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Apg 06 – Cardiopatia chagásica (dilatada) REVISÃO DE DOENÇA DE CHAGAS - A doença de Chagas é uma doença endêmica causada pelo parasita protozoário Trypanosoma cruzi. Essa doença possui três fases: 1) Fase aguda: pode ser sintomática (aparente) ou assintomática (inaparente); essa fase inicia-se através das manifestações locais, quando o protozoário penetra na conjuntiva (sinal de Romana) ou na pele (chagoma de inoculação). As manifestações gerais são representadas por febre, edema localizado e generalizado, poliadenia, hepatomegalia, esplenomeglia. É nessa fase em que pode ocorrer a transmissão da doença para o hospedeiro invertebrado (barbeiro) devido a elevada taxa de parasita na corrente sanguínea. → Nessa fase, os os sinais e sintomas tipicamente se resolvem de forma espontânea ao longo de 1 a 3 meses. Contudo, nos casos agudos causados por contaminação por via oral (por exemplo, após ingestão de caldo de cana ou açaí, contaminado com T cruzi), a doença aguda costuma ser mais grave e a mortalidade registrada é mais elevada. Isso provavelmente se deve à inoculação de elevada carga parasitária e à facilidade de penetração através da mucosa gastrointestinal, muito permeável ao parasita, nestes casos. 2) Fase indeterminada: fase crônica assintomática que representa uma fase latente da doença (10 a 30 anos) 3) Fase crônica: após permanecerem assintomáticos por vários anos, com o correr do tempo apresentam sintomatologia relacionada com o sistema cardio-circulatório (forma cardíaca), digestivo (forma digestiva), ou ambos (forma cardiodigestiva ou mista). Isto devido ao fato de mudar inteiramente a fisionomia anatômica do miocárdio e do tubo digestivo (esôfago e cólon, principalmente) que causa uma miocardite aguda e, posteriormente, uma miocardite crônica fibrosante, de baixa intensidade e incessante, que produz dano miocárdico progressivo e resulta tardiamente na cardiomiopatia crônica da doença de Chagas (CCDC). O acometimento cardíaco da doença, na fase crônica, envolve relevante morbidade e mortalidade, sendo a principal causa de cardiomiopatia não-isquêmica na América Latina → Na evolução da doença, somam-se os sintomas de congestão venosa sistêmica (turgência jugular, hepatomegalia, edema de membros inferiores e ascite), e a evolução pode ainda progredir para anasarca, adinamia, ou caquexia cardíaca, à semelhança de outras cardiopatias com disfunção ventricular avançada. MIOCARDIOPATIA DILATADA - Essa condição é uma das principais responsáveis por insuficiência cardíaca e transplantes cardíacos em todo o mundo, inclusive no Brasil, sendo o resultado de agressões ao miocárdio - São divididas nas formas: • Primárias- estritas ao miocárdio o dilatada, o hipertrófica, restritiva (defeitos em proteínas dos sarcômeros, responsáveis pela geração da força contrátil) o e arritmogênica do ventrículo direito (alterações em proteínas dos desmossomos) • Secundárias- miocardiopatias associadas a medicamentos e drogas, diabetes melito, distrofia muscular, distúrbios autoimunes e agentes para o tratamento do câncer (radioterapia e quimioterápicos). - Suas principais causas são doenças virais, afecções autoimunes, toxicidade pelo álcool ou outras drogas, distúrbios associados à gravidez e anormalidades genéticas. Quando não está associada a nenhum fator conhecido, recebe a designação cardiomiopatia dilatada idiopática. • Influência genética: a miocardiopatia dilatada (MCD) é uma herança autossômica recessiva que afeta os miócitos, podendo ser causada também por alterações mitocondriais ou herança ligada ao cromossomo X • Miocardite: algumas doenças podem causar infecções do músculo cardíaco, como doença de Chagas, toxoplasmose, AIDS, febre reumática, covid-19, doenças causadas por Salmonella, etc. • Toxinas: o álcool e outras toxinas como cobalto, monóxido de carbono e etc podem causar MCD devido a descompensação cardíaca por lesão direta dos cardiomiócitos Apg 06 – Cardiopatia chagásica (dilatada) - Em miocardiopatias dilatadas ocorrem deslizamento das fibras cardíacas que contribuem para a dilatação do ventrículo e redução da espessura de suas paredes que, por sua vez, é acompanhada de uma hipertrofia ventricular (hipertrofia excêntrica) - Dessa forma, a função sistólica do coração é prejudicada, visto que o músculo passa a não conseguir efetuar uma contração adequada para a ejeção de sangue. Com isso, o sangue que não consegue ser ejetado se acumula no coração e no sistema vascular, causando congestão sistêmica e pulmonar. - Ao exame histológico, a doença caracteriza-se por fibras miocárdicas atróficas e hipertróficas e fibrose (formação ou desenvolvimento de tecido conjuntivo no processo de cicatrização) intersticial. Os miócitos cardíacos, principalmente os que estão localizados no subendocárdio, frequentemente mostram alterações degenerativas avançadas. - Os miócitos hipertróficos com núcleo aumentado - Os tecidos têm fibrose intersticial (formação de tecido conjuntivo como forma de cicatrização/regeneração), que também é mais marcante na zona subendocárdica. Células inflamatórias esparsas podem ser encontradas. - Nessa condição, o coração está pesado (2 ou 3x mais pesado) e flácido devido à dilatação. - Essa condição é diagnosticada com ECG (pode revelar alterações decorrentes da doença, como sobrecarga de câmaras esquerda e bloqueio do ramo esquerdo), ECO (costuma ser o exame mais importante para o diagnóstico de cardiomiopatia dilatada) , ergoespirometria, ressonância cardíaca, biópsia, raio X (revela um aumento da área cardíaca) - Tríade de Virchow: identifica a formação de trombos nos leitos vasculares ou até nas próprias câmaras cardíacas, devido a desequilíbrios da hemostasia nesses locais. É composta por: 1. Lesão endotelial: a lesão pode ocorrer dentro das câmaras cardíacas, no leito arterial ou venoso, promovendo a exposição da matriz extracelular subendotelial, permitindo a adesão e ativação plaquetárias favorecendo a formação trombótica pela liberação de seus grânulos e alterações em sua forma. Ocorre também a exposição do fator tecidual pelo endotélio, que perdeu sua integridade, promovendo dessa forma, a ativação da via extrínseca da cascata de coagulação 2. Alterações do fluxo sanguíneo normal (turbulência ou estase venosa): o fluxo laminar é interrompido, os fatores responsáveis pela coagulação e anticoagulação perdem sua homeostase e há uma maior ativação dos componentes celulares do endotélio, pela lesão desse tecido, predispondo à ocorrência de trombos. Apg 06 – Cardiopatia chagásica (dilatada) 3. Estado de hipercoagulabilidade: alteração na via de coagulação sanguínea, a gravidez, por conta de um estado hiperestrogênico propicia o aumento dos fatores de coagulação