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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNICARIOCA DESAFIOS E POSSIBILIDADES DA EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL NAS ESCOLAS PÚBLICAS ROBERTA REIS CORRÊA Rio de Janeiro 2019.2 1 ROBERTA REIS CORRÊA DESAFIOS E POSSIBILIDADES DA EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL NAS ESCOLAS PÚBLICAS Orientadora: Profa. Dra. Carolina Chaves Ferro Rio de Janeiro 2019.2 Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro Universitário Carioca, como requisito parcial pra obtenção do grau de Licenciado em Pedagogia. 2 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a toda minha família, Ao meu marido, meus filhos e meus pais por serem minha rede de apoio na busca pela realização do meu sonho. A minha mãe que, por ser pedagoga, é uma grande inspiração, para mim. Às professoras Carolina Ferro e Juliana Serpa por serem exemplo de educadoras. 3 AGRADECIMENTOS Agradeço aos meus três filhos por terem sido pacientes, educados e por fazer a janta durante o tempo em que, de alguma forma, precisei me ausentar do convívio com nossa família. Vitor Marcelo, Rafaella e Thalita, por vocês realizei meu sonho. Agradeço a minha mãe Maria de Lourdes, presente na minha decisão quando optei pela Pedagogia. Agradeço a minha orientadora Carolina Ferro, por todo apoio e confiança e por acreditar em mim. Agradeço meu marido Fabio pelo amor e apoio que me dedica dia após dia. 4 RESUMO Esta pesquisa busca refletir sobre os desafios e as possibilidades para a educação em tempo integral nas escolas públicas, visando compreender fatos históricos e contemporâneos articulando-os de maneira que possa haver a construção do conhecimento em prol da temática abordada, baseando-se em livros, autores fidedignos e leis que fundamentam a educação em tempo integral. Uma abordagem do início do século XX aos dias atuais sobre as escolas e os movimentos que serviram de exemplo para a implementação do ensino em tempo integral e entender como políticas públicas podem auxiliar na qualidade de vida da sociedade. Palavras–chave: Escola Integral, Escola Pública, Políticas Públicas. 5 SUMÁRIO Nº da página 1 – INTRODUÇÃO 06 2 – REFERENCIAL TEÓRICO 10 3 – RESULTADOS E DISCUSSÕES 18 4 - CONCLUSÃO 27 5 - REFERÊNCIAS 28 6 1 INTRODUÇÃO As discussões sobre o ensino em tempo integral no Brasil tiveram como precursores os educadores Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro. Eles defenderam a educação pública e democrática como um caminho a ser feito para que as classes consideradas mais baixas tivessem acesso a uma educação de qualidade, que promovesse uma transformação em suas vidas. Pensando no processo de construção de conhecimento e de socialização, criaram um espaço de acolhimento para aqueles alunos, onde teriam acesso à arte, cultura, educação e lazer. Teixeira idealizou as escolas parques entre as décadas de 1940 e 1960 e Ribeiro os Centros Integrados de Educação Pública (CIEP) entre as décadas de 1980 e 1990. Atualmente, no Brasil, o grande desafio do ensino em tempo integral pode ser compreendido pela redução dos investimentos em educação que vem ocorrendo nos últimos anos. A regulamentação dos objetivos da educação é feita pelo Estado e, ao ampliar o tempo nas escolas, é fundamental a criação de novas políticas para que haja um bom desenvolvimento dos educandos, tendo em vista que a educação deve ser pública, gratuita e de bom nível para a população. Esta pesquisa tem como objetivo analisar livros e leis pertinentes ao tema, abordando um pouco da história da educação no Brasil, as possibilidades para o ensino em tempo integral, os desafios encontrados, expondo a opinião de diferentes autores em relação à temática. O intuito desta pesquisa é apresentar um assunto contemporâneo, embora o debate no Brasil tenha tido início no século XX. Para promover essas discussões, dividimos o trabalho em duas partes, uma teórica e uma analítica. Na parte teórica, iniciamos dando um panorama geral sobre a legislação que envolve a educação pública em tempo integral. Logo após, discutimos sobre a importância da educação em tempo integral em nosso país, onde as desigualdades sociais e a discrepância entre escolas públicas e privadas são enormes. Por último, refletiremos sobre a capacitação dos professores para atuarem nessas escolas de tempo integral, entendendo que haverá um aumento 7 de atividades e, consequentemente, de escolas para pôr em prática o plano de colocar todas as escolas públicas com esse tipo de ensino. A parte analítica também é dividida em três tópicos. Após a apresentação geral sobre as leis na parte teórica, teremos a discussão na literatura sobre a LDB e, logo após sobre o Plano Nacional de Educação (PNE). Por fim, discutiremos a obra “Série mais educação – educação integral”, que é a norteadora para o debate nacional sobre esse ensino, e está disponível no site do Ministério da Educação. Pretende-se, com este trabalho, demonstrar a importância de uma educação integral que trabalhe a sociedade e a formação cidadã de nossas crianças, com valorização dos educadores, gestores e funcionários e com tranquilidade da família e da sociedade civil. 1.1 Objetivos O objetivo principal deste trabalho é compreender a visão de diferentes autores sobre o ensino em tempo integral e verificar como a ampliação da teoria poderá ser realizada nas escolas brasileiras. Para tentar responder a questão central da pesquisa, também possuímos três objetivos específicos que são: identificar as leis que permitem e possibilitam o ensino em tempo integral; entender como os autores que defendem o ensino integral apontam sua importância social para o indivíduo; apreender quais seriam as estruturas ideais e as necessidades de capacitação dos professores para o ensino integral. 1.2 Justificativa A escolha do tema fundamenta-se no projeto de Lei referente ao PNE para o decênio 2011-2020, que propõe, na meta seis, que cinquenta por cento das escolas públicas de educação básica tenham uma progressiva oferta de educação em tempo integral e a junção da escola com outros espaços educativos e públicos com o auxílio de novas práticas curriculares pedagógicas 8 e de gestão, articulando oportunidades e aprendizado com proteção social. A Portaria Normativa Interministerial nº 17/07, BRASIL (2007, p. 24) tem por objetivo Fomentar a educação integral de crianças, adolescentes e jovens, por meio de atividades socioeducativas, no contra turno escolar, articuladas ao projeto de ensino desenvolvido pela escola. Buscando compreender e explicar a importância do ensino público em tempo integral nas séries iniciais, ampliar democraticamente as oportunidades de aprendizagem em função da necessidade dos pais e responsáveis em ampliar o tempo e o rendimento escolar dos filhos. Dentre as maiores relevâncias, o tema apresentará as questões de segurança, educação e as relações existentes entre elas. O trabalho tem como propósito apresentar as ideias de estudiosos no assunto, buscando compreender a estrutura escolar ideal para a inclusão do ensino em tempo integral, conhecer as reais necessidades de alunos, professores e a comunidade como um todo, na busca por uma educação de qualidade. Sendo assim, entende-se que sociedade civil e educadores devem participar desse debate, sendo esse trabalho uma pequena contribuição paraele. A pesquisa também visa compreender as questões políticas, sociais e históricas que norteiam a metodologia do ensino em tempo integral, atinando-se para a educação que de fato se dá em tempo integral além da escola. Debater o próprio conceito de educação integral também é de suma importância, pois, de acordo com Moacir Gadotti (2009, p. 21-22): Como nos educamos o tempo todo, falar em educação de tempo integral é uma redundância. A educação se dá em tempo integral, na escola, na família, na rua, em todos os turnos, de manhã, de tarde, de noite, no cotidiano de todas as nossas experiências e vivências. O tempo de aprender é aqui e agora. Sempre. 1.3 Metodologia Este tema está baseado na reflexão de autores conceituados sobre a educação em tempo integral. Para isso, o trabalho se dividirá em quatro partes, a primeira parte contemplará de forma geral as legislações que respaldam o ensino em tempo integral e como o cenário da educação brasileira está atualmente com as novas políticas públicas implantadas no país nos últimos anos. 9 No PNE está previsto que, até 2020, 50% das escolas públicas sejam em tempo integral. A pesquisa apresentará os questionamentos feitos por especialistas sobre o ensino em tempo integral, sua relevância e as discussões em prol da implementação deste ensino nas escolas brasileiras. A pesquisa será bibliográfica e qualitativa, pois pretende realizar uma discussão sobre ensino integral utilizando os principais especialistas sobre o assunto e as leis que o norteia. Também haverá uma análise de fontes primárias, que são as leis pertinentes ao assunto, conforme salientado. 1.4 Organização do Trabalho Este trabalho está organizado em três partes. Na primeira, introduziremos o relatório com a apresentação dos objetivos, justificativa e metodologia empregada. Na segunda etapa, realizaremos uma discussão teórica sobre educação em tempo integral, os desafios e possibilidades que giram em torno dessa premissa, concebendo a relevância do debate sobre as questões adequadas ao tema e à construção de uma sociedade mais justa e democrática. Na terceira parte, faremos uma discussão aprofundada da LDB, do PNE e da obra “Série Mais Educação” – Educação Integral, que é o texto referência para o debate nacional sobre o assunto. Por último, este trabalho apresentará as conclusões finais e as referências utilizadas. 10 2. REFERENCIAL TEÓRICO Atualmente, a legislação vigente beneficia a educação em tempo integral. A Lei de Diretrizes e Bases prevê a progressão da jornada escolar, bem como o Programa Novo Mais Educação e o Plano Nacional de Educação. Entretanto, uma Proposta de Emenda Constitucional congela gastos com educação e saúde por vinte anos. De acordo com Cavaliere (2002), por muitos anos as questões que envolvem os desafios do ensino em tempo integral estão relacionadas ao não acolhimento de escolas que demandem investimentos elevados. A proposta pedagógica norteadora da educação em tempo integral almeja beneficiar crianças carentes, com espaços adequados para seu desenvolvimento integral, e assim promover a equidade. Para tentar compreender um pouco sobre esse modelo educacional, começaremos apontando a legislação sobre o ensino integral. Logo após, refletiremos sobre a importância desse ensino nos dias atuais e, por último, debateremos sobre a capacitação dos professores. 2.1 A legislação do ensino integral A Lei de Diretrizes e Bases preconiza a ampliação da jornada escolar e o período de permanência dos alunos na escola. Contudo, só no ano de 2006, aliado a outros programas, o governo criou o Programa Mais Educação, regulamentado pelo Decreto n° 7.083, de 27 de Janeiro de 2010, e sumamente importante no que tange à Educação Integral no Brasil. Visto como um programa estruturante, resignificou o ensino em tempo integral, modificando suas estruturas na escola. De acordo com Jaqueline Moll (2012, p. 133), A identidade do Programa Mais Educação é a sua preocupação em ampliar a jornada escolar modificando a rotina da escola [...]. Esse aspecto refere-se ao esforço para contribuir no redimensionamento da organização seriada e rígida dos tempos na vida da escola, contribuição esta reconhecida nos conceitos de ciclos de formação que redimensionam os tempos de aprendizagem e de cidade educadora, território educativo, comunidade de aprendizagem que pautam novas articulações entre os saberes escolares, seus agentes (professores e estudantes) e suas possíveis fontes. Esses últimos articulam as relações entre cidade, comunidade, escola e os diferentes agentes 11 educativos, de modo que a própria cidade se constitua como espaço de formação humana. Um dos objetivos da educação em tempo integral é o pleno desenvolvimento da criança como agente transformador. A Lei de Diretrizes e Bases Nacional prevê o aumento progressivo da jornada escolar. Para que o objetivo seja alcançado, faz-se necessário haver mudanças na escola e uma articulação com diversos setores da sociedade. É importante que seja pensado na estrutura para suprir a demanda do ensino em tempo integral. O Plano de Desenvolvimento da Educação, o PDE, auxilia para que a escola realize da melhor forma o seu trabalho, assegurando que os objetivos sejam alcançados. O PDE é considerado um planejamento estratégico, focado na melhoria do ensino-aprendizagem e em sua qualidade, sua elaboração dá ênfase a liderança pois acredita que o seu sucesso depende do compromisso com a gestão de qualidade. A Educação em Tempo Integral possui metas previstas em lei para melhorar a qualidade do ensino nas escolas públicas. O Plano Nacional de Educação estabelece, na meta seis, que 50% das escolas públicas até o ano de 2020, tenham o ensino em tempo integral. Contudo é preciso pensar também em novos conteúdos, na formação integral do indivíduo, fomentando competências como autonomia, responsabilidade, autogestão, empatia, comunicação e criticidade como novas atitudes sociais. Não é sobre prolongar o tempo do aluno na escola, mas sobre formar o aluno em sua integralidade. É necessário que a estrutura nas Escolas em Tempo Integral atenda a população. O ponto de partida é o conhecimento da criança e compreender o desafio que a escola encontrará pela frente, tendo em vista sempre o desenvolvimento social do aluno, compreendendo que esse desenvolvimento se dá a partir do social para o individual. A Lei n° 9.394/96 (LDB), em seus artigos 34 e 87, prevê o aumento progressivo da jornada escolar para a jornada em tempo integral, conforme segue: Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola. [...] § 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral, a critério dos sistemas de ensino. […] 12 Art. 87 § 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das redes escolares públicas e urbanas de ensino fundamental para o regime de escolas de tempo integral. O Plano Nacional de Educação (PNE), Lei nº 13.005/2014, garante a oferta de Educação Integral em seus Objetivos e Metas: Meta 6: oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) da escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) dos (as) alunos (as) da educação básica. Estratégia 6.1: promover, com o apoio da União, a oferta de educação básica pública em tempo integral, por meio de atividades de acompanhamento pedagógico e multidisciplinares, inclusive culturais e esportivas, de forma que o tempo de permanência dos(as) alunos(as) na escola, ou sob sua responsabilidade, passe a ser igual ou superior a 7 (sete) horas diárias durante todo o ano letivo, com a ampliação progressivada jornada de professores em uma única escola. No campo das políticas sociais e suas ações está a Educação em Tempo Integral, respaldada por legislação como a Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), mas o dever do Estado para a Educação Básica vai além da escola, acrescentando o atendimento aos estudantes em prol de transformações políticas, econômicas e sociais, exigindo, assim, a ampliação do tempo de ensino obrigatório no Brasil. No Ensino Fundamental é indispensável expandir os espaços educacionais, seja na vivência das demais experiências, nas artes, cultura ou esportes. Para isso, os momentos de formação caracterizam-se como contextos para coparticipar na aprendizagem e preparação que favoreçam a integralidade dos educandos. Entre as orientações para o ensino fundamental, cabe ressaltar as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil que providenciam elementos importantes para a revisão da Proposta Pedagógica do Ensino Fundamental (SEB/MEC, 2004, p. 15-16): As propostas pedagógicas [...] devem promover, em suas práticas de educação e cuidados, a integração entre os aspectos físicos, emocionais, afetivos, cognitivo/ linguísticos e sociais da criança, entendendo que ela é um ser total, completo e indivisível. Dessa forma, sentir, brincar, expressar-se, relacionar-se, mover-se, organizar-se, cuidar-se, agir e responsabilizar-se são partes do todo de cada indivíduo [...]; 2.2 A importância do ensino integral na educação do século XXI 13 O aumento do trabalho do professor deve ser repensado no projeto de educação para este século, tendo em vista serem muitas as atribuições que vão além de suas obrigações. O professor não pode suprir a falta de psicólogos e da orientação pedagógica na escola. A educação que se almeja para é século XXI vai além de novas tecnologias, está pautada nas relações pessoais, na cooperação da comunidade, especialmente da família. De acordo com Libâneo (1997, p. 167): “A escola ainda é o lugar mais adequado para a conquista da cultura, da ciência e do desenvolvimento das capacidades intelectuais”. Um conjunto de transformações na educação do século XXI está sendo feito e é preciso estar atento a essas mudanças. A escola precisa se adequar a este novo modelo, as organizações do trabalho e novos hábitos. Essas são algumas das estruturas que Libâneo reconhece como globalização do ensino. Globalização, portanto, designa uma Gama de fatores econômicos, sociais, políticos e culturais que expressam o espírito da época e a etapa de desenvolvimento do capitalismo em que o mundo se encontra atualmente. Esse termo sugere a ideia de movimentação intensa, ou seja, de que as pessoas estão em meio a um acelerado processo de integração capitalista. Exatamente por isso, há quem diga que a globalização é um conceito ou uma construção ideológica. (LIBÂNEO et al, 2009, p. 51) A escola do século XXI deve contribuir para a formação de cidadãos éticos, solidários, responsáveis, críticos e capazes de obter um permanente aprendizado. Afetada por novas mudanças no cenário político atual, a educação passa por reformulações, desde os investimentos até os objetivos educacionais, o que altera inclusive os objetivos dos professores, que precisam se manter atualizados com recursos mais avançados, objetivando a motivação dos alunos. [...] a globalização tem provocado um quadro dramático de desemprego e de exclusão social que tende a se intensificar, sobretudo nos países pobres, caso não ocorram ações que ponham a economia a serviço da sociedade, com a finalidade de gerar maior justiça social. Tais medidas no âmbito da educação, têm sido viabilizadas pelas chamadas reformas neoliberais impostas pelas corporações e pelas instituições financeiras internacionais [...] Os documentos que propõe tais reformas, em geral, sustentam-se na ideia do mercado como princípio fundador, unificador e auto-regulador da sociedade global competitiva. Alguns deles tentam convencer, ainda, de que o livre mercado é capaz de resolver todas as mazelas sociais. Pura ilusão! (LIBÂNEO et al, 2009, p. 25). As reformas educacionais ocorridas em paises desenvolvidos visavam a melhoria do sistema educacional e também a demanda da globalização. Para que haja no Brasil uma modernização no ensino, é necessário haver também 14 atualização na forma como o governo vem agindo com as escolas, com a educação de forma geral e como tem focado nas classes mais baixas da sociedade, tendo em vista serem elas o centro dessa reformulação, buscando sempre que nesse processo não haja exclusão das camadas mais pobres. Uma nova sociedade está surgindo, com novas necessidades, novos ideais, novas formas de ensinar e aprender, a respeito disso, estão os avanços da tecnologia e da informação como marcos do século XXI, sobre esses avanços Libâneo (2009, p.109) afirma que Essa equipação eletrônica está associada a certa ansiedade ocorrida e produzida pela revolução tecnológica e pelas demandas e finalidades diversas de políticas educacionais com intenso processo de transformações técno-científicas, econômicas, sociais, culturais, e políticas pelas quais passam as sociedades contemporâneas. A equipação eletrônica da escola constitui, todavia, apenas a ponta do iceberg que a revolução tecnológica representa para o campo educacional. É preciso mergulhar e ir mais eu do nas razões, nos impactos e nas perspectivas dessa revolução para a educação [...] O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) sinaliza para uma flexibilização dos conteúdos abordados pela escola, visando desenvolver e promover a autonomia e diversidade, pensando sempre nas múltiplas formas de ensino-aprendizagens e organização pedagógica a serem contextualizados com a realidade do educando e os projetos devem ser articulados com suas áreas de conhecimento. No que tange à interdisciplinaridade, Santomé (1998, p. 630) afirma que ela [...] implica uma vontade e compromisso de elaborar um contexto mais geral, no qual cada uma das disciplinas em contato são, por sua vez, modificadas e passam a depender claramente umas das outras. Aqui se estabelece uma interação entre duas ou mais disciplinas, o que resultará em intercomunicação e enriquecimento recíproco e, consequentemente, em uma transformação de suas metodologias de pesquisa, em uma modificação de conceitos, de terminologias fundamentais etc. Entre as diferentes matérias ocorrem intercâmbios mútuos e recíprocas integrações; existe um equilíbrio de forças nas relações estabelecidas. Neste sentido, o professor que atuar no ensino integral deve se atualizar em meio à nossa sociedade globalizada e tecnológica, trabalhando em prol da inclusão desses alunos de baixa renda nesta sociedade excludente e se esforçando para pensar de forma interdisciplinar. Sobre esta questão, veremos um pouco mais a seguir. 15 2.3 O ensino integral e a capacitação dos professores. Dentre as metas do Plano Nacional de Educação, está também a formação continuada dos professores. Para melhorar a educação é imprescindível ter, no ambiente escolar, professores capacitados para exercerem suas funções, entendendo que esse é um processo permanente para o aperfeiçoamento do docente. O diálogo com professores da educação em tempo integral é necessário. As dificuldades enfrentadas, suas experiências sendo elas positivas ou não, devem ser expostas tendo em vista um estudo aprofundado sobre o tema em questão, avaliando as narrativas dos professores como um todo e não de forma fragmentada. A formação continuada do professor é fundamental para o ensino em tempo integral. Da mesma forma também é importante que o professor rompa com estigmas que nortearam a educação há muitos anos, interagindo com novos saberes e deixando para trás a educação bancária, excludente e ultrapassada. Demoaponta este rompimento com a educação tradicional. Queremos que o professor não fique só olhando para o estudante, ele tem que olhar para si também. Enquanto o estudante lê, o professor lê também, saindo da função de capataz para ser educador. [...] uma escola diferente só se faz com um professor diferente. (DEMO, 2016, s./i.). Um dos mais importantes programas voltados para educação em tempo integral do Governo Federal discorre sobre a necessidade de capacitação do professor, haja vista que em uma sociedade mais justa e igualitária é imprescindível pensar em educação de qualidade, no acesso e permanência dos educandos e claramente o professor deve ser visto como um dos alicerces para a garantia do processo de ensino-aprendizagem. O curso superior que capacita o professor é sua base, todavia, faz-se necessário mais para fortalecer essa estrutura. Todo o corpo docente da escola precisa se preparar dia após dia para o público que se comprometeu em atender, nesse caso os alunos. A diversidade cultural da escola pública em tempo integral exige do professor novas técnicas, que só serão viáveis por meio da formação continuada e tendo a compreensão de que as mudanças sociais ocorrem a todo o tempo 16 dentro e fora do contexto escolar, o objetivo central da continuidade na formação é o desenvolvimento de novas habilidades, favorecendo de forma irrefutável a qualidade no ensino. Sobre a valorização do magistério prevista no Plano Nacional de Educação, o documento afirma Meta 16: formar, em nível de pós-graduação 50% (cinquenta por cento) dos professores da educação básica, até o último ano de vigência deste PNE, e garantir a todos(as) os(as) profissionais da educação básica formação continuada em sua área de atuação, considerando as necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas de ensino. A formação continuada dos professores permite um alinhamento com os objetivos da educação integral, visando um planejamento estratégico traçado pelo governo. A ideia não é só a valorização dos profissionais do magistério, mas de todo o corpo docente e discente, haja vista que, professores e alunos bem como ensino-aprendizagem são indissociáveis. Para ter educação de qualidade nas escolas públicas é preciso investir em aprimoramento dos profissionais da educação. Sobre a meta 16, o PNE discorre ainda que A concretização dessa meta está vinculada aos esforços articulados dos entes federativos para dimensionar a demanda por formação continuada e promover a respectiva oferta por parte das instituições públicas, consolidando assim um planejamento estratégico, em regime de colaboração. Impõe-se, dessa forma, a consolidação da política nacional de formação de professores da educação básica, com a definição de diretrizes nacionais, áreas prioritárias, instituições formadoras e processos de certificação das atividades formativas. (PNE, p. 51). O PNE (2014, p. 51), visando assegurar que se cumpra a meta 16, prevê a implementação de ações efetivas em conjunto com universidades públicas e outros setores da sociedade, com o propósito de implementar planos de carreiras para os professores da educação básica, fomentando a garantia da formação continuada. A formação continuada dos professores torna-se de extrema relevância na perspectiva de se obter resultados satisfatórios na escola de ensino em tempo integra. O educador encontra meios que viabilizam sua didática, auxiliando seus alunos com uma educação significativa, que favoreça o desenvolvimento de suas múltiplas dimensões e capacidades. O ensino em tempo integral nas 17 escolas é um dos facilitadores da relação social, fomentando a multiplicidade dos discentes, a autonomia e sua autoimagem positiva. De acordo com Demo (2008, p. 04), O docente da escola de tempo integral será de tempo integral [...]. Tem o direito de estudar durante o trabalho, porque é trabalho. [...] Aos docentes, a educação em tempo integral oferecerá, continuada e sistematicamente, oportunidades de formação permanente [...]. A distinção entre ensinar e aprender caduca, porque a referência substancial é aprender. [...] só ensina quem aprende. Em consequência, ambiente de aprendizagem não é só referência discente. É, antes, docente. (DEMO, 2008b, p. 04). 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES 18 A terceira etapa da pesquisa tem o objetivo de separar as leis que norteiam o ensino em tempo integral, trazendo ao leitor um entendimento específico sobre a pesquisa. A partir desta etapa, será feita a apresentação individual de três conteúdos. Na primeira parte, o conteúdo abordado fará referência à Lei de Diretrizes e Bases, visando compreender sua direta relação com o ensino básico, com o ensino integral e apresentando as considerações respectivas. Na segunda parte, será apresentado o Programa Novo Mais Educação e o Plano de Desenvolvimento da Educação. Já na última parte dos resultados e discussões será apresentado o Plano Nacional de Educação, e sua inferência relativa ao tema apresentado. 3.1 A educação integral na Lei de Diretrizes e Bases Sobre a LDB, podemos afirmar que muitas foram as emendas ao longo dos anos. Referindo-se ao projeto de 1948, sobre precisar ser estabelecido um único ponto de vista ideológico sobre a questão educacacional Saviani (1999, p. 42) ressalta que “(...) é possível perceber como a lei aprovada configurou, uma solução intermediária, entre os extremos representados pelo projeto original pelo substitutivo Lacerda”. Ela também é conhecida como a Lei de Darcy Ribeiro, uma homenagem a um importante educador brasileiro, já citado neste trabalho, e um dos principais idealizadores da lei atual, sendo um dos precursores do ensino em tempo integral no Brasil. A LDB é a lei mais importante voltada para a educação brasileira. Nela estão todas as diretrizes para a educação. É importante frisar sua importância, ressaltando que a educação é dever da família e do Estado. Inspirada nos princípios de liberdade e solidariedade, discorre sobre a educação básica obrigatória e gratuita. A LDB recebe muitas críticas, pois acredita-se que ela não resolve todos os problemas da educação. Contudo, os mesmos críticos contrários à ela apontam sua relevância por ter sido inspirada nos princípios de liberdade e solidariedade humana, em consonância com o que preconiza a Constituição Federal. 19 A educação básica tem por finalidade desenvolver o educando e assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. (LDB, n. 9.394/1996, Capítulo II, Artigo 22) . Sobre o ensino em tempo integral, é preciso entender que esta modalidade deve ser pensada de acordo com suas características, garantindo o desenvolvimento dos sujeitos em todas as suas dimensões, intelectual, física, emocional, social e cultural e se constituir como projeto coletivo, compartilhado por crianças, jovens, famílias, educadores, gestores e comunidades locais. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá, pelo menos, quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola. (LDB, n. 9.394/1996, 1996, Capítulo III, Artigo 34). Outro fator relevante a ser considerado pela LDB e sumamente importante ao tema apresentado é a garantia do acesso e permanência dos educandos na escola. “Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”. (LDB, n. 9394/1996, Capítulo II, Artigo 3). É fundamental este entendimento, pois ele amplia e supera concepções de que o objetivo do ensino em tempo integral é mais uma forma assistencialista. Outrossim,essa é a garantia dos direitos e inserção dos educandos respeitando suas pluralidade e respeitando os princípios da alteridade. Para Guará (2006 p.16), Na perspectiva de compreensão do homem como ser multidimensional, a educação deve responder a uma multiplicidade de exigências do próprio individuo e do contexto em que vive. Assim, a educação integral deve ter objetivos que construam relações na direção do aperfeiçoamento humano. [...] A educação, como constituinte do processo de humanização, que se expressa por meio de mediações, assume papel central na organização da convivência do humano em suas relações e interações, matéria-prima da constituição da vida pessoal e social De acordo com a Constituição Federal, a educação é o primeiro direito social do cidadão, sendo dever do estado garanti-lo, bem como a formação das pessoas que deverão ser preparadas para exercerem sua cidadania e qualificação para o trabalho, visando a educação integral do cidadão. No que tange à educação integral, há uma brecha na legislação vigente. Estudiosos afirmam que esta lacuna abriu espaço para o debate, sendo reconhecida como fator importante e positivo. De acordo com Menezes (2012, p.140), 20 [...] estimulou a discussão entre os profissionais da educação sobre as contribuições, desafios e impactos do tempo integral no processo de formação dos alunos, além de fortalecer o debate sobre a relação entre educação integral e tempo integral [...] Sobre os investimentos destinados à educação, cabe ressaltar a relevância do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação. O FUNDEB é o principal fundo destinado à educação no Brasil e imprescindível no combate às desigualdades sociais, atualmente sua vigência é até o ano de 2020. Os recursos do FUNDEB são arrecadados de um percentual proveniente das receitas dos estados e municípios. Para que os governos recebam os recursos do fundo, faz-se necessário que alcancem um tempo mínimo na jornada escolar e números de matrículas. Essas imposições visam estimular os governos para que se alcance a educação desejada. Sobre essa importância Menezes (2012, p. 143) afirma que [...] o avanço na qualidade da educação, amplamente evidenciado na legislação educacional brasileira, faz-se associar, entre outros, a implantação do custo aluno-qualidade como referência para seu financiamento. Nota-se claramente a importância da Lei de Diretrizes e Bases e do FUNDEB para o ensino em tempo integral. Os recursos destinados à educação por este fundo têm extrema relevância social, tendo em vista estímulos financeiros para a concretização das ações dos governos em relação à educação, possibilitando aos educandos seu acesso e permanência na escola, além de fomentar o exercício pleno da cidadania. 3.2 A educação integral e o Plano Nacional de Educação (PNE) A história da educação no Brasil foi marcada pela exclusão social. No início do século XX, setenta e cinco por cento da população brasileira era analfabeta e o acesso às escolas eram insuficientes. As instituições eram despreparadas para o recebimento da população. Com uma política segregacionista, o Brasil caminhou lentamente rumo a qualidade de vida de sua população. 21 A maior parte do século XX foi marcada como seletivista, desigual e cruel com a educação e sua clientela. O sistema educacional brasileiro não era abrangente e em partes do território nacional não havia instituições escolares, tampouco acesso à cultura e educação. Sobre essas desigualdades Moll (2012, p. 371) explica que Acreditava-se, de forma mais ou menos generalizada, que esse processo meritocrático revelava os cidadãos mais rápidos para a vida escolar. Pressupunha-se que esse mérito estava dado por entre “condições naturais” ou por “esforço pessoal” e que aqueles que ficavam fora não tinham perfil para a vida acadêmica. Uma espécie de darwinismo educacional que nunca chegou a ser completamente superado no Brasil. Nessa época, pouco se fazia pela educação, contudo, ainda assim, a crueldade com que os educandos eram tratados, foi considerada o fracasso da educação e responsável pela falta de interesse, o que Moll (2012) classificou como, Tristes e nefastas conclusões, haja vista que o abandono da educação se deu por parte dos governantes e não ao contrário. A universalização do ensino constitui-se de uma árdua tarefa para o Brasil e está entre as metas do PNE, bem como, a educação em tempo integral, voltando ao debate após longos anos. A Constituição Federal define os papéis dos entes federativos e sobre a garantia do direito à educação. O Plano Nacional de Educação busca resultados mais efetivos, elaborou metas visando enfrentar as barreiras para o acesso e permanência, as desigualdades territoriais, levando em conta a pluralidade cultural do povo brasileiro. O Ministério da Educação nesse processo teve o papel de coordenar as ações, a fim de que se cumpra com o desafio a ele proposto de estimular variadas formas de cooperação. Dentro das incumbências do poder público está oportunizar ações e condições favoráveis para a implantação das metas do Plano Nacional de Educação. A ampliação da jornada escolar, para alguns estudiosos no assunto, torna a escola mais atrativa, visível e prazerosa para seus estudantes. De acordo com a visão de Jaqueline Moll (2004, p. 42), [...] a compreensão da cidade como uma grande rede ou malha de espaços pedagógicos formais (escolas, creches, faculdades, universidades, institutos) e informais (teatros, praças, museus bibliotecas, meios de comunicação, repartições públicas, igrejas, além 22 do transito, do ônibus, da rua) que, pela intencionalidade das ações desenvolvidas, pode converter a cidade em território educativo, pode fazer da cidade uma pedagogia. No que tange à educação em tempo integral, torna-se relevante afirmar que não basta apenas aumentar a jornada escolar. O que é importante nesse contexto são as exigências por parte do poder público para que a educação em tempo integral tenha um projeto pedagógico diferenciado e sua estrutura possa atender à demanda da sociedade na qual a escola está inserida. Da mesma forma, é importante pensar na formação continuada dos professores. Nesse sentido, de acordo com o PNE (2014, p. 28), [...] garantir educação integral requer mais que simplesmente a ampliação da jornada escolar diária, exigindo dos sistemas de ensino e seus profissionais, da sociedade em geral e das diferentes esferas de governo não só o compromisso para que a educação seja de tempo integral, mas também um projeto pedagógico diferenciado, a formação de seus agentes, a infraestrutura e os meios para sua implantação. Assim, as orientações do Ministério da Educação para a educação integral apontam que ela será o resultado daquilo que for criado e construído em cada escola, em cada rede de ensino, com a participação dos educadores, educandos e das comunidades, que podem e devem contribuir para ampliar os tempos, as oportunidades e os espaços de formação das crianças, adolescentes e jovens, na perspectiva de que o acesso à educação pública seja complementado pelos processos de permanência e aprendizagem. Sobre a formação continuada dos professores e a valorização do magistério previstos na meta dezesseis, é correto afirmar que a melhoria da qualidade no ensino público oferecido nas escolas públicas depende em grande parte do aprioramento dos profissionais da educação e aperfeiçoamento permanente dos professores. A formação continuada, no âmbito do ensino superior, além de se constituir em um direito dos professores da educação básica, apresenta-se como uma exigência para e do exercício profissional [...]. Seria inviável pensar em educação em tempo integral e não refletirsobre a eminência da valorização do docente. O PNE prevê, em sua décima sexta meta, a valorização do magistério, o caminho para a qualidade educacional perpassa pelos profissionais da educação. Sobre isso, Moll (2012, p. 374) afirma que [...] o debate da escola de tempo e formação integral não é outro senão o debate da escola republicana, de qualidade e para todos, construída em diferentes países do mundo, em que o professor de dedicação integral e exclusiva é elemento-chave. 23 Em suma, percebe-se a relevância do debate em prol da educação em tempo integral e a importância da igualdade de condições e aperfeiçoamento contínuo dos profissionais da educação. 3.3 Série Mais Educação – Educação Integral Para compreender a educação em tempo integral, é preciso entender os programas que a norteiam, servindo como agentes facilitadores para sua implementação nas escolas. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), tem por finalidade prestar assistência técnica e financeira, executando ações que contribuam para a qualidade na educação. Pode-se dizer que o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), é um espectro do FNDE que, de acordo com o fundo, seus objetivos são: [...] prestar assistência financeira, em caráter suplementar, às escolas públicas da educação básica das redes estaduais, municipais e do Distrito Federal e às escolas privadas de educação especial mantidas por entidades sem fins lucrativos, registradas no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) como beneficentes de assistência social, ou outras similares de atendimento direto e gratuito ao público. O programa engloba várias ações e objetiva a melhoria da infraestrutura física e pedagógica das escolas e o reforço da autogestão escolar nos planos financeiro, administrativo e didático, contribuindo para elevar os índices de desempenho da educação básica. Vale ressaltar que o PDDE é o fundo de investimento que tem trabalhado em cooperação com os entes federativos na busca pela qualidade na educação, sobretudo, a educação integral, sua cooperação também é destinada ao Programa Novo Mais Educação, que será abordado a seguir. O Ministério da Educação instituiu pela portaria n°1.144, de 10 de outubro de 2016, o Programa Novo Mais Educação, em consonância com a Lei de Diretrizes e Bases, tendo em vista o ensino em tempo integral. O PNME visa a ampliação da jornada escolar entre cinco ou quinze horas com estudos pedagógicos em língua portuguesa e matemática, desenvolvendo também trabalhos com arte, cultura e lazer. As diretrizes do PNME visam integrar as redes de ensino à políticas de educação, atendendo de forma especial crianças e adolescentes oriundas de 24 regiões de vulnerabilidades sociais, alunos com dificuldades de aprendizagem e escolas com baixos indicadores educacionais. Duas etapas são necessárias para que a escola possa aderir ao programa, de acordo com o Documento do Ministério da Educação (2016, p. 4). São elas: Na 1ª etapa de adesão, as secretarias municipais, estaduais e distrital de educação (Entidades Executoras – EEx) deverão aderir ao Programa por meio do módulo PAR do Sistema Integrado de Monitoramento Execução e Controle (SIMEC), com a indicação das escolas vinculadas que estarão habilitadas a aderirem na 2ª etapa. Na 2ª etapa de adesão, as escolas (Unidades Executoras – UEx) selecionadas pelas secretarias deverão elaborar o Plano de Atendimento da Escola no sistema PDDE Interativo, consistindo esse procedimento na adesão da escola ao Programa. Para aderir ao programa, existem alguns critérios, um deles é que a escola tenha o mínimo de 20 alunos no ensino fundamental. A execução do programa e seu desenvolvimento deve se dar por intermédio de um Articulador da Escola, Mediador da aprendizagem e de um facilitador. Sobre suas ações e especificidades, discorrem no Documento do Ministério da Educação (2016, p. 7), respectivamente, Articulador da Escola, será responsável pela coordenação e organização das atividades na escola, pela promoção da interação entre a escola e a comunidade, pela prestação de informações sobre o desenvolvimento das atividades para fins de monitoramento e pela integração do programa com Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola. O Articulador da Escola deverá ser indicado no Plano de Atendimento da Escola, devendo ser professor, coordenador pedagógico ou possuir cargo equivalente com carga horária mínima de 20 (vinte) horas, em efetivo exercício, preferencialmente lotado na escola Mediador da Aprendizagem, será responsável pela realização das atividades de Acompanhamento Pedagógico quando a escola fizer a opção por realizar 5 (cinco) ou 15 (quinze) horas de atividades complementares semanais, [...] responsáveis pelas atividades de acompanhamento pedagógico, devem trabalhar de forma articulada com os professores da escola para promover a aprendizagem dos alunos nos componentes de Matemática e Língua Portuguesa, utilizando, preferencialmente, tecnologias e metodologias complementares às já empregadas pelos professores em suas turmas. Facilitador, será responsável pela realização das 7 (sete) horas de atividades de escolha da escola lembrando que estas podem ofertar 5 (cinco) horas de atividades complementares por semana sendo 2 (duas) atividades de Acompanhamento Pedagógico, 1 (uma) de Língua Portuguesa e 1 (uma) de Matemática, com 2 (duas) horas e meia de duração cada É fundamental compreender a educação em tempo integral como um sistema abrangente, tendo um intenso debate girando a sua volta sobre a amplitude do tema da educação em tempo integral e a influência da globalização. 25 Dentre os desafios encontrados para a educação, está a dificuldade em articular programas e serviços de políticas públicas. No âmbito da ampliação do tempo nas escolas, as experiências extraescolares devem ser valorizadas, podendo haver articulação com instituições parceiras, pois a educação em tempo integral precisa ir além dos muros da escola. De acordo com o Texto de Referência da Série Mais Educação (2009, p. 34): Historicamente, o projeto de Educação Integral está enraizado na instituição escolar, o que a pressupõe como espaço privilegiado da formação completa do aluno sem, no entanto, considerar-se como o único espaço dessa formação. Em outras palavras, a escola – por meio de planejamento, projetos integrados e de seu projeto pedagógico – pode proporcionar experiências, fora de seu espaço formal, que estão vinculadas a esses seus projetos institucionais, elaborados pela comunidade escolar. Encontram-se, nesse caso, por exemplo, as visitas a museus, parques e idas a outros espaços socioculturais, sempre acompanhadas por profissionais que, intencionalmente, constroem essas possibilidades educativas em outros espaços educativos que se consolidam no projeto maior – o do espaço formal de aprendizagens. O Projeto de Educação Integral julga de suma importância a valorização dos profissionais da educação e propõe que sejam abordados novos conteúdos com temas contemporâneos e relevantes para sua especialização. Educação Integral pressupõe uma consistente valorização profissional, a ser garantida pelos gestores públicos, de modo a permitir dedicação exclusiva e qualificada à educação. Também pressupõe adequação dos espaços físicos e das condições materiais, lúdicas, científicas e tecnológicas a essa nova realidade. A participação dos trabalhadores em educação no debate para formular uma proposta de Educação Integral, com base em tais pressupostos, é marcada pelas negociações para regulamentar o Piso Salarial Nacional Profissional, bem como pela mobilização nacional para que o piso seja operacionalizado. Para que a educação em tempo integral seja uma realidade nas escolas públicas do Brasil, deve se levar em conta suas complexidades e a diversidade cultural do meio socialque está inserida. É de grande relevância que o Estado promova a equidade e supere a fragmentação da educação. Sobre a importância do convívio dos educandos em sociedade o Programa aponta como Redes Sócio-educativas. A realização da vida em sociedade acontece em uma dimensão de tempo e de espaço que se convencionou chamar de território. A equação espaço-tempo, demarcada ou delimitada pelas intenções e ações humanas, surge como recurso e abrigo para a exteriorização e concretização tanto da existência individual como coletiva. 26 Por fim, a ampliação do tempo escolar, nas mais diversas regiões do país, depende dos esforços dos governantes, tendo em vista, o desenvolvimento dos educandos, conforme é complementado: A ação integrada das esferas de governo e dos entes federados é a tarefa imediata para a ampliação das escolas e da jornada escolar, de modo a viabilizar a proposição progressiva para uma Educação Integral de Tempo Integral [...] Texto de Referência, Série Mais Educação (2009, p. 42). 4. CONCLUSÃO 27 Sobre educação integral, concluiu-se que as discussões em torno de sua implementação nas escolas públicas são infindáveis e fazem parte da história da educação no Brasil desde meados do século XXI. Leis, programas educacionais, parâmetros nacionais e planos educacionais regem o ensino integral e a extensão do tempo dos alunos na escola, explicitando sua relevância. Para se alcançar os objetivos traçados, há um longo caminho, perpassando por investimentos sumamente importantes nesta jornada no ensino em tempo integral. Compreender como a teoria vem sendo aplicada na prática foi um dos objetivos da pesquisa. Há muitos desafios para a implantação da educação em tempo integral no Brasil, um deles e talvez o maior desafio é a redução de investimentos em educação, o que põe em risco metas de ensino em tempo integral preconizadas pela Lei de Diretrizes e Bases, de extrema relevância para o contexto educacional brasileiro. Foi apresentada neste trabalho a análise de leis pertinentes à Educação Integral no Brasil, visando compreender a visão de diferentes autores voltados para o tema em questão. Está pesquisa trouxe a compreensão de que a educação não é meramente de caráter assistencialista. A escola pública de tempo integral tem o objetivo de trabalhar em conjunto com a sociedade, priorizando o acesso à cultura, ao lazer, à educação de qualidade, à socialização e ao desenvolvimento do aluno em todas as suas dimensões. As leis que regem o ensino em tempo integral nas escolas públicas foram fontes norteadoras na busca pela compreensão da pesquisa. Em comum aos planejamentos do governo, no centro do processo está o discente. Na pesquisa sobre educação em tempo integral nas escolas públicas, observou-se a importância do ensino integral, compreendendo que a educação está pautada, sobretudo, nas relações pessoais, contribuindo para a formação de cidadãos éticos e críticos. O tema discorre sobre a necessidade de a escola pública em tempo integral acompanhar as mudanças tecnológicas, não só para que seja atrativa para os alunos, mas para estar atualizada frente à globalização. 5. REFERÊNCIAS 28 BRASIL. Lei nº 13.415, de 16 fev. 2017. Altera as Leis nºs 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015- 2018/2017/lei/L13415.htm. Acesso em: 04 nov. 2019. ______. Planejando a Próxima Década – Conhecendo as 20 Metas do Plano Nacional de Educação. Brasília-DF: Ministério da Educação, 2014. Disponível em: em: http://pne.mec.gov.br/images/pdf/pne_conhecendo_20_metas.pdf. Acesso em: 10 set. 2019. ______. Programa Novo Mais Educação. Documento Orientador – Adesão, versão I. Brasília-DF: Ministério da Educação / Secretaria de Educação Báscia / Diretoria de Currículos e Educação Integral / Coordenação Geral de Ensino Fundamental, outubro de 2016. CAVALIERE, A. M. V. Educação Integral: uma nova identidade para a escola brasileira? Educação e Sociedade, Campinas, v. 23, p. 247-270. dez. 2002. 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