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Fundamentos de 
Arquitetura e Urbanismo
Unidade 4
Transformações da arquitetura e das cidades
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria
MIRELLA RAMALHO CAVALCANTE 
ALEXSANDRO PEREIRA
AUTORIA
Mirella Ramalho Cavalcante 
Sou formada em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de 
Ciências Sociais Aplicadas - UNIFACISA. Passei por escritórios de 
arquitetura e pela prefeitura de Campina Grande na Paraíba. Atualmente, 
atuo como profissional autônoma. A área de urbanismo e toda a sua 
história, desde o início, como também pelo meu desenvolvimento do 
trabalho de conclusão de curso, me fascinam até hoje. Gosto de incentivar 
as pessoas a olhar com mais delicadeza à arquitetura e todas as áreas que 
a mesma abrange. 
Alexsandro Pereira
Sou Arquiteto e Urbanista graduado pela Universidade Federal 
de Juiz de Fora (2007) e Mestre pelo Programa de Pós Graduação em 
Arquitetura e Urbanismo (PPGAU) da Universidade Federal Fluminense 
(UFF) com enfoque na área de Habitação de Interesse Social. Membro do 
Corpo Docente do grupo ITEC, onde leciono para o Curso de Arquitetura 
e Urbanismo da Faculdade TECSOMA em diversas disciplinas ligadas a 
Projetos Arquitetônicos.
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Estado da arte e tendências da arquitetura .................................... 10
Estado da arte .................................................................................................................................... 10
Tendências na arquitetura ........................................................................................................ 14
Estado da arte e tendências do urbanismo .....................................20
Tendências do urbanismo........................................................................................................ 20
Arquitetura e Urbanismo - Patrimônio cultural e artístico ........28
Patrimônio cultural .........................................................................................................................28
Arquitetura e Urbanismo - Ferramentas de transformação ..... 35
Ferramentas de transformação ............................................................................................35
Política da habitação Social ...................................................................................................37
Agentes responsáveis pela transformação ................................................................. 39
7
UNIDADE
04
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
8
INTRODUÇÃO
Você sabia que a Arquitetura e o Urbanismo passaram por diversas 
transformações ao longo dos tempos para que pudessem chegar aos 
conceitos atuais? Ambas têm relação com várias etapas da evolução 
histórica e de momentos que fazem parte de sua trajetória em que cada 
uma apresenta uma parte importante para sua formação. A vida na malha 
urbana também começa a ter papel importante na área de arquitetura, 
onde a relação dos edifícios com seu entorno irá passar também por 
transformações e reformas urbanas que foram crescendo ao longo dos 
anos até chegar à formação das cidades. A partir de técnicas, tendências 
da arte e da sua cultura, a arquitetura terá a base para se desenvolver. 
Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar nesse 
universo!
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
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OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade IV. Nosso objetivo é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o 
término desta etapa de estudos:
1. Discernir sobre o estado da arte da arquitetura, avaliando as 
principais tendências evolutivas desta ciência.
2. Discernir sobre o estado da arte do urbanismo, avaliando as 
principais tendências evolutivas desta ciência.
3. Entender a arquitetura e o urbanismo como elementos propulsores 
da formação e manutenção do patrimônio cultural e artístico de 
uma civilização.
4. Entender a arquitetura e o urbanismo como ferramentas de 
transformação da sociedade.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
10
Estado da arte e tendências da arquitetura
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender 
quais são os conceitos que desenvolveram o estado da 
arte e as tendências da arquitetura ao longo dos anos. 
Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. 
E então? Motivado para desenvolver essa competência? 
Então vamos lá. Avante!
Estado da arte
A partir da década de 60, o método utilizado da arte moderna passou 
por diversas transformações em relação às definições sobre o conceito 
de arte, no qual o recinto e a colocação da obra começaram a alterar 
a acepção da mesma. O que antes eram apenas ambientes tradicionais, 
começaram a abranger locais maiores, chegando até as cidades de uma 
forma que fortaleceu o desenvolvimento da arte no meio urbano.
O espaço físico torna-se um complemento importante entre a 
arquitetura e a arte, de maneira que a arquitetura toma-se base para o 
desenvolvimento da arte, seja em edifícios ou no suporte do ambiente 
urbano.
Tal espaço físico não precisa, necessariamente, se tratar de um 
edifício ou de alguma obra, mas também da relação que o mesmo irá 
refletir sobre o seu entorno e como se relaciona com seus usuários, 
observando como a obra interfere na associação com os elementos da 
arquitetura efetiva.
A arte na arquitetura também está ligada aos sentimentos que a 
mesma irá despertar nas suas obras. O artista irá desenvolver sua criatividade 
pensando no efeito que a mesma terá nas pessoas ou seja, sentimentos 
como: noção de espaço, leveza, vertigem, aflição, entre outros, colocando 
o público para desenvolver tais sentimentos e compreender a obra e suas 
características de forma. Segundo Tasca (2019): 
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
11
Quando um espaço é diferenciado a ponto de ser 
inequivocamente reconhecido por suas qualidades 
físicas e seu nome próprio, é porque houve uma projeção 
sentimental por parte do ocupante ou do espectador que 
o reconhece e nomeia para distingui-lo dos outros. Dessa 
forma, esse espaço se torna um lugar. (TASCA, 2019, p. 6)
Assim, para o autor, entende-se que quando o ambiente é projetado 
e é transmitido para as pessoas algum sentimento que pode ser lembrado, 
tanto por suas características quanto pelo seu nome, é devido ao espaço 
ter um significado sentimental para quem está observando, desse modo, 
pode-se considerar como um lugar.
A primeira impressão daquele lugar vai ser o que as pessoas irão 
guardar sentimentalmente e terá como relevância ao longo de suas vidas, 
podendo considerar o ambiente como um espaço de sensações, que 
podem levar a lembranças e reviver outras épocas de acordo com sua 
vida. Assim, para Andrés (2008)a arquitetura:
Opera como um instrumento que “me” articula com o 
mundo e com os outros. O faz através de sua linguagem, 
que me fala ao corpo e ao intelecto e que não pode ser 
dissociada da minha experiência concreta. Tal experiência 
se constitui em uma experiência estética, no sentido de 
experiência vital e é propiciada pelos diversos integrantes 
da arquitetura: os espaços, suas formas, seus materiais, 
sua sonoridade, temperatura, cheiro, além das variáveis 
não previstas, como a apropriação pelas outras pessoas. 
(ANDRÉS, 2008, p.23)
De outra maneira, o autor expressa que qualquer ambiente físico, 
como por exemplo, uma galeria de arte, poderá ressaltar peculiaridades, 
cada um com sua característica e seu impacto visual e sentimental para 
cada pessoa.
A arte e arquitetura estão associadas quando se referem ao mesmo 
rumo encaminhado ao mesmo percurso visual, podendo citar: cheiros, 
estéticas, formas, entre outros. A mesma vivência reúne dois principais 
pontos: visual e o plástico. Onde o autor, descreve que: 
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
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visual e plástico: são polarizações opostas de maneiras 
de lidar com a corporeidade material. Em um extremo 
está a abordagem visual, que busca negar seu suporte e 
enfatizar a imagem, no outro está a abordagem plástica, 
que busca assumir a construção da imagem em diálogo 
com a materialidade do suporte. A abordagem visual 
nega o suporte e a plástica o assume. Entre esses dois 
polos, estão todas as gradações entre a prevalência da 
materialidade do suporte e da imagem na constituição da 
obra. (ANDRÉS, 2008, p.25)
O campo plástico, segundo o autor, é composto por mais aspectos 
do que o campo visual, ou seja, enquanto o visual abrange o tato e o olfato, 
contemplação e reflexão, o que for além e ultrapassar esses sentidos, 
chegará ao campo plástico. 
Figura 1 - Catedral Metropolitana de Brasília
Fonte: Freepik
A Catedral Metropolitana de Brasília é um exemplo de que sua 
composição, como a utilização de vitrais, ultrapassa o campo visual 
e atinge o campo plástico, identificado pela sua forma e estrutura. Tais 
materiais utilizados na obra da catedral são componentes que resultam 
na estrutura arquitetônica que serve como apoio.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
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Assim, a arte foi se expandindo de modo que a arquitetura foi 
conhecendo outras maneiras de desenvolvê-la, buscando desempenhar 
tal arte em lugares que antes não eram lembrados, como por exemplo 
muros e guetos localizados nas cidades, incluindo operadores apropriados 
a esses locais às demais artes e fazendo com que cada vez mais a arte 
seja englobada e que as pessoas as contemplem. Com isso, a arte chega 
cada vez mais às cidades. Segundo alguns artistas como, por exemplo, 
Cartaxo (2009):
Artistas como Michael Asher, Daniel Buren, Marcel 
Broodthaers, dentre outros, contestaram a inocência 
do espaço, ou seja, a sua ênfase nos aspectos físicos e 
espaciais, incorporando ao local aspectos relativos à sua 
estrutura cultural definida pelas instituições de arte. Os 
espaços institucionais (galerias, museus etc.) passaram 
a ser vistos como modelos ideais que expressavam a si 
mesmos colaborando no distanciamento entre o espaço 
da arte e do mundo exterior. Daniel Buren acreditava que 
qualquer trabalho, independentemente do local em que 
está exposto, é contaminado pelo lugar. Para Buren, a arte 
é, antes de tudo, política, existindo a partir da consideração 
dos seus limites formais e culturais. (CARTAXO, 2009, p. 85)
Toda obra deve interagir com o meio inserido. Algumas maneiras 
criativas são postas para que os seus usuários desfrutem do ambiente 
de modo que consigam visualizar toda a ideia ao decorrer da obra. O que 
antes era visto como arte em apenas museus, hoje, atingiu um público 
maior, trazendo a arte e o artista de maneira que seja mais reconhecido. 
Segundo Cartaxo (2009), o operário moderno trabalha no chamado in situ, 
ou seja, investiga a dificuldade do contexto inserido, uma vez que o êxito 
do artista submete-se ao acolhimento do espectador. Ainda sobre o autor:
O artista ampliou seus meios e passou a construir 
incorporando novas fontes de referência como a ciência, a 
biologia, a construção, a iluminação, a decoração, o som, 
a moda, o cinema, os computadores etc. A transição das 
instalações efêmeras para as construções permanentes 
estabelece aproximação com a arquitetura, principalmente 
no que se refere ao modo de conceber o espaço e a sua 
psicologia de uso. Os limites entre a Arte e a Arquitetura 
tornam-se difusos à medida que, tanto uma quanto a outra, 
inspira-se na experiência física do sujeito determinada 
pela natureza do lugar. (CARTAXO, 2009, p. 73-79)
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
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O autor ainda define que a arquitetura pode ser descrita por algo 
público devido às suas alterações estruturais ao longo dos últimos anos 
que fizeram com que a disciplina fosse se encaixando juntamente com a 
arte. Quando a arquitetura e arte violam barreiras, suas obras exteriorizam-
se e mostram a maneira dos seus usuários de se conectar com a mesma 
inserida em tal local.
Assim, pode-se observar a associação da arte com o meio artístico 
influenciando em uma maior conexão da arquitetura com a mesma, 
sugestionando acerca de em que lugar a produção frequenta ou não 
e as transformações que ambas realizam no espaço estando juntas. 
Visto que as demais relações se expandem, a arte passa a sair do meio 
característico e abrange espaços não comuns como atingiriam, como por 
exemplo, prédios e fachadas.
Já em relação às obras conhecidas como site specific, a relação com 
seus usuários são mais intensas, uma vez que causam interferência no dia 
a dia do observador, causando emoções, como por exemplo, reflexões 
sobre sua função ou intenção de modificação do meio inserido, podendo 
ser citado como caso a Tilted Art de Richar Serra.
Tendências na arquitetura
O elemento inserido na construção através do artista pode, além de 
contribuir para o efeito visual, passar sentimentos para o observador. Tal 
sentimento pode ser desenvolvido como raiva ou alegria, dependendo 
da forma que o mesmo irá visualizar. Assim, nenhuma arte irá ser 
desenvolvida sem que tenha um objetivo de impacto na paisagem, seja 
para contemplação ou para adição na obra já construída, dando assim 
visibilidade a prédios ou a outras construções.
Visto que a relação dos moradores com a paisagem é de 
fundamental importância para a arquitetura, é possível notar que a arte 
abrange não apenas a arquitetura, mas ultrapassa seus conceitos e faz 
com que as pessoas as sintam.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
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Então, veem-se várias possibilidades entre o campo da arte e da 
arquitetura. Ao longo do tempo, a disciplina obteve adição à arte, mas, 
atualmente, pode-se analisar uma afinidade progressiva da arte moderna 
com o espaço. Segundo Andrés (2007), os arquitetos empregaram em 
molde correspondente a arte como maneira de manifestação, sendo que 
os assuntos ligados à arquitetura podem ser analisados de forma mais 
autônoma. 
Tendo em vista que o estado da arte se refere a um entendimento 
atual sobre ponto estipulado ao longo de toda uma pesquisa, pode-
se entender também que esse irá ser o estudo final da mesma, visto 
o resultado final de todo o estudo. Desse modo, a arquitetura desde a 
década de 30 mantém relações até os dias atuais com as artes plásticas, 
podendo ser vista atualmente nas demais obras modernas e antigas. 
O prédio-monumento pode ser considerado uma expressão de 
uniformidade entre as artes plásticas e a arquitetura. Para Andrés (2007) 
a palavra integração e síntese tem sentido quando aplicada a ambas as 
disciplinas, descrevendo:
Sem os empecilhos pragmáticos do campo arquitetônico, 
as artes plásticas seriam um lugar de experimentação 
por excelência, onde os arquitetos poderiam exercitar 
criativamente suaprática. [...] Por outro lado, a integração 
das artes na arquitetura latino-americana nos remete 
ao passado pré-colombiano bastante diferente do que 
entendemos por síntese das artes, a qual está associada 
a arte presente nas vanguardas europeias, principalmente 
no Neoplasticismo e no Bauhaus. (ANDRÉS, 2007, p.3)
Em relação ao país, a arte e a arquitetura se fortalecem em 
graus, equivalências e moldes diferentes. É possível observar que as 
artes plásticas atuaram ao longo do caminho na realidade brasileira na 
conjuntura arquitetônica.
Um exemplo de associação entre ambas são os painéis e murais de 
Portinari, que em suas composições de materiais empregados estiveram 
inseridos na cidade como componentes reveladores, mantendo a ideia de 
integração entre as artes.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
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Figura 2 - Igreja Boghall Mondrian
Fonte: Pixabay
O uso de losangos com as demais cores apresentadas como o 
amarelo, preto, azul, vermelho, cinza, está caracterizado na ideia de Piet 
Mondrian, que preserva a ideia de que a arte não se define apenas a exibir 
a natureza, mas revela uma vivência sublime da clareza e do equilíbrio.
VOCÊ SABIA?
De outra forma, a arquitetura absorveu o conhecimento 
que justifica o conceito moderno anteriormente ao das 
artes plásticas no Brasil, que veio a certificar em síntese no 
ano de 1950. Enquanto na arquitetura o seguimento tomou 
como base a partir do ano de 1927 com Warchavchik, a partir 
dos contornos modernos da casa da rua Santa Cruz em 
São Paulo, as artes plásticas, por sua vez, foram lançadas 
com a semana da Arte Moderna de 22, acompanhada por 
uma afinidade nacional, alinhadas ao método clássico de 
reprodução.
Para alguns autores, a arte seguia em busca de alguns temas 
que a desenvolvessem na arquitetura e para que representassem seus 
conceitos e ganhassem força em seus movimentos. Assim, surgem alguns 
movimentos que podem ser descritos, segundo Andrés (2007):
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
17
Em essência, o modernismo brasileiro jamais questionou 
as indagações fundamentais que informaram o cubismo, 
o neoplasticismo, o dadaísmo etc., o questionamento que 
a pintura faz de sua própria linguagem, o que provocou 
que as vanguardas que se desenvolveram até hoje 
terminassem por destruir a linguagem pictórica. [...] Esses 
problemas graves da arte moderna só surgiram entre nós 
na década de 50, com o concretismo e o neoconcretismo. 
Enfim, é isso, se a produção de arte moderna no Brasil pode 
ser assinalada a partir de 22, as questões que representam 
a base de todo o pensamento moderno na arte só foram 
surgir entre nós 30 anos depois. (ANDRÉS, 2007, p. 6)
O autor descreve ainda que a arte pode ser não representativa, 
ou seja, figurada, que inicia o rompimento no regulamento social dessa, 
assegurado pelo cubismo e obtém potência com o aparecimento das 
vanguardas construtivas europeias no ano de 1950, sugestionando os 
grupos concreto e neoconcreto. 
A partir disso, fundamenta-se a arte brasileira juntamente com 
a arquitetura moderna, realizando ao longo do tempo modificações, 
trazendo para os artistas brasileiros uma nova maneira de abordar o 
assunto. A arte brasileira começa a inserir sua participação no espaço 
tridimensional, tendo como ponto de partida Tatlin, Rotchenko e Lissitsky 
e fortalecido pelo Neoplaticismo e Bahaus, até alcançar nas ideias de Max 
Bill e na escola de Ulm.
SAIBA MAIS:
As artes plásticas no Brasil passaram por diversas etapas 
estando ligadas ao processo arquitetônico. Tendo como 
integração e síntese, suas diferenças e definições são de 
suma importância, já que impactam no processo e sua 
evolução. Diante disso, recomenda-se a leitura do artigo 
produzido por Rafael Brener da Rosa para compreender o 
processo de forma mais detalhada. Clique aqui.
Podemos citar a cidade de Brasília como um lugar de influência 
entre a arte e arquitetura, uma vez que a arte urbana está presente em 
algumas obras, prédios, como por exemplo, a obra de Athos Bulcão.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/5114/000510331.pdf
18
Ao longo do período neoclássico e eclético no Brasil, a predominância 
da art déco no cenário brasileiro era bastante considerável, onde estavam 
inseridas diferentes formas, ou seja, um estado de arquitetura em que 
alguns prédios se encontravam. Esse estilo estaria interligado com, por 
exemplo, casas urbanas em estilo colonial no século XIX, com materiais 
e fachada caracterizados pela época e ornamentação descrita pela art 
déco. Já a arquitetura moderna traz características inovadoras que podem 
ser descritas segundo Casco (2010):
Em outras ocorrências, uma construção pode remeter à 
arquitetura moderna. Pelo programa, materiais e abolição 
de ornamentação figurativa das superfícies externas em 
alvenaria, ter toda a sua lógica de composição submetida à 
procedimentos da arquitetura beaux-arts, seja pela adoção 
de regras referentes à simetria e à hierarquia, pela ênfase 
conferida ao acesso principal, e pela repartição da fachada 
em base, corpo e coroamento, seja pela simplificação de 
elementos da linguagem clássica, como colunas, óculos, 
frontões etc. Portanto, há prédios que apresentam tendências 
déco que também podem ter aspectos importantes 
remetendo a outras arquiteturas: à colonial (sobretudo no 
caso de moradias unifamiliares), à composição clássica 
(sobretudo no caso de prédios institucionais) ou à linguagem 
moderna (sobretudo no caso de prédios comerciais e de 
apartamentos). (CASCO, 2010, p.1)
Assim, nos anos de 1930 até 1950, essa técnica de art déco é difundida 
e utilizada como tendência daquela época. O estilo vem juntamente 
com outros movimentos difundidos ao longo dos anos, trazendo fortes 
influências de arquiteturas anteriores e modernas. Essa mesma arte 
trouxe o uso de geometrias em seus componentes decorativos tendo 
como menções as vanguardas artísticas, arte primitiva e arquitetura da 
Antiguidade. Alguns exemplos de artifícios utilizados por essa tendência 
foram marquises, colunas, capitéis, platibandas, balcões em balanço, 
gradis, resultando em traços geométricos, florais, espirais ou linhas retas 
e em sinuosidade, texturas, cores, vitrais, entre outros componentes.
Contudo, o estilo da arquitetura nos tempos atuais difere muito 
do ambiente inserido e de onde vem a ser desenvolvido, visto que não 
são apenas linhas retas que fazem parte da tendência da arquitetura, as 
curvas passam a ser inclusas também no processo. Com o modernismo, 
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
19
a arte de tais projetos é composta por vários elementos que resultam 
em uma composição harmônica, propiciando maior integração entre os 
ambientes, trazendo leveza, conforto, iluminação natural, sofisticação, 
dando as construções maior valorização e aos seus usuários locais que 
sejam contemplados e confiáveis.
SAIBA MAIS:
A art déco tem bastante significado para a arquitetura, 
com suas características peculiares e sua maneira de se 
desenvolver na arte. A arte moderna traz novos materiais, 
formas e conceitos para o desenvolvimento da tendência 
na arquitetura. Diante disso, é interessante que se faça a 
leitura do artigo produzido por Telma de Barros Correia 
para que se possa compreender o processo de forma mais 
detalhada. Clique aqui.
RESUMINDO:
Foi visto que o assunto é importante para ser discutido 
de maneira que a arquitetura brasileira moderna abrange 
diversos pontos ao longo de seu conhecimento e conceitos 
para que chegasse aos dias atuais. Alguns artistas irão 
defender a ideia da síntese ou da integração da arquitetura 
com a arte, porém, pode-se observar que é necessária uma 
investigação para poder formular as ideias desenvolvidas 
ao longo dos anos e formar os conceitos básicos dessa 
disciplina. De acordo com cada etapa, a síntese e o 
conceito irão mudar e avançar, de forma a demonstrar 
a artepresente em edifícios, obras, áreas urbanas, em 
que o observador poderá desfrutar e sentir-se bem e 
demonstrando interesse, seja positivo ou negativo, sobre o 
ambiente projetado. Assim, o estado da arte visa, através 
de várias pesquisas, mapear e discutir todo o campo de 
conhecimento, visto que dependendo da época e do 
lugar, a arquitetura irá ter uma forma diferente, conceito e 
aspecto. Os pesquisadores enfrentam uma longa jornada 
para definir o estado da mesma e concluir pesquisas e 
análises de conhecimento quantitativo e qualitativo.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
https ://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-47142008000200003.
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Estado da arte e tendências do urbanismo
OBJETIVO:
Ao término dessa competência, você conseguirá 
visualizar a evolução do estado da arte e as tendências do 
urbanismo, bem como distinguir seus artefatos, analisar seu 
desenvolvimento ao longo dos anos e compreender como 
se expande a tendência do urbanismo nos dias atuais. 
Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. 
Curioso? Então vamos lá saber mais!
Tendências do urbanismo
É possível observar o urbanismo como uma proposta fundamental 
para os projetos arquitetônicos realizados nas cidades atualmente. Porém, 
o mesmo foi incluso fortemente nos dias de hoje. A presença de grandes 
áreas ociosas, ambientes que não incluem paisagens e a valorização do 
meio ambiente e locais que não despertam o interesse contínuo dos 
usuários, foi um dos principais pontos para que a disciplina crescesse e 
posteriormente fosse necessário interligar os projetos arquitetônicos ao 
seu plano urbanístico.
As tendências do urbanismo podem ser refletidas em espaços ao 
ar livre e lazer, ambientes que gerem interação e socialização, locais que 
diminuam o percurso, paisagens e meio ambiente inseridos na localidade, 
entre outros fatores que podem ser determinantes para a utilização.
Um exemplo de espaço ao ar livre são os resorts, onde podem 
ser dispostas práticas de esportes com associação de áreas de lazer, 
como piscinas, playgrounds, quadras poliesportivas, entre outros. Esses 
locais trazem além da socialização, melhor qualidade de vida para toda 
a população, visto que investem fortemente na saúde e bem estar dos 
mesmos.
Ambientes que tragam a diminuição do percurso para deslocamento, 
como é o exemplo de prédios ou construções mistas, cresceram nos 
dias atuais, visto que as pessoas procuram espaços que se acomodem 
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
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e estejam localizados próximos a comércios, escolas, shoppings etc. Isso 
faz com que tudo esteja ligado diretamente na qualidade de vida dos 
moradores, uma vez que os mesmos não precisam enfrentar trânsito e 
se deslocar para outros ambientes, conservando a mobilidade urbana e 
reduzindo o estresse.
Atualmente, os parques são exemplos de espaços que possuem 
inúmeras funções, sendo responsáveis por contribuírem para a 
sustentabilidade urbana. As áreas naturais que nele se encontram, 
minimizam os problemas das cidades, trazendo benefícios aos habitantes. 
São diversos benefícios que esses ambientes podem trazer diante 
da vida na sociedade, tanto na área da saúde das pessoas, quanto na 
estética da cidade. Assim, deve-se atender a toda população e suas 
necessidades, entre elas, o lazer e a recreação.
Figura 3 - Parque urbano
Fonte: Freepik
Os exercícios de lazer que devem ser oferecidos nesses espaços 
estão ligados à função psicológica de reduzir os estresses e manter a 
saúde física e mental dos usuários. Além dessas funções, os parques têm 
como característica principal sua estrutura de vegetação que permite a 
massa urbana contemplá-la.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
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VOCÊ SABIA?
O chamado Eco Living é uma prática das mais utilizadas 
no urbanismo moderno. Nele está inserida a utilização de 
locais que façam parte da socialização dos seus moradores 
e usuários, desenvolvendo locais como playgrounds, 
spas, áreas de descanso e contemplação, lounges, hortas 
coletivas, entre outros locais gerados através da criatividade 
que se inserem em um determinado local para agregar 
valor às construções e gerar melhor qualidade de vida.
É notável que os condomínios atuais estejam cada vez mais 
preocupados em estar interligados com a natureza. O projeto de 
paisagismo é considerado, atualmente, de fundamental importância no 
setor dos empreendimentos.
Os mesmos se preocupam com o desenvolvimento da área verde de 
forma adequada para cada tipo de implantação projetual, especificando 
as espécies corretas a serem utilizadas e gerando nos espaços locais 
sombras e que permitam aos usuários contemplar e descansar, utilizando 
sempre de estratégias e estudo do programas de necessidades para 
cada área.
O parque tem assumido diferentes significados e configurações, 
porém, no contexto brasileiro, encontra-se uma certa falta de atenção 
em sua criação. Apesar da realidade, há profissionais dispostos a resgatar 
seus conceitos e desenvolvê-los de acordo com cada característica de 
sua cidade. 
Assim, os parques se caracterizam por serem áreas verdes que 
proporcionam aos seus usuários o contato com a natureza, com funções 
tanto ecológicas, quanto estéticas e de lazer, obtendo uma extensão mais 
ampla do que praças ou jardins públicos.
Esses ambientes tratados de forma adequada geram qualidade, 
melhoria e equilíbrio ambiental para a cidade. O seu planejamento 
adequado e sua conservação são estratégias efetivas para manter uma 
boa proposta urbana, incentivando as pessoas a usufruir do ambiente e 
desfrutar seus benefícios.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
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Figura 4 - Áreas convidativas em espaços públicos
Fonte: Freepik
Quanto mais a cidade é dotada de áreas que permitam caminhar 
e promovam o bem-estar das pessoas, consequentemente, farão com 
que as pessoas tracem mais destinos a pé, podendo deixar de lado os 
automóveis caminhando em calçadas acessíveis com boa iluminação, 
arborização e mobiliário urbano.
Por outro lado, o uso e ocupação do ambiente mal planejado é capaz 
de nos fazer constatar que seu objetivo principal foi desviado, deixando 
de atrair uma diversidade social para o mesmo convívio e socialização, 
dando lugar à marginalização danosa nas cidades. 
Assim, por ser um bem de uso comum, o espaço público tem 
como finalidade gerar benefícios a toda a população, mantendo a ideia 
de que qualquer pessoa, não importa sua classe social, possa usufruir do 
local com direitos iguais. Desse modo, segundo Gehl (2010), os espaços 
públicos necessitam de alguns critérios para seu bom desenvolvimento.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
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Figura 5 - Critérios para espaços públicos
Segurança
Espaços 
públicos
Mobiliário 
urbano de 
boa qualidade 
e espaços 
acessíveis
Boa iluminação
Espaços de 
permanência e 
contemplação
Estudo das 
questões 
climáticas 
e paisagens 
visuais
Espaços 
convidativos 
Fonte: Elaborada pelo autor com base em Gehl (2010).
Dessa maneira, é necessário que esses espaços existam para 
que áreas vazias não se tornem desertas aos usuários. Tais exemplos 
de espaços, devem conter como um dos principais objetivos propiciar 
tranquilidade para as pessoas, com amplas passagens ou circulação, 
oferecendo sempre boa arborização, mobiliário urbano, iluminação e 
fazendo com que seus usuários pretendam desfrutar todos os dias.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
25
SAIBA MAIS:
Segundo Mora (2019), as tendências da arquitetura em 
2019 crescem e começam a influenciar no modo urbano 
e arquitetônico ao longo do tempo. Comparado aos anos 
anteriores, várias são as tendências impostas e que os 
usuários começam a inserir na proposta projetual. Para 
compreender melhor essa metodologia, leia “As tendências 
da arquitetura em 2019”. Clique aqui.
Em resumo, as novas tendências, segundo Mora (2019), estão ligadas 
ao modo de habitar, onde antes os espaços eram pequenos e nãopodiam 
se desenvolver. Atualmente, tornaram-se inovadores e buscam praticidade 
e soluções que os amplie, como também a arquitetura inclusiva, gerando 
locais que pessoas das demais idades consigam usufruir, busca por 
territórios ou cidades não-tradicionais, construção civil em evidência, 
igualdade de gênero e maior bem-estar em relação aos transportes.
Quadro 1 - Tendências da arquitetura e urbanismo
Tendências Melhorias
Modo de habitar
Profissionais que desenvolvem respostas atuais e 
práticas para ambientes pequenos.
Arquitetura Inclusiva Projetos para todos, incluindo terceira idade.
Oriente Médio em 
evidência 
Acontecimentos com equivalência global que 
alcança a curiosidade de vários profissionais.
Indústria da 
construção
Incluindo a construção civil e sistemas BIM, entre 
outras tecnologias.
Transporte Menor deslocamento, maior qualidade de vida.
Desenho urbano Ampliação de cidades mais verdes e sustentáveis.
Materiais Consciência ambiental presente na construção.
Fonte: Elaborada pelo autor com base em Mora (2019).
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
https://www.archdaily.com.br/br/910567/as-tendencias-da-arquitetura-em-2019
26
A insegurança é um dos fatores que contribui para que as cidades 
comecem a se preocupar com o desenho urbano. Os acidentes causados 
pelos automóveis são decorrentes do desprivilegio que os pedestres têm 
nas ruas, onde os veículos automotores mantêm maior domínio.
No século XXI, alguns líderes visionários têm mudado o pensamento 
sobre esses espaços, trazendo algumas transformações urbanas em 
diversas cidades do mundo, defendendo a ideia de que as ruas têm, 
como conceito principal, o objetivo de serem tratadas como espaços de 
convivência e bem-estar, dando lugar, primeiramente, ao pedestre.
A cidade de Veneza é um exemplo de uma situação especial para 
os pedestres. A mesma carrega em sua história milenar, inúmeras pontes 
sobre os canais e ruas estreitas que impedem a transição de automóveis 
e dão a preferência ao pedestre. Atualmente, pode ser tomada como 
cidade modelo para o pedestrianismo.
Figura 6 - Cidade de Veneza
Fonte: Freepik
Com o desenho urbano da cidade, é possível notar os níveis 
de caminhada dos pedestres durante todos os dias. As ruas e bairros 
interferem no estilo de vida das pessoas que frequentam cada área, 
sendo perceptíveis, no cotidiano, alguns ambientes mais convidativos 
que outros. Esse impacto do desenho urbano vai além dos momentos de 
deslocamento, como observa Pacheco (2017):
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
27
Em outras palavras, o impacto da configuração e 
do desenho dos bairros vai além dos momentos de 
deslocamento, alcançando esferas que, à primeira vista, 
parecem não ter qualquer relação com o planejamento 
urbano. O modo como as diferentes regiões de uma cidade 
são desenhadas afeta a percepção de segurança, os níveis 
de sociabilidade e o quanto as pessoas caminham, por 
motivos de lazer ou como meio de locomoção. (PACHECO, 
2017, p.1)
Assim, podemos dizer que com o crescimento das cidades brasileiras, 
foi possível obter novas tendências e estilos de arte desenvolvidos ao 
longo dos períodos de maneira que foram influenciando cada vez mais na 
qualidade de vida das pessoas.
RESUMINDO:
Assim, de acordo com Tasca (2019), a cidade por meio de 
sua demonstração arquitetônica adquire mais relevância 
ao passar do tempo. A tendência do urbanismo surge 
para questões de melhorias no desenvolvimento da 
mesma, onde está relacionada diretamente com a arte e 
a criatividade dos seus profissionais e a evolução da arte 
na superação das cidades, inserindo novas maneiras de ver 
os espaços e passando a se preocupar claramente com 
cada indivíduo que ali se insere. O valor do indivíduo passa 
a ser pequeno diante da massa de organização de que a 
arquitetura irá se preocupar, abrangendo o local em que se 
vive e solidificando as grandes cidades e suas estruturas 
modernas, tendo em vista a modificação das mesmas 
e acompanhando de perto o que cada uma necessita. A 
política de vida urbana começa a ter sentido, não só para as 
entidades públicas, mas para as pessoas que as usufruem, 
dando valor e vida aos locais e trazendo as novas tendências 
de forma que se encaixem na convivência e segurança da 
cidade. Então, percebe-se que para poder se desenvolver 
dentro da cidade, o agente agregador é de fundamental 
importância: a arte.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
28
Arquitetura e Urbanismo - Patrimônio 
cultural e artístico
OBJETIVO:
Ao término desse capítulo, você conseguirá visualizar a 
arquitetura e o urbanismo como elementos propulsores da 
formação e manutenção do patrimônio cultural e artístico 
de uma civilização, compreendendo melhor os conceitos 
de patrimônio cultural e sua importância para a arte. Isto 
será fundamental para o exercício de sua profissão. Curioso? 
Então vamos lá saber mais!
Patrimônio cultural
Com o desdobramento do turismo nacional e internacional nos 
últimos anos, através da participação pública e atribuição de meios e 
benefícios admissíveis, por segmento de entidades culturais e financeiras, 
a ideia do patrimônio e preservação auferiram mais evidência durante os 
últimos períodos.
Através de debates, planejamentos e políticas de precaução do 
patrimônio cultural, como também pela validade das interferências feitas 
atualmente, vem surgindo a importância das intervenções no contexto 
histórico do país, uma vez que acarreta tanto pontos positivos como 
desaprovações, como por exemplo, a questão da retirada da população 
de locais revitalizados para obter reconhecimento imobiliário.
Para a sociedade contemporânea o patrimônio é ligado à edificação 
entre passado, presente e futuro. Porém, para alguns autores ao longo de 
seus estudos, consideram o mesmo não só reconhecido pelo passado, 
mas também com fortes influências que interferem no presente. Para 
Cerávolo (2010):
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
29
Temos, de um lado, restauradores com boa preparação 
tecnológica, mas deficiente formação em história da arte e 
escassa experiência de projetação arquitetônica. De outro 
lado, há bons projetistas que desconhecem os critérios e 
possibilidades da restauração e não conseguem dialogar 
com o monumento. Em muitos casos, as soluções ficam 
a dever ao monumento, ou pelo caráter simplório das 
intervenções, ou pela extravagância das mesmas. Em 
ambos os casos o monumento sai perdendo. (CERÁVOLO, 
2010, p.22)
Segundo Cerávolo (2010), as obras do passado expõem que 
cada período obteve uma maneira única de avaliar, gerando assim seus 
determinados pontos de vista, sua aparência e trazendo suas próprias 
maneiras de sua época. Assim, para o autor, a mistura do falso com o 
verdadeiro, resulta em uma arte irreal, deixando de lado sua autenticidade.
No ano de 1930, os Congressos Internacionais de Arquitetura 
Moderna admitem ao arquiteto a importância de não serem falsificadores 
em relação ao desenvolvimento dos seus trabalhos, visto ser um 
indispensável encargo da arquitetura e urbanismo moderno, estando 
presente também na Carta de Veneza no ano de 1964.
Assim, torna-se necessário compreender a importância do 
patrimônio cultural para a arquitetura brasileira ao longo dos anos, 
tendo em vista a conservação de diferentes culturas e histórias de vários 
conjuntos populacionais que formam o país.
Tais valores estão caracterizados na construção dos edifícios 
que possuem valores não materiais e modificados. As áreas urbanas, 
paisagens, áreas rurais, tradições, entre outros, também fazem parte 
desse cenário de caracterização ao longo do tempo.
Com a globalização, os valores são abalados interferindo no legado 
cultural e como resultado tem-se as semelhanças das culturas, com 
presença do turismo acelerado e descometido, vindo do ponto de vista 
ligado somente ao prosseguimento econômico.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
30
SAIBA MAIS:
No Brasil, como Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico 
Nacional, mais conhecido como SPHAN, deu-se partida à 
preservação do patrimônio associado à atividade moderna 
que viriam a debater as concepções das artes e arquitetura 
brasileira a partir do ano de 1920. Processo também 
responsável por discutir o assunto sobre a identidade da 
arquitetura no Brasil, colaborando para certificação da 
preservação. Para compreender melhor essa metodologia, 
leia “Patrimônio cultural e globalização: as problemáticas da 
preservação do patrimônio cultural no século XX” páginas 
10 a 14, Clique aqui.
Segundo Pavan (2019), vários são os aspectos e os pontos que 
contribuem para o valor histórico da formação da arquitetura e a identidade 
da nação. Alguns artistas estão inseridos em movimentos que fizeram 
parte da evolução dessa época, como descreve:
São estes artistas e intelectuais associados ao Movimento 
Moderno que dão início à preservação e seleção dos 
representantes arquitetônicos do passado junto com a 
criação do SPHAN em 1937. São diversas as questões e 
contradições do movimento moderno brasileiro que, ao 
mesmo tempo, seguem os princípios de Le Corbusier 
(que escreveu a Carta de Atenas de 19333 do CIAM4) e são 
precursores da defesa e reconhecimento do Patrimônio 
Histórico e Artístico (luso-brasileiro) no país. Essas 
divergências vão se refletir na materialidade das cidades 
e na formação da nova identidade nacional de uma 
sociedade civilizada, um dos focos da política de Getúlio 
Vargas no período do Estado Novo. (PAVAN, 2019, p. 11)
Ao longo das décadas, as modificações foram conquistando espaço 
com a formação de associações estaduais a fim de proteger o patrimônio 
histórico. Com isso, foi possível o melhor entendimento sobre o que 
seria o patrimônio cultural trazendo a discussão em âmbitos nacionais e 
internacionais. 
Segundo o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (2016), o conceito 
de patrimônio pode ser entendido como a soma de acervos materiais 
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/221/2020/03/II_CNSPC_2019__Anais_Volume-1.pdf.
31
e não materiais que relatam a biografia dos habitantes e suas ligações 
com o meio ambiente, podendo também ser definido por heranças do 
passado que conduzimos para o desenvolvimento futuro. O mesmo pode 
ser categorizado em três pontos: Histórico, Cultural e Ambiental.
Através da criação e desenvolvimento de diversas leis, o patrimônio 
passa a ter sua preservação mundial que se preocupa em manter seus 
atributos originais. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional 
(IPHAN) é uma autarquia federal que se responsabiliza pela cautela dos 
rendimentos culturais brasileiros. Conforme o órgão, o estado de Mato 
Grosso é um dos locais que apresentam mais áreas vistas como bens 
históricos. Um dos exemplos seria: a Igreja da Sé de Santana, localizada 
em Chapada dos Guimarães e a ruína da Igreja Matriz de Vila Bela da 
Santíssima Trindade. 
Figura 7 - Ruína da Igreja da Santíssima Trindade
Fonte: Pixabay
A presença dos arquitetos e urbanistas é de grande importância para 
conservação dessas obras, pois os mesmos são profissionais capacitados 
para teoria, prática e técnica que atuam no processo cultural dos edifícios 
e das obras urbanas nos grandes centros urbanos e nas cidades históricas. 
O patrimônio cultural tem forte participação da opinião pública, uma vez 
que os espaços são planejados para uso coletivo. 
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
32
Apesar da arquitetura moderna crescer e as artes continuarem 
inovadoras, os arquitetos e profissionais desenvolviam sua criatividade 
interligada com as características do passado que deveriam servir como 
base para a cultura brasileira.
Foi a partir do século XIX que graças à introdução do Brasil na 
organização econômica internacional e a abertura do ecletismo, foi 
possível obter a tendência do rompimento do acúmulo arquitetônico 
urbanístico construído.
Nos anos de 1920 e 1930, no século XX, ambas as diligências não 
foram passiveis de serem concluídas em razão da Constituição Federal de 
1891 no que diz respeito ao direito à propriedade.
Já a partir do ano de 1933, surge a primeira Lei Federal a proceder 
sobre o tema, tombando a cidade de Ouro Preto. No ano posterior, em 
1934, regulariza-se o andamento do Museu Nacional. Assim, pode-se levar 
em consideração três tópicos principais para a construção da preservação 
no país.
Figura 8 - Fatores principais para a construção da preservação
 
Quadro 
econômico 
otimista
Preservação 
Patrimonial
Instalação do 
Estado Novo
Busca pela 
identidade 
nacional através 
das ideias 
modernistas
Fonte: Elaborada pelo autor (2021).
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
33
Em meados do ano de 1937 nasce o Decreto-Lei 25 que assegura 
ao Estado os recursos regulares de proteção ultrapassando o principal 
meio que seria o direito constitucional à posse privada. Assim, o SPHAN 
irá se repartir em dois: Divisão de Conservação e Restauração e Divisão de 
Estudos e Tombamentos.
SAIBA MAIS:
Os artigos que definem os conceitos tomados pelo 
Decreto-Lei 25/37 sobre proteção do patrimônio histórico 
cultural do Brasil, são de bastante importância para 
compreender melhor as linhas que se desenvolveram ao 
longo do tempo de forma mais detalhada. Recomendamos 
a leitura do “Decreto-Lei Nº 25, de 30 de novembro de 
1937”, Clique aqui.
No ano de 1973 situa-se o Plano de Reconstrução dos Centros 
Históricos, desenvolvidos no Norte e Nordeste, onde realizavam a 
reabilitação do artesanato e turismo como forma de produção econômica. 
O Centro Nacional de Referência Cultural manifesta-se no ano de 1975, visto 
que nasce para adicionar conhecimento sobre o tema. O IPHAN passa para 
o SPHAN e começa a etapa de correção das suas ações de precauções no 
que diz respeito à manutenção da cultura e identidade do país.
Em 1988, a Constituição Federal estabelece o conceito utilizado para 
o patrimônio cultural, bem como suas heranças materiais e não materiais, 
garantidas individualmente ou em modo coletivo, representando os 
diversos usuários que formam a sociedade brasileira.
Segundo Casco (2010), os arquitetos são importantes aliados nesse 
processo de preservação do patrimônio, onde manterão o cuidado com 
as transformações urbanas e culturais do país, de maneira que juntamente 
com intelectuais da área, desenvolvam tarefas para custear atividades 
como o tombamento, como descreve:
De forma complementar, passaram a atuar na conservação 
e restauração de edificações e estruturas históricas, 
bem como no tratamento das áreas envoltórias dos 
bens tombados, denominadas entorno, assim como na 
incessante fiscalização desse patrimônio. Eram intelectuais 
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
http://portal.iphan.gov.br/uploads/legislacao/Decreto_no_25_de_30_de_novembro_de_1937.pdf
34
e artífices, arquitetos, urbanistas e mestres de obras 
quando necessário. Estavam (re)descobrindo arquiteturas, 
implantações urbanas e sítios urbanos antigos com os 
quais talvez não tivessem familiaridade, mas que sabiam 
perceber como portadores dos valores genuínos de 
uma brasilidade originária, perseguida enquanto espécie 
de argamassa capaz de amalgamar o projeto de nação 
empreendido pelo Estado Novo. (CASCO, 2010, p.1)
Contudo, o olhar desses profissionais para o desenvolvimento das 
técnicas estava fortemente ligado ao uso dos materiais, a funções dos 
operários, mestres de obras, entre outros, preocupados em reparar e 
reproduzir, transformando esses espaços, locais e construções de maneira 
responsável mantendo a importância histórica e cultural em todo o processo.
RESUMINDO:
O processo de patrimônio cultural e artístico está interligado, 
uma vez que a arte se desenvolve nos demais períodos ao 
longo dos anos. Os edifícios que apresentam características 
peculiares que vêm a ser marcados historicamente 
devem manter sua forte ligaçãocom o meio em que se 
desenvolveram, uma vez que os profissionais da área 
estarão sempre atentos a preservar o perfil cultural daquele 
espaço. Mesmo com as características anteriormente 
desenvolvidas, o processo da arquitetura está ligado à 
evolução do modelo de uso de materiais, construção, 
obras, entre outros. A arquitetura ao longo dos anos se 
desenvolve e toma como base as artes anteriormente 
utilizadas. É de bastante importância manter o patrimônio 
preservado, uma vez que ele mantém a identidade do 
local. Os profissionais da área são contratados para que se 
possa preservar, revitalizar, sem tirar a ideia inicial do que já 
foi desenvolvido.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
35
Arquitetura e Urbanismo - Ferramentas 
de transformação
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você conseguirá visualizar 
a arquitetura e o urbanismo como ferramentas de 
transformação, compreendendo melhor o que levou à sua 
transformação até os dias atuais e até onde as políticas, 
intervenções e transformações influenciam na sua 
construção. Isto será fundamental para o exercício de sua 
profissão. Curioso? Então vamos lá saber mais!
Ferramentas de transformação
Para o estudo de todo o território, habitações e espaços, 
encontra-se o arquiteto e urbanista como um dos principais profissionais 
capacitados para atuação no planejamento urbano em relação ao macro 
e micro espaço. O que antes não era necessário dos recursos utilizados 
pelo arquiteto, atualmente, foi difundido para utilização e tem importância 
para a criação de ambientes e espaços construídos através da tecnologia 
avançada.
Nos dias atuais, o alto investimento no mercado imobiliário cresce e, 
às vezes, deixa de lado os contextos sociais e não utilização dos meios de 
modernização na construção seja de residências ou até mesmo espaços 
urbanos. Assim, começam a surgir os problemas da dinâmica social nos 
grandes centros das cidades, concebendo a muitos dos seus usuários a 
falta de alguns bens de utilização, como até mesmo a moradia.
O problema caótico das cidades faz com que o Estado desenvolva 
algumas políticas e tome medidas para que a desigualdade social diminua 
e o planejamento urbano e habitacional seja cada vez mais útil ao longo 
dos anos. Tendo em vista a falta de planejamento econômico, é comum 
observar situações de moradias precárias, ambientes desprovidos 
de conforto e bem-estar para a população, o que fazem com que a 
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
36
segregação dos espaços aumente e as pessoas parem de interagir no dia 
a dia por distanciamento e falta de convívio.
Por outro lado, algumas ferramentas de transformação são 
implantadas e buscam o engajamento social e político para que as cidades 
possam crescer cada vez mais atuando de forma positiva alcançando 
demandas significativas.
A disciplina de arquitetura e urbanismo tem o papel significativo 
de transformação desses espaços. É através da arte que os espaços e 
ambientes poderão ser transformados e atingirão resultados impactantes 
em relação aos seus programas de necessidades. De acordo com 
Guimarães (2006) apud Souza (2019):
A formação dos arquitetos e urbanistas durante muito 
tempo existiu deslocada de contextos culturais e sociais, 
com enfoque puramente técnico e academicista. As 
Faculdades de Arquitetura e Urbanismo tiveram ao 
longo dos anos reformas nas grades curriculares, o que 
possibilitou a expansão das linhas de estudo e do campo 
de atuação. Oportunidades para trabalhos externos 
desenvolvidos em comunidades próximas surgiram 
através de projetos de extensão, escritórios modelos e 
outras iniciativas de caráter social que demonstravam 
a preocupação com as necessidades coletivas. Essas 
atividades levavam muitos alunos a entrar em contato, 
pela primeira vez, com o território real, propiciando a 
formulação de ideias que respondessem às demandas 
apresentadas e que poderiam ser realizadas fisicamente. 
(GUIMARÃES, 2006 apud SOUZA, 2019, p. 3)
Assim, é a partir do contato dos estudantes da disciplina com o 
meio em que se vive que é possível obter respostas ao longo do estudo 
sobre as necessidades coletivas. Os profissionais da área, em sua maioria, 
atuam com participação de um poder público e privado para que possam 
discutir as questões sociais e políticas de maneira independente.
Ainda, sobre Souza (2019) apud Ferreira (2017), faz-se necessário o 
diálogo com a comunidade e união de moradores sobre os deslocamentos 
em busca de moradia, tornando cada etapa parte da evolução do 
conhecimento de suas histórias particulares, aspirando um trabalho que 
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
37
estimule os usuários a serem os principais agentes de suas histórias e 
ferramentas de transformações sociais.
Política da habitação Social 
Tomando como base as transformações ao longo da arquitetura e 
do urbanismo, um dos exemplos de transformação que a arquitetura pode 
apresentar ao longo de sua história é a política habitacional. A mesma foi 
de forte influência na arquitetura e na produção tanto do Brasil, quanto 
da Inglaterra, onde as mudanças das políticas públicas influenciaram a 
produção habitacional.
Através de estudos, pode-se dizer que é possível analisar algumas 
influências na arquitetura dos mesmos, impondo diretrizes de qualidade e 
capacidade de habitação social, voltados para as comunidades de baixa 
renda.
É correto afirmar que toda habitação deve ter interesse social, 
onde deve manter o convívio das pessoas, suas culturas e costumes, 
promovendo áreas de lazer e bem-estar. As mesmas, destinadas à 
população mais carente, devem oferecer uma oportunidade no mercado 
imobiliário àqueles que têm menor poder aquisitivo, com direitos básicos 
como a moradia digna para todos.
Figura 9 - Habitação de interesse social no Brasil
Fonte: Freepik
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
38
Esse assunto leva aos estudos das habitações sociais de muitos 
pesquisadores ou estudantes que buscam desenvolver análises feitas 
a partir de critérios sobre a arquitetura e o urbano, social e cultural. As 
mesmas também relatam sobre suas formas, implantação e volume, 
tendo em vista o aspecto dos locais e itens de habitação, gerando a 
comparação de qual se inseriu em determinado local.
Com o surgimento dos cortiços e agrupamentos em situações 
precárias, o Estado decide intervir na questão habitacional, de modo com 
que viesse a acabar essa segregação do tecido urbano, tirando essas 
comunidades centralizadas e afastando-as para locais mais distantes do 
centro, removendo assim, famílias das regiões e procurando reorganizar 
novos espaços para as mesmas.
Assim, com a rápida industrialização, as cidades passam a abranger 
um forte número de pessoas que vêm do campo em busca de empregos 
e melhor qualidade de vida. Uma das condições de falta de administração 
pública é demonstrada no surgimento de áreas ocupadas ilegalmente. 
O resultado desse processo é de uma população predominantemente 
urbana, que tem diretrizes públicas ineficazes a respeito da economia, 
política, sociedade e cultura.
Com intuito de solucionar tais problemas, foi implementada a 
Constituição Federal de 1988, regulada pelo Estatuto da Cidade no 
ano de 2001, que orienta o uso do domínio público, feito através do 
interesse coletivo e mantido o equilíbrio ambiental, tendo importância 
na regularização fundiária. O mesmo atribui direito à moradia de vários 
cidadãos através desse processo.
Na maioria dos municípios brasileiros observa-se a ocupação ilegal 
e irregular de moradias. Esse problema abrange alguns pontos negativos 
como falta de segurança, de espaços para convívio amplo, bem-estar, 
escolas, transportes, resultando em baixa qualidade de vida.
O Sistema Financeiro de Habitação (SFH) fundado pela Lei 
4.380/64, tinha como objetivo o estímulo da política de sintonização de 
recursos para custear habitações através de cadernetas de poupança e 
recursosdo Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) por meio do 
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
39
Banco Nacional de Habitação (BNH). Assim, o SFH foi segmentado em 
dois setores para atender a sua grande procura: o primeiro encaminhado 
às classes média e alta, administrado por agentes privados ligados 
à construção civil, já o segundo, designado à classe mais carente, 
feito através de Companhias Estaduais e Municipais de Habitação. O 
autofinanciamento foi igualitário, fazendo-se necessário para que o 
adquirente experimentasse seu conhecimento da forma de pagar. Assim 
as populações mais carentes foram prejudicadas, pois não conseguiam 
demonstrar que seus benefícios levariam à dívida. 
O crescimento desregulado do espaço urbano, a exclusão social e a 
despreocupação do poder público em relação a tais habitações, acabaram 
em movimentos de reivindicação por infraestrutura e diminuição de 
áreas ilegais para moradias, resultando assim em uma nova ordem da 
constituição.
Contudo, apesar de ser um procedimento longo, não é difícil 
perceber os pontos de melhoria que as cidades devem dispor para se 
tornarem dignas para todos. Algumas melhorias significativas no que 
diz respeito ao saneamento básico, pavimentação das ruas, iluminação 
como forma de segurança para todos, mobiliários e equipamentos em 
bom estado, arborização, entre outros recursos devem ser usufruídos por 
todos e não só por parte de uma população com privilégios.
Agentes responsáveis pela transformação
Com o ambiente em constante transformação de espaços naturais 
em espaços produtivos, o significado econômico surge diante as cidades, 
dando continuidade às necessidades do homem com a natureza. Assim, a 
produção e o consumo dão início ao verdadeiro valor e uso dos mesmos.
Além das relações sociais, a oferta de bens e serviços, tais como 
a carência dos mesmos, situa-se nas cidades capitalistas, presente 
também nas relações do mercado, através da comercialização e 
produção, incentivando a movimentação do dinheiro e assim, ampliando 
as estratégias de sobrevivência das relações sócio espaciais.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
40
O Estado, por sua vez, com sua pouca presença significativa, faz 
com que as pessoas procurem suas próprias maneiras de sobrevivência, 
construindo relações umas com as outras, através de atividades em 
grupo, da cultura, de relações interpessoais, entre outros meios. 
Assim, faz parte do cotidiano alguns pontos como o bairro, a rua, 
as praças, que são responsáveis por realizar trocas diárias, gerando 
trocas entre vizinhanças e comunidade. No mesmo ambiente, também é 
possível ter práticas políticas sobre tal espaço, onde cada um impõe sua 
maneira de pensar e agir, sua própria história e identidade.
Segundo Benévolo (1993), as ruas retilíneas, que apontam uma série 
de quadras iguais, mostram um novo modelo uniforme de cidades, em 
sua maioria com forma quadrada. Já no centro da cidade, surgem praças 
que se curvam sobre edifícios de grande importância.
Figura 10 - Modelo de cidade na França – ruas retilíneas
Fonte: Pixabay
Para Mumford (1961), a função de construir uma cidade acarreta o 
trabalho maior de reerguer uma nova civilização, de maneira que seus 
pontos negativos e positivos juntos contribuíam para o futuro. Assim, 
surgiria a possibilidade de correção das cidades a cada novo ciclo ou fase 
histórica, chegando à formação da metrópole.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
41
Mumford morava em Nova York, onde apareceram as grandes 
teorias e perspectivas sobre a cidade. Ele delineava uma escrita sobre 
planos urbanos que já estavam sendo administrados. O autor também 
retratava os períodos históricos das cidades, onde mostrava um resumo 
histórico de suas fases de desenvolvimento. Na segunda parte do seu 
livro, ele apresenta mais intenções nítidas que mostram o desdobramento 
de seu pensamento sobre o planejamento urbano e sobre a intervenção 
social, o que o mesmo entendia por regionalismo e comunidade.
A metrópole, por sua vez, é vista como devastadora para as relações 
culturais da comunidade, uma vez que com o forte crescimento das 
cidades, o vínculo que as pessoas possuíam nos municípios, em campo 
ou em pequenas cidades desenvolvidas seria cessado.
RESUMINDO:
A arquitetura entra no meio de certos agentes quando a 
crescente verticalização no centro e as manchas urbanas 
intensificam-se, trazendo juntamente a esses locais, a 
modernização com novos edifícios, deixando de lado 
vestígios da cidade antiga. O mais importante agora seria 
como tornar-se grande metrópole sem decompor o valor 
da comunidade. Em outras palavras, como passar por 
tantas transformações sem perder o valor e sua identidade 
que são conquistados ao longo dos anos. A modificação se 
dá através das ferramentas de transformação dos agentes 
responsáveis e das políticas aplicadas para que as cidades 
cresçam de forma organizada e os espaços não obtenham 
segregação espacial, tornando as cidades melhores e 
mais convidativas, juntamente com profissionais que 
desenvolvam cada vez mais a sua especialização na área e 
apliquem para aquelas áreas que mais necessitam.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
42
REFERÊNCIAS
ANDRÉS, R. R. Da arte para a arquitetura: dispositivos artísticos 
contemporâneos como meios de investigação e experimentação de 
arquitetura. 2007. Disponível em: https://bit.ly/3euhNfV. Acesso em: 19 jan. 
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