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Nível: Graduação Professor Julio Lemos de Macedo QUÍMICA DOS ELEMENTOS DE TRANSIÇÃO Introdução – Parte 1 UnB - Universidade de Brasília Instituto de Química - Laboratório de CatáliseU n i v e r s i d a d e d e B r a s í l i a - I n s t i t u t o d e Q u í m i c a UnB - Universidade de Brasília Instituto de Química - Laboratório de Catálise Imagem de Weller, M.; Overton, T.; Rourke, J.; Armstrong, F.; Química Inorgânica, 6a ed., Bookman: Porto Alegre, 2017. A Teoria Quântica Moderna Orbital atômico “s” Imagem de Shriver, D. F.; Atkins, P.W.; Química Inorgânica, 4a edição, Editora Bookman: Rio Grande do Sul. Orbitais atômicos “p” z Imagem de Shriver, D. F.; Atkins, P.W.; Química Inorgânica, 4a edição, Editora Bookman: Rio Grande do Sul. Orbitais atômicos “d” Imagem de Shriver, D. F.; Atkins, P.W.; Química Inorgânica, 4a edição, Editora Bookman: Rio Grande do Sul. Orbitais atômicos “f” Imagem de Shriver, D. F.; Atkins, P.W.; Química Inorgânica, 4a edição, Editora Bookman: Rio Grande do Sul. Representações da Função Radial R(r) – função de onda radial. R2(r) – função densidade radial. 4pr2R2(r) – função distribuição radial. Uma forma de visualizar é considerar o átomo composto de camadas, como se fosse uma cebola. Imagem modificada de https://www.pikist.com/free-photo-xnogw r r r r2 R 2 r2 R 2 r2 R 2 A probabilidade de encontrar o elétron é zero em certas regiões chamadas nós radiais. Imagem modificada de Brown, T. L.; Lemay, H. E.; Bursten, B. E.; Murphy, C.; Woodward, P.; Stoltzfus, M. E.; Química: a ciência central, 14ª edição, Editora Pearson. Imagem modificada de Shriver, D. F.; Atkins, P.W.; Química Inorgânica, 3a edição, Editora Bookman. Em átomos com dois elétrons ou mais, um elétron sofre repulsão do outro elétron. Por exemplo, para o He: He Energia cinética dos e-. Energia potencial de atração e-n. Energia potencial de repulsão e-e. He → He+ + e- EI1 = 2372 kJ He+ → He2+ + e- EI2 = 5248 kJ ◦ Um elétron reduz a carga nuclear para o outro elétron. Esse efeito recebe o nome de blindagem. Devido à maior penetração do elétron no orbital s, este fica menos blindado do que um elétron p da mesma camada, experimentando uma maior Z*. Os efeitos de penetração e blindagem dos orbitais são responsáveis pela ordenação dos níveis de energia nos átomos polieletrônicos: 1s Elétrons com mesmo spin se repelem mais do que os de spin opostos. Desse modo, elétrons de mesmo spin blindam menos uns aos outros e a atração elétron-núcleo é predominante, ou seja, a energia total é reduzida. ◦ Ex.: Cr (Z = 24) [Ar]3d54s1 e Cu (Z = 29) [Ar]3d104s1 Grupo de elétrons Grupos mais altos Mesmo Grupo Grupos com (n’=n-1) Grupos com (n’central e dos íons e/ou moléculas que o rodeiam. Shriver, D. F.; Atkins, P.W.; Química Inorgânica, 4ª ed., Editora Bookman, Rio Grande do Sul, 2008 Química de Coordenação Clássico: estudo das ligações formadas por metais de transição em seus estados de oxidação mais altos (≥ +2), ligados a íons ou moléculas inorgânicas e orgânicas. Os compostos de coordenação compreendem uma grande quantidade de pesquisa em química inorgânica por apresentarem problemáticas interessantes do ponto de vista estrutural e sintético. Uma classe de compostos de coordenação, os quais envolvem ligação metal-carbono, é foco da química dos organometálicos. Outra classe, centrada em compostos de coordenação presentes em sistemas vivos compreende a química bioinorgânica. Compostos de Coordenação: Ferroceno (organometálico) Grupo Heme b (bioinorgânico) https://es.wikipedia.org/wiki/Hemo_B. https://en.wikipedia.org/wiki/Ferrocene No início, os compostos de coordenação não podiam ser explicados porquê eles não cumpriam as regras usuais de valência. O estudo moderno dos compostos de coordenação foi iniciado por Alfred Werner: Werner foi o primeiro químico inorgânico a ser premiado com o Prêmio Nobel de Química (1913). Nos dias atuais, as teorias de ligação explicam claramente os complexos. Antes de iniciarmos com as idéias de Werner, mostraremos uma pequena visão histórica baseada na ordem cronológica de importância dos compostos de coordenação preparados. Mencionado em aproximadamente 450 d.C. por Herodoto e talvez o primeiro composto de coordenação conhecido, o composto reportado é um complexo quelato de hidroxiantraquinona (alizarina) com Al e Ca. Estrutura da hidroxiantraquinona e do complexo com Al e Ca Tiedemann, et al. JAIC, 1995, 34, 195 e http://korbis-labor.de/experimente/aluminium/en-aluminiumalizarin.htm Andreas Libavius (Alemanha, século 16) relatou o complexo [Cu(NH3)4]2+: Ca(OH)2 + NH4Cl + latão → [Cu(NH3)4]2+. (sat.) (liga de Cu e Zn) Provavelmente a primeira observação científica reportada sobre um composto de coordenação. Diesbach (Alemanha, 1704), fabricante de tintas para pintura artística, preparou acidentalmente o azul da prússia: KFeIII[FeII(CN)6]. 1o composto contendo ligações M-C. 20 anos após sua preparação acidental, foi publicado um artigo descrevendo sua síntese. Tassaert (1798), químico francês, preparou o [Co(NH3)6]Cl3, do qual pode-se preparar todos os outros derivados: ◦ CoCl3 + NH3 → [Co(NH3)6]Cl3(s). Vauquelin (1813), francês, descobriu o composto [Pd(NH3)4][PdCl4] de cor rosa (Sal de Vauquelin). Magnus (1828), alemão, descobriu o composto [Pt(NH3)4][PtCl4] de cor verde (Sal de Magnus). Gmelin (1822), descobriu os compostos: ◦ [Co(NH3)6]2(C2O4)3, de cor amarelo avermelhado, foi o primeiro composto metal-amina a ser isolado no estado sólido. ◦ K3[Fe(CN)6], M3[Co(CN)6] e M2[Pt(CN)4]. Zeise (1827), descobriu o primeiro composto organometálico contendo um ligante orgânico insaturado: O K[PtCl3(C2H4)]·H2O, chamado de Sal de Zeise, foi de grande importância no desenvolvimento das teorias de ligação orgânica e inorgânica. Sua descoberta levou à preparação de muitos outros compostos de platina-alqueno. Sua estrutura e ligação só foram compreendidas na década de 1950 devido ao desenvolvimento das técnicas de infravermelho (FTIR), difração de raios X (DRX) e ressonância magnética nuclear (RMN). molécula de eteno íon platina(II) íon cloreto Sal de Zeise Dois complexos de platina foram descobertos em 1844 e apresentavam a mesma composição, [PtCl2(NH3)2]: Os compostos apresentavam propriedades físicas e químicas diferentes (isômeros). São conhecidos como “Sal de Peyrone” (cis) e “Sal de Reiset” (trans). Cis: NH4OH + PtCl4 Trans: [Pt(NH3)4]Cl2 + HCl ou calor. cis-[PtCl2(NH3)2] molécula de amônia íon platina(II) íon cloreto trans-[PtCl2(NH3)2] Werner, na década de 1910, mostrou que esses compostos eram isômeros geométricos com geometria quadrado planar. Genth (1847), foi o primeiro a reconhecer a existência de aminas de Co bem definidas: Roseocobalto [Co(H2O)(NH3)5]X3. Luteocobalto [Co(NH3)6]X3. Seu trabalho atraiu a atenção dos químicos inorgânicos para a área de compostos de coordenação. Gibbs e Genth (1856), publicaram um trabalho sobre a preparação, propriedades, dados analíticos e reações de 35 sais de quatro complexos de Co-NH3: Roseocobalto, [Co(H2O)(NH3)5]X3 (rosa). Purpureocobalto, [Co(NH3)5Cl]X2 (roxo). Luteocobalto, [Co(NH3)6]X3 (amarelo) Xanthocobalto, [Co(NO2)(NH3)5]X2 (laranja). Eles previram a existência de compostos de coordenação, nos quais uma ou mais moléculas de NH3 eram substituídas por um número igual de moléculas de uma amina orgânica. O trabalho deles transformou as observações qualitativas feitas no passado em um trabalho atual, sofisticado e quantitativo. Teorias Iniciais sobre os Compostos de Coordenação Durante a primeira metade do século 19 foram poucas as descobertas sobre os compostos de coordenação, além de esporádicas e acidentais. Foi apenas depois do trabalho de Gibbs e Genth que os químicos inorgânicos se dedicaram ao estudo sistemático desses complexos e logo surgiram teorias sobre as ligações nos compostos de coordenação. 1. Teoria do Amônio de Graham (1837): Nesta teoria, os composto contendo ligação metal-amina são considerados como compostos de amônio substituídos. Ex.: [Cu(NH3)2]Cl2, um átomo de H de cada NH4 + são substituídos por um átomo de Cu, semelhante ao NH4Cl. Limitação: só pode ser aplicada com sucesso quando o número de moléculas de NH3 no composto equivaler à valência do metal. Ex. de limitação [Cu(NH3)4]Cl2. 2. Teoria Conjugada de Berzelius (1841): Aminas metálicas eram vistas como compostos constituído de amônia e um conjugado. Um metal em conjugação com amônia seria ainda capaz de se combinar com outras substâncias. Fórmulas complicadas e improváveis se tornaram necessárias para ligar a teoria aos resultados experimentais. Esta teoria teve pouca aplicação e foi muito contestada. Exemplos: NH3·H2O KCN·Fe(CN)2·Fe(CN)3 (azul da prússia) NH3·CuCl2·NH3 3. Teoria da Amônia de Clauss (1854): Propõe 3 postulados: i. Se vários mols de NH3 se combinam com um mol de certos cloretos metálicos, substâncias neutras são formadas. ii. Se os cloretos nestes compostos forem substituído por hidróxidos, bases fortes são obtidas, cuja capacidade de saturação é sempre determinada pelos hidróxidos contidos neles e não pelas moléculas de NH3. Ex.: [Pt(NH3)4]Cl2 + 2OH- = [Pt(NH3)4](OH)2 + 2Cl- iii. O número de mols de NH3 presentes nestas substâncias não é aleatório, mas é determinado pelo número de mols de H2O contidos nos hidratos metálicos. Os três postulados de Clauss reapareceram de uma forma modificada quase 4 décadas depois na teoria de coordenação de Werner. 4. Teoria da Valência Constante de Kekulé (início do século XX): Nesta época, o conceito de valência estava em desenvolvimento. Principal dúvida: pode um elemento possuir mais de um tipo de valência? Os compostos de coordenação ficaram envoltos pela discussão de valência variável vs. valência constante. Kekulé defendeu a teoria da valência constante. Para Kekulé a valência do N, P e Co eram invariavelmente 3 e do Cu invariavelmente 2. Exemplos: PCl5 = PCl3·Cl2 NH4Cl = NH3·HCl [Co(NH3)6]Cl3 = CoCl3·6NH3 Esta teoria apresentou muitas falhas para explicar os compostos de coordenação. Ex.: [Co(NH3)6]Cl3 não decompunha sob aquecimento brando ou reagia com ácidos.5. Teoria das Cadeias de Blomstrand-Jørgensen (1869): Dentre as teorias pré-Werner foi a que obteve maior sucesso e aceitação. As moléculas de NH3 poderiam formar cadeias semelhantes as cadeias de -CH2- nos hidrocarbonetos. O átomo de N neste caso seria pentavalente. O número de moléculas de NH3 ligadas ao metal dependiam do metal e de sua valência. Apesar de suas limitações, a teoria da cadeia correlacionou muitos dos dados experimentais. Teste experimental: titulação do Cl- com AgNO3: Quando o Cl- não está próximo ao Co: precipita. Quando o Cl- próximo ao Co: não precipita. Falha na teoria: o composto (IV) não precipita nenhum Cl-. Proposta posterior de Werner: [Co(NH3)3Cl3]. Apesar disso, eles forneceram a base experimental para a teoria de coordenação de Werner. Ag+ + Cl- ⇌ AgCl(s) Ag+ + Cl- ⇌ (branco) AgCl + 2NH3 ⇌ [Ag(NH3)2] + + Cl- AgCl + 2NH3 ⇌ (solução incolor) [Ag(NH3)2] + + Cl- + 2H+ ⇌ AgCl + 2NH4 + x-----x-----x----- Fim da Aula 1 -----x-----x-----x