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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNICARIOCA 
 
 
 
 
 
 
 
DESAFIOS E POSSIBILIDADES DA EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL 
NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL NAS ESCOLAS 
PÚBLICAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ROBERTA REIS CORRÊA 
 
Rio de Janeiro 
2019.2 
1 
 
ROBERTA REIS CORRÊA 
 
 
 
 
 
 
DESAFIOS E POSSIBILIDADES DA EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL 
NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL NAS ESCOLAS 
PÚBLICAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Orientadora: Profa. Dra. Carolina Chaves Ferro 
 
 
 
 
 
 
 
 Rio de Janeiro 
2019.2 
 
 
Trabalho de conclusão de 
curso apresentado ao Centro 
Universitário Carioca, como 
requisito parcial pra obtenção 
do grau de Licenciado em 
Pedagogia. 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DEDICATÓRIA 
 
Dedico este trabalho a toda minha família, Ao meu 
marido, meus filhos e meus pais por serem minha 
rede de apoio na busca pela realização do meu 
sonho. A minha mãe que, por ser pedagoga, é uma 
grande inspiração, para mim. Às professoras Carolina 
Ferro e Juliana Serpa por serem exemplo de 
educadoras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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AGRADECIMENTOS 
 
Agradeço aos meus três filhos por terem sido 
pacientes, educados e por fazer a janta durante o 
tempo em que, de alguma forma, precisei me 
ausentar do convívio com nossa família. Vitor 
Marcelo, Rafaella e Thalita, por vocês realizei meu 
sonho. Agradeço a minha mãe Maria de Lourdes, 
presente na minha decisão quando optei pela 
Pedagogia. Agradeço a minha orientadora Carolina 
Ferro, por todo apoio e confiança e por acreditar em 
mim. Agradeço meu marido Fabio pelo amor e apoio 
que me dedica dia após dia. 
 
 
 
4 
 
 
RESUMO 
 
 
Esta pesquisa busca refletir sobre os desafios e as possibilidades para a 
educação em tempo integral nas escolas públicas, visando compreender fatos 
históricos e contemporâneos articulando-os de maneira que possa haver a 
construção do conhecimento em prol da temática abordada, baseando-se em 
livros, autores fidedignos e leis que fundamentam a educação em tempo integral. 
Uma abordagem do início do século XX aos dias atuais sobre as escolas e os 
movimentos que serviram de exemplo para a implementação do ensino em 
tempo integral e entender como políticas públicas podem auxiliar na qualidade 
de vida da sociedade. 
Palavras–chave: Escola Integral, Escola Pública, Políticas Públicas. 
 
 
5 
 
 
 SUMÁRIO 
 
 
 
 
Nº da 
página 
1 – INTRODUÇÃO 06 
2 – REFERENCIAL TEÓRICO 10 
3 – RESULTADOS E DISCUSSÕES 18 
4 - CONCLUSÃO 27 
5 - REFERÊNCIAS 28 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
As discussões sobre o ensino em tempo integral no Brasil tiveram como 
precursores os educadores Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro. Eles defenderam a 
educação pública e democrática como um caminho a ser feito para que as 
classes consideradas mais baixas tivessem acesso a uma educação de 
qualidade, que promovesse uma transformação em suas vidas. 
Pensando no processo de construção de conhecimento e de socialização, 
criaram um espaço de acolhimento para aqueles alunos, onde teriam acesso à 
arte, cultura, educação e lazer. Teixeira idealizou as escolas parques entre as 
décadas de 1940 e 1960 e Ribeiro os Centros Integrados de Educação Pública 
(CIEP) entre as décadas de 1980 e 1990. 
Atualmente, no Brasil, o grande desafio do ensino em tempo integral pode 
ser compreendido pela redução dos investimentos em educação que vem 
ocorrendo nos últimos anos. 
A regulamentação dos objetivos da educação é feita pelo Estado e, ao 
ampliar o tempo nas escolas, é fundamental a criação de novas políticas para 
que haja um bom desenvolvimento dos educandos, tendo em vista que a 
educação deve ser pública, gratuita e de bom nível para a população. 
Esta pesquisa tem como objetivo analisar livros e leis pertinentes ao tema, 
abordando um pouco da história da educação no Brasil, as possibilidades para 
o ensino em tempo integral, os desafios encontrados, expondo a opinião de 
diferentes autores em relação à temática. 
O intuito desta pesquisa é apresentar um assunto contemporâneo, 
embora o debate no Brasil tenha tido início no século XX. Para promover essas 
discussões, dividimos o trabalho em duas partes, uma teórica e uma analítica. 
Na parte teórica, iniciamos dando um panorama geral sobre a legislação que 
envolve a educação pública em tempo integral. Logo após, discutimos sobre a 
importância da educação em tempo integral em nosso país, onde as 
desigualdades sociais e a discrepância entre escolas públicas e privadas são 
enormes. Por último, refletiremos sobre a capacitação dos professores para 
atuarem nessas escolas de tempo integral, entendendo que haverá um aumento 
7 
 
de atividades e, consequentemente, de escolas para pôr em prática o plano de 
colocar todas as escolas públicas com esse tipo de ensino. 
A parte analítica também é dividida em três tópicos. Após a apresentação 
geral sobre as leis na parte teórica, teremos a discussão na literatura sobre a 
LDB e, logo após sobre o Plano Nacional de Educação (PNE). Por fim, 
discutiremos a obra “Série mais educação – educação integral”, que é a 
norteadora para o debate nacional sobre esse ensino, e está disponível no site 
do Ministério da Educação. 
Pretende-se, com este trabalho, demonstrar a importância de uma 
educação integral que trabalhe a sociedade e a formação cidadã de nossas 
crianças, com valorização dos educadores, gestores e funcionários e com 
tranquilidade da família e da sociedade civil. 
 
 
1.1 Objetivos 
 
O objetivo principal deste trabalho é compreender a visão de diferentes 
autores sobre o ensino em tempo integral e verificar como a ampliação da teoria 
poderá ser realizada nas escolas brasileiras. 
Para tentar responder a questão central da pesquisa, também possuímos 
três objetivos específicos que são: identificar as leis que permitem e possibilitam 
o ensino em tempo integral; entender como os autores que defendem o ensino 
integral apontam sua importância social para o indivíduo; apreender quais seriam 
as estruturas ideais e as necessidades de capacitação dos professores para o 
ensino integral. 
 
 
1.2 Justificativa 
 
A escolha do tema fundamenta-se no projeto de Lei referente ao PNE para 
o decênio 2011-2020, que propõe, na meta seis, que cinquenta por cento das 
escolas públicas de educação básica tenham uma progressiva oferta de 
educação em tempo integral e a junção da escola com outros espaços 
educativos e públicos com o auxílio de novas práticas curriculares pedagógicas 
8 
 
e de gestão, articulando oportunidades e aprendizado com proteção social. A 
Portaria Normativa Interministerial nº 17/07, BRASIL (2007, p. 24) tem por 
objetivo 
Fomentar a educação integral de crianças, adolescentes e jovens, por 
meio de atividades socioeducativas, no contra turno escolar, 
articuladas ao projeto de ensino desenvolvido pela escola. Buscando 
compreender e explicar a importância do ensino público em tempo 
integral nas séries iniciais, ampliar democraticamente as 
oportunidades de aprendizagem em função da necessidade dos pais e 
responsáveis em ampliar o tempo e o rendimento escolar dos filhos. 
Dentre as maiores relevâncias, o tema apresentará as questões de 
segurança, educação e as relações existentes entre elas. 
 
O trabalho tem como propósito apresentar as ideias de estudiosos no 
assunto, buscando compreender a estrutura escolar ideal para a inclusão do 
ensino em tempo integral, conhecer as reais necessidades de alunos, 
professores e a comunidade como um todo, na busca por uma educação de 
qualidade. Sendo assim, entende-se que sociedade civil e educadores devem 
participar desse debate, sendo esse trabalho uma pequena contribuição paraele. 
A pesquisa também visa compreender as questões políticas, sociais e 
históricas que norteiam a metodologia do ensino em tempo integral, atinando-se 
para a educação que de fato se dá em tempo integral além da escola. Debater o 
próprio conceito de educação integral também é de suma importância, pois, de 
acordo com Moacir Gadotti (2009, p. 21-22): 
Como nos educamos o tempo todo, falar em educação de tempo 
integral é uma redundância. A educação se dá em tempo integral, na 
escola, na família, na rua, em todos os turnos, de manhã, de tarde, de 
noite, no cotidiano de todas as nossas experiências e vivências. O 
tempo de aprender é aqui e agora. Sempre. 
 
 
1.3 Metodologia 
 
Este tema está baseado na reflexão de autores conceituados sobre a 
educação em tempo integral. Para isso, o trabalho se dividirá em quatro partes, 
a primeira parte contemplará de forma geral as legislações que respaldam o 
ensino em tempo integral e como o cenário da educação brasileira está 
atualmente com as novas políticas públicas implantadas no país nos últimos 
anos. 
9 
 
No PNE está previsto que, até 2020, 50% das escolas públicas sejam em 
tempo integral. A pesquisa apresentará os questionamentos feitos por 
especialistas sobre o ensino em tempo integral, sua relevância e as discussões 
em prol da implementação deste ensino nas escolas brasileiras. 
A pesquisa será bibliográfica e qualitativa, pois pretende realizar uma 
discussão sobre ensino integral utilizando os principais especialistas sobre o 
assunto e as leis que o norteia. Também haverá uma análise de fontes primárias, 
que são as leis pertinentes ao assunto, conforme salientado. 
 
 
1.4 Organização do Trabalho 
 
 Este trabalho está organizado em três partes. Na primeira, introduziremos 
o relatório com a apresentação dos objetivos, justificativa e metodologia 
empregada. Na segunda etapa, realizaremos uma discussão teórica sobre 
educação em tempo integral, os desafios e possibilidades que giram em torno 
dessa premissa, concebendo a relevância do debate sobre as questões 
adequadas ao tema e à construção de uma sociedade mais justa e democrática. 
Na terceira parte, faremos uma discussão aprofundada da LDB, do PNE e da 
obra “Série Mais Educação” – Educação Integral, que é o texto referência para 
o debate nacional sobre o assunto. Por último, este trabalho apresentará as 
conclusões finais e as referências utilizadas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
 
 
2. REFERENCIAL TEÓRICO 
 
Atualmente, a legislação vigente beneficia a educação em tempo integral. 
A Lei de Diretrizes e Bases prevê a progressão da jornada escolar, bem como o 
Programa Novo Mais Educação e o Plano Nacional de Educação. Entretanto, 
uma Proposta de Emenda Constitucional congela gastos com educação e saúde 
por vinte anos. 
De acordo com Cavaliere (2002), por muitos anos as questões que 
envolvem os desafios do ensino em tempo integral estão relacionadas ao não 
acolhimento de escolas que demandem investimentos elevados. A proposta 
pedagógica norteadora da educação em tempo integral almeja beneficiar 
crianças carentes, com espaços adequados para seu desenvolvimento integral, 
e assim promover a equidade. Para tentar compreender um pouco sobre esse 
modelo educacional, começaremos apontando a legislação sobre o ensino 
integral. Logo após, refletiremos sobre a importância desse ensino nos dias 
atuais e, por último, debateremos sobre a capacitação dos professores. 
 
 
2.1 A legislação do ensino integral 
 
A Lei de Diretrizes e Bases preconiza a ampliação da jornada escolar e o 
período de permanência dos alunos na escola. Contudo, só no ano de 2006, 
aliado a outros programas, o governo criou o Programa Mais Educação, 
regulamentado pelo Decreto n° 7.083, de 27 de Janeiro de 2010, e sumamente 
importante no que tange à Educação Integral no Brasil. Visto como um programa 
estruturante, resignificou o ensino em tempo integral, modificando suas 
estruturas na escola. De acordo com Jaqueline Moll (2012, p. 133), 
A identidade do Programa Mais Educação é a sua preocupação em 
ampliar a jornada escolar modificando a rotina da escola [...]. Esse 
aspecto refere-se ao esforço para contribuir no redimensionamento da 
organização seriada e rígida dos tempos na vida da escola, 
contribuição esta reconhecida nos conceitos de ciclos de formação que 
redimensionam os tempos de aprendizagem e de cidade educadora, 
território educativo, comunidade de aprendizagem que pautam novas 
articulações entre os saberes escolares, seus agentes (professores e 
estudantes) e suas possíveis fontes. Esses últimos articulam as 
relações entre cidade, comunidade, escola e os diferentes agentes 
11 
 
educativos, de modo que a própria cidade se constitua como espaço 
de formação humana. 
 
Um dos objetivos da educação em tempo integral é o pleno 
desenvolvimento da criança como agente transformador. A Lei de Diretrizes e 
Bases Nacional prevê o aumento progressivo da jornada escolar. Para que o 
objetivo seja alcançado, faz-se necessário haver mudanças na escola e uma 
articulação com diversos setores da sociedade. É importante que seja pensado 
na estrutura para suprir a demanda do ensino em tempo integral. 
O Plano de Desenvolvimento da Educação, o PDE, auxilia para que a 
escola realize da melhor forma o seu trabalho, assegurando que os objetivos 
sejam alcançados. O PDE é considerado um planejamento estratégico, focado 
na melhoria do ensino-aprendizagem e em sua qualidade, sua elaboração dá 
ênfase a liderança pois acredita que o seu sucesso depende do compromisso 
com a gestão de qualidade. A Educação em Tempo Integral possui metas 
previstas em lei para melhorar a qualidade do ensino nas escolas públicas. 
O Plano Nacional de Educação estabelece, na meta seis, que 50% das 
escolas públicas até o ano de 2020, tenham o ensino em tempo integral. Contudo 
é preciso pensar também em novos conteúdos, na formação integral do 
indivíduo, fomentando competências como autonomia, responsabilidade, 
autogestão, empatia, comunicação e criticidade como novas atitudes sociais. 
Não é sobre prolongar o tempo do aluno na escola, mas sobre formar o aluno 
em sua integralidade. 
É necessário que a estrutura nas Escolas em Tempo Integral atenda a 
população. O ponto de partida é o conhecimento da criança e compreender o 
desafio que a escola encontrará pela frente, tendo em vista sempre o 
desenvolvimento social do aluno, compreendendo que esse desenvolvimento se 
dá a partir do social para o individual. 
A Lei n° 9.394/96 (LDB), em seus artigos 34 e 87, prevê o aumento 
progressivo da jornada escolar para a jornada em tempo integral, conforme 
segue: 
Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro 
horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o 
período de permanência na escola. [...] 
§ 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral, 
a critério dos sistemas de ensino. […] 
12 
 
Art. 87 § 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das 
redes escolares públicas e urbanas de ensino fundamental para o regime de 
escolas de tempo integral. 
 
O Plano Nacional de Educação (PNE), Lei nº 13.005/2014, garante a 
oferta de Educação Integral em seus Objetivos e Metas: 
Meta 6: oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% 
(cinquenta por cento) da escolas públicas, de forma a atender, pelo 
menos, 25% (vinte e cinco por cento) dos (as) alunos (as) da educação 
básica. 
Estratégia 6.1: promover, com o apoio da União, a oferta de educação 
básica pública em tempo integral, por meio de atividades de 
acompanhamento pedagógico e multidisciplinares, inclusive culturais e 
esportivas, de forma que o tempo de permanência dos(as) alunos(as) 
na escola, ou sob sua responsabilidade, passe a ser igual ou superior 
a 7 (sete) horas diárias durante todo o ano letivo, com a ampliação 
progressivada jornada de professores em uma única escola. 
 
No campo das políticas sociais e suas ações está a Educação em Tempo 
Integral, respaldada por legislação como a Constituição Federal e a Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), mas o dever do Estado para a 
Educação Básica vai além da escola, acrescentando o atendimento aos 
estudantes em prol de transformações políticas, econômicas e sociais, exigindo, 
assim, a ampliação do tempo de ensino obrigatório no Brasil. 
No Ensino Fundamental é indispensável expandir os espaços 
educacionais, seja na vivência das demais experiências, nas artes, cultura ou 
esportes. Para isso, os momentos de formação caracterizam-se como contextos 
para coparticipar na aprendizagem e preparação que favoreçam a integralidade 
dos educandos. 
Entre as orientações para o ensino fundamental, cabe ressaltar as 
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil que providenciam 
elementos importantes para a revisão da Proposta Pedagógica do Ensino 
Fundamental (SEB/MEC, 2004, p. 15-16): 
As propostas pedagógicas [...] devem promover, em suas práticas de 
educação e cuidados, a integração entre os aspectos físicos, 
emocionais, afetivos, cognitivo/ linguísticos e sociais da criança, 
entendendo que ela é um ser total, completo e indivisível. Dessa forma, 
sentir, brincar, expressar-se, relacionar-se, mover-se, organizar-se, 
cuidar-se, agir e responsabilizar-se são partes do todo de cada 
indivíduo [...]; 
 
 
 
 
 
2.2 A importância do ensino integral na educação do século XXI 
13 
 
 
O aumento do trabalho do professor deve ser repensado no projeto de 
educação para este século, tendo em vista serem muitas as atribuições que vão 
além de suas obrigações. O professor não pode suprir a falta de psicólogos e da 
orientação pedagógica na escola. A educação que se almeja para é século XXI 
vai além de novas tecnologias, está pautada nas relações pessoais, na 
cooperação da comunidade, especialmente da família. De acordo com Libâneo 
(1997, p. 167): “A escola ainda é o lugar mais adequado para a conquista da 
cultura, da ciência e do desenvolvimento das capacidades intelectuais”. 
Um conjunto de transformações na educação do século XXI está sendo 
feito e é preciso estar atento a essas mudanças. A escola precisa se adequar a 
este novo modelo, as organizações do trabalho e novos hábitos. Essas são 
algumas das estruturas que Libâneo reconhece como globalização do ensino. 
Globalização, portanto, designa uma Gama de fatores econômicos, 
sociais, políticos e culturais que expressam o espírito da época e a 
etapa de desenvolvimento do capitalismo em que o mundo se encontra 
atualmente. Esse termo sugere a ideia de movimentação intensa, ou 
seja, de que as pessoas estão em meio a um acelerado processo de 
integração capitalista. Exatamente por isso, há quem diga que a 
globalização é um conceito ou uma construção ideológica. (LIBÂNEO 
et al, 2009, p. 51) 
 
A escola do século XXI deve contribuir para a formação de cidadãos 
éticos, solidários, responsáveis, críticos e capazes de obter um permanente 
aprendizado. Afetada por novas mudanças no cenário político atual, a educação 
passa por reformulações, desde os investimentos até os objetivos educacionais, 
o que altera inclusive os objetivos dos professores, que precisam se manter 
atualizados com recursos mais avançados, objetivando a motivação dos alunos. 
[...] a globalização tem provocado um quadro dramático de 
desemprego e de exclusão social que tende a se intensificar, sobretudo 
nos países pobres, caso não ocorram ações que ponham a economia 
a serviço da sociedade, com a finalidade de gerar maior justiça social. 
Tais medidas no âmbito da educação, têm sido viabilizadas pelas 
chamadas reformas neoliberais impostas pelas corporações e pelas 
instituições financeiras internacionais [...] Os documentos que propõe 
tais reformas, em geral, sustentam-se na ideia do mercado como 
princípio fundador, unificador e auto-regulador da sociedade global 
competitiva. Alguns deles tentam convencer, ainda, de que o livre 
mercado é capaz de resolver todas as mazelas sociais. Pura ilusão! 
(LIBÂNEO et al, 2009, p. 25). 
 As reformas educacionais ocorridas em paises desenvolvidos visavam a 
melhoria do sistema educacional e também a demanda da globalização. Para 
que haja no Brasil uma modernização no ensino, é necessário haver também 
14 
 
atualização na forma como o governo vem agindo com as escolas, com a 
educação de forma geral e como tem focado nas classes mais baixas da 
sociedade, tendo em vista serem elas o centro dessa reformulação, buscando 
sempre que nesse processo não haja exclusão das camadas mais pobres. Uma 
nova sociedade está surgindo, com novas necessidades, novos ideais, novas 
formas de ensinar e aprender, a respeito disso, estão os avanços da tecnologia 
e da informação como marcos do século XXI, sobre esses avanços Libâneo 
(2009, p.109) afirma que 
Essa equipação eletrônica está associada a certa ansiedade ocorrida 
e produzida pela revolução tecnológica e pelas demandas e finalidades 
diversas de políticas educacionais com intenso processo de 
transformações técno-científicas, econômicas, sociais, culturais, e 
políticas pelas quais passam as sociedades contemporâneas. A 
equipação eletrônica da escola constitui, todavia, apenas a ponta do 
iceberg que a revolução tecnológica representa para o campo 
educacional. É preciso mergulhar e ir mais eu do nas razões, nos 
impactos e nas perspectivas dessa revolução para a educação [...] 
 
O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) sinaliza para uma 
flexibilização dos conteúdos abordados pela escola, visando desenvolver e 
promover a autonomia e diversidade, pensando sempre nas múltiplas formas de 
ensino-aprendizagens e organização pedagógica a serem contextualizados com 
a realidade do educando e os projetos devem ser articulados com suas áreas de 
conhecimento. No que tange à interdisciplinaridade, Santomé (1998, p. 630) 
afirma que ela 
[...] implica uma vontade e compromisso de elaborar um contexto mais 
geral, no qual cada uma das disciplinas em contato são, por sua vez, 
modificadas e passam a depender claramente umas das outras. Aqui 
se estabelece uma interação entre duas ou mais disciplinas, o que 
resultará em intercomunicação e enriquecimento recíproco e, 
consequentemente, em uma transformação de suas metodologias de 
pesquisa, em uma modificação de conceitos, de terminologias 
fundamentais etc. Entre as diferentes matérias ocorrem intercâmbios 
mútuos e recíprocas integrações; existe um equilíbrio de forças nas 
relações estabelecidas. 
 
 Neste sentido, o professor que atuar no ensino integral deve se atualizar 
em meio à nossa sociedade globalizada e tecnológica, trabalhando em prol da 
inclusão desses alunos de baixa renda nesta sociedade excludente e se 
esforçando para pensar de forma interdisciplinar. Sobre esta questão, veremos 
um pouco mais a seguir. 
 
15 
 
 
2.3 O ensino integral e a capacitação dos professores. 
 
Dentre as metas do Plano Nacional de Educação, está também a 
formação continuada dos professores. Para melhorar a educação é 
imprescindível ter, no ambiente escolar, professores capacitados para 
exercerem suas funções, entendendo que esse é um processo permanente para 
o aperfeiçoamento do docente. O diálogo com professores da educação em 
tempo integral é necessário. As dificuldades enfrentadas, suas experiências 
sendo elas positivas ou não, devem ser expostas tendo em vista um estudo 
aprofundado sobre o tema em questão, avaliando as narrativas dos professores 
como um todo e não de forma fragmentada. 
A formação continuada do professor é fundamental para o ensino em 
tempo integral. Da mesma forma também é importante que o professor rompa 
com estigmas que nortearam a educação há muitos anos, interagindo com novos 
saberes e deixando para trás a educação bancária, excludente e ultrapassada. 
Demoaponta este rompimento com a educação tradicional. 
Queremos que o professor não fique só olhando para o estudante, ele 
tem que olhar para si também. Enquanto o estudante lê, o professor lê 
também, saindo da função de capataz para ser educador. [...] uma 
escola diferente só se faz com um professor diferente. (DEMO, 2016, 
s./i.). 
 
 Um dos mais importantes programas voltados para educação em tempo 
integral do Governo Federal discorre sobre a necessidade de capacitação do 
professor, haja vista que em uma sociedade mais justa e igualitária é 
imprescindível pensar em educação de qualidade, no acesso e permanência dos 
educandos e claramente o professor deve ser visto como um dos alicerces para 
a garantia do processo de ensino-aprendizagem. 
 O curso superior que capacita o professor é sua base, todavia, faz-se 
necessário mais para fortalecer essa estrutura. Todo o corpo docente da escola 
precisa se preparar dia após dia para o público que se comprometeu em atender, 
nesse caso os alunos. 
 A diversidade cultural da escola pública em tempo integral exige do 
professor novas técnicas, que só serão viáveis por meio da formação continuada 
e tendo a compreensão de que as mudanças sociais ocorrem a todo o tempo 
16 
 
dentro e fora do contexto escolar, o objetivo central da continuidade na formação 
é o desenvolvimento de novas habilidades, favorecendo de forma irrefutável a 
qualidade no ensino. 
 Sobre a valorização do magistério prevista no Plano Nacional de 
Educação, o documento afirma 
Meta 16: formar, em nível de pós-graduação 50% (cinquenta por cento) 
dos professores da educação básica, até o último ano de vigência 
deste PNE, e garantir a todos(as) os(as) profissionais da educação 
básica formação continuada em sua área de atuação, considerando as 
necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas de ensino. 
 
 A formação continuada dos professores permite um alinhamento com os 
objetivos da educação integral, visando um planejamento estratégico traçado 
pelo governo. A ideia não é só a valorização dos profissionais do magistério, mas 
de todo o corpo docente e discente, haja vista que, professores e alunos bem 
como ensino-aprendizagem são indissociáveis. 
 Para ter educação de qualidade nas escolas públicas é preciso investir 
em aprimoramento dos profissionais da educação. Sobre a meta 16, o PNE 
discorre ainda que 
A concretização dessa meta está vinculada aos esforços articulados 
dos entes federativos para dimensionar a demanda por formação 
continuada e promover a respectiva oferta por parte das instituições 
públicas, consolidando assim um planejamento estratégico, em regime 
de colaboração. Impõe-se, dessa forma, a consolidação da política 
nacional de formação de professores da educação básica, com a 
definição de diretrizes nacionais, áreas prioritárias, instituições 
formadoras e processos de certificação das atividades formativas. 
(PNE, p. 51). 
 
O PNE (2014, p. 51), visando assegurar que se cumpra a meta 16, prevê 
a implementação de ações efetivas em conjunto com universidades públicas e 
outros setores da sociedade, com o propósito de implementar planos de carreiras 
para os professores da educação básica, fomentando a garantia da formação 
continuada. 
A formação continuada dos professores torna-se de extrema relevância 
na perspectiva de se obter resultados satisfatórios na escola de ensino em tempo 
integra. O educador encontra meios que viabilizam sua didática, auxiliando seus 
alunos com uma educação significativa, que favoreça o desenvolvimento de 
suas múltiplas dimensões e capacidades. O ensino em tempo integral nas 
17 
 
escolas é um dos facilitadores da relação social, fomentando a multiplicidade dos 
discentes, a autonomia e sua autoimagem positiva. 
 De acordo com Demo (2008, p. 04), 
O docente da escola de tempo integral será de tempo integral [...]. Tem 
o direito de estudar durante o trabalho, porque é trabalho. [...] Aos 
docentes, a educação em tempo integral oferecerá, continuada e 
sistematicamente, oportunidades de formação permanente [...]. A 
distinção entre ensinar e aprender caduca, porque a referência 
substancial é aprender. [...] só ensina quem aprende. Em 
consequência, ambiente de aprendizagem não é só referência 
discente. É, antes, docente. (DEMO, 2008b, p. 04). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES 
 
18 
 
 A terceira etapa da pesquisa tem o objetivo de separar as leis que norteiam 
o ensino em tempo integral, trazendo ao leitor um entendimento específico sobre 
a pesquisa. A partir desta etapa, será feita a apresentação individual de três 
conteúdos. Na primeira parte, o conteúdo abordado fará referência à Lei de 
Diretrizes e Bases, visando compreender sua direta relação com o ensino básico, 
com o ensino integral e apresentando as considerações respectivas. Na segunda 
parte, será apresentado o Programa Novo Mais Educação e o Plano de 
Desenvolvimento da Educação. Já na última parte dos resultados e discussões 
será apresentado o Plano Nacional de Educação, e sua inferência relativa ao 
tema apresentado. 
 
 
3.1 A educação integral na Lei de Diretrizes e Bases 
 
 Sobre a LDB, podemos afirmar que muitas foram as emendas ao longo dos 
anos. Referindo-se ao projeto de 1948, sobre precisar ser estabelecido um único 
ponto de vista ideológico sobre a questão educacacional Saviani (1999, p. 42) 
ressalta que “(...) é possível perceber como a lei aprovada configurou, uma 
solução intermediária, entre os extremos representados pelo projeto original pelo 
substitutivo Lacerda”. 
 Ela também é conhecida como a Lei de Darcy Ribeiro, uma homenagem a 
um importante educador brasileiro, já citado neste trabalho, e um dos principais 
idealizadores da lei atual, sendo um dos precursores do ensino em tempo 
integral no Brasil. 
 A LDB é a lei mais importante voltada para a educação brasileira. Nela 
estão todas as diretrizes para a educação. É importante frisar sua importância, 
ressaltando que a educação é dever da família e do Estado. Inspirada nos 
princípios de liberdade e solidariedade, discorre sobre a educação básica 
obrigatória e gratuita. 
 A LDB recebe muitas críticas, pois acredita-se que ela não resolve todos 
os problemas da educação. Contudo, os mesmos críticos contrários à ela 
apontam sua relevância por ter sido inspirada nos princípios de liberdade e 
solidariedade humana, em consonância com o que preconiza a Constituição 
Federal. 
19 
 
A educação básica tem por finalidade desenvolver o educando e 
assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da 
cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos 
posteriores. (LDB, n. 9.394/1996, Capítulo II, Artigo 22) . 
 
 Sobre o ensino em tempo integral, é preciso entender que esta 
modalidade deve ser pensada de acordo com suas características, garantindo o 
desenvolvimento dos sujeitos em todas as suas dimensões, intelectual, física, 
emocional, social e cultural e se constituir como projeto coletivo, compartilhado 
por crianças, jovens, famílias, educadores, gestores e comunidades locais. 
A jornada escolar no ensino fundamental incluirá, pelo menos, quatro 
horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente 
ampliado o período de permanência na escola. (LDB, n. 9.394/1996, 
1996, Capítulo III, Artigo 34). 
 
 Outro fator relevante a ser considerado pela LDB e sumamente importante 
ao tema apresentado é a garantia do acesso e permanência dos educandos na 
escola. “Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”. (LDB, 
n. 9394/1996, Capítulo II, Artigo 3). 
 É fundamental este entendimento, pois ele amplia e supera concepções 
de que o objetivo do ensino em tempo integral é mais uma forma assistencialista. 
Outrossim,essa é a garantia dos direitos e inserção dos educandos respeitando 
suas pluralidade e respeitando os princípios da alteridade. Para Guará (2006 
p.16), 
Na perspectiva de compreensão do homem como ser 
multidimensional, a educação deve responder a uma multiplicidade de 
exigências do próprio individuo e do contexto em que vive. Assim, a 
educação integral deve ter objetivos que construam relações na 
direção do aperfeiçoamento humano. [...] A educação, como 
constituinte do processo de humanização, que se expressa por meio 
de mediações, assume papel central na organização da convivência 
do humano em suas relações e interações, matéria-prima da 
constituição da vida pessoal e social 
 
 De acordo com a Constituição Federal, a educação é o primeiro direito 
social do cidadão, sendo dever do estado garanti-lo, bem como a formação das 
pessoas que deverão ser preparadas para exercerem sua cidadania e 
qualificação para o trabalho, visando a educação integral do cidadão. 
No que tange à educação integral, há uma brecha na legislação vigente. 
Estudiosos afirmam que esta lacuna abriu espaço para o debate, sendo 
reconhecida como fator importante e positivo. De acordo com Menezes (2012, 
p.140), 
20 
 
[...] estimulou a discussão entre os profissionais da educação sobre as 
contribuições, desafios e impactos do tempo integral no processo de 
formação dos alunos, além de fortalecer o debate sobre a relação entre 
educação integral e tempo integral [...] 
 
Sobre os investimentos destinados à educação, cabe ressaltar a 
relevância do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e 
de Valorização dos Profissionais da Educação. O FUNDEB é o principal fundo 
destinado à educação no Brasil e imprescindível no combate às desigualdades 
sociais, atualmente sua vigência é até o ano de 2020. 
Os recursos do FUNDEB são arrecadados de um percentual proveniente 
das receitas dos estados e municípios. Para que os governos recebam os 
recursos do fundo, faz-se necessário que alcancem um tempo mínimo na jornada 
escolar e números de matrículas. Essas imposições visam estimular os governos 
para que se alcance a educação desejada. Sobre essa importância Menezes 
(2012, p. 143) afirma que 
[...] o avanço na qualidade da educação, amplamente evidenciado na 
legislação educacional brasileira, faz-se associar, entre outros, a 
implantação do custo aluno-qualidade como referência para seu 
financiamento. 
 
Nota-se claramente a importância da Lei de Diretrizes e Bases e do 
FUNDEB para o ensino em tempo integral. Os recursos destinados à educação 
por este fundo têm extrema relevância social, tendo em vista estímulos 
financeiros para a concretização das ações dos governos em relação à 
educação, possibilitando aos educandos seu acesso e permanência na escola, 
além de fomentar o exercício pleno da cidadania. 
 
 
3.2 A educação integral e o Plano Nacional de Educação (PNE) 
 
 A história da educação no Brasil foi marcada pela exclusão social. No 
início do século XX, setenta e cinco por cento da população brasileira era 
analfabeta e o acesso às escolas eram insuficientes. As instituições eram 
despreparadas para o recebimento da população. Com uma política 
segregacionista, o Brasil caminhou lentamente rumo a qualidade de vida de sua 
população. 
21 
 
A maior parte do século XX foi marcada como seletivista, desigual e cruel 
com a educação e sua clientela. O sistema educacional brasileiro não era 
abrangente e em partes do território nacional não havia instituições escolares, 
tampouco acesso à cultura e educação. Sobre essas desigualdades Moll (2012, 
p. 371) explica que 
Acreditava-se, de forma mais ou menos generalizada, que esse 
processo meritocrático revelava os cidadãos mais rápidos para a vida 
escolar. Pressupunha-se que esse mérito estava dado por entre 
“condições naturais” ou por “esforço pessoal” e que aqueles que 
ficavam fora não tinham perfil para a vida acadêmica. Uma espécie de 
darwinismo educacional que nunca chegou a ser completamente 
superado no Brasil. 
 
Nessa época, pouco se fazia pela educação, contudo, ainda assim, a 
crueldade com que os educandos eram tratados, foi considerada o fracasso da 
educação e responsável pela falta de interesse, o que Moll (2012) classificou 
como, Tristes e nefastas conclusões, haja vista que o abandono da educação se 
deu por parte dos governantes e não ao contrário. 
A universalização do ensino constitui-se de uma árdua tarefa para o Brasil 
e está entre as metas do PNE, bem como, a educação em tempo integral, 
voltando ao debate após longos anos. A Constituição Federal define os papéis 
dos entes federativos e sobre a garantia do direito à educação. 
 O Plano Nacional de Educação busca resultados mais efetivos, elaborou 
metas visando enfrentar as barreiras para o acesso e permanência, as 
desigualdades territoriais, levando em conta a pluralidade cultural do povo 
brasileiro. 
 O Ministério da Educação nesse processo teve o papel de coordenar as 
ações, a fim de que se cumpra com o desafio a ele proposto de estimular 
variadas formas de cooperação. 
 Dentro das incumbências do poder público está oportunizar ações e 
condições favoráveis para a implantação das metas do Plano Nacional de 
Educação. 
 A ampliação da jornada escolar, para alguns estudiosos no assunto, torna 
a escola mais atrativa, visível e prazerosa para seus estudantes. De acordo com 
a visão de Jaqueline Moll (2004, p. 42), 
[...] a compreensão da cidade como uma grande rede ou malha de 
espaços pedagógicos formais (escolas, creches, faculdades, 
universidades, institutos) e informais (teatros, praças, museus 
bibliotecas, meios de comunicação, repartições públicas, igrejas, além 
22 
 
do transito, do ônibus, da rua) que, pela intencionalidade das ações 
desenvolvidas, pode converter a cidade em território educativo, pode 
fazer da cidade uma pedagogia. 
 
 No que tange à educação em tempo integral, torna-se relevante afirmar 
que não basta apenas aumentar a jornada escolar. O que é importante nesse 
contexto são as exigências por parte do poder público para que a educação em 
tempo integral tenha um projeto pedagógico diferenciado e sua estrutura possa 
atender à demanda da sociedade na qual a escola está inserida. Da mesma 
forma, é importante pensar na formação continuada dos professores. Nesse 
sentido, de acordo com o PNE (2014, p. 28), 
[...] garantir educação integral requer mais que simplesmente a 
ampliação da jornada escolar diária, exigindo dos sistemas de ensino 
e seus profissionais, da sociedade em geral e das diferentes esferas 
de governo não só o compromisso para que a educação seja de tempo 
integral, mas também um projeto pedagógico diferenciado, a formação 
de seus agentes, a infraestrutura e os meios para sua implantação. 
Assim, as orientações do Ministério da Educação para a educação 
integral apontam que ela será o resultado daquilo que for criado e 
construído em cada escola, em cada rede de ensino, com a 
participação dos educadores, educandos e das comunidades, que 
podem e devem contribuir para ampliar os tempos, as oportunidades e 
os espaços de formação das crianças, adolescentes e jovens, na 
perspectiva de que o acesso à educação pública seja complementado 
pelos processos de permanência e aprendizagem. 
 
 Sobre a formação continuada dos professores e a valorização do 
magistério previstos na meta dezesseis, é correto afirmar que a melhoria da 
qualidade no ensino público oferecido nas escolas públicas depende em grande 
parte do aprioramento dos profissionais da educação e aperfeiçoamento 
permanente dos professores. 
A formação continuada, no âmbito do ensino superior, além de se 
constituir em um direito dos professores da educação básica, 
apresenta-se como uma exigência para e do exercício profissional [...]. 
 
Seria inviável pensar em educação em tempo integral e não refletirsobre 
a eminência da valorização do docente. O PNE prevê, em sua décima sexta 
meta, a valorização do magistério, o caminho para a qualidade educacional 
perpassa pelos profissionais da educação. Sobre isso, Moll (2012, p. 374) afirma 
que 
[...] o debate da escola de tempo e formação integral não é outro senão 
o debate da escola republicana, de qualidade e para todos, construída 
em diferentes países do mundo, em que o professor de dedicação 
integral e exclusiva é elemento-chave. 
 
23 
 
Em suma, percebe-se a relevância do debate em prol da educação em 
tempo integral e a importância da igualdade de condições e aperfeiçoamento 
contínuo dos profissionais da educação. 
 
 
3.3 Série Mais Educação – Educação Integral 
 
Para compreender a educação em tempo integral, é preciso entender os 
programas que a norteiam, servindo como agentes facilitadores para sua 
implementação nas escolas. 
O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), tem por 
finalidade prestar assistência técnica e financeira, executando ações que 
contribuam para a qualidade na educação. Pode-se dizer que o Programa 
Dinheiro Direto na Escola (PDDE), é um espectro do FNDE que, de acordo com 
o fundo, seus objetivos são: 
[...] prestar assistência financeira, em caráter suplementar, às escolas 
públicas da educação básica das redes estaduais, municipais e do 
Distrito Federal e às escolas privadas de educação especial mantidas 
por entidades sem fins lucrativos, registradas no Conselho Nacional de 
Assistência Social (CNAS) como beneficentes de assistência social, ou 
outras similares de atendimento direto e gratuito ao público. O programa 
engloba várias ações e objetiva a melhoria da infraestrutura física e 
pedagógica das escolas e o reforço da autogestão escolar nos planos 
financeiro, administrativo e didático, contribuindo para elevar os índices 
de desempenho da educação básica. 
 
Vale ressaltar que o PDDE é o fundo de investimento que tem trabalhado 
em cooperação com os entes federativos na busca pela qualidade na educação, 
sobretudo, a educação integral, sua cooperação também é destinada ao 
Programa Novo Mais Educação, que será abordado a seguir. 
O Ministério da Educação instituiu pela portaria n°1.144, de 10 de outubro 
de 2016, o Programa Novo Mais Educação, em consonância com a Lei de 
Diretrizes e Bases, tendo em vista o ensino em tempo integral. O PNME visa a 
ampliação da jornada escolar entre cinco ou quinze horas com estudos 
pedagógicos em língua portuguesa e matemática, desenvolvendo também 
trabalhos com arte, cultura e lazer. 
As diretrizes do PNME visam integrar as redes de ensino à políticas de 
educação, atendendo de forma especial crianças e adolescentes oriundas de 
24 
 
regiões de vulnerabilidades sociais, alunos com dificuldades de aprendizagem e 
escolas com baixos indicadores educacionais. 
Duas etapas são necessárias para que a escola possa aderir ao 
programa, de acordo com o Documento do Ministério da Educação (2016, p. 4). 
São elas: 
Na 1ª etapa de adesão, as secretarias municipais, estaduais e distrital 
de educação (Entidades Executoras – EEx) deverão aderir ao Programa 
por meio do módulo PAR do Sistema Integrado de Monitoramento 
Execução e Controle (SIMEC), com a indicação das escolas vinculadas 
que estarão habilitadas a aderirem na 2ª etapa. Na 2ª etapa de adesão, 
as escolas (Unidades Executoras – UEx) selecionadas pelas secretarias 
deverão elaborar o Plano de Atendimento da Escola no sistema PDDE 
Interativo, consistindo esse procedimento na adesão da escola ao 
Programa. 
 
Para aderir ao programa, existem alguns critérios, um deles é que a escola 
tenha o mínimo de 20 alunos no ensino fundamental. A execução do programa 
e seu desenvolvimento deve se dar por intermédio de um Articulador da Escola, 
Mediador da aprendizagem e de um facilitador. Sobre suas ações e 
especificidades, discorrem no Documento do Ministério da Educação (2016, p. 
7), respectivamente, 
Articulador da Escola, será responsável pela coordenação e organização 
das atividades na escola, pela promoção da interação entre a escola e a 
comunidade, pela prestação de informações sobre o desenvolvimento 
das atividades para fins de monitoramento e pela integração do 
programa com Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola. O 
Articulador da Escola deverá ser indicado no Plano de Atendimento da 
Escola, devendo ser professor, coordenador pedagógico ou possuir 
cargo equivalente com carga horária mínima de 20 (vinte) horas, em 
efetivo exercício, preferencialmente lotado na escola 
Mediador da Aprendizagem, será responsável pela realização das 
atividades de Acompanhamento Pedagógico quando a escola fizer a 
opção por realizar 5 (cinco) ou 15 (quinze) horas de atividades 
complementares semanais, [...] responsáveis pelas atividades de 
acompanhamento pedagógico, devem trabalhar de forma articulada com 
os professores da escola para promover a aprendizagem dos alunos nos 
componentes de Matemática e Língua Portuguesa, utilizando, 
preferencialmente, tecnologias e metodologias complementares às já 
empregadas pelos professores em suas turmas. 
Facilitador, será responsável pela realização das 7 (sete) horas de 
atividades de escolha da escola lembrando que estas podem ofertar 5 
(cinco) horas de atividades complementares por semana sendo 2 (duas) 
atividades de Acompanhamento Pedagógico, 1 (uma) de Língua 
Portuguesa e 1 (uma) de Matemática, com 2 (duas) horas e meia de 
duração cada 
 
 
 É fundamental compreender a educação em tempo integral como um 
sistema abrangente, tendo um intenso debate girando a sua volta sobre a 
amplitude do tema da educação em tempo integral e a influência da globalização. 
25 
 
Dentre os desafios encontrados para a educação, está a dificuldade em articular 
programas e serviços de políticas públicas. No âmbito da ampliação do tempo 
nas escolas, as experiências extraescolares devem ser valorizadas, podendo 
haver articulação com instituições parceiras, pois a educação em tempo integral 
precisa ir além dos muros da escola. De acordo com o Texto de Referência da 
Série Mais Educação (2009, p. 34): 
Historicamente, o projeto de Educação Integral está enraizado na 
instituição escolar, o que a pressupõe como espaço privilegiado da 
formação completa do aluno sem, no entanto, considerar-se como o 
único espaço dessa formação. Em outras palavras, a escola – por meio 
de planejamento, projetos integrados e de seu projeto pedagógico – 
pode proporcionar experiências, fora de seu espaço formal, que estão 
vinculadas a esses seus projetos institucionais, elaborados pela 
comunidade escolar. Encontram-se, nesse caso, por exemplo, as 
visitas a museus, parques e idas a outros espaços socioculturais, 
sempre acompanhadas por profissionais que, intencionalmente, 
constroem essas possibilidades educativas em outros espaços 
educativos que se consolidam no projeto maior – o do espaço formal 
de aprendizagens. 
 
 O Projeto de Educação Integral julga de suma importância a valorização 
dos profissionais da educação e propõe que sejam abordados novos conteúdos 
com temas contemporâneos e relevantes para sua especialização. 
Educação Integral pressupõe uma consistente valorização profissional, 
a ser garantida pelos gestores públicos, de modo a permitir dedicação 
exclusiva e qualificada à educação. Também pressupõe adequação 
dos espaços físicos e das condições materiais, lúdicas, científicas e 
tecnológicas a essa nova realidade. A participação dos trabalhadores 
em educação no debate para formular uma proposta de Educação 
Integral, com base em tais pressupostos, é marcada pelas negociações 
para regulamentar o Piso Salarial Nacional Profissional, bem como 
pela mobilização nacional para que o piso seja operacionalizado. 
 
 Para que a educação em tempo integral seja uma realidade nas escolas 
públicas do Brasil, deve se levar em conta suas complexidades e a diversidade 
cultural do meio socialque está inserida. É de grande relevância que o Estado 
promova a equidade e supere a fragmentação da educação. Sobre a importância 
do convívio dos educandos em sociedade o Programa aponta como Redes 
Sócio-educativas. 
A realização da vida em sociedade acontece em uma dimensão de 
tempo e de espaço que se convencionou chamar de território. A 
equação espaço-tempo, demarcada ou delimitada pelas intenções e 
ações humanas, surge como recurso e abrigo para a exteriorização e 
concretização tanto da existência individual como coletiva. 
 
26 
 
 Por fim, a ampliação do tempo escolar, nas mais diversas regiões do país, 
depende dos esforços dos governantes, tendo em vista, o desenvolvimento dos 
educandos, conforme é complementado: 
A ação integrada das esferas de governo e dos entes federados é a 
tarefa imediata para a ampliação das escolas e da jornada escolar, de 
modo a viabilizar a proposição progressiva para uma Educação Integral 
de Tempo Integral [...] Texto de Referência, Série Mais Educação 
(2009, p. 42). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4. CONCLUSÃO 
27 
 
 
Sobre educação integral, concluiu-se que as discussões em torno de sua 
implementação nas escolas públicas são infindáveis e fazem parte da história da 
educação no Brasil desde meados do século XXI. Leis, programas educacionais, 
parâmetros nacionais e planos educacionais regem o ensino integral e a 
extensão do tempo dos alunos na escola, explicitando sua relevância. Para se 
alcançar os objetivos traçados, há um longo caminho, perpassando por 
investimentos sumamente importantes nesta jornada no ensino em tempo 
integral. 
Compreender como a teoria vem sendo aplicada na prática foi um dos 
objetivos da pesquisa. Há muitos desafios para a implantação da educação em 
tempo integral no Brasil, um deles e talvez o maior desafio é a redução de 
investimentos em educação, o que põe em risco metas de ensino em tempo 
integral preconizadas pela Lei de Diretrizes e Bases, de extrema relevância para 
o contexto educacional brasileiro. 
Foi apresentada neste trabalho a análise de leis pertinentes à Educação 
Integral no Brasil, visando compreender a visão de diferentes autores voltados 
para o tema em questão. 
Está pesquisa trouxe a compreensão de que a educação não é 
meramente de caráter assistencialista. A escola pública de tempo integral tem o 
objetivo de trabalhar em conjunto com a sociedade, priorizando o acesso à 
cultura, ao lazer, à educação de qualidade, à socialização e ao desenvolvimento 
do aluno em todas as suas dimensões. 
As leis que regem o ensino em tempo integral nas escolas públicas foram 
fontes norteadoras na busca pela compreensão da pesquisa. Em comum aos 
planejamentos do governo, no centro do processo está o discente. 
Na pesquisa sobre educação em tempo integral nas escolas públicas, 
observou-se a importância do ensino integral, compreendendo que a educação 
está pautada, sobretudo, nas relações pessoais, contribuindo para a formação 
de cidadãos éticos e críticos. 
O tema discorre sobre a necessidade de a escola pública em tempo 
integral acompanhar as mudanças tecnológicas, não só para que seja atrativa 
para os alunos, mas para estar atualizada frente à globalização. 
5. REFERÊNCIAS 
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