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AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AVALIAÇÃO COGNITIVA NO 
TEA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Grazielle Tavares 
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TEMA 1 – AVALIAÇÃO DAS CRIANÇAS DE 0 A 2 ANOS 
O processo de avaliação inicial busca identificar as habilidades e as 
potencialidades que são próprias do sujeito. Nesse caso, será específica para a 
pessoa diagnosticada com transtorno do espectro do autismo (TEA). Observar em 
qual etapa essa pessoa se encontra é essencial para dar subsídios para que ela 
avance em seu processo de aprendizagem. 
O autismo é percebido como um desafio para a família, a escola e a 
sociedade. Apesar de se mostrarem dispostos a colaborar com o avanço dessas 
pessoas, muitos não se sentem preparados para lidar com as situações que se 
apresentam ao longo do caminho. Há ainda aqueles que não percebem as 
potencialidades que esses sujeitos possuem, pois acreditam que, com essa 
especificidade, não é possível obter diferentes tipos de aprendizagens, sendo 
incapazes de obter avanços significativos em sua vida. 
Para tanto, é preciso olhar com cuidado para os indivíduos que apresentam 
o TEA e ver além do diagnóstico. Dessa forma, é possível observar e indicar o 
caminho que pode levar ao processo de ensino e aprendizagem. Para identificar 
essas potencialidades é necessário observar as atitudes comportamentais desse 
sujeito. Somente por meio da avaliação dessas ações pode-se estabelecer o 
melhor caminho a ser seguido nesse processo que leva ao seu desenvolvimento. 
Para avaliar se o sujeito está avançando como esperado, é imprescindível 
conhecer as fases de desenvolvimento humano. A partir do momento em que se 
avalia a etapa em que se encontra, é possível indicar métodos, buscar recursos e 
promover ações que podem contribuir para o seu processo de aprendizagem. Por 
isso, durante essa aula, serão apresentadas as fases de desenvolvimento 
correspondente ao nascimento até os dois anos de idade de uma criança típica, e 
o que é necessário perceber nos casos em que o bebê não alcança o que se 
espera para o seu desenvolvimento físicos, emocionais, social e cognitivo. 
1.1 Desenvolvimento da criança típica 
Desde o nascimento do bebê, os pais e profissionais precisam estar atentos 
ao modo como o bebê enriquece seus recursos de aprendizagem. Todas as ações 
cotidianas são essenciais para o processo de desenvolvimento do ser humano. 
Para tanto, é preciso conhecer as especificidades correspondentes a cada etapa, 
para verificar se o desenvolvimento da criança corresponde ao que se espera. 
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A primeira etapa é um período em que os reflexos do bebê são organizados 
de modo que contribua para o seu desenvolvimento nos aspectos social, afetivo, 
motor e perceptivo. Nessa fase, pode-se observar que a criança reúne recursos 
para compreender o mundo por meio de suas experiências sensoriais e motoras, 
e essas ações aperfeiçoam seus reflexos inatos. “A observação do 
desenvolvimento neuropsicomotor de uma criança é fundamental nos primeiros 
cinco anos de vida e extremamente importante até os três anos. O primeiro passo 
para isso é conhecer quais são as etapas normais desse processo” (Brites; Brites, 
2019, p. 66). 
Essas informações podem ser adquiridas inclusive na carteirinha de 
vacinação que o bebê recebe logo após o nascimento. Nela estão especificadas 
as etapas de desenvolvimento humano. Cabe às pessoas que convivem com as 
crianças observar se elas estão dentro da normalidade ou se há atraso. Caso haja 
alguma dúvida, o ideal é buscar um pediatra para fazer a avaliação necessária. 
De modo geral, observa-se que, do nascimento a seis semanas, o bebê 
apresenta três reflexos primários que ao longo do tempo tornam-se voluntários. 
São eles: 
 Suga objetos colocados na boca. 
 Com os olhos, segue materiais que se movem ou são interessantes para 
ele. Fecha a mão em contato com diferentes itens. 
Após esse período, observa-se que as reações da criança passam a ser 
mais consciente. Observe o quadro 1. 
Quadro 1 – Etapas de desenvolvimento normal 
Etapa Desenvolvimento 
6 semanas a 4 meses Inicia a imitação ou reprodução 
espontânea de ações. 
4 a 8 meses O bebê passa a desenvolver ações 
com objetos com o intuito de 
proporcionar resultados agradáveis. 
8 a 12 meses A criança com intencionalidade 
aprende a coordenar a mão com o 
olhar. 
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12 a 18 meses Começa a explorar objetos de seu 
interesse. 
18 a 24 meses A criança emprega simbologia 
primitiva para formar representações. 
1.2 Ambiente social 
Para entender as etapas do desenvolvimento humano é necessário 
observar as influências sociais que permeiam essas relações. Como ser social, é 
imprescindível que a criança interaja com o meio que ela vive para obter 
aprendizagem. O âmbito social propicia o aprendizado por meio da interação 
vinculada ao biológico, provocada por estímulo para propiciar o desenvolvimento 
do sujeito. 
A interação com o meio ocorre desde a gestação, momento em que o feto, 
ainda no útero, começa a desenvolver os sentidos de audição, paladar, visão e 
tato, por meio das substâncias produzidas pelo corpo da mãe e pelos estímulos 
externos. Após o nascimento, o recém-nascido possui comportamentos que 
favorece as relações sociais por meio de sinais que possibilitam a comunicação 
para regular o próprio comportamento conforme as necessidades apresentadas 
pelo outro. 
Dessa forma, o bebê busca o próximo por meio de interações, com o intuito 
de garantir a sobrevivência e a satisfação de suas necessidades básicas. Para 
que essas trocas sejam recíprocas, é necessário que o bebê demonstre 
responsividade, ou seja, responda aos estímulos provocados pela mãe. Dessa 
forma, o sujeito consegue estabelecer relação social com o próximo. Por meio da 
demonstração de sentimentos, do afeto e das intenções, ele consegue interagir 
com o próximo, engajando na relação social. 
A responsividade emocional é uma ação mais básica que o pensamento. 
Somente com o vínculo emocional é possível diferenciar a pessoa que interage 
dos objetos. Isso possibilita compartilhar as atitudes, os sentimentos e a 
comunicação. A partir do momento que o bebê consegue interagir com a mãe, ele 
amplia o seu repertório para se relacionar com o meio. Com o aumento de 
comunicação, aperfeiçoa suas competências de desenvolvimento. 
As interações podem ser consolidadas em diferentes situações que 
ocorrem no cotidiano. No momento de troca da fralda, da mamadeira e do brincar, 
é possível observar se o sujeito partilha sua emoção e interage por meio do olhar. 
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Esses momentos são essenciais na promoção do aprendizado, e podem ser 
utilizados para observar se o comportamento do bebê está dentro do que se 
espera para o desenvolvimento infantil. 
As vivências do cotidiano possibilitam que o bebê construa repertório ao 
utilizar o próprio corpo para aprender e posteriormente repetir ações conhecidas. 
Ao experimentar as possibilidades que o corpo apresenta, a princípio por meio de 
atitudes aleatórias, o infante aprende a fazer barulho, jogar algo, bater o 
brinquedo, mover o cobertor. Nessa etapa, o sujeito interage com o outro e 
conhece o próprio corpo. 
TEMA 2 – DESENVOLVIMENTO DA COMUNICAÇÃO INICIAL E DA ATENÇÃO 
COMPARTILHADA 
O contato inicial da fala acontece quando o bebê ainda está no útero da 
mãe, momento em que conhece as vozes das pessoas que estão próximas em 
seu cotidiano. Nos primeiros meses de vida é imprescindívelo contato com as 
vozes dos sujeitos que estão próximo, principalmente da mãe, que reconhece 
muito bem. Essa relação que se estabelece através do olhar, do sorriso, da 
vocalização e do choro estreita os laços afetivos, afetando as vivências da mãe e 
do filho. 
2.1 Comunicação social do bebê 
A principal forma de comunicação do recém-nascido é por meio do choro, 
pois ainda não possui condições de produzir outros tipos de som. Durante os 
primeiros meses, a sua comunicação com o meio ocorre por meio de sorrisos e 
choros que não podem ser identificados como voluntários. Contudo, os pais 
conseguem identificar as diferentes formas de comunicação, seja ela intencional 
ou não, como o choro, o grito ou o sorriso. Por volta dos seis meses a criança 
começa a balbuciar e a utilizar som consonantal. “As intenções comunicativas 
ocorrem por volta dos nove meses, quando as crianças começam a mostrar a 
consciência de que os seus comportamentos/sinais têm um efeito sobre outros” 
(Whitman, 2015, p. 92). 
Essa interação será caracterizada realmente como troca social a partir do 
momento que ela se torna recíproca e que há comunicação. Essa situação pode 
ser percebida no momento do amamentar, em que o bebê troca olhares com a 
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mãe, demonstrando seu contentamento com a situação que está sendo 
vivenciada. Durante esse processo é de grande importância que a mãe olhe para 
seu filho, pois é o momento em que a comunicação entre eles se faz presente. 
Nos primeiros anos, a criança foca seu interesse nas questões relacionadas ao 
social. Pode-se dizer que: 
Os bebês veem bastante bem pouco tempo depois do 
nascimento, e aprendem muito sobre o mundo, as pessoas 
e os objetos que os rodeiam observando-os em ação. São 
também extremamente bons em ver padrões que os 
rodeiam. Aprendam a esperar que as pessoas se movam e 
ajam de determinada maneira e ficam intrigados e 
surpreendidos e intrigados com eventos inesperados. Na 
verdade, prestam mais atenção ao inesperado do que à 
rotina e ao que é previsível, para que possam compreender 
novas coisas. (Roger; Dawson; Laurie, 2007, p. 57) 
Observa-se que o desenvolvimento do bebê acontece quando ele percebe 
que suas ações causam impacto no ambiente em que está inserido. Ao tomar 
essa consciência, o infante provoca o próximo e aguarda a sua reação. Com essa 
reciprocidade a criança aprende a antecipar seu comportamento, pois já sabe a 
atitude que acontecerá a seguir. 
Nessa fase também acontecem os jogos relacionados ao processo 
imitativo, ou seja, o bebê começa a participar desses jogos. Por meio dessa troca 
social, a criança amplia seu repertório de aprendizagem e passa a se comunicar 
com o próximo. “Quando as crianças (e adultos) observam as expressões e 
emoções das outras pessoas, os seus neurónios espelhos disparam, permitindo 
sentir à emoção das outras pessoas” (Roger; Dawson; Laurie, 2007, p. 57). 
A imitação contribui com o desenvolvimento da empatia, auxilia com a 
capacidade de aprender com o outro, ajuda no aprendizado na comunicação não 
verbal, ensina o funcionamento social e facilita o aprendizado do bebê sobre as 
regras sociais de conversação e da linguagem. Logo, esse é o princípio da 
comunicação denominada não verbal, ou seja, são os precursores 
socioemocionais da linguagem, que contribuirá para o desenvolvimento da fala. 
Withman (2015, p. 90) corrobora ao apontar que 
Durante o desenvolvimento típico, gestos pré-verbais e atos 
de atenção conjunta ajudam a pavimentar o caminho da 
linguagem. A comunicação intencional desenvolve-se cedo 
(entre nove e 13 meses), seguidas pelas primeiras palavras 
(entre 13 e 18 meses) combinação de palavras (entre 13 e 
30 meses), frases (30 meses e cinco anos) e gramática do 
discurso (entre cinco e oito anos). 
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Esses precursores são essenciais para o desenvolvimento da fala da 
criança. Todo o desenvolvimento da criança relaciona-se ao aprendizado da 
linguagem. Com a interação, o infante aprende a interagir, direcionar suas ações 
e a ensinar as normas sociais em que está inserido. Por meio do processo 
denominado mediação, ocorre as trocas interpessoal, intrapessoal e com o meio. 
Para ele, o homem só é considerado um ser social, histórico e cultural por meio 
da linguagem. 
2.2 Atenção compartilhada 
O desenvolvimento humano ocorre quando o homem adquire a capacidade 
de perceber o outro com um ser que possui expressões mentais e intencionais, e 
que esse sujeito se assemelha si mesmo. Após esse período, por volta dos nove 
meses, a criança passa a dividir atenção de um objeto com um adulto, ou dividem 
o interesse de um adulto por um objeto. Essa ação é denominada como atenção 
compartilhada, que nada mais é que uma comunicação não verbal que antecede 
a fala, ou seja, é um dos precursores responsável pelo desenvolvimento da 
linguagem. 
Nesse mesmo período, o bebê inicia a sua relação com a mãe sem 
perceber as suas intenções. Contudo, tais habilidades são aperfeiçoadas quando 
um terceiro elemento entra nessa relação. Com a atenção compartilhada entre 
uma pessoa e um objeto, o infante consegue desenvolver a forma mais precoce 
de aprendizagem cultural humana. Ele consegue utilizar intencionalmente a 
comunicação para conseguir a atenção do adulto para estímulos externos. Logo 
“A comunicação social ocorre especialmente através dos olhos, rostos e corpos” 
(Roger; Dawson; Laurie, 2007, p. 57). Dessa forma, aprende a imitar, ou seja, 
relaciona com o objeto da mesma pessoa que observou seus pais interagindo. 
Esse processo auxilia na internalização das convenções sociais de sua cultura. 
A atenção compartilhada é proveniente de diferentes habilidades sociais e 
de interação que desenvolvem instrumentos para a criança seguir, compartilhar e 
dirigir a atenção de uma pessoa para um objeto ou situação. Por meio dessa 
aprendizagem, a comunicação infantil torna-se intencional. A criança percebe que 
ao empregar um som específico, pode alterar o comportamento de uma outra 
pessoa. Com a linguagem, “elas expressam suas necessidades, pedem aquilo 
que precisam, regulam o comportamento próprio e dos outros, comunicam seus 
sentimentos, exploram e respondem ao seu ambiente social, entendem melhor a 
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si mesmas e imaginam mundos diferentes daqueles em que vivem” (Withman, 
2015, p. 90). 
O aprendizado do bebê é construído quando ele observa a intencionalidade 
do adulto em seu comportamento. Isso possibilita a internalização da situação que 
poderá ser empregada posteriormente em outra circunstância pela criança. A 
comunicação intencional só é possível quando a atenção passa a ser 
compartilhada. Para tanto, é necessário o desenvolvimento do contato ocular, por 
meio do qual o sujeito direciona sua atenção para o outro, visto como um parceiro 
comunicativo que pode responder aos seus sinais. A intencionalidade só pode ser 
compreendida quando a comunicação ocorre com outra pessoa e não com um 
objeto. 
TEMA 3 – DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA AUTISTA 
Até agora, foram explicadas as particularidades do desenvolvimento da 
criança típica que contribuem para seu aprendizado e sua interação. É importante 
conhecer tais etapas, uma vez que contribuirá para avaliar se o desenvolvimento 
do bebê encontra-se dentro do esperado. É importante salientar que por meio do 
olhar atento, a família e a escola poderá ajudar com informações importantes que 
serão fornecidas para o pediatra. Tal observação auxilia o diagnóstico clínico 
precoce e na intervenção terapêutica. 
3.1 Avaliação inicial 
De modo geral, as crianças que se encontram dentrodo Transtorno do 
Espectro do Autismo apresentam dificuldades em ficar atentas às atitudes de 
pessoas à sua volta, bem como compartilhar sentimentos por meio de suas 
expressões faciais, gestuais, sonoras ou pela fala. Podem parecer que não 
sentem as emoções; contudo é complexo para elas demonstrar o que sentem. A 
imitação, a atenção compartilhada, a fala e a brincadeiras são atitudes 
desafiadoras. 
A primeira avaliação que deve ser observada é como a criança interage 
socialmente com as pessoas que estão à sua volta. Brites e Brites (2019, p. 66) 
apontam a importância de se fazer essa avaliação, e comentam: “O como é mais 
amplo, completo, e exige de nós a observação de todo o processo, do começo até 
o fim, e o que nos chama atenção a cada instante”. 
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As crianças pequenas que se encontram dentro do espectro apresentam 
dificuldades em observar e interagir com as pessoas ao seu redor. Por meio dessa 
atitude, muitas perdem a oportunidade de aprender com as situações que se 
apresentam ao seu redor. A aprendizagem dos jogos sociais acontece quando o 
bebê foca nas expressões faciais, na modulação e entonação da voz e nas ações 
realizadas pelos adultos. Logo, é de extrema importância prestar atenção no outro 
para compreender o mundo à sua volta. 
Para averiguar se há sinais que podem ser identificados com autismo, é 
importante fazer a observação apontada por Brites; Brites (2019, p. 67) 
Se, ao chegar a um lugar, essa criança: não olha para o 
interlocutor, não se importa com as pessoas do local e 
somente prioriza os objetos, se ao ser chamada pelo nome 
não responde, se evita olhar nos olhos mesmo forçada ou 
induzida, se não cumprimenta, nem estranha, nem usa 
gestos, nem se contém no caso de uma intervenção de 
algum adulto, deve-se suspeitar de autismo 
É importante salientar que o prejuízo causado pela falta de engajamento 
nas ações sociais refere-se ao fato de a criança não conseguir conectar-se 
emocionalmente com o próximo. Isso prejudica posteriormente o seu 
desenvolvimento, principalmente a comunicação, por não perceber funcionalidade 
em querer falar com o próximo nem compartilhar com o outro suas emoções. 
Ademais, dificulta o uso de jogos simbólicos, que por sua vez podem impedir a 
interpretação de situações do cotidiano. Dessa forma, não são desenvolvidas 
habilidades pré-linguísticas necessárias para as relações humanas. 
TEMA 4 – DESENVOLVIMENTO DA COMUNICAÇÃO INICIAL E DA ATENÇÃO 
COMPARTILHADA EM CRIANÇAS AUTISTAS 
A comunicação das crianças com autismo normalmente é empregada como 
meio de satisfazer suas necessidades: raramente é utilizada como forma de 
compartilhar a atenção ou entender o outro. Normalmente, é possível observar 
que há um tema específico esmiuçado pelo sujeito, que oferta detalhes 
irrelevantes e pode alternar para tópicos imprecisos. A linguagem da criança 
autista pode se apresentar de forma inadequada, por não saberem interpretar os 
enunciados, e apresentar dificuldade em modular o tom da voz. Muitos têm 
dificuldades em iniciar uma conversa e manter um diálogo lógico. 
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Nos próximos tópicos abordarão o desenvolvimento inicial da linguagem 
das crianças com TEA. Pontos que precisam ser observados para propiciar 
avaliação mais precoce e que podem ajudar no diagnóstico dessas crianças. 
4.1 Comunicação inicial do TEA 
Alguns autistas apresentam dificuldades iniciais desde a tenra idade, 
principalmente aquelas relacionadas a comunicação. Pode-se apontar 
características muito presentes entre essas crianças até um ano de idade: não 
olham na face do outro; quando é chamada pelo nome, não atende, não vocaliza 
ou demonstra interesse; não mostram objetos para o próximo; não apontam para 
objetos que desejam; falta de sorriso responsivo; pouco contato social. “Muitas 
crianças pequenas com autismo parecem desconhecer que a comunicação ocorre 
entre duas pessoas; não reconhecem a importância do olhar, dos gestos, dos sons 
da fala e das expressões faciais” (Roger; Dawson; Laurie, 2007, p. 132). 
Após 1 ano de idade além dessas características, é interessante ficar 
atento aos seguintes sinais: o infante ignora o próximo; prefere o isolamento; não 
faz contato visual; apresenta gestos limitados e poucos expressivos; utiliza 
posturas diferenciadas; não expressa emoções; apresenta falta de interesse por 
algo, o que é chamado de hipoativo. 
Apesar de normalmente o diagnóstico ocorrer após os dois anos, é 
imprescindível que, desde o nascimento, esteja-se atento aos sinais – que nos 
casos dos autistas não desaparecem ao longo do tempo; pelo contrário, 
acentuam-se. Esses comportamentos são avisos de que algo não está correto. 
“Estas barreiras causadas pelo autismo à comunicação não verbal podem atrasar 
gravemente o desenvolvimento de qualquer tipo de comunicação, e estas 
barreiras à comunicação podem permanecer durante muitos anos” (Roger; 
Dawson; Laurie, 2007, p. 132). 
A dificuldade da comunicação nos primeiros anos de vida interfere 
diretamente no modo como a pessoa amplia as demais áreas, ou seja, ficará uma 
lacuna em seu desenvolvimento na medida em que o bebê não interage, não 
aprende com o outro, não desenvolve relações afetivas e sociais. Essas 
dificuldades interferem nas interações familiares, consequentemente os adultos 
podem se sentir menos motivados a relacionarem-se com essas crianças, o que 
desencadeia maior isolamento social. 
 
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4.2 Atenção compartilhada 
As crianças com autismo apresentam dificuldade de perceber a 
intencionalidade do outro; por esse motivo, apresentam dificuldade em 
desenvolver a atenção compartilhada. É importante salientar que esses 
empecilhos ocorrem por razões biológicas, que interferem nas habilidades sociais 
e cognitivas. 
A dificuldade de interação no ambiente dificulta o processo de 
aprendizagem, principalmente das ações que precisam do outro para conhecer os 
meandros culturais. O fato de não compreenderem as regras do grupo social que 
está inserido prejudica o processo comunicativo. O fato de não interagirem e não 
se identificarem com as pessoas à sua volta afeta a compreensão das intenções 
comunicativas, ou seja, não aprendem a ler os sinais daquele espaço. Roger, 
Dawson e Laurie (2007, p. 132) complementam que “muitas crianças pequenas 
com autismo parecem desconhecer que a comunicação ocorre entre duas 
pessoas, não reconhecem a importância do olhar, dos gestos, dos sons da fala e 
das expressões faciais”. 
Por não perceberem o outro como um ser intencional, não conseguem 
observar as atitudes empregadas em seu cotidiano; logo, os objetos utilizados 
pelos adultos, que poderiam ser úteis para a criança fazer o jogo simbólico durante 
uma brincadeira, não apresentam sentido para fazer essa representação. Assim, 
o infante não consegue colocar no brincar a intencionalidade em suas ações, ou 
seja, não apresenta sentido para esse ato. O jogo simbólico se encontra 
prejudicado nos autistas, pois não conseguem abstrair que um objeto pode 
assumir a mesma função de um objeto de verdade. É imprescindível salientar que 
o ato de aprender decorre do processo de imitação, pois pelas “células cerebrais 
denominas neurônios-espelho, [ligam-se] as ações que vemos os outros fazerem 
aos nossos padrões de ações. [...] isto significa que, pelo menos até certo ponto, 
uma nova ação torna-se parte da competência de um observador antes de o 
observador chegar mesmo a imitá-la”. 
O gesto de apontar demonstra que a criança compreendeu que o outro é 
um ser intencional, pois espera-se compartilhar seu desejo com ooutro. Como 
não percebe que o próximo é um ser psicológico, pode ocorrer que o infante 
aponte para um objeto que deseja, mas o interesse é no objeto, sem perceber a 
intenção nem compreender o papel do outro. Essa dificuldade pode levar o autista 
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a não desenvolver a comunicação intencional, o que afeta suas relações sociais 
e pode culminar na dificuldade de entendimento do mundo em que vive. 
TEMA 5 – AVALIAÇÃO QUE NECESSITA ATENÇÃO 
Diante dos temas abordados anteriormente, pode-se observar o processo 
de desenvolvimento humano de uma criança típica e comparar com as 
peculiaridades apresentadas pelas infantes com TEA. Vale ressaltar que 
normalmente o diagnóstico do autismo acontece depois dos dois anos de idade. 
Nessa época, ocorre a primeira poda neuronal, que altera alguns circuitos 
cerebrais. Suspeita-se que essa limpeza dos neurônios mortos ocorra de forma 
diferente entre os autistas. Abaixo serão apontados sinais de alertas. 
5.1 Crianças do 0 aos 6 meses 
Apesar de o diagnóstico acontecer posteriormente aos dois anos, é 
imprescindível observar o desenvolvimento do sujeito desde o nascimento. Os 
sinais de alerta que devem ser verificados d o nascimento até os três meses de 
idade são: 
 Apresenta dificuldade em seguir o objeto com o olhar; 
 Assusta-se na presença de ruído ou não reage com o som; 
 Não demonstra interesse em ser pego no colo; 
 Choro persistente ou ausência de choro; 
 Não olha e nem segura objetos; 
 Demonstra desinteresse pelo ambiente; 
 Apatia; 
 Evita fixar o olhar; 
 Não responde o outro com um sorriso; 
 Não expressa medo do próximo. 
5.2 Crianças dos 6 aos 12 meses 
Nessa faixa etária é importante observar os seguintes aspectos: 
 Mantém-se imóvel e não demonstra interesse em mudar de lugar; 
 Não leva objetos à boca; 
 Não demonstra reação em contato com som; 
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 Não vocaliza, e quando o faz é de forma monótona; 
 Não produz imitação; 
 Apatia; 
 Satisfaz-se quando está sozinho ou quando fica no mesmo ambiente; 
 Não fica de pé, e quando colocado na posição não consegue se manter 
sozinho; 
 Não se desloca pelo ambiente; 
 Dificilmente se interessa por brinquedos, e quando o faz utiliza só uma mão; 
 Não vocaliza, e quando faz é muito pobre; 
 Movimentos estereotipados (balança o corpo, movimenta as mãos); 
 Não responde ao sorriso do outro. 
5.3 Crianças dos 12 meses aos 2 anos 
Nesse período é imprescindível o olhar atento para todos os detalhes: 
 Mantém-se imóvel e não demonstra interesse em mudar de lugar; 
 Leva tudo à boca; 
 Não se interessa pelo ambiente; 
 Prefere o isolamento; 
 Não imita; 
 Não participa de jogos de faz de conta; 
 Ausência de atenção partilhada; 
 Não aponta o dedo para demonstrar interesse, mostrar alguma coisa ou 
pedir algo; 
 Parece não compreender o que é dito. 
 
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