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1 PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO BÁSICA 1 Sumário INTRODUÇÃO 3 PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 4 A IMPORTÂNCIA DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO NA ESCOLA 7 ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 11 ESTRATÉGIAS DE MOBILIZAÇÃO DA COMUNIDADE ESCOLAR PARA A CONSTRUÇÃO DO PPP 13 ELABORAÇÃO DO PPP 15 DEFINIÇÃO DE UM MARCO REFERENCIAL ORIENTADOR DO PPP 19 ELABORANDO UM DIAGNÓSTICO OU CONHECENDO A REALIDADE DA ESCOLA 24 ELABORAÇÃO DE UM PLANO DE AÇÃO 32 CONCLUSÃO 36 REFERENCIA 37 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós- Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 INTRODUÇÃO O Projeto Político-Pedagógico (PPP) é uma ferramenta primordial na organização e no direcionamento do ano letivo. Administrar uma instituição escolar requer conhecimento, tempo, colaboração e planejamento de uma série de pessoas envolvidas com o ambiente educacional. Em termos gerais, trata-se de um documento que norteia as bases de ações da instituição. Ele assumirá as diretrizes da instituição como compromisso de gestão escolar participativa. Esse documento tem uma longa história. Simultaneamente, tem comprovada importância para o bom desenvolvimento das diretrizes de educação. A partir da década de 1980 o Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública iniciou um processo que pudesse instituir uma gestão democrática no ensino. Isto proporcionou uma autonomia escolar. Além de ter gerado diversas consequências positivas, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em 1996. De acordo com os artigos 12 a 14 da LDB, a escola tem autonomia para determinar qual será o seu PPP e a estrutura que será seguida. O documento é encaminhado posteriormente para a secretaria de ensino e deverá ser revisado pela instituição de ano em ano. O nome se refere aos planos de ações futuros que a escola pretende executar quanto às situações apresentadas, seja em curto, médio ou longo prazo. Outro ponto são as diretrizes políticas, partindo do princípio que o ambiente forma cidadãos conscientes de suas responsabilidades. E por fim com a parte acadêmica, mostrando quais serão os recursos necessários para suprir essa demanda. 4 PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO Considerando o Projeto Político Pedagógico essencial para o bom funcionamento da escola, faremos uma abordagem teórica acerca do tema, que diante dos desafios da pós-modernidade é considerado pertinente a todos os envolvidos no processo educacional. O Projeto Político Pedagógico é antes de tudo a expressão de autonomia da escola no sentido de formular e executar sua proposta de trabalho. É um documento juridicamente reconhecido, que norteia e encaminha as atividades desenvolvidas no espaço escolar e tem como objetivo central identificar e solucionar problemas que interferem no processo ensino aprendizagem. Esse projeto está voltado diretamente para o que a escola tem de mais importante “o educando” e para aquilo que os educandos e toda a comunidade esperam da escola – uma boa aprendizagem. O Projeto Político Pedagógico é um caminho traçado coletivamente, o qual se deseja enveredar para alcançar um determinado objetivo. Deste modo, ele deve existir antes de tudo porque define-se como ação que é anteriormente pensada, idealizada. É tudo aquilo que se quer em torno de perspectiva educacional: a melhoria da qualidade do ensino através de reestruturação da proposta curricular da escola, de ações efetivas que priorize a qualificação profissional do educador, do compromisso em oportunizar ao educando um ensino voltado para o exercício da cidadania, etc. É através de sua existência que a escola registra sua história, pois 5 éconhecido como “um conjunto de diretrizes e estratégias que expressam e orientam a prática político-pedagógica de uma escola”. É um processo inacabado, portanto contínuo, que vai se construindo ao longo do percurso de cada instituição de ensino. O projeto se dá de forma coletiva, onde todos os personagens direta ou indiretamente, pais, professores, alunos, funcionários, corpo técnico-administrativo são responsáveis pelo seu êxito. Assim, sua eficiência depende, em parte, do compromisso dos envolvidos em executá-lo. Veiga (2001), define o Projeto Político Pedagógico assim: Etimologicamente o termo projeto - projetare – significa prever, antecipar, projetar o futuro, lançar-se para frente. A partir desse entendimento, construímos um projeto quando temos uma demanda para tal, quando temos um problema. Assim, falar de projeto é pensar na utopia não como o lugar do impossível, mas como o possível de ser realizado e não apenas do imaginário e desmedido como apresenta inicialmente. O desejo de mudança, a possibilidade real de existir, de É um instrumento de trabalho que mostra o que vai ser feito, quando, de que maneira, por quem para chegar a que resultados. Além disso, explicita uma filosofia e harmoniza as diretrizes da educação nacional com a realidade da escola, traduzindo sua autonomia e definindo seu compromisso com a clientela. É a valorização da identidade da escola e um chamamento à responsabilidade dos agentes com as racionalidades interna e externa. Esta idéia 6 implica a necessidade de uma relação contratual, isto é, o projeto deve ser aceito por todos os envolvidos, daí a importância de que seja elaborado participativa e democraticamente. (p.110) 5 O projeto é político por estar introjetado num espaço de sucessivas discussões e decisões, pois o exercício de nossas ações está sempre permeado de relações que envolvem debates, sugestões, opiniões, sejam elas contra ou a favor. A participação de todos os envolvidos no Projeto Político Pedagógico da escola, as resistências, os conflitos, as divergências são atos extremamente políticos. Logo, concordamos com Aristóteles, quando afirma que “todo ato humano é um ato político”. O projeto é pedagógico por implicar em situações específicas do campo educacional, por tratar de questões referentes à prática docente, do ensino aprendizagem, da atuação e participação dos pais nesse contexto educativo, enfim, de todas as ações que expressam o compromisso com a melhoria da qualidade do ensino. A dimensão política, a forma social é a forma coletiva, na qual alunos, professores, supervisores, orientadores, funcionários e responsáveis por alunos discutem o Projeto Político Pedagógico. Todos nós planejamos nosso dia-a-dia, sistematicamente ou não. É através das discussões e das necessidades individuais, tornadas coletivas, que o Projeto Político Pedagógico passa a ser desenhado na cabeça das pessoas. Ao referir-se a essas dimensões política e pedagógica do Projeto, encontramos em Marques apud Silva (2000), apoio, quando expressa: O projeto político pedagógicotem um caráter dinâmico e não acontece porque assim desejam os administradores, mas porque nos preocupamos com o destino das nossas crianças, da escola e da sociedade e ansiamos por mudanças. 7 A IMPORTÂNCIA DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO NA ESCOLA A construção do Projeto Político Pedagógico surge a partir da necessidade de organizar e planejar a vida escolar, quando o improviso, as ações espontâneas e casuais acabam por desperdiçar tempo e recursos, os quais já são irrisórios. Sendo o Projeto Político Pedagógico a marca original da escola, ele pode propor oferta de uma educação de qualidade, definindo ou aprimorando seu modelo de avaliação levando em consideração os principais problemas que interferem no bom desempenho dos alunos; estabelecer e aperfeiçoar o currículo voltado para o contexto 8 sociocultural dos educandos; apontar metas de trabalho referentes à situação pedagógica, principalmente no que se refere às experiências com metodologias criativas e alternativas. Em função disso, é que se considera importante estruturar os princípios que norteiam as práticas educacionais. O projeto deve ser construído tendo por base tarefas simples, passíveis de serem executadas no dia a dia da escola. Mas ele não dispensa o planejamento cuidadoso, a imaginação criadora e o espírito de equipe. Entretanto, o mais importante para a escola, não é apenas construir um Projeto Político Pedagógico, mas o fazer educativo, a sua aplicabilidade. Não se realiza o Projeto Político Pedagógico somente porque os órgãos superiores o solicitam à escola, mas porque a comunidade escolar dá um basta à mesmice, à organização burocrática, à condução autoritária e centralizadora das decisões. Mas, sabemos que não é uma tarefa fácil , o processo exige ruptura, continuidade, seqüência, interligação, do antes, do durante e do depois, é um 7 avançar continuado. São mudanças que muitas vezes não são bem aceitas pela comunidade escolar, porque dá idéia de mais trabalho, mais tempo, mais custos, daí o porquê da resistência de alguns. Referindo-se a essa idéia, exprime Gadotti e Demo (1998), comenta que o Projeto Político Pedagógico é como um farol de mudanças, pois define pontos importantes para a educação básica como “A instrumentalização pública mais efetiva da cidadania e da mudança qualitativa na sociedade e na economia”. Para ele, esses aspectos são primordiais no sentido de oportunizar a formação do sujeito competente e viabilizar uma educação centrada na construção da qualidade, considerando que a escola é um espaço adequado onde se processa a capacidade de manejar e produzir conhecimento, pois dela se espera construir o conhecimento, em vez de apenas reproduzir. 9 O Projeto Político Pedagógico é um meio eficaz para a superação da ação fragmentada tanto na educação quanto na escola, motivando e reanimando o ânimo de toda a comunidade escolar, onde cada um tenha o sentido da pertença, sentidose co-responsáveis pelo crescimento e pela melhoria do ensino. O compromisso do professor é grande, podendo contribuir para que a escola seja um lugar de crescimento e humanização. Assim, é importante primar pela sua atualização constante, buscando referências e apoios didáticos que servirão de subsídios para inovar sua prática docente; trabalhar coletivamente, priorizar espaço onde possa vivenciar e fazer troca de experiências, revisando sempre sua formação. 8 Ao elaborar e executar o seu PPP a escola deverá destacar: Os fins e objetivos do trabalho pedagógico, buscando a garantia da igualdade de tratamento,do respeito às diferenças,da qualidade do atendimento e da liberdade de expressão ; • A concepção de criança, jovem e adulto, seu desenvolvimento e aprendizagem; • As características da população a ser atendida e da comunidade na qual se insere; • O regime de funcionamento; • A descrição do espaço físico, das instalações e dos equipamentos; • A relação de profissionais, especificando cargos, funções,habilitação e níveis de formação; • Os parâmetros de organização de grupos e relação professor/ aluno; • A organização do cotidiano de trabalho com as crianças, jovens e adultos; 10 • A proposta de articulação da escola com a família e a comunidade; • O processo de avaliação, explicitando suas práticas, instrumentos e registros; • O processo de planejamento geral. • Trazer anexos como: a Matriz Curricular vigente e Projetos Especiais a serem desenvolvidos. O PPP e o Regimento Escolar das unidades escolares deverão estar : • consonantes com as leis vigentes ( Lei 9394/96;11.274/06; Estatuto da Criança e do Adolescente,Resoluções do CME 002/98; 03/99 e 06/99;Diretrizes Nacionais para a Educação Infantil , para o Ensino Fundamental de Nove Anos, a Educação de Jovens e Adultos - EJA,Diretrizes Municipais para a Inclusão da História e Cultura Afro Brasileira e Africana no Sistema Municipal de Ensino de Salvador, Lei 10639/03 e as Diretrizes Municipais do Meio Ambiente. • disponíveis para a comunidade escolar , as autoridades competentes e para os pais dos alunos interessados em conhecer os documentos. 11 ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 1. Apresentação ou Introdução ( nela devem constar dados sobre o espaço físico,instalações e equipamentos,relação de recursos humanos,especificando cargos e funções;habilitações e níveis de escolaridade de cada profissional que presta serviço na instituição. 2. Breve histórico da unidade escolar 3. Eixo norteador da escola ( é o que a diferencia das demais, a sua identidade e função no meio social onde está inserida ). 4. Valores e Missão da escola 5. O que queremos? ( marco doutrinal).É a busca de um posicionamento: ••• Político - visão ideal de sociedade e de homem ••• Pedagógico – definição sobre a ação educativa e sobre as características que deve ter a instituição que planeja. Ou seja: - os princípios - as teorias de aprendizagem - o sistema de avaliação 12 6. O que somos? (marco situacional) O diagnóstico da realidade da escola. É a busca das necessidades a partir da análise da realidade e/ou juízo sobre a realidade da escola ,comparação com o que se deseja ser). 7. O que faremos? (marco operativo) Programação do que deve ser feito concretamente para suprir as faltas. É a proposta de ação. Que mediações (conteúdos, metodologias e recursos ) serão necessários para diminuir a distância entre o que vem sendo a instituição e o que deverá ser. Ou seja, a Proposta Curricular - organização da escola - organização do trabalho - processos de avaliação A proposta curricular deve estar diretamente relacionada aos pressupostos teóricos estabelecidos pela instituição, sem perder o foco nos objetivos, conteúdos e avaliação por segmento e área de conhecimento. 8. Anexos - matriz curricular -marcos de aprendizagem -projetos especiais -outros 13 ESTRATÉGIAS DE MOBILIZAÇÃO DA COMUNIDADE ESCOLAR PARA A CONSTRUÇÃO DO PPP Para mobilizarmos a comunidade escolar para a construção coletiva do PPP é necessária a utilização de um conjunto de ações articuladas entre si, o que significa a necessidade de uma vinculação estreita entre objetivos da mobilização e meios usados para tal fim. O coletivo de organização da mobilização para a construção do PPP na escola deve procurar planejar sua ação com base em algumas referências: * qual a melhor maneira de mobilizarmos as famílias? Os estudantes? E os “pequenos” estudantes? Os funcionários? E os professores? * qual a melhor forma de comunicação a ser utilizada? * qual o conteúdo dessa comunicação? * poderemos usar a mesma estratégia para todos os segmentos da comunidade escolar? * que recursos iremos utilizar? A escola dispõe desses recursos? 14 * a campanha de mobilizaçãodurará quanto tempo? * envolverá outros segmentos organizados da comunidade do entorno da escola? Mobilizar, como anteriormente já apresentamos, implica conjugar multiplicidades em torno de um objetivo comum. Implica também a difícil tarefa de negociar, buscar concordâncias, o que não significa, por sua vez, anular diferenças. Nesse sentido, pode facilitar o trabalho de mobilização se esse for coordenado por 12 um coletivo – representantes dos professores, de estudantes (grêmio ou colegas indicados), representantes das famílias. Outra sugestão, nas escolas em que houver conselho escolar atuante que possa se responsabilizar ou colaborar na coordenação dessa tarefa, a presença dos diferentes segmentos da comunidade escolar pode facilitar na escolha das melhores estratégias para se chegar a cada um deles. Algumas estratégias para a mobilização da comunidade escolar: elaboração de um livreto ou jornal (com imagens e diálogos) sobre o PPP, sua importância para a escola e necessidade da participação de todos (podese, por exemplo, mobilizar estudantes para sua elaboração) elaboração de carta-convite, com explicações sobre o PPP “panfletagem” na escola, mobilizando para um dia de discussões sobre o PPP Dia de Mobilização para a construção do PPP da escola 15 promoção de palestras, seminários de troca de experiências com outras unidades escolares que estejam ou já tenham elaborado seu PPP utilização de meios virtuais para divulgação da mobilização, especialmente entre os estudantes criação de canais virtuais, espaços de discussão e jornal voltados para os estudantes divulgação por meio de jornais comunitários, associação de moradores ou outros espaços debates em salas de aula, organização de atividades culturais centradas na discussão sobre a importância da participação da comunidade na construção do PPP. As sugestões acima são algumas possibilidades; cada escola, de acordo com sua “cultura local”, deve definir quais caminhos utilizará para chamar a comunidade escolar para participar da elaboração do seu Projeto Político-Pedagógico. ELABORAÇÃO DO PPP Documentar as ações e os projetos da escola em que você está inserido, contando com o apoio de professores, coordenadores, alunos e famílias: essa é uma das funções do projeto político-pedagógico. O PPP escolar, como também é conhecido, é essencial para a elaboração e o controle das atividades escolares a curto, médio e longo prazo. 16 Quer entender um pouco mais sobre essa ferramenta? Então, veio ao lugar certo. Neste texto, apresentaremos a utilidade do PPP tanto para a comunidade escolar quanto para os pais — na hora de escolher a melhor instituição de ensino para os filhos. Continue a leitura e tire suas dúvidas. O que é o projeto político-pedagógico? O projeto político-pedagógico escolar é a síntese de todos os objetivos que uma instituição de ensino deseja alcançar, incluindo princípios, diretrizes, metas estabelecidas pela comunidade acadêmica, visando à qualidade do ensino e à aprendizagem de seus alunos. O projeto pedagógico serve como guia para as atividades que acontecem durante todo o ano letivo. O ideal é que, a princípio, esse documento seja elaborado a partir da coleta de informações junto à comunidade externa (fornecedores, vizinhos, parceiros etc.) e interna à escola (alunos, pais e funcionários). Ao mesmo tempo que é formal, deve ser também de fácil acesso para os membros da comunidade em que a instituição está inserida. Como se vê, o projeto político-pedagógico envolve várias etapas do processo escolar: planejamento de atividades, execução do que foi previsto, avaliação e reavaliação mediante as mudanças. Ele estipula, de forma geral, as principais metas da escola e como isso será realizado. O PPP deve ser feito de forma personalizada, já que cada instituição de ensino tem diferentes pontos a serem desenvolvidos. Minha escola precisa ter projeto político-pedagógico? Todas as instituições de ensino do país precisam elaborar um projeto político- pedagógico. A obrigatoriedade foi criada ainda nos anos 90, por meio da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. A principal intenção do projeto é tornar a educação cada vez mais democrática, a fim de que todos os anos sejam formados novos cidadãos perspicazes e envolvidos. O PPP escolar é responsabilidade de quem? É interessante que o projeto pedagógico seja elaborado com sinergia. O importante é que cada escola encontre maneiras de envolver a comunidade durante a elaboração do documento. Diversas vozes podem ser ouvidas. Experimente formar 17 um conselho de educação na sua comunidade. A versão final e formal do projeto costuma ser redigida e divulgada pelo diretor da escola. Quais informações são essenciais para o projeto? O projeto político-pedagógico ideal traz uma visão completa da instituição de ensino, citando as particularidades e os diferenciais da escola. Deve ser citado, também, como a qualidade do ensino será desenvolvida nos próximos meses, juntamente com a capacitação dos alunos. O projeto político-pedagógico completo apresenta, entre outras informações: identificação da escola; missão da instituição; comunidade e público-alvo; plano de ação; informações sobre o andamento dos projetos de aprendizagem; diretrizes pedagógicas; o relacionamento com as famílias; questões financeiro-administrativas. O projeto político-pedagógico envolve órgãos do governo. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional prevê, também, o cumprimento da carga horária estabelecida, o acesso a meios para a recuperação de alunos com rendimento inferior, a articulação com famílias e comunidade e a notificação ao conselho tutelar, ao juiz e ao Ministério Público acerca dos alunos faltantes que excederem 50% do percentual permitido. práticas imprescindíveis para um projeto político-pedagógico efetivo Definir a missão da escola Cada instituição de ensino tem suas particularidades e pontos que ainda precisam se desenvolver. Por isso, a missão da escola deve ser constantemente revista e atualizada. Antes de elaborar o projeto político-pedagógico, vale a pena reunir uma equipe empenhada em definir a missão da escola hoje. A partir disso ficará muito mais fácil criar um plano de ação. 18 Envolver toda a comunidade Integrar os diversos personagens em torno de um objetivo comum. Esse é um dos principais objetivos para a construção de um projeto político-pedagógico efetivo. Com a participação de todos os envolvidos, é possível elaborar um projeto pedagógico com identidade definida, e com toda a equipe participando das tomadas de decisão. Se cada uma das partes agir como multiplicador, ao final do processo serão vários colaboradores, que se somarão ao documento, com sugestões e opiniões. Críticas também devem ser bem-vindas, já que ajudam no processo de elaboração do projeto pedagógico. Quanto mais pessoas se envolverem nessa criação, mais completo e personalizado o projeto será. Conviver com seus alunos O PPP é direcionado principalmente aos alunos da sua escola. Portanto, conheça- os. Busque compreender do que gostam e o que sonham. Os alunos não elaboram o projeto político-pedagógico, mas este deve ser de total interesse deles. Quando o plano é atraente, os alunos melhoram sua relação com a família e a com a comunidade. Assim, se desenvolvem também como pessoas. Estipular as diretrizes pedagógicas As diretrizes dão forma ao currículo escolar e contêm: a maneira de trabalho da instituição, os objetivos educacionais, as didáticas usadas, as metas de aprendizagem, entre outras informações. São fundamentais para que todos os docentes possam elaborar seus projetos de ensino seguindo o mesmo rumo. As diretrizes devem ser baseadas, principalmente, nos dados de aprendizagem da escola. Cumprir os combinadose estar aberto a cobranças Os coordenadores do projeto pedagógico devem oficializar os combinados, agendar as etapas e arcar com os compromissos. Com uma agenda clara e transparente, os participantes perceberão a intenção do documento e a seriedade com que está sendo conduzido. Cobranças sempre existirão. Porém, com um projeto político- pedagógico organizado, aos poucos, as pessoas confiarão mais nos organizadores ao longo do processo. Permitir que o documento esteja sempre acessível a todos Nada de engavetar o documento como se ele fosse propriedade de um pequeno grupo. O documento deve estar em um local onde as pessoas podem acessá-lo quando lhes convier. Assim, o processo torna-se mais democrático e fácil de lidar. A ideia principal do projeto político-pedagógico é, justamente, envolver todos na educação. Usar linguagem simples também ajuda na democratização das informações. 19 O PPP escolar não pode ser publicado e depois esquecido! A partir do momento em que está em vigência, os diretores e coordenadores da escola precisam monitorar atentamente seu retorno. Se for o caso, o projeto pedagógico pode, ainda, ser alterado durante o ano letivo. Os pontos positivos podem ser ampliados enquanto outros são adaptados. DEFINIÇÃO DE UM MARCO REFERENCIAL ORIENTADOR DO PPP Definir um marco referencial significa definir o conjunto de referências teóricas, políticas, filosóficas que balizará o trabalho da escola. Trata-se da explicitação das idéias, das concepções, teorias que orientarão a prática educativa da escola. Para que isso seja possível, é preciso compreender as relações existentes entre a escola e a realidade em que está inserida, realidade não apenas local, mas nacional e mundial. Significa compreender o sentido histórico da educação e da escola pública, compreendendo suas transformações atuais, à luz dos processos históricos que a determinam. Dessa relação entre o global, o nacional e o local podem-se então compreender a “realidade” da escola em sua singularidade, compreendida, entretanto, como resultante dessas relações mais amplas. 20 Essa análise pode nos lançar na definição e explicitação sobre as finalidades sociais da educação e da escola, levando-nos a interrogar sobre o tipo de sociedade com o qual a escola se compromete ou deseja se comprometer, que tipo de sujeitos pretende formar, qual sua intencionalidade, compreendida esta em suas dimensões política, cultural e educativa. De acordo com Veiga (2000, p. 23), “a escola persegue finalidades”, por isso é preciso ter clareza das mesmas. Ao ressaltar a importância da reflexão sobre as finalidades e os objetivos da escola, a autora afirma o caráter dialético desse movimento, ao destacar que as questões levantadas geram respostas que, por sua vez, levam a novas interrogações; esse esforço possibilita a identificação das finalidades da escola, de quais precisam ser reforçadas, quais estão sendo relegadas ao segundo plano. Esse trabalho de interrogar-se sobre suas finalidades faz com que a escola se volte para uma de suas principais tarefas, qual seja, aquela de refletir sobre sua intencionalidade educativa (VEIGA, 2000). A clareza da finalidade social da escola possibilita à comunidade escolar definir, também com mais pertinência, critérios e projetar sua ação em termos do que deseja para as dimensões pedagógica, administrativa e democrática. Gandin (1994), ao discutir o “marco referencial”, apresenta três eixos para a discussão: a) marco situacional; b) marco doutrinal e c) marco operativo. O marco situacional refere-se à reflexão sobre as relações da educação, da escola em sua inserção histórica, e suas relações com contextos sociais mais amplos; trata-se de problematizar a educação relacionando-a com outras dimensões da realidade, não apenas em nível local, mas também nacional e mundial. Procura-se compreender os nexos e as relações dos problemas locais compreendendo-os como parte desse contexto mais amplo. O ponto de partida é a realidade local da comunidade em que se insere a escola, os modos de vida dos sujeitos que compõem seu coletivo, as formas organizativas e comunitárias, as culturas locais, a ocupação e organização dos espaços comunitários etc. A discussão desses elementos possibilita apreender as mudanças em seu caráter histórico, discutir valores, conhecer as representações do grupo sobre a 21 sociedade brasileira, sobre sua comunidade, identificar satisfações e insatisfações, expectativas. A discussão do marco situacional desencadeia processos de reflexão relacionados aos valores sociais e políticos relacionados à sociedade e à educação que levam ao debate e ao estabelecimento do marco doutrinal do Projeto PolíticoPedagógico, ou seja, da explicitação dos fundamentos teóricos, políticos e sociais que o fundamentam. Doutrinal, nesse caso, não se refere à doutrina, dogmatismo, mas à discussão da base teórica que sustentará o PPP da escola, que dará norte às suas ações. Procura-se discutir, nesse eixo, o tipo de sociedade que queremos construir, qual a formação social e cultural que queremos para nossas crianças e nossos jovens. Quais os valores que queremos desenvolver, qual a função social da escola nos processos de formação dos sujeitos humanos etc. Discute-se nesse eixo o “dever-ser” da educação, horizonte necessário para que se possa se projetar um futuro melhor. 22 Intrinsecamente relacionado a esses dois eixos, temos então o terceiro, o marco operativo, relacionado às relações da escola com a sociedade; trata-se aqui de uma discussão vinculada ao contexto local, com aquilo que é específico da escola como instituição social e, de modo particular, da escola em que se trabalha, se estuda; o marco operativo se refere, então, à realidade local, traduz as necessidades, expectativas, do grupo e seus anseios por mudança. Trata-se da discussão da escola que queremos. Conforme Gandin (1994, p. 82), o marco operativo é “também uma proposta de utopia, no sentido que apresenta algo que se projeta para o futuro [...]”; todavia, como alerta o autor, para que o marco operativo não se torne um palavreado vazio, é preciso que este tenha um forte aporte teórico. O marco operativo não é o plano ou programação de ação; ele dá base e sustenta este plano de ação; refere-se à realidade desejada. Por isso, nos alerta Gadotti (2000), o PPP, em suas várias dimensões de elaboração, toma sempre como ponto de partida o já instituído, aquilo que já foi historicamente construído, não para perpetuar ou para afirmar fatalismos (“foi sempre assim, nada mudará”), mas para criar uma nova utopia, um novo instituinte. Baseado em Gandin, elaboramos um quadro síntese, com algumas questões que podem orientar os debates em cada um dos eixos do Marco Referencial do PPP. 23 MARCO REFERENCIAL DO PPP Marco situacional Que aspectos da situação global (social, econômica, política, cultural, educativa) chamam a atenção hoje no Brasil e na América Latina? Discutir pontos positivos e negativos do mundo atual. Discutir essas mudanças resgatando seu caráter histórico. Dentre as tendências/problemas da sociedade, na atualidade, quais chamam mais a atenção? Por que chamam a atenção? Quais os valores preferenciais na sociedade de hoje? Como essas preferências se manifestam? Qual lhes parece ser a explicação dos males da América Latina e do Brasil? Marco doutrinal Qual o tipo de sociedade que queremos? No que se fundamenta uma sociedade justa, democrática e participativa? Que valores devem estar presentes nessa sociedade? Que atitudes esperamos dos sujeitos humanos diante da sociedade? O que significa ser o homem sujeito da história? O que motiva o ser humano a tornar-se agente de transformação? Como podemos contribuir para a construção deuma nova sociedade mais justa? 24 Marco operativo Que ideal temos para nossa escola? Que significa ser o educando sujeito do seu próprio desenvolvimento? Em que consiste o educar-se; em conseqüência, qual é o ideal para nossa prática educativa? O que significa a educação voltada para a realidade? Como tornar a escola um espaço de mudança, de transformação social? O que caracteriza a escola democrática, aberta e participativa? O que é qualidade de ensino? Que princípios devem orientar nossa prática pedagógica? Projeto Vivencial ELABORANDO UM DIAGNÓSTICO OU CONHECENDO A REALIDADE DA ESCOLA O diagnóstico se constitui em um dos momentos mais importantes na construção do PPP, pois é nesse momento que fazemos uma profunda análise da situação atual da escola, observando-se todas as suas dimensões – infra-estrutura 25 física, equipamentos, corpo docente, trabalho pedagógico, gestão, comunidade, qualidade da educação, processos de formação dos estudantes, etc. Gandin (1994) começa essa discussão dizendo o que um diagnóstico não é: a) não é uma descrição da realidade da escola e b) não é um levantamento de problemas. Então, o que é um diagnóstico da escola? Como se elabora esse diagnóstico? O termo diagnóstico, comumente associado às práticas médicas, tem sua origem na palavra grega diágnósis, que significa discernimento, “conhecer através de”. O diagnóstico não é um fim em si mesmo, mas um processo que nos permite obter algum conhecimento sobre uma realidade dada. Ao possibilitar conhecimentos sobre a realidade de um determinado contexto, torna-se um importante instrumento no planejamento de mudanças, na medida em que pode nos ajudar a identificar “pontos fortes e frágeis” em cada realidade institucional e a ver as alternativas e possibilidades de ação, tendo como horizonte os ideais e objetivos pretendidos. Por isso, o diagnóstico não é apenas uma lista de problemas “daquilo que vai mal na escola”; supõe avaliação, comparação, juízos de valores, tudo isso tendo como ponto de partida o que foi definido anteriormente no Marco Referencial. Quando é elaborado de forma participativa, o diagnóstico da realidade da escola se constitui em um fecundo espaço de aprendizagem, na medida em que desencadeia um processo de reflexão sobre o que a escola é, aonde quer chegar, identificando os problemas, os efeitos e as conseqüências destes, mas possibilita também que se identifique o que a escola tem feito de bom, seus pontos fortes; é ponto de partida para que se elabore, de modo fundamentado e com base nas necessidades da escola, o Plano ou Programa de Ação. 26 Gandin (1994) argumenta que o diagnóstico é constituído por três elementos: a) é um juízo, portanto, implica um julgamento, uma avaliação; b) esse juízo é feito sobre uma prática específica (da realidade da escola) sobre a qual se planeja alguma mudança e c) esse juízo é realizado tomando-se como referência os preceitos estabelecidos no marco referencial. Ainda que incidam mais fortemente sobre a dimensão operativa (marco operativo), os critérios de análise referenciam-setambém nos marcos doutrinal e situacional. Um bom começo é perguntar-se: “até que ponto nossa prática realiza o que estabelecemos no marco operativo?” (GANDIN, 1994, p. 90) Tomando o diagnóstico como um dos momentos de construção do PPP, sua função reside em promover um profundo processo de avaliação sobre como a escola tem se organizado e realizado sua tarefa educativa, que dificuldades tem encontrado para o cumprimento desta, que possibilidades encontra para orientar sua ação na direção de uma escola pública democrática. As análises realizadas sobre a realidade da escola não são neutras; elas tomam como referência certo modo de compreender a função social da escola, como deve ser sua organização, o que inclui o trabalho pedagógico, a gestão, as relações com os estudantes, com a comunidade etc. Conforme Vasconcellos (1995), o diagnóstico “não é simplesmente um retrato da realidade ou um mero levantar dificuldades; antes de tudo é um confronto entre a situação que vivemos e a situação que desejamos viver”. Assim, o diagnóstico não é um instrumento técnico, neutro, que pode ser adaptado, aproveitado de outras organizações ou instituições sociais. Ele marca e se fundamenta em uma intencionalidade, é sustentando em valores, aponta para uma direção. Por isso, o diagnóstico da escola deve ser feito também de modo participativo. Implica a obtenção de dados quantitativos e qualitativos que, organizados, sistematizados, interpretados, constituem-se em indicadores importantes para o planejamento das ações futuras voltadas à mudança na escola. Como proceder, então, para realizar um diagnóstico da realidade da escola? Como organizar a produção das informações que auxiliarão na elaboração posterior da análise da realidade da escola? Se não se trata de elaborar uma lista de itens a serem checados; então, como definir o que será analisado? 27 Para elaborar um diagnóstico sobre a realidade educacional e obter informações que possam auxiliar a elaboração de um plano de ação, é fundamental se terem estratégias para obtenção de informações de análise que possam ajudar a compreender os diversos fatores que favorecem ou dificultam o trabalho educativo da escola. Como se aproximar, então, da realidade escolar, procurando identificar não apenas os problemas aparentes, mas também as dimensões “não ditas”, as determinações que nem sempre se dão a conhecer a um primeiro olhar? O primeiro passo é compor uma equipe ou grupo de trabalho com representantes dos segmentos da comunidade escolar, para coordenar essa etapa. Esse grupo de trabalho pode então elaborar um instrumento que oriente as discussões e facilite os registros das informações, das avaliações, das expectativas da comunidade escolar; esse grupo pode também definir as estratégias que serão usadas para coletar esses materiais com o coletivo da escola. Posteriormente, esses dados deverão ser analisados e consolidados em um documento final, que representa a formalização das discussões realizadas durante todo o processo. A elaboração de um instrumento que oriente as discussões e obtenção de informações ou coleta de dados deve ter como ponto de partida o marco referencial; a partir deste, podem ser estabelecidas dimensões da organização e prática da escola que serão objetos de análise. É importante que cada uma das dimensões seja discutida e bem definida, para que se possam definir eixos de análise e suas 28 perguntas, essas sim orientadoras do processo de discussão com a comunidade escolar. O estabelecimento de dimensões a serem analisadas tem um valor apenas operativo; visa facilitar a compreensão dos diferentes níveis de funcionamento da escola, facilitando-se a apreensão de fenômenos particulares. Não devemos, contudo, perder de vista que a escola é uma totalidade e que essas dimensões imbricam-se, condicionando-se mutuamente. Assim, deve-se, na análise, evitar a compreensão fragmentada da realidade, superando perspectivas teóricometodológicas que tendem tanto a focalizar como a responder, de modo parcial e seletivo, problemas que são multidimensionais. Nessa perspectiva, um problema como a evasão escolar, por exemplo, não pode ser considerado apenas do ponto de vista dos estudantes, mas também precisa ser analisado a partir da realidade da escola, relacionando-a com o contexto da educação nacional. 29 Definidas as dimensões constitutivas do diagnóstico, pode-se derivar dessas os eixos e perguntas que orientarão a análise a ser realizada. A seguir damos um exemplo de um “guia” para as discussões com a comunidade escolar. A essas dimensões e eixos podem ser acrescentados outros, relacionados com a particularidade de cadaescola. Trata-se apenas de fornecer indicativos que podem auxiliar na elaboração de instrumentos específicos, de acordo com as necessidades de análise de cada unidade escolar. Sugestões de dimensões e indicadores para análise da realidade escolar 30 31 Enfim, o diagnóstico implica o desafio de apreendermos analiticamente tudo aquilo que constitui o cotidiano da escola. Para isso, precisamos evitar a mera transposição de conceitos ou de instrumentos de análise. Analisar a realidade da escola supõe múltiplas tensões para aqueles que o fazem; impõem a necessidade, muitas vezes, de abandonar pontos de vistas cristalizados, de abrir mão de interesses pessoais em favor daqueles que representam o coletivo. Significa julgar, avaliar, emitir 32 juízos, valorizar, priorizar, selecionar, mesmo sabendo que a autonomia de que se dispõe, muitas vezes, é limitada. Chamamos atenção para a necessidade de captar a escola naquilo que ela é, sem procurar enquadrá-la em categorias predefinidas que nos obrigam a ajustar informações, a falsificar consensos. Analisar a escola em suas múltiplas dimensões nos ajuda a compreender suas determinações para além da realidade local, impulsionando para que se atinja a intencionalidade política proposta em seu marco referencial. ELABORAÇÃO DE UM PLANO DE AÇÃO As etapas anteriores – estabelecimento de um marco referencial e elaboração do diagnóstico da realidade escolar - culminam nesta que poderíamos considerar a última atividade da elaboração do PPP: a construção de um plano de ações, ou seja, de um conjunto de propostas que se desdobram em ações voltadas a provocar mudanças na realidade da escola. O diagnóstico pode evidenciar muitas necessidades da escola. Muitas vezes, essas são mais complexas e maiores do que a real capacidade da escola de satisfazê-las, o que pode ser fator gerador de tensões no coletivo. 33 Gandin (1994) sugere que se analise a necessidade da escola considerando dois critérios: a) o que é necessário; e b) o que é exeqüível. Segundo o autor, nem sempre o que é necessário é possível para a escolar resolver nas condições e no tempo de duração do plano de ação. Propõe, então, o autor que a escola estabeleça prioridades, considerando o que é mais necessário, oportuno e urgente fazer. Seguindo ainda essa classificação entre o possível e o necessário, Gandin sugere que o plano de ação ou a programação se organize a partir de quatro dimensões: das ações concretas, das orientações para a ação, das determinações gerais e das atividades permanentes. Ou seja, definidas as prioridades, passa-se a definir o tipo de ação necessária ao atendimento daquela necessidade. Ainda no plano de ação, temos a dimensão temporal, que implica distribuição das necessidades/ações de acordo com uma distribuição em curto, médio e longo prazo. Plano de ação a) Ações concretas: são ações voltadas para um objetivo específico, com uma terminalidade bem definida, sustentando-se em recursos próprios; devido às suas características, são bem delimitadas. Contemplam ações de curo prazo. Ex.: promoção de uma capacitação sobre um tema delimitado, para atender a uma necessidade específica b) Orientações para ação: não se constituem em propostas concretas, mas dizem respeito aos valores, às atitudes; procuram modificar os comportamentos, levar à partilha de referências comuns. Exemplo: “desenvolver o espírito crítico nos alunos 34 c) Atividades permanentes: dizem respeito a atividades de caráter permanente, podendo estar vinculadas ou não à esfera administrativa; são também denominadas rotinas d) Determinações gerais: são orientações ou ações que atingem a todos os segmentos da comunidade escolar; são elaboradas também a partir do diagnóstico da escola. Exemplos: requisitos para atividades complementares, apresentação dos planos de aula pelos professores aos alunos O plano de ação deve traduzir, em suas prioridades, formas de encaminhamento e as decisões coletivas da comunidade escolar; é a esta que cabe dizer o que é prioridade e quais os melhores meios para se alcançarem os objetivos propostos. As prioridades devem ser escolhidas tomando-se como base o que foi estabelecido no marco referencial – que estabelece o projeto de futuro da escola. Assim, não cabem decisões arbitrárias ou individuais. Podemos ainda contemplar, no plano de ação, um detalhamento das ações – qual é a ação, o que a justifica, qual procedimento/metodologia usaremos para realizá-la, quais as pessoas ou instâncias responsáveis por sua execução, quais recursos serão necessários (recursos materiais, humanos, financeiros), de que forma será acompanhada (avaliação processual). Esse detalhamento facilita a implementação do PPP e da avaliação processual. 35 Na perspectiva que aqui apresentamos, o plano de ação, parte integrante do PPP, refuta orientações tecnicistas, pois se encontra organicamente articulado às necessidades da escola; e precisa ser flexível, pois a própria dinâmica das atividades da escola pode levar à necessidade de redirecionamentos, de ajustes ou correções. Assim, o planejamento é práxis, representa uma estreita articulação entre teoria e prática, entre o previsto e o realizado. 36 CONCLUSÃO O PPP vai contemplar todo o trabalho desenvolvido na instituição ao longo do ano letivo. Ele é o norte, a direção a seguir, e, por isso, deve ser elaborado de acordo com a realidade da escola. Posteriormente é necessário ver a realidade da comunidade na qual ela está inserida. O objetivo é garantir que ele seja útil e possa servir a seu propósito. É fundamental que o PPP seja anualmente atualizado para que possa ser mantido vivo dentro da instituição, pois é a partir dos indicadores trazidos por ele que a escola terá a consciência empresarial da verdadeira necessidade de determinar e executar um plano de ação que lhe traga reais vantagens. Entretanto, infelizmente, é comum vê-lo engavetado e tornando-se um instrumento meramente burocrático. Uma situação comum que merece atenção é que os indicadores precisam servir para identificar os problemas e trabalhar em soluções. Quer dizer, a escola precisa saber o que fazer com os dados que consegue obter para chegar em melhores resultados. Uma escola que pretende proporcionar uma educação eficiente e de qualidade deve ter a consciência da importância que o PPP tem. É um caminho flexível e que se adapta às necessidades que os alunos e a própria instituição apresentam e pode ajudar bastante na tomada de decisões estratégicas. 37 REFERENCIA FREIRE, M. O QUE É GRUPO? IN: GROSSI, E. P.; BORDIN, J. (ORGS.). PAIXÃO DE APRENDER I. PETRÓPOLIS: VOZES, 1992. GADOTTI, M. PERSPECTIVAS ATUAIS DA EDUCAÇÃO. PORTO ALEGRE: ARTES MÉDICAS, 2000. GANDIN, D. A PRÁTICA DO PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO. PETRÓPOLIS, RJ: VOZES, 1994. MURAMOTO, HELENICE M.S. SUPERVISÃO ESCOLAR - PARA QUE TE QUERO? SÃO PAULO: IGLU, 1991. NOGUEIRA, NILBO RIBEIRO. PEDAGOGIA DE PROJETOS – ETAPAS,PAPÉIS E ATORES.SP: ERICA,2005. SALVADOR. CARTA DA CIDADE EDUCADORA. PMS-SMEC-ASTEC, 2007. SALVADOR. COMO ELABORAR A PROPOSTA PEDAGÓGICA. SMEC-CENAP,2001. VASCONCELLOS, CELSO S. PLANEJAMENTO: PROJETO DE ENSINO-APRENDIZAGEM E PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO.SÃO PAULO:LIBERTAD,2000. VASCONCELOS, C. PLANEJAMENTO: PLANO DE ENSINO-APRENDIZAGEM E PROJETO EDUCATIVO – ELEMENTOS METODOLÓGICOS PARA ELABORAÇÃO E REALIZAÇÃO. SÃO PAULO: LIBERTAD, 1995. (CADERNOS PEDAGÓGICOS DO LIBERTAD; V. 1). VEIGA, I. P. A. PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DA ESCOLA: UMA CONSTRUÇÃO POSSÍVEL. 10ª ED. CAMPINAS: PAPIRUS, 2000. VEIGA, ILMA PASSOS A.(ORG). 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