Prévia do material em texto
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo Unidade 4 Transformações da arquitetura e das cidades Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria MIRELLA RAMALHO CAVALCANTE ALEXSANDRO PEREIRA AUTORIA Mirella Ramalho Cavalcante Sou formada em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas - UNIFACISA. Passei por escritórios de arquitetura e pela prefeitura de Campina Grande na Paraíba. Atualmente, atuo como profissional autônoma. A área de urbanismo e toda a sua história, desde o início, como também pelo meu desenvolvimento do trabalho de conclusão de curso, me fascinam até hoje. Gosto de incentivar as pessoas a olhar com mais delicadeza à arquitetura e todas as áreas que a mesma abrange. Alexsandro Pereira Sou Arquiteto e Urbanista graduado pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2007) e Mestre pelo Programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU) da Universidade Federal Fluminense (UFF) com enfoque na área de Habitação de Interesse Social. Membro do Corpo Docente do grupo ITEC, onde leciono para o Curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade TECSOMA em diversas disciplinas ligadas a Projetos Arquitetônicos. ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Estado da arte e tendências da arquitetura .................................... 10 Estado da arte .................................................................................................................................... 10 Tendências na arquitetura ........................................................................................................ 14 Estado da arte e tendências do urbanismo .....................................20 Tendências do urbanismo........................................................................................................ 20 Arquitetura e Urbanismo - Patrimônio cultural e artístico ........28 Patrimônio cultural .........................................................................................................................28 Arquitetura e Urbanismo - Ferramentas de transformação ..... 35 Ferramentas de transformação ............................................................................................35 Política da habitação Social ...................................................................................................37 Agentes responsáveis pela transformação ................................................................. 39 7 UNIDADE 04 Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 8 INTRODUÇÃO Você sabia que a Arquitetura e o Urbanismo passaram por diversas transformações ao longo dos tempos para que pudessem chegar aos conceitos atuais? Ambas têm relação com várias etapas da evolução histórica e de momentos que fazem parte de sua trajetória em que cada uma apresenta uma parte importante para sua formação. A vida na malha urbana também começa a ter papel importante na área de arquitetura, onde a relação dos edifícios com seu entorno irá passar também por transformações e reformas urbanas que foram crescendo ao longo dos anos até chegar à formação das cidades. A partir de técnicas, tendências da arte e da sua cultura, a arquitetura terá a base para se desenvolver. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar nesse universo! Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade IV. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Discernir sobre o estado da arte da arquitetura, avaliando as principais tendências evolutivas desta ciência. 2. Discernir sobre o estado da arte do urbanismo, avaliando as principais tendências evolutivas desta ciência. 3. Entender a arquitetura e o urbanismo como elementos propulsores da formação e manutenção do patrimônio cultural e artístico de uma civilização. 4. Entender a arquitetura e o urbanismo como ferramentas de transformação da sociedade. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 10 Estado da arte e tendências da arquitetura OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender quais são os conceitos que desenvolveram o estado da arte e as tendências da arquitetura ao longo dos anos. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então vamos lá. Avante! Estado da arte A partir da década de 60, o método utilizado da arte moderna passou por diversas transformações em relação às definições sobre o conceito de arte, no qual o recinto e a colocação da obra começaram a alterar a acepção da mesma. O que antes eram apenas ambientes tradicionais, começaram a abranger locais maiores, chegando até as cidades de uma forma que fortaleceu o desenvolvimento da arte no meio urbano. O espaço físico torna-se um complemento importante entre a arquitetura e a arte, de maneira que a arquitetura toma-se base para o desenvolvimento da arte, seja em edifícios ou no suporte do ambiente urbano. Tal espaço físico não precisa, necessariamente, se tratar de um edifício ou de alguma obra, mas também da relação que o mesmo irá refletir sobre o seu entorno e como se relaciona com seus usuários, observando como a obra interfere na associação com os elementos da arquitetura efetiva. A arte na arquitetura também está ligada aos sentimentos que a mesma irá despertar nas suas obras. O artista irá desenvolver sua criatividade pensando no efeito que a mesma terá nas pessoas ou seja, sentimentos como: noção de espaço, leveza, vertigem, aflição, entre outros, colocando o público para desenvolver tais sentimentos e compreender a obra e suas características de forma. Segundo Tasca (2019): Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 11 Quando um espaço é diferenciado a ponto de ser inequivocamente reconhecido por suas qualidades físicas e seu nome próprio, é porque houve uma projeção sentimental por parte do ocupante ou do espectador que o reconhece e nomeia para distingui-lo dos outros. Dessa forma, esse espaço se torna um lugar. (TASCA, 2019, p. 6) Assim, para o autor, entende-se que quando o ambiente é projetado e é transmitido para as pessoas algum sentimento que pode ser lembrado, tanto por suas características quanto pelo seu nome, é devido ao espaço ter um significado sentimental para quem está observando, desse modo, pode-se considerar como um lugar. A primeira impressão daquele lugar vai ser o que as pessoas irão guardar sentimentalmente e terá como relevância ao longo de suas vidas, podendo considerar o ambiente como um espaço de sensações, que podem levar a lembranças e reviver outras épocas de acordo com sua vida. Assim, para Andrés (2008)a arquitetura: Opera como um instrumento que “me” articula com o mundo e com os outros. O faz através de sua linguagem, que me fala ao corpo e ao intelecto e que não pode ser dissociada da minha experiência concreta. Tal experiência se constitui em uma experiência estética, no sentido de experiência vital e é propiciada pelos diversos integrantes da arquitetura: os espaços, suas formas, seus materiais, sua sonoridade, temperatura, cheiro, além das variáveis não previstas, como a apropriação pelas outras pessoas. (ANDRÉS, 2008, p.23) De outra maneira, o autor expressa que qualquer ambiente físico, como por exemplo, uma galeria de arte, poderá ressaltar peculiaridades, cada um com sua característica e seu impacto visual e sentimental para cada pessoa. A arte e arquitetura estão associadas quando se referem ao mesmo rumo encaminhado ao mesmo percurso visual, podendo citar: cheiros, estéticas, formas, entre outros. A mesma vivência reúne dois principais pontos: visual e o plástico. Onde o autor, descreve que: Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 12 visual e plástico: são polarizações opostas de maneiras de lidar com a corporeidade material. Em um extremo está a abordagem visual, que busca negar seu suporte e enfatizar a imagem, no outro está a abordagem plástica, que busca assumir a construção da imagem em diálogo com a materialidade do suporte. A abordagem visual nega o suporte e a plástica o assume. Entre esses dois polos, estão todas as gradações entre a prevalência da materialidade do suporte e da imagem na constituição da obra. (ANDRÉS, 2008, p.25) O campo plástico, segundo o autor, é composto por mais aspectos do que o campo visual, ou seja, enquanto o visual abrange o tato e o olfato, contemplação e reflexão, o que for além e ultrapassar esses sentidos, chegará ao campo plástico. Figura 1 - Catedral Metropolitana de Brasília Fonte: Freepik A Catedral Metropolitana de Brasília é um exemplo de que sua composição, como a utilização de vitrais, ultrapassa o campo visual e atinge o campo plástico, identificado pela sua forma e estrutura. Tais materiais utilizados na obra da catedral são componentes que resultam na estrutura arquitetônica que serve como apoio. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 13 Assim, a arte foi se expandindo de modo que a arquitetura foi conhecendo outras maneiras de desenvolvê-la, buscando desempenhar tal arte em lugares que antes não eram lembrados, como por exemplo muros e guetos localizados nas cidades, incluindo operadores apropriados a esses locais às demais artes e fazendo com que cada vez mais a arte seja englobada e que as pessoas as contemplem. Com isso, a arte chega cada vez mais às cidades. Segundo alguns artistas como, por exemplo, Cartaxo (2009): Artistas como Michael Asher, Daniel Buren, Marcel Broodthaers, dentre outros, contestaram a inocência do espaço, ou seja, a sua ênfase nos aspectos físicos e espaciais, incorporando ao local aspectos relativos à sua estrutura cultural definida pelas instituições de arte. Os espaços institucionais (galerias, museus etc.) passaram a ser vistos como modelos ideais que expressavam a si mesmos colaborando no distanciamento entre o espaço da arte e do mundo exterior. Daniel Buren acreditava que qualquer trabalho, independentemente do local em que está exposto, é contaminado pelo lugar. Para Buren, a arte é, antes de tudo, política, existindo a partir da consideração dos seus limites formais e culturais. (CARTAXO, 2009, p. 85) Toda obra deve interagir com o meio inserido. Algumas maneiras criativas são postas para que os seus usuários desfrutem do ambiente de modo que consigam visualizar toda a ideia ao decorrer da obra. O que antes era visto como arte em apenas museus, hoje, atingiu um público maior, trazendo a arte e o artista de maneira que seja mais reconhecido. Segundo Cartaxo (2009), o operário moderno trabalha no chamado in situ, ou seja, investiga a dificuldade do contexto inserido, uma vez que o êxito do artista submete-se ao acolhimento do espectador. Ainda sobre o autor: O artista ampliou seus meios e passou a construir incorporando novas fontes de referência como a ciência, a biologia, a construção, a iluminação, a decoração, o som, a moda, o cinema, os computadores etc. A transição das instalações efêmeras para as construções permanentes estabelece aproximação com a arquitetura, principalmente no que se refere ao modo de conceber o espaço e a sua psicologia de uso. Os limites entre a Arte e a Arquitetura tornam-se difusos à medida que, tanto uma quanto a outra, inspira-se na experiência física do sujeito determinada pela natureza do lugar. (CARTAXO, 2009, p. 73-79) Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 14 O autor ainda define que a arquitetura pode ser descrita por algo público devido às suas alterações estruturais ao longo dos últimos anos que fizeram com que a disciplina fosse se encaixando juntamente com a arte. Quando a arquitetura e arte violam barreiras, suas obras exteriorizam- se e mostram a maneira dos seus usuários de se conectar com a mesma inserida em tal local. Assim, pode-se observar a associação da arte com o meio artístico influenciando em uma maior conexão da arquitetura com a mesma, sugestionando acerca de em que lugar a produção frequenta ou não e as transformações que ambas realizam no espaço estando juntas. Visto que as demais relações se expandem, a arte passa a sair do meio característico e abrange espaços não comuns como atingiriam, como por exemplo, prédios e fachadas. Já em relação às obras conhecidas como site specific, a relação com seus usuários são mais intensas, uma vez que causam interferência no dia a dia do observador, causando emoções, como por exemplo, reflexões sobre sua função ou intenção de modificação do meio inserido, podendo ser citado como caso a Tilted Art de Richar Serra. Tendências na arquitetura O elemento inserido na construção através do artista pode, além de contribuir para o efeito visual, passar sentimentos para o observador. Tal sentimento pode ser desenvolvido como raiva ou alegria, dependendo da forma que o mesmo irá visualizar. Assim, nenhuma arte irá ser desenvolvida sem que tenha um objetivo de impacto na paisagem, seja para contemplação ou para adição na obra já construída, dando assim visibilidade a prédios ou a outras construções. Visto que a relação dos moradores com a paisagem é de fundamental importância para a arquitetura, é possível notar que a arte abrange não apenas a arquitetura, mas ultrapassa seus conceitos e faz com que as pessoas as sintam. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 15 Então, veem-se várias possibilidades entre o campo da arte e da arquitetura. Ao longo do tempo, a disciplina obteve adição à arte, mas, atualmente, pode-se analisar uma afinidade progressiva da arte moderna com o espaço. Segundo Andrés (2007), os arquitetos empregaram em molde correspondente a arte como maneira de manifestação, sendo que os assuntos ligados à arquitetura podem ser analisados de forma mais autônoma. Tendo em vista que o estado da arte se refere a um entendimento atual sobre ponto estipulado ao longo de toda uma pesquisa, pode- se entender também que esse irá ser o estudo final da mesma, visto o resultado final de todo o estudo. Desse modo, a arquitetura desde a década de 30 mantém relações até os dias atuais com as artes plásticas, podendo ser vista atualmente nas demais obras modernas e antigas. O prédio-monumento pode ser considerado uma expressão de uniformidade entre as artes plásticas e a arquitetura. Para Andrés (2007) a palavra integração e síntese tem sentido quando aplicada a ambas as disciplinas, descrevendo: Sem os empecilhos pragmáticos do campo arquitetônico, as artes plásticas seriam um lugar de experimentação por excelência, onde os arquitetos poderiam exercitar criativamente suaprática. [...] Por outro lado, a integração das artes na arquitetura latino-americana nos remete ao passado pré-colombiano bastante diferente do que entendemos por síntese das artes, a qual está associada a arte presente nas vanguardas europeias, principalmente no Neoplasticismo e no Bauhaus. (ANDRÉS, 2007, p.3) Em relação ao país, a arte e a arquitetura se fortalecem em graus, equivalências e moldes diferentes. É possível observar que as artes plásticas atuaram ao longo do caminho na realidade brasileira na conjuntura arquitetônica. Um exemplo de associação entre ambas são os painéis e murais de Portinari, que em suas composições de materiais empregados estiveram inseridos na cidade como componentes reveladores, mantendo a ideia de integração entre as artes. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 16 Figura 2 - Igreja Boghall Mondrian Fonte: Pixabay O uso de losangos com as demais cores apresentadas como o amarelo, preto, azul, vermelho, cinza, está caracterizado na ideia de Piet Mondrian, que preserva a ideia de que a arte não se define apenas a exibir a natureza, mas revela uma vivência sublime da clareza e do equilíbrio. VOCÊ SABIA? De outra forma, a arquitetura absorveu o conhecimento que justifica o conceito moderno anteriormente ao das artes plásticas no Brasil, que veio a certificar em síntese no ano de 1950. Enquanto na arquitetura o seguimento tomou como base a partir do ano de 1927 com Warchavchik, a partir dos contornos modernos da casa da rua Santa Cruz em São Paulo, as artes plásticas, por sua vez, foram lançadas com a semana da Arte Moderna de 22, acompanhada por uma afinidade nacional, alinhadas ao método clássico de reprodução. Para alguns autores, a arte seguia em busca de alguns temas que a desenvolvessem na arquitetura e para que representassem seus conceitos e ganhassem força em seus movimentos. Assim, surgem alguns movimentos que podem ser descritos, segundo Andrés (2007): Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 17 Em essência, o modernismo brasileiro jamais questionou as indagações fundamentais que informaram o cubismo, o neoplasticismo, o dadaísmo etc., o questionamento que a pintura faz de sua própria linguagem, o que provocou que as vanguardas que se desenvolveram até hoje terminassem por destruir a linguagem pictórica. [...] Esses problemas graves da arte moderna só surgiram entre nós na década de 50, com o concretismo e o neoconcretismo. Enfim, é isso, se a produção de arte moderna no Brasil pode ser assinalada a partir de 22, as questões que representam a base de todo o pensamento moderno na arte só foram surgir entre nós 30 anos depois. (ANDRÉS, 2007, p. 6) O autor descreve ainda que a arte pode ser não representativa, ou seja, figurada, que inicia o rompimento no regulamento social dessa, assegurado pelo cubismo e obtém potência com o aparecimento das vanguardas construtivas europeias no ano de 1950, sugestionando os grupos concreto e neoconcreto. A partir disso, fundamenta-se a arte brasileira juntamente com a arquitetura moderna, realizando ao longo do tempo modificações, trazendo para os artistas brasileiros uma nova maneira de abordar o assunto. A arte brasileira começa a inserir sua participação no espaço tridimensional, tendo como ponto de partida Tatlin, Rotchenko e Lissitsky e fortalecido pelo Neoplaticismo e Bahaus, até alcançar nas ideias de Max Bill e na escola de Ulm. SAIBA MAIS: As artes plásticas no Brasil passaram por diversas etapas estando ligadas ao processo arquitetônico. Tendo como integração e síntese, suas diferenças e definições são de suma importância, já que impactam no processo e sua evolução. Diante disso, recomenda-se a leitura do artigo produzido por Rafael Brener da Rosa para compreender o processo de forma mais detalhada. Clique aqui. Podemos citar a cidade de Brasília como um lugar de influência entre a arte e arquitetura, uma vez que a arte urbana está presente em algumas obras, prédios, como por exemplo, a obra de Athos Bulcão. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/5114/000510331.pdf 18 Ao longo do período neoclássico e eclético no Brasil, a predominância da art déco no cenário brasileiro era bastante considerável, onde estavam inseridas diferentes formas, ou seja, um estado de arquitetura em que alguns prédios se encontravam. Esse estilo estaria interligado com, por exemplo, casas urbanas em estilo colonial no século XIX, com materiais e fachada caracterizados pela época e ornamentação descrita pela art déco. Já a arquitetura moderna traz características inovadoras que podem ser descritas segundo Casco (2010): Em outras ocorrências, uma construção pode remeter à arquitetura moderna. Pelo programa, materiais e abolição de ornamentação figurativa das superfícies externas em alvenaria, ter toda a sua lógica de composição submetida à procedimentos da arquitetura beaux-arts, seja pela adoção de regras referentes à simetria e à hierarquia, pela ênfase conferida ao acesso principal, e pela repartição da fachada em base, corpo e coroamento, seja pela simplificação de elementos da linguagem clássica, como colunas, óculos, frontões etc. Portanto, há prédios que apresentam tendências déco que também podem ter aspectos importantes remetendo a outras arquiteturas: à colonial (sobretudo no caso de moradias unifamiliares), à composição clássica (sobretudo no caso de prédios institucionais) ou à linguagem moderna (sobretudo no caso de prédios comerciais e de apartamentos). (CASCO, 2010, p.1) Assim, nos anos de 1930 até 1950, essa técnica de art déco é difundida e utilizada como tendência daquela época. O estilo vem juntamente com outros movimentos difundidos ao longo dos anos, trazendo fortes influências de arquiteturas anteriores e modernas. Essa mesma arte trouxe o uso de geometrias em seus componentes decorativos tendo como menções as vanguardas artísticas, arte primitiva e arquitetura da Antiguidade. Alguns exemplos de artifícios utilizados por essa tendência foram marquises, colunas, capitéis, platibandas, balcões em balanço, gradis, resultando em traços geométricos, florais, espirais ou linhas retas e em sinuosidade, texturas, cores, vitrais, entre outros componentes. Contudo, o estilo da arquitetura nos tempos atuais difere muito do ambiente inserido e de onde vem a ser desenvolvido, visto que não são apenas linhas retas que fazem parte da tendência da arquitetura, as curvas passam a ser inclusas também no processo. Com o modernismo, Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 19 a arte de tais projetos é composta por vários elementos que resultam em uma composição harmônica, propiciando maior integração entre os ambientes, trazendo leveza, conforto, iluminação natural, sofisticação, dando as construções maior valorização e aos seus usuários locais que sejam contemplados e confiáveis. SAIBA MAIS: A art déco tem bastante significado para a arquitetura, com suas características peculiares e sua maneira de se desenvolver na arte. A arte moderna traz novos materiais, formas e conceitos para o desenvolvimento da tendência na arquitetura. Diante disso, é interessante que se faça a leitura do artigo produzido por Telma de Barros Correia para que se possa compreender o processo de forma mais detalhada. Clique aqui. RESUMINDO: Foi visto que o assunto é importante para ser discutido de maneira que a arquitetura brasileira moderna abrange diversos pontos ao longo de seu conhecimento e conceitos para que chegasse aos dias atuais. Alguns artistas irão defender a ideia da síntese ou da integração da arquitetura com a arte, porém, pode-se observar que é necessária uma investigação para poder formular as ideias desenvolvidas ao longo dos anos e formar os conceitos básicos dessa disciplina. De acordo com cada etapa, a síntese e o conceito irão mudar e avançar, de forma a demonstrar a artepresente em edifícios, obras, áreas urbanas, em que o observador poderá desfrutar e sentir-se bem e demonstrando interesse, seja positivo ou negativo, sobre o ambiente projetado. Assim, o estado da arte visa, através de várias pesquisas, mapear e discutir todo o campo de conhecimento, visto que dependendo da época e do lugar, a arquitetura irá ter uma forma diferente, conceito e aspecto. Os pesquisadores enfrentam uma longa jornada para definir o estado da mesma e concluir pesquisas e análises de conhecimento quantitativo e qualitativo. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo https ://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-47142008000200003. 20 Estado da arte e tendências do urbanismo OBJETIVO: Ao término dessa competência, você conseguirá visualizar a evolução do estado da arte e as tendências do urbanismo, bem como distinguir seus artefatos, analisar seu desenvolvimento ao longo dos anos e compreender como se expande a tendência do urbanismo nos dias atuais. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. Curioso? Então vamos lá saber mais! Tendências do urbanismo É possível observar o urbanismo como uma proposta fundamental para os projetos arquitetônicos realizados nas cidades atualmente. Porém, o mesmo foi incluso fortemente nos dias de hoje. A presença de grandes áreas ociosas, ambientes que não incluem paisagens e a valorização do meio ambiente e locais que não despertam o interesse contínuo dos usuários, foi um dos principais pontos para que a disciplina crescesse e posteriormente fosse necessário interligar os projetos arquitetônicos ao seu plano urbanístico. As tendências do urbanismo podem ser refletidas em espaços ao ar livre e lazer, ambientes que gerem interação e socialização, locais que diminuam o percurso, paisagens e meio ambiente inseridos na localidade, entre outros fatores que podem ser determinantes para a utilização. Um exemplo de espaço ao ar livre são os resorts, onde podem ser dispostas práticas de esportes com associação de áreas de lazer, como piscinas, playgrounds, quadras poliesportivas, entre outros. Esses locais trazem além da socialização, melhor qualidade de vida para toda a população, visto que investem fortemente na saúde e bem estar dos mesmos. Ambientes que tragam a diminuição do percurso para deslocamento, como é o exemplo de prédios ou construções mistas, cresceram nos dias atuais, visto que as pessoas procuram espaços que se acomodem Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 21 e estejam localizados próximos a comércios, escolas, shoppings etc. Isso faz com que tudo esteja ligado diretamente na qualidade de vida dos moradores, uma vez que os mesmos não precisam enfrentar trânsito e se deslocar para outros ambientes, conservando a mobilidade urbana e reduzindo o estresse. Atualmente, os parques são exemplos de espaços que possuem inúmeras funções, sendo responsáveis por contribuírem para a sustentabilidade urbana. As áreas naturais que nele se encontram, minimizam os problemas das cidades, trazendo benefícios aos habitantes. São diversos benefícios que esses ambientes podem trazer diante da vida na sociedade, tanto na área da saúde das pessoas, quanto na estética da cidade. Assim, deve-se atender a toda população e suas necessidades, entre elas, o lazer e a recreação. Figura 3 - Parque urbano Fonte: Freepik Os exercícios de lazer que devem ser oferecidos nesses espaços estão ligados à função psicológica de reduzir os estresses e manter a saúde física e mental dos usuários. Além dessas funções, os parques têm como característica principal sua estrutura de vegetação que permite a massa urbana contemplá-la. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 22 VOCÊ SABIA? O chamado Eco Living é uma prática das mais utilizadas no urbanismo moderno. Nele está inserida a utilização de locais que façam parte da socialização dos seus moradores e usuários, desenvolvendo locais como playgrounds, spas, áreas de descanso e contemplação, lounges, hortas coletivas, entre outros locais gerados através da criatividade que se inserem em um determinado local para agregar valor às construções e gerar melhor qualidade de vida. É notável que os condomínios atuais estejam cada vez mais preocupados em estar interligados com a natureza. O projeto de paisagismo é considerado, atualmente, de fundamental importância no setor dos empreendimentos. Os mesmos se preocupam com o desenvolvimento da área verde de forma adequada para cada tipo de implantação projetual, especificando as espécies corretas a serem utilizadas e gerando nos espaços locais sombras e que permitam aos usuários contemplar e descansar, utilizando sempre de estratégias e estudo do programas de necessidades para cada área. O parque tem assumido diferentes significados e configurações, porém, no contexto brasileiro, encontra-se uma certa falta de atenção em sua criação. Apesar da realidade, há profissionais dispostos a resgatar seus conceitos e desenvolvê-los de acordo com cada característica de sua cidade. Assim, os parques se caracterizam por serem áreas verdes que proporcionam aos seus usuários o contato com a natureza, com funções tanto ecológicas, quanto estéticas e de lazer, obtendo uma extensão mais ampla do que praças ou jardins públicos. Esses ambientes tratados de forma adequada geram qualidade, melhoria e equilíbrio ambiental para a cidade. O seu planejamento adequado e sua conservação são estratégias efetivas para manter uma boa proposta urbana, incentivando as pessoas a usufruir do ambiente e desfrutar seus benefícios. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 23 Figura 4 - Áreas convidativas em espaços públicos Fonte: Freepik Quanto mais a cidade é dotada de áreas que permitam caminhar e promovam o bem-estar das pessoas, consequentemente, farão com que as pessoas tracem mais destinos a pé, podendo deixar de lado os automóveis caminhando em calçadas acessíveis com boa iluminação, arborização e mobiliário urbano. Por outro lado, o uso e ocupação do ambiente mal planejado é capaz de nos fazer constatar que seu objetivo principal foi desviado, deixando de atrair uma diversidade social para o mesmo convívio e socialização, dando lugar à marginalização danosa nas cidades. Assim, por ser um bem de uso comum, o espaço público tem como finalidade gerar benefícios a toda a população, mantendo a ideia de que qualquer pessoa, não importa sua classe social, possa usufruir do local com direitos iguais. Desse modo, segundo Gehl (2010), os espaços públicos necessitam de alguns critérios para seu bom desenvolvimento. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 24 Figura 5 - Critérios para espaços públicos Segurança Espaços públicos Mobiliário urbano de boa qualidade e espaços acessíveis Boa iluminação Espaços de permanência e contemplação Estudo das questões climáticas e paisagens visuais Espaços convidativos Fonte: Elaborada pelo autor com base em Gehl (2010). Dessa maneira, é necessário que esses espaços existam para que áreas vazias não se tornem desertas aos usuários. Tais exemplos de espaços, devem conter como um dos principais objetivos propiciar tranquilidade para as pessoas, com amplas passagens ou circulação, oferecendo sempre boa arborização, mobiliário urbano, iluminação e fazendo com que seus usuários pretendam desfrutar todos os dias. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 25 SAIBA MAIS: Segundo Mora (2019), as tendências da arquitetura em 2019 crescem e começam a influenciar no modo urbano e arquitetônico ao longo do tempo. Comparado aos anos anteriores, várias são as tendências impostas e que os usuários começam a inserir na proposta projetual. Para compreender melhor essa metodologia, leia “As tendências da arquitetura em 2019”. Clique aqui. Em resumo, as novas tendências, segundo Mora (2019), estão ligadas ao modo de habitar, onde antes os espaços eram pequenos e nãopodiam se desenvolver. Atualmente, tornaram-se inovadores e buscam praticidade e soluções que os amplie, como também a arquitetura inclusiva, gerando locais que pessoas das demais idades consigam usufruir, busca por territórios ou cidades não-tradicionais, construção civil em evidência, igualdade de gênero e maior bem-estar em relação aos transportes. Quadro 1 - Tendências da arquitetura e urbanismo Tendências Melhorias Modo de habitar Profissionais que desenvolvem respostas atuais e práticas para ambientes pequenos. Arquitetura Inclusiva Projetos para todos, incluindo terceira idade. Oriente Médio em evidência Acontecimentos com equivalência global que alcança a curiosidade de vários profissionais. Indústria da construção Incluindo a construção civil e sistemas BIM, entre outras tecnologias. Transporte Menor deslocamento, maior qualidade de vida. Desenho urbano Ampliação de cidades mais verdes e sustentáveis. Materiais Consciência ambiental presente na construção. Fonte: Elaborada pelo autor com base em Mora (2019). Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo https://www.archdaily.com.br/br/910567/as-tendencias-da-arquitetura-em-2019 26 A insegurança é um dos fatores que contribui para que as cidades comecem a se preocupar com o desenho urbano. Os acidentes causados pelos automóveis são decorrentes do desprivilegio que os pedestres têm nas ruas, onde os veículos automotores mantêm maior domínio. No século XXI, alguns líderes visionários têm mudado o pensamento sobre esses espaços, trazendo algumas transformações urbanas em diversas cidades do mundo, defendendo a ideia de que as ruas têm, como conceito principal, o objetivo de serem tratadas como espaços de convivência e bem-estar, dando lugar, primeiramente, ao pedestre. A cidade de Veneza é um exemplo de uma situação especial para os pedestres. A mesma carrega em sua história milenar, inúmeras pontes sobre os canais e ruas estreitas que impedem a transição de automóveis e dão a preferência ao pedestre. Atualmente, pode ser tomada como cidade modelo para o pedestrianismo. Figura 6 - Cidade de Veneza Fonte: Freepik Com o desenho urbano da cidade, é possível notar os níveis de caminhada dos pedestres durante todos os dias. As ruas e bairros interferem no estilo de vida das pessoas que frequentam cada área, sendo perceptíveis, no cotidiano, alguns ambientes mais convidativos que outros. Esse impacto do desenho urbano vai além dos momentos de deslocamento, como observa Pacheco (2017): Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 27 Em outras palavras, o impacto da configuração e do desenho dos bairros vai além dos momentos de deslocamento, alcançando esferas que, à primeira vista, parecem não ter qualquer relação com o planejamento urbano. O modo como as diferentes regiões de uma cidade são desenhadas afeta a percepção de segurança, os níveis de sociabilidade e o quanto as pessoas caminham, por motivos de lazer ou como meio de locomoção. (PACHECO, 2017, p.1) Assim, podemos dizer que com o crescimento das cidades brasileiras, foi possível obter novas tendências e estilos de arte desenvolvidos ao longo dos períodos de maneira que foram influenciando cada vez mais na qualidade de vida das pessoas. RESUMINDO: Assim, de acordo com Tasca (2019), a cidade por meio de sua demonstração arquitetônica adquire mais relevância ao passar do tempo. A tendência do urbanismo surge para questões de melhorias no desenvolvimento da mesma, onde está relacionada diretamente com a arte e a criatividade dos seus profissionais e a evolução da arte na superação das cidades, inserindo novas maneiras de ver os espaços e passando a se preocupar claramente com cada indivíduo que ali se insere. O valor do indivíduo passa a ser pequeno diante da massa de organização de que a arquitetura irá se preocupar, abrangendo o local em que se vive e solidificando as grandes cidades e suas estruturas modernas, tendo em vista a modificação das mesmas e acompanhando de perto o que cada uma necessita. A política de vida urbana começa a ter sentido, não só para as entidades públicas, mas para as pessoas que as usufruem, dando valor e vida aos locais e trazendo as novas tendências de forma que se encaixem na convivência e segurança da cidade. Então, percebe-se que para poder se desenvolver dentro da cidade, o agente agregador é de fundamental importância: a arte. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 28 Arquitetura e Urbanismo - Patrimônio cultural e artístico OBJETIVO: Ao término desse capítulo, você conseguirá visualizar a arquitetura e o urbanismo como elementos propulsores da formação e manutenção do patrimônio cultural e artístico de uma civilização, compreendendo melhor os conceitos de patrimônio cultural e sua importância para a arte. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. Curioso? Então vamos lá saber mais! Patrimônio cultural Com o desdobramento do turismo nacional e internacional nos últimos anos, através da participação pública e atribuição de meios e benefícios admissíveis, por segmento de entidades culturais e financeiras, a ideia do patrimônio e preservação auferiram mais evidência durante os últimos períodos. Através de debates, planejamentos e políticas de precaução do patrimônio cultural, como também pela validade das interferências feitas atualmente, vem surgindo a importância das intervenções no contexto histórico do país, uma vez que acarreta tanto pontos positivos como desaprovações, como por exemplo, a questão da retirada da população de locais revitalizados para obter reconhecimento imobiliário. Para a sociedade contemporânea o patrimônio é ligado à edificação entre passado, presente e futuro. Porém, para alguns autores ao longo de seus estudos, consideram o mesmo não só reconhecido pelo passado, mas também com fortes influências que interferem no presente. Para Cerávolo (2010): Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 29 Temos, de um lado, restauradores com boa preparação tecnológica, mas deficiente formação em história da arte e escassa experiência de projetação arquitetônica. De outro lado, há bons projetistas que desconhecem os critérios e possibilidades da restauração e não conseguem dialogar com o monumento. Em muitos casos, as soluções ficam a dever ao monumento, ou pelo caráter simplório das intervenções, ou pela extravagância das mesmas. Em ambos os casos o monumento sai perdendo. (CERÁVOLO, 2010, p.22) Segundo Cerávolo (2010), as obras do passado expõem que cada período obteve uma maneira única de avaliar, gerando assim seus determinados pontos de vista, sua aparência e trazendo suas próprias maneiras de sua época. Assim, para o autor, a mistura do falso com o verdadeiro, resulta em uma arte irreal, deixando de lado sua autenticidade. No ano de 1930, os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna admitem ao arquiteto a importância de não serem falsificadores em relação ao desenvolvimento dos seus trabalhos, visto ser um indispensável encargo da arquitetura e urbanismo moderno, estando presente também na Carta de Veneza no ano de 1964. Assim, torna-se necessário compreender a importância do patrimônio cultural para a arquitetura brasileira ao longo dos anos, tendo em vista a conservação de diferentes culturas e histórias de vários conjuntos populacionais que formam o país. Tais valores estão caracterizados na construção dos edifícios que possuem valores não materiais e modificados. As áreas urbanas, paisagens, áreas rurais, tradições, entre outros, também fazem parte desse cenário de caracterização ao longo do tempo. Com a globalização, os valores são abalados interferindo no legado cultural e como resultado tem-se as semelhanças das culturas, com presença do turismo acelerado e descometido, vindo do ponto de vista ligado somente ao prosseguimento econômico. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 30 SAIBA MAIS: No Brasil, como Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, mais conhecido como SPHAN, deu-se partida à preservação do patrimônio associado à atividade moderna que viriam a debater as concepções das artes e arquitetura brasileira a partir do ano de 1920. Processo também responsável por discutir o assunto sobre a identidade da arquitetura no Brasil, colaborando para certificação da preservação. Para compreender melhor essa metodologia, leia “Patrimônio cultural e globalização: as problemáticas da preservação do patrimônio cultural no século XX” páginas 10 a 14, Clique aqui. Segundo Pavan (2019), vários são os aspectos e os pontos que contribuem para o valor histórico da formação da arquitetura e a identidade da nação. Alguns artistas estão inseridos em movimentos que fizeram parte da evolução dessa época, como descreve: São estes artistas e intelectuais associados ao Movimento Moderno que dão início à preservação e seleção dos representantes arquitetônicos do passado junto com a criação do SPHAN em 1937. São diversas as questões e contradições do movimento moderno brasileiro que, ao mesmo tempo, seguem os princípios de Le Corbusier (que escreveu a Carta de Atenas de 19333 do CIAM4) e são precursores da defesa e reconhecimento do Patrimônio Histórico e Artístico (luso-brasileiro) no país. Essas divergências vão se refletir na materialidade das cidades e na formação da nova identidade nacional de uma sociedade civilizada, um dos focos da política de Getúlio Vargas no período do Estado Novo. (PAVAN, 2019, p. 11) Ao longo das décadas, as modificações foram conquistando espaço com a formação de associações estaduais a fim de proteger o patrimônio histórico. Com isso, foi possível o melhor entendimento sobre o que seria o patrimônio cultural trazendo a discussão em âmbitos nacionais e internacionais. Segundo o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (2016), o conceito de patrimônio pode ser entendido como a soma de acervos materiais Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/221/2020/03/II_CNSPC_2019__Anais_Volume-1.pdf. 31 e não materiais que relatam a biografia dos habitantes e suas ligações com o meio ambiente, podendo também ser definido por heranças do passado que conduzimos para o desenvolvimento futuro. O mesmo pode ser categorizado em três pontos: Histórico, Cultural e Ambiental. Através da criação e desenvolvimento de diversas leis, o patrimônio passa a ter sua preservação mundial que se preocupa em manter seus atributos originais. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) é uma autarquia federal que se responsabiliza pela cautela dos rendimentos culturais brasileiros. Conforme o órgão, o estado de Mato Grosso é um dos locais que apresentam mais áreas vistas como bens históricos. Um dos exemplos seria: a Igreja da Sé de Santana, localizada em Chapada dos Guimarães e a ruína da Igreja Matriz de Vila Bela da Santíssima Trindade. Figura 7 - Ruína da Igreja da Santíssima Trindade Fonte: Pixabay A presença dos arquitetos e urbanistas é de grande importância para conservação dessas obras, pois os mesmos são profissionais capacitados para teoria, prática e técnica que atuam no processo cultural dos edifícios e das obras urbanas nos grandes centros urbanos e nas cidades históricas. O patrimônio cultural tem forte participação da opinião pública, uma vez que os espaços são planejados para uso coletivo. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 32 Apesar da arquitetura moderna crescer e as artes continuarem inovadoras, os arquitetos e profissionais desenvolviam sua criatividade interligada com as características do passado que deveriam servir como base para a cultura brasileira. Foi a partir do século XIX que graças à introdução do Brasil na organização econômica internacional e a abertura do ecletismo, foi possível obter a tendência do rompimento do acúmulo arquitetônico urbanístico construído. Nos anos de 1920 e 1930, no século XX, ambas as diligências não foram passiveis de serem concluídas em razão da Constituição Federal de 1891 no que diz respeito ao direito à propriedade. Já a partir do ano de 1933, surge a primeira Lei Federal a proceder sobre o tema, tombando a cidade de Ouro Preto. No ano posterior, em 1934, regulariza-se o andamento do Museu Nacional. Assim, pode-se levar em consideração três tópicos principais para a construção da preservação no país. Figura 8 - Fatores principais para a construção da preservação Quadro econômico otimista Preservação Patrimonial Instalação do Estado Novo Busca pela identidade nacional através das ideias modernistas Fonte: Elaborada pelo autor (2021). Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 33 Em meados do ano de 1937 nasce o Decreto-Lei 25 que assegura ao Estado os recursos regulares de proteção ultrapassando o principal meio que seria o direito constitucional à posse privada. Assim, o SPHAN irá se repartir em dois: Divisão de Conservação e Restauração e Divisão de Estudos e Tombamentos. SAIBA MAIS: Os artigos que definem os conceitos tomados pelo Decreto-Lei 25/37 sobre proteção do patrimônio histórico cultural do Brasil, são de bastante importância para compreender melhor as linhas que se desenvolveram ao longo do tempo de forma mais detalhada. Recomendamos a leitura do “Decreto-Lei Nº 25, de 30 de novembro de 1937”, Clique aqui. No ano de 1973 situa-se o Plano de Reconstrução dos Centros Históricos, desenvolvidos no Norte e Nordeste, onde realizavam a reabilitação do artesanato e turismo como forma de produção econômica. O Centro Nacional de Referência Cultural manifesta-se no ano de 1975, visto que nasce para adicionar conhecimento sobre o tema. O IPHAN passa para o SPHAN e começa a etapa de correção das suas ações de precauções no que diz respeito à manutenção da cultura e identidade do país. Em 1988, a Constituição Federal estabelece o conceito utilizado para o patrimônio cultural, bem como suas heranças materiais e não materiais, garantidas individualmente ou em modo coletivo, representando os diversos usuários que formam a sociedade brasileira. Segundo Casco (2010), os arquitetos são importantes aliados nesse processo de preservação do patrimônio, onde manterão o cuidado com as transformações urbanas e culturais do país, de maneira que juntamente com intelectuais da área, desenvolvam tarefas para custear atividades como o tombamento, como descreve: De forma complementar, passaram a atuar na conservação e restauração de edificações e estruturas históricas, bem como no tratamento das áreas envoltórias dos bens tombados, denominadas entorno, assim como na incessante fiscalização desse patrimônio. Eram intelectuais Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo http://portal.iphan.gov.br/uploads/legislacao/Decreto_no_25_de_30_de_novembro_de_1937.pdf 34 e artífices, arquitetos, urbanistas e mestres de obras quando necessário. Estavam (re)descobrindo arquiteturas, implantações urbanas e sítios urbanos antigos com os quais talvez não tivessem familiaridade, mas que sabiam perceber como portadores dos valores genuínos de uma brasilidade originária, perseguida enquanto espécie de argamassa capaz de amalgamar o projeto de nação empreendido pelo Estado Novo. (CASCO, 2010, p.1) Contudo, o olhar desses profissionais para o desenvolvimento das técnicas estava fortemente ligado ao uso dos materiais, a funções dos operários, mestres de obras, entre outros, preocupados em reparar e reproduzir, transformando esses espaços, locais e construções de maneira responsável mantendo a importância histórica e cultural em todo o processo. RESUMINDO: O processo de patrimônio cultural e artístico está interligado, uma vez que a arte se desenvolve nos demais períodos ao longo dos anos. Os edifícios que apresentam características peculiares que vêm a ser marcados historicamente devem manter sua forte ligaçãocom o meio em que se desenvolveram, uma vez que os profissionais da área estarão sempre atentos a preservar o perfil cultural daquele espaço. Mesmo com as características anteriormente desenvolvidas, o processo da arquitetura está ligado à evolução do modelo de uso de materiais, construção, obras, entre outros. A arquitetura ao longo dos anos se desenvolve e toma como base as artes anteriormente utilizadas. É de bastante importância manter o patrimônio preservado, uma vez que ele mantém a identidade do local. Os profissionais da área são contratados para que se possa preservar, revitalizar, sem tirar a ideia inicial do que já foi desenvolvido. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 35 Arquitetura e Urbanismo - Ferramentas de transformação OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você conseguirá visualizar a arquitetura e o urbanismo como ferramentas de transformação, compreendendo melhor o que levou à sua transformação até os dias atuais e até onde as políticas, intervenções e transformações influenciam na sua construção. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. Curioso? Então vamos lá saber mais! Ferramentas de transformação Para o estudo de todo o território, habitações e espaços, encontra-se o arquiteto e urbanista como um dos principais profissionais capacitados para atuação no planejamento urbano em relação ao macro e micro espaço. O que antes não era necessário dos recursos utilizados pelo arquiteto, atualmente, foi difundido para utilização e tem importância para a criação de ambientes e espaços construídos através da tecnologia avançada. Nos dias atuais, o alto investimento no mercado imobiliário cresce e, às vezes, deixa de lado os contextos sociais e não utilização dos meios de modernização na construção seja de residências ou até mesmo espaços urbanos. Assim, começam a surgir os problemas da dinâmica social nos grandes centros das cidades, concebendo a muitos dos seus usuários a falta de alguns bens de utilização, como até mesmo a moradia. O problema caótico das cidades faz com que o Estado desenvolva algumas políticas e tome medidas para que a desigualdade social diminua e o planejamento urbano e habitacional seja cada vez mais útil ao longo dos anos. Tendo em vista a falta de planejamento econômico, é comum observar situações de moradias precárias, ambientes desprovidos de conforto e bem-estar para a população, o que fazem com que a Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 36 segregação dos espaços aumente e as pessoas parem de interagir no dia a dia por distanciamento e falta de convívio. Por outro lado, algumas ferramentas de transformação são implantadas e buscam o engajamento social e político para que as cidades possam crescer cada vez mais atuando de forma positiva alcançando demandas significativas. A disciplina de arquitetura e urbanismo tem o papel significativo de transformação desses espaços. É através da arte que os espaços e ambientes poderão ser transformados e atingirão resultados impactantes em relação aos seus programas de necessidades. De acordo com Guimarães (2006) apud Souza (2019): A formação dos arquitetos e urbanistas durante muito tempo existiu deslocada de contextos culturais e sociais, com enfoque puramente técnico e academicista. As Faculdades de Arquitetura e Urbanismo tiveram ao longo dos anos reformas nas grades curriculares, o que possibilitou a expansão das linhas de estudo e do campo de atuação. Oportunidades para trabalhos externos desenvolvidos em comunidades próximas surgiram através de projetos de extensão, escritórios modelos e outras iniciativas de caráter social que demonstravam a preocupação com as necessidades coletivas. Essas atividades levavam muitos alunos a entrar em contato, pela primeira vez, com o território real, propiciando a formulação de ideias que respondessem às demandas apresentadas e que poderiam ser realizadas fisicamente. (GUIMARÃES, 2006 apud SOUZA, 2019, p. 3) Assim, é a partir do contato dos estudantes da disciplina com o meio em que se vive que é possível obter respostas ao longo do estudo sobre as necessidades coletivas. Os profissionais da área, em sua maioria, atuam com participação de um poder público e privado para que possam discutir as questões sociais e políticas de maneira independente. Ainda, sobre Souza (2019) apud Ferreira (2017), faz-se necessário o diálogo com a comunidade e união de moradores sobre os deslocamentos em busca de moradia, tornando cada etapa parte da evolução do conhecimento de suas histórias particulares, aspirando um trabalho que Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 37 estimule os usuários a serem os principais agentes de suas histórias e ferramentas de transformações sociais. Política da habitação Social Tomando como base as transformações ao longo da arquitetura e do urbanismo, um dos exemplos de transformação que a arquitetura pode apresentar ao longo de sua história é a política habitacional. A mesma foi de forte influência na arquitetura e na produção tanto do Brasil, quanto da Inglaterra, onde as mudanças das políticas públicas influenciaram a produção habitacional. Através de estudos, pode-se dizer que é possível analisar algumas influências na arquitetura dos mesmos, impondo diretrizes de qualidade e capacidade de habitação social, voltados para as comunidades de baixa renda. É correto afirmar que toda habitação deve ter interesse social, onde deve manter o convívio das pessoas, suas culturas e costumes, promovendo áreas de lazer e bem-estar. As mesmas, destinadas à população mais carente, devem oferecer uma oportunidade no mercado imobiliário àqueles que têm menor poder aquisitivo, com direitos básicos como a moradia digna para todos. Figura 9 - Habitação de interesse social no Brasil Fonte: Freepik Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 38 Esse assunto leva aos estudos das habitações sociais de muitos pesquisadores ou estudantes que buscam desenvolver análises feitas a partir de critérios sobre a arquitetura e o urbano, social e cultural. As mesmas também relatam sobre suas formas, implantação e volume, tendo em vista o aspecto dos locais e itens de habitação, gerando a comparação de qual se inseriu em determinado local. Com o surgimento dos cortiços e agrupamentos em situações precárias, o Estado decide intervir na questão habitacional, de modo com que viesse a acabar essa segregação do tecido urbano, tirando essas comunidades centralizadas e afastando-as para locais mais distantes do centro, removendo assim, famílias das regiões e procurando reorganizar novos espaços para as mesmas. Assim, com a rápida industrialização, as cidades passam a abranger um forte número de pessoas que vêm do campo em busca de empregos e melhor qualidade de vida. Uma das condições de falta de administração pública é demonstrada no surgimento de áreas ocupadas ilegalmente. O resultado desse processo é de uma população predominantemente urbana, que tem diretrizes públicas ineficazes a respeito da economia, política, sociedade e cultura. Com intuito de solucionar tais problemas, foi implementada a Constituição Federal de 1988, regulada pelo Estatuto da Cidade no ano de 2001, que orienta o uso do domínio público, feito através do interesse coletivo e mantido o equilíbrio ambiental, tendo importância na regularização fundiária. O mesmo atribui direito à moradia de vários cidadãos através desse processo. Na maioria dos municípios brasileiros observa-se a ocupação ilegal e irregular de moradias. Esse problema abrange alguns pontos negativos como falta de segurança, de espaços para convívio amplo, bem-estar, escolas, transportes, resultando em baixa qualidade de vida. O Sistema Financeiro de Habitação (SFH) fundado pela Lei 4.380/64, tinha como objetivo o estímulo da política de sintonização de recursos para custear habitações através de cadernetas de poupança e recursosdo Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) por meio do Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 39 Banco Nacional de Habitação (BNH). Assim, o SFH foi segmentado em dois setores para atender a sua grande procura: o primeiro encaminhado às classes média e alta, administrado por agentes privados ligados à construção civil, já o segundo, designado à classe mais carente, feito através de Companhias Estaduais e Municipais de Habitação. O autofinanciamento foi igualitário, fazendo-se necessário para que o adquirente experimentasse seu conhecimento da forma de pagar. Assim as populações mais carentes foram prejudicadas, pois não conseguiam demonstrar que seus benefícios levariam à dívida. O crescimento desregulado do espaço urbano, a exclusão social e a despreocupação do poder público em relação a tais habitações, acabaram em movimentos de reivindicação por infraestrutura e diminuição de áreas ilegais para moradias, resultando assim em uma nova ordem da constituição. Contudo, apesar de ser um procedimento longo, não é difícil perceber os pontos de melhoria que as cidades devem dispor para se tornarem dignas para todos. Algumas melhorias significativas no que diz respeito ao saneamento básico, pavimentação das ruas, iluminação como forma de segurança para todos, mobiliários e equipamentos em bom estado, arborização, entre outros recursos devem ser usufruídos por todos e não só por parte de uma população com privilégios. Agentes responsáveis pela transformação Com o ambiente em constante transformação de espaços naturais em espaços produtivos, o significado econômico surge diante as cidades, dando continuidade às necessidades do homem com a natureza. Assim, a produção e o consumo dão início ao verdadeiro valor e uso dos mesmos. Além das relações sociais, a oferta de bens e serviços, tais como a carência dos mesmos, situa-se nas cidades capitalistas, presente também nas relações do mercado, através da comercialização e produção, incentivando a movimentação do dinheiro e assim, ampliando as estratégias de sobrevivência das relações sócio espaciais. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 40 O Estado, por sua vez, com sua pouca presença significativa, faz com que as pessoas procurem suas próprias maneiras de sobrevivência, construindo relações umas com as outras, através de atividades em grupo, da cultura, de relações interpessoais, entre outros meios. Assim, faz parte do cotidiano alguns pontos como o bairro, a rua, as praças, que são responsáveis por realizar trocas diárias, gerando trocas entre vizinhanças e comunidade. No mesmo ambiente, também é possível ter práticas políticas sobre tal espaço, onde cada um impõe sua maneira de pensar e agir, sua própria história e identidade. Segundo Benévolo (1993), as ruas retilíneas, que apontam uma série de quadras iguais, mostram um novo modelo uniforme de cidades, em sua maioria com forma quadrada. Já no centro da cidade, surgem praças que se curvam sobre edifícios de grande importância. Figura 10 - Modelo de cidade na França – ruas retilíneas Fonte: Pixabay Para Mumford (1961), a função de construir uma cidade acarreta o trabalho maior de reerguer uma nova civilização, de maneira que seus pontos negativos e positivos juntos contribuíam para o futuro. Assim, surgiria a possibilidade de correção das cidades a cada novo ciclo ou fase histórica, chegando à formação da metrópole. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 41 Mumford morava em Nova York, onde apareceram as grandes teorias e perspectivas sobre a cidade. Ele delineava uma escrita sobre planos urbanos que já estavam sendo administrados. O autor também retratava os períodos históricos das cidades, onde mostrava um resumo histórico de suas fases de desenvolvimento. Na segunda parte do seu livro, ele apresenta mais intenções nítidas que mostram o desdobramento de seu pensamento sobre o planejamento urbano e sobre a intervenção social, o que o mesmo entendia por regionalismo e comunidade. A metrópole, por sua vez, é vista como devastadora para as relações culturais da comunidade, uma vez que com o forte crescimento das cidades, o vínculo que as pessoas possuíam nos municípios, em campo ou em pequenas cidades desenvolvidas seria cessado. RESUMINDO: A arquitetura entra no meio de certos agentes quando a crescente verticalização no centro e as manchas urbanas intensificam-se, trazendo juntamente a esses locais, a modernização com novos edifícios, deixando de lado vestígios da cidade antiga. O mais importante agora seria como tornar-se grande metrópole sem decompor o valor da comunidade. Em outras palavras, como passar por tantas transformações sem perder o valor e sua identidade que são conquistados ao longo dos anos. A modificação se dá através das ferramentas de transformação dos agentes responsáveis e das políticas aplicadas para que as cidades cresçam de forma organizada e os espaços não obtenham segregação espacial, tornando as cidades melhores e mais convidativas, juntamente com profissionais que desenvolvam cada vez mais a sua especialização na área e apliquem para aquelas áreas que mais necessitam. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 42 REFERÊNCIAS ANDRÉS, R. R. Da arte para a arquitetura: dispositivos artísticos contemporâneos como meios de investigação e experimentação de arquitetura. 2007. Disponível em: https://bit.ly/3euhNfV. Acesso em: 19 jan. 2021. BENEVOLO, L. História da Cidade. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 2011. 728 p. CARTAXO, Z. Arte nos espaços públicos: a cidade como realidade. 2009. Disponível em: https://bit.ly/3kMFAvF. Acesso em: 19 jan. 2021. CASCO, A. C. A. J. Os arquitetos e o patrimônio. 2010. Disponível em: https://bit.ly/36IJcXf. Acesso em: 18 jan. 2021. CERÁVOLO, A. L. Interpretações do Patrimônio: arquitetura e urbanismo moderno na constituição de uma cultura de intervenção no Brasil, anos 1930-60. 2010. Disponível em: https://bit.ly/3wQCl8z.pdf. Acesso em: 20 jan. 2021. CORREIA, T. de B. Art déco e indústria: Brasil, décadas de 1930 e 1940. 2008. Disponível em: https://bit.ly/36NG4cG. Acesso em: 19 jan. 2021. FERREIRA, N. S. de A. As pesquisas denominadas “estado da arte”. 2002. Disponível em: https://bit.ly/3kyVPMz. Acesso em: 18 jan. 2021. GEHL, J. et al. New City Life. São Paulo: Danish Architectural Press, 2006. 180 p. MORA, P. As tendências da arquitetura em 2019. 2019. Disponível em: https://bit.ly/3roX6XR. Acesso em: 19 jan. 2021. MUMFORD, L. A cultura das cidades. Belo Horizonte: Itatiaia, 1961. PACHECO, P. Pessoas tendem a ser mais felizes e saudáveis em bairros caminháveis. 2017. Disponível em: https://bit.ly/2UrvpS7. Acesso em: 18 jan. 2021. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 43 PAVAN, J. S. Patrimônio cultural e globalização: as problemáticas da preservação do patrimônio cultural no século XXI. Volume I: Intervenção no Patrimônio Cultural. 2019. Disponível em: https://bit. ly/3wPPHSD. Acesso em: 19 jan. 2021. ROSA, R. B. da. Arquitetura, a síntese das artes. 2005. Disponível em: https://bit.ly/2Tm0eY5. Acesso em: 19 jan. 2021. SOUZA, A. dos S. A arquitetura e urbanismo enquanto ferramenta de atuação social no território ocupado. 2019. Disponível em: https://bit. ly/3eBCAhx. Acesso em: 18 jan. 2021. TASCA, E. H. A relação entre arquitetura e arte: a arquitetura como suporte para a arte. 2019. Disponível em: https://bit.ly/3rksQNS. Acesso em: 18 jan. 2021. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo _Hlk62492085 _Hlk62492092 Estado da arte e tendências da arquitetura Estado da arte Tendências na arquitetura Estado da arte e tendências do urbanismo Tendências do urbanismo Arquitetura e Urbanismo - Patrimônio cultural e artístico Patrimônio cultural Arquitetura e Urbanismo - Ferramentas de transformação Ferramentas de transformação Política da habitação Social Agentes responsáveis pela transformação