Prévia do material em texto
P2 Por fim, defende-se que a ergonomia e a antropometria são fatores que caminham juntos, pois ambos contribuem para a melhoria do ambiente de trabalho, conforto, segurança e saúde do trabalhador, além de aumentar produtividade e diminuir prejuízos financeiros para a empresa, ou seja, somam- se e agregam-se benefícios tanto para os usuários daquele posto de trabalho como também para a empresa que adota essas medidas. Uma segunda questão essencial é discutir sobre uma sociedade mais inclusiva, desta forma é preciso atender aos parâmetros do desenho universal. Para Mendes (2016), o desenho universal refere-se ao processo de criar produtos que sejam acessíveis para todas as pessoas, independentemente de suas características pessoais como idade, gênero ou habilidades. Objetiva-se que os produtos universais acomodem uma escala larga de preferências e de habilidades individuais ou sensoriais dos usuários. A meta é que qualquer ambiente ou produto poderá ser alcançado, manipulado e usado, independentemente do tamanho do corpo do indivíduo, sua postura ou sua mobilidade. Para isso, os pesquisadores elencam sete princípios do desenho universal que são adotados mundialmente para qualquer atuação de programa de acessibilidade: • Igualitário: são espaços, objetos e produtos que podem ser utilizados por pessoas com diferentes capacidades, tornando os ambientes iguais para todos. • Adaptável: design de produtos ou espaços que atendam pessoas com diferentes habilidades e diversas preferências, sendo adaptáveis a qualquer uso. • Óbvio: de fácil entendimento para que a pessoa possa compreender, independentemente de sua experiência, conhecimento, habilidades de linguagem ou nível de concentração. • Conhecido: quando a informação necessária é transmitida de forma a atender as necessidades do receptor, seja ele uma pessoa estrangeira com dificuldade de visão ou audição. • Seguro: previsto para minimizar os riscos e possíveis consequências e ações acidentais ou não intencionais. • Sem esforço: para ser usado eficientemente, com conforto e com o mínimo de fadiga. • Abrangente: que estabelece dimensões e espaços apropriados para o acesso, o alcance à manipulação e o uso independentemente do tamanho dos corpos, da postura, da mobilidade do usuário, entre outros. Ao reconhecer as demandas dos diferentes usuários, aproximam-se as discussões que envolvem a acessibilidade, e para normatizar esta questão apoia-se na ABNT NBR 9050–Acessibilidade a edificações, mobiliários, espaços e equipamentos urbanos, atualizada em 2020, que estabelece padrões e orientações técnicas a serem ponderamos em projeto de qualquer natureza, construção, instalação e adaptação de edificações, mobiliários, e equipamentos urbanos aos requisitos de acessibilidade. Falar sobre acessibilidade é tratar de um dos temas mais importantes no setor da construção civil, de modo geral, refere-se a permitir às pessoas portadoras de deficiência, definitiva ou temporária, a participarem de atividades que incluem o uso de edifícios, serviços e informações. Ou seja, referem-se a construções adaptadas e equipadas para garantir o máximo de conforto e segurança aos usuários, buscando a concepção de espaços adequados às atividades diárias, a todos. Estas orientações estabelecem parâmetros que visam atender quesitos de conforto, segurança, desempenho do trabalhador e de seu ambiente de produção. Sendo assim, índices de iluminância artificial, condições do ar como temperatura, umidade e velocidade do vento, nível de ruído, entre outros fatores, envolvem a correta posição física do indivíduo e seu trabalho são contemplados pela norma. Importante destacar, que não se refere apenas aos edifícios de uso corporativo e comercial, mas estas orientações se enquadram a ambientes residenciais. As residências devem cumprir as definições de acessibilidade e desenho universal, ao que se enquadram escadas e rampas, por exemplo, quanto a escolhas de seus mobiliários e seus posicionamentos, que precisarão, com base no projeto, ter o uso e características de seus usuários, e além de suas particularidades. A exemplo de soluções a serem adotadas que viabilizam as questões discutidas neste módulo são definidas por Gurgel (2005), que pontua itens que devem ser evitados ou utilizados no projeto de interiores: • O projeto deve evitar, ao máximo, desníveis nos ambientes, e quando inevitável, deve ser sinalizado, informando os usuários sobre a diferença de altura. • Para os mobiliários que ficam expostos e na circulação, orienta-se a adoção de cantos arredondados. • Utilizar barras de segurança onde for conveniente, principalmente onde for exigido equilíbrio nas atividades. • Promover a proteção de tomadas contra acesso de crianças. • Provisionar espaços, sempre que possível, para as crianças com brinquedos e livros, buscando a concentração delas em um mesmo espaço. • Proporcionar locais de paradas e áreas de descanso em grandes extensões de circulações. • Sinalizar as portas e divisórias de vidros. E ainda, para Mendes (2016), há parâmetros de referências específicos que devem ser previstos e aplicados aos ambientes, associando a acessibilidade e o desenho universal, por exemplo: • Flexibilização dos ambientes: os sistemas construtivos das edificações e as suas instalações devem prever a possibilidade de remodelação de ambientes internos, sem comprometimento estrutural, possibilitando, por exemplo, a ampliação dos espaços, adequando-se às necessidades do usuário ao longo do tempo. • Circulações internas: as passagens devem ter dimensões, forma e materiais que permitam ao usuário realizar o percurso adequado livre de obstáculos em todos os ambientes da unidade habitacional. • Pisos: devem ser contínuos e livres de obstáculos, com superfície antiderrapante. Nesta conjuntura, os ambientes devem ser planejados em busca de promover e encorajar a independência e autonomia, centralizado na ideia de dar oportunidade à qualidade de vida a todos os indivíduos, portanto, o ato de projetar ambientes internos, assim como os externos, é trazer identidade à edificação e, além disso a responsabilidade de atender ao público sem perder a sua essencialidade. Portanto, sabe-se que os profissionais que atuam na produção do ambiente interno necessitam de conhecimentos na área, elaborando projetos para que os usuários se sintam satisfeitos, e por essa necessidade surgem os métodos e os processos ergonômicos, permitindo soluções para o maior número de usuários, garantindo o conforto e o bem-estar, buscando por ambientes harmônicos, sem obstáculos físicos e que sejam conectados com o seu uso. Referências YAMAZAKI, Gabrielle Prado J. Projetos de iluminação, mobiliário e desenho universal. [Digite o Local da Editora]: Editora Saraiva, 2021. E- book. ISBN 9786589881308. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786589881308/. Acesso em: 07 fev. 2024.