento do cérebro, se apoderam de uma ferramenta importantíssima no 
processo de ensino e aprendizagem que remetem ao sucesso escolar tão 
almejado no Brasil. 
É notório que a neuropsicopedagogia, tem se apresentado no contexto 
educacional como promissora ao relacionar saberes, que vão desde os mais 
diversos comportamentos, pensamentos, emoções, movimentos e 
principalmente a efetividade, ao fornecer melhorias na qualidade de vida do 
indivíduo. Assim, a função geradora do profissional em neuropsicopedagogia é 
buscar tratamentos efetivos para variados distúrbios, transtornos ou doenças, 
que prejudicam principalmente sonhos de alunos, pais e professores na 
Educação Básica. 
 
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Contudo, para Herculano-Houzel (2004), cabe ao neuropsicopedagogo 
avaliar as necessidades cognitivas do aluno, para que haja uma intervenção 
estimuladora e a possibilidade de entender como se processa o desenvolvimento 
de aprendizagem, com atividades diferenciadas, respeitando o ritmo de 
desenvolvimento de cada aluno no cotidiano escolar. Segundo Lima (2017), ao 
longo da Educação Básica, os processos cognitivos precisam ser analisados em 
todas as concepções, não apenas com os fracassos,(dendritos) que possui, 
 
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pois quanto mais informações forem colhidas, mais precisas serão 
as respostas motoras. 
• Axônio: geralmente único, é a via de resposta, de expressão da 
célula nervosa, servindo como fio condutor para que o estímulo 
elétrico criado no corpo celular como resposta aos estímulos 
recebidos chegue ao destino ou órgão efetor. Para que possa 
desempenhar esta função de condutibilidade deve ser recoberto 
por uma camada varável de substância ricamente gordurosa 
denominada bainha de mielina. 
• Os neurotransmissores produzidos no corpo celular têm que atingir 
as sinapses situadas nas terminações distais dos axônios. Para 
facilitar esse transporte existe inúmeros micro túbulos que se 
originam no corpo celular e percorrem toda a extensão do axônio. 
Sinapses 
A sinapse é a unidade processadora de sinais do sistema nervoso. Trata-
se da estrutura de contato entre um neurônio e outra célula, através da qual se 
dá a transmissão de mensagens entre as duas. Ao serem transmitidas, as 
mensagens podem ser modificadas no processo de passagem de uma célula 
outra, e é justamente nisso que reside a grande flexibilidade funcional do sistema 
nervoso. 
Os neurônios precisam se comunicar uns com os outros para que as 
informações possam ser transmitidas. É o local onde ocorre a transformação do 
estímulo elétrico (gerado no corpo celular) em estímulo químico, mediada pelos 
neurotransmissores. 
As sinapses podem ser elétricas ou químicas. A transmissão sináptica no 
sistema nervoso humano é química, e a comunicação entre os elementos em 
contato depende da liberação de substâncias químicas, que são os 
neurotransmissores. As sinapses do sistema nervoso central podem ser 
classificadas em duas categorias gerais, com base na morfologia das 
diferenciações das membranas pré e pós-sinápticas. Uma sinapse química 
interneuronal compreende o elemento pré-sináptico, que armazena e libera o 
 
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neurotransmissor; o elemento pós-sináptico, que contém receptores para o 
neurotransmissor e enzimas; e uma fenda sináptica. 
 
Neurotransmissores 
Quando uma sinapse está ativa e transmite informações, supostamente 
ocorre a fusão das vesículas na terminação pré-sináptica e a membrana pré-
sináptica libera seu conteúdo de neurotransmissor no espaço sináptico. As 
moléculas transmissoras difundem-se pela estreita fenda sináptica e ligam-se a 
moléculas receptoras químicas específicas na superfície da membrana pós-
sináptica, o que ativa a célula-alvo pós-sináptica (THOMPSON, 2005). 
O GABA (ácido gama-aminobutírico) é o neurotransmissor inibitório no 
cérebro. Os receptores GABA estão nos corpos celulares do neurônio e detritos. 
Ele desempenha um papel importante na regulação da excitabilidade neuronal 
ao longo de todo o sistema nervoso. Nos seres humanos, o GABA também é 
diretamente responsável pela regulação do tônus muscular. 
Como resultado da falta da regulação da excitabilidade neuronal no 
cérebro, acontecem os distúrbios da aprendizagem, ansiedade, bem como as 
psicoses como a esquizofrenia e a depressão. 
 
 
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Evidências recentes relatam que a neurose da ansiedade, é um distúrbio 
cerebral de base, por falta do neurotransmissor GABA. Duas formas importantes 
de neurose da ansiedade são as crises de pânico e a ansiedade generalizada. 
No distúrbio do pânico, a pessoa sofre crises repentinas e aterradoras de medo, 
episódicas e de ocorrência imprevisível. Os sintomas de uma crise de pânico são 
pupilas dilatadas, batimento cardíaco rápido, sensações de náusea, desejo de 
urinar, sufocação, tontura e sensação de morte iminente. 
A atividade do sistema nervoso aumenta e o hormônio do estresse, 
cortisol, é liberado. O distúrbio da ansiedade generalizada é uma sensação 
persistente de medo e ansiedade não associados a um fato ou estímulo 
específico (THOMPSON, 2005). 
A dopamina é um neurotransmissor que desempenha um papel 
importante na regulação do movimento. É o sistema que se encontra deficiente 
na doença de Parkinson. Por razões desconhecidas, os neurônios que contêm 
dopamina morrem gradualmente e desaparecem, à medida que a doença 
progride. Os resultados são os sintomas da doença de Parkinson: tremores e 
movimentos repetitivos das mãos, movimento de “rolar a pílula” com os dedos, 
e maior dificuldade para ficar em pé e iniciar os movimentos corporais gerais, 
como andar. O sistema neurotransmissor dopaminérgico parece participar de 
maneira crítica da esquizofrenia. 
As pessoas que sofrem da esquizofrenia perdem o contato com a 
realidade. Elas têm falsas crenças e processos de pensamentos perturbados. 
Muitas vezes te alucinações auditivas, vozes que se dirigem a elas 
 
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pessoalmente e as instruem a fazer coisas. Algumas vezes, podem manter 
conversações ativas e em voz alta (THOMPSON, 2005). Quando a dopamina é 
liberada nas sinapses e liga-se aos receptores dopaminérgicos, ela ativa os 
neurônios que a recebem. 
 
Algumas de suas funções notáveis estão em: movimento, memória, 
recompensa agradável, comportamento e cognição, atenção, sono, humor e 
aprendizagem. A Dopamina nos lóbulos frontais do cérebro controla a circulação 
da informação de outras áreas do cérebro. As Desordens da dopamina nesta 
região conduzem para diminuir em funções cognitivas especialmente memória, 
atenção, e resolução de problemas. 
A serotonina é um neurotransmissor que é responsável em elevar o 
humor e produzir uma sensação de bem-estar, sua falta no cérebro ou 
anormalidades em seu metabolismo tem sido relacionada a condições 
neuropsíquicas bastante sérias. A falta de serotonina no organismo pode resultar 
em carência de emoção racional, sentimentos de irritabilidade e menos valia, 
crises de choro, alterações do sono e uma série de outros problemas 
emocionais. 
Sem serotonina no organismo, pode causar a depressão. A depressão é 
uma condição que a maioria das pessoas já experimentaram. Às vezes a pessoa 
fica triste, chateada ou melancólica. As pessoas normais ficam tristes e 
deprimidas por boas razões: perda do amor de alguém, uma dificuldade 
financeira, etc. Entretanto, a depressão psicótica ocorre sem uma boa razão, 
 
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pelo menos nada que seja aparente a ninguém a não ser para a própria pessoa 
deprimida. 
Os sintomas de depressão psicótica são os mesmos da depressão normal 
e somente um pouco mais. O indivíduo deprimido tipicamente só fica sentado 
num lugar e sente-se infeliz. Ao contrário da esquizofrenia, os processos de 
pensamento são normais, com exceção de sentimentos irracionais ou de 
inutilidade (THOMPSON, 2005). 
 
 
AS UNIDADES FUNCIONAIS DE LURIA NA APRENDIZAGEM 
Outra forma de se entender a organização da neuroanatomia da 
aprendizagem é fundamentada no esquema proposto pelo neurologista russo 
 
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Luria. Apesar de cada hemisfério cerebral ter suas peculiaridades, o cérebro 
funciona como um todo, no que se refere à cognição e conduta do indivíduo. 
A base da aprendizagem se localiza nas modificações estruturais e 
funcionais do neurônio e suas conexões. As funções cerebrais são executadas 
por um conjunto de neurônios formando sistemas funcionais. Luria em 1976, 
dividiu os sistemas funcionais em três: 
• Primeira unidade funcional ou de vigília: a principal função é manter 
o estado de alerta do córtex cerebral, controlando o ciclo sono-
vigília. As estruturas cerebrais envolvidas são a substância 
reticular ascendente e o córtex pré-frontal; neles encontramos 
núcleos colinérgicos, noradrenérgicos, dopaminérgicos e 
serotonérgicos. Como se relaciona com a atenção, a disfunção 
deste sistema leva à distratilidade. 
• Segunda unidade funcional ou de recepção, análise e 
armazenamento: localiza-se no córtex temporal, parietal e 
occipital. 
Podem ser distinguidas áreas primárias, secundárias e terciárias. 
As áreas primárias são aquelas onde terminam as fibras sensitivas quevêm do tálamo. No lobo temporal, as áreas 41 e 42 recebem as mensagens 
auditivas; no lobo parietal, nas áreas 3, 1 e 2 se projetam as fibras relacionadas 
à somestesia; no lobo occipital, a área 17 corresponde à área visual. 
 
As áreas secundárias se localizam junto às primárias. A principal função 
destas áreas é de processar a informação e dar significado, integrando dessa 
 
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forma as percepções e gnosias. No lobo temporal se localiza a área 22, no lobo 
parietal as áreas 5 e 7, e no occipital as áreas 18 e 19. 
As áreas terciárias são de associação entre áreas corticais para 
elaboração de funções complexas; neste processo intervém várias modalidades 
perceptivas onde se alcança o nível simbólico e conceitual, como a linguagem 
oral e escrita, a noção de esquema corporal e a dominância hemisférica. A 
localização no sistema nervoso central não é tão precisa. 
• Terceira unidade funcional de programação, regulação e 
verificação da atividade; está representada pelos lobos frontais, 
que possibilitam a intencionalidade, a planificação e a organização 
da conduta em relação a percepção e ao conhecimento do mundo. 
As unidades funcionais de Luria se referem às funções cognitivas, mas 
não se pode esquecer a afetividade, podendo se incorporar uma quarta unidade 
funcional, localizada no sistema límbico para selecionar os estímulos e a porção 
orbitária do lobo frontal, para planificar a conduta no aspecto afetivo. 
As unidades funcionais do cérebro estão organizadas de forma 
hierárquica. A teoria do desenvolvimento neurológico sequencial leva em conta 
as modificações anatômicas, funcionais e as habilidades intelectuais de 
adaptação da criança. Podemos dividi-la em cinco etapas: 
• Primeira etapa: corresponde ao desenvolvimento da substância 
reticular ascendente. Ela já está em atividade no nascimento, mas 
adquire ação plena aos 12 meses de idade. A lesão desta área leva 
a distúrbios da atenção. 
• Segunda etapa: se relaciona com o desenvolvimento da área 
motora primária e das áreas sensitivas primárias. As áreas 
sensitivas se conectam com as motoras, tornando possível uma 
atividade sensório-motora, que se desenvolve nos dois primeiros 
anos de vida. Corresponde ao período sensório-motor de Piaget. 
• Terceira etapa: corresponde à maturação funcional das áreas 
secundárias. Esta etapa inicia com as anteriores, principalmente 
aos dois anos, mas se estende até os cinco anos. 
 
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Estas áreas recebem informação das primárias e de estruturas 
subcorticais, tornando possível processos motores e perceptuais complexos. 
Nesse período, inicia o desenvolvimento da linguagem e a lateralização dos 
hemisférios cerebrais, o que explica o fato de que lesões cerebrais antes dos 
dois anos de idade levam o desenvolvimento da linguagem e localizar-se no 
hemisfério não dominante. É o período de transição para o pensamento 
representativo de preparação para as operações concretas da teoria de Piaget. 
• Quarta etapa: ocorre com o desenvolvimento das áreas terciárias 
da segunda unidade funcional, localizadas na região parietal, 
permitindo a produção de atividades mentais complexas 
relacionadas com o nível simbólico e conceitual. Coincide com o 
período das operações concretas de Piaget. O máximo de 
desenvolvimento deste sistema funcional acontece entre os 5 e 12 
anos de idade. 
As alterações destas áreas podem levar a disfunção que vão desde 
dificuldades na leitura e em matemática até o retardo mental. 
• Quinta etapa: corresponde ao desenvolvimento das áreas da 
terceira unidade funcional; portanto, da região pré-frontal, que do 
ponto de vista ontogenético e filogenético é a última que se 
desenvolve. Esta área faz conexões com todas as áreas corticais, 
com as estruturas subcorticais, o sistema límbico e o tronco 
encefálico. Há controvérsias quanto ao seu início de 
funcionamento, que poderia ser aos quatro anos ou somente a 
partir da adolescência. 
Esta etapa corresponde ao período das operações concretas de Piaget, 
que inicia aos doze anos de idade. 
Para finalizar, podemos dizer que, segundo a literatura considera que o 
impacto do ambiente, incluindo o social e escolar, é determinado pelo 
desenvolvimento interno, o que abrange a maturação física e anatômica do 
cérebro da criança. Por sua vez, as diferentes formas de influências sociais na 
criança determinam a formação mental das funções e estimulam a maturação 
 
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das estruturas cerebrais. Em outras palavras, a atividade da criança, em 
colaboração do ambiente, leva a um funcionamento do cérebro fortalecido, de 
forma que contribui para uma aprendizagem consolidada. 
 
 
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THOMPSON, R. F. O Cérebro: Uma Introdução à Neurociência. São 
Paulo: Editora Santos, 2005.ao qual ficam impregnados 
em alguns indivíduos. Mas, como oportunidade dos envolvidos no processo de 
ensino e aprendizagem ao encontrar um víeis, na busca de um ensino de 
qualidade e a realização dos projetos de vida dos alunos. 
Com pouco mais de dez anos de abordagem da neuropsicopedagogia no 
Brasil, observou-se que especialistas estiveram preocupados em redigir 
pesquisas científicas. Porém, ao examinar revistas especializadas, percebeu-se 
que as produções de estado da arte ou do conhecimento, ainda permaneceram 
em “passos lentos”, o que marca uma lacuna entre a teoria e a prática sobre a 
temática da neuropsicopedagogia. 
Pois, diante do exposto encontrar e analisar as pesquisas no cotidiano 
escolar da Educação Básica não é uma tarefa muito fácil, justamente porque 
esse especialista vem buscando espaços em um viés, clínico e institucional 
paralelamente. A partir do exame do referencial teórico, analisou-se que o 
fracasso escolar está agregado a inúmeros fatores, como: biológico, social, 
histórico e econômico, a qual influenciam diretamente na aprendizagem dos 
alunos, principalmente daqueles reincidentes com históricos de insucesso 
escolar. 
Para dar luz a essa pesquisa bibliográfica, recorreu-se ao arcabouço 
teórico de Almeida (2012), Beauclair (2014), Consenza e Guerra (2011), 
Tambaquim (2003), Mantovanini (2001) e Patto (1999), que por sua vez 
permeiam as questões da neurociência, psicologia, pedagogia e cotidiano 
escolar. 
Portanto, temos o objetivo de analisar e discutir o papel da 
neuropsicopedagogia no processo de ensino e aprendizagem na Educação 
 
7 
 
Básica, com uma proposta de implementação desse profissional em todas as 
escolas do país devido à importância nesse processo educacional, ratificado 
pelas pesquisas. 
Como método, recorreu-se a revisão bibliográfica a partir de autores que 
examinam e compreendem a neuropsicopedagogia como ferramenta no 
processo de desenvolturas no/do/sobre o cotidiano escolar, em prol do sucesso 
escolar. 
 
FUNDAMENTOS TEÓRICOS DA NEUROPSICOPEDAGOGIA 
 
Refletindo sobre a relação da neuropsicopedagogia e sua contribuição 
para o desenvolvimento da aprendizagem, ajuda a compreender também outros 
aspectos nesse mesmo contexto como: a neuropsicopedagogia e o 
conhecimento, o desenvolvimento cerebral, o desenvolvimento neuropsicomotor 
e sua influência no processo de aprendizagem e o desenvolvimento da memória. 
Ressaltando que o desenvolvimento da aprendizagem e da memória é um 
processo que ocorre desde o nascimento até a idade adulta. E assim, o 
desenvolvimento humano ocorre durante toda vida e resulta de uma inter-relação 
complexa de fatores biológicos, psicológicos, culturais e ambientais, sendo 
definido com as mudanças na vida de um indivíduo desde a concepção até a 
morte. 
Segundo Antunes (1998), a aprendizagem é uma combinação de 3 
fatores: como você capta as informações - aprendiz visual, auditivo, sinestético 
ou tátil; como você organiza e processa as informações - quer seja ou não com 
dominância cerebral ou ainda, condições para compreendê-la e a armazenar as 
informações que está aprendendo - emocional, social, física e ambiental. 
Além de que é uma importante interface com a Psicologia e Ventura 
(2010) a define do seguinte modo: 
A neurociência compreende o estudo do sistema nervoso 
e suas ligações com toda a fisiologia do organismo, 
incluindo a relação entre cérebro e comportamento. O 
 
8 
 
controle neural das funções vegetativas – digestão, 
circulação, respiração, homeostase, temperatura-, das 
funções sensoriais e motoras, da locomoção, reprodução, 
alimentação e ingestão de água, os mecanismos da 
atenção e memória, aprendizagem, emoção, linguagem e 
comunicação, são temas de estudo da neurociência e da 
neuropsicopedagogia. (VENTURA, 2010, p.123). 
A neurociência pode ajudar muito a todos os indivíduos, contribuindo com 
um olhar especialmente para aqueles com transtornos, síndromes e dificuldades 
de aprendizagem, uma vez que se tem o entendimento da plasticidade cerebral, 
da busca de novos caminhos para a aprendizagem, das múltiplas inteligências 
propostas por Gardner. 
Gardner afirma que a Inteligência não é uma propriedade única da mente 
humana, mas a interação entre as competências diversas – as inteligências. 
Cada competência tem sua própria história de desenvolvimento e é 
relativamente independente das outras. 
Inicialmente este desenvolvimento ocorre apenas ¼ no ventre da mãe, 
pois muito antes do nascimento, o cérebro do bebê começa a funcionar por 
determinação de uma ordem genética, e a forma como os humanos se 
desenvolvem. Mesmo antes de nascer, o sistema nervoso dos bebês 
apresentam funções sensoriais e motoras elementares, como: mover-se 
espontaneamente, reagirem à luz e a sons, demostrando assim, inclusive 
sistema de memória. 
Fora do ventre, é contemplado o desenvolvimento dos ¾ restantes em 
sua relação com o ambiente para aprender, depende, crítica e continuamente, 
da interação entre a herança genética e o meio, a nutrição, o cuidado, a 
estimulação, as oportunidades e os ensinamentos que são oferecidos. 
As partes do cérebro denominadas de tronco encefálico já estão bem 
desenvolvidas ao nascer. Ficam na porção inferior do crânio regulando funções, 
como: sono, vigília, eliminação de urina e fezes. O córtex, que regula funções, 
como: percepção, movimentos corporais, o complexo de linguagem e 
pensamento é a parte do cérebro menos desenvolvida ao nascer. (BEE, 2003). 
 
9 
 
Não menos importante no desenvolvimento do sistema nervoso é a 
mielinização. Mielina é uma proteína que reveste cada neurônio, isolando-os do 
contato com outras células nervosas, facilitando a transmissão do pulso nervoso. 
(BELSKY, 2010). O tônus muscular corresponde à capacidade de resistência e 
elasticidade dos músculos. Ao nascer, uma série de mecanismos inatos que lhe 
auxiliarão a lidar com o meio, os reflexos. Esses, irão se adaptar mediante as 
interações da criança com o meio ampliando as possibilidades de 
comportamentos. 
Nesse contexto, a neuropsicopedagogia vem contribuindo numa 
perspectiva do conhecimento da gênesis da aprendizagem. Uma das áreas que 
vem abrindo um grande espaço de conhecimento é a Neuropsicopedagogia, que 
no Brasil teve a sua entrada, através do Centro Nacional de Ensino Superior, 
Pesquisa, Extensão, Graduação e Pós Graduação (CENSUPEG) no ano de 
2008, no estado de Santa Catarina. 
Sua primeira descrição no campo científico se deu através de Jennifer 
Delgado Suárez, no artigo intitulado “Desmistificación de la 
neuropsicopedagogia” onde apresentou uma composição histórica da trajetória 
neuropsicopedagógica e ressaltou sua importância para o contexto educativo. 
Fernandez (2010) aponta para três pontos elucidativos da 
Neuropsicopedagogia, abordada por Suárez: 1º Educação; 2º Psicologia e 3º 
Neuropsicologia. 
Educação no intuito de promover a instrução, o treinamento e a educação 
dos cidadãos. A Psicologia com os aspectos psicológicos do indivíduo. E, 
finalmente, a Neuropsicologia com a teoria do cérebro trino, sendo que aqui 
oportunizou a teoria das múltiplas inteligências, propostas por Gardner. 
Conforme as autoras colombianas, a Neuropsicopedagogia traz importantes 
contribuições à educação, pois existe a possibilidade de se perceber o indivíduo 
em sua totalidade. (POHLMANN, 2010). 
É através desse campo que possibilita conhecer o processo de 
aprendizado de cada sujeito, propondo metodologias e estímulos apropriados e 
assim, compreendendo que o aprendizado acontece para todos, 
 
10 
 
necessariamente, no entanto, devem-se aplicar os processos metodológicos que 
estimularão de forma a obter respostas positivas. 
Nesse contexto, vale ressaltar que a “Plasticidade é a capacidade 
apresentada pelo sistema nervoso de alterar o funcionamento do sistema motor 
e perceptivo baseado em mudanças no ambiente da conexão,através da 
conexão e (re) conexão das sinapses nervosas, organizando e (re) organizando 
as informações dos estímulos motores e sensitivos” (Relvas, 2005: 69-70) 
De acordo com os estudos de Bear (2002) sobre a Inteligência Humana e 
a Plasticidade Cerebral, não existem limites para o desenvolvimento do ser 
humano. O que chamávamos de deficiência, agora pode ser considerada uma 
mera especulação para padronização da anormalidade. 
Neuropsicopedagogia contribui efetivamente para o conhecimento do 
cérebro humano e a sua relação com a aprendizagem. Segundo Falcão (2005, 
p.54) “o cérebro possui bilhões de neurônios, e cada neurônio pode ter até 100 
mil contatos.” 
Essas áreas de contato entre neurônios através de partículas de sódio, 
potássio, cálcio e cloreto é conhecida como área sináptica onde ocorre a 
sinapse, isto é local onde ocorrem ligações entre neurônios através de impulsos 
nervosos ou eletroquímico chamado de potenciais de ação. (FALCÃO 2005, 
p.54) 
Nessa perspectiva, voltada para uma constante busca de conhecimentos 
sobre os transtornos, síndromes, patologias e distúrbios a qual o indivíduo possa 
estar relacionado, o Neuropsicopedagogo terá condições de identificar nos 
indivíduos tais sintomalogias, procurar identificar quais competências e 
habilidades que tais indivíduos possuem. 
Esse profissional, ao sugerir a intervenção, se fará acompanhada junto 
aos familiares, professores e equipe pedagógicos e demais profissionais que se 
fazem presentes na vida destes indivíduos. 
 
 
11 
 
A NEUROPSICOPEDAGOGIA 
 
Com as transformações percebidas ao longo dos anos, o campo da 
Neurologia, Psicologia e Pedagogia, áreas que estabeleceram relações com a 
Neurociências, consequentemente tornando-se em Neuropsicopedagogia, tem 
buscado fomentar em estudos e pesquisas em prol das funções desse 
profissional e de indivíduos que sofrem com distúrbios neuronais. Numa visão 
mais abrangente, pode-se dizer que essa união tornou-se em uma ciência que 
analisa o sistema nervoso e sua atuação no comportamento humano, tendo 
como principal enfoque, a aprendizagem por meio da práxis. 
Assim, procura fazer inter-relações entre os estudos das neurociências 
com os conhecimentos da Psicologia Cognitiva e da Pedagogia. As áreas do 
conhecimento que antes agiam independentes uma das outras, começaram a 
fazer relações, denominado neuroeducação, promovendo desta forma a 
identificação, diagnóstico, reabilitação e prevenção frente às dificuldades e 
distúrbios das aprendizagens dos estudantes da Educação Básica. 
Representação de entretenimentos e jogos que promovam a motivação e 
interesse da criança a participar de forma ativa; conter elementos de 
diferenciação que possam prender a atenção da criança durante o processo; 
possibilitar a estimulação das áreas mais comprometidas da criança, utilizando-
se das mais desenvolvidas a fim de tornar a intervenção mais completa possível; 
eliminação de fatores inibitórios que possam bloquear a estimulação programada 
(PERUZZOLO; COSTA, 2015, p.7). 
Diante do que foi mencionado até o momento sobre a temática é 
fundamental abraçar todas as possibilidades de avanços nas pesquisas sobre a 
aprendizagem, para que a educação na contemporaneidade se torne cada vez 
mais reflexiva e digna de orgulho na sociedade. Sendo assim, percebe-se que a 
neuroeducação pode trazer inúmeras contribuições a todos envolvidos com uma 
educação escolar de qualidade. 
O surgimento deste campo de conhecimento em âmbito escolar, traz 
consigo uma gama de possibilidades, principalmente no que tange educação 
 
12 
 
inclusiva, contudo, de fato, precisa ser melhorado dia após dia. Inúmeras ações 
precisam ser tomadas em relação a aprendizagem, políticas públicas, formação 
de professores e apoio psíquico, econômico e social aos familiares em prol dos 
alunos. 
Conforme Cosenza e Guerra (2011, p.139): As neurociências não 
propõem uma nova pedagogia e nem prometem solução para as dificuldades da 
aprendizagem, mas ajudam a fundamentar a prática pedagógica que já se 
realiza com sucesso e orientam ideias para intervenções, demonstrando que 
estratégias de ensino que respeitam a forma como o cérebro funciona tendem a 
ser mais eficientes. 
Em um primeiro momento é necessário reforçar na base da formação dos 
educadores, nos cursos de licenciaturas e manter a formação continuada, pois 
a relação da teoria e prática, deverá ser capaz de trabalhar a individualidade dos 
alunos, nos pontos de fragilidades e dos pontos positivos, e saber agir sobre 
elas. Para Cosenza (2011, p. 136) é de suma importância que: Os avanços das 
neurociências possibilitam uma abordagem mais científica do processo ensino-
aprendizagem, fundamentada na compreensão dos processos cognitivos 
envolvidos. 
Devemos ser cautelosos, ainda que otimistas em relação às contribuições 
recíprocas entre neurociências e educação[...]Descobertas em neurociências 
não autorizam sua aplicação direta e imediata no contexto escolar, pois é preciso 
lembrar que o conhecimento neurocientífico contribui com apenas parte do 
contexto em que ocorre a aprendizagem. Embora ele seja muito importante, é 
mais um fator em uma conjuntura cultural bem mais ampla. 
Extremamente ligada a neurociência, a neuropsicopedagogia busca por 
meio do funcionamento do cérebro, os recursos para a aprendizagem, 
considerando os métodos didáticos e avaliativos uma interferência significativa 
nesse processo. Para compreender basicamente esse órgão, ele é dividido em 
três partes fundamentais: o hipotálamo que é um pequeno órgão que controla as 
funções de sobrevivência, como a fome, a sede, e também o impulso sexual; já 
o sistema límbico, tem a função de prover ao indivíduo as emoções; por fim, o 
 
13 
 
córtex que controla os movimentos do corpo, a percepção dos sentidos e o 
pensamento. (BEAR; CONNORS, 2008) 
A maior parte das transformações no cérebro ocorre logo nos primeiros 
anos de vida, e é justamente nesse período que a criança aprende os sons, 
coordenação motora, cores, sentimentos, etc. Mas, tudo depende do convívio 
familiar e das questões fisiológicas e biológicas, a qual deve-se levar em 
consideração a faixa etária. 
Por isso, cabe aos pais e professores, estimular as crianças nos primeiros 
anos de vida a pensar, estudar, comunicar, movimentar, memorizar e resolver 
situações problemas do cotidiano, ou seja, as habilidades e competências 
necessárias para a vida adulta. Percebe-se que muitos jovens e adultos não 
estão sendo preparados para essa fase da vida, pois não foram estimulados 
pelos pais e professores, e quando se deparam com situações problemas, não 
conseguem resolver e avançar, transformando-os em jovens e adultos frustrados 
com a vida e com a escola. É de suma importância apontar que a criança é um 
ser social, afetivo, psicomotor e perceptivo, antes mesmo de ser considerado um 
ser aprendiz. 
Sendo assim, deve-se levar em conta os quatros pilares da educação o 
aprender a ser, conviver, fazer e conhecer (DELORS, 2012), visando sempre o 
desenvolvimento humano acima de tudo. Assim, esses quatros pilares 
educacionais, em seu conjunto, como princípio organizador nesse processo de 
construção buscam ampliar as competências e habilidades dos indivíduos ao 
longo de sua história, algo que educadores precisam colocar em pratica 
diariamente. 
 
Princípios teóricos e ciêtíficos da Neuropsicopedagogia 
 
Um dos grandes referenciais da mudança educacional da última década 
está pautado nos avanços neurocientíficos, representados pela palavra 
“Neurociências”, que conforme Herculano-Houzel (2004), ainda é uma ciência 
nova, tendo em torno de 150 anos, mas que a partir da década de 90 alcançou 
 
14 
 
um maior auge e vem proporcionando mudanças significativas na forma de 
perceber o funcionamento cerebral. Estes avanços ocorreram devido a 
neuroimagem, ou seja, o imageamento do cérebro. As contribuiçõesprovindas 
das Neurociências despertaram interesse de vários seguimentos e entre estes a 
Educação, no sentido da maior compreensão de como se processa a 
aprendizagem em cada indivíduo. 
Dentro dessa abordagem, se procurará mostrar o que é Neurociências, 
suas possíveis contribuições para a área educacional, bem como a 
contextualização da Neuropsicopedagogia e sua relação com o processo ensino 
e aprendizagem. 
Tabaquim (2003) destaque que: 
O cérebro é o órgão privilegiado da aprendizagem. Conhecer sua 
estrutura e funcionamento é fundamental na compreensão das 
relações dinâmicas e complexas da aprendizagem. Na busca pela 
compreensão dos processos de aprendizagem e seus distúrbios, é 
necessário considerar os aspectos neuropsicológicos, pois as 
manifestações são, em sua maioria, reflexo de funções alteradas. 
As disfunções podem ocorrer em áreas de input (recepção do 
estímulo), integração (processamento da informação) e output 
(expressão da resposta). O cérebro é o sistema integrador, 
coordenador e regulador entre o meio ambiente e o organismo, 
entre o comportamento e a aprendizagem. 
 
Uma das áreas que vem abrindo espaço dentro âmbito de conhecimento 
é a Neuropsicopedagogia. Fernandez (2010) afirma que a Neuropsicopedagogia 
traz importantes contribuições à educação, pois existe a possibilidade de se 
perceber o indivíduo em sua totalidade. Para Hennemann (2012) a 
Neuropsicopedagogia apresentase como um novo campo de conhecimento que 
através dos conhecimentos neurocientíficos, agregados aos conhecimentos da 
pedagogia e psicologia vem contribuir 3 para os processos de ensino-
aprendizagem de indivíduos que apresentem dificuldades de aprendizagem e 
que estão inseridos no processo de inclusão. 
Através dos conhecimentos neuropsicopedagógicos existe a 
possibilidade de entender como se processa o desenvolvimento de 
aprendizagem de cada indivíduo, proporcionando-lhe melhoras nas perspectivas 
educacionais e dessa forma desmistificar a ideia de que a aprendizagem não 
 
15 
 
ocorre para alguns; na verdade sempre acontecerá a aprendizagem, entretanto 
para uns ela vem acompanhada de muita estimulação, atividades diferenciadas, 
respeitando o ritmo de desenvolvimento do indivíduo. 
 
FUNDAMENTOS DA APRENDIZAGEM 
 
Onde se dá aprendizagem? Não restam dúvidas de que o processo da 
aprendizagem se dá no sistema nervoso central (SNC), que é uma estrutura 
complexa. 
No que se refere ao processo de aprendizado, existe uma interface entre 
duas áreas de atuação: a educação e a saúde. Na primeira, agem os 
educadores, orientadores educacionais, pedagogos e psicopedagogos; na 
segunda, atuam pediatras, neurologistas, neuropediatras, psicólogos, 
psiquiatras da infância e adolescência, fonoaudiólogos, psicomotricistas, 
fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, entre outros. A rigor, essa interface 
entre saúde e educação, na qual o assunto é a aprendizagem e seus principais 
problemas, poderia ser denominada neuropedagogia (ROTTA, 2006). 
As informações vindas das neurociências e da área médica, em especial 
da neurologia, são de suma importância para o entendimento do processo da 
aprendizagem e dos seus distúrbios, que em última análise são funções 
corticais. Dentro da abordagem médica, o neuropediatra é o profissional em 
melhores condições para bordar os fundamentos psiconeurológicos do 
aprendizado. 
O processo de aprendizagem é foco constante das pesquisas em 
psicologia, educação e neurociências, a preocupação não envolve apenas como 
se aprende, mas como se ensina também. Os conhecimentos sobre como esses 
dois processos podem ser implementados fazem parte do universo de 
educadores e de estudiosos da área, isto é, que tipo de métodos, estratégias, 
perspectivas e contextos diferenciados, além dos estilos de ensinar e de 
aprender, servem de base para o processo educacional. 
 
16 
 
Neste sentido, Coll (2003) enfatiza que as práticas educativas são 
fenômenos complexos, mesmo que aparentemente classificadas como mais 
simples. Doyle, citado por Coll (2003) reafirma o nível de complexidade que é 
inerente aos processos de ensino e aprendizagem, sublinhando que as relações 
professo-aluno se evidenciam pela multidimensionalidade (vários eventos estão 
presentes), simultaneidade (sucessão de tópicos e condições), imediação 
(rapidez que os eventos se sucedem), imprevisibilidade (elementos não 
esperados e não planejados que ocorrem), publicidade (as atividades que 
envolvem os sujeitos da aprendizagem são públicas e reconhecidas), história (há 
uma continuidade das ações e atos pedagógicos relacionados às aulas ou 
situações anteriores). Acrescentam-se ainda, os fatores afetivos, os interativos 
e os de comunicação que interferem no processo ensino-aprendizagem. 
Por essas condições, percebe-se que o conceito de aprendizagem é 
multifacetado, pois ela se inicia pela inserção da pessoa no mundo de relações, 
em que o aprendiz é produto e produtor de conhecimento e de transformações 
em nível cognitivo, afetivo, social e histórico. Marques (2000) ressalta que toda 
aprendizagem tem sentido quando se repercute nas práticas cotidianas dos 
indivíduos e grupos, reconstruindo os seus significados e possibilitando novas 
situações e experiências. 
Fonseca (1995) destaca que a aprendizagem resulta em uma mudança 
de comportamento oriunda da experiência que paralelamente é consolidada no 
próprio cérebro indivíduo. 5 Envolve uma dupla condição: a de assimilação e a 
de conversação do conhecimento que conecta com o controle e mudança no 
ambiente, retratando a experiência humana e sua história. 
Vygotsky (2004) afirma que o ser humano nasceu com uma 
potencialidade de aprender, sendo, então, a condição básica do psiquismo 
humano, afinal a consciência pressupõe uma condição intencional, organizada, 
sistematizada, ilustrando o dinamismo das funções mentais superiores. Na 
perspectiva histórico-cultural, aprendizagem se constitui como um processo 
dinâmico da apreensão da experiência humana, sendo sempre mediada pelo 
seu meio físico e social. 
 
17 
 
 
A aprendizagem então deve se antecipar ao desenvolvimento, e para isso 
a mediação de indivíduos mais capazes se faz essencial. Piaget (2001) destaca 
que os processos de equilibração e desequilibração são mecanismos auto 
reguladores que propiciam a interação contínua do sujeito com o seu meio 
ambiente. 
Quando o aprendiz entra em contato com o objeto de conhecimento, 
esses dois mecanismos se alternam, gerando, então, os processos de 
assimilação e acomodação, imprescindíveis à aprendizagem. 
Em síntese, na abordagem piagetiana, o equilíbrio cognitivo depende das 
inter-relações entre a acomodação do conhecimento, nas estruturas de 
pensamentos, e de sua conservação. Assim, se o sujeito apenas assimilasse, 
desenvolveria somente alguns esquemas cognitivos que não permitiriam, então, 
que ele desenvolvesse a capacidade de diferenciação, por exemplo, não 
conseguir distinguir o sentido da palavra manga fruta da manga parte da camisa. 
No caso de ocorrer apenas acomodação, haveria uma restrição significativa no 
tocante aos processos de generalizações imprescindíveis ao aprender, por 
 
18 
 
exemplo, a dificuldade em empregar a noção de mamíferos aos animais como 
cachorro, gato, baleia e morcego. 
A abordagem de Wallon (2005) é que o projeto de sociedade define o 
projeto de educação. O objetivo da Educação é formar indivíduos históricos, 
autônomos, democráticos, críticos que possam interferir na sociedade voltada à 
justiça social. E, por isso, os métodos e práticas educacionais devem alternar 
momentos de aprendizagem individual e coletiva. Os processos interativos em 
sala de aula e a forma como o conhecimento é desenvolvido devem atender as 
necessidades no plano motor, afetivo, cognitivo sempre assegurando uma 
unidade entre eles. Por isso, ao selecionar uma atividade, o professor deve 
refletir comoela interfere nesses planos, além de avaliar como ela contribui para 
o desenvolvimento do aluno. 
 
A aprendizagem é um processo que se direciona do sincretismo à 
diferenciação, devendo, então, os professores estarem atentos e planejarem 
atividades que contemplem essa passagem. Para Wallon (2003), os conflitos 
 
19 
 
gerados da relação do sujeito com o seu ambiente dinamizam tanto o processo 
de desenvolvimento quanto os de aprendizagem, porque possibilitam a busca de 
uma maior e melhor diferenciação no que tange a relação eu e outro enquanto 
que os conhecimentos adquiridos promovem as transformações e a evolução da 
pessoa. 
Dessa forma, ao interagir com o conhecimento formal, o indivíduo 
apreende as diferenciações que são oriundas da organização do conhecimento 
pela cultura que, paralelamente, contribuem para que a pessoa possa então 
realiza-la. O aspecto cognitivo entrelaça um conjunto de funções que possibilita 
a aquisição manutenção e ampliação do conhecimento por meio de imagens, 
noções, ideias e representações. Por meio dele, há a integração do passado, 
presente e futuro. Quanto ao primeiro, a condição de rever e reconhecer os fatos, 
o segundo, analisar como eles se programam, e o terceiro, a projeção do futuro 
que implica a possibilidade de transformação deles (ALMEIDA, 2005). 
A aprendizagem se incrementa por meio da interação do aprendiz com o 
seu mundo físico e social, pela mediação dos procedimentos de ensino, pelas 
formas de intervenção no mundo, por meio das diversas linguagens e dos 
conhecimentos elaborados culturalmente, considerando a sua função coletiva, a 
sua organização dentro das suas potencialidades e especificidades em cada 
momento histórico. A complexidade do processo de Para ler mais sobre Wallon 
e suas teorias acesse o site: www.crmario-covas.sp.gov.br 8 aprendizagem se 
estabelece quando os significados são contextualizados e compreendidos, 
possibilitando a generalização e a discriminação, nesse processo, a linguagem 
promove que os códigos elaborados coletivamente e imbricados na situação 
social representem a dinâmica cultural das pessoas (MARQUES, 2000). 
Para Skinner, citado por Carrara (2004), aprendizagem implica em 
mudança de comportamento, o organismo aprende, em relação a sua história e 
sua experiência de vida, frente aos reforços que recebe do ambiente, podendo 
inibir a sua manifestação ou aumenta-la. No entanto, ressalta Coll (2003) que 
nem todas as teorias psicológicas e nem todas as teorias de ensino oferecem 
princípios explicativos, recursos conceituais e metodológicos que possam 
permitir uma análise completa e orientar de maneira ampla as práticas 
 
20 
 
educativas. Esse desafio pressupõe, então, uma visão multirreferencial do 
processo educativo, na medida em que o conhecimento interdisciplinar é que 
possibilita a compreensão análise e intervenção do fenômeno educacional, bem 
como assegurar a sua inter-relação. Por isso, os educadores, professores e 
outros interessados em se envolver num fenômeno de tal complexidade devem 
realizar a interlocução das diversas disciplinas educativas, entre as quais 
podemos citar a psicologia da educação, do desenvolvimento, da aprendizagem, 
entre outras. 
Na realidade, o processo ensino-aprendizagem deve ser sempre 
analisado como uma unidade, sobressaindo não apenas a relação de 
conhecimento, mas a interpessoal, professor-aluno e aluno-aluno que estão em 
constante aprendizagem e fomentando o desenvolvimento. Por isso, o processo 
educativo não pode ser compreendido de forma isolada, mas integrando todos 
os seus aspectos (cognitivos, afetivos, sociais, históricos, contextuais), abarcam 
a escolarização e a dialética teoria e prática, como o processo ensino-
aprendizagem, os métodos de ensino, as formas de avaliação que refletem o 
sistema educacional e seus paradigmas vigentes. A partir desses componentes, 
é que a práxis (a práxis é a ação de aplicar, usar, exercitar uma teoria; é uma 
ação objetiva que, superando e concretizando a crítica social meramente teórica, 
permite ao ser humano construir a si mesmo e o seu mundo, de forma livre e 
autônoma) se conduz, refletindo o momento político, o contexto histórico e o 
social que interferem nas relações professor- 9 aluno, aluno-aluno, escola-
família e na seleção dos conteúdos e na maneira de implementá-los. 
 
DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM 
 
O desenvolvimento humano é um processo extraordinariamente 
complexo que tem início assim que o embrião é concebido. A partir desse 
momento, uma sucessão incontável de eventos transforma uma única estrutura 
celular em um ser humano completo, capaz de pensar, sentir e interagir com o 
mundo a sua volta. Durante essa longa trajetória, observam-se parâmetros – 
também chamados de marcos do desenvolvimento – que, mesmo admitindo 
 
21 
 
variações de uma pessoa para outra, permitem uma compreensão global e 
esquematizada desse conjunto de transformações. 
 
 
 
O desenvolvimento humano é basicamente contínuo, podendo alternar-
se entre momentos de “pico” – em que muitas habilidades são adquiridas em um 
breve período de tempo – e momentos de maior ou menor evolução. Porém, nem 
sempre o desenvolvimento é progressivo. Eventualmente a criança pode 
aparentar ter perdido habilidades que havia conquistado e “regredir”. Essa 
regressão pode ser considerada normal quando é temporária e não impede o 
desenvolvimento de ouras áreas. 
É comum que períodos de regressão normal aconteçam enquanto a 
pessoa está “se preparando” para um momento de pico de desenvolvimento em 
uma determinada área. Por exemplo, um pouco antes do estirão de crescimento 
físico da puberdade, é comum que o púber apresente um período de irritabilidade 
e “regressão psicológica”. 
Em algumas ocasiões, entretanto, um jovem pode apresentar o que se 
chama de regressão neurótica, que é caracterizada por isolamento, afastamento 
dos estímulos e interrupção do desenvolvimento de diversas áreas 
simultaneamente. Uma pessoa que demonstra um estado de regressão 
neurótica está em risco e merece atenção, a fim de ser reconduzida ao caminho 
do desenvolvimento normal. 
 
22 
 
 
 
O desenvolvimento humano é determinado em parte pela bagagem 
genética que o indivíduo herda e em parte por influência do ambiente que o 
cerca. Assim, podemos entender que uma criança nasce com uma série de 
potenciais que herdou dos pais e pode desenvolvê-los ou inibi-los de acordo com 
o padrão de estímulos que recebe. 
O desenvolvimento humano é marcado por extraordinárias 
transformações cerebrais. Tais transformações possibilitam a aprendizagem de 
inúmeras habilidades que se desenvolvem Pesquisas na área do 
desenvolvimento têm demonstrado que, apesar de cada um dos marcos 
evolutivo amadurecer de forma independente, o sucesso ou o fracasso de um 
deles pode influenciar na evolução dos demais. Por exemplo, uma criança com 
dificuldades na área cognitiva pode apresentar problemas para fazer amigos 
(desenvolvimento social) ou se controlar (desenvolvimento emocional). 
Diz-se que uma criança apresenta um atraso no desenvolvimento quando, 
por algum motivo, ela não esteja apresentando a maturidade esperada em uma 
ou mais das áreas citadas. Pelo aperfeiçoamento dos sistemas sensoriais, 
motores e das funções cognitivas. Assim, a partir do amadurecimento do 
cérebro, o ser humano torna-se gradativamente mais capaz de centrar sua 
atenção, de compreender e utilizar a linguagem e de formar relacionamentos 
sociais complexos. 
Durante os dois primeiros anos de vida, desenvolvemos bilhões de 
conexões entre os neurônios (chamadas sinapses) ante um mundo cheio de 
novidades, a ponto de um bebê ter um número bem maior dessas conexões do 
 
23 
 
que um adulto. Ao longo do tempo, sinapses não utilizadas vão sendo “podadas”, 
enquanto outras vão sendo criadas e reforçadas, gerando redes de 
comunicações neuronais maisconcentradas e eficientes. O processo de 
conexão, “posa” e mielinização neuronal está associado a períodos de 
“reorganização” do cérebro que coincidem com momentos de grandes 
aquisições no desenvolvimento. 
Por exemplo, com aproximadamente 2 anos de idade as crianças 
ampliam de maneira impressionante seu vocabulário após um período de 
mielinização rápida das regiões do cérebro envolvidas com a linguagem. Aos 5 
anos, uma criança já tem 90% do volume do cérebro de um adulto. Atingir esse 
volume tão cedo, no entanto, não significa que a maturidade cerebral da criança 
seja igual à de um adulto. Pelo contrário, nessa idade ela é um processo em 
construção que ao longo dos anos permite a aquisição de habilidades conforme 
o amadurecimento de áreas específicas do cérebro. Nesse sentido, acredita-se 
que o processo de maturação siga uma sequência. 
Por exemplo: as regiões frontais do cérebro que determinam as 
chamadas “funções executivas” – ou seja, nossa capacidade de planejamento, 
autocontrole e raciocínio – amadurecem mais tarde do que as áreas mais 
posteriores do cérebro, como as que determinam nossas funções sensório-
motoras. Esse fenômeno é bastante conveniente para a vida escolar, na qual 
habilidades básicas vão possibilitando aquisições cada vez mais refinadas. 
 
A figura acima demonstra os lobos cerebrais, as funções e direção do 
amadurecimento cerebral. Todo o processo de desenvolvimento cerebral é 
influenciado pela herança genética da pessoa e pelas experiências de vida pelas 
 
24 
 
quais ela passa. Um tema de bastante importância para a compreensão do 
desenvolvimento infantil é a plasticidade cerebral, que é a capacidade que o 
cérebro tem de modificar sua estrutura ante experiências de vida e, assim, 
possibilitar a aprendizagem. 
O cérebro humano apresenta mais plasticidade durante o período pré-
natal tardio e a primeira infância, porém segue “sendo plástico” ao longo de toda 
a vida, mesmo que com menor maleabilidade. O ambiente escolar é um papel 
decisivo sobre o desenvolvimento cerebral de um individuo, uma vez que boa 
parte do processo de “escultura” do cérebro acontece até o fim da adolescência. 
 
MARCOS DO DESENVOLVIMENTO 
 
As brincadeiras de “faz de conta”, que começam entre 2 e os 3 anos, nas 
quais as crianças representam o mundo utilizando a imaginação, fazendo um 
objeto se passar por outro (um galho de árvore passe a ser uma espada, por 
exemplo) e imitando situações do dia a dia, ficam cada vez mais complexas até 
os 4 ou 5 anos, quando passam a ser construídas em conjunto com outras 
crianças. Dramatizações como brincar de casinha, de médico e de super-herói 
são consideradas muito ricas para o desenvolvimento por fortalecerem as 
capacidades cognitivas e socioemocionais. 
O pré-escolar consegue armazenar diversos itens na memória, e a 
capacidade de prestar atenção melhora significativamente em relação aos anos 
anteriores, embora ainda esteja longe do ideal. Uma criança de 5 anos pode ser 
observada assistindo à televisão durante meia hora, mas ainda pode ter 
dificuldade para manter a atenção em tarefas escolares se escuta outras 
crianças brincando do lado de fora da sala de aula. 
A orientação em relação ao tempo e à organização espacial ainda é 
bastante limitada, por isso ficam perguntando a todo momento sobre um passeio 
planejado para a semana seguinte e geralmente não conseguem diferenciar 
direita de esquerda. A busca dos pais ainda é estratégica de resolução de 
problemas mais utilizada. Enquanto na primeira infância a resolução de 
problemas era baseada em tentativas e erros, na préescola a criança usa sua 
 
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capacidade intelectual associada a experiência anteriores para esses fins. Nesse 
momento, ela já pode se utilizar de uma fala interna, dialogando consigo mesma, 
pensando e planejando seu comportamento. 
A grande maioria das crianças de 5 anos já pronuncia corretamente todos 
os sons da língua nativa (fonemas) e apresenta um vocabulário de cerca de 2 
mil palavras. Com isso, interagem de forma mais clara e coerente, fazendo 
perguntas quando querem entender melhor uma coisa ou comunicando suas 
vontades. 
Nessa fase, a maioria já reconhece os números e o alfabeto, e o 
conhecimento dos sons e do nome das letras pode predizer a capacidade da 
criança de se alfabetizar. Nesse sentido, a influência do ambiente familiar nas 
competências linguísticas infantis também está altamente correlacionada ao 
sucesso do processo de leitura e escrita nos primeiros anos escolares. 
As explosões de birra que normalmente ocorriam em resposta a 
frustação, cansaço ou fome, bem como os comportamentos agressivos de 
morder e bater, são menos frequente por volta dos 4 ou 5 anos de idade. Em 
seu lugar, surgem conflitos verbais (discussões), mais calculados e voltados a 
um objetivo. As crianças podem se tornar bastante resistentes em atender aos 
desejos dos pais, passando a confrontá-los com seu próprios desejos. Se, em 
relação aos pais, a agressividade vai se transformando em debate, entre os 
amigos, ela passa a ser canalizada frequentemente para a competição. 
A mudança nesses comportamentos acontece devido à aquisição de uma 
maior habilidade de autocontrole físico, associada a um aumento da 
autoconsciência e da capacidade de verbalizar o que pensa e sente. As mesmas 
capacidades de autoconsciência e autocontrole são muito importantes para o 
amadurecimento emocional. Por meio delas, os pré-escolares tornam-se mais 
seguros e precisos na avaliação de suas emoções, dos comportamentos 
relacionados às suas emoções e da maneira mais apropriada de exibi-las 
socialmente. 
Aprendem, por exemplo, o momento para rir (ao ouvir uma piada) e para 
ficar quieto (se a mãe está no telefone). Este período é marcado pelo surgimento 
 
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das primeiras amizades significativas, que ganham cada vez mais importância 
até que atinja a idade escolar. Compreendendo melhor suas emoções e as 
emoções dos outros, a criança, desenvolve características emocionais mais 
complexas, como o sentimento de simpatia e a empatia, que é a habilidade que 
uma pessoa pode ter de se identificar com as emoções e as preocupações soa 
demais. A empatia é a base para a compaixão e o cuidado com os outros, além 
de ser fundamental para que se estabeleçam parâmetros morais adequados, 
como o que é certo ou errado. 
 
 
Conceitos de certo e errado, bem e mal já estão se estruturando, bastante 
influenciados pela opinião dos pais e pelo contexto cultural no qual a criança está 
inserida. Regras e leis são vistas como inflexíveis e seguidas pelo medo de 
punição externa, não pelo senso de justiça e da autoconsciência que se 
manifesta posteriormente. Jogos de tabuleiro com regras sistemáticas e claras 
são bastante requisitados nessa idade por reproduzirem a crescente 
necessidade de adequação a regras. 
 
 
 
Dos 6 aos 8 anos: aprendendo a conviver em grupo 
 
Dos 6 aos 8 anos, com o amadurecimento gradual do lobo frontal do 
cérebro, a criança desenvolve mais autocontrole. Com isso, passa a respeitar 
melhor as regras de convívio social (como ficar sentado na sala de aula) e a 
 
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ampliar seu círculo de amigos (o autocontrole é um trunfo para que se falam 
novas amizades). 
Com a consolidação das habilidades básicas de leitura, escrita e 
aritmética, a criança passa a ter a possibilidade de buscar novos conhecimentos, 
como, por exemplo, explorar sua cultura. Com a evolução do autocontrole entre 
os 6 e aos 8 anos, a maioria das crianças passa a se manter mais atenta em 
sala de aula e a ser capaz de ignorar a maioria dos estímulos distratores. 
Quando a distração acontece, aprendem a redirecionar sua atenção para 
o foco anterior rapidamente. Poder prestar mais atenção possibilita o 
aprendizado de uma série de novas informações e permite que se desenvolva 
um raciocínio crítico sobre as coisas. Além disso, a maior capacidadede 
memorização. 
Com isso, uma criança de 6 a 8 anos, ainda que não consiga memorizar 
várias coisas ao mesmo tempo, passa a conseguir relembrar situações que viveu 
utilizando-se de elementos centrais dos acontecimentos. Por volta dos 7 ou 8 
anos, as criança desenvolvem maior orientação espacial e temporal. Com isso, 
já conseguem distinguir direita de esquerda em si próprias e nos outros e 
lembrar-se do dia do seu aniversário. 
Com essa idade passam a antever melhor e esperar por intervalos curtos 
de tempo, como “esperar 15 minutos para o almoço estar pronto” ou “aguardar 
até amanhã para irmos para a casa da vovó”. Intervalos mais extensos ainda 
podem ser difíceis de assimilar, portanto, quando estabelecemos um 
planejamento a longo prazo para uma criança dessa idade (preparação para um 
trabalho com muita antecedência ou castigos muito duradouro), é possível que 
os resultados não sejam os melhores. 
Capacidades ainda não consolidadas são “portas abertas” para 
estímulos. No caso do estímulo à orientação temporal, podemos utilizar como 
estratégia incentivar a criança a fazer uma pequena “poupança” de moedas e 
registrar seus resultados ao longo do tempo ou plantar um pé de feijão e registrar 
o tempo de seu crescimento. A aquisição de mais autocontrole nesse período 
 
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está associada ao aumento da autorreflexão, ao desenvolvimento da capacidade 
de espera por recompensas e ao controle dos impulsos. 
Enquanto criança muito pequenas tem muita dificuldade de aguardar uma 
possível gratificação, do 6 aos 8 anos, elas aprendem a esperar por uma 
recompensa enquanto se engajam em outra atividade. Em parte, isso é facilitado 
pela observação de colegas que conseguem ter autocontrole, embora essa 
capacidade também varie de acordo com o temperamento de cada criança. A 
fase de alfabetização é um período crucial para o desenvolvimento da 
autoestima. 
Como é nesse momento que as criança começam a se comparar com os 
demais e a receber maior (ou menor) reconhecimento dos professores e de 
outros adultos, a autoestima é posta à prova e, muitas vezes, apresenta uma 
queda se comparada ao seu nível elevado dos anos pré-escolares. A criança 
fica muito sensível a críticas, e é possível que a comparação com os outros a 
faça desistir de atividades que gostava até então, por julgarse incompetente. 
A maturação social evolui à medida que a atenção que antes era devotada 
quase exclusivamente à família passa ser um pouco mais direcionada para os 
amigos. Ao distanciar-se um pouco dos pais, a criança passa a ter uma 
percepção um pouco mais clara de suas qualidades e defeitos e, em última 
instância, de quem ela é. 
 
Dos 9 aos 11 anos: “Sou ou não competente?” 
 
Nessa idade, a criança redireciona cada vez mais o foco da atenção de si 
para os outros, passando a compreender que o outro pensa, sente e se comporta 
de maneiras diferentes da sua. “Olhar” para o outro pode levar a comparações e 
submeter a autoestima a um risco maior. Durante esse período, como resultado 
de tudo que foi desenvolvido até então, o jovem passa a se auto definir como 
competente (e, portanto, independente) com relação a seus desafios ou como 
dependente de outras pessoas para enfrenta-los. 
 
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Nessa fase, a capacidade de memória segue aumentando. A criança 
entrando na puberdade é capaz de se lembrar de uma série de coisas 
simultaneamente, seguindo instruções com maior competência e fazendo relatos 
mais ricos em detalhes. Com o raciocínio mais rápido e eficiente, as habilidades 
de resolução de problemas também evoluem. 
O pensamento torna-se mais criativo, e a metacognição, ou “o ato de 
pensar, sobre os próprios pensamentos”, se desenvolve, melhorando muito a 
capacidade crítica em relação às coisas e, portanto, a aprendizagem. A pessoa, 
por meio do autocontrole cognitivo, passa a monitorar melhor pensamentos e 
ações para superar desafios. Mesmos com todos esses avanços, o padrão de 
pensamento segue sendo concreto. 
Com o avanço da atenção e da memória, os jovens seguem expandindo 
seu vocabulário, que chega a aproximadamente 10 mil palavras por volta dos 10 
anos. Ao dialogar, o préadolescente passa a ser mais espontâneo, aprende a 
modificar o tema da conversa e passa a entender palavras e mensagens de 
duplo sentido. No entanto, essas habilidades linguísticas dependerão das 
habilidades intelectuais da pessoa e apresentarão variações de acordo com o 
contexto cultural e o ambiente no qual a criança está inserida. 
Embora emoções mais complexas, como orgulho, vergonha e culpa, já 
sejam conhecidas durante os anos pré-escolares, a consciência dessas 
emoções torna-se mais refinada na pré-adolescência. Com isso, os 
comportamentos que surgem como respostas às emoções sentidas tendem a 
ser mais adequados à medida que as crianças desenvolvem mais maturidade. 
Por exemplo, um menino que antes referia ter raiva dos colegas diante de 
diversas situações, começa, com o tempo, a ter uma compreensão mais correta 
dessas mesmas situações, passando a classifica-las como eventualmente 
causadoras de tristeza ou frustação (até por vezes assumindo a maior parte da 
culpa pelo evento), o que leva a comportamentos mais adequados e resolutivos. 
Dos 9 aos 11 anos, meninos e meninas passam a se comparar em tudo. 
Portanto, usar roupas de marcas conhecidas ou ter um telefone moderno passa 
a ser uma maneira de se auto afirmar. Nessa fase, a autoestima se baseia na 
 
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auto percepção de competência em tarefas, no retorno que os amigos e outras 
pessoas possam oferecer e na identificação com pais, professore ou outros 
adultos próximos. Nesse momento, o grupo de amigos começa a ser tão 
importante quanto a família. 
As amizades são formadas com base na confiança e no prazer mútuo por 
meio de hobbies como esportes ou jogos eletrônicos. As crianças de 9 a 11 anos 
passam a se interessar mais pelos pensamentos e sentimentos alheios, a 
direcionada para pessoas desconhecidas (por exemplo, a vontade de doar 
coisas ou participar de uma festa beneficente). 
Nessa faixa etária, leis e regras são vistas como mais flexíveis ou 
negociáveis e passam a se sustentar pelo senso de justiça e da autoconsciência, 
e não mais pelo medo de punição externa, como ocorria anteriormente. O senso 
de moral e ética, ou seja, a percepção interna do que é certo e errado, passa por 
refinamento a partir do momento em que se adquire melhor compreensão do 
ponto de vista do outro. 
Muitos estudiosos advogam que o desenvolvimento da moral depende de 
aspectos pessoais de desenvolvimento e da instrução dos adultos, que podem 
estimulá-lo por meio de demonstrações de generosidade, altruísmo e prontidão 
para ajudar os outros. Nesse sentido, a percepção que a criança tem sobre o 
que são comportamentos adequados ou não pode variar muito com base na sua 
exposição a comportamentos agressivos ou desviantes. 
 
NEUROCIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO 
 
O cérebro e o comportamento são muito diferentes, mas estão ligados. O 
cérebro é um objeto físico, um tecido vivo, um órgão do corpo. O comportamento 
é uma ação, momentaneamente observável, porém passageira. Ainda sim, um 
é responsável pelo outro, e assim por diante. Começamos definindo o cérebro, 
que faz parte do sistema Nervoso Central. Depois o comportamento e sua 
relação com o processo da aprendizagem. 
 
 
31 
 
O que é Cérebro? 
 
Cérebro é a palavra para tecido encontrado dentro do crânio. O cérebro 
tem duas metades relativamente simétricas, chamadas hemisférios, uma no lado 
esquerdo e outra no lado direito (KOLB, 2002). Apesar da aparente semelhança 
anatômica entre os dois hemisférios, as diferenças funcionais são bem grandes. 
Os hemisférios cerebrais são dois, o esquerdo e o direito, e estão 
separados e ao mesmo tempo unidos por estruturas de conexão. A mais 
importante é chamada corpo caloso. Para as funções mais complexas, tais como 
a linguagem,ambos os hemisférios atuam juntos, mas existe o que chamamos 
de dominância hemisférica, ou seja, um trabalha melhor certos aspectos daquela 
função enquanto que o outro trabalha melhor com outros aspectos da mesma 
função (ROTTA, 2006). 
 
HEMISFÉRIO ESQUERDO 
1 Em 98% das pessoas se localiza a função da linguagem, fala e escrita; 
2 Os neurotransmissores dominantes são: dopamina e acetilcolina, que 
proporcionam o controle motor fino tanto manual como para a fala; 
3 É responsável pela sintaxe e semântica do idioma; 
4 Permite a compreensão literal das palavras; 
 
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5 Favorece a praticidade nas ações, a ser prático nas atividades e nas 
conclusões; 
6 Permite a interpretação linear e sequencial dos acontecimentos; 
7 Procura por detalhes; 
8 Reduz algo complexo em partes simples; 
9 Classifica e ordena estímulos; 
10 Faz a interpretação e justificação dos acontecimentos; 
11 Realiza a observação focada, dirigida do acontecimento; 
12 Segue um padrão lógico; 
13 É objetivo; 
14 Estima o tempo cronologicamente, hora a hora, dia a dia; 
15 Encara os fatos como verdadeiro ou falso, branco ou preto; 
16 Retém a memória recente; 
17 Tem espírito criativo e “vocação pessimista”. 
 
HEMISFÉRIO DIREITO 
1-O neurotransmissor dominante é a norepinefrina que estimula a 
percepção de novos estímulos visio-espaciais; 
2-Avalia o contexto, entonação e ritmo da fala (prosódia); 
3-Capta o simbolismo, a metáfora do texto e da fala; 
4-Percebe o humor e a estética do acontecimento; 
5-Permite uma visão holística da situação; 6- Percebe o todo e o padrão 
do acontecimento; 
7-Oferece a percepção de profundidade, reconhecimento do rosto e do 
estado emocional; 
8-Oferece a sensação de antipatia, mesmo imotivada, sem ter certeza da 
razão, do porque; 
9-Avalia o acontecimento de forma global, sem se deter em detalhes; 
10-Segue a intuição; 
11-Estabelece padrões sem seguir um processo etapa por etapa; 
12-É subjetivo; 
13-Vê o tempo como um todo-um projeto, uma carreira; 
14-Pensa positivamente, sem preocupar-se com ideias preconcebidas; 
15-Pergunta-se “porque não?” e quebra as regras. 
 
33 
 
 
A camada externa do cérebro consiste em um tecido pregueado. As 
pregas são chamadas giros. Essa camada externa é conhecida como córtex 
cerebral (chamado simplesmente de córtex). A palavra córtex que significa 
“casca “ em latim, é uma escolha adequada em razão da aparência rugosa do 
córtex e também porque ele recobre a maior parte do restante do encéfalo 
(KOLB, 2002). 
A ativação de uma área cortical, determinada por um estímulo, provoca 
alterações também em outras áreas, pois o cérebro não funciona como regiões 
isoladas. Isto ocorre devido a existência de um grande número de vias de 
associação, precisamente organizadas, atuando nas duas direções 
(ASSENCIO-FERREIRA, 2005). O córtex de cada hemisfério é dividido em 
quatro lobos, denominados a partir dos ossos cranianos localizados acima deles, 
que são: lobo occipital, lobo parietal, lobo temporal e o lobo frontal. 
 
O lobo occipital realiza a integração visual à partir da recepção do 
estímulos que ocorre nas áreas primárias. Processam os estímulos visuais 
recebidos do exterior, esta região é especializada na visão da cor, do movimento, 
da profundidade e da distância. Depois de passarem por está área, chamada 
área visual primária, as informações são direcionadas para a área de visão 
secundária, onde são comparadas com dados anteriores, permitindo assim que 
o indivíduo identifique, por exemplo, um gato, uma moto ou uma maça. Todo 
aprendizado de conteúdo visual necessita passar pelo lobo occipital. 
 
34 
 
O lobo parietal está localizado na região superior do cérebro, 
constituídos por duas subdivisões, a anterior e a posterior. A primeira, também 
chamada de córtex somatossensorial, tem a função de possibilitar a percepção 
de sensações como o tato, a dor e o calor. Por ser a área responsável em receber 
os estímulos obtidos com o ambiente exterior, representa todas as áreas do 
corpo humano. É a zona mais sensível, logo ocupa mais espaço do que a zona 
posterior, uma vez que tem mais dados a serem interpretados, captados pelos 
lábios, língua e garganta. A zona posterior é uma área secundária e que analisa, 
interpreta e integra as informações recebidas pela anterior, que é a zona 
primária, permitindo o indivíduo se localizar no espaço, reconhecer objetos 
através do tato. 
O lobo temporal também é sensitivo e tem várias funções. Esta área está 
envolvida com a vida de relação social, visto que recebe as informações 
auditivas. Quando a área auditiva primária é estimulada, os sons são produzidos 
e enviados à área auditiva secundária, que interage com outras zonas do 
cérebro, atribuindo um significado e assim permitindo ao indivíduo reconhecer 
ao que está ouvindo. 
 
A área de Wernicke situada no lobo temporal é um processador de sons 
que os reconhece para que sejam interpretados como palavras e sejam 
utilizados, posteriormente, para evocar conceitos. É a área de compreensão da 
linguagem onde as regras gramaticais são utilizadas para elaborar mensagens 
significativas. É também a região que nos permite adquirir novas informações. 
 
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A área de Broca contém um circuito necessário para a formação da 
palavra. Esta área está localizada parcialmente no córtex pré-frontal e 
parcialmente na área pré-motora. É onde ocorre o planejamento dos padrões 
motores para a expressão de palavras individuais. 
O lobo frontal é localizado na parte da frente do cérebro (testa), acontece 
o planejamento de ações e movimento, bem como o pensamento abstrato. Nele 
estão incluídos o córtex motor e o córtex pré-frontal. O córtex motor controla e 
coordena a motricidade voluntária. A aprendizagem motora e os movimentos de 
precisão são executados pelo córtex pré-motor, que fica mais ativa do que o 
restante do cérebro quando se imagina um movimento sem executá-lo. A 
atividade no lobo frontal de um indivíduo aumenta somente quando este se 
depara com uma tarefa difícil em que ele terá que descobrir uma sequência de 
ações que minimize o número de manipulações necessárias para resolvê-la. A 
decisão de quais sequências de movimento ativar e em que ordem, além de 
avaliar o resultado, é feito pelo córtex-frontal. Suas funções incluem o 
pensamento abstrato e criativo, a fluência do pensamento e da linguagem, 
respostas afetivas capacidade para ligações emocionais, julgamento social, 
vontade e determinação para ação e atenção seletiva. 
 
O sistema nervoso central 
 
O sistema nervoso coordena todas as atividades do organismo, 
integrando sensações a respostas motoras, adaptando-o às condições (internas 
ou externas) vigentes no momento, permitindo melhores oportunidades de 
sobrevivência. Isto só é possível graças a estruturas altamente capacitadas nas 
funções de excitabilidade e condutibilidade – as células nervosas ou neurônios. 
O aprendizado não está localizado a um único local no cérebro. Nesse 
evento ocorre uma modificação estrutural do sistema nervoso através dos 
circuitos formados pelas conexões entre os neurônios. 
A compreensão da natureza das mudanças estruturais do cérebro no 
processo da aprendizagem passa pelo conhecimento das características 
 
36 
 
bioquímicas e funcionais dos neurônios, das sinapses e dos circuitos formados 
por eles. 
Relvas (2008) desenvolveu um novo olhar dirigido à formação cerebral, a 
fim de refletir melhor sobre as várias maneiras que o cérebro pode se apresentar 
e realizar tarefas. Desta forma, fica mais fácil conversar sobre múltiplas 
eficiências para melhor incluir o sujeito que aprende. Eficiências, tais como: 
• O cérebro individual é o órgão que temos dentro da caixa craniana, é 
“meu” e ninguém “tira”, formado põe várias estruturas anatômicas e 
dividido em regiões, como frontal, parietal, temporal, occipital, cada umacom suas especificidades, que vimos anteriormente. É responsável pela 
cognição, memória, tarefas intelectuais, decisões e escolhas; 
• O cérebro social é o responsável pelas relações com o meio, a cultura, a 
sociedade, os conflitos, e todos precisam conviver em harmonia. É claro 
que o cérebro social depende do cérebro individual para realizar tal tarefa 
que é tão árdua e difícil. Ele está representado nas regiões do pré-frontal, 
pois requer atenção e habilidades nas atitudes positivas da 
personalidade; 
• O cérebro motor é representado pelos movimentos do corpo, localiza-se 
na região parietal, e é responsável pelas destrezas e pelos refinamentos 
dessas habilidades. Ele é o conjugado ao cerebelo que nos dá a 
possibilidade de nos tornarmos ereto e bípedes, mantendo, assim, o tônus 
ou a rigidez muscular. Ao entendermos os movimentos dos músculos do 
corpo, compreendemos sua dinâmica e sua multiplicidade. Ao 
compreender a dimensão motora do sujeito, pode-se perceber o quanto é 
importante conhecer a Neurofisiologia muscular, pois, em muitos dos 
casos, alterações nesses comandos aconteceram, trazendo então 
transtornos na locomoção que, muitas vezes, atrapalham ou não a 
aprendizagem. Isto dependerá de como esse sujeito será estimulado para 
realização de suas atividades. O importante é sempre integrar o sujeito 
em sua plenitude biológica, psicológica e social. É necessário que todos 
os aspectos promovam a qualidade de vida e a autonomia dio humano, e 
 
37 
 
a acolhida sempre será primordial para o sujeito construir a sua 
autoestima. 
• O cérebro afetivo-emocional – Esse é inseparável e fundamental para a 
realização e a manutenção de nossas vidas. São sistemas que organizam 
as emoções positivas ou negativas, controlando e equilibrando o 
comportamento humano. O córtex frontal tem um papel crucial no 
refreamento da explosão impulsiva, enquanto que o córtex cingulado 
anterior ativa outras regiões para responder ao conflito. As amigdalas 
cerebrais são pequenas porém são importantes porção do cérebro, pois 
estão envolvidas na produção de uma resposta ao medo e a outras 
emoções negativas. 
• O cérebro criativo, inventivo, genial – É esse que nós humanos estamos 
buscando, ou seja, usar todas as potencialidades do hemisfério direito 
para resolver problemas e, por meio dele, expressar melhor os nossos 
desejos, vontades e sentimentos. O fascínio pelas descobertas das 
pesquisas em neurociências aumentou com grande estímulo advindo da 
década do cérebro. O principal ensinamento dessa década é que o 
cérebro tem muito mais capacidade de sofrer modificações do que se 
pensava até alguns anos atrás. Hoje está claro que, antes mesmo, o 
cérebro adulto, o qual se pensava ser imutável, pode ser desse de 
renovação, a partir de algumas áreas com capacidade para gerar novas 
células. Essa possibilidade abre inúmeras portas em pesquisas para o 
estudo de novas drogas com efeito sobre o desenvolvimento do sistema, 
bem como para a utilização de técnicas de reabilitação que usam as 
janelas de oportunidades para o desenvolvimento de determinadas 
funções. 
 
Outras regiões do Cérebro 
 
• Hipocampo – Responsável pelos fenômenos da memória de longa 
duração. Quando ocorre lesão nos hipocampos, não há registros de 
 
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experiências vividas. O hipocampo intacto possibilita o indivíduo a lembrar 
e comparar as reações vividas anteriormente, permitindo a melhor opção 
e garantindo, assim, a perpetuação da espécie. 
• Tálamo – Tem como função a reatividade emocional do homem e dos 
animais. O tálamo conecta-se com as estruturas corticais da área pré-
frontal, com o hipotálamo, com o hipocampo e o giro cingulado. 
• Hipotálamo – Região do sistema límbico mais importante, pois controla o 
comportamento emocional, como várias condições internas do corpo. Por 
exemplo: a temperatura e a vontade de comer e beber são denominadas 
funções neurovegetativas internas do cérebro. O hipotálamo é a via de 
comunicação com todos os níveis do sistema límbico e desempenha 
também o papel das emoções especificamente, sendo que as partes 
laterais parecem ser envolvidas com o prazer, e a raiva encontra-se na 
porção mediana e está ligada ao desprazer e à tendências das 
“gargalhadas incontroláveis”. 
 
A via dos estímulos emocionais, tomando o hipotálamo como referência, 
ocorre de duas maneiras: os estímulos entram pelos receptores sensoriais, 
passam pelo hipotálamo, vindo sistema límbico (amigdala), e se dirigem às 
glândulas; porém, retornam ao sistema límbico, vindo do próprio hipotálamo para 
os centros límbicos e destes aos núcleos pré-frontais, aumentando, por um 
mecanismo denominado de retroalimentação ou feedback negativo, a 
ansiedade, podendo até chegar a um estado de pânico. 
 
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Tecido nervoso 
 
O tecido nervoso compreende dois tipos celulares: os neurônios e as 
células gliais ou neuroglia. O neurônio é a unidade fundamental, com a função 
básica de receber, processar e enviar as informações. A neuroglia compreende 
células que ocupam os espaços entre os neurônios, com funções de 
sustentação, revestimento ou isolamento, modulação da atividade neuronal e 
defesa. 
 
O neurônio 
 
O neurônio é a unidade funcional do cérebro. Ele recebe informações nos 
dendritos e no corpo celular e envia-as para os outros neurônios e células ao 
longo de seu axônio. Em geral, o axônio divide-se em várias fibras pequenas, 
que acabam em terminações, formando cada uma delas a chamada sinapse com 
outras células. 
A sinapse é a conexão funcional entre a terminação do axônio e outro 
neurônio, e o ponto onde as informações são transmitidas de um neurônio a 
outro. Outro espaço muito pequeno, chamado fenda sináptica, separa a 
terminação do axônio e o corpo celular ou dendrito da célula com a qual se une 
em sinapse (THOMPSON, 2005). 
Como unidades processadoras de informação do cérebro, os neurônios 
precisam desempenhar muitas tarefas. Eles devem adquirir informações a partir 
dos receptores sensoriais, passá-las adiante para outros neurônios e 
desencadear o movimento dos músculos para organizar os comportamentos 
(KOLB, 2002). Cabe aos neurônios, também, guardar as instruções de nosso 
comportamento, isto é, eles devem codificar as memórias e originar nossos 
pensamentos e emoções. 
Ao mesmo tempo, é necessário regular todos os vários processos do 
organismo com os quais raramente nos preocupamos, como respiração, 
batimentos cardíacos, temperatura corporal e ciclo sono-vigília. Essa é uma 
 
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tarefa difícil, mas aparentemente desempenha com facilidade por estruturas 
pequenas como os neurônios. 
 
Os neurônios são células altamente excitáveis, que se comunicam entre 
si ou com as células efetuadoras, por meio de modificações no potencial de 
membrana. As cargas elétricas dentro e fora da célula são responsáveis pelo 
estabelecimento de um potencial de membrana (ROTTA, 2006). 
Os neurônios possuem três regiões responsáveis por funções 
especializadas: corpo celular, dendritos e axônio. 
• Corpo celular: é a parte principal da célula nervosa, local onde está 
situado o núcleo, que permitem a elaboração do estímulo elétrico 
ou impulso nervoso em respostas às sensações recebidas por sua 
membrana citoplasmática e seus prolongamentos. No retículo 
endoplasmático rugoso e nos ribossomos são produzidas 
substâncias químicas, os neurotransmissores, elementos ativo nas 
sinapses. 
• Dendritos: são prolongamentos citoplasmáticos curtos, ricamente 
ramificados, que desempenham a função de ampliar a área de 
captação da membrana neuronal dos estímulos nervosos externos 
à célula, para que sejam avaliados no corpo celular. Quanto maior 
a quantidade de dendritos, maior será a coleta de informações, 
permitindo ao corpo celular a elaboração de uma resposta mais 
completa e complexa. Podemos dizer que a “inteligência” de um 
neurônio é proporcional às ramificações

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