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FAVENI 2 O papel do Assistente Social na garantia de direitos e inclusão dos alunos com deficiência no contexto escolar ASSIS, Adriana dos Santos RESUMO O Serviço Social é uma profissão que trabalha para atender as necessidades sociais da população, defendendo seus direitos básicos, já que foi gestada na luta de classes. O assistente social é um profissional que tem como objeto de trabalho a questão social com suas diversas expressões (Piana, 2009). Sua atuação no contexto educacional pode contribuir para a “efetivação da democratização da educação, ampliando o acesso da população à escola pública, a participação efetiva da comunidade escolar nas esferas de poder decisório da escola, bem como a parceria da escola com a família, a comunidade e a sociedade” (Martins, 2012). Este artigo apresenta uma reflexão sobre a atuação do Serviço Social sob a perspectiva da Educação Inclusiva, cujo espaço na Educação vem sendo gradativamente conquistado. Aqui, especificamente, foi utilizada uma abordagem sobre a importância do Serviço Social junto ao processo de inclusão de crianças com deficiência no Ensino Regular, apropriando-se de conhecimentos teórico-metodológicos e ético-políticos da profissão, para subsidiar sua prática, procurando efetivar sua atuação com qualidade. Para maior aprofundamento deste estudo, utilizou-se a metodologia da pesquisa bibliográfica, fazendo uso tanto de livros, como da pesquisa em sítios eletrônicos pertinentes ao assunto. Após análise desse estudo, verificou-se que a prática do Serviço Social deve ser pautada através de um trabalho qualificado capaz de mediar, intervir e interagir no momento adequado no ato da inclusão da pessoa com deficiência na escola de Ensino Regular. Palavras-chave: Aluno com Deficiência; Educação Inclusiva; Ensino Regular; Serviço Social. INTRODUÇÃO O Serviço Social é uma profissão gerada na luta de classes, tendo como objeto de trabalho a questão social já sendo incorporada, na sua origem, a necessidade pela igualdade de direitos e melhoria na qualidade de vida das pessoas, principalmente o público privado do acesso a direitos sociais historicamente conquistados. Logo, utiliza-se de um arcabouço significativo de aparato jurídico, políticas de proteção social, conhecimentos teórico-metodológicos, técnico-operativos e ético-políticos da profissão para subsidiar sua práxis profissional, procurando efetivar sua atuação (IAMAMOTO, 1999; NETTO, 1996; YAZBEK, 2000). Aqui, de modo especial, iremos nos deter à atuação do assistente social frente ao processo de inclusão das crianças com deficiência na escola de Ensino Regular, com enfoque nos princípios de igualdade de direitos e equidade de acesso à Educação, que se fazem presentes na Constituição Federal de 1988, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96), no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), na Declaração de Salamanca, na Política Nacional de Educação Especial e na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). De acordo com o decreto n° 3.298/99 que regulamentou a Lei n° 7.853, de 24 de outubro de 1989 (Integração da Pessoa Portadora de Deficiência1), considera-se pessoa com deficiência aquela que: “apresenta, em caráter permanente, perdas ou anormalidades de sua estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, que gerem incapacidade para o desempenho de atividades dentro do padrão considerado normal para o ser humano”. EDUCAÇÃO INCLUSIVA A Declaração de Salamanca, elaborada nessa cidade da Espanha, no encontro entre 07 e 10 de junho de 1994, é uma resolução das Nações Unidas que trata dos princípios, política e prática em Educação Especial. De acordo com essa resolução, um princípio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que elas possam ter (Unesco, 1994). Escolas inclusivas devem reconhecer e responder às necessidades diversas de seus alunos acomodando estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade a todos através de um currículo apropriado, estratégias de ensino, uso de recurso e parceria com as comunidades (Unesco, 1994). Essa declaração enuncia que, diante do alto custo para manter instituições especializadas, as escolas comuns devem acolher todas as crianças, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras (Kassar, 2011). O Art. 1º da Lei Brasileira de Inclusão é destinado a “assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais da pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania” (Brasil, 2015). O Art. 2º registra que a lei considera pessoa com deficiência “aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial” (Brasil, 2015). O Art. 27 dispõe que a educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurado no sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida (Brasil, 2015). Quanto aos aparatos legais que regem a Educação Inclusiva, a criança, quando nasce, independentemente de ter deficiência ou não, tem os mesmos direitos que as demais. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu artigo I, advoga que “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Complementando esse pensamento, a Constituição Federal (1988), que é a lei fundamental de um Estado, em seu artigo 6º, estabelece oito direitos sociais: a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados na forma desta Constituição. Aqui, especificamente, estamos nos detendo ao direito à Educação. O nascimento da Política Nacional de Educação Especial (PNEE), publicada em 1994, norteia o processo de integração instrucional3, que condiciona o acesso às classes comuns do Ensino Regular àqueles que “[...] possuem condições de acompanhar e desenvolver as atividades curriculares programadas do ensino comum, no mesmo ritmo que os alunos ditos normais” (PNEE, 1994, p. 19). Após o advento da integração, surge a inclusão: A inclusão é um movimento mais amplo e de natureza diferente ao da integração de alunos com deficiência ou de outros alunos com necessidades educacionais especiais. Na integração, o foco de atenção tem sido transformar a educação especial para apoiar a integração de alunos com deficiência na escola comum. Na inclusão, porém, o centro da atenção é transformar a educação comum para eliminar as barreiras que limitam a aprendizagem e participação de numerosos alunos e alunas (BRASIL, 2005, p. 7). A PNEE constitui um grande avanço em relação à compreensão do papel da Educação Especial no processo de inclusão de alunos com deficiência, tendo como objetivo assegurar a inclusão escolar desses alunos, onde estes possam ter acesso ao ensino inclusivo, de qualidade e gratuito, em igualdade de condições com as demais pessoas na comunidade em que vivem. Entretanto, faz-se necessário um conjunto de ações que permitam a tais crianças se sentirem de fato incluídas na escola. Isso significa dar a possibilidade para que as mesmas façam suas opções e possam usufruir dos seus direitos, já que a escola é o espaço educacional que deve ser usufruído por todos. De acordo com o Estatuto da Criança e Adolescente – ECA (Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990), que regulamenta os direitos da criança e do adolescente com base na proteção Integral, no seu Art. 5º, nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais (Brasil, 1990). A educação escolar inclusiva “deve buscar sempre a melhoria da qualidade no que diz respeito aos recursos e estratégias necessários à aprendizagem, bem como às relações que se dão no ambiente escolar” (Sekkel et al., 2010). Emestudo realizado na Índia por Bakhshi et al. (2017), foi destacado que “a conclusão dos ciclos de aprendizado são tão importantes quanto o acesso e aquisição de crianças com deficiências de habilidades de aprendizagem”. Nesse estudo foi utilizado o método de entrevista com a família sobre acesso, retenção e barreiras à educação; com isso percebeu-se que as crianças com deficiência eram menos propensas a abandonar a escola do que crianças sem deficiência. Quando as pessoas não se sentem inseridas na sociedade de maneira enfática, elas se retraem, dificultando sua sociabilidade, sentindo-se inferiores dentro da mesma. O sentimento que cultivam é o de impotência, prisão, subalternidade e insignificância, exercendo o papel de meros coadjuvantes, quando, na realidade, deveria ser o de protagonistas. Assim sendo: “O desenvolvimento consiste na eliminação das privações de liberdade que limitam as escolhas e as oportunidades das pessoas de exercer ponderadamente sua condição de agente. A eliminação de privações de liberdades substanciais [...] é constitutiva do desenvolvimento biopsicossocial (SEN, 2000, p. 10). A igualdade de condições de acesso e permanência na escola está estabelecida na Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988), destacando-se como um dos princípios para o ensino. Garante, como dever do Estado, a oferta do “Atendimento Educacional Especializado, preferencialmente na rede regular de ensino” (Art. 208). No art. 227, do § 1º do mesmo artigo, destaca como dever do Estado: “A criação de programas de prevenção e atendimento especializado para os portadores de deficiência física, sensorial e mental, [...] e a facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação de preconceitos e obstáculos arquitetônicos”. Nessa perspectiva, o Atendimento Educacional Especializado (AEE) contempla um público-alvo composto por educandos com deficiência, altas habilidades/superdotação e Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD), de zero ano (estimulação precoce), até a idade em que continuar estudando na escola. O AEE é pertencente a uma modalidade da Educação Inclusiva, caracterizando-se como sendo um serviço da Educação Especial que identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem barreiras para a plena participação dos alunos, levando em consideração suas necessidades específicas. Ele deve ser articulado com a proposta da escola regular, embora suas atividades se diferenciem das realizadas em salas de aula de ensino comum. (MEC, 2009) SERVIÇO SOCIAL E EDUCAÇÃO A inserção do/a assistente social na área da educação remonta à década de 1930, com aumento expressivo a partir da década de 1990 (Campos, 2012). Segundo Libâneo (2012) e Young (2011, apud Dentz; Silva, 2015), “percebe-se que Serviço Social e Educação possuem uma história, um caminho de diálogo a ser construído”. O Serviço Social, nesse contexto, tem a possibilidade de desempenhar um papel importante, pois poderá trabalhar no âmbito da garantia dos direitos e deveres da população. Ainda há de se “compreender que a trajetória da política educacional é um esforço que requer mais do que o resgate de uma história marcada por legislações e mudanças institucionais” (Campos, 2012, p. 12); por isso é importante que o assistente social tenha uma concepção clara do contexto educacional vigente. Em relação à política de educação, a interpretação do Serviço Social é importante para compreender a legislação vigente e sua concretização de forma coerente como princípios e diretrizes do projeto ético político profissional nos dias atuais (Martins, 2012). Atualmente, o Serviço Social está inserido em uma perspectiva dialética, estudando as relações que envolvem homem e sociedade, acreditando-se na dinâmica social, em que a sociedade está diversificada e sujeita a transformações constantes. Existe a necessidade de homogeneização de acesso aos bens de serviço por parte de todos, inclusive das pessoas com deficiência, havendo várias lacunas a serem preenchidas. E é em uma dessas lacunas em que o Serviço Social está procurando se encaixar, tentando qualificar-se, sendo, ao mesmo tempo, dinâmico e criativo para atender as demandas que crescem na medida em que as pessoas estão buscando ativamente por seus direitos, deixando de viver enclausuradas por causa de uma deficiência. A profissão, como especialização do trabalho coletivo, traz em si as contradições e as determinações do contexto social, perspectiva que lhe atribui um caráter revolucionário (BARROCO, 2003; IAMAMOTO, 1999). As atribuições e competências dos/as assistentes sociais, sejam aquelas realizadas na educação ou em qualquer outro espaço socio-ocupacional, são orientadas e norteadas pelos princípios, direitos e deveres inscritos no Código de Ética Profissional (CEP), de 1993, e na Lei de Regulamentação da Profissão, nº 8.662/93 (CFESS, 2012, p. 26). O Código de Ética se organiza em torno de um conjunto de princípios, deveres, direitos e proibições que orientam o comportamento ético-profissional e oferecem parâmetros para ações cotidianas (Barroco; Terra, 2014, p. 53). Ele representa a dimensão ética da profissão, com seu caráter normativo e jurídico, delineia referenciais para o exercício profissional (Piana, 2009). As políticas públicas na área de Educação e ações voltadas à educação básica são importantes e necessárias em nosso contexto contemporâneo, pois, segundo Lessa (2013), “a educação influencia e é influenciada pela produção e reprodução das relações sociais, sendo objetivada nas vidas humanas”; assim, na educação supõe-se o desenvolvimento do indivíduo como ser coletivo”. Para Martins (2012), a articulação da Política de Educação e do assistente social é essencial especialmente no que tange os projetos sociais que envolvam famílias, visando efetivar uma ação conjunta que incida sobre os resultados de uma melhor qualidade de vida dessas famílias. Ainda para Martins, (2012, p. 225) o significado político da “inserção do serviço social na política de educação está ligada à trajetória histórica da profissão [...] podendo contribuir para a necessária articulação da educação pública, de qualidade e como direito social”. Essa articulação contribui para o avanço da inserção desse profissional no cenário educacional, mas, sobretudo, da prerrogativa que abarca as prevenções do risco social, numa lógica de proteção social (Dentz, 2015). O dever da escola deveria ser o de zelar e defender a garantia de direitos das pessoas com deficiência, trabalhando para que haja eliminação de privações, barreiras físicas e preconceituosas a fim de que estas pessoas procurem se desenvolver na sua totalidade, elevando sua autoestima e reconhecendo que são capazes de fazer parte da sociedade de maneira ativamente consistente, e o mais independentemente possível. Nessa perspectiva, o papel do assistente social complementaria o trabalho da escola, pois seu dever é também defender a estruturação de uma sociedade mais igualitária, ciente de seus direitos e deveres, tomando como base a Educação Inclusiva2, procurando englobar as esferas políticas, econômicas e sociais. Sua atuação adquire importância no sentido de possibilitar a autonomia do ser humano como um todo. O Serviço Social é uma profissão fundamental para trabalhar a garantia da Educação como direito social preconizado nas leis brasileiras, bem como auxiliar diretamente na inclusão das crianças com deficiência na rede regular de ensino. Nesse aspecto, cabe colocar que o assistente social possui papel relevante nesse processo, contribuindo como mediador entre a família, a escola e a comunidade, no sentido de procurar assegurar as condições concretas para que se viabilize a inclusão da pessoa com deficiência na escola, caso esse direito não esteja sendo respeitado, uma vez que se identifica como agente de mudanças. (BARROCO, 2003). As escolas são um dos principais equipamentos sociais. São instituições onde se devem elaborar o conhecimento e os valores sociais dos sujeitos. Mesmo estando na condição de aparelho ideológico,instrumento de reprodução de ideologias e valores sociais, a escola tem que ser dotada de autonomia. De acordo com Gadotti (1993, p. 47), “a autonomia admite a diferença e, por isso, supõe a parceria. Só a igualdade na diferença e a parceria são capazes de criar o novo”. Analisando a autonomia da escola do ponto de vista da inclusão, verifica-se que há uma necessidade de parceria entre o que a escola pode oferecer e o que a sociedade necessita, precisando haver um constante intercâmbio entre ambas, atendendo às suas necessidades mútuas. Refletir sobre Educação Inclusiva e Serviço Social implica pensar no seu papel em relação à inclusão e no papel do assistente social no ambiente escolar. Dessa forma, Dentz (2015) faz pensar acerca das estratégias interventivas do Serviço Social nas políticas de escolarização contemporâneas e implica saber que “a relação e a própria inserção da categoria profissional do Serviço Social na Educação se deu frente ao processo constitutivo dessa categoria no Brasil”. Segundo seu entendimento, há elementos expressivos direcionados ao profissional que atua com o Serviço Social escolar, cabendo a ele desenvolver atividades técnicas profissionais” (Dentz, Silva, 2017). Uma administração escolar bem-sucedida depende de um envolvimento ativo e reativo de professores e do pessoal do desenvolvimento de cooperação efetiva e de trabalho em grupo no sentido de atender as necessidades dos estudantes (Unesco, 1994). Diante das diversas expressões da questão social que se apresentam na escola, há necessidade de ações profissionais interdisciplinares que não fazem parte, tradicionalmente, da escola, dentre elas a do assistente social (Lima; Gomes, 2017). No tocante a essa perspectiva, é importante destacar que o assistente social pode empreender diversas ações e estratégias necessárias para efetivação da inclusão do aluno com deficiência na rede regular de ensino, possibilitando a maximização da sua autonomia, a saber: articular serviços, buscando responder às demandas concretas, existentes na vida desses alunos e seus familiares nas diversas áreas, como aquisição de meios para acessibilidade, encaminhamentos para consultas a especialistas, para acompanhamento e aquisição de laudos, inserção em instituições e programas de reabilitação, aquisição do passe-livre nos transportes, de benefício assistencial5, dentre outros (MARTINS, 1999). A função do assistente social deve ser a busca de estratégias que assegurem: O ingresso, regresso, permanência e sucesso da criança e adolescente na escola; favorecer a relação famíla-escola-comunidade ampliando o espaço de participação destas na escola, incluindo a mesma no processo educativo; ampliar a visão social dos sujeitos envolvidos com a educação, decodificando as questões sociais; proporcionar articulação entre educação e as demais políticas sociais [...], estabelecendo parcerias, facilitando o acesso da comunidade escolar aos seus direitos (Op. cit., p. 60). É de responsabilidade do profissional permanecer atento às diretrizes legais que garantem os direitos da pessoa com deficiência. Na escola, as diferenças não devem constituir um fator de exclusão, pois cabe a ela respeitar e acolher a diversidade humana, bem como se modificar para propiciar o desenvolvimento de quaisquer indivíduos, independentemente de seus déficits ou necessidades (Barbosa, 2012). A matrícula dos alunos com deficiência deverá ser feita pela família e a estruturação do espaço de ensino ficará a encargo da escola. O assistente social tem o papel de mediador nesse processo, buscando estreitar as relações entre família e escola, sensibilizando-os, uma vez que tal ação é de fundamental importância para que ocorra uma inclusão eficaz, conforme assinala Carvalho (2000, p. 23): “[...] os benefícios de uma boa integração entre a família e a escola relacionam-se a possíveis transformações evolutivas nos níveis cognitivos, afetivos, sociais e de personalidade dos alunos”. A escola é local apropriado para observarmos a diversidade humana e a variedade que a compõe. Quanto mais diversificado for um público a ser atendido, maior deverão ser as possibilidades e estratégias para alcançar suas necessidades e reconhecer suas potencialidades. Incluir uma criança com deficiência em sala de aula atendendo às suas reais necessidades não é tarefa fácil, mas nem por isso deve deixar de acontecer, pois deverá ser resguardado o seu direito a condições de acesso e permanência na escola. CONSIDERAÇÕES FINAIS A função educativa desempenhada pelos assistentes sociais é incontestável nos diferentes espaços ocupacionais, principalmente na Educação. Na educação, o Assistente Social deve ser o profissional que promove o encontro da realidade social do aluno, da escola, da família e da sociedade, a qual o aluno esteja introduzido. O Assistente Social na educação deverá também propor ações e não somente atentar em solucionar problema, deverá prever os problemas e se antecipar a eles, compreendendo que a política social de educação necessariamente deve garantir os direitos sociais, podendo aumentar o conceito educacional na sociedade atualmente. O papel que o Assistente Social pode exerccer no contexto escolar é a união dos laços familiares, interagindo através de ações com os pais, de modo a destacar a relação escola-aluno-família. O que justifica a inserção do Assistente Social na educação são as demandas emergentes das questões sociais, que entra nessa área com a intenção de atender tais demandas. O Assisente Social na educação se mostra com o poder de contribuir com as questões sociais que são vivenciadas no dia-a-dia da instituição escolar – professores, pais e alunos. Sejam com orientações, projetos, visitas domiciliares, encaminhamentos e informações de cunho educativo, que possibilitem cidadania e ações voltadas para a sociedade. Entretanto, compreende-se que para alcançar o aluno de forma eficiente, é importante participar do âmbito familiar com ações sócio-educativas e de cidadania. Inclui-se, também neste contexto a importância na participação das famílias, por meio do desenvolvimento de ações, como trabalho de grupo e, muitas vezes, com os próprios professores da Unidade de Ensino, podendo ainda promover reuniões interdisciplinares para decisões e conhecimento a respeito de determinadas problemáticas enfrentadas pela comunidade escolar. Isso tudo, sem deixar de lado a ação junto ao campo educacional, mediada pelos programas e ações assistenciais que tem marcado o trabalho dos profissionais do Serviço Social, sendo uma questão importante no auxílio de formação educacional. É indiscutível a necessidade do Assistente Social na comunidade escolar e sociedade para que haja bom desempenho do indivíduo na área educacional. A articulação entre o Serviço Social e a Educação Inclusiva deve contribuir para o fortalecimento das ações que tornam a Educação uma prática de inclusão social, de formação da cidadania e emancipação dos sujeitos sociais. Procura-se, assim, desenvolver a consciência crítica, favorecendo a possibilidade das pessoas com deficiência tornarem-se protagonistas de sua própria história e cidadãos ativos da sociedade. REFERÊNCIAS BAKHSHI, Parul; BABULAL, Ganesh; TRANI, Jean-François. Education of children with disabilities in New Delhi: When does exclusion occur. 2017. BARBOSA, Mayra de Queiroz et al. A demanda social pela educação, a política de educação no Brasil e a inserção do Serviço Social. 2012. BARROCO, M. L. Ética e Serviço Social: fundamentos Ontológicos. São Paulo, Cortez: 2003. BARROCO, Maria Lucia Silva; TERRA, Sylvia Helena. Código de ética do(a) assistente social comentado. São Paulo: Cortez, 2014. BRASIL. Constituição Federal 1988. Brasília: Senado, 1988. BRASIL. Estatuto da criança e do adolescente. São Paulo: Cortez, 1990. ISSN 1986-6576 v.10 n.1 - Maio, 2018. p. 179 – 192– Inhumas/Goiás Brasil 191 BRASIL, DECRETO Nº 3.298, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1999. BRASIL. Ministério da Educação. 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